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❖ EXAME DE FEZES: 
 
A análise tradicional das fezes consiste na realização de técnicas 
macroscópicas e microscópicas em uma porção de amostra. 
 
A observação das fezes macroscopicamente permite avaliar a cor e a 
consistência das fezes, o que está diretamente relacionado com a quantidade 
de água ingerida durante o dia e possível infecção. 
 
A microscopia nas fezes é uma análise laboratorial onde a amostra é 
observada através do microscópio para identificar elementos que não são 
visíveis a olho nu. 
 
EXAME MACROSCÓPICO DE FEZES: 
 
Ao examinar uma amostra de fezes frescas, certamente a consistência do 
material é uma das primeiras características observadas. 
 
A escala de Bristol para consistência de fezes (EBCF) descreve 
precisamente a forma e a consistência de cada categoria, permitindo a 
identificação rápida e facilitada, classifica a forma das fezes em sete 
categorias. 
 
 
 
 
 
As fezes normais ou ideais segundo a Escala de Bristol são: Tipo 3, 
Tipo 4 
Fezes formadas ou pastosas (Tipos 1-4): Predominam CISTOS de 
protozoários. São ideais para técnicas de concentração 
(sedimentação/flutuação) 
Fezes pastosas moles (Tipo 5): Podem ser encontrados tanto cistos 
quanto trofozoítos 
Fezes líquidas ou diarreicas (Tipos 6-7): Predominam TROFOZOÍTOS 
de protozoários. Devem ser analisadas imediatamente a fresco para a 
pesquisa de trofozoítos 
 
● Fezes moles ou líquidas podem sugerir a presença de trofozoítos 
de protozoários. 
 
● Cistos destes organismos são mais prováveis de ser encontrados 
em fezes formadas. 
 
● Ovos e larvas de helmintos podem ser encontrados tanto em 
fezes líquidas quanto formadas. 
 
● Sangue e/ou muco em fezes amolecidas ou líquidas pode sugerir 
a presença de ulcerações amebianas no intestino grosso. 
 
A cor de uma amostra fecal normal é marrom, mas a variação é grande. 
 
Cores não usuais, como roxo, vermelho ou azul, sugerem que o paciente 
está sob uso de alguma medicação específica. 
 
 
EXAME MICROSCÓPICO DE FEZES: 
 
O exame microscópico de fezes para pesquisa de ovos e parasitos 
envolve três procedimentos distintos: preparações diretas a fresco, uma 
técnica de concentração e um esfregaço com coloração permanente 
(Lugol) . Todos estes três procedimentos devem ser realizados em uma 
amostra fresca. 
 
1. Exame Direto a Fresco 
Procedimento: Uma pequena porção de fezes é diluída em solução 
salina (0,9%) em uma lâmina e observada ao microscópio. Quando a 
amostra é recebida já em solução fixadora, o procedimento DEVE 
SER EXCLUÍDO 
2. Exame com Lugol (Solução Iodada) 
Procedimento: Outra porção de fezes é diluída em solução de lugol 
(iodo) em uma lâmina separada. 
3. Métodos de Concentração 
Procedimento: Técnicas como sedimentação espontânea (Hoffman), 
flutuação (Willis) ou centrífugo-flutuação que concentram os elementos 
parasitários. 
 
Para qualquer fixador utilizado, a proporção recomendada é de três 
partes do conservante para uma parte de fezes (3:1). 
A amostra deve ser fixada no conservante por, pelo menos, 30 minutos 
antes 
do início do processamento. 
 
FORMALINA: fixador geral de protozoários e helmintos. A formalina pode 
ser rotineiramente utilizada para exames diretos e procedimentos de 
concentração, mas não para lâminas permanentes. 
Vantagens: fácil preparação; preserva amostras por anos; validade longa. 
 
SAF (Acetato de Sódio - Ácido Acético - Formalina): utilizado quando 
se empregam técnicas de concentração e montagens com coloração 
permanente. Vantagens: fácil preparo; possui validade longa. 
 
APV (Álcool Polivinílico): atua como um adesivo para a amostra de 
fezes quando se preparam lâminas para coloração. Vantagens: 
trofozoítos/cistos de protozoários e ovos de helmintos podem ser 
detectados; pode ser utilizado para preparação com coloração 
permanente; amostras com validade longa quando estocadas em 
temperatura ambiente. 
 
APV (Álcool Polivinílico) modificado: utilização de sulfato de cobre ou 
sulfato de zinco em substituição à base de mercúrio. Vantagens: 
utilizadas para métodos de concentração e montagens com coloração 
permanente. 
 
❖ MÉTODOS LABORATORIAIS APLICADOS À PARASITOLOGIA 
 
COLETA DE FEZES: 
 
● As amostras de fezes devem ser coletadas em recipientes 
apropriados, limpos e preferencialmente estéreis. 
 
● As instruções para coleta devem ser fornecidas ao paciente com 
antecedência e por escrito. 
 
● Sempre que possível, as fezes devem ser colhidas diretamente no 
frasco específico para coleta. 
 
● Pode-se utilizar um jornal ou papel limpo e, em seguida, utilizar 
uma pá estéril ou um palito de madeira descartável para realizar a 
transferência para o recipiente coletor. 
 
