Prévia do material em texto
Radioterapia, Braquiterapia e Ciclo Celular — pág. 1 Radioterapia, Braquiterapia e Ciclo Celular — Material de Estudo Resumo explicativo + 30 questões objetivas (básico, médio e avançado) com gabarito comentado. Baseado nos 4 PDFs enviados. 1. Ciclo celular e câncer Fases do ciclo: • G1: a célula cresce, produz proteínas e organelas e avalia se tem condições de continuar. • S: duplicação do DNA. Cada cromossomo passa a ter duas cromátides-irmãs. • G2: preparação para a divisão; verifica danos no DNA. • M: mitose + citocinese. • G0: célula fora do ciclo proliferativo (temporária ou permanentemente). Mitose (PPMAT + citocinese): 1. Prófase: cromatina condensa, nucléolo some, fuso se organiza, centrossomos vão aos polos. 2. Prometáfase: envelope nuclear se desorganiza; microtúbulos se ligam aos cromossomos pelos cinetócoros. 3. Metáfase: cromossomos alinhados no centro (placa metafásica). Ponto de checagem do fuso. 4. Anáfase: separação das cromátides-irmãs, cada uma puxada para um polo. 5. Telófase: cromossomos descondensam, envelope se reorganiza, formam-se dois núcleos. 6. Citocinese: divide o citoplasma → 2 células-filhas geneticamente semelhantes. Controle da divisão: genes reguladores, proteínas, pontos de checagem, reparo do DNA e apoptose (morte celular programada). Analogia: divisão = acelerador; controle = freio. Se o DNA sofre alteração: (1) é reparado; (2) o dano é irreparável → apoptose; (3) o controle falha → proliferação inadequada → neoplasia. Benigna Maligna Crescimento mais lento descontrolado Limites bem delimitada invade tecidos adjacentes Metástase não sim (via sanguínea, linfática etc.) • "Benigno" não é sinônimo de inofensivo: pode comprimir estruturas vizinhas. • Tumor primário = onde começou. Metástase = foco formado em outro local. Pulmão → cérebro continua sendo câncer de pulmão metastático. • Radiação × DNA: pode causar danos reparados, mal reparados ou irreparáveis (letais). Isso explica os efeitos biológicos e o princípio da radioterapia. • Efeito estocástico (baixa dose): risco tardio de leucemia, tumores de tireoide (região cervical) e lesões cutâneas neoplásicas. 2. Evolução da radioterapia Missão universal: dose máxima no tumor e mínima nos tecidos sadios. A física não mudou; a precisão mudou. Característica RT clássica RT moderna Imagem/planejamento Raios-X 2D, forward planning (médico desenha campos no filme) 3D conformada, fusão TC-RM, inverse planning Conformação do feixe Blocos de Cerrobend manuais (liga pesada e tóxica, trocados na sala) MLC (tungstênio, 80 a 120 folhas, robótico) Radioterapia, Braquiterapia e Ciclo Celular — pág. 2 Característica RT clássica RT moderna Entrega da dose Feixes estáticos de intensidade uniforme IMRT (intensidade modulada) / SRS (submilimétrica) Braquiterapia LDR (internação por dias) HDR (ambulatorial, minutos, afterloader) Volumes: GTV (tumor visível) → CTV (inclui doença microscópica) → PTV (margem de segurança para incertezas). OAR = órgãos em risco. 3. Teleterapia (fonte distante) Kilovoltagem (baixa penetração, dose máxima na superfície; só lesões superficiais): • Grenz-ray e contato:HDR I-125 59,4 dias 0,028 MeV sementes permanentes (próstata) Pd-103 17 dias 0,021 MeV sementes permanentes (próstata) Taxas de dose (valores do material): LDR 0,5 a 2 cGy/min (internação, dias); HDR >20 cGy/min (ambulatorial, minutos, Ir-192); PDR (pulsos curtos com fonte forte para simular a biologia do LDR); MDR é intermediária e pouco usada. Se seu professor usar outra convenção (ex.: LDR 0,4–2 Gy/h; HDR >12 Gy/h), siga a dele. Modalidades de aplicação: intracavitária (colo do útero, vagina; tandem e ovoides/Fletcher-Suit, cápsulas de Heyman, cilindros vaginais), intersticial (agulhas/sementes; próstata, mama, sarcomas; templates), intraluminal (esôfago, brônquios), moldes de superfície (pele, lábio, orelha) e intravascular (reestenose coronariana). Afterloading (carregamento remoto): 1) posicionamento a frio dos aplicadores vazios; 2) verificação com dummy (cabo-boneco); 3) tratamento remoto, equipe fora da sala, fonte vai às dwell positions; 4) retração ao cofre blindado (de tungstênio) ao fim ou em caso de interrupção. Radioterapia, Braquiterapia e Ciclo Celular — pág. 4 Braquiterapia ginecológica (colo do útero, ICRU 38): teleterapia prévia (encolhe tumor e trata linfonodos) + braquiterapia intracavitária de reforço (boost). Tandem + ovoides geram dose em formato de pera. • Ponto A: 2 cm acima do orifício cervical e 2 cm lateral ao canal (dose tumoral). • Ponto B: 3 cm lateral ao A (5 cm da linha média); parede pélvica/linfonodos parametriais. • OAR: bexiga (balão do Foley puxado para baixo) e reto (parede anterior, com contraste ou sonda). O técnico garante o empacotamento (packing) com gaze, que afasta bexiga e reto das fontes. RM na braquiterapia: contraste superior para GTV e OAR, mas exige cuidado com artefatos de suscetibilidade (aplicadores metálicos), limites de SAR (aquecimento por RF) e compatibilidade de todo o hardware. Radioproteção: tempo, distância (maior aliada, 1/r²) e blindagem; monitores (survey meters) e interlocks de porta obrigatórios. Emergência HDR (fonte não retrai): 1) checar monitor de área e console e acionar a parada de emergência; 2) entrar com survey meter; 3) recolhimento manual com a manivela; 4) se travar, extrair o aplicador com pinças longas e colocá-lo no recipiente de chumbo. Controle de qualidade: calibração do SK da nova fonte de Ir-192 (troca a cada ~3 meses) com câmara poço; integridade do aplicador (visual e raios-X); precisão de posição com fonte dummy; teste diário de interlocks, luzes e câmeras. 8. Questões — Nível básico 1. Em qual fase do ciclo celular ocorre a duplicação do DNA? A) G1 B) S C) G2 D) M 2. Na metáfase, ocorre: A) separação das cromátides-irmãs B) descondensação e formação de dois núcleos C) alinhamento dos cromossomos no centro, formando a placa metafásica D) desaparecimento do nucléolo e início da formação do fuso 3. Metástase é: A) o foco tumoral formado em outro local pela disseminação de células malignas do tumor primário B) um tumor benigno bem delimitado C) a morte celular programada D) a duplicação do DNA na fase S 4. A faixa de energia da ortovoltagem (radioterapia profunda) é: A) menor que 20 kV B) 40–50 kV C) 50–150 kV D) 150–500 kV 5. O skin sparing é característico dos feixes de: A) kilovoltagem, com dose máxima na superfície B) megavoltagem, com dose máxima abaixo da superfície da pele C) contato D) Grenz-ray 6. Os feixes de elétrons são indicados para: A) tumores pélvicos profundos B) tumores de pâncreas C) boost de mama e lesões superficiais de pele D) tumores cerebrais profundos Radioterapia, Braquiterapia e Ciclo Celular — pág. 5 7. A principal função do bolus é: A) trazer o ponto de dose máxima de volta à superfície, anulando o skin sparing B) imobilizar a cabeça C) moldar o campo ao contorno do tumor D) inclinar as curvas de isodose 8. As lâminas do colimador de múltiplas folhas (MLC) são de: A) Cerrobend B) alumínio C) Aquaplast D) tungstênio 9. O termo braquiterapia, do grego brachys, refere-se a: A) fontes situadas a mais de 80 cm do paciente B) tratamento a curta distância, com fontes seladas no leito tumoral ou em cavidades C) feixes de elétrons D) irradiação do corpo inteiro 10. O radionuclídeo considerado padrão-ouro moderno para braquiterapia HDR é: A) Ra-226 B) Pd-103 C) Ir-192 D) Cs-137 9. Questões — Nível médio 11. Sobre bolus e compensador 3D, é correto afirmar: A) ambos ficam em contato com a pele B) o compensador