Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

FISIOLOGIA: FÍGADO COMO ÓRGÃO 
 
 FUNÇÕES DO FÍGADO 
 
De modo geral, podemos agrupar suas principais 
atividades em três grandes eixos interdependentes: 
metabolização, detoxificação e excreção. 
 
Metabolização 
Sua atuação garante o equilíbrio entre anabolismo e 
catabolismo conforme as necessidades fisiológica de 
cada momento. 
 
A bilirrubina é um pigmento amarelado 
produzido naturalmente pelo corpo após a 
destruição dos glóbulos vermelhos velhos no 
sangue. O fígado tem a função de processar essa 
substância, transformando-a e eliminando-a através 
da bile (fezes). O processo envolve duas formas 
principais: 
 
● Indireta (Não conjugada): É a bilirrubina 
recém-formada pela destruição das 
hemácias, que ainda precisa chegar ao 
fígado. Alterações aqui geralmente indicam 
aumento na destruição de glóbulos vermelhos 
(anemia hemolítica) ou problemas genéticos. 
● Direta (Conjugada): É a bilirrubina que já foi 
processada pelo fígado e está pronta para ser 
excretada. O aumento desse tipo indica 
diretamente uma dificuldade do fígado em 
secretar a bile ou um bloqueio nos canais 
biliares. 
Por que isso importa? 
Quando o fígado está doente ou as vias 
biliares estão obstruídas, a bilirrubina se 
acumula no organismo. Isso causa a icterícia, 
que é a coloração amarelada na pele e na 
parte branca dos olhos. 
 
Dessa forma, os problemas no metabolismo 
da bilirrubina podem ser organizados em três 
grandes categorias fisiopatológicas: produção 
aumentada (pré-hepáticas), defeitos na 
conjugação (hepáticas) e obstruções à 
excreção (pós-hepáticas). 
 
● No metabolismo dos carboidratos: o fígado 
atua como um regulador central da glicemia. 
Ele participa ativamente da glicogênese, 
armazenando glicose sob a forma de 
glicogênio; da glicogenólise, mobilizando 
esse estoque quando há necessidade 
energética; e da gliconeogênese, processo 
no qual converte precursores 
não-carboidratos (como aminoácidos e 
glicerol) em glicose, particularmente em 
períodos de jejum. Essa capacidade 
adaptativa é essencial para manter a oferta 
de glicose aos tecidos glicose-dependentes, 
como o cérebro e os eritrócitos. 
 
● No metabolismo dos lipídios: O fígado 
exerce funções centrais tanto na síntese 
quanto na oxidação. Ele converte 
carboidratos e aminoácidos excedentes 
em ácidos graxos, sintetiza triglicerídeos, 
colesterol e fosfolipídios, componentes 
essenciais das membranas celulares e da 
produção de lipoproteínas como VLDL e 
HDL.Além disso, durante o jejum prolongado, 
o fígado realiza a β-oxidação dos ácidos 
graxos, produzindo corpos cetônicos que 
servem como fonte energética alternativa, 
especialmente para o cérebro. 
 
● O metabolismo das proteinas: hepático é 
igualmente essencial. O fígado sintetiza a 
maioria das proteínas plasmáticas, com 
destaque para: 
 • Albumina:fundamental para a manutenção 
da pressão oncótica e transporte de diversas 
substâncias; 
• Fatores de coagulação: (como fatores II, 
VII, IX e X), cuja deficiência contribui para 
sangramentos em doenças hepáticas; 
• Proteínas de fase aguda e enzimas 
plasmáticas. 
 
● imunoglobulinas: são sintetizada por 
plasmócitos, o fígado participa 
ativamente da regulação da 
imunidade inata por meio de proteínas 
como o sistema complemento, sendo 
também um reservatório de 
macrófagos especializados (células de 
Kupffer), o que o torna um órgão de 
interface entre o metabolismo e a 
imunidade. 
 
