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Aula 03 
Introdução 
 
FUVEST/ Medicina 
2021 
 
Professor Fernando Andrade 
Professor Fernando Andrade 
Aula 03 –FUVEST/ Medicina 2021 
 
 
 
 
Aula 03 — Introdução 
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Sumário 
Apresentação .................................................................................................................. 3 
1. Entendendo a Introdução ............................................................................................ 3 
1.2 Como Introduzir o Tema ............................................................................................................ 4 
1.3 Evitar ......................................................................................................................................... 9 
1.4. Introdução e Projeto de Texto ................................................................................................ 10 
1.5 Exercícios ................................................................................................................................. 12 
2. Introduzir e seduzir .................................................................................................... 14 
2.1 Provocar Adesão ...................................................................................................................... 15 
2.2 Informar ................................................................................................................................... 17 
2.3 Provocar a curiosidade ............................................................................................................ 18 
2.4 Encantar .................................................................................................................................. 21 
3. Introdução e Conclusão.............................................................................................. 24 
3.1 Prática de Escrita ..................................................................................................................... 25 
3.2 Questões comentadas ............................................................................................................. 29 
4. Redação passo a passo ............................................................................................... 31 
5. Propostas de redação ................................................................................................ 33 
5.1 Propostas Comentadas ........................................................................................................... 37 
Considerações Finais ...................................................................................................... 44 
Referencias .................................................................................................................... 45 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Apresentação 
Querido aluno, 
Agora sim, vamos pegar embalo, começamos com este PDF a considerar a estrutura 
dissertativa. 
Nas outras aulas discutimos os tipos de temas, a apreensão do tema, a confecção do esboço. 
Todas essas atividades têm a ver com a preparação da escrita. São momentos fundamentais para 
uma boa escrita. A má compreensão do tema um é fator limitante, e escrever um texto sem 
qualquer esquematização prévia é um risco. 
Esta aula começa pela parte mais fácil da dissertação, a introdução. Nem por isso deve ser 
desconsiderada, afinal, a má elaboração de uma introdução pode comprometer o seu texto. Isso 
ocorre porque, se não for bem formulada, não será um bom guia para o leitor e muito menos para 
você. 
Não deixe de fazer os exercícios e, principalmente, as redações. Estou ansioso pela sua 
produção. 
Boa aula, boa escrita e boa diversão. 
1. Entendendo a Introdução 
 
Você gostaria de ler isto? 
“No começo, ele andava tropeçando nas coisas. Uma mão o ajudava caminhar 
tropegamente entre os brinquedos jogados no chão. A mesma mão o empurrou na primeira 
bicicleta e deu todo apoio para outros caminhares. Mas agora, essa mesma mão não tem mais 
o mesmo significado. Ele se tornou adolescente. Essa é a história repetida em várias famílias, 
a adolescência representa um momento de crise dolorida que afeta a todos que estão próximos, 
configurando uma travessia necessária”. 
 Espero que sim, tentei caprichar nessa introdução que deveria ser sobre adolescência. Se 
você ficou com vontade de ler o restante, esse é um bom parágrafo de início de texto. A finalidade 
da introdução é seduzir o leitor. Trazer o leitor para dentro do seu texto. Contudo, essa é a função 
mais avançada. Na verdade, se o seu texto chegar ao que é importante para o bom 
desenvolvimento do tema, já é o bastante. 
 O leitor deve ser informado sobre o tema e sobre a tese para que ele possa avaliar se os 
argumentos que se seguirão terão o poder de convencimento necessário. Nesse sentido, o início 
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determina o encaminhamento do desenvolvimento ou serve como mapa da mina do leitor. A 
palavra “introdução”, do latim intro que significa “dentro” e ductor que significa “conduzir”. Essa é 
a função desse parágrafo inicial. Com ou sem sedução, ele deve servir de guia para a leitura do que 
vai se seguir. 
 Podemos resumir a finalidade da introdução da seguinte forma: 
 
 
 
 
1.2 Como Introduzir o Tema 
 
Antes de mais nada, a primeira orientação é algo 
que você JAMAIS deve fazer num parágrafo introdutório. 
Uma proposta de redação supõe uma coisa bizarra: deve 
manter a ilusão de que seu texto foi escrito porque você 
teve vontade de se manifestar em relação a alguma 
questão social, e não porque você foi obrigado a fazê-lo, 
tendo de se servir de uma coletânea e de uma proposta 
direcionadas para sua produção do texto. 
 Isso significa que um leitor, ao ler seu texto, não deve necessitar da proposta para 
entendê-lo. Ou faça isso... 
 
Para começar a discutir a questão proposta nas instruções, é preciso dizer que a ideia 
do texto 1 de que o trabalho vai desaparecer é algo inimaginável.... 
Sacou, corujinha ligeira? Nessas duas linhas que sugerimos acima, o tema está configurado, 
pois o autor fala de trabalho e há uma tese – o trabalho não vai desaparecer -, enfim, é possível ler 
o que se seguirá, pois as coordenadas estão dadas. Mas esse parágrafo introdutório supõe que o 
leitor pôde ter acesso à proposta e entender esse diálogo inicial entre a proposta e o texto 
produzido. Não dialogue explicitamente com a proposta e com a coletânea. 
apresentar o tema 
(contextualização)
pôr o leitor em 
contato com a 
proposta de 
redação; 
apresentar o 
posicionamento 
(tese) do escritor 
em relação à 
proposta. 
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Uma boa estratégia consiste em resumir e colocar as informações mais importantes, aquelas 
que serão fundamentais para sua argumentação logo na introdução. Aliás, essa é uma das maneiras 
de se começar um texto: fazer uma paráfrase ou um resumo em suas palavras da proposta como 
foi fornecida pela banca. Para exemplificar o que vamos discutir sobre a introdução, considere o 
tema da redação da FUVEST/1999. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Oba... tema da Redação 
FUVEST 99 
D I S S E R T A Ç Ã O 
Como você avalia a jovem geração brasileira que constitui a maioria 
dos que chegam agora ao vestibular? Situada, em sua maior parte, 
na faixa etária que vai dos dezesseis aos vinte e um anos, que 
características essa geração apresenta? Que opinião você tem sobre 
tais características? 
Para tratar desse tema, você poderá, por exemplo,identificar as 
principais virtudes ou os defeitos que eventualmente essa jovem 
geração apresente; indicar quais são os valores que, de fato, ela julga 
mais importantes e opinar sobre eles. Você poderá, também, 
considerá-la quanto à formação intelectual, identificando, aí, os 
pontos fortes e as possíveis deficiências. Poderá, ainda, observar 
qual é o grau de respeito pelo outro, de consciência social, de 
companheirismo, de solidariedade efetiva, de conformismo ou de 
inconformismo que essa geração manifesta. 
Refletindo sobre aspectos como os acima sugeridos, escolhendo 
entre eles os que você julgue mais pertinentes ou, caso ache 
necessário, levantando outros aspectos que você considere mais 
relevantes para tratar do tema proposto, redija uma DISSERTAÇÃO 
EM PROSA, apresentando argumentos que deem consistência e 
objetividade ao seu ponto de vista. 
 
Figura 1: Pixabay 
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Em 1999, a banca pediu que o candidato refletisse sobre a jovem geração que chega ao 
Vestibular, ou seja, uma autorreflexão sobre o grupo etário ao qual o candidato pertencia. Isolando 
os trechos em que o texto instrucional dialogava com o leitor, era possível selecionar informações 
retiradas da proposta. Um jeito de fazer um resumo, você já sabe, grife as palavras mais 
importantes e depois dê uma redação própria. 
 
 
 
 
Exemplo de paráfrase que aproveita as 
informações das instruções. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Veja que algumas palavras se repetem e usei muitas ideias que constavam do texto original, 
mas a configuração se adequou ao que pretendo desenvolver no texto. A questão da expectativa 
em relação ao futuro não estava presente no texto de apoio. Por outro lado, vários elementos do 
texto original não estão presentes na paráfrase: “formação intelectual”, “grau de respeito pelo 
outro”, “companheirismo” etc. 
 
 
Paráfrase
Estrutura Tradicional
Como você avalia a jovem geração brasileira 
que constitui a maioria dos que chegam 
agora ao vestibular? Situada, em sua maior 
parte, na faixa etária que vai dos dezesseis 
aos vinte e um anos, que características essa 
geração apresenta? Que opinião você tem 
sobre tais características? 
Para tratar desse tema, você poderá, por 
exemplo, identificar as principais virtudes ou 
os defeitos que eventualmente essa jovem 
geração apresente; indicar quais são os 
valores que, de fato, ela julga mais 
importantes e opinar sobre eles. Você 
poderá, também, considerá-la quanto à 
formação intelectual, identificando, aí, os 
pontos fortes e as possíveis deficiências. 
Poderá, ainda, observar qual é o grau de 
respeito pelo outro, de consciência social, de 
companheirismo, de solidariedade efetiva, 
de conformismo ou de inconformismo que 
essa geração manifesta. 
 
O jovem que hoje chega ao vestibular 
entre 16 e 21 anos surge como uma grande 
promessa da próxima geração dos 
formadores de opinião. Nesse sentido, 
seria importante saber quais são as 
características mais pronunciadas desse 
grupo social. Considerar os valores e a 
consciência social desses jovens deve 
indicar o que podemos esperar do futuro. 
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A forma mais tradicional de se fazer uma introdução técnica é apresentar o tema, um 
comentário e a tese. Cada parte deve ser expressa em um período. Considere como modelo o 
texto abaixo, de uma das melhores redações da FUVEST de 2006. O tema era sobre o “Trabalho 
no mundo contemporâneo”. 
 
 
 
 
 
 Note que o autor menciona a palavra “trabalho” logo na primeira linha. Ele faz uma 
afirmação genérica para chamar a atenção do leitor. No segundo período, ele acrescenta uma outra 
informação, o trabalho se modificou ao longo dos séculos. No último período, ele faz uma 
afirmação que merece ser provada: é através do trabalho que o homem constitui a sua história, 
essa é a tese. 
 
