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CAPÍTULO Interdependência e 3 ganhos comerciais Imagine um dia comum em sua vida. Você acorda pela manhã e toma um copo de suco de laranjas cultiva- das na Flórida e uma xícara de café produzido no Brasil. Enquanto toma o café da manhã, assiste a um noticiário transmitido de Nova York em sua TV fabricada na China. Veste-se com roupas feitas de algodão produzido na Geórgia e costuradas na Tailândia. Vai para a aula em um carro feito de peças fabricadas em mais de 12 países espalhados pelo mundo. Então, abre seu livro de economia escrito por um autor que vive em Massachusetts, publicado por uma empresa com sede em Ohio e impresso em papel feito com árvores cultivadas em Oregon. Todos os dias, dependemos de muitas pessoas, a maioria das quais não conhecemos, para nos forne- cerem os bens e serviços de que desfrutamos. Essa interdependência é possível porque as pessoas comerciam umas com as outras. Essas pessoas que nos fornecem esses bens e serviços não fazem isso porque são generosas. Nem há um órgão governamental que as obrigue a satisfazer nossas necessida- des. Em vez disso, elas fornecem a nós e a outros consumidores os bens e serviços que produzem porque recebem algo em troca.48 PARTE 1 INTRODUÇÃO Em capítulos posteriores, veremos como nossa economia coordena as atividades de milhões de pessoas com gostos e habilidades diferentes. Como ponto de partida desta análise, vamos considerar aqui os moti- vos da interdependência econômica. Um dos Dez Princípios de Economia, que destacamos no Capítulo 1, é o de que o comércio pode ser bom para todos. Neste capítulo, examinaremos esse princípio mais detalha- damente. que, exatamente, as pessoas têm a ganhar quando comerciam umas com as outras? Por que optam por ser interdependentes? As respostas a essas perguntas são fundamentais para entendermos a moderna economia global. Atualmente, na maioria dos países, muitos bens e serviços consumidos são importados de outros países, e muitos bens e serviços produzidos são exportados para consumidores externos. A análise feita neste capítu- lo explica a interdependência não só entre os indivíduos, mas também entre as nações. Como veremos, os ganhos resultantes do comércio são praticamente os mesmos se você pagar por um corte de cabelo, em seu salão favorito, ou por uma camiseta produzida por alguém no outro lado do mundo. UMA PARÁBOLA PARA A ECONOMIA MODERNA Para entender por que as pessoas optam por depender dos outros para os bens e serviços de que precisam e como essa escolha melhora a vida delas, vamos examinar uma economia simples. Imaginemos que exis- tam dois bens no mundo: carne e batatas. E que haja duas pessoas no mundo uma pecuarista e um plan- tador de batatas que gostariam de comer tanto carne como batatas. Os ganhos comerciais ficam mais claros se a pecuarista só puder produzir carne e se o agricultor só puder produzir batatas. Neste cenário, ambos poderiam optar por não ter nada a ver um com o outro. Mas, pas- sados vários meses comendo só carne assada, cozida, grelhada e frita, a pecuarista poderia concluir que a autossuficiência não é tão boa assim. agricultor, que vinha comendo batatas fritas, assadas, cozidas e purê de batatas, provavelmente concordaria. É fácil perceber que o comércio permitiria a eles desfrutar de uma maior variedade: cada um poderia, então, comer um bife com batata assada ou um hambúrguer com fritas. Embora essa cena ilustre com a máxima simplicidade como todos podem se beneficiar com o comércio, os ganhos seriam similares se tanto a pecuarista quanto o agricultor pudessem produzir também o outro bem, mas a um custo maior. Suponha, por exemplo, que o produtor de batatas seja capaz de criar gado e produzir carne, mas que ele não seja muito bom nisso. De forma similar, suponha que a pecuarista seja capaz de cul- tivar batatas, mas que sua terra não seja muito apropriada para isso. Nesse caso, é fácil perceber que cada um deles se beneficiaria caso se especializasse naquilo que faz melhor e depois comerciasse com o outro. Mas os ganhos advindos do comércio não são tão óbvios assim quando uma pessoa é melhor na produ- ção de todos os bens. Suponhamos, por exemplo, que a pecuarista seja melhor que o agricultor tanto no trato do gado quanto no cultivo de batatas. Nesse caso, será que um dos dois optaria pela autossuficiência? Ou, ainda, haveria motivo para comerciarem um com o outro? Para respondermos a essa pergunta, precisa- mos analisar mais detalhadamente os fatores que afetam a decisão. Possibilidades de produção Suponhamos que o agricultor e a pecuarista trabalhem 8 horas por dia cada um e possam dedicar esse tempo ao cultivo de batatas, à criação de gado ou a uma combinação das duas coisas. A tabela na Figura 1 mostra a quantidade de tempo que cada um deles precisa para produzir 1 kg de cada um dos bens. agricultor pode produzir 1 kg de batatas em 15 minutos e 1 kg de carne em 60 minutos. A pecuarista, que é mais produtiva nas duas atividades, consegue produzir 1 kg de batatas em 10 minutos e 1 kg de carne em 20 minutos. As duas últimas colunas da tabela na Figura 1 mostram a quantidade de carne ou de batatas que agricultor e a pecuarista conseguirão produzir se trabalharem 8 horas por dia produzindo um só tipo de alimento. painel (b) da Figura 1 ilustra as quantidades de carne e de batatas que agricultor consegue produzir. Se ele dedica todas as 8 horas de seu dia de trabalho ao cultivo de batatas, produz 32 kg de batatas (medidosCAPÍTULO 3 INTERDEPENDÊNCIA E GANHOS COMERCIAIS 49 Figura 1 A fronteira de possibilidades de produção painel (a) mostra as oportunidades de produção disponíveis ao agricultor e à pecuarista. painel (b) mostra