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AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HIGIENE DO TRABALHO: 
RISCOS FÍSICOS 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Adalberto dos Santos 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta abordagem, serão apresentados os conceitos e princípios para 
classificação e reconhecimento do controle de ruído e vibrações. Para isso, é 
importante ressaltar que todo ambiente de trabalho é composto por uma série de 
fatores que agem entre si e de forma mutuamente interdependente. Não são fatos 
isolados em si. 
Pela dinâmica da atividade laboral, quando um desses fatores está fora de 
controle por motivos como atingimento dos limites máximos permissíveis 
recomendados para determinada atividade. ou ainda, pelos processos 
desencadeados, o ambiente de trabalho em si pode ser o gerador de patologias 
relacionadas ao trabalho: acidentes e doenças do trabalho (Barsano; Barbosa, 
2018). 
De que forma adotar as melhores práticas, visando à mitigação de riscos 
provenientes de agentes físicos? Qual será a melhor maneira de gerenciar os 
riscos físicos? 
Para responder a essas indagações, apresentaremos a seguir conceitos 
cruciais, definições e características, para oferecer subsídios para classificar e 
reconhecer as diversas formas de energia provenientes dos agentes físicos 
nocivos à saúde do trabalhador, de forma que contramedidas possam ser criadas 
para combater e minimizar os riscos físicos avaliados. 
TEMA 1 – RUÍDO 
Ruído é uma classificação de som. É um tipo de som, porém, um som não 
é um ruído. Gerges (1992) explica que ruído é associado a um som que gera 
incômodo aos tímpanos. 
Portanto, som e ruído não são sinônimos. Gerges (1992) explica que som 
é definido como variação da pressão atmosférica, dentro de limites de frequência 
perceptíveis ao ouvido humano. Para Barsano e Barbosa (2018), esses níveis de 
ruído, provocados principalmente pela atividade de máquinas e equipamentos 
intensivamente, podem gerar em curto, médio e longo prazo alterações danosas 
ao ser humano, entre as quais, a perda de concentração, insônia, irritabilidade, 
bem como pode gerar perda auditiva, o que provoca graves danos à saúde do 
indivíduo. 
 
 
3 
O Ministério do Trabalho dispõe de quatro normas que, de alguma forma, 
tratam do problema do ruído e das vibrações: 
• NR6 – Equipamento de Proteção Individual – EPI; 
• NR7 – Prog. Controle Médico de Saúde Ocupacional – PCMSO; 
• NR15 – Atividades e Operações Insalubres; e 
• NR17 – Ergonomia (item 17.5.2). 
A NR 15 define a máxima exposição diária à determinados níveis de ruídos. 
De acordo com essa norma, um indivíduo pode se expor a um nível de ruído de 
85 dB(A) por oito horas diárias. No entanto, se o nível for de 90 dB(A), o tempo de 
exposição será reduzido à quatro horas diárias e, se for de 95 dB(A), à duas horas 
diárias. Para o nível de ruído de 100 dB(A), não é possível uma exposição superior 
a uma hora, e, de 105 dB(A), superior a 30 minutos. 
Mais adiante, veremos os principais conceitos associados a essas 
grandezas físicas. 
1.1 Som 
Para Gerges (1992), o som se caracteriza por flutuações de pressão em 
um meio compressível. No entanto, não são todas as flutuações de pressão que 
produzem a sensação de audição quando atingem o ouvido humano. 
A sensação de som só ocorrerá quando a amplitude dessas flutuações e a 
frequência com que elas se repetem estiverem dentro de determinadas faixas de 
valores. Dessa forma, flutuações de pressão com amplitudes inferiores a certos 
mínimos não serão audíveis, como também ondas de alta intensidade, tais como 
nas proximidades de turbo máquinas, podem produzir uma sensação de dor ao 
invés de som. Podem-se mencionar também as ondas de choque simples, como 
as geradas por explosões ou aeronaves de alta velocidade. Ainda, existem ondas 
cujas frequências de repetição das flutuações, anteriormente referidas, estão 
acima ou abaixo de frequências geradoras da sensação auditiva e são, 
respectivamente, denominadas “ondas ultrassônicas” e “ondas infrassônicas” 
(Gerges, 1992). 
Nesse tópico, vamos apresentar os parâmetros físicos de interesse: 
pressão sonora, velocidade do som, escala decibel, intensidade, potência e 
impedância acústica. É importante conhecer esses tópicos, afinal, tendo o pleno 
 
 
4 
entendimento de seus conceitos, pode-se criar contramedidas para atenuar os 
efeitos adversos gerados por essas ondas sonoras. 
 
