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Questões resolvidas

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O mercado de crédito
Você vai entender a organização e o funcionamento do mercado de crédito, além dos produtos oferecidos
e seus impactos na economia do país.
Prof. Paulo Roberto Vianna Junior
1. Itens iniciais
Propósito
Compreender o mercado de crédito, as instituições financeiras e os produtos oferecidos é essencial para
formar gestores financeiros competentes, capazes de tomar decisões informadas. Esse conhecimento ajuda
no planejamento financeiro de indivíduos e empresas, contribuindo para a alocação eficiente de recursos e
para a gestão de riscos econômicos.
Preparação
Antes de começar o estudo, tenha uma calculadora para as quatro operações básicas ou acesso a uma
planilha eletrônica.
Objetivos
Descrever o funcionamento e a importância da intermediação financeira e do mercado de crédito. 
Descrever os diferentes atores do mercado de crédito e suas formas de captação de recursos junto
aos agentes superavitários. 
Comparar diferentes produtos de crédito oferecidos no mercado financeiro, considerando os riscos e
os critérios de classificação utilizados pelas instituições financeiras.
Introdução
Característica do mercado de crédito, a intermediação financeira é relevante no desenvolvimento econômico
de qualquer nação. Esse processo conecta agentes que precisam captar recursos para atividades econômicas
aos chamados agentes poupadores.
 
Com recursos disponíveis, os poupadores desejam obter rendimentos financeiros com a intermediação de
instituições financeiras que tornem possível e eficiente a conciliação das mais diversas expectativas de prazos
e volumes que essa multidão de agentes possui.
 
Ao longo deste conteúdo, explicaremos o funcionamento do mercado de crédito, apontando quem são seus
principais atores, como eles captam recursos e os principais produtos ofertados. Também veremos a quais
riscos as instituições estão sujeitas e os mecanismos de mitigação de que elas dispõem.
• 
• 
• 
1. Fundamentos da intermediação financeira e do mercado de crédito
Intermediação financeira
Assista ao vídeo para entender o serviço de intermediação financeira, seus objetivos, a função do crédito na
economia e os riscos associados a esse produto.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vamos explorar neste momento a intermediação financeira e o funcionamento do mercado de crédito,
explicando como ele se organiza e como as instituições financeiras são remuneradas por sua operação.
Também veremos a distinção entre o crédito livre e o direcionado.
 
Em qualquer economia, podemos distinguir dois tipos de agentes. Veja!
Podendo ser pessoas físicas ou jurídicas, esses inúmeros agentes têm diferentes expectativas de
remuneração, prazo e volume de recursos que querem ofertar ou tomar. Além disso, possuem diferentes
características de aversão a risco, idade, faixa de renda, atividade desempenhada, localização geográfica e
histórico de crédito, ou seja, perfis de risco distintos.
 
Por isso, seria muito difícil para um agente encontrar sozinho uma contraparte que atendesse plenamente às
suas expectativas sem a ajuda de um intermediário. Vejamos os seguintes casos.
João
Ele recebeu um pagamento inesperado de R$ 5.000 e, como só pretende
usar esse valor em seis meses, deseja investir o dinheiro nesse período para
obter rendimento. No entanto, João é muito avesso a riscos e quer garantir
que receberá o valor total ao final do prazo.
Pedro
Ele está desempregado, mas precisa comprar uma geladeira no valor de R$
1.000 e não tem o dinheiro disponível. Gostaria de tomar esse valor
emprestado para pagar em um ano.
Agentes superavitários 
Pessoas que acumulam poupança para
necessidades futuras e buscam obter
rendimento sobre esses recursos. 
Agentes deficitários 
Pessoas que buscam recursos para
consumo ou para desenvolver
atividades produtivas, dispostas a pagar
uma remuneração pelo acesso a esses
fundos. 
Maria
Ela possui um comércio com bons resultados e deseja abrir uma nova loja
para expandir seus negócios. Para isso, quer tomar R$ 20.000 emprestados,
com o pagamento previsto para dois anos.
José
Ele vendeu seu carro e deseja investir os R$ 15.000 obtidos com a venda por
três meses, até fazer uma viagem.
Os dois agentes poupadores (João e José) querem emprestar, enquanto os dois deficitários (Pedro e Maria)
desejam tomar recursos emprestados. No entanto, diferentes perfis de risco, valores e prazos tornam
improvável que eles consigam realizar essas operações.
 
As instituições financeiras atuam, então, como intermediárias, conectando agentes poupadores e tomadores
com características e expectativas distintas. A gestão de riscos e a conciliação de volumes e prazos são
viabilizadas pela ampla diversidade de perfis desses agentes.
 
A imagem a seguir ilustra o papel das instituições financeiras como intermediárias, conectando os agentes
superavitários e deficitários. Neste esquema, a instituição financeira se torna a contraparte de ambos, o que é
muito importante, pois define o risco de crédito de cada participante no processo.
Instituições financeiras como intermediários.
Risco de crédito
Antes de tudo, precisamos definir risco de crédito.
Risco de crédito é o risco de a contraparte de uma operação não honrar seus compromissos. 
Em uma operação de crédito, o risco de crédito refere-se à possibilidade de o tomador não pagar ao credor o
valor devido na data de vencimento. 
 
Vamos ver se você compreendeu até aqui. Você consegue prever o risco da situação a seguir? 
Se João emprestasse dinheiro diretamente a Pedro, qual seria o risco dele?
Seria o risco de Pedro não pagar o valor devido na data acordada, ou seja, o risco de crédito de João
seria Pedro. Com a intermediação financeira, João empresta o dinheiro ao banco, que, por sua vez, o
empresta a Pedro. Assim, o risco de crédito de João passa a ser o banco, enquanto, para o banco,
Pedro é o risco de crédito.
Mercado de crédito
Confira neste vídeo uma visão geral do mercado de crédito, sua importância e as modalidades de crédito
direcionado e livre.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
No mercado de crédito, as instituições financeiras atuam como intermediários financeiros, unindo os agentes
deficitários e superavitários.
 
Esse é o mercado em que atuam os bancos comerciais e as sociedades de crédito, financiamentos e
investimentos (também conhecidas como financeiras). Nele, as instituições, por exemplo, captam recursos
dos poupadores e os emprestam a empresas e pessoas com o propósito de financiar consumo ou capital de
giro.
 
