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Curso: USO DIFERENCIADO DA FORÇA Presidência da República Luiz Inácio Lula da Silva Ministério da Justiça e Segurança Pública Ricardo Lewandowski Secretaria Nacional de Segurança Pública Mario Luiz Sarrubbo Diretoria de Ensino e Pesquisa Michele Gonçalves dos Ramos Coordenação-Geral de Ensino Marcia Alencar Machado da Silva Coordenação Pedagógica Joyce Cristine da Silva Carvalho Coordenação de Ensino a Distância Tainara Leiria da Silveira Gerente de Curso Fábio Andrade da Silva Créditos Conteudistas Mainar Feitosa da Silva Rocha Luis Humberto Caparroz Revisão Técnica Gustavo Henrique Lins Barreto Revisão Textual Cínthia Bastos Saboia Revisão Pedagógica Ardmon dos Santos Barbosa Programação e Edição Atila Vinicius Oliveira Rocha Erick Tiêgo de Araújo Pessoa Design Gráfico e Instrucional Sabrina da Silva Carneiro Uso Diferenciado da Força Sumário MÓDULO 1: Uso diferenciado da força - Nova perspectiva MÓDULO 2: Princípios e diretrizes gerais de uso da força APRESENTAÇÃO Objetivos do Curso Estrutura do Curso Aula 1 - Introdução ao uso da força Aula 1 - Princípios e diretrizes gerais do uso da força Aula 3 - Tipos de comportamentos das pessoas abordadas e níveis do uso diferenciado da força Aula 4 - Presença postura e verbalização do profissional de segurança pública (PSP) Aula 2 - Conceitos aplicados ao uso diferenciado da força Aula 2 - O processo de tomada de decisão no uso diferenciado da força p 05 p 08 p 20 p 09 p 21 p 18 p 29 p 48 p 60 p 06 p 07 Uso Diferenciado da Força Sumário MÓDULO 3: Circunstâncias do uso diferenciado da força MÓDULO 4: Dos mecanismos de controle, monitoramento e capacitação no uso da força Aula 1 - Do emprego da arma de fogo Aula 3 - Do gerenciamento de crise Aula 5 - Do uso de algemas Aula 1 - Dos mecanismos de controle e monitoramento Aula 2 - Do emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo Aula 4 - Da busca pessoal e domiciliar Aula 6 - Da lesão ou morte decorrente do uso da força Aula 2 - Da capacitação p 69 p 116 p 70 p 91 p 106 p 117 p 80 p 96 p 109 p 126 p 134REFERÊNCIAS Uso Diferenciado da Força Caro(a) aluno(a), Seja bem-vindo(a) ao curso Uso Diferenciado da Força! O Programa Nacional de Direitos Humanos, aprovado pelo Decreto nº 7.037, de 21 de dezembro de 2009, dedica um eixo orientador para a segurança pública, acesso à justiça e combate à violência servindo como uma das fontes inspiradoras para orientar o uso da força por parte dos Profissionais de Segurança Pública (PSP). Em harmonia com as diretrizes da Política Nacional de Segurança Pública e Defesa Social (PNSPDS), esse curso visa a capacitação continuada e qualificada dos profissionais de segurança pública, em consonância com a matriz curricular nacional que permitirá alcançar em todos os aspectos a segurança pública com cidadania. Por meio das inovações legislativas ocorridas que visam direcionar a segurança pública do país para um nivelamento internacional atinente aos direitos humanos e o uso da força, pode-se enfatizar com transparência e responsabilidade o trabalho de todos os atores envolvidos nesse sistema. Para isso, fazem necessárias ações formativas de caráter geral reestruturando matrizes que outrora coadunavam com diplomas pretéritos, mas agora passam por processo de atualização. Esse fator demanda providências voltadas para o alinhamento legal direcionado para as novas orientações normativas e para as boas práticas no dia a dia dos profissionais de segurança pública. Os modelos internacionais consagrados não serão esquecidos, porém serão abordados de forma referencial, assim podemos nos preocupar em preparar o PSP para uma melhor interação social com os cidadãos. Esse novo direcionamento, traz terreno fértil e oportuno para essa lapidação de postura e conscientização, razão pela qual, as orientações e materiais de suporte devem ser aprimorados. Nesse contexto, o curso abordará o uso da força consoante aos principais diplomas internacionais, e, especialmente, à Lei nº 13.060, de 22 de dezembro de 2014, o Decreto nº 12.341, de 24 de dezembro de 2024 e Portaria do Ministro da Justiça e Segurança Pública nº 855, de 17 de janeiro de 2025. A estrutura da Portaria MJSP nº 855/25, será nossa viga-mestra para nortear o estudo de forma que promova uma interpretação lógica e sequencial sobre o tema, com o objetivo de reforçar positivamente os conhecimentos trazidos de dispositivos específicos do sistema legal pátrio e de conceitos modernos que trazem novos horizontes para a segurança pública no País. Vamos nessa?! Bons Estudos! Uso Diferenciado da Força 05 Apresentação Objetivo do Curso O curso tem como objetivo permitir ao estudante uma reflexão sobre o uso da força e a atividade do profissional do Sistema Único de Segurança Pública, enquanto sujeito garantidor da segurança pública com cidadania. Objetivo geral: O curso tem como objetivo criar condições para que você possa ampliar conhecimentos para: Reconhecer os princípios gerais do uso da força; Compreender os principais conceitos aplicados ao uso diferenciado da força; Identificar as diretrizes sobre o uso da força; Identificar as circunstâncias do uso da força; Reconhecer as diretrizes para atuação dos mecanismos de fiscalização e controle; Conhecer as orientações gerais sobre a capacitação do PSP no uso da força. Desenvolver habilidades para: Aplicar nas ações de segurança pública as diretrizes do uso da força, buscando a resolução pacífica dos conflitos; Articular procedimentos, táticas e estratégias para o desescalonamento de um conflito; Empregar os instrumentos de menor potencial ofensivo conforme os ditames do uso diferenciado da força; Articular bem os princípios gerais do uso da força. Fortalecer atitudes para: Reconhecer a importância do processo de tomada de decisão orientado para o uso diferenciado da força; Manter-se intelectualmente disciplinado para as atualizações normativas sobre o uso da força; Valorizar o processo de capacitação; Reconhecer a importância do uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo como principal vetor do uso diferenciado da força; Valorizar o registro das ações, preferencialmente com o uso de câmeras. 06 Uso Diferenciado da Força Estrutura do Curso Este curso possui 40 horas e compreende os seguintes módulos: Módulo 1 – Uso diferenciado da força - nova perspectiva Módulo 2 – Princípios e diretrizes gerais do uso da força Módulo 3 – Circunstâncias do uso da força Módulo 4 – Dos mecanismos de controle e monitoramento e da capacitação no uso da força 07 Uso Diferenciado da Força Objetivos específicos: Apresentar as inovações legislativas a respeito do uso da força sensibilizando o profissional de segurança pública para a mudança de atitude com relação ao seu uso diferenciado e legítimo; Orientar e esclarecer sobre a integração adequada entre as ações de uso da força do PSP e o uso de câmeras corporais, com fins de trazer maior segurança jurídica para esses profissionais; Conscientizar sobre a importância da utilização da força proporcional através do emprego de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo Refletir sobre as principais circunstâncias do uso da força e as respectivas orientações. MÓDULO 1 Uso diferenciado da força - Nova perspectiva Apresentação do módulo: Neste módulo faremos uma introdução sobre o uso da força e uma breve imersão sobre as normas que orientam esse instituto no âmbito da segurança pública. Abordaremos também as novas perspectivas sobre o uso diferenciado da força, alinhando-as aos preceitos dos direitos humanos e com a utilização mínima de instrumentos de menor potencial ofensivo, priorizando a comunicação, a negociação e as técnicas de desescalonamento. Este módulo tem por objetivos: Apresentar as normas sobre o uso da força; Pontuar breves diferenças entre as normas passadas e as atuais; Conhecer os conceitos sobre o uso da força. OBJETIVOS DO MÓDULO Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 – Introdução ao uso da força Aula 2 – Conceitosdiplomas legais e recomendações sobre o uso da força. No entanto, há uma necessidade de um reforço positivo da informação a luz das normativas do Ministério da Justiça e Segurança Pública com o objetivo de profissionalizar cada vez mais os procedimentos nas ações de segurança pública. Este módulo tem por objetivos: Apresentar as principais circunstâncias do uso diferenciado da força consignadas na Portaria MJSP nº 855/25; Reforçar que as circunstâncias do uso da força devem ser pautadas em ações que deverão ser utilizadas de forma diferenciada, com a seleção apropriada do nível de força a ser empregado, em resposta a uma ameaça real ou potencial, com vistas a minimizar o uso de meios que possam causar ofensas, ferimentos ou mortes. OBJETIVOS DO MÓDULO Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 - Do emprego da arma de fogo Aula 2 – Do emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo Aula 3 – Do gerenciamento de crises Aula 4 – Da busca pessoal e domiciliar Aula 5 – Do uso de algemas Aula 6 – Da lesão ou morte decorrente do uso da força ESTRUTURA DO MÓDULO 70 Uso Diferenciado da Força AULA 1 Do emprego da arma de fogo Quando se fala em modelos de uso da força é uníssono o entendimento que o emprego da arma de fogo é o recurso mais extremo dentre os níveis de força disponíveis para o profissional de segurança pública. Figura 40: Saque da arma de fogo no uso da força Fonte: Canva.com, 2025. Afirma que um profissional de segurança não deve usar armas de fogo contra pessoas, exceto: • Em legítima defesa ou em defesa de outros em caso de ameaça iminente de morte ou ferimentos graves; • Para evitar a perpetração de um crime particularmente grave envolvendo grave ameaça à vida; • Para prender uma pessoa que apresente tal perigo e resista à sua autoridade, ou para impedir sua fuga, e • Somente quando medidas menos extremas sejam insuficientes para atingir esses objetivos. Princípio 9 – Princípios Básicos sobre o Uso da Força e de Armas de Fogo (PBUFAF) 71 Uso Diferenciado da Força A Portaria MJSP nº 855/25 também enfatiza que o emprego de arma de fogo será medida de último recurso e orienta em seu art. 8º, § único, que não é legítimo o emprego de arma de fogo contra: Seguindo os parágrafos subsequentes: Pessoa em fuga que esteja desarmada ou que não represente risco imediato de morte ou de lesão aos profissionais de segurança pública ou a terceiros. Cabe aqui destacar que, neste caso, o PSP não está em situação abarcada pelas excludentes de ilicitude e nem com a sua vida ou a de terceiros ameaçados, com isso, não há autorização legal para o uso imediato do recurso letal. Veículo que desrespeite bloqueio policial em via pública, exceto quando o ato represente risco de morte ou lesão aos profissionais de segurança pública ou a terceiros. O fato de um veículo desrespeitar o bloqueio policial pode ser uma situação de irregularidade ou falta documental, por exemplo, ou até mesmo desatenção do condutor. Por outro lado, se o veículo é utilizado como arma contra os PSPs ou terceiros inocentes está autorizado o uso comedido da força letal, tomando todos os cuidados para caso haja a necessidade de disparos que estes sejam direcionados ao agressor ativo embarcado, preferencialmente, por meio das partes translúcidas do veículo. § 2º O uso de armas de fogo por profissionais de segurança pública embarcados em aeronave durante operações somente será permitido em casos de estrita necessidade para a legítima defesa dos tripulantes, equipes terrestres e população civil. 72 Uso Diferenciado da Força Figura 41: Posição tática de tripulante operacional com a arma de fogo Fonte: Imagem gerada por IA, 2025 O uso de arma de fogo a partir de aeronave é uma tática que visa conter ou impedir as ameaças terrestres ou aéreas onde os PSPs embarcados e/ou em solo estejam em risco, bem como, os cidadãos sob ameaças iminentes ou concretas. Para esse procedimento é importante que o alvo esteja claramente identificado, que o PSP tenha um ângulo de tiro seguro e coordenação com as equipes de solo. Em eventos de acompanhamento tático a veículos existe a possibilidade de disparos na parte do motor para inabilitar o seu funcionamento, quando a equipe dispunha de munições específicas e posição de tiro adequada. O art. 9º da Portaria MJSP nº 855/25 versa sobre os pontos a serem observados pelas instituições de segurança pública ao criar as regulamentações para o emprego de arma de fogo, a saber: Toda instituição de segurança pública que tem dotação de arma de fogo destinada aos seus servidores deve promover a habilitação para o seu uso seguro. Além disso, é necessário que a cada novo modelo de arma ou novo calibre implementado na instituição, sejam realizados treinamentos para a devida habilitação. § 3º O emprego de arma de fogo será restrito aos profissionais devidamente habilitados. https://www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-scoville-scale https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html 73 Uso Diferenciado da Força Essas circunstâncias devem visar a segurança, a legalidade e a eficiência operacional. Os regulamentos devem ser detalhados e alinhados a legislação pátria e nas melhores práticas de segurança, destacando as principais situações para o emprego da arma de fogo, restrições, manejo com regras básicas de segurança, guarda e armazenamento sem esquecer da guarda residencial em cofre próprio, responsabilização e fiscalização. Adequar os regulamentos ao fim que cada órgão de segurança pública se destina respeitando os aspectos técnicos, operacionais e jurídicos que os diferenciam uns dos outros buscando um equilíbrio entre efetividade, legalidade e respeito aos direitos fundamentais. O registro e controle do emprego de armas de fogo, acessórios e munições são fundamentais para garantir transparência, responsabilidade e conformidade legal nas instituições de segurança pública. Quando os disparos são executados, os procedimentos devem ser rigorosamente documentados e fiscalizados, apurando a legalidade da ação e evitando abusos. É de bom alvitre que o regulamento encoraje a utilização de tecnologias para aprimorar o controle como o uso de câmeras corporais, software de controle de entrada e saída de armas e munições. O cadastramento no Banco Nacional de perfis balísticos dos perfis balísticos das armas dos órgãos de segurança pública, além de garantir maior eficiência e transparência nas investigações, ainda asseguraram maior controle do uso e emprego do material balístico dessas instituições. Do mesmo modo, o cadastramento das armas destinadas aos Órgãos de Segurança Pública Estaduais, inclusive as armas de cautela pessoal dos policiais nos Sistemas Nacionais de Controle de Armas de Fogo, SIGMA para armas da polícia militar e SINARM para armas da polícia civil, representaria eficiência na rastreabilidade e possibilidade de recuperação e identificação de armas subtraídas ou desviadas das forças de segurança. As circunstâncias adequadas para a sua utilização, manejo e guarda; As peculiaridades técnicas, operacionais e jurídicas de suas atividades; O registro e o controle de seu emprego, inclusive dos respectivos acessórios e munições, especialmente quando disparos forem efetuados; 74 Uso Diferenciado da Força As normas e regulamentações relativas à utilização de armas de fogo pelos funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem incluir diretrizes que: d. Regulamentem o controle, armazenamento e distribuição de armas de fogo e prevejam nomeadamente procedimentos de acordo com os quais os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devam prestar contas de todas as armas e munições que lhes sejam distribuídas; f. Prevejam um sistema de relatórios de ocorrência,sempre que os funcionários responsáveis pela aplicação da lei utilizem armas de fogo no exercício das suas funções. [...] [...] Princípio 11: Princípios Básicos sobre o Uso da Força e de Armas de Fogo (PBUFAF) As normas técnicas elaboradas pela Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública; Atualmente a SENASP tem três normas técnicas voltadas às armas de fogo (pistolas, carabinas e fuzis, submetralhadoras). Estas normas estabelecem os requisitos mínimos de qualidade e desempenho os quais são aplicáveis ao fornecimento dessas armas, de forma a garantir a segurança, a qualidade e a confiabilidade. A observância das normas técnicas visa aumentar a performance operacional quando da utilização da ferramenta, resultando em potencial economia e eficiência para a Administração Pública. IMPORTANTE Importante frisar que consoante a Portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública nº 104/2020, para aquisições realizadas com recursos públicos oriundos do Orçamento Geral da União, incluindo do Fundo Nacional de Segurança Pública, deverão observar as Normas Técnicas Senasp. 75 Uso Diferenciado da Força Acesse o link para a NT-SENASP nº 001/2020 - Pistolas calibre 9x19 mm e .40 S&W. Disponível em: Acesse o link para a NT-SENASP n° 004/2021 - Armas Portáteis - Carabinas e Fuzis de Emprego na Segurança Pública. Disponível em: Acesso o link para a NT-SENASP nº 005/2022 - Armas Portáteis - Submetralhadoras de emprego na segurança pública. Disponível em: NT-SENASP nº 001/2020 NT-SENASP nº 005/2022 NT-SENASP n° 004/2021 SAIBA MAIS O desenvolvimento de programas de capacitação, inclusive com a utilização de equipamentos virtuais que simulem situações reais, sem prejuízo de exercícios práticos de tiro; A capacitação continuada é importante para aumentar a segurança e assertividade do PSP. A capacitação no uso de armas de fogo deve combinar tecnologia de simulação virtual imersiva e treinamento prático real, garantindo preparo técnico, tomada de decisão sob pressão e redução de riscos. O treinamento em realidade virtual imersiva permite a redução de custos e logística, feedback mais rápido do procedimento, criar múltiplos cenários e ambientes controlados. Após as simulações virtuais deve haver a transição para o campo real aplicando os mesmos princípios em exercícios práticos. https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca/normas/normas-tecnicas-publicadas/nt-senasp-no-001-2020-pistolas-calibre-9x19-mm-e-40-s-w https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca/normas/normas-tecnicas-publicadas/nt-senasp-no-005-2022-armas-portateis-submetralhadoras-de-emprego-na-seguranca-publica https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca/normas/normas-tecnicas-publicadas/nt-senasp-no-004-2021 76 Uso Diferenciado da Força O estabelecimento de protocolos operacionais; A adoção de protocolos operacionais claros e bem definidos para o uso de armas de fogo é fundamental para garantir que a atuação do PSP seja legal, segura, eficiente e proporcional. Esses protocolos servem como diretrizes técnicas que orientam os PSPs em situações críticas, minimizando riscos, prevenindo abusos e assegurando a legitimidade institucional. Protocolos operacionais bem estruturados são a base de uma segurança pública profissional, ética e eficaz. Eles protegem vidas, asseguram a legalidade e fortalecem a confiança da sociedade nas instituições de segurança pública. As instâncias de supervisão e suas responsabilidades, inclusive quanto ao monitoramento dos incidentes; Não deixar de prever na regulamentação do emprego de armas de fogo, uma supervisão eficiente no nível interno de controle por meio das corregedorias, ouvidorias, inspetorias e comissões de controle interno com vistas a apurar possíveis excessos no uso da força e monitorar os incidentes envolvendo o emprego de armas de fogo elucidando os fatos e imputando responsabilização pelos desvios de conduta. A periodicidade de realização da avaliação psicológica dos profissionais de segurança pública. A avaliação psicológica periódica dos profissionais de segurança pública é essencial para garantir que estejam aptos física e mentalmente para o exercício da função, especialmente devido à alta carga de estresse, exposição à violência e risco de trauma psicológico. Com estas observações sobre a elaboração de regulamentos voltados para o emprego de arma de fogo, vimos a necessidade de estabelecer balizas claras para que o PSP atenda o mandamento legal e preserve os direitos humanos. Está proibido apontar a arma para as pessoas nos procedimentos de abordagem? A respeito do que está consignado no art. 10, II, da Portaria MJSP nº 855/25; 77 Uso Diferenciado da Força Não há uma proibição de se apontar a arma nos procedimentos de abordagem e sim uma proibição de que estes procedimentos sejam vulgarizados, ou seja, o PSP aponta a arma em todas as hipóteses de interação com o suspeito. O que se almeja é que esse procedimento não vire uma rotina indiscriminada e sim uma ação fundamentada e respaldada em critérios técnicos. O PSP deve ter um bom discernimento para identificar as situações de perigo que realmente exijam um estado de alerta maior e neste caso ele deverá tomar todas as precauções para desencorajar uma possível reação violenta da pessoa abordada. Em termos práticos, durante a verificação de segurança nos procedimentos de abordagem, ou seja, quando estiverem realizando buscas de existência de arma de fogo ou outro objeto que possa colocar em risco a vida dos profissionais de segurança pública ou a terceiros, é válido apontar arma de fogo. Tão logo constatado que não existem armas ou objetos, deve ser alterado a postura tática. A permanência sem justificativa passa a se tornar excesso. Disparar aleatoriamente ou a título de advertência não são considerados boas práticas operacionais com arma de fogo e claramente são procedimentos vedados pela Portaria MJSP nº 855/25. Os disparos de advertência não são recomendados principalmente pela imprevisibilidade de seus efeitos. Não podem ser considerados uma alternativa de menor potencial ofensivo para dissuadir, intimidar ou alertar sobre o possível uso da força letal, a não ser, para salvar pessoas inocentes expostas a iminente risco à vida, onde por meio de uma rigorosa avaliação de riscos o PSP considere o disparo como forma imediata e eficaz de salvar a vida. “ Art. 10. Os profissionais de segurança pública não deverão: [...] II - apontar arma de fogo em direção a pessoas durante os procedimentos de abordagem como prática rotineira e indiscriminada; e” E o que se diz sobre os disparos de advertência? 