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Guia de estudo • Política e Presidência no Brasil Página 1 5. Ditadura Militar no Brasil (1964–1985) Atos institucionais, repressão, milagre econômico, crise e abertura Material de estudo detalhado • contexto histórico, conceitos-chave e questões de revisão Como usar este guia Leia cada seção identificando contexto, atores políticos, instituições, medidas adotadas e consequências. Ao final, responda às questões sem consultar o texto e depois confira os pontos em que teve dificuldade. Para trabalhos acadêmicos, confirme datas e dados em fontes históricas e oficiais atualizadas. Observação: este material é educativo e apresenta sínteses históricas. Interpretações sobre governos podem variar entre pesquisadores; procure distinguir fatos documentados, análise e opinião. Guia de estudo • Política e Presidência no Brasil Página 2 Sumário e conteúdo 1. Implantação do regime Após o golpe de 1964, os militares assumiram o poder e mantiveram formalmente algumas instituições, mas restringiram severamente a competição política. Atos institucionais permitiram cassações, suspensão de direitos e mudanças nas regras do sistema. A Presidência foi ocupada por generais escolhidos por mecanismos indiretos controlados pelo regime, e não por eleição presidencial direta e competitiva. 2. Ato Institucional nº 1 e reorganização política O AI-1, de 1964, permitiu cassações de mandatos e suspensão de direitos políticos. Em seguida, o sistema partidário foi reorganizado, formando-se a Arena, de apoio ao governo, e o MDB, oposição consentida. Embora existisse oposição parlamentar, o regime limitava as condições de competição e podia alterar regras eleitorais para preservar o controle político. 3. AI-5 e endurecimento O Ato Institucional nº 5, decretado em dezembro de 1968, marcou a fase mais repressiva. Ampliou poderes do Executivo, permitiu fechar o Congresso, cassar mandatos e suspender garantias como o habeas corpus para determinados crimes políticos. Censura, vigilância, prisões arbitrárias, tortura e desaparecimentos forçados atingiram opositores e diversos setores da sociedade. A repressão foi praticada por órgãos estatais e deixou efeitos duradouros nas vítimas e famílias. 4. Presidentes militares Os presidentes do período foram Humberto Castelo Branco, Artur da Costa e Silva, a Junta Militar de 1969, Emílio Garrastazu Médici, Ernesto Geisel e João Figueiredo. As fases não foram idênticas: houve endurecimento repressivo, crescimento econômico, início de distensão e abertura gradual. Ainda assim, o regime manteve restrições democráticas até a transição civil de 1985. 5. Milagre econômico Entre aproximadamente 1968 e 1973, o Brasil registrou altas taxas de crescimento, impulsionadas por investimentos, crédito, obras de infraestrutura e condições internacionais favoráveis. O chamado milagre econômico aumentou a produção industrial, mas os ganhos foram distribuídos de maneira desigual. Houve arrocho salarial, concentração de renda e dependência de financiamento externo. Crescimento do PIB, portanto, não é sinônimo automático de bem-estar distribuído. 6. Crise econômica e dívida Os choques do petróleo na década de 1970 elevaram custos e pressionaram a economia. O país ampliou o endividamento externo para financiar projetos e sustentar o crescimento. Na década de 1980, a alta dos juros internacionais, a crise da dívida, a inflação e o baixo crescimento contribuíram para a chamada “década perdida”. A crise econômica reduziu a legitimidade do regime e aumentou a pressão por mudanças políticas. 7. Resistência e sociedade A oposição ao regime incluiu estudantes, sindicatos, artistas, setores religiosos, jornalistas, familiares de presos e desaparecidos, movimentos populares e organizações políticas. Houve também grupos que optaram pela luta armada, enquanto outros defendiam mobilização civil e eleitoral. A resistência foi diversa e não deve ser reduzida a uma única estratégia. A censura e a repressão afetaram a produção cultural, a universidade e o debate público. 8. Geisel e abertura Guia de estudo • Política e Presidência no Brasil Página 3 Ernesto Geisel iniciou uma política chamada de distensão lenta, gradual e segura. A abertura foi controlada pelo próprio regime e enfrentou resistência de setores militares linha-dura. Apesar de medidas de liberalização, a repressão não desapareceu imediatamente. O assassinato de Vladimir Herzog sob custódia militar, em 1975, tornou-se símbolo da violência estatal e da mobilização por direitos humanos. 9. Anistia e Diretas Já A Lei da Anistia de 1979 permitiu o retorno de exilados e a reintegração de perseguidos políticos, mas sua interpretação também protegeu agentes estatais envolvidos em violações, tema que permanece objeto de debate jurídico e histórico. A campanha Diretas Já, em 1983–1984, mobilizou milhões em defesa da eleição direta para presidente. A emenda não foi aprovada, e Tancredo Neves foi eleito indiretamente em 1985, iniciando a transição civil. 10. Memória e democracia Estudar a ditadura envolve analisar instituições, economia, violações de direitos humanos e resistência. Documentos, testemunhos, arquivos e pesquisas ajudam a reconstruir os fatos. Reconhecer a repressão não exige ignorar mudanças econômicas do período; significa avaliar resultados e custos com base em evidências. A memória histórica contribui para prevenir autoritarismo e fortalecer o Estado de Direito. Questões para fixação 1) Qual foi a importância do AI-5? 2) Por que o crescimento do milagre econômico foi desigual? 3) O que caracterizou a abertura política? 4) Qual foi o papel das Diretas Já? 5) Quais são os desafios da memória e da justiça de transição? Sugestão de revisão Monte uma linha do tempo com os acontecimentos principais, associe cada governo ao seu contexto e escreva uma frase explicando a consequência mais importante de cada evento. Em questões discursivas, apresente argumento, evidência histórica e conclusão.