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Educação Visual e Plástica Ciclo do Ensino Secundário classe Livro do aluno Nova edição De acordo com Programas curriculares em vigor PLURAL 11 EDITORES7 lasse Livro Autoria José Fre Augusto Bernardo Coordenação clentifico-pe de Almeida Editora Plural Editores Plural Editores não pode reproduzida ou no todo ou em ou Reservados todos os Esta publicação electrónico ou nomeadamente gr avação qualquer forma ou por autorização escrita da Editora para qualquer finalidade,s PLURAL EDITORES Centro Logistico de Talatona Loja C-3 Municipio de Belas Luanda Móvel E-mail www.pluraleditores.co.ao SEJA DIGA NÃO À CÓPIA - 2024 A cópia ilegal viola os direitos dos autores. Os prejudicados somos todos nós.Ciclo do Ensino Secundário classe Educação Visual e Plástica PLURAL EDITORESISBN 978-989-611-873-0 2Introdução Aos alunos A arte constitui um dos conhecimentos históricos essenciais para Homem, por estar ligada às necessidades, tanto materiais como espirituais. É, sem sombra de dúvida, uma das grandes virtudes do Homem, a infinita sensibilidade diante do belo. Mas também é certo que sem a capacidade de distinguir belo e felo, sem conhecer a essência da beleza, independentemente da sua contextualiza- ção histórica, não se pode reagir positivamente perante este fenómeno. É, portanto, nossa função educar as novas gerações, numa concepção artística e estética, para que possam efectivamente inserir-se no mundo da beleza e, em função disso, transformarem meio circundante, servindo-se em grande escala das facilida- des que nos dão a ciência e a técnica e das possibilidades oferecidas pela Natureza. Acreditamos, pois, ser indispensável que a educação artística e estética esteja in- cluída no processo de formação do ser social, cujo efeito se completa no ser hu- mano. A Educação Visual e Plástica é uma disciplina em que fazer» se torna essen- cial e agente do desenvolvimento do aluno. É necessária a existência de manual escolar para este domínio. Por esta razão, concebemos este livro para a Educação Visual e Plástica pensando numa abordagem teórico-prática, pressupondo que en- riquecimento perspectivo exige uma metodologia que contemple essas duas com- ponentes. Sendo a Educação Visual e Plástica a área que na escola explora a percep- ção visual, compete-lhe fornecer e proporcionar ao aluno uma vasta gama de situações, vivências e reflexões críticas de ordem estética. Os Autores 3Índice 1. Composição no desenho 1.1. A composição no desenho 6 1.2. Os elementos de composição no desenho 17 1.3. A organização do espaço 23 1.4. Selecção das formas no desenho 25 1.5. Tipos de organização de espaço no desenho 26 2. Composição na pintura 2.1. A composição na pintura 30 2.2. Os elementos de composição na pintura 41 2.3. A organização do espaço pictórico 44 2.4. A interpretação dos princípios de organização do espaço 46 3. Construções geométricas 3.1. Traçados 50 3.2. Construção de figuras geométricas planas 56 3.3. Circunferências e polígonos circunscritos 61 3.4. Construção de polígonos regulares estrelados 63 3.5. Os sólidos 67 41 Composição no desenho 1.1. A composição no desenho 1.2 Os elementos de composição no desenho 1.3. A organização do espaço 1.4. Selecção das formas no desenho 1.5. Tipos de organização de espaço no desenho1 Composição no desenho 1.1. A COMPOSIÇÃO NO DESENHO Definição do desenho desenho é uma forma universal de comunicar, exprimir sentimentos, transmitir informação. É através do desenho que tomamos conhecimento de como poderá ter sido o pas- sado, como é o presente a que não temos acesso e como será provavelmente o futuro. Fig. 1 Dinossáurio. Fig. 2 Aspecto actual de uma cidade. Fig. 3 Uma visão do futuro. Luís de Almeida, 2021. Tipos de desenho A origem do desenho é muito antiga, praticamente remontando à era Pré-Histó- rica. Os homens primitivos desenhavam nas rochas, sobretudo nas paredes das ca- vernas, registando, assim, a vida do seu dia-a-dia e aspectos da sua cultura, expri- mindo também os seus sentimentos. Desenho livre Como o nome indica, a actividade de desenho livre não depende de nenhum tema a seguir. Deves desenvolver a actividade conforme teu gosto, a tua imagina- ção e a tua criatividade. Podes imaginar e desenhar uma paisagem da natureza, uma cidade ou aldeia, uma casa, um animal ou o carro dos teus sonhos. Fig. 4 "Drawing hands" e "Deph", desenhos de Escher. Fig. 5 Desenhos do imaginário. 61.1. A Composição no desenho Desenho de observação método de desenhar deve ser progressivo e requer muito trabalho e prática frequente. Deves começar por praticar com formas mais simples e ir passando às mais complexas. Enquanto o desenho livre depende da tua memória ou da tua criatividade e ima- ginação, o desenho de observação é desenvolvido a partir da visão directa de objec- tos ou de elementos reais. Vais desenhar o mundo que está à tua volta. Podes escolher os mais variados temas, desde as plantas da horta ou do jardim à tua sala de aula, à tua cidade ou aldeia: a natureza, as ruas, as casas, as pessoas e os animais. Fig. 6 "Árvore", de Leonardo da Vinci. Fig. 7 Desenhos de Luís de Almeida. Dentro da sala de aula ou na nossa casa, temos pequenos objectos, como jarras com flores, elementos da natureza que trazemos para estudo, mas também as mesas, as carteiras, os bancos e outro mobiliário, como, por exemplo, a cadeira do professor. No exterior da escola, temos a nossa terra, a nossa comuni- dade. Também temos a nossa ci- dade ou aldeia com as suas casas, a sua igreja e mesquita, mas também, as suas hortas, flo- restas, as praias, as pessoas e os animais. Fig. 8 Objectos e mobiliário. Fig. 9 Desenhos de Luís de Almeida. 