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Doenças Ocupacionais Material Teórico Responsável pelo Conteúdo: Prof.ª Dr.ª Solange de Fátima Azevedo Dias Revisão Textual: Prof. Esp. Kelciane da Rocha Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas • Como Prevenir Doenças Ocupacionais e Ergonômicas; • Como Evitar Doenças Ocupacionais. · Conhecer as vias de penetração e como se proteger das doenças ocupacionais; · Prevenir as doenças ocupacionais e as doenças Ergonômicas; · Conhecer as formas de proteção para evitar as doenças ocupacionais. OBJETIVO DE APRENDIZADO Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como seu “momento do estudo”; Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo; No material de cada Unidade, há leituras indicadas e, entre elas, artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados; Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discus- são, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e de aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar; lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e de se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas Como Prevenir Doenças Ocupacionais e Ergonômicas A doença ocupacional ou profissional perante a lei está definida no artigo 20, I, da Lei n. 8.213, de 24 de julho de 1991 como a enfermidade produzida ou desencadeada pelo exercício do trabalho peculiar a determinada atividade e constante da relação elaborada pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. A Lei acidentária de 1919 a denominava de “moléstia contraída exclusivamente pelo exercício do trabalho”. Depois, em 1967, foi chamada de “Doenças do trabalho”, e a Lei atual, de 1991, a considera acidente de trabalho. Estas doenças profissionais, conhecidas ainda com o nome de “idiopatias”, “ergopatias”, “tecnopatias” ou “doenças profissionais típicas”, são produzidas ou desencadeadas pelo exercício profissional, ou seja, são doenças que decorrem necessariamente do exercício de uma profissão. - 1991- Lei 8231/91: artigo 20. Consideram-se acidentes do trabalho, nos termos do artigo anterior, as seguintes entidades mórbidas: I- Doença Profissional, já definida acima e II- Doença Ocupacional como aquela adquirida ou desencadeada em função de condições especiais em que o trabalho é realizado e com ele se relaciona diretamente, constante da relação mencionada no inciso I. De qualquer forma, elas precisam de comprovação de nexo de causalidade com o trabalho e uma relação de sua tipicidade, presumindo-se, por lei, que decorrem de determinado trabalho. As doenças ocupacionais podem ocorrer por fatores relacionados ao trabalho. Muitas vezes essas doenças se manifestam devido à exposição inadequada a agentes químicos, radioativos e/ou às más condições oferecidas no ambiente laboral. Tais doenças podem ser causadas por micro traumas, que cotidianamente podem agredir e tornar as defesas orgânicas insuficientes, e por efeito cumulativo, causar problemas mais sérios à saúde do trabalhador. Para ser considerada uma doença ocupacional, tem que estar vinculada diretamente ou indiretamente à função exercida pelo trabalhador. No Brasil e no mundo cresce o número de profissionais com problemas de saúde devido ao trabalho que executam. Para esta estatística decrescer, a palavra de ordem é “prevenir”. A prevenção é a melhor saída para o problema, por isso a empresa deve se preocupar em usar todos os canais de comunicação com o trabalhador para alertá-lo sobre a importância de seguir as normas de segurança, com uso dos equipamentos e postura adequada para o ambiente laboral. 8 9 Além do trabalhador exercer suas atividades profissionais a contento da empresa, precisa conhecer formas de evitar as doenças ocupacionais/ ergonômicas para reduzir os riscos de enfermidades, aumentar a produtividade e reduzir os possíveis acidentes. O trabalhador precisa saber dosar a quantidade de trabalho e os exercícios e atividades de lazer para evitar problemas de saúde. O descanso também é fundamental para que o trabalhador não desenvolva transtornos físicos e mentais por excesso de trabalho. E a empresa precisa saber organizar um programa de repouso para que ele recupere as energias. O cansaço não só gera doenças psicológicas e por esforço repetitivo, como aumenta muito o risco de acidentes de trabalho. As doenças