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A Pata do Macaco

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https://www.baixelivros.com.br/
 
 
 
 
A Pata do Macaco 
— • — 
W. W. Jacobs 
 
 
 
 
 
 
Baixe Livros 
 
 
 
A Pata do Macaco 
W. W. Jacobs 
• 
Conto 
Edição integral em português, 
com introdução, crítica e notas 
 
 
 
Tradução: Paulo Rabello 
 Organização: Baixe Livros
Ficha técnica 
Título: A Pata do Macaco 
Autor: W. W. Jacobs (1863–1943) 
Texto original: “The Monkey’s Paw” 
Publicação: 1902, na coletânea The Lady of the Barge 
Base da tradução: texto integral inglês da coletânea 
Tradução, introdução, crítica e notas: Paulo Rabello 
Organização: Baixe Livros — 2026 
 
Disponibilização gratuita e integral por meio da plataforma 
BaixeLivros. Caso deseje compartilhá-lo fora deste ambiente, é 
necessário obter a devida permissão. 
Além disso, a licença gratuita concedida para este material poderá 
ser alterada futuramente a critério do tradutor. 
Reforçamos o compromisso com a ética e a valorização do 
trabalho dos autores, tradutores e editores, oferecendo acesso 
responsável à leitura. 
Baixe outros livros gratuitamente em: www.baixelivros.com.br 
https://www.baixelivros.com.br/
Sumário 
• 
Introdução 1 
O conto 5 
Crítica 42 
Notas do tradutor 48 
1 
Introdução 
• 
uatro coisas convém considerar 
antes da leitura: o que é este conto e 
de onde vem; de que trata; por qual 
método trabalha; e com que disposição se 
deve lê-lo. Uma quinta — se a sentença 
que ele executa é justa — fica adiada de 
propósito: a crítica vem depois do texto, 
porque não se julga um caso antes de 
ouvi-lo, nem se estraga o assombro de 
quem ainda não leu. 
Quanto ao primeiro. "A Pata do 
Macaco" ("The Monkey's Paw") saiu em 
1902, em revista e depois na coletânea 
The Lady of the Barge. O autor, o inglês W. 
W. Jacobs, era um humorista — célebre 
Q 
2 
pelos contos cômicos de marinheiros e 
barcaças do Tâmisa — e entrou para a 
história por esta única incursão no medo: 
o conto de terror mais imitado da língua 
inglesa saiu da pena de um homem que 
fazia rir. O paradoxo é menor do que 
parece: ninguém arma melhor uma 
emboscada do que quem domina o riso, 
pois o riso desarma a sentinela. 
Quanto ao segundo. O conto trata do 
desejo — mais exatamente, da pergunta: é 
prudente pedir mais? Cumpre distinguir 
dois modos de pedir. Pede-se a alguém, 
confiando o pedido a uma vontade que 
pode ajustá-lo, negá-lo ou melhorá-lo; e 
pede-se a algo, como quem aperta um 
botão: a máquina não interpreta — 
executa. O talismã deste conto pertence 
à segunda espécie, e a tese que ele 
3 
carrega vem declarada logo nas primeiras 
páginas, pela boca de quem o traz de 
longe: o destino governa a vida dos 
homens, e quem se mete com ele se 
arrepende. O conto é o exame dessa 
máxima — conduzido, note-se, sobre o 
pedido mais modesto que se possa 
imaginar. 
Quanto ao terceiro. O método é a 
economia. Uma casinha, uma lareira, uma 
partida de xadrez, uma visita; nada de 
castelos, nada de fantasmas de lençol. O 
sobrenatural, se comparece, jamais sobe 
ao palco: age fora de cena, e o autor 
confia ao leitor o serviço de assustar-se 
por conta própria — confiança que o 
leitor, há mais de um século, retribui 
pontualmente. Repare-se ainda na 
aritmética que organiza tudo: três 
4 
homens, três desejos, três partes. E 
repare-se, sobretudo, no primeiro 
parágrafo, em que um pai, jogando 
xadrez, tem ideias "radicais" sobre o jogo 
e põe o próprio rei em perigos "agudos e 
desnecessários". O conto inteiro está 
nessa abertura, em miniatura; o leitor 
avisado a guarde. 
Quanto ao quarto. Leia-se com a 
disposição do velho soldado diante do 
fogo: dividido entre a vontade de contar e 
a de calar. E leve-se para dentro do texto 
uma única pergunta, que é a que ele fará 
a cada um: se um poder desconhecido 
garantisse atender ao pé da letra o que 
você pedisse, o mais sensato seria pedir 
muito, pedir pouco — ou não pedir? A 
resposta do conto está no fim; a nossa 
discussão dela também. 
5 
 