78 Uso Diferenciado da Força Na legislação brasileira os disparos de advertência são previstos, expressamente, nocaso de medidas de persuasão adotadas pelo Comando de Defesa Aeroespacial Brasileiro, através do Decreto 5.144/04, para aeronaves sem um plano de voo aprovado e consideradas hostis, após tomadas medidas de averiguação e intervenção. Essas medidas são executadas por pilotos e controladores de defesa aérea qualificados. O Estado tem o dever de manter a integridade física dos detentos e custodiados em seus estabelecimentos prisionais. A Constituição Federal impõe ao Estado essa obrigação no Art. 5º, XLIX, onde assegura ao interno o respeito à integridade física e moral. Como o Estado está custodiando essas pessoas, também nasce o dever de protegê-las, sob pena de responder perante o instituto da responsabilidade objetiva (art. 37, § 6º, da CF). Art. 10, § único, da Portaria MJSP nº 855/25: Figura 42: Tucano da FAB em interceptação Fonte: Poder Aéreo (2025) “O emprego de arma de fogo em ambientes prisionais será restrito a situações de grave e iminente ameaça à vida ou à integridade física de profissionais da segurança pública ou de terceiros, não sendo recomendado durante rotinas de movimentação dos presos, salvo em circunstâncias excepcionais, devidamenteautorizadas e justificadas pela autoridade competente.” Disparos de arma de fogo em ambiente prisionais https://www.aereo.jor.br/2009/10/30/tucano-da-fab-abre-fogo-contra-aviao-do-trafico/ https://www.aereo.jor.br/2009/10/30/tucano-da-fab-abre-fogo-contra-aviao-do-trafico/ https://www.aereo.jor.br/2009/10/30/tucano-da-fab-abre-fogo-contra-aviao-do-trafico/ 79 Uso Diferenciado da Força Quando se tratar de apenas movimentação de internos, o disparo, não encontra respaldo legal por não haver justificativa de resposta proporcional. Entretanto, quando da movimentação, revista com fundado receio de existência de arma de fogo/armamento letal ou rebelião, entende-se que o uso da arma de fogo seja empregado como RESPOSTA proporcional a AMEAÇA REAL a vida dos profissionais de segurança pública ou terceiros envolvidos na ação. A periodicidade para a renovação da habilitação para o uso da arma de fogo tem o objetivo de garantir e manter a aptidão física, técnica e mental adequadas para garantir um porte seguro e responsável por parte do PSP. Os exames de cunho psicológicos visam avaliar a estabilidade e a capacidade de lidar com situações de estresse, evitando riscos de uso inadequado da arma de fogo. Enquanto os exames técnicos verificam a proficiência no manejo, conhecimentos das diretrizes e legislações aplicáveis. É importante evitar que pessoas que desenvolvem problemas psicológicos e/ou físicos tenham a arma de fogo, pelo tempo em que estiverem sob tratamento e restrição médica específica. Além disso, assegurar que os usuários estejam atualizados sobre as mudanças legislativas sobre o assunto e que mantenham as habilidades práticas necessárias para um bom emprego desse recurso faz necessário para evitar infortúnios futuros. Emprego da arma de fogo na rotina prisional Periodicidade da renovação para habilitação no uso de arma de fogo A renovação da habilitação para uso de arma de fogo em serviço deve ser feita a cada dois anos, após a aprovação nos exames técnicos e psicológicos competentes (art. 11, Portaria MJSP nº 855/25) 80 Uso Diferenciado da Força AULA 2 Do emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo De acordo com a redação da Portaria MJSP nº 855/25, Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO) são artefatos projetados especificamente para minimizar os riscos de causar mortes ou lesões permanentes. São características do uso de IMPOs nas ações de segurança pública: Figura 43: Instrumentos de menor potencial ofensivo Fonte: acervo do conteudista (2025). Promover uma intervenção proporcional; Reduzir a probabilidade de causar lesões graves ou permanentes; Preservar vidas. 1 2 3 81 Uso Diferenciado da Força Essa portaria tem como objetivo regulamentar o Decreto Federal nº 12.341/24 e estabelecer diretrizes sobre o uso da força pelos profissionais de segurança pública, com vistas a promover uma maior eficiência, transparência e valorização de suas atividades. “De acordo com o art. 13 e incisos, da Portaria MJSP nº 855, de 17 de janeiro de 2025, “os órgãos de segurança pública deverão disponibilizar aos seus profissionais em serviço, individualmente, no mínimo um instrumento de menor potencial ofensivo específico de debilitação e um específico de incapacitação, bem como, equipamentos de proteção individual necessários à sua atuação independente de portar ou não arma de fogo (BRASIL, 2025).” Artefatos capazes de reduzir temporariamente a capacidade de reação das pessoas, diminuindo sua energia, vigor ou firmeza (art. 5º, IV, Portaria MJSP nº 855/25). Artefatos que atuam diretamente no sistema nervoso, causando reações involuntárias no organismo das pessoas fazendo com que percam o controle sobre seus atos (art. 5º, V, Portaria MJSP nº 855/25). Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo de Debilitação Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo de Incapacitação DEBILITAR Significa tirar ou perder a energia física ou a saúde; enfraquecer. Os instrumentos considerados debilitantes baseiam-se principalmente no desconforto ou inquietação, reduzindo a capacidade agressiva do indivíduo. São exemplos de instrumentos de menor potencial ofensivo debilitantes as munições de impacto controlado (munições de elastômero) e os espargidores lacrimogêneos (inquietantes) (SENASP, 2023). Pode ser entendido como tornar incapaz; inabilitar. Um instrumento de menor potencial ofensivo incapacitante e aquele que atua diretamente no sistema nervoso, causando reações involuntárias no organismo e fazendo com que a https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf https://static.poder360.com.br/2025/01/Portaria-855-2025-Uso-da-Forca-MJSP-justica-e-seguranca-publica.pdf 82 Uso Diferenciado da Força pessoa perca a possibilidade de controle sobre seus atos, a exemplo da arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular. Assim, mesmo que haja dor ou desconforto no uso desses instrumentos, a pessoa exposta não tem opção entre continuar agindo ou cessar ação (SENASP, 2023). Quando a Portaria MJSP nº 855 determina aos órgãos de segurança pública a disponibilidade de, no mínimo, dois instrumentos de menor potencial ofensivo para cada profissional de segurança pública em serviço, é possível que você pergunte se isso inclui o recurso clássico de intervenção: o bastão policial. De acordo com pesquisas sobre “armas não letais”, o bastão policial é reconhecido como “uma arma não letal contundente”. Na verdade, a intenção do legislador, em que pese não excluir o bastão policial do rol dos instrumentos de menor potencial ofensivo, é que o Estado oferte preferencialmente, artefatos de tecnologia moderna, hábeis para minimizar os riscos de causar mortes ou lesões permanentes quando utilizados corretamente. O bastão policial deve ser reconhecido como um IMPO, especificamente de debilitação e seu uso deve ser bem avaliado sopesando os recursos disponíveis, a ameaça a ser enfrentada e o custo-benefício dos seus efeitos. No caso da situação hipotética acima, se você optar pelo bastão policial, poderá fazer cessar a ação conflitante, porém, se não tiver extrema cautela, poderá provocar efeito colateral altamente danoso: um golpe com o bastão policial pode gerar uma alta energia cinética. A utilização dessa força em um membro do corpo humano pode causar um Sendo assim, podemos considerá-lo um IMPO? Imagine que, durante seu trabalho, você se depara com uma situação de conflito. Você dá a ordem para conter e pacificar a situação, mas encontra resistência ativa com ameaça ou agressão de menor potencial ofensivo de algum envolvido. Considerando que você efetuou uma tentativa de contenção através da força de menor intensidade, suas alternativas agora são o emprego de um bastão policial e uma arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular. Nesse caso, sua tomada de decisão, considerando o emprego de força legítimo e proporcional, seria a utilização de qual instrumento? Veja a situação hipotética a seguir: 83 Uso Diferenciado da Força efeito extremamente grave. Por outro lado, se o profissional optar pela arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular, fará cessar o conflito e dificilmente provocará um efeito colateral danoso, como no exemplo do bastão policial (SENASP, 2023).Assim, a escolha do instrumento vai depender da situação conflitante e do efeito desejado naquela intervenção. Em um exemplo prático: caso você queira limitar ou conter uma certa ação, utilizar instrumentos que são debilitantes talvez não traga o resultado pretendido. Da mesma forma, se porventura houver necessidade de dissipar uma ação de um grupo, a utilização de espargidores coletivos será muito mais efetiva do que a utilização de um instrumento incapacitante. (SENASP, 2023) Esses instrumentos que dão o suporte ideal para o momento da ação policial são resultados do desenvolvimento de tecnologias mais eficazes, que proporcionam ao servidor público alternativas táticas mais seguras, com o objetivo de preservar a integridade física e a vida do cidadão infrator, assim como dos representantes do Estado. A Portaria MJSP nº 855/25 define Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO) traz dois tipos: IMPOs de debilitação e IMPOs de incapacitação, que já foram apresentados aqui neste curso. Cabe agora definirmos e conhecermos as espécies de IMPOs, entendendo que IMPO é gênero que contempla três espécies: Para facilitar o nosso estudo, tomaremos de empréstimo trechos importantes abordados no curso de instrumentos de menor potencial ofensivo da SENASP, com algumas adaptações. Espécies de instrumentos de menor potencial ofensivo de menor potencial ofensivo de menor potencial ofensivo de menor potencial ofensivo Armas Munições Equipamentos 84 Uso Diferenciado da Força Atualmente, não existem definições legais claras do que seriam as armas, munições e equipamentos de menor potencial ofensivo. Diante disso, para preencher essa lacuna, apresentaremos definições consagradas tecnicamente no meio da segurança pública, que abrangem os aspectos do uso da força de forma específica. Em relação à classificação dos instrumentos de menor potencial ofensivo, recorremos à classificação estipulada pelo Exército Brasileiro, que figura como órgão controlador desses artefatos, através da Portaria nº 118 – COLOG, de 04 de outubro de 2019, que dispõe sobre a lista de Produtos Controlados pelo Exército e dá outras providências. Na portaria, o órgão controlador criou uma tabela onde classifica os produtos por tipo de PCE, grupo de PCE, Nº de ordem, Nomenclatura do produto e complemento. Os instrumentos de menor potencial ofensivo estão classificados como tipo de PCE “menos-letais” e subdivididos em três grupos, a saber: arma, munição e equipamento. São armas projetadas e empregadas, especificamente, para conter, debilitar ou incapacitar temporariamente pessoas, minimizando os riscos de causar mortes ou lesões permanentes. Observe que as armas devem ser projetadas para alcançar os objetivos traçados dentro do uso diferenciado da força. Dentre as armas projetadas e/ou empregadas para uma ação proporcional, temos a arma eletroeletrônica de incapacitação neuromuscular. Armas de Menor Potencial Ofensivo Figura 44: Arma eletroeletronica Fonte: Taser 10, 2025. https://www.axon.com/pt-br/products/taser-10 85 Uso Diferenciado da Força São munições projetadas e empregadas, especificamente, para conter, debilitar ou incapacitar temporariamente pessoas, minimizando os riscos de causar mortes ou lesões permanentes. As munições de impacto controlado, os projéteis de emissão (granadas projetadas por artefato próprio) e os dardos das armas eletroeletrônicas são exemplos de munições de menor potencial ofensivo. Munições de menor potencial ofensivo Figura 45: Munição de impacto controlado Figura 46: Granada projetada por artefato próprio Fonte: acervo do conteudista, 2025. Fonte: acervo do conteudista, 2025. 86 Uso Diferenciado da Força Todos os artefatos que realizam a contenção, debilitação ou incapacitação temporária da pessoa, com exceção das armas e munições, são equipamentos de menor potencial ofensivo. Temos o exemplo dos espargidores lacrimogêneos (Portaria 118 – COLOG), redes de captura e a plataforma de emissão sonora (quando empregada na função “comunicação”). Equipamentos de menor potencial ofensivo Figura 47: Espargidor lacrimogêneo Figura 48: Plataforma de emissão sonora Fonte: Acervo do conteudista, 2025. Fonte: www.abc.net.au/news/2016-10-08/the-sound-of-fear/913512 (2016). https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html https://sgex.eb.mil.br/sg8/006_outras_publicacoes/07_publicacoes_diversas/06_comando_logistico/port_n_118_colog_04out2019.html https://socialistworker.org/2014/12/16/armed-occupation-inside-the-empire https://socialistworker.org/2014/12/16/armed-occupation-inside-the-empire https://socialistworker.org/2014/12/16/armed-occupation-inside-the-empire https://socialistworker.org/2014/12/16/armed-occupation-inside-the-empire 87 Uso Diferenciado da Força É importante ressaltar que existe uma diferença entre equipamentos de menor potencial ofensivo com os equipamentos de proteção. Os equipamentos de proteção são destinados à redução de riscos à integridade física ou à vida profissionais de segurança pública. Assim, temos o exemplo dos equipamentos de proteção individual (EPIs) e os equipamentos de proteção coletiva (EPCs), como capacetes, joelheiras e veículos blindados. (SENASP, 2023). Todas as espécies de IMPOs apresentadas são utilizadas como alternativas táticas nas ações de segurança pública, pois, como já dito, possuem um efeito menos danoso às pessoas envolvidas. Por isso, discutir as especificidades de cada instrumento facilita a tomada de decisão no momento da sua ação, e todas as escolhas envolvidas durante o uso dos IMPOs relacionam-se diretamente com o conceito de técnicas de menor potencial ofensivo. Técnicas de menor potencial ofensivo podem ser entendidas como o conjunto de procedimentos empregados em intervenções, onde seja imperiosa a aplicação da força, com o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo, objetivando minimizar os riscos de causar mortes ou lesões permanentes. Em outras palavras, o processo que envolve a decisão do uso dos instrumentos de menor potencial ofensivo (quais utilizar e quando utilizar) e sobre como serão feitas as intervenções é o que resume uma técnica de menor potencial ofensivo. IMPORTANTE As armas, munições e equipamentos de menor potencial ofensivo, podem se enquadrar nos tipos de habilitação ou incapacitação, a depender dos principais efeitos causados no ser humano. Técnicas de menor potencial ofensivo não se confundem com IMPO, enquanto este é o recurso/meio de se empregar a força, àquelas são a forma de empregá- los. O art. 12, § 1º, da Portaria MJSP nº 855/25, traz que o emprego de técnicas e instrumentos de menor potencial ofensivo será restrito aos profissionais devidamente habilitados e deve ser priorizado, sempre que possível e operacionalmente adequado, não estando restrito às unidades especializadas. SAIBA MAIS 88 Uso Diferenciado da Força IMPORTANTE É importante lembrar que as técnicas de menor potencial ofensivo não são as técnicas de mãos livres, utilizadas como defesa pessoal (controle de braços e mãos). Tanto as técnicas de menor potencial ofensivo quanto as técnicas de mãos livres possuem efeitos colaterais mínimos e são intervenções menos graves. Ainda assim, a técnica de menor potencial ofensivo requer, necessariamente, o emprego de um IMPO. (SENASP, 2023). De igual maneira que foi estabelecido para as armas de fogo, a Portaria MJSP nº 855/25, determina aos órgãos de segurança pública, quando da regulamentação do emprego de IMPOs, observar os seguintes aspectos: Da regulamentação do emprego dos Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo(IMPO) Essas circunstâncias devem visar a segurança, a legalidade, eficiência operacional e o uso diferenciado da força. Os regulamentos devem ser detalhados e alinhados aos principais diplomas internacionais sobre uso da força, à legislação pátria e nas melhores práticas de emprego menos gravoso, destacando as principais situações para o emprego dos IMPOs, restrições, manejo com regras básicas de segurança, guarda e armazenamento, responsabilização e fiscalização. Adequar os regulamentos ao fim que cada órgão de segurança pública se destina respeitando os aspectos técnicos, operacionais e jurídicos que os diferenciam uns dos outros buscando um equilíbrio entre efetividade, legalidade e respeito aos direitos fundamentais. As circunstâncias adequadas para a sua utilização, manejo e guarda; As peculiaridades técnicas, operacionais e jurídicas de suas atividades; 89 Uso Diferenciado da Força Estabelecer situações de forma exemplificativa onde o emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo pode anteceder o emprego de qualquer outra opção de força deve ser o pilar para o uso diferenciado da força, sem, contudo, restringir a intervenção do PSP a esses meios e sim induzir à sua priorização. O registro e controle dos instrumentos de menor potencial ofensivo são fundamentais para garantir transparência, responsabilidade e conformidade legal nas instituições de segurança pública. Todo IMPO que for disponibilizado ao profissional de segurança pública para o uso deve ser registrado em seu nome para fins de controle e individualização do emprego, sem prejuízo de outras medidas a critério e especificidades de cada órgão de segurança pública. A SENASP, por meio do Programa Nacional de Normalização e Certificação de Produtos de Segurança Pública – Pró-Segurança, tem elaborado normas técnicas voltadas para os instrumentos de menor potencial ofensivo. Estas normas estabelecem os requisitos mínimos de qualidade e desempenho os quais são aplicáveis ao fornecimento dos IMPOs, de forma a garantir a segurança, a qualidade e a confiabilidade. Atualmente, existem quatro normas técnicas sobre IMPO: NT – SENASP 002/2020 (Armas eletroeletrônicas de incapacitação neuromuscular) NT – SENASP 007/2023-1 (Granadas policiais – explosivas) NT – SENASP 007/2023-2 (Granadas policiais – não explosivas) NT – SENASP 007/2023-3 (Granadas policiais – de lançamento por artefato próprio) As situações em que o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo será recomendado em detrimento de outros equipamentos; A necessidade de registro e controle dos instrumentos de menor potencial ofensivo; As normas técnicas da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública; 90 Uso Diferenciado da Força Conheça as normas técnicas disponível em: Normas Técnicas SAIBA MAIS A observância das normas técnicas visa aumentar a performance operacional quando da utilização da ferramenta, resultando em potencial economia e eficiência para a Administração Pública. Importante frisar que consoante a Portaria do Ministério da Justiça e Segurança Pública nº 104/2020, para aquisições realizadas com recursos públicos oriundos do Orçamento Geral da União, incluindo do Fundo Nacional de Segurança Pública, deverão observar as Normas Técnicas Senasp. A adoção de protocolos operacionais claros e bem definidos para o uso de IMPOs é fundamental para garantir que a atuação do PSP seja legal, segura, eficiente e proporcional. Esses protocolos servem como diretrizes técnicas que orientam os PSPs em situações críticas, minimizando riscos, prevenindo abusos e assegurando a legitimidade institucional. Protocolos operacionais bem estruturados são a base de uma segurança pública profissional, ética e eficaz. Eles protegem vidas, asseguram a legalidade e fortalecem a confiança da sociedade nas instituições de segurança pública. Não deixar de prever na regulamentação do emprego dos IMPOs, uma supervisão eficiente no nível interno de controle por meio das corregedorias, ouvidorias, inspetorias e comissões de controle interno com vistas a apurar possíveis excessos no uso da força e monitorar os incidentes envolvendo o emprego de IMPO elucidando os fatos e imputando responsabilização pelos desvios de conduta. O estabelecimento de protocolos operacionais; As instâncias de supervisão e suas responsabilidades, inclusive quanto ao monitoramento dos incidentes; https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/pro-seguranca/normas/normas-tecnicas-publicadas/nt-senasp-no-007-2023-1-granadas-policiais-explosivas 91 Uso Diferenciado da Força AULA 3 Do gerenciamento de crise Figura 49: Atuação da equipe de negociadores policiais Fonte: www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os- diplomatas-do-caos , 2016. 