psicológicas também estão no ranking de afastamento de trabalhadores de escritório, administração, educação, saúde, tecnologia, limpeza, esportes e outros. Cabe à empresa definir e implantar ações que visem tornar o ambiente de trabalho um local mais seguro, produtivo e menos competitivo. O local de trabalho é onde a maioria das pessoas passa a maior parte do seu tempo, desse modo o ambiente de trabalho irá refletir diretamente sobre a personalidade do indivíduo. Com isso, as empresas precisam estar atentas ao ambiente organizacional, pois ele reflete na saúde mental do trabalhador, e desta forma pode refletir direta ou indiretamente nos resultados e na forma que a empresa é vista pelo colaborador, interferindo na visão que se tem da empresa e na forma que o funcionário utiliza para fazer sua avaliação sobre a mesma. Esta avaliação pessoal de cada profissional pode levar a empresa a uma reputação boa ou não. Dependendo desta avaliação, o funcionário pode investir na mesma ou em outra. O ambiente de trabalho deve oferecer condições necessárias para o desenvolvi- mento harmônico das atividades entre os setores e estimular a relação entre fun- cionários e gestores como se estivessem jogando de forma coletiva, para obter um único resultado satisfatório para todos. As empresas precisam proporcionar ativi- dades de cooperação, compromisso e integração organizacional para conscientizar o funcionário a pensar na melhor maneira de contribuir para que todos trabalhem e produzam de forma eficiente e conjuntamente com seu bem-estar. Quando o funcionário está ciente de suas atividades profissionais, executa suas tarefas com segurança, reduzindo acidentes de trabalho, para isso todos precisam ficar atentos aos riscos e aos cuidados com a saúde, levando em consideração a infraestrutura do ambiente laboral. A seguir mostraremos no Quadro 1 algumas ações a serem tomadas por empre- gadores e colaboradores para evitar algumas doenças. 9 UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas Quadro 1- Ações para melhoria do ambiente laboral Empresa proporciona Ação Colaborador Canais de comunicação interna com informativos sobre as ações a serem tomadas para evitar as lesões. Painéis com avisos; Placas indicadoras; Folders; Banners. Atender às especificações das recomendações.Palestras e os treinamentos específicos, ministrados por profissionais capacitados. Contratação de profissionais que apresentem dinâmicas laborais. Ser receptivo a mudanças. A prática diária de exercícios específicos para evitar lesões corporais por movimentos repetitivos. Profissional capacitado para praticar atividades físicas durante o horário de trabalho. Aceitar a prática determinada. A aquisição e manutenção de mobiliários adequados no ambiente de trabalho para uma correta acomodação ergonômica. Fiscalizar a postura do colaborador. Obedecer às regras de postura adequada. Momento de descanso entre as ocupações do dia. Definir os períodos. Obedecer ao período determinado. Orientar os funcionários a procurarem orientação médica periodicamente. Disponibilizar dia e horário para a execução. Assim que sentir algum sintoma, procurar um médico. Entregar ao RH os resultados dos exames e solicitação médica para que a empresa possa elaborar formas de prevenir o problema. Cumprir com todas as normas regulamentadoras (NRs) que determinam os fatores de prevenção no ambiente laboral, visando atender às exigências legais da engenharia de segurança e da medicina do trabalho. Exigir dos funcionários o cumprimento das regras de segurança. Atender às regras prontamente. Manter um canal aberto entre todos os colaboradores para que em conjunto levantem prioridades para a segurança de todos e a melhoria da qualidade de vida. Reuniões periódicas. Aceitar participar. Divulgar os resultados de avaliações sobre as ações adotadas. Propor alterações/correções para atingir objetivos propostos. Participar da ações e decisões a serem tomadas para melhorar a qualidade do trabalho. Fonte: Quadro elaborado pela autora Como Evitar Doenças Ocupacionais LER/DORT São lesões, inflamações ou irritações nos tendões, músculos ou articulações nas mãos e braços. Estas atividades estão relacionadas com algumas atividades com movimento repetitivo ou com postura inadequada. 