 
O conto 
• 
I. 
á fora, a noite era fria e úmida; mas 
na pequena sala da Vila Laburnam as 
persianas estavam baixadas e o fogo ardia 
com força. Pai e filho jogavam xadrez. O 
primeiro, que tinha sobre o jogo ideias 
envolvendo mudanças radicais, punha o 
rei em perigos tão agudos e 
desnecessários que provocava 
comentários até da velha senhora de 
cabelos brancos que tricotava, 
placidamente, junto à lareira. 
L 
6 
— Escute só esse vento — disse o 
senhor White, que, tendo enxergado um 
erro fatal quando já era tarde demais, 
procurava amavelmente impedir que o 
filho o visse. 
— Estou escutando — disse o filho, 
examinando o tabuleiro com ar severo 
enquanto esticava a mão. — Xeque. 
— Duvido muito que ele venha esta 
noite — disse o pai, com a mão suspensa 
sobre o tabuleiro. 
— Mate — respondeu o filho. 
— Isso é o pior de morar tão longe de 
tudo — vociferou o senhor White, com 
uma violência súbita e inesperada. — De 
todos os lugares enlameados, 
encharcados e fora de mão que existem 
para morar, este é o pior. O caminho é um 
brejo, e a estrada, uma enxurrada. Não sei 
7 
o que essa gente tem na cabeça. Como só 
há duas casas alugadas na rua, devem 
achar que não faz diferença. 
— Não ligue, querido — disse a mulher, 
apaziguadora. — Quem sabe você ganha a 
próxima. 
O senhor White ergueu os olhos bem a 
tempo de flagrar um olhar de 
cumplicidade entre mãe e filho. As 
palavras morreram nos seus lábios, e ele 
escondeu um sorriso culpado na barba 
rala e grisalha. 
— Aí está ele — disse Herbert White, 
quando o portão bateu com força e 
passos pesados se aproximaram da porta. 
O velho levantou-se com pressa 
hospitaleira e, ao abrir a porta, ouviram-
no consolar o recém-chegado. O recém-
chegado também se consolava sozinho, e 
8 
tanto, que a senhora White fez "Tsc, tsc!" 
e tossiu de leve quando o marido entrou 
na sala, seguido por um homem alto e 
corpulento, de olhinhos vivos e rosto 
avermelhado. 
— Sargento-mor Morris — disse ele, 
apresentando-o. 
O sargento-mor apertou a mão de 
todos e, aceitando o lugar que lhe 
ofereceram junto ao fogo, ficou 
observando, satisfeito, o dono da casa 
trazer uísque e copos e pôr uma 
chaleirinha de cobre sobre o fogo. 
No terceiro copo, os olhos do visitante 
ganharam brilho, e ele começou a falar. O 
pequeno círculo da família contemplava 
com vivo interesse aquele hóspede vindo 
de terras distantes, enquanto ele ajeitava 
os ombros largos na cadeira e falava de 
9 
cenas selvagens e façanhas valentes; de 
guerras, de pestes e de povos estranhos. 
— Vinte e um anos disso — disse o 
senhor White, com um aceno para a 
mulher e o filho. — Quando ele partiu, era 
um fiapo de rapaz lá do armazém. Agora 
olhem para ele. 
— Não parece ter sofrido muito, não — 
disse a senhora White, com polidez. 
— Eu bem que gostaria de conhecer a 
Índia — disse o velho. — Só para dar uma 
olhada por lá, sabe como é. 
— Melhor ficar onde está — disse o 
sargento-mor, balançando a cabeça. 
Pousou o copo vazio e, suspirando 
baixinho, balançou-a de novo. 
— Eu gostaria de ver aqueles templos 
antigos, os faquires, os malabaristas — 
disse o velho. — O que era mesmo aquilo 
10 
que você começou a me contar outro dia, 
Morris? Uma pata de macaco, ou coisa 
assim? 
— Nada — disse o soldado, às pressas. 
— Pelo menos, nada que valha a pena 
ouvir. 
— Pata de macaco? — estranhou a 
senhora White. 
— Bem, é só um pouquinho daquilo que 
talvez se pudesse chamar de magia — 
disse o sargento-mor, fingindo pouco 
caso. 
Os três ouvintes inclinaram-se para a 
frente, ávidos. O visitante, distraído, 
levou o copo vazio aos lábios e tornou a 
pousá-lo. O dono da casa o encheu de 
novo. 
11 
— De se olhar — disse o sargento-mor, 
remexendo no bolso —, é só uma patinha 
comum, seca feito múmia. 
Tirou alguma coisa do bolso e a 
estendeu. A senhora White recuou com 
uma careta, mas o filho pegou o objeto e 
o examinou com curiosidade. 
— E o que ela tem de especial? — 
perguntou o senhor White, tomando-a 
dasmãos do filho; depois de examiná-la, 
pousou-a sobre a mesa. 
— Um velho faquir pôs um 
encantamento nela — disse o sargento-
mor. — Um homem muito santo. Ele 
queria mostrar que o destino governa a 
vida das pessoas, e que aqueles que se 
metem com ele se arrependem para 
sempre. Pôs na pata um encantamento tal 
12 
que três homens diferentes poderiam 
obter dela, cada um, três desejos. 
Havia tanta solenidade no seu jeito que 
os ouvintes sentiram que as próprias 
risadinhas destoavam um pouco. 
— E por que o senhor não pede os seus 
três? — disse Herbert White, espirituoso. 
O soldado o encarou do jeito que a 
meia-idade costuma encarar a juventude 
atrevida. 
— Já pedi — disse baixinho, e o rosto 
manchado empalideceu. 
— E os três desejos foram mesmo 
atendidos? — perguntou a senhora White. 
— Foram — disse o sargento-mor, e o 
copo tocou de leve os seus dentes fortes. 
— E mais alguém já pediu? — insistiu a 
velha senhora. 
13 
— O primeiro homem teve os seus três 
desejos, sim — foi a resposta. — Não sei 
quais foram os dois primeiros, mas o 
