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Análise de vibração - Elem Motores Elétricos Cálculo de Alinhamento - MIIT 09

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Manutenção Baseada em Fiabilidade 1
Noticias da Manutenção 
Baseada em Fiabilidade 
Divulgação de noticias sobre Controlo de Condição, 
Manutenção e o MIIT N.º 9 – Maio 2004 
 
Editorial 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Índice 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Notícias do 
Reduzir custos sem perder o negócio, é actualmente 
um dos problemas que mais preocupa quem gere as 
organizações. 
Não se trata de conseguir fazer omoletes sem ovos 
mas ‘apenas’ definir o volume mínimo destes. 
 
Porque a manutenção influi de forma muito 
significativa, mas em geral pouco tangível, no 
mecanismo de formação de custos, a tentação de 
reduzir os custos a ela associados é, em geral, grande.
 
Quando essa redução é feita sem avaliar o respectivo 
impacto, o risco associado a essa redução é grande. 
Os meios disponíveis para responder a estas situações 
permitem aproximações credíveis, por aplicação de 
metodologias ou tecnologias fiáveis e testadas. 
 
Trata-se de aplicar a engenharia à manutenção, quer 
por via do controlo de condição, das análises de 
revisão de projecto, aplicando a metodologia RAM, ou 
de aproximações analíticas pontuais para reduzir 
pontos fracos ou organizativas para promover melhoria 
contínua. 
 
O MIIT tem-se especializado nestes domínios, no 
sentido de ser o parceiro para atingir a melhor relação 
Disponibilidade /Custo. 
 
1 - Notícias do 
 
2 - Artigos Técnicos 
 
ARTIGO 1 – Cálculo dos Movimentos no Alinhamento 
 
ARTIGO 2 – Diagnóstico de Motores Eléctricos 
 
5 Dicas para Reduzir os Seus Custos de Manutenção 
 
3 - NOTA FINAL 
Próximos Cursos 
 
Informatização e Gestão Global da 
Manutenção 
- Introdução à Organização e Informatização da 
Manutenção 
- Optimização da Gestão Informatizada da 
Manutenção 
 
RCM 
- Introdução à Análise do Custo do Ciclo de Vida / 
RAMS 
 
TPM 
- Curso Prático de Quantificação e Reporte em 
TPM 
 
Controlo de Condição 
- Curso Básico de Medição de Vibrações 
- Curso Avançado de Diagnóstico 
- Integração de Tecnologias de Controlo de 
Condição – Vibrações e Óleos 
- Introdução à Utilização de Proximiters em Análise 
de Vibrações 
- Alinhamento de Acoplamentos 
 
Engenharia de Ruído, Vibração e Tribologia 
- Introdução à Análise Modal Experimental 
 
Higiene, Segurança e Ambiente 
- Vibrações no Corpo Humano 
 
Detalhes sobre estas acções em www.miit.pt. 
CERTIFICAÇÃO DA QUALIDADE 
 
O MIIT, numa filosofia de melhoria contínua, que é cada
vez mais necessária, está a terminar o seu Sistema da
Qualidade, com vista à Certificação ISO 9001:2000. 
IMPLEMENTAÇÃO NA CML do WINGEST - Módulo 
de Gestão de Contratos e Concursos Públicos do 
Int’Graal 
O MIIT encontra-se a implementar, na Câmara
Municipal de Lisboa, o seu software de Gestão de
Contratos e Concursos Públicos. Este software será
utilizado para a gestão automatizada dos processos
e procedimentos e gestão de empreitadas de obras
públicas na câmara da capital. 
Tem dúvidas sobre Manutenção Condicionada ou 
análise de vibrações? Visite o nosso FÓRUM : 
 
http://www.network54.com/Hide/Forum/192794 
INSTALAÇÃO DE SISTEMA ROD-DROP 
 
A análise de vibrações aplica-se cada vez mais
também a máquinas alternativas. O MIIT encontra-se a
instalar um sistema de monitorização rod-drop num
compressor de dióxido de carbono. Este sistema, com
recurso a proximiters, permite acompanhar a deflexão
e, por consequente, as folgas nos pistões do
compressor. 
 Manutenção Baseada em Fiabilidade 2
 
Cálculo dos Movimentos no Alinhamento 
João Lourenço, MIIT
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Depois de no último número termos abordado as 
dificuldades com que nos podemos deparar no 
alinhamento de uma máquina, neste artigo vamos 
debruçar-nos sobre o cálculo das correcções a partir 
das leituras com os comparadores. Num alinhamento 
laser, este procedimento é efectuado pelo 
equipamento, mas a maior parte dos alinhamentos 
são feitos com recurso a comparadores. 
 