 
Destoxificação hepática 
. Essa função é facilitada pela sua posição 
estratégica na circulação portal, que direciona 
diretamente ao fígado o sangue proveniente do trato 
gastrointestinal, rico em nutrientes, toxinas 
alimentares, microorganismos, xenobióticos e 
fármacos. Esse processo é conhecido como 
metabolismo de primeira passagem hepática, e 
envolve dois mecanismos principais: 
 
● Destoxificação físico-celular, mediada 
principalmente pelas células de Kupffer, 
macrófagos residentes nos sinusoides 
hepáticos. Eles fagocitam partículas, 
microrganismos e debris celulares que 
chegam pela circulação portal, funcionando 
como uma barreira imunológica essencial. 
 
● Destoxificação bioquímica, realizada por 
um conjunto de enzimas localizadas no 
retículo endoplasmático liso dos hepatócitos, 
especialmente as do sistema enzimático do 
citocromo P450. Esse sistema realiza 
reações de fase I (modificações químicas 
como oxidação, redução e hidrólise) e fase II 
(conjugação com compostos hidrossolúveis 
como glicuronato, sulfato ou glutationa), 
tornando as substâncias mais polares e, 
portanto, mais facilmente elimináveis. 
 
 A falha nesse sistema pode levar à 
acumulação tóxica de metabólitos, à 
ineficácia terapêutica de medicamentos e à 
potencial hepatotoxicidade. Uma vez 
metabolizados, esses compostos podem ser: 
• Excretados via bile, principalmente se 
forem lipofílicos e de alto peso molecular; 
 • Liberados na circulação sistêmica, para 
posterior filtração renal se forem 
hidrossolúveis. 
 
 
 
Excreção hepática 
A excreção hepática ocorre predominantemente por 
meio da bile, um fluido anfipático secretado 
continuamente pelos hepatócitos e armazenado 
temporariamente na vesícula biliar. Além de 
participar ativamente da digestão e absorção de 
lipídios no intestino delgado, a bile é um importante 
veículo de eliminação de substâncias que não 
podem ser excretadas pelos rins. 
 Entre os principais elementos excretados pelo 
fígado através da bile, destacam-se: 
 
● Metabólitos hidrofóbicos derivados da 
biotransformação hepática; 
● Xenobióticos e resíduos medicamentosos; 
● Hormônios esteroides inativos; 
● Pigmentos biliares, especialmente a 
bilirrubina conjugada, resultante da 
degradação do heme; 
● Metais pesados (como cobre e mercúrio) e 
compostos orgânicos complexos; 
● Produtos finais do metabolismo do colesterol, 
como os ácidos biliares. 
 
 
 Hepatócitos 
 
Os hepatócitos são as células parenquimatosas 
fundamentais do fígado, responsáveis pela imensa 
maioria das suas funções bioquímicas e fisiológicas. 
Estimam-se que representem cerca de 80% da 
massa celular hepática, organizando-se em cordões 
celulares que irradiam a partir da veia central dentro 
dos lóbulos hepáticos. Essa organização 
tridimensional permite a interação simultânea com o 
sangue (por meio dos sinusóides) e com os dutos 
biliares, refletindo sua polarização funcional. 
Cada hepatócito possui dois polos distintos: 
● Um pólo sinusoidal, voltado para o espaço 
de Disse, onde realiza trocas com o plasma 
sanguíneo. 
● Um pólo biliar, voltado para os canalículos 
biliares, estruturas microscópicas localizadas 
entre membranas de hepatócitos adjacentes, 
responsáveis pela coleta dos produtos de 
excreção celular. 
 
 
O papel dos hepatócitos, portanto, extrapola 
a função secretora, pois essas células 
também: 
• Metabolizam nutrientes (carboidratos, 
lipídios e proteínas); 
 • Sintetizam proteínas plasmáticas, como 
albumina e fatores de coagulação; 
• Biotransformam substâncias tóxicas e 
hormônios; 
• Participam da imunorregulação hepática 
por meio da produção de proteínas do 
complemento e moléculas sinalizadoras. 
 
Os hepatócitos possuem uma impressionante 
capacidade de regeneração, mediada por vias de 
sinalização mitogênicas como a Wnt/β-catenina e a 
via do fator de crescimento hepatocitário (HGF). 
Essa capacidade é crucial na recuperação após 
lesões hepáticas agudas.

Mais conteúdos dessa disciplina