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Curso:
USO DIFERENCIADO 
DA FORÇA
Presidência da República
Luiz Inácio Lula da Silva
Ministério da Justiça e Segurança Pública
Ricardo Lewandowski
Secretaria Nacional de Segurança Pública
Mario Luiz Sarrubbo
Diretoria de Ensino e Pesquisa
Michele Gonçalves dos Ramos
Coordenação-Geral de Ensino
Marcia Alencar Machado da Silva 
Coordenação Pedagógica
Joyce Cristine da Silva Carvalho
Coordenação de Ensino a Distância
Tainara Leiria da Silveira
Gerente de Curso
Fábio Andrade da Silva
Créditos
Conteudistas
Mainar Feitosa da Silva Rocha
Luis Humberto Caparroz
Revisão Técnica
Gustavo Henrique Lins Barreto
Revisão Textual
Cínthia Bastos Saboia
Revisão Pedagógica
Ardmon dos Santos Barbosa
Programação e Edição
Atila Vinicius Oliveira Rocha
Erick Tiêgo de Araújo Pessoa
Design Gráfico e Instrucional 
Sabrina da Silva Carneiro
Uso Diferenciado da Força
Sumário
MÓDULO 1: Uso diferenciado da força - Nova perspectiva
MÓDULO 2: Princípios e diretrizes gerais de uso da força
APRESENTAÇÃO
Objetivos do Curso
Estrutura do Curso
Aula 1 - Introdução ao uso da força
Aula 1 - Princípios e diretrizes gerais do uso da força
Aula 3 - Tipos de comportamentos das pessoas abordadas e níveis do uso
diferenciado da força 
Aula 4 - Presença postura e verbalização do profissional de segurança
pública (PSP)
Aula 2 - Conceitos aplicados ao uso diferenciado da força
Aula 2 - O processo de tomada de decisão no uso diferenciado da força
p 05
p 08
p 20
p 09
p 21
p 18
p 29
p 48
p 60
p 06
p 07
Uso Diferenciado da Força
Sumário
MÓDULO 3: Circunstâncias do uso diferenciado da força
MÓDULO 4: Dos mecanismos de controle, monitoramento e capacitação
no uso da força
Aula 1 - Do emprego da arma de fogo
Aula 3 - Do gerenciamento de crise
Aula 5 - Do uso de algemas
Aula 1 - Dos mecanismos de controle e monitoramento
Aula 2 - Do emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo
Aula 4 - Da busca pessoal e domiciliar
Aula 6 - Da lesão ou morte decorrente do uso da força
Aula 2 - Da capacitação
p 69
p 116
p 70
p 91
p 106
p 117
p 80
p 96
p 109
p 126
p 134REFERÊNCIAS
Uso Diferenciado da Força
Caro(a) aluno(a),
 
Seja bem-vindo(a) ao curso Uso Diferenciado da Força!
O Programa Nacional de Direitos Humanos, aprovado pelo Decreto nº 7.037, de 21 de
dezembro de 2009, dedica um eixo orientador para a segurança pública, acesso à justiça
e combate à violência servindo como uma das fontes inspiradoras para orientar o uso da
força por parte dos Profissionais de Segurança Pública (PSP). 
Em harmonia com as diretrizes da Política Nacional de Segurança Pública e Defesa
Social (PNSPDS), esse curso visa a capacitação continuada e qualificada dos
profissionais de segurança pública, em consonância com a matriz curricular nacional
que permitirá alcançar em todos os aspectos a segurança pública com cidadania.
Por meio das inovações legislativas ocorridas que visam direcionar a segurança pública
do país para um nivelamento internacional atinente aos direitos humanos e o uso da
força, pode-se enfatizar com transparência e responsabilidade o trabalho de todos os
atores envolvidos nesse sistema. Para isso, fazem necessárias ações formativas de
caráter geral reestruturando matrizes que outrora coadunavam com diplomas pretéritos,
mas agora passam por processo de atualização. Esse fator demanda providências
voltadas para o alinhamento legal direcionado para as novas orientações normativas e
para as boas práticas no dia a dia dos profissionais de segurança pública. Os modelos
internacionais consagrados não serão esquecidos, porém serão abordados de forma
referencial, assim podemos nos preocupar em preparar o PSP para uma melhor
interação social com os cidadãos. Esse novo direcionamento, traz terreno fértil e
oportuno para essa lapidação de postura e conscientização, razão pela qual, as
orientações e materiais de suporte devem ser aprimorados.
Nesse contexto, o curso abordará o uso da força consoante aos principais diplomas
internacionais, e, especialmente, à Lei nº 13.060, de 22 de dezembro de 2014, o Decreto
nº 12.341, de 24 de dezembro de 2024 e Portaria do Ministro da Justiça e Segurança
Pública nº 855, de 17 de janeiro de 2025. A estrutura da Portaria MJSP nº 855/25, será
nossa viga-mestra para nortear o estudo de forma que promova uma interpretação lógica
e sequencial sobre o tema, com o objetivo de reforçar positivamente os conhecimentos
trazidos de dispositivos específicos do sistema legal pátrio e de conceitos modernos que
trazem novos horizontes para a segurança pública no País.
Vamos nessa?!
Bons Estudos!
Uso Diferenciado da Força
05
Apresentação
Objetivo do Curso
O curso tem como objetivo permitir ao estudante uma reflexão sobre o uso da força e a
atividade do profissional do Sistema Único de Segurança Pública, enquanto sujeito
garantidor da segurança pública com cidadania.
Objetivo geral:
O curso tem como objetivo criar condições para que você possa ampliar conhecimentos
para:
Reconhecer os princípios gerais do uso da força;
Compreender os principais conceitos aplicados ao uso diferenciado da força;
Identificar as diretrizes sobre o uso da força;
Identificar as circunstâncias do uso da força;
Reconhecer as diretrizes para atuação dos mecanismos de fiscalização e controle;
Conhecer as orientações gerais sobre a capacitação do PSP no uso da força.
Desenvolver habilidades para:
Aplicar nas ações de segurança pública as diretrizes do uso da força, buscando a
resolução pacífica dos conflitos;
Articular procedimentos, táticas e estratégias para o desescalonamento de um
conflito;
Empregar os instrumentos de menor potencial ofensivo conforme os ditames do uso
diferenciado da força;
 Articular bem os princípios gerais do uso da força.
Fortalecer atitudes para:
Reconhecer a importância do processo de tomada de decisão orientado para o uso
diferenciado da força;
Manter-se intelectualmente disciplinado para as atualizações normativas sobre o uso
da força;
 Valorizar o processo de capacitação;
Reconhecer a importância do uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo
como principal vetor do uso diferenciado da força;
 Valorizar o registro das ações, preferencialmente com o uso de câmeras.
06
Uso Diferenciado da Força
Estrutura do Curso
Este curso possui 40 horas e compreende os seguintes módulos:
Módulo 1 – Uso diferenciado da força - nova perspectiva
Módulo 2 – Princípios e diretrizes gerais do uso da força
Módulo 3 – Circunstâncias do uso da força
Módulo 4 – Dos mecanismos de controle e monitoramento e da capacitação no uso
da força
07
Uso Diferenciado da Força
Objetivos específicos:
Apresentar as inovações legislativas a respeito do uso da força sensibilizando o
profissional de segurança pública para a mudança de atitude com relação ao seu uso
diferenciado e legítimo;
 Orientar e esclarecer sobre a integração adequada entre as ações de uso da força do
PSP e o uso de câmeras corporais, com fins de trazer maior segurança jurídica para
esses profissionais;
 Conscientizar sobre a importância da utilização da força proporcional através do
emprego de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo
Refletir sobre as principais circunstâncias do uso da força e as respectivas
orientações.
MÓDULO 1
Uso diferenciado da força - Nova perspectiva
Apresentação do módulo: 
Neste módulo faremos uma introdução sobre o uso da força e uma breve imersão sobre
as normas que orientam esse instituto no âmbito da segurança pública.
Abordaremos também as novas perspectivas sobre o uso diferenciado da força,
alinhando-as aos preceitos dos direitos humanos e com a utilização mínima de
instrumentos de menor potencial ofensivo, priorizando a comunicação, a negociação e
as técnicas de desescalonamento.
Este módulo tem por objetivos:
Apresentar as normas sobre o uso da força;
Pontuar breves diferenças entre as normas passadas e as atuais;
Conhecer os conceitos sobre o uso da força.
OBJETIVOS DO MÓDULO
Este módulo compreende as seguintes aulas:
Aula 1 – Introdução ao uso da força 
Aula 2 – Conceitosdiplomas legais e recomendações sobre o uso da força. No
entanto, há uma necessidade de um reforço positivo da informação a luz das normativas
do Ministério da Justiça e Segurança Pública com o objetivo de profissionalizar cada vez
mais os procedimentos nas ações de segurança pública.
Este módulo tem por objetivos:
Apresentar as principais circunstâncias do uso diferenciado da força
consignadas na Portaria MJSP nº 855/25;
Reforçar que as circunstâncias do uso da força devem ser pautadas em ações
que deverão ser utilizadas de forma diferenciada, com a seleção apropriada do
nível de força a ser empregado, em resposta a uma ameaça real ou potencial,
com vistas a minimizar o uso de meios que possam causar ofensas,
ferimentos ou mortes.
OBJETIVOS DO MÓDULO
Este módulo compreende as seguintes aulas:
Aula 1 - Do emprego da arma de fogo
Aula 2 – Do emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo
Aula 3 – Do gerenciamento de crises
Aula 4 – Da busca pessoal e domiciliar
Aula 5 – Do uso de algemas
Aula 6 – Da lesão ou morte decorrente do uso da força
ESTRUTURA DO MÓDULO
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Uso Diferenciado da Força
AULA 1
Do emprego da arma de fogo
Quando se fala em modelos de uso da força é uníssono o entendimento que o emprego
da arma de fogo é o recurso mais extremo dentre os níveis de força disponíveis para o
profissional de segurança pública.
Figura 40: Saque da arma de fogo no uso da força
Fonte: Canva.com, 2025.
Afirma que um profissional de segurança não deve usar armas de fogo contra
pessoas, exceto:
• Em legítima defesa ou em defesa de outros em caso de ameaça iminente de
morte ou ferimentos graves;
 • Para evitar a perpetração de um crime particularmente grave envolvendo grave
ameaça à vida;
• Para prender uma pessoa que apresente tal perigo e resista à sua autoridade, ou
para impedir sua fuga, e
 • Somente quando medidas menos extremas sejam insuficientes para atingir
esses objetivos.
Princípio 9 – Princípios Básicos sobre o Uso da Força e de
Armas de Fogo (PBUFAF)
71
Uso Diferenciado da Força
A Portaria MJSP nº 855/25 também enfatiza que o emprego de arma de fogo será
medida de último recurso e orienta em seu art. 8º, § único, que não é legítimo o emprego
de arma de fogo contra:
Seguindo os parágrafos subsequentes:
Pessoa em fuga que esteja desarmada ou que não represente risco imediato de
morte ou de lesão aos profissionais de segurança pública ou a terceiros.
Cabe aqui destacar que, neste caso, o PSP não está em situação abarcada pelas
excludentes de ilicitude e nem com a sua vida ou a de terceiros ameaçados, com
isso, não há autorização legal para o uso imediato do recurso letal.
Veículo que desrespeite bloqueio policial em via pública, exceto quando o ato
represente risco de morte ou lesão aos profissionais de segurança pública ou a
terceiros.
O fato de um veículo desrespeitar o bloqueio policial pode ser uma situação de
irregularidade ou falta documental, por exemplo, ou até mesmo desatenção do
condutor. Por outro lado, se o veículo é utilizado como arma contra os PSPs ou
terceiros inocentes está autorizado o uso comedido da força letal, tomando todos
os cuidados para caso haja a necessidade de disparos que estes sejam
direcionados ao agressor ativo embarcado, preferencialmente, por meio das partes
translúcidas do veículo.
§ 2º O uso de armas de fogo por profissionais de segurança pública embarcados
em aeronave durante operações somente será permitido em casos de estrita
necessidade para a legítima defesa dos tripulantes, equipes terrestres e
população civil.
72
Uso Diferenciado da Força
Figura 41: Posição tática de tripulante operacional com a arma de fogo
Fonte: Imagem gerada por IA, 2025
O uso de arma de fogo a partir de aeronave é uma tática que visa conter ou impedir as
ameaças terrestres ou aéreas onde os PSPs embarcados e/ou em solo estejam em risco,
bem como, os cidadãos sob ameaças iminentes ou concretas.
Para esse procedimento é importante que o alvo esteja claramente identificado, que o
PSP tenha um ângulo de tiro seguro e coordenação com as equipes de solo.
Em eventos de acompanhamento tático a veículos existe a possibilidade de disparos na
parte do motor para inabilitar o seu funcionamento, quando a equipe dispunha de
munições específicas e posição de tiro adequada.
O art. 9º da Portaria MJSP nº 855/25 versa sobre os pontos a serem observados pelas
instituições de segurança pública ao criar as regulamentações para o emprego de arma
de fogo, a saber:
Toda instituição de segurança pública que tem dotação de arma de fogo destinada aos
seus servidores deve promover a habilitação para o seu uso seguro. Além disso, é
necessário que a cada novo modelo de arma ou novo calibre implementado na
instituição, sejam realizados treinamentos para a devida habilitação.
§ 3º O emprego de arma de fogo será restrito aos profissionais devidamente
habilitados.
https://www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-scoville-scale
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
73
Uso Diferenciado da Força
Essas circunstâncias devem visar a segurança, a legalidade e a eficiência operacional.
Os regulamentos devem ser detalhados e alinhados a legislação pátria e nas melhores
práticas de segurança, destacando as principais situações para o emprego da arma de
fogo, restrições, manejo com regras básicas de segurança, guarda e armazenamento
sem esquecer da guarda residencial em cofre próprio, responsabilização e fiscalização.
Adequar os regulamentos ao fim que cada órgão de segurança pública se destina
respeitando os aspectos técnicos, operacionais e jurídicos que os diferenciam uns dos
outros buscando um equilíbrio entre efetividade, legalidade e respeito aos direitos
fundamentais.
O registro e controle do emprego de armas de fogo, acessórios e munições são
fundamentais para garantir transparência, responsabilidade e conformidade legal nas
instituições de segurança pública. Quando os disparos são executados, os
procedimentos devem ser rigorosamente documentados e fiscalizados, apurando a
legalidade da ação e evitando abusos. 
É de bom alvitre que o regulamento encoraje a utilização de tecnologias para aprimorar
o controle como o uso de câmeras corporais, software de controle de entrada e saída de
armas e munições.
O cadastramento no Banco Nacional de perfis balísticos dos perfis balísticos das armas
dos órgãos de segurança pública, além de garantir maior eficiência e transparência nas
investigações, ainda asseguraram maior controle do uso e emprego do material balístico
dessas instituições. Do mesmo modo, o cadastramento das armas destinadas aos
Órgãos de Segurança Pública Estaduais, inclusive as armas de cautela pessoal dos
policiais nos Sistemas Nacionais de Controle de Armas de Fogo, SIGMA para armas da
polícia militar e SINARM para armas da polícia civil, representaria eficiência na
rastreabilidade e possibilidade de recuperação e identificação de armas subtraídas ou
desviadas das forças de segurança.
As circunstâncias adequadas para a sua utilização, manejo e guarda;
As peculiaridades técnicas, operacionais e jurídicas de suas atividades;
O registro e o controle de seu emprego, inclusive dos respectivos acessórios e
munições, especialmente quando disparos forem efetuados;
74
Uso Diferenciado da Força
As normas e regulamentações relativas à utilização de armas de fogo pelos
funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem incluir diretrizes que:
d. Regulamentem o controle, armazenamento e distribuição de armas de fogo e
prevejam nomeadamente procedimentos de acordo com os quais os funcionários
responsáveis pela aplicação da lei devam prestar contas de todas as armas e
munições que lhes sejam distribuídas;
f. Prevejam um sistema de relatórios de ocorrência,sempre que os funcionários
responsáveis pela aplicação da lei utilizem armas de fogo no exercício das suas
funções.
[...]
[...]
Princípio 11: Princípios Básicos sobre o Uso da Força e de
Armas de Fogo (PBUFAF)
As normas técnicas elaboradas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do
Ministério da Justiça e Segurança Pública;
Atualmente a SENASP tem três normas técnicas voltadas às armas de fogo
(pistolas, carabinas e fuzis, submetralhadoras). Estas normas estabelecem os
requisitos mínimos de qualidade e desempenho os quais são aplicáveis ao
fornecimento dessas armas, de forma a garantir a segurança, a qualidade e a
confiabilidade. A observância das normas técnicas visa aumentar a performance
operacional quando da utilização da ferramenta, resultando em potencial economia
e eficiência para a Administração Pública.
IMPORTANTE
Importante frisar que consoante a Portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública
nº 104/2020, para aquisições realizadas com recursos públicos oriundos do Orçamento
Geral da União, incluindo do Fundo Nacional de Segurança Pública, deverão observar as
Normas Técnicas Senasp.
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Uso Diferenciado da Força
Acesse o link para a NT-SENASP nº 001/2020 - Pistolas calibre 9x19 mm e
.40 S&W. Disponível em:
Acesse o link para a NT-SENASP n° 004/2021 - Armas Portáteis - Carabinas
e Fuzis de Emprego na Segurança Pública. Disponível em:
Acesso o link para a NT-SENASP nº 005/2022 - Armas Portáteis -
Submetralhadoras de emprego na segurança pública. Disponível em:
NT-SENASP nº 001/2020
NT-SENASP nº 005/2022
NT-SENASP n° 004/2021
SAIBA MAIS
O desenvolvimento de programas de capacitação, inclusive com a utilização de
equipamentos virtuais que simulem situações reais, sem prejuízo de exercícios
práticos de tiro;
A capacitação continuada é importante para aumentar a segurança e assertividade
do PSP. A capacitação no uso de armas de fogo deve combinar tecnologia de
simulação virtual imersiva e treinamento prático real, garantindo preparo técnico,
tomada de decisão sob pressão e redução de riscos. O treinamento em realidade
virtual imersiva permite a redução de custos e logística, feedback mais rápido do
procedimento, criar múltiplos cenários e ambientes controlados. Após as
simulações virtuais deve haver a transição para o campo real aplicando os
mesmos princípios em exercícios práticos.
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca/normas/normas-tecnicas-publicadas/nt-senasp-no-001-2020-pistolas-calibre-9x19-mm-e-40-s-w
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca/normas/normas-tecnicas-publicadas/nt-senasp-no-005-2022-armas-portateis-submetralhadoras-de-emprego-na-seguranca-publica
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca/normas/normas-tecnicas-publicadas/nt-senasp-no-004-2021
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Uso Diferenciado da Força
O estabelecimento de protocolos operacionais;
A adoção de protocolos operacionais claros e bem definidos para o uso de armas
de fogo é fundamental para garantir que a atuação do PSP seja legal, segura,
eficiente e proporcional. Esses protocolos servem como diretrizes técnicas que
orientam os PSPs em situações críticas, minimizando riscos, prevenindo abusos e
assegurando a legitimidade institucional.
Protocolos operacionais bem estruturados são a base de uma segurança pública
profissional, ética e eficaz. Eles protegem vidas, asseguram a legalidade e
fortalecem a confiança da sociedade nas instituições de segurança pública.
As instâncias de supervisão e suas responsabilidades, inclusive quanto ao
monitoramento dos incidentes;
Não deixar de prever na regulamentação do emprego de armas de fogo, uma
supervisão eficiente no nível interno de controle por meio das corregedorias,
ouvidorias, inspetorias e comissões de controle interno com vistas a apurar
possíveis excessos no uso da força e monitorar os incidentes envolvendo o
emprego de armas de fogo elucidando os fatos e imputando responsabilização
pelos desvios de conduta.
A periodicidade de realização da avaliação psicológica dos profissionais de
segurança pública.
A avaliação psicológica periódica dos profissionais de segurança pública é
essencial para garantir que estejam aptos física e mentalmente para o exercício da
função, especialmente devido à alta carga de estresse, exposição à violência e
risco de trauma psicológico.
Com estas observações sobre a elaboração de regulamentos voltados para o
emprego de arma de fogo, vimos a necessidade de estabelecer balizas claras para
que o PSP atenda o mandamento legal e preserve os direitos humanos.
Está proibido apontar a arma para as pessoas nos procedimentos de
abordagem?
A respeito do que está consignado no art. 10, II, da Portaria MJSP nº 855/25;
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Uso Diferenciado da Força
Não há uma proibição de se apontar a arma nos procedimentos de abordagem e sim
uma proibição de que estes procedimentos sejam vulgarizados, ou seja, o PSP aponta a
arma em todas as hipóteses de interação com o suspeito. O que se almeja é que esse
procedimento não vire uma rotina indiscriminada e sim uma ação fundamentada e
respaldada em critérios técnicos.
O PSP deve ter um bom discernimento para identificar as situações de perigo que
realmente exijam um estado de alerta maior e neste caso ele deverá tomar todas as
precauções para desencorajar uma possível reação violenta da pessoa abordada.
Em termos práticos, durante a verificação de segurança nos procedimentos de
abordagem, ou seja, quando estiverem realizando buscas de existência de arma de fogo
ou outro objeto que possa colocar em risco a vida dos profissionais de segurança
pública ou a terceiros, é válido apontar arma de fogo. Tão logo constatado que não
existem armas ou objetos, deve ser alterado a postura tática. A permanência sem
justificativa passa a se tornar excesso.
Disparar aleatoriamente ou a título de advertência não são considerados boas práticas
operacionais com arma de fogo e claramente são procedimentos vedados pela Portaria
MJSP nº 855/25.