as combinações de carne e batatas que agricultor pode produzir. painel (c) mostra as combinações de carne e batatas que a pecuarista pode produzir. Ambas as fronteiras de possibilidades de produção são derivadas supondo que o agricultor e a pecuarista trabalhem 8 horas por dia cada. Se não houver comércio, a fronteira de possibilidades de produção individual também é a fronteira de possibilidades de con- sumo de cada um deles. (a) Oportunidades de produção Minutos necessários Quantidade produzida para produzir 1 kg de: em 8 horas Carne Batatas Carne Batatas Agricultor 60 min/kg 15 min/kg 8 kg 32 kg Pecuarista 20 min/kg 10 min/kg 24 kg 48 kg (b) Fronteira de possibilidades de produção do agricultor (c) Fronteira de possibilidades de produção da pecuarista Carne (kg) Carne (kg) 24 Se não houver comércio, a pecuarista escolherá Se não houver esta produção e comércio, este consumo. agricultor escolherá 8 esta produção e 12 este consumo. 4 A 0 16 32 0 24 48 Batatas (kg) Batatas (kg) no eixo horizontal) e não produz carne. Se dedica todo o seu tempo à produção de carne, produz 8 kg de carne (medidos no eixo vertical) e não produz batatas. Se divide seu tempo igualmente entre as duas ativi- dades, dedicando 4 horas a cada uma, produz 16 kg de batatas e 4 kg de carne. A figura mostra os três resultados possíveis e outras possibilidades intermediárias. Esse gráfico é a fronteira de possibilidades de produção do agricultor. Como vimos no Capítulo 2, as fronteiras de possibilidades de produção representam as diversas combinações de produtos que uma eco- nomia pode produzir. Elas ilustram um dos Dez Princípios de Economia do Capítulo 1: as pessoas enfrentam tradeoffs. Aqui o agricultor enfrenta um tradeoff entre produzir carne ou batatas. Você deve se lembrar que a fronteira de possibilidades de produção apresentada no Capítulo 2 foi dese- nhada com a curvatura para fora. Nesse caso, a taxa na qual uma sociedade poderia trocar um bem por outro dependia da quantidade produzida. Aqui, entretanto, a tecnologia que um agricultor emprega para produzir carne e batatas (como mostra a Figura 1) permite a alternância entre os dois bens em proporção constante. Sempre que o agricultor gasta uma hora a menos produzindo carne e uma hora a mais produzindo batatas, ele reduz a produção de carne em 1 kg e aumenta a de batatas em 4 kg, não importa a quantidade produ- zida. Portanto, a fronteira de possibilidades de produção apresenta-se em linha reta. painel (c) da Figura 1 mostra a fronteira de possibilidades de produção da pecuarista. Se ela dedica todas as 8 horas de seu dia à produção de batatas, produz 48 kg de batatas e não produz carne. Se dedi- ca todo seu tempo à produção de carne, produz 24 kg de carne, mas não produz batatas. Se divide seu50 PARTE 1 INTRODUÇÃO Figura 2 Como comércio expande conjunto de oportunidades de consumo A proposta de comércio entre agricultor e a pecuarista oferece a cada um deles uma combinação de carne e batatas que seria impossível na ausência do comércio. No painel (a), agricultor poderá consumir equivalente ao ponto A* em vez do ponto A. No painel (b), a pecuarista poderá consumir equivalente ao ponto B* em vez do ponto comércio permite que os dois consumam mais carne e mais batatas. (a) Produção e consumo do agricultor (b) Produção e consumo da pecuarista Carne (kg) Carne (kg) 24 Produção da pecuarista com comércio Consumo da pecuarista 18 com comércio Consumo do agricultor 13 Produção e com comércio B* Produção e 8 consumo do consumo da agricultor sem 12 pecuarista A* comércio 5 sem comércio 4 A Produção do agricultor com comércio 0 32 0 12 48 16 -17 Batatas (kg) Batatas (kg) (c) Os ganhos do comércio: resumo Agricultor Pecuarista Carne Batatas Carne Batatas Sem comércio: Produção e consumo 4 kg 16 kg 12 kg 24 kg Com comércio: Produção 0 kg 32 kg 18 kg 12 kg Comércio Recebe 5 kg Dá 15 kg Dá 5 kg Recebe 15 kg Consumo 5 kg 17 kg 13 kg 27 kg GANHOS DO COMÉRCIO Aumento do consumo + kg + kg + kg + kg tempo, dedicando 4 horas a cada atividade, ela produz 24 kg de batatas e 12 kg de carne. Novamente, a fronteira de possibilidades de produção mostra todos os resultados possíveis. Se o agricultor e a pecuarista optam pela autossuficiência e não por comerciar um com o outro, cada um consome exatamente o que produz. Nesse caso, a fronteira de possibilidades de produção também repre- senta a fronteira de possibilidades de consumo. Ou seja, sem o comércio, a Figura 1 mostra as possíveis combinações de carne e batatas que o agricultor e a pecuarista podem produzir e consumir. Essas fronteiras de possibilidades de produção são úteis para demonstrar os tradeoffs que o agricultor e a pecuarista precisam enfrentar, porém elas não nos dizem o que eles efetivamente farão. Para determinar- mos suas escolhas, precisamos conhecer os gostos da pecuarista e do agricultor. Vamos supor que eles esco- lham as combinações identificadas pelos pontos A e da Figura 1: o agricultor produz e consome 16 kg de batatas e 4 kg de carne, e a pecuarista produz e consome 24 kg de batatas e 12 kg de carne.CAPÍTULO 3 INTERDEPENDÊNCIA E GANHOS COMERCIAIS 51 Especialização e comércio Depois de vários anos comendo a combinação B, a pecuarista tem uma ideia e conversa com o agricultor: PECUARISTA: Agricultor, meu amigo, tenho uma ótima proposta para fazer! Sei como podemos melhorar nossa vida. Penso que você deveria parar de criar gado e dedicar todo o seu tempo ao cul- tivo de batatas. Pelos meus cálculos, se você trabalhar 8 horas por dia cultivando batatas, produzirá 32 kg delas. Se me der 15 kg desses 32 kg de batatas, darei, em troca, 5 kg de carne. No fim das contas, você terá para comer 17 kg de batatas e 5 kg de carne por dia, em