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DIREITO INTERNACIONAL 
PÚBLICO 
Resumo Completo para Prova 
Noções Gerais · Fontes · Sujeitos · Estados · Reconhecimento · Sucessão 
Portela · Rezek · Mazzuoli 
 
1. NOÇÕES GERAIS DE DIREITO INTERNACIONAL 
PÚBLICO 
 
1.1 Terminologia e Conceitos 
O DIP também é chamado de 'Direito das Gentes' (jus gentium). Trata-se do conjunto de 
normas jurídicas que regulam as relações externas dos atores que compõem a sociedade 
internacional. 
 
Autor Definição 
Alberto do Amaral Jr. Conjunto de regras escritas e não escritas que regulam o comportamento dos 
Estados 
Silva e Accioly Conjunto de normas que regulam as relações mútuas dos Estados e, 
subsidiariamente, as das demais pessoas internacionais (OIs e indivíduos) 
Celso de Albuquerque 
Mello 
Conjunto de normas que regula as relações externas dos atores da sociedade 
internacional: Estados, OIs, homem etc. 
 
1.2 Sociedade Internacional 
Conceito Descrição 
Comunidade Internacional Conjunto de pessoas que se agrupam ESPONTANEAMENTE, por 
laços culturais, sociais, históricos, religiosos etc. 
Sociedade Internacional Conjunto de vínculos entre diversas pessoas e entidades 
interdependentes, que POR ACORDO DE VONTADE se unem para 
atingir bens comuns 
 
Características da Sociedade Internacional 
Característica Descrição 
Universal Abrange o mundo inteiro — não há exclusão de sujeitos 
Heterogênea Abrange sujeitos muito diferentes entre si (Estados, OIs, indivíduos) 
Descentralizada NÃO há poder central internacional — existem vários centros de poder em 
coordenação 
 
1.3 Objeto do DIP 
Anteriormente: limitava-se a delimitar as competências dos Estados e das OIs, conferindo-lhes 
direitos e obrigações. 
Atualmente: ampliado para incluir a COOPERAÇÃO INTERNACIONAL entre os atores para 
atingir objetivos comuns (paz mundial, proteção ao meio ambiente etc.). 
 
1.4 Fundamento do DIP — Por que a norma internacional é 
obrigatória? 
Teoria Fundamento Ponto central 
Voluntarista Os Estados e OIs cumprem as normas 
porque ESCOLHERAM LIVREMENTE 
cumprir 
Vontade soberana dos 
Estados 
Objetivista O cumprimento é INDEPENDENTE da 
vontade dos Estados — decorre dos valores 
e princípios essenciais à existência da 
sociedade internacional 
Normas estão postas — são 
obrigatórias por si 
Pacta sunt servanda 
(Anzilotti) 
O DIP é obrigatório por conter normas 
importantes para o bom desenvolvimento da 
sociedade internacional, porém DEPENDE 
da vontade do Estado para existir 
Equilíbrio entre vontade e 
obrigatoriedade 
 
1.5 Pressupostos Sociológicos do DIP 
• Pluralidade de Estados Soberanos: existência de múltiplos Estados com soberania 
reconhecida 
• Comércio Internacional: necessidade de regular as trocas econômicas entre os Estados 
• Princípios Jurídicos Coincidentes: base comum de valores jurídicos compartilhados 
 
1.6 Características da Norma Internacional 
Característica Descrição 
Escassez São poucas em número 
Abstração São extremamente abstratas — quase um invólucro sem conteúdo fixo 
Atributivas Conferem competência sem assinalar a materialidade da ação a executar 
Sem hierarquia NÃO há hierarquia entre as normas jurídicas internacionais 
Elaboração lenta O processo de criação de normas internacionais é lento 
 
 
2. JUS COGENS — NORMAS IMPERATIVAS 
 
2.1 Conceito 
Jus cogens é o conjunto de normas internacionais cuja aplicação é OBRIGATÓRIA e NÃO 
pode ser afastada pela vontade dos Estados. São normas aceitas e reconhecidas pela 
comunidade de Estados em sua totalidade como normas das quais não é permitida nenhuma 
derrogação (Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados). 
 
