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AULA 3 HIGIENE DO TRABALHO - RISCOS FÍSICOS Prof. Adalberto dos Santos 2 TEMA 1 – GERENCIAMENTO DE RISCOS A necessidade de gerenciar riscos decorre sobretudo da constatação de que a quantidade e a diversidade dos riscos de projeto excedem o montante de recursos alocados para neutralizar todos esses riscos durante a execução do projeto. Essa situação demanda que os riscos sejam priorizados ou gerenciados adequadamente. Segundo Hillson (2005), com a intenção de obter todos os benefícios da implantação do processo de risco para a organização em geral, é importante que o gerenciamento de riscos se torne completamente integrado ao nível estratégico e ao operacional da empresa. O gerenciamento de riscos, também, pode ser definido como um processo formal em que as incertezas presentes são sistematicamente identificadas, analisadas, estimadas, categorizadas e tratadas. Dessa forma, visa equilibrar os resultados de oportunidades de ganhos com a minimização de perdas, permitindo o aprimoramento contínuo do processo de decisão e a melhoria crescente do desempenho da organização. (Ruppenthal, 2013) Os processos envolvidos no gerenciamento de riscos são: metodologia; funções e responsabilidades; orçamentos; tempos; categorias de risco; definições de probabilidade e impactos de riscos; matriz de probabilidade e impacto; revisão das tolerâncias das partes interessadas; formatos de relatório e acompanhamento. Algumas definições importantes relacionadas ao gerenciamento dos riscos consistem em: • Risco (hazard) – uma ou mais condições de uma variável com o potencial necessário para causar danos. • Dano – causado a pessoas, em equipamentos e instalações, ao meio ambiente, a materiais etc. • Perigo (danger) – expressa uma exposição relativa a um risco que favorece a sua materialização em danos. • Perda – prejuízo sofrido por uma organização, sem garantia de ressarcimento por seguros ou por outros meios. • Sinistro – prejuízo sofrido por uma organização, com garantia de ressarcimento por seguros ou por outros meios. • Incidente – qualquer evento ou fato negativo com potencial para provocar danos. É também chamado quase acidente quando não causa danos concretos. 3 Figura 1 – Processo de gestão dos riscos: etapas Fonte: Ruppenthal, 2013. O processo envolve a definição do contexto no qual a organização atua, ou seja, a identificação dos objetivos, estratégias, valores e cultura, estabelecendo-se, assim, a estrutura sobre a qual as decisões se apoiam. Então, passa-se à identificação dos perigos e análise dos riscos, estimando-se a expectativa de ocorrência dos eventos e os impactos que estes causam à organização. Concluída a análise, procede-se a avaliação e categorização dos riscos para que sejam direcionados ao tratamento adequado. A etapa de análise dos riscos pode ser realizada de forma quantitativa ou qualitativa. Em muitas situações, quantificar os riscos é uma tarefa árdua e incerta, até mesmo para especialistas. Nesses casos, a solução adotada é o emprego de métodos qualitativos. Após a categorização dos riscos, deve-se decidir pelo tratamento e recursos a alocar. Conceitualmente, quatro opções estão disponíveis: • Modificação do sistema, visando a eliminação do risco. • Atuação sobre os fatores que influenciam a expectativa de ocorrência ou as consequências, visando reduzir o risco. • Transferir o risco, por meio de seguros, cooperação ou outro ato. • Quando as opções anteriores forem impossíveis ou economicamente inviáveis, reter o risco. As três primeiras opções são medidas preventivas, enquanto a última é de caráter contingencial ou mitigatória a gerência de riscos como uma metodologia que visa aumentar a confiança na capacidade de uma organização em prever, priorizar e superar obstáculos para, como resultado final, obter a realização de suas metas. Ao mesmo tempo em que atua na proteção dos recursos humanos, materiais e financeiros da