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Aula 20 08 26 - Processo e Relacao Processual

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Aprofundamento: sujeitos, 
atos e validade processual
Continuação da aula de 18/08 - Processo Civil
Processo Civil • Luiz Paulo Salomão
25
A técnica processual controla o poder
Uma decisão materialmente persuasiva pode ser processualmente inválida?
Sujeitos legítimos
Quem participa 
precisa estar 
validamente em juízo.
Contraditório efetivo
As partes devem 
poder influenciar a 
decisão.
Atos controláveis
Forma, documentação e 
fundamentação tornam a 
decisão verificável.
Processo válido é decisão participada, fundamentada e controlável.
CPC, arts. 1º e 6º–11 26
O juiz moderno é terceiro, não espectador
Não é parte
Não formula 
pretensão nem 
defende interesse 
próprio.
Julga sem ocupar os 
polos da demanda.
Não é espectador
Dirige o procedimento, 
reprime abusos e 
promove tutela 
efetiva.
Inércia não é sinônimo 
de imparcialidade.
Não é soberano
Contraditório, limites 
da demanda e 
fundamentação 
controlam sua 
decisão.
Imparcialidade é direção sem favoritismo, em diálogo e sob controle jurídico.
CPC, arts. 7º–11 e 139–143 27
Imparcialidade exige distância e controle
Distância
Ausência de interesse 
próprio e de vínculo 
comprometedor.
Paridade
Tratamento igualitário 
no exercício de direitos, 
ônus e deveres.
Controle
Impedimento, 
suspeição, contraditório 
e fundamentação.
Imparcialidade não é neutralidade diante da desigualdade processual. 
O que é importa é uma decisão sob garantias de confiança.
CPC, arts. 7º, 10 e 144–148 28
Direção processual é dever-poder
Igualar
Assegurar paridade de 
tratamento entre as 
partes.
Ordenar
Velar pela tramitação 
eficiente e reprimir 
postulações 
protelatórias.
Cooperar
Promover 
autocomposição e 
adequar o 
procedimento ao 
conflito.
Sanear
Determinar o 
suprimento de 
pressupostos e a 
correção de vícios.
O processo cooperativo atribui ao juiz deveres de organização, não licença para decidir 
sozinho.
CPC, art. 139, I–III, V, VI e IX; arts. 6º–8º 29
Efetividade tem limites jurídicos
Instrumentos
Indutivas: estimulam o cumprimento.
Coercitivas: pressionam o obrigado.
Mandamentais: ordenam a conduta.
Sub-rogatórias: substituem a atividade do 
devedor.
Filtros de legitimidade
Finalidade: relação com a ordem judicial.
Proporcionalidade: adequação e necessidade.
Garantias: contraditório, motivação e revisão.
Poder geral de efetivação não é poder geral de constrangimento.
CPC, arts. 8º–10, 139, IV e 297 30
Decidir exige respeitar limites
O juiz deve decider
Lacuna ou obscuridade não autorizam non liquet.
Processo simulado ou fim vedado impõe resposta 
judicial e, se cabível, sanção por má-fé.
Mas deve decidir com limites
O mérito observa os limites propostos pelas 
partes.
Fundamentar é enfrentar argumentos capazes de 
modificar a conclusão.
Matéria cognoscível de ofício também exige contraditório prévio.
CPC, arts. 10, 140–143 e 489, §1º 31
Autor e réu ocupam posições processuais
Autor
Provoca a jurisdição.
Delimita a demanda por pedido e causa de pedir.
Requer tutela, produz prova, recorre e pode 
praticar atos de disposição nos limites legais.
Réu
É chamado ao contraditório.
Contesta, reconvém, reconhece, recorre ou 
permanece revel.
Não é mero obstáculo: é sujeito de posições 
jurídicas próprias.
Ambos possuem direitos, faculdades, ônus, deveres e sujeição a sanções.
CPC, arts. 17–18, 319, 335 e 343 32
Capacidade, representação e legitimidade
Capacidade
Ser parte: aptidão para 
ocupar posição processual.
Processual: aptidão para 
praticar atos em nome 
próprio.
Representação
Técnica que permite 
participação válida de 
incapazes e entes previstos 
em lei.
Não se confunde com 
legitimidade.