terceiro foi a morte. Foi assim que a pata 
veio parar comigo. 
O tom era tão grave que um silêncio 
caiu sobre o grupo. 
— Se você já pediu os seus três, Morris, 
então ela não serve mais para nada — 
disse o velho, por fim. — Para que você a 
guarda? 
O soldado balançou a cabeça. 
— Capricho, eu acho — disse devagar. 
— Cheguei a pensar em vendê-la, mas 
acho que não vou. Ela já causou desgraça 
demais. Além disso, ninguém compra. 
Uns acham que é história da carochinha; 
e os que dão algum crédito querem 
14 
experimentar primeiro e me pagar 
depois. 
— E se você pudesse ter outros três 
desejos — disse o velho, olhando-o com 
atenção —, você pediria? 
— Não sei — disse o outro. — Não sei... 
Pegou a pata e, balançando-a entre o 
polegar e o indicador, de repente a atirou 
ao fogo. White, com um gritinho, 
abaixou-se e a arrancou de lá. 
— Melhor deixar queimar — disse o 
soldado, solene. 
— Se você não a quer, Morris — disse o 
outro —, dê para mim. 
— Não dou — teimou o amigo. — Eu 
joguei no fogo. Se você ficar com ela, não 
me culpe pelo que acontecer. Jogue de 
15 
novo nas chamas, como um homem de 
juízo. 
O outro balançou a cabeça e examinou 
de perto a sua nova propriedade. 
— Como é que se faz? — perguntou. 
— Levante a pata com a mão direita e 
faça o pedido em voz alta — disse o 
sargento-mor. — Mas eu aviso: cuidado 
com as consequências. 
— Parece coisa das Mil e Uma Noites — 
disse a senhora White, levantando-se 
para arrumar a ceia. — Você não acha que 
podia pedir quatro pares de mãos para 
mim? 
O marido tirou o talismã do bolso, e os 
três caíram na risada quando o sargento-
mor, com um ar de alarme no rosto, o 
agarrou pelo braço. 
16 
— Se você tem mesmo que pedir 
alguma coisa — disse, ríspido —, peça uma 
coisa sensata. 
O senhor White devolveu a pata ao 
bolso e, arrumando as cadeiras, convidou 
o amigo à mesa com um gesto. Na 
azáfama da ceia, o talismã ficou meio 
esquecido; e, depois, os três se sentaram 
para ouvir, enfeitiçados, o segundo 
capítulo das aventuras do soldado na 
Índia. 
— Se a história da pata de macaco não 
for mais verdadeira do que as outras que 
ele contou — disse Herbert, assim que a 
porta se fechou atrás do visitante, saído 
bem a tempo de pegar o último trem —, 
não vamos tirar grande coisa dela. 
17 
— Você deu alguma coisa em troca, 
pai? — perguntou a senhora White, 
olhando o marido de perto. 
— Uma bobagenzinha — disse ele, 
corando de leve. — Ele não queria aceitar, 
mas eu fiz questão. E insistiu de novo para 
que eu jogasse a pata fora. 
— Essa não! — disse Herbert, com falso 
horror. — Logo agora que vamos ficar 
ricos, famosos e felizes. Peça para ser 
imperador, pai, para começo de conversa; 
aí ninguém mais manda no senhor dentro 
de casa. 
E disparou em volta da mesa, 
perseguido pela caluniada senhora 
White, armada com o paninho da 
poltrona. 
O senhor White tirou a pata do bolso e 
a mirou com desconfiança. 
18 
— Não sei o que pedir, essa é a verdade 
— disse devagar. — Tenho a impressão de 
que já tenho tudo o que quero. 
— Se o senhor terminasse de pagar a 
casa, ficaria feliz da vida, não ficaria? — 
disse Herbert, com a mão no ombro dele. 
— Pois então peça duzentas libras: dá na 
conta certa. 
O pai, sorrindo envergonhado da 
própria credulidade, ergueu o talismã, 
enquanto o filho, de cara solene — um 
tanto estragada por uma piscadela para a 
mãe —, sentava-se ao piano e tirava dele 
alguns acordes imponentes. 
— Eu desejo duzentas libras — disse o 
velho, com clareza. 
Um belo estrondo do piano saudou as 
palavras, interrompido por um grito de 
19 
arrepio do velho. A mulher e o filho 
correram até ele. 
— Ela se mexeu — gritou, com um olhar 
de nojo para o objeto caído no chão. — 
Quando eu fiz o pedido, ela se torceu na 
minha mão feito uma cobra. 
— Pois eu não estou vendo o dinheiro 
— disse o filho, apanhando a pata e 
pondo-a sobre a mesa. — E aposto que 
nunca vou ver. 
— Deve ter sido impressão sua, meu 
velho — disse a mulher, olhando-o com 
ansiedade. 
Ele balançou a cabeça. 
— Bom, não importa. Mal nenhum 
aconteceu; mas que levei um susto, levei. 
Sentaram-se de novo junto ao fogo, e 
os dois homens terminaram os seus 
20 
cachimbos. Lá fora, o vento estava mais 
alto do que nunca, e o velho estremeceu 
ao som de uma porta batendo no andar 
de cima. Um silêncio incomum e 
opressivo desceu sobre os três, e durou 
até o velho casal se levantar para ir 
dormir. 
— Espero que vocês encontrem o 
dinheiro amarrado num saco bem grande 
no meio da cama — disse Herbert, ao dar 
boa-noite — e alguma coisa horrenda, de 
cócoras em cima do guarda-roupa, 
vigiando enquanto vocês embolsam os 
lucros mal ganhos. 
Ele ficou sozinho no escuro, olhando o 
fogo que morria e vendo rostos nele. O 
último rosto era tão horrível, tão parecido 
com o de um macaco, que ele o encarou 
com espanto. Ficou tão vívido que, com 
21 
um risinho sem graça, ele tateou a mesa à 
procura de um copo com um resto de 
água para jogar em cima. A mão agarrou a 
pata de macaco; com um leve arrepio, ele 
limpou a mão no casaco e subiu para o 
quarto. 
22 
 