empresa, preocupa- se, também, nas consequências de eventos aleatórios que possam reduzir sua rentabilidade, sob forma de danos físicos, financeiros ou responsabilidades para com terceiros. (Ruppenthal, 2013) TEMA 2 – IDENTIFICAÇÃO E ANÁLISE DE RISCOS O risco possui três componentes: um evento, a probabilidade de ocorrência do evento e o impacto decorrente do evento. Para Abdelhamid e Howell (2003), risco é uma expectativa de perda expressada como a probabilidade de que uma ameaça em particular possa explorar uma vulnerabilidade causando um possível 4 prejuízo. Além disso, trata-se de uma medida da incerteza associada aos retornos esperados dos investimentos. O processo de gerenciamento de riscos, como todo procedimento de tomada de decisões, começa com a identificação e a análise de um problema. No caso do gerenciamento de riscos, o problema consiste, primeiramente, em se conhecer e analisar os riscos de perdas acidentais que ameaçam a organização. A identificação de riscos e perigos consiste em uma importante responsabilidade do gerente de riscos. É o processo por meio do qual as situações de risco de acidentes são analisadas de forma contínua e sistemática. A análise que determina a introdução de técnicas mais sofisticadas para o gerenciamento de riscos e o controle de perdas, pode ser realizada por meio de fatores tecnológicos, econômicos e sociais. Os fatores tecnológicos estão relacionados ao desenvolvimento de processos mais complexos, como o uso de novos materiais e substâncias e de condições operacionais, como pressão e temperatura, consideravelmente mais severas. Os fatores econômicos relacionam-se com o aumento da escala das plantas industriais, o aumento da produtividade e a permanente redução dos custos do processo. A competitividade induz uma constante preocupação com a redução de custos dos processos, que pode ser possibilitada através de técnicas de gerenciamento de riscos. A relevância dos fatores sociais está relacionada à proximidade de concentrações demográficas, assim como com uma organização comunitária fortemente preocupada com questões ambientais e de segurança. (Ruppenthal, 2013) Segundo Abdelhamid e Howell (2003, tradução nossa), a análise de riscos ambientais “[...] corresponde a uma estimativa prévia da probabilidade de ocorrência de um acidente e a avaliação das suas consequências sociais, econômicas e ambientais”. Para Abdelhamid e Howell (2003), é um processo que identifica sistematicamente os recursos valiosos de sistema, as ameaças àqueles recursos, quantifica as exposições de perda e recomenda como alocar recursos às contramedidas tomadas para minimizar a exposição total. Como consequência da aplicação de técnicas modernas de gerenciamento de riscos e o controle de perdas, pode-se citar: • Reformulação das práticas de gerenciamento de segurança industrial. • Revisão de práticas tradicionais e de códigos, padrões e regulamentações obsoletas. • Desenvolvimento de técnicas para identificação e quantificação de perigos. • Formulação de critérios de aceitabilidade de riscos. • Elaboração e implantação de sistemas de resposta para emergências. [...] Uma análise deve ser realizada quando os riscos de uma atividade industrial são desconhecidos ou quando podem ser antecipados problemas potenciais que podem resultar em severas consequências em uma operação. Quando, repetitivamente são detectados problemas envolvendo acidentes com vítimas, com lesões graves ou não, com danos às instalações, ou danos ao meio ambiente. Ou quando regras de segurança devem ser estabelecidas antes do início de uma atividade. Ou, ainda, quando informações sobre os riscos devam ser obtidos acuradamente. Também podem ser citados fatores determinantes do tipo de análise, tais como: • Qualidade e profundidade de informação desejada. • Disponibilidade de informações atualizadas. 