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S729i Souza, Elnivan Moreira de. Inovação e negócios criativos [recurso eletrônico] : gestão e a sociedade do conhecimento / Elnivan Moreira de Souza. -- Fortaleza : Universidade de Fortaleza, [2021]. 21 p. -- ( Percurso de Aprendizagem ; 1) 1. Inovação e Criatividade. 2. Administração. I. Título. II. Série. CDU 65.01:159.928 Este Material de Leitura, produzido em agosto de 2021 © Universidade de Fortaleza, está licenciado sob CC BY-NC-ND 4.0. Para visualizar uma cópia desta licença, visite https://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/. GESTÃO E A SOCIEDADE DO CONHECIMENTO Sumário Sumário clicável Organizações em tempos de caos e incertezas1. Gestão da inovação tecnológica2. 4 Voltar ao sum ário Este Percurso de Aprendizagem aponta reflexões a respeito das Organizações em Tempos de Caos e Incerteza (Abrante; Sanmartin, 2017) e de aspectos relacionados à Gestão da Inovação Tecnológica (Bessant; Tidd, 2019). Nosso propósito é fazer com que você reflita no que tange à relação entre incerteza e inovação. Trata-se, na verdade, de um dilema enfrentado por diversos gestores e gestoras todos os dias: quais são as garantias de sucesso existentes para o futuro do meu negócio se eu investir na inovação “X”, na “Y”, ou simplesmente não inovar, acreditando que isso não será necessário para a sobrevivência do meu negócio? Infelizmente, não temos uma reposta pronta para esse questionamento. O que podemos fazer é apontar possíveis caminhos para enfrentar esse dilema. Seja bem-vindo(a) ao mundo da Inovação e da Criatividade. Olá 5 Voltar ao sum ário Organizações em tempos de caos e incertezas1. Criatividade e um novo pensamento O amanhã sempre chega; e é sempre diferente. Mesmo a organização mais poderosa enfrentará problemas se não construir os alicerces do futuro. (...) Por não ter ousado assumir o risco de fazer o novo acontecer, a empresa, por força das circunstâncias, irá se expor ao perigo muito maior de ser surpreendida pelo que já aconteceu (Drucker apud Kramer, 2010, p. 181) Nos dias de hoje, as empresas, os profissionais e as pessoas em geral veem-se diante de um grande paradoxo: criamos um fantástico novo mundo, com tecnologia de ponta, conectividade e possibilidade ilimitada de acesso a recursos e produtos, contudo não desenvolvemos ainda, de forma plena, a “tecnologia cerebral” que enfrente e solucione de modo criativo os desafios que este mesmo mundo por nós criado acabou por nos trazer (Abrantes; Sanmartin, 2017). Nessa mesma linha, Shelton (1999, p. 17) destaca: (...) tentamos mudar as estruturas externas do nosso local de trabalho sem mudar os construtos internos da nossa mente. Em resumo, tentamos criar organizações do século 21 enquanto aqueles de nós que trabalham nestas organizações ainda contam, basicamente, com habilidades do século 17. Apesar de perceber uma certa dose de exagero nas palavras de Shelton (1999), o fato é que tem havido um desacerto entre a evolução tecnológica e a evolução cognitiva da sociedade de forma geral, mais especificamente a evolução associada ao cumprimento das demandas atuais impostas pelo mercado de trabalho e pelas empresas (Abrantes, Sanmartin, 2017). Nessa perspectiva, Abrantes e Sanmartin (2017) acrescentam a ideia de saltos quânticos, originalmente conceituado no mundo da física por Niels Bohr há cerca de um século1. Afinal, o que é um salto quântico? As descobertas de Bohr sobre o comportamento dos elétrons e seu salto, denominado quântico, criaram um ponto de ruptura na compreensão das leis que conduzem o Universo, que se baseavam nas leis de Newton, voltadas exclusivamente para a física dos objetos sólidos e para a realidade macro da existência (Abrantes; Sanmartin, 2017). Ao saltarem de uma órbita para outra, em torno do núcleo, os elétrons agem de forma distinta. Eles não se deslocam pelo espaço da mesma forma como outros objetos, pelo contrário, deslocam-se instantaneamente. Isso é, desaparecem de um lugar, uma órbita, e aparecem em outra. Esse movimento foi denominado de salto quântico (Arntz, 2007). Esse processo de ruptura e imprevisibilidade que descreve o salto quântico assemelha-se ao mesmo processo pelo qual vem padecendo a sociedade sob influência da inovação. As mudanças das últimas décadas não se desenvolveram de forma progressiva e linear, aprimorando os paradigmas e o conhecimento humano. Essas mudanças “criaram descontinuidades, romperam com o processo existente e iniciaram algo novo e, quase https://www.youtube.com/watch?v=uSipPUmYmLI 6 Voltar ao sum ário sempre, surpreendente” (Abrantes, 2011, p. 26). Na verdade, criaram uma lacuna entre o passado e o presente, descontinuando a história e promovendo mudanças sociais sem precedentes. Os impactos aconteceram em todas as áreas, pois afetaram estruturas operacionais, modelos de negócios, estratégias administrativas, e até mesmo as relações, o trabalho em equipe, as necessidades do trabalhador e a relação com o meio ambiente (Abrantes; Sanmartin, 2017). Neste momento, o grande desafio tem sido os demais setores da sociedade, incluindo os negócios, acompanharem os “saltos quânticos” promovidos pela evolução tecnológica e pela inovação em diversos segmentos (Abrantes; Sanmartin, 2017). Neste sentido, Parikh (1997) alerta para a falha no ensino da administração e dos negócios no que se refere à sua adequação ao momento atual. Esse autor levanta a hipótese de que estamos ensinando as soluções de problemas antigos para a resolução de problemas atuais. Tendo em vista que os problemas mudaram, as soluções também precisam passar por transformações. DICA