Muitas pessoas que efectuam alinhamentos sabem 
utilizar os comparadores para medir o 
desalinhamento. Mas quando chega a altura de 
movimentar as máquinas, a operação é feita muitas 
vezes por tentativa e erro, geralmente por 
desconhecimento de como calcular os movimentos 
necessários ao alinhamento da máquina. O 
procedimento não é difícil e, uma vez apreendido, 
permite poupar muito tempo num alinhamento. 
 
MONTAGEM DOS COMPARADORES 
 
Existem diversas técnicas de alinhamento com 
comparadores, mas vamos apenas abordar a mais 
comum, o alinhamento por medição na face e 
periferia, que se caracteriza por: 
 
• 2 comparadores montados no veio da máquina 
móvel, a medir os afastamentos do veio da 
máquina fixa. 
• Um dos comparadores mede os afastamentos 
radiais, enquanto o outro mede o afastamentos 
axiais. 
• Os veios poderão rodar solidários, ou estar 
desacoplados, rodando neste caso apenas o da 
máquina móvel. 
 
 
 
CONVENÇÕES 
 
Para que não hajam equívocos durante o 
alinhamento, é necessário estabelecer, desde o 
início, os sinais e sentidos e respectiva relação. 
 
 
 
 
 
Vai-se considerar que o ponto de referência do 
operador é de frente para o motor eléctrico. Em 
relação a esta perspectiva, iremos rodar a nossa 
 
máquina sempre no sentido dos ponteiros do relógio 
para medir nas diversas posições. 
 
 
 
 
É útil definir também desde já os nomes para os 
diversos valores lidos nos comparadores, utilizando 
sempre a analogia com os ponteiros do relógio. 
 
 
 
 
 
 
 
 
(valores em 1/100 mm) 
 
Será necessário também obter algumas dimensões 
da máquina: 
 
A – distância entre as sapatas do motor (mm) 
B – distância entre a sapata frontal e a face do 
acoplamento (mm) 
C – distância entre as 2 metades do acoplamento 
(mm) 
dia – diâmetro do círculo descrito pelo comparador 
axial (mm) 
 
REGRA DE VALIDAÇÃO 
 
Uma forma simples de sabermos se os valores que 
estamos a ler dos comparadores são verdadeiros, é 
utilizando uma regra de validação simples. Esta 
regra estabelece que a soma dos valores lidos na 
direcção horizontal deve ser igual à soma dos 
valores da vertical. Isto tanto para os valores radiais 
como para as axiais. 
 
 
R0
veio R3
R6
R9
RADIAL
A0 
veio A3
A6 
A9 
AXIAL 
+ 
+ 
- 
- 
MÓVEL FIXA
A B C
frente trás 
dia 
 Manutenção Baseada em Fiabilidade 3
 
 
Caso tal não se verifique, podemos estar na 
presença de um dos seguintes problemas: 
 
• Mau funcionamento ou má montagem dos 
comparadores. 
• Irregularidades na superfície do acoplamento 
• Folgas no veio 
• Veio deformado ou empenado 
• Erros de leitura 
 
Há que corrigir estes erros, para ser possível 
efectuar o alinhamento. 
 
CÁLCULO DOS AFASTAMENTOS 
 
Para quantificar o desalinhamento, necessitamos de 
calcular os afastamentos no centro do acoplamento, 
a partir dos valores lidos nos comparadores. 
 