7Composição no desenho Observando as várias profissões existentes na comunidade, como trabalhadores da construção, mecânicos, agricultores, é possível realizar esboços interessantes dos diferentes trabalhos das pessoas. Fig. 10 Profissões existentes na comunidade. Desenhos de Luís de Almeida. retrato é um exercício de desenho muito útil para treinar a capacidade de observação dos pormenores dos motivos. Pode ser reali- zado observando um colega ou amigo e, numa fase mais avançada, desenhar rostos seguindo a imaginação e criatividade. Fig. 11 Registos de diferentes expressões de rosto. Os animais são uma fonte inesgotável de situações para desenhar. Podes come- çar a treinar o desenho de animais, fazendo esboços das diferentes posições que o teu animal de estimação assume durante dia. Fig. 12 Registos gráficos de animais desenhados por observação e através da memória. 81.1. A Composição no desenho Desenho documental (científico e editorial) desenho documental é tipo de desenho que é usado para revelar informa- ções científicas como esquemas rigorosos de investigação, gráficos, criação edito- rial e outras publicações. É um método importante de comunicação através do dese- nho, pois pode ser usado para ilustrar conceitos complexos de forma clara e concisa. Também nos fornece informações sobre regiões DO CONGO do nosso planeta por meio de mapas políticos, hi- REPÚBLICA CABINDA DEMOCRÁTICA DO CONGO drográficos, etc. ZAIRE BENGO MALANJE LUNDA LUANDA NORTE NORTE a CUANZA LUNDA SUL endoplasmático OCEANO Cuito de Benguela HUAMBO MOXICO BENGUELA Menangue CUANDO CUBANGO NAMIBE Fig. 13 Desenho científico de uma célula, de um gráfico e de um NAMÍBIA mapa (documental). Desenho técnico (industrial e de arquitectura) desenho técnico é uma forma de representação gráfica que representa for- mas, dimensões e posições de um objecto, de acordo com a necessidade de cada situação. É uma linguagem gráfica que utiliza símbolos, linhas, formas e escalas, para transmitir informações de forma precisa e concisa. desenho técnico é uma ferramenta essencial para desenvolvimento dos mais diversos campos de desenvolvimento: arquitectura, engenharia, design, fabrico de equipamentos e construção. É usado para projectar novos produtos e estruturas, do- cumentar projectos e comunicar ideias entre profissionais. Casa de banho Sala Quarto Fig. 14 Desenho técnico industrial e de arquitectura. Cozinha 9Composição no desenho Desenho de ilustração A maior parte dos livros, tanto de leitura recreativa como de estudo, que chegam às nossa mãos são constituídos por textos, mas também imagens, às quais chama- mos ilustrações. São imagens que servem para ajudar a entender os textos escritos ou apenas para tornar mais agradável o aspecto do conteúdo dos livros. Previne as infecções em casa SHINGWEDZI - 31.43314 23.11357 13 17 Fig. 15 de um folheto sobre cuidados de saúde e ilustrações com informação turística sobre uma reserva natural. As ilustrações são utilizadas quando não há a possibilidade de ilustrar um motivo com uma fotografia da realidade, porque esta já não existe. A ilustração é muito utili- zada para fins científicos. Saturna Marte Venus Fig. 16 A vida de um povo de antigamente. Fig. 17 nosso sitema solar com os planetas que giram à volta do sol. Ilustração criativa Há autores de histórias para crianças que escrevem e ilustram livros do qual se apresenta aqui um exemplo. Experimenta criar ilustrações para o mesmo texto. Procura fazer ilustrações de personagens diferentes das apresentadas pelo autor ou de aspectos do textos que aches mais interessantes. 101.1. A Composição no desenho Era uma vez uma árvore, ou uma ilha, ou povo que a habitava, não sei. Tam- bém não sei bem se "era uma vez" porque a árvore à volta da qual se conta esta história sempre esteve naquela pequena ilha que parece flutuar sobre as águas do oceano Índico. Nasceu com a ilha e nasceu assim como é, enorme, frondosa, com um bando de corvos que a sobrevoam constantemente. Parece que a árvore tem um chapéu feito de penas, asas e bicos para a proteger da canícula do Verão afri- cano. Os corvos dão voltas e voltas sobre a majestosa copa. Às vezes pousam nos ramos mais altos da árvore. Daí, dos ramos mais altos da copa, podem ver a es- puma branca das ondas quebrando sobre recife de coral que fica para o outro lado da ilha. Como a madeira na ilha é escassa, é pouca, há muito tempo que aquela árvore vem sendo cobiçada por alguns habitantes mais ambicios. A verdade é que é seu colossal tronco que tem sido olhado como uma rica fonte de matéria-prima. Al- guns olham para ele e começam logo a imaginar quantas dezenas ou até centenas de canoas podiam construir com a madeira que largo tronco da árvore podia fornecer. Interrogam-se entre si acerca da quantidade de barcos que poderiam construir para a pesca. Depois, sussurram em conjunto: Muitos, muitos! Alguns vão mais longe. Imaginam já de que cor vão pintar seu barco e que nome lhe vão dar. Vermelho, azul com uma lista amarela, verde água. "Dzukane", "Deixa passar", "Sem nome". Outros vão tocando a vida normalmente como se nada estivesse a acontecer. Embora de maneira diferente todos olham com muito apreço aquele gigante vege- tal. Quando faz muito calor aquela árvore é um refugio abençoado. A sua longa e densa ramagem, agitada pela aragem que vem do mar, produz uma refrescante brisa que muitos aproveitam e muito apreciam. Sentam-se no chão, amornado pela canícula do verão, à sombra da sua copa, olhando os barcos levantando as velas de saída para a pesca. Até lagarto, gala-gala, logo pela manhã, se estende num tronco lá no alto à sombra da folhagem espessa e ondulante. Luís de Almeida, 2012 Executa outras ilustrações. Procura junto dos professores nas aulas de outras disciplinas se haverá algum tema de estudo que possa ser en- riquecido e até melhor entendido se for ilustrado. Por exemplo, um texto sobre a história do nosso país ou um folheto sobre as regras de convivência na escola. Fig. 18 Exemplos de ilustrações. 