Acesse esse vídeo para melhor compreender o que são os saltos quânticos: https://www.youtube.com/watch?v=uSipPUmYmLI Já iniciamos a terceira década do século 21 e enfrentamos uma realidade educacional e de mercado completamente diferente da que fora vivenciada há poucos anos (Abrantes; Sanmartin, 2017). O aspecto positivo a ser observado é que, entre executivos e profissionais, permeia a percepção de que algo precisa mudar e que isso tem a ver com a nossa maneira de pensar, com a criatividade e com o pensamento inovador para a tomada de decisões (Abrantes; Sanmartin, 2017). A necessidade de inovação é bem compreendida. É lugar comum agora para líderes enfatizar a importância crítica da criatividade e inovação para o futuro das suas organizações. Gerentes que acreditavam que apenas fazer as mesmas coisas de forma mais rápida ou mais barata seria suficiente para o sucesso (ou mesmo para a sobrevivência) agora reconhecem que esta abordagem é insuficiente. Se você continuar fazendo sempre as mesmas coisas, os competidores irão superá-lo. (...) Novas maneiras de fazer as coisas precisam ser encontradas (Sloane, 2007, p. 1). O intuito não é propor a renúncia da racionalidade ao processo decisório, mas de ressaltar os aportes da criatividade e da intuição para a assertividade das decisões nas organizações. Assim, na próxima seção, discutiremos um pouco a respeito das novas competências e da intuição como elementos essenciais para o profissional do século XXI. O profissional do século XXI: as novas competências e a dimensão intuitiva A inserção nesse novo mercado deve passar pela capacidade de mudança dos profissionais. Ressaltamos, assim, a essencialidade do desenvolvimento de competências que permitam que os desafios sejam enfrentados com base em uma abordagem e https://www.youtube.com/watch?v=uSipPUmYmLI 7 Voltar ao sum ário renovados em relação ao que vinha sendo praticado até o final do século 20 e princípio do século 21 (Abrantes; Sanmartin, 2017). John Kao (1997, p. 1-3) apresenta o novo foco para o mundo organizacional: O mundo dos negócios já se lançou em uma nova luta. As antigas buscas – capital, matéria-prima, tecnologiade processos – continuam eternas. Mas hoje as empresas buscam uma nova vantagem – delicada, perigosa e absolutamente vital – a vantagem da criatividade. O foco da história humana evoluiu do solo, das chuvas, do ferro e do carvão. Agora trata da química do cérebro e das pessoas cujos neurônios funcionam mais rápido e melhor. Estamos superando a preocupação com o físico e o financeiro em prol da preocupação com o puramente humano – imaginação, inspiração, engenhosidade e iniciativa. Teixeira (1998, p.19-20) entende que para sobreviver e ter sucesso no contexto atual, as empresas estão buscando profissionais criativos e inovadores, pois: (...) o que o mundo precisa lá fora é de gente capaz de usar bem o cérebro, de tirar coelhos da cartola mesmo quando não houver cartola. Isso se chama criatividade. Não dá mais para conviver com o comum, o tradicional, o possível de ser feito. É preciso pensar no incomum, no novo e fazer o impossível. A necessidade extrema de criatividade no mercado das ideias e da inovação resulta em outra necessidade: a urgência do preparo de lideranças para atuar como catalisadores de criatividade em suas equipes e de estratégias de negócio (Abrantes; Sanmartin, 2017). Os líderes inseridos no novo contexto devem ser capazes de construir organizações que permitam aos indivíduos expandir continuamente sua capacidade de “entender a complexidade, definir objetivos e aperfeiçoar os modelos mentais, ou seja, eles são responsáveis pela aprendizagem organizacional revolucionária” (Campos, 2001, p. 108). Ao refletir sobre liderança, Kao compara o mercado atual a um clube de jazz, onde reina a improvisação, a turbulência, a experimentação e a rapidez. Para ele, a função (criativa) do gerente de hoje é trabalhar o paradoxo central ou a tensão de uma improvisação de jazz, isto é, “localizar o ponto de harmonia sempre móvel em algum lugar entre os sistemas e a análise, por um lado, e o fluxo livre da criatividade individual” (1997, p. 37). E estabelece: “(...) o grande desafio contínuo da gerência da criatividade (ou do ser criativo) é lidar com a tensão entre a arte – a liberdade, a intuição, insight e inspiração – e a disciplina” (1997, p. 41). Percebemos então que o mundo está diferente, as empresas estão diferentes, as relações hoje são diferentes, por isso os profissionais também devem pensar e atuar de forma diferente, desenvolvendo um tipo de inteligência ágil, holística, altamente inovadora e diferenciada (Abrantes; Sanmartin, 2017). Para isso, eles devem “saltar de órbita” em sua maneira de pensar e criar rupturas e descontinuidades na tomada de decisões, nas criações diárias e, até mesmo, nas relações interpessoais (Abrantes; Sanmartin, 2017). Os líderes, de qualquer nível, precisam fomentar o desenvolvimento de sua intuição, de ideias novas e ainda não testadas, com o intuito de se alinharem às mudanças constantes e aceleradas, e obterem resultados diferenciados por meio das pessoas e de seus talentos. Uma nova perspectiva para a criatividade 8 Voltar ao sum ário Amit Goswami discrimina tipos de criatividade: situacional e fundamental. A criatividade situacional tem a ver com a “solução de novos problemas por meio da combinação de ideias antigas e novas. A criatividade fundamental pertence à verdadeira originalidade da qual apenas a consciência em sua liberdade não condicionada é capaz” (GOSWAMI, 2008, p. 50). Uma relação direta com o conceito de criatividade situacional e fundamental