Como as instituições financeiras que operam nesse mercado possuem uma carteira bastante ampla de
clientes com diferentes perfis de prazos e volumes de recursos, elas conseguem realizar uma gestão de riscos
mais eficiente que a de poupadores e tomadores. Sem a ajuda desses intermediários, eles não seriam capazes
de fazer essa gestão.
 
Desse modo, essas instituições captam recursos com os agentes poupadores, remunerando-os com uma taxa
de juros conhecida como taxa de captação.
 
Em contrapartida, elas emprestam recursos para os agentes deficitários, cobrando deles outra taxa de juros
pelo serviço: a taxa de empréstimo.
 
Tendo compreendido os dois conceitos, você consegue responder à pergunta a seguir?
Qual é a maior taxa: a taxa de captação ou a de empréstimo?
A taxa de empréstimo é maior que a de captação. A explicação para isso é simples. A de empréstimo
é formada pela receita do banco, ou seja, o quanto ele recebe pelos empréstimos que realiza. Já a de
captação é a despesa do banco, o quanto ele paga para captar recursos. Como o banco busca lucro,
ele precisa ter uma receita superior à sua despesa. Dessa forma, a taxa de empréstimo deve ser maior
do que a de captação.
A diferença entre essas duas taxas é chamada de spread de crédito (margem de crédito). O spread configura
uma medida da remuneração dos bancos pelo serviço de intermediação financeira.
O spread de crédito.
O valor do spread de crédito é compostopor diversos fatores além do lucro dos bancos, como o custo de
captação, inadimplência, custos administrativos, impostos e repasses ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Um dos componentes mais importantes é a inadimplência, que reflete o risco de crédito do banco. De todos
os empréstimos oferecidos, uma parte não será paga pelas contrapartes, o que determina o nível de
inadimplência na carteira do banco.
Quanto maior for o nível de inadimplência, maiores serão os riscos do banco e, por consequência, a
remuneração exigida por ele para emprestar recursos.
Outra parcela do spread diz respeito a repasses para o FGC. Da mesma forma que a inadimplência, essa
parcela também está relacionada ao risco de crédito. Porém, neste caso, tal risco está voltado para os
credores do banco. Detalharemos esse ponto mais à frente quando falarmos do FGC.
 
Devido às suas características, as operações no mercado de crédito costumam ser de curto ou médio prazo.
Elas podem ser divididas em duas categorias. Vamos conhecê-las agora!
Crédito direcionado
Ele é constituído por empréstimos com condições determinadas pelo governo e regulamentadas pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN) na formulação de políticas públicas. O governo, portanto, determina que
uma parte dos recursos captados pelos bancos comerciais seja direcionada ao financiamento de atividades
estratégicas para o país relacionadas com o setor rural, habitacional ou de infraestrutura.
 
Com isso, parte dos depósitos, tanto à vista quanto os de poupança deve ser direcionada a um crédito, rural
ou imobiliário, por exemplo.
Mas você sabe como surgiu o crédito direcionado?
Surgiu da necessidade de viabilizar empréstimos de longo prazo em um ambiente com baixa
poupança e mercado de capitais pouco desenvolvido. Essa era a realidade do Brasil há algumas
décadas.
Além do crédito rural e do financiamento imobiliário, também se enquadram no crédito direcionado as
operações de capital de giro e o financiamento agroindustrial e de investimentos com recursos do BNDES e
operações de microcrédito.
 
A Resolução CMN nº 4.676/18 exige que um mínimo de 65% dos depósitos em poupança seja direcionado a
operações de financiamento imobiliário. Oitenta por cento desses 65% devem ser encaminhados ao Sistema
Financeiro de Habitação, que busca financiar imóveis para famílias de baixa renda.
 
Por sua vez, 25% dos depósitos à vista dos bancos precisam ser direcionados ao crédito rural. Já 2% desses
depósitos vão para o microcrédito, que é composto por operações de crédito destinadas à população de baixa
renda e aos microempreendedores.
 
No crédito direcionado, as taxas praticadas e o spread de crédito são, por vezes, controlados pelo governo.
Crédito livre
Os contratos de financiamento e os empréstimos têm taxas pactuadas livremente, enquanto as instituições
financeiras possuem autonomia para destinar os recursos captados no mercado da maneira que entenderem
ser a mais eficiente.
Exemplo
O cheque especial, o crédito consignado, o crédito pessoal, o rotativo de cartão de crédito e o capital de
giro de empresas. 
A importância do mercado de crédito
Elo entre os agentes poupadores e tomadores, o mercado de crédito concilia as diversas expectativas
relativas a prazos e volumes e otimiza a gestão dos riscos, tornando-a mais eficiente. Esse mercado ainda
possui uma importância relevante para o país, pois viabiliza a economia real, disponibilizando recursos para a
produção de bens e serviços e fornecendo mecanismos de poupança.
As instituições financeiras que operam no mercado de crédito recebendo depósitos à vista também
contribuem com a economia por meio da criação de moeda escritural, o que gera o chamado efeito
multiplicar bancário.
Quando uma instituição financeira recebe depósitos à vista, uma parte deve ser destinada à reserva
compulsória no Banco Central. O restante pode ser utilizado para conceder empréstimos, os quais, por sua
vez, geram novos depósitos à vista.
 
Isso gera um efeito multiplicador de tal forma que, se R for o valor da reserva compulsória depositada no
Banco Central, a quantidade de recursos disponíveis para empréstimos será dada por:
Com isso, se o Banco Central definir uma taxa de 20% para a reserva compulsória, teremos um efeito
multiplicador igual a:
Ou seja, para cada R$ 1 depositado em conta corrente dos bancos, R$ 5 são disponibilizados para
empréstimos, aumentando, assim, a oferta de recursos para os agentes tomadores.
 