5 • Custosda análise. • Disponibilidade de tempo anterior às decisões e as ações que devam ser tomadas. • Disponibilidade de pessoal devidamente qualificado para assistir o processo. Não existe um método ótimo para se identificar riscos. Visando-se a evitar ameaças por perdas decorrentes de acidentes, sugere-se obter uma grande quantidade de informações sobre riscos, por meio da combinação de várias técnicas e métodos existentes. processo envolve a definição do contexto no qual a organização atua, ou seja, a identificação dos objetivos, estratégias, valores e cultura, estabelecendo-se, assim, a estrutura sobre a qual as decisões se apoiam. Então, passa-se à identificação dos perigos e análise dos riscos, estimando-se a expectativa de ocorrência dos eventos e os impactos que estes causam à organização. Concluída a análise, procede-se a avaliação e categorização dos riscos para que sejam direcionados ao tratamento adequado. A etapa de análise dos riscos pode ser realizada de forma quantitativa ou qualitativa. (Ruppenthal, 2013) Analisar um ambiente é fundamental para um gerenciamento eficaz. Barbosa e Barsano (2018) afirmam que “o acidente manda recado e o recado é o quase acidente”, devendo-se aprender a escutar esses recados. TEMA 3 – O PROCESSO DE GERENCIAMENTO DE RISCOS Para Abdelhamid e Howell (2003), o gerenciamento de riscos pode ser visto como um processo que é dado pela priorização dos riscos. Tendo isso em vista, não se pode esquecer da etapa mais complexa desse sistema ou programa: o envolvimento das pessoas no sentido de contribuírem para a identificação de situações-problemas, pois, se isso não for realizado, o programa será comprometido e poderá se tornar impossível, em muitos casos, os profissionais prevencionistas terem conhecimento total dos riscos existentes no ambiente de trabalho. Define-se a gerência de riscos como uma metodologia que visa aumentar a confiança na capacidade de uma organização em prever, priorizar e superar obstáculos para, como resultado final, obter a realização de suas metas. Ao mesmo tempo em que atua na proteção dos recursos humanos, materiais e financeiros da empresa, preocupa- se, também, nas consequências de eventos aleatórios que possam reduzir sua rentabilidade, sob forma de danos físicos, financeiros ou responsabilidades para com terceiros. Compreende-se, dessa forma, que os esforços na tentativa de eliminar, reduzir, controlar ou ainda financiar os riscos, caso seja economicamente viável, são de suma importância para o desenvolvimento salutar de uma empresa. O gerenciamento de riscos, também, pode ser definido como um processo formal em que as incertezas presentes são sistematicamente identificadas, analisadas, estimadas, categorizadas e tratadas. Dessa forma, visa equilibrar os resultados de oportunidades de ganhos com a minimização de perdas, permitindo o aprimoramento contínuo do processo de decisão e a melhoria crescente do desempenho da organização. O processo envolve a criação de infraestrutura e cultura adequadas, com aplicação de método sistemático, a fim de permitir que as decisões sejam tomadas mediante o conhecimento dos riscos 6 associados às atividades da organização. O gerenciamento de risco é, ainda, definido como a área de atuação que busca administrar as possibilidades de falhas, buscando evitar que essas aconteçam. (Ruppenthal, 2013) Muitas empresas, a fim de evitar problemas, criam um programa de gerenciamento de riscos (PGR), utilizando ferramentas conforme o seguinte modelo de estrutura (Abdelhamid; Howell, 2003): a. Organização b. Identificação, avaliação, eliminação e controle de riscos c. Normas e procedimentos d. Treinamento e. Manutenção de equipamentos críticos f. Dados de segurança de produtos g. Investigação de acidentes/incidentes h. Controle de modificações de processo/equipamento i. Gerenciamento de emergências j. Comunicação k. Seguro l. Auditoria 3.1 Mapa de riscos O Diário Oficial da União de 20 de agosto de 1992 publicou uma portaria do Departamento Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador (DNSST) que implantou a obrigatoriedade da elaboração de mapa de riscos por parte das Comissões Internas de Prevenção de Acidentes (Cipas), nas empresas. A intenção do mapa é que os funcionários de uma seção façam a seleção dos riscos apontando aos integrantes da Cipa os principais problemas da respectiva unidade. Para Barbosa e Barsano (2018), o objetivo do mapa de riscos é reunir as informações necessárias para se estabelecer o diagnóstico da situação de segurança. 