Os disparos de advertência não são recomendados principalmente pela
imprevisibilidade de seus efeitos. Não podem ser considerados uma alternativa de
menor potencial ofensivo para dissuadir, intimidar ou alertar sobre o possível uso da
força letal, a não ser, para salvar pessoas inocentes expostas a iminente risco à vida,
onde por meio de uma rigorosa avaliação de riscos o PSP considere o disparo como
forma imediata e eficaz de salvar a vida.
“ Art. 10. Os profissionais de segurança pública não deverão:
[...]
II - apontar arma de fogo em direção a pessoas durante os procedimentos de abordagem
como prática rotineira e indiscriminada; e”
E o que se diz sobre os disparos de advertência?
78
Uso Diferenciado da Força
Na legislação brasileira os disparos de advertência são previstos, expressamente,
nocaso de medidas de persuasão adotadas pelo Comando de Defesa Aeroespacial
Brasileiro, através do Decreto 5.144/04, para aeronaves sem um plano de voo aprovado
e consideradas hostis, após tomadas medidas de averiguação e intervenção. Essas
medidas são executadas por pilotos e controladores de defesa aérea qualificados.
O Estado tem o dever de manter a integridade física dos detentos e custodiados em
seus estabelecimentos prisionais. A Constituição Federal impõe ao Estado essa
obrigação no Art. 5º, XLIX, onde assegura ao interno o respeito à integridade física e
moral. Como o Estado está custodiando essas pessoas, também nasce o dever de
protegê-las, sob pena de responder perante o instituto da responsabilidade objetiva (art.
37, § 6º, da CF).
Art. 10, § único, da Portaria MJSP nº 855/25:
Figura 42: Tucano da FAB em interceptação
Fonte: Poder Aéreo (2025)
“O emprego de arma de fogo em ambientes prisionais será restrito a situações de grave e
iminente ameaça à vida ou à integridade física de profissionais da segurança pública ou de
terceiros, não sendo recomendado durante rotinas de movimentação dos presos, salvo em
circunstâncias excepcionais, devidamenteautorizadas e justificadas pela autoridade
competente.”
Disparos de arma de fogo em ambiente prisionais
https://www.aereo.jor.br/2009/10/30/tucano-da-fab-abre-fogo-contra-aviao-do-trafico/
https://www.aereo.jor.br/2009/10/30/tucano-da-fab-abre-fogo-contra-aviao-do-trafico/
https://www.aereo.jor.br/2009/10/30/tucano-da-fab-abre-fogo-contra-aviao-do-trafico/
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Uso Diferenciado da Força
Quando se tratar de apenas movimentação de internos, o disparo, não encontra respaldo
legal por não haver justificativa de resposta proporcional.
Entretanto, quando da movimentação, revista com fundado receio de existência de arma
de fogo/armamento letal ou rebelião, entende-se que o uso da arma de fogo seja
empregado como RESPOSTA proporcional a AMEAÇA REAL a vida dos profissionais de
segurança pública ou terceiros envolvidos na ação.
A periodicidade para a renovação da habilitação para o uso da arma de fogo tem o
objetivo de garantir e manter a aptidão física, técnica e mental adequadas para garantir
um porte seguro e responsável por parte do PSP.
Os exames de cunho psicológicos visam avaliar a estabilidade e a capacidade de lidar
com situações de estresse, evitando riscos de uso inadequado da arma de fogo.
Enquanto os exames técnicos verificam a proficiência no manejo, conhecimentos das
diretrizes e legislações aplicáveis.
É importante evitar que pessoas que desenvolvem problemas psicológicos e/ou físicos
tenham a arma de fogo, pelo tempo em que estiverem sob tratamento e restrição
médica específica. Além disso, assegurar que os usuários estejam atualizados sobre as
mudanças legislativas sobre o assunto e que mantenham as habilidades práticas
necessárias para um bom emprego desse recurso faz necessário para evitar infortúnios
futuros.
Emprego da arma de fogo na rotina prisional
Periodicidade da renovação para habilitação no uso de arma de
fogo
A renovação da habilitação para uso de arma de fogo em serviço deve ser feita a
cada dois anos, após a aprovação nos exames técnicos e psicológicos
competentes (art. 11, Portaria MJSP nº 855/25)
80
Uso Diferenciado da Força
AULA 2 
Do emprego de instrumentos de menor
potencial ofensivo
De acordo com a redação da Portaria MJSP nº 855/25, Instrumentos de Menor Potencial
Ofensivo (IMPO) são artefatos projetados especificamente para minimizar os riscos de
causar mortes ou lesões permanentes.
São características do uso de IMPOs nas ações de segurança pública:
Figura 43: Instrumentos de menor potencial ofensivo
Fonte: acervo do conteudista (2025).
Promover uma intervenção proporcional;
Reduzir a probabilidade de causar lesões graves ou permanentes;
Preservar vidas.
1
2
3
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Uso Diferenciado da Força
Essa portaria tem como objetivo regulamentar o Decreto Federal nº 12.341/24 e
estabelecer diretrizes sobre o uso da força pelos profissionais de segurança pública,
com vistas a promover uma maior eficiência, transparência e valorização de suas
atividades.
“De acordo com o art. 13 e incisos, da Portaria MJSP nº 855, de 17 de janeiro de 2025,
“os órgãos de segurança pública deverão disponibilizar aos seus profissionais em
serviço, individualmente, no mínimo um instrumento de menor potencial ofensivo
específico de debilitação e um específico de incapacitação, bem como, equipamentos
de proteção individual necessários à sua atuação independente de portar ou não arma
de fogo (BRASIL, 2025).”
Artefatos capazes de reduzir temporariamente a capacidade de reação das pessoas,
diminuindo sua energia, vigor ou firmeza (art. 5º, IV, Portaria MJSP nº 855/25).
Artefatos que atuam diretamente no sistema nervoso, causando reações involuntárias
no organismo das pessoas fazendo com que percam o controle sobre seus atos (art. 5º,
V, Portaria MJSP nº 855/25).
Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo de
Debilitação
Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo de Incapacitação
DEBILITAR
Significa tirar ou perder a energia física ou a saúde; enfraquecer. Os instrumentos
considerados debilitantes baseiam-se principalmente no desconforto ou
inquietação, reduzindo a capacidade agressiva do indivíduo. São exemplos de
instrumentos de menor potencial ofensivo debilitantes as munições de impacto
controlado (munições de elastômero) e os espargidores lacrimogêneos
(inquietantes) (SENASP, 2023).
Pode ser entendido como tornar incapaz; inabilitar. Um instrumento de menor
potencial ofensivo incapacitante e aquele que atua diretamente no sistema
nervoso, causando reações involuntárias no organismo e fazendo com que a 
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf
82
Uso Diferenciado da Força
pessoa perca a possibilidade de controle sobre seus atos, a exemplo da arma
eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular. Assim, mesmo que haja dor ou
desconforto no uso desses instrumentos, a pessoa exposta não tem opção entre
continuar agindo ou cessar ação (SENASP, 2023).
Quando a Portaria MJSP nº 855 determina aos órgãos de segurança pública a
disponibilidade de, no mínimo, dois instrumentos de menor potencial ofensivo para cada
profissional de segurança pública em serviço, é possível que você pergunte se isso inclui
o recurso clássico de intervenção: o bastão policial. De acordo com pesquisas sobre
“armas não letais”, o bastão policial é reconhecido como “uma arma não letal
contundente”. 
Na verdade, a intenção do legislador, em que pese não excluir o bastão policial do rol
dos instrumentos de menor potencial ofensivo, é que o Estado oferte preferencialmente,
artefatos de tecnologia moderna, hábeis para minimizar os riscos de causar mortes ou
lesões permanentes quando utilizados corretamente.
O bastão policial deve ser reconhecido como um IMPO, especificamente de debilitação e
seu uso deve ser bem avaliado sopesando os recursos disponíveis, a ameaça a ser
enfrentada e o custo-benefício dos seus efeitos.
No caso da situação hipotética acima, se você optar pelo bastão policial, poderá fazer
cessar a ação conflitante, porém, se não tiver extrema cautela, poderá provocar efeito
colateral altamente danoso: um golpe com o bastão policial pode gerar uma alta energia
cinética. A utilização dessa força em um membro do corpo humano pode causar um
Sendo assim, podemos considerá-lo um IMPO?
Imagine que, durante seu trabalho, você se depara com uma situação de conflito.
Você dá a ordem para conter e pacificar a situação, mas encontra resistência
ativa com ameaça ou agressão de menor potencial ofensivo de algum envolvido.
Considerando que você efetuou uma tentativa de contenção através da força de
menor intensidade, suas alternativas agora são o emprego de um bastão policial
e uma arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular. Nesse caso, sua
tomada de decisão, considerando o emprego de força legítimo e proporcional,
seria a utilização de qual instrumento?
Veja a situação hipotética a seguir:
83
Uso Diferenciado da Força
efeito extremamente grave. Por outro lado, se o profissional optar pela arma
eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular, fará cessar o conflito e dificilmente
provocará um efeito colateral danoso, como no exemplo do bastão policial (SENASP,
2023).Assim, a escolha do instrumento vai depender da situação conflitante e do efeito
desejado naquela intervenção. Em um exemplo prático: caso você queira limitar ou
conter uma certa ação, utilizar instrumentos que são debilitantes talvez não traga o
resultado pretendido. Da mesma forma, se porventura houver necessidade de dissipar
uma ação de um grupo, a utilização de espargidores coletivos será muito mais efetiva do
que a utilização de um instrumento incapacitante. (SENASP, 2023)
Esses instrumentos que dão o suporte ideal para o momento da ação policial são
resultados do desenvolvimento de tecnologias mais eficazes, que proporcionam ao
servidor público alternativas táticas mais seguras, com o objetivo de preservar a
integridade física e a vida do cidadão infrator, assim como dos representantes do
Estado.
A Portaria MJSP nº 855/25 define Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO)
traz dois tipos: IMPOs de debilitação e IMPOs de incapacitação, que já foram
apresentados aqui neste curso.
Cabe agora definirmos e conhecermos as espécies de IMPOs, entendendo que IMPO é
gênero que contempla três espécies:
Para facilitar o nosso estudo, tomaremos de empréstimo trechos importantes
abordados no curso de instrumentos de menor potencial ofensivo da SENASP, com
algumas adaptações.
Espécies de instrumentos de menor potencial ofensivo
de menor potencial ofensivo
de menor potencial ofensivo
de menor potencial ofensivo
Armas
Munições
Equipamentos
84
Uso Diferenciado da Força
Atualmente, não existem definições legais claras do que seriam as armas, munições e
equipamentos de menor potencial ofensivo. Diante disso, para preencher essa lacuna,
apresentaremos definições consagradas tecnicamente no meio da segurança pública,
que abrangem os aspectos do uso da força de forma específica. 
Em relação à classificação dos instrumentos de menor potencial ofensivo, recorremos à
classificação estipulada pelo Exército Brasileiro, que figura como órgão controlador
desses artefatos, através da Portaria nº 118 – COLOG, de 04 de outubro de 2019, que
dispõe sobre a lista de Produtos Controlados pelo Exército e dá outras providências. 
Na portaria, o órgão controlador criou uma tabela onde classifica os produtos por tipo de
PCE, grupo de PCE, Nº de ordem, Nomenclatura do produto e complemento. Os
instrumentos de menor potencial ofensivo estão classificados como tipo de PCE
“menos-letais” e subdivididos em três grupos, a saber: arma, munição e equipamento. 
São armas projetadas e empregadas, especificamente, para conter, debilitar ou
incapacitar temporariamente pessoas, minimizando os riscos de causar mortes ou
lesões permanentes.
Observe que as armas devem ser projetadas para alcançar os objetivos traçados dentro
do uso diferenciado da força.
Dentre as armas projetadas e/ou empregadas para uma ação proporcional, temos a
arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular.
Armas de Menor Potencial Ofensivo
Figura 44: Arma eletroeletronica
Fonte: Taser 10, 2025.
https://www.axon.com/pt-br/products/taser-10
85
Uso Diferenciado da Força
São munições projetadas e empregadas, especificamente, para conter, debilitar ou
incapacitar temporariamente pessoas, minimizando os riscos de causar mortes ou
lesões permanentes. 
As munições de impacto controlado, os projéteis de emissão (granadas projetadas por
artefato próprio) e os dardos das armas eletroeletrônicas são exemplos de munições de
menor potencial ofensivo.
Munições de menor potencial ofensivo
Figura 45: Munição de impacto controlado
Figura 46: Granada projetada por artefato próprio
Fonte: acervo do conteudista, 2025.
Fonte: acervo do conteudista, 2025.
86
Uso Diferenciado da Força
Todos os artefatos que realizam a contenção, debilitação ou incapacitação temporária
da pessoa, com exceção das armas e munições, são equipamentos de menor potencial
ofensivo.
Temos o exemplo dos espargidores lacrimogêneos (Portaria 118 – COLOG), redes de
captura e a plataforma de emissão sonora (quando empregada na função
“comunicação”).
Equipamentos de menor potencial ofensivo
Figura 47: Espargidor lacrimogêneo
Figura 48: Plataforma de emissão sonora
Fonte: Acervo do conteudista, 2025.
Fonte: www.abc.net.au/news/2016-10-08/the-sound-of-fear/913512 (2016).
https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html
https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html
https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html
https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html
https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html
https://socialistworker.org/2014/12/16/armed-occupation-inside-the-empire
https://socialistworker.org/2014/12/16/armed-occupation-inside-the-empire
https://socialistworker.org/2014/12/16/armed-occupation-inside-the-empire
https://socialistworker.org/2014/12/16/armed-occupation-inside-the-empire
87
Uso Diferenciado da Força
É importante ressaltar que existe uma diferença entre equipamentos de menor
potencial ofensivo com os equipamentos de proteção. Os equipamentos de
proteção são destinados à redução de riscos à integridade física ou à vida
profissionais de segurança pública. Assim, temos o exemplo dos equipamentos de
proteção individual (EPIs) e os equipamentos de proteção coletiva (EPCs), como
capacetes, joelheiras e veículos blindados. (SENASP, 2023).
Todas as espécies de IMPOs apresentadas são utilizadas como alternativas táticas nas
ações de segurança pública, pois, como já dito, possuem um efeito menos danoso às
pessoas envolvidas. Por isso, discutir as especificidades de cada instrumento facilita a
tomada de decisão no momento da sua ação, e todas as escolhas envolvidas durante o
uso dos IMPOs relacionam-se diretamente com o conceito de técnicas de menor
potencial ofensivo.
Técnicas de menor potencial ofensivo podem ser entendidas como o conjunto de
procedimentos empregados em intervenções, onde seja imperiosa a aplicação da força,
com o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo, objetivando minimizar os
riscos de causar mortes ou lesões permanentes.
Em outras palavras, o processo que envolve a decisão do uso dos instrumentos de
menor potencial ofensivo (quais utilizar e quando utilizar) e sobre como serão feitas as
intervenções é o que resume uma técnica de menor potencial ofensivo.
IMPORTANTE
As armas, munições e equipamentos de menor potencial ofensivo, podem se
enquadrar nos tipos de habilitação ou incapacitação, a depender dos principais
efeitos causados no ser humano.
Técnicas de menor potencial ofensivo não se confundem com IMPO, enquanto
este é o recurso/meio de se empregar a força, àquelas são a forma de empregá-
los. O art. 12, § 1º, da Portaria MJSP nº 855/25, traz que o emprego de técnicas e
instrumentos de menor potencial ofensivo será restrito aos profissionais
devidamente habilitados e deve ser priorizado, sempre que possível e
operacionalmente adequado, não estando restrito às unidades especializadas.
SAIBA MAIS
88
Uso Diferenciado da Força
IMPORTANTE
É importante lembrar que as técnicas de menor potencial ofensivo não são as
técnicas de mãos livres, utilizadas como defesa pessoal (controle de braços e
mãos). Tanto as técnicas de menor potencial ofensivo quanto as técnicas de
mãos livres possuem efeitos colaterais mínimos e são intervenções menos
graves. Ainda assim, a técnica de menor potencial ofensivo requer,
necessariamente, o emprego de um IMPO. (SENASP, 2023).
De igual maneira que foi estabelecido para as armas de fogo, a Portaria MJSP nº
855/25, determina aos órgãos de segurança pública, quando da regulamentação do
emprego de IMPOs, observar os seguintes aspectos:
Da regulamentação do emprego dos Instrumentos de Menor
Potencial Ofensivo(IMPO)
Essas circunstâncias devem visar a segurança, a legalidade, eficiência
operacional e o uso diferenciado da força. Os regulamentos devem ser
detalhados e alinhados aos principais diplomas internacionais sobre uso da
força, à legislação pátria e nas melhores práticas de emprego menos gravoso,
destacando as principais situações para o emprego dos IMPOs, restrições,
manejo com regras básicas de segurança, guarda e armazenamento,
responsabilização e fiscalização.
Adequar os regulamentos ao fim que cada órgão de segurança pública se destina
respeitando os aspectos técnicos, operacionais e jurídicos que os diferenciam
uns dos outros buscando um equilíbrio entre efetividade, legalidade e respeito
aos direitos fundamentais.
As circunstâncias adequadas para a sua utilização, manejo e guarda;
As peculiaridades técnicas, operacionais e jurídicas
de suas atividades;
89
Uso Diferenciado da Força
Estabelecer situações de forma exemplificativa onde o emprego de instrumentos
de menor potencial ofensivo pode anteceder o emprego de qualquer outra opção
de força deve ser o pilar para o uso diferenciado da força, sem, contudo, restringir
a intervenção do PSP a esses meios e sim induzir à sua priorização.
O registro e controle dos instrumentos de menor potencial ofensivo são
fundamentais para garantir transparência, responsabilidade e conformidade legal
nas instituições de segurança pública. Todo IMPO que for disponibilizado ao
profissional de segurança pública para o uso deve ser registrado em seu nome
para fins de controle e individualização do emprego, sem prejuízo de outras
medidas a critério e especificidades de cada órgão de segurança pública.
A SENASP, por meio do Programa Nacional de Normalização e Certificação de
Produtos de Segurança Pública – Pró-Segurança, tem elaborado normas técnicas
voltadas para os instrumentos de menor potencial ofensivo. Estas normas
estabelecem os requisitos mínimos de qualidade e desempenho os quais são
aplicáveis ao fornecimento dos IMPOs, de forma a garantir a segurança, a
qualidade e a confiabilidade. Atualmente, existem quatro normas técnicas sobre
IMPO:
NT – SENASP 002/2020 (Armas eletroeletrônicas de incapacitação
neuromuscular)
NT – SENASP 007/2023-1 (Granadas policiais – explosivas)
NT – SENASP 007/2023-2 (Granadas policiais – não explosivas)
NT – SENASP 007/2023-3 (Granadas policiais – de lançamento por artefato
próprio)
As situações em que o uso de instrumentos de menor potencial
ofensivo será recomendado em detrimento de outros equipamentos;
A necessidade de registro e controle dos
instrumentos de menor potencial ofensivo;
As normas técnicas da Secretaria Nacional de Segurança Pública
do Ministério da Justiça e Segurança Pública;
90
Uso Diferenciado da Força
Conheça as normas técnicas disponível em:
Normas Técnicas
SAIBA MAIS
A observância das normas técnicas visa aumentar a performance operacional quando
da utilização da ferramenta, resultando em potencial economia e eficiência para a
Administração Pública.
Importante frisar que consoante a Portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública
nº 104/2020, para aquisições realizadas com recursos públicos oriundos do Orçamento
Geral da União, incluindo do Fundo Nacional de Segurança Pública, deverão observar as
Normas Técnicas Senasp.
A adoção de protocolos operacionais claros e bem definidos para o uso de
IMPOs é fundamental para garantir que a atuação do PSP seja legal, segura,
eficiente e proporcional. Esses protocolos servem como diretrizes técnicas que
orientam os PSPs em situações críticas, minimizando riscos, prevenindo abusos
e assegurando a legitimidade institucional.
Protocolos operacionais bem estruturados são a base de uma segurança pública
profissional, ética e eficaz. Eles protegem vidas, asseguram a legalidade e
fortalecem a confiança da sociedade nas instituições de segurança pública.
Não deixar de prever na regulamentação do emprego dos IMPOs, uma supervisão
eficiente no nível interno de controle por meio das corregedorias, ouvidorias,
inspetorias e comissões de controle interno com vistas a apurar possíveis
excessos no uso da força e monitorar os incidentes envolvendo o emprego de
IMPO elucidando os fatos e imputando responsabilização pelos desvios de
conduta.
O estabelecimento de protocolos operacionais;
As instâncias de supervisão e suas responsabilidades, inclusive
quanto ao monitoramento dos incidentes;
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca/normas/normas-tecnicas-publicadas/nt-senasp-no-007-2023-1-granadas-policiais-explosivas
91
Uso Diferenciado da Força
AULA 3
Do gerenciamento de crise
Figura 49: Atuação da equipe de negociadores policiais
Fonte: www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-
diplomatas-do-caos , 2016.
3.1. Crise - Conceito
3.2. Gerenciamento de crises - Conceito
Considera-se crise todo o fenômeno complexo e não rotineiro, de diversas origens,
caracterizado por um estado de grande tensão, com elevada probabilidade de
agravamento e risco de sérias consequências à ordem pública, incolumidade das
pessoas e do patrimônio, e que exija uma resposta especial, imediata e multissetorial
dos órgãos de segurança pública, compreendendo, ainda, o contexto do Sistema de
Segurança local e demais agências estatais, cujas atribuições tenham repercussão
direta ou indireta no evento crítico (PMDF, Portaria nº 1.196/21, com adaptações).