10 11 Para evitá-las, pode-se tomar algumas medidas, como prática de exercícios regulares com a intenção de alongamentos e relaxamento. No trabalho você pode praticar algumas ações que podem minimizar ou evitar os problemas: a) ajuste sua cadeira e monitor de acordo com a sua altura para manter uma postura adequada; b) mantenha o teclado perto de você; c) posicione o mouse perto do teclado; d) utilize os textos a serem lidos o mais próximo possível do teclado; e) todos os materiais a serem utilizados, como canetas, lápis e outros devem ser posicionados o mais próximo possível de você; f) não fi que muito tempo na mesma posição, levante-se, dê uma caminhada e depois volte ao trabalho; g) pratique os exercícios a seguir: Figura 1 − Relaxamento para o pescoço e ombros Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images A Figura 1 demonstra exercícios para relaxamento de pescoço e ombros que podem ser executados na própria cadeira de trabalho, repetidamente, por três vezes a cada 3 horas de trabalho. As Figuras 2 e 3, a seguir, demonstram exercícios no antebraços, mãos e dedos, que podem ser executados no local de trabalho durante 20 segundos para cada posição, repetidamente, por 3 vezes para cada braço, três vezes ao dia. 11 UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas Figura 2 − Antebraços, mãos e dedos Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images Figura 3 − Antebraços, mãos e dedos Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images 12 13 Figura 4 − Braços Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images Figura 5 − Braços Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images Figura 6 − Braços Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images 13 UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas As figuras 4, 5 e 6 demonstram os exercícios físicos que podem atenuar as dores causadas por atividades repetitivas, como tendinites e inflamação de tendões. Ruído O termo ruído pode ser usado para descrever sons indesejáveis ou desagradáveis (BRASIL, 2002). Quando o ruído é intenso e a exposição a ele é continuada, em mé- dia 85 decibéis (dB) por oito horas por dia, ocorrem alterações estruturais na orelha interna, que determinam a ocorrência da Perda Auditiva Induzida por Ruído (PAIR). A PAIR é um dos problemas de saúde ocupacionais mais comuns em locais de trabalho em que o barulho causado por máquinas e equipamentos é muito alto, como em siderurgia, metalurgia, mineradoras, gráficas, indústrias têxteis, de papel e papelão, vidraria, entre outros. O excesso de som pode ocorrer também com músicos, produtores de espetáculos com alta intensidade de ruído, pessoas que tiveram um disparo de arma de fogo próximo à orelha, e por buzinas de veículos e fogos de artifícios. Sintomas de Perda Auditiva Induzida por Ruído O trabalhador se queixa de má audição, zumbido, intolerância a sons altos e contínuos, dores de cabeça, tontura, irritabilidade e problemas digestivos. A Nor- ma Regulamentadora nº 15 (NR-15), da Portaria do Ministério do Trabalho nº 3.214/1978, estabelece os limites (veremos no próximo capítulo) de exposição a ruído contínuo, pois não existe até o momento tratamento para PAIR. O funda- mental, além da notificação que dará início ao processo de vigilância em saúde, é o acompanhamento da progressão da perda auditiva por meio de avaliações audio- lógicas periódicas. A empresa onde o colaborador trabalha deve oferecer exames periódicos para avaliar o grau do problema. A prevenção continua sendo a melhor forma de evitar o problema, portanto são necessárias as seguintes ações: 1. Proteção auditiva: indicação do tipo mais adequado de proteção auditiva individual para o trabalhador. 2. Gerenciamento audiométrico: estabelecimento de procedimentos de avaliação audiológica e seguimento do trabalhador exposto a ruído. 3. Treinamento e programas educacionais: desenvolvimento de estratégias educacionais e divulgação dos resultados de cada etapa do programa. 4. Avaliação, gerenciamento e controle dos riscos: etapa na qual, a partir do conhecimento da situação de risco, são estabelecidas as metas a serem atingidas. 5. Designação de responsabilidade: momento de atribuição de responsa- bilidades para cada membro da equipe envolvido. 