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Página 1 de 65 CURSO DE ATUALIZAÇÃO EM PROCESSO CIVIL 4ª Aula – 08/05/2015 e 09/05/2015 Professor Palestrante: Rinaldo Mouzalas Email: rinaldo@mouzalasadvogados.adv.br No âmbito das discussões sobre o NCPC algumas mudanças foram solicitadas, mas não foram atendidas. Tentou-se muito afastar a impenhorabilidade do bem de família, mas não se conseguiu. Com muito esforço conseguiu-se penhorar parte da remuneração, mas quando a remuneração for superior a 50 (cinquenta) salario mínimos, que diríamos que no Brasil seria uma exceção rara se ganhar acima desse valor. O NCPC é um código muito operacional, analítico, como menos artigos que o CPC73, mas com mais especificações que o CPC73, sendo muitas vezes repetitivo em determinados procedimentos, quando poderia fazer uma omissão de algo que na nossa prática forense já se tem como compreendido. O NCPC resolveu não perca por essa omissão, sendo muito operacional. Essas legislações mais novas da CF/88 para frente prezam muito por essa operacionalidade. Veja que o Código de consumidor, para dar um exemplo, é tão acessível a aqueles que fazem a leitura que há um dispositivo que diz que diz que o comerciante, o prestador de serviço, o fornecedor tem que colocar um exemplar a disposição para que o consumidor possa ter acesso a legislação. Se fosse algo difícil de compreender na verdade não adiantava colocar a disposição do consumidor. Essa é uma tendência que a nossa legislação vem acompanhando. O NCPC é muito compreensível para quem está fazendo a leitura, mas não se pode deixar de dizer que esse processo de construção legislativa pode muito vezes se complicar por conta dessa forma analítica que é erigido o NCPC. Percebe-se que no NCPC na execução ora o legislador vai dizer que há uma faculdade do credor fazer a restrição do crédito no cadastro de inadimplentes e ora vai dizer que o credor vai ter a possibilidade de fazer o protesto. O legislador quis dizer a mesma coisa ou disse coisa diferente? É de fato sinônimo ou não? São dois institutos diferentes, embora se possa alcançar o mesmo resultado. São pequenas expressões, pequenos vocábulos, que são colocados por essa tendência de ser de fato analítico o NCPC, mas que acabam causando essa divergência de interpretação e, ainda, precisar fazer essa construção normativa com base nas exigências que serão apresentadas no nosso dia a dia. 1 - DA LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: Página 2 de 65 I - por arbitramento, quando determinado pela sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação; II - pelo procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo. § 1o Quando na sentença houver uma parte líquida e outra ilíquida, ao credor é lícito promover simultaneamente a execução daquela e, em autos apartados, a liquidação desta. § 2o Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença. § 3o O Conselho Nacional de Justiça desenvolverá e colocará à disposição dos interessados programa de atualização financeira. § 4o Na liquidação é vedado discutir de novo a lide ou modificar a sentença que a julgou. As diferenças da liquidação de sentença da legislação do NCPC para o CPC73 são poucas, são mais diferenças pragmáticas. A grande dificuldade que se tem quando vai fazer uma apuração de um valor da sentença é se identificar qual será a forma de liquidação se por arbitramento, se por artigos. E ainda há um questionamento, e o NCPC não contribuiu, em se identificar se a realização de cálculos constitui ou não uma forma de liquidação de sentença. No capítulo que trata de liquidação de sentença, fala-se dos cálculos no meio da liquidação de sentença, mas a gente sabe que não é, porque o cálculo é uma mera condição, requisito, para se iniciar a fase cumprimento de sentença. Quando se trata de liquidação de sentença, na verdade está fazendo o desenrolar de uma segunda ação que tramita no mesmo processo. Um processo que primeiramente houve uma solução de um conflito de interesse e numa segunda fase vamos passar por uma segunda ação destinada apenas a fazer a apuração que será uma subfase dentro da fase de conhecimento de liquidação de sentença. Por que se diz que é uma ação? Porque os objetivos são diferentes, se tem condições diferenciadas, objetos diferenciados e pedidos formulados diferenciados, mas sobre tudo o que me leva a concluir isso é o fato que eu posso ter uma sentença ilíquida e para se fazer a liquidação dessa sentença vai se precisar de uma ação de liquidação de sentença. O NCPC trará uma hipótese a mais que será quando houver sentença estrangeira homologada pelo STJ, que se soma a sentença penal condenatória transitada em julgado e se soma a sentença arbitral, sempre que elas precisarem, e nem sempre vai precisar, de liquidação não se poderá continuar o processo originário terá que se instaurar uma nova relação processual a partir do exercício do direito de ação. A gente percebe que se pode ter uma ação destinada especificamente para fazer a liquidação da sentença que leva a concluir duas ações de regra no mesmo processo, mas pode ser que essas ações sejam desdobradas. Os cálculos são ou não fase de liquidação de sentença? Para Rinaldo Mouzalas não são, não constitui, é apenas um requisito que já inicio no cumprimento de sentença, Página 3 de 65 não precisa destinar uma fase específica do processo ou pelo menos uma parte dessa fase para se fazer uma apuração via cálculos. Basta, simplesmente, apresentar os cálculos e começar o cumprimento de sentença. A dificuldade é na correção dos cálculos. Qual é o sistema mais adequado para se poder atualizar os cálculos? O credor naturalmente utilizará o sistema que alcança o maior resultado e o devedor o sistema que será o menor resultado. Então, a quem utilize o sistema do Banco Central, da Justiça Federal, etc., mas se formos fazer esses cálculos em diferentes sistemas alcançaremos resultados diferentes. E o que NCPC pensou para eliminar essas discussões em torno dos cálculos que demandam muita atividade jurisdicional? O art. 509, §3º, do NCPC dispôs que o Conselho Nacional de Justiça desenvolverá e colocará à disposição dos interessados programa de atualização financeira. Isso eliminará de fato discussões, impugnação ao cumprimento de sentença, tratará da questão do excesso de execução. Quando se for iniciar uma liquidação irá se formular também os requerimentos observando as exceções, porque em algumas vezes a liquidação será uma ação em autos apartados sobre tudo se ela for provisória e, principalmente, quando for liquidada uma sentença cuja competência para fazer a liquidação não é daquele juiz que prolatou a sentença. Então, têm-se atualmente exceções que são: sentença estrangeira homologada pelo STJ; sentença penal condenatória transitada em julgado; sentença arbitral quando não forem líquidas; e a decisão estrangeira, após a concessão do exequatur pelo Superior Tribunal de Justiça. Art. 510. Na liquidação por arbitramento, o juiz intimará as partes para a apresentação de pareceres ou documentos elucidativos, no prazo que fixar, e, caso não possa decidir de plano, nomeará perito, observando-se, no que couber, o procedimento da prova pericial. Quando se inicia uma liquidação por arbitramento, requer-se que seja apenas nomeado o perito. A outra parte se não responder concorda com a liquidação por arbitramento ese responder, muitas vezes, a resposta estará limitada a dizer: que não concorda com a liquidação por arbitramento, que no caso seria outra espécie por artigos; ou então que seria desnecessária a liquidação, bastaria a elaboração de meros cálculos. Mas se fizer esse requerimento e o juiz compreender que essa seria hipótese de realização de liquidação de sentença por arbitramento vai nomear o perito e essa nomeação será submetida as partes, que poderão posteriormente falar sobre esse laudo pericial. O CPC73 deixava omissa essa questão de atuação das partes na liquidação por arbitramento. E o NCPC diz que se quiser participar da liquidação por arbitramento poderá se pronunciar sobre esses laudos que são apresentados pelo perito e vai poder também nomear assistentes técnicos e participar da instrução juntando documentos que possam ter acesso ao perito. A tônica será de cooperação para a obtenção de um resultado legítimo. O poder judiciário estará inibido de produzir decisões que tenham apenas o objetivo de cumprir metas no CNJ e passa a ter efeito de fato de resolver os problemas que são apresentados. Página 4 de 65 Repetidamente se ouvirá que o juiz antes de decidir deverá oportunizar as partes o contraditório. Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a intimação do requerido, na pessoa de seu ADVOGADO ou da SOCIEDADE DE ADVOGADOS a que estiver vinculado, para, querendo, apresentar contestação no prazo de 15 (quinze) dias, observando-se, a seguir, no que couber, o disposto no Livro I da Parte Especial deste Código. No CPC73 não era claro a possibilidade de se apresentar contestação. Já no NCPC na liquidação pode apresentar contestação. Quem deverá ser citado para apresenta? Se for continuidade do processo quem vai ser citado é o próprio advogado ou sociedade de advogados. A possibilidade de citar a sociedade de advogados impede a anulação de atos processuais, quando, por exemplo, o advogado citado já tem saído da sociedade de advogados, mas há a citação da sociedade de advogados. Ocorrendo a comunicação na pessoa da sociedade de advogados a comunicação será valida. Na liquidação poderá ocorrer a citação na pessoa do advogado ou na pessoa da sociedade de advogados quando ela existir. Art. 512. A liquidação poderá ser REALIZADA na pendência de recurso, processando-se em autos apartados no juízo de origem, cumprindo ao liquidante instruir o pedido com cópias das peças processuais pertinentes. O art. 512 do NCPC trouxe a mudança de apenas uma palavra, afirma que a liquidação poderá ser REALIZADA, enquanto o art. 475-A diz que a liquidação poderá ser REQUERIDA. E qual a diferença? É a afirmação mais uma vez que além de pedir a realização da liquidação, que pode ser inclusive provisória quando houver a pendência de um recurso, ela pode ser completamente realizada, independentemente de o recurso ter ou não efeito suspensivo. Isso é algo colocado na nossa prática, mas que enfrenta uma duplicidade de entendimento da doutrina, porque a doutrina colocava no art. 475-A a liquidação só poderia ser REQUERIDA, então, não se poderia finalizar na pendencia de recurso. O que não é! O que se poderá ter posteriormente é uma prejudicialidade, pois o CPC73 diz que provido o recurso a liquidação fica prejudicada. O NCPC quando vai tratar tanto da liquidação quanto do cumprimento de sentença, mesmo que provido o recurso pode ser que a liquidação seja prejudicada no todo ou só em parte, porque pode ser que exista situação que se possa aproveitar aqueles elementos basta que se fizesse algum ajuste. Por exemplo, no caso de uma indenização que foi interposto recurso de apelação e esta reconheceu culpa recíproca e o dever de indenizar não era integral e sim parcial, o juiz determinou que a indenização deveria ser arcada em iguais partes entre aquelas que Página 5 de 65 componham a relação processual. Nesse caso não precisaria ser considerada prejudicada a liquidação, bastava aquedar os cálculos do perito àquela situação. A jurisprudência já vem atuando nesse sentido. 2 - DO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA Sobre o cumprimento de sentença Rinaldo Mouzalas tem um posicionamento diferente de outros doutrinadores (Pontes Miranda, Leonardo Carneiro da Cunha, et.), cumprimento é quando é voluntário, quando é coercitivo é execução, mas esse não é o significado utilizado. O significado é que o cumprimento é geral, pode ser voluntario ou coercitivo, então, tratar-se-á de uma forma geral. Art. 513. O cumprimento da sentença será feito segundo as regras deste Título, observando-se, no que couber e conforme a natureza da obrigação, o disposto no Livro II da Parte Especial deste Código. § 1o O cumprimento da sentença que reconhece o dever de pagar quantia, provisório ou definitivo, far-se-á a requerimento do exequente. § 2o O devedor será intimado para cumprir a sentença: I - pelo Diário da Justiça, NA PESSOA DE SEU ADVOGADO constituído nos autos; Irá continuar a mesma tendência, veja no art. 513 do NCPC, o devedor será intimado pelo diário da justiça pelo advogado constituído nos autos, mais uma vez é colocado o advogado como o sujeito de cooperação da atividade processual. O advogado terá o encargo de participar da atividade processual com o objetivo de propiciar que a atividade jurisdicional seja realizada em tempo razoável e não prolatada, declarada apenas como se dizia no CPC73, tem que ser realizada. Art. 513. [...] II - por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria Pública ou quando não tiver procurador constituído nos autos, ressalvada a hipótese do inciso IV; III - por meio eletrônico, quando, no caso do § 1o do art. 246, não tiver procurador constituído nos autos IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256, tiver sido revel na fase de conhecimento. § 3o Na hipótese do § 2o, incisos II e III, considera-se realizada a intimação quando o devedor houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no parágrafo único do art. 274. § 4o Se o requerimento a que alude o § 1o for formulado após 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença, A INTIMAÇÃO SERÁ FEITA NA PESSOA DO DEVEDOR, por meio de carta com aviso de recebimento encaminhada ao endereço constante dos autos, Página 6 de 65 observado o disposto no parágrafo único do art. 274 e no § 3o deste artigo. Pode ocorrer de a parte demorar muito para solicitar o cumprimento de sentença. No CPC73 prevê que se não requerido o processo será arquivado no prazo de 6 (seis) meses e o advogado com procuração ainda continua a ser intimado nesse processo. O §4º do art. 513 do NCPC tomou providência para que após 1 (um) ano do trânsito em julgado da sentença, a INTIMAÇÃO seja FEITA NA PESSOA DO DEVEDOR. Logo, não é mas na pessoa do advogado, então, ele não terá mais essa responsabilidade de ficar acompanhando de forma indefinida até alcançar o prazo prescricional se não foi pedido o cumprimento no prazo de 1 (um) ano. Art. 513. [...] § 5o O cumprimento da sentença não poderá ser promovido em face do fiador, do coobrigado ou do corresponsável que não tiver participado da fase de conhecimento. Então, se foi feito a opção de instaurar contra apenas o fiador, garantidor, que não participou da fase conhecimento, naturalmente, não poderá participar da fase de cumprimento de sentença. Isso, porque quando se trata da execução fundada em título executivo extrajudicial não terá essa problemática, a integração posterior não terá nenhum prejuízo, mas no cumprimento de sentençaterá, pois estaria se afastando delas absolutamente a oportunidade de se defender. Quer dizer que eles não teriam mais responsabilidade? Não. Está se dizendo que eles não podem mais participar da fase de cumprimento de sentença. Se quiser reconhecer responsabilidade contra um desses sujeitos terá que entrar com uma nova ação para reconhecer se de fato eles tinham ou não obrigação frente ao credor para que possa ser executado. E isso se não for alcançado também pela prescrição. No plano fático isso já não vem ocorrendo a integração por quem não participou do processo. Art. 515. São títulos executivos judiciais, cujo cumprimento dar-se-á de acordo com os artigos previstos neste Título: Acerca dos TÍTULOS JUDICIAS, previsto no art. 515 do NCPC, ocorreu mais foi uma questão de correção de termos técnicos ou de transformar no gênero para que depois se tenha as espécies e integração. Art. 515. [...] I - as decisões proferidas no processo civil que RECONHEÇAM A EXIGIBILIDADE de obrigação de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; II - a decisão homologatória de autocomposição judicial; III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza; Página 7 de 65 IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal; V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem sido aprovados por decisão judicial; VI - a sentença penal condenatória transitada em julgado; VII - a sentença arbitral; VIII - a sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça; IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça; X - (VETADO). No inciso I do art. 515 do NCPC traz algo que aparentemente repete no CPC73, mas para Rinaldo Mouzalas há um grande receio, uma involução, mesmo que tenha sido involuntária. Há um erro pouco perceptível, uma incoerência dentro do próprio sistema, sobre tudo se fizer uma comparação com o art. 514 com o art. 515, I do NCPC. O art. 475-N do CPC73 diz que são títulos executivos judiciais a sentença produzida no processo civil que reconheça a EXISTÊNCIA de obrigação de fazer, não fazer, entregar coisa ou pagar quantia. Fala-se em EXISTÊNCIA. Só que o art. 515, I, do NCPC trata de sentença que reconheça a EXIGIBILIDADE. Pode-se ter título executivo que não seja exequível, são coisas diferentes. O que precisa ter no título executivo é apenas um atributo o da CERTEZA, pois o atributo da exigibilidade pode ser demonstrado posteriormente. Veja por exemplo o art. 514 do NCPC: Art. 514. Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o cumprimento da sentença dependerá de demonstração de que se realizou a condição ou de que ocorreu o termo. Quando ocorre a condição ou termo o título passa a ser exigível, então, a exigibilidade não precisa ser reconhecida pela sentença. Ela pode ser reconhecida em momento posterior. Isso foi de fato um equívoco, mas não deixa achar que as sentenças que reconhece a existência, mas não exigibilidade não seriam títulos executivos. São sim! E tanto são que essa é a única forma de interpretar harmoniosamente o art. 514 do NCPC. O inciso II do art. 515 do NCPC resolveu tratar do gênero, transformou o conceito mais aberto para advindo uma nova espécie de autocomposição possa ter uma disposição expressa que comtemple. O inciso V do art. 515 do NCPC traz uma correção, pois se observar o art. 585 do CPC73 este diz que são títulos extrajudiciais e não judiciais. Há um reconhecimento de que existia um equívoco e com isso foi posto de forma clara como deve ser a atuação dos juízes e dos advogados na atividade cognitiva durante o processo de execução, porque quando se tem um título executivo extrajudicial a execução pode ser embargada e nesses embargos a amplitude de cognição é muito maior que na impugnação ao cumprimento de sentença. Página 8 de 65 Na impugnação ao cumprimento de sentença as matérias são exclusivamente aquelas que ocorreram posteriormente a sentença ou aquelas que não pude alegar, por exemplo, a falta de citação quando o processo correu a revelia. Quando a execução é fundada em título executivo extrajudicial o plano de argumentação é muito amplo, pode-se alegar qualquer das questões que poderia ter sido alegado no processo de conhecimento, há uma postergação do contraditório, o que não acontece na impugnação ao cumprimento de sentença, neste há apenas uma possibilidade de se discutir em impugnação matérias que não teve a oportunidade de se discutir na fase de conhecimento. Essa é uma correção em relação ao CPC73. Art. 515. [...]