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Gestão de Custos: Conceituação Básica SUMÁRIO Introdução Da Contabilidade Financeira à Gestão de Custos Fundamentos de Custos Custos e Sua Interface com a Gestão A Contabilidade Gerencial Conclusão Referências Introdução Iniciamos nosso estudo sobre custos contextualizando sua origem. Embora na atualidade o tema “gestão de custos” possa ser considerado transversal, ou seja, que se aplica a várias áreas do conhecimento, especialmente das ciências sociais aplicadas, devemos ter em mente que gestão de custos é um desdobramento do campo de conhecimento das ciências contábeis. As ciências sociais aplicadas são um grande campo do conhecimento que abarca cursos e envolve o relacionamento de pessoas e resoluções de problemas. Seja no ramo da economia, habitação, informação ou cultura, o interesse do homem é a base presente nas ementas dos currículos dos 14 cursos dessa área. Isso explica por que graduações aparentemente bem distantes, como Comunicação Social, Ciências Contábeis e Arquitetura, por exemplo, dividem o mesmo espaço dentro das Ciências Sociais Aplicadas (CININI, 2008). Assim, podemos entender a contabilidade como ciência mãe dos conceitos que envolvem a gestão de custos. Nessa linha, com base nos ensinamentos de Basso (2000), a contabilidade é um conjunto ordenado de conhecimentos, leis, princípios e métodos de evidenciação próprios. Trata-se da ciência que estuda, controla e observa o patrimônio das entidades nos seus aspectos quantitativo (monetário) e qualitativo (físico) e que, como conjunto de normas, preceitos e regras gerais, constitui-se na técnica de coletar, catalogar e registrar os fatos que nele ocorrem, bem como de acumular, resumir e revelar informações de suas variações e situações, especialmente de natureza econômico-financeira. A gestão de custos lida com informações estratégicas que compreendem os aspectos da contabilidade financeira e gerencial do negócio. Tais gestores divulgam e analisam não somente medidas financeiras, mas medidas não financeiras dos desempenhos de processos e sócio corporativos. Posto isso, fica evidenciado que a contabilidade financeira e a contabilidade gerencial andam de mãos dadas. Enquanto na financeira há as questões de divulgações de relatórios contábeis e resultados para os atores do contexto externo à organização (mercado, acionistas etc.), na gerencial temos o contexto interno, controles e processos com foco na tomada de decisões. Além disso, se forem apropriadamente organizadas, resumidas e relatadas, as informações relativas aos custos de produção e/ou comercialização transformam-se numa ferramenta administrativa da mais alta relevância, tornando-se um verdadeiro sistema de informações gerenciais, de vital importância para a administração das organizações empresariais (MOTA, 2010, p.3). Mas, como chegamos ao conceito de contabilidade gerencial que estuda basicamente a gestão de custos? É sobre isso que falaremos na próxima seção. Da Contabilidade Financeira à Gestão de Custos Ao fazer uma retrospectiva histórica, temos que a contabilidade financeira já era utilizada no século XVIII. Nesse período, chamado de mercantilista, contabilidade geral era o nome dado à contabilidade financeira que conhecemos hoje. Martins (2018) afirma ainda que nesse período, a contabilidade financeira não utilizava os conceitos, hoje muito difundidos, para chegar ao custo de venda de um produto, como custos industriais, por exemplo. Naquela época, os bens eram quase todos produzidos por pessoas ou grupos de pessoas que poucas vezes constituíam entidades jurídicas. As empresas propriamente ditas viviam basicamente do comércio, e não da fabricação (fora, é lógico, as financeiras). Dessa forma, eram bastante fáceis o conhecimento e a verificação do valor de compra dos bens existentes, bastando a simples consulta aos documentos de sua aquisição (MARTINS, 2018, p.4). De acordo com Martins (2018), para se ter uma noção de como era simples chegar ao preço do custo bruto de uma mercadoria vendida no período relatado no parágrafo anterior, bastava realizar o levantamento dos estoques físicos e verificar o montante pago pelos itens estocados. A partir disso, estabelecia-se o valor das mercadorias de forma bastante simples, utilizando a clássica fórmula: Para encontrar o Custo da Mercadoria Vendida (CMV) utilizava-se a fórmula: estoque inicial + compras – estoques finais = CMV Assim, a gestão de custos começa a se desenvolver, necessitando de adaptações sobre a visão simplista do contexto mercantilista, quando surge a partir do final do século XVIII e início do século XIX a segunda revolução industrial, e com ela a necessidade de inserir a apuração dos custos industriais, e há também a necessidade de confrontar novas informações no cálculo para chegar ao custo de mercadoria produzida e custo da mercadoria vendida (MARTINS, 2018). Perceba então, estudante, que além das questões que envolvem o cálculo de novos custos, a crescente escassez de recursos e a intensificação da concorrência traz consigo a necessidade de aperfeiçoamento dos mecanismos de planejamento; e o controle das atividades empresariais se torna imprescindível para qualquer empresa ter um sistema de custos, principalmente na hora da tomada de decisão. Acrescente-se que, para se tomar decisões confiáveis, com margem de segurança satisfatória, é extremamente necessário apoiar- se em informações e conhecimento de custos o mais próximo da realidade possível. Portanto, a contabilidade avança de um contexto de apenas apuração e evidenciação das informações para um contexto de gerenciamento de custos, quando busca agora também atender aos diversos interesses de pessoas, com as mais variadas necessidades, de acordo com a sua atividade dentro da organização, possibilitando uma análise gerencial no sentido de ajustar problemas e gerar soluções, obtendo mais segurança e resultado na tomada de decisões (BASSO, 2000). Fundamentos de Custos Entendido todo contexto histórico em que se insere a gestão de custos dentro da contabilidade e sua consequente evolução com a contabilidade gerencial, então aprofundaremos agora os fundamentos conceituais de custos, sua definição e sua importância para a gestão de um negócio. Nessa linha, vamos lançar mão de um jargão popular para introduzirmos o conceito. Quem nunca ouviu a máxima “na vida tudo tem um custo”? Padoveze e Jr. (2013, p. 23) ratificam essa constatação ao afirmarem que “a palavra custos é utilizada para um sem-número de colocações, tanto em âmbito empresarial quanto em âmbito social”. Esses mesmos autores também afirmam em outra definição que custo é o sacrifício de recursos, conforme ilustrado na figura a seguir. Com base nessa ideia, custo pode ser entendido como valor a ser “pago” por algo. No contexto popular, usa-se também o termo “custo” para se referir ao esforço demandado em prol de algo utilizado na elaboração de produtos e serviços. A ilustração a seguir ajuda a entender todo esse processo Custo no enfoque sistêmico Assim, caro estudante, traduzindo, quando dizem que custo diz respeito à mensuração econômica dos recursos, Padoveze e Jr. (2013) colocam que os custos se transformam em receitas, seguindo a lógica de comprar ou produzir algo, estabelecer o preço de venda e obter/aferir a receita. Ao mesmo tempo, nesse processo sistêmico também se processam recursos, que entram no sistema, e há como saída, no final do processo, os produtos e serviços. Ainda visualizando custos em uma perspectiva de processo, Leone (2008) sustenta que a gestão de custos pode ser entendida como um centro processador de informações, onde recebem (ou obtêm) os dados, que são acumulados de forma organizada, analisados e interpretados, produzindo informações sobre os custos para os diversos níveis gerenciais, agindo como um arquivo de dados e informações para suprir a necessidadede tomada de decisão de todos os tipos. A figura abaixo demonstra como a gestão de custos pode fornecer relatórios com informações para os diversos níveis administrativos. Centro processador de informações de Custos Portanto, podemos verificar que o custo processado pode ser entendido como Recursos consumidos no processo de produção de um bem ou serviço que espera que tragam benefícios atuais ou futuros para a entidade após a conclusão e venda do produto ou serviço (SILVA; LINS, 2017, p. 7). Nessa linha, Martins (2018) complementa que custo é também um gasto relacionado ao produto ou serviço utilizado na produção de outros produtos e serviços. Estranho, não é?! Pois é, você não leu errado, quando você produz ou presta um serviço você tem custos incorporados em várias etapas, todos esses gastos são custos, consegue perceber esse detalhe? Atente-se que custo pode ser considerado um gasto, mas custos