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PRÁTICA III
1. Objetivo 
Possibilitar que o aluno pegue tudo que aprendeu nos textos e aplique ao desenvolver o tema escolhido na aula 03. 
1. Atividade 
Com base no tema escolhido na aula 03 e na introdução e nas referências bibliográficas que elaborou na aula 06, construa um artigo científico completo que tenha as seguintes seções: 
. Título; 
. Introdução; 
. Desenvolvimento; 
. Conclusões; 
. Referências bibliográficas. 
O texto deve ser redigido em documento Word e enviado pelo portal para que a tutoria faça a correção.
Título
Impactos das mudanças climáticas em ecossistemas locais.
Introdução; 
Os ecossistemas tropicais concentram parcela expressiva dabiodiversidade global e desempenham funções essenciais naregulação climática, no armazenamento de carbono, namanutenção de ciclos hidrológicos, na produtividade pesqueira e naprovisão de recursos necessários à subsistência de milhões depessoas. Entretanto, o aumento das temperaturas, a intensificaçãode secas, ondas de calor terrestres e marinhas, alterações nosregimes de precipitação, elevação do nível do mar e mudanças nafrequência e intensidade de eventos extremos estão produzindotransformações profundas na composição, na estrutura e nofuncionamento desses sistemas. Este artigo analisa os impactos dasmudanças climáticas sobre a biodiversidade de florestas tropicaisúmidas e secas, ecossistemas montanos, manguezais e recifes decoral, enfatizando respostas adaptativas, limites da plasticidadefenotípica, mudanças de distribuição geográfica, reorganização decomunidades, processos ecoevolutivos e fatores que determinamresistência e resiliência. 
Os ecossistemas tropicais ocupam posição singular no sistematerrestre porque concentram diversidade biológica extraordinária e,simultaneamente, desempenham funções ambientais queultrapassam amplamente seus limites geográficos. Florestastropicais participam intensamente da circulação de água e energia,influenciam precipitação regional, armazenam grandes estoques decarbono e sustentam comunidades ecológicas de elevada complexidade; recifes de coral fornecem habitat estrutural para umafração expressiva da biodiversidade marinha tropical, protegemcostas e sustentam atividades pesqueiras e econômicas;manguezais conectam sistemas terrestres, fluviais e marinhos,funcionam como berçários para diferentes espécies, acumulamcarbono em sedimentos e atenuam impactos costeiros. Essaimportância ecológica torna particularmente preocupante o fato deque os trópicos estão submetidos simultaneamente a mudançasclimáticas rápidas e a pressões não climáticas como desmatamento,fragmentação, incêndios de origem antrópica, poluição, sobre-exploração, expansão de infraestrutura e transformação de habitats.
A integridade das paisagens aparece, nesse contexto, como um dosfatores mais decisivos da resiliência tropical. Mudança climática eperda de habitat não atuam como ameaças independentes quepoderiam ser tratadas em políticas separadas, pois a degradaçãomodifica diretamente a capacidade de resposta ao clima. Florestasfragmentadas perdem estabilidade microclimática e ficam maisexpostas ao fogo, populações pequenas possuem menordiversidade genética e maior risco demográfico, barreiras humanasdificultam deslocamentos e áreas costeiras ocupadas impedemmigração de manguezais. A revisão do Congo e as evidências daAmazônia reforçam que as projeções se tornam mais severasquando mudanças de uso do solo são combinadas ao aquecimento.Dessa forma, reduzir desmatamento, recuperar conectividade eproteger grandes áreas intactas devem ser entendidos comomedidas de adaptação climática da biodiversidade, e não somentecomo políticas clássicas de conservação. Essa mudança deinterpretação possui consequências práticas para o desenho deunidades de conservação, que precisam considerar gradientesaltitudinais, rotas potenciais de deslocamento e refúgios climáticos.Áreas protegidas permanecem fundamentais, mas sua eficáciafutura dependerá de estarem conectadas a uma matriz territorialque permita movimento e fluxo gênico.
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Desenvolvimento; 
As florestas tropicais úmidas possuem ampla capacidade de reciclarágua e armazenar carbono, mas essa capacidade depende daintegridade da cobertura, da disponibilidade hídrica e dofuncionamento fisiológico das árvores. Temperaturas mais altasaumentam a demanda atmosférica por água e podem intensificarestresse mesmo quando a precipitação não diminui drasticamente.Quando secas prolongadas reduzem a água no solo, árvoresprecisam restringir a abertura estomática para evitar perdaexcessiva, diminuindo simultaneamente a absorção de carbono. Se oestresse ultrapassa determinados limites, falhas hidráulicas eesgotamento de reservas podem aumentar mortalidade. Essesprocessos são influenciados pela profundidade radicular, pelaarquitetura hidráulica e pelas características do solo, o que ajuda aexplicar a heterogeneidade encontrada entre regiões.