🔑 DEFINIÇÃO DA CONVENÇÃO DE VIENA 
'É uma norma aceita e reconhecida pela Comunidade de Estados Internacionais em sua 
totalidade, como uma norma da qual NÃO É PERMITIDA NENHUMA DERROGAÇÃO e 
que só poderá ser modificada por uma subsequente norma de lei internacional que tem o 
mesmo caráter legal.' 
 
2.2 Características do Jus Cogens 
• Obrigações erga omnes: as normas de jus cogens criam obrigações para TODOS os 
Estados 
• Indisponíveis: não podem ser afastadas por tratado — tratado que contrariar norma de 
jus cogens é nulo (art. 53 Convenção de Viena) 
• Modificação restrita: só podem ser alteradas por outra norma de jus cogens 
• Ordem pública internacional: representam os valores fundamentais da sociedade 
internacional 
 
2.3 Exemplos de Normas de Jus Cogens 
Norma Imperativa Descrição 
Igualdade jurídica dos Estados Princípio da não-intervenção — nenhum Estado é superior a outro 
Proibição do uso da força Relações internacionais devem ser pacíficas — art. 2º, §4º Carta da 
ONU 
Solução pacífica das 
controvérsias 
Obrigação de resolver conflitos por meios pacíficos 
Autodeterminação dos povos Direito dos povos de escolher seu próprio sistema político 
Direitos fundamentais do 
homem 
Proteção da dignidade humana — não pode ser derrogada por 
tratado 
 
 
3. FONTES DO DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO 
 
3.1 Conceito de Fontes 
• Celso de Albuquerque Mello: modos pelos quais o Direito se manifesta; maneiras pelas 
quais surge a norma jurídica 
• Silva e Accioly: documentos ou pronunciamentos dos quais emanam direitos e deveres 
das pessoas internacionais 
 
3.2 Art. 38 do Estatuto da CIJ — Rol de Fontes 
O art. 38 do ECIJ é o principal documento que sistematiza as fontes do DIP. Determina que a 
CIJ aplicará: 
 
📋 ART. 38 ECIJ — O Mais Cobrado em Prova 
a) as CONVENÇÕES INTERNACIONAIS — quer gerais, quer especiais — que 
estabeleçam regras expressamente reconhecidas pelos Estados litigantes 
b) o COSTUME INTERNACIONAL — como prova de uma prática geral aceita como sendo 
o direito 
c) os PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO — reconhecidos pelas nações civilizadas 
d) as DECISÕES JUDICIÁRIAS E A DOUTRINA — como meio AUXILIAR para 
determinação das regras de direito 
 
3.3 Fontes Principais x Auxiliares 
Tipo Fontes 
PRINCIPAIS (a) Convenções/Tratados internacionais | (b) Costume internacional | (c) 
Princípios gerais de direito 
AUXILIARES (a) Jurisprudência e Doutrina | (b) Equidade e Analogia | (c) Atos Unilaterais | 
(d) Decisões das Organizações Internacionais 
 
A) Costume Internacional 
Aspecto Descrição 
Definição (art. 38 ECIJ) 'Prova de uma prática geral aceita como sendo o direito' 
Elemento MATERIAL 
(objetivo) 
Uso geral; prática reiterada; multiplicação de precedentes — atos 
concretos e repetidos 
Elemento SUBJETIVO 
(opinio juris) 
Consciência coletiva da Sociedade Internacional aceitando o costume 
como NOVO DIREITO — crença de que é obrigatório 
Prática comum Repetição uniforme de certos atos da vida internacional 
Prática obrigatória O costume é direito e deve ser respeitado por toda a Sociedade 
Internacional 
Aspecto Descrição 
Prática evolutiva Possui plasticidade — adequa-se às novas circunstâncias 
Ônus da prova Quem invoca o costume tem o ÔNUS de provar que está estabelecido e 
vincula a outra parte (Brownlie; Acórdão CIJ — Asilo, 1950) 
 
⚖ INTERPRETAÇÃO DO COSTUME 
→ Costume ESPECIAL derroga o GERAL (lex specialis) 
→ Costume POSTERIOR derroga o ANTERIOR (lex posterior) 
 
B) Princípios Gerais de Direito 
São princípios gerais comuns à ordem interna e internacional, com a finalidade de 
PREENCHER LACUNAS do Direito, como elemento subsidiário para as decisões da CIJ. 
 
