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Gestão de Custos Conceituação Básica 26-10-2026

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Gestão de Custos: Conceituação Básica 
SUMÁRIO 
 Introdução 
 Da Contabilidade Financeira à Gestão de Custos 
 Fundamentos de Custos 
 Custos e Sua Interface com a Gestão 
 A Contabilidade Gerencial 
 Conclusão 
 Referências 
Introdução 
Iniciamos nosso estudo sobre custos contextualizando sua origem. 
Embora na atualidade o tema “gestão de custos” possa ser considerado 
transversal, ou seja, que se aplica a várias áreas do conhecimento, 
especialmente das ciências sociais aplicadas, devemos ter em mente 
que gestão de custos é um desdobramento do campo de conhecimento 
das ciências contábeis. 
As ciências sociais aplicadas são um grande campo do conhecimento 
que abarca cursos e envolve o relacionamento de pessoas e resoluções 
de problemas. Seja no ramo da economia, habitação, informação ou 
cultura, o interesse do homem é a base presente nas ementas dos 
currículos dos 14 cursos dessa área. Isso explica por que graduações 
aparentemente bem distantes, como Comunicação Social, Ciências 
Contábeis e Arquitetura, por exemplo, dividem o mesmo espaço dentro 
das Ciências Sociais Aplicadas (CININI, 2008). 
Assim, podemos entender a contabilidade como ciência mãe dos 
conceitos que envolvem a gestão de custos. Nessa linha, com base nos 
ensinamentos de Basso (2000), a contabilidade é um conjunto 
ordenado de conhecimentos, leis, princípios e métodos de evidenciação 
próprios. Trata-se da ciência que estuda, controla e observa o 
patrimônio das entidades nos seus aspectos quantitativo (monetário) e 
qualitativo (físico) e que, como conjunto de normas, preceitos e regras 
gerais, constitui-se na técnica de coletar, catalogar e registrar os fatos 
que nele ocorrem, bem como de acumular, resumir e revelar 
informações de suas variações e situações, especialmente de natureza 
econômico-financeira. 
A gestão 
de custos lida com informações estratégicas que compreendem os aspectos da 
contabilidade financeira e gerencial do negócio. Tais gestores divulgam e analisam não 
somente medidas financeiras, mas medidas não financeiras dos desempenhos de 
processos e sócio corporativos. 
Posto isso, fica evidenciado que a contabilidade financeira e a 
contabilidade gerencial andam de mãos dadas. Enquanto na financeira 
há as questões de divulgações de relatórios contábeis e resultados para 
os atores do contexto externo à organização (mercado, acionistas etc.), 
na gerencial temos o contexto interno, controles e processos com foco 
na tomada de decisões. 
Além disso, se forem apropriadamente organizadas, resumidas e 
relatadas, as informações relativas aos custos de produção e/ou 
comercialização transformam-se numa ferramenta administrativa da 
mais alta relevância, tornando-se um verdadeiro sistema de 
informações gerenciais, de vital importância para a administração das 
organizações empresariais (MOTA, 2010, p.3). 
Mas, como chegamos ao conceito de contabilidade gerencial que estuda 
basicamente a gestão de custos? É sobre isso que falaremos na próxima 
seção. 
Da Contabilidade Financeira à Gestão de Custos 
 