14 15 6. Auditoria do programa de controle: garante a contínua avaliação da efi cácia das medidas adotadas. A Figura 7 mostra uma orelha com suas partes e respectivas funções. Ouvido Externo Ouvido Médio Ouvido Interno O nervo auditivo conduz os sinais para o cérebro A cóclea transduz a energia em sinal acústico A membrana timpânica vibra com o som do canal auditivo O som é direcionado para o canal auditivo A pinna capta as ondas sonoras Os ossículos conduzem o som Figura 7 − Aparelho auditivo Fonte: Adaptado de iStock/Getty Images Para auxiliar no entendimento e compreensão dos conteúdos de ruído, você pode assistir aos seguintes vídeos, que mostram os problemas causados com o excesso de ruído. O trabalho com exposição ao ruído - https://youtu.be/5_b1YHAkWWM Mais de 23% dos trabalhadores sofrem perda auditiva causada pela exposição a ruídos Esse vídeo trata de problemas causados por ruídos em indústrias - https://goo.gl/jvdb5g Ex pl or Agentes tóxicos As substâncias químicas, principalmente os solventes, são normalmente volá- teis, corrosivos e combustíveis. As substâncias químicas consideradas tóxicas são muito variáveis. Os agentes tóxicos podem ser agrupados em categorias, a saber: a) Por inalação: são os gases, vapores, poeiras e aerossóis inalados pelos pulmões e a sua distribuição pelo sangue. 15 UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas b) Por absorção cutânea: a pele e a gordura protetora dos órgãos do corpo são barreiras bastante efetivas, sendo poucas as substâncias que podem ser absorvidas em quantidades perigosas. Mas podem ocorrer pequenas/médias irritações na pele e essas substâncias podem atingir a corrente sanguínea. c) Por ingestão: pode ocorrer de forma acidental, por contaminação das mãos e alimentos. Estesacidentes serão inexistentes se houver a devida atenção e higiene no trabalho. d) Agentes tóxicos irritantes: são aqueles que podem produzir inflamação dos tecidos como a pele, conjuntiva ocular, tecidos de revestimento das vias respiratórias, etc. (gás clorídrico, amônia, cloro, soda cáustica, ácido sulfúrico) (Brasil, 2002). Tipos de agentes 1. Agentes tóxicos asfixiantes – são aqueles que exercem sua ação no or- ganismo interferindo com o oxigênio disponível. Há os asfixiantes simples, que são gases inertes cuja interferência é apenas em nível de diluição do oxigênio disponível (gás carbônico, hélio, hidrogênio, nitrogênio, etc.). Há também os asfixiantes químicos, os quais impedem o transporte de oxigê- nio ou a sua perfeita distribuição pelo organismo (monóxido de carbono, anilina, cianeto de hidrogênio, sulfeto de hidrogênio, etc.). Medidas de proteção Usar roupa de encapsulamento de viton ou borracha butílica e máscara de respiração autônoma. A Figura 8 mostra o tipo de roupa e máscara adequadas para trabalhar com estes tipos de agentes tóxicos. Figura 8 − Roupa de encapsulamento de viton e máscara de respiração autônoma 16 17 2. Agentes tóxicos anestésicos – são aqueles que interagem com o orga- nismo, atuando em nível do sistema nervoso central, de ampla aplicação médica (álcoois, éter, clorofórmio, etc.). Podem causar efeito anestésico e ou risco de explosão no local. O éter etílico é considerado um produto com baixo teor de toxidez, o maior risco é incêndio e explosão por ser um líquido infl amável e muito volátil. Medidas de proteção Equipamentos de Proteção Individual • Inalação: uso de máscara respiratória autônoma, máscara com ar mandado ou com filtro. • Para vapores orgânicos. Contato com a pele: uso de roupas com tecido composto por 70 % de poliéster e 30 % de algodão (mangas compridas). Roupa de PVC. • Contato com os olhos: uso de óculos de segurança tipo panorâmico ou ampla visão e protetor facial. A Figura 9 a seguir mostra os EPIs adequados. Figura 9 − Máscara respiratória com ar mandado Fonte: iStock/Getty Images 3. Agentes tóxicos de ação local – são aqueles cujos efeitos se manifestam no local onde ocorreu o contato inicial com o organismo (cimento versus dermatose ocupacional). São caracterizados por deposição de partículas sólidas na parede pulmonar, que pode resultar em fibrose, que é o endurecimento intersticial do tecido pulmonar. Elas podem ser causadas por poeira de sílica, conhecida como Silicose, e causadas pelo asbesto, configurando a Asbestose. 