Crédito: SvetaZi/Shutterstock. 
TEMA 2 – PRESSÃO SONORA, INTENSIDADE E POTÊNCIA 
2.1 Pressão sonora 
Como já dito anteriormente, a geração do ruído é causada pela variação da 
pressão ou da velocidade das moléculas do meio. 
 
Crédito: Jefferson Schnaider. 
A taxa de ocorrência da flutuação completa de pressão é conhecida como 
frequência. Esta é dada em ciclos por segundo, ou ainda, designada 
internacionalmente por Hertz (Hz). Na faixa de frequências de 20 a 20.000 Hz, as 
ondas de pressão no meio podem ser audíveis (Gerges, 1992). O ouvido humano 
não é igualmente sensível ao longo dessa faixa de frequência. 
 
 
 
5 
A faixa de pressão sonora do ser humano é: 
2𝑥𝑥10−5
𝑁𝑁
𝑚𝑚2adiante), o decibelímetro 
mede ruídos de forma geral. 
 
 
7 
 
Crédito: Tanakorn/Adobe Stock. 
Barsano e Barbosa (2018) comentam que o dosímetro mede a intensidade 
em uma determinada frequência e é usado ao longo da jornada laboral, sendo 
transportado próximo da zona auditiva, e aufere, ao fim do dia, a dosagem de 
ruído recebida durante a jornada. 
 
Crédito: Krysja/Shutterstock. 
 
 
8 
 2.3 Velocidade do som 
Assumindo um modelo simplificado, o som se propaga a uma velocidade 
que depende apenas da temperatura do meio. Para o ar a 20 °C, a velocidade do 
som e é de 343 m/s (Gerges, 1992). Uma fórmula aproximada para determinação 
da velocidade do som no ar, dentro de um intervalo razoável de temperaturas t 
(em °C), é: 
𝑐𝑐 = 331 + 0,6 𝑡𝑡 𝑚𝑚/𝑠𝑠 
Outra grandeza utilizada é o comprimento da onda acústica 𝜆𝜆, que pode 
ser definido como a distância entre dois picos consecutivos de pressão acústica, 
considerando-se onda harmônica (senoidal), medida na direção de propagação 
(Gerges, 1992). 
𝜆𝜆 =
𝑐𝑐
𝑓𝑓
 
2.4 Escala decibel 
Ao valor de divisão de escala log10, dá-se o nome de Bel. Dois Bel é 
log100 etc. No entanto, o Bel é um valor de divisão de escala muito grande e usa-
se então o decibel (dB) que é um décimo do Bel. Um Bel é igual a 10 decibéis 
(Gerges, 1992). 
2.5 Intensidade e potência 
A potência sonora de uma fonte pode ser calculada integrando a 
intensidade em uma superfície esférica, de raio r, em torno dessa fonte. Para o 
caso de fonte onidirecional (Gerges, 1992). 
Essa grandeza popularmente é conhecida como “volume”, que distingue 
sentir sons fortes e fracos. É relacionada com a amplitude sonora, a pressão 
efetiva e a energia transportada. Por fim, pode ser definido como a potência 
sonora média que passa por unidade de área. 
𝑊𝑊 = 4𝜋𝜋𝑟𝑟2𝐼𝐼 = 
2𝜋𝜋𝐴𝐴2
𝑝𝑝𝑐𝑐 
𝐼𝐼 = 
𝑊𝑊
𝑁𝑁 
 
 
9 
𝐼𝐼 é a intensidade sonora, 𝑊𝑊 é a potência sonora e 𝑁𝑁 é a área em m². 
TEMA 3 – RUÍDO CONTÍNUO OU INTERMITENTE 
3.1 Características e meios de detecção e controle 
De acordo com a NR-15 (MTE, 2021) no Brasil, essa norma regulamenta 
os limites de tolerância para os ruídos contínuos ou intermitentes. A exposição 
sistemática e prolongada a sons com níveis de pressão sonora elevados pode 
resultar em mudança temporária ou permanente dos limiares auditivos, conhecida 
como Perda Auditiva Induzida por Ruído – Pair. 
A seguir, temos a descrição da NR-15 (MTE, 2021), com os conceitos e 
características dessa classificação de ruído. 
Ruído Contínuo ou Intermitente, para os fins de aplicação de Limites de 
Tolerância, o ruído que não seja ruído de impacto. Os níveis de ruído 
contínuo ou intermitente devem ser medidos em decibéis (dB) com 
instrumento de nível de pressão sonora operando no circuito de 
compensação “A” e circuito de resposta lenta (SLOW). As leituras devem 
ser feitas próximas ao ouvido do trabalhador. Os tempos de exposição 
aos níveis de ruído não devem exceder os limites de tolerância fixados 
no Quadro deste anexo. Para os valores encontrados de nível de ruído 
intermediário será considerada a máxima exposição diária permissível 
relativa ao nível imediatamente mais elevado. Não é permitida exposição 
a níveis de ruído acima de 115 dB(A) para indivíduos que não estejam 
adequadamente protegidos. (MTE, 2021) 
 