vez dos 16 kg de batatas e 4 kg de carne que tem hoje em dia. Se resolver participar do meu plano, terá mais de ambos os alimentos. (Para ilustrar seu argumento, a pecuarista mostra ao agricultor o painel (a) da Figura 2.) AGRICULTOR: (em tom cético) Parece uma boa ideia. Mas não entendo por que você está me oferecendo isso. Se o negócio é tão bom para mim, ele não pode ser bom para você também. PECUARISTA: Ah, mas é! Suponhamos que eu passe 6 horas por dia cuidando do gado e 2 horas por dia cultivando batatas. Então posso produzir 18 kg de carne e 12 kg de batatas. Depois de lhe dar 5 kg da minha carne em troca de 15 kg de suas batatas, ficarei com 13 kg de carne e 27 kg de batatas, em vez dos 12 kg de carne e 24 kg de batatas que agora produzo. Assim, também poderei consumir maior quantidade dos dois bens que atualmente produzo. (Ela aponta para o painel (b) da Figura 2.) AGRICULTOR: Não sei... Isso parece muito bom para ser verdade. PECUARISTA: Não é tão complicado quanto pode parecer à primeira vista. Veja, resumi minha proposta em uma tabela bem simples. (A pecuarista mostra ao agricultor uma cópia da tabela da Figura 2.) AGRICULTOR: (depois de uma pausa para estudar a tabela) Os cálculos parecem estar certos, mas estou confuso. Como esse negócio pode ser bom para nós dois? PECUARISTA: Nós dois nos beneficiamos porque o comércio permitirá que a gente se especialize no que fazemos melhor. Você vai passar mais tempo cultivando batatas e menos cuidando do gado. Vou passar mais tempo cuidando do gado e menos cultivando batatas. resultado dessa especialização e do comércio é que cada um de nós poderá consumir mais carne e mais batatas sem precisar trabalhar um maior número de horas. TESTE RÁPIDO Represente graficamente a fronteira de possibilidades de produção de Robinson Crusoé, um náufrago que passava seu tempo colhendo e pescando. Essa fronteira limitará consumo de e peixes se ele continuar a viver por si só? Ele estará sujeito aos mesmos limites se puder comerciar com os nati- vos da ilha? VANTAGEM COMPARATIVA: A FORÇA MOTRIZ DA ESPECIALIZAÇÃO A explicação que a pecuarista ofereceu sobre os ganhos do comércio, embora correta, contém um enigma. Se ela é melhor tanto na produção de carne quanto na produção de batatas, como 0 agricultor pode se especializar naquilo que faz melhor? Ele não parece estar fazendo alguma coisa melhor. Para resolver esse enigma, precisamos estudar o princípio da vantagem comparativa. primeiro passo para desenvolver esse princípio é pensar na seguinte pergunta: em nosso exemplo, quem pode produzir batatas ao menor custo o agricultor ou a pecuarista? Há duas respostas possíveis, e nelas está a solução do nosso problema e a chave para entender os ganhos do comércio.52 PARTE 1 INTRODUÇÃO Vantagem absoluta Uma maneira de responder à questão sobre o custo da produção de batatas é comparar os insumos neces- sários para os dois produtores. Os economistas usam a expressão vantagem absoluta quando comparam a produtividade de uma pessoa, empresa ou nação com a de outra. Diz-se que o produ- vantagem absoluta tor que precisa de uma quantidade menor de insumos para produzir um bem tem uma habilidade para vantagem absoluta na produção desse bem. produzir um bem Em nosso exemplo, tempo é o único insumo, assim podemos determinar a vanta- empregando menor gem absoluta avaliando quanto tempo cada tipo de produção exige. A pecuarista tem quantidade de vantagem absoluta na produção tanto de carne quanto de batatas porque precisa de insumos que outro menos tempo que o agricultor para produzir uma unidade de qualquer um dos dois produtor alimentos. Ela precisa de apenas 20 minutos para produzir 1 kg de carne, enquanto o agricultor necessita de 60 minutos. Da mesma forma, a pecuarista precisa de apenas 10 minutos para produzir 1 kg de batatas, enquanto o agricultor, 15 minutos. Com base nessas informações, podemos concluir que a pecuarista terá o menor custo de produção de batatas se medirmos o custo no que se refere a quantidade de insumos. Custo de oportunidade e vantagem comparativa Há outra maneira de analisar o custo da produção de batatas. Em vez de compararmos insumos neces- sários, podemos comparar os custos de oportunidade. Lembre-se de que, como vimos no Capítulo 1, o custo de oportunidade de uma coisa é aquilo de que abrimos mão para obtê-la. Em nosso custo de exemplo, adotamos a premissa de que o agricultor e a pecuarista passam 8 horas por oportunidade dia trabalhando. Assim, o tempo gasto com o cultivo de batatas reduz o tempo dispo- aquilo de que devemos nível para produzir carne. Ao realocarem o tempo entre a produção dos dois bens, o abrir mão para obter agricultor e a pecuarista abrem mão de unidades de um bem para produzir unidades algum item do outro, portanto, movem-se ao longo da fronteira de possibilidades de produção. custo de oportunidade mede o tradeoff entre os dois bens que cada produtor enfrenta. Vamos considerar, primeiro, o custo de oportunidade da pecuarista. De acordo com a tabela no painel (a) da Figura 1, produzir 1 kg de batatas lhe toma 10 minutos de trabalho. Quando a pecuarista gasta 10 minu- tos produzindo batatas, tem 10 minutos a menos para produzir carne. Como ela precisa de 20 minutos para produzir 1 kg de carne, 10 minutos de trabalho renderiam 1/2 kg de carne. Para a pecuarista, custo de oportunidade da produção de 1 kg de batatas é de 1/2 kg de carne. Vamos considerar, agora, o custo de oportunidade do agricultor. Produzir 1 kg de batatas toma 15 minutos de seu tempo. Como precisa de 60 minutos para produzir 1 kg de carne, 15 minutos de trabalho renderiam a ele 1/4 kg de carne. Dessa forma, custo de oportunidade de 1 kg de batatas para o agricultor é