17 UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas • Silicose: é a principal pneumoconiose no Brasil, causada por inalação de poeira de sílica livre cristalina (quartzo). Atinge trabalhadores inseridos em diversos ramos produtivos, como: » na indústria extrativa (mineração subterrânea e de superfície); » no beneficiamento de minerais (corte de pedras, britagem, moagem, lapidação); » em fundições; » em cerâmicas, em olarias; » no jateamento de areia; » cavadores de poços; » polimentos e limpezas de pedras etc. • Asbestose: é resultante da deposição de partículas sólidas no parênquima pulmonar, chamada de fibrose, ou seja, endurecimento do tecido pulmonar, causado pelo asbesto, também conhecido como amianto. O Brasil é um dos grandes produtores mundiais de asbesto. Mesmo ocorrendo uma grande controvérsia a respeito, pode ser considerado cancerígeno. Há uma cor- rente que defende o uso do asbesto em condições ambientais rigidamente controla- das, e outra que defende a substituição do produto nos diversos processos produtivos. O asbesto possui ampla utilização industrial, principalmente na fabricação de produtos de: • cimento-amianto; • materiais de fricção como pastilhas de freio; • materiais de vedação; • pisos e produtos têxteis, como mantas e tecidos resistentes ao fogo; • construção civil; • colocação e reforma de telhados, • isolamento térmico de caldeiras, de tubulações e da manutenção de fornos (tijolos refratários); • indústria extrativa (mineração subterrânea e de superfície). Como evitar a Silicose e Asbestose O diagnóstico é feito pelo exame físico e radiografias de tórax e pulmonares e testes (pulmão) de função. Não existe cura para a pneumoconiose, porque o pó não pode ser removido dos pulmões. Pode ser evitada reduzindo-se os níveis máximos permitidos de poeira e usando-se máscaras de proteção (já citadas, ver Figura 4). Exames médicos regulares, incluindo radiografia de tórax para as pessoas em situ- ação de risco, podem detectar pneumoconiose durante seus estágios iniciais, antes de se tornar incapacitante. Algumas medidas podem ser tomadas para evitar o problema: 18 19 • assegurar a ventilação do ambiente através de exaustores; • utilizar sistematicamente EPIs específicos; • caso se trabalhe num ambiente com amianto, deve-se tomar banho no final de cada turno; • não fumar; • submeter-se a exames médicos periódicos. 4. Agentes tóxicos de ação sistêmica – são aqueles cujos efeitos se manifestam a distância do local onde se teve contato com o mesmo. Um exemplo é o benzeno, que pode causar danos na medula óssea, e outro é o tetracloreto de carbono versus danos hepáticos/renais/sistema nervoso central. Para acompanhar a qualidade do ar respirável, a exposição ao benzeno é altamente regulada por agências como a OSHA (Occupational Safety and Health Administration) e FDA (US Food and Drug Administration). Exposição ao benzeno pode ser detectada no organismo através de testes de sangue e respiração, e para o ambiente dos equipamentos de monitoramento simples. A exposição aguda ao benzeno pode causar sonolência, tonturas, dores de cabeça, bem como irritação nos olhos, pele e irritação das vias respiratórias e, em níveis elevados, perda de consciência. Exposição por inalação crônica (longo prazo) pode reduzir o número de glóbulos vermelhos e causar anemia aplástica. Efeitos reprodutivos em mulheres grávidas também podem ocorrer, afetando o desenvolvimento do feto. O aumento da incidência de leucemia (câncer dos tecidos que formam as células brancas do sangue) tem sido observado em seres humanos que ficaram expostos ao benzeno. A EPA (US Environmental Protection Agency) classificou o benzeno como cancerígeno do Grupo A1, humano (estudaremos o grupo no próximo capítulo). O Benzenismo é um conjunto de sinais, sintomas e complicações decorrentes da exposição aguda ou crônica ao benzeno. Como evitar A única forma de prevenção é a não exposição, que pode ser: por substituição de benzeno por outros produtos ou pelo uso de tecnologia adequada para evitar a exposição. As ações preventivas são importantes na proteção da saúde. Assim, o ambiente e o processo de trabalho devem assegurar sempre a menor exposição ocupacional possível. Medidas de proteção coletiva adotadas no processo de trabalho, minimizando a exposição ou eliminando o agente, e medidas de proteção individual contribuem decididamente na prevenção da intoxicação. O Ministério do Trabalho publicou uma instrução normativa que traz os instrumentos utilizados para o propósito de vigilância da saúde e indica as ações e os procedimentos de vigilância da saúde que deveriam ser realizados para os trabalhadores das empresas abrangidas pelo item 7.4.1 da NR7 (Portaria nº 3.214 19 UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas de 08/06/78, alterada pela Portaria nº 24 de 29/12/94), que estudaremos no próximo capítulo. 