 
II. 
 
a claridade do sol de inverno que, na 
manhã seguinte, se derramava 
sobre a mesa do café, ele riu dos próprios 
medos. Havia na sala um ar de saúde 
prosaica que faltara na noite anterior; e a 
patinha suja e ressequida fora largada 
sobre o aparador com um descaso que 
não revelava grande fé nas suas virtudes. 
— Imagino que todos os soldados 
velhos sejam iguais — disse a senhora 
White. — Ora essa, nós dando ouvidos a 
um disparate daqueles! Como é que um 
desejo poderia ser atendido nos dias de 
N 
23 
hoje? E, se pudesse, que mal iam fazer a 
você duzentas libras, meu velho? 
— Vai que caem do céu na cabeça dele 
— disse o leviano Herbert. 
— O Morris disse que as coisas 
acontecem com tanta naturalidade — 
disse o pai — que, se a pessoa quiser, pode 
achar que foi tudo coincidência. 
— Bom, não vão gastar o dinheiro antes 
de eu voltar — disse Herbert, levantando-
se da mesa. — Tenho medo de que ele 
transforme o senhor num sujeito 
mesquinho e avarento, e a gente tenha 
que renegar o senhor. 
A mãe riu e o acompanhou até a porta, 
e ficou olhando enquanto ele se afastava 
pela estrada; de volta à mesa do café, 
divertiu-se bastante à custa da 
credulidade do marido. Nada disso a 
24 
impediu de correr à porta quando o 
carteiro bateu, nem de fazer comentários 
um tanto secos sobre sargentos-mores 
reformados e chegados à bebida, quando 
descobriu que o correio trazia a conta do 
alfaiate. 
— O Herbert vai aprontar mais uma das 
piadas dele quando chegar em casa, 
imagino — disse ela, quando se sentaram 
para o almoço. 
— É bem capaz — disse o senhor White, 
servindo-se de cerveja. — Mas, piada ou 
não, a coisa se mexeu na minha mão; isso 
eu juro. 
— Você achou que ela se mexeu — disse 
a velha senhora, para acalmá-lo. 
— Estoudizendo que se mexeu — 
respondeu o outro. — Não foi coisa de 
achar. Eu tinha acabado de... O que foi? 
25 
A mulher não respondeu. Observava os 
movimentos misteriosos de um homem 
do lado de fora que, espiando a casa de 
um jeito indeciso, parecia tentar criar 
coragem para entrar. Numa associação 
de ideias com as duzentas libras, ela 
notou que o desconhecido estava bem-
vestido e usava uma cartola de seda 
novinha, reluzente. Três vezes ele parou 
junto ao portão e tornou a seguir 
caminho. Na quarta, deteve-se com a 
mão sobre ele — e então, com uma 
resolução repentina, escancarou-o e 
subiu a aleia. No mesmo instante, a 
senhora White pôs as mãos atrás do 
corpo e, desatando às pressas as fitas do 
avental, enfiou essa útil peça do vestuário 
debaixo da almofada da cadeira. 
26 
Ela fez entrar na sala o desconhecido, 
que parecia pouco à vontade. Ele a olhava 
de esguelha e escutava com ar 
preocupado as desculpas da velha 
senhora pela aparência da sala e pelo 
casaco do marido, peça que ele em geral 
reservava para o jardim. Ela então 
esperou, com toda a paciência de que era 
capaz, que ele entrasse no assunto; mas o 
homem, de início, guardou um silêncio 
estranho. 
— Eu... me pediram que viesse — disse 
por fim, e se abaixou para tirar um fiapo 
de linha da calça. — Venho da parte da 
"Maw and Meggins". 
A velha senhora teve um sobressalto. 
— Aconteceu alguma coisa? — 
perguntou, sem fôlego. — Aconteceu 
27 
alguma coisa com o Herbert? O que foi? 
O que foi? 
O marido interveio. 
— Calma, calma, minha velha — 
apressou-se a dizer. — Sente-se, e não vá 
tirando conclusões. O senhor não nos 
traz má notícia, tenho certeza — e olhou 
para o outro com o coração nos olhos. 
— Sinto muito... — começou o visitante. 
— Ele se machucou? — exigiu a mãe, 
fora de si. 
O visitante inclinou a cabeça, 
confirmando. 
— Machucou-se gravemente — disse 
baixinho. — Mas não está sentindo dor 
nenhuma. 
28 
— Ah, graças a Deus! — disse a velha, 
juntando as mãos. — Graças a Deus! 
Graças... 
Calou-se de repente, quando o sentido 
sinistro daquela garantia lhe raiou por 
dentro e ela viu, no rosto desviado do 
outro, a confirmação horrível dos seus 
medos. Prendeu a respiração e, voltando-
se para o marido, de entendimento mais 
lento, pousou a velha mão trêmula sobre 
a dele. Houve um longo silêncio. 
— Ele foi apanhado pelo maquinário — 
disse o visitante, por fim, em voz baixa. 
— Apanhado pelo maquinário — repetiu 
o senhor White, aturdido. — Sim. 
Ficou sentado, olhando sem ver pela 
janela; e, tomando a mão da mulher entre 
as suas, apertou-a como costumava fazer 
29 
nos velhos tempos de namoro, quase 
quarenta anos antes. 
— Era o único que nos restava — disse, 
virando-se devagar para o visitante. — É 
duro. 
O outro tossiu e, erguendo-se, 
caminhou lentamente até a janela. 
— A firma me encarregou de transmitir 
aos senhores a sua sincera solidariedade 
nesta grande perda — disse, sem se 
voltar. — Peço que compreendam: sou 
apenas um empregado, cumprindo 
ordens. 
Não houve resposta. O rosto da velha 
estava branco, os olhos parados, a 
respiração inaudível; no rosto do marido 
havia uma expressão como a que o seu 
amigo sargento devia ter levado para o 
primeiro combate. 
30 
— Fui instruído a dizer que a "Maw and 
Meggins" se exime de qualquer 
responsabilidade — continuou o outro. — 
A firma não reconhece obrigação 
nenhuma; mas, em consideração aos 
serviços do filho dos senhores, deseja 
entregar-lhes certa quantia a título de 
compensação. 
O senhor White largou a mão da 
mulher e, pondo-se de pé, encarou o 
visitante com um olhar de horror. Os 
lábios secos moldaram as palavras: 
— Quanto? 
— Duzentas libras — foi a resposta. 
Sem ouvir o grito da mulher, o velho 
sorriu debilmente, estendeu as mãos 
como um cego e desabou no chão, 
desacordado. 
31 
 