Para cumprir o papel de apresentar o essencial para a leitura, seu texto deve observar dois 
pontos: 
 
 
1º Período 
2º Período 
3º Período 
Tese 
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 Dentro dessa tipologia de introdução tradicional, há um modelo preferido por aqueles que 
gostam de redação mais técnica. Consiste em apresentar, ao final da introdução, aquela tese já 
elaborada no planejamento, que deve contemplar também os argumentos. Esse tipo de introdução 
e o desenvolvimento para o qual ela aponta sugerem uma escolha mais linear do tema. 
Exemplo: 
Atualmente, no Brasil, discute-se se o jovem que hoje chega ao vestibular realmente se interessa 
e participa da política. Pode-se afirmar, sem sombra de dúvidas, que o jovem tem uma relação 
fragmentária em relação à política (tese), seja pela falta de informação precisa (argumento 1), 
seja devido a pouca tradição nessa área (argumento 2). 
 Esquema desse tipo de introdução: 
 
 
 
 
 
 
 
 
Tudo bem, corujinha 
apavorada. Comece com a 
própria palavra chave do tema, 
como fez esse aluno que se deu 
bem no vestibular. Mas há outra 
forma um pouco clichê de 
começar sua redação: apresente 
o aspecto temporal, associando o texto ao momento presente. Falei bonito para sugerir que você 
use o odiado: “Nos dias de hoje....” 
Introdução com tese e 2 argumentos
Introdução clichê
1º Período: 
Comentário geral 
(o tema deve 
aparecer) 
2º Período : 
Comentário 
estendido 
 
 
3º Período : 
TESE 
 
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Na verdade, corujinha, o 
uso de clichês não soa muito 
bem para o corretor. Contudo, 
não é isso que vai determinar 
sua nota. Você pode fazer uma 
redação menos encantadora e 
mais técnica e tirar uma nota 
muito boa. Para convencê-lo de 
que essa forma de começar o 
texto não depõe contra o seu texto, observe o próximo fragmento também tirado de uma das 
melhores redações da FUVEST sobre o tema da política. 
 
 Ele afirma no primeiro período: “É muito comum ouvir de jovens hoje em dia que são 
apolíticos ou que a política não os diz respeito”. 
1.3 Evitar 
 O que realmente prejudica sua redação? Parágrafo introdutório que apresente (1) ideias (1) 
desorganizadas que não funcionem como guia de leitura ou (2) que tenha informações em excesso. 
 Normalmente o primeiro caso acontece quando o candidato pensa em contextualizar o 
tema e vai se enrolando ao descrever situações outras que não têm a ver diretamente com o tema. 
O grande problema desse tipo de introdução é que ela desvia a atenção do leitor da tese e, ao 
mesmo tempo, faz o escritor perder linhas preciosas para a argumentação. Enquanto o tema não 
for colocado com toda clareza, o jogo não começou, ou seja, o leitor terá a impressão de que ainda 
não há argumento. Tome como exemplo esse texto abaixo da nossa corujinha enrolada... 
 O Vestibular foi instituído no Brasil em 1911 e foi sofrendo mudanças de acordo com 
as necessidades. Primeiramente, ele serviu para seleção dos alunos do colégio D. Pedro, no Rio 
de Janeiro. Depois passou a ser utilizado sempre que havia um número menor de vagas para 
cursos sejam de ensino médio ou superior. 
 Esse tipo de formação educacional, nos últimos anos, tornou-se importante para o 
jovem. Basicamente, o caminho para o mercado de trabalho bem remunerado passa por essas 
etapas... 
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 Com essa introdução você não vai a lugar nenhum. 
Você já está no segundo parágrafo e ainda não entrou 
no tema, falar sobre as características da geração que 
hoje chega ao vestibular.O outro tipo de erro consiste querer apresentar toda a informação na qual você pensou no 
primeiro parágrafo. 
 
 Atualmente, no Brasil, discute-se se o jovem que hoje chega ao vestibular realmente se 
interessa e participa da política. Pode-se afirmar, sem sombra de dúvidas, que o jovem tem 
uma relação fragmentária em relação à política (tese), já que ele é fruto da geração conectada 
e, por isso, entra em contato com uma série de informações contraditórias e superficiais, 
fazendo com que seu foco sobre a política seja quase nulo. Além disso, trata-se de um jovem 
que não teve a experiência de engajamento na escola nem sequer vivenciou isso com a geração 
dos seus pais. 
 
 Nessa introdução, o candidato apresentou a tese, 
os argumentos e começou a estabelecer relações de 
causa e consequência. Obviamente, quando ele for 
ampliar o tema, retomará as ideias e o texto ficará 
repetitivo. 
 
 É preciso equilíbrio, nem apresentar uma tese muito curta, nem muito comprida. Se você 
satisfizer toda a curiosidade do seu leitor logo no primeiro parágrafo, ele não vai ler o que se segue. 
 
1.4. Introdução e Projeto de Texto 
 
 Este tópico é para lembrá-lo de que a introdução está profundamente vinculada a sua 
preparação anterior e deve refletir aquilo que discutimos na aula passada: o projeto de texto e o 
esboço. 
 Vamos considerar a proposta acima, a do jovem que hoje chega ao vestibular. Vou 
apresentar abaixo um possível brainstorm sobre o tema e, a seguir, como a introdução reflete tudo 
o que foi pensado na etapa de criação de ideias. 
Esboço 
Tema: O jovem que hoje chega ao vestibular 
Ideias do senso comum sobre o assunto. 
✓ O jovem não se preocupa com coisa séria; 
✓ O jovem é narcisista e consumista; 
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✓ O jovem só quer estudar para ter sucesso, tem uma visão muito prática das coisas; 
✓ O jovem não se importa com política e não é revoltado, aceita facilmente o que está aí; 
✓ O jovem está antenado com a tecnologia e é capaz de se adaptar mais facilmente à 
mudança das coisas. 
 
Segue um mapa mental das ideias sobre o tema, a partir da sugestão do enunciado das 
instruções: pensar nas virtudes e defeitos dessa geração, considerando o comportamento, a ética, 
os valores políticos e os aspectos intelectuais. 
 
Possibilidades de intertexto/referência histórica/ repertório: 
✓ Comparação com a juventude de 1960/1970; 
✓ Mudança de paradigma – Neoliberalismo 1990; 
✓ Queda do mundo de Berlim (1989); 
✓ Consumismo. 
 
Tese (resumo do que você irá defender no seu texto): 
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As possibilidades são bastante variadas. 
✓ A jovem geração que chega ao vestibular é marcada por grandes desafios, que parecem 
estar acima das virtudes que ela manifesta. 
✓ A jovem geração que chega ao vestibular é marcada por um maior realismo político e por 
uma tendência de encontrar uma solução pessoal para os desafios. 
✓ A jovem geração que chega ao vestibular tem a seu favor maior conectividade e capacidade 
de lidar com essa novidade, criando soluções criativas para os problemas que vão surgindo. 
✓ Etc. 
 
Veja que, a partir do levantamento de tantas informações, ou seja, a partir do brainstorm, 
abre-se um leque de possibilidades, pois um texto de 30 linhas não daria conta de todas as 
sugestões levantadas. Então, você deve selecionar um caminho que lhe permita desenvolver 
argumentos interessantes que mostrem seu repertório. Escolhida a tese, agora é só correr para a 
introdução. Por exemplo, tendo escolhido a primeira tese, eu faria a seguinte introdução: 
 
Já estamos alcançando quase a segunda década do século XXI, e a geração que hoje 
chega ao vestibular tem características singulares. São jovens de 16 a 21 anos que desejam a 
experiência acadêmica. Todos eles parecem conscientes de que vivem uma época marcada por 
grandes desafios, que talvez estejam acima da capacidade da maior parte dos jovens. 
 
 
1.5 Exercícios 
 
 Chegou a hora de exercitar o que consideramos até agora. A ideia é que você fixe uma forma 
de fazer a introdução, a forma mais simples, que deve servir para momentos em que você deve 
fazer uma redação rapidamente e não tem muito tempo para fazer um texto inicial muito 
sofisticado. Você vai encontrar 3 propostas curtas de redação e deve produzir dois parágrafos de 
introdução de acordo com os modelos apresentados: 
✓ Introdução clichê; 
✓ Introdução tradicional; 
✓ Paráfrase; 
✓ Introdução com tese desenvolvida. 
 
Q.1 Faça dois parágrafos de introdução com técnicas diferentes sobre o seguinte tema: A 
participação política do jovem no Brasil. Considere o texto de apoio abaixo (ele pode ser 
utilizado para a introdução por meio da paráfrase). 
Uma pesquisa do Instituto Data Popular mostra bem o perfil do jovem brasileiro e seu 
interesse pela política. 
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Titulo 
O levantamento traz recados importantes à classe política, pois os jovens, a par da crença 
(92%) na própria capacidade de mudar o mundo, botam fé (70%) no voto como 
instrumento de transformação da nação e ainda reconhecem (80%) o papel determinante 
da política no cotidiano brasileiro. Porém, fatia expressiva dos jovens do Brasil (quase 60%) 
acredita que o país estaria melhor se não houvesse partido político. 
Um petardo na democracia. Para eles, as agremiações partidárias e os governantes não 
falam sua linguagem. Interessante a observação do estudo: os políticos são analógicos, mas 
a juventude é digital. Mais de 50% se encontram entre os eleitores indecisos ou que 
pretendem anular o voto no pleito deste ano. E o discurso carrega um viés oposicionista. 
Como a maioria da população brasileira, o desejo de mudança se faz presente em 63% 
deles, que acreditam que o Brasil está no rumo errado. Apesar disso, 72% consideram ter 
melhorado de vida. Querem mais: serviços públicos de qualidade, maior conectividade, 
acessos livres à banda larga e à tecnologia de ponta, não abrindo mão da manutenção do 
poder de compra, nas palavras do autor do estudo, Renato Meirelles, do Instituto de 
Pesquisa Locomotiva. 
(Estado de São Paulo, 06/06/2018) 
 
 
Q.2 Faça dois parágrafos de introdução com técnicas diferentes sobre o seguinte tema: Os 
desafios para o jovem no Brasil. Considere o texto de apoio abaixo (ele pode ser utilizado 
para a introdução por meio da paráfrase). 
Uma pesquisa do Instituto Data Popular mostra bem o perfil do jovem brasileiro e seu 
interesse pela política. 
Título 
BRASÍLIA - Um em cada dois jovens brasileiros com idade entre 19 e 25 anos corre sério 
risco de ficar fora do circuito dos bons empregos no País e, com isso, está mais vulnerável 
à pobreza. É o que aponta o relatório “Competências e Empregos: Uma Agenda para a 
Juventude”, divulgado pelo Banco Mundial. 
O documento diz que 52% da população jovem brasileira, quase 25 milhões de pessoas, 
estão desengajados da produtividade. Nessa conta, estão os 11 milhões dos chamados 
“nem-nem”, aqueles que nem trabalham, nem estudam. A eles, foram somados aqueles 
que estão estudando, mas com atraso em sua formação. E os que trabalham, mas estão na 
informalidade. 
(...) 
http://tudo-sobre.estadao.com.br/banco-mundial
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 “É uma população que vai ser vulnerável, vai ter mais dificuldade de achar emprego, corre 
maior risco de cair na pobreza”, disse o diretor da instituição para o Brasil, Martin Raiser. 
(Disponível em https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,metade-dos-jovens-brasileiros-
tem-futuro-ameacado-alerta-banco-mundial,70002217121,acessado em 31.08.2019) 
 
 
 
Q.3 Faça dois parágrafos de introdução com técnicas diferentes sobre o seguinte tema: O 
jovem conectado. Considere o texto de apoio abaixo (ele pode ser utilizado para a 
introdução por meio da paráfrase). 
 