Caso a taxa compulsória seja de 25%, teremos um efeito multiplicador igual a:
Isso significa que, para cada R$ 1 depositado em conta corrente dos bancos, R$ 4 são disponibilizados para
empréstimos. Com isso, o depósito compulsório exigido pelo Banco Central às instituições financeiras
determina a quantidade de recursos disponíveis para o mercado de crédito.
No Brasil, o mercado de crédito ainda não possui uma grande
envergadura em comparação com outras nações mais desenvolvidas. 
Em 2019, o mercado de crédito brasileiro representava, segundo dados
do Banco Central, cerca de 48% do Produto Interno Bruto (PIB).
Países como Estados Unidos e Japão possuem respectivamente
mercados de crédito de 245% e 361% do PIB, informam os dados
recolhidos pelo Banco Mundial.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Assinale a afirmativa correta sobre o mercado de crédito:
A Trata-se de um mercado em que agentes poupadores e tomadores negociam livremente entre si para
ofertar e tomar crédito.
B É um mercado irrelevante para a economia dos países, pois não gera poupança em longo prazo.
C No mercado de crédito, ocorre uma intermediação financeira, em que as instituições financeiras
funcionam como um elo entre agentes poupadores e tomadores.
D A inadimplência alta faz com que o spread bancário seja menor, uma vez que os bancos correm menos
risco.
E No mercado de crédito, os bancos captam recursos dos agentes deficitários para emprestá-los aos
superavitários.
A alternativa C está correta.
O mercado de crédito é o mercado da intermediação financeira. As instituições financeiras reúnem agentes
poupadores (superavitários) e tomadores (deficitários) com diferentes expectativas de prazos e volumes,
além de distintos perfis de riscos, tornando mais eficiente a gestão de riscos. Nele, os agentes não
negociam entre si, e sim com os intermediários financeiros. Trata-se de um mercado relevante para a
economia, pois viabiliza recursos para o consumo de desenvolvimento de atividades produtivas. Uma
inadimplência alta nesse mercado significa um risco alto, fazendo com que o spread bancário aumente.
Questão 2
O mercado de crédito é o mercado da intermediação financeira. Qual das opções a seguir apresenta um
exemplo de destinação de recursos do crédito livre?
A Crédito rural
B Crédito imobiliário
C Crédito consignado
D Microcrédito
E Operações com recursos do BNDES
A alternativa C está correta.
O crédito consignado é a única alternativa que não é um exemplo de destinação de recursos do crédito
direcionado, portanto, ele é classificado como crédito livre. Para todas as demais, o direcionamento de
parte dos recursos captados pelos bancos é previsto pelo governo.
2. Atores e captação no mercado de crédito
Regulação e instituições
Descubra no vídeo como é feita a regulação do sistema financeiro nacional e do mercado de crédito, assim
como o papel das instituições financeiras nesse mercado.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Apresentaremos agora as instituições que atuam no mercado de crédito. Vamos entender como as instituições
financeiras captam recursos dos agentes superavitários para emprestá-los aos deficitários.
 
Além disso, veremos alguns mecanismos de que os agentes superavitários dispõem para se protegerem
contra o risco de crédito representado pelas instituições financeiras.
Regulação e supervisão do mercado de crédito
O mercado de crédito é regulado, o que significa que as empresas precisam ser autorizadas pelo Banco
Central do Brasil (BCB) para conceder empréstimos. Além disso,devem ser constituídas conforme as normas
do CMN e possuir capital adequado para enfrentar os riscos, garantindo a estabilidade do sistema financeiro
como um todo.
 
O BCB apresenta em seu site a seguinte composição para o sistema financeiro nacional:
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem
abaixo.
Estrutura do sistema financeiro nacional.
Os órgãos normativos são aqueles que estabelecem as regras do jogo, regulando as condições para se operar
nos mercados e estabelecendo medidas prudenciais para garantir a estabilidade financeira. Além disso, entre
outras regras que visam a um bom funcionamento do sistema, são estabelecidas medidas de conduta para a
salvaguarda da proteção de participantes e consumidores.
Órgãos normativos
Além do CMN, há outros órgãos normativos envolvidos: o Conselho Nacional de Seguros Privados
(CNSP) e o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC). 
Criado pela Lei nº 4.595, de 1964, o CMN é o órgão responsável por regular o mercado de crédito,
entre outras funções, enquanto o BCB é responsável pela sua supervisão.
Um dos principais objetivos da regulação e da supervisão é garantir o bom funcionamento e a estabilidade do
sistema. Por outro lado, um dos pontos de atenção do regulador e do supervisor é o risco de liquidez dos
bancos. O risco de liquidez é associado à capacidade das instituições financeiras de realizar seus ativos em
condições de valores e prazos adequados. 
Resumindo
O risco de liquidez é a capacidades de as instituições financeiras transformarem seus ativos em dinheiro
rapidamente e sem perdas significativas, a fim de cumprir suas obrigações. 
Essa preocupação do regulador justifica-se pelas características dos ativos e das obrigações dos bancos e do
multiplicador bancário.
 
As obrigações dos bancos costumam ser de curtíssimo prazo, como no caso dos depósitos à vista, que têm
liquidez imediata. Com o multiplicador bancário, vimos ainda que cada R$ 1 depositado pode gerar diversos
outros reais também em depósitos à vista, o que representa a capacidade de alavancagem dos bancos.
 
Já os ativos dos bancos constituem seus empréstimos de curto e médio prazos. São, portanto, de maior prazo
do que suas obrigações. Caso haja um volume muito alto de resgates de contas de depósito à vista, o banco
poderá ter dificuldades em realizar seus ativos para pagar a todos os clientes que quiserem resgatar seus
valores.
Para evitar que o banco se torne insolvente nessas situações, o CMN e
o BCB emitem regras prudenciais fortemente baseadas no padrão
internacional estabelecido pelo Comitê de Basileia de Supervisão
Bancária (BCBS, em inglês). Trata-se do denominado Basileia III 
(número romano que corresponde à sua terceira versão).
Desse modo, as instituições que operam no mercado de crédito devem
possuir capital suficiente e uma estrutura eficaz de gestão de riscos para garantir seu funcionamento regular –
mesmo em situações de crise.
Atenção
O Comitê de Basileia tem importância significativa, uma vez que a globalização tornou os sistemas
financeiros de todo o mundo interligados, aumentando o risco de contágio. Isso exigiu dos reguladores
nacionais uma harmonização na regulação e na supervisão a fim de garantir a estabilidade do sistema
financeiro internacional. 
Instituições financeiras
São os principais agentes do mercado de crédito, podendo ser estruturados de diferentes formas, que serão
detalhadas a seguir.
Bancos de desenvolvimento
O mais conhecido deles é o Banco Nacional do Desenvolvimento
Econômico e Social (BNDES), mas há vários outros bancos de
desenvolvimento regional, como o Banco da Amazônia, o Banco do
Nordeste, o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG) e o
Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo (BANDES).
 
