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Parasitologia Básica e Clínica A disciplina Parasitologia Básica e Clínica tem como meta apresentar os conhecimentos específicos e necessários sobre os principais protozoários e helmintos de importância clínica para a medicina humana, assim como os métodos para diagnóstico clínico e laboratorial. Para isso, reforçaremos os conceitos fundamentais de outras áreas da saúde, dando foco à morfologia, sintomatologia, patogenia e profilaxia das parasitoses conhecidas e ensinando as principais técnicas de laboratório para o seu diagnóstico. No decorrer da disciplina abordaremos também o contexto socioeconômico com o interesse de formar profissionais questionadores, competentes e qualificados para identificar o diagnostico exato para as parasitoses de importância clínica e aptos para a discussão sobre a saúde pública. Objetivos Ao final desta disciplina, você deverá ser capaz de: • Compreender os princípios básicos do estudo de parasitologia. • Utilizar de forma metódica as ferramentas literárias, para melhor entendimento do contexto socioeconômico das doenças parasitárias. • Aplicar os fundamentos do estudo parasitológico como coleta, transporte, armazenamento e meios analíticos utilizados na rotina da parasitologia. • Compreender a morfologia e o ciclo evolutivo do parasito. • Aplicar os conhecimentos adquiridos na unidade para identificação do parasito. • Compreender as medidas de profilaxia a partir do ciclo do parasito. Conteúdo Programático Esta disciplina está organizada de acordo com as seguintes unidades: • Unidade 1 – Introdução à parasitologia humana • Unidade 2 – Ciclos dos parasitos de importância médica • Unidade 3 – Ciclos dos parasitos e helmintos de importância médica • Unidade 4 – Técnicas de diagnóstico Autoria Caic Figueiredo Souza Silva Graduado em Biomedicina pelo Centro Universitário UniFTC – Salvador (BA), especialista em Análises Clínicas pela Faculdade Unyleya (RJ), especialista em Hematologia e Imunologia pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias (Lisboa – Portugal). Introdução à parasitologia humana Nesta unidade abordaremos os conceitos básicos da parasitologia, propiciando-lhe uma condição de questionamento e o conhecimento científico necessário sobre a relação entre parasitologia e saúde pública. Igualmente, apresentaremos os conceitos básicos e o estudo parasitológico por meio do qual você poderá adquirir conhecimentos sobre taxinomia e processos utilizados para a conclusão do diagnóstico parasitológico. O contexto socioeconômico tem como função orientar os alunos sobre a importância da parasitologia como área da saúde com maior potencial patogênico, a depender da classe social, assim trazendo para o estudante um olhar crítico sobre as medidas de prevenção e promoção da saúde. Objetivo Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de: • Compreender os princípios básicos do estudo da parasitologia. • Utilizar de forma metódica as ferramentas literárias, para melhor entendimento do contexto socioeconômico das doenças parasitárias. • Aplicar os fundamentos do estudo parasitológico como coleta, transporte, armazenamento e meios analíticos utilizados na rotina da parasitologia. Conteúdo Programático Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas: • Tema 1 - Introdução à parasitologia humana • Tema 2 - Conceitos básicos da parasitologia • Tema 3 - Relação das parasitoses em saúde pública • Tema 3 - Introdução ao estudo parasitológico O artigo a seguir traz o fundamento básico da parasitologia, com um contexto histórico sobre o fenômeno parasitismo e como esse evento vem sendo estudado desde então. Para o bom entendimento da parasitologia, devemos compreender como se dá esse convívio entre as espécies. Para ler o artigo, acesse: O fenômeno parasitismo. https://www.scielo.br/j/rsbmt/a/TkvGNYjKTSvyLyFvDnkNRyB/?format=pdf Tema 1 Introdução à parasitologia humana Qual a importância da Parasitologia para a medicina humana? Parasitologia é o estudo dos parasitas, de seus hospedeiros e as relações entre eles. O estudo da parasitologia — que engloba os filos Protozoa (protozoários) do reino protista e do reino animal — abrange os filos: • Nematoda (nematoides). • Annelida (anelídeos). • Platyhelminthes (platelmintos). • Arthropoda (artrópodes). O estudo da parasitologia tem como objetivo principal criar métodos de profilaxia das doenças parasitárias em seres humanos e animais. São também objetivos da parasitologia: • Desenvolver tratamentos contra os agentes patológicos — nesse caso, os parasitas. • Tratar dos sintomas provocados pelos agentes. • Identificar os processos de desenvolvimento de epidemias parasitárias. São considerados parasitas todos os vírus, algumas espécies de bactérias, fungos, protozoários, platelmintos, artrópodes e nematelmintos. Parasita Para estudarmos cada agente parasitário, temos que compreender como chegar à definição de parasita. Individualmente, todos os seres vivos nascem, se alimentam, crescem, reproduzem- se, envelhecem e morrem. Entretanto, cada espécie necessita se adaptar, evoluindo para permanecer como um número sustentável de sua espécie. Existem alguns fatores que regulam essa adaptação, que acontece de forma individual ou populacional, quando a finalidade é a manutenção da existência da espécie. Desse modo, muitas espécies passam a conviver em um meio comum, gerando associações ou interações que podem ou não interferir entre si. As associações são as seguintes: • Harmônicas ou positivas: quando há benefício mútuo ou ausência de prejuízo mútuo. • Desarmônicas ou negativas: quando há prejuízo para algum dos participantes da interação. Assim, são consideradas: • Relações harmônicas: comensalismo, mutualismo e simbiose. • Relações desarmônicas: competição, canibalismo, predatismo e parasitismo. A definição de “parasitologia” é a de organismos que vivem em agregação simultânea com outros, dos quais retiram seus meios de sobrevivência, trazendo prejuízo para o hospedeiro. O objetivo da parasitologia é estudar a relação entre parasita e hospedeiro e suas consequências. Vamos conhecer alguns tipos de parasitismo? Acidental Errático Quando o parasita é encontrado em um hospedeiro anormal. Hospedeiro - Indivíduo que abriga o parasita e é necessário para o desenvolvimento do mesmo. Quando o parasita se encontra fora do habitat normal. Obrigatório Proteliano Quando o parasita é incapaz de sobreviver sem seu hospedeiro; esse é o tipo clássico e comum entre a maioria dos parasitas. Quando o organismo representa o parasitismo apenas nos estágios larvares e são de vida livre na fase adulta. Facultativo Quando não é necessário que o organismo pratique o parasitismo e, opcionalmente, é encontrado em estado parasitário. Vamos entender melhor a diferença entre praticar o parasitismo e estado parasitário? Praticar o parasitismo é quando um parasita entra em contato com seu hospedeiro, utilizando aquele organismo para que seu desenvolvimento seja garantido. Estado parasitário é quando o protozoário ou helminto está praticando o parasitismo. Tema 2 Conceitos básicos da parasitologia Qual a importância dos conceitos básicos da parasitologia? Parasitologia é a ciência que se baseia no estudo dos parasitas. Por isso, para trabalhar in loco você deve estar familiarizado com alguns conceitos básicos. Vamos conhecê-los? Agente etiológico Agente causador ou responsável pela origem da doença, como vírus, bactérias, fungos, protozoários ou helmintos. Endemia Númeroesperado de casos de determinada doença observada em uma população em um determinado espaço de tempo. Podemos citar a malária como um exemplo de endemia. Doença endêmica Aquela cuja incidência de casos permanece constante por vários anos. Algumas dessas doenças são: malária, esquistossomose, filarioses, doença de Chagas, febre amarela, entre outras. Epidemia Quando o número de casos ultrapassa a incidência esperada da doença. Um dos principais exemplos de epidemia no Brasil é a dengue. Infecção Invasão do organismo por agentes patogênicos microscópicos, como vírus, bactérias, protozoários e fungos. Infestação Invasão do organismo por agentes patogênicos macroscópicos. Os helmintos podem ser considerados o principal exemplo quando falamos de agentes patogênicos macroscópicos. Vetor Organismo com capacidade de transmitir agentes infecciosos. Temos como vetores mosquitos, que, na maioria das patologias causadas por protozoários são necessários para o desenvolvimento de um parasita — um exemplo é o barbeiro na doença de Chagas. Hospedeiro Organismo que serve de habitat para outro, que pode servir ou não como fonte nutritiva para o parasita. Pode ser classificado como: • Hospedeiro definitivo: apresenta o parasito em fase de maturidade ou em fase reprodutiva. • Hospedeiro intermediário: apresenta o parasito em fase larvária ou em fase assexuada. Profilaxia Conjunto de medidas que visam a prevenção, a erradicação ou o controle de doenças. Uma