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Prévia do material em texto

Doenças Ocupacionais
Material Teórico
Responsável pelo Conteúdo:
Prof.ª Dr.ª Solange de Fátima Azevedo Dias
Revisão Textual:
Prof. Esp. Kelciane da Rocha
Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
• Como Prevenir Doenças Ocupacionais e Ergonômicas;
• Como Evitar Doenças Ocupacionais.
 · Conhecer as vias de penetração e como se proteger das doenças 
ocupacionais;
 · Prevenir as doenças ocupacionais e as doenças Ergonômicas;
 · Conhecer as formas de proteção para evitar as doenças ocupacionais.
OBJETIVO DE APRENDIZADO
Como evitar Doenças Ocupacionais
e Ergonômicas
Orientações de estudo
Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem 
aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua 
formação acadêmica e atuação profissional, siga 
algumas recomendações básicas: 
Assim:
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e 
horário fixos como seu “momento do estudo”;
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo;
No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos 
e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você 
também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão 
sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados;
Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus-
são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o 
contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e 
de aprendizagem.
Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte 
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Mantenha o foco! 
Evite se distrair com 
as redes sociais.
Determine um 
horário fixo 
para estudar.
Aproveite as 
indicações 
de Material 
Complementar.
Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma 
Não se esqueça 
de se alimentar 
e de se manter 
hidratado.
Aproveite as 
Conserve seu 
material e local de 
estudos sempre 
organizados.
Procure manter 
contato com seus 
colegas e tutores 
para trocar ideias! 
Isso amplia a 
aprendizagem.
Seja original! 
Nunca plagie 
trabalhos.
UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
Como Prevenir Doenças Ocupacionais 
e Ergonômicas
A doença ocupacional ou profissional perante a lei está definida no artigo 
20, I, da Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991 como a enfermidade produzida 
ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e 
constante da relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. 
A Lei acidentária de 1919 a denominava de “moléstia contraída exclusivamente 
pelo exercício do trabalho”. Depois, em 1967, foi chamada de “Doenças do 
trabalho”, e a Lei atual, de 1991, a considera acidente de trabalho.
Estas doenças profissionais, conhecidas ainda com o nome de “idiopatias”, 
“ergopatias”, “tecnopatias” ou “doenças profissionais típicas”, são produzidas 
ou desencadeadas pelo exercício profissional, ou seja, são doenças que decorrem 
necessariamente do exercício de uma profissão.
- 1991- Lei 8231/91: artigo 20. Consideram-se acidentes do trabalho, 
nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades mórbidas: I- Doença 
Profissional, já definida acima e II- Doença Ocupacional como aquela 
adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que 
o trabalho é realizado e com ele se relaciona diretamente, constante da 
relação mencionada no inciso I.
De qualquer forma, elas precisam de comprovação de nexo de causalidade com 
o trabalho e uma relação de sua tipicidade, presumindo-se, por lei, que decorrem 
de determinado trabalho. As doenças ocupacionais podem ocorrer por fatores 
relacionados ao trabalho. Muitas vezes essas doenças se manifestam devido à 
exposição inadequada a agentes químicos, radioativos e/ou às más condições 
oferecidas no ambiente laboral.
Tais doenças podem ser causadas por micro traumas, que cotidianamente 
podem agredir e tornar as defesas orgânicas insuficientes, e por efeito cumulativo, 
causar problemas mais sérios à saúde do trabalhador. Para ser considerada uma 
doença ocupacional, tem que estar vinculada diretamente ou indiretamente à 
função exercida pelo trabalhador.
No Brasil e no mundo cresce o número de profissionais com problemas de 
saúde devido ao trabalho que executam. Para esta estatística decrescer, a palavra 
de ordem é “prevenir”. A prevenção é a melhor saída para o problema, por isso 
a empresa deve se preocupar em usar todos os canais de comunicação com o 
trabalhador para alertá-lo sobre a importância de seguir as normas de segurança, 
com uso dos equipamentos e postura adequada para o ambiente laboral.