Esses bancos têm por objetivo fomentar a atividade econômica. A Resolução CMN nº 394 assim define seus
objetivos:
[...] proporcionar o suprimento oportuno e adequado dos recursos necessários ao financiamento, a
médio e longo prazos, de programas e projetos que visem a promover o desenvolvimento econômico e
social dos respectivos estados da Federação onde tenham sede, cabendo-lhes apoiar prioritariamente o
setor privado. 
(BRASIL, 1976)
Vejamos os exemplos da Caixa Econômica Federal e do Banco do Brasil.
Caixa Econômica Federal
É uma instituição financeira pública que exerce uma série de funções
operacionais na implantação de políticas de governo. Entre essas
políticas, destaca-se a gestão de fundos, como o Fundo de Garantia do
Tempo de Serviço (FGTS), o Programa de Integração Social (PIS) e o
Seguro-Desemprego. Além disso, ela gere as loterias e concede
empréstimos sob penhor.
Banco do Brasil
É uma sociedade de economia mista que também apoia a execução de
políticas públicas, como as de crédito rural e industrial.
Instituições financeiras monetárias
São as instituições autorizadas a reter depósitos à vista, ou seja, a gerar moeda escritural. Elas dividem-se em
bancos comerciais (aqueles aos quais estamos costumados a utilizar), bancos múltiplos com carteiras
comerciais, Caixa Econômica Federal e cooperativas de crédito.
Instituições financeiras não monetárias
Em oposição às instituições monetárias, as não monetárias não podem reter depósitos à vista. Entre os
principais tipos que operam no mercado de crédito, podemos citar tanto as sociedades de crédito,
financiamento e investimentos (também conhecidas como financeiras) quanto as de crédito imobiliário, além
das associações de poupança e empréstimo.
Você sabe o que é shadow banking?
O shadow banking (ou sistema bancário paralelo) é composto por agentes que oferecem crédito de
forma informal. É considerado um sistema paralelo ao bancário, ou "nas sombras" (do inglês shadow),
pois não está sujeito a regulamentações e supervisão, ou está apenas parcialmente regulado.
Este tipo de atividade constitui um risco para o sistema financeiro apesar de representar um volume
significativo de negócios no mundo todo.
Algumas pessoas acreditam que o shadow banking foi um dos principais responsáveis pela crise
financeira global em 2008, pois a maior parte de suas operações era alavancada, ou seja, não possuía
garantias reais.
Algumas das instituições que operam nesse mercado paralelo de crédito são os fundos de pensão, as
seguradoras, as securitizadoras, as factorings e os esquemas peer-to-peer.
Instrumentos de captação bancária
Confira no vídeo os diferentes instrumentos de captação bancária, como depósitos à vista, depósitos a prazo,
poupança, letras financeiras, LCAs, LCIs e o Fundo Garantidor de Crédito (FGC).
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Como vimos, os bancos são os principais provedores de crédito. Para poder cumprir esse papel, eles precisam
captar recursos dos agentes poupadores. Essa captação pode se dar por meio de diversos instrumentos.
 
Nesses instrumentos, os agentes poupadores estão sujeitos ao risco de quebra da instituição financeira à qual
aportam recursos. Dessa forma, quanto mais sólida for essa instituição, menor será a taxa de remuneração
exigida por esses investidores para suportar o risco, assim como menos custoso será para ela captar
recursos.
 
Analisaremos agora alguns dos instrumentos de captação bancária mais importantes.
Depósitos à vista
Trata-se dos depósitos em conta corrente disponibilizados pelas instituições financeiras monetárias. Eles
constituem uma fonte importante de captação. Esses depósitos não são remunerados e possuem liquidez
imediata para o depositante, podendo ser sacados a qualquer tempo.
 
Como sabemos, parte desses depósitos deve ser recolhida ao BCB por meio dos depósitos compulsórios,
enquanto a outra precisa ser empregada no crédito direcionado, como crédito rural ou financiamento
imobiliário.
Depósitos a prazo
Diferentemente dos feitos à vista, os depósitos a prazo são remunerados pela instituição financeira após o
período previamente acordado. Eles podem possuir restrições de resgate para o depositante.
 
Os principaisprodutos de depósito a prazo comercializados são:
 
Certificados de depósito bancário (CDB) 
Recibos de depósito bancário (RDB)
 
A diferença entre os dois é que o CDB pode ser negociado antes do seu vencimento, enquanto o investidor
não tem a opção de transferir o RDB.
 
A remuneração dos títulos pode ser feita de três formas:
 
Por uma taxa prefixada. 
Por uma pós-fixada (geralmente um percentual da taxa DI). 
Por uma combinação dos dois.
Depósitos de poupança
É um dos produtos mais conhecidos dos brasileiros. Ele oferece uma rentabilidade de 0,5% ao mês mais a
variação da taxa referencial (TR).
 
Depois de 2012, a regra da remuneração da poupança ganhou um novo componente. Agora, caso a meta da
taxa Selic seja igual ou inferior a 8,5% a.a., a remuneração da poupança será igual a 70% dessa taxa mais a
variação da TR.
Letras financeiras
São instrumentos de captação das instituições financeiras de mais longo prazo que o de CDBs e RDBs.
 
As letras financeiras geralmente estão destinadas a investidores institucionais, incluindo fundos de
investimento, sociedades seguradoras e entidades de previdência complementar, uma vez que seu valor
mínimo para aplicação é de R$ 300 mil e que seu prazo mínimo é de dois anos.
Letras de crédito do agronegócio (LCA)
As LCA são títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras que possuem isenção de Imposto de
Renda (IR) e de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Elas devem estar lastreadas por créditos do
agronegócio, ou seja, empréstimos que os bancos efetuam a esse setor da economia.
Letras de crédito imobiliário (LCI)
De maneira semelhante às LCAs, as LCIs possuem isenção de IR e IOF.
Elas precisam estar lastreadas por créditos imobiliários, sejam eles
financiamentos imobiliários ou projetos de reforma e construção.
 
Graças a esses instrumentos, os agentes superavitários podem
emprestar recursos financeiros para que os bancos concedam crédito.
Assim, eles assumem o risco de a instituição financeira em que investiram tornar-se insolvente. Para minimizar
esse risco, existem mecanismos como o FGC.
Fundo Garantidor de Crédito (FGC)
• 
• 
1. 
2. 
3. 
O FGC é um arranjo elaborado pelas instituições financeiras para proteger os investidores que aportam
recursos nelas, barateando seu custo de captação. Ele é constituído em forma de associação civil sem fins
lucrativos, funcionando como uma espécie de seguro para esses investidores.
A origem do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) se dá com a edição da Resolução CMN nº 2.197/95,
que autoriza a constituição de entidade privada e sem fins lucrativos destinada a administrar
mecanismo de proteção a titulares de créditos contra instituições financeiras. 
O FGC tem por finalidade:
 
Proteger depositantes e investidores no âmbito do sistema financeiro até os limites estabelecidos pela
regulamentação. 
Contribuir para a manutenção da estabilidade do sistema financeiro nacional. 
Auxiliar na prevenção de uma crise bancária sistêmica.
O art. 11 desse estatuto (2013) ainda afirma que são instituições associadas ao FGC a Caixa Econômica
Federal, os bancos múltiplos, os bancos comerciais, os bancos de investimento, os bancos de
desenvolvimento, as sociedades de crédito, financiamento e investimento, as sociedades de crédito
imobiliário, as companhias hipotecárias e as associações de poupança e empréstimo em funcionamento no
país.
 
