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Neuroses, Psicoses e Perversões Profª. Mª. Caroline Trevisan Mendes de Almeida Neurose: o ego, em sua dependência da realidade, suprimir um fragmento do id (da vida instintual), o fator decisivo seria a predominância da influência da realidade. A perda da realidade seria evitada. Psicose: esse mesmo ego, a serviço do id, se afasta de um fragmento da realidade. O fator decisivo seria a predominância do id. A perda de realidade estaria necessariamente presente. Começo da neurose: o ego, a serviço da realidade, se dispõe à repressão de um impulso instintual. Porém isso não é ainda a própria neurose. Neurose: consiste antes nos processos que fornecem uma compensação à parte do id danificada - isto é, na reação contra a repressão e no fracasso da repressão. O afrouxamento da relação com a realidade é uma consequência desse segundo passo na formação de uma neurose, a perda da realidade afeta exatamente aquele fragmento de realidade, cujas exigências resultaram na repressão instintual ocorrida. Neurose - resultado de uma repressão fracassada. Ex: a paciente, uma jovem, estava enamorada do cunhado. De pé ao lado do leito de morte da irmã, ela ficou horrorizada de ter o pensamento: ‘Agora ele está livre e pode casar comigo.’ Essa cena foi instantaneamente esquecida e assim o processo de repressão, que conduziu a seus sofrimentos histéricos, foi acionado. Via que a neurose tentou solucionar o conflito: ela se afastou do valor da mudança que ocorrera na realidade, reprimindo a exigência instintual que havia surgido - isto é, seu amor pelo cunhado. O fato de reprimir o amor pelo cunhado teve como consequência que a moça evitasse o confronto com a realidade, isto é, pensar que agora seu cunhado estaria livre. A reação psicótica teria sido uma rejeição do fato da morte da irmã. Na neurose um fragmento significativo da realidade é evitado em forma de fuga; enquanto na psicose esse fragmento negado é reconstruído. Psicose: duas etapas, entre distintas instâncias da mente. A primeira arrastaria o ego para longe, dessa vez para longe da realidade; A segunda tentaria reparar o dano causado e restabelecer as relações do indivíduo com a realidade às custas do id (caráter de reparação). Destina-se a reparar a perda da realidade, contudo, não às custas de uma restrição com a realidade - senão de outra maneira, mais autocrática, pela criação de uma nova realidade que não levanta mais as mesmas objeções que a antiga, que foi abandonada. O segundo passo, portanto, na neurose como na psicose, é apoiado pelas mesmas tendências. Em ambos os casos serve ao desejo de poder do id, que não se deixará ditar pela realidade. Tanto a neurose quanto a psicose são, pois, expressão de uma rebelião por parte do id contra o mundo externo, de sua indisposição - ou, caso preferirem, de sua incapacidade - a adaptar-se às exigências da realidade. Neurose: um fragmento da realidade é evitado por uma espécie de fuga, a obediência inicial é sucedida por uma tentativa adiada de fuga. Não repudia a realidade, apenas a ignora. Psicose: a fuga inicial é sucedida por uma fase ativa de remodelamento; repudia a realidade e tenta substituí-la. Comportamento “normal” ou “sadio”: combina certas características de ambas as reações - repudia a realidade tão pouco quanto uma neurose, mas depois se esforça, como faz uma psicose, por efetuar uma alteração dessa realidade. Perversão Desvio em relação ao ato sexual “normal”, definido este como coito que visa a obtenção do orgasmo por penetração genital, com uma pessoa do sexo oposto. Diz-se que existe perversão quando o orgasmo é obtido com outros objetos sexuais (homossexualidade, pedofilia, etc.), ou por outras zonas corporais (coito anal, por ex.), e quando o orgasmo é subordinado de forma imperiosa a certas condições extrínsecas (fetichismo, travestismo, voyeurismo e exibicionismo, sadomasoquismo); estas podem proporcionar, por si só, o prazer sexual. De forma mais englobante, designa-se por perversão o conjunto do comportamento psicossexual que acompanha tais atipias na obtenção do prazer sexual (LAPLANCHE, PONTALIS, 2001). Perversão O termo foi utilizado por Sigmund Freud a partir de 1896, sendo adotado como conceito pela psicanálise, que assim conservou a ideia de desvio sexual em relação a uma norma. Porém, na psicanálise o conceito é desprovido de qualquer conotação pejorativa ou valorizadora. Perversão Etimologicamente a palavra perversão resulta de per+vertere (ou seja, pôr às avessas, desviar) designando o ato de o sujeito perturbar a ordem ou o estado natural das coisas. De acordo com esse significado, o conceito de perversão foi estendido, por alguns autores, dentro e fora da psicanálise, para uma abrangência que inclui outros desvios que não unicamente os sexuais, como seriam os casos de: Perversões morais (por exemplo os proxenetas, que exploram a prostituição de outros); As perversões sociais (caso em que o conceito de perversão que fica muito confundido com a de psicopatia; delinquência); Perversões alimentares (anorexia, bulimia); Perversões do setting analítico, entre outras. É comum falar-se de perversão ou perversidade para qualificar o caráter e o comportamento de certos sujeitos que demonstram uma crueldade ou malignidade singulares. image2.jpeg image3.jpeg image4.jpeg