Legitimidade
Pertinência subjetiva para 
postular ou resistir à 
pretensão.
Regra: interesse e 
legitimidade para estar em 
juízo.
Defeito de representação e falta de legitimidade exigem respostas processuais diferentes.
CPC, arts. 17–18, 70–76 e 103 33
Boa-fé e o conteúdo no art. 77 do CPC
Dizer a verdade
Expor os fatos sem
fabricar a narrativa processual.
Agir com coerência
Não formular pretensão ou defesa 
conscientemente infundada.
Praticar Atos Úteis
Evitar provas e providências 
inúteis ou desnecessárias.
Viabilizar a Efetividade
Cumprir decisões e não criar 
embaraços à sua realização.
Boa-fé processual é padrão objetivo de conduta para todos os participantes.
CPC, arts. 5º–6º e 77 34
Má-fé não é sinônimo de derrota
Conduta tipificada
Alterar a verdade dos fatos.
Usar o processo para conseguir objetivo ilegal.
Resistir injustificadamente ou provocar incidente 
manifestamente infundado.
Resposta jurídica
Multa, perdas e danos, honorários e despesas.
Exige fundamentação individualizada e 
proporcionalidade.
Não pode punir o exercício regular do contraditório e 
da ampla defesa.
Defesa fraca não é má-fé; má-fé é uso desleal do processo.
CPC, arts. 79–81 • CF, art. 5º, LV 35
Despesa não se confunde com honorário
Despesas processuais
Custas dos atos, indenização de viagem, 
assistente técnico e diária de testemunha.
Em regra, a parte antecipa as despesas dos atos 
que realiza ou requer.
Honorários sucumbenciais
São devidos ao advogado do vencedor.
Não se confundem com custas nem com 
honorários contratuais.
É um direito autônomo do advogado.
Ao final, o vencido reembolsa despesas e suporta honorários nos limites da lei.
CPC, arts. 82, 84–85 36
Honorários seguem critérios legais
1. Condenação
Base preferencial 
quando houver valor 
definido.
2. Proveito econômico
Quando mensurável e 
mais adequado ao 
resultado.
3. Valor da causa
Aplicado quando as 
bases anteriores não 
forem possíveis.
Regra geral: 10% a 20%. Consideram-se zelo, lugar, natureza, importância e trabalho desenvolvido. Em 
recurso, há possível majoração.
Honorários são direito do advogado e têm natureza alimentar.
CPC, art. 85, §§2º, 11 e 14; arts. 86–87 e 90 37
Gratuidade remove barreiras, não deveres
Abrangência
Custas, perícia, intérprete, depósitos e atos previstos no 
art. 98, §1º.
Responsabilidade
O benefício não afasta despesas e honorários 
decorrentes da sucumbência.
Exigibilidade
Se vencido o beneficiário, a obrigação fica sob condição 
suspensiva nos termos do art. 98, §3º.
Multas
O benefício não afasta o dever de pagar multas 
processuais impostas ao beneficiário.
Gratuidade realiza acesso à justiça; não autoriza comportamento irresponsável.
CF, art. 5º, LXXIV • CPC, art. 98, §§1º–4º 38
Gratuidade é pessoal e controlável
Pedir
Na inicial, contestação, 
ingresso de terceiro, 
recurso ou petição 
simples posterior.
Presumir
Para pessoa natural, a 
alegação de 
insuficiência presume-
se verdadeira.
Verificar
O juiz pode exigir 
comprovação se 
houver elementos que 
infirmem os 
pressupostos legais.
Revisar
A parte contrária 
impugna; a decisão 
pode ser revogada e 
recorrida.
Advogado particular não impede o benefício; a gratuidade continua pessoal.
CPC, arts. 99–102 39
Substituto age em nome próprio
Substituição processual
Exceção à regra de que ninguém pleiteia direito 
alheio em nome próprio.
O substituto é parte e atua em nome próprio na 
defesa de direito alheio.
Representação
O representante atua em nome alheio.
A participação válida decorre de vínculo legal, 
orgânico ou de mandato, conforme o caso.
O substituído é titular da situação material e pode intervir como assistente litisconsorcial.
CPC, art. 18; art. 121, parágrafo único 40
MP: parte ou fiscal da ordem jurídica
Missão
Defender a ordem jurídica, o 
regime democrático e 
interesses sociais ou 
individuais indisponíveis.