Tipo Exemplos 
Princípios Gerais de DIP Abstenção do uso da força; solução pacífica de litígios; não-
intervenção; cooperação; igualdade soberana; autodeterminação dos 
povos; pacta sunt servanda 
Princípios comuns (interno + 
externo) — nascimento das 
obrigações 
Atos unilaterais; promessas unilaterais 
Princípios comuns — 
execução das obrigações 
Pacta sunt servanda 
Princípios comuns — 
exercício dos direitos 
Abuso do direito; direito adquirido 
Princípios comuns — 
extinção das obrigações 
Prescrição liberatória 
Princípios específicos de 
DIP 
Primado do DIP sobre a lei interna; respeito à independência dos 
Estados; continuidade dos Estados; responsabilidade internacional;patrimônio comum da humanidade 
 
C) Fontes Auxiliares 
Fonte Auxiliar Descrição 
Jurisprudência e Doutrina Não são normas de expressão do Direito, mas instrumentos úteis para o 
correto entendimento e aplicação — objetivam boa interpretação da norma 
Equidade e Analogia Não são propriamente fontes de direito — são MÉTODOS DE 
RACIOCÍNIO JURÍDICO usados quando há lacunas. Não são obrigatórias 
e são pouco utilizadas 
Atos Unilaterais Manifestações de vontade de um sujeito de DIP para produzir efeito 
internacional. Podem ser EXPRESSOS (Protesto = não aceita; 
Renúncia/reconhecimento = aceita) ou TÁCITOS. Devem ser públicos 
Decisões das OIs Normas originárias de uma OI que se tornam obrigatórias para os 
Estados-membros INDEPENDENTEMENTE de ratificação 
 
 
4. SUJEITOS DE DIREITO INTERNACIONAL 
PÚBLICO 
 
4.1 Conceito 
Sujeitos de DIP são os entes ou entidades cujas condutas estão diretamente previstas pelo DIP 
e que têm a possibilidade de atuar, direta ou indiretamente, no plano internacional. 
 
🔑 QUEM PODE AGIR, CELEBRAR TRATADOS? 
APENAS os ESTADOS e as ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS têm poder de agir, 
celebrar tratados e participar como membros de OIs como sujeitos plenos. 
 
4.2 O Indivíduo no DIP 
Via de regra, o indivíduo NÃO é sujeito de DIP — é sujeito de Direito Internacional Privado 
(DIPR). Ele não pode: participar de tratados, fazer acordos internacionais, ingressar como 
membro de OI. 
 
Exceção Descrição Obs. 
AUTOR — 
Tribunais 
Internacionais 
Corte Europeia de Direitos Humanos (CEDH): o 
indivíduo pode ser AUTOR diretamente na Corte (a 
Comissão foi extinta) 
CIJ: o indivíduo NÃO pode 
participar 
RÉU — Tribunal 
Penal 
Internacional 
(TPI) 
O TPI responsabiliza DIRETAMENTE o indivíduo 
com PENA DE PRISÃO 
Nos demais tribunais, 
responsabiliza-se o Estado, 
que depois responsabiliza o 
indivíduo 
 
Sujeito Personalidade Jurídica Capacidade Observação 
Estados Originária (ninguém 
fornece) 
Plena — todos os 
atos do DIP 
Sujeitos clássicos e 
originários 
Organizações 
Internacionais 
Derivada (criada por 
tratado entre Estados) 
Funcional — 
limitada ao seu 
mandato 
Não podem exercer todos os 
atos como os Estados 
Indivíduo Limitada / Excepcional Restrita (CEDH 
como autor; TPI 
como réu) 
Sujeito de DIPR como regra 
Santa Sé / Vaticano Especial Plena (sujeito 
atípico) 
Sujeito atípico — aceito pela 
prática internacional 
Beligerantes e 
Insurgentes 
Temporária Limitada ao conflito Reconhecidos para fins do 
Direito Humanitário 
 