 
III. 
 
o cemitério novo e enorme, a uns 
três quilômetros dali, os velhos 
enterraram o seu morto e voltaram para 
uma casa mergulhada em sombra e 
silêncio. Tudo acabou tão depressa que, 
no começo, eles mal conseguiam 
entender; e ficaram num estado de 
expectativa, como se esperassem mais 
alguma coisa — alguma coisa que aliviasse 
aquele peso, pesado demais para dois 
corações velhos. 
Mas os dias passaram, e a expectativa 
deu lugar à resignação — essa resignação 
sem esperança dos velhos, que às vezes 
N 
32 
recebe o nome injusto de apatia. Havia 
ocasiões em que mal trocavam palavra, 
porque agora não tinham sobre o que 
conversar, e os dias se arrastavam num 
cansaço sem fim. 
Foi mais ou menos uma semana depois 
que o velho, acordando de repente no 
meio da noite, estendeu a mão e se 
descobriu sozinho. O quarto estava às 
escuras, e da janela vinha um som de 
choro abafado. Ele se ergueu na cama e 
ficou escutando. 
— Volte para a cama — disse, com 
ternura. — Você vai sentir frio. 
— Para o meu filho está mais frio — 
disse a velha, e tornou a chorar. 
O som dos soluços foi morrendo nos 
ouvidos dele. A cama estava quente, e os 
olhos dele, pesados de sono. Cochilou aos 
33 
pedaços; depois dormiu — até que um 
grito repentino e desvairado da mulher o 
acordou de um salto. 
— A pata! — gritava ela, fora de si. — A 
pata do macaco! 
Ele se ergueu, alarmado. 
— Onde? Onde está? O que aconteceu? 
Ela veio tropeçando pelo quarto até 
ele. 
— Eu quero a pata — disse, calma agora. 
— Você não a destruiu, destruiu? 
— Está na saleta, na prateleira — 
respondeu ele, espantado. — Por quê? 
Ela chorava e ria ao mesmo tempo; e, 
debruçando-se, beijou-lhe o rosto. 
— Só agora me lembrei dela — disse, 
histérica. — Por que eu não pensei nisso 
antes? Por que você não pensou? 
34 
— Pensou em quê? — perguntou ele. 
— Nos outros dois desejos — 
respondeu ela, depressa. — Só usamos 
um. 
— E não bastou? — bradou ele, feroz. 
— Não — gritou ela, em triunfo. — 
Vamos usar mais um. Desça, pegue a pata 
depressa e deseje o nosso menino vivo de 
novo. 
O homem sentou-se na cama e atirou 
as cobertas para longe das pernas 
trêmulas. 
— Meu Deus do céu, você enlouqueceu! 
— gritou, apavorado. 
— Vá buscar — arfou ela. — Vá buscar 
depressa e faça o pedido... Ai, meu filho, 
meu filho! 
35 
O marido riscou um fósforo e acendeu 
a vela. 
— Volte para a cama — disse, com a voz 
falhando. — Você não sabe o que está 
dizendo. 
— Tivemos o primeiro desejo atendido 
— disse a velha, febril. — Por que não o 
segundo? 
— Coincidência — gaguejou o velho. 
— Vá buscar a pata e faça o pedido — 
gritou a mulher, tremendo de exaltação. 
O velho virou-se e a encarou, e a voz 
dele tremia: 
— Ele está morto há dez dias. E, além 
disso, ele... Eu nunca lhe contaria isso, 
mas... eu só consegui reconhecê-lo pela 
roupa. Se naquele dia ele já estava 
36 
horrível demais para você ver, imagine 
agora. 
— Traga-o de volta! — gritou a velha, 
arrastando-o para a porta. — Você acha 
que eu tenho medo do filho que embalei 
no colo? 
Ele desceu no escuro, tateou o 
caminho até a saleta e depois até o 
consolo da lareira. O talismã estava no 
lugar; e um medo horrível — de que o 
desejo ainda não pronunciado trouxesse 
o filho mutilado à sua frente antes que ele 
conseguisse fugir do cômodo — apossou-
se dele; e ele prendeu a respiração ao 
perceber que tinha perdido a direção da 
porta. Com a testa fria de suor, tateou em 
volta da mesa e foi se guiando pela 
parede, até se ver no pequeno corredor 
com aquela coisa malsã na mão. 
37 
Quando ele entrou no quarto, até o 
rosto da mulher parecia mudado. Estava 
branco, ansioso e, para o medo dele, 