Já a Resolução CMN nº 4.653/18 estabelece que o valor de 0,01% sobre os saldos garantidos pelo FGC
precisa ser recolhido mensalmente pelas instituições financeiras a esse fundo como contribuições ordinárias.
 
O FGC presta garantia aos depositantes em casos de decretação da intervenção, liquidação extrajudicial ou
falência, assim como o reconhecimento, pelo BCB, do estado de insolvência.
 
São prestados dois tipos de garantia por esse fundo. Vejamos a seguir.
Garantia ordinária
Tem o valor limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição financeira, cobrindo os seguintes créditos: depósitos
à vista ou sacáveis por meio de aviso prévio; depósitos de poupança; letras de câmbio; letras hipotecárias;
letras de crédito imobiliário; letras de crédito do agronegócio; depósitos a prazo; depósitos mantidos em
contas não movimentáveis por cheques destinadas ao registro e ao controle do fluxo de recursos; e, por fim,
operações compromissadas que tenham como objeto títulos emitidos após 8 de março de 2012 por empresa
ligada.
Comentário
Se você tiver R$ 300 mil de CDBs de um banco e ele se tornar insolvente, o FGC garantirá o pagamento
de R$ 250 mil. Caso você tenha dois depósitos de R$ 150 mil em dois bancos diferentes e ambos forem
liquidados, o FGC poderá garantir o pagamento desses valores em cada um dos bancos. 
Em 2017, no entanto, o CMN aprovou um teto de R$ 1 milhão de garantia do FGC a cada período de quatro
anos. Assim, se você possuir R$ 250 mil em vários bancos, totalizando mais de R$ 1 milhão, e, no período de
quatro anos, todos eles quebrarem, somente o valor de R$ 1 milhão estará garantido.
1. 
2. 
3. 
Garantia especial
Fornecida pelo FGC, a garantia especial cobre até R$ 20 milhões para os depósitos a prazo, por meio de
Certificados de Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGEs).
 
A contribuição ordinária, neste caso, é de 0,03% a.m. do montante dos saldos das DPGEs.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Os principais operadores do mercado de crédito são as instituições financeiras. Assinale a afirmativa correta
sobre as instituições financeiras que operam no mercado de crédito.
A Os bancos de desenvolvimento são aqueles que recebem depósitos à vista.
B A Caixa Econômica Federal não exerce funções operacionais na implantação de políticas de governo.
C As sociedades de crédito são instituições financeiras monetárias.
D As instituições financeiras monetárias são as que geram moeda escritural.
E Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras monetárias.
A alternativa D está correta.
As instituições financeiras monetárias se diferenciam das não monetárias porque podem reter depósitos à
vista. Consecutivamente, elas geram moeda escritural.
Questão 2
Para prover crédito, os bancos precisam captar recursos dos agentes poupadores. Assinale a afirmativa
correta sobre os instrumentos de captação das instituições financeiras que operam no mercado de crédito.
A As letras de crédito do agronegócio são isentas de IR e IOF.
B Os depósitos à vista são remunerados.
C Os RDBs podem ser negociados antes de seu vencimento.
D As LCI devem estar lastreadas por créditos agrícolas.
E As letras financeiras têm prazo mínimo de um ano.
A alternativa A está correta.
As letras de crédito do agronegócio recebem incentivo do governo, e seus proprietários não pagam
imposto de renda (IR) nem imposto sobre operações financeiras (IOF).
3. Análise comparativa de produtos de crédito
Produtos bancários
Acompanhe no vídeo as diferentes modalidades de crédito e o funcionamento dos principais produtos
desenvolvidos para pessoa física e pessoa jurídica.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Vamos apresentar agora os principais produtos oferecidos pelas instituições financeiras que operam no
mercado de crédito tanto para pessoas físicas quanto para as jurídicas. Em seguida, estudaremos algumas
ferramentas disponíveis para as instituições financeiras avaliarem os riscos a que estão sujeitas no momento
da concessão do crédito.
Produtos de empréstimo bancário
Os produtos que vimos até aqui tinham o objetivo de captar recursos dos agentes superavitários para as
instituições financeiras. Veremos agora o outro lado da moeda: os produtos que permitem às instituições
financeiras emprestar recursos aos agentes deficitários.
 
Como sabemos, o mercado de crédito pode ser classificado em crédito direcionado e crédito livre. No que diz
respeito ao direcionado, seus produtos destinam-se tanto a pessoas físicas como a jurídicas. Descreveremos
a seguir seus dois produtos principais.
Crédito rural
Esse tipo decrédito é destinado ao financiamento da atividade agropecuária tanto de famílias quanto de
empresas. Suas fontes de recursos são diversas, sendo oriundas do crédito direcionado, como o de depósitos
à vista e poupança rural, e do crédito livre, como as letras de crédito do agronegócio. Observe!
O crédito rural.
O crédito rural possui quatro finalidades:
 
Custeio 
Investimento 
Comercialização 
Industrialização
Crédito imobiliário
Tem como objetivo financiar a compra, construção ou reforma de imóveis, tanto residenciais quanto
comerciais. Diferente do financiamento, que se destina à compra de bens, o crédito imobiliário pode ser
utilizado para outras finalidades. Em 2019, o saldo de crédito imobiliário no Brasil foi de R$ 634 bilhões,
conforme dados do Banco Central.
 
A gama de produtos disponíveis no mercado de crédito livre é mais variada. Elencaremos a seguir os
principais.
Produtos destinados às pessoas físicas
Crédito consignado
Regido pela Lei nº 10.820/03, o crédito consignado é uma linha de crédito destinada a pessoas físicas
assalariadas cuja cobrança é realizada diretamente no contracheque do tomador. Nessa modalidade, as taxas
cobradas tendem a ser mais baixas devido ao baixo risco de inadimplência.
 
