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1 CEDERJ - CENTRO DE EDUCAÇÃO SUPERIOR A DISTÂNCIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO MATERIAL DIDÁTICO IMPRESSO CURSO: Administração DISCIPLINA: Orçamento, Estrutura e Custo de Capital CONTEÚDISTA: Kátia de Almeida e Marcelo Alvaro da Silva Macedo AULA 7 – Módulo 2 Calculando o Custo de Capital META DA AULA Apresentar o conceito fundamental de Custo de Capital para cada uma das fontes de recursos possíveis, ou seja, determinar o custo do capital de terceiros (títulos de dívida) e o de capital próprio (títulos de propriedade). A partir daí discutir, explicar e calcular uma variável importante para as decisões financeiras de LP: o Custo Médio Ponderado de Capital (CMePC) OBJETIVOS Esperamos que, após o estudo do conteúdo desta aula, você seja capaz de: • Entender o conceito básico de custo de capital e as fontes especificas que o compõe. • Determinar o custo de capital da dívida de longo prazo, o custo das ações preferenciais e o custo das ações ordinárias. • Determinar o Custo Médio Ponderado de Capital (CMePC) PRÉ-REQUISITOS Para que você encontre maior facilidade na compreensão dessa aula, é importante que faça uma revisão dos principais conceitos da disciplina Fundamentos de Finanças e estude os conceitos reapresentados na aula 1. 2 1. INTRODUÇÃO Depois de olharmos as decisões de investimento, vamos nos debruçar sobre as decisões de financiamento de longo prazo. As decisões de financiamento de longo prazo envolvem questões sobre captação de recursos, determinação do custo de capital e escolha da estrutura de capital da empresa. Nesta aula vamos conhecer o custo de capital de uma empresa. O custo total de capital de uma empresa representa as expectativas mínimas de remuneração das diversas fontes de financiamento (próprias e de terceiros) lastreando suas operações. O princípio financeiro fundamental de toda empresa é oferecer um retorno de seus investimentos que cubra, pelo menos, a expectativa mínima de ganho de seus proprietários de capital. Sendo assim, teoricamente, toda decisão de investimento que promove um retorno maior que seu custo de capital cria valor (riqueza) aos seus proprietários. O custo de capital é estabelecido pelas condições com que a empresa obtém seus recursos financeiros no mercado de capitais, sendo geralmente determinado por uma média dos custos de oportunidade do capital próprio (acionistas) e capital de terceiros (credores), ponderados pelas respectivas proporções utilizadas de capital, e líquidos do imposto de renda. É conhecido na literatura financeira como weighted average cost of capital (WACC), ou custo médio ponderado de capital (CMePC). É incorreto entender-se o custo de capital como simplesmente o custo do capital levantado pela empresa, desvinculado de sua aplicação. O custo de capital depende essencialmente do uso dos fundos, do risco da decisão de investimento tomada, e não de sua origem. A remuneração dos fundos fornecidos por credores e acionistas deve variar de acordo com os riscos envolvidos nas decisões. Os proprietários de capital não consideram o custo de seus recursos como fixo; esperam, de forma racional, ser remunerados a taxas que variem com o risco assumido pelas oportunidades financeiras selecionadas. É necessário definir as fontes de financiamento a serem utilizadas nos projetos de investimento: se capital próprio e/ou capital de terceiros. A questão é encontrar qual a melhor combinação desses capitais, ou seja, qual a que oferecerá para a empresa a melhor relação custo x benefício, ou seja, onde o custo de capital da empresa seja o menor possível. A idéia é escolher a fonte de capital que possa viabilizar os projetos sob análise com o menor sacrifício possível. 2. CUSTO DE CAPITAL Custo de capital pode ser definido como a taxa de retorno necessária à cobertura das despesas financeira geradas por investimentos realizados por uma empresa, de forma a manter inalterado o valor atual dos lucros esperados. Ou seja, o custo de capital é a taxa de retorno que uma empresa deve obter sobre seus projetos de investimentos para manter o valor de suas ações (valor de mercado, bem como a atração de novos fundos indispensáveis para os financiamentos). A determinação dos custo de capital é fundamental para as decisões de compra de um bem e para a definição da estrutura de capital. 3 O custo de capital, custo de oportunidade de capital ou custo médio ponderado de capital, é a taxa utilizada para trazer ao valor atual os fluxos de caixa futuros da empresa. Essa taxa e, conseqüentemente o valor atual dos fluxos futuros depende do grau de risco sistemático ou não-diversificável apresentado pela empresa. Mantido constante o risco, quaisquer investimentos que gerem retornos superiores ao custo de oportunidade de capital, aumentam a riqueza e, por extensão, o valor da empresa. Ao tomar a decisão de captar recursos de longo prazo para investimentos em ativo permanente ou capital de giro, uma empresa administrada de forma a buscar maximizar seu retorno, precisa levar em consideração seu custo de capital de forma a adequar o custo de captação de recursos com a rentabilidade esperada para a utilização dos fundos a serem levantados. Normalmente, o custo de utilização de recursos de terceiros é menor do que o custo do capital próprio. Isto decorre do fato de os acionistas por investirem seus recursos em um prazo maior incorrerem um risco maior do que os credores, além de em caso de liquidação da empresa, serem os últimos em termos de prioridade de recebimento. É, portanto, bastante razoável supor que a remuneração exigida pelos acionistas seja maior do que aquela demandada pelos credores. Uma vez que o custo de cada uma das fontes de financiamento utilizadas tem um custo diferente, o custo de capital reflete o custo médio ponderado das várias alternativas. Podemos afirmar que o custo específico de uma alternativa qualquer não é o custo determinante na decisão de investimento, mas sim o custo de capital. O custo de capital é usado para selecionar investimentos de capital que aumentem o valor dos acionistas. Age como um forte elo entre as decisões de investimento de longo prazo da empresa e a riqueza dos proprietários. Por exemplo, se uma empresa capta fundos por meio de empréstimos hoje, é bem provável que terá de usar, na próxima vez, alguma forma de capital próprio, tal como ações ordinárias. Muitas empresas mantém um mix ótimo de financiamento, através de capital de terceiros e próprio. Esse mix é chamado de estrutura-meta de capital, e as empresas visam um certo mix desejado (ótimo) de