é a proposição de Sanmartin (2012, p. 29), ao explorar o tema da inovação nas organizações, fazendo a distinção entre inovação incremental e inovação radical. A inovação incremental é aquela que introduz um aperfeiçoamento num produto, serviço ou processo, ou seja, pequenas transformações e melhoria, enquanto a inovação radical ou de ruptura é aquela que introduz produtos, serviços, processos ou práticas de gestão inteiramente novas, pois rompe com o padrão e propõe um novo conceito. Assim, percebemos uma relação direta entre essas classificações (ver Figura 1). A criatividade situacional apresenta maior proximidade com a Inovação Incremental e a Criatividade Fundamental, maior proximidade com a Inovação Radical. Dessa forma, viabilizamos o uso combinado de Inovação e da Criatividade nas empresas a partir de duas tipificações simples de ambas. Figura 1 – Relação entre Criatividade e Inovação Criatividade Inovação Situacional Fundamental Incremental Radical Fonte: Elaborado pelo autor (2022). Para alcançar a dimensão da criatividade, é importante destacar uma nova habilidade que precisa ser desenvolvida pelos profissionais para a sobrevivência das empresas: a capacidade de utilizar o pensamento intuitivo, que é aquele saber espontâneo e surpreendente, que amplia os contextos mentais e direciona os profissionais para um novo contexto de atuação e criação (Abrantes; Sanmartin, 2017). Neste contexto de incertezas, o profissional, de qualquer segmento, precisa desenvolver e recorrer à intuição para reagir às incertezas no mercado atual. A dificuldade em relação à intuição deve-se ao fato de ela ser difícil de ser determinada 9 Voltar ao sum ário e os pesquisadores preferirem trabalhar com fenômenos objetivos, que podem ser diretamente observados, divididos em partes e explicados de forma objetiva. A dimensão intuitiva Myers e Ray (1996) apontam para a necessidade de desenvolver a intuição como fator decisivo para o pensamento criativo realmente inovador nas empresas. Ao desenvolver cursos de Criatividade nos negócios, em Stanford, os autores percebiam que o clima predominante incluía uma contínua preocupação com a falência do método analítico e científico, assim como uma esperança na alternativa da intuição empresarial. Para eles, a intuição sempre foi primordial para os negócios. Porém, até pouco tempo, fora deixada em segundo plano devido ao predomínio da racionalidade. Atualmente, segundo os autores, a intuição é considerada “uma marca da habilidade gerencial” (Myers; Ray, 1996, p. 36). Weston Agor (1989, p. 11), baseando-se nas pesquisas por ele realizadas com líderes de organizações, estabelece que a intuição é bastante útil para ajudar os executivos nas suas decisões nos contextos que apresentam: • Alto nível de incertezas; • Ausência (quase total) de precedentes experiências anteriores; • Tempo limitado e pressão para o acerto; • Grande número de opções plausíveis e passíveis de serem apoiadas nos argumentos “factuais”; Laura Day (2000, p. 22 e 29) refere-se à utilidade da intuição no dia a dia profissional, ressaltando sua utilidade em campos variados: • Na avaliação de situações; • Como previsão de futuro; • Para localizar oportunidades (novos mercados, novos produtos etc.); • Para criar; • Para resolver problemas sobre a carreira; • Para contratar funcionários; • Para formular estratégias, entre outros. E isso nos leva a refletir e concordar com Sanmartin (2012, p. 128), que aponta: Para que qualquer empresa ou organização possa sobreviver com elegância e solvência, sem angústia e sobressalto, sem conflitos e crises insolúveis, em uma época de turbulência e mudanças rápidas e profundas nas áreas financeiras, culturais, sociais, comunicativas, políticas, tecnológicas, é absolutamente necessário grandes doses de imaginação criadora sistematicamente injetada diariamente no sistema orgânico organizacional neuronal, respiratório, sanguíneo, nutricional e imunológico por todos os membros da organização, em cada departamento. As últimas décadas do século passado foram marcadas por uma transformação intensa 10 Voltar ao sum ário na vida organizacional e profissional, com complexidades nunca antes experimentadas pelo mercado (Abrantes; Sanmartin, 2017). Saímos das máquinas para o cérebro; da racionalidade e lógica determinística para a flexibilidade e as infinitas possibilidades do pensamento humano (Abrantes, Sanmartin, 2017). Certezas foram substituídas por probabilidades,seguranças por riscos e inércia por aprendizagem contínua. Mudar, crescer, criar de forma descontinuada e diferenciada, dando verdadeiros saltos quânticos de pensamento e de gerenciamento parecem ser uma saída para as empresas e profissionais em geral em um mundo que nos convida a repensar o papel não só das empresas, mas também do homem inserido nelas e na sociedade contemporânea (Abrantes; Sanmartin, 2017). Para Abrantes e Sanmartin (2017), é o momento de repensar as organizações e o trabalho com foco numa criatividade intuitiva que: • possibilite rupturas e descontinuidades de pensamento necessárias à expansão do nível de criatividade no trabalho, permitindo o desenvolvimento de novos processos, metodologias, estratégias e produtos com elevado diferencial e originalidade. • abra uma porta de acesso rápido ao pensamento intuitivo e ao inconsciente para gerar soluções improváveis e inusitadas, permitindo o acesso a novas oportunidades e insights inéditos. • auxilie os profissionais na tomada de decisões diárias, em tempos em que o acúmulo de informações e a pressão do tempo dificultam as decisões por meio do modelo exclusivamente racional de solução de problemas. 