Assim como os livros expandiram nossa capacidade cerebral, as tecnologias atuais podem 
gerar o efeito contrário. 
A vida no século XXI pode não ser maravilhosa como sugerem as propagandas de telefones 
celulares, graças aos consideráveis impactos sociais provocados pela onipresença das 
novas tecnologias de comunicação e informação. Dois filmes recentes tratam do tema: 
Disconnect (de 2012, dirigido por Henry Alex Rubin) e Men, Women & Children (de 2014, 
dirigido por Jason Reitman). As duas obras adoçam seu olhar crítico com uma visão 
humanista. O grande tema é a vida contemporânea, marcada pelo consumo de bens e 
estilos, e povoada pelas doenças da sociedade moderna: bullying, identidades roubadas, 
comunicações mediadas e relações fragilizadas. No centro dos dramas estão a internet e 
as mídias sociais. 
Maior o acesso a informações, menor nossa capacidade de atenção, e menor nossa 
capacidade de análise. E nossa paciência sofre com o processo. 
 (Disponível em http://www.cartacapital.com.br/revista/840/a-era-da-impaciencia-
5039.html, acessado em 31.08.2019) 
 
2. Introduzir e seduzir 
 
 Tendo se exercitado no básico, agora vamos ao “tchan”, aquilo que vai fazer da sua 
introdução uma espécie de cartão de visitas; aquelas primeiras frases que irão conquistar ou afastar 
seu leitor. Apesar disso, lembre-se: 
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,metade-dos-jovens-brasileiros-tem-futuro-ameacado-alerta-banco-mundial,70002217121
https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,metade-dos-jovens-brasileiros-tem-futuro-ameacado-alerta-banco-mundial,70002217121
http://www.cartacapital.com.br/revista/840/a-era-da-impaciencia-5039.html
http://www.cartacapital.com.br/revista/840/a-era-da-impaciencia-5039.html
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✓ O corretor é obrigado a ler sua redação, você não precisa ficar tão 
preocupado com essa sedução; se sua introdução cumprir a função 
primordial está bom demais; 
✓ Uma redação maravilhosa e uma argumentação ruim ampliam a 
sensação de “texto ruim”; é como ir a uma festa com um terno todo 
remendado. 
✓ Uma introdução bem elaborada requer tempo. Você pode fazer 
rapidamente a redação inteira, valendo-se de uma introdução 
básica e, se sobrar tempo, reelaborar o primeiro parágrafo. 
Considerando os vários tipos de introdução, podemos separá-las em 4 grandes grupos, 
conforme o efeito que podem produzir: provocar adesão ao tema; informar; provocar curiosidade 
e encantar. Vou utilizar exemplos dos assuntos gerais que já apareceram nos exercícios anteriores, 
o da geração jovem e dos subtemas (mercado de trabalho, política, comportamento etc). 
2.1 Provocar Adesão 
 
 Por que o leitor vai ler seu texto (fora o fato de que ele é corretor)? Porque ele é seu amigo, 
ou porque leu o título e ficou interessado. Mas vamos supor que não seja um tema que o interesse. 
Nesse caso, você precisa mostrar para ele que o tema deveria interessá-lo, pois a situação é grave. 
Esse é o tipo de introdução e até de desenvolvimento mais apropriado para uma dissertação no 
ENEM. 
 Quais são os métodos mais comuns para fazer isso? Apresentando dados científicos, 
estatísticos ou mostrando a causa de você estar escrevendo (que não seja a causa verdadeira: você 
está escrevendo para passar no vestibular!). 
 
 Dada nossa formação científica, acreditamos que aquilo que for mostrado por números, por 
cientistas renomados ou por universidades será verdadeiro. Lógico que isso é mais apropriado para 
um argumento, já que no desenvolvimento você deverá convencer seu leitor de que o que você diz 
“é verdade”. 
 O efeito de apresentar dados logo no começo do texto não é dizer que é verdade, mas 
mostrar dados que impressionam o leitor, dados que apresentem uma dimensão assustadora do 
assunto para que o leitor se interesse pelo texto que você vai desenvolver. Nesse caso, o texto da 
coletânea acima é exemplar e vale a pena repeti-lo: 
Um em cada dois jovens brasileiros com idade entre 19 e 25 anos corre sério risco de ficar 
fora do circuito dos bons empregos no País e, com isso, está mais vulnerável à pobreza. É o que 
aponta o relatório “Competências e Empregos: Uma Agenda para a Juventude”, divulgado 
pelo Banco Mundial. 
Dados 
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 Esses dados impactantes despertam o leitor para o tema, fazem-no perceber que discutir 
isso é importante. 
* 
Pois é, esse o grande problema, 
afinal ninguém é um Google 
ambulante e, como você sabe, não 
poderá consultá-lo quando for 
produzir seu texto. O jeito é se 
contentar com algum tipo de 
estatística ou dado fornecido pela coletânea. Antes que você pergunte se você pode copiar os 
dados, eu já lhe respondo o óbvio “não”. Porém, você pode fazer uma paráfrase, acrescentando 
uma certa dramaticidade para despertar o leitor. Observe uma possível paráfrase. 
Recentemente, foi publicada uma matéria no Jornal O Estado de São Paulo com dados 
preocupantes sobre os jovens brasileiros. Quase 50% dos jovens em idade de começo de carreira 
terão que se contentar com empregos nada promissores. Serão adultos em estado de 
vulnerabilidade. 
 Em relação a pesquisas científicas, nesse caso, da sociologia, isso é um pouco mais simples, 
se você se lembrar do que disseram os sociólogos ou outros especialistas, é claro. Você poderia 
dizer algo assim... 
 Segundo a sociologia, o processo de industrialização inaugurou uma era em que a 
tecnologia aplicada a processos de produção ou excluem mão de obra, ou absorvem pessoas 
especializadas. O jovem entre 19 e 25 anos tende a ser excluído por falta de experiência ou por 
não ser especializado. Ficará vulnerável. 
 
 A ideia de causa na introdução tem outro sentido. Na argumentação, “causa” significa 
mostrar como o fenômeno se originou para perceber no processo algum traço digno de nota. No 
caso da introdução, “causa” significa dizer porque você escreveu. Claro que uma introdução 
pessoal aproximaria mais seu texto do leitor, falar da própria experiência - da dificuldade de um 
primo ou de uma amiga em conseguir um emprego - sensibiliza o receptor do texto. 
Mas a dissertação deve ser impessoal. Nesse caso, sua introdução será muito parecida com 
aquela que apresenta dados ou informações científicas. Ela ficará mais genérica, pois você não 
conseguiu lembrar de dados mais consistentes. 
Um indivíduo sem condições materiais de sobrevivência tende a ações desesperadas, ainda 
mais se ele não tiver maturidade suficiente para lidar com as frustrações. Essa pode ser a situação 
de boa parte dos jovens no mundo atual. O mercado de trabalho parece cada vez mais restrito para 
quem precisa de um bom começo. 
 
Causa 
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2.2 Informar 
 
 A argumentação não é só técnica, ela inclui traços performativos, ou seja, não basta que a 
ideia apresentada no texto seja convincente por si, você deve produzir um efeito de que aquilo que 
você disse tem peso. Esse efeito qualquer orador consegue quando prova para seu interlocutor 
que conhece o assunto sobre o qual vai falar. 
 Apresentar informações como introdução tem essa função. Prepara o leitor para levar seu 
texto a sério. Por isso, tome cuidado. Uma introdução informativa sem um bom desenvolvimento 
pode significar que você “queimou” seus argumentos no começo do texto. Se você utilizar a história 
para começarseu texto, esse tópico não pode ser retomado posteriormente sem o risco de o leitor 
achar que você está se repetindo ou seja, “enrolando”. 
 
 Utilizar o percurso histórico para começar uma redação é um recurso informacional e 
também ilustrativo, ou seja, tem o potencial de encantar o leitor. Cuidado para não se alongar. 
Além disso, você deve ter a capacidade de vincular a história ao tema... não se perca. Às vezes a 
ligação é fácil, às vezes não. Por exemplo, considerando que você saiba sobre a história do 
vestibular, como vincular isso ao tema mais amplo do diagnóstico do jovem que chega ao 
vestibular? Você teria que encontrar algum ponto de contato entre jovem que torne a sua 
informação relevante. 
 O vestibular foi instituído em 1911, pois começou a haver mais pretendentes do que 
vagas nos cursos superiores. Era preciso alguma forma de seleção. O jovem vestibulando era 
aristocrata. A partir da década de 50, jovens de classe média começaram também a disputar 
vagas na universidade. O publico mudou. O jovem que hoje chega ao vestibular tem ligação 
com profissões liberais e passou a constituir um universo crítico mais variado e propenso a não 
ser conformado. 
 Primeira observação importante, note como o parágrafo ficou longo. Lembre-se, você terá 
apenas 30 linhas no total. Segunda observação, tive que adaptar a história do vestibular ao que eu 
queria defender. Respondi à pergunta: o que a história do vestibular tinha a dizer a respeito do 
caráter do jovem hoje? 
 
“Definir” e “conceituar” são ligeiramente diferentes, entretanto, para o nosso propósito, você 
pode usar tanto um quanto o outro. Definir vem do latim, que significa “limitar” ou “marcar o fim”. 
Isso significa que se deve, através de palavras, mostrar qual a singularidade do objeto. No nosso 
caso, poderíamos perguntar qual a singularidade do jovem que chega ao vestibular: 
✓ Ter entre 16 e 21 anos; 
✓ Ter desenvolvido sua capacidade intelectual e, portanto, ser capaz de uma análise mais 
acurada da sociedade; 
✓ Dominar a linguagem crítica; capacidade de expressão reconhecida nos círculos mais 
exigentes da sociedade; 
História 
Definição 
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✓ Ter pretensões de pertencer à classe dos formadores de opinião. 
Conceituar também significa delimitar uma palavra, mas de alcance mais amplo, capaz de servir 
como termo de começo de raciocínio. Por exemplo, podemos conceituar “juventude”, dando-lhe 
traços que possam abarcar todas as características de qualquer tipo de indivíduo que possa 
manifestar a “juventude”. 
 Deixando essa “picuinha” de lado, utilizar com precisão um ou outro faz com que seu leitor 
confie na sua competência, mas não apenas isso. Toda definição/conceitualização pode servir 
como uma premissa para um raciocínio. Premissa é uma afirmação que serve como fundamento 
do que será dito nos parágrafos de desenvolvimento. Vou exemplificar: 
 Um jovem que deseja entrar na universidade deve ter desenvolvido mais sua capacidade 
intelectual. Contudo, em uma sociedade marcada pela informação fragmentada, tal jovem chega 
querendo melhorar suas aptidões, mas com deficiências na sua capacidade de concentração. 
 