8
9
Além do trabalhador exercer suas atividades profissionais a contento da empresa, 
precisa conhecer formas de evitar as doenças ocupacionais/ ergonômicas para 
reduzir os riscos de enfermidades, aumentar a produtividade e reduzir os possíveis 
acidentes. O trabalhador precisa saber dosar a quantidade de trabalho e os exercícios 
e atividades de lazer para evitar problemas de saúde.
O descanso também é fundamental para que o trabalhador não desenvolva 
transtornos físicos e mentais por excesso de trabalho. E a empresa precisa saber 
organizar um programa de repouso para que ele recupere as energias. O cansaço 
não só gera doenças psicológicas e por esforço repetitivo, como aumenta muito o 
risco de acidentes de trabalho. As doenças psicológicas também estão no ranking 
de afastamento de trabalhadores de escritório, administração, educação, saúde, 
tecnologia, limpeza, esportes e outros.
Cabe à empresa definir e implantar ações que visem tornar o ambiente de 
trabalho um local mais seguro, produtivo e menos competitivo. O local de trabalho 
é onde a maioria das pessoas passa a maior parte do seu tempo, desse modo o 
ambiente de trabalho irá refletir diretamente sobre a personalidade do indivíduo.
Com isso, as empresas precisam estar atentas ao ambiente organizacional, pois 
ele reflete na saúde mental do trabalhador, e desta forma pode refletir direta ou 
indiretamente nos resultados e na forma que a empresa é vista pelo colaborador, 
interferindo na visão que se tem da empresa e na forma que o funcionário utiliza 
para fazer sua avaliação sobre a mesma. Esta avaliação pessoal de cada profissional 
pode levar a empresa a uma reputação boa ou não. Dependendo desta avaliação, 
o funcionário pode investir na mesma ou em outra.
O ambiente de trabalho deve oferecer condições necessárias para o desenvolvi-
mento harmônico das atividades entre os setores e estimular a relação entre fun-
cionários e gestores como se estivessem jogando de forma coletiva, para obter um 
único resultado satisfatório para todos. As empresas precisam proporcionar ativi-
dades de cooperação, compromisso e integração organizacional para conscientizar 
o funcionário a pensar na melhor maneira de contribuir para que todos trabalhem 
e produzam de forma eficiente e conjuntamente com seu bem-estar.
Quando o funcionário está ciente de suas atividades profissionais, executa suas 
tarefas com segurança, reduzindo acidentes de trabalho, para isso todos precisam 
ficar atentos aos riscos e aos cuidados com a saúde, levando em consideração a 
infraestrutura do ambiente laboral.
A seguir mostraremos no Quadro 1 algumas ações a serem tomadas por empre-
gadores e colaboradores para evitar algumas doenças.
9
UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
Quadro 1- Ações para melhoria do ambiente laboral
Empresa proporciona Ação Colaborador
Canais de comunicação interna com 
informativos sobre as ações a serem 
tomadas para evitar as lesões.
Painéis com avisos;
Placas indicadoras;
Folders; Banners.
Atender às especificações 
das recomendações.Palestras e os treinamentos específicos, 
ministrados por profissionais capacitados.
Contratação de profissionais 
que apresentem dinâmicas 
laborais.
Ser receptivo a mudanças.
A prática diária de exercícios específicos 
para evitar lesões corporais por movimentos 
repetitivos. 
Profissional capacitado para 
praticar atividades físicas 
durante o horário 
de trabalho.
Aceitar a prática determinada.
A aquisição e manutenção de mobiliários 
adequados no ambiente de trabalho para 
uma correta acomodação ergonômica.
Fiscalizar a postura 
do colaborador.
Obedecer às regras de 
postura adequada.
Momento de descanso entre as ocupações 
do dia. Definir os períodos. Obedecer ao período determinado.