financiamento para maximizar a riqueza dos proprietários. Estrutura-meta de capital A composição ótima de financiamento entre capital de terceiros e próprio que a maioria das empresas procura obter e manter. A fim de entender o inter-relacionamento do financiamento, supondo que exista uma estrutura-meta de capital, é necessário examinar o custo de capital combinado ao invés do custo de cada fonte específica de fundos empregados para financiar determinado dispêndio de capital. A importância pode ser ilustrada com um exemplo simples. Exemplo (Gitman, 2004): Uma empresa tem várias oportunidades de investimento. Suponha o seguinte: O melhor projeto disponível Investimento = $100.000 4 Prazo = 20 anos TIR = 7% Custo da fonte de financiamento disponível de menor custo Endividamento = 6% Como é possível ganhar 7% sobre os investimentos de fundos que custam 6%, a empresa aproveita a oportunidade. Imagine que, uma semana depois, surge uma nova oportunidade: O melhor projeto disponível Custo = $100.000 Prazo = 20 anos TIR = 12% Custo da fonte de financiamento disponível de menor custo Capital próprio = 14% Nessecaso a empresa rejeitaria a oportunidade, já que o custo de financiamento de 14% é maior do que o retorno esperado de 12%. As medidas tomadas não visaram aos melhores interesses de seus proprietários. Ela aceitou um projeto que rendeu 7% e rejeitou um com retorno de 12%. É claro que existe uma alternativa melhor.. Devido ao inter-relacionamento das decisões financeiras, a empresa deve usar um custo combinado que, a longo prazo, forneça melhores decisões. Através da ponderação do custo de cada fonte de financiamento por sua proporção na estrutura-meta de capital da empresa, pode ser obtido um custo médio ponderado de capital que reflita o inter-relacionamento das decisões de financiamento. Supondo que seja desejado um mix 50%-50% de capital de terceiros e de capital próprio, o custo médio ponderado acima seria 10% [(0,50 × 6%) + (0,50 × 14%)]. Utilizando esse custo, a primeira oportunidade seria rejeitada (TIR 7% < custo médio ponderado 10%), enquanto a Segunda seria aceita (TIR 12% > custo médio ponderado 10%). Tal resultado seria, claramente, mais desejável. Para analisar a formação do custo de capital em uma determinada empresa, é necessário assegurar algumas premissas básicas, ou seja: a) O risco do negócio, aquele associado ao grau de variabilidade do lucro operacional e que produz o risco da empresa não poder cobrir os seus custos operacionais, principalmente os fixos, é uma variável constante; b) O risco financeiro, oriundo da incerteza sobre a capacidade de cobertura dos encargos financeiros fixos gerados pelo endividamento empresarial, também permanece constante; c) O cálculo do custo de capital das diferentes fontes de financiamento deverá ser ajustado para a forma líquida após o imposto de renda. 5 Risco e custos financeiros (Gitman, 2002) A teoria do custo de capital, k, fundamenta-se nos conceitos de risco e retorno, e para isto procura separar os efeitos que a exposição ao risco provoca sobre o retorno exigido pelos investidores e pelas instituições financeiras em duas categorias: risco de negócio e risco financeiro. Como o custo de capital é medido sob a suposição de que tanto o risco do negócio como o risco financeiro são fixos e que a preferência do investidor perante o risco permanece inalterado, o único fator que afeta os vários custos específicos de financiamento é aquele constituído pelas forças de oferta e demanda que operam no mercado para fundos a longo prazo. Com isto, o custo livre de risco, dos recursos, é de importância fundamental na avaliação de custos de financiamento. O custo de cada tipo de capital para uma dada empresa comparado com o custo para outra empresa pode diferir devido a diferenças no grau dos riscos do negócio e financeiro relativos a cada empresa, já que o custo livre de risco de certo tipo de fundo permanece constante. Isto posto, independente do tipo de financiamento usado, a seguinte equação pode ser empregada para explicar a relação geral entre risco e custos financeiros: kj = rj + bp + fp onde kj = custo específico (ou nominal) dos vários tipos de financiamento a longo prazo, j. rj = custo livre de risco de um dado tipo de financiamento, j. bp = prêmio de risco de negócio. fp = prêmio de risco financeiro. Esta equação indica que o custo de cada fonte específica de capital depende do custo livre de risco daquele tipo de fundos, do risco de negócio e do risco financeiro da empresa. Um exemplo poderá auxiliar a esclarecer o que foi dito. Exemplo: 1º- Custo do empréstimo a longo prazo da Hobson Company, uma embaladora de carne do meio-oeste, era de 8% dois anos atrás. Descobriu-se que esses 8% a.a. representavam um custo livre de risco de 4%, um prêmio de risco de negócio de 2% a.a. e um prêmio de risco financeiro de 2%. kj = rj + bp + fp ⇒ kj = 4% + 2% + 2% = 8% a.a. Atualmente o custo livre de risco do empréstimo a longo prazo é de 6% a.a.. Qual seria o custo do empréstimo esperado da Hobson Company, supondo que seu risco de negócio e financeiro tivessem permanecido inalterado? kj = rj + bp + fp ⇒ kj = 6% + 2% + 2% = 10% a.a. Nesta comparação de série temporal, para o qual se supõe que o risco do negócio e financeiro sejam constantes, o custo dos fundos a longo prazo varia unicamente em conseqüência das variações no custo livre de risco de certos tipos de fundos. 6 2º- Outra empresa a Raj Company, que tem um prêmio de risco do negócio de 2% a.a. e um prêmio de risco financeiro de 4% a.a., pode ser usada para demonstrar a comparação entre empresas. Embora tanto a Raj quanto a Hobson atuem no ramo de embalagem de carne (e, consequentemente, tenham o mesmo prêmio de risco de negócio de 2% a.a.), o custo do empréstimo a longo prazo para a Raj Company é de 12% a.a. kj = rj + bp + fp ⇒ kj = 6% + 2% + 4% = 12% a.a. Esse resultado é maior que o custo do empréstimo a longo prazo para a Hobson, 10% a.a. A diferença poderá ser atribuída ao maior risco financeiro relativo à Raj. 3. CUSTO DE FONTES ESPECÍFICAS DE CAPITAL(Gitman, 2004) O custo de capital é a taxa de juros requerida pela empresa de forma que consiga satisfazer seus fornecedores de capital. Uma maneira simples de compreender como se forma o valor do custo de capital é analisando um exemplo pessoal. Suponha que você detectou uma boa oportunidade de ganhar dinheiro num prazo de um ano. Para concretizar esse negócio você necessita de $10.000, porém dispõe de apenas $3.500 que estão aplicados em um fundo de investimento rendendo 15% ao ano. O restante do dinheiro você tomará emprestado da seguinte