3.1.1 Simbologia das cores No mapa de riscos, os riscos são representados e indicados por círculos coloridos de três tamanhos diferentes, conforme a Figura 2. 7 Figura 2 – Representação dos riscos num mapa de riscos Essas características descrevem impressões, opiniões e pontos de vista do avaliador, após ele buscar informações mais detalhadas das perguntas, sob o ponto de vista não numérico, com respostas mais abrangentes e abertas. Durante essa avaliação qualitativa, deve-se observar que existem padrões que se repetem, mediante entrevistas, opiniões de especialistas, grupos de discussão, gerando características dos riscos físicos que impactam diretamente mecanismos relacionados aos fenômenos físicos envolvidos. O mapa de riscos deve informar o local específico, o número de trabalhadores expostos ao risco e a caracterização do risco. TEMA 4 – METODOLOGIA DE CONTROLE DOS RISCOS As boas práticas de gestão da segurança e saúde do trabalho (SST) são bem disseminadas e conhecidas entre as empresas líderes na área. Contudo, as boas práticas geralmente não são aplicadas com visão sistêmica, normalmente constituindo-se de ações fragmentadas (Barbosa; Barsano, 2018). Assim, são necessários avanços em termos de conceitos e métodos para modificar essa situação. As estratégias tradicionais de gestão da SST analisam as pessoas, a tecnologia e o contexto de trabalho em separado, por meio de enfoques sociológicos, tecnológicos ou organizacionais. 8 Toda metodologia de controle de riscos precisa primeiramente da identificação dos motivos para implementação da metodologia e uma caracterização objetiva do risco (Barbosa; Barsano, 2018). Em muitas situações, quantificar os riscos é uma tarefa árdua e incerta, até mesmo para especialistas. Nesses casos, a solução adotada é o emprego de métodos qualitativos. Após a categorização dos riscos, deve-se decidir pelo tratamento e recursos a alocar. Conceitualmente, quatro opções estão disponíveis: • Modificação do sistema, visando a eliminação do risco. • Atuação sobre os fatores que influenciam a expectativa de ocorrência ou as consequências, visando reduzir o risco. • Transferir o risco, por meio de seguros, cooperação ou outro ato. • Quando as opções anteriores forem impossíveis ou economicamente inviáveis, reter o risco. As três primeiras opções são medidas preventivas, enquanto a última é de caráter contingencial ou mitigatória a gerência de riscos como uma metodologia que visa aumentar a confiança na capacidade de uma organização em prever, priorizar e superar obstáculos para, como resultado final, obter a realização de suas metas. Ao mesmo tempo em que atua na proteção dos recursos humanos, materiais e financeiros da empresa, preocupa-se, também, nas consequências de eventos aleatórios que possam reduzir sua rentabilidade, sob forma de danos físicos, financeiros ou responsabilidades para com terceiros. (Ruppenthal, 2013) TEMA 5 – AS FERRAMENTAS APLICADAS À SEGURANÇA DO TRABALHO 5.1 Análise de modos e efeitos de falha – FMEA Barbosa e Barsano (2018) citam que o objetivo de uma FMEA é detectar e eliminar potenciais defeitos já na fase de planejamento, o que reforça que uma constante aplicação da FMEA conduz à constante redução dos defeitos. De acordo com a área de aplicação, distinguem-se três tipos de FMEA:1. FMEA de sistemas: com ela, se investiga um sistema completo (por exemplo, um caminhão) ou seus componentes, por exemplo, a direção de um sistema completo, e ela é aplicada no desenvolvimento, após a conclusão da concepção do produto. 