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MEDIAÇÃO SÍNCRONA Começaremos em instantes! Dra. Bianca Saguie bianca.saguie@uva.br AULA 1 PARASITOLOGIA BÁSICA E CLÍNICA Por que ainda existem tantas parasitoses no Brasil? O que exatamente é um parasito? Todo parasito provoca doença? É possível estar infectado e não apresentar sintomas? Antes de aprender a identificar um parasito no microscópio (ou fora dele), precisamos entender como ele vive, se transmite e interage com o hospedeiro. Objetivos da aula 01 Definir conceitos-chave Compreender os principais termos e definições da Parasitologia. 02 Diferenciar hospedeiros e vetores Identificar os tipos de hospedeiros e os mecanismos de transmissão. 03 Entender a relação parasito–hospedeiro Compreender como se estabelece e evolui essa interação biológica. 04 Relacionar fatores ambientais e sociais Associar condições de vida e ambiente à ocorrência de parasitoses. 05 Suspeitar Reconhecer quando investigar uma parasitose. Por que estudar Parasitologia? Parasitoses não são apenas um problema de regiões pobres. Impacto Clínico Diarreia, anemia, desnutrição, atraso no crescimento infantil e complicações em gestantes. Risco em Imunossuprimidos Infecções graves em pacientes com imunidade comprometida, como transplantados e pessoas com HIV. Zoonoses Muitas parasitoses envolvem animais domésticos e silvestres como parte do ciclo de transmissão. Papel do Biomédico Diagnóstico laboratorial, vigilância epidemiológica e controle — seu trabalho impacta tratamento e prevenção. O que é Parasitologia? A Parasitologia é a ciência que estuda os parasitos, seus hospedeiros e a interação entre ambos, incluindo mecanismos de transmissão, prevenção e diagnóstico. Não se trata apenas de decorar nomes de vermes e protozoários. O objetivo é compreender todo o ciclo biológico da doença, desde a transmissão até o diagnóstico e controle. O que é um Parasito? Parasito é um organismo que vive às custas de outro (hospedeiro), retirando alimento, abrigo ou ambos. Estabelece uma relação biológica específica e depende do hospedeiro em alguma fase da vida. Dependência do hospedeiro O parasito necessita do hospedeiro para sobreviver ou se reproduzir em alguma fase do ciclo. Pode ou não causar doença A presença do parasito não implica necessariamente em sintomas clínicos. Relação específica Cada parasito tem afinidade por determinados hospedeiros e tecidos. Importante Nem todo parasito causa sintomas. Muitas infecções permanecem assintomáticas por anos, o que dificulta o diagnóstico e favorece a transmissão silenciosa. Se uma pessoa possui um parasito mas não apresenta sintomas, ela está saudável? Infecção × Doença Ter o parasito no organismo não significa necessariamente ter doença. Infecção Presença do parasito no organismo. Pode não haver sintomas. Doença A presença do parasito provoca alterações clínicas perceptíveis. Exemplo Prático: Giardia Uma pessoa pode estar infectada por Giardia lamblia e permanecer assintomática. Outra, com a mesma infecção, pode apresentar intensa diarreia e perda de peso. Nem toda infecção evolui para doença. A manifestação clínica depende de múltiplos fatores do hospedeiro e do parasito. Conceitos Fundamentais Hospedeiro definitivo Onde ocorre a reprodução sexuada do parasito. Hospedeiro intermediário Abriga formas jovens ou reprodução assexuada. Indispensável para completar o ciclo. Reservatório Organismo que mantém o parasito circulando, servindo como fonte de infecção para humanos. Ex.: cães em algumas doenças. Vetor biológico O parasito se desenvolve dentro do vetor (ex.: mosquito na malária). Vetor mecânico Apenas transporta o agente, sem participar do ciclo biológico (ex.: mosca doméstica). Zoonoses São doenças transmitidas entre animais e seres humanos. Nem toda zoonose é causada por parasitos, mas muitas parasitoses importantes são zoonoses. Toxoplasmose Leishmaniose Doença de Chagas Ectoparasitos x Endoparasitos Ectoparasitos Vivem na superfície corporal. Ex.: piolhos, pulgas e carrapatos. Endoparasitos Vivem no interior do organismo. Ex.: protozoários intestinais e helmintos. Relações entre os Seres Vivos Parasitismo Um organismo se beneficia e o outro sofre prejuízo. Mutualismo Ambos se beneficiam. Comensalismo Um se beneficia sem causar prejuízo nem benefício ao outro. Oportunismo Organismos normalmente inofensivos que se tornam patogênicos quando a imunidade do hospedeiro diminui. Por que a Resposta ao Parasito Varia? O mesmo parasito pode causar doença grave em uma pessoa e quase nenhum sintoma em outra. Imunidade O estado imunológico determina se o parasito será controlado ou causará doença. Carga Parasitária A quantidade de parasitos presentes influencia diretamente a gravidade dos sintomas. Estado Nutricional Desnutrição compromete a resposta imune e agrava o quadro clínico. Idade e Condições Clínicas Crianças, idosos e pacientes com comorbidades são grupos de maior vulnerabilidade. Como um Parasito causa Doença? Mecanismos de Patogenicidade - cada espécie possui um Destruição