aumenta a dose na pele C) o bolus é feito de chumbo e fica na bandeja D) o compensador atua longe da pele e preserva o skin sparing; o bolus fica sobre a pele e o anula 12. No planejamento inverso (IMRT): A) o planejador define os objetivos (dose no PTV, restrições dos OAR, DVHs) e o algoritmo calcula a intensidade dos beamlets B) o planejador define manualmente direção e tamanho dos feixes e o computador calcula a dose C) é característico da radioterapia 2D D) dispensa imagens de TC 13. Quanto às técnicas de entrega da IMRT: A) no step-and-shoot as lâminas se movem com o feixe ligado B) o sliding window é uma técnica estática C) no step-and-shoot as lâminas se movem com o feixe desligado (estática); no sliding window, movem-se continuamente com o feixe ligado (dinâmica) D) ambas exigem rotação contínua do gantry 14. O VMAT caracteriza-se por: A) campos estacionários com feixe fixo B) rotação contínua do gantry associada ao MLC em movimento e à variação da taxa de dose, reduzindo o tempo de tratamento C) uso exclusivo de elétrons D) uso de blocos de Cerrobend 15. Sobre SRS e SRT: A) a SRS entrega dose alta em fração única; a SRT, poucas frações (2–5); ambas com erro espacial 20 cGy/min, ambulatorial, com afterloader, geralmente Ir-192, em poucos minutos C) sementes permanentes de I-125 na próstata D) pulsos curtos para simular a biologia do LDR 19. Para uma fonte pontual, se a dose a 1 cm vale 100 unidades, a 2 cm valerá: A) 25 B) 50 C) 12,5 D) 75 20. Na braquiterapia do colo do útero, os pontos A e B correspondem a: A) A: 3 cm lateral ao B; B: dose tumoral B) A e B: 2 cm acima do orifício cervical C) A: balão do Foley; B: parede anterior do reto D) A: 2 cm acima do orifício cervical e 2 cm lateral ao canal (dose tumoral); B: 3 cm lateral ao A (5 cm da linha média), parede pélvica 10. Questões — Nível avançado 21. Qual das alternativas não é causa de distorção geométrica nas imagens de RM para planejamento? A) imperfeições no campo magnético principal (B0) B) uso de algoritmo de informação mútua na co-registração C) não linearidades dos gradientes de campo D) suscetibilidade magnética de tecidos e da máscara 22. A taxa de dose de uma fonte pontual a 1 cm é 90 cGy/min. A 3 cm será: A) 30 cGy/min B) 45 cGy/min C) 10 cGy/min D) 5 cGy/min 23. No formalismo TG-43: A) Λ converte o SK em taxa de dose na água a 1 cm de distância B) G(r,θ) corrige a absorção pela água e a anisotropia C) g(r) e F(r,θ) descrevem apenas o espalhamento geométrico D) SK é a distância de calibração 24. Na expressão SK = K̇ · r², o termo r²: A) aumenta a dose na fonte B) representa a taxa de dose na água C) é medido em contato com o tecido D) remove a dependência do inverso do quadrado da distância de calibração, sendo K̇ medido em espaço livre Radioterapia, Braquiterapia e Ciclo Celular — pág. 7 25. Uma fonte deIr-192 (meia-vida de 73,8 dias) após cerca de 148 dias terá aproximadamente qual fração da atividade inicial? A) 50% B) 12,5% C) 25% D) 75% 26. Em falha de retração da fonte HDR, a sequência correta é: A) manivela manual, survey meter, parada de emergência, extração do aplicador B) checar monitor de área e console e acionar a parada de emergência; entrar com survey meter; recolher com a manivela; se travar, extrair o aplicador com pinças longas para o recipiente de chumbo C) extrair o aplicador do paciente antes de qualquer avaliação D) aguardar o decaimento da fonte 27. Sobre o uso da RM no planejamento da braquiterapia: A) oferece contraste superior para GTV e OAR, mas exige atenção a artefatos de suscetibilidade, limites de SAR e compatibilidade do hardware B) usa radiação ionizante e dispensa cuidados com metais C) tem contraste de partes moles inferior ao da TC D) elimina a necessidade de aplicadores 28. Julgue