maneira: seu padrinho emprestará $2.500 que estão aplicados em CDB’s numa taxa de juros de 18% ao ano, e os restantes $4.000 serão obtidos de um empréstimo bancário numa taxa de 24% ao ano. Após um ano quando terminar o negócio, você terá que devolver: Para você, os $3.500 mais juros iguais a $525; Para seu padrinho, os $2.500 mais juros iguais a $450; e Para o banco, os $4.000 mais juros iguais a $960. Resumindo, o resultado final do negócio deve conseguir, no mínimo, devolver o investimento igual a $10.000 e a soma de todos os juros, cujo valor é igual a $1.935. Portanto, a taxa de juros mínima requerida para satisfazer os fornecedores do capital é igual a 19,35% ao ano. Podemos verificar que: As participações, ou pesos, de cada fonte de capital são: 35% de seu capital, 25% do capital de seu padrinho e 40% do empréstimo bancário. O valor da taxa de juros mínima k requerida pelos fornecedores de capital é igual à média ponderada das taxas de juros de cada fonte, isto é, k = 0,35 × 15% + 0,25 × 18% + 0,40 × 24% = 19,35% a.a. Na análise estamos aceitando que o nível de risco de sua aplicação é o mesmo nível de risco do negócio, da mesma maneira para seu padrinho, pois ambos aceitam mudar de posição sem aumentar a remuneração do seu dinheiro. No caso do banco é diferente, o empréstimo já considera o nível de risco do negócio, como pode-se ver pelo valor maior da taxa de financiamento. Esta aula focaliza a determinação de custos de fontes específicas de capital e a combinação das mesmas para determinar e aplicar o custo médio ponderado de capital. Será dado destaque apenas às fontes de fundos a longo prazo, disponíveis para uma empresa, já que fornecem o financiamento permanente. O financiamento a longo prazo dá 7 Passivos Circulantes Empréstimos a longo prazo Ativos Patrimônio Líquido Ações preferenciais Ações ordinárias Lucros acumulados Balanço Fontes de fundos de longo prazo suporte aos investimentos permanentes da empresa, supondo que estes tenham sido selecionados através de técnicas apropriadas de investimento de capital. Há quatro fontes básicas de fundo a longo prazo, através dos quais uma empresa pode financiar seus projetos: empréstimos a longo prazo, ações preferenciais, açõesordinárias e lucros retidos. Conforme mostra a Figura 1, o lado direito de um balanço poderá ser usado para ilustrá-las. FIGURA 1 - FONTES DE FUNDO DE LONGO PRAZO Fonte: Gitman, 2004 Apesar de nem todas as empresas utilizarem cada um desses métodos de financiamento, esperam ter fundos em sua estrutura de capital provenientes de algumas dessas fontes. O custo específico de cada fonte de financiamento é o custo de obtenção dos fundos hoje, após o imposto de renda, e não o custo histórico, baseado na estrutura de financiamento atual da empresa. 3.1 Custo da Dívida ou Custo do Capital de Terceiros (kj) Os empréstimos a longo prazo das empresas são, em sua maioria, incorridos através da venda de títulos de dívida. Os custos de colocação ou custos de subscrição (custos totais de emissão e venda de um título), reduzem os recebimentos líquidos provenientes da venda de um título com prêmio, com desconto, ou pelo valor nominal (de face). Exemplo A Empresa Magnus está pensando em vender 2 milhões em títulos de dívida de vinte anos, a 10% (taxa de juros anual declarada), tendo cada um o valor nominal de $1.000. Já que os títulos com risco semelhante rendem mais que 10%, a empresa precisa vender os títulos de dívida por $950, para compensar a taxa de juros do cupom mais baixa. Os custos de colocação pagos para a corretora são de 4% do valor nominal do título (4% × $1.000) ou $40. Os recebimentos líquidos da empresa, provenientes da venda de cada título, são $910 ($950 - $40). Custo do empréstimo antes do imposto (kd) O primeiro passo para estimar o custo da dívida é determinar a taxa de retorno que os detentores dessas obrigações requerem, ou kd. Embora a estimativa de kd seja conceitualmente correta, alguns problemas surgem na prática. As empresas usam tanto a taxa de dívida fixa quanto a flutuante, tanto a dívida comum quanto a conversível, e 8 Ano(s) Fluxo de caixa 0 $ 910,00 1-20 $ 100,00 20 $ 1.000,00 também dividas com e sem fundos para amortização, e cada forma tem algo que diferencia seu custo. O custo do empréstimo antes do imposto, kd, para um título pode ser calculado através da taxa interna de retorno (TIR) sobre o fluxo de caixa dos títulos. Do ponto de vista do emitente, esse valor pode ser a ela atribuído como custo até o vencimento dos fluxos de caixa associados com os débitos. O custo até o vencimento pode ser calculado usando-se a calculadora financeira, para se encontrar a TIR, conforme demonstrado na Aula 4. Isso representa, para a empresa, o custo percentual anual do empréstimo antes do imposto de renda. O custo do empréstimo a longo prazo possui dois componentes básicos: 1- juros anuais 2- amortização de descontos ou prêmios pagos ou recebidos, quando o empréstimo foi inicialmente emitido. Exemplo No exemplo anterior, os recebimentos líquidos de um título de $1.000, 10% de juros de cupom, dez anos, eram $910. Embora os fluxos de caixa provenientes de uma emissão de um título não tenham um padrão convencional, o cálculo é bastante simples. Na verdade, o padrão dos fluxos de caixa é exatamente o oposto ao padrão convencional, por consistir de uma entrada inicial de caixa (os recebimentos líquidos) seguida de uma série de saídas anuais (os pagamentos de juros). No último ano, quando a dívida for resgatada, ocorre também uma saída representando o reembolso do principal. Os fluxos de caixa relativos à emissão do título da Empresa Magnus são os seguintes: QUADRO 1 – FLUXOS DE CAIXA RELATIVOS A EMISSÃO DE TÍTULOS DE EMPRESA MAGNUS A entrada inicial de $910 é seguida de saídas anuais de juros de $100 (isto é, 10% de $1.000) durante a vida do título, vinte anos. No vigésimo ano, ocorre uma saída de $1.000, representando o reembolso do principal. O custo do empréstimo antes do imposto poderá ser determinado, achando-se a TIR – taxa de desconto que iguala o valor presente das saídas à entrada inicial de caixa. Na Calculadora Financeira, HP 12C: Entradas Limpar 910 100 19 1.100 Funções f CLEAR g CF0 CHS g CFj g Nj CHS g CFj f IRR Saídas 11,56% ou 9 Entradas Limpar 910 10 100 1.000 Funções f CLEAR PV n CHS PMT CHS PV i Saídas 11,56% Custo do empréstimo após o imposto de renda (kj) O custo específico do empréstimo deve ser determinado após o imposto de renda. Uma vez que os juros incidentes sobre o débito são dedutíveis do imposto, eles reduzem os rendimentos da empresa, sujeitos a impostos, na importância correspondente aos juros dedutíveis. A dedução dos juros, portanto, reduz os impostos em um valor igual ao produto dos juros dedutíveis pela taxa de imposto da empresa, T. Em vista disto, o custo do empréstimo após o imposto, kj, pode ser encontrado, multiplicando-se o custo antes do imposto, kd, por 1 menos a taxa de imposto de renda, conforme mostrado na equação: ( )T1kk dj −×= onde, kd = custo do empréstimo antes do imposto de renda (taxa interna de retorno) Ki = custo do empréstimo após imposto de renda T = taxa de imposto de renda Exemplo: Pode-se usar a aproximação do custo do empréstimo antes do imposto da Empresa Magnus, que tem uma taxa de imposto de renda de 40%. Aplicando a equação, o resultado é um custo de empréstimo depois do imposto de: ( )T1kk dj −×= ( ) ..