de 1/4 kg de carne. A Tabela 1 mostra os custos de oportunidade da carne e das batatas para os dois produtores. Observe que o custo de oportunidade da carne é o inverso do custo de oportunidade das batatas. Como 1 kg de batatas custa à pecuarista 1/2 kg de carne, 1 kg de carne custa 2 kg de batatas. Da mesma forma, como 1 kg de batatas custa ao agricultor 1/4 kg de carne, 1 kg de carne custa a ela 4 kg de batatas. Os economistas usam a expressão vantagem comparativa para descrever custo de oportunidade de dois produtores. produtor que abre mão de menor quantidade vantagem de outros bens para produzir o bem X tem menor custo de oportunidade de produção comparativa desse bem e, portanto, desfruta de uma vantagem comparativa na sua produção. Em habilidade para nosso exemplo, o agricultor tem um custo de oportunidade menor por produzir batatas produzir um bem com menor custo de que a pecuarista: 1 kg de batatas custa ao agricultor apenas 1/4 kg de carne, enquanto oportunidade que o custo da pecuarista é 1/2 kg de carne. Inversamente, a pecuarista tem menor custo outro produtor de oportunidade na produção de carne que agricultor: 1 kg de carne custa para a pecuarista 2 kg de batatas, ao passo que 1 kg de carne custa ao agricultor 4 kg de bata-CAPÍTULO 3 INTERDEPENDÊNCIA E GANHOS COMERCIAIS 53 Custo de oportunidade TABELA 1 1 kg de carne 1 kg de batatas Custo de oportunidade da Agricultor 4 kg de batatas 1/4 kg de carne carne e das batatas Pecuarista 2 kg de batatas 1/2 kg de carne tas. Assim, o agricultor tem uma vantagem comparativa na produção de batatas e a pecuarista tem uma vantagem comparativa na produção de carne. Embora seja possível uma pessoa ter vantagem absoluta nos dois bens (como é o caso da pecuarista em nosso exemplo), é impossível que uma pessoa tenha vantagem comparativa nos dois bens. Como o custo de oportunidade de um bem é o inverso do custo de oportunidade do outro, se o custo de oportunidade de uma pessoa para um bem é relativamente elevado, seu custo de oportunidade para o outro bem tem de ser relativamente baixo. A vantagem comparativa reflete custo de oportunidade relativo. A menos que duas pessoas tenham exatamente mesmo custo de oportunidade, uma delas terá vantagem comparativa em um bem e a outra terá vantagem comparativa no outro bem. Vantagem comparativa e comércio Os ganhos resultantes da especialização e do comércio baseiam-se não só na vantagem absoluta, mas também na vantagem comparativa. Quando cada pessoa se especializa na produção do bem no qual tem vantagem comparativa, a produção total da economia aumenta. Esse aumento do bolo econômico pode ser utilizado para melhorar a situação de todos. Em nosso exemplo, o agricultor passa mais tempo cultivando batatas e a pecuarista produzindo carne. Como resultado, a produção total de batatas aumenta de 40 kg para 44 kg, e a produção total de carne aumenta de 16 kg para 18 kg. agricultor e a pecuarista dividem benefícios do aumento da produção. Também podemos observar ganhos resultantes do comércio no que se refere ao preço que um paga ao outro. Como o agricultor e a pecuarista têm custos de oportunidades diferentes, dois conseguiram uma pechincha. Ou seja, cada um deles se beneficia com o comércio ao obter um bem por um preço menor que o custo de oportunidade de cada um deles. Vamos considerar a transação proposta do ponto de vista do agricultor. Ele recebe 5 kg de carne em troca de 15 kg de batatas. Ou seja, compra 1 kg de carne pelo preço de 3 kg de batatas. Esse preço da carne é inferior a seu custo de oportunidade para 1 kg de carne, que é de 4 kg de batatas. Com isso, o agricultor se beneficia com a transação porque obtém carne a um bom preço. Agora vamos considerar o negócio do ponto de vista da pecuarista. Ela compra 15 kg de batatas ao preço de 5 kg de carne. Ou seja, preço das batatas é de 1/3 kg de carne. Esse preço pelas batatas é inferior a seu custo de oportunidade de 1 kg de batatas, qual é 1/2 kg de carne. A pecuarista se beneficia porque compra batatas por um bom preço. A moral da história do agricultor e da pecuarista agora deve estar clara, quer dizer, comércio pode bene- ficiar todos membros da sociedade porque permite que as pessoas se especializem em atividades nas quais têm uma vantagem comparativa. preço do comércio princípio da vantagem comparativa estabelece que existem ganhos resultantes da especialização e do comércio, contudo algumas perguntas ficam sem resposta: o que determina o preço de comercialização desses bens? De que modo os ganhos resultantes são divididos entre as partes? A resposta exata a essas54 PARTE 1 INTRODUÇÃO perguntas está além do escopo deste capítulo, mas podemos fornecer uma regra geral: para que ambas as partes tenham ganhos, preço da comercialização deve ficar entre custos de oportunidade. No exemplo dado, o agricultor e a pecuarista concordam em negociar a uma taxa de 3 kg de batatas por 1 kg de carne. Esse preço está entre o custo de oportunidade da pecuarista (2 kg de batatas por 1 kg de carne) e o custo de oportunidade do agricultor (4 kg de batatas por 1 kg de carne). preço não precisa estar exatamente no meio para que as duas partes se beneficiem, mas deverá estar entre 2 e 4. Para entender por que o preço precisa se manter nesse nível, considere o que aconteceria se o preço não se mantivesse. Se o preço da carne fosse menos que 2 kg de batatas, tanto a pecuarista quanto o agricultor desejariam comprar carne, pois o preço estaria abaixo do custo de oportunidade de cada um. Da mesma forma, se o preço da carne fosse maior que 4 kg de batatas, os dois prefeririam vender carne, pois o preço estaria acima do custo de oportunidade de cada um. Entretanto, essa economia tem apenas dois