11 Voltar ao sum ário Gestão da inovação tecnológica2. Fontes de inovação Uma das definições de empreendedor é alguém que enxerga uma oportunidade – e que faz algo a respeito. Seja ele um indivíduo buscando um novo produto ou serviço para enriquecer, um empreendedor social tentando mudar o mundo ou uma organização grande e tradicional buscando um novo nicho de mercado, o desafio está em encontrar oportunidades de inovação (Bessant; Tidd, 2019). Mas de onde vêm as inovações? Elas surgem do nada, como a lâmpada que se acende em cima da sua cabeça nos desenhos animados? Ou são inspirações súbitas, como Arquimedes pulando da banheira e correndo na rua, tão animado com a sua nova ideia, que se esqueceu de se vestir? Esses instantes “Eureca!” são certamente parte das lendas sobre inovação – e de tempos em tempos eles até dão algum resultado. Percy Shaw, por exemplo, ao observar, no olho de um gato à noite, o reflexo, teve a ideia que levou a uma das inovações de segurança rodoviária mais usadas do mundo. Ou George de Mestral, que passeava pelos Alpes suíços, quando notou que os carrapichos se prendiam ao pelo do seu cachorro, o que o inspirou a desenvolver o famoso fecho Velcro. Figura 2 – De onde vêm as Inovações Acidentes: Fatos inesperados e surpreendentes que oferecem novas direçõespara a inovação. Observar os outros: A inovação vem da imitação ou da extensão do que os outros já fazem (benchmarking, engenharia reversa, cópia). Inovação recombinante: Ideias e aplicações de um mundo são transferidas para um novo contexto. Publicidade: revelar e amplificar necessidades latentes. Inspiração: O momento arquimedes Empurrão do conhecimento: criar oportunidades pela ampliaçãodas fronteiras da ciência Inovação movida pelo design. De onde vêm as inovações? Regulamentação: mudar as regras do jogo empurra ou puxa a inovação em novas direções. Usuários como inovadores. Explorar futuros alternativos e diferentes possibilidades. Choques ao sistema: Eventos que mudam o mundo e o modo como pensamos sobre ele e que forçam a inovar em novas direções. Puxão da necessidade: A necessidade é a mãe da invenção, e da inovação também. Fonte: Adaptado de Bessant e Tidd (2019) por EAD Unifor (2022) 12 Voltar ao sum ário Mas a realidade é que a inovação vai muito além de lampejos de inspiração ou ideias brilhantes, ainda que estes possam ser bons pontos de partida (Bessant; Tidd, 2019). Na maior parte do tempo, a inovação envolve um processo de levar as ideias adiante, revisá-las e refiná-las, entremeando os diferentes fios do “espaguete de conhecimento” para formar um produto, processo ou serviço útil (Bessant; Tidd, 2019). Esse processo pode ter início de muitas formas diferentes e, para administrá-lo, é preciso reconhecer essa diversidade e ampliar o foco da busca por oportunidades. A Figura 2 indica a ampla variedade de estímulos que pode iniciar a jornada de inovação. A seguir, apresentamos alguns desses estímulos. Inovação motivada por crises Às vezes, ausência de uma necessidade pode ter o efeito de forçar uma inovação, como demonstram os exemplos da guerra e de outras crises. Demanda por ferro e produtos derivados, por exemplo, aumentou enormemente com a Revolução Industrial, o que revelou os limites dos métodos anteriores de fundição pelo uso do carvão vegetal, criando a pressão que levou a avanços, como o conversor de Bessemer. De forma idêntica, a crise energética tem criado uma “puxada” significativa por inovações em torno de fontes alternativas de energia em uma explosão nos investimentos nessa área (Bessant; Tidd, 2019). Um exemplo poderoso do impacto que as crises podem ter na motivação de inovações ocorre no contexto de grandes desastres humanitários, como visto após terremotos, furacões e enchentes. A necessidade de improvisar soluções em torno de logística, abrigo, saúde, saneamento e energia, força a inovação a se acelerar. Usuários como inovadores É fácil cair na armadilha de achar que o "puxão da necessidade" da Inovação envolve um processo no qual as necessidades dos usuários são identificadas e então algo é criado para atendê-las (Bessant; Tidd, 2019). Isso pressupõe que os usuários são agentes passivos no processo, o que, necessariamente, não é uma verdade absoluta. Em muitos casos, os usuários estão adiantados. Eles combinam suas ideias e ações a soluções existentes para experimentar e criar algo de novo. Às vezes, esses protótipos se transformam em inovações para o grande público. Eric von Hippel, do Massachusetts Institute of Technology (MIT), estuda esse fenômeno há décadas. Um exemplo que ele nos oferece é a Picape, um produto tradicional da indústria automotiva. Essa categoria importante de veículo não nasceu entre os projetistas de Detroit, mas sim das fazendas e sítios de uma ampla gama de usuários que queriam mais do que um sedã familiar. Para adaptar seus carros, eles removeram assentos e soldavam peças novas e cortavam o teto fora; no processo, eles construíram protótipos e desenvolveram o modelo inicial da picape (Bessant; Tidd, 2019). Foi, então, mais tarde que as montadoras americanas descobriram essa nova prática, iniciando, assim, um processo de inovação incremental para produzir o veículo em massa. Diversos outros exemplos sustentam a ideia de que a Inovação, guiada pelo usuário, é importante, incluindo dispositivos médicos, o refino de petróleo, instrumentos científicos, semicondutores, equipamentos esportivos e a câmera fotográfica Polaroid. É importante observar que os usuários ativos, em muitos casos, estão adiantados em relação ao mercado no que se refere à necessidade de inovação. 