 
5. ESTADOS — SUJEITO CLÁSSICO DO DIP 
 
5.1 Personalidade Jurídica do Estado 
Aspecto Descrição 
Personalidade Jurídica 
ORIGINÁRIA 
Ninguém fornece ao Estado essa personalidade — basta ele existir 
com os elementos constitutivos 
Capacidade Jurídica PLENA Pode exercer TODOS os atos permitidos pelo DIP, de todas as áreas 
do Direito 
Igualdade Jurídica Os Estados são juridicamente iguais para o DIP — independentemente 
do tamanho ou poder 
 
5.2 Elementos Constitutivos do Estado 
Basta ter os 3 elementos constitutivos para que o Estado exista para o DIP: 
 
Elemento Tipo Descrição Detalhe 
POVO Humano Comunidade de indivíduos que 
habita permanentemente o território 
com ânimo definitivo 
Povo = nacionais (natos + 
naturalizados). População = 
povo + estrangeiros + 
apátridas 
TERRITÓRIO Material Fração territorial — delimitação 
espacial do Estado 
Solo + subsolo + espaço 
aéreo + rios/lagos/mares 
interiores + golfos/baias + 
mar territorial + plataforma 
submarina 
GOVERNO 
SOBERANO 
Político Capacidade de decidir de modo 
definitivo dentro do território, sem 
ingerência externa, e de conduzir 
política externa 
Soberania interna (não 
admite ingerência) + 
soberania externa (conduz 
política externa) 
 
⚠ ELEMENTO FACULTATIVO — Finalidade 
Alguns autores propõem a FINALIDADE como 4º elemento constitutivo: seria o objetivo do 
Estado, o bem-estar da sua sociedade, com respeito à dignidade da pessoa humana. Não é 
majoritário. 
 
Povo — Distinções Importantes 
Conceito Definição 
Povo Conjunto de NACIONAIS — natos e naturalizados — com vínculo jurídico 
com o Estado 
População MAIS ABRANGENTE = Povo + estrangeiros + apátridas 
Conceito Definição 
Apátrida Pessoa SEM NACIONALIDADE — Ex: filho de casal de Estado que só adota 
jus soli nasce em Estado que só adota jus sanguinis 
 
Critério de 
Nacionalidade 
Descrição Brasil 
Jus sanguinis Filho adquire a nacionalidade dos pais (pelo 
sangue) 
✅ Adota 
Jus soli Filho adquire a nacionalidade do país onde 
nasceu (pelo solo) 
✅ Adota 
 
📌 APÁTRIDAS NO BRASIL 
O Brasil faz parte de tratados internacionais sobre apátridas. Concede aos apátridas o 
MESMO TRATAMENTO conferido aos REFUGIADOS (documentação, possibilidade de 
trabalho etc.). 
 
Território — Componentes 
• Solo: dentro dos limites reconhecidos internacionalmente 
• Subsolo: e regiões separadas do solo 
• Espaço aéreo: correspondente ao solo 
• Águas interiores: rios, lagos e mares interiores 
• Acidentes geográficos: golfos, baias e portos 
• Mar territorial: faixa de mar territorial — para Estados com litoral 
• Plataforma submarina: para os Estados que têm litoral 
 
Soberania — Funções e Relativização 
Função Descrição 
Interna Não admite a ingerência de nenhuma outra autoridade exterior no território 
estatal 
Externa Participar da arena internacional e conduzir sua política externa 
 
💡 RELATIVIZAÇÃO DA SOBERANIA 
A soberania não é absoluta. O Estado a relativiza quando: ratifica tratados internacionais, 
ingressa em OIs, submete-se a Cortes internacionais. Essa relativização é VOLUNTÁRIA 
— o Estado o faz porque tem interesse internacional. 
 
 
6. RECONHECIMENTO DE ESTADO 
 
6.1 Conceito 
Reconhecimento é o ato pelo qual o Estado que o outorga aceita a personalidade do novo 
Estado com todos os direitos e deveres que, para um e outro, determina o direito internacional. 
(Art. 14 da Carta da OEA) 
 
📋 ART. 13 DA CARTA DA OEA — Independência da Existência 
'A existência política do Estado é independente do seu reconhecimento pelos outros 
Estados. Mesmo antes de ser reconhecido, o Estado tem o direito de defender a sua 
integridade e independência, de promover a sua conservação e prosperidade, e, por 
conseguinte, de se organizar como melhor entender...' 
 