O gerenciamento de crises nas ações de segurança pública é um processo estratégico e
coordenado. Visa controlar situações de alto risco, como tomada de reféns, ataques
terroristas, motins ou até mesmo desastres naturais, garantindo a segurança pública e
minimizando danos. Envolve planejamento prévio, comunicação eficaz, tomada de
decisão rápida e ações táticas especializadas, sempre alinhadas aos direitos humanos e
ao Estado Democrático de Direito.
https://www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-diplomatas-do-caos
https://www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-diplomatas-do-caos
https://www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-diplomatas-do-caos
https://www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-diplomatas-do-caos
É notório que cada órgão de segurança pública tem a sua autonomia administrativa,
operacional e doutrinária para gerir o seu bom funcionamento e decidir sobre a melhor
forma de atuação.
 A Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP, disponibiliza normas e manuais
para qualquer órgão integrante do Sistema Único de Segurança Pública – Susp adotar
ou referenciar nos respectivos protocolos, com intuito de auxiliar nessa construção
doutrinária, legal e procedimental, especificamente sobre o gerenciamento de crises nas
ações de segurança pública temos consignados no art. 14 e incisos, da Portaria MJSP
nº 855/25 alguns parâmetros que deverão ser observados na construção de
regulamentações sobre esse tipo de evento.
Senão, vejamos:
92
Uso Diferenciado da Força
Os órgãos de segurança pública, como principais estruturas de resposta, devem integrar
inteligência, negociação e operações táticas para resolver crises com equilíbrio entre
autoridade e proporcionalidade. A capacitação contínua e a colaboração com outras
instituições são essenciais para assegurar respostas ágeis e eficientes, preservando
vidas e a ordem pública.
3.3. Dos Parâmetros para regulamentação das ações
de gerenciamento de crises 
Expressão do princípio geral da precaução o planejamento estratégico das operações
de gerenciamento de crises é requisito obrigatório e fator crítico de sucesso, afastando
a possibilidade de danos, otimizando os recursos públicos e evitando o uso inadequado
da força.
Planejar estrategicamente as operações, considerando os diversos cenários, as
informações de inteligência e análise de riscos, para minimizar ou mitigar os
danos e o uso inadequado da força
Documentar os procedimentos, preferencialmente por meio de câmeras
corporais, de acordo com a Portaria MJSP nº 648, de 28 de maio de 2024
93
Uso Diferenciado da Força
Figura 50: Câmeracorporal utilizada para registro de
interações entre policiais e cidadãos
Fonte: https://www.axon.com/products/axon-body-4 , 2025.
A câmera corporal é um dispositivo portátil que capta registros audiovisuais das
interações com o ambiente e com outras pessoas e que se acoplam aos uniformes dos
profissionais de segurança pública.
Dentre outros objetivos, o uso de câmeras corporais visa incrementar a proteção dos
direitos e garantias dos profissionais de segurança pública e dos cidadãos, bem como
qualificar a produção de provas materiais, resguardando a cadeia de custódia a partir de
registros audiovisuais. Diante disso, utilizando de maneira adequada essa ferramenta, os
órgãos de segurança pública poderão gerenciar melhor o cenário da crise e compilar
dados audiovisuais para estudos de caso, aprimoramento de técnicas e documentação
efetiva e fidedigna das ocorrências dessa natureza.
diz que o repasse de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do
Fundo Penitenciário Nacional para a implementação ou a ampliação de projetos
de câmeras corporais para os órgãos de segurança pública dos Estados, do
Distrito Federal e dos Municípios está condicionado à observância das diretrizes
nela estabelecidas.
Art. 2º, da Portaria MJSP nº 648/24
Trata-se do monitoramento e supervisão dinâmica nas operações de gerenciamento de
crises. O monitoramento constante da operação requer, preferencialmente, a utilização
Monitorar e supervisionar continuamente as operações, realizando ajustes
táticos em tempo real para garantir a legalidade e a eficácia da intervenção
94
Uso Diferenciado da Força
de sistemas de comunicação, câmeras, drones e inteligência para acompanhar o
desenrolar da operação, permitindo uma visão estratégica do cenário, pois a dinâmica
de uma crise exige adaptação rápida. Os gerentes da crise devem reavaliar
constantemente as estratégias, reposicionando equipes, alterando abordagens ou
suspendendo ações caso novos riscos surjam.
Os ajustes táticos em tempo real permitem correções instantâneas, como reforço de
equipes, evacuação de civis ou mudança de táticas de negociação, aumentando as
chances de sucesso sem violações de direitos.
Registrar todas as fases da operação por meios idôneos respaldados em protocolos,
preferencialmente, com o apoio do uso de câmeras corporais, conforme a Portaria
MJSP nº 648/24. 
Os registros e justificativas são recomendações de espectro internacional provenientes
do princípio da prestação de contas, constante em diplomas das Nações Unidas sobre o
uso da força. Esse princípio, em virtude do Direito Internacional dos Direitos Humanos e
dos Princípios Internacionais sobre o Uso da Força, obriga os Estados a garantir que os
profissionais de segurança pública prestem conta dos seus atos, incluindo todas as
decisões de se utilizar a força. Sugere-se que para uma maior eficiência na prestação de
contas por parte dos PSPs, que os órgãos de segurança pública estabeleçam
mecanismos internos voltados à prestação de contas das ações em segurança pública
suficientemente independentes e eficazes.
Registrar e justificar as ações e as decisões tomadas durante as operações
No gerenciamento de crises, a adoção de alternativas táticas é essencial para reduzir a
tensão da crise, preservar vidas e garantir a legitimidade da ação de segurança pública.
Além disso, a consciência situacional e a comunicação eficaz são fundamentais para
desarmar tensões antes que evoluam para cenários críticos. Essas alternativas devem
priorizar as soluções pacíficas sempre que possível.
O parágrafo único, art. 15, da Portaria MJSP nº 855/25, traz que:
3.4. Breves recomendações sobre o uso de
alternativas táticas no gerenciamento de crises
95
Uso Diferenciado da Força
O uso das alternativas táticas no gerenciamento de crises considerará a
negociação como a principal alternativa.
Preliminarmente, no gerenciamento de crises, é importante estabelecer um vínculo de
confiança com o causador do evento crítico, sempre que possível, sendo de suma
importância a figura do negociador, encarregado pela negociação policial.
A negociação se enquadra nos objetivos consignados em diplomas internacionais sobre
o uso da força, como consubstancia o princípio básico de número 4, dos Princípios
Básicos sobre o Uso da Força e Arma de Fogo (PBUFAF), adotado no 8º Congresso das
Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e Tratamento dos Infratores, realizado em
Havana, Cuba, em setembro de 1990:
Figura 51: Equipe especializada em negociação policial
Fonte: Acervo do conteudista, 2025.
“4. No cumprimento das suas funções, os responsáveis
pela aplicação da lei devem, na medida do possível, aplicar
meios não-violentos antes de recorrer ao uso da força e
armas de fogo. Quando o uso da força for inevitável, eles
devem utilizá-la de forma moderada e progressiva, em
conformidade com a gravidade da ameaça e com os
objetivos legítimos a serem alcançados.” (grifamos)
96
Uso Diferenciado da Força
Neste entendimento, a negociação é uma alternativa tática não-violenta.
A negociação tem o propósito de influenciar comportamentos, aliviando a tensão da
crise criando uma atmosfera ideal para as tratativas e acordos, visando o desfecho
pacífico do conflito. O causador do evento crítico deve render-se pacificamente aos
argumentos do negociador. Por essas razões, a negociação é a alternativa tática de
maior aceitabilidade social e legal.
O uso de ferramentas como matrizes de risco e protocolos de tomada de decisão em
tempo real ajuda a padronizar avaliações, assegurando que a força seja aplicada apenas
quando estritamente necessária e na intensidade adequada.
A aplicação do uso diferenciado da força deve se basear numa avaliação criteriosa do
nível da ameaça (presença de armas e intenção do causador do evento crítico), contexto
operacional (ambiente, condições de visibilidade, presença de populares etc.), fatores
humanos (estado emocional do causador do evento crítico, uso de substâncias
psicoativas), alternativas disponíveis (possibilidade de negociação ou contenção tática,
uso de IMPOs ou uso da força letal).
A necessidade e a mensuração do risco da adoção de medidas de uso
diferenciado da força
AULA 4
Da busca pessoal e domiciliar
Figura 52: Procedimento de busca domiciliar
Fonte: www.thebelltowertimes.com/category/true-ish-cime (2024).
97
Uso Diferenciado da Força
4.1. Introdução
4.2. Dos Parâmetros para regulamentação da busca
pessoal e domiciliar pelos órgãos de segurança
pública
A busca pessoal e domiciliar são procedimentos policiais essenciais para a prevenção e
repressão do crime, investigação criminal e garantia da ordem pública, previstos
constitucionalmente e regulamentados pelo Código de Processo Penal (CPP). Enquanto
a busca pessoal consiste na revista a um indivíduo para localizar objetos ilícitos ou
provas de um crime, a busca domiciliar se refere à entrada e vistoria em residências ou
locais privados, mediante autorização judicial ou em situações excepcionais (flagrante
delito, risco iminente ou consentimento do morador).
A busca pessoal e domiciliar são procedimentos delicados, pois envolvem os direitos
individuais e a inviolabilidade do lar (art. 5º, XI, CF/88). Para que sejam válidas, devem
seguir parâmetros legais e protocolos rigorosos que orientem a conduta do profissional
de segurança pública para preservação dos direitos humanos e proteção do patrimônio.
Figura 53: Realização de busca pessoal em ação operacional
Fonte: www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-
pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters , 2020.
Veja a seguir os parâmetros para a busca pessoal, elegidos no art. 16, da Portaria MJSP
nº 855/25:
https://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters
https://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters
https://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protestershttps://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters
https://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters
98
Uso Diferenciado da Força
A obrigação de informar às pessoas os motivos da busca e seus direitos é um requisito
essencial para garantir a legalidade, transparência e respeito aos direitos fundamentais,
conforme previsto na Constituição Federal (CF/88), no Código de Processo Penal (CPP)
e em normas internacionais de direitos humanos.
 Informar às pessoas submetidas à medida as razões que a motivaram,
esclarecendo os seus direitos, de forma clara e compreensível
Código de Processo Penal — Art. 240, §2º - “A autoridade deve comunicar o
motivo da busca pessoal.” > > (Código de Processo Penal, Art. 240, §2º —
Brasil)
Disponível em:
Lei de Abuso de Autoridade — Lei nº 13.869/2019 > Omissão de informação
pode configurar abuso, sujeitando o autor a sanções.
Disponível em:
Decreto nº 678, de 6 de novembro de 1992 - Pacto de San José da Costa
Rica — Convenção Americana de Direitos Humanos (Art. 8º) - Garante o
direito à informação e o direito de defesa como fundamentos essenciais da
Justiça.
Disponível em:
Código de Processo Penal
Lei nº 13.869/2019
Decreto nº 678
SAIBA MAIS
https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10659440/paragrafo-2-artigo-240-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/l13869.htm
https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109746/decreto-678-92
99
Uso Diferenciado da Força
A busca pessoal, como medida de investigação ou prevenção, deve sempre respeitar o
princípio da proporcionalidade e da mínima invasividade, garantindo o equilíbrio entre a
necessidade policial e os direitos fundamentais do indivíduo.
Da invasividade
Alguns procedimentos que podem tornar a busca pessoal excessivamente invasiva:
Expressão fidedigna do princípio da PROPORCIONALIDADE, onde o nível da força
utilizado deve ser compatível com a gravidade da ameaça apresentada pela conduta das
pessoas envolvidas e os objetivos legítimos da ação do profissional de segurança
pública.
A força só é legítima quando estritamente necessária e proporcional, sempre visando
proteger vidas e garantir a eficácia da ação de segurança pública sem violar os direitos
humanos.
Estabelecer que o procedimento seja o menos invasivo possível, de modo a
minimizar constrangimentos
Limitar ao mínimo necessário o uso da força, que deverá ser proporcional à
resistência apresentada pela pessoa
A revista que envolve toque em partes intimas sem justificativa clara e
realizada por PSP de sexo biológico diverso da pessoa abordada, quando
possível e seguro de que o procedimento possa ser realizado por PSP do
mesmo sexo biológico da pessoa abordada;
Os que exijam a retirada de roupas além do razoável, salvo em casos
extremos, como suspeita de ocultação de drogas em orifícios corporais;
Aqueles que caracterizam o crime de invasão de dispositivos
telemáticos.
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2
3
IMPORTANTE
100
Uso Diferenciado da Força
O registro da identidade da pessoa revistada e das razões que justificaram a busca
pessoal é um requisito legal essencial para garantir transparência, controle da atividade
do profissional de segurança pública e proteção contra abusos. Esse registro pode ser
feito de forma escrita ou eletrônica, por meio de sistemas próprios para se evitar a perda
de dados, com as informações das pessoas que passaram pelo procedimento, as
razões, podendo fazer referência a uma Ordem de Serviço/Operações e a identificação
dos PSPs responsáveis pela revista.
Tal procedimento visa, principalmente, evitar as buscas pessoais arbitrárias, garantir o
direito de defesa do cidadão abordado e garantir a rastreabilidade para fins de
investigações administrativas e judiciais.
A recusa em fornecer dados de identificação civil, quando solicitados justificadamente
por autoridade competente, é considerada uma contravenção penal no Brasil, conforme
o art. 68, da Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/41) e passível de multa. 
É importante não confundir esse registro da pessoa abordada com a identificação
criminal, prevista na Lei nº 12.037/09.
Registrar a identidade da pessoa revistada e as razões para a realização do
procedimento
O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses
previstas em lei. (Art. 5º, LVIII, da CF).
 Art. 3º., da Lei nº 12.037/09
101
Uso Diferenciado da Força
Fonte: Copilot IA, 2025.
A utilização das câmeras corporais são instrumentos de apoio necessários para a
documentação do ocorrido em ações de segurança pública, principalmente, por permitir
a apresentação dos fatos pela perspectiva dos PSPs.
Documentar os procedimentos, preferencialmente por meio de câmeras
corporais de acordo com a Portaria MJSP nº 648, de 28 de maio de 2024.
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/PORTARIA648de2024.pdf
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/PORTARIA648de2024.pdf
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/PORTARIA648de2024.pdf
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/PORTARIA648de2024.pdf
102
Uso Diferenciado da Força
Figura 54: Câmera corporal para registro de ações de segurança pública
Fonte: Axon Enterprise Inc, 2025.
Da exceção do registro individual
Agora, veja os parâmetros para a busca domiciliar, elegidos no art. 17, da Portaria MJSP
nº 855/25:
Informar os motivos e direitos durante uma busca domiciliar não é mera formalidade,
mas garantia de justiça e transparência. A clareza na comunicação reduz conflitos,
aumenta a legitimidade da ação de segurança pública e evita judicializações
desnecessárias.
A comunicação deve ser clara, objetiva e em termos inteligíveis que deve
obrigatoriamente abordar:
Informar à pessoa as razões da medida esclarecendo os seus direitos, de forma
clara e compreensível
Art. 16, § 1º, da Portaria MJSP nº 855/25:
“Excepcionalmente, o registro individualizado poderá deixar de ser feito, de forma
justificada, em situações de controle de multidões e ou de acompanhamento de
eventos em que a quantidade de pessoas impossibilite a sua realização.”
103
Uso Diferenciado da Força
A motivação da busca domiciliar: explicação sucinta dos motivos que
justificam a medida;
Informar os direitos do cidadão: direito a permanecer calado (art. 5º,
LXIII, CF/88); direito a um advogado (art. 5º, LXIV, CF/88); direito de
solicitar a identificação dos agentes (art. 5º, XXXIV, 'a', CF/88); direito de
registrar a ocorrência (cópia do termo de busca domiciliar); direito de
recorrer (se julgar a busca abusiva);
Promover a acessibilidade: se a pessoa presente no domicílio for surda,
analfabeta ou não falar português, deve-se ter um apoio técnico de
intérprete, linguagem de sinais e/ou uso de ilustrações simplificadas para
facilitar a comunicação.
1
2
3
A busca domiciliar deve ser cautelosa e respeitar a propriedade privada e a dignidade da
pessoa humana.
Minimizar qualquer dano à pessoa ou à propriedade, garantindo que o
procedimento seja o menos invasivo possível
A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem
consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou
para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial.
Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada.
Constituição Federal (art. 5º, XI)
Código de Processo Penal (Art. 245, §2º, CPP)
104
Uso Diferenciado da Força
Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do
ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas
condições, sem determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei.
Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019, Art. 22)
Algumas medidas para minimizar danos na
busca domiciliar:
1
2
3
4
Planeje a sua ação realizando aconfirmação dos dados como endereço, se a
suspeita é fundamentada e a pessoa que detém a posse ou propriedade do
imóvel;
Utilize a inteligência policial para levantar informações fidedignas evitando
buscas aleatórias;
A comunicação do procedimento deve ser clara apresentando e lendo o mandado,
explicar o que será revistado e por quê;
Usar técnicas de negociação, evitando a força excessiva.
105
Uso Diferenciado da Força
Utilize métodos não-destrutivos para busca, priorizando a revista visual antes de remover
as coisas, usar ferramentas não-invasivas como lanternas e espelhos de inspeção, evitar
quebra de paredes e pisos sem fortes indícios e etc.Além desses procedimentos,
recomenda-se a gravação da busca domiciliar em vídeo para comprovar a moderação e
arrolar testemunhas.
A força só é legítima quando estritamente necessária e proporcional, sempre visando
proteger vidas e garantir a eficácia da ação de segurança pública sem violar os direitos
humanos.
Considere as mesmas orientações tratadas no parâmetro idêntico referente à busca
pessoal.
A obtenção da autorização de entrada no domicílio dever ser sem coação do profissional
de segurança pública, que deverá identificar-se e explicar os motivos da busca
informando os direitos do cidadão que detém a posse ou propriedade do imóvel. São
entendidas como boas práticas, em que pese não haver obrigatoriedade, o registro por
meio de termo de consentimento assinado e/ou gravação em áudio e vídeo, como
recomenda a Portaria MJSP nº 648/24.
Expressão do princípio da NÃO DISCRIMINAÇÃO onde os profissionais de segurança
pública devem atuar de forma não discriminatória, sem preconceitos de raça, etnia, cor,
gênero, orientação sexual, idioma, religião, nacionalidade, origem social, deficiência,
situação econômica, opinião política ou de outra natureza.
Limitar ao mínimo necessário o uso da força
Registrar a identidade das pessoas objeto da medida e a dos demais residentes
ou presentes, bem como as razões que a motivaram
Obter e registrar o consentimento do residente, na hipótese de inexistência de
mandado judicial, que deverá ser voluntário e livre de qualquer constrangimento
ou coação, exceto em caso de flagrante
Promover ações no sentido de conscientizar os profissionais de segurança
pública para que observem a imparcialidade e a legalidade e evitem
comportamentos abusivos ou preconceituosos
106
Uso Diferenciado da Força
Faz necessário o complemento com o princípio geral da LEGALIDADE onde o uso da
força e de instrumentos de menor potencial ofensivo somente poderá ocorrer para a
consecução de um objetivo legal e nos estritos limites da lei.
O uso de algemas pelos profissionais de segurança pública é um tema importante que
envolve o equilíbrio entre segurança dos PSPs, eficácia da ação de segurança pública e
direitos fundamentais.
Instrumentos de contenção são uma ferramenta de aplicação da lei penal e um meio de
coerção. Como tal, vale recordar que o Código de Conduta para os Funcionários
Responsáveis pela Aplicação da Lei da ONU assevera que os agentes de segurança
estão obrigados a “respeitar e proteger a dignidade humana, manter e apoiar os direitos
humanos de todas as pessoas". Qualquer uso de algemas ou outros instrumentos de
contenção deve cumprir os parâmetros e princípios internacionais de uso de força. Isso
significa que seu uso deve ser excepcional e proporcional, e limitado a casos de
gravidade, urgência e necessidade, como último recurso depois de terem sido esgotadas
previamente as demais vias disponíveis, e pelo tempo e na medida indispensáveis para
garantir a segurança (Conselho Nacional de Justiça, 2020).
AULA 5
Do uso de algemas
Figura 55: Algemas metálicas empregadas em ações operacionais
Fonte: Copilot IA (2025).
107
Uso Diferenciado da Força
Em âmbito nacional, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu parâmetros estritos para o
uso de instrumentos de contenção em decisão vinculativa ao Poder Judiciário e aos três
níveis de governo. A Súmula Vinculante nº 11, de 22 de agosto de 2008, determina que:
Trata-se da principal base normativa sobre o uso de algemas ou outros instrumentos de
contenção em vigor no Brasil. Seu escopo envolve as audiências judiciais, porém
ultrapassa o âmbito estritamente judiciário e tem incidência também sobre o uso de
algemas no contexto de detenções policiais, espaços de privação de liberdade, entre
outros. (CNJ, 2020).
“Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de
perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a
excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do
agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem
prejuízo da responsabilidade civil do Estado.”