%94,640,01%56,11 aa=−× O custo explícito de empréstimo a longo prazo é normalmente menor do que o custo explícito de qualquer forma alternativa de recursos de longo prazo, basicamente devido à dedutibilidade da despesa de juros na apuração da base de cálculo do imposto de renda. 3.2 Custo do Capital Próprio Empiricamente, sabe-se que os investimentos com prazo de retorno longo ou de alto grau de risco devem ser financiados com capital próprio. O capital próprio é obtido por meio da venda de ações preferenciais e ordinárias e com os lucros retidos. Uma empresa precisa manter equilíbrio entre o capital próprio e o capital de terceiros. A partir de determinado grau de alavancagem financeira, o custo do empréstimo torna-se excessivamente alto a ponto de inviabilizar sua captação. Existem ramos de atividades econômicas que permitem maior ou menor grau de alavancagem financeira. 10 3.2.1 Custo da Ação Preferencial (kp) Uma ação preferencial representa um tipo de participação especial do proprietário na empresa. Os acionistas preferenciais devem receber seus dividendos declarados antes que quaisquer lucros sejam distribuídos para os acionistas comuns. Já que a ação preferencial é uma forma de propriedade, e uma empresa é vista em continuidade, espera-se que os proventos resultantes da venda de ações preferenciais sejam mantidos por um período infinito de tempo. A atribuição de dividendos fixos ou mínimos para ações preferenciais é relativamente comum entre outros países, embora não o seja no Brasil. Nesse caso, por não ter nenhum direito sobre o lucro integral, as ações preferenciais são equivalentes a empréstimos, porém, sem prazo determinado de vencimento. Dividendos de ações preferenciais (Gitman, 2004): A maior parte dos dividendos preferenciais é declarada como um montante em unidades monetárias − “x unidades monetárias ao ano”. Quando os dividendos são expressos dessa maneira, a ação é freqüentemente é expressa como “ação preferencial de x unidades monetárias”. Assim sendo, espera-se que cada ação preferencial de $3 pague aos acionistas $3 de dividendos, a cada ano. Algumas vezes, os dividendos das ações preferenciais são declarados como uma taxa percentual anual. Essa taxa representa um percentual do valor nominal, ou de face, das ações, valor que se iguala aos dividendos anuais. Dessa forma, uma ação preferencial de 10%, com um valor nominal de $30, pagaria um dividendo anual de $3 por ação (0,10 × $30 nominal = $3). Cálculodo custo da ação preferencial O custo da ação preferencial, kp, é o custo de hoje levantar fundos utilizando esse instrumento. É obtido dividindo-se o dividendo anual preferencial, Dp, pelos recebimentos líquidos da venda da ação preferencial, Np. Os recebimentos líquidos representam o montante de dinheiro a ser recebido, livre de quaisquer despesas de emissão e venda (despesas de colocação – underwriting), exigidas para negociar a ação. A equação 10.4 dá o custo da ação preferencial, kp, em termos de dividendos anuais em unidades monetárias, Dp, e os recebimentos líquidos da venda da ação, Np. p p p N D k = Onde: kp = custo da ação preferencial Dp = dividendo anual preferencial Np = recebimentos líquidos da venda da ação preferencial Já que os dividendos são pagos com o fluxo de caixa da empresa após o imposto de renda, nenhum ajuste devido aos impostos se faz necessário. Exemplo 11 A Empresa Magnus está pensando em emitir ações preferenciais de 10% (dividendos anuais), que devem ser vendidas pelo valor nominal de $85 por ação. O custo de emissão e venda de cada ação deve ser $5 por ação. A empresa deseja determinar o custo da ação. O primeiro passo para se encontrar esse custo é calcular o montante anual em dinheiro dos dividendos preferenciais, já que o dividendo é declarado como uma percentagem do valor nominal da ação, $85. Dividendo anual = 5,88510,0 =x Os recebimento líquidos da venda da ação podem ser determinados subtraindo-se os custos da subscrição do preço de venda: Recebimentos líquidos = $85- $5 = $80 Substituindo o dividendo anual, Dp, de $8,50 e os recebimentos líquidos, Np, de $80 na fórmula, chega-se ao custo da ação preferencial: p p p N D k = ..%63,101063,0 80$ 5,8$ aakp === Comparando-se o custo da ação preferencial, 10,63% a.a., com o custo do empréstimo a longo prazo, 6,94% a.a., verifica-se que a ação preferencial é mais dispendiosa. Geralmente, essa diferença deve-se ao fato de que o custo do empréstimo a longo prazo (juros) é dedutível para efeito de imposto de renda. 3.2.2 Custo da ação ordinária (ks) O custo da ação ordinária é a taxa de retorno sobre a ação, exigida pelos investidores do mercado. Existem duas formas de financiamento por meio de ações ordinárias: (1) lucros retidos e (2) novas emissões de ações ordinárias. Como primeiro passo na determinação de cada um desses custos, é preciso estimar o custo da ação ordinária. O custo da ação ordinária, ks, é a taxa pela qual os investidores descontam os dividendos esperados da empresa para determinar o valor de suas ações. Existem duas técnicas para medir o custo da ação ordinária: (1) o modelo de avaliação de crescimento constante e (2) o modelo de formação de preços de ativos de capital (CAPM). 