A duração máxima desse tipo de operação é de 72 meses, sendo impostos limites ao valor disponível para
contratação (a chamada margem consignável). A parcela do empréstimo não pode ultrapassar 30% para
empréstimos, havendo mais 5% para o cartão de crédito consignado.
Atenção
Aposentados e pensionistas do INSS, militares, servidores públicos e empregados regidos pela
Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) têm acesso ao crédito consignado. 
O empregador, neste caso, age como um fiador da operação, respondendo como devedor principal se, por sua
falha ou culpa, deixar de repassar os recursos para a instituição provedora do crédito.
Cartão de crédito
Há dois tipos de cartão de crédito: o básico e o diferenciado.
 
Segundo o BCB, o cartão de crédito básico é aquele utilizado apenas para pagamentos de bens e serviços em
estabelecimentos credenciados. Já o diferenciado, além de permitir o pagamento de ambos, oferece
benefícios adicionais, incluindo programas de milhagem, seguro de viagem, desconto na compra de bens e
serviços e atendimento personalizado no exterior.
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• 
• 
Atenção
Toda instituição emissora de cartão de crédito é obrigada a ofertar o cartão básico, cuja anuidade deve
ser inferior à do cartão diferenciado. 
Os valores utilizados no cartão de crédito podem ser pagos integralmente até a data de vencimento da fatura,
parcelados no crédito rotativo ou parcialmente efetuados.
 
No crédito rotativo, existe a cobrança de encargos financeiros, juros e IOF na fatura seguinte, o que não
ocorre no caso de um pagamento integral. Caso não haja pagamento ou seja feito um parcial, restam três
opções:
 
Parcelamento da fatura com a contratação de uma operação de crédito. 
Adesão ao crédito rotativo com o pagamento do valor mínimo da fatura e incidência dos encargos
financeiros. 
Pagamento inferior ao mínimo sem parcelamento, caracterizando-se o inadimplemento e suas
consequências, como juros do crédito rotativo, multa de 2% sobre o principal e juros de mora de 1% ao
mês.
Crédito direto ao consumidor
É uma modalidade de crédito destinada a financiar a aquisição de bens
e serviços pelos consumidores. O bem a ser adquirido normalmente é
dado à instituição financeira como garantia de pagamento do
empréstimo. Pode ser utilizado, por exemplo, no financiamento da
aquisição de veículos.
Cheque especial
Trata-se de uma linha de crédito pré-aprovada pela instituição financeira, que cobre eventuais saldos
negativos na conta corrente. Recentemente, as regras do cheque especial foram alteradas pelo BCB, que
limitou os juros que podem ser cobrados nessa modalidade de crédito.
 
A mudança ocorreu com a edição da Resolução CMN nº 4.765/19, que limitou a taxa de juros do cheque
especial em 8% a.m., facultando às instituições financeiras a cobrança de tarifa de até 0,25% pela
disponibilização de limites de crédito superiores a R$ 500.
 
Com isso, clientes que possuam um limite de cheque especial até R$ 500 não pagam tarifa, a qual, por sua
vez, recai somente sobre limites superiores a esse valor. Desse modo, um indivíduo com um limite de cheque
especial de R$ 1.500 poderá pagar tarifas até o limite de:
1. 
2. 
3. 
Produtos destinados às pessoas jurídicas
Vejamos alguns dos produtos:
1
Financiamento de capital de giro
São operações de crédito que buscam atender às necessidades de capital de giro das empresas, ou
seja, servem para cobrir suas despesas diárias, como folha de pagamento, faturas e aluguel.
Normalmente, são exigidas garantias de créditos a receber da empresa, como duplicatas.
2
Desconto de títulos
Operação em que o tomador antecipa o recebimento de créditos futuros, como duplicatas e outros
títulos, por meio operação de desconto de títulos. Nessa operação, a instituição financeira compra
os títulos do tomador com deságio, ou seja, por um preço inferior a seu valor nominal.
3
Conta garantida
Produto muito parecido com o cheque especial, embora seja destinado a empresas. É uma espécie
de capital de giro com crédito rotativo e limite máximo preestabelecido.
4
Hot Money
São empréstimos normalmente de 1 a 7 dias para atender às necessidades de caixa das empresas.
Nas próximas duas imagens (baseadas em dados divulgados pelo BCB), pode-se observar a participação
percentual dos diversos produtos de crédito tanto na modalidade livre quanto naquela direcionada em 2019.
 
A primeira imagem mostra que o principal produto de crédito para pessoas físicas na modalidade livre foi o
crédito consignado, com 34,9% do mercado. Em seguida, vieram o cartão à vista (18,6%), o financiamento de
veículos (18,6%) e o crédito pessoal (12%). Já para pessoas jurídicas, o principal produto foi o financiamento
de capital de giro das empresas, com 34,2% do mercado, sendo seguido pelo desconto de títulos (18,6%). A
conta garantida representou 3,6% do mercado.
Participação dos produtos do mercado de crédito livre.
A segunda imagem, por sua vez, mostra que o crédito imobiliário foi o principal produto para pessoas físicas,
abocanhando 70,4% do mercado, enquanto o rural responde por 22,7% dele.
Participação dos produtos do mercado de crédito direcionado.
Análise de crédito
Entenda nesse vídeo a importância do Sistema de Informações de Crédito (SCR) para o mercado e a função
da classificação do risco de crédito (rating) de firmas e empréstimos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Agora que você conhece os valores disponíveis para o empréstimo, precisamos conhecer as condições
disponíveis para o pagamento.
 
Para calcular uma taxa de remuneração correspondente ao risco em que incorre, a instituição financeira faz
uma análise da capacidade de pagamento do tomador a quem ela concede empréstimos.
Para essa análise, a instituição pode recorrer a bancos de dados
privados, incluindo os serviços de proteção ao crédito (SPC), o Serasa
e o SCPC/Boa Vista. Eles são conhecidos como bureaus de crédito ou
bancos de dados públicos, como é o caso do sistema de informações
de crédito (SCR) do Banco Central.
 
Vinculados às câmaras de dirigentes lojistas de cada região, os SPCs contêm o cadastro de clientes
inadimplentes com lojistas e comércio em geral. Já o Serasa congrega os registros de inadimplentes com
bancos e instituições financeiras.
 