medida profilática essencial é a higienização das mãos e dos alimentos, evitando assim contaminação direta por via oral-fecal. Quer uma dica para aprofundar seus conhecimentos sobre o tema “epidemia”? Dirigido por Steven Soderbergh e lançado em 2011, o filme Contágio narra a história de uma epidemia que acontece por conta da progressão de um vírus desconhecido, gerando pânico em todo o planeta. Para assistir ao trailer, acesse: Contágio. O parasitismo, no início de seu estudo, era definido como uma relação desarmônica e unilateral por meio da qual o parasita obrigatoriamente levava prejuízo ao seu hospedeiro — sendo ele definitivo ou intermediário. Com o desenvolver do estudo foi visto que nem sempre uma relação de parasitismo demonstra danos determinantes de sinais e sintomas no hospedeiro, fazendo com que um novo ponto de vista na pesquisa da parasitologia fosse criado, visando conceitos mais modernos e coerentes. Assim, o parasitismo é definido como uma relação entre dois elementos de espécies em que o parasita tem uma deficiência metabólica, ou seja, não consegue cumprir funções básicas. Logo, para que exista manutenção da vida daquele parasita ele precisa se associar a um hospedeiro que complete por ele as atividades metabólicas que ele não tem capacidade de produzir https://www.youtube.com/watch?v=Sc_SeonrC0I Tema 3 Relação das parasitoses na saúde pública A parasitose pode ser considerada uma doença de pobre? Não existe um processo linear e relativo de transição epidemiológica, no qual as: “ [...] doenças de pobreza são substituídas pelos males da modernidade, o que se observa é um quadro complexo de alterações, mudanças e emergências típicas dos fenômenos vivos. A relação entre humanos, vetores e agentes etiológicos é minimamente complexa não apresentando uma possível vida livre de infecções nos próximos anos. (BARATA, 2000) Das chamadas ‘doenças de pobreza’ podemos destacar as parasitárias. É entendido que parasitismo é uma das associações de dois organismos não sendo possível encontrar um caráter único para caracterizar um animal como parasita. (WILSON,1980) ” Desde o ano de 1860, quando foram estabelecidos os fundamentos da parasitologia, têm sido desenvolvidos diversos estudos correlacionando a prevalência de algumas doenças causadas por parasitas e a relação com o ambiente em que o indivíduo foi infectado. Com a popularização das escolas de medicina tropical, em 1866 foi fundada a Escola Tropicalista Baiana, na qual foi elaborado o primeiro trabalho com ênfase em uma classe desfavorecida e que apresentava patologias específicas. A pesquisa abrangia as doenças que mais afligiam os escravizados e indigentes do Rio de Janeiro, como a caquexia africana. Esse estudo auxiliou para que fossem encontrados vermes da espécie Anchylostomum duodenale em um indivíduo escravizado que veio a óbito com o diagnóstico dessa doença. Esses estudos mostram a correlação da parasitologia com a classe social baixa, abrangendo desde os escravizados até a população rural em nossos dias, classificando-os como os indivíduos mais atingidos por doenças parasitárias. A partir do contexto histórico é possível perceber que, hoje, essas doenças parasitárias necessitam de uma observação social na qual a saúde pública, em conjunto com o processo de saúde coletiva — como medidas de profilaxia, prevenção e promoção de saúde, juntamente com uma instrução para essa população alvo —, pode ser o caminho para a erradicação de infecções provenientes das chamadas doenças de pobreza. Para aprofundar os seus conhecimentos acerca do tema, acesse: Fatores associados à ocorrência de parasitoses intestinais em uma população de crianças e adolescentes. https://www.scielo.br/j/rpp/a/3KC98Fgr6WvZDnNQZrxwN5w/ https://www.scielo.br/j/rpp/a/3KC98Fgr6WvZDnNQZrxwN5w/ Tema 4 Introdução ao estudo parasitológico Como é reconhecido um parasita? Quando falamos em estudo parasitológico, precisamos entender todos os conceitos para que possamos dar foco maior ao nosso agente etiológico ou agente patogênico, que será o protozoário ou helminto. O parasita é classificado quando podemos identificar, durante o ato do diagnóstico: 1. Qual é aquele agente patológico. 