5. Agentes tóxicos mutagênicos – são aqueles capazes de provocar alterações na informação do material genético, acarretando o aparecimento de alterações em descendentes do indivíduo contaminado (alguns pesticidas, clorofórmio, formaldeído). Você pode assistir ao vídeo indicado a seguir para entender melhor os riscos de pesticidas para a saúde humana:Ex pl or O uso de pesticidas pode gerar contaminação também na água, no solo e no ar, causando problemas de saúde de forma independente do contato com o agente.É um tipo de contaminação secundária, como o uso da água, de alimentos e respirando-se o ar contaminado. 6. Agentes tóxicos teratogênicos – são aqueles capazes de produzirem alterações no desenvolvimento do feto (mercúrio, selênio, manganês). 7. Agentes tóxicos carcinogênicos – são aqueles capazes de induzirem a transformação de células normais em células cancerígenas (benzeno, asbesto, formaldeído, anilina). Medidas de prevenção Abaixo estão listados alguns equipamentos de proteção individual (EPI). Devem ser usados apenas para a finalidade a qual se destinam e não devem ser usados fora do ambiente no qual seu uso está previsto. A Figura 10 a seguir mostra pessoas com avental de trabalho em ambiente não previsto, restaurante e calçada de hospital. Figura 10 − Pessoas de avental em ambiente inadequado Fonte: fenaess.org.br 20 21 a) Aventais longos, com mangas compridas, protegendo ao máximo o corpo e a roupa contra respingos. b) Óculos de segurança c) Luvas descartáveis de plástico ou cirúrgicas, para manuseio de amostras contaminadas. d) Luvas descartáveis de nitrila para contato intermitente com produtos químicos (luvas de látex são permeáveis a praticamente todos os produtos químicos). e) Luvas revestidas de amianto para trabalhar com fontes de calor. f) Luvas de raspas de couro para trabalhar com vidros. g) Luvas de borracha antiderrapantes para lavagem de vidrarias ou outros materiais frágeis onde haja riscos de queda. h) Protetor facial para operações que possam causar respingos. i) Máscara respiradora para manipulação de reagentes altamente tóxicos e voláteis. j) Aventais plastifi cados para lavagem de materiais e outras operações onde haja derramamento de água. k) Calçados apropriados com solado antiderrapante e resistentes ao ataque de produtos. 21 UNIDADE Como evitar Doenças Ocupacionais e Ergonômicas Material Complementar Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Livros Agentes: Físico, Químico, Biológico, Ergonômico Doenças Ocupacionais. Agentes: Físico, Químico, Biológico, Ergonômico; 2011. Autora: Márcia Vilma G. Moraes; Editora: Iátria. Doenças ocupacionais Doenças ocupacionais. Autor: Vicente Pedro Marano. Editora: LTR. Leitura Amarrados a sinos: a dupla vitimização do trabalhador que sofre acidente do trabalho ou doença ocupacional Tese de doutorado. UFRGS, 2015. https://goo.gl/iWAmti Construção civil e saúde do trabalhador: um olhar sobre as pequenas obras Tese de doutorado. Fundação FIOCRUZ, 2011. https://goo.gl/1R33u6 22 23 Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Doenças relacionadas ao trabalho: manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília, DF, 2001. MARQUES, Christiane. A proteção ao trabalho penoso. São Paulo: LTR, 2007. MICHEL, Oswaldo. Acidentes do trabalho e doenças ocupacionais. 2 ed. São Paulo: LTR, 2001. MORAES, Márcia Vilma G. Doenças ocupacionais. Agentes: físico, químico, biológico, ergonômico. 1ª ed. São Paulo: Érica, 2010. RENÉ, Mendes. Patologia do trabalho. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007. BELLUSCI, S. M. Doenças profissionais ou do trabalho. 12 ed. São Paulo: Senac São Paulo, 1996. DURAND, Marina. Doença ocupacional: psicanálise e relações de trabalho. São Paulo: Escuta, 2000. ARCURI, Arline Sidneia Abel et al. Efeitos da exposição ao benzeno para a saúde. São Paulo: Fundacentro, 2012. Disponível em: <https://ie.org.br/site/ ieadm/arquivos/arqnot9145.pdf>. Acesso em: 22 set. 2017. BRASIL. Ministério do Trabalho. Fundacentro. NR-7 e NR-9. 23