13 Voltar ao sum ário Usando a multidão Em 2006, o jornalista Jeff Howe cunhou o termo crowdsourcing, em seu livro Crowdsourcing: the power of the crowd is driving the future of business. Crowdsourcing é um fenômeno no qual uma organização faz um apelo aberto a uma rede de grande porte em busca de contribuições voluntárias ou do desempenho de alguma função. Os requisitos fundamentais são que o chamado seja aberto e que a rede (a multidão ou crowd) seja suficientemente grande. O crowdsourcing desse tipo pode ser fomentado por diversas vias diferentes, como concursos, mercados e comunidades de inovação (Bessant; Tidd, 2019). Prototipagem As inovações não nascem; elas são criadas. Isso significa que é preciso pensar sobre modificar, adaptar e configurar a ideia original (Bessant; Tidd, 2019). O feedback e a prototipagem nas fases iniciais de um projeto de produto inovador ajudam a moldá-la e a garantir que atenda às necessidades do público-alvo, garantindo que as características foram são compreendidas e devidamente valorizadas (Bessant; Tidd, 2019). Um princípio essencial para se obter inovaçõesé se aproximar dos possíveis usuários o mais cedo possível. Uma forma de fazer isso é desenvolver um protótipo simples. Ele serve como “objeto limítrofe”, algo que pode reunir todos os participantes para que eles apresentem suas ideias; no processo, a inovação se transforma em um projeto coletivo (Bessant; Tidd, 2019). Essa abordagem é largamente utilizada por empreendedores que se encontram na etapa de início de um novo empreendimento. O método da “startup enxuta’, por exemplo, preconiza que o processo precisa ser de formação e modificação da ideia original. Lançar um produto mínimo viável (MVP) no mercado possibilita que a ideia seja testada e adaptada junto a um pequeno número de clientes (Bessant, Tidd, 2019). Dessa forma, há tempo para “pivotar” a ideia original e buscar uma nova maneira de executá-la, tendo em vista o feedback recebido do MVP. Esse protótipo não precisa e nem deve ser perfeito, mas permite uma experimentação realística, o que ajuda a entender o que precisa mudar no novo empreendimento (Bessant; Tidd, 2019). A prototipagem se aplica, por exemplo, nas versões Beta de software ou de projetos piloto montados com o intuito de explorar e aprender, não de ofertar um produto ou serviço em sua versão final, pronto para ser lançado para o mercado. Observar os outros e aprender com eles Outra fonte importante de inovação vem de observar os outros. A imitação também é uma estratégia viável para se obter inovações. Parte considerável do rápido avanço das economias dos países asiáticos após a segunda guerra mundial se baseou na estratégia de “copiar e desenvolver”, em que ideias ocidentais eram adotadas, copiadas e melhoradas (Bessant; Tidd, 2019). Uma variação influente desse tema é o conceito de benchmarking. Neste processo, as empresas fazem comparações para experimentar e descobrir novas formas de exercer processos específicos para explorar novos conceitos de produtos e serviços (Bessant; Tidd, 2019). A aprendizagem estimulada por benchmarking pode vir da comparação entre organizações análogas ou da busca para o setor de produtos ou processos idênticos. 14 Voltar ao sum ário Uma das aplicações mais bem-sucedidas do benchmarking ocorreu no desenvolvimento do conceito de “pensamento enxuto”, hoje, amplamente utilizado em diversas organizações públicas e privadas. Esse conceito surgiu de um estudo de benchmarking detalhado em montadoras de automóveis nos anos 1980 em que se identificaram diferenças significativas de desempenho, gerando inovações de processo fundamentais. O dilema da gestão da inovação O livro “O Dilema da Inovação” discute o conceito de inovação a partir de uma ótica infrequente: na perspectiva de que empresas administradas de forma tradicional podem falhar. A questão central do livro é apresentada da seguinte forma: Por que as empresas bem administradas fracassam? Baseado na lógica paradoxal, o autor verifica que a causa do fracasso de empresas, às vezes até concebidas como exemplo, está em não reconhecer que as capacidades, práticas e culturas são importantes em algumas situações e que essas condições são únicas para cada empresa (Bazanini, 2013). A causa desse fracasso é a falta de esperteza por parte dos gestores, pois as mesmas práticas de gestão que possibilitaram à empresa se tornar líder do setor e que, repetidamente, estão relacionadas às tecnologias incrementais, não se constituem práticas dominantes (Bazanini, 2013). O autor ressalta que, se por um lado, as práticas tradicionais são adotadas por várias organizações, por outro constituem barreiras que dificultam o desenvolvimento de tecnologias de ruptura. Essa constatação conduz a um novo questionamento: ou grandes empresas foram mal administradas e contaram com a sorte nos sucessos que alcançaram ou existe algo de errado com a denominação “boa administração” que conduz invariavelmente ao fracasso (Bazanini, 2013). A pesquisa do autor sustenta-se em defesa da ideia de que a razão mais aceita pela qual as empresas não foram bem sucedidas pode ser atribuída aos princípios da “boa administração”, como: ouvir clientes, investir largamente em tecnologia e estudar cuidadosamente o mercado etc. (Bazanini, 2013). A estrutura dessa deficiência é construída a partir de três pressupostos: distinção entre tecnologias incrementais e tecnologias de ruptura, mudanças aceleradas nos mercados oriundas do progresso tecnológico e a tendência de grandes organizações cobrirem as classificações de investimentos que lhe parecem atrativas em relação às que ingressam no mercado (Bazanini, 2013). Dentre essas propriedades, em termos de inovação, a distinção tecnológica merece atenção especial, tendo em vista que as tecnologias de ruptura, que alteram a proposta de valor frequentemente, oferecem, de início, desempenhos menores em termos dos atributos aos quais os consumidores habituais estão acostumados (Bazanini, 2013). Para melhor explicar as tecnologias de ruptura, o autor sintetiza nas páginas 298-299 os quatro princípios de sua teoria (Bazanini, 2013, p. 100): 1. As empresas dependem de clientes e investidores para obter recursos. Por essa razão, muitas empresas consideram difícil investir recursos em tecnologia de ruptura para não contrariar seus clientes. 