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## Resumo sobre Estágio e Docência – Teoria e Prática: Diferentes ConcepçõesO texto aborda a complexa relação entre estágio e docência, destacando o estágio não apenas como uma atividade prática instrumental, mas como um campo de conhecimento com estatuto epistemológico próprio. Tradicionalmente, o estágio tem sido visto como a parte prática dos cursos de formação de professores, contrapondo-se à teoria, o que gera uma dicotomia problemática. Essa visão fragmentada resulta em currículos que se apresentam como um conjunto de disciplinas isoladas, desvinculadas da realidade social e profissional dos futuros docentes, e que não dialogam entre si nem com o campo de atuação. Assim, a formação docente muitas vezes carece tanto de fundamentação teórica quanto de conexão efetiva com a prática, o que compromete a qualidade da formação e a capacidade do professor de atuar criticamente no contexto escolar.O texto destaca duas concepções tradicionais da prática docente no estágio: a prática como imitação de modelos e a prática como instrumentalização técnica. Na primeira, o estágio é entendido como observação e reprodução de modelos considerados "bons", o que limita a formação a uma aprendizagem artesanal e conservadora, sem reflexão crítica sobre a realidade social e histórica da escola. Na segunda, a prática é reduzida ao domínio de técnicas e habilidades específicas, desconsiderando a complexidade do processo educativo e a necessidade de fundamentação teórica. Essa perspectiva técnica reforça a ideia de que a prática pode ser dissociada da teoria, o que se revela insuficiente para formar professores capazes de responder às demandas reais da profissão. Além disso, essa visão instrumental pode levar à desvalorização do estágio, transformando-o em mera prestação de serviços ou em atividades burocráticas, sem o devido aprofundamento reflexivo.Para superar essas limitações, o texto propõe uma concepção de estágio que integra teoria e prática por meio do conceito de práxis, entendida como a ação reflexiva e transformadora na realidade social e escolar. O estágio deve ser uma atividade teórica que instrumentaliza a práxis docente, ou seja, que permite ao futuro professor conhecer, analisar e intervir criticamente nas práticas pedagógicas e nas instituições educativas. Essa perspectiva valoriza o estágio como uma atividade de pesquisa, na qual o estagiário desenvolve uma postura investigativa, elaborando projetos que problematizam as situações observadas e buscam novos conhecimentos a partir da interação entre teoria e prática. O texto destaca a importância da epistemologia da prática, que reconhece o professor como um sujeito que constrói conhecimento a partir da reflexão sobre sua ação, articulando saberes teóricos e práticos em constante re-elaboração.A formação do professor reflexivo e pesquisador é apresentada como um ideal que exige superar a dicotomia entre teoria e prática, valorizando a pesquisa como método de formação e a reflexão crítica sobre as condições sociais, políticas e econômicas que influenciam a prática docente. No entanto, o texto também aponta limites e desafios dessa perspectiva, como as condições institucionais das escolas, a rotatividade dos professores, a precariedade da formação inicial e a necessidade de políticas públicas que apoiem a formação continuada e a pesquisa docente. Além disso, alerta para os riscos do "praticismo" e do individualismo, que podem reduzir a reflexão a um exercício isolado e descontextualizado, e para a necessidade de uma reflexão crítica que considere as desigualdades sociais e o caráter histórico e coletivo da prática educativa.Por fim, o texto defende que o estágio deve deixar de ser um componente isolado do currículo para se tornar um eixo articulador de todo o processo formativo, permeando todas as disciplinas e promovendo a integração entre os saberes teóricos e as práticas institucionais. O estágio, assim concebido, prepara o futuro professor para atuar coletivamente, compreendendo a escola como um espaço social, histórico e cultural, e desenvolvendo habilidades para analisar, intervir e transformar a realidade educacional. Essa concepção amplia o papel do estágio, que passa a ser uma atividade de conhecimento, reflexão, intervenção e pesquisa, fundamental para a formação de professores críticos, reflexivos e comprometidos com a democratização e a qualidade da educação.---### Destaques- O estágio deve ser entendido como um campo de conhecimento que integra teoria e prática, superando a visão tradicional de mera atividade instrumental.- A prática docente no estágio não pode se limitar à imitação de modelos ou ao domínio técnico, mas deve envolver reflexão crítica e intervenção na realidade social e escolar.- A práxis, como ação reflexiva e transformadora, é o conceito-chave para articular teoria e prática na formação docente.- O estágio como pesquisa promove a postura investigativa do futuro professor, favorecendo a problematização e a construção de novos conhecimentos.- A formação do professor reflexivo e pesquisador enfrenta desafios institucionais e políticos, exigindo políticas públicas que valorizem a pesquisa e a reflexão crítica na docência.