membros. Ambos não podem ser compradores de carne, tampouco vendedores. Alguém precisa assumir o outro lado da transação. Um comércio mutuamente vantajoso pode ser estabelecido a um preço entre 2 e 4. Nessa restrição, a pecuarista deseja vender carne para comprar batatas, e o agricultor deseja vender batatas para comprar carne. Cada uma das partes pode comprar um bem por um preço menor que seu custo de oportunidade. Por fim, cada um se especializa na produção do bem que apresenta vantagem comparativa e, consequente- mente, ambos se beneficiam. Saiba mais sobre... LEGADO DE ADAM SMITH E DAVID RICARDO Há tempos economistas entendem benefícios que comércio pio da vantagem comparativa como hoje conhecemos. Ele utili- proporciona. Eis argumento do grande economista Adam Smith: zou um exemplo com dois bens (vinho e tecido) e dois países (Inglaterra e Portugal) para mostrar que ambos países podem se A máxima que todo chefe de família prudente deve seguir é nunca beneficiar com a abertura do comércio e se especializar com base tentar fazer em casa que lhe custará mais caro fazer do que com- na vantagem comparativa. prar. alfaiate não tenta produzir seus próprios sapatos, mas A teoria de David Ricardo marca início da moderna economia compra do sapateiro. sapateiro não tenta confeccionar suas internacional, mas sua defesa do livre comércio não foi um mero próprias roupas, mas as compra do alfaiate. 0 fazendeiro não tenta exercício acadêmico. Ele utilizou suas teorias na qualidade de mem- fazer nem um nem outro, mas se vale desses artesãos. Todos cons- bro do Parlamento britânico, em que fez oposição às Leis dos tatam que é mais interessante usar suas capacidades naquilo em Cereais, que restringiam a importação destes. que têm vantagem sobre seus vizinhos e comprar, com parte do As conclusões de Adam Smith e David Ricardo sobre ganhos resultado de suas atividades ou, que vem a dar no mesmo, com do comércio se sustentaram ao longo do tempo. Embora econo- preço de parte delas, aquilo de que venham a precisar. mistas muitas vezes divirjam em questões de política econômica, estão unidos no apoio ao livre comércio. Ademais, argumento Essa citação é do livro de Adam Smith A riqueza das nações, central em favor do livre comércio não mudou muito nos dois últi- publicado em 1776 e considerado um marco na análise do comér- mos séculos. Embora campo da economia tenha ampliado seu cio e da interdependência econômica. alcance e as teorias tenham sido refinadas desde tempos de livro de Smith inspirou David Ricardo, um corretor de valores Smith e Ricardo, a oposição dos economistas às restrições ao milionário, a se tornar economista. Em seu livro de 1817, Princípios comércio ainda são baseadas, em grande parte, no princípio da de economia política e de tributação, Ricardo desenvolveu 0 princí- vantagem comparativa.CAPÍTULO 3 INTERDEPENDÊNCIA E GANHOS COMERCIAIS 55 TESTE RÁPIDO Robinson Crusoé pode colher 10 ou pescar 1 peixe por hora. Seu amigo Sexta-Feira pode colher 30 ou pescar 2 peixes por hora. Qual é o custo de oportunidade de pescar 1 peixe para Robinson Crusoé? E para Sexta-Feira? Quem tem vantagem absoluta na pesca? E quem tem vantagem comparativa? APLICAÇÕES DA VANTAGEM COMPARATIVA princípio da vantagem comparativa explica a interdependência e os ganhos do comércio. Como a inter- dependência prevalece no mundo de hoje, o princípio da vantagem comparativa tem muitas aplicações. Vamos apresentar aqui dois exemplos, um imaginário e outro de grande importância prática. Tom Brady deve cortar seu próprio gramado? Tom Brady passa bastante tempo andando em gramados. Um dos mais talentosos jogadores de futebol americano de todos tempos é capaz de arremessar uma bola com uma velocidade e precisão com as quais os atletas mais casuais podem apenas sonhar. E é muito provável que ele também seja talentoso em outras atividades físicas. Vamos imaginar, por exemplo, que Brady consiga aparar seu gramado mais rápido que qualquer outra pessoa. Mas será que o simples fato de ele ser capaz desse feito significa que deva fazê-lo? Para respondermos a essa pergunta, podemos usar conceitos de custo de oportunidade e de vantagem comparativa. Digamos que ele consiga cortar a grama em 2 horas. Nesse mesmo tempo, ele poderia par- ticipar de um comercial de TV e ganhar $ 20 mil. Por sua vez, o garoto da casa vizinha, Forrest Gump, consegue cortar o mesmo o gramado em 4 horas. Ele poderia passar as mesmas 4 horas trabalhando no McDonald's e ganhar $ 40. Nesse exemplo, Brady desfruta de vantagem absoluta para cortar a grama porque consegue fazer o serviço em menos tempo. Entretanto, como o custo de oportunidade de Brady para cortar grama é de $ 20 mil e custo de oportunidade de Gump é de apenas 40, Gump tem a vantagem comparativa para cortar a grama. Nesse caso, os ganhos do comércio são enormes. Em vez de aparar seu próprio gramado, Brady deveria participar do comercial e contratar Gump para cortar a grama. Desde que Brady pague a Gump mais de $ 40 e menos de $ 20 mil, os dois sairão ganhando. Os Estados Unidos devem comerciar com outros países? Assim como as pessoas podem se beneficiar da especialização e do comércio entre si, como no caso do agricultor e da pecuarista, as populações de diferentes países também podem. Muitos dos bens de que os norte-americanos desfrutam são produzidos no exterior e muitos dos bens produzidos nos Estados Unidos são vendidos a países estrangeiros. Os bens pro- importações bens produzidos no duzidos no exterior e vendidos internamente são chamados importações. Os bens exterior e vendidos produzidos internamente e vendidos no exterior são chamados exportações. internamente Para entender como os países podem se beneficiar