§ 1o Nos casos dos incisos VI a IX, O DEVEDOR SERÁ CITADO no juízo cível para o cumprimento da sentença ou para a liquidação no prazo de 15 (quinze) dias. Nos casos de sentença penal condenatória transitada em julgado, sentença arbitral, sentença estrangeira homologada pelo Superior Tribunal de Justiça, decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória pelo Superior Tribunal de Justiça, quando se pede cumprimento da sentença, pelo fato de o juízo competente não ser o juízo que prolatou a sentença, vai ter nisso uma nova relação processual, instaurada a partir do direito de ação, a parte adversa não será mais chamada de devedora será chamada de executada. Observe que nestes artigos não se fala mais em devedor e credor, mas sim exequente e executado e justamente, porque nem sempre quem é exequente é credor e quem é executado é devedor. Então foi feita essa correção. Nesses casos (incisos VI a IX do art. 515 do NCPC) exercitará o direito de ação que dará início uma nova relação processual que caminhará em outro juízo, diverso do que prolatou o título, como iniciará a relação processual as partes executadas serão citadas. Havia certa omissão no CPC73, porque se dizia que as serão intimadas. Art. 516. O cumprimento da sentença efetuar-se-á perante: I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; II - o juízo que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição; III - o juízo cível competente, quando se tratar de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão proferido pelo Tribunal Marítimo. Parágrafo único. Nas hipóteses dos incisos II e III, o exequente PODERÁ OPTAR PELO JUÍZO do atual domicílio do executado, pelo juízo do local onde se encontrem os bens sujeitos à execução ou pelo juízo do local onde deva ser executada a obrigação de fazer ou de não fazer, casos em que a remessa dos autos do processo será solicitada ao juízo de origem. No art. 516, § único, do NCPC há uma questão interessante para facilitar o cumprimento da sentença em afirmação àquele princípio que diz que a execução deve Página 9 de 65 correr para atender os interesses do exequente. É um princípio que orienta a execução, que deverá se desenvolver para entender os interesses do exequente. Para alguns, pode pensar até mesmo sobre aquele velho dogma que foi construído no CPC73 que diz a execução deve caminhar da forma menos onerosa para o executado. Isso foi até 2005, porque em 2005 teve modificação legislativa que diz que a execução deve caminhar sobre os interesses do credor. Só precisa harmonizar com os interesses do devedor quando se tenha mais de uma forma igualmente eficaz ou até de uma forma mais eficaz diferente daquela que foi pedida pelo exequente. Perceberá que quando executadodiz que a execução deverá recair sobre outro bem ou outra forma o executado terá o ônus de dizer qual é a forma, porque é mais benéfica, quais são os bens e porque sobre eles tem que recair para ser uma execução tão ou mais eficaz que a requerida pelo exequente. A priori a execução corre no interesse do exequente, por isso o art. 516, § único do NCPC aponta situações que evitam comunicações de atos processuais, evitando comunicação por carta, dando uma maior efetividade e celeridade da atividade executiva. Há uma preocupação de uma atividade mais incisiva por parte do exequente, por exemplo, na penhora em dinheiro o executado não precisa ser avisada previamente não. Não há apenas essa preocupação, como se via em 2005, com a dignidade humana da pessoa do executado-devedor, há também a preocupação com dignidade da pessoa humana do credor que muita vezes é muito mais prejudicado que o próprio executado. Essa forma de se ver unilateralmente o processo é muito ultrapassada. A própria CF/88 diz que todas são iguais, por que vou tratar de uma melhor forma o executado em relação exequente? O exequente tem uma presunção de certeza do direito a prestação, então, a ele é que tem que ser dado a preferência. O NCPC rompe com essa barreira e prevalece o direito de quem tem direito a prestação. Art. 518. Todas as questões relativas à VALIDADE DO PROCEDIMENTO de cumprimento da sentença e dos atos executivos subsequentes poderão ser arguidas pelo executado nos próprios autos e nestes serão decididas pelo juiz. No art. 518 do NCPC há um desalentamento das atividades temerárias que não sejam no mínimo razoáveis, as questões de validade e procedimento do cumprimento de sentença poderão ser discutidas nos próprios autos. Página 10 de 65 - DO CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DA SENTENÇA QUE RECONHECE A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA Art. 520. [..] § 3o Se o executado comparecer tempestivamente e DEPOSITAR o valor, com a finalidade de isentar-se da multa, o ato não será havido como incompatível com o recurso por ele interposto. A grande preocupação de quem está sendo executado é a realização do depósito e este ser compreendido como pagamento. Aí existe uma preclusão lógica no sentido de não poder apresentar a impugnação ao cumprimento da sentença. O §3º do art. 520 do NCPC deixa muito claro que não está se efetuando pagamento e sim depósito que é diferente de pagamento, neste se quer a extinção da obrigação e com o deposito está garantindo o eventual cumprimento da obrigação. E essa atividade passa a ser boa tanto para exequente quanto para o executado, por isso é trazido de forma muito mais clara no NCPC. Não se está dizendo que no CPC73 não se possa fazer, mas no NCPC isso é muito mais claro. Para o executado isenta o pagamento da multa e juros de mora e para o exequente será uma maravilha, pois não terá mais dificuldade para o cumprimento da sentença e não terá mais que localizar bens passíveis de penhora. É norma que visa estimular, uma verdadeira promessa de recompensa. Art. 521. A caução prevista no inciso IV do art. 520 poderá ser dispensada nos casos em que: I - o crédito for de natureza alimentar, INDEPENDENTEMENTE DE SUA ORIGEM; II - o credor demonstrar situação de necessidade; III - pender o agravo fundado nos incisos II e III do art. 1.042; IV - a sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância com súmula da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça ou em conformidade com acórdão proferido no julgamento de casos repetitivos. O art. 521, inciso I, do NCPC trará a questão da caução e vai dizer que para a execução provisória de obrigação de pagar quantia certa quando o crédito é alimentar não depende de caução, INDEPENDENTEMENTE DE SUA ORIGEM. Atualmente, isso é uma questão que se discute, pois pode haver prestações alimentares que decorra de laços familiares ou de um ilícito. Quando o CPC73 fala apenas que é dispensado a caução que se refere à natureza alimentar poder-se-ia dar a interpretação que essa natureza alimentar seria apenas do dever familiar de prestar alimentos, porque se tem consequência jurídica diferentes algumas vezes a depender da natureza da obrigação que gera os alimentos. Por exemplo, os alimentos decorrentes de ato ilícito não pode ensejar a medida coercitiva de prisão civil, já o de laço familiar pode. Há um tratamento diferente. Então, para que não tenha essa possibilidade de se dar interpretação e de se acreditar que essa dispensa de caução na execução provisória envolve apenas os Página 11 de 65 alimentos decorrentes dos laços familiares o NCPC dispõe que seja INDEPENDENTEMENTE DE SUA ORIGEM. O art. 521, inciso IV, do NCPC deduz que se dispensará a caução se a sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância com súmula da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça ou em conformidade com acórdão proferido no julgamento de casos repetitivos. Isso é a questão da evidência. O CPC73 trabalha com a tutela de evidência, mas o art. 273, inciso II, deduz que poderá ser concedida a tutela antecipada quando ficar caracterizado o abuso do direito de defesa e o manifesto propósito protelatório do réu. Isso é tutela de evidência. Quando se defende algo contra súmula do STF e STJ, contra jurisprudência unificada isso é abuso do direito de defesa, então, não pode pretender usufruir o bem jurídico da parte autora se está abusando do direito de se defender, deve ser concedida a tutela de evidência. O juiz quando verifica uma situação dessas deve privilegiar a evidência e quando evidente deve ser utilizada para inibir uma atividade contrária da outra parte. É isso que faz aqui. Se a execução é provisória, mas a sentença que se esta a executar provisoriamente está de acordo com súmula e enunciado do STF e STJ ou com julgamento em casos repetitivos vai se ter uma evidência que possibilitará uma dispensa de caução. Só se exigiria a caução quando houver uma possibilidade de risco de dano irreparável ou de difícil reparação, mas se esse risco é mitigado tendo em vista a amplitude da evidência dispensa-se a caução é o que diz o legislador. Isso é atual no CPC73? Sim, mas seria necessário um esforço hermenêutico para chegar a essa proposição, não é o que se vê no nosso dia a dia forense. No dia a dia forense se pega o código e interpreta como está e, muitas vezes, a interpretação literal já é uma boa interpretação. Então, fazer um esforço hermenêutico para se chegar a essa proposição como está não é para qualquer um, vai se precisar de um diferencial para se chegar nisso, a considerar que a evidência afasta o risco pela parte contrária. Art. 521. [...] Parágrafo único. A EXIGÊNCIA DE CAUÇÃO SERÁ mantida quando da dispensa possa resultar manifesto risco de grave dano de difícil ou incerta reparação. No § único do art. 521 do NCPC coloca-se uma CLÁUSULA GERAL ao dizer que apesar dessa situação se houver manifesto risco de grave dano de difícil ou incerta reparação a caução será mantida. Isso é para dar um contrapeso, pois não se pode dizer que quando há o precedente é evidente, é uma regra. Na aplicação do precedente tem que observar se há algum fator de distinção (distinguish) ou de superação (overrruling). Pode acontecer de a jurisprudência ter sido firmada em um sentido, mas o judiciário tende a mudar aquela jurisprudência. E, muitas vezes, tende a acontecer que quando vai mudar ele dá um sinal e isso é chamando de Página 12 de 65 sinalis. Por exemplo, de fatoestá sendo decido assim, mas reconheço que há uma questão nova que nos futuros casos seja julgado de forma diferente. Exemplo, estar-se-á executar provisoriamente uma sentença que impôs obrigação de pagar quantia com base num precedente de qualidade que é uma súmula ou enunciado de súmula ou que é um julgamento de caso repetitivo, mas o tribunal superior – STF ou STJ – já deu sinal que vai haver uma superação desse precedente, então pode ser que mesmo tendo essa evidência o juiz mantenha a caução, porque há sinal de mudança do entendimento da jurisprudência. Art. 522. O cumprimento provisório da sentença será requerido por petição dirigida ao juízo competente. Parágrafo único. Não sendo eletrônicos os autos, a petição será acompanhada de cópias das seguintes peças do processo, cuja autenticidade poderá ser certificada pelo próprio advogado, sob sua responsabilidade pessoal: I - DECISÃO EXEQUENDA; A diferença de entre decisão, sentença e acordão. II - certidão de interposição do recurso não dotado de efeito suspensivo; III - procurações outorgadas pelas partes; IV - decisão de habilitação, se for o caso; V - facultativamente, outras peças processuais consideradas necessárias para demonstrar a existência do crédito. No art. 522 do NCPC há uma alusão do processo eletrônico. Se busca realizar uma execução provisória e o processo é eletrônico não precisa formar o instrumento, basta formular um simples requerimento, porque o processo eletrônico está disponível tanto para o tribunal quanto para o juiz de primeira instância. Então, se tem um processo eletrônico que está disponível a todos não precisa se formar um instrumento para a execução provisória. Esse instrumento só é preciso quando o processo é físico, porque, levando em consideração que o processo está no tribunal, para se executar provisoriamente será necessário formar um instrumento com peças mínimas para que o juiz da primeira instância possa dar cumprimento à execução provisória. O art. 475-O do CPC73 diz que esse instrumento deve ser formado por SENTENÇA OU ACORDÃO EXEQUENDO e no art. 522, § único, inciso I, do NCPC diz que o instrumento deve ser formado entre outros pela DECISÃO EXEQUENDA. Observa-se que houve uma modificação não se fala mais só de SENTENÇA ou de ACÓRDÃO, se fala de DECISÃO EXEQUENDA. E qual a diferença entre DECISÃO EXEQUENDA, SENTENÇA e ACÓRDÃO? No NCPC há um fortalecimento dos atos decisórios, sobre tudo, das decisões interlocutórias, com o NCPC se está pronto para julgar determinado capítulo, julga-se não precisa esperar para o ato de sentença. Então, por decisão exequenda tem que se entender qualquer tipo de ato decisório, não só sentença e acórdão, mas, inclusive, a decisão interlocutória, a decisão monocrática. Página 13 de 65 - DO CUMPRIMENTO DEFINITIVO DA SENTENÇA QUE RECONHECE A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no caso de decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de 15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver. § 1o Não ocorrendo pagamento voluntário no prazo do caput, o débito será acrescido de multa de dez por cento e, também, de HONORÁRIOS DE ADVOGADO DE DEZ POR CENTO. § 2o Efetuado o pagamento parcial no prazo previsto no caput, a multa e os honorários previstos no § 1o incidirão sobre o restante. § 3o Não efetuado tempestivamente o pagamento voluntário, será expedido, desde logo, mandado de penhora e avaliação, seguindo-se os atos de expropriação. O art. 523 do NCPC diz que o cumprimento definitivo pode ser da parcela incontroversa. Estar-se-á admitindo que a interposição de um recurso, que não discute a integralidade do direito a prestação que a parte apelada teve reconhecido via sentença, na parte incontroversa segue a execução definitiva. Então, mesmo que haja uma pendência de recurso, mas o efeito devolutivo não é amplo o suficiente para tornar controvertido todo o objeto que foi resolvido pela sentença, quanto à parte incontroversa naturalmente a execução é definitiva. O § 1º do art. 523 do NCPC determina que o não pagamento voluntário no prazo enseja MULTA de 10% e HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS em 10%. Veja que há um desestímulo. Art. 524. O requerimento previsto no art. 523 será instruído com demonstrativo discriminado e atualizado do crédito, devendo a petição conter: I - o nome completo, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica do exequente e do executado, observado o disposto no art. 319, §§ 1o a 3o; II - o índice de correção monetária adotado; III - os juros aplicados e as respectivas taxas; IV - o termo inicial e o termo final dos juros e da correção monetária utilizados; V - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso; VI - especificação dos eventuais descontos obrigatórios realizados; VII - indicação dos bens passíveis de penhora, sempre que possível. § 1o Quando o valor apontado no demonstrativo aparentemente EXCEDER OS LIMITES DA CONDENAÇÃO, a execução será iniciada pelo valor pretendido, mas A PENHORA TERÁ POR BASE A IMPORTÂNCIA QUE O JUIZ ENTENDER ADEQUADA. § 2o Para a verificação dos cálculos, o juiz poderá valer-se de contabilista do juízo, que terá o prazo máximo de 30 (trinta) dias para efetuá-la, exceto se outro lhe for determinado. Página 14 de 65 § 3o Quando a elaboração do demonstrativo depender DE DADOS EM PODER DE TERCEIROS OU DO EXECUTADO, o juiz poderá requisitá-los, sob cominação do crime de desobediência. § 4o Quando a complementação do demonstrativo depender de dados adicionais em poder do executado, o juiz poderá, a requerimento do exequente, requisitá-los, fixando prazo de até 30 (trinta) dias para o cumprimento da diligência. § 5o Se os dados adicionais a que se refere o § 4o não forem apresentados pelo executado, sem justificativa, no prazo designado, reputar-se-ão corretos os cálculos apresentados pelo exequente apenas com base nos dados de que dispõe. O inciso I do art. 524 diz que no requerimento deve conter o nome completo, o número do CNPJ ou CPF do exequente e do executado. Isso não deve está na petição inicial? Deve, mas há uma ressalva quando não pode trazer essas informações não será necessário, até porque não se pode censurar o direito de ação, simplesmente, porque não se sabe o número do CPF ou CNPJ da parte. Muitas vezes, quando se está nesta etapa a outra parte já trouxe essa informação, documento, procuração com essas informações. E a parte exequente já tem como assim fazer, facilitando a execução, porque o primeiro bem a ser penhora será dinheiro, a preferência, e para alcançar será CPF e CNPJ. O requerimento deverá conter demonstrativo discriminado e atualizado do cálculo, que deverá conter no mínimo os requisitos do art. 524, inciso II a VI, do NCPC. A presença dos requisitos da possibilidade do executado verificar se os cálculos foram feitos com acerto ou não. Tanto o exequente quanto o executado se eles estão contestando ou pedindo valores deve apresentar os requisitos mínimos definidos em lei. No inciso VII do art. 524 do NCPC ratifica a questão que a execução tramita no interesse do exequente, porque deduz que deverá ter a indicação de bens passiveis de penhora sempre que possível, mas essa indicação é feita pelo exequente e não pelo executado. O §1º do art. 524 do NCPC diz algo que é claro no CPC73, mas sempre que havia cumulação de matériade defesa chegava a certa complicação, porque o CPC73 diz que quando alega excesso de execução tem que dizer qual é o valor incontroverso e justificar os cálculos se não fizer isso o argumento não será conhecido. O problema era quando levado esse argumento acrescido de outro, por exemplo, quando diz que há excesso de execução e penhora incorreta, dois argumentos. E, nesse caso, porque não apresentado a memória de cálculo com o valor adequado não seria conhecida a impugnação ou não seria conhecido o argumento? Pelo §1º do art. 524 do NCPC não seria conhecido o argumento apenas. No CPC73 quando alega excesso de execução o executado vai dizer qual é o valor executado e a penhora recaia sobre o valor pelo executado apontado, mas a execução tramita sobre o valor total apontado pelo exequente até que seja apurada essa diferente. Página 15 de 65 No §1º do art. 524 do NCPC diz que se o juiz verificar que há um excesso a execução não irá correr a execução pelo valor indicado pelo exequente vai correr pelo valor indicado pelo juiz, que evitará o cometimento de abuso. Muitas vezes o exequente colocava o valor na execução bem acima e detonava o executado, quando muitas vezes queria fazer um acordo melhor. Então, o juiz quando entender que há um excesso manifesto pelos cálculos apresentados pelo exequente irá dizer o valor que deve recair a penhora e não pelo valor que entende ser manifesto. O § 2º do art. 524 do NCPC estabelece que para a verificação dos cálculos, o juiz poderá valer-se de contabilista do juízo, que poderá ser a contadoria judicial ou outra pessoa indicada por ele. O § 3º do art. 524 muda o paradigma, pois o CPC73 quando para apresentação dos cálculos depende do executado e este não apresenta os dados o exequente faz o cálculo e detona o executado, mas com o NCPC se os dados estiverem em poder de terceiros ou do executado, o juiz poderá requisitá-los, sob COMINAÇÃO DO CRIME DE DESOBEDIÊNCIA. Agora, se o executado assumir as consequências do crime de desobediência? O exequente apresentará os cálculos desde que tenha bases mínimas para alcançar o convencimento do juiz sobre o valor, conforme o §5º do art. 524 do NCPC. E se não houver dados mínimos? Não tem como executar. Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) dias para que o executado, INDEPENDENTEMENTE DE PENHORA OU NOVA INTIMAÇÃO, apresente, nos próprios autos, sua impugnação. § 1o Na impugnação, o executado poderá alegar: I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu à revelia; II - ilegitimidade de parte; III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; IV - penhora incorreta ou avaliação errônea; V - EXCESSO DE EXECUÇÃO OU CUMULAÇÃO INDEVIDA DE EXECUÇÕES; Não pode ter a cumulação de execuções que estão sob rito diferente. VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes à sentença. § 2o A alegação de impedimento ou suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148. § 3o Aplica-se à impugnação o disposto no art. 229. § 4o Quando o executado alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à resultante da sentença, cumprir- lhe-á declarar de imediato o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo. § 5o Na hipótese do § 4o, não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, a impugnação será liminarmente rejeitada, se o excesso de execução for o seu único fundamento, ou, se Página 16 de 65 houver outro, a impugnação será processada, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. § 6o A apresentação de impugnação não impede a prática dos atos executivos, inclusive os de expropriação, podendo o juiz, a requerimento do executado e desde que garantido o juízo com penhora, caução ou depósito suficientes, atribuir-lhe efeito suspensivo, se seus fundamentos forem relevantes e se o prosseguimento da execução for manifestamente suscetível de causar ao executado grave dano de difícil ou incerta reparação. § 7o A concessão de efeito suspensivo a que se refere o § 6o não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens. § 8o Quando o EFEITO SUSPENSIVO atribuído à impugnação disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. § 9o A concessão de efeito suspensivo à impugnação deduzida por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não impugnaram, quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao impugnante. § 10. Ainda que atribuído efeito suspensivo à impugnação, é lícito ao exequente requerer o prosseguimento da execução, oferecendo e prestando, nos próprios autos, caução suficiente e idônea a ser arbitrada pelo juiz. § 11. As questões relativas a fato superveniente ao término do prazo para apresentação da impugnação, assim como aquelas relativas à validade e à adequação da penhora, da avaliação e dos atos executivos subsequentes, podem ser arguidas por simples petição, tendo o executado, em qualquer dos casos, o prazo de 15 (quinze) dias para formular esta arguição, contado da comprovada ciência do fato ou da intimação do ato. § 12. Para efeito do disposto no inciso III do § 1o deste artigo, considera-se também inexigível a obrigação reconhecida em título executivo judicial fundado em lei ou ato normativo considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da lei ou do ato normativo tido pelo Supremo Tribunal Federal como incompatível com a Constituição Federal, em controle de constitucionalidade concentrado ou difuso. § 13. No caso do § 12, os efeitos da decisão do Supremo Tribunal Federal poderão ser modulados no tempo, em atenção à segurança jurídica. § 14. A decisão do Supremo Tribunal Federal referida no § 12 DEVE SER ANTERIOR AO TRÂNSITO EM JULGADO da decisão exequenda. § 15. Se a decisão referida no § 12 for proferida após o trânsito em julgado da decisão exequenda, caberá AÇÃO RESCISÓRIA, cujo prazo será contado do trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal. Conforme o art. 525 do NCPC o prazo para apresentar a impugnação ao cumprimento de sentença é de 15 dias, INDEPENDENTEMENTE DE PENHORA OU Página 17 de 65 NOVA INTIMAÇÃO. Isso é uma grande novidade, pois não era o entendimento do STJ, que entendia ser indispensável a penhora, embora o CPC73 dissesse que quando realizada a penhora tem-se 15 dias para impugnar, mas não está dizendo que a penhora é requisito para apresentar a impugnação não. Então, para o NCPC é independentemente de penhora ou nova intimação para apresentação de impugnação. Nesse art. 525 há algumas inclusões como a do inciso V, §1º, do art. 525 do NCPC, que já era matéria de embargos no CPC73 que deduz que não pode haver cumulação indevida de execuções, por exemplo, execuções que tramitam sobre ritos diferentes, execução de pagar quantia com execução de obrigação de fazer, os atos processuais são completamente distintos, não pode haver cumulação de execuções de rito diferentes nos mesmos autos, se houver cumulação indevida vai ser objeto de impugnação no cumprimento de sentença. Há a inclusão do inciso VI, §1º, do art. 525 do NCPC que trata da incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução que poderá seralegada na impugnação ao cumprimento da sentença. Salientando-se que a incompetência relativa vai compor a peça de impugnação e não será mais apresentada como exceção pelo executado. O processo foi simplificado, afastou essas formalidades. Para o NCPC diz que os pedidos limitará a atividade do juiz, mas para Rinaldo Mouzalas a atividade do juiz é limitada pelas afirmações das partes, porque o juiz poderá decidir aquilo que é prejudicial nas relações jurídicas e formaram inclusive coisa julgada. Para Rinaldo Mouzalas a sentença de improcedência pode ser título executivo extrajudicial. Exemplo, ajuíza-se uma ação de declaração de inexistência de débito e essa ação é julgada improcedente. Está dizendo o que? Que o crédito existe, ainda, que o promovido não seja condenado. A atividade jurisdicional não existe para atender os interesses do autor, mas sim das partes. A questão prejudicial desde que seja objeto de debate e desde que o juiz seja compete vai formar ali coisa julgada. O §8º do art. 525 do NCPC que quando o EFEITO SUSPENSIVO atribuído à impugnação disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. Pelo CPC73 compreende-se que pode emprestar efeito suspensivo a impugnação. Mas pode emprestar a impugnação por completo ou parte? Isso não está muito claro por essa questão da operacionalidade do processo civil. Foi colocado pelo §8º do art. 525 que pode ser emprestado apenas a parte. E no § 9º do art. 525 do NCPC a concessão de efeito suspensivo à impugnação deduzida por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não impugnaram, quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao impugnante. Nesse caso, observa-se que há a possibilidade de atribuir a aplicação do efeito suspensivo tanto a parte do objeto (elemento objetivo) como a partes do processo (elemento subjetivo). No § 11 do art. 525 do NCPC, traz algo que não contem no CPC73, mas que é admitido e a doutrina possibilita essa situação. A impugnação ao cumprimento de sentença deve versa sobre as questões que são supervenientes a sentença, pelo menos essa é uma regra, então, tudo que é objeto da impugnação ao cumprimento de sentença Página 18 de 65 são pelo menos em regra são questões posteriores a sentença, mas pode ser que mesmo depois da impugnação ao cumprimento de sentença venham questões supervenientes e que devam ser consideradas pelo julgador. Essas questões vão ficar sem possibilidade de apresentar por que já precluiu a oportunidade de apresentação da impugnação ao cumprimento da sentença? Naturalmente que não, porque os fatos supervenientes devem ser considerados para atividade jurisdicional. Nesse contexto, esclarece o NCPC que não poderá mais apresentar impugnação, mas poderá apresentar via simples petição, no prazo de 15 dias, essas questões supervenientes que serão objeto da atividade jurisdicional. O CPC73 diz que se pode alegar na impugnação ao cumprimento de sentença a inexigibilidade do título se considerar também A decretação pelo STF pode ser a qualquer momento? Esse era um grande debate da doutrina. O § 14 do art. 525 do NCPC coloca de forma clara que só é inexigível o título executivo judicial, mesmo que amparado em ato normativo que foi decretado como inconstitucional pelo STF, se essa decretação por parte do Supremo já precedia a prolação da sentença, se posterior essa decretação de inconstitucionalidade ela não atinge a inexigibilidade do título. Isso passou a evitar uma serie de discussões tratada em atividade jurisdicional. O § 15 do art. 525 do NCPC diz que se for proferida pelo STF decisão afirmando que é inconstitucional aquele ato normativo que fundou o título executivo e for posterior ao transito em julgado, não se terá a oportunidade de alegar via impugnação ao cumprimento de sentença, mas via ação rescisória. Pois, se o STF diz que o ato é inconstitucional, a decisão que julgou contra o entendimento do supremo violou literal disposição lei, só que a impugnação ao cumprimento de sentença não desconstitui e precisaria de uma ação rescisória para desconstituir a decisão. Art. 526. É lícito ao réu, antes de ser intimado para o cumprimento da sentença, comparecer em juízo e oferecer em pagamento o valor que entender devido, apresentando memória discriminada do cálculo. § 1o O autor será ouvido no prazo de 5 (cinco) dias, podendo impugnar o valor depositado, sem prejuízo do levantamento do depósito a título de parcela incontroversa. § 2o Concluindo o juiz pela INSUFICIÊNCIA DO DEPÓSITO, sobre a diferença incidirão multa de dez por cento e honorários advocatícios, também fixados em dez por cento, seguindo-se a execução com penhora e atos subsequentes. § 3o Se o autor não se opuser, o juiz declarará satisfeita a obrigação e extinguirá o processo. O §1º do art. 526 do NCPC apresenta uma questão que não é de consignação em pagamento, mas é a mesma sistemática da consignação em pagamento, pois se deposita e a parcela incontroversa pode fazer o levantamento. Página 19 de 65 E o §2º do art. 526 do NCPC coloca que se o juiz entende pela INSUFICIÊNCIA DO DEPÓSITO, sobre a diferença incidirão multa e honorários advocatícios. - DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE RECONHEÇA A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PRESTAR ALIMENTOS Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo. § 1 o Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento, não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517. § 2 o Somente a comprovação de fato que gere a impossibilidade absoluta de pagar justificará o inadimplemento. § 3 o Se o executado não pagar ou se a justificativa apresentada não for aceita, o juiz, além de mandar protestar o pronunciamento judicial na forma do § 1 o , decretar-lhe-á a prisão pelo prazo de 1 (um) a 3 (três) meses. § 4 o A prisão será cumprida em regime fechado, devendo o preso ficar separado dos presos comuns. § 5 o O cumprimento da pena não exime o executado do pagamento das prestações vencidas e vincendas. § 6 o Paga a prestação alimentícia, o juiz suspenderá o cumprimento da ordem de prisão. § 7 o O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o que compreende até as 3 (três) prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso do processo. § 8 o O exequente pode optar por promover o cumprimento da sentença ou decisão desde logo, nos termos do disposto neste Livro, Título II, Capítulo III, caso em que não será admissível a prisão do executado, e, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo à impugnação não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. § 9 o Além das opções previstas no art. 516, parágrafo único, o exequente pode promover o cumprimento da sentença ou decisão que condena ao pagamento de prestação alimentícia no juízo de seu domicílio. O § 1º do art. 528 do NCPC dispõe que o juiz mandará protestar o pronunciamento judicial. Essa questão do juiz mandar protestar o pronunciamento judicial vocês acham que acontece também na execução de obrigação de pagar quantia que não seja de alimentos? É a primeiravez que aparece. Página 20 de 65 Para Rinaldo Mouzalas essa é uma medida coercitiva que não tem justificativa para se aplicar apenas na prestação alimentícia e que houve uma lacuna axiológica, tentou-se privilegiar os alimentos, mas esqueceu-se que essa medida pode ser aplicada também a outros casos, basta dizer que há na própria lei dos juizados especiais a possibilidade de se pedir o protesto judicial e pedir para remeter ao cadastro de inadimplentes. Em outras situações o NCPC fala em cadastro de inadimplentes, há um paradoxo podendo em ambos os casos o protesto e o cadastro de inadimplentes, independente da natureza da obrigação seja ela fundada em alimentos ou não, como é medida coercitiva para garantir a realização da prestação que tem o autor pode-se ser utilizada independentemente da natureza da obrigação. O § 8º do art. 528 do NCPC diz que quando a penhora recair sobre dinheiro a concessão do efeito suspensivo à impugnação não obsta que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. Para Rinaldo Mouzalas era melhor dizer que não tinha efeito suspensivo nesse caso, porque o risco mesmo que tem é de alienação de bens, a preferência é o dinheiro, se o executado não paga vai preso. A maioria das vezes a penhora numa ação alimentícia recai sobre dinheiro e o §8º do art. 528 do NCPC diz que o efeito suspensivo não obsta o levantamento em dinheiro, saque do dinheiro que foi depositado em juízo. Então, para Rinaldo Mouzalas era melhor dizer que não há efeito suspensivo, mas aventa-se uma possibilidade de serem penhorados outros bens diferentemente de dinheiro e consequentemente aí teria efeito suspensivo. Isso é incoerente, pois se o credor precisa receber os alimentos e com o dinheiro não precisa de efeito suspensivo, por que precisaria em outra situação? Pois o §8º do art. 528 do NCPC fala quando a penhora recair em dinheiro e não falou em outra situação. Há uma incoerência sistêmica e deveria ter corrigido. O § 9º do art. 528 do NCPC, já é adotado pela própria lei de alimentos, diz que quando a execução do cumprimento da sentença condena a pagar alimentos poderá ser executada no juízo do domicílio de quem recebe os alimentos – do alimentando. O art. 529 do NCPC expõe o desconto em folha quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa ou empregado sujeito à legislação do trabalho. Elencando, ainda, a possibilidade de crime de desobediência no § 2º, do art. 529 do NCPC. No § 3º do art. 529 do NCPC deduz uma questão interessante à possibilidade de o juiz adotar uma medida sub-rogatória, para que o empregador em sentido latu sensu faça logo o desconto na folha de pagamento mesmo em relação aos débitos passados, isso desde que não ultrapasse 50% (cinquenta por cento) dos ganhos líquidos. Art. 529. Quando o executado for funcionário público, militar, diretor ou gerente de empresa ou empregado sujeito à legislação do trabalho, o exequente poderá requerer o DESCONTO EM FOLHA de pagamento da importância da prestação alimentícia. § 1 o Ao proferir a decisão, o juiz oficiará à autoridade, à empresa ou ao empregador, determinando, sob pena de CRIME DE Página 21 de 65 DESOBEDIÊNCIA, o desconto a partir da primeira remuneração posterior do executado, a contar do protocolo do ofício. § 2 o O ofício conterá o nome e o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas do exequente e do executado, a importância a ser descontada mensalmente, o tempo de sua duração e a conta na qual deve ser feito o depósito. § 3 o Sem prejuízo do pagamento dos alimentos vincendos, o débito objeto de execução pode ser descontado dos rendimentos ou rendas do executado, de forma parcelada, nos termos do caput deste artigo, contanto que, somado à parcela devida, não ultrapasse cinquenta por cento de seus ganhos líquidos. A questão de penhora quando envolve alimentos, não tem muito problema. E quando envolve outras verbas que não a alimentícia para se tentar penhorar parte do salário? Veja que quando se faz um empréstimo em um banco se admite o desconto todo mês na folha de pagamento e porque não pode haver esse desconto para se pagar o credor? Muitos na bancada não aceitaram, pois é uma medida que atingia todos os eleitores. Veja que somente foi autorizada a penhora dos que recebem acima de 50 salários-mínimos, o que não é fácil. Com relação aos alimentos provisórios também se pode executar, mas deve seguir autos apartados e quando for cumprimento de sentença seguirá os mesmos autos (art. 531 do NCPC). É uma questão para tornar o processo menos atrapalhado. Art. 531. O disposto neste Capítulo aplica-se aos alimentos DEFINITIVOS OU PROVISÓRIOS. § 1 o A execução dos alimentos provisórios, bem como a dos alimentos fixados em sentença ainda não transitada em julgado, SE PROCESSA EM AUTOS APARTADOS. § 2 o O cumprimento definitivo da obrigação de prestar alimentos será processado nos mesmos autos em que tenha sido proferida a sentença. O art. 532 do NCPC elenca a possibilidade de crime de abandono material para o caso da conduta procrastinatória do cônjuge. Art. 532. Verificada a conduta procrastinatória do executado, o juiz deverá, se for o caso, dar ciência ao Ministério Público dos indícios da prática do CRIME DE ABANDONO MATERIAL. - DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE RECONHEÇA A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE PAGAR QUANTIA CERTA PELA FAZENDA PÚBLICA (ARTS. 534 a 535) Nesses artigos do NCPC se falará do empréstimo do efeito suspensivo a impugnação apresentada pela Fazenda Pública, só que não o que não tem sentido Página 22 de 65 nenhum quando a obrigação é de pagar quantia, porque só vai para precatório quando for definitivo o resultado, ou seja, quando transitar em julgado o resultado da execução. O efeito suspensivo visa evitar um prejuízo, mas qual seria o prejuízo que a Fazenda Pública iria experimentar? Somente se fosse alienado os bens, mas os bens públicos são inalienáveis. É até incoerente se falar sobre isso. O §4º do art. 535 do NCPC traz uma questão já consolidada pela jurisprudência, que quando a impugnação for parcial consequentemente se terá uma parte incontroversa e essa parte já pode ser objeto de inscrição em ordem de pagamento. Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de 30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir: [...] § 4 o Tratando-se de IMPUGNAÇÃO PARCIAL, a parte não questionada pela executada será, desde logo, objeto de cumprimento. - DO CUMPRIMENTO DE SENTENÇA QUE RECONHEÇA A EXIGIBILIDADE DE OBRIGAÇÃO DE FAZER, DE NÃO FAZER OU DE ENTREGAR COISA (ART. 536 e ss) Seção I – Do Cumprimento de Sentença que Reconheça a Exigibilidade de Obrigação de Fazer ou de Não Fazer Art. 536. No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, o juiz poderá, de ofício ou a requerimento, para a efetivação da TUTELA ESPECÍFICA ou a obtenção de TUTELA PELO RESULTADO PRÁTICO EQUIVALENTE, determinar as medidas necessárias à satisfação do exequente. § 1o Para atender ao disposto no caput, o juiz poderá determinar, entre outras medidas, a imposição de multa, a busca e apreensão, a remoção de pessoas e coisas, o desfazimento de obras e o impedimento de atividade nociva, podendo, caso necessário, requisitar o auxílio de força policial. § 2o O mandado de busca e apreensão de pessoas e coisas será cumprido por 2 (dois) oficiais de justiça, observando-seo disposto no art. 846, §§ 1o a 4o, se houver necessidade de arrombamento. § 3o O executado incidirá nas penas de litigância de má-fé quando injustificadamente descumprir a ordem judicial, sem prejuízo de sua responsabilização por CRIME DE DESOBEDIÊNCIA. § 4o No cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade de obrigação de fazer ou de não fazer, aplica-se o art. 525, no que couber. § 5o O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao cumprimento de sentença que reconheça deveres de fazer e de não fazer de natureza não obrigacional. Página 23 de 65 O art. 536 do NCPC fará uma diferenciação que será importante para se saber que a obrigação de fazer e não fazer poderá ser cumprida de duas formas, pela TUTELA ESPECIFICA ou pelo RESULTADO PRÁTICO EQUIVALENTE. A tutela específica é cumprir exatamente aquilo que foi obrigado e quando não é possível vai para perdas e danos que já é obrigação de pagar quantia certa e tramita a execução por esta forma. O juiz terá uma série de medidas típicas (prevista no CPC) e atípicas para alcançar a satisfação do exequente (§1º do art. 536 do NCPC). Com relação às medidas atípicas se terá um Enunciado do Fórum Permanente dos Processualistas Civis – Enunciado nº 12 – “a aplicação das medidas atípicas sub- rogatórias e coercitivas é cabível em qualquer obrigação no cumprimento de sentença ou de execução de título executivo extrajudicial. Essas medidas, contudo, serão aplicadas de forma subsidiária as medidas tipificadas, com observação do contraditório, ainda que diferido, e por meio de decisão à luz do art. 499, § 1, I e II”. Então, primeiro emprego das medidas típicas se não forem suficiente aplica-se as atípicas. As medidas típicas não serão somente as previstas no CPC não, poderá ser de outras leis, legislação extravagante. Para que isso? Para evitar o cometimento de atos inválidos, que possam ferir algum direito fundamental. O § 3º do art. 536 do NCPC deduz o crime de desobediência pelo descumprimento de ordem judicial. Art. 537. A multa independe de requerimento da parte e poderá ser aplicada na fase de conhecimento, em tutela provisória ou na sentença, ou na fase de execução, desde que seja suficiente e compatível com a obrigação e que se determine prazo razoável para cumprimento do preceito. § 1o O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, modificar o valor ou a periodicidade da multa VINCENDA ou excluí-la, caso verifique que: I - se tornou insuficiente ou excessiva; II - o obrigado demonstrou CUMPRIMENTO PARCIAL SUPERVENIENTE da obrigação ou justa causa para o descumprimento. § 2o O VALOR DA MULTA SERÁ DEVIDO AO EXEQUENTE. § 3o A decisão que fixa a multa é passível de cumprimento provisório, devendo ser depositada em juízo, permitido o levantamento do valor após o trânsito em julgado da sentença favorável à parte ou na pendência do agravo fundado nos incisos II ou III do art. 1.042. § 4o A multa será devida desde o dia em que se configurar o descumprimento da decisão e incidirá enquanto não for cumprida a decisão que a tiver cominado. § 5o O disposto neste artigo aplica-se, no que couber, ao cumprimento de sentença que reconheça deveres de fazer e de não fazer de natureza não obrigacional. Página 24 de 65 Há uma novidade no § 1º do art. 537 em relação à astreintes. A novidade é que o valor só poderá ser alterado em relação à multa vincenda, as vencidas não. O que acontece na prática? O juiz impõe uma obrigação e comina uma multa pelo descumprimento, o executado não cumpre a obrigação e a multa acumula, o valor da multa fica muito alto e acaba o juiz por reduzi-la. Para Rinaldo Mouzalas isso atenta contra a própria credibilidade do judiciário, porque hoje, atualmente, ninguém cumpre decisão judicial. Então, com o NCPC o juiz não poderá mais alterar a multa vencida, somente a vincenda. Pelo §2º do art. 537 do NCPC o valor da multa será revertida para o exequente. O CPC73 não determinava para quem deveria ser revertida a multa. A atreintes era submetida para o Estado e não para o exequente na França. Pela demora da atividade processual quem sofre é o exequente, caso não fosse concedida a ele não haveria nenhum alentamente e o pior o devedor nunca pagaria ao Estado, então haveria nenhuma pressão para o devedor. Consoante o §3º do art. 537 do NCPC a multa somente poderá ser levantada depois do transito em julgado, antes disso há somente há execução provisória, assim, não corre o executado o risco de sofrer um prejuízo e o exequente ainda conseguirá fazer pressão para o cumprimento da obrigação, porque a multa não poderá ser mais reduzida. Haverá exceções na lei da Ação Civil Pública, Estatuto do Idoso, Estatuto da Criança e do Adolescente que irão permitir o levantamento da multa mesmo sendo provisória a execução. Seção II – Do Cumprimento de Sentença que Reconheça a Exigibilidade de Obrigação de Entregar Coisa Art. 538. Não cumprida a obrigação de entregar coisa no prazo estabelecido na sentença, será expedido mandado de busca e apreensão ou de imissão na posse em favor do credor, conforme se tratar de coisa móvel ou imóvel. § 1 o A EXISTÊNCIA DE BENFEITORIAS DEVE SER ALEGADA NA FASE DE CONHECIMENTO, em contestação, de forma discriminada e com atribuição, sempre que possível e justificadamente, do respectivo valor. § 2 o O direito de retenção por benfeitorias deve ser exercido na contestação, na fase de conhecimento. § 3 o Aplicam-se ao procedimento previsto neste artigo, no que couber, as disposições sobre o cumprimento de OBRIGAÇÃO DE FAZER OU DE NÃO FAZER. O art. 538 §1º traz uma questão já pacificada pelo STJ acerca da alegação de benfeitorias que deve ser feita na fase de conhecimento, não sendo feita haverá a preclusão dessa questão. A não ser que seja uma execução fundada em título executivo extrajudicial que, então, se poderia alegar via embargos, no cumprimento de sentença não se poderá fazer, porque é própria da fase de conhecimento. Página 25 de 65 O §3º do art. 538 do NCP deduz que se aplica no que couber as disposições sobre o cumprimento de OBRIGAÇÃO DE FAZER OU DE NÃO FAZER à OBRIGAÇÃO DE ENTREGA DE COISA. Há uma quebra de paradigma, porque a execução da obrigação de entrega coisa é feita por busca e apreensão ou imissão na posse, que são medidas típicas – são preferenciais, o NCPC fala disso, mas, também, diz que se aplica as disposições da obrigação de fazer e não fazer no que couber, logo, também se pode aplicar astreintes. Porque se insiste com a astreintes? Porque a astreintes é mais econômica e efetiva que a busca e apreensão e a imissão de posse. A astreintes é mais cooperativa por parte do executado. 3 - DA EXECUÇÃO EM GERAL - DISPOSIÇÕES GERAIS O inciso III, do art. 772 c/c art. 773 do NCPC deduz que o juiz pode determinar que os sujeitos indicados pelo exequente forneçam informações ligadas a execução. Isso é importante, porque torna desnecessária ação para exibição de documentos ou coisas que estão em poder de outras pessoas (terceiros), ou seja, desnecessário os atos preparatórios de exibição de documentos ou coisa, para só, então, depois poder executar. O que torna o processo mais informal, mais sincrético, mais acessivel. Art. 772. O juiz pode, em qualquer momento do processo: I - ordenar o comparecimento das partes; II - advertir o executado de que seu procedimento constitui ato atentatório à dignidade da justiça; III - determinar que SUJEITOS indicados pelo exequente forneçam informações em geral relacionadas ao objeto da execução, tais como documentose dados que tenham em seu poder, assinando-lhes prazo razoável. Art. 773. O juiz poderá, de ofício ou a requerimento, DETERMINAR AS MEDIDAS NECESSÁRIAS AO CUMPRIMENTO da ordem de entrega de documentos e dados. Parágrafo único. Quando, em decorrência do disposto neste artigo, o juízo receber dados sigilosos para os fins da execução, o juiz adotará as medidas necessárias para assegurar a confidencialidade. O art. 774 do NCPC inclui como ato atentatório à dignidade da justiça além da conduta comissiva a conduta omissiva. No NCPC há outros vários dispositivos que vão prever situações outras que são atos atentatórios da dignidade da justiça. Art. 774. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou OMISSIVA do executado que: I - frauda a execução; II - se opõe maliciosamente à execução, empregando ardis e meios artificiosos; Página 26 de 65 III - dificulta ou embaraça a realização da penhora; IV - resiste injustificadamente às ordens judiciais; V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o caso, certidão negativa de ônus. Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará multa em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções de natureza processual ou material. O art. 775 do NCPC trata da desistência das medidas executivas. Ressalvando no inciso I do art. 775 do NCPC a garantia de pagamento das custas judiciais dos honorários advocatícios no caso de desistência. Art. 775. O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma MEDIDA EXECUTIVA. Parágrafo único. Na desistência da execução, observar-se-á o seguinte: I - serão extintos a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre questões processuais, PAGANDO o exequente as custas processuais e os honorários advocatícios; II - nos demais casos, a extinção dependerá da concordância do impugnante ou do embargante. Quando o art. 776 do NCPC fala em ressarcir, é uma questão relacionada ao direito material, então deveria o NCPC ter dito ressarcir ou indenizar, pois poderia a execução ocasionar dano de natureza moral. Art. 776. O EXEQUENTE RESSARCIRÁ AO EXECUTADO os danos que este sofreu, quando a sentença, transitada em julgado, declarar inexistente, no todo ou em parte, a obrigação que ensejou a execução. - DA COMPETÊNCIA O art. 781 do NCPC traz a competência para a execução, com a finalidade de garantir o interesse do credor e de se obter uma prestação jurisdicional efetiva. Há uma distribuição de competência especial e na omissão delas aplicar-se-á o processo de conhecimento. Art. 781. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o juízo competente, observando-se o seguinte: I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos; II - tendo mais de um domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de qualquer deles; Página 27 de 65 III - sendo incerto ou desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser proposta no lugar onde for encontrado ou no foro de domicílio do exequente; IV - havendo mais de um devedor, com diferentes domicílios, a execução será proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente; V - a execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou em que ocorreu o fato que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado. O §1º do art. 782 do NCPC deduz novidade para o oficial de justiça que poderá cumprir os atos executivos determinados pelo juiz também nas COMARCAS CONTÍGUAS, de fácil comunicação, e nas que se situem NA MESMA REGIÃO METROPOLITANA. Isso evita o envio de carta precatória para a realização desses atos de comunicação. O § 3º do art. 782 do NCPC elenca a possibilidade de o juiz determinar a INCLUSÃO DO NOME DO EXECUTADO EM CADASTROS DE INADIMPLENTES. Mas Cadastro de Inadimplente não é realizar PROTESTO, é diferente, este é feito para dizer que o título é exigível. O efeito pragmático é o mesmo, porque quando se protesta automaticamente vai para o cadastro de inadimplente, mas o contrario não acontece. São dois institutos com funções em parte diferentes. Então, precisa-se entender que para as execuções em gerais pode escrever em cadastro de inadimplente. E pode protestar todos os títulos? Para Rinaldo Mouzalas sim, inclusive, porque ele defende que a sentença não precisa ser exigível, precisa ser certa, que garanta a existência da obrigação, que às vezes não há exigibilidade. Para o Fórum Permanente de Processualistas Civis, no enunciado nº 190, “O art. 798, § 3°, não veda a inclusão extrajudicial do nome do executado em cadastros de inadimplentes, pelo credor ou diretamente pelo órgão de proteção ao crédito”. Quem fará o protesto ou a inscrição em cadastro de inadimplente? Muitas vezes a parte faz até antes de ingressar com a ação. Apesar de o NCPC deixar claro que o juiz pode fazer, não significa que o exequente não possa, pois seria retira-lo um direito. Com o pagamento deve ser feito o cancelamento de forma imediata. Mas o que é de forma imediata. Para Rinaldo Mouzalas deve ser em 03 (três) dias. Art. 782. Não dispondo a lei de modo diverso, o juiz determinará os atos executivos, e o oficial de justiça os cumprirá. § 1 o O oficial de justiça poderá cumprir os atos executivos determinados pelo juiz também nas COMARCAS CONTÍGUAS, de fácil comunicação, e nas que se situem NA MESMA REGIÃO METROPOLITANA. § 2 o Sempre que, para efetivar a execução, for necessário o emprego de força policial, o juiz a requisitará. Página 28 de 65 § 3 o A requerimento da parte, o juiz pode determinar a INCLUSÃO DO NOME DO EXECUTADO EM CADASTROS DE INADIMPLENTES. § 4 o A inscrição será CANCELADA IMEDIATAMENTE se for efetuado o pagamento, se for garantida a execução ou se a execução for extinta por qualquer outro motivo. § 5 o O disposto nos §§ 3 o e 4 o aplica-se à execução definitiva de título judicial. - DOS REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA REALIZAR QUALQUER EXECUÇÃO Seção I – Do Título Executivo O art. 783 do NCPC muda a redação do art. 586 do CPC73. O art. 783, caput, coloca CERTA, LÍQUIDA e EXÍGIVEL. Para Rinaldo Mouzalas, a certeza é muito mais importante que a liquidez, pois não se pode ter um título líquido sem ser certo. O atributo mais importante é a certeza, depois exigibilidade e liquidez. O NCPC deveria ter alterado para estabelecer a ordem adequada, CERTA, EXIGIVEL e LÍQUIDA, pois a liquidez somente será exigida quando a obrigação for de pagar quantia certa. Art. 783. A execução para cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação CERTA, LÍQUIDA E EXIGÍVEL. O art. 784 do NCPC elenca os títulos executivos extrajudiciais, observe o inciso IV, a inclusão da advocacia pública; o inciso VI, há uma restrição/limitação de seguro de vida apenas para o caso de morte, foi um grande retrocesso, observe que contrato de seguro é impenhorável e não se refere a seguro de vida, houve uma restrição demais, poderia ser só contrato de seguro; o inciso X, o crédito referente às CONTRIBUIÇÕES ORDINÁRIAS OU EXTRAORDINÁRIAS DE CONDOMÍNIO EDILÍCIO, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desdeque documentalmente comprovadas; o inciso XI, há a possibilidade de constituição de título de forma unilateral, isso é temerário. Art. 784. São títulos executivos extrajudiciais: I - a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; II - a escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor; III - o documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas; IV - o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria Pública, pela ADVOCACIA PÚBLICA, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou mediador credenciado por tribunal; Inclusão da advocacia publica Página 29 de 65 V - o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e aquele garantido por caução; VI - o contrato de seguro de vida em caso de morte; VII - o crédito decorrente de foro e laudêmio; VIII - o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio; IX - a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei; X - o crédito referente às CONTRIBUIÇÕES ORDINÁRIAS OU EXTRAORDINÁRIAS DE CONDOMÍNIO EDILÍCIO, previstas na respectiva convenção ou aprovadas em assembleia geral, desde que documentalmente comprovadas; XI - a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas estabelecidas em lei; XII - todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força executiva. § 1 o A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe o credor de promover-lhe a execução. § 2 o Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não dependem de homologação para serem executados. § 3 o O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de formação exigidos pela lei do lugar de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o lugar de cumprimento da obrigação. O art. 785 do NCPC traz uma superação do entendimento do STJ, em especial