Posições
Como parte, exerce ação 
conforme suas atribuições.
Como fiscal, intervém nas 
hipóteses constitucionais ou 
legais.
Intervenção
Recebe vista após as partes, 
é intimado dos atos, pode 
produzir prova e recorrer.
Falta de intimação 
obrigatória exige análise do 
prejuízo.
O MP não intervém por conveniência: sua atuação depende de hipótese normativa.
CPC, arts. 176–181 e 279 41
Atos processuais
Conduta, forma, efeito e documentação
Processo Civil • atos processuais42
A forma protege uma finalidade
Regra
Os atos independem de 
forma determinada, salvo 
exigência legal expressa.
Pergunta funcional
Que garantia a forma 
protege: defesa, 
informação, autenticidade, 
sequência ou publicidade?
Efeito
Forma diversa é válida se 
alcançar a finalidade essencial
do ato.
Instrumentalidade não é desprezo à forma; é recusa ao formalismo inútil.
CPC, arts. 188 e 277 43
Publicidade e digitalização são garantias
Publicidade
A regra é a abertura dos atos processuais.
Segredo de justiça é exceção legal, destinada a 
proteger interesse público, intimidade ou 
hipóteses específicas do art. 189.
Prática eletrônica
Os sistemas devem preservar acesso, 
participação, acessibilidade, disponibilidade e 
interoperabilidade.
Digital não pode significar inacessível.
Registro eletrônico: autenticidade, integridade, registro cronológico, não repúdio e conservação.
CPC, arts. 189 e 193–199 • CF, art. 5º, LX 44
Classificar antecipa o regime jurídico
Pelo sujeito
Atos do juiz, das partes, do MP e dos auxiliares da 
Justiça.
Pelo conteúdo
Postulatórios, instrutórios, decisórios, ordinatórios e 
documentais.
Pelo efeito
Constitutivos, modificativos, extintivos ou 
impulsionadores do procedimento.
Pela exteriorização
Orais, escritos, eletrônicos, certificáveis ou 
documentados por gravação idônea.
Classificar indica forma, efeito e possibilidade de controle do ato.
CPC, arts. 188, 193, 200 e 203–211 45
Pronunciamento se define pelo conteúdo
Sentença
Põe fim à fase cognitiva 
do procedimento 
comum ou extingue a 
execução, conforme a 
lei.
Decisão interlocutória
Resolve questão 
decisória sem encerrar 
a fase processual.
Despacho
Conduz o procedimento 
sem conteúdo 
decisório.
Acórdão
Julgamento colegiado 
proferido pelos 
tribunais.
O rótulo não corrige a natureza jurídica: o conteúdo do ato é decisivo.
CPC, arts. 203–205 46
Declarar, constituir ou condenar: efeitos distintos
Declaratória
O que faz? Certifica 
existência, inexistência ou 
modo de ser de uma relação 
jurídica.
Efeito: elimina incerteza 
jurídica.
Exemplos: inexistência de 
dívida; autenticidade ou 
falsidade de documento.
Constitutiva
O que faz? Cria, modifica ou 
extingue uma situação 
jurídica.
Efeito: transforma o estado 
jurídico entre os sujeitos.
Exemplos: divórcio; anulação 
de negócio jurídico; 
resolução de contrato.
Condenatória
O que faz? Reconhece a 
obrigação e impõe prestação 
ao vencido.
Efeito: forma título executivo 
judicial para satisfação.
Exemplos: pagar dívida; 
entregar coisa; fazer ou não 
fazer.
Declarar remove incerteza;
constituir transforma a situação jurídica;
condenar impõe prestação e permite satisfazê-la.
CPC, arts. 19–20, 487 e 515, I 47
Atos das partes e auxiliares dão vida ao processo
Partes
Declarações unilaterais ou 
bilaterais produzem efeitos 
imediatos.
Desistência exige 
homologação judicial.
Negócios processuais
Admissíveis em direitos que 
comportem autocomposição.
O juiz controla nulidade, 
abuso e vulnerabilidade.
Auxiliares e documentos
Servidores, peritos, oficiais e 
intérpretes apoiam a prática 
dos atos.