parecia carregar um quê de fora do 
natural. Ele teve medo dela. 
— Faça o pedido! — gritou ela, com voz 
forte. 
— Isto é tolice, é maldade — balbuciou 
ele. 
— Faça o pedido! — repetiu a mulher. 
Ele ergueu a mão: 
— Eu desejo o meu filho vivo de novo. 
O talismã caiu no chão, e ele o encarou 
com pavor. Depois afundou, trêmulo, 
numa cadeira, enquanto a velha, de olhos 
em brasa, caminhava até a janela e 
levantavaa persiana. 
38 
Ele ficou sentado ali até gelar de frio, 
olhando de vez em quando o vulto da 
velha que espiava pela janela. O toco de 
vela, que já ardia abaixo da borda do 
castiçal de louça, lançava sombras 
pulsantes no teto e nas paredes, até que, 
com um tremeluzir maior do que os 
outros, se apagou. O velho, com um 
indizível alívio pelo fracasso do talismã, 
arrastou-se de volta para a cama; um ou 
dois minutos depois, a velha veio, calada 
e apática, deitar-se ao seu lado. 
Nenhum dos dois falou; ficaram 
deitados em silêncio, ouvindo o tique-
taque do relógio. Um degrau estalou, e 
um camundongo passou correndo, 
barulhento, por dentro da parede. A 
escuridão pesava; e, depois de ficar um 
bom tempo deitado, juntando coragem, o 
39 
velho pegou a caixa de fósforos, riscou 
um e desceu para buscar uma vela. 
No pé da escada o fósforo se apagou, e 
ele parou para riscar outro. No mesmo 
instante, uma batida — tão baixa e furtiva 
que mal se ouvia — soou na porta da 
frente. 
Os fósforos escaparam-lhe da mão e se 
espalharam pelo corredor. Ele ficou 
imóvel, sem respirar, até a batida se 
repetir. Então deu meia-volta, correu 
para o quarto e fechou a porta atrás de si. 
Uma terceira batida ecoou pela casa. 
— O que é isso? — gritou a velha, 
erguendo-se num susto. 
— Um rato — disse o velho, com a voz 
trêmula. — Um rato. Passou por mim na 
escada. 
40 
A mulher sentou-se na cama, à escuta. 
Uma batida forte ressoou pela casa 
inteira. 
— É o Herbert! — gritou ela. — É o 
Herbert! 
Correu para a porta, mas o marido 
chegou antes e, agarrando-a pelo braço, 
segurou-a com força. 
— O que você vai fazer? — sussurrou, 
rouco. 
— É o meu menino! É o Herbert! — 
gritava ela, debatendo-se sem pensar. — 
Esqueci que eram três quilômetros. Por 
que você está me segurando? Solte. 
Preciso abrir a porta. 
— Pelo amor de Deus, não deixe isso 
entrar — gritou o velho, tremendo. 
41 
— Você está com medo do próprio filho 
— gritou ela, lutando. — Me solte. Já vou, 
Herbert! Já vou! 
Houve outra batida, e mais outra. Com 
um safanão repentino, a velha se libertou 
e saiu correndo do quarto. O marido a 
seguiu até o patamar e a chamou, 
suplicante, enquanto ela descia a escada 
às pressas. Ouviu a corrente da porta 
tilintar e o ferrolho de baixo sair devagar, 
aos trancos, do encaixe. Depois, a voz da 
velha, esganiçada, ofegante: 
— O ferrolho! — gritou ela, bem alto. — 
Desça! Eu não alcanço. 
Mas o marido estava de quatro no 
chão, tateando desvairado à procura da 
pata. Se ao menos conseguisse encontrá-
la antes que a coisa lá fora entrasse... Uma 
verdadeira fuzilaria de batidas reboou 
42 
pela casa, e ele ouviu o arrastar da cadeira 
que a mulher encostava na porta, no 
corredor. Ouviu o ranger do ferrolho 
vindo devagar — e, no mesmo instante, 
achou a pata de macaco e, frenético, 
sussurrou o terceiro e último desejo. 
As batidas cessaram de repente, 
embora os ecos ainda rondassem a casa. 
Ele ouviu a cadeira ser arrastada de volta 
e a porta se abrir. Um vento frio subiu 
correndo a escada; e um gemido longo e 
alto de decepção e de dor, vindo da 
mulher, deu-lhe coragem para descer até 
ela — e depois até o portão. O lampião da 
rua, tremeluzindo em frente, iluminava 
uma estrada quieta e deserta. 
FIM 
43 
 