1. O modelo de avaliação de crescimento constante – Modelo de Gordon O modelo de avaliação de crescimento constante – o modelo de Gordon – supõe que o valor da ação seja igual ao valor presente do fluxo de todos os dividendos futuros (esperando-se que eles cresçam a taxas constantes), em um horizonte infinito de tempo. A expressão básica onde a determinação do valor de uma ação ordinária é dada pela equação: 12 = 0 1 P D Ano Dividendo 2006 $ 4,78 2005 $ 4,60 2004 $ 4,45 2003 $ 4,31 2002 $ 4,10 2001 $ 3,96 2000 $ 3,80 gk DP s 1 0 −= onde: P0 = preço corrente da ação ordinária D1 = dividendo por ação esperado no final do ano 1 Ks = taxa de retorno exigida sobre a ação ordinária g = taxa anual de crescimento constante dos dividendos Solucionando a equação para ks, obtém-se a seguinte expressão para o custo da ação ordinária: g P Dk 0 1 s += retorno de dividendos esperados por ação A equação mostra que o custo da ação ordinária pode ser obtido dividindo-se o dividendo esperado ao fim do período 1 pelo preço corrente da ação e somando-se a taxa esperada de crescimento. Já que os dividendos das ações ordinárias são pagos do lucro após imposto de renda, não é exigido nenhum ajuste devido aos impostos. Exemplo A Empresa Magnus deseja determinar o custo das ações ordinárias, ks. O preço vigente de mercado, P0, de cada ação ordinária da empresa é $60. A empresa espera pagar um dividendo, D1, de $5,46 ao fim do próximo ano 2007. Os dividendos pagos sobre as ações ordinárias, em circulação, durante os últimos seis anos (2000-2006) são dados abaixo: QUADRO 2 – DIVIDENDOS PAGOS PELA EMPRESA MAGNUS Para o cálculo da taxa de crescimento (g) na Calculadora Financeira, HP 12C, temos: Entradas Limpar $ 3,80 $ 4,78 6 Funções f CLEAR CHS PV FV n i Saídas 3,90% Substituindo D1 = $5,00, P0 = $60,00 e g = 3,90% na fórmula, obtém-se um custo da ação ordinária, calculado abaixo: 13 ..%00,13%90,3%10,9%90,3 60$ 46,5$ aaks =+=+= O custo de 13,00% a.a. da ação ordinária representa o retorno exigido pelos acionistas atuais sobre seu investimento, para deixar o preço de mercado das ações existentes da empresa inalterado. 2. Uso do Modelo de Formação de Preços de Ativos de Capital (CAPM) Como descrito anteriormente, o custo de capital próprio é a taxa de retorno requerida para investimento dos fundos dos acionistas na empresa. O método CAPM, para o cálculo do custo das ações ordinárias, considera a existência de uma taxa de juro livre de risco, um prêmio pelo risco de mercado e uma medida de risco da empresa em relação ao mercado (coeficiente beta da ação). O modelo do CAPM estabelece uma relação linear entre risco e retorno para todos os ativos, permitindo apurar-se, para cada nível de risco assumido, a taxa de retorno que premia essa situação. Embora apresente algumas limitações, o modelo é extremamente útil para avaliar e relacionar risco e retorno, sendo o mais utilizado pela literatura financeira ao estimar o custo de capital próprio. O risco total de um ativo pode ser avaliado em duas partes: não-diversificável e diversificável. A parcela do risco não-diversificável é determinada por fatores conjunturais e de mercado que atingem todas as empresas. Esse risco permanece na carteira independe da diversificação, sendo relevante para todo investidor. Exemplos de risco sistemático são: crise cambial, crise política, guerras, inflação etc. O risco diversificável é aquele que pode ser eliminado pela diversificação. Esse risco não deve preocupar o investidor diversificado, sendo identificado apenas no contexto específico da empresa. Um investidor diversificado deve exigir remuneração apenas do risco sistemático incorrido. Exemplos de risco diversificável são: endividamento, concorrência, greves etc. A representação gráfica do modelo do CAPM é feita por meio da reta do mercado de títulos – Security Market Line (SML), a qual relaciona, de forma linear, o risco de um ativo com a taxa de retorno que remunera essa incerteza. A hipótese fundamental do CAPM pressupõe que o prêmio pelo risco do investidor seja determinado pelo risco não- diversifcável. Assume-se que todos os investidores mantêm portfólios bem diversificados, nos quais se eliminou totalmente o risco diversificável. Dessa forma, somente há compensação de retorno pelo risco não-diversifcável presente na carteira, constituindo-se no componente relevante da formação da taxa de retorno requerida. O risco não-diversifcável contido em um título com risco é medido, no modelo do CAPM, pelo seu coeficiente beta, o qual pode ser mensurado pela inclinação (parâmetro angular) da reta de regressão linear entre os retornos do título e os retornos da carteira de mercado, normalmente identificada pela carteira de ações. A carteira de mercado é considerada a mais diversificada, contendo apenas risco sistemático, sendo o seu beta igual a 1,0. Para todo ativo combeta igual a 1,0, entende- 14 se que seu retorno move-se na mesma direção e com a mesma intensidade do retorno médio da carteira de mercado. Nesse caso, o risco do ativo é igual ao risco sistemático da carteira de mercado. Um ativo com beta maior que 1,0 indica um risco maior que o de mercado, devendo esperar-se também uma taxa de retorno mais elevada de maneira a remunerar esse risco adicional. Ativo com beta inferior a 1,0 apresenta uma volatilidade menor que a de mercado, indicando um risco menor que o risco sistemático presente na carteira de mercado, e também menor expectativa de retorno. Por exemplo, um título com beta de 0,5 indica um risco igual à metade do risco sistemático de mercado; um título com beta de 2,0 embute um risco duas vezes maior que o risco de mercado e assim por diante. O modelo de formação de preços de ativos de capital (CAPM) descreve a relação o retorno exigido, ou custo da ação ordinária, ks, e os riscos não-diversificáveis ou relevantes da empresa, conforme refletidos por seu coeficiente de risco não-diversificável (risco sistemático), beta, β. O CAPM básico é dado na equação: ( )[ ]FR - mFs kRk ×+= β RF = taxa de retorno do ativo livre de risco. km = retorno de mercado – o retorno sobre a carteira de ativos do mercado Usando o CAPM, o custo da ação ordinária é o retorno exigido pelos investidores como compensação pelo risco não-diversificável da empresa, que é medido pelo beta, β. Exemplo A Empresa Magnus, cujo custo da ação ordinária, ks, foi calculado no exemplo precedente, empregando o modelo de avaliação com crescimento constante, deseja também calculá-lo empregando o modelo de formação de preços de ativos de capital. Das informações fornecidas à empresa por seus assessores de investimentos, além de suas próprias análises, sabe-se que a taxa livre de risco RF, é igual a 5%; o beta, β, da empresa é igual a 1,60; e o retorno do mercado, km, é igual a 10%. Substituindo esses valores na formula, ela estimou o custo da ação ordinária, ks, calculado abaixo: ( )[ ]FR - mFs kRk ×+= β kS = 5% + [1,6 (10% - 5%)] = 5,0% + 8,0% = 13,00% O custo da ação ordinária, de 13%, que é o mesmo que aquele encontrado usando-se o modelo de avaliação de crescimento constante, representa o retorno exigido pelos investidores em ações ordinárias da Empresa Magnus. 