da Ministra Nancy Andrghi, pois para esta não há interesse processual em se converter titulo executivo judicial em judicial. O art. 785 do NCPC não restringe a amplitude cognitiva do título executivo extrajudicial, consequentemente não impede a conversão do título judicial em extrajudicial. Art. 785. A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial. Seção II – Da Exigibilidade da Obrigação Art. 786. A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível consubstanciada em título executivo. Parágrafo único. A necessidade de SIMPLES OPERAÇÕES ARITMÉTICAS para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título. Página 30 de 65 A simples operação de cálculo não constitui modalidade de liquidação de sentença. É um simples requisito para a petição. A dificuldade e saber o que um simples cálculo? Quando for um cálculo mais complexo, com necessidade de conhecimento técnico – nesse caso que o cálculo não é simples será preciso uma liquidação por arbitramento. - DA RESPONSABILIDADE PATRIMONIAL O art. 790 do NCPC, no inciso IV, incluiu o companheiro, resguardando a meação daquilo que lhe cabe, a não ser que seja demonstrado que ele teve pleno uso do crédito que está sendo executado, quando, também, haverá a responsabilização. Os incisos VI e VII do art. 790 do CPC traz atualização. A atualização do inciso VII é importante, porque o NCPC vai prever o incidente de desconsideração da pessoa jurídica. Art. 790. São sujeitos à execução os bens: I - do sucessor a título singular, tratando-se de execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória; II - do sócio, nos termos da lei; III - do devedor, ainda que em poder de terceiros; IV - do cônjuge ou COMPANHEIRO, nos casos em que seus bens próprios ou de sua meação respondem pela dívida; V - alienados ou gravados com ônus real em fraude à execução; VI - cuja alienação ou gravação com ônus real tenha sido anulada em razão do reconhecimento, em ação autônoma, de fraude contra credores; VII - do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica. O art. 791 do NCPC diz respeito a algo já aplicado, porém não constava no texto legal, referente aos bens submetidos ao direito de superfície ou em relação ao Superficiário. E consoante o § 1º do art. 791 do NCPC os atos de constrição tem que ser realizado mediante registro no cartório de imóvel. Art. 791. Se a execução tiver por objeto obrigação de que seja sujeito passivo o proprietário de terreno submetido ao regime do DIREITO DE SUPERFÍCIE, ou o SUPERFICIÁRIO, responderá pela dívida, exclusivamente, o direito real do qual é titular o executado, recaindo a penhora ou outros atos de constrição exclusivamente sobre o terreno, no primeiro caso, ou sobre a construção ou a plantação, no segundo caso. § 1 o Os atos de constrição a que se refere o caput serão averbados separadamente na matrícula do imóvel, com a identificação do executado, do valor do crédito e do objeto sobre o qual recai o gravame, devendo o oficial destacar o bem que responde pela dívida, se o terreno, a construção ou a plantação, de modo a assegurar a Página 31 de 65 publicidade da responsabilidade patrimonial de cada um deles pelas dívidas e pelas obrigações que a eles estão vinculadas. § 2 o Aplica-se, no que couber, o disposto neste artigo à enfiteuse, à concessão de uso especial para fins de moradia e à concessão de direito real de uso. O art. 792 do NCPC “destrincha” casos de fraude a execução. O §2º do art. 792 do NCPC expõe que o terceiro adquirente deverá demonstrar que tomou as cautelas necessárias quando da aquisição de um bem não sujeito a registro. Os atos de mercancia quando envolver bem móveis serão bem complicados, pois se o comprador não tiver cuidado pode haver um reconhecimento de fraude a execução – determinados atos jurídicos serão temerários. O ônus é do terceiro de demonstrar que está de boa fé que tomou as precauções. Há uma inversão da presunção de má fé. Tem que se busca é a certidão de distribuição de ações. Consoante o § 4º do art. 792 do NCPC ANTES DE DECLARAR A FRAUDE À EXECUÇÃO, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, para que possa se manifestar e fazer sua defesa. Em termos procedimentais essa regulamentação evita a surpresa e posterior reestabelecimento da discussão. É uma maneira de garantir o efetivo contraditório. Atualmente o terceiro só é comunicado da decretação de fraude, fazendo com que se reestabeleça a discussão e consequentemente procrastinando mais ainda o processo. Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: I - quando sobre o bem pender ação fundada em direito real ou com pretensão reipersecutória, desde que a pendência do processo tenha sido averbada no respectivo REGISTRO PÚBLICO, se houver; II - quando tiver sido averbada, no registro do bem, a pendência do processo de execução, na forma do art. 828; III - quando tiver sido averbado, no registro do bem, hipoteca judiciária ou outro ato de constrição judicial originário do processo onde foi arguida a fraude;IV - quando, ao tempo da alienação ou da oneração, tramitava contra o devedor ação capaz de reduzi-lo à insolvência; V - nos demais casos expressos em lei. § 1 o A alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente. § 2 o No caso de aquisição de BEM NÃO SUJEITO A REGISTRO, o terceiro adquirente tem o ônus de provar que adotou as cautelas necessárias para a aquisição, mediante a exibição das certidões pertinentes, obtidas no domicílio do vendedor e no local onde se encontra o bem. § 3 o Nos casos de desconsideração da personalidade jurídica, a fraude à execução verifica-se a partir da citação da parte cuja personalidade se pretende desconsiderar. § 4 o ANTES DE DECLARAR A FRAUDE À EXECUÇÃO, o juiz deverá intimar o terceiro adquirente, que, se quiser, poderá opor embargos de terceiro, no prazo de 15 (quinze) dias. Página 32 de 65 O art. 794 do NCPC deduz acerca do benefício de ordem de ter o fiador primeiro a execução dos bens do executado, mas somente se os bens estiverem na mesma comarca, pois se os bens tiverem em comarcas diferentes não poderá o fiador exercer o beneficio de ordem porque a execução deve se realizar para satisfazer o interesse do exequente. Isso é para que se evite a execução mediante carta, que além de pouco efetiva é demorada. O contrato de fiança sofrerá ponderações. Não é o fato do afiançado/executado ter bens que não será responsabilizado o fiador. Art. 794. O FIADOR, quando executado, tem o DIREITO DE EXIGIR QUE PRIMEIRO SEJAM EXECUTADOS OS BENS DO DEVEDOR situados na MESMA COMARCA, livres e desembargados, indicando-os pormenorizadamente à penhora. § 1 o Os bens do fiador ficarão sujeitos à execução se os do devedor, situados na mesma comarca que os seus, forem insuficientes à satisfação do direito do credor. § 2 o O fiador que pagar a dívida poderá executar o afiançado nos autos do mesmo processo. § 3 o O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de ordem. - DAS DIVERSAS ESPÉCIES DE EXECUÇÃO - DISPOSIÇÕES GERAIS Com o NCPC se coloca definitivamente que a execução irá se processar em favor do exequente. Então, sempre que se for fazer uma interpretação, esse processo de construção normativa deve adotar como base a orientação que a execução é realizada para satisfazer o interesse o exequente. O art. 798 do NCPC dispõe acerca de questões que devem constar na execução. No inciso I, do art. 798 do NCPC, indica o que dever instruir a petição inicial da execução. E no inciso II, do art. 798 do NCPC, estabelece na alínea “a” que deve ser indicada a ESPÉCIE DE EXECUÇÃO, em razão da possibilidade de se ter mais de uma espécie de execução, sobretudo quando houver essa possibilidade. Na alínea “c” ratifica-se que a execução deve proceder em favor do exequente, vez que se poderá determinar a ordem de bens para penhora. Art. 798. Ao propor a execução, incumbe ao exequente: I - instruir a petição inicial com: a) o título executivo extrajudicial; b) o demonstrativo do débito atualizado até a data de propositura da ação, quando se tratar de execução por quantia certa; c) a prova de que se verificou a condição ou ocorreu o termo, se for o caso; d) a prova, se for o caso, de que adimpliu a contraprestação que lhe corresponde ou que lhe assegura o cumprimento, se o executado não Página 33 de 65 for obrigado a satisfazer a sua prestação senão mediante a contraprestação do exequente; II - indicar: a) a ESPÉCIE DE EXECUÇÃO DE SUA PREFERÊNCIA, quando por mais de um modo puder ser realizada; b) os nomes completos do exequente e do executado e seus números de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica; c) os bens suscetíveis de penhora, sempre que possível. Parágrafo único. O demonstrativo do débito deverá conter: I - o índice de correção monetária adotado; II - a taxa de juros aplicada; III - os termos inicial e final de incidência do índice de correção monetária e da taxa de juros utilizados; IV - a periodicidade da capitalização dos juros, se for o caso; V - a especificação de desconto obrigatório realizado. Observe que o art. 799 do NCPC, no inciso III e IV, determina que somente será intimado o promitente comprador ou vendedor quando haja PROMESSA DE COMPRA E VENDA REGISTRADA. Consoante o art. 799 do NCPC, no inciso VIII, pode ser pleiteado pelo exequente medidas de urgência, embora possa o juiz possa conceder pelo poder geral de cautela. Art. 799. Incumbe ainda ao exequente: I - requerer a intimação do credor pignoratício, hipotecário, anticrético ou fiduciário, quando a penhora recair sobre bens gravados por penhor, hipoteca, anticrese ou alienação fiduciária; II - requerer a intimação do titular de usufruto, uso ou habitação, quando a penhora recair sobre bem gravado por usufruto, uso ou habitação; III - requerer a intimação do promitente comprador, quando a penhora recair sobre bem em relação ao qual haja PROMESSA DE COMPRA E VENDA REGISTRADA; IV - requerer a intimação do promitente vendedor, quando a penhora recair sobre direito aquisitivo derivado de PROMESSA DE COMPRA E VENDA REGISTRADA; V - requerer a intimação do superficiário, enfiteuta ou concessionário, em caso de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre imóvel submetido ao regime do direito de superfície, enfiteuse ou concessão; VI - requerer a intimação do proprietário de terreno com regime de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre direitos do superficiário, do enfiteuta ou do concessionário; VII - requerer a intimação da sociedade, no caso DE PENHORA DE QUOTA SOCIAL OU DE AÇÃO DE SOCIEDADE ANÔNIMA FECHADA, para o fim previsto no art. 876, § 7 o ; Página 34 de 65 VIII - pleitear, se for o caso, MEDIDAS URGENTES; IX - proceder à averbação em registro público do ato de propositura da execução e dos atos de constrição realizados, para conhecimento de terceiros. O art. 801 do NCPC aumenta o prazo para 15 (quinze) dias para que o exequente corrija a petição inicial. Art. 801. Verificando que a PETIÇÃO INICIAL está incompleta ou que não está acompanhada dos documentos indispensáveis à propositura da execução, o juiz determinará que o exequente a corrija, no prazo de 15 (quinze) dias, sob pena de indeferimento. O art. 802 do NCPC explicita que o despacho de citação interrompe a prescrição mesmo que advenha de juízo incompetente. O que não se aplica ao CPC73. Art. 802. Na execução, o despacho que ordena a citação, desde que realizada em observância ao disposto no § 2 o do art. 240, INTERROMPE A PRESCRIÇÃO, ainda que proferido por juízo incompetente. Parágrafo único. A interrupção da prescrição retroagirá à data de propositura da ação. O art. 804 do NCPC faz uma série de inclusão que não tem no CPC73, que deveriam ser deduzidas mediante artigos e não parágrafos, pois trata de questões diferentes. Art. 804. A alienação de bem gravado por penhor, hipoteca ou anticrese será ineficaz em relação ao credor pignoratício, hipotecário ou anticrético não intimado. Se não forem intimados os atos em relação a eles serão ineficazes. § 1 o A alienação de bem objeto de promessa de compra e venda ou de cessão registrada será ineficaz em relação ao promitente comprador ou ao cessionário não intimado. § 2 oA alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído direito de superfície, seja do solo, da plantação ou da construção, será ineficaz em relação ao concedente ou ao concessionário não intimado. § 3 o A alienação de direito aquisitivo de bem objeto de promessa de venda, de promessa de cessão ou de alienação fiduciária será ineficaz em relação ao promitente vendedor, ao promitente cedente ou ao proprietário fiduciário não intimado. § 4 o A alienação de imóvel sobre o qual tenha sido instituída enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso será ineficaz em relação ao enfiteuta ou ao concessionário não intimado. § 5 o A alienação de direitos do enfiteuta, do concessionário de direito real de uso ou do concessionário de uso especial para fins de moradia Página 35 de 65 será ineficaz em relação ao proprietário do respectivo imóvel não intimado. § 6 o A alienação de bem sobre o qual tenha sido instituído usufruto, uso ou habitação será ineficaz em relação ao titular desses direitos reais não intimado. O art. 805 do NCPC deduz que quando por vários meios puder o exequente promover a execução, o juiz determinará que se faça pelo modo menos oneroso ao executado. Salientando-se, nesse ponto, que se observará primeiro os interesses do exequente para depois verificar os interesses do executado. Conforme o § único não basta dizer que o meio é o mais oneroso, precisa-se que o executado indique meio mais eficaz para o exequente e menos oneroso para o executado. Para Rinaldo há um erro, pois deveria o texto dizer igualmente eficaz, mas menos oneroso para o executado. Então, essa compreensão é a que deve ser feita. Art. 805. Quando por VÁRIOS MEIOS o exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o executado. Parágrafo único. Ao executado que alegar ser a medida executiva mais gravosa incumbe indicar outros meios mais eficazes e menos onerosos, sob pena de manutenção dos atos executivos já determinados. - DA EXECUÇÃO PARA A ENTREGA DE COISA Seção I – Da Entrega de Coisa Certa O art. 806 do NCPC aponta uma mudança de prazo. No § 2º do art. 806 do NCPC acrescentou a disposição que do mandado de citação constará ordem para imissão na posse ou busca e apreensão. Essas são medidas típicas (imissão na posse ou busca e apreensão) para execução, mas poderá haver medidas atípicas se as típicas não forem efetivas. E posteriormente, se o mandado não restar cumprido, poderá, também, se solicitar outro com uma medida de apoio que não será nenhuma dessas, ex. fixação de astreintes com comunicação realizada mediante advogado. Art. 806. O devedor de obrigação de entrega de coisa certa, constante de título executivo extrajudicial, será citado para, em 15 (quinze) dias, satisfazer a obrigação. O prazo foi alterado de 10 para 15 dias, os dias só consta-se os uteis. § 1 o Ao despachar a inicial, o juiz poderá fixar multa por dia de atraso no cumprimento da obrigação, ficando o respectivo valor sujeito a alteração, caso se revele insuficiente ou excessivo. § 2 o Do mandado de citação constará ordem para imissão na posse ou busca e apreensão, conforme se tratar de bem imóvel ou móvel, cujo cumprimento se dará de imediato, se o executado não satisfizer a obrigação no prazo que lhe foi designado. Página 36 de 65 Seção II – Da Entrega de Coisa Incerta Na entrega de coisa incerta haverá a diferença que deverá se fazer a escolha da coisa pelo padrão médio, sendo determinada a coisa pelo gênero e quantidade. Pelo CPC73 o prazo era de 48h para impugnar a escolha, com o NCPC muda-se o prazo para 15 (quinze) dias. Art. 811. Quando a execução recair sobre coisa determinada pelo gênero e pela quantidade, o executado será citado para entregá-la individualizada, se lhe couber a escolha. Parágrafo único. Se a escolha couber ao exequente, esse deverá indicá-la na petição inicial. Art. 812. Qualquer das partes poderá, no PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, impugnar a escolha feita pela outra, e o juiz decidirá de plano ou, se necessário, ouvindo perito de sua nomeação. - DA EXECUÇÃO DAS OBRIGAÇÕES DE FAZER OU DE NÃO FAZER Seção I – Disposições Comuns Para Rinaldo Mouzalas o legislador perdeu a oportunidade de corrigir o § único do art. 814 do NCPC, vez que o parágrafo é contraditório com o que propaga o NCPC – maior autonomia da vontade, havendo inclusive a previsão de se fazer negócios jurídicos de forma expressa, não que no CPC73 não se permita. Se não há vedação há a possibilidade. Pode se fazer um negócio processual em que se preveem parâmetros para eventual inadimplência da obrigação. Então, poderia o juiz reduzir o valor da multa? Para Rinaldo Mouzalas, não poderia, a não ser que fosse um contrato de adesão. Contudo, não é isto que preconiza o NCPC, sendo contraditório com ele mesmo, pois concede as partes autônima da vontade. Art. 814. Na execução de obrigação de fazer ou de não fazer fundada em título extrajudicial, ao despachar a inicial, o juiz fixará multa por período de atraso no cumprimento da obrigação e a data a partir da qual será devida. Parágrafo único. Se o valor DA MULTA ESTIVER PREVISTO NO TÍTULO E FOR EXCESSIVO, o juiz poderá reduzi-lo. Seção II – Da Obrigação de Fazer O art. 819 do NCPC elenca prazos de 15 (quinze) dias. Art. 819. Se o terceiro contratado não realizar a prestação no prazo ou se o fizer de modo incompleto ou defeituoso, poderá o exequente requerer ao juiz, no prazo de 15 (quinze) dias, que o autorize a concluí-la ou a repará-la à custa do contratante. Página 37 de 65 Parágrafo único. Ouvido o contratante no prazo de 15 (quinze) dias, o juiz mandará avaliar o custo das despesas necessárias e o condenará a pagá-lo. Art. 820. Se O EXEQUENTE QUISER EXECUTAR OU MANDAR EXECUTAR, sob sua direção e vigilância, as obras e os trabalhos necessários à realização da prestação, terá preferência, em igualdade de condições de oferta, em relação ao terceiro. Parágrafo único. O DIREITO DE PREFERÊNCIA DEVERÁ SER EXERCIDO NO PRAZO DE 5 (CINCO) DIAS, após aprovada a proposta do terceiro. O § único do art. 820 do NCPC determina que o direito de preferência deverá ser exercido no prazo de 5 (cinco) dias, após aprovada a proposta de contratação do terceiro. No processo de execução continua a haver preclusão e continua a ser possível a interposição do agravo contra a decisão interlocutórias praticadas, porque outro recurso é incompatível com este processo. Há duas espécies de agravo o retido e o por instrumento. O retido é incompatível com a execução. Então, só