6.2 Natureza Jurídica do Reconhecimento 
Natureza Descrição 
DECLARATÓRIA O reconhecimento DECLARA uma situação pré-existente — ele NÃO CRIA o 
Estado, apenas reconhece que ele já existe 
DISCRICIONÁRIA Os Estados são soberanos para reconhecer ou não os demais — NÃO há 
obrigação de reconhecer outro Estado 
 
6.3 Características do Reconhecimento 
Característica Descrição 
Sem prazo O reconhecimento NÃO está condicionado a prazo — pode ser feito a 
qualquer tempo 
Incondicionado (regra) O Estado que reconhece NÃO pode impor exigências — porém pode estar 
vinculado a compromissos como respeito ao jus cogens, paz e direitos 
humanos 
Retroativo Tem caráter RETROATIVO — reconhece o Estado desde sua formação 
Não precisa de 
solicitação 
Deve ser solicitado pelo Estado, porém na prática pode ser concedido 
sem qualquer solicitação 
 
6.4 Modalidades de Reconhecimento 
Critério Modalidade Descrição 
Número de Estados Individual Um só Estado reconhece o novo Estado 
Número de Estados Coletivo Um grupo de Estados reconhece o novo Estado 
Critério Modalidade Descrição 
Forma Expresso Reconhecimento formal, através da celebração de um 
tratado 
Forma Tácito Pratica atos que demonstram interesse no 
reconhecimento — ex: envio de diplomatas, construção 
de embaixadas 
 
⚠ RECONHECIMENTO EM TRATADOS 
→ Tratado BILATERAL: exige reconhecimento MÚTUO entre os signatários 
→ Tratado MULTILATERAL: NÃO há necessidade de reconhecimento mútuo — pode haver 
Estado A que não reconhece D, mas ambos fazem parte do mesmo tratado multilateral 
→ Ex.: Kosovo, Palestina x Israel 
 
 
7. RECONHECIMENTO DE GOVERNO 
 
7.1 Conceito e Distinção 
Reconhecimento de Governo é o ato do Estadopelo qual se admite o NOVO GOVERNO de 
outro Estado como representante deste nas relações internacionais (Paulo Gonçalves Portela). 
 
🔑 DISTINÇÃO FUNDAMENTAL 
Uma coisa é NÃO RECONHECER O ESTADO (nega a existência do ente estatal); outra é 
NÃO RECONHECER O GOVERNO (reconhece o Estado, mas não o governo que o dirige). 
São institutos distintos! 
 
7.2 Causas do Reconhecimento de Governo 
Causa Descrição 
A — Independência de 
território colonial 
Surge um novo governo após a independência — outros Estados 
precisam decidir se reconhecem 
B — Sucessão de 
Estados 
Casos de fusão ou desmembramento de Estados — ex: formação da 
União Soviética; divisão da Alemanha 
C — Crises políticas ou 
revoluções 
Crises que removem abruptamente o governo do poder — golpe, 
ditadura. Outros Estados PODEM (não são obrigados) não reconhecer o 
novo governo 
 
Consequência do Não Reconhecimento por Crise Política 
• Rompimento das relações: entre os Estados que não reconhecem e o Estado que 
passou por golpe/revolução 
• Retorno à normalidade: quando o Estado retornar à democracia, o reconhecimento é 
restabelecido 
• Eleições diretas: o não reconhecimento NÃO VIGORA quando a mudança de governo 
se dá por eleições diretas 
 
7.3 Doutrinas de Reconhecimento de Governo 
Doutrina Autor Posição Crítica 
Doutrina Tobar Carlos Tobar 
(Equador) 
O governo só poderia ser 
reconhecido APÓS O 
SUFRÁGIO POPULAR — após a 
manifestação democrática do 
povo 
Doutrina AGRESSIVA — 
interfere nos assuntos 
internos do Estado — 
pouco aceita 
Doutrina Estrada Genaro Estrada 
(México) 
O Estado que não reconhece o 
governo simplesmente RETIRA 
seus diplomatas e embaixada do 
Doutrina SUTIL — não 
emite julgamento de valor 
— mais aceita na prática 
internacional 
Doutrina Autor Posição Crítica 
Estado em conflito — retorna 
quando a situação se normalizar 
 
📌 PARA PROVAS: qual doutrina é mais aceita? 
DOUTRINA ESTRADA é mais aceita por ser mais sutil e respeitar o princípio da não-
intervenção nos assuntos internos dos Estados. 
 