 
10 
 
 
Ao se exceder a unidade, a exposição estará acima do limite de tolerância. 
 
Atividades ou operações que exponham os trabalhadores a níveis de ruído, 
contínuo ou intermitente, superiores a 115 dB(A) sem proteção adequada 
oferecerão risco grave e iminente. (MTE 2021). 
TEMA 4 – RUÍDO DE IMPACTO 
Gerges (1992) explica que os ruídos de impacto são causados por contato 
ou atrito mecânico de um corpo sobre outro; por exemplo, máquinas de prensar, 
quedas de objetos no piso etc. 
Ainda, para Gerges (1992), as ondas de impacto podem-se propagar a 
longas distâncias sem atenuação, em razão dos altos valores de densidade e de 
velocidade do som nos materiais sólidos. Nas edificações residenciais e 
industriais, constituídas com vigas de aço ou concreto, a transmissão do som se 
torna favorecida em toda a estrutura da edificação (som carregado via estruturas). 
 
 
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Na equação anterior, Cn indica o tempo total que o trabalhador se mantém 
exposto a um nível de ruído específico, e Tn indica a máxima exposição diária 
permissível a esse nível segundo o quadro desse anexo (MTE 2021). 
TEMA 5 – VIBRAÇÕES 
5.1 Características, meios de detecção e controle 
O corpo humano pode ser considerado um sistema mecânico complexo. 
Na reação do corpo humano em um campo de vibrações e choque, deve-se 
considerar não apenas a resposta mecânica do sistema, mas também o efeito 
psicológico sobre o indivíduo (Gerges, 1992). 
Vibração ou oscilação é qualquer movimento que se repete, regular ou 
irregularmente, depois de um intervalo de tempo. Assim, para o perfeito 
entendimento deste tipo de movimento, torna-se necessário o estudo do 
movimento de oscilação de um corpo em torno de uma posição de 
equilíbrio, bem como das forças e/ou momentos a ele associados. De 
um modo geral, a vibração consiste em movimento inerente aos corpos 
dotados de massa e elasticidade. O corpo humano possui características 
de inércia e elasticidade que lhe conferem valores de frequência natural 
distintos, relativos a cada uma de suas partes (ver Figura 2). Se uma 
frequência externa coincide com a frequência natural do sistema, ocorre 
a ressonância, que implica em amplificação do movimento. Assim, a 
energia vibratória associada a esse efeito é absorvida pelo corpo, como 
consequência da atenuação promovida pelos tecidos e órgãos. (Soeiro; 
Melo; Ohana, 2011) 
De acordo com Barsano e Barbosa (2018), as vibrações classificam-se em 
localizadas (em certas partes do corpo) e generalizadas. São localizadas aquelas 
provocadas por ferramentas manuais e pneumáticas, e que apresentam o 
potencial de gerar efeitos adversos ao ser humano. 
O anexo 8 da NR 15 trata especificamente de vibrações. São estabelecidos 
critérios para caracterização da condição de trabalho insalubre decorrente da 
exposição às vibrações de mãos e braços (VMB) e vibrações de corpo inteiro 
(VCI), ou seja, de acordo com a região do corpo atingida. 
Soeiro, Melo e Ohana (2011) explicam que, durante o processo de 
avaliação ocupacional da vibração, os principais pontos a serem avaliados são: 
amplitude, direção, frequência e tempo de exposição. 
Soeiro, Melo e Ohana (2011) demonstram que a medição da vibração é 
determinada por intermédio do nível RMS, sendo: 
 
 
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𝑃𝑃𝑤𝑤 = �
1
𝑇𝑇
� 𝑃𝑃2𝑤𝑤(𝑡𝑡).𝑑𝑑𝑡𝑡
𝑇𝑇
0
 