5.1. Dos Parâmetros para regulamentação do uso de
algemas pelos órgãos de segurança pública
Não conflitando com a Súmula Vinculante nº 11, os órgãos de segurança públicas ao
regulamentar o uso de algemas deverão observar, no mínimo:
Considerar as peculiaridades técnicas, as competências constitucionais e as
atividades de cada órgão de segurança pública no emprego do uso de algemas
Figura 56: Algemas e os limites legais do uso da força
Fonte: Conselho Nacional de Justiça, 2025.
https://www.direitonews.com.br/2022/04/cnj-internacional-manual-uso-algemas-tribunais.html
Preliminarmente, respaldados nas legislações e orientações de regência já apontadas
neste curso, os PSPs sempre decidirão pelo emprego da algema para garantir a
integridade física de todos os envolvidos e aqueles que potencialmente possam ser
abrangidos pela conduta do cidadão infrator. Para que o PSP possa garantir uma
segurança pública de qualidade, ele próprio deve se sentir seguro.
Observar com rigor a necessidade de aplicação de algemas ou outro instrumento de
contenção para não atentar contra a inviolabilidade corporal, com especial atenção às
gestantes e pessoas com necessidade especiais.
Garantir que o emprego seja feito com a devida avaliação da necessidade para que o uso
deliberado não possa ferir o princípio da presunção de inocência e o princípio da não
autoincriminação.
Tais cuidados visam afastar a ocorrência de constrangimentos ilegais, nulidades de
provas e indenizações por danos morais.
108
Uso Diferenciado da Força
Sempre que possível, como boas práticas de perícia criminal, antes ou
durante a prisão do suspeito de disparos de arma de fogo, para que o uso
de algemas seja feito após a coleta dos resíduos ou, se necessária a
colocação de algemas, que seja feita preservando o dorso das mãos.
SAIBA MAIS
Adotar procedimentos operacionais que garantam a segurança do profissional
de segurança pública e que estejam em consonância com os direitos
fundamentais da pessoa abordada
A observância desses três eixos fundamentais auxilia na construção do escopo de uso
pelo perfil institucional, porém não deve ser estanque, permitindo liberdade ao uso
conforme necessidade operacional de cada órgão, especialmente por se tratar de
equipamento orgânico inerente a todas as instituições de segurança pública.
A necessidade operacional deve identificar o risco real, conforme orientação sumular da
Suprema Corte, podendo ser complementada pelo Manual de Uso de Algemas e outros
Instrumentos de Contenção, do CNJ, especificamente se o uso for em ambientes
forenses, onde a aplicação será autorizada ou não pelo magistrado, ouvidos os PSPs
responsáveis pela condução, seja da polícia judiciária, judicial, penal, militar ou Guardas
Municipais.
109
Uso Diferenciado da Força
Considere as mesmas orientações tratadas em parâmetros idênticos em outros tópicos
estudados.
Documentar os procedimentos, preferencialmente por meio de câmeras
corporais de acordo com a Portaria MJSP nº 648, de 2024
Os casos de lesão ou morte decorrentes do uso da força nas ações de segurança pública
atingem múltiplas esferas de responsabilização.
Cabe destacar e relembrar o princípio geral da RESPONSABILIZAÇÃO, previsto no art.6º,
VI, da Portaria MJSP nº 855/25:
Na esfera cível já decidiu o Supremo Tribunal de Federal (STF), nos Embargos de
Declaração no Recurso Extraordinário com Agravo, em repercussão geral (ARE 1385315
ED-SEGUNDOS / RJ), que:
AULA 6
Da lesão ou morte decorrente do uso da força
“Os órgãos e os profissionais de segurança pública devem assumir a responsabilidade pelo
uso inadequado da força, após a conclusão de processo de investigação, respeitado o
devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório”.
No estabelecimento dos critérios, garantir que esses sejam objetivos e em consonância
com os previstos na legislação. Só utilizar as algemas se presentes um ou mais dos
seguintes fatores:
Resistência ativa Risco de fuga Perigo iminente 1 2 3
Estabelecer critérios que subsidiem o profissional de segurança pública na
identificação de situações de uso da algema
110
Uso Diferenciado da Força
Planejar para reduzir os efeitos colaterais 
Se o evento morte ou lesão ocorrer, o que fazer?
Ao desenvolver o plano tático, devem ser abordadas questões sobre prevenção à
probabilidade de recurso ao uso da força e, se necessário, minimizar a força. É
necessário ter o devido cuidado para garantir que a operação seja conduzida de maneira
que não implique em risco indevido para a vida ou segurança de terceiros. Calcular a
perda acidental de vidas ou ferimentos causados a pessoas não envolvidas no
planejamento de uma operação nunca é aceitável em um contexto de aplicação da lei
(UNODC, 2021).
Art. 20, da Portaria MJSP nª 855/25 - quando o uso da força resultar em lesão ou
morte, os profissionais de segurança pública deverão:
Essa facilitação pode ser incrementada com a imediata assistência médica com a
presença de ambulância em operações policiais planejadas ou com a previsão de
protocolos ágeis de acionamento do Corpo de Bombeiros nas hipóteses de operações
emergenciais em que, em regra, não é possível às forças de segurança pública deslocar
equipe de saúde própria para acompanhamento das suas unidades empregadas.
Facilitar a prestação de socorro ou assistência médica aos feridos
”O Estado é responsável, na esfera cível, por morte ou ferimento decorrente de
operações de segurança pública, nos termos da Teoria do Risco Administrativo”.
“É ônus probatório do ente federativo demonstrar eventuais excludentes de
responsabilidade civil”. 
“A perícia inconclusiva sobre a origem de disparo fatal durante operações policiais
e militares não é suficiente, por si só, para afastar a responsabilidade civil do
Estado, por constituir elemento indiciário”.
111
Uso Diferenciado da Força
O treinamento e a capacitação contínuos dos profissionais de segurança pública em
Atendimento Pré-Hospitalar Tático (APH-T) são fundamentais para a correta prestação
dos primeiros socorros até a chegada efetiva das equipes de saúde. Os procedimentos
realizados devem ser devidamente documentados, inclusive por meio das câmeras
corporais, de modo a comprovar que o ferido foi removido com vida do local. Essa
prática representa um passo decisivo para o cumprimento da alínea “c” do item 5 dos
Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários
Responsáveis pela Aplicação da Lei.
 Figura 58: Atendimento pré-hospitalar tático conforme protocolos operacionais
Fonte: Cabo André Feitosa/ CECOMSAER – FAB (2019)
Sempre que o uso legítimo da força ou de armas de fogo seja indispensável, os
funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem:
[...]
PRINCÍPIO 5
Figura 57: Assistência pré-hospitalar integrada às forças de segurança
Fonte: www.europosters.eu/art-photo/paramedics-providing-fist-aid-v13988 ,2025.
https://www.fab.mil.br/noticias/imprime/33988/OPERACIONAL%20-%20Exerc%C3%ADcio%20Operacional%20T%C3%A1pio%20promove%20treinamento%20de%20atendimento%20m%C3%A9dico%20em%20combate
112
Uso Diferenciado da Força
A não preservação do local deverá ser minuciosamente justificada pela Autoridade de
Segurança responsável pela execução da operação. Inclusive com indicação da
Autoridade Policial acionada, especificando-se eventual recusa desta a comparecer ao
local do fato penalmente relevante em apuração.
Veja o que diz o POP Perícia Criminal – Local de Crime, da SENASP:
Trata-se de garantia de recolhimento correto dos vestígios logo após o crime, a sua
preservação durante as fases policial e judicial e o seu acondicionamento até a decisão
final no processo, a chamada quebra da cadeia de custódia pode comprometer a
apuração da verdade.
Solicitar a presença da polícia judiciária e de peritos criminais para o registro
técnico dos fatos
Considerar que a preservação do local se trata do início dos
procedimentos de cadeia de custódia, garantindo a idoneidade dos
elementos materiais, a qualidade e a eficácia do trabalho pericial (CPP,
artigo 158).
Toda e qualquer alteração promovida no local entre a ocorrência do
crime e o início dos trabalhos periciais deverá ser comunicada aos
peritos criminais (CPP, artigo 169, parágrafo único) que deverão registrar
as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos.
O início da cadeia de custódia ocorre com a preservação do local de
crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja
detectada a existência de elementos materiais.
1
3
2
Sempre que não implique em riscos maiores à população local, a estabilização da área
de operação para realização de perícia de local em caso de morte, de civis ou PSPs,
durante a ação de segurança pública.
Garantir a preservação do local dos fatos
c. Assegurar a prestação de assistência e socorros médicos às pessoas feridas
ou afetadas, tão rapidamente quanto possível;
113
Uso Diferenciado da Força
“Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para
manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de
crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte.”
Coleta dos Vestígios
Figura 59: Perito coletando evidências
Fonte: https://legaldefence.com.au/wp-content/uploads/2023/07/Murder-
Manslaughter-Barrister-Melbourne.jpg (2025)
“A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por perito oficial,
que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, mesmo
quando for necessária a realização de exames complementares.”
Art. 158-C, Código de Processo Penal
Cadeia de Custódia – Conceito
Art. 158-A, Código de Processo Penal:
114
Uso Diferenciado da Força
Os órgãos de segurança pública devem providenciar a imediata comunicação aos
familiares, amigos ou conhecidos da pessoa vitimada e informar sobre o seu estado de
saúde, hospital para onde foi encaminhado e, eventualmente, sobre seu óbito,
disponibilizando, inclusive canal de atendimento no âmbito das Secretarias de Segurança
para obtenção de informações a familiares de civis vitimados.
Na comunicação aos familiares deve-se tomar cuidados e observar aspectos éticos e
humanos. A forma como a notícia é transmitida pode impactar profundamente os
envolvidos. 
Visando evitar impactos extremamente negativos para o receptor da informação, o
comunicante deve agir com empatia passando a informação de maneira clara, mas
sensível, evitando estresses desnecessários. Deve garantir a privacidade resguardando
detalhes em público e de pessoas não autorizadas e sempre que possível, indicar canais
de assistência social, psicológica e/ou de direitos humanos.
O princípio 22 do PBUFAF afirma que
Comunicar a ocorrência aos familiares, amigos ou conhecidos da
pessoa ferida ou morta
Relatar os acontecimentos, de modo fiel e detalhado, às corregedorias ou
aos órgãos equivalentes, de forma a contribuir com a elucidação dos fatos
 Em casos de corpos não identificados ou vítimas inconscientes, a comunicação
pode ser adiada até a confirmação de identidade.
“em casos de morte e lesões severas ou outras consequências graves, um relatório
detalhado deve ser enviado prontamente às autoridades competentes responsáveis pela
revisão administrativa e controlejudicial.”
115
Uso Diferenciado da Força
Para se ter maior aderência por parte do PSP e praticidade para confecção do relatório
os órgãos de segurança pública, devem-se implantar sistemas informatizados de
confecção de relatórios, onde essas plataformas possuam uma série de caixas de
seleção e opções para direcionar o detalhamento da ocorrência visando uma melhor
clareza e riqueza de informações para um melhor monitoramento do uso da força.
Esses sistemas podem permitir aos administradores e equipes técnicas voltadas ao
estudo de ocorrências com lesão corporal ou morte avaliar se existem problemas, por
exemplo, se um PSP de uma determinada unidade está empregando a força em excesso,
podendo ser investigado de forma mais específica.
IMPORTANTE
As ocorrências que resultarem em morte ou lesão corporal serão imediatamente
comunicadas ao Ministério Público.
Finalizando:
Neste módulo, você viu:
Que o uso da arma de fogo será medida de último recurso, respeitando as
diretrizes do uso da força e a respectiva legislação de regência e protocolos
do órgão de segurança pública;
O PSP deve, sempre que possível, priorizar o uso de instrumentos de menor
potencial ofensivo nas ações de segurança pública, sendo que os órgãos de
segurança pública devem disponibilizar aos profissionais de serviço,
individualmente, no mínimo um instrumento de menor potencial ofensivo
específico de debilitação e um específico de incapacitação, bem como,
equipamentos de proteção individual;
Os órgãos de segurança pública, como principais estruturas de resposta,
devem integrar inteligência, negociação e operações táticas para resolver
crises com equilíbrio entre autoridade e proporcionalidade;
A busca pessoal e domiciliar são procedimentos delicados, pois envolvem os
direitos individuais e a inviolabilidade do lar (art. 5º, XI, CF/88). Para que
sejam válidas, devem seguir parâmetros legais e protocolos rigorosos que
orientem a conduta do profissional de segurança pública para preservação
dos direitos humanos e proteção do patrimônio;
SÍNTESE
116
Uso Diferenciado da Força
O uso de algemas será sempre excepcional, devendo observar os seguintes
pressupostos, sem prejuízo do disposto na Súmula Vinculante nº 11 do
Supremo Tribunal Federal: resistência à ordem legal; fundado receio de fuga
do preso e perigo à integridade física própria ou alheia;
Em casos da lesão ou morte decorrente do Uso da Força os PSPs devem
comunicar a ocorrência aos familiares, amigos ou conhecidos da pessoa
ferida ou morta, preservar o local, bem como, informar imediatamente ao
superior e ao Ministério Público.
MÓDULO 4
Dos mecanismos de controle, monitoramento e 
capacitação no uso da força
Apresentação do módulo: 
Bem-vindo ao último módulo do “Curso uso diferenciado da força”!
Neste módulo, você vai conhecer as orientações para os órgãos de segurança pública
quando da implementação de mecanismos de controle e monitoramento do uso da
força, especialmente, instituindo órgãos de corregedoria e ouvidorias, sendo estas
autônomas e independentes.
Você também verá os aspectos que devem ser observados pelos órgãos de segurança
pública para os processos de capacitação dos PSPs no uso diferenciado da força.
Este módulo tem por objetivos:
Apresentar os mecanismos de controle e monitoramento do uso da força;
Destacar os meios que devem ser adotados pelos órgãos de segurança pública
para facilitar o acompanhamento público da atividade policial;
Abordar a importância do processo de capacitação continuada no uso da força
para os profissionais de segurança pública;
Relacionar os requisitos para seleção dos docentes.
OBJETIVOS DO MÓDULO
117
Uso Diferenciado da Força
Este módulo compreende as seguintes aulas:
Aula 1 - Dos Mecanismos de Controle e Monitoramento
Aula 2 – Da Capacitação
ESTRUTURA DO MÓDULO
Os mecanismos de controle e monitoramento das atividades dos profissionais de
segurança pública são fundamentais para assegurar a legalidade, transparência e a
devida apuração dos desvios de conduta praticados por esses profissionais.
Tais mecanismos podem ser internos ou externos.
Mecanismos internos de controle e monitoramento: são sistemas de fiscalização e
correição estabelecidos dentro da própria instituição de segurança pública. São
setores representados pelas corregedorias e ouvidorias que têm as funções de investigar
AULA 1
Dos mecanismos de controle e monitoramento
Figura 60: Mecanismos de monitoramento e controle na segurança pública
Fonte: Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) (2025)
1.1 Contextualização
118
Uso Diferenciado da Força
irregularidades, denúncias e infrações cometidas pelos PSPs, aplicando sanções
administrativas quando necessário.
São mecanismos de controle interno:
São mecanismos de controle externo:
Corregedorias: órgão interno de controle responsável por investigar, fiscalizar e
disciplinar a conduta de profissionais dentro de uma instituição de segurança
pública. Sua função principal é garantir a legalidade, a ética e a eficiência das
ações de segurança pública, assegurando que os PSPs cumpram a lei e os
regulamentos das corporações.
Ouvidorias: canais para receber e apurar reclamações da população sobre
condutas indevidas de profissionais de segurança pública.
Inspeções e Auditorias internas: avaliações periódicas sobre a conduta, o uso de
recursos e a eficácia das operações policiais.
Sistemas de gestão de desempenho: monitoramento de indicadores como
letalidade policial, prisões em flagrante e uso da força.
Mecanismos externos de controle e monitoramento: são realizados por órgãos
independentes ou de sociedade civil, que fiscalizam as atividades dos
profissionais de segurança pública, apurando o recebimento de denúncias e
legalidade das ações de segurança pública.
Ministério Público: fiscaliza a legalidade das ações de segurança pública e pode
instaurar procedimentos investigatórios.
Defensoria Pública: atua na defesa de cidadãos que alegam abusos por parte
das forças de segurança pública.
Poder Judiciário: julga casos de excessos ou ilegalidades cometidas por
profissionais de segurança pública.
Conselhos de Direitos Humanos: como o Conselho Nacional de Direitos
Humanos (CNDH), que recebe denúncias e monitora violações.
119
Uso Diferenciado da Força
Organizações Não-Governamentais (ONGs): grupos como a Anistia
Internacional ou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública acompanham e
denunciam abusos.
Mídia e Sociedade Civil: a imprensa e redes sociais funcionam como vigilantes
informais, expondo casos de violência ou corrupção de profissionais de
segurança pública.
A implementação de diretrizes robustas para a fiscalização e o controle interno no uso
da força é essencial para equilibrar a necessidade de segurança pública com o respeito
aos direitos fundamentais. Sem esses mecanismos, aumenta-se o risco de violações,
perda de legitimidade das instituições e escalada de conflitos. 
Portanto, é crucial que os órgãos de segurança pública adotem protocolos transparentes,
sistemas de monitoramento independentes e canais de denúncia acessíveis. Isso
garantirá que o poder coercitivo do Estado seja exercido com responsabilidade,
transparência e objetividade no devido processo legal.
Conheça as diretrizes:
1.2. Das diretrizes para atuação dos mecanismos de
fiscalização e de controle interno dos órgãos de
segurança pública na supervisão do uso da força
Os mecanismos de controle interno e fiscalização devem assegurar que todo uso da
força seja documentado, analisado e, quando necessário, investigado.
 
A existência de protocolos padronizados facilita a auditoria e o acompanhamento de
casos, permitindo identificar padrões de conduta inadequada e corrigi-los.
A transparência fortalece a confiança da sociedade nas instituições policiais,
demonstrando que há responsabilização em casos de excessos, protegendo o instituto
da prestação de contas, conhecido mundialmente pelo termo “accountability”.
Garantia da transparência e do acesso público a dados e informações
sobre o uso da força
A expressãoaplicados ao uso diferenciado da força
ESTRUTURA DO MÓDULO
08
Uso Diferenciado da Força
AULA 1 
Introdução ao uso da força
1.1 Contextualização
E por falar em decisão, você poderia relacionar as características de um
processo de tomada de decisão por parte do Profissionais de Segurança
Pública (PSP)? 
O Uso Diferenciado da Força (UDF) se configura como:
O UDF se fundamenta nas diretrizes nacionais e internacionais referentes à preservação
da dignidade da pessoa humana e a concepção do direito à segurança pública com
cidadania, contemplando orientações e padronizações para o emprego eficiente e
legítimo da força. Para tanto se faz necessário o entendimento de alguns conceitos
presentes nas normas e recomendações para um bom alinhamento entre a teoria e a
prática.
O estudo do uso da força visa orientar os profissionais de segurança pública para uma
atuação assertiva e com vistas a não empregar um nível de força maior que a
necessária, ou, se inevitável, reduzir ao máximo a intensidade do nível de força exigido.
Para alcançar esse objetivo as diretrizes do uso da força trazidas pelas normas
nacionais e internacionais servem como suporte imprescindível para que o profissional
de segurança pública possa decidir com qualidade.
O processo de tomada de decisão possui três características, a saber:
09
Uso Diferenciado da Força
uma doutrina cuja finalidade é orientar os profissionais de segurança pública,
quanto a seleção apropriada do nível de força frente a uma ameaça real ou
potencial, com vistas a minimizar o uso de meios que possam causar ofensas,
ferimentos ou mortes.
10
Uso Diferenciado da Força
Solitário
Irreversível
Intransferível
O profissional de segurança pública ao decidir aplicar a força o faz sozinho, com
base na sua experiência profissional e de vida. Ainda que esteja em cumprimento
de determinação superior, o PSP deverá possuir o discernimento suficiente para
utilizar a força de maneira proporcional.
Uma vez aplicada a força não terá mais como voltar ao status quo da situação, ou
seja, os procedimentos adotados já repercutiram e surtiram seus efeitos na cena
de intervenção.
Ao decidir, o PSP não pode delegar ao particular tal encargo, pois é ele que tem
legitimidade para agir em nome do Estado; 
Para que o produto desse processo de tomada de decisão seja uma resposta de
qualidade, o Profissional de Segurança Pública (PSP) deve conhecer as variáveis do uso
diferenciado da força, bem como, treinar de forma consciente e refletida aproximando-
se o máximo possível da realidade.
Mais adiante neste curso, iremos estudar mais detalhadamente todos os fatores e
técnicas que influenciam no processo de tomada de decisão e alguns métodos para
auxiliar neste processo como o ciclo OODA (Observar, Orientar, Decidir e Agir).
11
Uso Diferenciado da Força
1.2 Legislação nacional e internacional – breves
apontamentos
Dentre as normas que versam sobre o emprego eficiente e legítimo da força
destacamos alguns instrumentos nacionais e internacionais que orientam e padronizam
a atuação do PSP quanto à preservação da ordem pública e da incolumidade física das
pessoas. Abaixo são elencados alguns normativos importantes:
Quadro 1: Normativas nacionais sobre o emprego eficiente e legitimo da força
12
Uso Diferenciado da Força
13
Uso Diferenciado da Força
14
Uso Diferenciado da Força
Enquanto a legislação nacional estabelece os parâmetros fundamentais para o uso da
força e a atuação dos profissionais de segurança pública, é essencial compreender que
essas normas estão inseridas em um contexto mais amplo de regulamentações
internacionais. As diretrizes globais, elaboradas por organizações como as Nações
Unidas, servem de norte para os princípios existentes no Brasil, promovendo uma
atuação policial que respeite os direitos humanos e preserve a dignidade de todas as
pessoas.
15
Uso Diferenciado da Força
Quadro 2: Normativas internacionais sobre o emprego eficiente e legitimo da força.