A primeira oração é a premissa e poderia estar na introdução, as outras ideias poderiam 
estar no desenvolvimento. Uma grande vantagem dessa estratégia é que ela permite a construção 
de introduções curtas, ideais para quem tem muita coisa para escrever. Exemplificando, considere 
o parágrafo abaixo. 
 O jovem que tem pretensões a cursar uma universidade é aquele que tem entre 16 e 21 anos, 
tem boa formação intelectual e é capaz de desenvolver um senso crítico-analítico da sociedade mais 
profundo. Nesse sentido, seria interessante entender qual o perfil desse jovem para ter uma ideia de 
como serão os nossos futuros formadores de opinião. 
2.3 Provocar a curiosidade 
 Um dos gatilhos mentais de mais bem-sucedidos para chamar a atenção de alguém é o da 
curiosidade. Por incrível que pareça, encontrar a solução de um problema ativa uma parte do nosso 
cérebro responsável pelo prazer. Isso significa que, ao 
apresentarmos algum problema para nosso leitor, ele irá entrar no 
jogo e vai ler o texto ou para saber a resposta ou para conferir se a 
resposta que ele deu mentalmente é a correta. Esse ímpeto 
humano pode ser observado mesmo em crianças de 3, 4 anos que 
manifestam uma certa mania pelos porquês. 
 Há basicamente 3 expedientes para despertarmos a 
curiosidade em alguém em redação: perguntas, enumeração e 
afirmações contundentes. 
 
 Por que começar um texto com uma pergunta? 
 Porque obrigará o leitor a continuar lendo. Assim como você fez quando se deparou com a 
pergunta acima. Mas note, ela não pode aparecer do nada. Você deve contextualizá-la. Ela se 
assemelha à introdução tradicional sem a apresentação da tese. 
Perguntas 
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Ah! Outro detalhe, apresente mais de uma pergunta e esteja preparado para respondê-las 
ao longo do texto. Se a resposta estiver logo no começo do texto, por que seu leitor precisaria ler 
o resto? 
 Aliás, esse é um bom expediente de escrita, evita que você apresente a tese toda no começo 
da redação e obriga você, escritor, a seguir um script já previsto por você. Ou seja, seu texto será 
mais direcionado. 
 E quem falou isso tem 
toda razão em relação a 
perguntas retóricas. Perguntas 
que não precisam ser 
respondidas, pois ou a resposta 
é óbvia demais ou você já a 
respondeu no argumento. 
 Além disso, uma pergunta no último parágrafo, com raras exceções, abre espaço para um 
novo argumento e deve ser evitada, afinal você está na conclusão, lugar de reafirmação das ideias 
apresentadas e não o lugar da abertura para novos argumentos. 
 
 Estou certo que essa é 
a intenção ao fazer a pergunta 
no último parágrafo, corujinha 
instigante. Contudo, uma 
dissertação é um texto 
autoritário, você deve levar seu 
leitor pela mão através das suas 
ideias sem deixá-lo sozinho para pensar por conta própria. Isso vai acontecer depois que ele tiver 
lido seu texto, não precisa motivá-lo. 
 
Enumeração 
1º Período: 
Comentário geral 
(o tema deve 
aparecer) 
2º Período : 
Comentário 
estendido 
 
 
3º Parte : 
Perguntas 
 
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 O que é, o que é? Lembra-se dessa brincadeira? Pois é, 
diante dessas palavras quase mágicas, você parava para tentar 
descobrir o que era. Trata-se de um jogo que foi se tornando mais 
sofisticado até chegar a estruturar um filme policial, pois, afinal, 
o que nos prende à poltrona diante de um filme como esse é 
saber quem foi o assassino. 
 Essa é a lógica de apresentar pelo menos três palavras soltas na primeira frase de uma 
introdução. O leitor fica imaginando o que significam aquelas palavras e espera o desvendar desse 
mistério. Para tornar mais claro do que estou falando, observe a seguinte introdução: 
 Partido político, congresso nacional, STF, financiamento partidário. Essas são algumas 
palavras do vocabulário político que parecem desconhecidos para os jovens. Uma observação 
desse tipo leva a acreditar que os jovens de hoje são alienados em relação à política. 
 
 Percebeu qual é o tema? Jovem e política. Há um método para construir uma enumeração 
desse tipo. Primeiro considere que, para ser uma enumeração, é preciso ter, pelo menos, 3 termos. 
Segundo, essa fórmula admite uma frase nominal, com os termos interligados por vírgula, sem 
verbos, seguido de uma outra frase que deve retomar e explicar a anterior. 
 Uma última dica: os termos da enumeração devem ser coerentes em relaçãoa uma ideia 
unificadora. Nem sempre é fácil de achar o elemento comum a essas palavras. Tente mudar o foco. 
Por exemplo, na enumeração acima, eu utilizei termos políticos, mas poderia ter selecionado outro 
elemento: o que dizem do engajamento dos jovens. 
 Alienados, despreocupados, desinformados. Essas são algumas palavras usadas para 
designar os jovens no que diz respeito ao engajamento político... 
 
 Outra forma de despertar a curiosidade do leitor é fazer uma afirmação forte sobre o 
assunto ou apresentar alguma fonte que tenha dito algo que contraria a sua tese. Nos dois casos, 
o fato de haver uma ideia a ser contestada, seja pela agressividade, seja pela polêmica, faz com 
que o leitor fique curioso em saber como o litígio será resolvido. Considere a seguinte afirmação: 
A jovem geração que hoje chega ao vestibular certamente é a mais alienada e fútil de 
todas que já frequentaram ambiente universitário. 
 Não há dúvida de que tal frase desperta a atenção e... ira de quem é jovem, por exemplo. 
Tanto alguém que compartilha a ideia, quanto um opositor vão ler o texto. Não há como ficar 
indiferente e, aliás, esse é o problema. O corretor, com certeza, será mais exigente com uma 
redação desse tipo, pois para se chegar a essa conclusão, o escritor deve ter argumentos muito 
bons. Trata-se de uma introdução possível, mas arriscada. 
 A outra opção seria apresentar uma ideia desse tipo como sendo de outra pessoa, um 
interlocutor, com o qual você vai dialogar, justamente para rebater essa ideia. 
Frases contundentes 
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Muitos acreditam, que a jovem geração que hoje chega ao vestibular certamente é a 
mais alienada e fútil de todas que já frequentaram ambiente universitário. 
Note como a introdução do trecho “muitos acreditam que” alterou o sentido do texto. 
Claramente, o autor dessa frase não concorda com ela. A partir desse ponto, deve começar uma 
contra argumentação. 
2.4 Encantar 
 Agora, entramos na parte mais sedutora das técnicas 
de introdução: contar uma história ou fazer uma analogia. 
Uma boa história faz uma conexão emocional com o leitor. As 
pessoas conseguem se colocar no lugar de quem viveu o que 
é narrado. No caso da analogia, o escritor surpreende o leitor 
com uma conexão inesperada. 
 
 No caso da dissertação, contar uma história é problemático, mas não impossível. O texto 
dissertativo deve ser impessoal. Isso significa que as histórias contadas não podem ser tão restritas, 
não devem ter personagens tão particulares que dificultem a passagem da história particular para 
a discussão generalizante própria da dissertação. 
Nesse caso, a solução é imaginar uma trajetória que pode ser particularizada, mas que tem 
a ver com a história de muitas pessoas. Por exemplo, se você estiver considerando o tema do 
“jovem que hoje chega ao vestibular”, você poderia imaginar a trajetória de um jovem que se 
esforça para prestar o vestibular, as ações envolvidas nessa trajetória e atribuir isso a um “ele” 
enigmático que será identificado como qualquer jovem. 
A partir dos 15 anos, ele começou o trilhar o caminho incerto de quem vai decidir sua 
vida. Pesquisou universidades, cursos e carreiras. Fez não um, mas dois testes de vocação. 
Aos 16, tinha uma ideia vaga do que queria. No ano que fez 17, estudou como um louco. Essa 
poderia ser a história de boa parte dos jovens que chegam às melhores universidades do país. 
Mas, além dessa história, quem são esses jovens? Quais seus valores? 
É possível fazer uso desse expediente para uma série de propostas. 
Há outras que permitem a utilização de histórias que foram veiculadas nos jornais. Se você 
souber em detalhes o que aconteceu é uma boa forma de começar seu texto. 
Há mais de 4 anos, um fato horrorizou o Brasil. Um jovem foi amarrado pelo pescoço, 
nu, a um poste no bairro do Flamengo. Tinha uma orelha cortada com faca. Teria sido acusado 
Narrativa
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de praticar furtos. Essa cena bárbara acusa um problema crônico no Brasil, o envolvimento 
de jovens com o crime e o ódio que eles despertam em uma parte da sociedade. 
 
 Analogia ou comparação, embora sejam palavras que manifestam diferenças sutis de 
procedimento técnico, serão aqui tratadas como uma coisa só. São as técnicas mais difíceis, até 
porque muitas vezes podem servir para estruturar uma redação inteira. 
 Observe como é expressiva a comparação que o músico Cartola fez: 
 
“Preste atenção, o mundo é um moinho 
Vai triturar teus sonhos tão mesquinhos 
Vai reduzir as ilusões à pó” 
 Ele fala a alguém amado, alertando sobre o mundo. Poderia dizer simplesmente que o 
mundo destrói ilusões, mas, ao comparar essa ideia abstrata à ação inexorável de um moinho 
reduzindo tudo a pó, a mensagem ganha outras dimensões. 
 Na verdade, há vários tipos de comparação e todas podem ser usadas de algum modo na 
sua redação, contudo, para a introdução, seria interessante o uso de uma analogia, uma espécie 
de comparação mais longa na qual se estabelece uma ponte entre a história contada e os 
significados atribuídos ao tema desenvolvido. 
 As comparações possíveis são as seguintes: 
✓ Comparação imagética ou metáfora, cujo elemento comparado não é revelado: Os 
penhascos pareciam cortados por faca; 
✓ Comparação explicativa, cujo elemento comparado é revelado: Os penhascos tão retos que 
pareciam cortados com faca; 
✓ Comparação entre dois elementos semelhantes: as feições dos índios são tão boas quanto 
às dos nossos compatriotas; 
✓ Analogia entre histórias: conta-se uma história que deve servir como modelo para o 
momento atual. 
 No caso de uma dissertação, o que se discute é um processo, um fenômeno. Nessa 
configuração, você teria que imaginar qual história poderia dar conta do que você está querendo 
introduzir como tema. Se desejar utilizar essa introdução, comece se perguntando: a juventude 
pode ser comparada com o quê do mundo animal, vegetal ou mesmo mineral? Eu, por exemplo, 
pensei em pássaros saindo do ninho, mas pode ser uma flor que desabrocha ou uma pedra feia que 
guarda uma gema preciosa dentro de si. O problema, novamente, passa a ser como adaptar essa 
comparação ao tema proposto. “Bora” para um exemplo: 
 A história é conhecida: um pássaro nasceu com a propriedade de voar, mas não fará isso 
sozinho. Terá que aprender e, para isso, deve ser jogado para fora do ninho. Ali, no abismo, 
ele deverá reconhecer suas habilidades. Assim podem ser descritos os jovens em geral, inclusive 
aqueles que chegam ao vestibular. Estão sendo jogados na vida. Contudo, diferentemente dos 
pássaros, eles não encaram o total vazio, pois trazem uma bagagem nada desprezível. 
Pertencem a uma geração que lhes molda a forma como vão voar. 
Analogia ou comparação
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 A analogia narrativa requer conhecimento de mitologia, histórias bíblicas, lendas de 
personagens de filmes consagrados ou de romances conhecidos. Por exemplo, ao falar sobre o 
tema do jovem na política, pode-se lembrar de Antígona, da mitologia grega. 
 Os irmãos de Antígona lutam pelo trono de Tebas, ambos morrem lutando em lados 
opostos. O tio, que herda o trono, resolve enterrar um deles com pompas de herói e deixar o outro 
apodrecer fora dos muros da cidade. Antígona, irmã deles, fica entre obedecer ao rei e obedecer à 
tradição, que manda os parentes enterrarem seus mortos. Ela resolve enfrentar o tio e, por isso, é 
condenada à morte. Como essa história ficaria numa introdução? 
 Para entender o dilema do jovem em relação à política, podemos retomar a tragédia 
gregade Antígona. Os irmãos tinham se enfrentado em uma batalha e ambos morreram. O tio, 
que herdou o trono, determinou que um deles não fosse enterrado. Antígona, desafiando o tio, 
põe sua vida em risco. Essa é uma trágica metáfora da diferença entre o núcleo familiar e a 
política. Antígona, como os jovens, vê a política como aquilo que ameaça sua experiência 
enraizada na família. 
 