15 Voltar ao sum ário 2. Pequenos mercados não resolvem as necessidades de crescimento de grandes empresas. Inversamente ao proposto, para manter suas taxas de crescimento, as empresas devem estar focalizadas em grandes mercados. 3. Mercados que não existem não podem ser analisados. Por serem muito “realistas”, as empresas tradicionais ficam paralisadas quando deparam com tecnologias de ruptura, visto que não dispõem de dados sobre mercados inexistentes. 4. Fornecimento de tecnologia pode não se igualar à demanda do mercado. Embora as tecnologias de ruptura sejam, de início, utilizadas em pequenos mercados, posteriormente, tendem a se tornar competitivas em mercados tradicionais, tendo em vista que o ritmo do progresso tecnológico, via de regra, supera a taxa de melhoria que os clientes tradicionais desejam ou podem absorver. Diante do exposto, um dos erros que os gestores cometem ao lidar com novas tecnologias está em combater ou superar os Princípios da Tecnologia da Ruptura ao se manterem ligados às práticas da administração tradicional com base nas tecnologias incrementais. Como solução prática, o autor propõe quatro orientações básicas para os gerentes que encaram as tecnologias de ruptura (Bazanini, 2013, p. 100): 1. Dar a responsabilidade das tecnologias de ruptura às organizações cujos clientes necessitam delas para fazer fluir os recursos. 2. Criar uma organização diferente, pequena o bastante para se entusiasmar com ganhos modestos. 3. Considerar no planejamento a possibilidade de fracasso e, para isso, não apostar todos os recursos para acertar logo na primeira vez. Inicialmente, uma tecnologia de ruptura deve servir como oportunidade de aprendizagem. Fazer revisões à medida que os dados sejam coletados. 4. Não confiar nas rupturas. Ir além do mercado tradicional para descobrir que as tecnologias não atrativas para os mercados tradicionais serão as mesmas nas quais os novos mercados serão construídos. Atualmente, Christensen considera inovação de ruptura como aquela que transforma um produto caro e complexo em algo simples e acessível. Uma inovação de ruptura é aquela que transforma um produto que historicamente era tão caro e complexo que só uma pequena parte da população podia ter e usar, em algo que é tão acessível e simples que uma parcela podia ter e usar. Em geral, isso cria um novo mercado. Ocasionalmente, o produto de ruptura pode se enraizar na base de um mercado existente. Mas, em ambos os casos, a economia do produto e de mercado é tão pouco atraente que os líderes no setor são levados a se afastar da ruptura, em vez de combatê-la. (Christensen, 2011, p. 14). Em termos aplicados, o teor do Dilema da Inovação consisteem apresentar um conjunto de regras para se progredir além da inovação incremental com o desígnio de auxiliar os 16 Voltar ao sum ário gestores em diferenciar as situações em que se deve ou não ouvir os clientes, quando se deve investir no desenvolvimento de produtos com desempenho inferior e margens mais modestas, e como aproveitar as oportunidades para se buscar mercados menores em detrimento dos mercados aparentemente maiores e mais lucrativos (Bazanini, 2013). Enfim, o livro propõe uma série de princípios, regras e exemplos de sua aplicação em diversas empresas para que os gestores possam analisar criticamente a pertinência do dilema da inovação hodiernamente. Gestão do conhecimento tecnológico na empresa Vários autores afirmam que as empresas mais inovadoras, que se destacam no mercado global, têm o conhecimento como principal fonte de estratégia. Nessas empresas, a gestão do conhecimento faz parte do trabalho e da cultura organizacional. A gestão do conhecimento assume um papel de destaque para as empresas dos mais diversos setores da economia. Para a gestão desse conhecimento, é fundamental localizá- lo e identificá-lo nas empresas. Para Nonaka & Takeuchi (1997), “o conhecimento está profundamente enraizado nas ações e experiências de um indivíduo, bem como em suas emoções, valores e ideais” (p. 7). Esses autores afirmam que o conhecimento disponível em números e palavras, chamado conhecimento explícito, representa apenas uma pequena parte de todo o conhecimento existente, pois a maior parte desse conhecimento é tácita, ou seja, amplamente subjetiva. O conhecimento explícito tem como característica a possibilidade de ser transmitido eletronicamente e armazenado em bancos de dados; por outro lado, a natureza subjetiva e intuitiva do conhecimento tácito dificulta o seu processamento ou a sua difusão por algum procedimento lógico ou sistemático. O conhecimento tácito, para ser comunicado e compartilhado dentro da empresa, precisa ser convertido ou codificado em palavras ou números que facilitem sua compreensão. As empresas precisam, então, desenvolver habilidades que transformem conhecimento tácito em conhecimento explícito capaz de auxiliar na inovação e no desenvolvimento de novos