Orientar os funcionários a procurarem 
orientação médica periodicamente.
Disponibilizar dia e horário 
para a execução.
Assim que sentir algum sintoma, 
procurar um médico.
Entregar ao RH os resultados dos 
exames e solicitação médica para 
que a empresa possa elaborar 
formas de prevenir o problema.
Cumprir com todas as normas 
regulamentadoras (NRs) que determinam os 
fatores de prevenção no ambiente laboral, 
visando atender às exigências legais da 
engenharia de segurança e da medicina 
do trabalho.
Exigir dos funcionários o 
cumprimento das regras 
de segurança.
Atender às regras prontamente.
Manter um canal aberto entre todos os 
colaboradores para que em conjunto 
levantem prioridades para a segurança de 
todos e a melhoria da qualidade de vida.
Reuniões periódicas. Aceitar participar.
Divulgar os resultados de avaliações sobre as 
ações adotadas.
Propor alterações/correções 
para atingir objetivos 
propostos.
Participar da ações e decisões a 
serem tomadas para melhorar a 
qualidade do trabalho.
Fonte: Quadro elaborado pela autora
Como Evitar Doenças Ocupacionais
LER/DORT
São lesões, inflamações ou irritações nos tendões, músculos ou articulações nas 
mãos e braços. Estas atividades estão relacionadas com algumas atividades com 
movimento repetitivo ou com postura inadequada.
10
11
Para evitá-las, pode-se tomar algumas medidas, como prática de exercícios 
regulares com a intenção de alongamentos e relaxamento. No trabalho você pode 
praticar algumas ações que podem minimizar ou evitar os problemas:
a) ajuste sua cadeira e monitor de acordo com a sua altura para manter 
uma postura adequada;
b) mantenha o teclado perto de você;
c) posicione o mouse perto do teclado;
d) utilize os textos a serem lidos o mais próximo possível do teclado;
e) todos os materiais a serem utilizados, como canetas, lápis e outros 
devem ser posicionados o mais próximo possível de você;
f) não fi que muito tempo na mesma posição, levante-se, dê uma caminhada 
e depois volte ao trabalho;
g) pratique os exercícios a seguir:
Figura 1 − Relaxamento para o pescoço e ombros
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images
A Figura 1 demonstra exercícios para relaxamento de pescoço e ombros que 
podem ser executados na própria cadeira de trabalho, repetidamente, por três 
vezes a cada 3 horas de trabalho.
As Figuras 2 e 3, a seguir, demonstram exercícios no antebraços, mãos e dedos, 
que podem ser executados no local de trabalho durante 20 segundos para cada 
posição, repetidamente, por 3 vezes para cada braço, três vezes ao dia.
11
UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
Figura 2 − Antebraços, mãos e dedos
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images
Figura 3 − Antebraços, mãos e dedos
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images
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Figura 4 − Braços
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images
Figura 5 − Braços
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images
Figura 6 − Braços
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images
13
UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
As figuras 4, 5 e 6 demonstram os exercícios físicos que podem atenuar as dores 
causadas por atividades repetitivas, como tendinites e inflamação de tendões.
Ruído
O termo ruído pode ser usado para descrever sons indesejáveis ou desagradáveis 
(BRASIL, 2002). Quando o ruído é intenso e a exposição a ele é continuada, em mé-
dia 85 decibéis (dB) por oito horas por dia, ocorrem alterações estruturais na orelha 
interna, que determinam a ocorrência da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR).
A PAIR é um dos problemas de saúde ocupacionais mais comuns em locais de 
trabalho em que o barulho causado por máquinas e equipamentos é muito alto, 
como em siderurgia, metalurgia, mineradoras, gráficas, indústrias têxteis, de papel 
e papelão, vidraria, entre outros. O excesso de som pode ocorrer também com 
músicos, produtores de espetáculos com alta intensidade de ruído, pessoas que 
tiveram um disparo de arma de fogo próximo à orelha, e por buzinas de veículos 
e fogos de artifícios.