e despesas são coisas diferentes. Fique tranquilo que você estudará essa diferença em momento oportuno, mas sobre o termo gasto associado a custo, você precisa saber que podem ser citados como sinônimos. O Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço. Exemplos: a matéria-prima foi um gasto em sua aquisição que imediatamente se tornou investimento, e assim ficou durante o tempo de sua Estocagem; no momento de sua utilização na fabricação de um bem, surge o Custo da matéria-prima como parte integrante do bem elaborado. Este, por sua vez, é de novo um investimento, já que fica ativado até sua venda (MARTINS, 2018, p.10). Entendidos todos os aspectos conceituais que fundamentam os custos, falaremos na próxima seção sobre custos e sua relação com gestão, especialmente no contexto de produção. Custos e Sua Interface com a Gestão Agora vamos falar da evolução da contabilidade de custos para a perspectiva gerencial de custos. Conforme preconiza Martins (2018), o crescimento das empresas com o estabelecimento de filiais em várias partes do país e/ou do mundo e também o distanciamento entre gestores e seus ativos geridos fizeram com que a contabilidade de custos se voltasse para uma perspectiva mais abrangente. A gestão de custos tem relação direta com a forma como lida com os indicadores de produtividade, por exemplo, se o principal objetivo de uma empresa é vender mais, pensando em uma perspectiva contábil, o objetivo é unicamente apurar e lançar os custos na DRE (Demonstração dos Resultados do Exercício). Por outro lado, em uma perspectiva gerencial, o gestor lança mão dos relatórios, DRE’s e balanço patrimonial para planejar, controlar e tomar decisões acertadas sobre como reduzir custos e consequentemente aumentar a produtividade O que é, para que serve e qual a importância da DRE em um negócio? Todo empreendedor ou gestor de um negócio vai ter que lidar com a DRE, a tal Demonstração do Resultado Financeiro. Para alguns, é um documento simples, para outros, uma burocracia um tanto complexa. Afinal, para que serve e qual a importância da DRE? A verdade é que entender o que é a DRE, sua função e seu impacto nas decisões de um negócio ajuda na administração da empresa. Neste saiba mais você vai entender tudo sobre DRE e sobre a importância desse recurso para gerir de forma eficiente um negócio. https://www.totvs.com/blog/negocios/dre/ Caro estudante, consegue então perceber que reduzir custos tem relação direta com as ações de planejamento, controle e tomada de decisões? Então, quando o gestor consegue ter essa visão, ele faz uma gestão estratégica dos custos, de modo a alinhar sua cadeia de valores com o posicionamento estratégico da organização e, assim, direcionar corretamente os custos (WERNKE, 2004). Especificamente sobre o direcionamento dos custos, que é a parte da contabilidade gerencial central de que estamos tratando, Wernke (2004) afirma que é necessário fazer um levantamento dos fatores que efetivamente provocam os custos por meio da análise de causa-efeito, assim, temos então uma análise mais precisa da realidade. Definindo a estrutura de custos e analisando a sua eficiência Neste vídeo, Cintia Antunes apresenta a definição e estrutura de custos. É um bate-papo muito rico que mostra também a importância da gestão financeira, planejamento e controle dentro da estrutura de custos da organização. Posto isso, na próxima seção continuaremos falando sobre a interface da gestão com custos, mas agora na perspectiva da contabilidade gerencial. A Contabilidade Gerencial Nas últimas décadas, a Contabilidade de Custos passou de mera auxiliar na avaliação de estoques e lucros para importante arma de controle e decisões gerenciais, considerando que, em um mercado competitivo, custo se torna uma ferramenta indispensável. Nessa linha, Viceconti (2017) afirma o fato de a contabilidade gerencial ter como objetivo atender às necessidades dos usuários internos da empresa. Aceita-se que os princípios contábeis geralmente aceitos não sejam levados ao pé da letra no contexto da contabilidade gerencial. Em outras palavras, o autor quer dizer que as informações contábeis podem ser fornecidas de modo a atender ao interesse dos administradores com objetivos de melhorar performance dos resultados da empresa. Nessa linha, a contabilidade gerencial é descrita por Martins (2018) como aquela que tem três funções essenciais, são elas: Funções básicas da Contabilidade Gerencial Esse mesmo autor acrescenta que o conhecimento dos custos é fundamental para saber se o preço de algo ou se o produto é rentável; ou, se não rentável, se é possível reduzi-los (os custos). Conforme falamos na seção anterior, existem técnicas que são aplicadas para este fim, como direcionamento dos custos com análise de causa-efeito. Mas, trazendo para o contexto da contabilidade gerencial e suas três funções, vamos aqui entender cada uma delas. A partir do planejamento definido, temos o próximo passo, que é o controle. Neste momento, o objetivo do gestor é acompanhar, checar e controlar todos os gastos da empresa. Martins (2018) apresenta uma forma bastante interessante para analisar se uma empresa controla seus custos; para isso, basta responder a cinco perguntas, são elas: a) “Conheço bem a origem e o valor de cada receita e o destino de cada despesa minha?”; b) “Estão elas dentro dos valores e limites que deveriam estar?”; c) “Quando algumas delas se desviam do comportamento que deveriam ter, tenho eu conhecimento rápido disso?”; d) “Sou capaz de identificar também rapidamente a razão do desvio?”; e) “Tomo alguma atitude para corrigir esses desvios quando tenho condições de fazê-lo?” (Martins 2018, p. 287) Martins (2018) conclui então que, se você respondeu a todas as perguntas acima de forma afirmativa, logo, para você, “Controlar significa conhecer a realidade, compará-la com o que deveria ser, tomar conhecimento rápido das divergências e suas origens e tomar atitudes para sua correção”. Viceconti (2018,) complementa que a função de controle na contabilidade gerencial significa “[…] fornecer informações para o estabelecimento de padrões, orçamentos ou previsões e, a seguir, acompanhar o efetivamente acontecido com os valores previstos”. Por fim, fechamos essa seção falando do processo decisório, ou seja, quando o gestor está diante de uma situação que requer cortar da linha de produção um produto que possui baixa demanda, por exemplo. Logo, estamos diante de uma função de “tomada de decisões”. Portanto, Viceconti (2018) afirma que “A contabilidade de custos […] passou, nas últimas décadas, a prestar duas funções muito importantes na contabilidade gerencial: a utilização dos dados de custos para auxílio ao controle e para tomada de decisões”. Conclusão Nesta lição entendemosque contabilidade surge como uma função específica de apuração e lançamento de resultados contábeis. A partir do século XIX, surge a necessidade de incluir novos custos de produção, momento este quando há uma transição do trabalho artesanal para as indústrias nos grandes centros, período conhecido historicamente como segunda revolução industrial. Também compreendemos as diferenças da contabilidade financeira e a contabilidade gerencial. Na financeira, tem-se a preocupação em apurar resultados, realizar relatórios e gerar informações para atender à fiscalização da receita estadual e federal, por exemplo. Na contabilidade gerencial, que anda de mãos dadas com a financeira, focamos nas técnicas para gerenciar custos e melhorar a produtividade da empresa de um modo geral. Ao falar da interface da gestão com os custos dentro de um sistema produtivo, mostramos como o planejamento e o controle, que são funções de gestão, são importantíssimos para tomada de decisões com foco em gerenciamento, redirecionamento e gestão assertiva dos custos. Como planejamento e controle, mostramos que estas funções dentro da gestão de custos visam orientar, mapear, direcionar e fornecer dados para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de previsão, bem como acompanhar o acontecido para comparação com valores anteriormente definidos. Portanto, o conhecimento em relação aos custos é de vital importância para saber se o produto é rentável ou não, ou até mesmo se é possível reduzir esses Custos. Referências CININI, Maria Fernanda. Nome do site, ano. O homem e o espaço, infinitas possibilidades. 2008. Disponível em: . GARRISON, Ray H.; NOREEN, Eric W.; BREWER, Peter C. Contabilidade gerencial. Grupo A, 2012. E-book. ISBN 9788580551624. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788580551624/. Acesso em: 27 mar. 2023. LEONE, George Sebastião G.; LEONE, Rodrigo Jose G. Curso de contabilidade de custos, 4ª edição. Grupo GEN, 2010. E-book. ISBN 9788522488704. 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