15 Modelo de Crescimento Constante CAPM Risco Não leva em consideração o risco; ao invés, utiliza o preço de mercado P0 como reflexo da preferência risco- retorno esperado pelos investidores no mercado. Considera diretamente o risco da empresa, refletido pelo beta, a fim de determinar o retorno exigido ou o custo da ação ordinária. É freqüentemente preferido para encontrar o ks, por que os dados exigidos são disponíveis mais rapidamente. De uma maneira prática é difícil demonstrar adequadamente problemas associados com o crescimento, beta, a taxa livre de risco, e o retorno de mercado. Custo de novas ações ordinárias Cálculo do Ks Facilidade em encontrar o custo de novas ordinárias, pelo ajuste do custo da ação ordinária, com os custos de subscrição e colocação. Dificuldade em ajustar o custo da ação ordinária, para se achar o custo para novas ações ordinárias, já que o modelo não inclui o preço de mercado, P0, uma variável necessária para efetuar tal ajuste. QUADRO 3 - COMPARAÇÃO ENTRE AS TÉCNICAS CAPM E O CRESCIMENTO CONSTANTE Fonte: Gitman, 2004. Custo de lucros retidos (kr) Se os lucros não fossem retidos, seriam pagos aos acionistas como dividendos. O custo de lucros retidos, kr, para a empresa, é o mesmo que o custo de uma emissão adicional de ações ordinárias inteiramente subscrita, que é medido pelo custo da ação ordinária da empresa, ks.. Isto quer dizer que os lucros retidos aumentam o patrimônio líquido dos acionistas, da mesma maneira que uma nova emissão de ações ordinárias. Os acionistas acham aceitável a retenção de lucros somente se eles tiverem a expectativa de que irão ganhar pelo menos o retorno exigido pelos fundos reinvestidos. Considerando lucros retidos como uma nova emissão de ações ordinárias inteiramente subscritas, pode-se supor que o custo de lucros retidos da empresa, kr, seja igual ao custo da ação ordinária da empresa, conforme indicado na equação abaixo: kr = ks Não é necessário ajustar o custo de lucros retidos, de acordo com os custos de subscrição ou deságio, já que, ao reter lucros, a empresa aumenta seu capital sem incorrer nesses custos. Custo novas emissões de ações ordinárias (kn) Para o acionista, em termos de taxa de retorno, é indiferente se os recursos próprios são levantados externamente ou gerados internamente. Entretanto, a empresa deve considerar esta diferenciação, uma vez que os recursos obtidos externamente envolvem custos de emissão, enquanto que os gerados internamente, não. Além disso, a fim de vender uma nova emissão de ação, esta deverá ser subprecificada – ou seja, ser vendida a um preço abaixo do preço corrente de mercado, P0 (por causa da diluição que ocorrerá 16 com a propriedade). Além do mais, os custos de colocação e subscrição para emitir e vender as novas ações reduzirão os recebimentos. Custo de novas emissões de ações ordinárias, kn ë determinado calculando-se o custo da ação ordinária após considerar o montante do deságio e atribuir os custos de colocação / subscrição. O custo de novas emissões pode ser calculado determinando-se os recebimentos líquidos depois do deságio e custos de colocação, usando-se a expressão para o custo da ação ordinária existente, ks, do modelo de avaliação com crescimento constante como ponto de partida. Se Nn representar os recebimentos líquidos provenientes da venda da nova ação ordinária depois do deságio e custo de colocação, o custo da nova emissão, kn, pode ser expresso conforme se segue: g N Dk n 1 n += Como os recebimentos líquidos provenientes da venda da nova ação ordinária, Nn, serão menores que o preço corrente de mercado, P0, o custo da nova emissão, kn, será sempre maior que o custo das ações existentes, Ks, o qual, conforme pode notar acima, é igual ao custo de lucros retidos. O custo da nova ação ordinária é normalmente maior que o custo de qualquer outro financiamento a longo prazo. Uma vez que os dividendos da ação ordinária são pagos do fluxo de caixa após o imposto de renda, nenhum ajuste devido aos impostos é necessário. Exemplo: No exemplo que usou o modelo de avaliação com crescimento constante, foram utilizados um dividendo esperado, D1 de $5,46, um preço de mercado, P0 de $60 e uma taxa de crescimento esperada de dividendos, g, de 3,90%, para calcular o custo da ação ordinária da Empresa Magnus, ks, que foi calculado em 13%. A fim de determinar seu custo de nova ação ordinária, Kn, a Empresa Magnus estimou, com a ajuda de seus assessores, que em média as novas ações ordinárias podem ser vendidas por $57,00. O deságio de $3,00 por ação é necessário, devido à natureza competitiva do mercado. Um segundo custo associado com a nova emissão é uma taxa de subscrição de $3,00 por ação, que seria paga para cobrir seus custos de emissão e venda. Portanto, espera-se que o custo total do deságio e colocação, por ação, seja de $6,00. Subtraindo o custo de deságio e colocação de $6,00 por ação do preço da ação corrente, P0, tem-se os recebimentos líquidos esperados: Nn = $60,00 - $6,00 = $54,00 por ação Substituindo D1 = $5,46, Nn = $54,00 e g =3,90% na formula, obtém-se o custo da nova ação ordinária, conforme segue: g N Dk n 1 n += 17 %01,14%90,3%11,10%90,3 00,54$ 46,5$ =+=+=nk a.a. Portanto, o custo da nova ação ordinária da Empresa Magnus, kn é de 14,01%.Esse é o valor a ser usado no cálculo subseqüente do custo total de capital da empresa. 3. CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL (CMePC) Este custo é obtido pela média das taxas das diversas modalidades de recursos obtidos pela empresa, após o IR, ponderada pela participação relativa de cada modalidade no capital total da instituição. Sendo esta composição denominada de estrutura financeira da empresa. Essa ponderação deve existir por dois motivos: 1- As diversas fontes, dada as suas características particulares, apresentam diferenças de riscos para os investimentos ou fornecedores de capital, dessa forma oferece taxas diferenciadas, isto é, custos de captação diferentes de acordo com o recurso obtido. 