Os desvios radiais nas direcções horizontal e vertical 
vêm calculam-se da seguinte forma: 
 
 
Dia
CARDesvioV ×
×−=
2
6
2
6
 
 
( )
Dia
CAARRDesvioH ×
×−−
−
=
2
39
2
39
 
 
(valores em 1/100 mm) 
 
E os ângulos, também nas direcções horizontal e 
vertical: 
 
 
106
×=
Dia
AÂnguloV 
 
1039
×
−
=
Dia
AAÂnguloH 
 
(valores em µm/mm = mrad) 
 
São estes valores que reflectem o real 
desalinhamento entre os dois veios, e servem para 
comparar com os diversos critérios e normas. 
 
CÁLCULO ANALÍTICO DAS CORRECÇÕES 
 
O cálculo das correcções através da aplicação de 
fórmulas matemáticas não oferece grande 
dificuldade, mas poderá ser ainda mais simplificado 
se construirmos uma folha de cálculo, em Excel. 
Precisamos dos valores lidos nos comparadores e 
das medidas recolhidas, como explicado no início. 
 
Assim, para as correcções na vertical: 
 
2
66 RA
Dia
CBY frente −×
+
= 
 
2
66 RA
Dia
CBAY trás −×
++
= 
 
Um valor positivo indica que teremos que subir o 
motor e se for negativo, teremos que baixá-lo. 
 
Após efectuarmos as correcções ao nivelamento do 
motor e confirmarmos que o resultado foi satisfatório, 
através de uma nova série de medidas,iremos 
corrigir a sua posição horizontal. 
 
( )
2
3939 RRAA
Dia
CBAX trás
−
−−×
++
= 
 
( )
2
3939 RRAA
Dia
CBX frente
−
−−×
+
= 
 
Um valor negativo indica que teremos que chegar o 
motor para a esquerda e se for negativo, para a 
direita. 
 
TOLERÂNCIAS DE ALINHAMENTO 
 
Existem inúmeros critérios com tolerâncias de 
alinhamento, muitos deles até recomendados pelos 
próprios fabricantes das máquinas ou dos 
acoplamentos. Apresenta-se a seguinte tabela, com 
as tolerâncias de alinhamento recomendadas pela 
CSI, que poderá ser utilizada para qualquer máquina 
em geral. 
 
Desvio Radial 
(1/100 mm) 
Ângulo 
(mrad) Velocidade 
(RPM) excelente aceitável excelente aceitável 
 7000 1 3 0.20 0.25 
 
 Manutenção Baseada em Fiabilidade 4
Diagnóstico de Motores Eléctricos 
Carlos Renato, MIIT
 
Motores Eléctricos AC 
 
O accionamento de máquinas e equipamentos 
mecânicos por motores eléctricos é um assunto de 
extraordinária importância económica. No campo de 
accionamentos industriais, avalia-se que de 70 a 
80% da energia eléctrica consumida pelo conjunto de 
todas as industrias seja transformada em energia 
mecânica através de motores eléctricos. 
 
O nosso estudo torna-se mais relevante, já que a 
maioria dos motores eléctricos utilizados na industria 
são de motores de indução gaiola de esquilo. 
 
 
 
O motor assíncrono é constituído basicamente pelos 
seguintes elementos: 
 
- um circuito magnético estático, constituído por 
chapas ferromagnéticas empilhadas e isoladas 
entre si, ao qual se dá o nome de estator; 
- por bobines (n. de grupos, consoante o motor 
monofásico ou polifásico) localizadas em cavas 
abertas no estator e alimentadas pela rede de 
corrente alternada; 
- por um rotor constituído por um núcleo 
ferromagnético, também laminado, sobre o qual 
se encontra um enrolamento ou um conjunto de 
condutores paralelos, nos quais são induzidas 
correntes provocadas pela corrente alternada 
das bobinas do estator. 
 
 
 
O rotor é apoiado num veio, que por sua vez 
transmite à carga a energia mecânica produzida. O 
entreferro (distância entre o rotor e o estator) é 
bastante reduzido, de forma a reduzir a corrente em 
vazio e portanto as perdas, mas também para 
aumentar o factor de potência em vazio. 
 