11Composição no desenho Aplica que aprendeste Esta grelha aqui apresentada exemplifica como deves organizar as actividades, individualmente ou em grupo, acerca das várias facetas e possibilidades que desenho permite. Cria as tuas próprias actividades. Tipo do Escola Comunidade desenho Desenho Criação de painel mural para decora- Criação de padrões para de- livre ção de espaços escolares exteriores coração de equipamentos na comunidade Criação de desenhos para decoração de espaços escolares interiores: bi- blioteca, cantina, etc. Desenho Cartazes com informações sobre Catálogo com o levanta- documental como actuar em caso de acidente mento e identificação de gru- pos de interesse cultural e de Livro com textos e desenhos recolhi- associações dos sobre lendas e tradições Pesquisa etnográfica de tra- Jornal escolar jes tradicionais Mapas da região Desenho Projecto para estantes para a Biblio- Projecto para caixotes do lixo técnico teca Projecto para bancos de Jar- Criação de projectos arquitectónicos: dim projecto de espaços ajardinados projecto de hortas Projecto para criação de es- projecto de palco para realização de paços para recolha de lixo festas na escola selectiva Desenho de de contos tradicionais Criação de cenários para ilustração grupo teatral da comunidade Antes de iniciares qualquer projecto, organiza todos os procedimentos que necessitas realizar. 121.1. A Composição no desenho A ficha de registos das acções necessárias abaixo apresentada pode ajudar-te. Fo- tocopia-a tal como está ou, em conjunto com professor, melhora-a, se necessário, adaptando-a às necessidades dos trabalhos da turma. Nome do projecto: Data de início: Data de conclusão: Área de Campo de intervenção Disciplinas Utensílios Técnicas desenho intervenientes Escola Meio Desenho livre Desenho documental Desenho técnico Desenho de ilustração Projecto de objectos Intervenção livre Intervenção comunitária Desenho de pesquisa Outros projectos Regista neste espaço todas as acções que vais realiando na concretização do projecto escolhido. 13Composição no desenho Método de trabalho Deves começar por observar com atenção a forma ou formas do motivo que queres desenhar. Os elementos mais importantes para observar num objecto que queremos desenhar são: a estrutura e a linha. A linha é o contorno do motivo e a estrutura o que suporta. Fig. 21 A linha de contorno. Fig. 19 Árvore. Fig. 20 A estrutura. Observa os exemplos: 1. Coloca o objecto que escolheste para dese- nhar à tua frente, escolhendo para ele uma posição que não deves mudar até terminares trabalho. 2. Observa as linhas ou formas gerais do ob- jecto e desenha-as com um traço fino e leve. Serão estas as linhas auxiliares de construção do trabalho. 3. Termina o trabalho marcando o traço defini- tivo do desenho e apagando as linhas auxiliares de construção. Este método de trabalho ou técnica serve para todos os trabalhos de desenho de observação que faças qualquer que seja o motivo. Podes partir para o desenho usando formas geométricas que conheces. 14A no Aplica que aprendeste A minha família Começa teu trabalho desenhando a tua casa e a tua família. Quantas pessoas fazem parte da tua família? Como é a tua casa? Desenha a casa onde vives com a família. Fig. 22 Família. Fig. 23 Projecto de casa. Fig. 24 A minha comunidade. No exterior da sala de aula, observa e desenha aspectos naturais e urbanos, casas e edifícios, ruas, da área onde vives. Fig. 26 Desenho de Dana Fig. 25 Desenhos de Luís de Almeida. Michaellis. A minha criatividade Observa objectos simples e recria-os dando-lhes formas diferentes. Estes objectos podem apresentar funções semelhantes, como, por exemplo, este brinquedo dinâmico. Podes fazer este exercício com qualquer objecto, decorativo ou funcional. Fig. 27 Brinquedos.Composição no desenho Aplica que aprendeste Os objectos do meu quotidiano Observa e desenha pequenos objectos na sala de aula; os sólidos geométricos para estudo, frascos, porta lápis, apagador do quadro, etc. Fig. 28 Objectos da sala de aula. Observa e desenha peças existentes na escola: uma cadeira ou peças de louça do refeitório que podes trazer para a sala de aula. Fig. 29 Equipamentos escolares. 161.1. A Composição no desenho Desenho de objectos usuais desenho de objectos usuais é uma óptima maneira de desenvolver habilidades de observação, criatividade e coordenação motora. Para fazer desenhos de objectos usuais, são necessários alguns materiais bási- como papel, lápis e borracha. Podem também ser usados outros materiais risca- dores, como marcadores, esferográficas ou mesmo tintas. Fig. 30 Objectos trazidos de casa. Depois de escolhidos os objectos a desenhar, é preciso observá-los cuidadosa- mente. Ter atenção à sua dimensão, forma, textura e aos detalhes de cada um dos objectos. Como foi referido na página 14, devemos iniciar o registo gráfico desenhando as linhas gerais da forma do objecto, a estrutura e as linhas de contorno. Em seguida, acrescentar os detalhes, como bordas, cantos, texturas e, se quiseres, cor, para fina- lizar o trabalho. 17 PAEVP7-2Composição no desenho Aplica que aprendeste Escolhe qualquer objecto que faça parte da sala de aula, como uma tesoura, um afiador de lápis, teu estojo ou qualquer outro. Para além disso, podes escolher objectos que façam parte de outros departamentos da escola como, por exemplo, no refeitório ou cantina. Desenha-os num papel branco utilizando lápis de grafite de diferentes durezas. Depois de praticares suficiente e conseguires resultados que aches satisfatórios, pinta os teus trabalhos usando lápis de cor, ceras ou marcadores. Fig. 31 Objectos de trabalho utilizados nas aulas. Se gostares, experimenta desenhar objectos de maior dimensão e mais complexos observando-os ou usando a tua criatividade e imaginação. Fig. 32 Desenhos de automóveis. 181.2. Os elementos de composição no desenho 1.2. ELEMENTOS DE COMPOSIÇÃO NO DESENHO Os elementos de composição no desenho são as componentes básicas que podem ser utilizadas para organizar de forma equilibrada e harmoniosa o espaço pic- tórico, o plano da folha de desenho. Os elementos visuais na composição são vários e apresentam-se de variadas formas. Vamos falar dos elementos visuais básicos da linguagem gráfica e plástica, no desenho e na pintura. ponto Cientificamente, o ponto representa um conceito abstracto que indica com pre- cisão exacta cruzamento de duas linhas. No entanto, quando temos que utilizar o ponto como elemento visual numa com- posição, desenhamos que chamamos de forma pontual, que assume variados ta- manhos, formas e cores. Fig. 33 Formas pontuais. A linha Uma linha é o que resulta de um ponto em movimento. As linhas são elementos fundamentais na composição. Podem criar equilíbrio, ritmo, movimento e tensão. A linha dá contorno às formas e está ligada à textura e estrutura. Fig. 34 Diferentes objectos sobre a linha. 