2- Como padrão de avaliação da conveniência de investimentos, não poderemos concentrar a obtenção de recursos em apenas uma fonte, isto é se a estrutura de capital for montada apenas com capital próprio, estaremos comprometendo a alavancagem bem como a remuneração deste capital, já se utilizarmos intensivamente capital de terceiros, no futuro estaremos com a estrutura comprometida ao atingirmos o limite de endividamento. Para se calcular o Custo Médio Ponderado necessitamos de duas informação; a) O custo de cada fonte depois do IR, b) A participação de cada fonte no capital total. Cálculo do custo médio ponderado de capital (CMePC) Uma vez determinado o custo das fontes específicas de financiamento, pode-se calcular o custo médio ponderado de capital (CMePC). Esse cálculo é feito multiplicando-se o custo específico de cada forma de financiamento por sua proporção na estrutura de capital da empresa e somando-se os valores ponderados. O custo médio ponderado de capital, ka, pode ser especificado numa equação, conforme segue: ( ) ( ) ( ) k w k w k w k nou r sppjja ×+×+×= onde wj = proporção de empréstimo a longo prazo na estrutura de capital wp = proporção de ações preferenciais na estrutura de capital ws = proporção de ações ordinárias na estrutura de capital wj + wp + ws = 1,0 Três pontos importantes devem ser observados: 18 Fonte de capital Peso Empréstimo a longo prazo 40% Ações preferenciais 10 Ações ordinárias 50 Total 100% Por conveniência, para efeito de cálculo, é melhor converter os pesos para a forma decimal e deixar os custos específicos na forma de percentagem. A soma dos pesos deve igualar-se a 1,0. Expressando de uma forma simples, todos os componentes da estrutura de capital devem ser levados em conta. O peso das ações ordinárias da empresa, ws, é multiplicado seja pelo custo de lucros retidos, kr, seja pelo custo de novas ações ordinárias, kn. O custo específico usado no caso de ações ordinárias depende se o capital próprio da empresa for obtido através de lucros retidos, kr, ou de novas ações ordinárias, kn. Exemplo: No começo deste capítulo foram encontrado os custos de vários tipos de capital para a Empresa Magnus, a saber: Custo de empréstimo, kj = 6,94% a.a. Custo de ações preferenciais, kp = 10,63% a.a. Custo de lucros retidos, kr = 13,00% a.a. Custo de novas ações ordinárias, kn = 14,01% a.a. O peso de cada fonte de capital da Empresa Magnus é dado no quadro abaixo: QUADRO 4 – PESO DAS FONTES ESPECÍFICAS DE CAPITAL NA ESTRUTURA DE CAPITAL DA EMPRESA MAGNUS QUADRO 5 – CÁLCULO DO CUSTO MÉDIO PONDERADO DE CAPITAL DA EMPRESA MAGNUS Peso Custo Custo ponderado 1 2 1 x 2 = 3 Empréstimo a longo prazo 0,4 6,94% 2,78% Ações preferenciais 0,1 10,63% 1,06% Ações ordinárias 0,5 13,00% 6,50% Totais 1 10,34% Custo médio ponderado de capital = 10,34% a.a. Fontes de capital Como a empresa espera ter disponível um montante de $2.000.000,00 de lucros retidos, planeja usar seu custo de lucros retidos, kr, como componente de custo das ações ordinárias. Utilizando esse valor junto com os outros dados apresentados acima, o custo médio ponderado de capital da Empresa Magnus é calculado no Quadro 5. Como o custo médio ponderado de capital da Empresa Magnus é 10,34% a.a. e supondo- se um nível de risco inalterado, a empresa deve aceitar todos os projetos que obtenham um retorno maior ou igual a 10,34% a.a.. 19 Em vista do custo de capital de 10,34% a.a., a empresa deveria aceitar todos os projetos cujo VPL descontado a 10,34% a.a. seja maior ou igual a zero, ou cuja TIR seja maior ou igual a 10,34% a.a.. Esquemas de ponderação (Pesos a Aplicar) Os pesos se referem à proporção de, empréstimos, ações preferenciais e ações ordinárias na estrutura financeira da empresa. Podem ser calculados como valor contábil (de livro) ou valor de mercado, e como históricos (baseados nas proporções da estrutura atual de capital da empresa) ou metas (baseados nas proporções da estrutura desejada de capital da empresa). As empresas utilizam pesos-metas estabelecendo as proporções baseadas na estrutura “ótima” de capital que desejam atingir. Quando se considera a natureza aproximada dos cálculos, a escolha dos pesos pode não ser crítica. De qualquer modo, de um ponto estritamente teórico, o esquema de ponderação preferido é o que leva em conta as proporções-metas de valores de mercado, e isso será suposto em todo esse capítulo. Estrutura de Capital Desejada (Ótima) – Proporção de capital de terceiros, ações preferenciais e ações ordinárias que maximizarão o preço da ação da empresa. Portanto, uma empresa maximizadora de valor estabelecerá uma estrutura de capital desejada (ótima) e, então, levantará novos capitais de modo a manter a estrutura de capital ao longo do tempo. Neste capítulo, supomos que a empresa identificou sua estrutura ótima de capital, que utiliza esse ponto ótimo como alvo e que se financia de modo a permanecer constantemente sobre essa meta. O modo de estabelecer esse alvo será estudado na aula 9. 4. CONCLUSÃO O conhecimento correto do custo de capital é essencial para o processo de análise e tomada de decisões financeiras. Em seu objetivo de maximização do valor presente líquido, a rentabilidade oferecida pelos fluxos de benefícios líquidos esperados incrementais em relação aos desembolsos necessários deve ser maior que o custo de capital dos recursos alocados para a decisão. Sendo assim, o valor presente dos fluxos de benefícios incrementais de caixa deve exceder aos investimentos previstos, quando todos os fluxos forem descontados a uma taxa representativa do custo de capital. O retorno em excesso da decisão financeira produzirá um resultado de valor presente líquido positivo, e irá incrementar a riqueza da empresa e, em conseqüência, de seus acionistas. Não obstante, se o retorno esperado for inferior ao custo dos fundos exigidos, a decisão deve ser rejeitada, sendo entendida como destruidora de valor. O custo de capital é adotado como um método de medição de propostas de investimentos, ou seja, um critério correto de aceitação-rejeição das decisões financeiras. O termo custo de capital é muitas vezes expresso, de diferentes formas, como sendo a taxa mínima de atratividade, taxa de retorno requerida (mínima exigida), custo total de capital, taxa de desconto apropriada, entre outras. De alguma forma, essas expressões refletem a função primordial discutida do custo de capital, ou seja, serve de padrão para avaliar a aceitabilidade de uma decisão financeira. 