do comércio, suponhamos que haja dois países os Estados Unidos e o Japão e dois bens alimentos e carros. Imaginemos que os dois países produzam carros igualmente bem: cada trabalhador, exportações norte-americano ou japonês, consegue produzir um carro por mês. Em contrapartida, bens produzidos como Estados Unidos têm mais terra e de melhor qualidade, são melhores na produ- internamente e ção de alimentos: um trabalhador norte-americano consegue produzir duas toneladas vendidos no exterior de alimento por mês, enquanto um trabalhador japonês pode produzir apenas uma. princípio da vantagem comparativa afirma que cada bem deve ser produzido pelo país que tem o menor custo de oportunidade para produzi-lo. Como o custo de oportunidade de um carro é de duas toneladas de alimentos nos Estados Unidos e de apenas uma tonelada de alimentos no Japão, este56 PARTE 1 INTRODUÇÃO desfruta de uma vantagem comparativa na produção de carros. Assim, o Japão deveria produzir mais carros do que precisa para consumo interno e exportar parte da produção para os Estados Unidos. Da mesma forma, como o custo de oportunidade de uma tonelada de alimentos é de um carro no Japão, mas de apenas 1/2 carro nos Estados Unidos, este país tem uma vantagem comparativa na produção de alimentos. Os Estados Unidos deveriam, assim, produzir mais alimentos do que necessitam para consumo e exportar parte da produção para o Japão. Por meio da especialização e do comércio, os dois países podem ter mais comida e mais carros. É claro que, no mundo real, as questões envolvidas no comércio entre as nações são mais complexas do que sugere esse exemplo. Uma das questões mais importantes é fato de que cada país tem muitos cidadãos com interesses diferentes. O comércio internacional pode piorar a situação para algumas dessas pessoas, embora seja benéfico para o país como um todo. Quando Estados Unidos exportam alimentos e impor- tam carros, o impacto sobre os fazendeiros norte-americanos é diferente do impacto sobre os trabalhadores da indústria automobilística norte-americana. Mas, ao contrário das opiniões proferidas por políticos e comentaristas políticos, o comércio internacional não é uma guerra em que alguns países ganham e outros perdem. comércio permite que todos os países atinjam maior prosperidade. Notícias AS MUDANÇAS NO COMÉRCIO INTERNACIONAL Há dez anos, ninguém perguntaria que país tinha vantagem comparativa para matar ogros. Mas a tecnologia muda rapidamente bens e serviços que são negociados entre países. Precisa matar ogros? Terceirize para alcançar estágios mais avançados de por chefes que equipam com computa- para os chineses um jogo, pagam aos jovens chineses para dores, programas e conexões à internet para Por David Barboza passar pelos estágios iniciais por eles. rastrear gigantes, gnomos e ogros. "Por 12 horas por dia, 7 dias na semana, À medida que avançam no jogo, acu- Fuzhou, China Uma das mais novas "fábri- meus colegas e eu matamos monstros", dis- mulam moeda virtual que tem valor para cas" na China opera no porão de um antigo se um jovem de 23 anos que trabalha nessa jogadores em todo mundo. Os jogos armazém. Há cartazes dos jogos World of fábrica de substitutos temporários de joga- permitem que participantes negociem Warcraft e Magic Land pendurados nas dores cujo apelido on-line é Wandering. entre então podem usar valor acu- paredes, e um grupo de jovens, com olhos "Ganho quase $ 250 por mês, que é muito mulado para comprar couraças, amuletos, grudados na tela do computador, joga em bom, comparando com outros trabalhos feitiços e outros equipamentos melhores busca de recompensas. que já tive. E eu posso jogar dia todo." para alcançar níveis mais altos ou criar As pessoas que trabalham nesse local Ele e OS colegas criaram outro novo personagens mais poderosos. clandestino são "caçadores de ouro". Todo negócio com mão de obra barata chinesa. A internet está repleta de propagandas dia, em turnos de 12 horas, elas "brincam" Estão entrando no mundo crescente de de pequenas empresas, muitas na China, com jogos de computador, matando mons- "jogos on-line de múltiplos jogadores", que leiloando personagens poderosos, chama- tros e vencendo batalhas, recolhendo moe- envolvem RPG (desempenho de um papel dos avatares, por dinheiro real. [...] das de ouro artificiais e outros bens como no jogo) e, geralmente, recriam fantasias ou "Não dá para imaginar tamanho des- recompensa que, então, podem ser troca- guerras em reinos medievais ou galáxias se mercado", diz Chen Yu, de 27 anos, que dos por moedas verdadeiras. distantes. [...] emprega 20 jogadores em tempo integral, Isso acontece porque, de Seul a São Para chineses, esse tipo de "fábrica" em Fuzhou. "Segundo eles, 40% ou 50% Francisco, aqueles que gostam de jogar nem sempre significa diversão. Esses trabalha- dos jogadores são, na verdade, agricultores on-line, mas não têm tempo nem paciência dores têm cotas rígidas e são supervisionados chineses." Fonte: New York Times, 9 dez. 2005.CAPÍTULO 3 INTERDEPENDÊNCIA E GANHOS COMERCIAIS 57 TESTE RÁPIDO Suponhamos que um neurocirurgião habilíssimo seja, por acaso, digitador mais rápido do mundo. Ele deve digitar seus próprios trabalhos ou contratar uma secretária? Explique. CONCLUSÃO Você deve agora entender benefícios de viver em uma economia interdependente. Quando o povo norte- -americano compra meias da China, quando habitantes do Maine tomam suco de laranja da Flórida e, quando alguém contrata o filho do vizinho para cortar a grama, as mesmas forças econômicas estão em ação. princípio da vantagem comparativa mostra que o comércio pode beneficiar a todos. Depois de entender por que a interdependência é desejável, você talvez esteja se perguntando