Esses bancos de dados funcionam da seguinte forma:
Atraso 
A inadimplência é configurada devido a um
atraso no pagamento de obrigações
(geralmente acima de 15 dias).
Notificação 
As empresas credoras, ao identificarem
um atraso no pagamento, prontamente
notificam essa situação aos bancos de
dados de crédito.
Antes de inscrever o devedor, os administradores desses bancos devem notificá-lo da iminente inscrição e
conceder 10 dias para a regularização de sua situação. Após o fim desse prazo sem queo devedor tenha
regularizado sua situação, seja pagando ou renegociando sua dívida, é feita a negativação na base de dados.
Tratando de bancos de dados e cadastros de consumidores, os arts. 43 e 44 da Lei de Proteção ao
Consumidor (Lei nº 8.078/90) consideram esses bancos entidades de caráter público e estabelecem
um prazo máximo de cinco anos para a manutenção de informações negativas dos consumidores.
As consequências para quem tem o nome negativado são a dificuldade de obter novos créditos, já que as
empresas consultam essas bases antes de concedê-los para verificar se o tomador está inadimplente em
outra operação.
 
Até recentemente, esses bancos de dados eram apenas de cadastro negativo, ou seja, registravam apenas as
inadimplências. Em 2011, no entanto, a Lei nº 12.414 instituiu o cadastro positivo e o histórico de crédito (score
de crédito).
 
Por meio desse cadastro, todas as operações de crédito ficam registradas, permitindo que os bons pagadores
usufruam taxas de empréstimo menores por representarem um menor risco de crédito paras as instituições
financeiras. O objetivo da lei era resolver a questão da seleção adversa.
Quando as instituições financeiras não dispõem de informações
suficientes para discriminar os bons dos maus pagadores na hora da
concessão de crédito, elas acabam praticando uma taxa média, que é
igual para todos. Essa taxa penaliza os bons pagadores, que poderiam
obter taxas mais baixas se seus perfis de risco fossem conhecidos pela
instituição financeira. Ao mesmo tempo, ela favorece os maus
pagadores, que conseguem obter taxas melhores que seu perfil de
risco permitiria. Esse fenômeno é chamado de seleção adversa.
 
No entanto, como a Lei nº 12.414/11 previa uma adesão voluntária ao
cadastro positivo, essa adesão foi muito pequena, pois as pessoas
precisavam solicitar sua inclusão no cadastro.
 
A Lei Complementar nº 166/19 resolveu essa questão instituindo a adesão automática ao cadastro positivo.
Atualmente, todos os cidadãos já possuem o cadastro, enquanto seu histórico de pagamentos é repassado
aos bancos de dados sem a necessidade de consentimento do tomador. Essas informações vão gerar o score
de crédito de cada indivíduo.
Comentário
Caso uma pessoa não queira que seus dados sejam incluídos no cadastro positivo, ela deverá se dirigir
aos bureaus de crédito e solicitar sua exclusão. 
Sistema de Informações de Crédito (SCR)
O Banco Central administra o Sistema de Informações de Crédito (SCR)
criado em substituição ao antigo Central de Risco de Crédito (CRC).
Esse sistema é um banco de dados e informações das operações de
crédito concedidas pelas instituições financeiras às operações físicas e
jurídicas. Todo mês as instituições encaminham ao SCR as informações
de todas as operações de crédito vencidas e a vencer, assim como os
valores referentes às finanças e aos avais prestados pelos bancos a
seus clientes.
 
O SCR não avalia a capacidade de pagamento dos tomadores de
recursos, porque isso é tarefa de cada instituição financeira.
O Sistema de Informações de Crédito apenas armazena as informações sobre as dívidas (saldo
devedor) dos clientes e sua posição de adimplência e inadimplência. Além disso, o SCR é
considerado o maior cadastro brasileiro, contendo dados e informações sobre o comportamento dos
clientes quanto aos créditos contraídos no sistema financeiro.
O SCR é um banco de dados bastante importante para as instituições financeiras tomarem suas decisões de
crédito, contribuindo para a gestão de risco e redução da inadimplência. Para o Banco Central, esse sistema
contribui para a supervisão bancária, melhorando a avaliação dos riscos sistêmicos e atuando na prevenção
de crises.
 
As informações armazenadas no Sistema de Informações de Crédito podem ser consultadas pelos seguintes
agentes:
 
Instituições financeiras participantes do sistema. Nesse caso, elas devem ter uma autorização
expressa dos clientes para acessarem seus dados. 
Clientes tomadores de crédito (pessoas físicas e jurídicas). 
Banco Central.
 
Ao acessar as informações de crédito do SCR, o Banco Central avalia com mais precisão as instituições
financeiras que apresentam problemas com os créditos concedidos e que exigem acompanhamento especial.
Rating de crédito dos bancos
Rating ou classificação reflete a qualidade do crédito, sendo elaborado e divulgado por agências de
classificação de risco. O rating de crédito revela a expectativa de determinado tomador de crédito se tornar
inadimplente, ou seja, incapaz de pegar o passivo no prazo e nas condições contratadas.
 
A classificação do risco de crédito (rating) atribui uma nota que deve expressar o risco de inadimplência, ou
seja, a possibilidade de os tomadores de recursos não honrarem seus compromissos financeiros.
• 
• 
• 
Comentário
Uma importante contribuição do rating para as instituições que oferecem crédito é tornar a análise de
risco mais objetiva, estabelecendo padrões mínimos exigidos dos tomadores de empréstimos. Além
disso, o sistema de rating é fundamental para que os bancos promovam um controle e gestão de risco
de crédito mais eficazes. 
O rating pode também ser estendido para países, refletindo o risco dos investidores em suas aplicações.
Algumas agências de classificação de riscos do mercado são:
 
Moody's 
Fitch Rating 
Standard & Poor's (S&P)
 
Embora o entendimento de insolvência seja geralmente traduzido por falência ou situação de recuperação
judicial ou extrajudicial, a inadimplência pode ter diferentes definições. Para alguns modelos de risco, ela
ocorre quando o tomador de recursos não paga o crédito contratado no momento de seu vencimento. Para
outros, a empresa é considerada como inadimplente quando atrasar o pagamento da dívida por determinado
período (10 dias, 30 dias etc.).
 
A inadimplência pode levar a empresa a uma situação de insolvência. Além disso, vários eventos podem
exprimir a inadimplência, como emissão de cheques sem fundos, protestos de títulos de dívidas e ações
judiciais de cobrança, entre outros.
 