 
8. SUCESSÃO DE ESTADOS 
 
8.1 Regra Geral e Exceção 
• Regra: princípio da continuidade do Estado — o Estado é perene, estável, constituído 
para continuar a existir 
• Exceção: transformação/sucessão de Estado — quando ocorre uma modificação 
profunda na estrutura estatal 
 
8.2 Modalidades de Sucessão 
Modalidade Conceito Fórmula Exemplo 
FUSÃO Dois Estados existentes se 
unem para o surgimento de 
um TERCEIRO Estado 
A + B = C Formação da União 
Soviética; Unificação da 
Alemanha (Ocidental + 
Oriental = Alemanha) 
AGREGAÇÃO 
(Incorporação) 
Um Estado é agregado ao 
outro — o Estado agregado 
DEIXA DE EXISTIR 
A + B = B Incorporação de um Estado 
menor por outro (Estado A 
some) 
DESMEMBRAMENTO Um Estado se divide em 
dois ou mais Estados 
A = B + C Coreia (Norte e Sul); 
Divisão da Alemanha; 
dissolução da URSS; 
Checoslováquia 
TRANSFERÊNCIA 
TERRITORIAL 
PARTE de um território é 
transferida para outro 
Estado 
A(parte) → B Acre (Brasil comprou da 
Bolívia); Alasca (do Império 
Russo para os EUA); 
Califórnia (do México para 
os EUA) 
 
8.3 Efeitos Jurídicos da Sucessão — Tabela Completa 
Efeito Fusão (A+B=C) Agregação 
(A+B=B) 
Desmembramento 
(A=B+C) 
Transferência 
Territorial 
Nacionalidade NOVA 
nacionalidade 
para todos (C) 
Uma das 
nacionalidades 
desaparece — 
todos ficam com 
B 
Nacionalidade do 
Estado que surge 
(B ou C) 
Nacionalidade do 
Estado que 
recebeu o 
território 
Bens Públicos 
(indústrias, museus, 
universidades) 
Passam para o 
NOVO Estado 
(C) 
Passam para o 
Estado que 
PERMANECE 
(B) 
Ficam no território 
respectivo de cada 
Estado 
Passam a ser do 
Estado que 
recebeu o 
território 
Dívida Pública O Estado que 
SURGE (C) 
assume as 
dívidas dos 
antecessores 
O Estado que 
PERMANECE 
(B) assume a 
dívida 
PRINCÍPIO DA 
REPARTIÇÃO 
PONDERADA — 
divide conforme a 
origem da dívida 
PRINCÍPIO DA 
REPARTIÇÃO 
PONDERADA — 
divide conforme a 
origem da dívida 
 
⚠ PRINCÍPIO DA REPARTIÇÃO PONDERADA DA DÍVIDA 
No desmembramento e na transferência territorial, os Estados devem levar em 
consideração a ORIGEM DA DÍVIDA para dividi-la de forma quantitativa e proporcional. 
Porém os Estados podem combinar critério diferente entre si. 
 
 
9. ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS — SUJEITO 
DERIVADO 
 
9.1 Conceito e Características 
Organizações Internacionais (OIs) são sujeitos de DIP criados por tratados entre Estados, com 
personalidade jurídica própria, para perseguir objetivos comuns. 
 
Aspecto Organizações Internacionais Estados 
Personalidade jurídica DERIVADA — criada por tratado 
entre Estados 
ORIGINÁRIA — existe pela sua 
própria natureza 
Capacidade FUNCIONAL — limitada aos 
objetivos do seu mandato/estatuto 
PLENA — pode exercer todos os 
atos do DIP 
Membros Estados (e eventualmente outras 
OIs) 
Soberanos — não têm 'membros' 
Criação Por tratado constitutivo (estatuto, 
carta, convenção) 
Por si mesmo — basta ter os 
elementos constitutivos 
Exemplo ONU, OEA, CIJ, TPI, FMI, OMC Brasil, EUA, França etc. 
 