O fogo amplia significativamente esse risco. Florestas tropicaisúmidas não são adaptadas a incêndios frequentes no mesmo grauque muitos ecossistemas savânicos, e queimadas podem abrir odossel, aumentar entrada de radiação, secar combustíveis efavorecer novos incêndios. Surge, assim, um mecanismo deretroalimentação entre degradação, fogo e clima. O aquecimento esecas aumentam a inflamabilidade; o fogo reduz cobertura eumidade; áreas degradadas tornam-se mais vulneráveis ao próximoevento. O IPCC considera a redução do desmatamento e dadegradação essencial à resiliência climática porque perturbaçõeslocais amplificam os efeitos do clima. A preservação de florestasintactas oferece maior estabilidade microclimática, conectividade edisponibilidade de refúgios do que paisagens altamentefragmentadas.
As florestas tropicais secas enfrentam desafio distinto porque odéficit hídrico faz parte de sua ecologia, mas mudanças na aridezpodem ultrapassar o envelope histórico. Em sistemas como aCaatinga, plantas possuem estratégias de tolerância à seca,deciduidade e armazenamento, porém muitas espécies dedistribuição restrita podem ter pouca margem climática adicional.Modelagens recentes sugerem perda potencial de adequabilidadepara grande número de espécies e reorganização das comunidades,com risco de homogeneização funcional. Isso evidencia a diferençaentre ser adaptado à seca e ser adaptável a um regime climáticonovo. Um organismo especializado em determinado padrão sazonalpode ser vulnerável quando duração, intensidade ouimprevisibilidade da seca se alteram além da variabilidade histórica
A biodiversidade dos manguezais é frequentemente subestimadaquando o sistema é analisado somente por sua cobertura arbóreaou capacidade de armazenar carbono. Lovelock et al. (2025)enfatizam que a biodiversidade sustenta funções e serviços e incluinão apenas árvores, mas peixes, crustáceos, aves, invertebrados,microrganismos e interações ecológicas. Uma área restaurada compoucas espécies arbóreas pode recuperar parte da cobertura e docarbono sem restabelecer integralmente a complexidade funcionaldo sistema. Essa distinção é essencial para políticas de restauraçãoclimática, que não devem utilizar apenas hectares reflorestados oucarbono acumulado como indicadores de sucesso (Lovelock et al.,2025).
O monitoramento remoto ampliou significativamente a capacidadede acompanhar mudanças de cobertura e estrutura emmanguezais, especialmente em regiões de difícil acesso. Sunkur etal. (2024) demonstram a crescente aplicação de sensoriamentoremoto à avaliação de vulnerabilidade e resiliência, permitindoidentificar perdas, expansão e fragmentação em escalas regionais.Contudo, imagens não substituem integralmente dados de campo,pois composição de espécies, regeneração, saúde fisiológica ediversidade faunística podem mudar antes de alteraçõesperceptíveis na cobertura. A combinação de observação orbital,levantamentos locais e participação comunitária oferece, portanto,estratégia mais adequada para manejo adaptativo.
Conclusões; 
A análise integrada das evidências demonstra que as mudançasclimáticasjá constituem força relevante de reorganização dabiodiversidade tropical e que seus efeitos se manifestam em níveisque vão da fisiologia individual à estrutura de ecossistemas inteiros.O aumento das temperaturas, as alterações nos regimes deprecipitação, as secas prolongadas, a intensificação de ondas decalor terrestres e marinhas e a elevação do nível do mar nãoproduzem uma resposta única, mas desencadeiam combinações demortalidade, deslocamento geográfico, mudanças fenológicas,reorganização de comunidades e alterações funcionais. 
Em florestastropicais, essa heterogeneidade aparece nas respostas contrastantesà seca e na diferente vulnerabilidade de espécies e regiões; emmontanhas, manifesta-se por deslocamentos altitudinais quefavorecem determinadas espécies e comprimem o espaçodisponível para especialistas de topo; em manguezais, a capacidadede acompanhar a elevação do nível do mar depende desedimentação e espaço para migração; e nos recifes de coral,tolerância térmica e adaptação variam entre espécies e populações,mas não eliminam o risco associado a ondas de calor maisfrequentes.
Referências bibliográficas. 
BALDRIAN, Petr; LÓPEZ-MONDÉJAR, Rubén; KOHOUT, Petr. Forestmicrobiome and global change. Nature Reviews Microbiology, v. 21,p. 487-501, 2023. DOI: 10.1038/s41579-023-00876-4.
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BEEKMANN, Milena; GALLOIS, Sandrine; RONDININI, Carlo.Uncertain future for Congo Basin biodiversity: a systematic review ofclimate change impacts. Biological Conservation, v. 297, art. 110730,2024. DOI: 10.1016/j.biocon.2024.110730.
CHEN, Shuli et al. Amazon forest biogeography predicts resilienceand vulnerability to drought. Nature, v. 631, p. 111-117, 2024. DOI:10.1038/s41586-024-07568-w.
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DUARTE, Carlos M. et al. Layering solutions to conserve tropical coralreefs in crisis. Nature Reviews Biodiversity, v. 1, p. 788-805, 2025. DOI:10.1038/s44358-025-00106-0.
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HE, Qiang et al. Coastal wetland resilience through local, regionaland global conservation. Nature Reviews Biodiversity, v. 1, p. 50-67,2025. DOI: 10.1038/s44358-024-00004-x.
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HÜLSEN, Sarah et al. Mangroves and their services are at risk fromtropical cyclones and sea level rise under climate change.Communications Earth & Environment, v. 6, art. 262, 2025.

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