2. FMEA de projetos: com ela, se investigam as características construtivas de peças individuais, após a elaboração dos documentos para sua fabricação. 3. FMEA de processos: quando os planos de fabricação de peças, componentes e sistemas estiverem prontos, então os processos de fabricação são investigados quanto a possíveis fontes de defeitos, com a FMEA de processos (Barbosa; Barsano, 2009). 9 Em termos resumidos, o FMEA é um procedimento de análise estruturada, convencionalmente documentada para servir ainda como uma avaliação interna ao projeto do processo ou produto. Sua finalidade básica é identificar os modos de falha, seus efeitos, suas causas básicas, e qual o conflito desses efeitos no produto final. Uma vez constituída a relação entre a falha, seus efeitos e suas causas, são estabelecidos índices que avaliam a possibilidade de ocorrência da falha, a capacidade de detectar-se a falha e a gravidade de seus efeitos e bloqueá-la antes do seu efeito ser atingido ao cliente. (Santana et al., 2019) A severidade é estimada como o resultado da decorrência potencial das falhas de cada elemento em um sistema. A ocorrência origina a frequência de a falha acontecer, considerando os comandos de prevenção caso existentes. A detecção causa a probabilidade de se detectar o método de falha, medindo a capacidade dos controles existentes em procurar a falha. (Saxer, 2015, citado por Santana et al., 2019) De forma exemplificada, temos os critérios de severidade, ocorrência e detecção, conforme o Quadro 1. Quadro 1 – Critérios de severidade, ocorrência e detecção de falhas numa FMEA Fonte: Santana et al., 2019. Os critérios aqui elaborados estão de acordo com a natureza do mecanismo de falha a ser estudado. O exemplo considera uma área de construção civil analisada por Santana et al. (2019), conforme Quadro 2 e Figura 3. 10 Quadro 2 – FMEA de área de construção civil Fonte: Santana et al., 2019. Figura 3 – Modelo de formulário de FMEA Fonte: Ruppenthal, 2013. O modelo de formulário da Figura 3 é facilmente entendível e pode ser implementado na análise FMEA, que nada mais é do que o resumo dos assuntos discutidos neste tópico. 11 5.1 Árvore de causas – what if Ruppenthal (2013) explica que a árvore de causas é uma técnica qualitativa e geral, de simples aplicação na abordagem de riscos. Seus objetivos são, basicamente, identificar perigos nas instalações, com o auxílio de fluxogramas, problemas operacionais, entre outros recursos. Ainda para Ruppenthal (2013), trata-se da elaboração de questionamentos mediante suposições, na base do E se..., em reuniões de brainstorming, com uma pré-preparação por meio de questionários e realização de reuniões periódicas, gerando relatórios de revisão de riscos, para eliminação ou controle dos riscos. Barbosa e Barsano (2018) relatam que alguns aspectos devem ser considerados para uma correta implantação do método, como treinamento e disponibilidade de recursos, em particular humanos, indicações de onde o método poderá ser utilizado e descrição dos impactos que ele terá no interior das empresas. Como exemplo de aplicação dessa técnica, apresentamos o Quadro 3. Quadro 3 – A árvore de causas Fonte: Ruppenthal, 2013. A aplicação do conceito what if, durante a atividade seleção de roupas, nos faria perguntar: o que aconteceria se fossem misturadas as roupas claras e escuras? As implicações dessa atividade devem ser analisadas como causas e consequências. Com base nessa análise, traçam-se medidas mitigadoras do impacto adverso desses problemas, com observações, recomendações e ações a serem implementadas. 12 5.2 Cinco porquês Segundo Barbosa e Barsano (2018), todo gestor pode e deve beneficiar-se da técnica dos cinco por quês, quando houver a necessidade de identificar a causa de um problema enfrentado em uma organização, pois essa técnica é simples e considerada como de fácil aplicação e entendimento pelos envolvidos. Quando usada pela primeira vez, tem-se a impressão que ela não vai ajudar em nada; mas, à medida que os estudos evoluem, percebem-se os excelentes resultados que ela proporciona. Figura 4 – Linha de raciocínio dos cinco por quês Fonte: Barbosa; Barsano, 2018. O método é simples; porém, se bem utilizado, pode detectar a causa-raiz do problema (Barbosa; Barsano, 2018). 