16
Uso Diferenciado da Força
1.3 Objetivos da legislação sobre o uso da força
A legislação sobre o uso da força busca dar respaldo legal e orientador para que os
profissionais de segurança pública (PSPs) possam atuar com maior segurança
e responsabilidade quando do emprego de qualquer nível de força, sem sacrificar
17
Uso Diferenciado da Força
quaisquer dos direitos fundamentais do indivíduo procurando ser um garantidor dos
direitos humanos.
Todo o sistema de normas voltadas para o uso da força traz como base a persecução
de uma maior eficiência, transparência e valorização das atividades dos PSPs. De forma
não-exaustiva, podemos relacionar os principais objetivos do sistema normativo sobre o
uso da força, pautados na Portaria MJSP nº 855/25:
Assegurar a correta utilização da força nas ações de segurança pública: orientar
ao PSP sobre o uso consciente e refletido da força visando uma intervenção
proporcional frente o conflito sugerido;
Incrementar a profissionalização e capacitação dos integrantes dos órgãos de
segurança pública: investir em ações formativas voltadas para uso diferenciado
da força e o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo;
Estimular a edição pelos distintos órgãos de segurança pública de atos
normativos disciplinando o uso da força no âmbito das respectivas
competências: elaboração de protocolos de atuação, portarias internas,
instruções normativas, entre outros, com objetivo de normatizar o uso da força
por parte das instituições integrantes do Sistema Único de Segurança Pública;
Fomentar a produção de dados e análises sobre o uso da força: criar banco de
dados para monitoramento e gestão das ações dos PSPs, para permitir um
melhor entendimento do uso da força e orientar políticas públicas voltadas para a
segurança pública;
Incentivar a ampliação da supervisão e fiscalização do uso da força nas ações de
segurança pública, especialmente por meio das corregedorias e ouvidorias de
Polícia: essa ampliação traduz como oportunidade para que ambos os lados
possam demonstrar a sua visão dos fatos para melhor elucidação das
ocorrências envolvendo o uso da força;
Encorajar a adoção de instrumentos de menor potencial ofensivo: o intuito é dotar
todas as instituições de segurança pública de meios capazes de promover uma
intervenção com o mínimo dano possível afastando os meios mais lesivos.
AULA 2
Conceitos aplicados ao uso diferenciado da força
Na aula anterior você pôde conhecer alguns dispositivos normativos aplicados ao uso
da força e pontuar os principais objetivos almejados por aquele sistema.
Nesta aula, apresentaremos a você os conceitos aplicados ao uso diferenciado da força
consignados na Portaria MJSP nº 855/25, para que você possa ter um melhor
entendimento sobre a matéria através dos termos para um emprego eficiente e legítimo
da força.
Com intuito de complementar os conceitos apresentados na Portaria, inserimos
definições consagradas no meio da segurança pública tão importantes quanto as
demais e aplicáveis à temática do uso diferenciado da força.
18
Uso Diferenciado da Força
Atividades realizadas por seus profissionais com o objetivo de impedir, reprimir
ou apurar violações ao ordenamento vigente.
Intervenção coercitiva imposta a uma pessoa ou grupo de pessoas pelos
profissionais de segurança pública com a finalidade de preservar a ordem pública,
a incolumidade física e o patrimônio das pessoas.
Intensidade da força escolhida pelo profissional de segurança pública em
resposta a uma ameaça ou agressão, seja ela letal ou de menor potencial
ofensivo.
Ações de uso da força em segurança pública
Força
Nível de Força
19
Uso Diferenciado da Força
Artefatos projetados especificamente para minimizar os riscos de causar mortes
ou lesões permanentes.
Artefatos capazes de reduzir temporariamente a capacidade de reação das
pessoas, diminuindo sua energia, vigor ou firmeza.
Procedimentos, táticas ou estratégias utilizadas com o objetivo de reduzir a
intensidade de um confronto ou de uma situação com o potencialaccountability é uma expressão polissêmica na língua inglesa,
significando uma predisposição em responder aos questionamentos externos, em
prestar contas daquilo que foi feito, um Estado de administração eficiente, a
submissão a leis externas, bem como a responsabilização pelos eventuais
desvios. Ela está ligada ao fato de que a sociedade concedeu ao Estado, na
pessoa dos agentes policiais, uma gama variada de poderes de abordar pessoas,
usar a força para executar suas diligências e até prender pessoas, mas a Polícia
deve prestar conta do exercício concreto desses poderes, que há de ser exercidos
nos limites da autorização legal. Autoridade e responsabilidade são duas faces da
mesma moeda. (ÁVILA, 2014).
No Estado democrático de Direito, o funcionamento das instituições não deve
depender apenas da presunção de honestidade das pessoas que ocupam as
funções públicas; é necessário assegurar, mediante procedimentos de prestação
de contas e de acompanhamento de atividades que haverá efetivamente lisura na
atuação pública, pois há a possibilidade de pessoas não portadoras dos mais
elevados níveis de padrões éticos virem eventualmente ocupar uma determinada
função pública, e, portanto, deve-se estar preparado para lidar com tais situações,
decorrentes da falibilidade intrínseca do ser humano. O Estado democrático de
Direito não confia cegamente nas pessoas que ocupam as funções públicas, ele
confia nas instituições e nos mecanismos interinstitucionais de controle do
exercício do poder. (ÁVILA, 2014).
120
Uso Diferenciado da Força
SAIBA MAIS
Disponibilização de canais de denúncia e orientações de registro e
acompanhamento de reclamações sobre o uso da força, nos meios de
comunicação oficiais, de forma clara e acessível
Figura 61: Canais de denúncia
Fonte: https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-
conosco/canais-de-denuncias (2025)
https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias
https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias
https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias
https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias
https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias
ANOTA AÍ
121
Uso Diferenciado da Força
Muitas vítimas ou testemunhas de uso excessivo da força não denunciam por
desconhecimento ou medo de represálias. Do mesmo modo, por falta de informações
claras sobre como, onde e quando fazer uma denúncia, além de garantias de anonimato
e proteção, incentivam a participação cidadã.
A divulgação desses meios nos portais oficiais, redes sociais e materiais informativos
assegura que a população conheça seus direitos e saiba como agir em casos de
violações.
Uma vez formalizada a reclamação ou denúncia o cidadão tem o direito de saber qual foi
a solução daquela demanda junto aos órgãos competentes. Com isso, a rastreabilidade
das reclamações com os respectivos protocolos de acompanhamento assegura que os
casos sejam efetivamente apurados e divulgados para aqueles interessados no processo
ou qualquer outro procedimento aplicável.
Quando a população percebe que há canais seguros para reclamações e que as
denúncias são levadas a sério, aumenta a legitimidade das instituições policiais
reduzindo a desconfiança crônica e favorecendo a cooperação entre cidadãos e
profissionais de segurança pública.
A importância da Construção de Confiança
Sociedade e Órgão de Segurança Pública
Figura 62: Policiamento de proximidade com a comunidade
Fonte: https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-
conosco/canais-de-denuncias (2025)
https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052
https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052
https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052
https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052
https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052
122
Uso Diferenciado da Força
A garantia do processamento eficaz e transparente das reclamações sobre o uso da
força se refere ao conjunto de medidas institucionais que asseguram o registro, a
apuração e a resolução de toda denúncia, de forma imparcial, célere e com total
transparência, seguindo critérios técnicos e jurídicos preestabelecidos.
Os procedimentos apuratórios sobre reclamações devem ser acessíveis, previsíveis nos
ditames da lei e sujeitos a fiscalização, evitando a impunidade.
É importante que as vítimas, testemunhas e denunciantes tenham seus direitos
protegidos, incluindo acesso a informações sobre o andamento do processo, como já
abordando na diretriz anterior.
Para fortalecer esses órgãos é necessário garantir a autonomia e independência
funcional. Para além disso, com fins de evitar interferências e pressões internas que
certamente prejudicarão o processo, deve-se assegurar a autonomia administrativa e
orçamentária.
Garantia do processamento eficaz e transparente das reclamações
sobre o uso da força
Fortalecimento da atuação das corregedorias e ouvidorias dos órgãos
de segurança pública
“Critérios para a independência
 Um objetivo importante de estabelecer um mecanismo independente é a construção ou
restauração da confiança nas entidades policiais. É importante que o mecanismo aja com
integridade, imparcialidade e profissionalismo, e que seja operado por indivíduos escolhidos
como resultado de um processo seletivo competitivo, transparente e independente. Sua
independência não deve somente ser garantida por lei, mas também deve ser vista como
totalmente independente da entidade que supervisiona, tal como o setor de aplicação da lei.
Também é uma boa prática autorizar a entidade independente a enviar suas descobertas
diretamente ao promotor público (pois isso evitaria, por exemplo, uma possível interferência
do executivo).” (UNODC, 2021)
123
Uso Diferenciado da Força
Para escolher os corregedores e ouvidores recomenda-se que os órgãos de segurança
pública utilizem critérios técnicos de escolha e assegurem que os mandatos sejam fixos.
Em relação aos recursos humanos, o investimento nas equipes especializadas
fortalecerá as funções dos peritos, investigadores, analistas de dados entre outros
atores a depender da estrutura do órgão. Estes investimentos devem ser direcionados
principalmente na capacitação contínua do PSP em direitos humanos, técnicas de
investigação, legislação aplicada e mediação de conflitos. Não obstante, a
disponibilização de tecnologias como sistemas de registro eletrônico, câmeras
corporais, bancos de dados integrados trarão melhor desempenho e qualidade no
trabalho dos profissionais lotados nestes setores. 
O registro de dados de ocorrências envolvendo o uso da força faz parte de um controle
efetivo das ações de segurança pública para gerar um retrato fidedigno das ações e
operações policiais onde as oposições às essas intervenções resultem em lesão
corporal ou morte.
A impossibilidade de realizar os registros deve ser justificada de forma circunstanciada.
Os dados compilados e tratados devem ser publicados por meio das respectivas
secretarias de segurança dos Estados para comporem um mostruário nacional voltado
ao diagnóstico e aprimoramento dos procedimentos operacionais dos PSPs, bem como,
orientar os investimentos para políticas públicas de segurança em todo país. Essa
publicação também faz parte da prestação de contas à sociedade e demais órgãos de
controle da atividade de segurança pública.
Os registros devem conter no mínimo:
Art. 26 e parágrafos da Portaria MJSP nº 855/25:
identificação dos profissionais de segurança pública envolvidos, das vítimas e
das testemunhas, se houver;
descrição pormenorizada dos equipamentos utilizados, com dados sobre o tipo,
modelo e número de série;
indicação das características físicas e sociais das vítimas;
1.3. Do registro e publicação dos dados de
ocorrências envolvendo o uso da força
medidas adotadas antes dos disparos ou do emprego dos instrumentos de
menor potencial ofensivo;
descrição das circunstâncias, justificativas e consequências relacionadas ao
evento e ao nível de força empregada;tipo de arma e munição, quantidade e distância aproximada dos disparos
efetuados;
quantidade de pessoas vitimadas durante a ação;
ações realizadas para facilitar assistência médica, se necessário; e
procedimentos de preservação do local do incidente.
§ 1º Em caso de impossibilidade de registro de qualquer dos dados acima, os
profissionais de segurança pública envolvidos deverão apresentar justificativa
circunstanciada.
§ 2º Todas as situações que envolverem emprego de armas de fogo ou de
instrumentos de menor potencial ofensivo em ambientes prisionais,
independentemente do resultado, deverão ser documentadas.
124
Uso Diferenciado da Força
O uso do SINESP para registro de ações relacionadas
ao uso da força
Figura 63: Sinesp
Fonte: https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-
seguranca/login.jsf (2025)
https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf
https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf
https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf
https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf
https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf
125
Uso Diferenciado da Força
O SINESP deve incluir ferramentas que permitam o registro das circunstâncias
relacionadas ao uso da força por profissionais de segurança pública. Isso significa que o
sistema deve possibilitar:
incluir dados como data, horário, local, agentes envolvidos, tipo de força utilizada
(física, química, instrumentos de menor potencial ofensivo, armas de fogo etc.) e
justificativa para o uso;
garantir que as informações sejam acessíveis para órgãos de controle interno e
externo (como corregedorias, Ministério Público e Defensoria Pública),
permitindo a análise da legalidade e proporcionalidade do uso da força;
conectar-se a bancos de dados de ocorrências policiais, prisionais e de
inteligência, facilitando a correlação de informações;
auxiliar na formulação de políticas públicas baseadas em evidências,
identificando padrões de uso da força e possíveis abusos;
permitir que cada ação seja vinculada aos PSPs responsáveis, assegurando a
prestação de contas em casos de investigação.
1- Registro Detalhado:
2 - Transparência e Fiscalização:
3 - Integração com Outros Sistemas:
4 - Geração de Estatísticas e Relatórios:
5 - Rastreabilidade e Responsabilização:
IMPORTANTE
Conforme preconiza a Lei Federal nº 13.675/18, o integrante que deixar de
fornecer ou atualizar os seus dados ou informações no SINESP, além de não
receber recursos e nem celebrar parcerias com a União, não poderá receber os
recursos do Funpen e do Pronasci.
126
Uso Diferenciado da Força
A eficiência e a legitimidade dos órgãos de segurança pública estão diretamente
vinculadas à qualificação técnica e ética de seus profissionais. Para garantir que
profissionais de segurança pública atuem com efetividade, respeito aos direitos
humanos e legalidade, é imprescindível que os órgãos responsáveis assegurem recursos
adequados para sua capacitação contínua.
A profissionalização das organizações policiais é um componente essencial para a
modernização da segurança pública e o fortalecimento do Estado Democrático de
Direito.
AULA 2
Capacitação
Figura 64: Capacitação para os profissionais de segurança pública
Fonte: https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2025/2/17/policia-militar-do-
piaui-inicia-curso-sobre-cameras-corporais-e-uso-adequado-da-forca-
588048.html (2025)
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm
https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2025/2/17/policia-militar-do-piaui-inicia-curso-sobre-cameras-corporais-e-uso-adequado-da-forca-588048.html
https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2025/2/17/policia-militar-do-piaui-inicia-curso-sobre-cameras-corporais-e-uso-adequado-da-forca-588048.html
https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2025/2/17/policia-militar-do-piaui-inicia-curso-sobre-cameras-corporais-e-uso-adequado-da-forca-588048.html
127
Uso Diferenciado da Força
A formação e capacitação continuada e qualificada dos profissionais de segurança
pública figura como uma das diretrizes do Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa
Social, previsto na Lei nº 13.675/18.
Além das dotações próprias, os entes federados poderão captar recursos voltados para
a capacitação dos profissionais de segurança pública através de instrumentos
disponibilizados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do MJSP.
O MJSP possui a Carteira de Políticas Públicas, que é uma lista exaustiva contendo
informações gerais das políticas sob responsabilidade das unidades finalísticas do
próprio Ministério. Atualmente, a Carteira de Políticas Públicas contempla uma lista
exaustiva das 39 políticas, organizada de forma setorial, ou seja, vinculadas à cada
unidade finalística do Ministério responsável pela temática. (Políticas Públicas do MJSP,
2025)
Especificamente voltada para educação dos PSPs temos a Política Pública para
Educação dos Profissionais de Segurança Pública, visando fomentar, orientar e executar
ações formativas e de ensino para os profissionais de segurança pública alinhadas aos
princípios técnicos e legais para garantia de direitos fundamentais.
Da captação de recursos para ações formativas
Figura 65: Carteira de políticas públicas do MJSP
Fonte: https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-
informacao/governanca/carteira, 2025.
https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira
https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira
https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira
https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira
https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira
https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira
128
Uso Diferenciado da Força
Formas de implementação/Captação
1. Acordo de Cooperação Técnica;
2. Atos Normativos;
3. Contratos;
4. Convênios;
5. Termos de Cooperação Técnica;
6. Termos de Execução Descentralizada; e
7. Transferências Fundo a Fundo.
A capacitação como viga-mestra para o aprimoramento profissional torna-se
fundamental tendo em vista inúmeros benefícios diretos e indiretos, especialmente:
Por que a Capacitação é Fundamental?
Figura 66: Treinamento policial
Fonte: acervo do conteudista (2025)
129
Uso Diferenciado da Força
profissionais bem treinados cometem menos excessos no uso da força, reduzem
letalidade e evitam crises institucionais;
a criminalidade evolui (cibercrimes, facções transnacionais, domínio de cidades),
exigindo atualização constante;
capacitação adequada diminui os riscos operacionais e mortes em serviço;
um órgão de segurança pública mais capacitado gera maior credibilidade e
cooperação da população.
Prevenção de violações:
Adaptação a novos desafios:
Segurança do próprio profissional: 
Confiança social:
A elaboração de uma matriz curricular é um processo estratégico e pedagógico
fundamental para a estruturação de um curso. Ela define a organização das disciplinas, a
carga horária, os eixos temáticos e as competências a serem desenvolvidas ao longo da
formação. Uma matriz curricular bem elaborada é aquela que equilibra rigor acadêmico,
flexibilidade e aplicabilidade prática, preparando os profissionais de segurança pública
para os desafios do cotidiano policial e para proteção aos direitos fundamentais dos
cidadãos. Com isso, torna-se imprescindível a previsão de disciplina específica sobre o
uso da força, incluindo conteúdos relacionados a instrumentos de menor potencial
ofensivo.
Um bom referencial para orientar e inspirar os órgãos de segurança pública a montar
uma matrizcurricular é a Matriz Curricular Nacional (MCN).
Aspectos para elaboração de uma matriz curricular
130
Uso Diferenciado da Força
Caracteriza-se por ser um referencial teórico-metodológico para orientar as
ações formativas dos profissionais da área de segurança pública. (MCN, 2014). É
pautada nos direitos humanos, nos princípios da andragogia e nas teorias que
enfocam o processo de construção do conhecimento.
Matriz Curricular Nacional (MCN)
Figura 67: Matriz Curricular Nacional
Fonte: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-
publica/ensino-e-pesquisa/matriz-curricular-nacional (2025)
A versão atual da MCN é de 2014 e traz como principais tópicos a serem abordados na
formação dos PSPs:
as competências profissionais extraídas do Perfil Profissiográfico;
os princípios éticos, educacional e didático pedagógico;
os objetivos;
a dinâmica curricular: eixos articuladores e as áreas temáticas;
as orientações teórico-metodológicas;
as diretrizes pedagógicas da Senasp;
a malha curricular (núcleo comum) para as ações formativas das polícias
militares e civis;
a malha curricular (parte geral) para as ações formativas de bombeiros
militares;
as ementas das disciplinas.
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/ensino-e-pesquisa/matriz-curricular-nacional
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/ensino-e-pesquisa/matriz-curricular-nacional
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/ensino-e-pesquisa/matriz-curricular-nacional
IMPORTANTE
131
Uso Diferenciado da Força
Art. 39, da Lei nº 13.675/18
A matriz curricular nacional constitui-se em referencial teórico, metodológico e
avaliativo para as ações de educação aos profissionais de segurança pública e
defesa social e deverá ser observada nas atividades formativas de ingresso,
aperfeiçoamento, atualização, capacitação e especialização na área de segurança
pública e defesa social, nas modalidades presencial e a distância, respeitados o
regime jurídico e as peculiaridades de cada instituição.
Acesse o texto completo do documento Matriz Curricular Nacional – 2014,
para ações formativas dos profissionais da área de Segurança Pública.
Disponível em:
SAIBA MAIS
Matriz Curricular Nacional
Da Seleção dos Docentes
Figura 68: Docente policial
Fonte: acervo do conteudista, (2025).
https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/ensino-e-pesquisa/site-novo/copy_of_matrizcurricularnacional_versaofinal_2014.pdf
132
Uso Diferenciado da Força
A seleção de docentes para atuarem na segurança pública é um processo crucial para as
instituições de formação e aperfeiçoamento de profissionais de segurança pública. Esse
processo visa garantir que os instrutores tenham não apenas conhecimentos técnicos e
teóricos, mas também habilidades pedagógicas, ética e compromisso com a missão
institucional.
O perfil desejável de um docente exige profissionais inovadores, que pesquisem e
sistematizem novos conhecimentos e empreguem novas tecnologias de informação e
comunicação no processo de ensino e aprendizagem. Ele precisa ser um exímio
articulador de saberes das diversas áreas do conhecimento que permeiam o uso da
força, com o objetivo de fomentar de maneira objetiva o processo de capacitação e
despertar no discente o aspecto profissional do ensino.
A Portaria MJSP nº 855/25 traz os requisitos mínimos para a seleção adequada dos
docentes:
O docente policial deve manter-se constantemente atualizado sobre as novas
tecnologias, legislações e procedimentos, procurando criar ou reproduzir novos métodos
de treinamentos que sejam realmente eficazes e que aproximem o discente da realidade.
Quando não se comprova que, na prática, determinado método de treinamento funciona,
não se pode jamais aplicá-lo na capacitação. Deve-se abolir treinamentos arcaicos e
ineficazes que, infelizmente, ainda em pequena escala, estão entranhados nas
instituições policiais brasileiras, fazer o que sempre foi feito, somente porque você foi
capacitado assim, pode ser uma zona de conforto extremamente perigosa.
O docente policial deve ser encorajado a pensar, planejar, pesquisar, contradizer
comportamentos que foram sendo perpetuados com o passar do tempo, e quebrar tabus
pedagógicos na capacitação policial.
Art. 28, § 1º
A seleção dos docentes atenderá os seguintes requisitos:
I - aferição de conhecimentos teóricos e práticos;
II - análise do currículo formal, atribuído maior peso às atividades de docência;
III - experiência profissional em atividades finalísticas; e
IV - análise dos registros funcionais.