se admite agravo de instrumento na execução e não há limitação de matéria para a sua interposição. Nesse caso, não há que se apresentar agravo de instrumento, pois o exequente irá exercer o seu direito de preferência. Seção III – Da Obrigação de Não Fazer Na verdade não se trata de uma obrigação de não fazer, mas sim de obrigação de desfazer. E não é a mesma coisa a obrigação de não fazer e a obrigação de desfazer? Não, pois a obrigação de desfazer é a obrigação de fazer, precisa-se de um fazer para se chegar ao desfazer. Essa execução de fato só alcança a obrigação de desfazer e não alcança a strito senso a obrigação de não fazer. A obrigação de não fazer quando feita, converte-se em perdas e danos. Então, não seria a execução de uma obrigação de não fazer e sim de desfazer. Art. 823. Havendo recusa ou mora do executado, o exequente requererá ao juizque mande desfazer o ato à custa daquele, que responderá por perdas e danos. Parágrafo único. Não sendo possível desfazer-se o ato, a OBRIGAÇÃO RESOLVE-SE EM PERDAS E DANOS, caso em que, após a liquidação, se observará o procedimento de execução por quantia certa. O § único do art. 823 do NCPC prevê a conversão em perdas e danos e neste caso haverá a necessidade de uma liquidação prévia. Não sendo possível a tutela especifica passa-se para perdas e danos. Página 38 de 65 A liquidação poderá ser continuativa a sentença. A liquidação poderá ser uma ação quando for para liquidar sentença arbitral, sentença estrangeira, sentença penal condenatória transitada em julgado. A liquidação poderá ser também incidente como acontece nessa situação de conversão em perdas e danos. Isso é comum quando o credor não tem mais confiança no executado. - DA EXECUÇÃO POR QUANTIA CERTA Seção I – Disposições Gerais O inciso II, do art. 825 do NCPC, faz modificação significativa juntou as alienações, antes colocava alienação por iniciativa particular e alienação em hasta pública, agora só traz ALIENAÇÃO, o gênero, sem necessidade de fazer compatibilização se vier a surgir uma nova espécie. No inciso I, do art. 825 do NCPC, coloca a ADJUDICAÇÃO que continua sendo preferencial. Art. 825. A expropriação consiste em: I - adjudicação; II - ALIENAÇÃO; III - apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos e de outros bens. Seção II – Da Citação do Devedor e do Arresto Consoante o art. 827 do NCPC o juiz ao despachar a inicial fixará os honorários e isso é para estimular o cumprimento espontâneo da execução. O § 2º do art. 827 do NCPC supera o entendimento do STJ que deduz que o valor dos honorários da execução tem que ser fixado de início pelo juiz e não tem modificação no final da execução. Destacando-se que o juiz de início não sabe a complexidade da execução. Com o §2º do art. 827 do NCPC poderá ser elevado quando rejeitado os embargos. Mas há uma preocupação quando for acolhido os embargos do executado? Há uma omissão. Para Rinaldo, pode haver o acolhimento também para quem deu caso, então, pode ser concedido tanto para o advogado do exequente quanto ao do executado. No NCPC não se admite a compensação de honorários. Honorários não se compensam em caso de sucumbência recíproca, pois os honorários não pertencem as partes, mas sim aos advogados. Para Rinaldo, a tendência será o poder judiciário decidir que ao fixar honorários no final não haverá mais acréscimo, pois caso contrário não se terminaria nunca. Art. 827. Ao despachar a inicial, o juiz fixará, de plano, os honorários advocatícios de DEZ POR CENTO, a serem pagos pelo executado. § 1 o No caso de integral pagamento no prazo de 3 (três) dias, o valor dos honorários advocatícios será reduzido pela metade. Página 39 de 65 § 2 o O VALOR DOS HONORÁRIOS PODERÁ SER ELEVADO ATÉ VINTE POR CENTO, quando rejeitados os embargos à execução, podendo a majoração, caso não opostos os embargos, ocorrer ao final do procedimento executivo, levando-se em conta o trabalho realizado pelo advogado do exequente. O §2º do art. 829 do NCPC novamente trata de bens mais onerosos para o executado, neste caso basta que sejam igualmente eficazes, não sendo, a penhora pode ser transferida para outro bem. Quando o executado tomar conhecimento do processo de execução, não precisa sequer esperar para ser citado, já pode pedir/indicar outro bem para penhora, mas será necessária a demonstração da propriedade do bem, que o bem não será menos eficaz a execução e que na forma requerida pelo exequente seja mais onerosa para o executado, não basta a alegação tem que ter prova. Art. 829. O executado será citado para pagar a dívida no prazo de 3 (três) dias, contado da citação. § 1 o Do mandado de citação constarão, também, a ordem de penhora e a avaliação a serem cumpridas pelo oficial de justiça tão logo verificado o não pagamento no prazo assinalado, de tudo lavrando-se auto, com intimação do executado. § 2 o A penhora recairá sobre os bens indicados pelo exequente, SALVO SE OUTROS FOREM INDICADOS PELO EXECUTADO E ACEITOS PELO JUIZ, MEDIANTE DEMONSTRAÇÃO DE QUE A CONSTRIÇÃO PROPOSTA LHE SERÁ MENOS ONEROSA E NÃO TRARÁ PREJUÍZO AO EXEQUENTE. Consoante o § 1º do art. 830 do NCPC se alterou que o oficial de justiça procurará o executado 2 (duas) vezes e não 3 (três) vezes. Isso porque os oficiais de justiça achavam que na primeira já bastava. Se houver suspeita da ocultação fará o oficial a citação por hora certa, certificando de forma PORMENORIZADA o ocorrido para o juiz. É pormenorizada, porque o juiz tem que verificar quais são os fatores que levaram o oficial de justiça a considerar que o executado estaria a se ocultar. Precisa-se haver a SUSPEITA DE OCULTAÇÃO para que haja a citação por hora certa, além das 2 (duas) tentativas do oficial de justiça. Pode-se entender do § 2º do art. 830 do NCPC que para haver citação por edital é preciso ocorrer a previa frustração da citação pessoal e da com hora certa. Todavia, a frustação da citação pessoal e a por hora certa não é requisito para que se tenha a citação por edital. Art. 830. Se o oficial de justiça não encontrar o executado, arrestar- lhe-á tantos bens quantos bastem para garantir a execução. § 1 o Nos 10 (dez) dias seguintes à efetivação do arresto, o oficial de justiça procurará o executado 2 (DUAS) VEZES EM DIAS Página 40 de 65 DISTINTOS e, havendo suspeita de ocultação, realizará a citação com hora certa, certificando pormenorizadamente o ocorrido. § 2 o Incumbe ao exequente requerer a CITAÇÃO POR EDITAL, uma vez frustradas a pessoal e a com hora certa. § 3 o Aperfeiçoada a citação e transcorrido o prazo de pagamento, o arresto converter-se-á em penhora, independentemente de termo. Seção III – Da Penhora, do Depósito e da Avaliação Subseção I – Do Objeto da Penhora O art. 833 do NCPC exclui a expressão “absolutamente”, pois o que é absolutamente impenhorável não poderia ser penhorado de nenhuma forma, mas havia possibilidade de ser penhorado. Então, o absolutamente tem que ser colocado de lado. No inciso V do art. 833 do NCPC destaca-se a expressão “EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DO EXECUTADO”, logo, para ser impenhorável um bem este tem que ser utilizado na profissão do executado. O inciso VI do art. 833 do NCPC elenca o seguro de vida, não deduz que é no caso de morte, é uma antinomia em relação aos títulos executivos. O inciso X do art. 833 do NCPC deve ser interpretado em sentido mais amplo, para abranger além de poupança outras aplicações financeiras. Nota-se que o NCPC não atualizou e isso tem um reflexo péssimo, porque já foi decidido pelo STJ que inclui outras aplicações financeiras e pode se ter o entendimento que o legislador apenas quis proteger os valores depositados em poupança, fazendo-se uma interpretação temerária para restringir o alcance. Para Rinaldo Mouzalas, em relação ao inciso XII do art. 833 do NCPC, deve se dar a orientação que os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias para ser impenhoráveis têm que ser totalmente investido para finalizar a obra, pois o que é lucro não deve ser penhorado. Art. 833. SÃO IMPENHORÁVEIS: I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não sujeitos à execução; II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns correspondentesa um médio padrão de vida; III - os vestuários, bem como os pertences de uso pessoal do executado, salvo se de elevado valor; IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios, bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal, ressalvado o § 2 o ; Página 41 de 65 V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou outros bens móveis necessários ou úteis ao EXERCÍCIO DA PROFISSÃO DO EXECUTADO; VI - o SEGURO DE VIDA; VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhoradas; VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família; IX - os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação, saúde ou assistência social; X - a quantia depositada em CADERNETA DE POUPANÇA, até o limite de 40 (quarenta) salários-mínimos; XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido político, nos termos da lei; XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob regime de incorporação imobiliária, VINCULADOS À EXECUÇÃO DA OBRA. § 1 o A impenhorabilidade não é oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua aquisição. § 2 o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às IMPORTÂNCIAS EXCEDENTES A 50 (CINQUENTA) SALÁRIOS-MÍNIMOS MENSAIS, devendo a constrição observar o disposto no art. 528, § 8 o , e no art. 529, § 3 o . § 3 o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V do caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a pessoa física ou a empresa individual produtora rural, exceto quando tais bens tenham sido objeto de financiamento e estejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza alimentar, trabalhista ou previdenciária. O art. 835 do NCPC elenca a ordem preferencial de penhora. Deduz o § 1º do art. 835 do NCPC que é prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais hipóteses, ALTERAR A ORDEM PREVISTA NO CAPUT de acordo com as circunstâncias do caso concreto. A mitigação somente poderá ocorrer se não houver a penhora em dinheiro. Na penhora em dinheiro não precisa de procedimento de expropriação, é mais rápido, efetivo e menos oneroso. Diz a súmula 417 do STJ que: “Na execução civil, a penhora de dinheiro na ordem de nomeação de bens não tem caráter absoluto”. Essa súmula deduz que não há caráter absoluto a penhora em dinheiro, só que com o NCPC haverá caráter absoluta, devendo ser obedecida de forma inflexível. Essa súmula tenderá a ser cancelada. Terá também caráter absoluto a fiança bancária e o seguro garantia judicial, pois se equiparam a dinheiro, consoante o § 2º do art. 835 do NCPC. Página 42 de 65 Art. 835. A penhora observará, preferencialmente, a seguinte ORDEM: I - dinheiro, em espécie ou em depósito ou aplicação em instituição financeira; II - títulos da dívida pública da União, dos Estados e do Distrito Federal com cotação em mercado; III - títulos e valores mobiliários com cotação em mercado; IV - veículos de via terrestre; V - bens imóveis; VI - bens móveis em geral; VII - semoventes; VIII - navios e aeronaves; IX - ações e quotas de sociedades simples e empresárias; X - percentual do faturamento de empresa devedora; XI - pedras e metais preciosos; XII - direitos aquisitivos derivados de promessa de compra e venda e de alienação fiduciária em garantia; XIII - outros direitos. § 1 o É prioritária a penhora em dinheiro, podendo o juiz, nas demais hipóteses, ALTERAR A ORDEM PREVISTA NO CAPUT de acordo com as circunstâncias do caso concreto. § 2 o Para fins de substituição da penhora, EQUIPARAM-SE A DINHEIRO A FIANÇA BANCÁRIA E O SEGURO GARANTIA JUDICIAL, desde que em valor não inferior ao do débito constante da inicial, acrescido de trinta por cento. § 3 o Na execução de crédito com garantia real, a penhora recairá sobre a coisa dada em garantia, e, se a coisa pertencer a terceiro garantidor, este também será intimado da penhora. O art. 836 do NCPC traduz o princípio da utilidade da execução. O § 1º do art. 836 do NCPC coloca o oficial de justiça como um cooperador da atividade processual. Pode ocorrer do oficial de justiça entender que o bem não é penhorável, mas o juiz pode entender que é penhorável. Então o que o oficial de justiça faz? Vai a residência/estabelecimento faz a lista dos bens, nomeando o executado como depositário. Ver art. 836, § 2º do NCPC. Se o executado não aceitar o encargo de ser depositário, então não terá responsabilidade quando aos deveres de guarda. Art. 836. Não se levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução. § 1 o Quando não encontrar bens penhoráveis, independentemente de determinação judicial expressa, o oficial de justiça descreverá na certidão os bens que guarnecem a residência ou o estabelecimento do executado, quando este for pessoa jurídica. § 2 o Elaborada a lista, o executado ou seu representante legal será nomeado depositário provisório de tais bens até ulterior determinação do juiz. Página 43 de 65 Subseção III - Da Documentação da Penhora, de seu Registro e do Depósito No art. 841 do NCPC promove um dialogo entre as partes e o advogado ao ser realizado a penhora. Art. 841. Formalizada a penhora por qualquer dos meios legais, dela será imediatamente intimado o executado. § 1 o A intimação da penhora será feita ao advogado do executado ou à sociedade de advogados a que aquele pertença. § 2 o Se não houver constituído advogado nos autos, o executado será intimado pessoalmente, de preferência por via postal. § 3 o O disposto no § 1 o não se aplica aos casos de penhora realizada na presença do executado, que se reputa intimado. § 4 o Considera-se realizada a intimação a que se refere o § 2 o quando o executado houver mudado de endereço sem prévia comunicação ao juízo, observado o disposto no parágrafo único do art. 274. O art. 843 do NCPC trata da PENHORA DO BEM INDIVISÍVEL. O problema é quando há penhora de bem imóvel que há condomínio, copropriedade ou pertence à pessoa casada. Tem-se que a alienação do bem não pode prejudicar o condômino o cônjuge ou coproprietário, pois eles não estão sendo executados. Nesse caso, qualquer alienação em valor inferior a 50% não será realizada, pois prejudica o condomínio, coproprietário ou cônjuge. (Ver art. 843, § 2º do NCPC) Para Rinaldo Mouzalas o valor de mercado somente será fidedigno se for superior a avaliação. Se o lance for menor que o valor da avaliação tem que se garantir pelo menos 50% da avaliação para o cônjuge ou coproprietário. Nem o cônjuge e nem o coproprietário tem responsabilidade pelos ônus da execução, há depender no caso de cônjuge do regime de casamento. Art. 843. Tratando-se de PENHORA DE BEM INDIVISÍVEL, o equivalente à quota-parte do coproprietário ou do cônjuge alheio à execução recairá sobre o produto da alienação do bem. § 1 o É reservada ao coproprietário ou ao cônjuge não executado a preferênciana arrematação do bem em igualdade de condições. § 2 o Não será levada a efeito expropriação por preço inferior ao da avaliação na qual o valor auferido seja incapaz de garantir, ao coproprietário ou ao cônjuge alheio à execução, o correspondente à sua quota-parte calculado sobre o valor da avaliação. Subseção III – Do Lugar de Realização da Penhora Consoante o art. 845, § 1º do NCPC tem-se como realizar a penhora de imóveis e veículos quando apresentada certidão por termo nos autos. Verifica-se que há condições de se fazer uma avaliação sem que haja uma vistoria no local do bem. E na prática o resultado será o mesmo, pois independentemente do valor fixado, qualquer das partes vão impugnar a avaliação. Página 44 de 65 Art. 845. Efetuar-se-á a penhora onde se encontrem os bens, ainda que sob a posse, a detenção ou a guarda de terceiros. § 1 o A penhora de imóveis, independentemente de onde se localizem, quando apresentada certidão da respectiva matrícula, e a penhora de veículos automotores, quando apresentada certidão que ateste a sua existência, SERÃO REALIZADAS POR TERMO NOS AUTOS. § 2 o Se o executado não tiver bens no foro do processo, não sendo possível a realização da penhora nos termos do § 1 o , a execução será feita por carta, penhorando-se, avaliando-se e alienando-se os bens no foro da situação. Subseção IV – Das Modificações da Penhora O art. 852 do NCPC trata das hipóteses de alienação antecipada. Para Rinaldo Mouzalas não há justificativa pra constar na lista pedras e metais preciosos, mas em relação a veículo automotor que com o passar do tempo ocorre a depreciação será importante essa alienação antecipada, ou até mesmo adjudicação. Art. 852. O JUIZ DETERMINARÁ A ALIENAÇÃO ANTECIPADA dos bens penhorados quando: I - se tratar de veículos automotores, de pedras e metais preciosos e de outros bens móveis sujeitos à depreciação ou à deterioração; II - houver manifesta vantagem. Subseção V - Da Penhora de Dinheiro em Depósito ou em Aplicação Financeira Muitas vezes o executado quando sabe que haverá bloqueio de suas aplicações financeiras, retira os valores. Pelo art. 854 do NCPC haverá a necessidade de requerimento do exequente, mas não se precisará dar ciência ao executado, e o juiz deverá se atentar que a penhora se limitará ao valor indicado na execução. Conforme o § 1º do art. 854 do NCPC deverá em 24 horas os juiz cancelar eventual indisponibilidade excessiva. E nos termos do § 2º do art. 854 do NCPC as comunicações de indisponibidade realizar-se-á por meio de advogado. E o ideal é que o advogado registre todas as comunicações com o executado, tendo em vista que a comunicação será feita na sua pessoa, a fim de se evitar perdas e danos. Para Rinaldo Mouzalas o prazo de 05 (cinco) dias do § 3º do art. 854 do NCPC é informativo, orientador e não preclusivo. Art. 854. Para possibilitar a penhora de dinheiro em depósito ou em aplicação financeira, o juiz, a REQUERIMENTO DO EXEQUENTE, SEM DAR CIÊNCIA PRÉVIA DO ATO AO EXECUTADO, determinará às instituições financeiras, por meio de sistema eletrônico gerido pela autoridade supervisora do sistema financeiro nacional, que torne indisponíveis ativos financeiros existentes em nome do executado, limitando-se a indisponibilidade ao valor indicado na execução. Página 45 de 65 § 1 o No prazo de 24 (VINTE E QUATRO) HORAS A CONTAR DA RESPOSTA, de ofício, o juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade excessiva, o que deverá ser cumprido pela instituição financeira em igual prazo. § 2 o Tornados indisponíveis os ativos financeiros do executado, este será intimado na pessoa de seu advogado ou, não o tendo, pessoalmente. § 3 o Incumbe ao executado, no prazo de 5 (cinco) dias, comprovar