19Composição no desenho A textura textura quando caracterizamos um objecto liso. referindo-nos ao aspecto visual Falamos da sua de superfície. Se o achamos áspero, rugoso ou Além dos elementos de com- posição, existem também alguns princípios que podem ser utilizados na composição. Fig. 35 Diferentes texturas. Equilíbrio Um desenho equilibrado é aquele em que os elementos visuais são distribuídos de forma a criar no espaço pictórico uma sensação de harmonia. A disposição ou colocação dos elementos visuais no plano (espaço pictórico) chama-se composição vi- sual. A forma como os elementos visuais se interligam dão origem a diferentes composições. Fig. 36 Desenho de Momed Aly. Fig. 37 Desenho de Sarah Fig. 38 Ídasse, "No regresso do Simblet. tempo", 1999. As composições são estáticas quando elementos com maior peso visual se encontram colocados sobre eixos verticais ou horizontais. São dinâmicas quando os elementos de maior peso visual estão colocados segundo linhas oblíquas, como re- vela desenho de Ídasse. Peso visual Considera-se que as ima- gens, em geral, possuem um de- terminado peso a que chamamos peso visual. Esta característica das formas determina-se pela in- tensidade com que são capazes de prender nosso olhar. peso visual de uma forma depende do seu enquadramento. Fig. 39 Peso visual. 201.2. Os elementos de composição no desenho Quando uma forma está en- quadrada no centro da composi- ção diz-se que a composição é equilibrada. Se deslocarmos (des- centramos) a forma provocamos um certo que chama atenção sobre ela adquirindo, assim, maior peso visual. Fig. 40 Desenho de Fig. 41 Desenho de Francelino Shikhani. Mineze. (Timane). Na primeira imagem, a forma principal está centrada e preenche todo espaço pictórico revelando uma composição equilibrada. Na imagem seguinte, a forma ou motivo principal, por tomar uma posição de desequilíbrio tem um grande peso visual. Simetria e assimetria Uma composição apresenta simetria quando a dis- tribuição dos elementos visuais é igual de um e de outro lado de um eixo. Apresenta-se assimétrica quando a distribuição é realizada de forma desigual. Fig. 42 A nossa face pode considerar-se simétrica, embora possa- Fig. 43 Esta imagem não apre- mos encontrar ligeiras diferenças, por isso dizemos que existe uma senta simetria, logo dizemos que simetria aproximada ou parcial. é assimétrica. Intersecção e sobreposição A intersecção e a sobreposição dão-se na composição visual quando o desenho dos objectos penetram uns nos outros ou estão sobrepostos tapando-se parcialmente. Fig. 44 Intersecção e sobreposição. 21Composição no desenho Transparência Neste caso, as formas encontram-se sobrepostas, mas existe visibilidade de todos elementos que compõem a composição. 5 Fig. 45 Registos sobre transparência. Enquadramento do desenho dentro da folha (superfície-espaço pictórico) enquadramento do desenho dentro da folha de papel é uma das decisões mais importantes que deves ter em conta antes de começares teu trabalho. Se as- sunto é um objecto ou figura específico, enquadramento pode ser usado para des- tacar esse elemento. enquadramento pode ser usado para criar uma sensação de tensão, suspense, ou calma. Por fim, e sobretudo, enquadra- mento deve ser usado para criar uma composição equilibrada. aluno deve considerar a distribuição dos elementos na imagem, de modo a criar uma sensa- ção de harmonia e equilíbrio. Fig. 46 Jorge dos Anjos, sem título 2006. Fig. 47 Pinto, "Amor de galinha mãe", 2005. Fig. 48 Tchalê Figueira, sem título, 2005. 221.3. A organização do espaço 1.3. A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO A organização do espaço pictórico é o processo de criação de uma sensação de profundidade e perspectiva num desenho ou pintura. É um dos elementos mais im- portantes das artes visuais, pois é responsável por criar a ilusão de um espaço real e tridimensional. É um recurso que pode ser utilizado para criar uma variedade de efei- tos, desde a representação realista de um objecto até à criação de uma imagem sub- jectiva ou abstracta. Fig. 49 M. C. Escher, "Sky Fig. 50 Costa Pinheiro, "Fernando Fig. 51 Kari Pippo, and Water Pessoa Heterónimos". "Sign", 2000. Fig. 52 Organização na horizontal. Fig. 53 Paul Klee, "Ousada- mente 1930. Desenho de um conjunto de elementos Desenhar conjuntos de elementos requer alguma atenção e deve começar pela definição dos objectivos que se quer alcançar. Na realidade, a maior parte dos nossos desenhos ou pinturas representam ob- jectos isolados ou em conjunto de elementos. Fig. 54 Guilherme Carvalho. Fig. 55 Salvador Dali, "A persistência da Memória", 1931. 23Composição no desenho Se queremos representar num plano o papel de desenho, de modo a simular a realidade, temos que utilizar estratégias, recorrendo a processos que criem a sen- sação de profundidade, ou seja, a per- cepção de espaço. processo mais usual é o da perspectiva como se pode ver nas imagens apresentadas. Fig. 56 Paul Cézanne, "Natureza 1889. Fig. 57 Sobreposição de elementos - diferentes planos. Outra maneira muito comum de criar a ilusão da realidade, é a colocação dos ele- mentos no espaço pictórico. facto dos objectos serem colocados uns atrás dos outros dá a sensação de profundidade. Fig. 58 Folhas coloridas sobrepostas. Fig. 59 Joan Miró, "Uma gota de orvalho", 1939. conjunto de elementos distribuídos no espaço bidimensional de um plano pode causar uma infinidade de emoções, mas não nos dá a da realidade tística na maioria meramente dos casos. estética. São obras subjectivas ou abstractas que percepção têm uma função ar- 241.4. Selecção das formas no espaço 1.4. SELECÇÃO DAS FORMAS NO ESPAÇO Agrupamento de elementos num espaço limitado Quando temos de dispor um elemento ou diferentes elementos num espaço de- lineado e específico temos de ser organizados e criativos. Fig. 60 Desenhos de Luís de Almeida. exemplo dado mostra como foi agrupado um elemento, o desenho de uma flor, num espaço perfeitamente fechado de forma equilibrada e harmoniosa. Disposição de um conjunto de vários e diferentes elementos num espaço rectân- gular. Fig. 61 Owusu-Ankomah, "Future", 2006. 