133
Uso Diferenciado da Força
Finalizando:
Conclusão do curso:
Neste módulo, você viu:
Os mecanismos de controle e monitoramento tem o propósito de trazer
transparência para as intervenções policiais auxiliando nas apurações de
eventuais casos de uso indevido da força dando a oportunidade para o PSP e
demais interessados apresentar as respectivas razões para uma
responsabilização justa e proporcional;
Os mecanismos podem ser internos e externos, sendo a primeira
responsabilidade interna corporis dos órgãos de segurança pública e o último,
dos órgãos externos àqueles;
As diretrizes para atuação dos mecanismos de fiscalização e de controle
interno dos órgãos de segurança pública na supervisão do uso da força;
Que o registro e publicação de ocorrências envolvendo o uso da força são
essenciais para a prestação de contas (accountability);
A capacitação do profissional de segurança pública propicia uma maior
credibilidade perante a opinião pública e maior profissionalização das
instituições de segurança pública;
Noções sobre a política pública para captação dos profissionais de
segurança pública;
Aspectos para elaboração de uma matriz curricular para capacitação;
Principais tópicos da Matriz Curricular Nacional (MCN).
SÍNTESE
Chegamos ao final desta jornada de aprendizado e é com grande satisfação que
parabenizamos a todos pela dedicação e empenho demonstrados ao longo do curso.
Esperamos que os conhecimentos e as habilidades adquiridas aqui sejam de grande
valia em suas futuras empreitadas, abrindo portas para novas oportunidades e
impulsionando o seu desenvolvimento pessoal e profissional. 
134
ÁVILA, Thiago André Pierbom de. Controle Externo a Atividade Policial pelo Ministério
Público. Tese de doutorado defendida no Departamento de Ciências Jurídico-Criminais
da Universidade de Lisboa, 2014.
BOYD, John R. A Discourse on Winning and Losing. Maxwell Air Force Base: Air University
Press, 1987.
CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática, 4ª ed. Rio de Janeiro:
Elsevier, 2014.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de
1988. Disponível em:
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 10 jun.
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https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 10
jun. 2025.
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Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3688.htm . Acesso
em: 10 jun. 2025.
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BRASIL. Decreto-Lei nº 678, de 6 de novembro de 1992. Convenção Americana sobre
Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica). Disponível em:
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22 de dezembro de 2014, para disciplinar o uso da força e dos instrumentos de menor
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796804-publicacaooriginal-173910-pe.html. Acesso em: 10 jun. 2025.
Referências
Uso Diferenciado da Força
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https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2024/decreto-12341-23-dezembro-2024-796804-publicacaooriginal-173910-pe.html.
135
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agosto de 2021. Dispõe sobre o uso racional e diferenciado da força e estabelece regras
gerais sobre o emprego de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPOs) no
âmbito da Polícia Militar do Distrito Federal e dá outras providências. Disponível em:
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de novembro de 2024. institui o regime simplificado para a execução de convênios e
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Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 04 nov.
2024. Disponível em: https://www.gov.br/transferegov/pt-
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2024#:~:text=NOVEMBRO%20DE%202024-,PORTARIA%20CONJUNTA%20MGI%2FMF%2
FCGU%20N%C2%BA%20104%2C%20DE%204,igual%20ao%20estabelecido%20no%20art .
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BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Portaria MJSP nº 648, de 28
de maio de 2024. Estabelece diretrizes sobre o uso de câmeras corporais pelos órgãos
de segurança pública. Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 28 mai. 2024. Seção 1 –
Extra B, p. 1. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/12967 . Acesso em: 23
jan. 2025.
BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Portaria MJSP nº 855, de 17
de janeiro de 2025. Regulamenta o Decreto nº 12.341, de 23 de dezembro de 2024, e
estabelece diretrizes sobre o uso da força pelos profissionais de segurança pública.
Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 17 jan. 2025. Seção 1 - Extra p. 2-4. Disponível
em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/14302 . Acesso em: 23 jan. 2025.
BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Portaria MJSP nº 856, de 17
de janeiro de 2025. Institui o Comitê Nacional de Monitoramento do Uso da Força -
CNMUDF. Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 17 jan. 2025. Seção 1 - Extra p. 2-4.
Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/14302 . Acesso em: 23 jan. 2025.
BRASIL. Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). Apostila do Curso de
Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo. Brasília, DF: SENASP, 2023. 
Referências
Uso Diferenciado da Força
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https://www.gov.br/transferegov/pt-br/legislacao/portarias/portaria-conjunta-mgi-mf-cgu-no-104-de-4-de-novembro-de-2024#:~:text=NOVEMBRO%20DE%202024-,PORTARIA%20CONJUNTA%20MGI%2FMF%2FCGU%20N%C2%BA%20104%2C%20DE%204,igual%20ao%20estabelecido%20no%20art
https://www.gov.br/transferegov/pt-br/legislacao/portarias/portaria-conjunta-mgi-mf-cgu-no-104-de-4-de-novembro-de-2024#:~:text=NOVEMBRO%20DE%202024-,PORTARIA%20CONJUNTA%20MGI%2FMF%2FCGU%20N%C2%BA%20104%2C%20DE%204,igual%20ao%20estabelecido%20no%20art
https://dspace.mj.gov.br/handle/1/12967
https://dspace.mj.gov.br/handle/1/14302
https://dspace.mj.gov.br/handle/1/14302
136
BRASIL. Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). POP Perícia Criminal –
Local de Crime. Brasília: SENASP, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/senasp.
Acesso em: 11 jun. 2025.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). *Recurso Extraordinário com Agravo (ARE)
1.385.315/RJ*. Relator: Ministro Edson Fachin. Segunda Embargos de Declaração.
Julgado em: 11 Abr. 2024. Publicado em: 12 Abr. 2024.
GOVERNO DE ONTÁRIO. Public-police interactions training aid framework: Ontario Police
College, 24 mai. 2023. Disponível em: https://www.tps.ca/media/procedures/da5ce613-
1d0c-43a2-96ab-227560a8fedd.pdf Acesso em: 11 jun. 2025.
LOS ANGELES POLICE DEPARTMENT. Directive nº 16. Out. 2016. Disponível em:
https://lapdonlinestrgeacc.blob.core.usgovcloudapi.net/lapdonlinemedia/2021/10/De-
escalation-Resource-Guide-for-Instructors_May-2018.pdf. Acesso em: 11 jun. 2025.
Manual sobre algemas e outros instrumentos de contenção em audiências judiciais:
Orientações práticas para implementação da Súmula Vinculante nº 11, do STF pela
Magistratura e tribunais/Conselho Nacional de Justiça, Programa das Nações Unidas
para o Desenvolvimento, Omega Research Foundation: coordenação de Luís Geraldo
Sant’Ana Lanfreti...[et al.]. Brasília: Conselho Nacional de Justiça, 2020.
MATRIZ CURRICULAR NACIONAL: para as ações formativas dos profissionais da área
de segurança pública/Secretaria Nacional de Segurança Pública, coordenação: Andréa
da Silveira Passos [et al.]. Brasília: Secretaria Nacional de Segurança Pública, 2014.
ONU. Princípios Básicos sobre o Uso da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários
Responsáveis pela Aplicação da Lei. 8º Congresso das Nações Unidas sobre Prevenção
do Crime, 1990. Disponível em: https://www.unodc.org/. Acesso em: 10 jun. 2025. 
ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS (ONU). Guidance on Less-Lethal Weapons in Law
Enforcement. Genebra: Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos
(ACNUDH), 2020. Disponível em: https://www.ohchr.org/. Acesso em: 11 Fev. 2025.
ONU. Manual do Uso da Força e Armas de Fogo por Agentes de Segurança Pública.
Organização das Nações Unidas, 2021. Disponível em: https://www.unodc.org/. Acesso
em: 10 fev. 2025.
SEATTLE POLICE DEPARTMENT. Manual 8.100 – De-Escalation. Seattle, 2020.
Disponível em:
https://www.seattle.gov/Documents/Departments/Police/Policy_Review/8.100_De-
Escalation_Draft.pdf. Acesso em: 11 jun. 2025.
Referências
Uso Diferenciado da Força
https://www.gov.br/senasp
https://www.tps.ca/media/procedures/da5ce613-1d0c-43a2-96ab-227560a8fedd.pdf
https://www.tps.ca/media/procedures/da5ce613-1d0c-43a2-96ab-227560a8fedd.pdf
https://lapdonlinestrgeacc.blob.core.usgovcloudapi.net/lapdonlinemedia/2021/10/De-escalation-Resource-Guide-for-Instructors_May-2018.pdf.
https://lapdonlinestrgeacc.blob.core.usgovcloudapi.net/lapdonlinemedia/2021/10/De-escalation-Resource-Guide-for-Instructors_May-2018.pdf.
https://www.unodc.org/
https://www.ohchr.org/
https://www.unodc.org/
https://www.seattle.gov/Documents/Departments/Police/Policy_Review/8.100_De-Escalation_Draft.pdf
https://www.seattle.gov/Documents/Departments/Police/Policy_Review/8.100_De-Escalation_Draft.pdfde gerar
violência, minimizando o uso da força.
Artefatos que atuam diretamente no sistema nervoso, causando reações
involuntárias no organismo das pessoas fazendo com que percam o controle
sobre seus atos.
Seleção apropriada do nível de força a ser empregado, em resposta a uma
ameaça real ou potencial, com vistas a minimizar o uso de meios que possam
causar ofensas, ferimentos ou mortes.
Instrumentos de menor potencial ofensivo
Instrumentos de menor potencial ofensivo de debilitação
Técnicas de desescalonamento
Instrumentos de menor potencial ofensivo de incapacitação
Uso diferenciado da força
20
Uso Diferenciado da Força
Finalizando:
 Neste módulo, você aprendeu que:
O conhecimento da legislação sobre o uso da força é determinante para o
processo de tomada de decisão por parte do profissional de segurança
pública;
Foram identificados os objetivos da legislação sobre o uso da força;
Foram apresentados os conceitos aplicados ao uso diferenciado da força.
SÍNTESE
MÓDULO 2
Princípios e diretrizes gerais de uso da força
Apresentação do módulo: 
O módulo 2 traz os princípios gerais do uso da força, inovando com relação aos
princípios essenciais anteriormente conhecidos. Além disso, você irá perceber que os
princípios gerais se transformam em diretrizes do uso da força a partir de suas
conceituações.
Este módulo tem por objetivos:
Apresentar os princípios gerais de uso da força;
Estabelecer as diretrizes de uso da força;
OBJETIVOS DO MÓDULO
21
Uso Diferenciado da Força
Este módulo compreende as seguintes aulas:
Aula 1 - Princípios e diretrizes gerais de uso da força
Aula 2 – O processo de tomada de decisão no uso diferenciado da força
Aula 3 – Tipos de comportamentos do cidadão abordado e níveis do uso
diferenciado da força
Aula 4 – Presença, postura e verbalização do profissional de segurança pública
ESTRUTURA DO MÓDULO
AULA 1 
Princípios e diretrizes gerais do uso da força
Os profissionais de segurança pública devem proteger os direitos humanos, respeitar os
direitos fundamentais e promover a cidadania e a dignidade da pessoa humana,
independente das circunstâncias do uso da força.
Essas medidas também devem ser respeitadas e aplicadas com o objetivo de fortalecer
a proteção, a valorização e o reconhecimento dos profissionais de segurança pública,
conforme estabelece o Princípio II da Lei nº 13.675, de 13 de junho de 2018. Isso
contribui para que esses profissionais se sintam suficientemente seguros para oferecer
à sociedade um serviço de segurança pública com qualidade.
Dessa forma, os princípios e diretrizes gerais sobre o uso da força devem apresentar
uma natureza dupla, voltados tanto para a proteção dos cidadãos quanto para os
profissionais de segurança pública. 
Os profissionais de segurança pública, por sua vez, possuem o dever legal de assegurar
a aplicação desses princípios e, simultaneamente, devem ser reconhecidos como
legítimos destinatários das garantias que eles promovem.
Dedica o artigo 4º para apresentar os sete princípios gerais de uso da força e os
definem no artigo 6º. As definições consignadas são apresentadas como
diretrizes gerais e devem ser assim consideradas, passando a ser elementos
indissociáveis dos princípios.
A Portaria MJSP nº 855/25
22
Uso Diferenciado da Força
Os princípios gerais de uso da força são:
Legalidade
Precaução
Necessidade
Proporcionalidade
Razoabilidade
Responsabilização
Não discriminação
1.1 Princípio da Legalidade
O uso da força e de instrumentos de menor potencial ofensivo somente poderá ocorrer
para a consecução de um objetivo legal e nos estritos limites da lei.
Figura 1: Legalidade
Fonte: Canva.com, 2025.
23
Uso Diferenciado da Força
O princípio da legalidade é a primeira diretriz geral do uso da força. (art. 6º,
I, da Portaria MJSP nº 855/25).
Disponível em:
SAIBA MAIS
Art. 6º, I, da Portaria MJSP nº 855/25
1.2 Princípio da Precaução
As operações e as ações de aplicação da lei devem ser planejadas e executadas
mediante a adoção de todas as medidas necessárias para prevenir ou minimizar o uso
da força e para mitigar a gravidade de qualquer dano direto ou indireto que possa ser
causado a quaisquer pessoas.
Figura 2: Planejamento
Fonte: L’Etudiant (2025).
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
https://www.letudiant.fr/etudes/iep/a-quoi-menent-vraiment-les-sciences-po.html
https://www.letudiant.fr/etudes/iep/a-quoi-menent-vraiment-les-sciences-po.html
24
Uso Diferenciado da Força
O princípio da precaução é a segunda diretriz geral do uso da força. (art. 6º,
II, da Portaria MJSP nº 855/25).
Disponível em:
SAIBA MAIS
Art. 6º, II, da Portaria MJSP nº 855/25
1.3 Princípio da Necessidade
Um recurso de força somente poderá ser empregado quando outros recursos de menor
intensidade não forem suficientes para atingir os objetivos legais pretendidos.
Figura 3: Necessidade e suas medidas
Fonte: Canva.com, 2025.
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
25
Uso Diferenciado da Força
O princípio da necessidade é a terceira diretriz geral do uso da força. (art.
6º, III, da Portaria MJSP nº 855/25).
Disponível em:
SAIBA MAIS
Art. 6º, III, da Portaria MJSP nº 855/25
1.4 Princípio da Proporcionalidade
O nível da força utilizado deve ser compatível com a gravidade da ameaça apresentada
pela conduta das pessoas envolvidas e os objetivos legítimos da ação do profissional de
segurança pública.
Figura 4: Proporcionalidade
Fonte: Be.multti, https://blog.bemultti.com.br/ com adaptações, 2025.
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
26
Uso Diferenciado da Força
O princípio da necessidade é a quarta diretriz geral do uso da força. (art. 6º,
IV, da Portaria MJSP nº 855/25).
Disponível em:
SAIBA MAIS
Art. 6º, IV, da Portaria MJSP nº 855/25
1.5 Princípio da Razoabilidade 
A força deve ser empregada com bom senso, prudência e equilíbrio, de acordo com as
circunstâncias do caso concreto, com vistas a atingir um objetivo legítimo da aplicação
da lei.
Figura 5: Prudência
Fonte: https://stock.adobe.com/marca d’água com adaptações, 2025.
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
27
Uso Diferenciado da Força
O princípio da razoalidade é a quinta diretriz geral do uso da força. (art. 6º,
V, da Portaria MJSP nº 855/25).
Disponível em:
SAIBA MAIS
Art. 6º, V, da Portaria MJSP nº 855/25
1.6 Princípio da Responsabilização
Os órgãos e os profissionais de segurança pública devem assumir a responsabilidade
pelo uso inadequado da força, após a conclusão de processo de investigação,
respeitado o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório.
Figura 6: Responsabilidades
Fonte: https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-
tempos-incertos, 2025.
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-tempos-incertos
https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-tempos-incertos
https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-tempos-incertos
https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-tempos-incertos
28
Uso Diferenciado da Força
O princípio da responsabilização é a sexta diretriz geral do uso da força.
(art. 6º, VI, da Portaria MJSP nº 855/25).
Disponível em:
SAIBA MAIS
Art. 6º, VI, da Portaria MJSP nº 855/25
1.7 Princípio da Não Discriminação
Os profissionais de segurança pública devem atuar de forma não discriminatória, sem
preconceitos de raça, etnia, cor, gênero, orientação sexual, idioma, religião,
nacionalidade, origem social, deficiência, situação econômica, opinião política ou de
outra natureza.
Figura 7: Não à discriminação
Fonte: pt.123rf.com com adaptações, 2025.
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
29
Uso Diferenciado da Força
O princípio da não discriminação é a sétima diretriz geral do uso da força.
(art. 6º, VII, da Portaria MJSP nº 855/25).
Disponível em:
SAIBA MAIS
Art. 6º, VII, da PortariaMJSP nº 855/25
AULA 2
O processo de tomada de decisão no uso
A atividade de segurança pública envolve vários fatores que podem transformar
rapidamente a cena de atuação do PSP obrigando-o a uma constante análise da
situação para melhor responder as diversas variáveis presentes.
diferenciado da força
2.1 Introdução
Figura 8: Deslocamento operacional de policiais
Fonte: Canva.com, 2025.
https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html
IMPORTANTE
30
Uso Diferenciado da Força
É importante, preliminarmente, que o PSP tenha uma boa capacidade de percepção para
poder identificar as possíveis ameaças e os gatilhos que poderão tensionar e escalar o
conflito. Essa capacidade de percepção será aprimorada através dos conhecimentos
técnicos, táticos, treinamentos voltados para a realidade e pelas vivências pessoais e
profissionais. Esses fatores aliados à condição física e emocional serão determinantes
para o processo de percepção do PSP, pois quando as condições físicas e emocionais da
pessoa estão desestabilizadas fica mais difícil o processo de percepção e possivelmente
aumentarão as chances de tomar decisões equivocadas.
PREPARO TÉCNICO + PREPARO TÁTICO + EQUILÍBRIO EMOCIONAL =
RESPOSTA DE ALTA QUALIDADE
Figura 9: Equação da tomada de decisão
Fonte: https://br.pinterest.com/, 2025.
De acordo com o teatro de operações em que o profissional de segurança pública (PSP)
estiver envolvido, bem como os estímulos presentes ali, suas respostas serão
determinadas. Quanto mais conhecimento técnico, tático e equilíbrio emocional esse
profissional tiver, menos agressiva será a sua resposta, pois o PSP que não possui
esses atributos, tende a responder com meios de resolução definitiva do conflito por
conta da sua insegurança, tendendo a ser mais violenta a sua resposta.
31
Uso Diferenciado da Força
2.2 Conceitos
Diante das situações operacionais em que um PSP possa se deparar, é inevitável ter que
decidir.
Qual será sua reação diante da ação de um cidadão infrator?
Como visto anteriormente, a decisão de como agir dependerá de alguns fatores:
Consciência situacional; 
Condicionamento mental (preparo técnico, preparo tático e equilíbrio emocional).
Conceito 1
Conceito 2
O processo de tomada de decisão é um conjunto de etapas utilizadas para
escolher a melhor alternativa diante de um problema ou oportunidade. Esse
processo envolve a identificação do problema, a coleta e análise de informações,
a geração de opções, a avaliação dos riscos e benefícios, a escolha da melhor
alternativa e sua implementação, seguida pela avaliação dos resultados. Ele pode
ser estruturado, baseado em lógica e dados, ou intuitivo, dependendo do contexto
e da experiência do tomador de decisão. (CHIAVENATO, 2014.)
O processo de tomada de decisão em combate se refere à sequência de
avaliações e escolhas realizadas por combatentes ou comandantes em situações
de confronto, onde fatores como tempo, estresse, incerteza e risco de vida
influenciam diretamente as decisões. Esse processo geralmente envolve a
percepção da situação, a análise das opções táticas, a escolha da melhor
alternativa baseada na missão e nos recursos disponíveis, e a execução da
decisão, seguida pelo ajuste contínuo conforme a dinâmica do combate se
desenvolve (Boyd, 1987.).
32
Uso Diferenciado da Força
2.3 Consciência Situacional
2.4 Condicionamento Mental
Figura 10: Consciência situacional
Fonte: Copilot IA, 2025.
A Consciência Situacional é caracterizada pela percepção dos elementos no ambiente
de trabalho dentro de um volume de tempo e espaço, a compreensão do significado
desses elementos e a projeção dessa situação em um futuro próximo. (Fonte: 2012,
Manual de fatores humanos do SISCAEB, FAB.)
Significa ter a capacidade de observar o cenário e fazer a leitura mais próxima possível
do que realmente está acontecendo sendo aplicada para os momentos de pré-
ocorrência, ocorrência propriamente dita e pós-ocorrência.
Capacidade humana de preparar a mente para responder de maneira específica a
estímulos, situações ou desafios, muitas vezes com o objetivo de melhorar o
desempenho, aumentar a resistência emocional ou fortalecer hábitos positivos.
33
Uso Diferenciado da Força
Figura 11: Condicionamento Mental
Fonte: Copilot IA, 2025.
Ele envolve técnicas que ajudam a moldar os pensamentos, crenças, atitudes e
comportamentos, permitindo que uma pessoa lide melhor com dificuldades e
desenvolva um foco mais claro.
Podemos afirmar que o condicionamento mental é um somatório entre o preparo
técnico, preparo tático e equilíbrio emocional.
É o saber adquirido durante a vida profissional, que dará a base necessária
para que o profissional de segurança pública (PSP) possa conseguir
empregar o mais corretamente possível a técnica aprendida, ao se deparar
com uma ocorrência. Para isso, o PSP deve ter conhecimento e habilidades
de manuseio dos recursos que utiliza nas ações de segurança pública.