O Banco Central tornou obrigatória para as instituições financeiras a classificação das operações de crédito
concedidas de acordo com seu risco, utilizando uma escala de rating proposta pela própria autoridade
pública. Essa escala, dividida em classes de risco e dispostas em ordem crescente, apresenta definida, em
cada classe assinalada, uma expectativa de perda na operação (risco) expressa em percentual para
provisionamento. A tabela a seguir ilustra as classes de risco sugeridas pelo Banco Central.
Classes de risco Percentual de provisionamento Dias de atraso 
AA 0% - 
A 0,5% - 
B 1,0% 15 a 20 dias 
C 3,0% 31 a 60 dias 
D 10,0% 61 a 90 dias 
E 30,0% 91 a 120 dias 
F 50,0% 121 a 150 dias 
• 
• 
• 
Classes de risco Percentual de provisionamento Dias de atraso 
G 70,0% 151 a 180 dias 
H 100,0% acima de 180 dias 
Tabela: Riscos do Banco Central. Banco Central do Brasil.
A definição do percentual de provisionamento definido pelo Banco Central deve ser feita segundo o modelo
de risco desenvolvido por cada banco. Esses modelos de risco são geralmente probabilísticos, medindo as
chances de cada evento ocorrer. As probabilidades calculadas são representadas em diferentes classes de
risco, originando daí o rating de crédito.
 
Periodicamente, por ocasião de lançamento das demonstrações contábeis publicadas pelas instituições
financeiras, a atualização dos níveis de classificação de risco deve ser realizada, obedecidos os prazos
constantes da terceira coluna (dias de atraso) da tabela de Riscos do Banco Central.
Verificando o aprendizado
Questão 1
João foi ao banco pedir um crédito consignado, mas sua solicitação foi negada devida a sua ocupação. Qual
dos profissionais listados a seguir pode corresponder a situação de João?
A Aposentado do INSS
B Militar das forças armadas
C Servidor público
D Empregados pela CLT
E Microempreendedor individual
A alternativa E está correta.
Os microempreendedores não são profissionais assalariados.Dessa forma, eles não são elegíveis para o
crédito consignado.
Questão 2
Por que a seleção adversa é ruim para o crédito?
A
Porque faz com que os bancos pratiquem taxas menores que as necessárias para manter sua
solvência.
B Porque aumenta o risco de crédito.
C Porque prejudica os bons pagadores em detrimento dos maus.
D Porque é um instrumento discriminatório.
E Porque aumenta o lucro dos bancos.
A alternativa C está correta.
A seleção adversa constitui um incentivo ao mau pagador, pois ele consegue taxas menores que aquelas
que seriam obtidas caso o banco tivesse acesso a seu perfil de crédito. Para os bons pagadores, as taxas
ficam maiores, já que o banco não consegue identificá-lo como um risco baixo de crédito.
4. Conclusão
Considerações finais
Neste conteúdo, abordamos o mercado de crédito, destacando sua importância para a economia, os
diferentes atores envolvidos e os instrumentos de captação, além dos produtos de crédito oferecidos pelas
instituições financeiras.
 
Vimos como a intermediação financeira consegue tornar eficiente o encontro entre os agentes poupadores e
os tomadores de recursos. Além disso, verificamos como as instituições financeiras obtêm sua remuneração
no mercado de crédito por meio do spread bancário.
 
Também destacamos os instrumentos que os bancos utilizam para captar recursos, explicando ainda como o
FGC protege os depositantes. Por fim, exploramos os diversos produtos de crédito ofertados pelos bancos e
mostramos como os bureaus de crédito ajudam as instituições financeiras na análise dos riscos incorridos na
concessão do crédito.
Explore +
Pesquise mais sobre o mercado de crédito no site do BCB. Lá, você poderá encontrar números do setor
e análises especializadas.
 
Conheça o conteúdo das páginas da Febraban e do FGC. Eles também são boas fontes para aprimorar
seus conhecimentos sobre esse tópico.
Referências
ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 9 ed. São Paulo: Atlas, 2009. 
BRASIL. Resolução CMN nº 394. Publicado em: 3 nov. 1976. 
BRASIL. Resolução CMN nº 4.222. Publicado em: 23 maio 2013. 
COMITÊ CONSULTIVO DE EDUCAÇÃO. Mercado de valores mobiliários brasileiro. 4. ed. Rio de Janeiro:
Comissão de Valores Mobiliários, 2019. 
FORTUNA, E. Mercado financeiro - Produtos e serviços. 18 ed. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2011.
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	O mercado de crédito
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Fundamentos da intermediação financeira e do mercado de crédito
	Intermediação financeira
	Conteúdo interativo
	João
	Pedro
	Maria
	José
	Risco de crédito
	Se João emprestasse dinheiro diretamente a Pedro, qual seria o risco dele?
	Mercado de crédito
	Conteúdo interativo
	Qual é a maior taxa: a taxa de captação ou a de empréstimo?
	Crédito direcionado
	Mas você sabe como surgiu o crédito direcionado?
	Crédito livre
	Exemplo
	A importância do mercado de crédito
	Verificando o aprendizado
	2. Atores e captação no mercado de crédito
	Regulação e instituições
	Conteúdo interativo
	Regulação e supervisão do mercado de crédito
	Conteúdo interativo
	Resumindo
	Atenção
	Instituições financeiras
	Bancos de desenvolvimento
	Caixa Econômica Federal
	Banco do Brasil
	Instituições financeiras monetárias
	Instituições financeiras não monetárias
	Você sabe o que é shadow banking?
	Instrumentos de captação bancária
	Conteúdo interativo
	Depósitos à vista
	Depósitos a prazo
	Depósitos de poupança
	Letras financeiras
	Letras de crédito do agronegócio (LCA)
	Letras de crédito imobiliário (LCI)
	Fundo Garantidor de Crédito (FGC)
	Garantia ordinária
	Comentário
	Garantia especial
	Verificando o aprendizado
	3. Análise comparativa de produtos de crédito
	Produtos bancários
	Conteúdo interativo
	Produtos de empréstimo bancário
	Crédito rural
	Crédito imobiliário
	Produtos destinados às pessoas físicas
	Crédito consignado
	Atenção
	Cartão de crédito
	Atenção
	Crédito direto ao consumidor
	Cheque especial
	Produtos destinados às pessoas jurídicas
	Financiamento de capital de giro
	Desconto de títulos
	Conta garantida
	Hot Money
	Análise de crédito
	Conteúdo interativo
	Comentário
	Sistema de Informações de Crédito (SCR)
	Rating de crédito dos bancos
	Comentário
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referências

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