25Composição no desenho 1.5. TIPOS DE ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO NO DESENHO A organização do espaço no desenho é o processo de criação de de ordem, uma composi- de ção visual com intenções estéticas que transmita uma sensação pro- fundidade ou de movimento. Fig. 62 Organização do espaço. Alguns esquemas que são exemplos de tipos de organização do espaço no de- senho. Fig. 63 Mural que, pela organização dos Fig. 64 Pinturas murais que revelam profundidade, relevo e movimento. elementos no espaço pictórico, trans- mite uma sensação de ordem. Projecto de embelezamento no espaço escolar recinto escolar é toda a área onde acontece tudo que se relaciona com a nossa escola. No interior do edíficio, as salas de aula, a biblioteca, a sala dos pro- fessores, mas também no exterior onde existe o espaço de recreio e descanso entre as actividades escolares. Existem vários tipos de organização do ambiente escolar, cada um com ob- jectivos e características específicos. Fig. 65 Painel mural. 261.5. Tipos de organização do espaço no desenho Painéis colectivos Os painéis colectivos são trabalhos realizados por vários alunos, geralmente sobre um mesmo tema. Podem ser feitos na aula sobre folhas de papel. Cada aluno desenha uma parte correspondente a um tema estudado, projectado e organizado antecipadamente, que se junta no final dos trabalhos constituindo, assim, um painel. Fig. 66 Painel mural e módulo (colectivo). Estes estudos para um painel colec- tivo está projectado para que sejam 9 alunos a realizar trabalho. Cada aluno desenha e pinta um dos rectângulos. Podem ser realizados para locais no interior da escola, como a biblioteca ou o refeitório, por exemplo. Fig. 67 Painel na escola. Fig. 68 Pintura de painel mural. Também se podem pintar painéis no exterior. A estes costumamos chamar "mu- rais", porque são pintados em fachadas do edifício escolar ou nos muros de protecção. Um mural é pintado ao mesmo tempo por todos os "artistas" que se reunem e decidem quem vai pintar cada uma das partes do mural. 27Composição no desenho Aplica que aprendeste Faz projectos para painéis colectivos. Com a ajuda do professor e de todos os colegas, escolhe um tema para pintar um painel. Façam um desenho conjunto que devem dividir em secções mais pequenas tantas quantos os alunos da turma, para que cada aluno pinte uma secção. Escolham tema mais adequado ao local onde vão pintar o painel. P AMIZADE M R A Fig. 69 Há temas interessantes para embelezar uma sala de ciências da natureza ou a biblioteca da escola. Fig. 70 Pintura de Mucavele, 2001. tema para o embelezamento de um espaço exterior pode ser livre ou abstracto. 282 Composição na pintura 2.1. A composição na pintura 2.2. Os elementos de composição na pintura 2.3. A organização do espaço pictórico 2.4. A interpretação dos princípios de organização do espaço2 Composição na pintura 2.1. A COMPOSIÇÃO NA PINTURA Definição de pintura artística A pintura artística é uma forma de expressão que utiliza tintas, aplicadas numa superfície, como papel, tela, madeira ou parede de estuque. É uma das mais antigas formas de arte, com registros de pinturas rupestres datando de mais de 40.000 Fig. 1 Pinturas rupestres. A pintura artística pode ser dividida em duas grandes categorias: figurativa e abstracta. A pintura figurativa representa imagens reconhecíveis do mundo real, como retratos, paisagens, natureza- -morta, cenas históricas ou mitológicas. Fig. 2 Winslow Fig. 3 Peter Rubens, "Head of a 1620. A pintura abstracta, por outro lado, não representa imagens reconhecíveis, concentra-se na expressão de emoções, ideias ou sensações através da cor, da forma e da textura. Fig. 4 Victor Sousa, "Face de modelo femi- Fig. 5 Joan Miro, "Cifras 30 nino", de 1986. constelações, em Amor com uma mulher, 1941.2.1. A composição na pintura Materiais e tipos de pintura Os materiais utilizados na pintura artística são variados, incluindo tintas a óleo, tintas acrílicas, tintas guache, tintas aquarela, pastel, lápis de cor e tinta nanquim. Cada tipo de tinta possui suas próprias características e propriedades, que influen- ciam o resultado da pintura (ver página 42). tipo e as técnicas de pintura também são variadas, incluindo pintura a seco, pintura a fresco, pintura a pastéis, pintura a óleo, pintura a acrílica, pintura a aquarela e pintura em tela. Cada técnica possui as suas próprias características e requer habi- lidades específicas do artista. Teoria e uso das cores A cor A luz e a cor fazem parte da nossa vida. sol ilumina os dias, a natureza é colo- rida; árvores, frutos, animais, enfim tudo que nos rodeia. Pintamos nosso quarto de azul-claro, porque nos transmite paz. Construímos ou fabricamos objectos, casas, vestuário, etc. e damos-lhe cor, a cor que mais gostamos. Porque é que os objectos têm cores diferentes? Fig. 6A luz e a cor dos objectos. A cor de tudo que vemos depende, basicamente, dos seguintes factores: tipo de luz que incide nos objectos A nossa visão A matéria ou material de que tudo é feito A luz Em 1704, Isaac Newton decidiu investigar o que acontecia se a luz solar passasse através de um prisma de vidro fosse projectada num ecrã. Para grande surpresa sua, viu que a luz branca se transformava numa faixa multicolorida, chamada "espectro". Newton tinha descoberto o segredo do arco-íris. A luz branca do Sol é decomposta pelas gotículas de água. Newton concluiu então que a luz branca é a mistura de mui- tas cores e que a única coisa que o seu prisma de vidro fazia era separar essas cores, tal como as gotas de água fazem com a luz solar. 