 Calma, corujinha exigente. Claro que não. 
Essa é uma possibilidade entre outras e, diga-
se de passagem, a mais complexa. Mas os 
alunos que gostam de escrever e que gostam 
de textos mais criativos podem se dar bem 
com esses modelos. 
 O mais importante é que você entenda a 
técnica e que, mesmo que não consiga fazer 
algo assim, descubra quais são suas preferências e com quais introduções você se identifica. 
 Qual é, realmente, a técnica desse tipo de introdução? Em primeiro lugar, você deve pensar 
com qual elemento ou história o objeto de seu tema se assemelha. Mesmo que você vá destacar 
as diferenças, você deve primeiro começar pelas semelhanças. Observe que, no texto do 
passarinho, depois de aproximar os dois elementos comparados, apontei quais eram as diferenças 
entre as aves e os jovens. 
 Depois de ajustar as analogias no seu esboço, você deve gastar algumas linhas para 
descrever a cena ou para contar a história. O leitor deve ser sensibilizado para a narrativa. Um 
texto curto não fará isso. Além disso, ao contar a história, você vai selecionando elementos que 
depois permitirão a comparação. A escolha das palavras “abismo” e “habilidades” para descrever 
a saída do pássaro do ninho no primeiro texto não foi gratuita. Elas permitiram usá-las para falar 
dos jovens. 
 Isso significa que uma introdução desse tipo vai ficar longa, não tem jeito. Seria interessante 
que o argumento que você fosse utilizar pudesse aproveitar essa analogia. Se isso ocorrer, teremos 
uma redação inteira estruturada pela analogia. Mas isso fica para uma outra aula, a de modelos 
dissertativos. 
 
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3. Introdução e Conclusão 
 
 Por fim, vamos destacar outra possibilidade de criação de introdução e, até, de textos 
inteiros. Principalmente em dissertações que não pedem proposta de intervenção, o parágrafo 
final é muito semelhante ao parágrafo inicial. 
 Lembra-se da proposta da FUVEST sobre o Altruísmo? Pois é, escolhi uma das melhores 
redações publicadas pela banca e recortei a introdução e conclusão. Veja a semelhança.... 
 
Introdução 
 
 
Conclusão 
 
 
 Na introdução, o autor do texto inverteu um pouco a ordem das coisas. Ele começou com o 
resumo da argumentação, “a efemeridade do mundo moderno acarreta uma devastadora inversão 
de valores”. Acrescenta elementos no segundo período, “o outro como inimigo potencial”. Por fim, 
no último período, ele apresenta a tese e o tema: “o altruísmo vai se desfalecendo e se tornando 
raridade no mundo contemporâneo”. 
 No parágrafo final, ele utiliza palavras sinônimas do mesmo campo semântico e reafirma a 
tese. Observe as palavras utilizadas. 
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ÚLTIMO PARÁGRAFO INTRODUÇÃO 
Valores egocêntricos 
Caráter imediatista 
O respeito e altruísmo têm sido esquecidos 
Lógica moderna na qual prevalece o eu 
 
 
Caráter egocêntrico 
Atitudes que priorizam o imediato 
O altruísmo vai se desfalecendo 
Caracterizada pela evidente degradação entre 
o “ser” e “ter”, a atual estrutura 
socioeconômica 
 
 A diferença entre eles fica por conta de algumas palavras mais duras na conclusão, como 
“infelizmente” e uma leve proposta de intervenção, “apenas a reeducação e o resgate de alguns 
desses importantes valores sinalizam como soluções...” 
 A tese também aparece nos dois parágrafos de forma quase semelhante. No primeiro, é 
possível ler “o altruísmo vai se esfacelando e se tornando raridade no mundo contemporâneo” e, 
no segundo, “...o respeito e o altruísmo, que tornam a vida realmente humana, têm sido 
esquecidos, abandonados...” 
 
 
 
 
 
 
 
 Não diria igual, corujinha observadora. Todavia, são semelhantes, pois a conclusão é a 
reafirmação da tese. Há alunos que fazem primeiro a conclusão para depois construir o texto, pois 
entendem que uma conclusão elaborada condiciona como vai ser o desenvolvimento do texto. É 
como se pensassem: como faço para chegar nesse final? 
3.1 Prática de Escrita 
 Vou propor um exercício interessante para que você compreenda a estrutura textual de uma 
dissertação. A partir de conclusões tiradas das melhores redações da FUVEST sobre altruísmo, você 
deve fazer parágrafos de introdução. 
Como fazer? 
 – Leia o parágrafo de conclusão; 
 – Localize a tese; 
 – Veja se é possível perceber qual foi o argumento usado no decorrer do texto; 
 – Faça um esboço mental de qual estrutura terá sua introdução; se a tradicional, a clichê, as 
mais elaboradas etc.; 
 – Ao escrever, utilize sinônimos ou expressões análogas; utilize sites de sinônimos, isso 
ampliará seu vocabulário; 
 
 
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– Faça um parágrafo de introdução para essa conclusão. 
 
 
 
 
 
Comentários e exemplos 
A tese do texto aparece no final: “o altruísmo, entretanto, 
de um modo ou de outro continuará presente”. O autor usa o 
argumento de que afirmar genericamente que o altruísmo está 
desaparecendo é um erro. O texto é pequeno. O ideal é escolher 
um tipo de introdução e reformular as informações presentes 
nesse parágrafo. 
 
Primeira possibilidade: introdução tradicional com clichê 
(Tema + comentário estendido + tese). Para isso, fiz um levantamento de sinônimos e antônimos 
necessários. 
 
 Sinônimos: 
Altruísmo: bondade, abnegação, filantropia, entrega, humanitarismo, renúncia, sacrifício. 
Generalização: abstração, intangibilidade. 
Esperança: crença, confiança, perspectiva. 
Futuro: amanhã, porvir, vindouro. 
Nefasto: adverso, perigoso, terrível, perverso. 
Antônimo: 
Altruísmo: egoísmo, cobiça, ganância, interesse, ambição. 
 
Segue quase uma simples transcrição da conclusão a partir de sinônimos, antônimos e 
expressões semelhantes. 
 
 Atualmente, são comuns condenações da sociedade chamando-a de egoísta. No entanto, 
é preciso tomar cuidado com abstrações que tornam ininteligível o processo e comprometem a 
confiança na melhora de perspectivas sociais. Isso pode ser perigoso. Na realidade, os fatos 
indicam que o humanitarismo e o sacrifício continuarão presentes da vida das pessoas. 
 
Fonte: Pixabay 
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 Segunda possibilidade: apresentação de dados. 
 A tese é de que o altruísmo não vai desaparecer. Se você apresentar dados sobre isso, você 
vai queimar seu argumento. O melhor então seria apresentar dados ao contrário, dados que 
indiquem que o altruísmo é necessário ou que ele está desaparecendo. Assim, seria possível 
afirmar que não é possível generalizar e apresentar a tese. 
 
 Notícias recentes atemorizaram o mundo pelo aparente crescimento do egoísmo das 
sociedades modernas. Os europeus começam a fechar suas fronteiras para os imigrantes; China 
e EUA se fecham para o comércio internacional e a Inglaterra se fechou para a Europa. Os 
dados até podem ser graves, mas a generalização pode ser ainda mais perigosa. Na verdade, 
não há como o altruísmo desaparecer da vida das pessoas. 
 
 Terceira possibilidade: enumeração. 
 O interessante nesse caso é encontrar pelo menos três palavras ou três expressões que 
estejam no campo semântico ou do altruísmo ou do seu contrário. Como há uma crítica à 
generalização, talvez começar pelos antônimos seja uma boa alternativa.Egocentrismo, cobiça, ganância, interesse e quase nenhuma abnegação. Esses parecem 
ser os atributos da sociedade moderna segundo seus maiores críticos. No entanto, é preciso ser 
cauteloso como qualquer generalização. Dizer que o altruísmo está em processo de 
desaparecimento é um exagero. 
 Agora é sua vez. Procure seguir o exemplo. A partir de uma conclusão, faça a introdução. 
Varie os tipos de introdução e observe aquela que você se adapta melhor. Você encontrará, ao final 
dessa sessão, um exemplo de como fazer cada uma das introduções sugeridas nesse exercício. 
 
 
Q.
1 
Faça um parágrafo de introdução a partir do seguinte parágrafo de conclusão: 
 
 
 
 
 
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Q.
2 
Faça um parágrafo de introdução a partir do seguinte parágrafo de conclusão: 
 
 
 
 
 
Q.
3 
Faça um parágrafo de introdução a partir do seguinte parágrafo de conclusão: 
 
 
 
 
 
 
Q.
4 
Faça um parágrafo de introdução a partir do seguinte parágrafo de conclusão: 
 
 
 
 
Q.
5 
Faça um parágrafo de introdução a partir do seguinte parágrafo de conclusão: 
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3.2 Questões comentadas 
 
 
 
Q.1 O autor afirma a tese de que o altruísmo, apesar das condições impostas pelo 
capitalismo, ainda tem lugar no mundo, pois há programas de inclusão social. 
Escolhi como modelo para esse exercício a introdução clichê. Posso começar pelo 
“atualmente”, depois apresentar o tema e, por fim, apresentar a tese. 
 