 
Crítica 
• 
gora que o caso foi ouvido, retome-
se a questão adiada, em quatro 
pontos: que espécie de poder é a pata; 
onde erraram os White; o que o desfecho 
decide; e se a fábula é justa. 
Quanto ao primeiro. Há que distinguir 
causa e ocasião — e a arte do conto está 
em tornar a distinção impossível. As 
duzentas libras chegam, mas na forma de 
uma indenização que a firma pagaria de 
qualquer modo; a batida na porta vem à 
hora exata em que um morto viria a pé do 
cemitério, mas ninguém abre a tempo; o 
A 
44 
terceiro desejo é seguido de silêncio e de 
uma rua vazia — que é o que uma rua seria 
de madrugada, com ou sem talismã. O 
próprio Morris entrega a chave: as coisas 
acontecem "com tanta naturalidade que 
se pode achar que foi tudo coincidência". 
Em nenhum momento a pata age em 
cena; a evidência é circunstancialmente 
perfeita e formalmente nula. Dessa 
indecidibilidade é que o terror se 
alimenta: se a pata age, o mundo cobra os 
desejos com juros de crueldade; se não 
age, o acaso é indistinguível dessa 
crueldade — e não se sabe qual das duas 
hipóteses é a pior. 
Quanto ao segundo. O erro do senhor 
White não foi pedir demais — duzentas 
libras, o resto da dívida da casa, talvez 
seja o pedido mais módico da literatura. O 
45 
erro está no fundamento: ele mesmo 
declara "tenho a impressão de que já 
tenho tudo o que quero" — e pede assim 
mesmo. Desejo sem falta é experimento; 
e experimentar o destino é exatamente o 
"meter-se com ele" que o faquir quis 
punir. Note-se, aliás, qual foi o verdadeiro 
primeiro desejo: quando Morris atira a 
pata ao fogo, White a arranca das chamas 
— antes de qualquer palavra, ele já 
desejara desejar. Quanto à velha senhora, 
julgue-se com justiça: o segundo desejo é 
o amor dando ordens ao impossível, e a 
lógica dela é a mais coerente da casa — 
"tivemos o primeiro; por que não o 
segundo?" é raciocínio impecável dentro 
da premissa que todos aceitaram rindo. A 
sua loucura é apenas a fé nas 
46 
consequências: quem riu na primeira 
parte assinou a terceira. 
Quanto ao terceiro. O desfecho decide 
menos do que parece e mais do que se 
nota. Menos: nunca saberemos quem 
bateu — o conto morre calado, e a rua 
deserta serve às duas leituras. Mais: os 
três desejos desenham uma linha, e essa 
linha é a sabedoria da fábula. O primeiro 
pede; o segundo tenta desmandar a 
morte; o terceiro desmanda o próprio 
desejo. O único uso comprovadamente 
seguro daquele poder foi o de desfazê-lo 
— e o único desejo sábio do conto é uma 
renúncia, feita no escuro, no chão do 
quarto, sem testemunhas. Note-se 
também a porta: de um lado, a mulher que 
quer abrir; do outro, o homem que quer 
trancar — o mesmo instante é, para ela, 
47 
"decepção e dor"; para ele, "indizível 
alívio". A pata pode não ter tocado no 
mundo; no casamento, tocou. 
Quanto ao quarto. Objeta-se: a fábula 
seria cruel — uma família modesta, um 
pedido honesto, um filho cobrado como 
preço; que justiça é essa? Responde-se 
com a distinção do primeiro ponto: o 
conto jamais afirma que houve preço; 
afirma coisa mais fina e mais dura — que, 
depois de consultar o desconhecido, os 
White perderam para sempre a inocência 
do acaso. Aconteça o que acontecer dali 
em diante, nunca mais uma batida, uma 
carta, uma herança serão apenas o que 
são. A pata não precisa funcionar para 