3.1. Crise - Conceito 3.2. Gerenciamento de crises - Conceito Considera-se crise todo o fenômeno complexo e não rotineiro, de diversas origens, caracterizado por um estado de grande tensão, com elevada probabilidade de agravamento e risco de sérias consequências à ordem pública, incolumidade das pessoas e do patrimônio, e que exija uma resposta especial, imediata e multissetorial dos órgãos de segurança pública, compreendendo, ainda, o contexto do Sistema de Segurança local e demais agências estatais, cujas atribuições tenham repercussão direta ou indireta no evento crítico (PMDF, Portaria nº 1.196/21, com adaptações). O gerenciamento de crises nas ações de segurança pública é um processo estratégico e coordenado. Visa controlar situações de alto risco, como tomada de reféns, ataques terroristas, motins ou até mesmo desastres naturais, garantindo a segurança pública e minimizando danos. Envolve planejamento prévio, comunicação eficaz, tomada de decisão rápida e ações táticas especializadas, sempre alinhadas aos direitos humanos e ao Estado Democrático de Direito. https://www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-diplomatas-do-caos https://www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-diplomatas-do-caos https://www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-diplomatas-do-caos https://www.blitzdigital.com.br/negociacao-em-crises-os-diplomatas-do-caos É notório que cada órgão de segurança pública tem a sua autonomia administrativa, operacional e doutrinária para gerir o seu bom funcionamento e decidir sobre a melhor forma de atuação. A Secretaria Nacional de Segurança Pública – SENASP, disponibiliza normas e manuais para qualquer órgão integrante do Sistema Único de Segurança Pública – Susp adotar ou referenciar nos respectivos protocolos, com intuito de auxiliar nessa construção doutrinária, legal e procedimental, especificamente sobre o gerenciamento de crises nas ações de segurança pública temos consignados no art. 14 e incisos, da Portaria MJSP nº 855/25 alguns parâmetros que deverão ser observados na construção de regulamentações sobre esse tipo de evento. Senão, vejamos: 92 Uso Diferenciado da Força Os órgãos de segurança pública, como principais estruturas de resposta, devem integrar inteligência, negociação e operações táticas para resolver crises com equilíbrio entre autoridade e proporcionalidade. A capacitação contínua e a colaboração com outras instituições são essenciais para assegurar respostas ágeis e eficientes, preservando vidas e a ordem pública. 3.3. Dos Parâmetros para regulamentação das ações de gerenciamento de crises Expressão do princípio geral da precaução o planejamento estratégico das operações de gerenciamento de crises é requisito obrigatório e fator crítico de sucesso, afastando a possibilidade de danos, otimizando os recursos públicos e evitando o uso inadequado da força. Planejar estrategicamente as operações, considerando os diversos cenários, as informações de inteligência e análise de riscos, para minimizar ou mitigar os danos e o uso inadequado da força Documentar os procedimentos, preferencialmente por meio de câmeras corporais, de acordo com a Portaria MJSP nº 648, de 28 de maio de 2024 93 Uso Diferenciado da Força Figura 50: Câmeracorporal utilizada para registro de interações entre policiais e cidadãos Fonte: https://www.axon.com/products/axon-body-4 , 2025. A câmera corporal é um dispositivo portátil que capta registros audiovisuais das interações com o ambiente e com outras pessoas e que se acoplam aos uniformes dos profissionais de segurança pública. Dentre outros objetivos, o uso de câmeras corporais visa incrementar a proteção dos direitos e garantias dos profissionais de segurança pública e dos cidadãos, bem como qualificar a produção de provas materiais, resguardando a cadeia de custódia a partir de registros audiovisuais. Diante disso, utilizando de maneira adequada essa ferramenta, os órgãos de segurança pública poderão gerenciar melhor o cenário da crise e compilar dados audiovisuais para estudos de caso, aprimoramento de técnicas e documentação efetiva e fidedigna das ocorrências dessa natureza. diz que o repasse de recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública e do Fundo Penitenciário Nacional para a implementação ou a ampliação de projetos de câmeras corporais para os órgãos de segurança pública dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios está condicionado à observância das diretrizes nela estabelecidas. Art. 2º, da Portaria MJSP nº 648/24 Trata-se do monitoramento e supervisão dinâmica nas operações de gerenciamento de crises. O monitoramento constante da operação requer, preferencialmente, a utilização Monitorar e supervisionar continuamente as operações, realizando ajustes táticos em tempo real para garantir a legalidade e a eficácia da intervenção 94 Uso Diferenciado da Força de sistemas de comunicação, câmeras, drones e inteligência para acompanhar o desenrolar da operação, permitindo uma visão estratégica do cenário, pois a dinâmica de uma crise exige adaptação rápida. Os gerentes da crise devem reavaliar constantemente as estratégias, reposicionando equipes, alterando abordagens ou suspendendo ações caso novos riscos surjam. Os ajustes táticos em tempo real permitem correções instantâneas, como reforço de equipes, evacuação de civis ou mudança de táticas de negociação, aumentando as chances de sucesso sem violações de direitos. Registrar todas as fases da operação por meios idôneos respaldados em protocolos, preferencialmente, com o apoio do uso de câmeras corporais, conforme a Portaria MJSP nº 648/24. Os registros e justificativas são recomendações de espectro internacional provenientes do princípio da prestação de contas, constante em diplomas das Nações Unidas sobre o uso da força. Esse princípio, em virtude do Direito Internacional dos Direitos Humanos e dos Princípios Internacionais sobre o Uso da Força, obriga os Estados a garantir que os profissionais de segurança pública prestem conta dos seus atos, incluindo todas as decisões de se utilizar a força. Sugere-se que para uma maior eficiência na prestação de contas por parte dos PSPs, que os órgãos de segurança pública estabeleçam mecanismos internos voltados à prestação de contas das ações em segurança pública suficientemente independentes e eficazes. Registrar e justificar as ações e as decisões tomadas durante as operações No gerenciamento de crises, a adoção de alternativas táticas é essencial para reduzir a tensão da crise, preservar vidas e garantir a legitimidade da ação de segurança pública. Além disso, a consciência situacional e a comunicação eficaz são fundamentais para desarmar tensões antes que evoluam para cenários críticos. Essas alternativas devem priorizar as soluções pacíficas sempre que possível. O parágrafo único, art. 15, da Portaria MJSP nº 855/25, traz que: 3.4. Breves recomendações sobre o uso de alternativas táticas no gerenciamento de crises 95 Uso Diferenciado da Força O uso das alternativas táticas no gerenciamento de crises considerará a negociação como a principal alternativa. Preliminarmente, no gerenciamento de crises, é importante estabelecer um vínculo de confiança com o causador do evento crítico, sempre que possível, sendo de suma importância a figura do negociador, encarregado pela negociação policial. A negociação se enquadra nos objetivos consignados em diplomas internacionais sobre o uso da força, como consubstancia o princípio básico de número 4, dos Princípios Básicos sobre o Uso da Força e Arma de Fogo (PBUFAF), adotado no 8º Congresso das Nações Unidas sobre a Prevenção do Crime e Tratamento dos Infratores, realizado em Havana, Cuba, em setembro de 1990: Figura 51: Equipe especializada em negociação policial Fonte: Acervo do conteudista, 2025. “4. No cumprimento das suas funções, os responsáveis pela aplicação da lei devem, na medida do possível, aplicar meios não-violentos antes de recorrer ao uso da força e armas de fogo. Quando o uso da força for inevitável, eles devem utilizá-la de forma moderada e progressiva, em conformidade com a gravidade da ameaça e com os objetivos legítimos a serem alcançados.” (grifamos) 96 Uso Diferenciado da Força Neste entendimento, a negociação é uma alternativa tática não-violenta. A negociação tem o propósito de influenciar comportamentos, aliviando a tensão da crise criando uma atmosfera ideal para as tratativas e acordos, visando o desfecho pacífico do conflito. O causador do evento crítico deve render-se pacificamente aos argumentos do negociador. Por essas razões, a negociação é a alternativa tática de maior aceitabilidade social e legal. O uso de ferramentas como matrizes de risco e protocolos de tomada de decisão em tempo real ajuda a padronizar avaliações, assegurando que a força seja aplicada apenas quando estritamente necessária e na intensidade adequada. A aplicação do uso diferenciado da força deve se basear numa avaliação criteriosa do nível da ameaça (presença de armas e intenção do causador do evento crítico), contexto operacional (ambiente, condições de visibilidade, presença de populares etc.), fatores humanos (estado emocional do causador do evento crítico, uso de substâncias psicoativas), alternativas disponíveis (possibilidade de negociação ou contenção tática, uso de IMPOs ou uso da força letal). A necessidade e a mensuração do risco da adoção de medidas de uso diferenciado da força AULA 4 Da busca pessoal e domiciliar Figura 52: Procedimento de busca domiciliar Fonte: www.thebelltowertimes.com/category/true-ish-cime (2024). 97 Uso Diferenciado da Força 4.1. Introdução 4.2. Dos Parâmetros para regulamentação da busca pessoal e domiciliar pelos órgãos de segurança pública A busca pessoal e domiciliar são procedimentos policiais essenciais para a prevenção e repressão do crime, investigação criminal e garantia da ordem pública, previstos constitucionalmente e regulamentados pelo Código de Processo Penal (CPP). Enquanto a busca pessoal consiste na revista a um indivíduo para localizar objetos ilícitos ou provas de um crime, a busca domiciliar se refere à entrada e vistoria em residências ou locais privados, mediante autorização judicial ou em situações excepcionais (flagrante delito, risco iminente ou consentimento do morador). A busca pessoal e domiciliar são procedimentos delicados, pois envolvem os direitos individuais e a inviolabilidade do lar (art. 5º, XI, CF/88). Para que sejam válidas, devem seguir parâmetros legais e protocolos rigorosos que orientem a conduta do profissional de segurança pública para preservação dos direitos humanos e proteção do patrimônio. Figura 53: Realização de busca pessoal em ação operacional Fonte: www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and- pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters , 2020. Veja a seguir os parâmetros para a busca pessoal, elegidos no art. 16, da Portaria MJSP nº 855/25: https://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters https://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters https://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protestershttps://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters https://www.cbsnews.com/news/flash-grenades-rubber-bullets-and-pepper-balls-the-police-weapons-used-against-protesters 98 Uso Diferenciado da Força A obrigação de informar às pessoas os motivos da busca e seus direitos é um requisito essencial para garantir a legalidade, transparência e respeito aos direitos fundamentais, conforme previsto na Constituição Federal (CF/88), no Código de Processo Penal (CPP) e em normas internacionais de direitos humanos. Informar às pessoas submetidas à medida as razões que a motivaram, esclarecendo os seus direitos, de forma clara e compreensível Código de Processo Penal — Art. 240, §2º - “A autoridade deve comunicar o motivo da busca pessoal.” > > (Código de Processo Penal, Art. 240, §2º — Brasil) Disponível em: Lei de Abuso de Autoridade — Lei nº 13.869/2019 > Omissão de informação pode configurar abuso, sujeitando o autor a sanções. Disponível em: Decreto nº 678, de 6 de novembro de 1992 - Pacto de San José da Costa Rica — Convenção Americana de Direitos Humanos (Art. 8º) - Garante o direito à informação e o direito de defesa como fundamentos essenciais da Justiça. Disponível em: Código de Processo Penal Lei nº 13.869/2019 Decreto nº 678 SAIBA MAIS https://www.jusbrasil.com.br/topicos/10659440/paragrafo-2-artigo-240-do-decreto-lei-n-3689-de-03-de-outubro-de-1941 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/lei/l13869.htm https://www.jusbrasil.com.br/legislacao/109746/decreto-678-92 99 Uso Diferenciado da Força A busca pessoal, como medida de investigação ou prevenção, deve sempre respeitar o princípio da proporcionalidade e da mínima invasividade, garantindo o equilíbrio entre a necessidade policial e os direitos fundamentais do indivíduo. Da invasividade Alguns procedimentos que podem tornar a busca pessoal excessivamente invasiva: Expressão fidedigna do princípio da PROPORCIONALIDADE, onde o nível da força utilizado deve ser compatível com a gravidade da ameaça apresentada pela conduta das pessoas envolvidas e os objetivos legítimos da ação do profissional de segurança pública. A força só é legítima quando estritamente necessária e proporcional, sempre visando proteger vidas e garantir a eficácia da ação de segurança pública sem violar os direitos humanos. Estabelecer que o procedimento seja o menos invasivo possível, de modo a minimizar constrangimentos Limitar ao mínimo necessário o uso da força, que deverá ser proporcional à resistência apresentada pela pessoa A revista que envolve toque em partes intimas sem justificativa clara e realizada por PSP de sexo biológico diverso da pessoa abordada, quando possível e seguro de que o procedimento possa ser realizado por PSP do mesmo sexo biológico da pessoa abordada; Os que exijam a retirada de roupas além do razoável, salvo em casos extremos, como suspeita de ocultação de drogas em orifícios corporais; Aqueles que caracterizam o crime de invasão de dispositivos telemáticos. 1 2 3 IMPORTANTE 100 Uso Diferenciado da Força O registro da identidade da pessoa revistada e das razões que justificaram a busca pessoal é um requisito legal essencial para garantir transparência, controle da atividade do profissional de segurança pública e proteção contra abusos. Esse registro pode ser feito de forma escrita ou eletrônica, por meio de sistemas próprios para se evitar a perda de dados, com as informações das pessoas que passaram pelo procedimento, as razões, podendo fazer referência a uma Ordem de Serviço/Operações e a identificação dos PSPs responsáveis pela revista. Tal procedimento visa, principalmente, evitar as buscas pessoais arbitrárias, garantir o direito de defesa do cidadão abordado e garantir a rastreabilidade para fins de investigações administrativas e judiciais. A recusa em fornecer dados de identificação civil, quando solicitados justificadamente por autoridade competente, é considerada uma contravenção penal no Brasil, conforme o art. 68, da Lei de Contravenções Penais (Decreto-Lei nº 3.688/41) e passível de multa. É importante não confundir esse registro da pessoa abordada com a identificação criminal, prevista na Lei nº 12.037/09. Registrar a identidade da pessoa revistada e as razões para a realização do procedimento O civilmente identificado não será submetido a identificação criminal, salvo nas hipóteses previstas em lei. (Art. 5º, LVIII, da CF). Art. 3º., da Lei nº 12.037/09 101 Uso Diferenciado da Força Fonte: Copilot IA, 2025. A utilização das câmeras corporais são instrumentos de apoio necessários para a documentação do ocorrido em ações de segurança pública, principalmente, por permitir a apresentação dos fatos pela perspectiva dos PSPs. Documentar os procedimentos, preferencialmente por meio de câmeras corporais de acordo com a Portaria MJSP nº 648, de 28 de maio de 2024. https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/PORTARIA648de2024.pdf https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/PORTARIA648de2024.pdf https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/PORTARIA648de2024.pdf https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/PORTARIA648de2024.pdf 102 Uso Diferenciado da Força Figura 54: Câmera corporal para registro de ações de segurança pública Fonte: Axon Enterprise Inc, 2025. Da exceção do registro individual Agora, veja os parâmetros para a busca domiciliar, elegidos no art. 17, da Portaria MJSP nº 855/25: Informar os motivos e direitos durante uma busca domiciliar não é mera formalidade, mas garantia de justiça e transparência. A clareza na comunicação reduz conflitos, aumenta a legitimidade da ação de segurança pública e evita judicializações desnecessárias. A comunicação deve ser clara, objetiva e em termos inteligíveis que deve obrigatoriamente abordar: Informar à pessoa as razões da medida esclarecendo os seus direitos, de forma clara e compreensível Art. 16, § 1º, da Portaria MJSP nº 855/25: “Excepcionalmente, o registro individualizado poderá deixar de ser feito, de forma justificada, em situações de controle de multidões e ou de acompanhamento de eventos em que a quantidade de pessoas impossibilite a sua realização.” 103 Uso Diferenciado da Força A motivação da busca domiciliar: explicação sucinta dos motivos que justificam a medida; Informar os direitos do cidadão: direito a permanecer calado (art. 5º, LXIII, CF/88); direito a um advogado (art. 5º, LXIV, CF/88); direito de solicitar a identificação dos agentes (art. 5º, XXXIV, 'a', CF/88); direito de registrar a ocorrência (cópia do termo de busca domiciliar); direito de recorrer (se julgar a busca abusiva); Promover a acessibilidade: se a pessoa presente no domicílio for surda, analfabeta ou não falar português, deve-se ter um apoio técnico de intérprete, linguagem de sinais e/ou uso de ilustrações simplificadas para facilitar a comunicação. 1 2 3 A busca domiciliar deve ser cautelosa e respeitar a propriedade privada e a dignidade da pessoa humana. Minimizar qualquer dano à pessoa ou à propriedade, garantindo que o procedimento seja o menos invasivo possível A casa é asilo inviolável do indivíduo, ninguém nela podendo penetrar sem consentimento do morador, salvo em caso de flagrante delito ou desastre, ou para prestar socorro, ou, durante o dia, por determinação judicial. Em caso de desobediência, será arrombada a porta e forçada a entrada. Constituição Federal (art. 5º, XI) Código de Processo Penal (Art. 245, §2º, CPP) 104 Uso Diferenciado da Força Invadir ou adentrar, clandestina ou astuciosamente, ou à revelia da vontade do ocupante, imóvel alheio ou suas dependências, ou nele permanecer nas mesmas condições, sem determinação judicial ou fora das condições estabelecidas em lei. Lei de Abuso de Autoridade (Lei nº 13.869/2019, Art. 22) Algumas medidas para minimizar danos na busca domiciliar: 1 2 3 4 Planeje a sua ação realizando aconfirmação dos dados como endereço, se a suspeita é fundamentada e a pessoa que detém a posse ou propriedade do imóvel; Utilize a inteligência policial para levantar informações fidedignas evitando buscas aleatórias; A comunicação do procedimento deve ser clara apresentando e lendo o mandado, explicar o que será revistado e por quê; Usar técnicas de negociação, evitando a força excessiva. 105 Uso Diferenciado da Força Utilize métodos não-destrutivos para busca, priorizando a revista visual antes de remover as coisas, usar ferramentas não-invasivas como lanternas e espelhos de inspeção, evitar quebra de paredes e pisos sem fortes indícios e etc.Além desses procedimentos, recomenda-se a gravação da busca domiciliar em vídeo para comprovar a moderação e arrolar testemunhas. A força só é legítima quando estritamente necessária e proporcional, sempre visando proteger vidas e garantir a eficácia da ação de segurança pública sem violar os direitos humanos. Considere as mesmas orientações tratadas no parâmetro idêntico referente à busca pessoal. A obtenção da autorização de entrada no domicílio dever ser sem coação do profissional de segurança pública, que deverá identificar-se e explicar os motivos da busca informando os direitos do cidadão que detém a posse ou propriedade do imóvel. São entendidas como boas práticas, em que pese não haver obrigatoriedade, o registro por meio de termo de consentimento assinado e/ou gravação em áudio e vídeo, como recomenda a Portaria MJSP nº 648/24. Expressão do princípio da NÃO DISCRIMINAÇÃO onde os profissionais de segurança pública devem atuar de forma não discriminatória, sem preconceitos de raça, etnia, cor, gênero, orientação sexual, idioma, religião, nacionalidade, origem social, deficiência, situação econômica, opinião política ou de outra natureza. Limitar ao mínimo necessário o uso da força Registrar a identidade das pessoas objeto da medida e a dos demais residentes ou presentes, bem como as razões que a motivaram Obter e registrar o consentimento do residente, na hipótese de inexistência de mandado judicial, que deverá ser voluntário e livre de qualquer constrangimento ou coação, exceto em caso de flagrante Promover ações no sentido de conscientizar os profissionais de segurança pública para que observem a imparcialidade e a legalidade e evitem comportamentos abusivos ou preconceituosos 106 Uso Diferenciado da Força Faz necessário o complemento com o princípio geral da LEGALIDADE onde o uso da força e de instrumentos de menor potencial ofensivo somente poderá ocorrer para a consecução de um objetivo legal e nos estritos limites da lei. O uso de algemas pelos profissionais de segurança pública é um tema importante que envolve o equilíbrio entre segurança dos PSPs, eficácia da ação de segurança pública e direitos fundamentais. Instrumentos de contenção são uma ferramenta de aplicação da lei penal e um meio de coerção. Como tal, vale recordar que o Código de Conduta para os Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei da ONU assevera que os agentes de segurança estão obrigados a “respeitar e proteger a dignidade humana, manter e apoiar os direitos humanos de todas as pessoas". Qualquer uso de algemas ou outros instrumentos de contenção deve cumprir os parâmetros e princípios internacionais de uso de força. Isso significa que seu uso deve ser excepcional e proporcional, e limitado a casos de gravidade, urgência e necessidade, como último recurso depois de terem sido esgotadas previamente as demais vias disponíveis, e pelo tempo e na medida indispensáveis para garantir a segurança (Conselho Nacional de Justiça, 2020). AULA 5 Do uso de algemas Figura 55: Algemas metálicas empregadas em ações operacionais Fonte: Copilot IA (2025). 