Atualmente, ouve-se com frequência que o pensamento a longo prazo não teria 
mais lugar no mundo. A sociedade capitalista parece reforçar essa opinião, à 
medida que o egocentrismo e a massificação imperam. Mesmo assim, percebem-
se forças contrárias que nos garantem que o altruísmo não vai desaparecer. 
 
 
 
 
Q.2 A tese desse autor é um tanto quanto curiosa. Ele acredita que o altruísmo não vai 
desaparecer e que a impressão de que isso acontece é errônea, pois o pensamento 
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a longo prazo se manifesta no dia a dia. A sugestão histórica do texto me levou a 
pensar na introdução por percurso histórico. Contudo, se eu a desenvolvesse pelo 
óbvio, contando a história das pequenas abnegações, eu “mataria” o argumento. 
Seria melhor, nesse caso, começar pela história das grandes ações que carecem de 
altruísmo e terminar com perguntas. Ou seja, resolvi fazer uma introdução que 
misture as duas técnicas. 
 
Quando estudamos história, percebemos que os momentos históricos mais 
importantes não foram movidos pelo pensamento a longo prazo. A colonização 
promovida pela Europa, as duas grandes guerras e, mesmo a guerra fria foram 
eventos ocorridos devido à ganância dos países e governos. Será que não há como 
garantir que o homem possa pensar a longo prazo? Só a grande história que 
conta? O que nos diz a história do cotidiano? 
 
 
Q.3 Essa conclusão revela uma tese mais simples, mas não menos interessante: o 
altruísmo é imprescindível para a espécie humana. Nesse caso, resolvi fazer uma 
introdução sedutora contando uma narrativa, uma espécie de lenda grega. 
 
Segundo Protágoras, de Platão, Zeus percebeu que os homens eram incapazes de 
viver em comunidade política, por isso viviam à mercê de seus predadores. Para 
que não morressem, Zeus lhes deu a Justiça. Essa história revela que o homem 
só sobrevive por ser uma espécie social e, nesse caso, o altruísmo se torna 
fundamental para a comunidade dos homens. 
 
 
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Q.4 Chegamos a uma tese contrária: o pensamento a longo prazo não tem lugar nas 
relações sociais, por conta do capitalismo, que tem como ideal o acúmulo de capital, 
e não as relações humanas. 
A menção ao problema ambiental levou-me a pensar numa introdução para 
provocar a adesão do leitor. Ou seja, deveria apresentar a questão como um 
problema que deve ser enfrentado, dada a urgência da questão. Optei por 
apresentar a “causa” de estar escrevendo. 
 
O século XXI começou com grandes desafios. O clima está mudando, e paira sobre 
nossas cabeças uma grande ameaça em relação aos recursos naturais. Torna-se 
imperativo que as pessoas sejam capazes de pensar a longo prazo, algo cada vez 
mais difícil se entendermos os limites impostos pelo sistema capitalista. 
 
 
 
Q.5 Por essa conclusão, o autor oscila entre a deformação da sociedade pelo capitalismo 
e a possibilidade de manter-se o altruísmo. Uma introdução por pergunta foi a que 
me ocorreu. Nesse caso, basta começar com uma frase para introduzir o tema, fazer 
um comentário e depois apresentar as perguntas que serão respondidas. 
 
O pensamento a longo prazo e o altruísmo têm sofrido alterações conforme o 
capitalismo avança. Olhando sob essa perspectiva, parece que caminhamos para 
o fim desse sentimento. Existem prova contrárias? Será que a procura incessante 
pelo lucro será capaz de sufocar o altruísmo? 
 
 
4. Redação passo a passo 
 
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Vou fazer o passo a passo da redação da 
FUVEST/1999, assim você poderá perceber como 
se dá a construção de uma redação a partir da 
introdução. Lembre-se, adotei uma tese pelo 
critério didático, ela não expressa exatamente o 
que eu penso. A ideia foi utilizar uma tese que 
permita mostrar para você como construir uma 
redação. Gostaria que você prestasse mais 
atenção à estruturação do texto do que ao 
conteúdo do que está escrito. 
O que vale é o aprendizado de como fazer, 
o conteúdo será seu. 
FUVEST 99 
D I S S E R T A Ç Ã O 
Como você avalia a jovem geração brasileira que constitui a maioria dos que chegam agora ao 
vestibular? Situada, em sua maior parte, na faixa etária dos dezesseis aos vinte e um anos, quais 
características essa geração apresenta? Qual opinião você tem sobre essas características? 
Para tratar desse tema, você poderá, por exemplo, identificar as principais virtudes ou os defeitos 
que eventualmente essa jovem geração apresente; indicar quais são os valores que, de fato, ela 
julga mais importantes e opinar sobre eles. Você poderá, também, considerá-la quanto à formação 
intelectual, identificando os pontos fortes e as possíveis deficiências. Poderá, ainda, observar qual 
é o grau de respeito pelo outro, de consciência social, de companheirismo, de solidariedade efetiva, 
de conformismo ou de inconformismo que essa geração manifesta. 
Refletindo sobre aspectos como os acima sugeridos, escolhendo entre eles os que você julgue mais 
pertinentes ou, caso ache necessário, levantando outros aspectos que você considere mais 
relevantes para tratar do tema proposto, redija uma DISSERTAÇÃO EM PROSA apresentando 
argumentos que deem consistência e objetividade ao seu ponto de vista. 
As gerações que se sucedem têm traços distintivos que 
alteram o rumo da história. A geração atual e, 
principalmente, daqueles que chegam ao vestibular, tem 
traços que expressam nossa época. Pode-se dizer que eles 
são marcados por um maior realismo político e por uma 
procura por soluções pessoais para os desafios da vida. 
Introdução tradicional. 
Tese A jovem geração que chega ao 
vestibular é marcada por um maior 
realismo político e por uma 
tendência de encontrar uma solução 
pessoal para os desafios. Observe 
que apontei dois fatores. Isso me 
dará dois parágrafos. 
As decepções políticas das outras gerações deixaram suas 
marcas no jovem de hoje. Ele não espera soluções mágicas 
dos políticos e tem uma visão mais pessimista. Enquantoas outras gerações lutavam por “fora ditadura” ou “diretas 
Argumento 1. A expressão “realismo 
político” é muito vaga, seria preciso 
defini-la e mostrar como isso afeta o 
comportamento do jovem de hoje. 
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já”, essa geração apenas conheceu as revoltas de 2013, que 
começaram com uma luta contra o aumento de passagens. 
Trata-se de uma postura mais prática. 
Para um bom desenvolvimento, seria 
bom pensar em um repertório que 
mostrasse isso. 
Esse pragmatismo em relação à política resulta numa 
postura voltada para si mesmo. Não exatamente um 
egoísmo no sentido moral, mas uma forma de 
sobrevivência. Trata-se de um jovem que estuda, traça 
alvos precisos e procura alcançar seus objetivos com muita 
força de vontade. A onda tecnológica reforça esse traço. 
O jovem conectado entende o mundo como um game. 
Argumento 2. É muito bom utilizar 
um segundo argumento que 
complete o primeiro. Nesse caso, a 
falta de confiança na política leva o 
jovem a confiar em seus próprios 
meios. 
Não se trata de uma geração melhor ou pior que outras. 
Trata-se de jovens que reagem de um certo pessimismo que 
se abateu sobre a sociedade. A esperança na política, marca 
das gerações passadas, deu lugar a um pessimismo que 
jogou o jovem nessa luta individual para ter um lugar no 
mundo. 
Conclusão. Retomar a introdução 
com outras palavras. 
 
 
5. Propostas de redação 
 
Nesse livro digital você terá acesso a 4 propostas, considerando que uma foi discutida 
exaustivamente na parte teórica. Minha sugestão é que você faça exercícios de introdução para 
fixação e, depois do aquecimento, faça uma redação por semana. Aguardo ansiosamente sua 
produção. 
 
 
 
Proposta 1 
(Autoral/ modelo FUVEST) 
Leia o texto abaixo, para fazer sua redação. 
 
Vice-governador do Texas sugere que idosos arrisquem a vida pela economia (UOL 24/03/2020) 
O vice-governador do Texas, Dan Patrick, sugeriu em um programa de TV da Fox News que 
as pessoas devam voltar às suas vidas normais em meio a pandemia de coronavírus para salvar a 
Questão social 
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economia dos Estados Unidos. Na entrevista ao jornalista Tucker Carlson, o político disse que até 
mesmo os idosos devem deixar o isolamento preventivo. (...) 
Segundo Patrick, ver a economia dos EUA em colapso após um possível fechamento de três 
meses é pior que a morte. "Nosso maior presente que damos ao nosso país, nossos filhos e netos, 
é o legado de nosso país", afirmou o vice-governador. "E agora, isso está em risco, e eu sinto que, 
como disse o presidente, a taxa de mortalidade é tão baixa, temos que fechar o país inteiro por 
isso?". 
Os posicionamentos de Dan Patrick não foram bem recebidos nas redes sociais dos EUA e 
ele recebeu muitas críticas. 
(Disponível em https://noticias.uol.com.br/internacional/ultimas-noticias/2020/03/24/vice-governador-do-texas-sugere-que-idosos-
arrisquem-a-vida-pela-economia.htm, acessado em 30.03.2019 ). 
 
Em 2014, a FUVEST solicitou que o candidato emitisse sua opinião sobre a frase de Taro Aso de que 
“os velhos deveriam se apressar em morrer”. Na época, foi solicitado um texto que discutisse o 
significado da frase no mundo atual. 
Passados seis anos, em plena crise do coronavírus, uma frase semelhante foi ouvida de uma 
autoridade pública. Sendo assim, vale a pena voltar ao tema. O que se propõe agora é o seguinte: 
Dada a desvalorização do idoso, disserte sobre a questão do valor social das pessoas mais 
velhas. Elas deveriam ser valorizadas somente se houver algum ganho? Há ganhos na 
preservação da vida dessas pessoas? Quais são os valores que devem servir de premissa para a 
preservação da vida do idoso? 
 
 
 
 
 
 
 
 
Proposta 2 
FAMECA/2019 
Texto 1 
As disciplinas de filosofia e sociologia poderão ser ensinadas de forma “diluída” durante o 
ensino médio, e não necessariamente como disciplinas obrigatórias ao longo dos três anos. 
A decisão foi do plenário da Câmara dos Deputados, que votou emendas ao texto da medida 
provisória (MP) que flexibiliza o ensino médio, considerada a fase mais problemática do ensino 
brasileiro. 
(“Filosofia e sociologia serão diluídas no ensino médio”. http://exame.abril.com.br, 20.02.2018. Adaptado.) 
 