Ao fazer uma retrospectiva histórica, temos que a contabilidade 
financeira já era utilizada no século XVIII. Nesse período, chamado de 
mercantilista, contabilidade geral era o nome dado à contabilidade 
financeira que conhecemos hoje. Martins (2018) afirma ainda que 
nesse período, a contabilidade financeira não utilizava os conceitos, 
hoje muito difundidos, para chegar ao custo de venda de um produto, 
como custos industriais, por exemplo. 
Naquela época, os bens eram quase todos produzidos por pessoas ou 
grupos de pessoas que poucas vezes constituíam entidades jurídicas. 
As empresas propriamente ditas viviam basicamente do comércio, e 
não da fabricação (fora, é lógico, as financeiras). Dessa forma, eram 
bastante fáceis o conhecimento e a verificação do valor de compra dos 
bens existentes, bastando a simples consulta aos documentos de sua 
aquisição 
(MARTINS, 2018, p.4). 
De acordo com Martins (2018), para se ter uma noção de como era 
simples chegar ao preço do custo bruto de uma mercadoria vendida 
no período relatado no parágrafo anterior, bastava realizar o 
levantamento dos estoques físicos e verificar o montante pago pelos 
itens estocados. A partir disso, estabelecia-se o valor das mercadorias 
de forma bastante simples, utilizando a clássica fórmula: 
Para encontrar o Custo da 
Mercadoria Vendida (CMV) utilizava-se a fórmula: estoque inicial + compras – 
estoques finais = CMV 
Assim, a gestão de custos começa a se desenvolver, necessitando de 
adaptações sobre a visão simplista do contexto mercantilista, quando 
surge a partir do final do século XVIII e início do século XIX a segunda 
revolução industrial, e com ela a necessidade de inserir a apuração dos 
custos industriais, e há também a necessidade de confrontar novas 
informações no cálculo para chegar ao custo de mercadoria 
produzida e custo da mercadoria vendida (MARTINS, 2018). 
Perceba então, estudante, que além das questões que envolvem o 
cálculo de novos custos, a crescente escassez de recursos e a 
intensificação da concorrência traz consigo a necessidade de 
aperfeiçoamento dos mecanismos de planejamento; e o controle 
das atividades empresariais se torna imprescindível para qualquer 
empresa ter um sistema de custos, principalmente na hora da tomada 
de decisão. Acrescente-se que, para se tomar decisões confiáveis, com 
margem de segurança satisfatória, é extremamente necessário apoiar-
se em informações e conhecimento de custos o mais próximo da 
realidade possível. 
Portanto, a contabilidade avança de um contexto de apenas apuração 
e evidenciação das informações para um contexto de 
gerenciamento de custos, quando busca agora também atender aos 
diversos interesses de pessoas, com as mais variadas necessidades, de 
acordo com a sua atividade dentro da organização, possibilitando uma 
análise gerencial no sentido de ajustar problemas e gerar soluções, 
obtendo mais segurança e resultado na tomada de decisões (BASSO, 
2000). 
Fundamentos de Custos 
Entendido todo contexto histórico em que se insere a gestão de custos 
dentro da contabilidade e sua consequente evolução com a 
contabilidade gerencial, então aprofundaremos agora os 
fundamentos conceituais de custos, sua definição e sua importância 
para a gestão de um negócio. Nessa linha, vamos lançar mão de um 
jargão popular para introduzirmos o conceito. Quem nunca ouviu a 
máxima “na vida tudo tem um custo”? Padoveze e Jr. (2013, p. 23) 
ratificam essa constatação ao afirmarem que “a palavra custos é 
utilizada para um sem-número de colocações, tanto em âmbito 
empresarial quanto em âmbito social”. Esses mesmos autores também 
afirmam em outra definição que custo é o sacrifício de recursos, 
conforme ilustrado na figura a seguir. 
Com base nessa ideia, custo pode ser entendido como valor a ser 
“pago” por algo. No contexto popular, usa-se também o termo “custo” 
para se referir ao esforço demandado em prol de algo utilizado na 
elaboração de produtos e serviços. A ilustração a seguir ajuda a 
entender todo esse processo 
Custo 
no enfoque sistêmico 
Assim, caro estudante, traduzindo, quando dizem que custo diz 
respeito à mensuração econômica dos recursos, Padoveze e Jr. (2013) 
colocam que os custos se transformam em receitas, seguindo a lógica 
de comprar ou produzir algo, estabelecer o preço de venda e 
obter/aferir a receita. Ao mesmo tempo, nesse processo sistêmico 
também se processam recursos, que entram no sistema, e há como 
saída, no final do processo, os produtos e serviços. 
 
Ainda visualizando custos em uma perspectiva de processo, Leone 
(2008) sustenta que a gestão de custos pode ser entendida como um 
centro processador de informações, onde recebem (ou obtêm) os 
dados, que são acumulados de forma organizada, analisados e 
interpretados, produzindo informações sobre os custos para os 
diversos níveis gerenciais, agindo como um arquivo de dados e 
informações para suprir a necessidadede tomada de decisão de todos 
os tipos. A figura abaixo demonstra como a gestão de custos pode 
fornecer relatórios com informações para os diversos níveis 
administrativos. 
Centro 
processador de informações de Custos 
 