107 Uso Diferenciado da Força Em âmbito nacional, o Supremo Tribunal Federal estabeleceu parâmetros estritos para o uso de instrumentos de contenção em decisão vinculativa ao Poder Judiciário e aos três níveis de governo. A Súmula Vinculante nº 11, de 22 de agosto de 2008, determina que: Trata-se da principal base normativa sobre o uso de algemas ou outros instrumentos de contenção em vigor no Brasil. Seu escopo envolve as audiências judiciais, porém ultrapassa o âmbito estritamente judiciário e tem incidência também sobre o uso de algemas no contexto de detenções policiais, espaços de privação de liberdade, entre outros. (CNJ, 2020). “Só é lícito o uso de algemas em casos de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar, civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado.” 5.1. Dos Parâmetros para regulamentação do uso de algemas pelos órgãos de segurança pública Não conflitando com a Súmula Vinculante nº 11, os órgãos de segurança públicas ao regulamentar o uso de algemas deverão observar, no mínimo: Considerar as peculiaridades técnicas, as competências constitucionais e as atividades de cada órgão de segurança pública no emprego do uso de algemas Figura 56: Algemas e os limites legais do uso da força Fonte: Conselho Nacional de Justiça, 2025. https://www.direitonews.com.br/2022/04/cnj-internacional-manual-uso-algemas-tribunais.html Preliminarmente, respaldados nas legislações e orientações de regência já apontadas neste curso, os PSPs sempre decidirão pelo emprego da algema para garantir a integridade física de todos os envolvidos e aqueles que potencialmente possam ser abrangidos pela conduta do cidadão infrator. Para que o PSP possa garantir uma segurança pública de qualidade, ele próprio deve se sentir seguro. Observar com rigor a necessidade de aplicação de algemas ou outro instrumento de contenção para não atentar contra a inviolabilidade corporal, com especial atenção às gestantes e pessoas com necessidade especiais. Garantir que o emprego seja feito com a devida avaliação da necessidade para que o uso deliberado não possa ferir o princípio da presunção de inocência e o princípio da não autoincriminação. Tais cuidados visam afastar a ocorrência de constrangimentos ilegais, nulidades de provas e indenizações por danos morais. 108 Uso Diferenciado da Força Sempre que possível, como boas práticas de perícia criminal, antes ou durante a prisão do suspeito de disparos de arma de fogo, para que o uso de algemas seja feito após a coleta dos resíduos ou, se necessária a colocação de algemas, que seja feita preservando o dorso das mãos. SAIBA MAIS Adotar procedimentos operacionais que garantam a segurança do profissional de segurança pública e que estejam em consonância com os direitos fundamentais da pessoa abordada A observância desses três eixos fundamentais auxilia na construção do escopo de uso pelo perfil institucional, porém não deve ser estanque, permitindo liberdade ao uso conforme necessidade operacional de cada órgão, especialmente por se tratar de equipamento orgânico inerente a todas as instituições de segurança pública. A necessidade operacional deve identificar o risco real, conforme orientação sumular da Suprema Corte, podendo ser complementada pelo Manual de Uso de Algemas e outros Instrumentos de Contenção, do CNJ, especificamente se o uso for em ambientes forenses, onde a aplicação será autorizada ou não pelo magistrado, ouvidos os PSPs responsáveis pela condução, seja da polícia judiciária, judicial, penal, militar ou Guardas Municipais. 109 Uso Diferenciado da Força Considere as mesmas orientações tratadas em parâmetros idênticos em outros tópicos estudados. Documentar os procedimentos, preferencialmente por meio de câmeras corporais de acordo com a Portaria MJSP nº 648, de 2024 Os casos de lesão ou morte decorrentes do uso da força nas ações de segurança pública atingem múltiplas esferas de responsabilização. Cabe destacar e relembrar o princípio geral da RESPONSABILIZAÇÃO, previsto no art.6º, VI, da Portaria MJSP nº 855/25: Na esfera cível já decidiu o Supremo Tribunal de Federal (STF), nos Embargos de Declaração no Recurso Extraordinário com Agravo, em repercussão geral (ARE 1385315 ED-SEGUNDOS / RJ), que: AULA 6 Da lesão ou morte decorrente do uso da força “Os órgãos e os profissionais de segurança pública devem assumir a responsabilidade pelo uso inadequado da força, após a conclusão de processo de investigação, respeitado o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório”. No estabelecimento dos critérios, garantir que esses sejam objetivos e em consonância com os previstos na legislação. Só utilizar as algemas se presentes um ou mais dos seguintes fatores: Resistência ativa Risco de fuga Perigo iminente 1 2 3 Estabelecer critérios que subsidiem o profissional de segurança pública na identificação de situações de uso da algema 110 Uso Diferenciado da Força Planejar para reduzir os efeitos colaterais Se o evento morte ou lesão ocorrer, o que fazer? Ao desenvolver o plano tático, devem ser abordadas questões sobre prevenção à probabilidade de recurso ao uso da força e, se necessário, minimizar a força. É necessário ter o devido cuidado para garantir que a operação seja conduzida de maneira que não implique em risco indevido para a vida ou segurança de terceiros. Calcular a perda acidental de vidas ou ferimentos causados a pessoas não envolvidas no planejamento de uma operação nunca é aceitável em um contexto de aplicação da lei (UNODC, 2021). Art. 20, da Portaria MJSP nª 855/25 - quando o uso da força resultar em lesão ou morte, os profissionais de segurança pública deverão: Essa facilitação pode ser incrementada com a imediata assistência médica com a presença de ambulância em operações policiais planejadas ou com a previsão de protocolos ágeis de acionamento do Corpo de Bombeiros nas hipóteses de operações emergenciais em que, em regra, não é possível às forças de segurança pública deslocar equipe de saúde própria para acompanhamento das suas unidades empregadas. Facilitar a prestação de socorro ou assistência médica aos feridos ”O Estado é responsável, na esfera cível, por morte ou ferimento decorrente de operações de segurança pública, nos termos da Teoria do Risco Administrativo”. “É ônus probatório do ente federativo demonstrar eventuais excludentes de responsabilidade civil”. “A perícia inconclusiva sobre a origem de disparo fatal durante operações policiais e militares não é suficiente, por si só, para afastar a responsabilidade civil do Estado, por constituir elemento indiciário”. 111 Uso Diferenciado da Força O treinamento e a capacitação contínuos dos profissionais de segurança pública em Atendimento Pré-Hospitalar Tático (APH-T) são fundamentais para a correta prestação dos primeiros socorros até a chegada efetiva das equipes de saúde. Os procedimentos realizados devem ser devidamente documentados, inclusive por meio das câmeras corporais, de modo a comprovar que o ferido foi removido com vida do local. Essa prática representa um passo decisivo para o cumprimento da alínea “c” do item 5 dos Princípios Básicos sobre a Utilização da Força e de Armas de Fogo pelos Funcionários Responsáveis pela Aplicação da Lei. Figura 58: Atendimento pré-hospitalar tático conforme protocolos operacionais Fonte: Cabo André Feitosa/ CECOMSAER – FAB (2019) Sempre que o uso legítimo da força ou de armas de fogo seja indispensável, os funcionários responsáveis pela aplicação da lei devem: [...] PRINCÍPIO 5 Figura 57: Assistência pré-hospitalar integrada às forças de segurança Fonte: www.europosters.eu/art-photo/paramedics-providing-fist-aid-v13988 ,2025. https://www.fab.mil.br/noticias/imprime/33988/OPERACIONAL%20-%20Exerc%C3%ADcio%20Operacional%20T%C3%A1pio%20promove%20treinamento%20de%20atendimento%20m%C3%A9dico%20em%20combate 112 Uso Diferenciado da Força A não preservação do local deverá ser minuciosamente justificada pela Autoridade de Segurança responsável pela execução da operação. Inclusive com indicação da Autoridade Policial acionada, especificando-se eventual recusa desta a comparecer ao local do fato penalmente relevante em apuração. Veja o que diz o POP Perícia Criminal – Local de Crime, da SENASP: Trata-se de garantia de recolhimento correto dos vestígios logo após o crime, a sua preservação durante as fases policial e judicial e o seu acondicionamento até a decisão final no processo, a chamada quebra da cadeia de custódia pode comprometer a apuração da verdade. Solicitar a presença da polícia judiciária e de peritos criminais para o registro técnico dos fatos Considerar que a preservação do local se trata do início dos procedimentos de cadeia de custódia, garantindo a idoneidade dos elementos materiais, a qualidade e a eficácia do trabalho pericial (CPP, artigo 158). Toda e qualquer alteração promovida no local entre a ocorrência do crime e o início dos trabalhos periciais deverá ser comunicada aos peritos criminais (CPP, artigo 169, parágrafo único) que deverão registrar as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos. O início da cadeia de custódia ocorre com a preservação do local de crime ou com procedimentos policiais ou periciais nos quais seja detectada a existência de elementos materiais. 1 3 2 Sempre que não implique em riscos maiores à população local, a estabilização da área de operação para realização de perícia de local em caso de morte, de civis ou PSPs, durante a ação de segurança pública. Garantir a preservação do local dos fatos c. Assegurar a prestação de assistência e socorros médicos às pessoas feridas ou afetadas, tão rapidamente quanto possível; 113 Uso Diferenciado da Força “Considera-se cadeia de custódia o conjunto de todos os procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do vestígio coletado em locais ou em vítimas de crimes, para rastrear sua posse e manuseio a partir de seu reconhecimento até o descarte.” Coleta dos Vestígios Figura 59: Perito coletando evidências Fonte: https://legaldefence.com.au/wp-content/uploads/2023/07/Murder- Manslaughter-Barrister-Melbourne.jpg (2025) “A coleta dos vestígios deverá ser realizada preferencialmente por perito oficial, que dará o encaminhamento necessário para a central de custódia, mesmo quando for necessária a realização de exames complementares.” Art. 158-C, Código de Processo Penal Cadeia de Custódia – Conceito Art. 158-A, Código de Processo Penal: 114 Uso Diferenciado da Força Os órgãos de segurança pública devem providenciar a imediata comunicação aos familiares, amigos ou conhecidos da pessoa vitimada e informar sobre o seu estado de saúde, hospital para onde foi encaminhado e, eventualmente, sobre seu óbito, disponibilizando, inclusive canal de atendimento no âmbito das Secretarias de Segurança para obtenção de informações a familiares de civis vitimados. Na comunicação aos familiares deve-se tomar cuidados e observar aspectos éticos e humanos. A forma como a notícia é transmitida pode impactar profundamente os envolvidos. Visando evitar impactos extremamente negativos para o receptor da informação, o comunicante deve agir com empatia passando a informação de maneira clara, mas sensível, evitando estresses desnecessários. Deve garantir a privacidade resguardando detalhes em público e de pessoas não autorizadas e sempre que possível, indicar canais de assistência social, psicológica e/ou de direitos humanos. O princípio 22 do PBUFAF afirma que Comunicar a ocorrência aos familiares, amigos ou conhecidos da pessoa ferida ou morta Relatar os acontecimentos, de modo fiel e detalhado, às corregedorias ou aos órgãos equivalentes, de forma a contribuir com a elucidação dos fatos Em casos de corpos não identificados ou vítimas inconscientes, a comunicação pode ser adiada até a confirmação de identidade. “em casos de morte e lesões severas ou outras consequências graves, um relatório detalhado deve ser enviado prontamente às autoridades competentes responsáveis pela revisão administrativa e controlejudicial.” 115 Uso Diferenciado da Força Para se ter maior aderência por parte do PSP e praticidade para confecção do relatório os órgãos de segurança pública, devem-se implantar sistemas informatizados de confecção de relatórios, onde essas plataformas possuam uma série de caixas de seleção e opções para direcionar o detalhamento da ocorrência visando uma melhor clareza e riqueza de informações para um melhor monitoramento do uso da força. Esses sistemas podem permitir aos administradores e equipes técnicas voltadas ao estudo de ocorrências com lesão corporal ou morte avaliar se existem problemas, por exemplo, se um PSP de uma determinada unidade está empregando a força em excesso, podendo ser investigado de forma mais específica. IMPORTANTE As ocorrências que resultarem em morte ou lesão corporal serão imediatamente comunicadas ao Ministério Público. Finalizando: Neste módulo, você viu: Que o uso da arma de fogo será medida de último recurso, respeitando as diretrizes do uso da força e a respectiva legislação de regência e protocolos do órgão de segurança pública; O PSP deve, sempre que possível, priorizar o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo nas ações de segurança pública, sendo que os órgãos de segurança pública devem disponibilizar aos profissionais de serviço, individualmente, no mínimo um instrumento de menor potencial ofensivo específico de debilitação e um específico de incapacitação, bem como, equipamentos de proteção individual; Os órgãos de segurança pública, como principais estruturas de resposta, devem integrar inteligência, negociação e operações táticas para resolver crises com equilíbrio entre autoridade e proporcionalidade; A busca pessoal e domiciliar são procedimentos delicados, pois envolvem os direitos individuais e a inviolabilidade do lar (art. 5º, XI, CF/88). Para que sejam válidas, devem seguir parâmetros legais e protocolos rigorosos que orientem a conduta do profissional de segurança pública para preservação dos direitos humanos e proteção do patrimônio; SÍNTESE 116 Uso Diferenciado da Força O uso de algemas será sempre excepcional, devendo observar os seguintes pressupostos, sem prejuízo do disposto na Súmula Vinculante nº 11 do Supremo Tribunal Federal: resistência à ordem legal; fundado receio de fuga do preso e perigo à integridade física própria ou alheia; Em casos da lesão ou morte decorrente do Uso da Força os PSPs devem comunicar a ocorrência aos familiares, amigos ou conhecidos da pessoa ferida ou morta, preservar o local, bem como, informar imediatamente ao superior e ao Ministério Público. MÓDULO 4 Dos mecanismos de controle, monitoramento e capacitação no uso da força Apresentação do módulo: Bem-vindo ao último módulo do “Curso uso diferenciado da força”! Neste módulo, você vai conhecer as orientações para os órgãos de segurança pública quando da implementação de mecanismos de controle e monitoramento do uso da força, especialmente, instituindo órgãos de corregedoria e ouvidorias, sendo estas autônomas e independentes. Você também verá os aspectos que devem ser observados pelos órgãos de segurança pública para os processos de capacitação dos PSPs no uso diferenciado da força. Este módulo tem por objetivos: Apresentar os mecanismos de controle e monitoramento do uso da força; Destacar os meios que devem ser adotados pelos órgãos de segurança pública para facilitar o acompanhamento público da atividade policial; Abordar a importância do processo de capacitação continuada no uso da força para os profissionais de segurança pública; Relacionar os requisitos para seleção dos docentes. OBJETIVOS DO MÓDULO 117 Uso Diferenciado da Força Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 - Dos Mecanismos de Controle e Monitoramento Aula 2 – Da Capacitação ESTRUTURA DO MÓDULO Os mecanismos de controle e monitoramento das atividades dos profissionais de segurança pública são fundamentais para assegurar a legalidade, transparência e a devida apuração dos desvios de conduta praticados por esses profissionais. Tais mecanismos podem ser internos ou externos. Mecanismos internos de controle e monitoramento: são sistemas de fiscalização e correição estabelecidos dentro da própria instituição de segurança pública. São setores representados pelas corregedorias e ouvidorias que têm as funções de investigar AULA 1 Dos mecanismos de controle e monitoramento Figura 60: Mecanismos de monitoramento e controle na segurança pública Fonte: Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) (2025) 1.1 Contextualização 118 Uso Diferenciado da Força irregularidades, denúncias e infrações cometidas pelos PSPs, aplicando sanções administrativas quando necessário. São mecanismos de controle interno: São mecanismos de controle externo: Corregedorias: órgão interno de controle responsável por investigar, fiscalizar e disciplinar a conduta de profissionais dentro de uma instituição de segurança pública. Sua função principal é garantir a legalidade, a ética e a eficiência das ações de segurança pública, assegurando que os PSPs cumpram a lei e os regulamentos das corporações. Ouvidorias: canais para receber e apurar reclamações da população sobre condutas indevidas de profissionais de segurança pública. Inspeções e Auditorias internas: avaliações periódicas sobre a conduta, o uso de recursos e a eficácia das operações policiais. Sistemas de gestão de desempenho: monitoramento de indicadores como letalidade policial, prisões em flagrante e uso da força. Mecanismos externos de controle e monitoramento: são realizados por órgãos independentes ou de sociedade civil, que fiscalizam as atividades dos profissionais de segurança pública, apurando o recebimento de denúncias e legalidade das ações de segurança pública. Ministério Público: fiscaliza a legalidade das ações de segurança pública e pode instaurar procedimentos investigatórios. Defensoria Pública: atua na defesa de cidadãos que alegam abusos por parte das forças de segurança pública. Poder Judiciário: julga casos de excessos ou ilegalidades cometidas por profissionais de segurança pública. Conselhos de Direitos Humanos: como o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH), que recebe denúncias e monitora violações. 119 Uso Diferenciado da Força Organizações Não-Governamentais (ONGs): grupos como a Anistia Internacional ou o Fórum Brasileiro de Segurança Pública acompanham e denunciam abusos. Mídia e Sociedade Civil: a imprensa e redes sociais funcionam como vigilantes informais, expondo casos de violência ou corrupção de profissionais de segurança pública. A implementação de diretrizes robustas para a fiscalização e o controle interno no uso da força é essencial para equilibrar a necessidade de segurança pública com o respeito aos direitos fundamentais. Sem esses mecanismos, aumenta-se o risco de violações, perda de legitimidade das instituições e escalada de conflitos. Portanto, é crucial que os órgãos de segurança pública adotem protocolos transparentes, sistemas de monitoramento independentes e canais de denúncia acessíveis. Isso garantirá que o poder coercitivo do Estado seja exercido com responsabilidade, transparência e objetividade no devido processo legal. Conheça as diretrizes: 1.2. Das diretrizes para atuação dos mecanismos de fiscalização e de controle interno dos órgãos de segurança pública na supervisão do uso da força Os mecanismos de controle interno e fiscalização devem assegurar que todo uso da força seja documentado, analisado e, quando necessário, investigado. A existência de protocolos padronizados facilita a auditoria e o acompanhamento de casos, permitindo identificar padrões de conduta inadequada e corrigi-los. A transparência fortalece a confiança da sociedade nas instituições policiais, demonstrando que há responsabilização em casos de excessos, protegendo o instituto da prestação de contas, conhecido mundialmente pelo termo “accountability”. Garantia da transparência e do acesso público a dados e informações sobre o uso da força A expressãoaplicados ao uso diferenciado da força ESTRUTURA DO MÓDULO 08 Uso Diferenciado da Força AULA 1 Introdução ao uso da força 1.1 Contextualização E por falar em decisão, você poderia relacionar as características de um processo de tomada de decisão por parte do Profissionais de Segurança Pública (PSP)? O Uso Diferenciado da Força (UDF) se configura como: O UDF se fundamenta nas diretrizes nacionais e internacionais referentes à preservação da dignidade da pessoa humana e a concepção do direito à segurança pública com cidadania, contemplando orientações e padronizações para o emprego eficiente e legítimo da força. Para tanto se faz necessário o entendimento de alguns conceitos presentes nas normas e recomendações para um bom alinhamento entre a teoria e a prática. O estudo do uso da força visa orientar os profissionais de segurança pública para uma atuação assertiva e com vistas a não empregar um nível de força maior que a necessária, ou, se inevitável, reduzir ao máximo a intensidade do nível de força exigido. Para alcançar esse objetivo as diretrizes do uso da força trazidas pelas normas nacionais e internacionais servem como suporte imprescindível para que o profissional de segurança pública possa decidir com qualidade. O processo de tomada de decisão possui três características, a saber: 09 Uso Diferenciado da Força uma doutrina cuja finalidade é orientar os profissionais de segurança pública, quanto a seleção apropriada do nível de força frente a uma ameaça real ou potencial, com vistas a minimizar o uso de meios que possam causar ofensas, ferimentos ou mortes. 10 Uso Diferenciado da Força Solitário Irreversível Intransferível O profissional de segurança pública ao decidir aplicar a força o faz sozinho, com base na sua experiência profissional e de vida. Ainda que esteja em cumprimento de determinação superior, o PSP deverá possuir o discernimento suficiente para utilizar a força de maneira proporcional. Uma vez aplicada a força não terá mais como voltar ao status quo da situação, ou seja, os procedimentos adotados já repercutiram e surtiram seus efeitos na cena de intervenção. Ao decidir, o PSP não pode delegar ao particular tal encargo, pois é ele que tem legitimidade para agir em nome do Estado; Para que o produto desse processo de tomada de decisão seja uma resposta de qualidade, o Profissional de Segurança Pública (PSP) deve conhecer as variáveis do uso diferenciado da força, bem como, treinar de forma consciente e refletida aproximando- se o máximo possível da realidade. Mais adiante neste curso, iremos estudar mais detalhadamente todos os fatores e técnicas que influenciam no processo de tomada de decisão e alguns métodos para auxiliar neste processo como o ciclo OODA (Observar, Orientar, Decidir e Agir). 