Sintomas de Perda Auditiva Induzida por Ruído
O trabalhador se queixa de má audição, zumbido, intolerância a sons altos e 
contínuos, dores de cabeça, tontura, irritabilidade e problemas digestivos. A Nor-
ma Regulamentadora nº 15 (NR-15), da Portaria do Ministério do Trabalho nº 
3.214/1978, estabelece os limites (veremos no próximo capítulo) de exposição a 
ruído contínuo, pois não existe até o momento tratamento para PAIR. O funda-
mental, além da notificação que dará início ao processo de vigilância em saúde, é 
o acompanhamento da progressão da perda auditiva por meio de avaliações audio-
lógicas periódicas.
A empresa onde o colaborador trabalha deve oferecer exames periódicos para 
avaliar o grau do problema. A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar 
o problema, portanto são necessárias as seguintes ações:
1. Proteção auditiva: indicação do tipo mais adequado de proteção auditiva 
individual para o trabalhador.
2. Gerenciamento audiométrico: estabelecimento de procedimentos de 
avaliação audiológica e seguimento do trabalhador exposto a ruído.
3. Treinamento e programas educacionais: desenvolvimento de estratégias 
educacionais e divulgação dos resultados de cada etapa do programa.
4. Avaliação, gerenciamento e controle dos riscos: etapa na qual, a 
partir do conhecimento da situação de risco, são estabelecidas as metas 
a serem atingidas.
5. Designação de responsabilidade: momento de atribuição de responsa-
bilidades para cada membro da equipe envolvido.
14
15
6. Auditoria do programa de controle: garante a contínua avaliação da 
efi cácia das medidas adotadas.
A Figura 7 mostra uma orelha com suas partes e respectivas funções.
Ouvido Externo Ouvido Médio Ouvido Interno
O nervo auditivo
conduz os sinais
para o cérebro
A cóclea transduz
a energia em
sinal acústico
A membrana timpânica
vibra com o som do
canal auditivo
O som é direcionado
para o canal auditivo
A pinna capta
as ondas sonoras
Os ossículos
conduzem o som
Figura 7 − Aparelho auditivo
Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images
Para auxiliar no entendimento e compreensão dos conteúdos de ruído, você pode assistir 
aos seguintes vídeos, que mostram os problemas causados com o excesso de ruído.
O trabalho com exposição ao ruído - https://youtu.be/5_b1YHAkWWM
Mais de 23% dos trabalhadores sofrem perda auditiva causada pela exposição a ruídos
Esse vídeo trata de problemas causados por ruídos em indústrias - https://goo.gl/jvdb5g
Ex
pl
or
Agentes tóxicos
As substâncias químicas, principalmente os solventes, são normalmente volá-
teis, corrosivos e combustíveis. As substâncias químicas consideradas tóxicas são 
muito variáveis.
Os agentes tóxicos podem ser agrupados em categorias, a saber:
a) Por inalação: são os gases, vapores, poeiras e aerossóis inalados pelos 
pulmões e a sua distribuição pelo sangue.
15
UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
b) Por absorção cutânea: a pele e a gordura protetora dos órgãos do 
corpo são barreiras bastante efetivas, sendo poucas as substâncias que 
podem ser absorvidas em quantidades perigosas. Mas podem ocorrer 
pequenas/médias irritações na pele e essas substâncias podem atingir 
a corrente sanguínea.
c) Por ingestão: pode ocorrer de forma acidental, por contaminação das 
mãos e alimentos. Estesacidentes serão inexistentes se houver a devida 
atenção e higiene no trabalho.
d) Agentes tóxicos irritantes: são aqueles que podem produzir inflamação 
dos tecidos como a pele, conjuntiva ocular, tecidos de revestimento 
das vias respiratórias, etc. (gás clorídrico, amônia, cloro, soda cáustica, 
ácido sulfúrico) (Brasil, 2002).