que: I - as quantias tornadas indisponíveis são impenhoráveis; II - ainda remanesce indisponibilidade excessiva de ativos financeiros. § 4 o Acolhida qualquer das arguições dos incisos I e II do § 3 o , o juiz determinará o cancelamento de eventual indisponibilidade irregular ou excessiva, a ser cumprido pela instituição financeira em 24 (vinte e quatro) horas. Subseção VII - Da Penhora das Quotas ou das Ações de Sociedades Personificadas Esse balanço especial citado no inciso I do art. 861 do NCPC é para possibilitar posterior liquidação. Deve observar que o balanço deve ser fidedigno, principalmente, se a penhora for de mais da metade das cotas, havendo, inclusive, a possibilidade de se nomear administrador. Em uma sociedade pessoal é muito difícil o ingresso de uma pessoa estranha na sociedade. Com o NCPC está regulamentado, sendo possível a penhora de quotas da sociedade. Em uma sociedade aberta não tem esse problema, pois apenas se coloca na bolsa as ações para venda. Art. 861. Penhoradas as quotas ou as ações de sócio em sociedade simples ou empresária, o juiz assinará prazo razoável, não superior a 3 (três) meses, para que a sociedade: I - apresente balanço especial, na forma da lei; II - ofereça as quotas ou as ações aos demais sócios, observado o direito de preferência legal ou contratual; III - NÃO HAVENDO INTERESSE DOS SÓCIOS NA AQUISIÇÃO DAS AÇÕES, proceda à liquidação das quotas ou das ações, depositando em juízo o valor apurado, em dinheiro. § 1 o Para evitar a liquidação das quotas ou das ações, a sociedade poderá adquiri-las sem redução do capital social e com utilização de reservas, para manutenção em tesouraria. § 2 o O disposto no caput e no § 1 o não se aplica à sociedade anônima de capital aberto, cujas ações serão adjudicadas ao exequente ou alienadas em bolsa de valores, conforme o caso. § 3 o Para os fins da liquidação de que trata o inciso III do caput, o juiz poderá, a requerimento do exequente ou da sociedade, NOMEAR ADMINISTRADOR, que deverá submeter à aprovação judicial a forma de liquidação. Página 46 de 65 § 4 o O PRAZO previsto no caput poderá ser AMPLIADO pelo juiz, se o pagamento das quotas ou das ações liquidadas: I - superar o valor do saldo de lucros ou reservas, exceto a legal, e sem diminuição do capital social, ou por doação; ou II - colocar em risco a estabilidade financeira da sociedade simples ou empresária. § 5 o Caso não haja interesse dos demais sócios no exercício de direito de preferência, não ocorra a aquisição das quotas ou das ações pela sociedade e a liquidação do inciso III do caput seja excessivamente onerosa para a sociedade, o JUIZ PODERÁ DETERMINAR O LEILÃO JUDICIAL DAS QUOTAS OU DAS AÇÕES. Subseção VIII - Da Penhora de Empresa, de Outros Estabelecimentos e de Semoventes Diferentemente do CPC73 o art. 862 do NCPC aponta que o juiz nomeará administrador que também será depositário quando a penhora recair em estabelecimento comercial, semoventes, plantações e construções. Observe que poderá ser fadada ao insucesso a penhora realizada caso seja nomeado só o depositário e não administrador. Acerca do § 4º do art. 862 do NCPC, no caso da construção não financiada, afasta-se o incorporador e nessa hipótese será colocada a comissão dos representantes dos adquirentes. E se estes não quiserem? Deveria ter possibilidade deles nomearem um terceiro administrador. Esse artigo não foi muito claro. Mas não se elimina a possibilidade de nomear alguém que não for da comissão. Art. 862. Quando a penhora recair em estabelecimento comercial, industrial ou agrícola, bem como em semoventes, plantações ou edifícios em construção, O JUIZ NOMEARÁ ADMINISTRADOR- DEPOSITÁRIO, determinando-lheque apresente em 10 (dez) dias o plano de administração. § 1 o Ouvidas as partes, o juiz decidirá. § 2 o É lícito às partes ajustar a forma de administração e escolher o depositário, hipótese em que o juiz homologará por despacho a indicação. § 3 o Em relação aos edifícios em construção sob regime de incorporação imobiliária, a penhora somente poderá recair sobre as unidades imobiliárias ainda NÃO COMERCIALIZADAS PELO INCORPORADOR. § 4 o Sendo necessário AFASTAR O INCORPORADOR DA ADMINISTRAÇÃO DA INCORPORAÇÃO, será ela exercida pela comissão de representantes dos adquirentes ou, se se tratar de construção financiada, por empresa ou profissional indicado pela instituição fornecedora dos recursos para a obra, devendo ser ouvida, neste último caso, a comissão de representantes dos adquirentes. O art. 865 do NCPC mitigou a execução sob o interesse do exequente, mas assim o fez porque o interesse relacionado não é somente do executado, mas também de outros, exemplo, preservação de empresa, pessoas que estão recebendo bem em regime de incorporação, pessoas relacionadas à empresa de forma direta e indireta, etc. Página 47 de 65 Art. 865. A penhora de que trata esta Subseção somente será determinada se não houver outro meio eficaz para a efetivação do crédito. Subseção IX – Da Penhora de Percentual de Faturamento de Empresa Qual seria o percentual possível de penhora de faturamento? Lembre-se que há empresas que trabalham com uma margem pequena e caso haja penhora pode haver o comprometimento da empresa. O § 1º do art. 866 do NCPC aponta uma preocupação com o tempo de satisfação do crédito e com a preservação do faturamento da empresa. Só que às vezes a dívida é tamanha que a penhora do percentual é insuficiente para garantir o pagamento, porque os juros e a correção monetária são maiores que o percentual do faturamento. E se a penhora do percentual não for suficiente, então, pode-se penhorar a empresa? Tem que se pensar no interesse do exequente. Art. 866. Se o executado não tiver outros bens penhoráveis ou se, tendo-os, esses forem de difícil alienação ou insuficientes para saldar o crédito executado, O JUIZ PODERÁ ORDENAR A PENHORA DE PERCENTUAL DE FATURAMENTO DE EMPRESA. § 1 o O juiz fixará percentual que propicie a satisfação do crédito exequendo em TEMPO RAZOÁVEL, mas que não torne inviável o exercício da atividade empresarial. § 2 o O juiz nomeará administrador-depositário, o qual submeterá à aprovação judicial a forma de sua atuação e prestará contas mensalmente, entregando em juízo as quantias recebidas, com os respectivos balancetes mensais, a fim de serem imputadas no pagamento da dívida. § 3 o Na penhora de percentual de faturamento de empresa, observar- se-á, no que couber, o disposto quanto ao regime de penhora de frutos e rendimentos de coisa móvel e imóvel. Subseção X – Da Penhora de Frutos e Rendimentos de Coisa Móvel ou Imóvel Publica O § 1º do art. 868 do NCPC aponta uma preocupação com a prática dos atos de boa fé, então, para Rinaldo Mouzalas para ter eficácia a medida tem que haver publicação da decisão em ambiente maior que o do processo. Art. 868. Ordenada a penhora de frutos e rendimentos, o juiz nomeará administrador-depositário, que será investido de todos os poderes que concernem à administração do bem e à fruição de seus frutos e utilidades, perdendo o executado o direito de gozo do bem, até que o exequente seja pago do principal, dos juros, das custas e dos honorários advocatícios. Página 48 de 65 § 1 o A medida terá eficácia em relação a terceiros a partir da publicação da decisão que a conceda ou de sua averbação no ofício imobiliário, em caso de imóveis. § 2 o O exequente providenciará a averbação no ofício imobiliário mediante a apresentação de certidão de inteiro teor do ato, independentemente de mandado judicial. O art. 869 do NCPC apresenta a questão de quem será o administrador do bem que está rendendo frutos. Será o exequente, executado ou profissional? Se houver acordo de vontade será o exequente ou executado, mas se não houver acordo de vontade será o profissional. Considere que houve um erro na redação, porque deveria dizer aquele indicado pelo acordo de vontade ou não existindo pelo profissional a ser indicado pelo juiz. A redação do art. 869 do NCPC ficou um pouco confusa, mas precisa ser assim lida. O § 5º do art. 869 do NCPCC determina que as quantias recebidas pelo administrador serão entregues direto ao exequente, sem burocratização. Salienta-se que o administrador será remunerado por essa atividade, inclusive, se o administrador for o exequente. Para Rinaldo Mouzalas a quitação por termo nos autos citada no § 6º do art. 869 do NCPC somente ocorrerá quando o administrador for um profissional, pois se for o exequente ou o executado bastará o recibo. Art. 869. O juiz poderá nomear administrador-depositário o exequente ou o executado, ouvida a parte contrária, e, não havendo acordo, nomeará profissional qualificado para o desempenho da função. § 1 o O administrador submeterá à aprovação judicial a forma de administração e a de prestar contas periodicamente. § 2 o Havendo discordância entre as partes ou entre essas e o administrador, o juiz decidirá a melhor forma de administração do bem. § 3 o Se o imóvel estiver arrendado, o inquilino pagará o aluguel diretamente ao exequente, salvo se houver administrador. § 4 o O exequente ou o administrador poderá celebrar locação do móvel ou do imóvel, ouvido o executado. § 5 o As quantias recebidas pelo administrador serão entregues ao exequente, a fim de serem imputadas ao pagamento da dívida. § 6 o O exequente dará ao executado, por termo nos autos, quitação das quantias recebidas. Subseção XI - Da Avaliação O art. 870 do NCPC irá preservar a prioridade de avaliação realizada por oficial de justiça, porque é menos custoso e menos burocrático, basta que sejam pagas as custas judiciais e o oficial de justiça faz a avaliação. Página 49 de 65 O § único do art. 870 do NCPC determina quando não será o oficial de justiça: quando necessitar de conhecimento especializado e o valor da execução o comportar. Art. 870. A avaliação será feita pelo oficial de justiça. Parágrafo único. Se forem necessários CONHECIMENTOS ESPECIALIZADOS e o VALOR DA EXECUÇÃO O COMPORTAR, o juiz nomeará avaliador, fixando-lhe prazo não superior a 10 (dez) dias para entrega do laudo. O art. 871 do NCPC aponta as situações em que não se procederá à avaliação, podendo se dispensar a atividade do oficial de justiça. É uma forma de racionalizar o procedimento. Art. 871. NÃO SE PROCEDERÁ À AVALIAÇÃO QUANDO: I - uma das partes aceitar a estimativa feita pela outra; II - se tratar de títulos ou de mercadorias que tenham cotação em bolsa, comprovada por certidão ou publicação no órgão oficial; III - se tratar de títulos da dívida pública, de ações de sociedades e de títulos de crédito negociáveis em bolsa, cujo valor será o da cotação oficial do dia, comprovada por certidão ou publicação no órgão oficial; IV - se tratar de veículos automotores ou de outros bens cujo preço médio de mercado possa ser conhecido por meio de pesquisas realizadas por órgãos oficiais ou de anúncios de venda divulgados em meios de comunicação, caso em que caberá a quem fizer a nomeação o encargo de comprovar a cotação de mercado. Parágrafo único. Ocorrendo a hipótese do inciso I deste artigo, a avaliação poderá ser realizada quandohouver fundada dúvida do juiz quanto ao real valor do bem. O art. 873 do NCPC possibilita nova avaliação. Mas quantas vezes o bem pode ser reavaliado? No mínimo uma, porque quando penhorado o bem será avaliado. Costumeiramente duas, porque quando o bem for alienado ou adjudicado o bem terá uma avaliação prévia sob pena de eventual nulidade. Mas pode ocorrer de haver necessidade de uma terceira ou quarta. O inciso III do art. 873 do NCPC deduz haverá uma nova avaliação quando o juiz tiver dúvida sobre o valor atribuído ao bem na primeira avaliação. Na verdade, não é na primeira avaliação pode ser em qualquer avaliação em caso de haver fundada dúvida. Art. 873. É admitida NOVA AVALIAÇÃO quando: I - qualquer das partes arguir, fundamentadamente, a ocorrência de erro na avaliação ou dolo do avaliador; II - se verificar, posteriormente à avaliação, que houve majoração ou diminuição no valor do bem; III - o juiz tiver fundada dúvida sobre o valor atribuído ao bem na primeira avaliação. Página 50 de 65 Parágrafo único. Aplica-se o art. 480 à nova avaliação prevista no inciso III do caput deste artigo. Seção IV – Da Expropriação de Bens Subseção I – Da Adjudicação A adjudicação será prioritária no NCPC, já era no CPC73, mas se tornará muito mais clara. Para Rinaldo Mouzalas adjudicação é modalidade de alienação, mas o NCPC tratou de forma diferenciada. O NCPC diz que a alienação por iniciativa popular e em hasta pública somente serão realizada se frustrada a adjudicação. O art. 878 do NCPC apresenta mais uma hipótese de reavaliação, uma hipótese não prevista no art. 873 do NCPC. Ademais, há uma preocupação pragmática, porque na prática quando se tenta a adjudicação e é frustrada e se tenta fazer a alienação e é frustrada, o juiz manda liberar a penhora, o que não é para liberar. É para o juiz primeiramente consultar o exequente, diante do dever de cooperação, para saber se o exequente irá querer fazer a adjudicação. E para tanto o exequente terá a oportunidade de fazer novo pedido de reavaliação. Relembrando também que a adjudicação não é apenas para o exequente, tem cônjuge e outras pessoas que podem fazer também. Art. 878. Frustradas as tentativas de alienação do bem, SERÁ REABERTA OPORTUNIDADE PARA REQUERIMENTO DE ADJUDICAÇÃO, caso em que também se poderá pleitear a realização de nova avaliação. Subseção II – Da Alienação O art. 879 do NCPC deduz que a alienação será feita por iniciativa particular, leilão judicial eletrônico e, posteriormente se for o caso, presencial. O leilão eletrônico é mais barato e atinge o maior número de pessoas. Art. 879. A ALIENAÇÃO far-se-á: I - por iniciativa particular; II - em leilão judicial eletrônico ou presencial. O art. 881 do NCPC elenca de forma expressa a ordem preferencial. Primeiro a adjudicação. Segundo Alienação por inciativa particular. Posteriormente, o leilão que é mais caro e mais burocrático, pois apresenta uma série de formalidades. É uma tentativa de desburocratizar o processo de execução. Art. 881. A alienação far-se-á em leilão judicial se não efetivada a adjudicação ou a alienação por iniciativa particular. § 1 o O leilão do bem penhorado será realizado por leiloeiro público. Página 51 de 65 § 2 o Ressalvados os casos de alienação a cargo de corretores de bolsa de valores, todos os demais bens serão alienados em leilão público. Pelo art. 882 do NCPC deduz-se que se foi realizado o leilão presencial quando era possível o eletrônico há uma nulidade, pois se diminui o espaço de pessoas interessadas. Conclui-se será obrigatório o leilão eletrônico se for possível ao invés do presencial. Art. 882. Não sendo possível a sua realização por meio eletrônico, o leilão será presencial. § 1 o A alienação judicial por meio eletrônico será realizada, observando-se as garantias processuais das partes, de acordo com regulamentação específica do Conselho Nacional de Justiça. § 2 o A alienação judicial por meio eletrônico deverá atender aos requisitos de ampla publicidade, autenticidade e segurança, com observância das regras estabelecidas na legislação sobre certificação digital. § 3 o O leilão presencial será realizado no local designado pelo juiz. O art. 886 do NCPC dispõe acerca do edital. O inciso II do art. 886 do NCPC ressalta o preço mínimo pelo qual o bem poderá ser alienado. O inciso IV do art. 886 do NCPC determina que seja colocado o sítio e o período. O enunciado nº 193 do Fórum Permanente de Processualistas Civis trata dessa matéria: “Não justifica o adiamento do leilão, nem é causa de nulidade da arrematação, a falta de fixação, pelo juiz, do preço mínimo para a arrematação.” A estipulação de preço mínimo é bom para se dizer qual é a melhor proposta, para se evitar futuramente embargos a arrematação ou a adjudicação. A falta de definição do preço não justificará a nulidade, caberá ao juiz julgar o preço se é vil ou não. Art. 886. O leilão será precedido de publicação de edital, que conterá: I - a descrição do bem penhorado, com suas características, e, tratando-se de imóvel, sua situação e suas divisas, com remissão à matrícula e aos registros; II - o valor pelo qual o bem foi avaliado, o PREÇO MÍNIMO PELO QUAL PODERÁ SER ALIENADO, as condições de pagamento e, se for o caso, a comissão do leiloeiro designado; III - o lugar onde estiverem os móveis, os veículos e os semoventes e, tratando-se de créditos ou direitos, a identificação dos autos do processo em que foram penhorados; IV - o sítio, na rede mundial de computadores, e o período em que se realizará o leilão, salvo se este se der de modo presencial, hipótese em que serão indicados o local, o dia e a hora de sua realização; V - a indicação de local, dia e hora de segundo leilão presencial, para a hipótese de não haver interessado no primeiro; VI - menção da existência de ônus, recurso ou processo pendente sobre os bens a serem leiloados. Página 52 de 65 Parágrafo único. No caso de títulos da dívida pública e de títulos negociados em bolsa, constará do edital o valor da última cotação. O § 2º do art. 887 do NCPC determina que o edital será publicado na rede mundial de computadores, ou seja, não significa que será necessariamente no sitio do tribunal não. O § 3º do art. 887 do NCPC e o § 4º do art. 887 do NCPC é uma forma de garantir a publicidade. Para Rinaldo Mouzalas com o NCPC não haverá mais nulidade de leilão por vício de local de publicação de edital, pois: 1ª) publicação em rede mundial de computadores; 2º) fixação no juízo; 3º) colocação em lugar de grande circulação de pessoas 4º) publicação em emissora de radio ou televisão. Ou seja, não haverá mais nulidade por vício de local de publicação do edital. Art. 887. O leiloeiro público designado adotará providências para a ampla divulgação da alienação. § 1 o A publicação do edital deverá ocorrer pelo menos 5 (cinco) dias antes da data marcada para o leilão. § 2 o O edital será publicado na rede mundial de computadores, em sítio designado pelo juízo da execução, e conterá descrição detalhada e, sempre que possível, ilustrada dos bens, informando expressamente se o leilão se realizará de forma eletrônica ou presencial. § 3 o Não sendo possível a publicação na rede mundial de computadores ou considerando o juiz, em atenção às condições da sede do juízo, que esse modo de divulgação é insuficiente ou inadequado, o edital será afixado em local de costume e publicado, em resumo, pelo menos uma vez em jornal deampla circulação local. § 4 o Atendendo ao valor dos bens e às condições da sede do juízo, o juiz poderá alterar a forma e a frequência da publicidade na