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Prof. Me. Tamara Juliana Pereira Andrade 
ESPAÇOS, TEMPOS E 
TERRITÓRIOS EDUCATIVOS
OBJETIVO DA AULA
Analisar criticamente a organização dos tempos, espaços e 
territórios educativos na perspectiva da Educação Integral, 
compreendendo o papel da escola como articuladora de 
saberes, agentes e experiências formativas que se estendem 
para além de seus muros, valorizando o território como espaço 
educador e promovendo aprendizagens contextualizadas, 
significativas e vinculadas à vida dos estudantes.
A EDUCAÇÃO PARA ALÉM DA ESCOLA: O 
TERRITÓRIO COMO ESPAÇO EDUCADOR
A Educação Integral propõe uma ampliação da concepção tradicional de 
escola, desafiando-a a se articular com outros tempos, espaços e agentes 
para promover o desenvolvimento pleno de crianças e adolescentes. Essa 
ampliação não diz respeito apenas à carga horária, mas à reorganização 
qualitativa do tempo e à valorização do território como espaço educativo 
vivo e potente.
A EDUCAÇÃO PARA ALÉM DA ESCOLA: O 
TERRITÓRIO COMO ESPAÇO EDUCADOR
Na Educação Integral, o currículo não se limita ao conteúdo disciplinar, 
mas se expressa também na forma como a escola se organiza, se 
relaciona com a comunidade e articula diferentes agentes educativos. As 
práticas pedagógicas, os processos de gestão, a formação dos educadores 
e as estratégias de avaliação fazem parte da construção curricular, que 
deve considerar o território como um espaço educador.
Nesse contexto, a escola assume um papel de articuladora: conecta 
saberes, tempos e sujeitos, promovendo experiências que permitam aos 
estudantes compreender, interagir e transformar a realidade em que estão 
inseridos. O território é compreendido como lugar de vida, história, cultura 
e relações, e educar a partir dele significa reconhecer e valorizar os 
contextos diversos em que os estudantes vivem.
O BINÔMIO ESCOLA-TERRITÓRIO
A Educação Integral entende a formação dos sujeitos como inseparável das 
relações e transformações que ocorrem em seu ambiente. Essa perspectiva 
reforça o caráter territorial da educação, considerando a escola e a cidade 
como espaços complementares de aprendizagem.
O território educativo favorece a construção de vínculos, o sentimento de 
pertencimento e o desenvolvimento da autonomia dos estudantes. Ele amplia 
as possibilidades de aprendizagem ao convocar novos tempos, agentes, 
linguagens e saberes para o processo educativo. Nesse sentido, o binômio 
escola-território não é apenas geográfico, mas simbólico e cultural, 
possibilitando novas experiências formativas.
POR QUE EDUCAR E APRENDER NO TERRITÓRIO?
Aprender no território é mais do que sair da escola: é vivenciar processos pedagógicos 
ancorados na realidade dos estudantes. As principais razões para promover a educação 
a partir do território incluem:
1. Conhecer e reconhecer o território como espaço de aprendizagem e identidade;
2. Construir sentido para a aprendizagem, relacionando conteúdos escolares com a vida 
real;
3. Vivenciar a cidadania, participando ativamente da comunidade;
4. Valorizar a cultura local e os saberes populares, respeitando diferentes formas de 
conhecimento;
5. Explorar outros modos de aprender, incluindo experiências práticas, coletivas e 
criativas;
6. Acessar e ocupar o espaço público como direito;
7. Transformar o território, tornando-o mais justo, acessível e educativo.
As discussões sobre o tempo escolar vão além da Educação Integral, mas dentro dela 
ganham um novo sentido. Mais importante que a quantidade de horas na escola é a 
qualidade pedagógica do tempo vivido. O tempo é, portanto, uma questão 
essencialmente pedagógica.
Para que a Educação Integral se efetive, é necessário pensar em mais tempo e mais 
espaços de aprendizagem, mas também em como utilizar esse tempo de forma 
significativa. Isso exige planejamento pedagógico intencional, com propostas que 
dialoguem com as realidades dos estudantes, respeitem seus contextos e valorizem suas 
vozes.
OS TEMPOS EDUCATIVOS: QUALIDADE E 
INTENCIONALIDADE
Não se trata de oferecer mais do mesmo, mas de rever o papel da escola e 
reinventar suas práticas. A ampliação da jornada deve vir acompanhada da 
diversificação de linguagens, conteúdos e experiências, permitindo que a escola 
se torne um espaço de vivência integral da infância e da adolescência.
Como aponta o professor Levindo Diniz Carvalho (UFMG): “a ampliação da 
jornada é uma oportunidade para a escola olhar de maneira mais integral para 
as crianças; ela pode ser um momento de repensar o papel da escola e seu 
significado, uma possibilidade de arejar e criar novas formas de utilização do 
tempo”.
OS TEMPOS EDUCATIVOS: QUALIDADE E 
INTENCIONALIDADE
A pesquisadora Jaqueline Moll (UFRGS) reforça:
“Não queremos mais do mesmo, mas rever a forma como fazemos. O 
mundo mudou; existem novas tecnologias, mas mantemos o modo de 
ensino da escola do final do século XIX. A escola precisa baixar seus muros 
para não ser um simulacro da vida real. Trata-se de pensar a educação 
desde a perspectiva do território e ampliar este mapa para além do 
espaço físico em que vivemos, no âmbito da saúde, da cultura, do meio 
ambiente, para que nossos teatros, cinemas, praças e bibliotecas sejam 
tomadas por crianças e adolescentes.”
REFERÊNCIAS 
CENTRO DE REFERÊNCIAS EM EDUCAÇÃO INTEGRAL. Formação Inicial – Módulo Geral: Fundamentos da 
Educação Integral – Conceitos e Princípios. São Paulo: CENPEC, s.d. Disponível em: 
http://educacaointegral.org.br. Acesso em: 1 maio 2025.
Documentos legais: CF/88, LDB/96, ECA/90, PNE/2014-2024, DCN (2010 e 2013).
MOLL, J. "Territórios Educativos para a Educação Integral: a reinvenção pedagógica dos espaços e tempos da 
escola e da cidade." Série Mais Educação, Cadernos pedagógicos SEB/MEC, 2010, p.20.
MOLL, J. et al. Caminhos da Educação Integral no Brasil. Porto Alegre: Penso, 2012.
LECLERC, Gesuína de Fátima Elias; MOLL, Jaqueline. Diversidade e tempo integral: a garantia dos direitos 
sociais. Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 7, n. 13, p. 291-304, jul./dez. 2013.
SANTOS, M. Território, Globalização e Fragmentação. São Paulo: Huctiec, 1994.
UNICEF. Tendências para a Educação Integral. São Paulo: Itaú Social, 2011.
http://educacaointegral.org.br/
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