Como exemplo apresentamos a "projecção" dos 
diversos elementos o motor assíncrono de rotor em 
gaiola de esquilo (ver figura). 
 
Manutenção Condicionada em Motores Eléctricos 
 
A implementação de um sistema de manutenção 
condicionada em motores eléctricos AC é bastante 
importante, uma vez que permite detectar 
atempadamente determinadas avarias mecânicas e 
eléctricas graves. 
 
A técnica de 
manutenção 
condicionada mais 
importante e utilizada é 
a análise de vibrações. 
Através do seguimento 
de tendência de 
determinados 
parâmetros é possível 
determinar a condição 
de funcionamento da 
máquina analisada ,assim como, diferenciar 
anomalias mecânicas das eléctricas. 
 
Das anomalias mecânicas destacamos: 
desequilíbrio, desalinhamento, folgas, falhas em 
rolamentos, ressonância, excentricidade, etc. 
 
A análise do espectro de frequência permite 
igualmente detectar determinadas frequências que 
estão directamente relacionadas com anomalias 
eléctricas. A conjugação da análise de vibrações 
com outras técnicas como, por exemplo, o espectro 
de corrente, permite detectar barras do rotor partidas 
ou pontos de alta resistência. 
 
De seguida iremos abordar de forma mais 
pormenorizada algumas anomalias eléctricas que 
podem ser detectadas através de um sistema de 
manutenção condicionada. 
 Manutenção Baseada em Fiabilidade 5
 
 
 
 
 
Problemas no Rotor 
Se bem que não utilize quaisquer isolamentos o rotor 
sofre também as consequências de um processo de 
envelhecimento. Cada vez que se efectua um 
arranque, em cada barra, dão-se dilatações 
diferenciais entre a parte inferior e superior devido ao 
efeito da corrente rotórica no arranque que causa um 
aquecimento desigual (mais elevado na parte 
superior). Além disto poderão também aparecer 
dilatações diferentes de barra para barra devido a 
uma desigual repartição de correntes entre barras. 
Estas diferenças desaparecem uma vez estabelecido 
o funcionamento de regime e atingido o equilíbrio 
térmico. 
 
Em cada arranque as barras do rotor são também 
submetidas a esforços mecânicos, os quais, após um 
grande número de ciclos, provocam fissuras e mais 
tarde rotura completa da barra por fadiga mecânica. 
É preferível reparar ou substituir o rotor de um motor 
importante do que esperar pela sua ruptura completa 
o que normalmente acarreta a destruição do estator. 
Deve-se assim, evitar qualquer arranque inútil em 
motores eléctricos. 
Rotor solto no veio 
É uma avaria resultante da 
combinação de um 
problema mecânico e 
eléctrico que ocorre quando 
o rotor se encontra solto do 
veio. Na análise espectral 
correspondente, aparece 
uma banda larga de elevado 
nível de vibração no instante em que ocorre o 
fenómeno. 
Excentricidade estática (entreferro não uniforme) 
Este fenómeno ocorre quando o rotor não se 
encontra perfeitamente centrado no estator. 
 
 
 
 
 
 
A vibração provocada por um rotor que não está 
centrado no estator tem lugar a uma frequência igual 
a 2xFr (100 Hz), independentemente do número de 
pólos do motor. A amplitude da vibração aumenta 
com a carga e desaparece quando se desliga a 
alimentação do motor. 
A não uniformidade do entreferro origina igualmente 
o aparecimento da frequência de passagem de 
barras FPB com bandas laterais a 2xFr. 
Um motor com pata coxa pode provocar o 
aparecimento dos sintomas descritos anteriormente. 
 
Este facto fica-se a dever a algum apoio do motor 
mal apertado ou empenado o que origina a 
deformação do estator e uma distribuição assimétrica 
do entreferro. 
A correcção da base empenada pode ser feita do 
seguinte modo: 
1º passo: 
Verificar com um comparador 
quais os apoios empenados. 
 
 
 
2º passo: 
Com um apalpa folgas 
registar o valor de empeno 
entre a base e o apoio. 
 
3º passo: 
Construir com calços 
calibrados a solução para a 
base empenada. 
 