como isso é possível. Como as sociedades livres coordenam as diversas atividades de todas as pessoas envolvidas em suas economias? que garante que os bens e serviços vão dos que os produzem para os que os deveriam consumir? Em um mundo com apenas duas pessoas, como a pecuarista e o agricultor, a resposta é simples: elas podem negociar diretamente e alocar recursos entre si. No mundo real, com bilhões de pessoas, a res- posta não é tão óbvia. Abordaremos essa questão no próximo capítulo, no qual veremos que as sociedades livres alocam recursos por meio das forças de mercado da oferta e da demanda. RESUMO Cada pessoa consome bens e serviços produzidos custo de oportunidade na produção de um dos bens por muitas outras pessoas tanto no mesmo país tem uma vantagem comparativa. Os ganhos do co- quanto no mundo todo. A interdependência e o mércio se baseiam na vantagem comparativa, não na comércio são desejáveis porque permitem que cada vantagem absoluta. um deles possa desfrutar de uma maior quantidade e O comércio beneficia todas as pessoas porque per- variedade de bens e serviços. mite que elas se especializem nas atividades em que Há duas maneiras de comparar a capacidade que tenham vantagem comparativa. duas pessoas têm de produzir um mesmo bem. Diz-se princípio da vantagem comparativa se aplica tanto que a pessoa que produz o bem com menor quanti- aos países quanto às pessoas. Os economistas usam dade de insumos tem vantagem absoluta na produção o princípio da vantagem comparativa para defender desse bem. Diz-se que a pessoa que tem o menor o livre comércio entre países. CONCEITOS-CHAVE vantagem absoluta, p. 52 exportações, p. 55 custo de oportunidade, p. 52 importações, p. 55 vantagem comparativa, p. 52 QUESTÕES PARA REVISÃO 1. Em que condições a fronteira de possibilidades de 5. Se duas partes comerciarem com base na vanta- produção é linear, e não curva? gem comparativa e ambas ganharem, em que faixa 2. Explique a diferença entre vantagem absoluta e o preço comercial deverá estar? vantagem comparativa. 6. As nações tendem a importar ou exportar bens 3. Dê um exemplo em que uma pessoa tenha vanta- em relação aos quais têm vantagem comparativa? gem absoluta em alguma atividade, enquanto ou- Explique. tra pessoa tem vantagem comparativa. 7. As nações tendem a importar ou exportar os 4. que é mais importante para o comércio: a bens em relação aos quais têm vantagem absoluta? vantagem absoluta ou a comparativa? Explique Explique. seu raciocínio usando 0 exemplo da resposta à 8. Por que economistas se opõem a políticas que questão 3. restrinjam o comércio entre as nações?58 PARTE 1 INTRODUÇÃO PROBLEMAS E APLICAÇÕES 1. Maria pode ler 20 páginas sobre economia em 4. Suponhamos que haja 10 milhões de trabalhadores 1 hora e 50 páginas sobre sociologia em 1 hora. Ela no Canadá e que cada um deles possa produzir passa 5 horas por dia estudando. 2 carros ou 30 toneladas de trigo por ano. a. Represente a fronteira de possibilidades de pro- a. Qual é o custo de oportunidade da produção de dução de Maria para leitura de economia e de um carro no Canadá? E qual é o custo de opor- sociologia. tunidade da produção de uma tonelada de trigo? b. Qual é o custo de oportunidade, para Maria, da Explique a relação entre o custo de oportunida- leitura de 100 páginas de sociologia? de desses dois bens. 2. Os trabalhadores norte-americanos e japoneses b. Represente a fronteira de possibilidades de conseguem produzir, cada um, 4 carros por ano. produção do Canadá. Se país escolher con- Um trabalhador norte-americano consegue produ- sumir 10 milhões de carros, quantas toneladas zir 10 toneladas de grãos por ano, enquanto um de trigo poderá consumir sem comerciar? In- japonês produz 5 toneladas de grãos por ano. Para dique esse ponto na fronteira de possibilidades simplificar, considere que cada país tem 100 mi- de produção. lhões de trabalhadores. C. Suponha, agora, que os Estados Unidos se propo- a. Para essa situação, construa uma tabela seme- nham a comprar 10 milhões de carros do Canadá lhante à tabela da Figura 1. em troca de 20 toneladas de trigo por carro. Se o b. Faça o gráfico da fronteira de possibilidades de Canadá continuar a consumir 10 milhões de car- produção das economias norte-americana e ros, quanto trigo o país poderá consumir a partir japonesa. da negociação? Indique esse ponto no seu dia- C. Para os Estados Unidos, qual é custo de opor- grama. O Canadá deve fechar o negócio? tunidade de um carro? E de grãos? Para o Japão, 5. A Inglaterra e a Escócia produzem bolinhos e sué- qual é o custo de oportunidade de um carro? E de teres. Suponha que um trabalhador inglês possa grãos? Faça uma tabela semelhante à Tabela 1. produzir 50 bolinhos ou 1 suéter por hora e que d. Qual dos dois países tem vantagem absoluta na um trabalhador escocês possa produzir 40 boli- produção de carros? E na produção de grãos? nhos ou 2 suéteres por hora. e. Qual dos dois países tem vantagem comparativa a. Qual dos dois países tem vantagem absoluta na na produção de carros? E na produção de grãos? produção de cada bem? E qual dos dois países f. Sem o comércio, metade dos trabalhadores de tem vantagem comparativa? cada país produz carros e a outra metade pro- b. Se a Inglaterra e a Escócia decidirem comerciar, duz grãos. Qual é a quantidade de carros e grãos que mercadoria a Escócia venderia para a Ingla- produzida por país? terra? Explique. g. A partir de uma posição sem comércio, apresen- C. Se um trabalhador escocês produzisse somente te um exemplo em que comércio melhore as 1 suéter por hora, a Escócia ainda poderia lucrar condições de cada país. com o comércio? E a Inglaterra? Explique. 