produtos, pois, segundo Nonaka e Takeushi (1997), o conhecimento só pode ser criado por indivíduos. A organização precisa dar suporte aos indivíduos criativos e lhes fornecer um contexto adequado para a criação do conhecimento. Edvinsson & Malone (1998) apontam que as empresas são cada vez mais valorizadas pelos seus ativos intangíveis (não físicos), de difícil avaliação. O conceito de ativo intangível surgiu em resposta a um crescente reconhecimento de que elementos subjetivos podem ter uma participação de destaque para a definição do valor de uma empresa. Estes valores se materializam em marcas registradas, patentes, direitos exclusivos de comercialização, direitos autorais etc. O capital intelectual tem origem no conhecimento, representado por ativos não financeiros. A gestão do capital intelectual é, em suma, a combinação entre capital estrutural e humano (Edvinsson; Malone, 1998). Capital humano é todo conhecimento, capacidade, experiência e habilidade individual dos colaboradores e gestores, ou seja, a criatividade em ação. Capital estrutural pode ser descrito como sendo a estrutura, a base e o empoderamento que sustenta o capital humano. O capital estrutural é construído pelo capital humano. Uma das atribuições dos líderes é transformar o capital humano em capital estrutural para ampliar a influência da organização (Edvinsson; Malone, 1998). 17 Voltar ao sum ário Para que o conhecimento atue como elemento de vantagem competitiva sustentável, ele precisa ser gerenciado proativamente pelas empresas. Isto só ocorre no instante em que as organizações são capazes de dar suporte para o compartilhamento e a criação de conhecimento, conseguindo capturá-lo por meio de seus processos, cultura, normas, sistemas, produtos e regras (Edvinsson; Malone, 1998). A gestão do conhecimento tecnológico procura compreender o progresso tecnológico e seus impactos, com o intuito de capacitar as pessoas e as instituições para lidar com as mudanças, integrando a inovação à gestão estratégica da organização (Sbragia, 2000). O Relatório do Desenvolvimento do Banco Mundial (1998-1999), intitulado Knowledge for Development, destaca dois tipos de conhecimentos para o desenvolvimento da sociedade: o conhecimento tecnológico, referente ao know how, e o conhecimento sobre atributos, que se refere à qualidade dos produtos, qualificação dos trabalhadores e credibilidade das empresas. Este relatório destaca o aumento da desigualdade em relação à divisão do conhecimento tecnológico entre países. O impacto das novas tecnologias, baseadas no conhecimento científico, tem criado novas indústrias e incentivado a expansão da economia. As indústrias de base tecnológica têm promovido amplas mudanças na qualidade de vida das pessoas. A inovação tecnológica tem sido usada para se ganhar e sustentar vantagens competitivas, em detrimento do ataque de competidores, ou para criar vantagem competitiva necessária para combater outro competidor. Gestão da propriedade intelectual O que é propriedade intelectual? Para entender o que é propriedade intelectual, é importante compreender o significado de cada uma dessas palavras. De acordo com o Novo Dicionário da Língua Portuguesa, entende-se por “propriedade”, entre outros significados, o “direito de usar, gozar e dispor de bens e de reavê-los do poder de quem quer que injustamente os possua” e “bens sobre os quais se exerce esse direito”. É possível concluir, então, que o titular da propriedade tem liberdade para usá-la da forma como quiser, desde que esse uso não seja ilegal, e é livre, ainda, para impedir que alguém a utilize. Acrescenta-se o adjetivo “intelectual”, que, segundo o mesmo dicionário, significa “possuir dotes de espírito, de inteligência”. Propriedade intelectual refere-se, de forma ampla, às criações do homem e aos direitos de proteção dos interesses daqueles que criaram em relação a suas criações. Destaque-se que o direito à propriedade intelectual se relaciona à informação ou ao conhecimento incorporado. Assim, a propriedade intelectual não é sobre os objetos e suas cópias, mas sobre a informação ou o conhecimento incorporado nesses objetos e cópias, sendo, então, um ativo intangível. O que a propriedade intelectual abrange? A expressão “propriedade intelectual” se divide em três grandes grupos, a saber: direito autoral, propriedade industrial e proteção sui generis, como mostra a Figura 3. O direito autoral compreende: a) Direitos de autor que, por sua vez, abrangem: • obras literárias, artísticas e científicas; • programas de computador; • descobertas científicas. 18 Voltar ao sum ário b) Direitos conexos abrangem as interpretações dos artistas intérpretes e as execuções por parte dos artistas executantes, os fonogramas e as emissões de radiodifusão. A propriedade industrial abrange: a) Patentes que protegem as invenções em todos os domínios da atividade humana; b) Marcas, nomes e designações empresariais; c) Desenhos e modelos industriais; d) Indicações geográficas; e) Segredo industrial e repressão à concorrência desleal. Figura 3 – Modalidades de Direitos de Propriedade Intelectual Pr op rie da de In te le ct ua l Marca Patente Desenho Industrial Indicação Geográfica Segredo Industrial & Repressão à Concorrência Desleal Direito de Autor Direitos Conexos Programa de Computador Topografia de Circuito Integrado Cultivar Conhecimento Tradicional Proteção Sui Generis Propriedade Industrial Direito Autoral Fonte: Adaptado de Jungman (2010) por EAD Unifor (2022) A proteção sui generis abrange: a) Topografias de circuitos integrados; b) As cultivares; c) Conhecimentos tradicionais. Como poderá ser constatado a seguir, dependendo da estratégia da empresa, ummesmo produto poderá dispor de vários tipos de proteção, cobrindo diferentes aspectos desse produto (Figura 4). Assim, a empresa poderá impedir terceiros, em todos os territórios em que dispõe de proteção, de copiar, produzir, usar, colocar à venda, vender, importar, exportar seu produto sem o seu consentimento. 