9.2 Diferença: Personalidade Originária x Derivada 
💡 RESUMO — Personalidade Jurídica 
ESTADOS: personalidade ORIGINÁRIA — ninguém fornece ao Estado sua personalidade. 
Basta existir com os 3 elementos constitutivos 
ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS: personalidade DERIVADA — criada pelos Estados 
através de tratado. Existe porque os Estados quiseram criá-la 
→ As OIs NÃO podem exercer todos os atos como os Estados — são limitadas ao seu 
mandato 
 
 
10. TABELAS RÁPIDAS — PEGADINHAS E 
COMPARATIVOS 
 
10.1 Pegadinhas de Prova 
Afirmação Correto? Por quê 
'O reconhecimento de Estado tem 
natureza constitutiva' 
❌ FALSO É DECLARATÓRIA — o Estado já existe; o 
reconhecimento apenas declara uma situação 
pré-existente 
'O Estado só existe após ser 
reconhecido pelos demais' 
❌ FALSO Art. 13 Carta OEA — existência é independente 
do reconhecimento 
'O reconhecimento tem prazo de 3 
anos' 
❌ FALSO NÃO há prazo — pode ser feito a qualquer 
tempo 
'O indivíduo nunca é sujeito de DIP' ❌ FALSO É sujeito excepcional: réu no TPI; autor na 
CEDH 
'Tratado multilateral exige 
reconhecimento mútuo' 
❌ FALSO Só tratados BILATERAIS exigem 
reconhecimento mútuo 
'Jus cogens pode ser derrogado por 
tratado bilateral' 
❌ FALSO Normas de jus cogens são inderrogáveis — 
tratado que as contradiz é nulo 
'Povo e população são sinônimos' ❌ FALSO Povo = nacionais; População = povo + 
estrangeiros + apátridas 
'A Doutrina Tobar é mais aceita 
internacionalmente' 
❌ FALSO A Doutrina ESTRADA é mais aceita por ser mais 
sutil 
'A fusão de Estados é A+B=B' ❌ FALSO Fusão é A+B=C; A+B=B é 
AGREGAÇÃO/INCORPORAÇÃO 
'Organizações Internacionais têm 
personalidade originária' 
❌ FALSO Têm personalidade DERIVADA, criada por 
tratado entre Estados 
 
10.2 Comparativo Final — Sujeitos de DIP 
Sujeito Tipo PJ Capacidade Celebra Tratados? Participa de OIs? 
Estado Originária Plena ✅ Sim ✅ Sim (como 
membro) 
Org. Internacional Derivada Funcional ✅ Sim (limitado) ✅ Sim (como 
membro ou 
observador) 
Indivíduo Limitada / 
Excep. 
Restrita ❌ Não ❌ Não 
Santa Sé Especial Plena (atípica) ✅ Sim ✅ Sim (observador 
ONU) 
Beligerantes Temporária Limitada ao 
conflito 
⚠ Acordos de paz ❌ Não 
 
10.3 Fontes do DIP — Hierarquia e Uso 
Fonte Principal ou 
Auxiliar? 
Obrigatória? Hierarquia 
Tratados/Convenções Principal ✅ Sim Art. 38, a) ECIJ 
Costume Internacional Principal ✅ Sim Art. 38, b) ECIJ 
Princípios Gerais de 
Direito 
Principal ✅ Sim (subsidiária) Art. 38, c) ECIJ 
Jurisprudência Auxiliar ❌ Não — orientadora Art. 38, d) ECIJ 
Doutrina Auxiliar ❌ Não — orientadora Art. 38, d) ECIJ 
Equidade/Analogia Auxiliar ❌ Não Método de raciocínio 
Atos Unilaterais Auxiliar ⚠ Vinculam o autor Manifestação de vontade 
Decisões das OIs Auxiliar/Derivada ✅ Para membros Independe de ratificação 
 
 
Bons estudos! ⚖🌍

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