Figura 12: Policial dedicando-se ao aprendizado
Fonte: Freepik, 2025.
2.4.1 Preparo técnico
34
Uso Diferenciado da Força
É o emprego adequado da técnica nas condições adversas do seu cotidiano,
selecionando corretamente os recursos que têm à disposição e aplicando-
os de acordo com a exigência de cada situação e na medida suficiente para
desescalar o conflito.
Figura 13: Controle de distúrbios
Capacidade humana de manter o equilíbrio através do gerenciamento e
regulação das emoções.
Figura 14: Equilíbrio emocional
Fonte: freepik.com, 2025.
Fonte: casule.com, 2025.
2.4.2 Preparo Tático
2.4.3 Equilíbrio Emocional
Esta habilidade compreende a identificação da emoção vivenciada, a sua
origem e as formas de mitigá-la, de modo a auxiliar na melhor maneira de
agir.
35
Uso Diferenciado da Força
2.5 Conhecimento Empírico
2.6. Modelos operacionais aplicados ao Processo de
Tomada de Decisão
É o saber adquirido através das experiências vividas, das observações feitas no
cotidiano, e das constatações e percepções pessoais.
Para apoiar o processo decisório, diferentes modelos operacionais vêm sendo utilizados
pelas instituições policiais brasileiras. Um dos mais conhecidos é o Ciclo OODA
(Observar, Orientar, Decidir, Agir), originário da experiência militar e amplamente
aplicado na segurança pública (Figura 16). Este ciclo estabelece que o PSP deve, de
forma rápida e contínua, observar o cenário, orientar-se com base nas informações,
decidir sobre a resposta e agir de forma proporcional.
Em tese é o empirismo que inspira o conhecimento científico.
Figura 15: Conhecimento empírico
Fonte: Google imagens, 2025.
Apesar de não ser condição essencial para tomada de decisão, o
conhecimento empírico pode auxiliar bastante tanto na capacidade de ter
uma boa consciência situacional, como no condicionamento mental.
Experiências que se tornam saberes, podem auxiliar na leitura de cenário e no
preparo para futuras situações.
36
Uso Diferenciado da Força
Além do Ciclo OODA, existem outros modelos de tomada de decisão adotados pelas
instituições de segurança pública, sendo possível citar, por exemplo os modelos da
Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e da Polícia Militar do Estado de São Paulo
(PMESP). As fases integrantes do processo mental estabelecido pela PMMG são
indicadas na Figura 16, apresentada na sequência:
O modelo é estabelecido a partir de quatro fases, sendo estas:
A PMESP adota um modelo similar, apresentada na sequência (Figura 17), conforme
previsão da Súmula de Instrução Continuada de Comando (ICC) nº 339/2023:
Figura 16 – Processo mental de decisão - PMMG
Fonte: Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01/2020-CG – PMMG, (2025).
A certificação, que é uma confirmação necessária para entender se a
situação de risco de fato está se desenvolvendo;
A identificação, voltada à captação do estímulo por meio da visão, dos sons
ou de outra forma de percepção; 
A decisão, em que é estabelecida a preparação para a ação, a partir da
definição do que será feito;
A ação, que é a prática daquilo que foi decidido.
(i)
(ii)
(iii)
(iv)37
Uso Diferenciado da Força
Esta súmula, apesar de voltar a atenção para a sistemática de atuação na Defesa
Pessoal Policial (DPP), reflete o modelo mental estabelecido pela instituição ao tratar de
situações em que o PSP, depois de identificado o cenário, decide se age ou não
diretamente para, só então, iniciar a execução do controle físico com o procedimento
adequado.
Dos modelos existentes, para fins de estudo específico abordaremos o ciclo OODA por
ser mundialmente consagrado e aplicável em qualquer organização.
Figura 17 – Modelo de decisão adotado na PMESP
Fonte: Súmula de Instrução Continuada do Comando (ICC)
nº 339/2023 – PMESP, (2025).
Fonte: Imagem gerada por IA, (2025).
2.6.1 Ciclo OODA
O acrônimo refere-se às palavras OBSERVAR, ORIENTAR, DECIDIR E AGIR.
Figura 18: Representação gráfica do ciclo OODA
38
Uso Diferenciado da Força
Idealizada e aplicada inicialmente no contexto militar, tornou-se um protocolo
consagrado em vários ramos que envolvem o processo de tomada de decisão, como:
negócios, esporte, medicina de emergência, entre outros.
Seu criador foi o coronel da Força Aérea Americana, John Boyd, que destinou o método
para os pilotos de aviões de caça para poderem decidir com precisão e assertividade
máxima dentro de um contexto volátil, rápido e por vezes imprevisível.
Observar: Ao observar e receber novas informações a respeito do nosso ambiente
em transformação, nossa mente se torna um sistema aberto ao invés de um
fechado. Com isso, ganhamos a habilidade de adquirir conhecimento e
compreensão – fatores cruciais para formação de novos modelos mentais.
Figura 19: Policial observando o ambiente
Fonte: Canva.com, 2025.
39
Uso Diferenciado da Força
De um ponto de vista tático, para observar efetivamente você precisa ter uma boa
consciência situacional. Você precisa estar na Condição Amarela - mais bem descrita
como um alerta relaxado.
Busque informações do ambiente, quanto melhor a qualidade da informação, mais fácil
de chegar na solução do problema.
Orientar: é o passo mais importante do ciclo. Nessa fase se deve construir uma
caixa de ferramentas robusta de modelos mentais: quanto mais modelos mentais
você tiver à sua disposição, mais rápido você irá encontrar uma resposta para o
problema observado na fase anterior, reconhecendo padrões e aplicando a
resposta (ferramenta) adequada.
Figura 20: Policial com foco operacional
Fonte: Canva.com, 2025.
40
Uso Diferenciado da Força
Em uma visão tática, a criação de modelos mentais está relacionada ao treinamento
continuado, principalmente, com cenários próximos da realidade. A “quebra” de um
modelo mental já consolidado em treinamento faz parte da rotina de criação de novos
modelos mentais necessários para otimizar a orientação em combate.
Devemos evitar a “síndrome do homem com martelo”.
Decidir: o autor não discorre muito sobre a etapa decisória, diz somente que é o
“componente no qual os atores decidem entre as alternativas de ação geradas na
fase de orientação”. Boyd diz que é impossível selecionar um modelo mental que
se encaixe perfeitamente. Aqui você precisa usar o seu treinamento e a sua
experiência para realizar uma tomada de decisão assertiva, ou seja, que funcione
e lhe dê vantagem em combate.
A "síndrome do homem com martelo" é uma
metáfora popularizada pelo psicólogo Abraham
Maslow, que descreve a tendência humana de usar
uma solução única para resolver diferentes
problemas. 
A frase original é: "Para quem só tem um martelo,
tudo parece um prego." Isso significa que, quando
alguém está limitado a uma única ferramenta ou
abordagem, tende a aplicar essa solução a
qualquer situação, mesmo que não seja a mais
adequada. 
Figura 21: Policial em comunicação via rádio
Fonte: Canva.com, 2025.
41
Uso Diferenciado da Força
Consequentemente, quando decidimos qual conceito mental usar, somos forçados a
nos contentar com aqueles que não são perfeitos, mas são bons o suficiente.
Quando decidimos, estamos caminhando com a melhor das nossas hipóteses, nosso
“melhor chute” sobre qual modelo mental irá funcionar. Para ver se nossa hipótese é
correta, temos que testá-la, o que nos leva ao próximo passo: agir.
Figura 22: Policial em atividade operacional
Fonte: Canva.com, 2025.
Agir: assim que decidiu qual modelo mental se quer implementar, você deve
implementar o seu plano de ação. Ação é como descobrimos se nossos modelos
mentais estão corretos. Se estiverem, ganharemos a batalha; caso contrário,
começamos novamente o ciclo OODA usando os dados novos recém observados.
2.6.2 O fator tempo no ciclo OODA
Na teoria do ciclo OODA todo combatente observa a situação, se orienta, decide o que
deve fazer e depois faz. Se um oponente consegue fazer isso mais rapidamente,
contudo, suas próprias ações se tornam desatualizadas e desconectadas com a real
situação, e a vantagem de seu oponente cresce geometricamente (Boyd, 1987).
42
Uso Diferenciado da Força
2.6.3 Contexto em segurança pública
2.6.4 Exemplificando o ciclo OODA
Dentro do contexto da realidade prática da atividade policial, podemos dizer que o PSP
deve observar o problema, que significa buscar todas as informações possíveis sobre a
ameaça e o ambiente.
Na fase seguinte, ele deve buscar uma solução (orientação) com base em seus modelos
mentais (habilidades aprendidas e devidamente treinadas). É aqui a chave do processo.
Quanto mais conhecimento, treino e desenvolvimento de novas habilidades, mais rápida
será a capacidade de decidir e agir, aplicando a resposta adequada para o problema.
IMPORTANTE
O ciclo é repetido, caso a solução escolhida não resolva o problema observado.
uma equipe policial é acionada via centro de operações para atender a uma
denúncia de violência doméstica, onde vizinhos relatam gritos e pedidos de
socorro vindos de uma residência.
ainda no deslocamento, os policiais buscam os cenários prováveis quanto à
ocorrência. Ao chegar ao local, avaliam os sinais do conflito: uma mulher
chorando na varanda, hematomas visíveis, móveis revirados e um homem
exaltado dentro de casa.
ao identificar o comportamento do cidadão infrator, baseando-se na experiência
e nos POPs, os policiais avaliam os riscos (possível presença de armas, estado
emocional da vítima e do agressor, etc) e buscam uma resposta com base no
padrão reconhecido.
Ocorrência:
Observar:
Orientar:
43
Uso Diferenciado da Força
quando os profissionais de segurança pública (PSP) optam por uma abordagem
tática segura: separar as partes envolvidas, garantir a proteção da vítima e evitar
uma escalada da violência.
os PSPs colocam a decisão em prática, contendo o cidadão infrator e
conduzindo-o à delegacia, enquanto promovem apoio à vítima e a orientam sobre
medidas protetivas. No caso onde a ação não foi bem-sucedida, reinicie o ciclo.
Decidir:
Agir:
2.7. Níveis de alerta
2.7.1. Código de Cores de Cooper
Figura 23: Sinal de alerta
Fonte: Canva.com, 2025.
O código de cores de Jeff Cooper, fuzileiro naval americano, pode ser utilizado nas
ações de segurança pública, com vistas a auxiliar o PSP em sua consciência situacional
para desenvolver uma mentalidade operacional assertiva. Ajustando o nível de atenção e
prontidão em momentos certos afasta a possibilidade de subjugar ou superestimar um
evento, facilitando a tomada de decisão correta para cada caso.
IMPORTANTE
44
Uso Diferenciado da Força
Figura 24: Jeff Cooper e as cores
Fonte: modernsurvivalblog (2025).
Tem como principal finalidade esclarecer qual a intensidade de atenção deve ser
destinada para cada situação, permitindo a migração de um estado mental para outro
com base na leitura realizada.
Importante salientar que o código de cores de Cooper, diferentemente de outros sistemas
de alerta, foi criado para orientar individualmente o estado mental do PSP, devendo ser
adaptado para aprimorar a consciência situacional de grupos de PSPs, para uma melhor
resposta coletiva.
Figura 25: Representação do soldado com códigos de cores.
Fonte: Acervo do conteudista (2025).
45
Uso Diferenciado da ForçaQuadro 3: Comparativo entre níveis de alerta Cooper x outros sistemas.
46
Uso Diferenciado da Força
Figura 26: Fluxo do código de cores
Fonte: Copilot IA, 2025.
47
Uso Diferenciado da Força
Branca
Amarela
Laranja
Vermelha
Quando você está em condição Branca, você está completamente inconsciente e pouco
alerta ao seu redor. Se uma ameaça aparecesse, você seria pego de surpresa e não seria
capaz de responder adequadamente. Os tempos de reação visual e cognitiva são muito
mais lentos na condição Branca e somos muito mais suscetíveis ao viés de normalidade.
Você entra na condição Laranja quando identifica uma possível ameaça específica. Algo
não está certo e tem sua atenção. Seu objetivo não é agir enquanto estiver na condição
Laranja. Em vez disso, é tornar-se mais vigilante para que você possa determinar se um
possível perigo é, de fato, uma ameaça que precisa de uma resposta. Enquanto estiver na
Condição Laranja, você deve formular um plano sobre o que fará se a ameaça se
confirmar. É recomendável manter o nível de vigilância constante da condição Laranja
regularmente, pois ela pode ser mental e fisicamente desgastante. Se você verificar que
uma possível ameaça não é uma ameaça, desça imediatamente para o alerta relaxado.
Você confirmou a ameaça. Agora é hora de implementar o plano de ação que você
desenvolveu enquanto estava na condição Laranja. Quando você está em condição
Vermelha, sua mente e seu corpo estão preparados para a ação.
A condição Amarela é melhor descrita como alerta relaxado. Não há uma situação de
ameaça específica, mas você tem a cabeça erguida, os olhos abertos e está observando o
ambiente de maneira relaxada, mas alerta. Quando você está em condição Amarela, é
menos provável que você seja pego de surpresa devido a uma ameaça repentina e é mais
capaz de responder caso essa ameaça surja. A frequência cardíaca é normal, por isso não
há degradação das habilidades motoras finas ou da capacidade cognitiva. É importante
para os PSPs manter esse nível de alerta constantemente, quando em ações de segurança
pública.
Entenda as cores
48
Uso Diferenciado da Força
2.8. Aplicação dos níveis de alerta Cooper
no ciclo OODA
Exemplificando a aplicação das cores:
AULA 3
Tipos de comportamentos das pessoas abordadas e
níveis do uso diferenciado da força
Figura 27: Cidadãos apresentando condutas não cooperativas.
Fonte: Canva.com, 2025.
49
Uso Diferenciado da Força
No exercício de suas funções, o profissional de segurança pública (PSP) pode se
deparar com uma ampla gama de comportamentos por parte das pessoas abordadas.
Esses comportamentos, que vão desde a colaboração até ações que representam
ameaça real à vida, são elementos fundamentais no processo de tomada de decisão e
na definição do nível adequado de força a ser empregado.
A classificação dos comportamentos não se confunde com a tipificação penal, como
por exemplo o crime de resistência previsto no art. 329 do Código Penal (Decreto-Lei nº
2.848/1940). Trata-se, aqui, de um referencial doutrinário e operacional para orientar a
atuação proporcional, legal e ética dos PSPs. Essa categorização contribui para a
padronização de respostas e para a avaliação posterior das ações dos PSPs,
respeitando os princípios da legalidade, precaução, necessidade, proporcionalidade,
razoabilidade, responsabilização e não discriminação (art. 4º da Portaria MJSP nº
855/2025).
A seguir, são descritos os cinco tipos de comportamentos identificados nas interações
dos PSPs com a população.
3.1. Tipos de comportamentos das pessoas
abordadas
A pessoa obedece às ordens legais recebidas, sem apresentar resistência.
São exemplos de situações em que este tipo de comportamento é observado:
3.1.1. Cooperativo
Entregar documentos de identificação quando solicitado;
Atender a comandos verbais, a exemplo de “mão na cabeça”, “afaste as
pernas”, entre outros, durante uma busca pessoal;
Permitir ser realizada a busca pessoal sem resistência.
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2
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50
Uso Diferenciado da Força
Figura 28: Interação com cidadão cooperativo
Fonte: https://gringo.com.vc/blog/blitz-policial/ (2025)
A pessoa se recusa a cumprir as ordens legais, sem emprego de violência ou
ameaça em desfavor dos PSPs.
Este tipo de comportamento pode ser observado em situações como:
3.1.2. Resistente Passivo
Cruzar os braços ou esconder as mãos, evitando a algemação em situações
que a demandem;
Permanecer imóvel, sem responder aos comandos;
Recusar-se a sair do veículo ou de um recinto, quando legalmente solicitado;
Pessoa empreende fuga ou tenta fugir da abordagem do PSP.
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https://gringo.com.vc/blog/blitz-policial/
https://gringo.com.vc/blog/blitz-policial/
https://gringo.com.vc/blog/blitz-policial/
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Uso Diferenciado da Força
Figura 29: Indivíduo em atitude de resistência passiva
Figura 30: Dispersão de resistentes passivos que obstruíam via.
Fonte: https://x.com/Leo_oguarda/status/757871825837785089?
t=VpPMau0bmjh1dpzbDkMgUw&s=08, 2025 
Fonte: Estado de Minas, 2025.
No contexto em que a resistência passiva venha a trazer transtornos graves à uma
coletividade, como uma obstrução de vias, é perfeitamente aceitável o emprego de
instrumentos de menor potencial ofensivo, como o espargidor lacrimogêneo para
dispersão dos resistentes passivos, postergando uma abordagem física que
possivelmente será mais danosa por conta da resistência.
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Uso Diferenciado da Força
A pessoa busca deliberadamente obstruir a ação do PSP, com uso de violência
ou ameaça, descumprindo ordem legal. 
Este tipo de comportamento pode ser observado nos seguintes contextos
exemplificativos:
A pessoa emprega violência física direta contra o PSP ou terceiros, com a
intenção de lesionar, representando risco à integridade física.
Este tipo de comportamento pode ser exemplificado em situações que:
3.1.3. Resistente Ativo
3.1.4. Agressão
A pessoa ameaça o policial, no intuito de evitar a prisão;
A pessoa joga um objeto contra o PSP, durante uma manifestação.
A pessoa empurra o policial para evitar a algemação;
A pessoa investe contra o PSP, com socos e chutes;
A pessoa emprega força contra o PSP para se desvencilhar de uma manobra
de contenção.
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53
Uso Diferenciado da Força
Figura 31: Individuo em atitude de resistência ativa
Figura 32: Situação de agressão com potencial letal iminente.
Fonte: Acervo do conteudista, 2025.
Fonte: Novritsch, 2025.
Nível alto de alerta para o profissional de segurança pública (PSP), pois se depara
com um indivíduo não cooperativo armado com objeto com maior potencial de
causar letalidade. A agressão potencialmente letal também pode advir de outros
meios como golpes em regiões vitais do corpo, estrangulamento, asfixia
mecânica, manter pessoa como refém, tudo isso deixando claramente a vítima
sem condições de se defender, exigindo a intervenção do Estado.
3.1.5. Agressão Potencialmente Letal
https://blog.novritsch.com/2023/11/airsoft-cqb-get-the-basics-right
https://blog.novritsch.com/2023/11/airsoft-cqb-get-the-basics-right
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Uso Diferenciado da Força
Neste caso, o PSP deve responder com o uso comedido da força letal.
Ao reconhecer e classificar corretamente o comportamento enfrentado, o PSP estará
melhor preparado para escolher o nível de resposta mais adequado, com base em
critérios técnicos e jurídicos. Embora a tipologia dos comportamentos sugira uma
ordenação crescente de risco e resistência, o que pode orientar uma ideia de evolução no
uso da força, não se trata de uma seleção obrigatoriamente linear. Em determinadas
situações, o primeiro comportamento observado já pode se enquadrar diretamente nos
níveis mais elevados da matriz, como os correspondentes ao quinto ou ao sexto tipo de
resposta, demandando, desde o início, a aplicação de técnicas e meios compatíveis com
o grau de ameaça identificado.
Importa destacar que cada situação concreta demanda uma análise contextual
específica, respeitando a lógica da decisão adaptativa.
O uso da força por parte de profissionais de segurança pública deve obedecer aprincípios legais, técnicos e éticos, com o objetivo de garantir a integridade física de
todas as pessoas envolvidas e assegurar os direitos fundamentais da pessoa. Deste
modo, refere-se à intensidade da resposta do profissional de segurança pública (PSP)
diante de uma ameaça real ou potencial, conforme o comportamento da pessoa, o
contexto e os riscos envolvidos. O objetivo é empregar o menor nível de força necessário
para alcançar a finalidade legal, minimizando o uso de meios que possam causar lesões,
ofensas ou mortes.
Na tomada de decisão sobre o uso da força, o PSP deve avaliar cuidadosamente o
cenário da ocorrência, os riscos envolvidos e o comportamento da pessoa, para definir a
resposta mais adequada à situação. Ou seja, a relação entre o comportamento
observado e os níveis de força utilizados não é automática, fixa ou obrigatória, devendo
ser definida pelo PSP a partir de um processo decisório dinâmico e orientado por
parâmetros legais, técnicos e éticos.
A adequação da resposta depende de múltiplos fatores, como o ambiente, a presença de
terceiros, a capacidade técnica do PSP, a possibilidade de desescalada e os meios
disponíveis. Sendo assim, os níveis de força serão detalhados conforme segue.
3.2 Níveis do uso diferenciado da força
55
Uso Diferenciado da Força
3.2.1. Presença ostensiva
Refere-se à utilização de técnicas que exigem a presença e a postura ostensiva do
profissional de segurança pública identificado por meio de seu uniforme,
fardamento, distintivos, viaturas, capazes de prevenir, dissuadir ou cessar a
prática de ato ilícito.
3.2.2. Verbalização
Consiste na utilização da comunicação verbal, com tom de voz adequado à
situação, para orientar, advertir, solicitar informações ou comandos durante uma
interação. Envolve técnicas e ferramentas de comunicação que podem estar
presente em todos os níveis, e que busca a cooperação da pessoa, para
desescalar ou evitar o emprego de níveis mais intensos de força, funcionando
como um instrumento de mediação e desescalada.