Portanto, podemos verificar que o custo processado pode ser 
entendido como 
Recursos consumidos no processo de produção de um bem ou serviço 
que espera que tragam benefícios atuais ou futuros para a entidade 
após a conclusão e venda do produto ou serviço 
(SILVA; LINS, 2017, p. 7). 
Nessa linha, Martins (2018) complementa que custo é também um 
gasto relacionado ao produto ou serviço utilizado na produção de 
outros produtos e serviços. 
Estranho, não é?! Pois é, você não leu errado, quando você produz ou 
presta um serviço você tem custos incorporados em várias etapas, 
todos esses gastos são custos, consegue perceber esse detalhe? 
Atente-se que custo pode ser considerado um gasto, mas custos e 
despesas são coisas diferentes. Fique tranquilo que você estudará essa 
diferença em momento oportuno, mas sobre o termo gasto associado a 
custo, você precisa saber que podem ser citados como sinônimos. 
O Custo é também um gasto, só que reconhecido como tal, isto é, como 
custo, no momento da utilização dos fatores de produção (bens e 
serviços), para a fabricação de um produto ou execução de um serviço. 
Exemplos: a matéria-prima foi um gasto em sua aquisição que 
imediatamente se tornou investimento, e assim ficou durante o tempo 
de sua Estocagem; no momento de sua utilização na fabricação de um 
bem, surge o Custo da matéria-prima como parte integrante do bem 
elaborado. Este, por sua vez, é de novo um investimento, já que fica 
ativado até sua venda (MARTINS, 2018, p.10). 
Entendidos todos os aspectos conceituais que fundamentam os custos, 
falaremos na próxima seção sobre custos e sua relação com gestão, 
especialmente no contexto de produção. 
Custos e Sua Interface com a Gestão 
Agora vamos falar da evolução da contabilidade de custos para a 
perspectiva gerencial de custos. Conforme preconiza Martins (2018), o 
crescimento das empresas com o estabelecimento de filiais em várias 
partes do país e/ou do mundo e também o distanciamento entre 
gestores e seus ativos geridos fizeram com que a contabilidade de 
custos se voltasse para uma perspectiva mais abrangente. 
 
A gestão de custos tem relação direta com a forma como lida com os 
indicadores de produtividade, por exemplo, se o principal objetivo de 
uma empresa é vender mais, pensando em uma perspectiva contábil, o 
objetivo é unicamente apurar e lançar os custos na DRE 
(Demonstração dos Resultados do Exercício). Por outro lado, em uma 
perspectiva gerencial, o gestor lança mão dos relatórios, DRE’s e 
balanço patrimonial para planejar, controlar e tomar decisões 
acertadas sobre como reduzir custos e consequentemente aumentar a 
produtividade 
O que é, para que serve e qual a importância da DRE em um 
negócio? 
Todo empreendedor ou gestor de um negócio vai ter que lidar com a 
DRE, a tal Demonstração do Resultado Financeiro. Para alguns, é um 
documento simples, para outros, uma burocracia um tanto complexa. 
Afinal, para que serve e qual a importância da DRE? A verdade é que 
entender o que é a DRE, sua função e seu impacto nas decisões de um 
negócio ajuda na administração da empresa. Neste saiba mais você vai 
entender tudo sobre DRE e sobre a importância desse recurso para 
gerir de forma eficiente um negócio. 
https://www.totvs.com/blog/negocios/dre/ 
Caro estudante, consegue então perceber que reduzir custos tem 
relação direta com as ações de planejamento, controle e tomada de 
decisões? Então, quando o gestor consegue ter essa visão, ele faz uma 
gestão estratégica dos custos, de modo a alinhar sua cadeia de valores 
com o posicionamento estratégico da organização e, assim, direcionar 
corretamente os custos (WERNKE, 2004). 
Especificamente sobre o direcionamento dos custos, que é a parte da 
contabilidade gerencial central de que estamos tratando, Wernke 
(2004) afirma que é necessário fazer um levantamento dos fatores que 
efetivamente provocam os custos por meio da análise de causa-efeito, 
assim, temos então uma análise mais precisa da realidade. 
 
Definindo a estrutura de custos e analisando a sua 
eficiência 
Neste vídeo, Cintia Antunes apresenta a definição e estrutura de custos. 
É um bate-papo muito rico que mostra também a importância da 
gestão financeira, planejamento e controle dentro da estrutura de 
custos da organização. 
Posto isso, na próxima seção continuaremos falando sobre a interface 
da gestão com custos, mas agora na perspectiva da contabilidade 
gerencial. 
A Contabilidade Gerencial 
Nas últimas décadas, a Contabilidade de Custos passou de mera 
auxiliar na avaliação de estoques e lucros para importante arma de 
controle e decisões gerenciais, considerando que, em um mercado 
competitivo, custo se torna uma ferramenta indispensável. Nessa linha, 
Viceconti (2017) afirma o fato de a contabilidade gerencial ter como 
objetivo atender às necessidades dos usuários internos da empresa. 
Aceita-se que os princípios contábeis geralmente aceitos não sejam 
levados ao pé da letra no contexto da contabilidade gerencial. Em 
outras palavras, o autor quer dizer que as informações contábeis 
podem ser fornecidas de modo a atender ao interesse dos 
administradores com objetivos de melhorar performance dos 
resultados da empresa. 
 