Tipos de agentes
1. Agentes tóxicos asfixiantes – são aqueles que exercem sua ação no or-
ganismo interferindo com o oxigênio disponível. Há os asfixiantes simples, 
que são gases inertes cuja interferência é apenas em nível de diluição do 
oxigênio disponível (gás carbônico, hélio, hidrogênio, nitrogênio, etc.). Há 
também os asfixiantes químicos, os quais impedem o transporte de oxigê-
nio ou a sua perfeita distribuição pelo organismo (monóxido de carbono, 
anilina, cianeto de hidrogênio, sulfeto de hidrogênio, etc.).
Medidas de proteção
Usar roupa de encapsulamento de viton ou borracha butílica e máscara de 
respiração autônoma. A Figura 8 mostra o tipo de roupa e máscara adequadas 
para trabalhar com estes tipos de agentes tóxicos.
Figura 8 − Roupa de encapsulamento de viton e máscara de respiração autônoma
16
17
2. Agentes tóxicos anestésicos – são aqueles que interagem com o orga-
nismo, atuando em nível do sistema nervoso central, de ampla aplicação 
médica (álcoois, éter, clorofórmio, etc.). Podem causar efeito anestésico 
e ou risco de explosão no local. O éter etílico é considerado um produto 
com baixo teor de toxidez, o maior risco é incêndio e explosão por ser um 
líquido infl amável e muito volátil.
Medidas de proteção
Equipamentos de Proteção Individual
• Inalação: uso de máscara respiratória autônoma, máscara com ar mandado 
ou com filtro.
• Para vapores orgânicos. Contato com a pele: uso de roupas com tecido 
composto por 70 % de poliéster e 30 % de algodão (mangas compridas). 
Roupa de PVC.
• Contato com os olhos: uso de óculos de segurança tipo panorâmico ou ampla 
visão e protetor facial. A Figura 9 a seguir mostra os EPIs adequados.
Figura 9 − Máscara respiratória com ar mandado
Fonte: iStock/Getty Images
3. Agentes tóxicos de ação local – são aqueles cujos efeitos se manifestam 
no local onde ocorreu o contato inicial com o organismo (cimento versus 
dermatose ocupacional).
São caracterizados por deposição de partículas sólidas na parede pulmonar, que 
pode resultar em fibrose, que é o endurecimento intersticial do tecido pulmonar. 
Elas podem ser causadas por poeira de sílica, conhecida como Silicose, e causadas 
pelo asbesto, configurando a Asbestose.
17
UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
• Silicose: é a principal pneumoconiose no Brasil, causada por inalação de 
poeira de sílica livre cristalina (quartzo). Atinge trabalhadores inseridos em 
diversos ramos produtivos, como:
 » na indústria extrativa (mineração subterrânea e de superfície);
 » no beneficiamento de minerais (corte de pedras, britagem, moagem, lapidação);
 » em fundições;
 » em cerâmicas, em olarias;
 » no jateamento de areia;
 » cavadores de poços;
 » polimentos e limpezas de pedras etc.
• Asbestose: é resultante da deposição de partículas sólidas no parênquima 
pulmonar, chamada de fibrose, ou seja, endurecimento do tecido pulmonar, 
causado pelo asbesto, também conhecido como amianto.
O Brasil é um dos grandes produtores mundiais de asbesto. Mesmo ocorrendo 
uma grande controvérsia a respeito, pode ser considerado cancerígeno. Há uma cor-
rente que defende o uso do asbesto em condições ambientais rigidamente controla-
das, e outra que defende a substituição do produto nos diversos processos produtivos.
O asbesto possui ampla utilização industrial, principalmente na fabricação de 
produtos de:
• cimento-amianto;
• materiais de fricção como pastilhas de freio;
• materiais de vedação;
• pisos e produtos têxteis, como mantas e tecidos resistentes ao fogo;
• construção civil;
• colocação e reforma de telhados, 
• isolamento térmico de caldeiras, de tubulações e da manutenção de fornos 
(tijolos refratários);
• indústria extrativa (mineração subterrânea e de superfície).