3.2.3. Controle de espaço (gerenciamento de distância)
Diz respeito a técnicas que envolvem posturas de abordagem que orientam a
distância e a angulação de aproximação, bem como a posição de mãos e braços
do PSP. Nesse nível de força, o PSP faz a intervenção sem recorrer a quaisquer
armamentos, instrumentos ou equipamentos. É comumente empregada de forma
concomitante às técnicas de verbalização.
3.2.4. Controle físico
Refere-se a técnicas de defesa pessoal do PSP, para controlar, conter, imobilizar
ou conduzir a pessoa, para desescalar ou evitar o emprego de níveis mais
intensos de força, com o objetivo de restabelecer a ordem, prevenir a resistência
ou evitar agressões.
3.2.5. Uso de técnicas e instrumentos de menor potencial ofensivo
Compreende o uso de técnicas, armas, munições ou equipamentos desenvolvidos
e projetados para debilitar, incapacitar ou conter temporariamente a pessoa, com
menor risco de causar morte ou lesões permanentes, quando comparados a
armas letais. Tais meios são empregados diante de ameaça à integridade física
do PSP ou de terceiros, ou em situações em que outros níveis de força se
mostrem insuficientes ou arriscados.
56
Uso Diferenciado da Força
O uso diferenciado da força pressupõe que o comportamento da pessoa abordada e as
circunstâncias da ocorrência influenciem diretamente a decisão do profissional de
segurança pública sobre qual resposta aplicar. No entanto, essa relação não é fixa, linear
ou automática. Cada situação demanda uma análise criteriosa, considerando variáveis
como risco envolvido, ambiente, presença de terceiros, capacidade técnica do agente,
possibilidade de desescalada e os meios disponíveis.
3.2.6. Uso de força potencialmente letal
Consiste na aplicação de meios e instrumentos com capacidade ou alto risco de
causar morte, como armas de fogo, munições letais ou outras ações cuja
letalidade seja provável ou previsível, mesmo que o resultado morte não se
concretize. Esse nível de força é reservado a situações de legítima defesa própria
ou de terceiros, para impedir crime que envolva grave ameaça atual ou iminente à
vida.
Embora existam padrões doutrinários e modelos gráficos que associam níveis de força a
tipos de comportamento, é essencial compreender que essa correspondência deve ser
interpretada como referencial orientador e não como uma regra rígida. O Decreto Federal
nº 12.341/2024, estabelece, inclusive, como uma de suas diretrizes gerais que
Dessa forma, ainda que determinados padrões de comportamento da pessoa abordada,
comumente, estejam associados à aplicação de níveis específicos de força, a decisão
sobre a resposta mais adequada deve considerar as variáveis contextuais presentes em
cada situação concreta. Fatores como o grau de ameaça, as condições do ambiente, a
presença de terceiros, os meios disponíveis e a possibilidade de desescalada podem
justificar a adoção de níveis de força distintos daqueles usualmente esperados.
Assim, o Modelo Gráfico do Uso Diferenciado da Força, apresentado a seguir, representa
visualmente essa lógica de avaliação situacional e de flexibilidade decisória:
o nível da força utilizado deve ser compatível com a gravidade da ameaça
apresentada pela conduta das pessoas envolvidas e os objetivos legítimos da ação
do profissional de segurança pública (art. 2º, parágrafo único, IV). 
3.3 Relação entre tipo de comportamento e nível de
uso diferenciado da força
57
Uso Diferenciado da Força
Figura 33: 
COMPOSIÇÃO DETALHADA DO MGUDF - SENASP
MODELO DETALHADO POR FASES
 FASE 1: FASE 2: FASE 3:
Perceber
(o ambiente)
N Í V E I S D E U S O D I F E R E N C I A D O D A F O R Ç A
COOPERATIVO RESISTENTE 
PASSIVO
RESISTENTE 
ATIVO
AGRESSÃO AGRESSÃO 
POTENCIAL-
MENTE 
LETAL
FORÇA
POTENCIALMENTE
LETAL
IMPO
CONTROLE FÍSICO
CONTROLE DE ESPAÇO
VERBALIZAÇÃO
PRESENÇA DO PSP
Perceber
(os comportamentos)
Decidir
Aplicar
T I P O S D E C O M P O RTA M E NTO DA P E S S OA A B O R DA DA
Perceber
(o ambiente)
Perceber
(os comportamentos)
Decidir
Aplicar
T I P O S D E C O M P O RTA M E NTO DA P E S S OA A B O R DA DA
COOPERATIVO RESISTENTE 
PASSIVO
RESISTENTE 
ATIVO
AGRESSÃO AGRESSÃO 
POTENCIAL
MENTE
LETAL
N Í V E I S D E U S O D I F E R E N C I A D O D A F O R Ç A
FORÇA
POTENCIALMENTE
LETAL
IMPO
CONTROLE FÍSICO
CONTROLE DE ESPAÇO
VERBALIZAÇÃO
PRESENÇA DO PSP
58
Uso Diferenciado da Força
O Modelo 2PDA é uma estrutura cognitiva e comportamental projetada para guiar os
profissionais de segurança pública no processo de tomada de decisão no uso
diferenciado da força de forma ágil, adequada e eficaz.
O acrônimo representa três etapas interligadas:
ETAPA 2P
O profissional de segurança pública chega na cena de atuação, capta os estímulos
ambientais e comportamentais e interpreta-os.
Perceber o AMBIENTE (Primeiro "P")
O que envolve:
Avaliação macro do cenário:
Riscos ambientais (iluminação, vias de fuga, presença de armas, número de pessoas,
entre outros).
Contexto social (área de alto crime, protestos, proximidade de escolas/hospitais).
Condições físicas (terreno escorregadio, habitáculos confinados, coberturas etc).
Perceber o COMPORTAMENTO (Segundo "P")
O que envolve:
Leitura de sinais verbais e não verbais das pessoas presentes no ambiente: 
Linguagem corporal (postura agressiva, vulnerável, submissa ou errática, controle
visual das mãos).
Entonação de voz (gritos, ameaças, choro).
Sinais de alteração psicológica (drogadição, crise mental, depressão, medo).
 
ETAPA (D) - DECIDIR
Etapa fundamental no processo onde o PSP decide pela resposta mais adequada para o
conflito. Com base na interpretação dos estímulos e reconhecimento ambiental
realizados na fase anterior (2P), o PSP opta pelo nível de força adequado para dada
situação. Ao realizar a escolha da “ferramenta” cabível o PSP deve decidir com base nos
seus conhecimentos técnicos e táticos provenientes do treinamento. Espera-seque o
PSP decida por opções necessárias e proporcionais para se obter a obediência,
desescalar, neutralizar uma ameaça, realizar uma prisão ou proteger vidas, baseando-se
em uma avaliação contínua e rápida do comportamento de um indivíduo e das
circunstâncias da ocorrência.
O que envolve:
Escolha da resposta mais adequada com base:
Necessidade: a força é inevitável para proteger vidas?
Proporcionalidade: a resposta corresponde ao nível de ameaça?
Alternativas: É possível desescalar o conflito?
59
Uso Diferenciado da Força
O modelo gráfico acima não pressupõe escalada obrigatória. Em certas situações, por
exemplo, uma resistência passiva em local de risco elevado, com presença de pessoas
em situação de vulnerabilidade, pode demandar uma resposta mais enérgica do que o
habitual, a exemplo da utilização de técnicas e instrumentos de menor potencial
ofensivo (nível de força 5). Do mesmo modo, uma agressão sem instrumentos letais,
em ambiente controlado e com apoio, pode ser solucionada com técnicas menos
intensas. Tudo depende da análise do contexto. Esse raciocínio está alinhado à
concepção adaptativa e contínua da tomada de decisão, conforme já discutido
anteriormente.
Ademais, como pode ser observado, em que pese a presença ostensiva e a verbalização
serem níveis de uso da força, são técnicas empregáveis em situações em que não há
interação com as pessoas, como também, em contextos em que a interação com o
cidadão ocorre de maneira cooperativa.
Deste modo, importa salientar que a atuação do profissional deve sempre considerar:
A possibilidade de reduzir o nível de força (desescalada), caso a resistência cesse
ou diminua;
A proteção de terceiros inocentes, em especial crianças, idosos ou pessoas em
situação de vulnerabilidade;
O posterior registro da decisão tomada, com base em registros, testemunhos e,
quando possível, evidência audiovisual (como câmeras corporais);
A observância de normas internas da corporação e de protocolos operacionais
padronizados.
ETAPA (A) - APLICAR
A "aplicação da força" é a terceira e última etapa do ciclo 2PDA. O profissional de
segurança pública aplica de fato a decisão selecionada. Aplicar a força é o ato de
executar fisicamente ou verbalmente o nível de coerção selecionado para desescalar um
conflito, anular uma resistência, realizar uma prisão, proteger vidas ou impor uma
decisão legal. É a materialização prática e concreta da decisão previamente tomada no
processo de seleção do nível de força.
O que envolve:
Execução controlada da ação escolhida:
Técnicas e instrumentos operacionais adequados.
Mitigação de danos colaterais.
Prestação de socorro imediato a feridos.
60
Uso Diferenciado da Força
Adicionalmente, destaca-se a importância do treinamento continuado voltado
para realidade e do aperfeiçoamento doutrinário institucional criando assim
reserva cognitiva operacional para os PSPs. 
AULA 4 
Presença, postura e verbalização do profissional de
segurança pública (PSP)
A presença do profissional de segurança pública, fardado, uniformizado e/ou facilmente
identificável por distintivos, coletes ou outros recursos visuais têm função estratégica
para a segurança pública. Essa presença desencoraja o cometimento de ilícitos e dá à
sociedade a percepção de vigilância e apoio constantes, tranquilizando o cidadão
trazendo um sentimento de ordem e proteção.
4.1. Presença
Ao compreender que a relação entre comportamento e resposta não é automática, o
profissional de segurança pública se torna mais apto a agir com discernimento, técnica e
responsabilidade, elevando a legitimidade institucional e contribuindo para a proteção
efetiva dos direitos humanos.
A compreensão dos tipos de comportamento – cooperativo, resistência passiva,
resistência ativa, agressão e agressão potencialmente letal – permite ao profissional
adaptar sua resposta, empregando o nível de força mais adequado à situação. Essa
resposta não é padronizada ou automática, mas fruto de um processo decisório
contínuo, adaptativo e fundamentado, conforme previsto tanto no Decreto nº
12.341/2024, quanto na Portaria MJSP nº 855/2025. O policial, diante da realidade
dinâmica e incerta das ruas, deve estar capacitado a observar, analisar e agir de forma
ética, técnica e juridicamente embasada.
O domínio dos modelos de decisão operacional, como o ciclo OODA, contribui
para respostas mais seguras e eficazes, com menor risco de lesões, letalidade ou
responsabilizações indevidas. A busca pela desescalada de conflitos, quando possível,
deve ser parte integrante da mentalidade profissional, ao lado do respeito aos direitos
fundamentais de todas as pessoas envolvidas.
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Uso Diferenciado da Força
Figura 34: Demonstração de postura profissional do policial
Fonte: www.bm.rs.gov.br/bmreforcapoliciamentoembutia , 2024.
A postura do PSP é um conjunto que integra comportamento, atitude e conduta voltados
para transmitir ao cidadão confiança, credibilidade e respeito.
4.2. Postura
Com o desenvolvimento exponencial da tecnologia a segurança pública pode contar com
abordagens modernas para aumentar a eficácia da presença do PSP. Os sistemas de
monitoramento por câmeras permitem posicionar em pontos efetivos qualquer tipo de
policiamento cobrindo uma dada região com maior incidência criminal, aprimorando o
fator presença.
Em suma, a demonstração ostensiva de autoridade, geralmente é suficiente para prevenir
a maioria das ações antissociais. Mas para exteriorizar confiança, segurança e proteção
a presença do PSP não deve se restringir somente ao fator físico, ela deve
obrigatoriamente ser acompanhada de atitudes e postura adequadas.
A postura física é o meio não-verbal de comunicação do PSP com o cidadão. Através do
seu posicionamento corporal, olhar e gestos adequados, o PSP pode desescalar algumas
situações tensas por se apresentar com artifícios que aumentam a probabilidade de
conformidade voluntária.
https://www.bm.rs.gov.br/bmreforcapoliciamentoembutia
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Uso Diferenciado da Força
Figura 35: Procedimento de interação entre o profissional
de segurança pública e o cidadão
Fonte: Copilot, imagem gerada por IA, 2025.
Aplicando a postura em situações cotidianas do PSP deve-se observar os aspectos
táticos desejados. Taticamente, é importante adotar posturas que permitam uma
proximidade segura em situações de abordagens que facilite uma rápida resposta à
mudança de comportamento do cidadão.
Psicologicamente, a postura adequada traz impactos positivos no estado mental do
cidadão, induzindo-o a pensar em formas cooperativas de agir.
63
Uso Diferenciado da Força
Figura 36: Profissionais de segurança pública em diálogo
Fonte: Copilot IA (2025)
As variações da postura e do tom de voz do Profissional de Segurança Pública
dependem da atitude da pessoa abordada. Em situações de risco é necessário o
emprego de frases curtas e firmes. A verbalização deve ser empregada em conjunto com
todos os demais níveis de uso de força. O treinamento continuado e as experiências
vivenciadas proporcionam melhoria na habilidade de verbalização.
A verbalização eficaz requer habilidades de comunicação, como clareza, firmeza,
empatia e adaptabilidade, dependendo do público ou da situação. Ela pode ser usada em
diversos cenários, desde negociações até interações cotidianas.
A comunicação entre o PSP e o cidadão deve ser clara e objetiva para que a troca de
mensagens entre o emissor e o receptor tenha fluidez e interpretação adequada.
os PSPs devem priorizar a comunicação, a negociação e o emprego de técnicas que
impeçam uma escalada da violência. A inteligência do artigo 7º nos traz as palavras
chaves para que o PSP desenvolva habilidades, notadamente, no que diz respeito à
verbalização: COMUNICAÇÃO, NEGOCIAÇÃO E DESESCALONAMENTO.
Segundo o art. 7º, § único, da Portaria MJSP nº 855/25
A verbalização é o uso da linguagem falada para expressarideias, instruções, intenções
ou sentimentos de maneira clara e eficaz. Em contextos específicos, como na atividade
de segurança pública, ela é uma ferramenta estratégica para emitir comandos, resolver
conflitos, acalmar situações ou estabelecer controle sem recorrer à força física.
4.3. Verbalização
64
Uso Diferenciado da Força
Na 4ª fase:
Não ignore o cidadão virando-se de costas abruptamente;
Não utilize de linguagem agressiva ou irônica;
Garanta que o local esteja seguro no momento de liberar ou conduzir o cidadão
abordado.
Um bom encerramento reforça a legitimidade da ação de segurança pública, reduz
tensões pós-abordagem e contribui para uma relação mais positiva com a comunidade.
A comunicação clara e o respeito são fundamentais em todos os momentos.
4.3.1 Modelo das quatro fases da verbalização do
Profissional de Segurança Pública (PSP)
Saudação e identificação: nesta fase o PSP cria a conexão inicial
com o cidadão. A observação de protocolos e normas utilizando
uma linguagem não violenta, técnica e formal é recomendável.
Comando e direcionamento: instruções claras e firmes. O PSP
utiliza de uma verbalização calibrada emitindo comandos e
direcionando a postura do cidadão abordado para um maior
controle da abordagem. Comando e direcionamento eficaz reduzem
riscos, garantem o cumprimento da lei e melhoram a imagem
institucional perante a sociedade.
Explanação da situação: informa os motivos da abordagem. É
direito de toda pessoa saber os motivos que levaram a abordagem,
então, o PSP por meio de uma linguagem clara e direta expõe as
razões da interpelação.
Encerramento adequado: garantir que a interação termine de forma
segura. Um encerramento adequado é tão importante quanto a
saudação e identificação. Ele garante que a situação seja finalizada
com segurança, clareza e respeito, evitando mal-entendidos ou
reclamações.
1ª Fase
3ª Fase
2ª Fase
4ª Fase
65
Uso Diferenciado da Força
Por fim, tenha o cuidado de observar que a verbalização nem sempre será conveniente
ou o será possível o seguimento das quatro fases acima em virtude das características
da ocorrência em que o Profissional de segurança pública se deparar, ou seja, ela deve
ser utilizada, e seguindo as fases desde que não comprometa a ação do profissional de
segurança pública ou se tornar inadequado.
As habilidades exigidas para um bom verbalizador tem o objetivo de controlar,
inicialmente, qualquer situação de conflito entre os atores sociais. Pacificar é a sua
missão. Para isso, se faz necessário entender o conceito de técnicas de
desescalonamento e seus aspectos táticos.
Técnicas de desescalonamento, são procedimentos, táticas ou estratégias utilizadas
com o objetivo de reduzir a intensidade de um confronto ou de uma situação com o
potencial de gerar violência, minimizando o uso da força (Portaria MJSP 855/25).
4.4 Desescalonamento
Figura 37: Representação gráfica da ideia de desescalonamento
Fonte: Copilot IA (2025)
Outros conceitos:
“Estratégias verbais e não verbais destinadas a reduzir a intensidade de um conflito
ou crise encontrados pela polícia, com a intenção de ganhar obediência sem a
aplicação de força, ou se a força for necessária, reduzindo a quantidade dela
exigida.” (Ontário Police College)
“A tática da desescalada envolve o uso de técnicas para reduzir a intensidade
da intervenção sobre um suspeito e habilitar o policial para ter mais opções para
66
Uso Diferenciado da Força
ganhar voluntariamente obediência ou mitigar a possibilidade de usar um nível
mais alto de força, mantendo controle da situação.” (Los Angeles Police
Department)
“Táticas de desescalada são aquelas ações usadas pelos policiais, quando com
segurança e sem comprometer a aplicação da lei, que procura minimizar a
probabilidade da necessidade do uso da força durante um incidente e aumentar a
probabilidade de conformidade voluntária.” (Seattle Police Department)
Para o nosso estudo iremos considerar dois tipos de desescaladas: a desescalada tática
e a desescalada verbal.
4.4.1 Tipos de desescalonamento
Tem como pilar o posicionamento do PSP com relação ao cidadão abordado. O
PSP pode realizar o gerenciamento de distância com objetivo de aumentar a
lacuna reacionária, garantindo tempo hábil para a tomada de decisão assertiva.
Além disso, o PSP pode avaliar elementos no cenário da abordagem para criar
uma barreira protetiva entre ele e o cidadão não cooperativo com o objetivo de
conter ou redirecionar uma possível ameaça.
Desescalonamento tático
O desescalonamento tático poderá ser realizado com o uso de
instrumentos de menor potencial ofensivo (IMPO)? Sim! 
É perfeitamente possível desescalar um conflito com IMPO, quando qualquer desses
instrumentos detenham recursos que provoquem uma intimidação psicológica no
cidadão não cooperativo, antes mesmo do seu emprego efetivo.
Exemplo 1: 
Cidadão não cooperativo que ameaçava as pessoas com o bastão na mão ao
perceber o PSP se aproximando com uma arma eletroeletrônica provocando
arcos de advertência, desiste de continuar a ação antissocial e coloca o bastão
no chão.
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Uso Diferenciado da Força
Figura 38: Desescalada com arma eletroeletrônica
Figura 39: Emprego tático do espargidor
Fonte: www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-
scoville-scale, 2024.
Fonte: Acervo do conteudista, (2025).
Exemplo 2: 
Cidadãos não cooperativos percebem que o PSP saca o espargidor de emprego
coletivo e cessam imediatamente atos de vandalismo contra o patrimônio
público.
https://www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-scoville-scale
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https://www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-scoville-scale
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Uso Diferenciado da Força
Nestes dois exemplos acima, temos a desescalada tática com os Instrumentos de
Menor Potencial Ofensivo (IMPO).
As técnicas de desescalonamento permitem ao PSP mais tempo, distância, espaço e
flexibilidade tática para avaliar o imprevisível pela natureza dinâmica da ação policial.
Elas também aumentam o potencial para resolver o conflito com o mínimo ou sem força,
reduzindo a probabilidade de lesão às pessoas envolvidas, aumentando a segurança do
PSP e mitigando o imediatismo e ameaças contínuas.
Utiliza a verbalização e a escuta ativa como recursos para persuadir e negociar,
utilizando técnicas de comunicação não violenta e diálogo estratégico com o
foco em reduzir a tensão.
Nesse tipo de desescalada é importante que o PSP identifique possíveis ganchos
e gatilhos para realizar um bom gerenciamento da ocorrência, onde os gatilhos
de tensão devem ser mitigados ou eliminados e os ganchos para reduzir tensão
devem ser alavancados.
Desescalonamento verbal
Finalizando:
Neste módulo, você viu:
A importância dos sete princípios gerais do uso da força;
Que definição de cada princípio geral se torna uma diretriz do uso da força;
Que o processo de tomada de decisão no uso diferenciado da força requer
preparo técnico, tático e equilíbrio emocional, objetivando numa resposta de
alta qualidade para resolução dos conflitos;
O ciclo OODA;
Os níveis de alerta do Profissional de Segurança Pública (PSP);
Os tipos de comportamentos do cidadão abordado e os níveis do uso
diferenciado da força;
Identificou os principais aspectos sobre a presença, postura e verbalização
do PSP;
Conheceu o conceito de técnicas de desescalada e seus tipos.
SÍNTESE
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Uso Diferenciado da Força
MÓDULO 3
Circunstâncias do uso diferenciado da força
Apresentação do módulo: 
Este módulo aborda as principais circunstâncias do uso diferenciado da força, onde o
profissional de segurança pública atua como garantidor dos direitos e garantias
fundamentais e principal equalizador do uso da força para resolução dos conflitos.
São circunstâncias muito conhecidas pelos profissionais de segurança pública e já
consignadas em outros

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