31Composição na pintura Fig. 7 Arco-íris. Fig. 8 Prisma de vidro dividindo espectro. Só podemos definir a verdadeira cor de um objecto se observares tendo como iluminação uma luz branca. A luz do sol, por exemplo, em determinada hora do dia e época do ano. A luz do sol no inverno ao fim da tarde é demasiado quente que tam- bém altera a cor dos objectos. Fig. 9 Objecto visto à luz Fig. 10 Objecto visto à luz Fig. 11 Objecto visto à luz branca do sol. fluorescente. da iluminação pública. Experimentar ver um objecto com a luz do sol. Depois olhar para mesmo ob- jecto iluminado por uma lâmpada fluorescente. Por fim, ver mesmo objecto à noite na rua por baixo de um candeeiro de iluminação pública. Verificamos que ele não apresenta sempre os mesmos tons de cor. Matéria mundo é formado por energia e matéria. Quando um material é iluminado uma certa quantidade de luz que recebe é absorvida enquanto a restante é reflec- tida ou transmitida se material for transparente. Fig. 12 Dadas as particularida- Fig. 13 Neste caso, a luz foi toda Fig. 14 elas suas características des deste material, a luz foi toda reflectida. branco é a soma transparência estes objectos absorvida, ficando apenas de toda a luz reflectida. deixam passar a luz, ou seja, negro ausência de luz. transmitem-na. 322.1. A composição na pintura Cores primárias e secundárias As cores primárias são: azul-ciano, a magenta e o amarelo primário; Chamamos cores primárias às cores puras que não se podem obter pela mistura de outras cores, pelo contrário são com as cores primárias que conseguimos obter todas as outras cores. As cores secundárias são: vermelho, o verde violeta ou roxo. Chamamos cores secundárias porque se obtêm misturando duas cores primárias. Amarelo + Magenta = Vermelho Azul-ciano + Amarelo = Verde Magenta + Azul-ciano = Violeta Fig. 15 Cores primárias e secundárias. conjunto das cores primárias e das cores secundárias são o que chamamos as cores principais. Com a mistura destas cores, em conjuntos e quantidades diferentes podemos conseguir todas as cores que queremos e precisamos. círculo cromático é um elemento onde colocamos as seis cores principais e base de todas as cores. As cores devem ficar opostas duas a duas. Assim distribuídas basta olhar para a cor que fica em frente de cada uma para encontrar a sua complementar. Fig. 16 Círculo cromático. Fig. 17 Cores complementares. PAEVP7-3 33Composição na pintura Cores quentes e frias Esta distinção entre cores quentes e cores frias tem como base a ideia ou a sen- sação que elas nos provocam quando as olhamos. Achamos o vermelho, laranja ou amarela cores quentes, porque nos dão a sensa- ção de aconchego e calor. Já as cores verde e azul transmitem-nos frescura ou mesmo frio. A cor no desenho A cor é, no desenho, um elemento básico para a percepção das formas e, por consequência, para o entendimento de uma obra artística e da mensagem que esta queira transmitir. Fig. 18 Cores frias. Fig. 19 Cores quentes. Ao olharmos uma paisagem composta por vários planos, verificamos que, aos planos mais afastados correspondem cores cada vez mais frias conforme os planos se vão distanciando do observador. Por outro lado, planos próximos apresentam cores quentes. Fig. 20 As cores e os planos. que quer dizer que quando queremos dar ideia de motivos afastados devemos usar cores frias e cores quentes se quisermos registar as formas próximas ou os pri- meiros planos de um trabalho artístico. 342.1. A composição na pintura Exercício prático Numa folha de papel de desenho, com a dimensão de 50 cm X 50 cm pelo menos, desenhar duas circunferências concêntricas (que têm mesmo centro, ponto O). A circunferência maior com 20 cm de raio e a menor com 5 cm de raio. 0 0 0 A A A B D E C E 0 0 A B A B D F D F Fazer centro com o Unir os pontos com F e Círculo cromático. compasso no ponto B, E com D e pintar os até e marcar os espaços criados, usando pontos E e F. as cores primárias e secundárias. Formas de representação na pintura Como já foi dito, nas diversas manifestações de expressão artística, dentro das artes visuais, no desenho e na pintura, as formas podem ser representadas, basica- mente, segundo dois conceitos, o realismo e o abstraccionismo. No realismo, as formas são figurativas, tentam representar modelo ou objecto mais fiel possível à sua própria realidade de modo que seja facilmente reconhecido. No abstracionismo, as formas podem ser puramente abstractas, sem qualquer ligação à realidade, puramente pictóricas, fruto da imaginação ou apenas da vontade da criação de uma composição formalmente equilibrada. Por vezes, também é uma tentativa de chegar à realidade de maneira subtil, utilizando formas e correntes artís- ticas meramente gráficas e subjectivas. 35Composição na pintura Fig. 21 GeogesVictor Sousa, "Face de mo- Fig. 22 Joan Miro, "Cifras e constelações, em Amor com uma mulher, 1941. delo feminino", de 1986. Dentro dessas duas categorias, existem diversas formas de representação es- pecíficas das quais se destacam: impressionismo, que é o resultado da impressão do artista num determinado momento, é a representação, por exemplo, de uma paisagem de acordo com a emo- ção que sentiu ao observá-la. Alguns pintores, como Cézanne e Gauguin, avançaram do impressionismo origi- nal e criaram o neo-impressionismo e pós-impressionismo. Fig. 23 Paul Cézanne, "A montanha de Saint Fig. 24 Auguste Renoir, "Passeio pelo campo no 1874. Com cubismo deixou-se de representar os motivos a partir de um ponto de vista único. Foi desmontado conceito de perspectiva. Passou a representar-se numa só obra variados aspectos de um motivo. Os motivos foram fragmentados e as formas sintetizadas passando muitas delas a desenvolver-se a partir de figuras geométricas. 362.1. A composição na pintura Fig. 25 Geoges Braque, Le jour, 1929. Fig. 26 Pablo Picasso, "Mulher chorando, 1937. fauvismo, cuja caracteristica mais marcante é a violenta expressão cromática. Fig. 27 Henri Matisse, "Harmonia em vermelho", 1908 e "Mulher de chapéu", 1905. expressionismo caracteriza-se pelo exagero da deformação das formas e da utilização da cor. Fig. 28 Paul Klee, "Morte e fogo", Fig. 29 Paul Gauguin, "Grande 1940. surrealismo pretendeu criar imagens, quase sempre estranhas, fruto dos so- nhos, da imaginação e da fantasia de cada artista. 