Em que: 
• 𝑃𝑃𝑤𝑤(𝑡𝑡) é a aceleração ponderada em m/s² em movimento de vibração; 
• (𝑡𝑡) é o tempo de duração da medição em segundos. 
Soeiro, Melo e Ohana (2011) explicam que os valores de aceleração 
obtidos nos três eixos x, y, z podem ser somados para obter o valor da aceleração 
total. 
Figura 1 – Eixo x,y,z do corpo humano 
 
Crédito: Wasteresley Lima. 
Assim, entendemos que essa aceleração total do sistema é dada por: 
𝐴𝐴𝑡𝑡 = �𝑘𝑘𝑥𝑥2.𝑃𝑃𝑥𝑥𝑤𝑤2 + 𝑘𝑘𝑦𝑦2.𝑃𝑃𝑤𝑤𝑦𝑦2 + 𝑘𝑘𝑧𝑧2.𝑃𝑃𝑤𝑤𝑧𝑧2 
Em que: 
𝑃𝑃𝑤𝑤𝑥𝑥,𝑃𝑃𝑤𝑤𝑥𝑥,𝑃𝑃𝑤𝑤𝑥𝑥 são acelerações rms ponderadas nos eixos x, y e z que 
recebem vibrações, e 𝑘𝑘𝑥𝑥,𝑘𝑘𝑦𝑦 𝑒𝑒 𝑘𝑘𝑧𝑧 são os multiplicadores desses eixos citados 
anteriormente. 
O MTE (1981) recomenda controles na fonte de origem, transmissão e na 
recepção. As medições são feitas por um equipamento chamado de acelerômetro 
 
 
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(Soeiro; Melo; Ohana, 2011), que capta os movimentos de vibração e emite 
leituras. Trata-se de um aparelho de simples manuseio. 
Figura 2 – Acelerômetro 
 
Crédito: DRStudio/Adobe Stock. 
5.1.1 Medidas de controle 
As medidas de controle deverão ser adotadas sempre que for verificado 
risco potencial e/ou evidente à saúde. Tais medidas deverão,de 
preferência, ser de proteção coletiva e terão caráter construtivo, 
operacional, organizacional e a utilização de equipamentos de proteção 
individual (EPI). As medidas de caráter construtivo têm a ver com o 
projeto de máquinas, equipamentos e veículos, tal que os níveis de 
vibração gerados sejam baixos, estabelecendo-se uma técnica de 
controle na fonte. Por outro lado, as medidas de caráter operacional 
apoiam-se na técnica de controle na trajetória e fazem a utilização de 
isoladores e absorvedores dinâmicos de vibração. No que diz respeito 
às medidas de caráter organizacional podemos citar: reorganização do 
trabalho; alteração do tempo de exposição; promover treinamento para 
formação de consciência crítica por parte do trabalhador; uso de técnicas 
de manutenção preditiva por análise de vibração das máquinas e ações 
de correção, como por exemplo, balanceamento estático e dinâmico; etc. 
Finalmente, usar as medidas de proteção individual, destacando-se a 
vigilância médica e o uso de EPI. Entretanto, uma vez que não há EPI 
com fator de atenuação capaz de reduzir a intensidade de vibração 
abaixo do limite de tolerância, como ocorre, por exemplo, com o ruído, 
isto deverá ser o último recurso. (Soeiro; Melo; Ohana, 2011) 
https://stock.adobe.com/br/contributor/207858973/drstudio?load_type=author&prev_url=detail
 
 
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REFERÊNCIAS 
BARSANO, P. R.; BARBOSA, R. P. Higiene e segurança do trabalho. 2. ed. São 
Paulo: Érica, 2018. 
BRASIL. Ministério do Trabalho. NR-15: Atividades e operações insalubres. Diário 
Oficial da República Federativa do Brasil, Brasília, Portaria MTP n. 426, de 8 de 
outubro de 2021. 
_____. Curso para engenheiros de segurança do trabalho. São Paulo: 
Fundacentro, 1981. 
GERGES, S. Ruído: fundamentos e controle. Santa Catarina: Ed. UFSC, 1992. 
SOEIRO, N. S.; MELO, G. S. V.; OHANA, G. J. Vibrações e o corpo humano: uma 
avaliação ocupacional: Revista da Sociedade Brasileira de Acústica – Sobrac – 
Acústica e Vibrações, Campo Grande, n. 43, 2011.

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