Educação 
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Texto 2 
A inclusão de filosofia e sociologia como disciplinas obrigatórias no ensino médio em 2009 
prejudicou a aprendizagem de matemática dos jovens brasileiros, principalmente os de baixa 
renda. A conclusão é dos pesquisadores Thais Waideman Niquito e Adolfo Sachsida, em estudo 
inédito que será publicado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). Segundo eles, a 
mudança levou as notas de jovens residentes em municípios com Índice de Desenvolvimento 
Humano (IDH) muito baixo a cair 11,8%, 8,8% e 7,7% em redação, matemática e linguagens, 
respectivamente. 
“Os resultados preocupam porque o nível de formação do capital humano no Brasil é baixo. 
Não podemos nos dar ao luxo de piorar o que já é ruim”, diz Niquito, pesquisadora visitante do 
Ipea e professora da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina). 
A hipótese levantada pelos pesquisadores é que, dada a limitação de carga horária do ensino 
médio, a inserção obrigatória de qualquer nova disciplina “se reflete em redução no tempo 
dedicado ao ensino das demais”. 
(Érica Fraga. “Filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em matemática”. www.folha.uol.com.br, 16.04.2018. Adaptado.) 
 
Texto 3 
“Filosofia e sociologia obrigatórias derrubam notas em Matemática”. O título da reportagem 
publicada na Folha de S. Paulo revela os resultados de uma pesquisa inédita. O estudo defende que 
a presença das disciplinas como componentes curriculares obrigatórios no ensino médio prejudica 
a aprendizagem dos estudantes, essencialmente os de baixa renda. 
Para chegar à conclusão de que a obrigatoriedade das disciplinas, estabelecida pela Lei 
11.684 de 2008, levou à queda no desempenho escolar, os pesquisadores tomaram como base os 
resultados de estudantes no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), em dois momentos. A 
pesquisa comparou os resultados dos alunos que prestaram o exame em 2009, por entender que 
eles ainda não tinham sido impactados pela obrigatoriedade, com aqueles que o prestaram em 
2012, após a promulgação da Lei. 
Tal aferição é vista com preocupação pela socióloga e professora do Instituto Federal de 
Educação, Ciência e Tecnologia São Paulo (IFSP), Ana Paula Corti. A especialista, que também é 
membro da Rede Escola Pública e Universidade (REPU), pontua inconsistências no estudo e 
questiona a sua intenção: “É notório que o desempenho em português e matemática, assim como 
em outras disciplinas, muitas vezes é colocado como insatisfatório nos resultados de avaliações em 
larga escala”, avalia. “Muitas questões explicam isso, como a precariedade do sistema público, a 
falta de investimento e os problemas de financiamento e estrutura. Em nenhum momento, as 
pesquisas ou o conhecimento acumulado sugerem que esses problemas possam ser explicados 
pela presença de alguns componentes curriculares na escola”. Além disso, para a professora, 
sociologia e filosofia são para muitos uma pedra no sapato por serem disciplinas de vocação crítica, 
reflexiva e que trazem o tema da política para a sala de aula como uma demanda da formação 
cidadã contemporânea. 
(Ana Luiza Basilio. “Qual o interesse em retirar Sociologia e Filosofia do currículo?”. www.cartacapital.com.br, 21.04.2018. Adaptado.) 
 
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Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, 
empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: 
A obrigatoriedade do ensino de filosofia e sociologia e os impactos na formação escolar 
 
 
 
 
Proposta 3 
UNIFESP/2018 
Texto 1 
Apenas reproduzimos nas redes sociais o que somos na vida off-line. Mas hoje se 
convencionou que tudo é culpa da tecnologia. A previsão é sempre de um futuro sombrio, em que 
as pessoas não se relacionam, não se falam, não se encontram. 
Falava-se a mesma coisa da TV. Para os pessimistas há sempre uma praga tecnológica mais 
atual. Os saudosistas olham para o passado e acham que a vida era mais vida lá atrás. 
Não é melhor nem pior. É apenas diferente. Só temos que nos adaptar. As redes sociais 
podem, sim, nos dar uma falsa impressão de convivência cumprida. Corremos o risco de viver as 
relações de forma superficial. Sabemos da vida alheia, rimos das mesmas piadas, mandamos 
coraçõezinhos, distribuímos likes. E, então, voltamos para nossa vida ocupada. 
Não dou conta de responder a todos os e-mails, inbox do Facebook, mensagens de 
WhatsApp. Fico na intenção. Não é egoísmo. É falta de habilidade em ser onipresente em todas as 
plataformas. 
Nunca estivemos tão em contato mesmo à distância. As redes sociais têm o poder de 
estreitar laços e desvendar afinidades até com desconhecidos. 
(Mariliz Pereira Jorge. “As redes sociais têm o poder de estreitar laços”. Folha de S.Paulo, 19.02.2015. Adaptado.) 
 
Texto 2 
Não podemos supor que as redes sociais tragam somente meras mudanças de costumes, 
porque seu peso, associado ao desenvolvimento da informática, é semelhante à introdução da 
imprensa, da máquina a vapor ou da industrialização na dinâmica do nosso mundo. As redes sociais 
provocam mudanças de fundo no modo como as nossas relações ocorrem, intervindo 
significativamente no nosso comportamento social e político. Isso merece a nossa atenção, pois 
acredito que uma característica das redes sociais é, por mais contraditório que pareça, a 
implantação do isolamento como padrão para as relações humanas. 
Ao participar das redes sociais acreditamos ter muitos amigos à nossa volta, ser populares, 
estar ligados a todos os acontecimentos e participando efetivamente de tudo. Isso é uma verdade, 
mas também uma ilusão, porque essas conexões são superficiais e instáveis. Os contatos se 
formam e se desfazem com imensa rapidez; os vínculos estabelecidos são voláteis e atrelados a 
Ética 
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interesses momentâneos. Além disso, as relações cultivadas nas redes sociais se baseiam na 
virtualidade, portanto, no distanciamento físico entre as pessoas. 
A opinião do outro é apenas a oportunidade para se expressar a sua própria. O outro parece 
importar, mas de fato não importa. Importam apenas a própria posição e a autoexposição. Daí a 
constante informação sobre as viagens, os pensamentos, as emoções, as atividades de alguém. É 
preciso estar em cena e sempre. Há nisso um evidente desenvolvimento do narcisismo e, 
consequentemente, do reforço do distanciamento entre as pessoas. 
(Dulce Critelli. “A ilusão das redes sociais”. www.cartaeducacao.com.br, 07.11.2013. Adaptado.) 
 
Com base nos textos apresentados e em seus próprios conhecimentos, escreva uma dissertação, 
empregando a norma-padrão da língua portuguesa, sobre o tema: 
As redes sociais estreitam os laços entre as pessoas ou as tornam egoístas? 
 
5.1 Propostas Comentadas – Prof. Wagner Santos 
 
Proposta 1/Comentário 
Tema e proposta 
O tema apresentado nessa proposta é extremamente interessante e mostra como a 
discussão acerca da valorização das pessoas sempre está em voga. Em meio à crise mundial 
causada pelo coronavírus, os grupos de risco, em especial os idosos estão no centro da discussão. 
Isso ocorre porque a principal forma de frear a contaminação pelo vírus é a chamada quarentena, 
que tem por objetivo evitar o contato social e, assim, diminuir o número de pessoas contaminadas, 
utilizando-se da saúde pública que, de forma geral, no mundo, não suporta a quantidade de 
doentes que surgem em uma pandemia. 
O problema causado por essa solução para a diminuição das contaminações é considerado 
complicado, porque coloca em risco a saúde econômica do país. Com todos recolhidos em suas 
casas, sem a relação básica de compra e venda, não temos a economia girando, fazendo-a correr 
um risco grande de recrudescer, principalmente em economias que estejam em desenvolvimento, 
como no caso do Brasil. Assim, surge a discussão sobre o tamanho dos perigos da pandemia, muitas 
vezes relativizados pelos governos; bem como discute-se o valor da vida dos grupos de risco. É 
comum, inclusive, ouvirmos que o problema é menor porque afeta somente esses grupos de risco. 
Assim, de um lado, temos a discussão humana e, do outro, a discussão econômica. No meio 
desse, digamos, tiroteio, temos o principal grupo de risco, os idosos, que nem sempre são 
valorizados nas sociedades em que vivem, gerando declarações como a apontada na construção 
dessa proposta. Vale à pena destacar que as perguntas feitas no próprio tema são extremamente 
interessantes e auxiliam na construção do texto. 
De forma mais objetiva, seu texto deverá ser construído com uma tese, que contará como 
resposta à pergunta mais importante, Elas deveriam ser valorizadas somente se houver algum 
ganho? Essa é a pergunta que irá direcionar a sua tese. Você se posicionará dizendo que sim ou 
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não, ainda que não escrevendo efetivamente que sim ou não, claro. Assim, tudo o que você 
colocará na sua redação parte desse ponto: qual é a valorização que devemos endereçar aos 
idosos? Eles devem ser valorizados independente de sua “participação” na sociedade ou só devem 
ser valorizados quando forem “produtivos”? 
Vale nosso primeiro cuidado por aqui: ainda que não tenhamos indicação de anulação da 
redação quando há ferimento dos direitos humanos, cuidado para que sua tese não se encaminhe 
para esse lado. Evite construir uma redação em que os direitos, inclusive os garantidos por lei, 
sejam atacados e desrespeitados por suas ideias. Particularmente, eu acho muito complicada a 
ideia de dizer que a morte de idosos, simplesmente porque o são, deve ser defendida em qualquer 
nível, para ser sincero. Contudo, há sempre defendida a liberdade de expressão. 
Seus argumentos, que na Fuvest, como vocês bem sabem, são extremamente importantes, 
devem apresentar-se e construir-se a partir da resposta às duas outras perguntas do tema: Há 
ganhos na preservação da vida dessas pessoas? Quais são os valores que devem servir de 
premissa para a preservação da vida do idoso? Claro que a resposta a essas perguntas se 
correlacionarão com o que você falará na sua tese. Nem preciso te dizer isso, né? 
Por fim, é interessante que você retome sua tese e resuma seus argumentos, naquela típica 
conclusão por retomada e resumo. Claro que, se você problematizar bastante, pode construir uma 
proposta de intervenção. Ainda assim, acho que ela corre um risco muito forte de ser clichê e mais 
atrapalhar do que ajudar na sua nota. Por isso, recomendo que você pense na clássica conclusão 
por retomada e resumo. 
 
Texto motivador 
O texto apresentado nessa proposta, literalmente no singular, é um texto que serve, apenas 
para que entendamos de onde surge essa discussão, sendo, literalmente, um texto motivador e 
direcionador para o tema. Tema importante, como dissemos acima, e que está sendo discutido de 
formas distintas, como mostra o próprio texto, com “apagamento” da importância dos mais velhos 
na nossa sociedade. Essa forma de ver é motivada, claramente, em meio à pandemia em que 
vivemos no momento. Apesar disso, é possívelafirmar que temos essa visão sempre, somente 
muito à tona por conta do momento. 
 