Como evitar a Silicose e Asbestose
O diagnóstico é feito pelo exame físico e radiografias de tórax e pulmonares e 
testes (pulmão) de função. Não existe cura para a pneumoconiose, porque o pó não 
pode ser removido dos pulmões. Pode ser evitada reduzindo-se os níveis máximos 
permitidos de poeira e usando-se máscaras de proteção (já citadas, ver Figura 4).
Exames médicos regulares, incluindo radiografia de tórax para as pessoas em situ-
ação de risco, podem detectar pneumoconiose durante seus estágios iniciais, antes de 
se tornar incapacitante. Algumas medidas podem ser tomadas para evitar o problema:
18
19
• assegurar a ventilação do ambiente através de exaustores;
• utilizar sistematicamente EPIs específicos;
• caso se trabalhe num ambiente com amianto, deve-se tomar banho no final de 
cada turno;
• não fumar;
• submeter-se a exames médicos periódicos.
4. Agentes tóxicos de ação sistêmica – são aqueles cujos efeitos se manifestam 
a distância do local onde se teve contato com o mesmo. Um exemplo é o 
benzeno, que pode causar danos na medula óssea, e outro é o tetracloreto 
de carbono versus danos hepáticos/renais/sistema nervoso central.
Para acompanhar a qualidade do ar respirável, a exposição ao benzeno é 
altamente regulada por agências como a OSHA (Occupational Safety and Health 
Administration) e FDA (US Food and Drug Administration). Exposição ao benzeno 
pode ser detectada no organismo através de testes de sangue e respiração, e para 
o ambiente dos equipamentos de monitoramento simples.
A exposição aguda ao benzeno pode causar sonolência, tonturas, dores de 
cabeça, bem como irritação nos olhos, pele e irritação das vias respiratórias e, 
em níveis elevados, perda de consciência. Exposição por inalação crônica (longo 
prazo) pode reduzir o número de glóbulos vermelhos e causar anemia aplástica.
Efeitos reprodutivos em mulheres grávidas também podem ocorrer, afetando o 
desenvolvimento do feto. O aumento da incidência de leucemia (câncer dos tecidos 
que formam as células brancas do sangue) tem sido observado em seres humanos 
que ficaram expostos ao benzeno. A EPA (US Environmental Protection Agency) 
classificou o benzeno como cancerígeno do Grupo A1, humano (estudaremos o 
grupo no próximo capítulo).
O Benzenismo é um conjunto de sinais, sintomas e complicações decorrentes da 
exposição aguda ou crônica ao benzeno.
Como evitar
A única forma de prevenção é a não exposição, que pode ser: por substituição 
de benzeno por outros produtos ou pelo uso de tecnologia adequada para evitar 
a exposição. As ações preventivas são importantes na proteção da saúde. Assim, 
o ambiente e o processo de trabalho devem assegurar sempre a menor exposição 
ocupacional possível. Medidas de proteção coletiva adotadas no processo de 
trabalho, minimizando a exposição ou eliminando o agente, e medidas de proteção 
individual contribuem decididamente na prevenção da intoxicação.
O Ministério do Trabalho publicou uma instrução normativa que traz os 
instrumentos utilizados para o propósito de vigilância da saúde e indica as ações 
e os procedimentos de vigilância da saúde que deveriam ser realizados para os 
trabalhadores das empresas abrangidas pelo item 7.4.1 da NR7 (Portaria nº 3.214 
19
UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
de 08/06/78, alterada pela Portaria nº 24 de 29/12/94), que estudaremos no 
próximo capítulo.
5. Agentes tóxicos mutagênicos – são aqueles capazes de provocar alterações 
na informação do material genético, acarretando o aparecimento de 
alterações em descendentes do indivíduo contaminado (alguns pesticidas, 
clorofórmio, formaldeído).