Termos, assinaturas e 
certidões registram o 
procedimento.
Documentação é a memória controlável da atividade processual.
CPC, arts. 190–202 e 206–211 48
Vícios dos atos processuais
Diagnóstico, prejuízo, correção e aproveitamento
Processo Civil • vícios e nulidades 49
Nulidade depende de finalidade e prejuízo
Quem causou?
Quem deu causa ao vício 
não pode pedir a nulidade 
correspondente.
Qual finalidade?
Forma diversa pode ser 
válida se alcançar a 
finalidade essencial do ato.
Quando alegar?
Na primeira oportunidade, 
salvo nulidade de ofício ou 
justo impedimento.
A máxima é funcional: não há nulidade sem prejuízo relevante.
CPC, arts. 276–278 • TJDFT, Princípio da instrumentalidade 50
Absoluta e relativa: distinção de trabalho
Nulidade absoluta
Protege garantia processual essencial ou interesse 
público relevante.
Em regra, pode ser conhecida de ofício, com 
contraditório antes da decisão.
Nulidade relativa
Protege predominantemente interesse da parte.
Deve ser alegada na primeira oportunidade; a 
omissão pode gerar preclusão.
A classificação não dispensa analisar finalidade, prejuízo e aproveitamento.
CPC, arts. 277–278 e 282–283 • distinção doutrinária 51
Decretar é delimitar o alcance
Identificar
Qual ato foi viciado e 
qual finalidade a 
exigência protegia?
Delimitar
Atos subsequentes 
dependentes perdem 
efeito; atos 
independentes 
permanecem.
Corrigir
O juiz ordena repetição 
ou retificação apenas 
do que for necessário.
Aproveitar
Se o mérito for 
favorável a quem se 
beneficiaria da 
nulidade, não se repete 
o ato.
Nulidade não autoriza apagar o processo inteiro: exige alcance proporcional.
CPC, arts. 281–282 52
Convalidar é preservar o ato útil
Preservar
Não se repete o ato quando a falta não prejudicar 
a parte.
Erro de forma anula apenas o que não puder ser 
aproveitado.
Finalidade alcançada importa.
Não confundir
Convalidação não apaga o vício.
Reconhece que a finalidade foi alcançada, que 
não houve prejuízo ou que a alegação precluiu.
A resposta correta evita formalismo inútil e preserva garantias essenciais.
CPC, arts. 277, 278 e 283 53
Litisconsórcio e terceiros
Pluralidade de sujeitos e ampliação do contraditório
Processo Civil • sujeitos plurais 54
Necessário e unitário não são sinônimos
Litisconsórcio necessário
A lei ou a natureza da relação exige citação de 
todos os envolvidos.
Trata da necessidade de formação do processo 
com todos os sujeitos indispensáveis.
Litisconsórcio unitário
O mérito deve ser decidido de modo uniforme 
para todos os litisconsortes.
Trata da uniformidade do resultado, e não da 
origem da pluralidade.
Sem integração do contraditório: decisão uniforme → nulidade;
Nos demais casos → ineficácia perante o não citado.
CPC, arts. 114–118 55
Terceiro ingressa por interesse jurídico ou lei
Assistência
Terceiro tem interesse 
jurídico em que uma parte 
vença.
Pode ser simples ou 
litisconsorcial, conforme a 
relação jurídica afetada.
Denunciação e 
chamamento
Denunciação organiza 
pretensão regressiva.
Chamamento traz afiançado, 
fiadores ou codevedores 
solidários.
IDPJ e amicus curiae
O incidente discute 
responsabilidade patrimonial 
de sócio ou pessoa jurídica.
O amicus contribui por 
relevância, especialidade ou 
repercussão social.
Classifique por: hipótese legal → interesse jurídico → poderes → efeitos da decisão.
CPC, arts. 119–138 56
Caso integrador: qual é a resposta processual?
Situação-problema
O juiz reconhece prescrição sem ouvir as partes.
O Ministério Público não é intimado em processo com incapaz.
1. Houve decisão-surpresa?
2. A intervenção do MP era 
obrigatória?
3. Quais atos foram 
afetados?
Contraditório → intervenção obrigatória → integração → prejuízo → alcance da correção
CPC, arts. 10, 115, 178, 279 e 281–283 57
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