as assertivas: I. Na rotaterapia, a dose de entrada é distribuída ao longo de 360°, minimizando o pico de dose na pele e no tecido normal. II. Com 3 ou 4 campos convergindo ao isocentro, cada tecido normal recebe apenas uma fração da dose total. III. Campos paralelos opostos dão homogeneidade no alvo, mas dose considerável nos tecidos sadios acima e abaixo. IV. Na 3D-CRT, a intensidade de cada campo é modulada por beamlets. Estão corretas: A) I e II apenas B) II e III apenas C) I, II e IV D) I, II e III apenas 29. Na braquiterapia do câncer do colo do útero (ICRU 38): A) a braquiterapia é feita sempre antes da teleterapia, isoladamente B) combina-se teleterapia prévia com braquiterapia intracavitária de reforço; a bexiga é referenciada pelo balão do Foley, o reto pela parede anterior, e o packing com gaze afasta ambos das fontes C) o tandem sem ovoides gera dose esférica D) o ponto B é onde se prescreve a dose curativa ao tumor 30. No controle de qualidade da braquiterapia HDR, a verificação do SK da nova fonte de Ir-192 (trocada a cada ~3 meses) é feita com: A) dosímetro termoluminescente no paciente B) filme radiocrômico C) câmara poço calibrada D) cintilador de bancada 11. Gabarito comentado Básico: 1-B · 2-C · 3-A · 4-D · 5-B · 6-C · 7-A · 8-D · 9-B · 10-C Médio: 11-D · 12-A · 13-C · 14-B · 15-A · 16-D · 17-C · 18-B · 19-A · 20-D Avançado: 21-B · 22-C · 23-A · 24-D · 25-C · 26-B · 27-A · 28-D · 29-B · 30-C Comentários: 1. A duplicação do DNA é a fase S (síntese). 2. Na metáfase forma-se a placa metafásica; a separação das cromátides é a anáfase. Radioterapia, Braquiterapia e Ciclo Celular — pág. 8 3. Metástase é o foco formado em outro local; o local de origem é o tumor primário. 4. Ortovoltagem: 150–500 kV (típico 200–300 kV). 5. Em megavoltagem a dose máxima fica abaixo da pele. 6. Elétrons: queda abrupta, até ~5 cm; boost de mama, parede torácica e pele. 7. O bolus anula o skin sparing; é desejável quando a pele é o alvo. 8. O MLC usa tungstênio; Cerrobend são os blocos manuais. 9. Brachys = curto; fontes seladas junto ao tumor. 10. Ir-192 é o padrão-ouro do HDR (Cs-137 é LDR intracavitária; Pd-103, sementes permanentes). 11. Compensador fica na bandeja, longe da pele (preserva skin sparing); bolus fica na pele. 12. Planejamento inverso: define-se o objetivo e o algoritmo calcula; o forward é o contrário. 13. Step-and-shoot = feixe desligado durante o movimento; sliding window = feixe ligado. 14. VMAT = arco contínuo + MLC + taxa de dose variável; tratamento mais rápido. 15. SRS = fração única; SRT = 2–5 frações; erro 20 cGy/min, ambulatorial, afterloader, Ir-192. A e C descrevem LDR; D descreve PDR. 19. Inverso do quadrado: (1/2)² = 1/4 → 25. 20. A: 2 cm acima do orifício e 2 cm lateral; B: 3 cm lateral ao A (5 cm da linha média). 21. A informação mútua é método de registro, não causa de distorção. 22. (1/3)² = 1/9 → 90/9 = 10 cGy/min. 23. Λ converte SK em taxa de dose na água a 1 cm. g(r) e F(r,θ) corrigem atenuação e anisotropia; G é o fator geométrico. 24. r² elimina o efeito do inverso do quadrado da distância de calibração. 25. 148 dias ≈ 2 meias-vidas → (1/2)² = 25%. 26. Ordem: avaliar e parar → survey meter → manivela → extrair aplicador (último recurso). 27. A RM dá melhor contraste de partes moles que a TC, mas traz artefatos, SAR e logística de compatibilidade. 28. I, II e III corretas. IV é falsa: na 3D-CRT a intensidade é uniforme; a modulação por beamlets é da IMRT. 29. Teleterapia prévia + braquiterapia de reforço; Foley (bexiga), parede anterior (reto), packing. O ponto A é o da dose tumoral. 30. A calibração do SK é feita com câmara poço. Observação: as questões são originais, no estilo de vestibulares e concursos de técnico em radiologia, e seguem os valores dos seus PDFs.