11 Uso Diferenciado da Força 1.2 Legislação nacional e internacional – breves apontamentos Dentre as normas que versam sobre o emprego eficiente e legítimo da força destacamos alguns instrumentos nacionais e internacionais que orientam e padronizam a atuação do PSP quanto à preservação da ordem pública e da incolumidade física das pessoas. Abaixo são elencados alguns normativos importantes: Quadro 1: Normativas nacionais sobre o emprego eficiente e legitimo da força 12 Uso Diferenciado da Força 13 Uso Diferenciado da Força 14 Uso Diferenciado da Força Enquanto a legislação nacional estabelece os parâmetros fundamentais para o uso da força e a atuação dos profissionais de segurança pública, é essencial compreender que essas normas estão inseridas em um contexto mais amplo de regulamentações internacionais. As diretrizes globais, elaboradas por organizações como as Nações Unidas, servem de norte para os princípios existentes no Brasil, promovendo uma atuação policial que respeite os direitos humanos e preserve a dignidade de todas as pessoas. 15 Uso Diferenciado da Força Quadro 2: Normativas internacionais sobre o emprego eficiente e legitimo da força. 16 Uso Diferenciado da Força 1.3 Objetivos da legislação sobre o uso da força A legislação sobre o uso da força busca dar respaldo legal e orientador para que os profissionais de segurança pública (PSPs) possam atuar com maior segurança e responsabilidade quando do emprego de qualquer nível de força, sem sacrificar 17 Uso Diferenciado da Força quaisquer dos direitos fundamentais do indivíduo procurando ser um garantidor dos direitos humanos. Todo o sistema de normas voltadas para o uso da força traz como base a persecução de uma maior eficiência, transparência e valorização das atividades dos PSPs. De forma não-exaustiva, podemos relacionar os principais objetivos do sistema normativo sobre o uso da força, pautados na Portaria MJSP nº 855/25: Assegurar a correta utilização da força nas ações de segurança pública: orientar ao PSP sobre o uso consciente e refletido da força visando uma intervenção proporcional frente o conflito sugerido; Incrementar a profissionalização e capacitação dos integrantes dos órgãos de segurança pública: investir em ações formativas voltadas para uso diferenciado da força e o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo; Estimular a edição pelos distintos órgãos de segurança pública de atos normativos disciplinando o uso da força no âmbito das respectivas competências: elaboração de protocolos de atuação, portarias internas, instruções normativas, entre outros, com objetivo de normatizar o uso da força por parte das instituições integrantes do Sistema Único de Segurança Pública; Fomentar a produção de dados e análises sobre o uso da força: criar banco de dados para monitoramento e gestão das ações dos PSPs, para permitir um melhor entendimento do uso da força e orientar políticas públicas voltadas para a segurança pública; Incentivar a ampliação da supervisão e fiscalização do uso da força nas ações de segurança pública, especialmente por meio das corregedorias e ouvidorias de Polícia: essa ampliação traduz como oportunidade para que ambos os lados possam demonstrar a sua visão dos fatos para melhor elucidação das ocorrências envolvendo o uso da força; Encorajar a adoção de instrumentos de menor potencial ofensivo: o intuito é dotar todas as instituições de segurança pública de meios capazes de promover uma intervenção com o mínimo dano possível afastando os meios mais lesivos. AULA 2 Conceitos aplicados ao uso diferenciado da força Na aula anterior você pôde conhecer alguns dispositivos normativos aplicados ao uso da força e pontuar os principais objetivos almejados por aquele sistema. Nesta aula, apresentaremos a você os conceitos aplicados ao uso diferenciado da força consignados na Portaria MJSP nº 855/25, para que você possa ter um melhor entendimento sobre a matéria através dos termos para um emprego eficiente e legítimo da força. Com intuito de complementar os conceitos apresentados na Portaria, inserimos definições consagradas no meio da segurança pública tão importantes quanto as demais e aplicáveis à temática do uso diferenciado da força. 18 Uso Diferenciado da Força Atividades realizadas por seus profissionais com o objetivo de impedir, reprimir ou apurar violações ao ordenamento vigente. Intervenção coercitiva imposta a uma pessoa ou grupo de pessoas pelos profissionais de segurança pública com a finalidade de preservar a ordem pública, a incolumidade física e o patrimônio das pessoas. Intensidade da força escolhida pelo profissional de segurança pública em resposta a uma ameaça ou agressão, seja ela letal ou de menor potencial ofensivo. Ações de uso da força em segurança pública Força Nível de Força 19 Uso Diferenciado da Força Artefatos projetados especificamente para minimizar os riscos de causar mortes ou lesões permanentes. Artefatos capazes de reduzir temporariamente a capacidade de reação das pessoas, diminuindo sua energia, vigor ou firmeza. Procedimentos, táticas ou estratégias utilizadas com o objetivo de reduzir a intensidade de um confronto ou de uma situação com o potencialaccountability é uma expressão polissêmica na língua inglesa, significando uma predisposição em responder aos questionamentos externos, em prestar contas daquilo que foi feito, um Estado de administração eficiente, a submissão a leis externas, bem como a responsabilização pelos eventuais desvios. Ela está ligada ao fato de que a sociedade concedeu ao Estado, na pessoa dos agentes policiais, uma gama variada de poderes de abordar pessoas, usar a força para executar suas diligências e até prender pessoas, mas a Polícia deve prestar conta do exercício concreto desses poderes, que há de ser exercidos nos limites da autorização legal. Autoridade e responsabilidade são duas faces da mesma moeda. (ÁVILA, 2014). No Estado democrático de Direito, o funcionamento das instituições não deve depender apenas da presunção de honestidade das pessoas que ocupam as funções públicas; é necessário assegurar, mediante procedimentos de prestação de contas e de acompanhamento de atividades que haverá efetivamente lisura na atuação pública, pois há a possibilidade de pessoas não portadoras dos mais elevados níveis de padrões éticos virem eventualmente ocupar uma determinada função pública, e, portanto, deve-se estar preparado para lidar com tais situações, decorrentes da falibilidade intrínseca do ser humano. O Estado democrático de Direito não confia cegamente nas pessoas que ocupam as funções públicas, ele confia nas instituições e nos mecanismos interinstitucionais de controle do exercício do poder. (ÁVILA, 2014). 120 Uso Diferenciado da Força SAIBA MAIS Disponibilização de canais de denúncia e orientações de registro e acompanhamento de reclamações sobre o uso da força, nos meios de comunicação oficiais, de forma clara e acessível Figura 61: Canais de denúncia Fonte: https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale- conosco/canais-de-denuncias (2025) https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale-conosco/canais-de-denuncias ANOTA AÍ 121 Uso Diferenciado da Força Muitas vítimas ou testemunhas de uso excessivo da força não denunciam por desconhecimento ou medo de represálias. Do mesmo modo, por falta de informações claras sobre como, onde e quando fazer uma denúncia, além de garantias de anonimato e proteção, incentivam a participação cidadã. A divulgação desses meios nos portais oficiais, redes sociais e materiais informativos assegura que a população conheça seus direitos e saiba como agir em casos de violações. Uma vez formalizada a reclamação ou denúncia o cidadão tem o direito de saber qual foi a solução daquela demanda junto aos órgãos competentes. Com isso, a rastreabilidade das reclamações com os respectivos protocolos de acompanhamento assegura que os casos sejam efetivamente apurados e divulgados para aqueles interessados no processo ou qualquer outro procedimento aplicável. Quando a população percebe que há canais seguros para reclamações e que as denúncias são levadas a sério, aumenta a legitimidade das instituições policiais reduzindo a desconfiança crônica e favorecendo a cooperação entre cidadãos e profissionais de segurança pública. A importância da Construção de Confiança Sociedade e Órgão de Segurança Pública Figura 62: Policiamento de proximidade com a comunidade Fonte: https://www.tjam.jus.br/index.php/coij/fale- conosco/canais-de-denuncias (2025) https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052 https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052 https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052 https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052 https://www.abc.gov.br/imprensa/mostrarconteudo/1052 122 Uso Diferenciado da Força A garantia do processamento eficaz e transparente das reclamações sobre o uso da força se refere ao conjunto de medidas institucionais que asseguram o registro, a apuração e a resolução de toda denúncia, de forma imparcial, célere e com total transparência, seguindo critérios técnicos e jurídicos preestabelecidos. Os procedimentos apuratórios sobre reclamações devem ser acessíveis, previsíveis nos ditames da lei e sujeitos a fiscalização, evitando a impunidade. É importante que as vítimas, testemunhas e denunciantes tenham seus direitos protegidos, incluindo acesso a informações sobre o andamento do processo, como já abordando na diretriz anterior. Para fortalecer esses órgãos é necessário garantir a autonomia e independência funcional. Para além disso, com fins de evitar interferências e pressões internas que certamente prejudicarão o processo, deve-se assegurar a autonomia administrativa e orçamentária. Garantia do processamento eficaz e transparente das reclamações sobre o uso da força Fortalecimento da atuação das corregedorias e ouvidorias dos órgãos de segurança pública “Critérios para a independência Um objetivo importante de estabelecer um mecanismo independente é a construção ou restauração da confiança nas entidades policiais. É importante que o mecanismo aja com integridade, imparcialidade e profissionalismo, e que seja operado por indivíduos escolhidos como resultado de um processo seletivo competitivo, transparente e independente. Sua independência não deve somente ser garantida por lei, mas também deve ser vista como totalmente independente da entidade que supervisiona, tal como o setor de aplicação da lei. Também é uma boa prática autorizar a entidade independente a enviar suas descobertas diretamente ao promotor público (pois isso evitaria, por exemplo, uma possível interferência do executivo).” (UNODC, 2021) 123 Uso Diferenciado da Força Para escolher os corregedores e ouvidores recomenda-se que os órgãos de segurança pública utilizem critérios técnicos de escolha e assegurem que os mandatos sejam fixos. Em relação aos recursos humanos, o investimento nas equipes especializadas fortalecerá as funções dos peritos, investigadores, analistas de dados entre outros atores a depender da estrutura do órgão. Estes investimentos devem ser direcionados principalmente na capacitação contínua do PSP em direitos humanos, técnicas de investigação, legislação aplicada e mediação de conflitos. Não obstante, a disponibilização de tecnologias como sistemas de registro eletrônico, câmeras corporais, bancos de dados integrados trarão melhor desempenho e qualidade no trabalho dos profissionais lotados nestes setores. O registro de dados de ocorrências envolvendo o uso da força faz parte de um controle efetivo das ações de segurança pública para gerar um retrato fidedigno das ações e operações policiais onde as oposições às essas intervenções resultem em lesão corporal ou morte. A impossibilidade de realizar os registros deve ser justificada de forma circunstanciada. Os dados compilados e tratados devem ser publicados por meio das respectivas secretarias de segurança dos Estados para comporem um mostruário nacional voltado ao diagnóstico e aprimoramento dos procedimentos operacionais dos PSPs, bem como, orientar os investimentos para políticas públicas de segurança em todo país. Essa publicação também faz parte da prestação de contas à sociedade e demais órgãos de controle da atividade de segurança pública. Os registros devem conter no mínimo: Art. 26 e parágrafos da Portaria MJSP nº 855/25: identificação dos profissionais de segurança pública envolvidos, das vítimas e das testemunhas, se houver; descrição pormenorizada dos equipamentos utilizados, com dados sobre o tipo, modelo e número de série; indicação das características físicas e sociais das vítimas; 1.3. Do registro e publicação dos dados de ocorrências envolvendo o uso da força medidas adotadas antes dos disparos ou do emprego dos instrumentos de menor potencial ofensivo; descrição das circunstâncias, justificativas e consequências relacionadas ao evento e ao nível de força empregada;tipo de arma e munição, quantidade e distância aproximada dos disparos efetuados; quantidade de pessoas vitimadas durante a ação; ações realizadas para facilitar assistência médica, se necessário; e procedimentos de preservação do local do incidente. § 1º Em caso de impossibilidade de registro de qualquer dos dados acima, os profissionais de segurança pública envolvidos deverão apresentar justificativa circunstanciada. § 2º Todas as situações que envolverem emprego de armas de fogo ou de instrumentos de menor potencial ofensivo em ambientes prisionais, independentemente do resultado, deverão ser documentadas. 124 Uso Diferenciado da Força O uso do SINESP para registro de ações relacionadas ao uso da força Figura 63: Sinesp Fonte: https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp- seguranca/login.jsf (2025) https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf https://seguranca.sinesp.gov.br/sinesp-seguranca/login.jsf 125 Uso Diferenciado da Força O SINESP deve incluir ferramentas que permitam o registro das circunstâncias relacionadas ao uso da força por profissionais de segurança pública. Isso significa que o sistema deve possibilitar: incluir dados como data, horário, local, agentes envolvidos, tipo de força utilizada (física, química, instrumentos de menor potencial ofensivo, armas de fogo etc.) e justificativa para o uso; garantir que as informações sejam acessíveis para órgãos de controle interno e externo (como corregedorias, Ministério Público e Defensoria Pública), permitindo a análise da legalidade e proporcionalidade do uso da força; conectar-se a bancos de dados de ocorrências policiais, prisionais e de inteligência, facilitando a correlação de informações; auxiliar na formulação de políticas públicas baseadas em evidências, identificando padrões de uso da força e possíveis abusos; permitir que cada ação seja vinculada aos PSPs responsáveis, assegurando a prestação de contas em casos de investigação. 1- Registro Detalhado: 2 - Transparência e Fiscalização: 3 - Integração com Outros Sistemas: 4 - Geração de Estatísticas e Relatórios: 5 - Rastreabilidade e Responsabilização: IMPORTANTE Conforme preconiza a Lei Federal nº 13.675/18, o integrante que deixar de fornecer ou atualizar os seus dados ou informações no SINESP, além de não receber recursos e nem celebrar parcerias com a União, não poderá receber os recursos do Funpen e do Pronasci. 126 Uso Diferenciado da Força A eficiência e a legitimidade dos órgãos de segurança pública estão diretamente vinculadas à qualificação técnica e ética de seus profissionais. Para garantir que profissionais de segurança pública atuem com efetividade, respeito aos direitos humanos e legalidade, é imprescindível que os órgãos responsáveis assegurem recursos adequados para sua capacitação contínua. A profissionalização das organizações policiais é um componente essencial para a modernização da segurança pública e o fortalecimento do Estado Democrático de Direito. AULA 2 Capacitação Figura 64: Capacitação para os profissionais de segurança pública Fonte: https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2025/2/17/policia-militar-do- piaui-inicia-curso-sobre-cameras-corporais-e-uso-adequado-da-forca- 588048.html (2025) https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/lei/L13675.htm https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2025/2/17/policia-militar-do-piaui-inicia-curso-sobre-cameras-corporais-e-uso-adequado-da-forca-588048.html https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2025/2/17/policia-militar-do-piaui-inicia-curso-sobre-cameras-corporais-e-uso-adequado-da-forca-588048.html https://www.gp1.com.br/pi/piaui/noticia/2025/2/17/policia-militar-do-piaui-inicia-curso-sobre-cameras-corporais-e-uso-adequado-da-forca-588048.html 127 Uso Diferenciado da Força A formação e capacitação continuada e qualificada dos profissionais de segurança pública figura como uma das diretrizes do Plano Nacional de Segurança Pública e Defesa Social, previsto na Lei nº 13.675/18. Além das dotações próprias, os entes federados poderão captar recursos voltados para a capacitação dos profissionais de segurança pública através de instrumentos disponibilizados pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, do MJSP. O MJSP possui a Carteira de Políticas Públicas, que é uma lista exaustiva contendo informações gerais das políticas sob responsabilidade das unidades finalísticas do próprio Ministério. Atualmente, a Carteira de Políticas Públicas contempla uma lista exaustiva das 39 políticas, organizada de forma setorial, ou seja, vinculadas à cada unidade finalística do Ministério responsável pela temática. (Políticas Públicas do MJSP, 2025) Especificamente voltada para educação dos PSPs temos a Política Pública para Educação dos Profissionais de Segurança Pública, visando fomentar, orientar e executar ações formativas e de ensino para os profissionais de segurança pública alinhadas aos princípios técnicos e legais para garantia de direitos fundamentais. Da captação de recursos para ações formativas Figura 65: Carteira de políticas públicas do MJSP Fonte: https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a- informacao/governanca/carteira, 2025. https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira https://www.gov.br/mj/pt-br/acesso-a-informacao/governanca/carteira 128 Uso Diferenciado da Força Formas de implementação/Captação 1. Acordo de Cooperação Técnica; 2. Atos Normativos; 3. Contratos; 4. Convênios; 5. Termos de Cooperação Técnica; 6. Termos de Execução Descentralizada; e 7. Transferências Fundo a Fundo. A capacitação como viga-mestra para o aprimoramento profissional torna-se fundamental tendo em vista inúmeros benefícios diretos e indiretos, especialmente: Por que a Capacitação é Fundamental? Figura 66: Treinamento policial Fonte: acervo do conteudista (2025) 129 Uso Diferenciado da Força profissionais bem treinados cometem menos excessos no uso da força, reduzem letalidade e evitam crises institucionais; a criminalidade evolui (cibercrimes, facções transnacionais, domínio de cidades), exigindo atualização constante; capacitação adequada diminui os riscos operacionais e mortes em serviço; um órgão de segurança pública mais capacitado gera maior credibilidade e cooperação da população. Prevenção de violações: Adaptação a novos desafios: Segurança do próprio profissional: Confiança social: A elaboração de uma matriz curricular é um processo estratégico e pedagógico fundamental para a estruturação de um curso. Ela define a organização das disciplinas, a carga horária, os eixos temáticos e as competências a serem desenvolvidas ao longo da formação. Uma matriz curricular bem elaborada é aquela que equilibra rigor acadêmico, flexibilidade e aplicabilidade prática, preparando os profissionais de segurança pública para os desafios do cotidiano policial e para proteção aos direitos fundamentais dos cidadãos. Com isso, torna-se imprescindível a previsão de disciplina específica sobre o uso da força, incluindo conteúdos relacionados a instrumentos de menor potencial ofensivo. Um bom referencial para orientar e inspirar os órgãos de segurança pública a montar uma matrizcurricular é a Matriz Curricular Nacional (MCN). Aspectos para elaboração de uma matriz curricular 130 Uso Diferenciado da Força Caracteriza-se por ser um referencial teórico-metodológico para orientar as ações formativas dos profissionais da área de segurança pública. (MCN, 2014). É pautada nos direitos humanos, nos princípios da andragogia e nas teorias que enfocam o processo de construção do conhecimento. Matriz Curricular Nacional (MCN) Figura 67: Matriz Curricular Nacional Fonte: https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca- publica/ensino-e-pesquisa/matriz-curricular-nacional (2025) A versão atual da MCN é de 2014 e traz como principais tópicos a serem abordados na formação dos PSPs: as competências profissionais extraídas do Perfil Profissiográfico; os princípios éticos, educacional e didático pedagógico; os objetivos; a dinâmica curricular: eixos articuladores e as áreas temáticas; as orientações teórico-metodológicas; as diretrizes pedagógicas da Senasp; a malha curricular (núcleo comum) para as ações formativas das polícias militares e civis; a malha curricular (parte geral) para as ações formativas de bombeiros militares; as ementas das disciplinas. https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/ensino-e-pesquisa/matriz-curricular-nacional https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/ensino-e-pesquisa/matriz-curricular-nacional https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/ensino-e-pesquisa/matriz-curricular-nacional IMPORTANTE 131 Uso Diferenciado da Força Art. 39, da Lei nº 13.675/18 A matriz curricular nacional constitui-se em referencial teórico, metodológico e avaliativo para as ações de educação aos profissionais de segurança pública e defesa social e deverá ser observada nas atividades formativas de ingresso, aperfeiçoamento, atualização, capacitação e especialização na área de segurança pública e defesa social, nas modalidades presencial e a distância, respeitados o regime jurídico e as peculiaridades de cada instituição. Acesse o texto completo do documento Matriz Curricular Nacional – 2014, para ações formativas dos profissionais da área de Segurança Pública. Disponível em: SAIBA MAIS Matriz Curricular Nacional Da Seleção dos Docentes Figura 68: Docente policial Fonte: acervo do conteudista, (2025). https://www.gov.br/mj/pt-br/assuntos/sua-seguranca/seguranca-publica/ensino-e-pesquisa/site-novo/copy_of_matrizcurricularnacional_versaofinal_2014.pdf 132 Uso Diferenciado da Força A seleção de docentes para atuarem na segurança pública é um processo crucial para as instituições de formação e aperfeiçoamento de profissionais de segurança pública. Esse processo visa garantir que os instrutores tenham não apenas conhecimentos técnicos e teóricos, mas também habilidades pedagógicas, ética e compromisso com a missão institucional. O perfil desejável de um docente exige profissionais inovadores, que pesquisem e sistematizem novos conhecimentos e empreguem novas tecnologias de informação e comunicação no processo de ensino e aprendizagem. Ele precisa ser um exímio articulador de saberes das diversas áreas do conhecimento que permeiam o uso da força, com o objetivo de fomentar de maneira objetiva o processo de capacitação e despertar no discente o aspecto profissional do ensino. A Portaria MJSP nº 855/25 traz os requisitos mínimos para a seleção adequada dos docentes: O docente policial deve manter-se constantemente atualizado sobre as novas tecnologias, legislações e procedimentos, procurando criar ou reproduzir novos métodos de treinamentos que sejam realmente eficazes e que aproximem o discente da realidade. Quando não se comprova que, na prática, determinado método de treinamento funciona, não se pode jamais aplicá-lo na capacitação. Deve-se abolir treinamentos arcaicos e ineficazes que, infelizmente, ainda em pequena escala, estão entranhados nas instituições policiais brasileiras, fazer o que sempre foi feito, somente porque você foi capacitado assim, pode ser uma zona de conforto extremamente perigosa. O docente policial deve ser encorajado a pensar, planejar, pesquisar, contradizer comportamentos que foram sendo perpetuados com o passar do tempo, e quebrar tabus pedagógicos na capacitação policial. Art. 28, § 1º A seleção dos docentes atenderá os seguintes requisitos: I - aferição de conhecimentos teóricos e práticos; II - análise do currículo formal, atribuído maior peso às atividades de docência; III - experiência profissional em atividades finalísticas; e IV - análise dos registros funcionais. 