37Composição na pintura Fig. 31 Salvador Dali, "O sono", 1937. Fig. 30 Marc Chagall, "Sobre a cidade", 1915. abstraccionismo acabou com a função da pintura de representar algo palpável representativo da memória. Deixou de haver objectos, pessoas ou formas da na- tureza ou e nas obras dos artistas começaram a surgir composições abstractas, textu- ras e jogos de cor e formas geométricas. Fig. 32 Jackson Pollock, "Forma livre". Fig. 33 Wassily Kandinsky, "Traço contí- nuo", 1923. futurismo na pintura pretendia dar a ideia de dinâmica e deformação usando para isso cores vivas e contrastadas, sobreposição e deformação de imagens e ob jectos. ORF Fig. Intervencionista" 34 Carlo Carrá, "Manifestação Fig. 35 Marcel Duchamn "A transi-2.1. A composição na pintura A Pop Art como corrente artistíca utilizou mais variados elementos de produ- tos consumidos no nosso dia-a-dia. Embalagens, fotografias e imagens de jornais e revistas, banda desenhada e cartazes publicitários eram copiados ou recortados e colados em suportes para realização de obras de arte. Fig. 36 Andy Warhol, auto-retrato, 1967. Fig. 37 Roy Lichtenstein, "No carro", 1963. A arte conceptual excluiu quase por completo suportes tradicionais utilizados na pintura e escultura. processo de produção passou a ser quase tão importante como produto final. Por isso, a utilização de outras formas de expressão, assim como outros meios de acção, como video, a instalação, a dança, entre outras, é frequente para exprimir um determinado conceito. Fig. 38 Marcos Reis Peixoto, "Mariinha", instalação. Fig. 39 Tiago Borges, Music Instruments, Video Digital. 39Composição na pintura 2.2. ELEMENTOS DE COMPOSIÇÃO Os elementos da composição para a pintura são os mesmos que no desenho: a selecção das formas, a organização do espaço pictórico e a colocação no formato. A diferença que tem a composição na pintura em relação ao desenho é que as formas na pintura são representadas por áreas e volumes, como figura ou como fundo. As áreas na pintura consistem em determinadas superfícies tratadas a cor de uma maneira virtualmente plana aos olhos do observador, ou seja, do ponto de vista da apreciação. Fig. 40 «A dança da de Paul Gauguin. As áreas na pintura são tratadas de forma plana. Os volumes na pintura consistem em determinadas superfícies tratadas a cor de uma maneira virtualmente volumosa ou volumétrica, ou seja, aos olhos do ob- servador dão a sensação de ter três di- mensões, como se a forma tratada ti- vesse volume real, tal como é na realidade. Este efeito deve ser conse- guido a partir da utilização do claro-es- curo. Fig. 41 Miguel Ângelo, fresco da Capela Sistina. 402.2. Os elementos de composição Tipos de materiais e suas utilizações Suportes suporte é a superfície na qual a tinta é aplicada. Os suportes mais comuns para pintura artística são: papel é o suporte versátil que pode ser usado para uma variedade de técnicas de pintura. papel é disponível numa varie- dade de gramaturas e texturas, que podem afetar o resultado da pintura. Fig. 42 Folha de papel. Fig. 43 Pintura de Leonardo Da Vinci, "A vir- gem e o menino". A tela é um tecido espesso esticado sobre uma armadura ou grelha de madeira. É o suporte mais comum para pintura artís- tica e oferece uma superfície resistente e durável. Fig. 44 Tela de pintura. Fig. 45 Pintura de temas africanos. 41Composição na pintura A madeira é um suporte durável que pode ser usado para pintura a óleo ou acrí- lica. A madeira está disponível numa grande variedade de tipos e acabamentos. Fig. 46 Madeira para suporte de Fig. 47 Giotto, "Triptíco Stefaneschi", pintura. pintura sobre madeira, 1320. Tintas As tintas são material essencial para a pintura artística. Elas são feitas de pig- mentos, que são substâncias que dão cor à tinta, e um aglutinante, que é a substân- cia que liga os pigmentos e permite que eles sejam aplicados ao suporte. As tintas mais comuns para pintura artística são: A tinta de óleo, uma tinta espessa e opaca que seca lentamente, permitindo que o artista faça alterações na pintura. É a tinta mais tradicional para pintura artís- tica e é muito versátil, podendo ser usada para criar uma variedade de efeitos. Fig. 48 Tinta de óleo. Fig. 49 Vicente Van Gogh, "O quarto de Van Gogh em Arles". A tinta acrílica é uma tinta sintética que seca rapidamente e é fácil de limpar. Pode ser usada para criar uma variedade de efeitos, incluindo impressões e texturas. Fig. 50 Tinta acrílica. Fig. 51 Pintura contemporênea. 422.2. Os elementos de composição guache é uma tinta opaca que deve ser diluída com água. Conforme a diluição, obtém-se uma tinta mais ou menos espessa. Se a quantidade de água utilizada na diluição for grande a consistência e o efeito produzido do guache será aproximada à tinta de aguarela. Fig. 52 Guache. Fig. 53 Edvard Munch, 1902. A aquarela é uma tinta transparente que é diluída com água. É uma tinta delicada que exige uma técnica muito apurada e algum treino. Permite obter velaturas e sobre- posições de cor. Fig. 54 Aguarela. Fig. 55 Luís de Almeida, 2009. A escolha dos materiais e técnicas de pintura é uma questão de preferência pes- soal. artista deve experimentar diferentes materiais e técnicas para encontrar que melhor se adapta ao seu estilo e às suas necessidades. Além de tintas e suportes, existem outros materiais ou utensílios que são usados na pintura artística: Os pincéis são usados para aplicar a tinta ao suporte. Existem pincéis de vários tamanhos e formatos, que podem ser usados para criar uma variedade de efeitos. As espátulas são usadas para aplicar a tinta ao suporte de forma mais espessa e texturada. Os rolos são usados para aplicar a tinta ao suporte de forma uniforme. 