 
 
Frequências a considerar 
 
Fnominal – Velocidade de rotação nominal 
Freal – Velocidade de rotação real 
Fr – Frequência da rede 
P – n.º de Pólos do motor 
Fd – Frequência de deslizamento [Fnominal - Freal] 
Fp – Frequência de passagem de pólos [Fd X P] 
FPB – Frequência de passagem de Barras 
N
S
Forças magnéticas 
equilibradas 
N
S
Forças magnéticas 
desequilibradas 
 Manutenção Baseada em Fiabilidade 6
S
Excentricidade dinâmica 
Ocorre quando o rotor não é 
perfeitamente uniforme, apesar de 
estar perfeitamente centrado no 
estator. Este fenómeno ocorre a 
1xRPM e desaparecerá assim 
que se corte a alimentação do 
motor. Esta frequência terá 
bandas laterais a 2xFd (frequência 
de deslizamento). 
A não uniformidade do entre ferro origina também o 
aparecimento da FPB, com bandas laterais a 1xRPM 
do rotor. 
Barras Partidas 
Uma ou mais barras partidas no rotor originam 
vibrações no motor semelhantes às provocadas pela 
excentricidade dinâmica, ou seja, aparecimento de 
1xRPM e das suas harmónicas com bandas laterais 
a Fp. A principal diferença é que a amplitude da 
frequência oscilante Fp é proporcional à carga. Ou 
seja, esta frequência desaparecerá quando o motor 
estiver a trabalhar em vazio. Por outro lado, estas 
frequências são oscilantes, ou seja, no espectro de 
frequência (com analisador em “monitor mode”) elas 
aumentam e baixam de amplitude (batimento). 
Uma técnica bastante eficaz para analisar o estado 
do rotor é o espectro de corrente que avalia a 
amplitude das bandas laterais Fp em redor da 
frequência da rede Fr (50 Hz). 
Esta técnica consiste na leitura das três fases do 
motor através de uma pinça amperimétrica 
permitindo avaliar o estado do rotore o desequilíbrio 
entre fases. 
 
 
Problemas no Estator 
Envelhecimento de isolantes 
A vida útil do isolante varia proporcionalmente com o 
aumento da temperatura. Daqui, facilmente se 
conclui que qualquer sobrecarga de longa duração 
que provoque um aquecimento adicional, reduzirá a 
longevidade da bobinagem. É recomendável medir 
regularmente a corrente absorvida pelo motor, de 
preferência em cada fase, e compará-la com o valor 
inscrito na chapa de características. 
Com o intuito de se evitar aquecimentos indesejáveis 
no motor é possível montar na sua bobinagem 
detectores térmicos que alertam o utilizador para o 
facto (protecções de alarme) ou cortam mesmo a 
alimentação do motor (protecções de disparo). 
Enquanto não decidir investir numa protecção das 
referidas anteriormente o mais simples será começar 
a monitorizar a temperatura nas chumaceiras e 
carcaça do motor. Este método bastante simples e 
expedito permite detectar antecipadamente 
eventuais aquecimentos. 
Uma vez que a temperatura do motor depende da 
temperatura do estator, da carga e da temperatura 
ambiente podemos determinar a temperatura 
normalizada do motor utilizando a seguinte 
expressão: 
100
% arg
×
−
=
ac
ambreal
n
TT
T 
onde: 
Tn – Temperatura normalizada 
Treal – Temperatura da carcaça na altura da medição 
Tamb – Temperatura ambiente 
%carga – Carga do motor na altura da medição em 
percentagem 
 