133 Uso Diferenciado da Força Finalizando: Conclusão do curso: Neste módulo, você viu: Os mecanismos de controle e monitoramento tem o propósito de trazer transparência para as intervenções policiais auxiliando nas apurações de eventuais casos de uso indevido da força dando a oportunidade para o PSP e demais interessados apresentar as respectivas razões para uma responsabilização justa e proporcional; Os mecanismos podem ser internos e externos, sendo a primeira responsabilidade interna corporis dos órgãos de segurança pública e o último, dos órgãos externos àqueles; As diretrizes para atuação dos mecanismos de fiscalização e de controle interno dos órgãos de segurança pública na supervisão do uso da força; Que o registro e publicação de ocorrências envolvendo o uso da força são essenciais para a prestação de contas (accountability); A capacitação do profissional de segurança pública propicia uma maior credibilidade perante a opinião pública e maior profissionalização das instituições de segurança pública; Noções sobre a política pública para captação dos profissionais de segurança pública; Aspectos para elaboração de uma matriz curricular para capacitação; Principais tópicos da Matriz Curricular Nacional (MCN). SÍNTESE Chegamos ao final desta jornada de aprendizado e é com grande satisfação que parabenizamos a todos pela dedicação e empenho demonstrados ao longo do curso. Esperamos que os conhecimentos e as habilidades adquiridas aqui sejam de grande valia em suas futuras empreitadas, abrindo portas para novas oportunidades e impulsionando o seu desenvolvimento pessoal e profissional. 134 ÁVILA, Thiago André Pierbom de. Controle Externo a Atividade Policial pelo Ministério Público. Tese de doutorado defendida no Departamento de Ciências Jurídico-Criminais da Universidade de Lisboa, 2014. BOYD, John R. A Discourse on Winning and Losing. Maxwell Air Force Base: Air University Press, 1987. CHIAVENATO, Idalberto. Administração: teoria, processo e prática, 4ª ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. Promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 10 jun. 2025 BRASIL. Decreto-Lei nº 1.002, de 21 de outubro de 1969. Código de Processo Penal Militar. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1002.htm . Acesso em: 10 jun. 2025. BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 10 jun. 2025. BRASIL. Decreto-Lei nº 3.688, de 3 de outubro de 1941. Lei das Contravenções Penais. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3688.htm . Acesso em: 10 jun. 2025. BRASIL. Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Código de Processo Penal. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 10 jun. 2025. BRASIL. Decreto-Lei nº 678, de 6 de novembro de 1992. Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de São José da Costa Rica). Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d0678.htm. Acesso em: 10 jun. 2025. BRASIL. Decreto nº 12.341, de 23 de dezembro de 2024. Regulamenta a Lei nº 13.060, de 22 de dezembro de 2014, para disciplinar o uso da força e dos instrumentos de menor potencial ofensivo pelos profissionaisde segurança pública. Disponível em: https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2024/decreto-12341-23-dezembro-2024- 796804-publicacaooriginal-173910-pe.html. Acesso em: 10 jun. 2025. Referências Uso Diferenciado da Força https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del1002.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3688.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del3689.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d0678.htm https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2024/decreto-12341-23-dezembro-2024-796804-publicacaooriginal-173910-pe.html. https://www2.camara.leg.br/legin/fed/decret/2024/decreto-12341-23-dezembro-2024-796804-publicacaooriginal-173910-pe.html. 135 BRASIL. Lei nº 13.869, de 5 de setembro de 2019. Crimes de Abuso de Autoridade. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019- 2022/2019/lei/l13869.htm. Acesso em: 05 jun. 2025. BRASIL. Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF). Portaria PMDF nº 1.196, de 27 de agosto de 2021. Dispõe sobre o uso racional e diferenciado da força e estabelece regras gerais sobre o emprego de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPOs) no âmbito da Polícia Militar do Distrito Federal e dá outras providências. Disponível em: https://intranet.pmdf.df.gov.br/controleLegislacao2/PDF/2626.pdf. Acesso em: 10 jun. 2025. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Portaria MJSP nº 104, de 04 de novembro de 2024. institui o regime simplificado para a execução de convênios e contratos de repasse com valor global inferior ou igual ao estabelecido no art. 184-A da Lei nº 14.133, de 1º de abril de 2021. Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 04 nov. 2024. Disponível em: https://www.gov.br/transferegov/pt- br/legislacao/portarias/portaria-conjunta-mgi-mf-cgu-no-104-de-4-de-novembro-de- 2024#:~:text=NOVEMBRO%20DE%202024-,PORTARIA%20CONJUNTA%20MGI%2FMF%2 FCGU%20N%C2%BA%20104%2C%20DE%204,igual%20ao%20estabelecido%20no%20art . Acesso em: 11 jun. 2025. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Portaria MJSP nº 648, de 28 de maio de 2024. Estabelece diretrizes sobre o uso de câmeras corporais pelos órgãos de segurança pública. Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 28 mai. 2024. Seção 1 – Extra B, p. 1. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/12967 . Acesso em: 23 jan. 2025. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Portaria MJSP nº 855, de 17 de janeiro de 2025. Regulamenta o Decreto nº 12.341, de 23 de dezembro de 2024, e estabelece diretrizes sobre o uso da força pelos profissionais de segurança pública. Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 17 jan. 2025. Seção 1 - Extra p. 2-4. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/14302 . Acesso em: 23 jan. 2025. BRASIL. Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Portaria MJSP nº 856, de 17 de janeiro de 2025. Institui o Comitê Nacional de Monitoramento do Uso da Força - CNMUDF. Diário Oficial da União (DOU), Brasília, DF, 17 jan. 2025. Seção 1 - Extra p. 2-4. Disponível em: https://dspace.mj.gov.br/handle/1/14302 . Acesso em: 23 jan. 2025. BRASIL. Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). Apostila do Curso de Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo. Brasília, DF: SENASP, 2023. 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Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP). POP Perícia Criminal – Local de Crime. Brasília: SENASP, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/senasp. Acesso em: 11 jun. 2025. BRASIL. Supremo Tribunal Federal (STF). *Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1.385.315/RJ*. Relator: Ministro Edson Fachin. Segunda Embargos de Declaração. Julgado em: 11 Abr. 2024. Publicado em: 12 Abr. 2024. GOVERNO DE ONTÁRIO. Public-police interactions training aid framework: Ontario Police College, 24 mai. 2023. Disponível em: https://www.tps.ca/media/procedures/da5ce613- 1d0c-43a2-96ab-227560a8fedd.pdf Acesso em: 11 jun. 2025. LOS ANGELES POLICE DEPARTMENT. Directive nº 16. Out. 2016. Disponível em: https://lapdonlinestrgeacc.blob.core.usgovcloudapi.net/lapdonlinemedia/2021/10/De- escalation-Resource-Guide-for-Instructors_May-2018.pdf. Acesso em: 11 jun. 2025. 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Referências Uso Diferenciado da Força https://www.gov.br/senasp https://www.tps.ca/media/procedures/da5ce613-1d0c-43a2-96ab-227560a8fedd.pdf https://www.tps.ca/media/procedures/da5ce613-1d0c-43a2-96ab-227560a8fedd.pdf https://lapdonlinestrgeacc.blob.core.usgovcloudapi.net/lapdonlinemedia/2021/10/De-escalation-Resource-Guide-for-Instructors_May-2018.pdf. https://lapdonlinestrgeacc.blob.core.usgovcloudapi.net/lapdonlinemedia/2021/10/De-escalation-Resource-Guide-for-Instructors_May-2018.pdf. https://www.unodc.org/ https://www.ohchr.org/ https://www.unodc.org/ https://www.seattle.gov/Documents/Departments/Police/Policy_Review/8.100_De-Escalation_Draft.pdf https://www.seattle.gov/Documents/Departments/Police/Policy_Review/8.100_De-Escalation_Draft.pdfde gerar violência, minimizando o uso da força. Artefatos que atuam diretamente no sistema nervoso, causando reações involuntárias no organismo das pessoas fazendo com que percam o controle sobre seus atos. Seleção apropriada do nível de força a ser empregado, em resposta a uma ameaça real ou potencial, com vistas a minimizar o uso de meios que possam causar ofensas, ferimentos ou mortes. Instrumentos de menor potencial ofensivo Instrumentos de menor potencial ofensivo de debilitação Técnicas de desescalonamento Instrumentos de menor potencial ofensivo de incapacitação Uso diferenciado da força 20 Uso Diferenciado da Força Finalizando: Neste módulo, você aprendeu que: O conhecimento da legislação sobre o uso da força é determinante para o processo de tomada de decisão por parte do profissional de segurança pública; Foram identificados os objetivos da legislação sobre o uso da força; Foram apresentados os conceitos aplicados ao uso diferenciado da força. SÍNTESE MÓDULO 2 Princípios e diretrizes gerais de uso da força Apresentação do módulo: O módulo 2 traz os princípios gerais do uso da força, inovando com relação aos princípios essenciais anteriormente conhecidos. Além disso, você irá perceber que os princípios gerais se transformam em diretrizes do uso da força a partir de suas conceituações. Este módulo tem por objetivos: Apresentar os princípios gerais de uso da força; Estabelecer as diretrizes de uso da força; OBJETIVOS DO MÓDULO 21 Uso Diferenciado da Força Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 - Princípios e diretrizes gerais de uso da força Aula 2 – O processo de tomada de decisão no uso diferenciado da força Aula 3 – Tipos de comportamentos do cidadão abordado e níveis do uso diferenciado da força Aula 4 – Presença, postura e verbalização do profissional de segurança pública ESTRUTURA DO MÓDULO AULA 1 Princípios e diretrizes gerais do uso da força Os profissionais de segurança pública devem proteger os direitos humanos, respeitar os direitos fundamentais e promover a cidadania e a dignidade da pessoa humana, independente das circunstâncias do uso da força. Essas medidas também devem ser respeitadas e aplicadas com o objetivo de fortalecer a proteção, a valorização e o reconhecimento dos profissionais de segurança pública, conforme estabelece o Princípio II da Lei nº 13.675, de 13 de junho de 2018. Isso contribui para que esses profissionais se sintam suficientemente seguros para oferecer à sociedade um serviço de segurança pública com qualidade. Dessa forma, os princípios e diretrizes gerais sobre o uso da força devem apresentar uma natureza dupla, voltados tanto para a proteção dos cidadãos quanto para os profissionais de segurança pública. Os profissionais de segurança pública, por sua vez, possuem o dever legal de assegurar a aplicação desses princípios e, simultaneamente, devem ser reconhecidos como legítimos destinatários das garantias que eles promovem. Dedica o artigo 4º para apresentar os sete princípios gerais de uso da força e os definem no artigo 6º. As definições consignadas são apresentadas como diretrizes gerais e devem ser assim consideradas, passando a ser elementos indissociáveis dos princípios. A Portaria MJSP nº 855/25 22 Uso Diferenciado da Força Os princípios gerais de uso da força são: Legalidade Precaução Necessidade Proporcionalidade Razoabilidade Responsabilização Não discriminação 1.1 Princípio da Legalidade O uso da força e de instrumentos de menor potencial ofensivo somente poderá ocorrer para a consecução de um objetivo legal e nos estritos limites da lei. Figura 1: Legalidade Fonte: Canva.com, 2025. 23 Uso Diferenciado da Força O princípio da legalidade é a primeira diretriz geral do uso da força. (art. 6º, I, da Portaria MJSP nº 855/25). Disponível em: SAIBA MAIS Art. 6º, I, da Portaria MJSP nº 855/25 1.2 Princípio da Precaução As operações e as ações de aplicação da lei devem ser planejadas e executadas mediante a adoção de todas as medidas necessárias para prevenir ou minimizar o uso da força e para mitigar a gravidade de qualquer dano direto ou indireto que possa ser causado a quaisquer pessoas. Figura 2: Planejamento Fonte: L’Etudiant (2025). https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html https://www.letudiant.fr/etudes/iep/a-quoi-menent-vraiment-les-sciences-po.html https://www.letudiant.fr/etudes/iep/a-quoi-menent-vraiment-les-sciences-po.html 24 Uso Diferenciado da Força O princípio da precaução é a segunda diretriz geral do uso da força. (art. 6º, II, da Portaria MJSP nº 855/25). Disponível em: SAIBA MAIS Art. 6º, II, da Portaria MJSP nº 855/25 1.3 Princípio da Necessidade Um recurso de força somente poderá ser empregado quando outros recursos de menor intensidade não forem suficientes para atingir os objetivos legais pretendidos. Figura 3: Necessidade e suas medidas Fonte: Canva.com, 2025. https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html 25 Uso Diferenciado da Força O princípio da necessidade é a terceira diretriz geral do uso da força. (art. 6º, III, da Portaria MJSP nº 855/25). Disponível em: SAIBA MAIS Art. 6º, III, da Portaria MJSP nº 855/25 1.4 Princípio da Proporcionalidade O nível da força utilizado deve ser compatível com a gravidade da ameaça apresentada pela conduta das pessoas envolvidas e os objetivos legítimos da ação do profissional de segurança pública. Figura 4: Proporcionalidade Fonte: Be.multti, https://blog.bemultti.com.br/ com adaptações, 2025. https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html 26 Uso Diferenciado da Força O princípio da necessidade é a quarta diretriz geral do uso da força. (art. 6º, IV, da Portaria MJSP nº 855/25). Disponível em: SAIBA MAIS Art. 6º, IV, da Portaria MJSP nº 855/25 1.5 Princípio da Razoabilidade A força deve ser empregada com bom senso, prudência e equilíbrio, de acordo com as circunstâncias do caso concreto, com vistas a atingir um objetivo legítimo da aplicação da lei. Figura 5: Prudência Fonte: https://stock.adobe.com/marca d’água com adaptações, 2025. https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html 27 Uso Diferenciado da Força O princípio da razoalidade é a quinta diretriz geral do uso da força. (art. 6º, V, da Portaria MJSP nº 855/25). Disponível em: SAIBA MAIS Art. 6º, V, da Portaria MJSP nº 855/25 1.6 Princípio da Responsabilização Os órgãos e os profissionais de segurança pública devem assumir a responsabilidade pelo uso inadequado da força, após a conclusão de processo de investigação, respeitado o devido processo legal, a ampla defesa e o contraditório. Figura 6: Responsabilidades Fonte: https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em- tempos-incertos, 2025. https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-tempos-incertos https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-tempos-incertos https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-tempos-incertos https://csprojetos.com/colaboracao-como-base-para-o-sucesso-em-tempos-incertos 28 Uso Diferenciado da Força O princípio da responsabilização é a sexta diretriz geral do uso da força. (art. 6º, VI, da Portaria MJSP nº 855/25). Disponível em: SAIBA MAIS Art. 6º, VI, da Portaria MJSP nº 855/25 1.7 Princípio da Não Discriminação Os profissionais de segurança pública devem atuar de forma não discriminatória, sem preconceitos de raça, etnia, cor, gênero, orientação sexual, idioma, religião, nacionalidade, origem social, deficiência, situação econômica, opinião política ou de outra natureza. Figura 7: Não à discriminação Fonte: pt.123rf.com com adaptações, 2025. https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html 29 Uso Diferenciado da Força O princípio da não discriminação é a sétima diretriz geral do uso da força. (art. 6º, VII, da Portaria MJSP nº 855/25). Disponível em: SAIBA MAIS Art. 6º, VII, da PortariaMJSP nº 855/25 AULA 2 O processo de tomada de decisão no uso A atividade de segurança pública envolve vários fatores que podem transformar rapidamente a cena de atuação do PSP obrigando-o a uma constante análise da situação para melhor responder as diversas variáveis presentes. diferenciado da força 2.1 Introdução Figura 8: Deslocamento operacional de policiais Fonte: Canva.com, 2025. https://dspace.mj.gov.br/bitstream/1/14302/4/PRT_GM_2025_855.html IMPORTANTE 30 Uso Diferenciado da Força É importante, preliminarmente, que o PSP tenha uma boa capacidade de percepção para poder identificar as possíveis ameaças e os gatilhos que poderão tensionar e escalar o conflito. Essa capacidade de percepção será aprimorada através dos conhecimentos técnicos, táticos, treinamentos voltados para a realidade e pelas vivências pessoais e profissionais. Esses fatores aliados à condição física e emocional serão determinantes para o processo de percepção do PSP, pois quando as condições físicas e emocionais da pessoa estão desestabilizadas fica mais difícil o processo de percepção e possivelmente aumentarão as chances de tomar decisões equivocadas. PREPARO TÉCNICO + PREPARO TÁTICO + EQUILÍBRIO EMOCIONAL = RESPOSTA DE ALTA QUALIDADE Figura 9: Equação da tomada de decisão Fonte: https://br.pinterest.com/, 2025. De acordo com o teatro de operações em que o profissional de segurança pública (PSP) estiver envolvido, bem como os estímulos presentes ali, suas respostas serão determinadas. Quanto mais conhecimento técnico, tático e equilíbrio emocional esse profissional tiver, menos agressiva será a sua resposta, pois o PSP que não possui esses atributos, tende a responder com meios de resolução definitiva do conflito por conta da sua insegurança, tendendo a ser mais violenta a sua resposta. 31 Uso Diferenciado da Força 2.2 Conceitos Diante das situações operacionais em que um PSP possa se deparar, é inevitável ter que decidir. Qual será sua reação diante da ação de um cidadão infrator? Como visto anteriormente, a decisão de como agir dependerá de alguns fatores: Consciência situacional; Condicionamento mental (preparo técnico, preparo tático e equilíbrio emocional). Conceito 1 Conceito 2 O processo de tomada de decisão é um conjunto de etapas utilizadas para escolher a melhor alternativa diante de um problema ou oportunidade. Esse processo envolve a identificação do problema, a coleta e análise de informações, a geração de opções, a avaliação dos riscos e benefícios, a escolha da melhor alternativa e sua implementação, seguida pela avaliação dos resultados. Ele pode ser estruturado, baseado em lógica e dados, ou intuitivo, dependendo do contexto e da experiência do tomador de decisão. (CHIAVENATO, 2014.) O processo de tomada de decisão em combate se refere à sequência de avaliações e escolhas realizadas por combatentes ou comandantes em situações de confronto, onde fatores como tempo, estresse, incerteza e risco de vida influenciam diretamente as decisões. Esse processo geralmente envolve a percepção da situação, a análise das opções táticas, a escolha da melhor alternativa baseada na missão e nos recursos disponíveis, e a execução da decisão, seguida pelo ajuste contínuo conforme a dinâmica do combate se desenvolve (Boyd, 1987.). 