Nessa linha, a contabilidade gerencial é descrita por Martins (2018) 
como aquela que tem três funções essenciais, são elas: 
Funções 
básicas da Contabilidade Gerencial 
Esse mesmo autor acrescenta que o conhecimento dos custos é 
fundamental para saber se o preço de algo ou se o produto é rentável; 
ou, se não rentável, se é possível reduzi-los (os custos). Conforme 
falamos na seção anterior, existem técnicas que são aplicadas para este 
fim, como direcionamento dos custos com análise de causa-efeito. Mas, 
trazendo para o contexto da contabilidade gerencial e suas três funções, 
vamos aqui entender cada uma delas. 
A partir do planejamento definido, temos o próximo passo, que é o 
controle. Neste momento, o objetivo do gestor é acompanhar, checar e 
controlar todos os gastos da empresa. Martins (2018) apresenta uma 
forma bastante interessante para analisar se uma empresa controla 
seus custos; para isso, basta responder a cinco perguntas, são elas: 
a) “Conheço bem a origem e o valor de cada receita e o destino de 
cada despesa minha?”; 
b) “Estão elas dentro dos valores e limites que deveriam estar?”; 
c) “Quando algumas delas se desviam do comportamento que 
deveriam ter, tenho eu conhecimento rápido disso?”; 
d) “Sou capaz de identificar também rapidamente a razão do 
desvio?”; 
e) “Tomo alguma atitude para corrigir esses desvios quando tenho 
condições de fazê-lo?” 
(Martins 2018, p. 287) 
Martins (2018) conclui então que, se você respondeu a todas as 
perguntas acima de forma afirmativa, logo, para você, “Controlar 
significa conhecer a realidade, compará-la com o que deveria ser, 
tomar conhecimento rápido das divergências e suas origens e tomar 
atitudes para sua correção”. Viceconti (2018,) complementa que a 
função de controle na contabilidade gerencial significa “[…] fornecer 
informações para o estabelecimento de padrões, orçamentos ou 
previsões e, a seguir, acompanhar o efetivamente acontecido com os 
valores previstos”. 
Por fim, fechamos essa seção falando do processo decisório, ou seja, 
quando o gestor está diante de uma situação que requer cortar da linha 
de produção um produto que possui baixa demanda, por exemplo. 
Logo, estamos diante de uma função de “tomada de decisões”. 
Portanto, Viceconti (2018) afirma que “A contabilidade de custos […] 
passou, nas últimas décadas, a prestar duas funções muito importantes 
na contabilidade gerencial: a utilização dos dados de custos para 
auxílio ao controle e para tomada de decisões”. 
Conclusão 
Nesta lição entendemosque contabilidade surge como uma função 
específica de apuração e lançamento de resultados contábeis. A partir 
do século XIX, surge a necessidade de incluir novos custos de 
produção, momento este quando há uma transição do trabalho 
artesanal para as indústrias nos grandes centros, período conhecido 
historicamente como segunda revolução industrial. 
Também compreendemos as diferenças da contabilidade financeira e a 
contabilidade gerencial. Na financeira, tem-se a preocupação em 
apurar resultados, realizar relatórios e gerar informações para atender 
à fiscalização da receita estadual e federal, por exemplo. Na 
contabilidade gerencial, que anda de mãos dadas com a financeira, 
focamos nas técnicas para gerenciar custos e melhorar a produtividade 
da empresa de um modo geral. 
Ao falar da interface da gestão com os custos dentro de um sistema 
produtivo, mostramos como o planejamento e o controle, que são 
funções de gestão, são importantíssimos para tomada de decisões com 
foco em gerenciamento, redirecionamento e gestão assertiva dos 
custos. 
Como planejamento e controle, mostramos que estas funções dentro da 
gestão de custos visam orientar, mapear, direcionar e fornecer dados 
para o estabelecimento de padrões, orçamentos e outras formas de 
previsão, bem como acompanhar o acontecido para comparação com 
valores anteriormente definidos. Portanto, o conhecimento em relação 
aos custos é de vital importância para saber se o produto é rentável ou 
não, ou até mesmo se é possível reduzir esses Custos. 
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