 
Folgas no estator 
Provoca o aparecimento da frequência a 2xFr (100 
Hz), independentemente do número de pólos. Este 
fenómeno pode ainda ocorrer devido a bobinado ou 
laminas soltas. Esta vibração desaparecerá assim 
que se corte a alimentação do motor eléctrico. 
Problemas de fase 
A detecção de desequilíbrios, nas correntes 
absorvidas pelas três fases, da ordem dos dois ou 
três por cento poderá resultar de uma ligação 
defeituosa. Neste caso, verificar o aperto de todas as 
fêmeas da placa de terminais que apertem os cabos 
de alimentação. Verificar igualmente o aperto do 
terminal de cabo ao respectivo cabo. 
No espectro de frequência este problema tornará a 
visível a frequência de 2xFr (100 Hz) com bandas 
laterais a 1/3 Fr. 
 Manutenção Baseada em Fiabilidade 7
Curto-circuito entre laminas 
Este problema tanto pode ocorrer no rotor como no 
estator. 
Um curto-circuito entre laminas origina uma 
deformação térmica no rotor e estator. A vibração a 
1xRPM aumentará depois do arranque, estabilizando 
mais tarde ao alcançar a temperatura de 
funcionamento. 
Mesmo com a equilibragem do rotor as laminas em 
curto-circuito irão provocar o aquecimento excessivo 
do motor reduzindo a sua vida útil. 
 
Caso Prático I 
Este caso prático reporta-se a um motor de 550 KW 
com uma velocidade nominal de 3000 rpm. 
O espectro de frequência obtido em Outubro de 2001 
revelou o aparecimento súbito das harmónicas da 
velocidade de rotação do motor. Estas, 
apresentavam oscilações de amplitude provocadas 
por um batimento. 
Verificava-se ainda o aparecimento da frequência de 
100 Hz, duas vezes a frequência da rede. 
 
 
 
R
M
S 
Ve
lo
ci
ty
 in
 m
m
/S
ec
Frequency in Hz
1 - COPR3005
5 -P2V MOTOR EXT VER
0 200 400 600 800 1000
Max Amp
 3.00 
Plot 
Scale
0 
3.5
10:34:25
10-Dez-99
09:57:28
26-Mai-00
09:22:33
08-Jan-01
10:13:32
09-Out-01
Freq: 
Ordr: 
Sp 4: 
 49.75
 1.003
 .999
 
Recolheu-se um espectro de frequência em alta 
resolução (3200 linhas) que permitiu observar a 
presença de bandas laterais a Fp das harmónicas da 
velocidade de rotação. 
1 - COPR3005
5 -P2H MOTOR EXT HOR
Analyze Spectrum 
 09-Out-01 10:29:53 
 RMS = 3.85 
 LOAD = 100.0 
 RPM = 2985. 
 RPS = 49.75 
32 36 40 44 48 52 56 60 64 68
0
1
2
3
4
5
Frequency in Hz
R
M
S 
Ve
lo
ci
ty
 in
 m
m
/S
ec
49
.7
2
Freq: 
Ordr: 
Spec: 
Dfrq: 
 50.23
 1.010
 .407
 .515 
O motor analisado foi enviado para oficina para 
inspecção tendo-se verificado a presença de barras 
partidas no rotor. 
 
 
Caso Prático II 
O motor eléctrico apresentado neste caso é um 
motor com uma velocidade nominal de 3000 rpm. 
Este motor eléctrico apresentava níveis de vibração 
elevados com uma evolução muito significativa como 
ilustrado pela análise de tendência. 
1 - BOMBA TANQUE POLUÍDOS
82EB01 -P1H MOTOR LADO EXTERIOR HORIZONTAL
Trend Display 
 of 
 2-4xRPM 
 -- Baseline -- 
Value: 2.989 
Date: 21-Dez-00 
0 500 1000 1500 2000 2500 3000
0
5
10
15
20
Days: 10-Abr-96 To 14-Abr-04
R
M
S 
Ve
lo
ci
ty
 in
 m
m
/S
ec
 ALERT 
 FAULT 
Date: 
Time: 
Ampl: 
 14-Abr-04
 11:00:00
 17.16
 