20 Ano(s) Fluxo de caixa 0 $ 1.175,00 1-10 $ 100,00 10 $ 1.100,00 EXERCÍCIO RESOLVIDO: A Cia. Bella pediu a seu administrador financeiro que medisse o custo de cada tipo específico de capital, bem como o custo médio ponderado de capital. O custo médio deve ser encontrado usando os seguintes pesos: 40% de empréstimo a longo prazo, 10% de ações preferenciais e 50% de capital próprio (lucros retidos). A alíquota de imposto de renda é de 40%. A empresa deseja financiar projetos, usando as fontes de capitalna proporção acima. Ela pode vender títulos de dívida ou ação preferencial, e usar o lucro retido. • Dívida a longo prazo: A empresa pode emitir até $2.000.000 de obrigações com valor de face de $1.000, cupom de 10% e prazo de dez anos. As obrigações seriam vendidas por $1.200 a unidade. Os custos de lançamento totalizariam $25 por obrigação. • Ação preferencial: A empresa pode emitir ações preferências com dividendo de $2 a um preço de mercado de $25 por unidade. Os custos de lançamento totalizariam $3 por ação. • Ação ordinária: A empresa obteve lucro líquido de $4.200.000 no último exercício anual. Desse lucro, ela pagou um dividendo de $1,26 para cada ação ordinária, em número de 1 milhão. O preço de mercado da ação ordinária é igual a $40. Seus dividendos têm crescido a uma taxa de 6% ao ano e a expectativa é de que continue assim no futuro. Os pagamentos de seus dividendos devem continuar representando a mesma percentagem dos lucros da última distribuição. A empresa não pretende lançar novas ações ordinárias Calcule o custo específico de cada fonte de financiamento e o custo médio ponderado de capital. Dívida de longo prazo: Valor nominal = $1.000 Preço de venda = $1.200 n = 10 anos Custos de lançamento = $25 por ação. Recebimento líquido = $1.200 - $25 = $1.175 Pagamentos de juros = $1.000 x 0,10 = $100 Custo da dívida de longo prazo para financiamento até $2.000.000 Fluxo de caixa, do ponto de vista da empresa, durante a vida do título Com a Calculadora Financeira HP 12C: 21 Entradas Limpar 1.175 100 9 1.100 Funções CLX g CF0 CHS g CFj g Nj CHS g CFj f IRR Saídas 7,46% ou Entradas Limpar 1,175 10 100 1000 Funções CLX PV n CHS PMT CHS FV i Saídas 7,46% ki = kd (1 – T) ⇒ ki = 7,46% (1 – 0,40) = 4,47% a.a. Ação preferencial: Dividendos anuais = $2,00 Custo de colocação = $3,00 por ação Preço de venda = $25 Recebimentos líquidos da venda da ação = $25,00 - $3,00 = $22 p p p N D k = %09,90909,0 0,22$ 0,2$ ===pk Ação Ordinária Lucro líquido = $4.200.000 D0 = $1,26 Número de ações ordinárias = 1.000.000 P0 = $40 g = 6% Cálculo dos lucros retidos Dividendo total = $1,26 × 1.000.000 = $1.260.000 Percentagem de dividendos = $1.260.000 ÷$4.200.000 = 0,30 = 30% D1 = $1,26× 1,06 = $1,34 g P Dk 0 1 s += %35,90934,006, 00335, 006 , 0 40$ 34, 1 $ ==+=+=sk 22 Cálculo do custo médio ponderado de capital Peso Custo Custo ponderado 1 2 1 x 2 = 3 Empréstimo a longo prazo 0,4 4,48% 1,79% Ações preferenciais 0,1 9,09% 0,91% Ações ordinárias 0,5 9,35% 4,68% Totais 1 7,38% Fontes de capital Custo médio ponderado de capital =7,38% a.a. Obs.: Este custo só é váliso em termos de A.O. até o montante de Lucro Retido disponível ($ 4.200.000, x 0,70 = $ 2.940.000,00). Exercícios Propostos: 1. A Cia. Lab pediu a seu administrador financeiro que medisse o custo de cada tipo específico de capital, bem como o custo médio ponderado de capital. O custo médio deve ser encontrado usando os seguintes pesos: 30% de empréstimo a longo prazo, 20% de ações preferenciais e 50% de capital próprio (novas ações). A alíquota de imposto de renda é de 40%. A empresa deseja financiar projetos, usando as fontes de capital na proporção acima. Ela pode vender títulos de dívida ou ação preferencial ou ação ordinária. Dívida a longo prazo: a empresa consegue levantar $1.080.000 de capital de terceiros vendendo obrigações com valor de face de $1.000, cupom de 10% e prazo de 20 anos, pagando juros anuais. Em conseqüência das taxas de juros vigentes, as obrigações podem ser vendidas a $950 cada; os custos de lançamento correspondem a $30 por ação. Ação preferencial: Ações prometendo dividendo anual de 6% e com valor de face de $100 podem ser vendidas por $60. Uma comissão adicional de $2 por ação deve ser paga aos bancos de investimentos que distribuírem a emissão. Ação ordinária: A empresa pagou um dividendo de $5,10 para cada ação ordinária. O preço de mercado da ação ordinária é igual a $55. Seus dividendos têm crescido a uma taxa de 7% ao ano e a expectativa é de que continue assim no futuro. Os pagamentos de seus dividendos devem continuar representando a mesma percentagem dos lucros da última distribuição. A empresa pode levantar fundos adicionais vendendo novas ações ordinárias com um deságio de $6 por ação, e a empresa deve pagar também $4 por ação, a título de custo de lançamento. Calcule o custo específico de cada fonte de financiamento e o custo médio ponderado de capital. 23 ( ) ( ) ( )( ) k w k w k w nou r sppjj ×+×+×=⇒ akCMePC RESUMO O custo de capital a ser empregado nas decisões sobre orçamento de capital é a média ponderada dos vario tipos de capital que a empresa utiliza, normalmente dívida, ações preferenciais e ações ordinárias. O custo da dívida é o custo pós-impostos da nova dívida. Ele é encontrado multiplicando- se o custo da nova dívida por (1-T), em que T é a alíquota do imposto de renda da empresa (kp=Dp/Pn). O custo das ações preferenciais é calculado como sendo o dividendo preferencial dividido pelo preço liquido de emissão (preço da ação depois da dedução dos custos de lançamento no mercado). O custo da ação ordinária é dividido em custo dos lucros retidos e custo da emissão de novas ações: • O custo do lucro retido constitui a taxa de retorno exigida pelos acionista sobre as ações ordinárias da empresa. Podem ser calculados utilizando o Modelo de Crescimento de Gordon (kl=D1/P0+g) e o CAPM (kl=Rf+β(km-Rf). • O custo de novas ações ordinárias é mais alto do que o custo do lucro retidos porque a empresa deve incorrer em despesas de lançamento no mercado para vender as ações.. para encontrar o custo de novas ações ordinárias, o preço das ações é primeiramente reduzido pela despesa de lançamento no mercado (Nn), Substitui-se P0 por Nn (kn=D1/Nn+g). Cada empresa tem uma estrutura ótima de capital, definida como o mix de dívidas, ações preferenciais e ações ordinárias, o que minimiza seu custo médio ponderado de capital: INFORMAÇÕES SOBRE A PRÓXIMA AULA Na próxima aula você aprender o conceito de Custo Marginal Ponderado de Capital (CMgPC), e vai fazer uma análise de como este pode ser usado na análise das oportunidades de investimento. REFERÊNCIAS Gitman, Lawrence Jeffrey. Princípios de Administração Financeira. 7 Edição. São Paulo: Habra, 2002. 841 páginas. Gitman, Lawrence Jeffrey. Princípios de Administração Financeira. 10ª Edição. São Paulo: Pearson Education, 2004. 745 páginas. Ross, Stephen A.; Westerfield, Randolph W.; Jaffe, Jeffrey F. Administração Financeira - Corporate Finance. 2ª Edição. São Paulo:Atlas, 2002. 699 páginas. Brigham, Eugene F.; Ehrhardt, Michael C. Administração Financeira - Teoria e Prática. 10ª Edição. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2006. 1044 páginas. 24 Lemes Jr., Antonio Barbosa; Rigo, Claudio Miessa; Cherobim, Ana Paula Mussi Szabo. Administração Financeira - Princípios, Fundamentos e Práticas Brasileiras . 2ª Edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005. 547 páginas.