43Composição na pintura 2.3. A ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO PICTÓRICO Criação de uma composição com elementos figurativos ou abstractos Criar uma composição artística com elementos figurativos ou abstractos é um processo criativo que pode ser explorado de diversas maneiras. Fig. 56 Luís de Almeida, 2001. Fig. 57 H.S. Nhackotou, 2008. Deves começar por consolidar, a partir de uma ideia, o que pretendes expressar com a tua composição. Então, deves decidir se vais concretizar essa ideia represen- tando algo real ou criar uma obra abstracta. Decisão tomada tens que organizar metodicamente como colocá-la em prática. Decidir sobre tamanho do formato. Escolher materiais, como o suporte e as tintas podendo usar materiais diferentes dos convencionais, tanto para suporte como para os elementos que vão criar a composição. Encontrar as técnicas adequadas às decisões tomadas. passo seguinte tem a ver com a composição. Pensa na melhor maneira de organi- zar os elementos no espaço pictórico de forma a criar uma composição equili- brada através da cor, do ritmo, do con- traste e da proporção. Fig. 58 Instalação, artista anónimo. 442.3. A organização do espaço pictórico Exercício prático Composição figurativa Representa um objecto ou figura do mundo real. Usa uma fotografia ou um modelo como referência. Fig. 60 Compo- Fig. 59 Edward Hopper, "Verão", 1943. sição figurativa. Crie uma cena ou narrativa. Inventa uma história que possas contar com uma composição artística. Usa linhas e formas para criar uma sensação de movimento. Fig. 61 Jason Pallock, "Stenogra- phic Figure". Composição abstracta Cria uma composição alheia do mundo real (imaginária) usando linhas, formas, cores e texturas. Fig. 62 Painel abstracto. Usa linhas e formas para criar uma sensação de ritmo ou movimento. Experimenta diferentes técnicas para criar texturas interessantes. Fig. 63 Chichoagane, 2007. 45Composição na pintura 2.4. A INTERPRETAÇÃO DOS PRINCÍPIOS DE ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO Os princípios de organização do espaço pictórico são um conjunto de directrizes que orientam a criação de composições visuais. Esses princípios são baseados em factores como a perspectiva, a cor, a linha e a forma, e visam criar uma sensação de profundidade, equilíbrio e harmonia na imagem. A interpretação dos princípios de organização do espaço pictórico pode ser feita de diversas formas, dependendo do estilo e da mensagem que o artista deseja trans- mitir. No entanto, alguns aspectos gerais podem ser destacados: A perspectiva é um recurso que cria a sensação de profundidade na imagem. Ela pode ser representada por meio de linhas convergentes, sombras, tamanhos relati- vos e outros elementos. A cor também pode ser usada para criar a sensação de profundidade. Cores quentes, como vermelho e o laranja, geralmente são associadas ao primeiro plano, enquanto cores frias, como azul e verde, geralmente são associadas ao fundo. A linha é um elemento visual que pode ser usado para criar movimento, direccio- nalidade e equilíbrio na imagem. Linhas horizontais transmitem uma sensação de calma e estabilidade, enquanto linhas verticais transmitem uma sensação de força e vigor. A forma é um elemento visual que pode ser usado para criar volume, peso e equi- líbrio na imagem. Formas simples, como círculo e quadrado, geralmente transmi- tem uma sensação de estabilidade e equilíbrio, enquanto formas complexas, como 0 triângulo e o trapézio, geralmente transmitem uma sensação de movimento e dina- mismo. A seguir, são apresentados alguns exemplos de interpretação dos princípios de organização do espaço pictórico: No quadro "A Última Ceia", de Leonardo da Vinci, e "A descida da Cruz" de Van Der Weyden, a perspectiva é usada para criar a sensação de que a cena está a acontecer num espaço real. As linhas convergentes da mesa e das paredes levam o olhar do espectador para o centro da imagem, onde está Jesus Cristo. Fig. 64 "A última Ceia", Leonardo Da Vinci. 462.4. A interpretação dos princípios de organização do espaço C' c D Fig. 65 "A descida da cruz", Van Der Weyden. No quadro "O Grito", de Edvard Munch, a cor é usada para criar a sensa- ção de ansiedade e angústia. As cores frias e escuras da imagem transmitem uma sensação de claustrofobia e isola- mento. No quadro "Guernica", de Pablo Pi- casso, a linha é usada para criar um senso de movimento e dinamismo. As li- nhas curvas e sinuosas da imagem trans- mitem a sensação de caos e destruição. Fig. 66 "O grito", Edvard Munch. Fig. 67 "Guernica", Pablo Picasso. No quadro de Vincent van Gogh, a forma é usada para criar uma sensação de movimento e energia. As formas ondulantes das nuvens e do sol transmitem a sensa- ção de um universo em constante movimento. 47Composição na pintura A interpretação é um processo criativo que exige pode dos princípios de organização a sensibi- do es- lidade de diversas formas, a fim de imagens paço pictórico e a criatividade do artista. É um processo criar que que ser explorado transmitam diferentes mensagens e emoções. Realização e análise dos trabalhos A análise de trabalhos de composição artística é um que envolve a identificação e compreensão dos processo elementos e princípios da composição utilizados pelo aluno enquanto no papel de artista. Esses elementos e princípios, já estudados, ponto, a linha, a cor, a forma, são Fig. 68 "Estrada com os componentes básicos que contribuem para a criação cipreste", Vincent van Gogh. de um trabalho de arte eficiente. Exercício prático Os alunos devem efectuar uma análise descritiva ou interpretativa dos trabalhos que realizaram ao longo do ano lectivo. A análise descritiva deve ser focada na identificação e descrição dos elementos e princípios da composição utilizados pelos alunos na realização dos seus trabalhos. A análise interpretativa deve ter foco na compreensão do significado dos trabalhos a partir da sua composição. Um dos muitos processos possíveis de realizar pode passar pela realização de uma exposição colectiva de trabalhos dos alunos. Então, os alunos, individualmente ou em grupo, com ajuda do professor, podem mais facilmente proceder à interpretação, apreciação, Fig. 69 Exposição de pintura. discussão e análise de cada uma das composições. A análise de trabalhos de composição artística é uma ferramenta importante para Ao entender e apreciar a pintura e a arte em tos mos aprender sobre imaginação criatividade, elementos mas e princípios também entender identificar e compreender os geral. da aspectos da história da e 48

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