O espectro de frequência apresenta uma 
componente com amplitude elevada a 2xrpm. Mas 
esta componente será mesmo a 2xrpm ou será a 100 
Hz? 
Cálculo das frequências típicas: 
P = 2 
Fd = 3000-2985 = 15 rpm [0.25 Hz] 
Fp = 0.25x2 = 0.5 Hz 
 Manutenção Baseada em Fiabilidade 8
1 - BOMBA TANQUE POLUÍDOS
82EB01 -P1H MOTOR LADO EXTERIOR HORIZONTAL
Route Spectrum 
 14-Abr-04 11:00:09 
OVERALL= 17.13 V-DG 
 RMS = 17.01 
 LOAD = 100.0 
 RPM = 2998. 
 RPS = 49.97 
0 200 400 600 800 1000
0
3
6
9
12
15
18
21
24
Frequency in Hz
R
M
S 
Ve
lo
ci
ty
 in
 m
m
/S
ec
99
.9
8
49
.5
5
Freq: 
Ordr: 
Spec: 
 50.00
 1.001
 .07093
 
Decidiu-se recolher um espectro de alta resolução 
com 3200 linhas para diferenciar a componente a 
2Xrpm dos 100 Hz. 
Efectivamente a componente mais elevada 
representa os 100 Hz do motor (duas vezes a 
frequência da rede). 
1 - BOMBA TANQUE POLUÍDOS
82EB01 -P1H MOTOR LADO EXTERIOR HORIZONTAL
Analyze Spectrum 
 14-Abr-04 11:00:58 
 RMS = 16.12 
 LOAD = 100.0 
 RPM = 3018. 
 RPS = 50.30 
40 60 80 100 120 140 160 180
0
5
10
15
20
Frequency in Hz
R
M
S 
Ve
lo
ci
ty
 in
 m
m
/S
ec
10
0.
05
49
.5
9
99
.5
6
Freq: 
Ordr: 
Spec: 
 49.59
 .986
 .07678
 
Como vimos anteriormente esta frequência está 
relacionada com uma anomalia eléctrica. 
 
Nos próximos números deste jornal continuaremos a 
abordar a análise de motores eléctricos onde 
descreveremos mais pormenorizadamente as 
técnicas de espectro de corrente, fluxo magnético, 
medição de corrente no veio e sistemas inteligentes 
de análise. 
 
 
5 Dicas para Reduzir os Seus Custos 
Manutenção 
 
CONTROLO SENSORIAL GENÉRICO 
 
Mesmo que as nossas máquinas sejam controladas 
através de técnicas avançadas de controlo de 
condição, nada substitui uma rotina de observação 
sensorial. Uma simples alteração de ruído, 
temperatura ou vibração, será facilmente detectada 
por quem está habituado a contactar com a máquina 
no dia-a-dia. Porque não atribuir esta tarefa a 
pessoas que circulam habitualmente pela fábrica, 
como um lubrificador, por exemplo? 
 
MEDIDOR DE VIBRAÇÕES 
 
Mesmo que a sua empresa seja de pequena 
dimensão, será quase sempre rentável ter um 
medidor de vibrações simples. Existem aparelhos no 
mercado bastante económicos. Uma rotina periódica 
aos equipamentos permitirá detectar muitas 
anomalias simples, controlar a qualidade das 
reparações e aumentar a fiabilidade das máquinas. 
 
LIMPEZA 
 
Não basta fazer, é necessário mostrar que se fez e 
que se fez bem. Uma limpeza no equipamento ao 
qual acabou de se fazer manutenção aumenta 
grandemente a visibilidade do trabalho da 
manutenção e mostra aos outros que a manutenção 
anda a trabalhar bem. 
 
REPARE AS FUGAS DE AR 
 
Deve evitar todo o tipo de fugas nas redes da sua 
fábrica, mas o ar comprimido é prioritário, derivado 
ao seu elevado custo de produção. Uma fuga 
reparada, mesmo pequena, dará para pagar alguns 
meses de salário de um colaborador. É a maneira 
mais fácil de começar a reduzir custos. 
 
LIMPE OS MOTORES ELÉCTRICOS 
 
A acumulação de matérias nas alhetas e nas 
ventoinhas dos motores eléctricos diminui a 
eficiência da refrigeração, o que potencia a 
degradação do isolamento e provoca a redução da 
vida útil do motor.A limpeza periódica dos motores 
eléctricos pode contribuir grandemente para o 
aumento da sua vida e para a redução de avarias 
eléctricas. 
 
 
 
 
 
 
 Manutenção Baseada em Fiabilidade 9
 
 
 
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