32 Uso Diferenciado da Força 2.3 Consciência Situacional 2.4 Condicionamento Mental Figura 10: Consciência situacional Fonte: Copilot IA, 2025. A Consciência Situacional é caracterizada pela percepção dos elementos no ambiente de trabalho dentro de um volume de tempo e espaço, a compreensão do significado desses elementos e a projeção dessa situação em um futuro próximo. (Fonte: 2012, Manual de fatores humanos do SISCAEB, FAB.) Significa ter a capacidade de observar o cenário e fazer a leitura mais próxima possível do que realmente está acontecendo sendo aplicada para os momentos de pré- ocorrência, ocorrência propriamente dita e pós-ocorrência. Capacidade humana de preparar a mente para responder de maneira específica a estímulos, situações ou desafios, muitas vezes com o objetivo de melhorar o desempenho, aumentar a resistência emocional ou fortalecer hábitos positivos. 33 Uso Diferenciado da Força Figura 11: Condicionamento Mental Fonte: Copilot IA, 2025. Ele envolve técnicas que ajudam a moldar os pensamentos, crenças, atitudes e comportamentos, permitindo que uma pessoa lide melhor com dificuldades e desenvolva um foco mais claro. Podemos afirmar que o condicionamento mental é um somatório entre o preparo técnico, preparo tático e equilíbrio emocional. É o saber adquirido durante a vida profissional, que dará a base necessária para que o profissional de segurança pública (PSP) possa conseguir empregar o mais corretamente possível a técnica aprendida, ao se deparar com uma ocorrência. Para isso, o PSP deve ter conhecimento e habilidades de manuseio dos recursos que utiliza nas ações de segurança pública. Figura 12: Policial dedicando-se ao aprendizado Fonte: Freepik, 2025. 2.4.1 Preparo técnico 34 Uso Diferenciado da Força É o emprego adequado da técnica nas condições adversas do seu cotidiano, selecionando corretamente os recursos que têm à disposição e aplicando- os de acordo com a exigência de cada situação e na medida suficiente para desescalar o conflito. Figura 13: Controle de distúrbios Capacidade humana de manter o equilíbrio através do gerenciamento e regulação das emoções. Figura 14: Equilíbrio emocional Fonte: freepik.com, 2025. Fonte: casule.com, 2025. 2.4.2 Preparo Tático 2.4.3 Equilíbrio Emocional Esta habilidade compreende a identificação da emoção vivenciada, a sua origem e as formas de mitigá-la, de modo a auxiliar na melhor maneira de agir. 35 Uso Diferenciado da Força 2.5 Conhecimento Empírico 2.6. Modelos operacionais aplicados ao Processo de Tomada de Decisão É o saber adquirido através das experiências vividas, das observações feitas no cotidiano, e das constatações e percepções pessoais. Para apoiar o processo decisório, diferentes modelos operacionais vêm sendo utilizados pelas instituições policiais brasileiras. Um dos mais conhecidos é o Ciclo OODA (Observar, Orientar, Decidir, Agir), originário da experiência militar e amplamente aplicado na segurança pública (Figura 16). Este ciclo estabelece que o PSP deve, de forma rápida e contínua, observar o cenário, orientar-se com base nas informações, decidir sobre a resposta e agir de forma proporcional. Em tese é o empirismo que inspira o conhecimento científico. Figura 15: Conhecimento empírico Fonte: Google imagens, 2025. Apesar de não ser condição essencial para tomada de decisão, o conhecimento empírico pode auxiliar bastante tanto na capacidade de ter uma boa consciência situacional, como no condicionamento mental. Experiências que se tornam saberes, podem auxiliar na leitura de cenário e no preparo para futuras situações. 36 Uso Diferenciado da Força Além do Ciclo OODA, existem outros modelos de tomada de decisão adotados pelas instituições de segurança pública, sendo possível citar, por exemplo os modelos da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) e da Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP). As fases integrantes do processo mental estabelecido pela PMMG são indicadas na Figura 16, apresentada na sequência: O modelo é estabelecido a partir de quatro fases, sendo estas: A PMESP adota um modelo similar, apresentada na sequência (Figura 17), conforme previsão da Súmula de Instrução Continuada de Comando (ICC) nº 339/2023: Figura 16 – Processo mental de decisão - PMMG Fonte: Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01/2020-CG – PMMG, (2025). A certificação, que é uma confirmação necessária para entender se a situação de risco de fato está se desenvolvendo; A identificação, voltada à captação do estímulo por meio da visão, dos sons ou de outra forma de percepção; A decisão, em que é estabelecida a preparação para a ação, a partir da definição do que será feito; A ação, que é a prática daquilo que foi decidido. (i) (ii) (iii) (iv)37 Uso Diferenciado da Força Esta súmula, apesar de voltar a atenção para a sistemática de atuação na Defesa Pessoal Policial (DPP), reflete o modelo mental estabelecido pela instituição ao tratar de situações em que o PSP, depois de identificado o cenário, decide se age ou não diretamente para, só então, iniciar a execução do controle físico com o procedimento adequado. Dos modelos existentes, para fins de estudo específico abordaremos o ciclo OODA por ser mundialmente consagrado e aplicável em qualquer organização. Figura 17 – Modelo de decisão adotado na PMESP Fonte: Súmula de Instrução Continuada do Comando (ICC) nº 339/2023 – PMESP, (2025). Fonte: Imagem gerada por IA, (2025). 2.6.1 Ciclo OODA O acrônimo refere-se às palavras OBSERVAR, ORIENTAR, DECIDIR E AGIR. Figura 18: Representação gráfica do ciclo OODA 38 Uso Diferenciado da Força Idealizada e aplicada inicialmente no contexto militar, tornou-se um protocolo consagrado em vários ramos que envolvem o processo de tomada de decisão, como: negócios, esporte, medicina de emergência, entre outros. Seu criador foi o coronel da Força Aérea Americana, John Boyd, que destinou o método para os pilotos de aviões de caça para poderem decidir com precisão e assertividade máxima dentro de um contexto volátil, rápido e por vezes imprevisível. Observar: Ao observar e receber novas informações a respeito do nosso ambiente em transformação, nossa mente se torna um sistema aberto ao invés de um fechado. Com isso, ganhamos a habilidade de adquirir conhecimento e compreensão – fatores cruciais para formação de novos modelos mentais. Figura 19: Policial observando o ambiente Fonte: Canva.com, 2025. 39 Uso Diferenciado da Força De um ponto de vista tático, para observar efetivamente você precisa ter uma boa consciência situacional. Você precisa estar na Condição Amarela - mais bem descrita como um alerta relaxado. Busque informações do ambiente, quanto melhor a qualidade da informação, mais fácil de chegar na solução do problema. Orientar: é o passo mais importante do ciclo. Nessa fase se deve construir uma caixa de ferramentas robusta de modelos mentais: quanto mais modelos mentais você tiver à sua disposição, mais rápido você irá encontrar uma resposta para o problema observado na fase anterior, reconhecendo padrões e aplicando a resposta (ferramenta) adequada. Figura 20: Policial com foco operacional Fonte: Canva.com, 2025. 40 Uso Diferenciado da Força Em uma visão tática, a criação de modelos mentais está relacionada ao treinamento continuado, principalmente, com cenários próximos da realidade. A “quebra” de um modelo mental já consolidado em treinamento faz parte da rotina de criação de novos modelos mentais necessários para otimizar a orientação em combate. Devemos evitar a “síndrome do homem com martelo”. Decidir: o autor não discorre muito sobre a etapa decisória, diz somente que é o “componente no qual os atores decidem entre as alternativas de ação geradas na fase de orientação”. Boyd diz que é impossível selecionar um modelo mental que se encaixe perfeitamente. Aqui você precisa usar o seu treinamento e a sua experiência para realizar uma tomada de decisão assertiva, ou seja, que funcione e lhe dê vantagem em combate. A "síndrome do homem com martelo" é uma metáfora popularizada pelo psicólogo Abraham Maslow, que descreve a tendência humana de usar uma solução única para resolver diferentes problemas. A frase original é: "Para quem só tem um martelo, tudo parece um prego." Isso significa que, quando alguém está limitado a uma única ferramenta ou abordagem, tende a aplicar essa solução a qualquer situação, mesmo que não seja a mais adequada. Figura 21: Policial em comunicação via rádio Fonte: Canva.com, 2025. 41 Uso Diferenciado da Força Consequentemente, quando decidimos qual conceito mental usar, somos forçados a nos contentar com aqueles que não são perfeitos, mas são bons o suficiente. Quando decidimos, estamos caminhando com a melhor das nossas hipóteses, nosso “melhor chute” sobre qual modelo mental irá funcionar. Para ver se nossa hipótese é correta, temos que testá-la, o que nos leva ao próximo passo: agir. Figura 22: Policial em atividade operacional Fonte: Canva.com, 2025. Agir: assim que decidiu qual modelo mental se quer implementar, você deve implementar o seu plano de ação. Ação é como descobrimos se nossos modelos mentais estão corretos. Se estiverem, ganharemos a batalha; caso contrário, começamos novamente o ciclo OODA usando os dados novos recém observados. 2.6.2 O fator tempo no ciclo OODA Na teoria do ciclo OODA todo combatente observa a situação, se orienta, decide o que deve fazer e depois faz. Se um oponente consegue fazer isso mais rapidamente, contudo, suas próprias ações se tornam desatualizadas e desconectadas com a real situação, e a vantagem de seu oponente cresce geometricamente (Boyd, 1987). 42 Uso Diferenciado da Força 2.6.3 Contexto em segurança pública 2.6.4 Exemplificando o ciclo OODA Dentro do contexto da realidade prática da atividade policial, podemos dizer que o PSP deve observar o problema, que significa buscar todas as informações possíveis sobre a ameaça e o ambiente. Na fase seguinte, ele deve buscar uma solução (orientação) com base em seus modelos mentais (habilidades aprendidas e devidamente treinadas). É aqui a chave do processo. Quanto mais conhecimento, treino e desenvolvimento de novas habilidades, mais rápida será a capacidade de decidir e agir, aplicando a resposta adequada para o problema. IMPORTANTE O ciclo é repetido, caso a solução escolhida não resolva o problema observado. uma equipe policial é acionada via centro de operações para atender a uma denúncia de violência doméstica, onde vizinhos relatam gritos e pedidos de socorro vindos de uma residência. ainda no deslocamento, os policiais buscam os cenários prováveis quanto à ocorrência. Ao chegar ao local, avaliam os sinais do conflito: uma mulher chorando na varanda, hematomas visíveis, móveis revirados e um homem exaltado dentro de casa. ao identificar o comportamento do cidadão infrator, baseando-se na experiência e nos POPs, os policiais avaliam os riscos (possível presença de armas, estado emocional da vítima e do agressor, etc) e buscam uma resposta com base no padrão reconhecido. Ocorrência: Observar: Orientar: 43 Uso Diferenciado da Força quando os profissionais de segurança pública (PSP) optam por uma abordagem tática segura: separar as partes envolvidas, garantir a proteção da vítima e evitar uma escalada da violência. os PSPs colocam a decisão em prática, contendo o cidadão infrator e conduzindo-o à delegacia, enquanto promovem apoio à vítima e a orientam sobre medidas protetivas. No caso onde a ação não foi bem-sucedida, reinicie o ciclo. Decidir: Agir: 2.7. Níveis de alerta 2.7.1. Código de Cores de Cooper Figura 23: Sinal de alerta Fonte: Canva.com, 2025. O código de cores de Jeff Cooper, fuzileiro naval americano, pode ser utilizado nas ações de segurança pública, com vistas a auxiliar o PSP em sua consciência situacional para desenvolver uma mentalidade operacional assertiva. Ajustando o nível de atenção e prontidão em momentos certos afasta a possibilidade de subjugar ou superestimar um evento, facilitando a tomada de decisão correta para cada caso. IMPORTANTE 44 Uso Diferenciado da Força Figura 24: Jeff Cooper e as cores Fonte: modernsurvivalblog (2025). Tem como principal finalidade esclarecer qual a intensidade de atenção deve ser destinada para cada situação, permitindo a migração de um estado mental para outro com base na leitura realizada. Importante salientar que o código de cores de Cooper, diferentemente de outros sistemas de alerta, foi criado para orientar individualmente o estado mental do PSP, devendo ser adaptado para aprimorar a consciência situacional de grupos de PSPs, para uma melhor resposta coletiva. Figura 25: Representação do soldado com códigos de cores. Fonte: Acervo do conteudista (2025). 45 Uso Diferenciado da ForçaQuadro 3: Comparativo entre níveis de alerta Cooper x outros sistemas. 46 Uso Diferenciado da Força Figura 26: Fluxo do código de cores Fonte: Copilot IA, 2025. 47 Uso Diferenciado da Força Branca Amarela Laranja Vermelha Quando você está em condição Branca, você está completamente inconsciente e pouco alerta ao seu redor. Se uma ameaça aparecesse, você seria pego de surpresa e não seria capaz de responder adequadamente. Os tempos de reação visual e cognitiva são muito mais lentos na condição Branca e somos muito mais suscetíveis ao viés de normalidade. Você entra na condição Laranja quando identifica uma possível ameaça específica. Algo não está certo e tem sua atenção. Seu objetivo não é agir enquanto estiver na condição Laranja. Em vez disso, é tornar-se mais vigilante para que você possa determinar se um possível perigo é, de fato, uma ameaça que precisa de uma resposta. Enquanto estiver na Condição Laranja, você deve formular um plano sobre o que fará se a ameaça se confirmar. É recomendável manter o nível de vigilância constante da condição Laranja regularmente, pois ela pode ser mental e fisicamente desgastante. Se você verificar que uma possível ameaça não é uma ameaça, desça imediatamente para o alerta relaxado. Você confirmou a ameaça. Agora é hora de implementar o plano de ação que você desenvolveu enquanto estava na condição Laranja. Quando você está em condição Vermelha, sua mente e seu corpo estão preparados para a ação. A condição Amarela é melhor descrita como alerta relaxado. Não há uma situação de ameaça específica, mas você tem a cabeça erguida, os olhos abertos e está observando o ambiente de maneira relaxada, mas alerta. Quando você está em condição Amarela, é menos provável que você seja pego de surpresa devido a uma ameaça repentina e é mais capaz de responder caso essa ameaça surja. A frequência cardíaca é normal, por isso não há degradação das habilidades motoras finas ou da capacidade cognitiva. É importante para os PSPs manter esse nível de alerta constantemente, quando em ações de segurança pública. Entenda as cores 48 Uso Diferenciado da Força 2.8. Aplicação dos níveis de alerta Cooper no ciclo OODA Exemplificando a aplicação das cores: AULA 3 Tipos de comportamentos das pessoas abordadas e níveis do uso diferenciado da força Figura 27: Cidadãos apresentando condutas não cooperativas. Fonte: Canva.com, 2025. 49 Uso Diferenciado da Força No exercício de suas funções, o profissional de segurança pública (PSP) pode se deparar com uma ampla gama de comportamentos por parte das pessoas abordadas. Esses comportamentos, que vão desde a colaboração até ações que representam ameaça real à vida, são elementos fundamentais no processo de tomada de decisão e na definição do nível adequado de força a ser empregado. A classificação dos comportamentos não se confunde com a tipificação penal, como por exemplo o crime de resistência previsto no art. 329 do Código Penal (Decreto-Lei nº 2.848/1940). Trata-se, aqui, de um referencial doutrinário e operacional para orientar a atuação proporcional, legal e ética dos PSPs. Essa categorização contribui para a padronização de respostas e para a avaliação posterior das ações dos PSPs, respeitando os princípios da legalidade, precaução, necessidade, proporcionalidade, razoabilidade, responsabilização e não discriminação (art. 4º da Portaria MJSP nº 855/2025). A seguir, são descritos os cinco tipos de comportamentos identificados nas interações dos PSPs com a população. 3.1. Tipos de comportamentos das pessoas abordadas A pessoa obedece às ordens legais recebidas, sem apresentar resistência. São exemplos de situações em que este tipo de comportamento é observado: 3.1.1. Cooperativo Entregar documentos de identificação quando solicitado; Atender a comandos verbais, a exemplo de “mão na cabeça”, “afaste as pernas”, entre outros, durante uma busca pessoal; Permitir ser realizada a busca pessoal sem resistência. 1 2 3 50 Uso Diferenciado da Força Figura 28: Interação com cidadão cooperativo Fonte: https://gringo.com.vc/blog/blitz-policial/ (2025) A pessoa se recusa a cumprir as ordens legais, sem emprego de violência ou ameaça em desfavor dos PSPs. Este tipo de comportamento pode ser observado em situações como: 3.1.2. Resistente Passivo Cruzar os braços ou esconder as mãos, evitando a algemação em situações que a demandem; Permanecer imóvel, sem responder aos comandos; Recusar-se a sair do veículo ou de um recinto, quando legalmente solicitado; Pessoa empreende fuga ou tenta fugir da abordagem do PSP. 1 2 3 4 https://gringo.com.vc/blog/blitz-policial/ https://gringo.com.vc/blog/blitz-policial/ https://gringo.com.vc/blog/blitz-policial/ 51 Uso Diferenciado da Força Figura 29: Indivíduo em atitude de resistência passiva Figura 30: Dispersão de resistentes passivos que obstruíam via. Fonte: https://x.com/Leo_oguarda/status/757871825837785089? t=VpPMau0bmjh1dpzbDkMgUw&s=08, 2025 Fonte: Estado de Minas, 2025. No contexto em que a resistência passiva venha a trazer transtornos graves à uma coletividade, como uma obstrução de vias, é perfeitamente aceitável o emprego de instrumentos de menor potencial ofensivo, como o espargidor lacrimogêneo para dispersão dos resistentes passivos, postergando uma abordagem física que possivelmente será mais danosa por conta da resistência. 52 Uso Diferenciado da Força A pessoa busca deliberadamente obstruir a ação do PSP, com uso de violência ou ameaça, descumprindo ordem legal. Este tipo de comportamento pode ser observado nos seguintes contextos exemplificativos: A pessoa emprega violência física direta contra o PSP ou terceiros, com a intenção de lesionar, representando risco à integridade física. Este tipo de comportamento pode ser exemplificado em situações que: 3.1.3. Resistente Ativo 3.1.4. Agressão A pessoa ameaça o policial, no intuito de evitar a prisão; A pessoa joga um objeto contra o PSP, durante uma manifestação. A pessoa empurra o policial para evitar a algemação; A pessoa investe contra o PSP, com socos e chutes; A pessoa emprega força contra o PSP para se desvencilhar de uma manobra de contenção. 1 1 2 2 3 53 Uso Diferenciado da Força Figura 31: Individuo em atitude de resistência ativa Figura 32: Situação de agressão com potencial letal iminente. Fonte: Acervo do conteudista, 2025. Fonte: Novritsch, 2025. Nível alto de alerta para o profissional de segurança pública (PSP), pois se depara com um indivíduo não cooperativo armado com objeto com maior potencial de causar letalidade. A agressão potencialmente letal também pode advir de outros meios como golpes em regiões vitais do corpo, estrangulamento, asfixia mecânica, manter pessoa como refém, tudo isso deixando claramente a vítima sem condições de se defender, exigindo a intervenção do Estado. 3.1.5. Agressão Potencialmente Letal https://blog.novritsch.com/2023/11/airsoft-cqb-get-the-basics-right https://blog.novritsch.com/2023/11/airsoft-cqb-get-the-basics-right 54 Uso Diferenciado da Força Neste caso, o PSP deve responder com o uso comedido da força letal. Ao reconhecer e classificar corretamente o comportamento enfrentado, o PSP estará melhor preparado para escolher o nível de resposta mais adequado, com base em critérios técnicos e jurídicos. Embora a tipologia dos comportamentos sugira uma ordenação crescente de risco e resistência, o que pode orientar uma ideia de evolução no uso da força, não se trata de uma seleção obrigatoriamente linear. Em determinadas situações, o primeiro comportamento observado já pode se enquadrar diretamente nos níveis mais elevados da matriz, como os correspondentes ao quinto ou ao sexto tipo de resposta, demandando, desde o início, a aplicação de técnicas e meios compatíveis com o grau de ameaça identificado. Importa destacar que cada situação concreta demanda uma análise contextual específica, respeitando a lógica da decisão adaptativa. O uso da força por parte de profissionais de segurança pública deve obedecer aprincípios legais, técnicos e éticos, com o objetivo de garantir a integridade física de todas as pessoas envolvidas e assegurar os direitos fundamentais da pessoa. Deste modo, refere-se à intensidade da resposta do profissional de segurança pública (PSP) diante de uma ameaça real ou potencial, conforme o comportamento da pessoa, o contexto e os riscos envolvidos. O objetivo é empregar o menor nível de força necessário para alcançar a finalidade legal, minimizando o uso de meios que possam causar lesões, ofensas ou mortes. Na tomada de decisão sobre o uso da força, o PSP deve avaliar cuidadosamente o cenário da ocorrência, os riscos envolvidos e o comportamento da pessoa, para definir a resposta mais adequada à situação. Ou seja, a relação entre o comportamento observado e os níveis de força utilizados não é automática, fixa ou obrigatória, devendo ser definida pelo PSP a partir de um processo decisório dinâmico e orientado por parâmetros legais, técnicos e éticos. A adequação da resposta depende de múltiplos fatores, como o ambiente, a presença de terceiros, a capacidade técnica do PSP, a possibilidade de desescalada e os meios disponíveis. Sendo assim, os níveis de força serão detalhados conforme segue. 3.2 Níveis do uso diferenciado da força 55 Uso Diferenciado da Força 3.2.1. Presença ostensiva Refere-se à utilização de técnicas que exigem a presença e a postura ostensiva do profissional de segurança pública identificado por meio de seu uniforme, fardamento, distintivos, viaturas, capazes de prevenir, dissuadir ou cessar a prática de ato ilícito. 