2. Qual patologia ele está manifestando em seu hospedeiro. Taxonomia zoológica Para entender a classificação e a identificação parasitária precisamos entender a taxonomia zoológica — momento no qual é realizado o estudo teórico da classificação, incluindo respectivas bases, princípios, normas e regras. Taxonomia zoológica No contexto da zoologia, a taxonomia é a classificação de organismos vivos. Classificação de animais No contexto da zoologia, a escala taxonômica permite, de modo geral, classificar em sete níveis os organismos vivos, tanto de origem animal, quanto vegetal: reino, filo, classe, ordem, família, gênero e espécie. Associado aos estudos parasitológicos, teremos a epidemiologia. Epidemiologia Segundo Neves (2005): Epidemiologia que é “a ciência que estuda a distribuição de doenças ou enfermidades, assim como determinantes da população humana”. O estudo da epidemiologia tem como objetivo a prevenção e a manutenção da saúde, por meio de uma série de informações, como: • Identificação do agente etiológico — que nesse caso serão protozoários ou helmintos. • Formas de transmissão. • Ciclo parasitário. • Patogênese da doença. • Estado de saúde da população atingida. • Taxas de mortalidade e morbidade. • Medidas profiláticas. Classificação parasitária O parasita pode ser classificado: • Quanto ao seu ciclo evolutivo. • Por sua especificidade parasitária. Ciclo evolutivo Especificidade parasitária Ciclo monóxeno O parasito completa seu ciclo biológico em apenas um hospedeiro, como Ascaris lumbricoides e Enterobius vermiculares. Ciclo heteróxeno O parasita necessita de dois ou mais hospedeiros para completar o ciclo biológico, como Trypanossoma cruzi e Schistosoma sp. Eurixenos Parasitas encontrados em hospedeiros de várias espécies diferentes distantes na escala zoológica,como Toxoplasma gondii. Estenoxenos Parasitas encontrados apenas em uma espécie de hospedeiro ou em espécies muito próximas na escala zoológica, como Ascaris lumbricoides. Para aprofundar os seus conhecimentos acerca do tema, acesse Introdução à Parasitologia. Vídeo Para saber mais, assista ao vídeo publicado na unidade da disciplina no Ambiente Virtual de Aprendizagem. https://www.youtube.com/watch?v=SCdbRjihYo4 https://www.youtube.com/watch?v=SCdbRjihYo4 Encerramento Qual a importância da parasitologia para a medicina humana? A parasitologia é uma ciência que possui o importante papel de estudar os parasitas segundo sua classe, modo de transmissão, diagnóstico e tratamentos de forma a melhorar a qualidade de vida trazendo métodos de cura e prevenção para as parasitoses. Qual a importância dos conceitos básicos da parasitologia? Os fundamentos sobre qualquer área de estudo são importantes para o entendimento e desenvolvimento daquela área. Para a parasitologia não é diferente. Compreendendo os conceitos básicos da disciplina conseguimos ter uma visão ampla e completa sobre o estudo parasitológico. A parasitose pode ser considerada uma doença de pobre? É possível, a partir do contexto histórico, perceber que hoje essas doenças parasitárias necessitam de observação social, quando a saúde pública, em conjunto com o processo da saúde coletiva, com medidas de profilaxia, prevenção e promoção de saúde, juntamente com instrução para essa população alvo, pode ser o caminho para a erradicação das infecções, provenientes das chamadas “doenças de pobreza”. Como é reconhecido o parasita? Para o reconhecimento do parasita, devemos entender seus hábitos por meio do estudo dos ciclos parasitários. Conhecendo-se os estágios e mudanças morfológicas que o parasita irá sofrer no decorrer de seu ciclo evolutivo, é possível reconhecê-lo e classificá-lo em qualquer fase de sua vida. Resumo da Unidade A parasitologia é de extrema importância para a medicina humana. No decorrer desta unidade você foi introduzido nos estudos da parasitologia, pôde entender seus conceitos básicos e formar o seu próprio raciocínio visando à análise do contexto histórico e social das parasitoses. Você pôde perceber a importância da fundamentação do estudo parasitológico em saúde pública quanto à classificação e identificação do parasita para o controle das doenças parasitárias e auxílio para o diagnóstico e tratamento de indivíduos acometidos por parasitoses. Resumo da Unidade • BARATA, R. B. Cem anos de endemias e epidemias. Ciência & Saúde Coletiva 5(2) 2000 :333-345. • NEVES, D. P. Parasitologia humana. 11. ed. São Paulo: Atheneu, 2005. • REY, L. Parasitologia. 4. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1992. p. 46-66. • ROCHA, A. Parasitologia. Rio de Janeiro: Rideel 2013 ISBN 9788533943674. • WILSON, R. A. Introdução à parasitologia. São Paulo: EPU,1980. Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino publicado na página inicial da disciplina.