Tese, argumentos e repertórios 
Como discutimos acima, temos, essencialmente, duas teses possíveis, como 
apresentaremos a seguir. Dentre essas duas teses, temos uma mais lógica, por ser a mais, digamos, 
humana, e a outra que leva em consideração os fatores econômicos de forma muito aparente. Para 
essa segunda tese, temos muita dificuldade, por não concordarmos com ela, de encontrarmos 
argumentos para essa forma de pensar. De qualquer forma, apresentamos, a seguir, cada uma das 
teses com possíveis argumentos. 
Como essa proposta se aplica à Fuvest, vale lembrar que o comportamento é diferente 
daquele que encontramos no ENEM, por exemplo, e em outros vestibulares: as ideias e os 
argumentos devem sempre ser amplos. Analisar os temas sem prender-se a uma única localidade. 
Por isso, perceba que nossos argumentos, de forma geral, inspiram-se, claro, em um lugar, mas 
não necessariamente se prendem a ele. 
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Claro que precisamos deixar muito claro que esses argumentos e esses repertórios servem, 
somente, para direcionar seu pensamento e seu texto. Passemos a eles. 
 
 
 
 
 
 
Proposta 2/ Comentário 
Tema e proposta 
O tema trata das modificações feitas no sistema educacional de ensino médio brasileiro. 
Essas modificações têm por objetivo tornar mais “profissionalizante” o ensino, mantendo como 
obrigatórias somente as disciplinas que podem ser utilizadas como formação profissional. Dessa 
maneira, ficam obrigatórias somente as disciplinas de Matemática e Português, com as demais 
sendo escolhidas conforme a necessidade do estudante para sua formação profissional futura. 
Dessa maneira, disciplinas como a Filosofia e a Sociologia são entendidas como supérfluas e 
dispensáveis em meio à formação tecnicista a que se propõe a nova organização de ensino médio. 
Isso ocorre porque a maior parte das pessoas não consegue entender o conhecimento como 
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libertador e como formador de uma pessoa melhor, servindo, claro, como formação para a vida 
dos estudantes em um futuro não tão distante. O que quero dizer com isso é que a formação 
humana, proposta e promovida por essas duas disciplinas, é essencial para um adulto que consiga 
relacionar-se e importar-se com o outro. 
Em uma sociedade marcada pela diferença de pensamento, pela polarização e pela visão 
muitas vezes deturpada do próprio ser humano, com valores e ideais não empáticos e, muitas 
vezes, não humanos. Entendemos, então, que a Sociologia e a Filosofia são disciplinas responsáveis 
pelo auxílio de formação ética e moral do estudante, ainda que, claro, entendamos que os valores 
são formados, ainda por influência da família e do restante da sociedade. 
Seu texto, em meio a essa discussão, deverá apresentar um posicionamento, claro, visto 
tratar-se de um texto dissertativo argumentativo. Por isso, você deve acrescentar, em sua 
introdução, a sua tese, demonstrando o que será defendido por você durante a redação. Assim, 
você deverá apresentar argumentos que comprovem que você está defendendo uma ideia lógica, 
que pode ser defendida. Por fim, não é interessante apresentar uma proposta de intervenção, 
como vocês têm feito com muita frequência. É importante que você termine sua redação 
retomando suas ideias. 
 
Coletânea textual 
Os textos trazidos nessa proposta apresentam ideias variadas para o tema a ser tratado, 
sem, claro, apresentar um caminho a ser seguido por vocês, garantindo a liberdade de seguirmos 
para o lado que melhor entendermos. Assim, o primeiro texto é, digamos, apresentado somente 
para introduzir o problema que será 
 
 
 
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Tese, argumentos e repertórios 
Para essa proposta, temos a possibilidade de duas teses: a manutenção dessas duas 
disciplinas como obrigatórias, visando a formação humana dos estudantes; e a diluição, como 
proposta, das duas disciplinas durante o ensino médio. Para essa defesa, será necessário partir do 
pressuposto de que há uma doutrinação ideológica que justifique a diluição. Além disso, o caminho 
mais interessante é a mecanização e a profissionalização do ensino, com vistas a uma melhor 
formação profissional dos estudantes. 
A seguir, trazemos possibilidades de tese, argumentos e repertórios. Destacamos sempre 
que esses argumentos e repertórios são exemplos para vocês começarem a redação e a 
argumentação. 
 
 
 
 
 
Proposta 3/ Comentário 
Tema e proposta 
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O tema apresentado nessa proposta de redação é extremamente contemporâneo e tem 
sido discutido com frequência, ainda mais em meio à chamada geração millenium que, para os 
especialistas, nasce conectada aos aparelhos tecnológicos que permitem ligação com os outros. 
Em meio a tantos argumentos a favor de uma maior proximidade humana, literalmente falando, 
temos a tecnologia quebrando barreiras e aproximando pessoas que não podem estar juntas. 
Um exemplo desse momento, em que as redes sociais saem de vilãs a “heroínas”, por assim 
dizer, é o momento da pandemia de Covid-19, uma vez que, em processos mundiais de isolamento 
social, a tecnologia tem sido a forma de manutenção de contato com as outras pessoas, auxiliando, 
inclusive, na preservação da saúde mental daqueles que estão quarentemados. Além disso, a 
relação econômica também tem se fundamentado nessa forma de comunicação para a 
manutenção do chamado Home Office, incluindo, ainda, as reuniões de trabalho. Assim, a 
tecnologia que, em muitos momentos parece fator de desunião, transforma-se em fator essencial 
para a sociedade atual. 
Por outro lado, principalmente os jovens têm aberto mão de estar com seus familiares para 
jogar pelo computador, ou, ainda, conversar com os amigos pela internet. Assim, é interessante 
que notemos que, ainda assim, a tecnologia pode ser pensada de maneira a não prejudicar as 
relações sociais ou o desenvolvimento dos jovens. 
Seu texto, em meio a essa discussão, deverá apresentar um posicionamento, claro, visto 
tratar-se de um texto dissertativo argumentativo. Por isso, você deve acrescentar, em sua 
introdução, a sua tese, demonstrando o que será defendido por você durante a redação. Assim, 
você deverá apresentar argumentos que comprovem que você está defendendo uma ideia lógica, 
que pode ser defendida. Por fim, não é interessante apresentar uma proposta de intervenção, 
como vocês têm feito com muita frequência. É importante que você termine sua redação 
retomando suas ideias. 
 
Coletânea de textos 
Os textos apresentam as duas visões possíveis acerca das redes sociais, fato que nos auxilia 
na construção de uma argumentação para qualquer um dos lados que queiramos ir. O primeiro 
texto é uma visão positiva dessa relação com as redes sociais, visto que entende que os laços foram 
estreitados por elas, enquanto o segundo texto apresenta-se bastante crítico no sentido do uso 
dessas redes. É interessante perceber que não temos, então, quaisquer direcionamentos de tese, 
como algumas vezes vemos em propostas de redação. Assim, leia-os atentamente e perceba que 
são motivadores apenas. 
 
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Tese, argumentos e repertórios 
Há, nesse tema, duas possibilidades de construção de tese: ou encaramos as redes sociais 
como positivas e capazes de aproximar as pessoas, como se percebe a partir do apontado no texto 
um e nos argumentosa seguir, ou, ainda, podemos ver que as redes fazem com que as pessoas se 
afastam umas das outras, valorizando o egocentrismo e a pessoalidade. É claro que, normalmente, 
ao ver as redes sociais como algo negativo, sua tendência é tornar esse fato em algo errado, 
causando problemas para os demais argumentos. Cuidado com isso, meu caro candidato. Busque 
não endemonizar as redes sociais a partir de argumentos fundamentados no senso comum. 
 
 
 
Professor Fernando Andrade 
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Considerações Finais 
 
Querido aluno, 
Finalizamos esta aula sobre introdução! Sistematizei o que dizem manuais e sites sobre a 
parte inicial da dissertação e adaptei alguns exercícios para que você pudesse fixar as estratégias 
de construção do primeiro parágrafo do seu texto. 
Você deve ter observado que incluí nessa discussão aquilo que vimos nas aulas passadas: a 
interpretação do tema, a elaboração do projeto de texto, a escolha da tese etc. A prática de escrita 
depende dessa acumulação e incorporação de técnicas que, com o passar do tempo, vão se 
tornando automáticas. 
Para que esse processo seja exitoso, vai depender de você. Não deixe de praticar. Mãos à 
obra. 
 
Bom texto! 
Espero você na próxima aula. 
 
 
 
 
Para mais propostas, lembre-se... 
Na área do aluno, há a aula 10. Na verdade, você encontrará lá um 
pdf com muitas propostas. A cada mês, eu subo um novo pdf, uma 
nova versão com mais temas. Alguns autorais, outros de vários 
Vestibulares Brasil afora. Aproveite! Use a abuse. 
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Aula 03 — Introdução 
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Professor Fernando Andrade 
 
 
 
 Blog de crônicas : 
 
 
 
https://www.outrasvias.com/ 
 
 
 
Versão Data Modificações 
1 03/04/2020 Primeira versão do texto. 
 
 
Referencias 
 
Figura 1 :Disponível em https://pixabay.com/pt/illustrations/adolescente-menino-estilo-de-vida-
1456769/ acessado em 02.09.2019. 
 
 
Figura 2: Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/flip-i-flap-lendo-estatua-curioso-184343/, 
acessado em 02.09.2019. 
@filosofia.do.portuga Redaçao e Filosofia 
https://www.outrasvias.com/
https://pixabay.com/pt/illustrations/adolescente-menino-estilo-de-vida-1456769/
https://pixabay.com/pt/illustrations/adolescente-menino-estilo-de-vida-1456769/
https://pixabay.com/pt/photos/flip-i-flap-lendo-estatua-curioso-184343/
Professor Fernando Andrade 
Aula 03 –FUVEST/ Medicina 2021 
 
 
 
 
Aula 03 — Introdução 
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Figura 3: Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/n%C3%BAmeros-educa%C3%A7%C3%A3o-
jardim-de-inf%C3%A2ncia-738068/, acessado em 02.09.2019. 
Figura 4 : Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/manipula%C3%A7%C3%A3o-de-smartphone-
gleise-2507499/, acessado em 03.09.2019. 
Figura 5: Disponível em https://pixabay.com/pt/photos/conselho-giz-neg%C3%B3cios-trabalho-
3695073/, acessado em 03.09.2019. 
 
https://pixabay.com/pt/photos/n%C3%BAmeros-educa%C3%A7%C3%A3o-jardim-de-inf%C3%A2ncia-738068/
https://pixabay.com/pt/photos/n%C3%BAmeros-educa%C3%A7%C3%A3o-jardim-de-inf%C3%A2ncia-738068/
https://pixabay.com/pt/photos/manipula%C3%A7%C3%A3o-de-smartphone-gleise-2507499/
https://pixabay.com/pt/photos/manipula%C3%A7%C3%A3o-de-smartphone-gleise-2507499/
https://pixabay.com/pt/photos/conselho-giz-neg%C3%B3cios-trabalho-3695073/
https://pixabay.com/pt/photos/conselho-giz-neg%C3%B3cios-trabalho-3695073/

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