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CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 1 História Moderna das Relações Internacionais Aula 6 Professoras Ana Paula Lopes e Maria Thereza David João CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 2 Conversa Inicial Olá! Seja bem-vindo à sexta aula da disciplina “História Moderna das Relações Internacionais”. Trabalharemos os seguintes temas: Revolução Gloriosa; Liberalismo e Revolução Industrial; Independência dos Estados Unidos; Independência do Haiti; Revolução Francesa. Bons estudos! Contextualizando O mundo passa constantemente por transições, a poucos anos chegou ao fim a Guerra Fria e teve inicício uma nova ordem global. No Oriente Médio, movimentos como a Primavera Árabe mudaram a configuração política de países na África e Ásia. Na Idade Moderna não foi diferente, tendo como palco principal a Europa e suas colônias, revoluções e movimentos de independência, que marcaram o fim desse período, dando lugar à Idade Contemporânea. Para conhecer melhor os eventos que marcaram o fim da Idade Moderna, temos como objetivo principal nesta aula entender a propagação de novos movimentos que alteraram e marcaram o fim deste período. Assim, nossos objetivos específicos são: Conhecer a Revolução Gloriosa; Compreender como ocorreu a Primeira Revolução Industrial; Compreender como ocorreram as primeiras independências no Continente Americano; Analisar os reflexos internacionais da Revolução Francesa. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 3 Tema 1 – A Revolução Gloriosa A Revolução Gloriosa ocorreu no Reino Unido entre 1688 e 1689, quando o rei Jaime II foi retirado do trono do Reino Unido, dando lugar à sua filha Maria e seu genro Guilherme de Orange, príncipe das Províncias Unidas. O governo de Jaime II, o último rei católico da Inglaterra, foi marcado pela disputa política entre católicos e protestantes no Reino Unido, assim como pelos conflitos entre a Monarquia e o Parlamento britânico. Após negociações com líderes protestantes, Guilherme de Orange invadiu a Inglaterra em 5 de novembro 1688, dando início à Revolução Gloriosa, que foi um episódio importante para todo Reino Unido, mas também teve impacto em outros países. Para as relações internacionais do período, foi um marco para a Democracia, uma vez que o Absolutismo Monárquico havia chegado ao fim em uma das principais potências europeias, servindo de modelo para os demais países. A “Declaração de Direitos” influenciou ideais que levaram a eventos como a Revolução Francesa e a Independência dos Estados Unidos. Além disso, foi incorporada à “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” e à “Constituição dos Estados Unidos”. De um modo geral, podemos resumir as consequências da Revolução Gloriosa como: Limitação do poder do rei; Inglaterra passa a ter uma Monarquia Constitucional composta por Executivo, Legislativo e Judiciário; Parlamento passa ter mais poder. Tema 2 - Liberalismo e Revolução Industrial A Revolução Industrial teve início em 1760 na Inglaterra, quando começou a transição de métodos de produção artesais para produção manufaturada em escala. Foi um processo gradual que se desenvolveu até o início do século XIX. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 4 O processo produtivo na Inglaterra, antes da Revolução Industrial, era realizado de modo artesanal e manual e, em alguns casos, com emprego de algumas máquinas simples que facilitavam a confecção de produtos. Como esse meio de produção era demorado, os produtos eram feito em baixa escala e com preços mais elevados. Com a modernização dos meios de produção e o desenvolvimento de máquinas com tecnologia mais sofisticada, foram criadas grandes indústrias que empregavam um elevado número de trabalhadores, que perderam a posse da matéria-prima, do produto em si e, principalmente, do lucro. A Inglaterra foi pioneira em aderir e desenvolver novas tecnologias na produção de bens, seguindo políticas econômicas liberais ainda no século XVIII. Antes da liberalização econômica, as atividades industriais e comerciais eram realizadas a partir do sistema de guildas, que limitava a inovação tecnológica e a entrada de concorrência no mercado. Após a Revolução Inglesa, que trouxe estabilidade ao sistema capitalista e, assim, fez expandir os investimentos e ampliar os lucros, a burguesia inglesa obtinha cada vez mais capital, conseguindo financiar fábricas, adquirir matérias-primas e maquinários, além de contratar e manter trabalhadores. Assim, tanto o pensamento liberal como a Primeira Revolução Industrial aposentaram o modelo mercantilista de desenvolvimento e incentivaram o Estado a permitir que a relação entre oferta e demanda regulassem o bem-estar social. Se, antes, para o mercantilismo, o valor das coisas encontrava-se nos metais e na acumulação, e para os fisiocratas o valor estava na terra — recursos de produção —, nesse momento, o valor das coisas passava a apresentar íntima relação com o gasto do trabalho do indivíduo sobre o objeto final para consumo. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 5 Tema 2 - Independência dos Estados Unidos A independência dos Estados Unidos ocorreu em 4 de julho de 1776, mesmo ano em que foi aprovada a Declaração de Independência do país. A independência veio após a população das Treze Colônias não aceitar mais a cobrança de impostos pela Coroa Britânica, que não permitia que as colônias tivessem representantes no parlamento britânico e poder de decisão, seja político ou econômico. A independência dos Estados Unidos estava inserida num contexto de conflitos internacionais. Foi um processo gradual e está intimamente ligado aos acordos firmados ao final da Guerra dos Sete Anos, em 1763, quando a Inglaterra, vitoriosa, ficou com a posse de territórios já colonizados, na América do Norte, sendo reconhecido o seu direito de expansão e exploração territorial no interior do continente. O governo britânico, na tentativa de restaurar o equilíbrio financeiro, abalado em decorrência da Guerra dos Sete Anos, adotou medidas restritivas às Treze Colônias, como a proibição da fabricação de tecidos, os Atos de Townshend e a Lei do Selo. Em 1773, o descontentamento dos colonos com a Coroa emergiu novamente. O Parlamento inglês concedeu o monopólio do comércio de chá à Companhia das Índias Orientais. Contudo, os comerciantes norte-americanos se sentiram prejudicados com tal medida, alegando que ela afetaria os negócios. O descontentamento os levou a, disfarçados de índios, assaltarem navios da Companhia que estavam no Porto de Boston e lançarem ao mar o carregamento de chá, em um episódio conhecido como Festa do Chá de Boston. A reação do governo britânico foi imediata, decretando as Leis Intoleráveis, que previam o fechamento do Porto de Boston, o pagamento de indenização à Companhia prejudicada e o jullgamento, na Inglaterra, dos envolvidos. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 6 Como não houve qualquer acordo por parte do governo britânico, os colonos apresentaram uma declaração de independência de uma nova nação soberana, os Estados Unidos da América, em 4 de julho de 1776. Nesse contexto a independência Estados Unidos deixou de ser uma questão entre Inglaterra e suas colônias e passou a ser uma questão internacional, na qual outras potências se posicionaram. Cronologicamente, podemos resumir a indenpendência dos Estados Unidos da seguinte forma: 1763: fim da Guerra dos Sete Anos com a vitória da Inglaterra, que fica com a posse dos territórios já colonizados na América do Norte; 1773: Festa do Chá de Boston; 1776: os colonos apresentaram uma declaração de independência de uma nova nação soberana:os Estados Unidos da América; 1778: França entra na guerra apoiando os colonos norte-americanos; 1782: início das negociações de paz; 1783: assinatura do Tratado de Paris, término da guerra, reconhecimento da independência e soberania do Estados Unidos. Tema 3 - Independência do Haiti A Revolução Haitiana ocorreu entre 1791 e 1804 e teve como resultado a abolição da escravidão no Estado e a sua independência, além de levar ao poder um governante de ascendência africana. O Haiti foi colonizado por espanhóis ainda no século XV. Em 1697 a colônia foi cedida à França, que explorava os recursos naturais para produção agrícola e exportação de açúcar e cacau para a Europa. O Haiti se tornou a mais rica colônia francesa do Caribe por conta da produção de açúcar. A inserção de escravos africanos para sustentar o ritmo de produção e os investimentos franceses geraram uma quantidade populacional étnica desproporcional. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 7 Diante das desigualdades e da privação de direitos, um grupo de negros de pele clara incitou a revolta de escravos contra os grandes proprietários de terras em 1791. Essa primeira investida fracassou, uma vez que a milícia colonial conseguiu conter os rebeldes, mas foi seguida de outras por toda colônia. Dentro desse contexto, surgiu a figura de um líder, de ascendência africana: Toussaint L’Overture, que em 1801 se torna governador-geral e implementa uma nova política no país, com o fim da escravidão, o fim do monopólico comercial francês e a expansão das relações comerciais do país com outras potências europeias e os Estados Unidos. Insatisfeito com a situação política do Haiti, Napoleão Bonaparte envia uma missão militar ao país para conter as revoltas e, principalmente, conter o L’Overture, que foi preso e enviado à França, onde morreu. Outra investida dos haitianos contra os franceses foi liderada por Jean Jacques Dessalines, que conseguiu organizar um exército e derrotar os franceses em 1803. No ano seguinte, foi declarada a independência, e Jean Jacques Dessalines se tornou o imperador do novo Estado. No cenário internacional, a independência do Haiti não foi bem vista nas Américas por muitos grupos de elites políticas e econômicas que se sustentavam por meio da exploração do trabalho escravo. A tomada da independência do Haiti à força pelos escravos descendentes de povos africanos mostrou-se um perigo à estrutura social escravocrata na região, à economia e ao comércio internacional. Tema 4 - Revolução Francesa A Revolução Francesa ocorreu entre 1789 e 1799, levando a Monarquia Absolutista francesa ao colapso, acabou com os privilégios feudais, aristocráticos e religiosos no país. Foi um marco na passagem da Idade Moderna para Idade Contemporânea. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 8 Os acontecimentos seguintes podem ser descritos cronologicamente: Abril de 1791: o Estado nacionalizou e tomou o controle de todos os bens da Igreja Católica. Em julho do mesmo ano foi aprovada a Constituição Civil do Clero, a qual estabelecia que membros da igreja passassem a ser funcionários públicos; 14 de junho de 1791: foi aprovada a Lei de Le Chapelier, a qual previa a proibição de sindicatos de trabalhadores e greves, apesar das medidas inovadoras que incitavam uma nova construção social; Setembro de 1792: ocorreram em Paris vários motins, em decorrência das péssimas situações de vida da população, principalmente a fome, ao mesmo tempo em que a França declarava guerra à Áustria, dando início às revoltas monárquicas na Bretanha, em Vendeia e Delfinado; 1792: teve início o período da Convenção Nacional, dominada pelo partido dos jacobinos liderado por Robespierre. Foram criados, ainda, o Comitê de Salvação Pública e o Comitê de Segurança Geral, o que originou o “Reino do Terror” na França. A Monarquia foi abolida, muitos nobres abandonaram o país, e a família de Luís XVI foi guilhotinada em 1793. A partir deste ano, passou a ocorrer o Período do Diretório — também conhecido como Período da Reação Termidoriana — que perdurou até 1799 e se refere a um golpe de Estado armado, desencadeado pela alta burguesia financeira francesa, que deu fim a todo e qualquer tipo de participação popular na revolução. Uma nova Constituição foi elaborada, a fim de manter a alta burguesia, composta principalmente pelos girondinos, livres da ameaçada do jacobinismo. Em 9 de novembro de 1799, ocorreu o Golpe do 18 de Brumário, pondo fim ao Período do Diretório e iniciando a Era Napoleônica sob a forma do Consulado. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 9 A partir dessas instabilidades políticas nacionais e internacionais, as nações de fato começaram a se identificar como forças capazes de interferir nos assuntos dos Estados. Além disso, viram-se também na condição de reforçar e resgatar a função originária da organização política: a defesa do bem comum. Com isso, os Estados modernos absolutistas começaram a ser questionados e reformulados por meio de constituições dirigidas à população. Trocando Ideias Tem alguma dúvida, comentário ou material interessante para compartilhar? Então entre no fórum! Aproveite e veja o que seus colegas têm a dizer. Esse é o momento de compartilhar informações, não deixe de participar. Na Prática A partir dessas instabilidades políticas nacionais e internacionais, as nações de fato começaram a se identificar como forças capazes de interferir nos assuntos dos Estados. Além disso, viram-se também na condição de reforçar e resgatar a função originária da organização política: a defesa do bem comum. Com isso, os Estados modernos absolutistas começaram a ser questionados e reformulados por meio de constituições dirigidas à população. Assim, a Revolução Francesa ecoa até os tempos atuais. Pense em como é possível visualizar os princípios da Revolução — Liberdade, Igualdade e Fraternidade — no Estado-Nação atual. Síntese Esta aula teve como objetivo expor os principais acontecimentos que marcaram e alteraram o Estado moderno e o pensamento social na Europa e no mundo durante a Idade Moderna. Falamos sobre a Revolução Gloriosa e a Revolução Industrial, que trouxeram avanços políticos e econômicos para o país e para o mundo, assim como a Revolução Francesa, principal marco da passagem da Idade Moderna para Contemporanea. Saindo da Europa, conhecemos os processo de indepedência dos Estados Unidos e do Haiti. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 10 A partir desses estudos, buscamos compreender um pouco mais das mudanças sociais, políticas e econômicas que impactaram nas relações internacionais entre os séculos XVII e XVIII. De modo geral, a relevância desta aula se mostra na propagação de novos movimentos que viriam a alterar e marcar o fim da Idade Moderna para o surgimento de um novo cenário de nações internacionais em transição até a contemporaneidade. As mudanças na natureza do Estado moderno, o fortalecimento de movimentos nacionalistas e a reconfiguração da balança de poder em um mundo com maior número de agentes representam os principais tópicos desse final da história moderna das Relações Internacionais e início de uma nova configuração mais plural. CCDD – Centro de Criação e Desenvolvimento Dialógico 11 Referências ASHLEY, Maurice. The Glorious Revolution of 1688. Nova Iorque: Charles Scribner's Sons, 1966. CIPOLLA, C. M. História Econômica da Europa Pré-industrial. Lisboa: Edições 70, 1991, 390 p. GANEM, Â. O mercado como ordem social em Adam Smith, Walras e Hayek. Economia e Sociedade, Campinas, v. 21, n. 1, abr. 2012. HARVARD Economic Studies. 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