de Tecidos Penetração e destruição direta de células e órgãos. Competição por Nutrientes Consumo de nutrientes do hospedeiro, gerando desnutrição. Obstrução de Órgãos Bloqueio mecânico de ductos, vasos ou intestino. Resposta Inflamatória Reação imunológica que causa dano tecidual. Substâncias Tóxicas Liberação de toxinas que alteram funções orgânicas. Exemplo simples: Lombrigas Perda nutricional Competição por vitaminas e proteínas Obstrução intestinal Em infecções maciças Migração para outros órgãos Fígado, pulmões e vias biliares Os sintomas dependem do local onde o parasito está e da intensidade da infecção. Epidemiologia das Parasitoses Parasito Ambiente Condições Sociais Virulência / Carga Clima / Vetores Renda / Educaç ão Transmis são facilitada Determinantes Sociais Quanto maiores as dificuldades sociais, maior o risco de parasitoses. A pobreza é um dos principais fatores de vulnerabilidade. Água Contaminada Ausência de abastecimento tratado favorece a ingestão de cistos e ovos. Saneamento Precário Esgoto a céu aberto e falta de coleta facilitam a disseminação fecal-oral. Moradia Inadequada Condições precárias de habitação aumentam o contato com vetores e solo contaminado. Baixo Acesso à Saúde Dificuldade de diagnóstico e tratamento agrava o quadro epidemiológico. Saneamento básico: A Base da Prevenção Por que o saneamento é tão eficaz? O saneamento básico interrompe os principais ciclos de transmissão de parasitoses, reduzindo drasticamente a exposição da população a agentes infecciosos. Investir em saneamento é investir em saúde pública, com impacto direto na redução de doenças, hospitalizações e custos com tratamento. O saneamento básico é considerado pela OMS uma das intervenções de maior custo-efetividade em saúde. O Ciclo Fecal-Oral Interromper qualquer etapa desse ciclo, com saneamento, higiene pessoal ou tratamento da água, reduz drasticamente a transmissão de parasitoses na população. Principais parasitoses no Brasil Intestinais • Giardíase • Amebíase • Ascaridíase • Ancilostomose • Enterobíase Sistêmicas e Vetoriais • Toxoplasmose • Doença de Chagas • Leishmaniose Cada parasitose tem características clínicas, epidemiológicas e diagnósticas específicas, exigindo abordagem individualizada. Quando Suspeitar de uma Parasitose? Sinais e Sintomas Clínicos • Diarreia persistente ou intermitente • Dor abdominal recorrente • Perda de peso sem causa aparente • Anemia de origem indefinida • Eosinofilia no hemograma Histórico Epidemiológico • Contato com água ou alimentos de origem duvidosa • Exposição a animais domésticos ou silvestres • Viagens recentes para áreas endêmicas • Condições precárias de saneamento no local de residência Tipos de amostras O material coletadodepende da suspeita clínica: • Fezes — parasitoses intestinais • Sangue — parasitoses sistêmicas e vetoriais • Urina, escarro, secreções — conforme o órgão afetado • Fragmentos de tecido — biópsias em casos específicos Erros na coleta comprometem o resultado Recipiente inadequado Contaminação da amostra Armazenamento incorreto Atraso no envio ao laboratório Um exame excelente não compensa uma coleta inadequada. A qualidade do diagnóstico começa na coleta. Resumo da aula A Parasitologia é sustentada por quatro elementos inseparáveis: Parasito Agente causal, morfologia e ciclo biológico Hospedeiro Resposta imune, suscetibilidade e quadro clínico Ambiente Fatores ecológicos, sociais e de transmissão Diagnóstico Métodos laboratoriais e interpretação de resultados O Biomédico Além do Microscópio O profissional de Biomedicina vai muito além da identificação morfológica. Identificação Reconhecimento preciso de parasitos por métodos diretos e indiretos Interpretação Correlação entre achados laboratoriais e o quadro clínico do paciente Vigilância Monitoramento epidemiológico e controle de surtos e endemias Prevenção Interrupção da cadeia de transmissão e promoção da saúde coletiva Essa visão integrada será a base para toda a disciplina de Parasitologia. Por que um pode ser visto a olho nu e o outro só ao microscópio? Parasitoses por protozoários. O que são protozoários? Como causam doenças? Doença de Chagas e Leishmaniose. Slide 1 Slide 2 Slide 3 Slide 4 Slide 5: Objetivos da aula Slide 6: Por que estudar Parasitologia? Slide 7: O que é Parasitologia? Slide 8: O que é um Parasito? Slide 9 Slide 10: Infecção × Doença Slide 11: Conceitos Fundamentais Slide 12: Zoonoses Slide 13: Ectoparasitos x Endoparasitos Slide 14: Relações entre os Seres Vivos Slide 15: Por que a Resposta ao Parasito Varia? Slide 16: Como um Parasito causa Doença? Slide 17: Exemplo simples: Lombrigas Slide 18: Epidemiologia das Parasitoses Slide 19: Determinantes Sociais Slide 20: Saneamento básico: A Base da Prevenção Slide 21: O Ciclo Fecal-Oral Slide 22: Principais parasitoses no Brasil Slide 23: Quando Suspeitar de uma Parasitose? Slide 24: Tipos de amostras Slide 25: Erros na coleta comprometem o resultado Slide 26: Resumo da aula Slide 27: O Biomédico Além do Microscópio Slide 28 Slide 29 Slide 30