● O recipiente de armazenamento deve ser próprio para esse fim e 
pode apresentar conservantes. 
 
● Deve-se evitar contaminação com urina e água. 
 
● Fezes obtidas diretamente do vaso sanitário também não podem 
ser aproveitadas em função do risco de contaminação e pela 
presença de água e urina, que destroem os trofozoítos. 
 
● Para melhor diagnóstico de alterações, deve-se coletar três 
amostras de fezes em dias distintos. 
 
● Após a coleta, o material deve ser levado imediatamente para o 
laboratório. 
 
● Caso não seja possível, deve-se mantê-lo lacrado e armazenado 
em geladeira por no máximo 12 horas. 
 
● As fezes, quando líquidas, devem ser coletadas a qualquer hora 
do dia e levadas ao laboratório em no máximo 1 hora. 
 
 
COPROCULTURA: 
 
O exame de coprocultura é solicitado para identificar as bactérias 
presentes nas fezes, sendo possível verificar a saúde do intestino a partir 
do momento em que é identificada a presença de bactérias que não fazem 
parte da microbiota normal. 
 
No laboratório, as fezes são colocadas em meios de cultura específicos 
que permitem o crescimento das bactérias invasoras e toxigênicas, que 
são aquelas que não fazem parte da microbiota normal, produzindo 
toxinas e levando ao aparecimento de sintomas gastrointestinais. 
 
Resumindo: É um exame para descobrir se há bactérias "ruins" 
(invasoras ou toxigênicas) nas suas fezes. 
 
PESQUISA DE SANGUE OCULTO: 
 
A pesquisa de sangue oculto nas fezes é indicada no rastreio do câncer 
de cólon, câncer de intestino e investigação de possíveis hemorragias no 
sistema digestivo, pois serve para avaliar pequenas quantidades de 
sangue nas fezes que não conseguem ser vistas a olho nu. 
 
Resumindo: É um exame que procura pequenas quantidades de sangue 
nas fezes que você não consegue ver 
 
❖ MÉTODO DE LUTZ OU MÉTODO DE HOFFMAN, PONS E 
JANER 
 
Princípio: sedimentação espontânea. 
 
Atualmente é utilizada para identificar a presença de ovos de 
helmintos. Com coloração de lugol, é possível observar cistos de 
protozoários e larvas de helmintos. 
Objetivo: diagnosticar parasitos intestinais pela concentração das 
formas parasitárias. 
O método continua sendo a principal forma de diagnóstico de parasitos 
intestinais. 
Apresenta baixo custo e é de fácil execução. É a técnica mais utilizada na 
rotina laboratorial. 
 
● Nesse método, as fezes suspensas em água são 
homogeneizadas e filtradas para retenção dos resíduos fecais 
maiores. 
● Em seguida, a amostra é deixada para sedimentar 
espontaneamente por aproximadamente 24 horas. 
 
 
Métodos de Concentração em Parasitologia: 
1. Sedimentação Espontânea (Método de Hoffman, Pons 
e Janer) 
Princípio: Baseia-se na gravidade natural. Os ovos e cistos de parasitos, 
por serem mais densos que a água, sedimentam (depositam-se) no fundo 
do recipiente de forma espontânea, sem necessidade de centrifugação. 
Como funciona: 
Preparação da amostra: 
● Uma porção de fezes é diluída em água (geralmente água filtrada 
ou solução salina) 
● A suspensão é filtrada através de gaze ou peneira para remover 
detritos grosseiros 
● O filtrado é colocado em um cálice cônico (cálice de 
sedimentação) ou tubo cônico de 2 a 24h. 
 
2. Flutuação (Método de Willis): 
Princípio: 
Utiliza uma solução de alta densidade (geralmente solução saturada 
de salou açúcar) que faz com que os ovos e cistos de parasitos, por 
serem menos densos que a solução, flutuam até a superfície. 
Como funciona: 
Preparação: 
● Uma porção de fezes é misturada com solução saturada de 
cloreto de sódio (NaCl) ou solução de sacarose 
● A densidade da solução é maior que a dos ovos e cistos, menor 
que a dos detritos fecais 
Processo de flutuação: 
● A suspensão é colocada em um recipiente (tubo ou copo) até a 
borda 
● Coloca-se uma lamínula ou lâmina sobre a superfície, em contato 
com o líquido 
● Aguarda-se alguns minutos (geralmente 10 a 30 minutos) 
● Os elementos parasitários sobem e aderem à lamínula/lâmina 
 
 
 
Hoffman (para ovos pesados) + Faust (para cistos de protozoários) 
existe uma variação que combina centrifugação com flutuação, 
chamada Método de Faust: 
	1. Exame Direto a Fresco 
	2. Exame com Lugol (Solução Iodada) 
	1. Sedimentação Espontânea (Método de Hoffman, Pons e Janer) 
	Princípio: Baseia-se na gravidade natural. Os ovos e cistos de parasitos, por serem mais densos que a água, sedimentam (depositam-se) no fundo do recipiente de forma espontânea, sem necessidade de centrifugação. 
	Como funciona: 
	2. Flutuação (Método de Willis): 
	Princípio: 
	Como funciona:

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