5.3 Análise preliminar de riscos (APR) A análise preliminar de riscos (APR) não é uma técnica profunda de análise de riscos e geralmente precede a aplicação de outras técnicas mais detalhadas de análise, já que seu objetivo principal é determinar os riscos e as medidas preventivas antes da fase operacional. Segundo Barbosa e Barsano (2018), o objetivo da APR é antecipar as possíveis circunstâncias que podem gerar um acidente durante a realização do trabalho. A APR corresponde a uma visão geral das possíveis ocorrências de acidentes, e suas informações devem ser elementos de estudo e não um simples registro burocrático. No estágio em que é aplicada, pode ocorrer de existirem ainda outros detalhes finais de projeto e, nesse caso, a 13 falta de informações quanto aos procedimentos será ainda maior, já que ele são, geralmente, definidos posteriormente. Análise Preliminar de Riscos (APR), Análise Preliminar de Perigos (APP) ou Preliminary Hazard Analysis (PHA), consiste na primeira abordagem sobre a análise do objeto de estudo. Seu foco de atuação está na antecipação, durante a fase de criação ou desenvolvimento de um novo sistema, visando a determinação dos possíveis riscos presentes na fase operacional. É uma análise do tipo qualitativa de especial importância na investigação de sistemas inovadores e/ou pouco conhecidos, ou seja, quando a experiência em riscos na sua operação é carente ou deficiente. Pode ser aplicada em unidades já em operação, permitindo, nesse caso, a realização de uma revisão dos aspectos de segurança existentes. A melhor forma de controle das medidas recomendadas pela APR é através de uma lista de verificação. Atua sobre os possíveis eventos perigosos ou indesejáveis capazes de gerar perdas na fase de execução do projeto. Com base em uma APR, obtêm-se uma listagem de riscos com medidas de controle a serem adotadas. Permite ainda estabelecer responsabilidades no controle de risco, indicando sua relevância na gestão de riscos. Visa à identificação e avaliação preliminar dos riscos presentes em uma instalação ou unidade. (Ruppenthal, 2013) Barbosa e Barsano (2018) afirmam que a metodologia da investigação deve ser aplicada com rigor, de forma lógica e objetiva, para que o resultado seja eficaz. Os princípios e metodologias da APR consistem em proceder-se a uma revisão geral dos aspectos de segurança de forma padronizada. Na Norma Regulamentadora n. 10/1978 (NR-10), que trata dos serviços no sistema elétrico de potência (SEP), é prevista a aplicação da APR, quando da execução desses serviços (Brasil, 1978). A seguir, apresentaremos modelos de formulários de APR. Quadro 4 – Modelo de planilha de APR Fonte: Ruppenthal, 2013. 14 Quadro 5 – Planilha de APR com categorias de severidade dos riscos Fonte: Ruppenthal, 2013. 15 REFERÊNCIAS ABDELHAMID, T.; HOWELL, G. Signal detection theory: Enabling work near the edge. In: ANNUAL CONFERENCE FOR LEAN CONSTRUCTION, 11., 2003, Virgínia. Proceedings... Virgínia: IGLC, 2003. BARBOSA, R. P.; BARSANO, P. R. Higiene e segurança do trabalho. 2. ed. São Paulo: Érica, 2018. BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. NR-10: Segurança em instalações e serviços em eletricidade. In: _____. Portaria n. 3.214, de8 de junho de 1978. Diário Oficial da União, Brasília, 6 jul. 1978. Disponível em: . Acesso em: 21 abr. 2023. RUPPENTHAL, J. E. Gerenciamento de riscos. Santa Maria: Editora da Universidade Federal de Santa Maria, 2013. SANTANA, L. L. C.et al. A aplicação do FMEA em face com a segurança do trabalho: um novo olhar voltado para construção civil em Amarante-MA. Brazilian Journal of Production Engineering, v. 5, n. 6, p. 108-122, 2019.