3. Pat e Kris são colegas de quarto. Eles passam a 6. A tabela a seguir descreve as possibilidades de maior parte do tempo estudando (claro), mas produção de duas cidades na Beisebolândia: sempre têm um tempinho para suas atividades favoritas: fazer pizza e cerveja. Pat leva 4 horas para Pares de meias vermelhas Pares de meias brancas fazer 1 litro de cerveja e 2 horas para fazer uma por trabalhador por hora por trabalhador por hora pizza. Kris leva 6 horas para fazer 1 litro de cerveja e Boston 4 2 4 horas para fazer uma pizza. a. Qual é o custo de oportunidade de cada um Chicago 2 1 para fazer uma pizza? Quem tem vantagem absoluta na fabricação de pizza? Quem tem a. Na ausência de comércio, qual seria o preço das vantagem comparativa? meias brancas (em termos de meias vermelhas) b. Se Pat e Kris comerciarem, quem produzirá em Boston? E em Chicago? pizza para trocar por cerveja? b. Qual das duas cidades tem vantagem absoluta C. preço de uma pizza pode ser expresso por na produção das meias de cada cor? Qual delas litros de cerveja. Qual é maior preço pelo qual tem a vantagem comparativa na produção das a pizza pode ser trocada, de modo que ambos meias de cada cor? fiquem satisfeitos? Qual é preço mais baixo? C. Essas cidades comerciarão meias entre si? Explique. Explique.CAPÍTULO 3 INTERDEPENDÊNCIA E GANHOS COMERCIAIS 59 d. Suponha que os trabalhadores tornem-se ainda C. "Se uma determinada transação comercial é boa mais produtivos em Boston de tal forma que um para uma pessoa, não pode ser boa para a outra." trabalhador em Boston possa, agora, produzir 6 d. "Se uma determinada transação comercial é boa pares de meias vermelhas por hora e 3 pares de para uma pessoa, sempre será boa para a outra." meias brancas. Como essas informações afetam e. "Se o comércio é bom para um país, deve ser as respostas às questões anteriores? Explique. bom para todos nesse país." 7. Suponha que, em um ano, um trabalhador norte- 10. Os Estados Unidos exportam milho e aeronaves -americano produza 100 camisetas ou 20 compu- para o restante do mundo e importam petróleo e tadores, enquanto um trabalhador chinês produz roupas do restante do mundo. Você acredita que 100 camisetas ou 10 computadores. esse padrão de comércio está de acordo com o a. Faça o gráfico da curva de possibilidades de pro- princípio da vantagem comparativa? Justifique. dução para dois países. Suponha que, sem 11. Bill e Hillary produzem alimento e roupas. Em comércio, os trabalhadores em cada país passem 1 hora, Bill pode produzir 1 unidade de alimento e metade do tempo produzindo cada bem. Iden- 1 unidade de roupa, enquanto Hillary pode produ- tifique este ponto no gráfico. zir 2 unidades de alimento ou 3 unidades de roupa. b. Se esses países tivessem abertura comercial, qual Cada um deles trabalha 10 horas por dia. deles exportaria camisetas? Dê um exemplo nu- a. Quem tem uma vantagem absoluta na produ- mérico específico e mostre-o no gráfico. Que ção de alimento? Quem tem uma vantagem país se beneficiaria com o comércio? Explique. absoluta na produção de roupas? Explique. C. Com que preço por computador (em termos de b. Quem tem uma vantagem comparativa na pro- camisetas) os dois países poderiam comerciar? dução de alimento? Quem tem uma vantagem Explique. comparativa na produção de roupas? Explique. d. Suponha que a China iguale a produtividade C. Represente a fronteira de possibilidades de pro- norte-americana, de modo que um trabalhador dução para a família (isto é, Bill e Hillary juntos) chinês produza 100 camisetas ou 20 computa- supondo que cada um deles passe o mesmo dores. Que padrão de comércio pode ser previs- número de horas por dia que o outro produzin- to? De que modo o avanço na produtividade do alimento e roupas. chinesa afeta o bem-estar econômico dos cida- d. Hillary sugere que, em vez disso, ela se especia- dãos dos dois países? lize na confecção de roupas. Ou seja, ela fará 8. Um trabalhador médio do Brasil produz 30 gramas toda a produção de roupas para a família; de soja em 20 minutos e 30 gramas de café em 60 contudo, se todo o seu tempo for dedicado às minutos, enquanto um trabalhador médio no Peru roupas e eles ainda quiserem mais, então Bill produz 30 gramas de soja em 50 minutos e 30 gra- poderá ajudar com sua produção. Com base mas de café em 75 minutos. nessa proposta, como ficará a fronteira de pos- a. Quem tem vantagem absoluta na produção de sibilidades de produção da família? café? Explique. e. Bill sugere que Hillary se especialize na pro- b. Quem tem vantagem comparativa na produção dução de alimento. Ou seja, Hillary fará toda a de café? Explique. produção de alimento para a família; contudo, C. Se os dois países se especializarem e negocia- se todo o seu tempo for dedicado ao alimento e rem entre si, quem importará café? Explique. eles ainda quiserem mais, então Bill poderá aju- d. Suponha que os dois países negociem e que o dar com a produção deste. Como base nessa país que importa café troque 60 gramas de soja proposta, como ficará a fronteira de possibilida- por 30 gramas de café. Explique por que os dois des de produção da família? países se beneficiam com esse comércio. f. Compare as respostas dadas aos itens d e e. 9. As afirmações a seguir são verdadeiras ou falsas? Que alocação de tempo faz mais sentido? Explique suas respostas em cada caso. Relacione sua resposta à teoria da vantagem a. "Dois países podem obter ganhos de comércio comparativa. mesmo que um deles tenha vantagem absoluta 12. As possibilidades de ganho são maiores entre paí- na produção de todos os bens." ses de níveis semelhantes de desenvolvimento ou b. "Certas pessoas muito talentosas têm vantagem entre países de níveis diferentes de desenvolvi- comparativa em tudo que fazem." mento? Explique.