3.2.2. Verbalização Consiste na utilização da comunicação verbal, com tom de voz adequado à situação, para orientar, advertir, solicitar informações ou comandos durante uma interação. Envolve técnicas e ferramentas de comunicação que podem estar presente em todos os níveis, e que busca a cooperação da pessoa, para desescalar ou evitar o emprego de níveis mais intensos de força, funcionando como um instrumento de mediação e desescalada. 3.2.3. Controle de espaço (gerenciamento de distância) Diz respeito a técnicas que envolvem posturas de abordagem que orientam a distância e a angulação de aproximação, bem como a posição de mãos e braços do PSP. Nesse nível de força, o PSP faz a intervenção sem recorrer a quaisquer armamentos, instrumentos ou equipamentos. É comumente empregada de forma concomitante às técnicas de verbalização. 3.2.4. Controle físico Refere-se a técnicas de defesa pessoal do PSP, para controlar, conter, imobilizar ou conduzir a pessoa, para desescalar ou evitar o emprego de níveis mais intensos de força, com o objetivo de restabelecer a ordem, prevenir a resistência ou evitar agressões. 3.2.5. Uso de técnicas e instrumentos de menor potencial ofensivo Compreende o uso de técnicas, armas, munições ou equipamentos desenvolvidos e projetados para debilitar, incapacitar ou conter temporariamente a pessoa, com menor risco de causar morte ou lesões permanentes, quando comparados a armas letais. Tais meios são empregados diante de ameaça à integridade física do PSP ou de terceiros, ou em situações em que outros níveis de força se mostrem insuficientes ou arriscados. 56 Uso Diferenciado da Força O uso diferenciado da força pressupõe que o comportamento da pessoa abordada e as circunstâncias da ocorrência influenciem diretamente a decisão do profissional de segurança pública sobre qual resposta aplicar. No entanto, essa relação não é fixa, linear ou automática. Cada situação demanda uma análise criteriosa, considerando variáveis como risco envolvido, ambiente, presença de terceiros, capacidade técnica do agente, possibilidade de desescalada e os meios disponíveis. 3.2.6. Uso de força potencialmente letal Consiste na aplicação de meios e instrumentos com capacidade ou alto risco de causar morte, como armas de fogo, munições letais ou outras ações cuja letalidade seja provável ou previsível, mesmo que o resultado morte não se concretize. Esse nível de força é reservado a situações de legítima defesa própria ou de terceiros, para impedir crime que envolva grave ameaça atual ou iminente à vida. Embora existam padrões doutrinários e modelos gráficos que associam níveis de força a tipos de comportamento, é essencial compreender que essa correspondência deve ser interpretada como referencial orientador e não como uma regra rígida. O Decreto Federal nº 12.341/2024, estabelece, inclusive, como uma de suas diretrizes gerais que Dessa forma, ainda que determinados padrões de comportamento da pessoa abordada, comumente, estejam associados à aplicação de níveis específicos de força, a decisão sobre a resposta mais adequada deve considerar as variáveis contextuais presentes em cada situação concreta. Fatores como o grau de ameaça, as condições do ambiente, a presença de terceiros, os meios disponíveis e a possibilidade de desescalada podem justificar a adoção de níveis de força distintos daqueles usualmente esperados. Assim, o Modelo Gráfico do Uso Diferenciado da Força, apresentado a seguir, representa visualmente essa lógica de avaliação situacional e de flexibilidade decisória: o nível da força utilizado deve ser compatível com a gravidade da ameaça apresentada pela conduta das pessoas envolvidas e os objetivos legítimos da ação do profissional de segurança pública (art. 2º, parágrafo único, IV). 3.3 Relação entre tipo de comportamento e nível de uso diferenciado da força 57 Uso Diferenciado da Força Figura 33: COMPOSIÇÃO DETALHADA DO MGUDF - SENASP MODELO DETALHADO POR FASES FASE 1: FASE 2: FASE 3: Perceber (o ambiente) N Í V E I S D E U S O D I F E R E N C I A D O D A F O R Ç A COOPERATIVO RESISTENTE PASSIVO RESISTENTE ATIVO AGRESSÃO AGRESSÃO POTENCIAL- MENTE LETAL FORÇA POTENCIALMENTE LETAL IMPO CONTROLE FÍSICO CONTROLE DE ESPAÇO VERBALIZAÇÃO PRESENÇA DO PSP Perceber (os comportamentos) Decidir Aplicar T I P O S D E C O M P O RTA M E NTO DA P E S S OA A B O R DA DA Perceber (o ambiente) Perceber (os comportamentos) Decidir Aplicar T I P O S D E C O M P O RTA M E NTO DA P E S S OA A B O R DA DA COOPERATIVO RESISTENTE PASSIVO RESISTENTE ATIVO AGRESSÃO AGRESSÃO POTENCIAL MENTE LETAL N Í V E I S D E U S O D I F E R E N C I A D O D A F O R Ç A FORÇA POTENCIALMENTE LETAL IMPO CONTROLE FÍSICO CONTROLE DE ESPAÇO VERBALIZAÇÃO PRESENÇA DO PSP 58 Uso Diferenciado da Força O Modelo 2PDA é uma estrutura cognitiva e comportamental projetada para guiar os profissionais de segurança pública no processo de tomada de decisão no uso diferenciado da força de forma ágil, adequada e eficaz. O acrônimo representa três etapas interligadas: ETAPA 2P O profissional de segurança pública chega na cena de atuação, capta os estímulos ambientais e comportamentais e interpreta-os. Perceber o AMBIENTE (Primeiro "P") O que envolve: Avaliação macro do cenário: Riscos ambientais (iluminação, vias de fuga, presença de armas, número de pessoas, entre outros). Contexto social (área de alto crime, protestos, proximidade de escolas/hospitais). Condições físicas (terreno escorregadio, habitáculos confinados, coberturas etc). Perceber o COMPORTAMENTO (Segundo "P") O que envolve: Leitura de sinais verbais e não verbais das pessoas presentes no ambiente: Linguagem corporal (postura agressiva, vulnerável, submissa ou errática, controle visual das mãos). Entonação de voz (gritos, ameaças, choro). Sinais de alteração psicológica (drogadição, crise mental, depressão, medo). ETAPA (D) - DECIDIR Etapa fundamental no processo onde o PSP decide pela resposta mais adequada para o conflito. Com base na interpretação dos estímulos e reconhecimento ambiental realizados na fase anterior (2P), o PSP opta pelo nível de força adequado para dada situação. Ao realizar a escolha da “ferramenta” cabível o PSP deve decidir com base nos seus conhecimentos técnicos e táticos provenientes do treinamento. Espera-seque o PSP decida por opções necessárias e proporcionais para se obter a obediência, desescalar, neutralizar uma ameaça, realizar uma prisão ou proteger vidas, baseando-se em uma avaliação contínua e rápida do comportamento de um indivíduo e das circunstâncias da ocorrência. O que envolve: Escolha da resposta mais adequada com base: Necessidade: a força é inevitável para proteger vidas? Proporcionalidade: a resposta corresponde ao nível de ameaça? Alternativas: É possível desescalar o conflito? 59 Uso Diferenciado da Força O modelo gráfico acima não pressupõe escalada obrigatória. Em certas situações, por exemplo, uma resistência passiva em local de risco elevado, com presença de pessoas em situação de vulnerabilidade, pode demandar uma resposta mais enérgica do que o habitual, a exemplo da utilização de técnicas e instrumentos de menor potencial ofensivo (nível de força 5). Do mesmo modo, uma agressão sem instrumentos letais, em ambiente controlado e com apoio, pode ser solucionada com técnicas menos intensas. Tudo depende da análise do contexto. Esse raciocínio está alinhado à concepção adaptativa e contínua da tomada de decisão, conforme já discutido anteriormente. Ademais, como pode ser observado, em que pese a presença ostensiva e a verbalização serem níveis de uso da força, são técnicas empregáveis em situações em que não há interação com as pessoas, como também, em contextos em que a interação com o cidadão ocorre de maneira cooperativa. Deste modo, importa salientar que a atuação do profissional deve sempre considerar: A possibilidade de reduzir o nível de força (desescalada), caso a resistência cesse ou diminua; A proteção de terceiros inocentes, em especial crianças, idosos ou pessoas em situação de vulnerabilidade; O posterior registro da decisão tomada, com base em registros, testemunhos e, quando possível, evidência audiovisual (como câmeras corporais); A observância de normas internas da corporação e de protocolos operacionais padronizados. ETAPA (A) - APLICAR A "aplicação da força" é a terceira e última etapa do ciclo 2PDA. O profissional de segurança pública aplica de fato a decisão selecionada. Aplicar a força é o ato de executar fisicamente ou verbalmente o nível de coerção selecionado para desescalar um conflito, anular uma resistência, realizar uma prisão, proteger vidas ou impor uma decisão legal. É a materialização prática e concreta da decisão previamente tomada no processo de seleção do nível de força. O que envolve: Execução controlada da ação escolhida: Técnicas e instrumentos operacionais adequados. Mitigação de danos colaterais. Prestação de socorro imediato a feridos. 60 Uso Diferenciado da Força Adicionalmente, destaca-se a importância do treinamento continuado voltado para realidade e do aperfeiçoamento doutrinário institucional criando assim reserva cognitiva operacional para os PSPs. AULA 4 Presença, postura e verbalização do profissional de segurança pública (PSP) A presença do profissional de segurança pública, fardado, uniformizado e/ou facilmente identificável por distintivos, coletes ou outros recursos visuais têm função estratégica para a segurança pública. Essa presença desencoraja o cometimento de ilícitos e dá à sociedade a percepção de vigilância e apoio constantes, tranquilizando o cidadão trazendo um sentimento de ordem e proteção. 4.1. Presença Ao compreender que a relação entre comportamento e resposta não é automática, o profissional de segurança pública se torna mais apto a agir com discernimento, técnica e responsabilidade, elevando a legitimidade institucional e contribuindo para a proteção efetiva dos direitos humanos. A compreensão dos tipos de comportamento – cooperativo, resistência passiva, resistência ativa, agressão e agressão potencialmente letal – permite ao profissional adaptar sua resposta, empregando o nível de força mais adequado à situação. Essa resposta não é padronizada ou automática, mas fruto de um processo decisório contínuo, adaptativo e fundamentado, conforme previsto tanto no Decreto nº 12.341/2024, quanto na Portaria MJSP nº 855/2025. O policial, diante da realidade dinâmica e incerta das ruas, deve estar capacitado a observar, analisar e agir de forma ética, técnica e juridicamente embasada. O domínio dos modelos de decisão operacional, como o ciclo OODA, contribui para respostas mais seguras e eficazes, com menor risco de lesões, letalidade ou responsabilizações indevidas. A busca pela desescalada de conflitos, quando possível, deve ser parte integrante da mentalidade profissional, ao lado do respeito aos direitos fundamentais de todas as pessoas envolvidas. 61 Uso Diferenciado da Força Figura 34: Demonstração de postura profissional do policial Fonte: www.bm.rs.gov.br/bmreforcapoliciamentoembutia , 2024. A postura do PSP é um conjunto que integra comportamento, atitude e conduta voltados para transmitir ao cidadão confiança, credibilidade e respeito. 4.2. Postura Com o desenvolvimento exponencial da tecnologia a segurança pública pode contar com abordagens modernas para aumentar a eficácia da presença do PSP. Os sistemas de monitoramento por câmeras permitem posicionar em pontos efetivos qualquer tipo de policiamento cobrindo uma dada região com maior incidência criminal, aprimorando o fator presença. Em suma, a demonstração ostensiva de autoridade, geralmente é suficiente para prevenir a maioria das ações antissociais. Mas para exteriorizar confiança, segurança e proteção a presença do PSP não deve se restringir somente ao fator físico, ela deve obrigatoriamente ser acompanhada de atitudes e postura adequadas. A postura física é o meio não-verbal de comunicação do PSP com o cidadão. Através do seu posicionamento corporal, olhar e gestos adequados, o PSP pode desescalar algumas situações tensas por se apresentar com artifícios que aumentam a probabilidade de conformidade voluntária. https://www.bm.rs.gov.br/bmreforcapoliciamentoembutia https://www.bm.rs.gov.br/bmreforcapoliciamentoembutia https://www.bm.rs.gov.br/bmreforcapoliciamentoembutia https://www.bm.rs.gov.br/bmreforcapoliciamentoembutia 62 Uso Diferenciado da Força Figura 35: Procedimento de interação entre o profissional de segurança pública e o cidadão Fonte: Copilot, imagem gerada por IA, 2025. Aplicando a postura em situações cotidianas do PSP deve-se observar os aspectos táticos desejados. Taticamente, é importante adotar posturas que permitam uma proximidade segura em situações de abordagens que facilite uma rápida resposta à mudança de comportamento do cidadão. Psicologicamente, a postura adequada traz impactos positivos no estado mental do cidadão, induzindo-o a pensar em formas cooperativas de agir. 63 Uso Diferenciado da Força Figura 36: Profissionais de segurança pública em diálogo Fonte: Copilot IA (2025) As variações da postura e do tom de voz do Profissional de Segurança Pública dependem da atitude da pessoa abordada. Em situações de risco é necessário o emprego de frases curtas e firmes. A verbalização deve ser empregada em conjunto com todos os demais níveis de uso de força. O treinamento continuado e as experiências vivenciadas proporcionam melhoria na habilidade de verbalização. A verbalização eficaz requer habilidades de comunicação, como clareza, firmeza, empatia e adaptabilidade, dependendo do público ou da situação. Ela pode ser usada em diversos cenários, desde negociações até interações cotidianas. A comunicação entre o PSP e o cidadão deve ser clara e objetiva para que a troca de mensagens entre o emissor e o receptor tenha fluidez e interpretação adequada. os PSPs devem priorizar a comunicação, a negociação e o emprego de técnicas que impeçam uma escalada da violência. A inteligência do artigo 7º nos traz as palavras chaves para que o PSP desenvolva habilidades, notadamente, no que diz respeito à verbalização: COMUNICAÇÃO, NEGOCIAÇÃO E DESESCALONAMENTO. Segundo o art. 7º, § único, da Portaria MJSP nº 855/25 A verbalização é o uso da linguagem falada para expressarideias, instruções, intenções ou sentimentos de maneira clara e eficaz. Em contextos específicos, como na atividade de segurança pública, ela é uma ferramenta estratégica para emitir comandos, resolver conflitos, acalmar situações ou estabelecer controle sem recorrer à força física. 4.3. Verbalização 64 Uso Diferenciado da Força Na 4ª fase: Não ignore o cidadão virando-se de costas abruptamente; Não utilize de linguagem agressiva ou irônica; Garanta que o local esteja seguro no momento de liberar ou conduzir o cidadão abordado. Um bom encerramento reforça a legitimidade da ação de segurança pública, reduz tensões pós-abordagem e contribui para uma relação mais positiva com a comunidade. A comunicação clara e o respeito são fundamentais em todos os momentos. 4.3.1 Modelo das quatro fases da verbalização do Profissional de Segurança Pública (PSP) Saudação e identificação: nesta fase o PSP cria a conexão inicial com o cidadão. A observação de protocolos e normas utilizando uma linguagem não violenta, técnica e formal é recomendável. Comando e direcionamento: instruções claras e firmes. O PSP utiliza de uma verbalização calibrada emitindo comandos e direcionando a postura do cidadão abordado para um maior controle da abordagem. Comando e direcionamento eficaz reduzem riscos, garantem o cumprimento da lei e melhoram a imagem institucional perante a sociedade. Explanação da situação: informa os motivos da abordagem. É direito de toda pessoa saber os motivos que levaram a abordagem, então, o PSP por meio de uma linguagem clara e direta expõe as razões da interpelação. Encerramento adequado: garantir que a interação termine de forma segura. Um encerramento adequado é tão importante quanto a saudação e identificação. Ele garante que a situação seja finalizada com segurança, clareza e respeito, evitando mal-entendidos ou reclamações. 1ª Fase 3ª Fase 2ª Fase 4ª Fase 65 Uso Diferenciado da Força Por fim, tenha o cuidado de observar que a verbalização nem sempre será conveniente ou o será possível o seguimento das quatro fases acima em virtude das características da ocorrência em que o Profissional de segurança pública se deparar, ou seja, ela deve ser utilizada, e seguindo as fases desde que não comprometa a ação do profissional de segurança pública ou se tornar inadequado. As habilidades exigidas para um bom verbalizador tem o objetivo de controlar, inicialmente, qualquer situação de conflito entre os atores sociais. Pacificar é a sua missão. Para isso, se faz necessário entender o conceito de técnicas de desescalonamento e seus aspectos táticos. Técnicas de desescalonamento, são procedimentos, táticas ou estratégias utilizadas com o objetivo de reduzir a intensidade de um confronto ou de uma situação com o potencial de gerar violência, minimizando o uso da força (Portaria MJSP 855/25). 4.4 Desescalonamento Figura 37: Representação gráfica da ideia de desescalonamento Fonte: Copilot IA (2025) Outros conceitos: “Estratégias verbais e não verbais destinadas a reduzir a intensidade de um conflito ou crise encontrados pela polícia, com a intenção de ganhar obediência sem a aplicação de força, ou se a força for necessária, reduzindo a quantidade dela exigida.” (Ontário Police College) “A tática da desescalada envolve o uso de técnicas para reduzir a intensidade da intervenção sobre um suspeito e habilitar o policial para ter mais opções para 66 Uso Diferenciado da Força ganhar voluntariamente obediência ou mitigar a possibilidade de usar um nível mais alto de força, mantendo controle da situação.” (Los Angeles Police Department) “Táticas de desescalada são aquelas ações usadas pelos policiais, quando com segurança e sem comprometer a aplicação da lei, que procura minimizar a probabilidade da necessidade do uso da força durante um incidente e aumentar a probabilidade de conformidade voluntária.” (Seattle Police Department) Para o nosso estudo iremos considerar dois tipos de desescaladas: a desescalada tática e a desescalada verbal. 4.4.1 Tipos de desescalonamento Tem como pilar o posicionamento do PSP com relação ao cidadão abordado. O PSP pode realizar o gerenciamento de distância com objetivo de aumentar a lacuna reacionária, garantindo tempo hábil para a tomada de decisão assertiva. Além disso, o PSP pode avaliar elementos no cenário da abordagem para criar uma barreira protetiva entre ele e o cidadão não cooperativo com o objetivo de conter ou redirecionar uma possível ameaça. Desescalonamento tático O desescalonamento tático poderá ser realizado com o uso de instrumentos de menor potencial ofensivo (IMPO)? Sim! É perfeitamente possível desescalar um conflito com IMPO, quando qualquer desses instrumentos detenham recursos que provoquem uma intimidação psicológica no cidadão não cooperativo, antes mesmo do seu emprego efetivo. Exemplo 1: Cidadão não cooperativo que ameaçava as pessoas com o bastão na mão ao perceber o PSP se aproximando com uma arma eletroeletrônica provocando arcos de advertência, desiste de continuar a ação antissocial e coloca o bastão no chão. 67 Uso Diferenciado da Força Figura 38: Desescalada com arma eletroeletrônica Figura 39: Emprego tático do espargidor Fonte: www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the- scoville-scale, 2024. Fonte: Acervo do conteudista, (2025). Exemplo 2: Cidadãos não cooperativos percebem que o PSP saca o espargidor de emprego coletivo e cessam imediatamente atos de vandalismo contra o patrimônio público. https://www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-scoville-scale https://www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-scoville-scale https://www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-scoville-scale https://www.sonoranspice.com/blogs/sonoran-spice-product-guides/what-is-the-scoville-scale 68 Uso Diferenciado da Força Nestes dois exemplos acima, temos a desescalada tática com os Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO). As técnicas de desescalonamento permitem ao PSP mais tempo, distância, espaço e flexibilidade tática para avaliar o imprevisível pela natureza dinâmica da ação policial. Elas também aumentam o potencial para resolver o conflito com o mínimo ou sem força, reduzindo a probabilidade de lesão às pessoas envolvidas, aumentando a segurança do PSP e mitigando o imediatismo e ameaças contínuas. Utiliza a verbalização e a escuta ativa como recursos para persuadir e negociar, utilizando técnicas de comunicação não violenta e diálogo estratégico com o foco em reduzir a tensão. Nesse tipo de desescalada é importante que o PSP identifique possíveis ganchos e gatilhos para realizar um bom gerenciamento da ocorrência, onde os gatilhos de tensão devem ser mitigados ou eliminados e os ganchos para reduzir tensão devem ser alavancados. Desescalonamento verbal Finalizando: Neste módulo, você viu: A importância dos sete princípios gerais do uso da força; Que definição de cada princípio geral se torna uma diretriz do uso da força; Que o processo de tomada de decisão no uso diferenciado da força requer preparo técnico, tático e equilíbrio emocional, objetivando numa resposta de alta qualidade para resolução dos conflitos; O ciclo OODA; Os níveis de alerta do Profissional de Segurança Pública (PSP); Os tipos de comportamentos do cidadão abordado e os níveis do uso diferenciado da força; Identificou os principais aspectos sobre a presença, postura e verbalização do PSP; Conheceu o conceito de técnicas de desescalada e seus tipos. SÍNTESE 69 Uso Diferenciado da Força MÓDULO 3 Circunstâncias do uso diferenciado da força Apresentação do módulo: Este módulo aborda as principais circunstâncias do uso diferenciado da força, onde o profissional de segurança pública atua como garantidor dos direitos e garantias fundamentais e principal equalizador do uso da força para resolução dos conflitos. São circunstâncias muito conhecidas pelos profissionais de segurança pública e já consignadas em outros