19 Voltar ao sum ário Figura 4 – Proteção de Produtos por Diferentes Combinações de Direitos de Propriedade Intelectual Produto “A” Marca Patente Desenho Industrial Produto “B” Marca Patente Segredo de Negócio Produto “C” Marca Patente Topografia de Circuito Produto “D” Marca Programa de Computador Topografia de Circuito Produto “E” Marca Direitos de Autor Direitos Conexos Fonte: Adaptado de Jungman (2010) por EAD Unifor (2022) 20 Voltar ao sum ário RESUMO DO PERCURSO DE APRENDIZAGEM Neste Percurso de Aprendizagem abordamos aspectos relacionados à gestão e a sociedade do conhecimento. Tendo em vista o objetivo de apresentar as dimensões internas e externas à empresa que potencializam o desenvolvimento de inovações, nós discutimos as organizações em tempos de caos e incerteza, abordando especificamente a criatividade, o profissional do século XXI e dimensão intuitiva dos gestores. Apresentamos alguns aspectos relacionados à gestão da inovação tecnológica, destacando, por exemplo, as fontes de inovação, o uso de protótipos, a gestão do conhecimento e da propriedade intelectual. Dessa forma, foi possível refletir a respeito do papel da criatividade no processo inovativo das organizações. RESUMO DO PERCURSO DE APRENDIZAGEMRESUMO DO PERCURSO DE APRENDIZAGEM 21 Voltar ao sum ário REFERÊNCIAS ABRANTES, ANA. A conexão coração: empresas e organizações pulsando no ritmo sincronizado entre cérebro e coração. Rio de Janeiro: Mauad X, 2011. ABRANTES, A.; SANMARTIN, S. M. Intuição e criatividade na tomada de decisões - São Paulo: Trevisan Editora, 2017. 25Mb; e-PUB. Disponível em: https://integrada. minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595450158. AGOR, Weston H. Intuition in organizations: leading and managing pro ductively. Califórnia: Sage Publications, 1989. ARNTZ, William; CHASSE, Betsy; VICENTE, Mark. Quem somos nós? – a descoberta das infinitas possibilidades de alterar a realidade diária. 9. ed. Tradução de Doralice Lima. Rio de Janeiro: Prestígio Editorial, 2007. BESSANT, J.; TIDD, J. Inovação e Empreendedorismo. 3ª ed. Porto Alegre: Bookman, 2019. Disponível em: https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582605189. BAZANINI, Homero Leoni. O lado obscuro das novas tecnologias - The dark side of new technologies. Comunicação & Inovação, v. 14, n. 27, p. 99-100, 2013. CAMPOS, Celso. A organização inconformista: como identificar e transformar mentes revolucionárias em um diferencial competitivo. Rio de Janeiro: FGV, 2001. DAY, Laura. Manual de intuição prática. Tradução de José Lopes. Rio de Janeiro: Record: Rosa dos Tempos, 1997. https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595450158 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788595450158 https://integrada.minhabiblioteca.com.br/#/books/9788582605189 COORDENAÇÃO DA EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Coordenação Geral Andrea Chagas Alves de Almeida Supervisão de Planejamento EAD Ana Flávia Beviláqua Melo Supervisão de Recursos EAD Francisco Weslley Lima Analista Educacional - Pedagógico Lara Meneses Saldanha Nepomuceno Analista Educacional - Mídias Emanoel Alves Cavalcante Projeto Instrucional Ana Lucia Do Nascimento Maria Mirislene Vasconcelos Revisão Gramatical Janaína de Mesquita Bezerra José Ferreira Silva Bastos UNIVERSIDADE DE FORTALEZA (UNIFOR) Presidência Lenise Queiroz Rocha Vice-Presidência Manoela Queiroz Bacelar Reitoria Fátima Maria Fernandes Veras Vice-Reitoria de Ensino de Graduação e Pós-Graduação Maria Clara Cavalcante Bugarim Vice-Reitoria de Pesquisa José Milton de Sousa Filho Vice-Reitoria de Extensão Randal Martins Pompeu Vice-Reitoria de Administração José Maria Gondim Felismino Júnior Diretoria de Comunicação e Marketing Ana Leopoldina M. Quezado V. Vale Diretoria de Planejamento Marcelo Nogueira Magalhães Diretoria de Tecnologia José Eurico de Vasconcelos Filho Diretoria do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão Danielle Batista Coimbra Diretoria do Centro de Ciências da Saúde Lia Maria Brasil de Souza Barroso Diretoria do Centro de Ciências Jurídicas Katherinne de Macêdo Maciel Mihaliuc Diretoria do Centro de Ciências Tecnológicas Jackson Sávio de Vasconcelos Silva AUTOR ELNIVAN MOREIRA DE SOUZA Doutor em Administração de Empresas pela Universidade de Fortaleza - UNIFOR (2015-2019), com estágio no exterior (doutorado sanduíche) na Simon Fraser University (Canadá, 2018). Mestre em Administração de Empresas pela Universidade Estadual do Ceará - UECE (2012-2014). Especialista em Marketing (2007-2009) e Graduado em Administração de Empresas (2001- 2006) pela Universidade Federal do Ceará - UFC. Tem experiência na área de Administração, com ênfase em Empreendedorismo, Inovação, Estratégia e Tecnologias de Apoio à Gestão. Seus tópicos de pesquisa são Capacidade Dinâmica (Gerencial e Cognitiva), Modelo de Negócios, E-business e Indústria 4.0. RESPONSABILIDADE TÉCNICA Identidade Visual / Arte Francisco Cristiano Lopes de Sousa Paulo Renato Mendes Almeida Editoração / Diagramação Emanoel Alves Cavalcante Rafael Oliveira de Souza Rebeka Melo Peres Régis da Silva Pereira Produção de Áudio e Vídeo José Moreira de Sousa Pedro Henrique de Moura Mendes Programação / Implementação Renan Alves Diniz Thais Rozas Teixeira