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O Oceano Profundo Página 1
O Oceano Profundo
Zonas, adaptações e exploração do ambiente menos conhecido da Terra
Os oceanos cobrem cerca de 71% da superfície da Terra e guardam em torno de 97% da água do
planeta. A profundidade média é de aproximadamente 3.700 metros, e o ponto mais fundo conhecido, o
Challenger Deep, na Fossa das Marianas, chega a cerca de 10.900 metros. Grande parte desse
volume é escura, fria e pouco explorada.
As zonas do oceano
Zona Profundidade Características
Epipelágica 0 a 200 m Recebe luz suficiente para a fotossíntese. Concentra a maior
parte da vida marinha conhecida.
Mesopelágica 200 a 1.000 m Luz fraca, sem fotossíntese relevante. Muitos animais migram
para a superfície à noite.
Batipelágica 1.000 a 4.000 m Escuridão total, a não ser pela luz produzida pelos próprios
organismos. Água perto de 4 °C.
Abissopelágica 4.000 a 6.000 m Cobre grande parte do assoalho oceânico. Água muito fria e
alimento escasso.
Hadopelágica Abaixo de 6.000 m Fossas oceânicas. Pressão extrema, com vida adaptada a esse
ambiente.
Pressão, escuridão e frio
A pressão aumenta cerca de 1 atmosfera a cada 10 metros de profundidade. No fundo do Challenger
Deep, ela supera 1.000 vezes a pressão atmosférica ao nível do mar. Abaixo de cerca de 1.000 metros
não chega luz solar, e a temperatura da água fica em poucos graus acima de zero na maior parte do
oceano profundo.
Como a vida se adapta
• Bioluminescência: muitos organismos produzem luz própria para atrair presas, afastar predadores
ou se comunicar. É a principal fonte de luz abaixo da zona de penetração solar.
• Corpos gelatinosos e flexíveis: ajudam a suportar a pressão e reduzem o gasto de energia.
• Olhos grandes ou ausentes: espécies das camadas intermediárias têm olhos sensíveis a pouca
luz, enquanto outras dependem de outros sentidos.
• Metabolismo lento: o alimento é escasso, então muitos animais gastam pouca energia e comem
raramente.
• Neve marinha: restos de organismos que caem lentamente da superfície, uma fonte importante de
alimento para o fundo.
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Fontes hidrotermais
Em 1977, pesquisadores usando o submersível Alvin encontraram, perto das ilhas Galápagos,
comunidades densas de vermes tubulares e outros animais ao redor de fontes hidrotermais. Ali,
bactérias obtêm energia de compostos químicos como o sulfeto de hidrogênio, em um processo
chamado quimiossíntese. Foi a primeira demonstração de ecossistemas que não dependem
diretamente da luz do Sol.
Marcos da exploração
Ano Marco
1960 O batiscafo Trieste, com Jacques Piccard e Don Walsh, atinge o fundo do Challenger Deep.
1964 O submersível Alvin entra em operação e se torna um dos mais usados da história da
oceanografia.
1977 Descoberta das fontes hidrotermais e de ecossistemas baseados em quimiossíntese.
2012 James Cameron faz a primeira descida tripulada solo ao Challenger Deep.
O que ainda não sabemos
Segundo o projeto Seabed 2030, pouco mais de um quarto do fundo do mar havia sido mapeado em
alta resolução nos últimos relatórios. Novas espécies são descritas com frequência, e estimativas
indicam que a maior parte da vida marinha ainda não foi catalogada.
Pressões sobre o oceano profundo
• Pesca de arrasto em grandes profundidades, que danifica habitats de crescimento lento, como
corais de água fria.
• Debate internacional sobre a mineração de nódulos polimetálicos no fundo do mar.
• Poluição por plásticos e microplásticos, já detectados em fossas oceânicas.
• Aquecimento e acidificação do oceano, que alteram a circulação e a disponibilidade de alimento.

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