Você pode assistir ao vídeo indicado a seguir para entender melhor os riscos de pesticidas 
para a saúde humana:Ex
pl
or
O uso de pesticidas pode gerar contaminação também na água, no solo e no ar, 
causando problemas de saúde de forma independente do contato com o agente.É um tipo de contaminação secundária, como o uso da água, de alimentos e 
respirando-se o ar contaminado.
6. Agentes tóxicos teratogênicos – são aqueles capazes de produzirem 
alterações no desenvolvimento do feto (mercúrio, selênio, manganês).
7. Agentes tóxicos carcinogênicos – são aqueles capazes de induzirem 
a transformação de células normais em células cancerígenas (benzeno, 
asbesto, formaldeído, anilina).
Medidas de prevenção
Abaixo estão listados alguns equipamentos de proteção individual (EPI). Devem 
ser usados apenas para a finalidade a qual se destinam e não devem ser usados fora 
do ambiente no qual seu uso está previsto. A Figura 10 a seguir mostra pessoas com 
avental de trabalho em ambiente não previsto, restaurante e calçada de hospital.
Figura 10 − Pessoas de avental em ambiente inadequado
Fonte: fenaess.org.br
20
21
a) Aventais longos, com mangas compridas, protegendo ao máximo o 
corpo e a roupa contra respingos.
b) Óculos de segurança
c) Luvas descartáveis de plástico ou cirúrgicas, para manuseio de amostras 
contaminadas.
d) Luvas descartáveis de nitrila para contato intermitente com produtos 
químicos (luvas de látex são permeáveis a praticamente todos os 
produtos químicos).
e) Luvas revestidas de amianto para trabalhar com fontes de calor.
f) Luvas de raspas de couro para trabalhar com vidros.
g) Luvas de borracha antiderrapantes para lavagem de vidrarias ou outros 
materiais frágeis onde haja riscos de queda.
h) Protetor facial para operações que possam causar respingos.
i) Máscara respiradora para manipulação de reagentes altamente tóxicos 
e voláteis.
j) Aventais plastifi cados para lavagem de materiais e outras operações 
onde haja derramamento de água.
k) Calçados apropriados com solado antiderrapante e resistentes ao ataque 
de produtos.
21
UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:
 Livros
Agentes: Físico, Químico, Biológico, Ergonômico
Doenças Ocupacionais. Agentes: Físico, Químico, Biológico, Ergonômico; 2011. 
Autora: Márcia Vilma G. Moraes; Editora: Iátria.
Doenças ocupacionais
Doenças ocupacionais. Autor: Vicente Pedro Marano. Editora: LTR.
 Leitura
Amarrados a sinos: a dupla vitimização do trabalhador que sofre acidente do trabalho ou doença ocupacional
Tese de doutorado. UFRGS, 2015.
https://goo.gl/iWAmti
Construção civil e saúde do trabalhador: um olhar sobre as pequenas obras
Tese de doutorado. Fundação FIOCRUZ, 2011. 
https://goo.gl/1R33u6
22
23
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de 
procedimentos para os serviços de saúde. Brasília, DF, 2001.
MARQUES, Christiane. A proteção ao trabalho penoso. São Paulo: LTR, 2007.
MICHEL, Oswaldo. Acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. 2 ed. São 
Paulo: LTR, 2001.
MORAES, Márcia Vilma G. Doenças ocupacionais. Agentes: físico, químico, 
biológico, ergonômico. 1ª ed. São Paulo: Érica, 2010.
RENÉ, Mendes. Patologia do trabalho. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007.
BELLUSCI, S. M. Doenças profissionais ou do trabalho. 12 ed. São Paulo: 
Senac São Paulo, 1996.
DURAND, Marina. Doença ocupacional: psicanálise e relações de trabalho. São 
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