arruinar: basta ter sido consultada. 
Objeta-se ainda: a moral seria 
conformista — não peça, contente-se 
48 
com o que tem. Responde-se que o texto 
distingue melhor: Herbert pede por 
brincadeira, o pai por experiência, a mãe 
por amor, e a fábula não condena nenhum 
dos três afetos; o que ela examina é o 
contrato. Pedir a uma vontade admite 
misericórdia; pedir a um mecanismo 
entrega o pedido a um executor literal, 
sem juiz de apelação — e um desejo 
atendido ao pé da letra é uma sentença 
lida por um oficial que não conhece a 
intenção. Diante de um poder que não se 
entende, a última palavra sensata do 
conto é a que o velho encontra tateando 
o chão do quarto: a mão que devolve. 
49 
Notas do tradutor 
• 
1. O texto e a fonte — "A Pata do Macaco" ("The 
Monkey's Paw") foi publicado em 1902, 
primeiro em revista e em seguida na 
coletânea The Lady of the Barge. W. W. 
Jacobs (1863–1943) era humorista de ofício, 
famoso pelos contos cômicos do cais do 
Tâmisa; este é o seu único conto de terror 
célebre — e um dos mais imitados de todos 
os tempos. A tradução foi feita a partir do 
texto integral inglês da coletânea, fornecido 
como fonte. 
2. Vila Laburnam — Nome da casinha dos White. 
Laburnum é uma árvore ornamental (a 
chuva-de-ouro); batizar casas de subúrbio 
com nomes de plantas era hábito inglês — 
pompa de portãopequeno. Mantive a grafia 
"Laburnam", que é a do original. 
50 
3. Sargento-mor — Verte sergeant-major, a 
mais alta graduação entre as praças do 
exército britânico. Os vinte e um anos de 
serviço de Morris se passaram na Índia, 
então colônia britânica — daí os templos, o 
faquir e a pata. 
4. Faquir e "Mil e Uma Noites" — O faquir é o 
asceta que os relatos da época cercavam de 
fama de prodígios; "um homem muito santo", 
no dizer de Morris. As Mil e Uma Noites, 
citadas pela senhora White, valem na cena 
como sinônimo de história de mágica e 
desejos. 
5. Duzentas libras — É exatamente a quantia 
que faltava para quitar a casa, e 
correspondia, na época, a alguns anos do 
salário de um operário como Herbert. "Maw 
and Meggins" é o nome da firma (a fábrica 
onde ele trabalhava); mantive no original. 
51 
6. O paninho da poltrona — Verte antimacassar: 
capinha de tecido ou crochê posta no 
encosto das poltronas para protegê-las das 
pomadas de cabelo dos homens — a arma 
improvisada da senhora White na cena da 
brincadeira. 
7. Tratamento e apelidos — Herbert trata os 
pais e o sargento por "senhor"; os velhos se 
tratam por "você" e, à moda inglesa da época, 
chamam-se de father e mother — verti por 
"meu velho" e "minha velha". White e Morris, 
amigos antigos, tratam-se por "você"; com o 
visitante da firma, o tratamento é 
cerimonioso dos dois lados. 
8. Medidas e miudezas — As duas milhas até o 
cemitério viraram "uns três quilômetros". A 
rubrica "[Illustration]", resquício da edição 
ilustrada de 1902, foi omitida por não 
pertencer ao texto. 
52 
Créditos 
• 
A Pata do Macaco 
W. W. Jacobs — The Monkey’s Paw (1902) 
Tradução, introdução, crítica e notas: 
Paulo Rabelo 
Organização: Baixe Livros — 2026 
 
Disponibilização gratuita e integral por 
meio da plataforma BaixeLivros. A 
licença gratuita concedida poderá ser 
alterada futuramente a critério do 
tradutor. 
www.baixelivros.com.br 
https://www.baixelivros.com.br/

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