imprensa, mandar publicar o edital em local de ampla circulação de pessoas e divulgar avisos em emissora de rádio ou televisão local, bem como em sítios distintos do indicado no § 2 o . § 5 o Os editais de leilão de imóveis e de veículos automotores serão publicados pela imprensa ou por outros meios de divulgação, preferencialmente na seção ou no local reservados à publicidade dos respectivos negócios. § 6 o O juiz poderá determinar a reunião de publicações em listas referentes a mais de uma execução. Para Rinaldo Mouzalas não deveria ser o juiz da causa quem deveria aplicar a pena, poderia ser o juiz corregedor, pois o órgão que tem atribuição para aplicar a pena e julgar as infrações administrativas cometidas é a corregedoria ou o CNJ. Então, para Rinaldo Mouzalas o juiz que é citado no § único do art. 888 do NCPC não é o juiz da causa, mas sim o juiz corregedor. Página 53 de 65 Art. 888. Não se realizando o leilão por qualquer motivo, o juiz mandará publicar a transferência, observando-se o disposto no art. 887. Parágrafo único. O escrivão, o chefe de secretaria ou o leiloeiro que culposamente der causa à transferência responde pelas despesas da nova publicação, podendo o juiz aplicar-lhe a pena de suspensão por 5 (cinco) dias a 3 (três) meses, em procedimento administrativo regular. O art. 889 do NCPC foi um cuidado que o legislador tomou em intimar as pessoas que devem ser cientificadas da alienação judicial afim que não haja nulidade por falta de intimação. Art. 889. Serão CIENTIFICADOS DA ALIENAÇÃO JUDICIAL, com pelo menos 5 (cinco) dias de antecedência: I - o executado, por meio de seu advogado ou, se não tiver procurador constituído nos autos, por carta registrada, mandado, edital ou outro meio idôneo; II - o coproprietário de bem indivisível do qual tenha sido penhorada fração ideal; III - o titular de usufruto, uso, habitação, enfiteuse, direito de superfície, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre bem gravado com tais direitos reais; IV - o proprietário do terreno submetido ao regime de direito de superfície, enfiteuse, concessão de uso especial para fins de moradia ou concessão de direito real de uso, quando a penhora recair sobre tais direitos reais; V - o credor pignoratício, hipotecário, anticrético, fiduciário ou com penhora anteriormente averbada, quando a penhora recair sobre bens com tais gravames, caso não seja o credor, de qualquer modo, parte na execução; VI - o promitente comprador, quando a penhora recair sobre bem em relação ao qual haja promessa de compra e venda registrada; VII - o promitente vendedor, quando a penhora recair sobre direito aquisitivo derivado de promessa de compra e venda registrada; VIII - a União, o Estado e o Município, no caso de alienação de bem tombado. Parágrafo único. Se o EXECUTADO FOR REVEL E NÃO TIVER ADVOGADO CONSTITUÍDO, não constando dos autos seu endereço atual ou, ainda, não sendo ele encontrado no endereço constante do processo, a intimação considerar-se-á feita por meio do próprio edital de leilão. O art. 890 do NCPC exclui as pessoas que não podem fazer lance, fazendo a inclusão de outros. Por exemplo, a começar pelo juiz da localidade onde servirem ou a que se estender a sua autoridade. . Página 54 de 65 Art. 890. Pode oferecer lance quem estiver na livre administração de seus bens, com exceção: I - dos tutores, dos curadores, dos testamenteiros, dos administradores ou dos liquidantes, quanto aos bens confiados à sua guarda e à sua responsabilidade; II - dos mandatários, quanto aos bens de cuja administração ou alienação estejam encarregados; III - do juiz, do membro do Ministério Público e da Defensoria Pública, do escrivão, do chefe de secretaria e dos demais servidores e auxiliares da justiça, em relação aos bens e direitos objeto de alienação na localidade onde servirem ou a que se estender a sua autoridade; IV - dos servidores públicos em geral, quanto aos bens ou aos direitos da pessoa jurídica a que servirem ou que estejam sob sua administração direta ou indireta; V - dos leiloeiros e seus prepostos, quanto aos bens de cuja venda estejam encarregados; VI - dos advogados de qualquer das partes. Não havia essa previsão, mas eticamente já não se permitia. O art. 891 do NCPC trata do preço vil. Explicitando o § único do art. 891 do NCPC o que se considera por preço vil: INFERIOR AO MÍNIMO ESTIPULADO PELO JUIZ ou o PREÇO INFERIOR A CINQUENTA POR CENTO DO VALOR DA AVALIAÇÃO. Por este dispositivo não está se dizendo que o preço vil não possa ser inferior a 50% da avaliação, pois se pode ter um lance inferior a 50% da avaliação e o juiz entender que não é preço vil. Esse preço mínimo estipulado pelo juiz vai considerar principalmente a facilidade de alienação do bem. No caso dos bens imóveis tem entendimento na jurisprudência que a alienação pode sim ser inferior a 50%. Quando o juiz decidir o valor vai evitar depois discussões em nível de embargos à arrematação ou ação autônoma, pois com o preço mínimo estabelecido não terá mais como se discutir preço vil nos embargos a arrematação ou em uma ação autônoma. Art. 891. Não será aceito lance que ofereça PREÇO VIL. Parágrafo único. Considera-se VIL O PREÇO INFERIOR AO MÍNIMO ESTIPULADO PELO JUIZ e constante do edital, e, não tendo sido fixado preço mínimo, considera-se VIL O PREÇO INFERIOR A CINQUENTA POR CENTO DO VALOR DA AVALIAÇÃO. O art. 892 do NCPC prevê que o pagamento deverá ser realizado de imediato pelo arrematante, isso diminui as propostas e desestimula o comparecimento nos leiloes judiciais. O §2º e o §3º do art. 892 do NCPC estipula a preferência no caso de igualdade de oferta. Página 55 de 65 Art. 892. Salvo pronunciamento judicial em sentido diverso, o pagamento deverá ser realizado de imediato pelo arrematante, por depósito judicial ou por meio eletrônico. § 1 o Se o exequente arrematar os bens e for o único credor, não estará obrigado a exibir o preço, mas, se o valor dos bens exceder ao seu crédito, depositará, dentro de 3 (três) dias, a diferença, sob pena de tornar-se sem efeito a arrematação, e, nesse caso, realizar-se-á novo leilão, à custa do exequente. § 2 o Se houver mais de um pretendente, proceder-se-á entre eles à licitação, e, no caso de igualdade de oferta, terá preferência o cônjuge, o companheiro, o descendente ou o ascendente do executado, nessa ordem. § 3 o No caso de leilão de bem tombado, a União, os Estados e os Municípios terão, nessa ordem, o direito de preferência na arrematação, em igualdade de oferta. O art. 895 do NCPC possibilita a proposta de arrematação do bem em prestações, desde que o valor não seja inferior ao valor da avaliação, isso para um primeiro leilão. Já no segundo leilão, pode se apresentar uma proposta menor que o valor da avaliação desde que não seja inferior ao preço mínimo ou inferior a 50% da avaliação. Para Rinaldo Mouzalas, o licitante pode oferecer com parte da proposta até outro bem que não seja dinheiro. Exemplo, o pretenso arrematante quer dar uma quantia em dinheiro e um bem imóvel para ficar com o bem que está sendo levado a leilão. Nesse caso, se o executado quiser ficar o bem e ele pode passar a parte do valor em dinheiro para o exequente. Essa proposta nãopode ser imposta pelo juiz, mas pode ser objeto de uma negociação processual. No caso da imposição pelo juiz tem que ser uma proposta em dinheiro. O § 1º do art. 895 do NCPC deduz os elemento da proposta. O § 4º do art. 895 do NCPC buscará moralizar o processo de arrematação com a aplicação de multa. Há o receio de se tornar prejudicial a participação na arrematação, pois ocorrendo o atraso haverá a aplicação de multa de 10% sobre a soma da parcela inadimplida com as parcelas vincendas, o que poderá tornar temerosa a participação no processo de arrematação. A multa irá para o exequente. A multa não é pagamento é penalidade. O § 8º do art. 895 do NCPC elenca situações em que há mais de uma proposta de pagamento. Nesse caso não há direito de preferencia. A preferência é de quem lança a primeira proposta, em igualdade de condições. E quem lança por último uma proposta minimamente vantajosa? Para Rinaldo Mouzalas, nesse caso, caberá ao juiz observar a boa fé. Art. 895. O interessado em adquirir o bem penhorado em prestações poderá apresentar, por escrito: I - até o início do primeiro leilão, proposta de aquisição do bem por valor não inferior ao da avaliação; Página 56 de 65 II - até o início do segundo leilão, proposta de aquisição do bem por valor que não seja considerado vil. § 1 o A proposta conterá, em qualquer hipótese, oferta de pagamento de pelo menos vinte e cinco por cento do valor do lance à vista e o restante parcelado em até 30 (trinta) meses, garantido por caução idônea, quando se tratar de móveis, e por hipoteca do próprio bem, quando se tratar de imóveis. § 2 o As propostas para aquisição em prestações indicarão o prazo, a modalidade, o indexador de correção monetária e as condições de pagamento do saldo. § 3 o (VETADO). § 4 o No caso de ATRASO NO PAGAMENTO de qualquer das prestações, incidirá multa de dez por cento sobre a soma da parcela inadimplida com as parcelas vincendas. § 5 o O INADIMPLEMENTO AUTORIZA o exequente a pedir a resolução da arrematação ou promover, em face do arrematante, a execução do valor devido, devendo ambos os pedidos ser formulados nos autos da execução em que se deu a arrematação. § 6 o A apresentação da proposta prevista neste artigo não suspende o leilão. § 7 o A proposta de pagamento do lance à vista sempre prevalecerá sobre as propostas de pagamento parcelado. § 8 o Havendo MAIS DE UMA PROPOSTA DE PAGAMENTO parcelado: I - em diferentes condições, o juiz decidirá pela mais vantajosa, assim compreendida, sempre, a de maior valor; II - em iguais condições, o juiz decidirá pela formulada em primeiro lugar. § 9 o No caso de arrematação a prazo, os pagamentos feitos pelo arrematante pertencerão ao exequente até o limite de seu crédito, e os subsequentes, ao executado. Sob a ótica do art. 897 do NCPC: Se o arrematante ou fiador não pagar o preço, perde-se a caução e a multa dos 10% caso o pagamento fosse parcelado? Seria bis in idem? Dupla penalidade? Para Rinaldo Mouzalas, ou a caução ou a multa de 10% de atraso. O texto legislativo não foi feliz nesse ponto. Para esse caso somente se pode imaginar para casos de bem imóvel e em que haja parcelamento. Deveria ter se falado de sinal, porque, assim, valeria para bem móvel e imóvel. Art. 897. Se o arrematante ou seu fiador NÃO PAGAR O PREÇO NO PRAZO ESTABELECIDO, o juiz impor-lhe-á, em favor do exequente, a PERDA DA CAUÇÃO, voltando os bens a novo leilão, do qual não serão admitidos a participar o arrematante e o fiador remissos. Para Rinaldo Mouzalas a inclusão do disposto no § 4º do art. 903 do NCPC é desnecessária e irá inibir o arrematante, que não vai querer participar de um procedimento de arrematação que mesmo depois de expedida a carta de arrematação ou Página 57 de 65 da ordem de entrega poderá haver invalidação da arrematação pleiteada por ação autônoma. Todavia, o § 4º do art. 903 do NCPC deixa clara a possibilidade dessa anulação via ação autônoma, que era omissa no CPC73. O § 6º do art. 903 do NCPC cria mais uma situação de ato atentatório a dignidade da justiça. Art. 903. Qualquer que seja a modalidade de leilão, assinado o auto pelo juiz, pelo arrematante e pelo leiloeiro, a arrematação será considerada perfeita, acabada e irretratável, ainda que venham a ser julgados procedentes os embargos do executado ou a ação autônoma de que trata o § 4 o deste artigo, assegurada a possibilidade de reparação pelos prejuízos sofridos. § 1 o Ressalvadas outras situações previstas neste Código, a arrematação poderá, no entanto, ser: I - invalidada, quando realizada por preço vil ou com outro vício; II - considerada ineficaz, se não observado o disposto no art. 804; III - resolvida, se não for pago o preço ou se não for prestada a caução. § 2 o O juiz decidirá acerca das situações referidas no § 1 o , se for provocado em até 10 (dez) dias após o aperfeiçoamento da arrematação. § 3 o Passado o prazo previsto no § 2 o sem que tenha havido alegação de qualquer das situações previstas no § 1 o , será expedida a carta de arrematação e, conforme o caso, a ordem de entrega ou mandado de imissão na posse. § 4 o Após a expedição da carta de arrematação ou da ordem de entrega, a invalidação da arrematação poderá ser pleiteada por ação autônoma, em cujo processo o arrematante figurará como litisconsorte necessário. § 5 o O ARREMATANTE PODERÁ DESISTIR DA ARREMATAÇÃO, sendo-lhe imediatamente devolvido o depósito que tiver feito: I - se provar, nos 10 (dez) dias seguintes, a existência de ônus real ou gravame não mencionado no edital; II - se, antes de expedida a carta de arrematação ou a ordem de entrega, o executado alegar alguma das situações previstas no § 1 o ; III - uma vez citado para responder a ação autônoma de que trata o § 4 o deste artigo, desde que apresente a desistência no prazo de que dispõe para responder a essa ação. § 6 o Considera-se ato atentatório à dignidade da justiça a suscitação infundada de vício com o objetivo de ensejar a desistência do arrematante, devendo o suscitante ser condenado, sem prejuízo da responsabilidade por perdas e danos, ao pagamento de multa, a ser fixada pelo juiz e devida ao exequente, em montante não superior a vinte por cento do valor atualizado do bem. Página 58 de 65 Seção V - Da Satisfação do Crédito O art. 904 do NCPC elenca a satisfação do credito pela entrega em dinheiro (que é pagamento) e pela adjudicação dos bens (que não é pagamento, é uma dação em pagamento). Art. 904. A SATISFAÇÃO DO CRÉDITO exequendo far-se-á: I - pela entrega do dinheiro; II - pela adjudicação dos bens penhorados. O § único do art. 905 do NCPC veda a execução de atos durante o plantão judiciário mediante plano legislativo federal e infraconstitucional, limitações que seriam de cunho de resoluções estabelecidas pelo próprio tribunal. Art. 905. O juiz autorizará que o exequente levante, até a satisfação integral de seu crédito, o dinheiro depositado para segurar o juízo ou o produto dos bens alienados, bem como do faturamento de empresa ou de outros frutos e rendimentos de coisas ou empresas penhoradas, quando: I - a execução for movida só a benefício do exequente singular, a quem, por força da penhora, cabe o direito de preferência sobre os bens penhorados e alienados; II - não houver sobre os bens alienados outros privilégios ou preferências instituídos anteriormente à penhora. Parágrafo único. Durante o plantão judiciário,VEDA-SE A CONCESSÃO DE PEDIDOS DE LEVANTAMENTO DE IMPORTÂNCIA EM DINHEIRO OU VALORES OU DE LIBERAÇÃO DE BENS APREENDIDOS. - DA EXECUÇÃO CONTRA A FAZENDA PÚBLICA Para Rinaldo Mouzalas o art. 910 do NCPC tem uma pequena falha. Veja, no § 1º desse artigo não deveria ter falado em apenas na decisão que REJEITAR, pois mesmo quando acolhido os embargos justifica a expedição de pagamento e ainda terá o recurso seguinte. Deveria ter dito “a decisão que acolhe os embargos, mas reconhece mesmo assim a existência de algum direito a prestação em favor do exequente”. Nem sempre porque acolhe os embargos está eliminando o direito à prestação. Há esse pequeno equivoco que deveria ter sido corrigida. Art. 910. Na execução fundada em título extrajudicial, a Fazenda Pública será citada para opor EMBARGOS EM 30 (TRINTA) DIAS. § 1 o Não opostos embargos ou transitada em julgado A DECISÃO QUE OS REJEITAR, expedir-se-á precatório ou requisição de pequeno valor em favor do exequente, observando-se o disposto no art. 100 da Constituição Federal. Página 59 de 65 § 2 o Nos embargos, a Fazenda Pública poderá alegar qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa no processo de conhecimento. § 3 o Aplica-se a este Capítulo, no que couber, o disposto nos artigos 534 e 535. - DA EXECUÇÃO DE ALIMENTOS É uma inovação legislativa, mas não é uma inovação jurídica. É a possibilidade de se fazer a execução fundada em título executivo extrajudicial de quantia certa alimentícia. Há inclusive precedente do STJ que permite a execução de título executivo extrajudicial acerca da obrigação de prestar alimentos. Cabe ou não prisão alimentícia em execução de alimentos fundada em título executivo extrajudicial? Constitucionalmente não cabe. O artigo do NCPC quanto a isso ficou omisso. Observe pelo art. 913 do NCPC que não requerida à execução nos termos desse capítulo se fará nos moldes da execução por quantia certa, significa que há dois regimes de execução a de alimentos e a por quantia certa. Na execução de quantia certa não cabe prisão civil, mas e na execução de alimentos? Para o Rinaldo Mouzalas o art. 913 do NCPC da a entender que sim, cabe prisão civil, todavia, para ele não deve caber prisão civil pelo inadimplemento do titulo executivo extrajudicial fundado em alimentos. Art. 911. Na execução fundada em título executivo extrajudicial que contenha obrigação alimentar, o juiz mandará citar o executado para, em 3 (três) dias, efetuar o pagamento das parcelas anteriores ao início da execução e das que se vencerem no seu curso, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de fazê-lo. Parágrafo único. Aplicam-se, no que couber, os §§ 2 o a 7 o do art. 528. Art. 913. NÃO REQUERIDA A EXECUÇÃO nos termos deste Capítulo, observar-se-á o disposto no art. 824 e seguintes, com a ressalva de que, recaindo a penhora em dinheiro, a concessão de efeito suspensivo aos embargos à execução não obsta a que o exequente levante mensalmente a importância da prestação. 4 - DOS EMBARGOS À EXECUÇÃO O art. 915 do NCPC estipula o prazo de 15 dias para a oposição dos embargos, mas não fala nada da necessidade da audiência de conciliação e mediação. Na execução terá a possibilidade de conciliação, vez que no processo de conhecimento já se inicia com audiência de conciliação? O NCPC ficou omisso. Dentro dos deveres está o de compor as partes. Não é obrigatória a audiência de conciliação, mas pode ser que assim o faça. Página 60 de 65 Art. 915. Os EMBARGOS SERÃO OFERECIDOS NO PRAZO DE 15 (QUINZE) DIAS, contado, conforme o caso, na forma do art. 231. § 1 o Quando houver mais de um executado, o prazo para cada um deles embargar conta-se a partir da juntada do respectivo comprovante da citação, salvo no caso de cônjuges ou de companheiros, quando será contado a partir da juntada do último. § 2 o Nas execuções por carta, o PRAZO PARA EMBARGOS SERÁ CONTADO: I - da juntada, na carta, da certificação da citação, quando versarem unicamente sobre vícios ou defeitos da penhora, da avaliação ou da alienação dos bens; II - da juntada, nos autos de origem, do comunicado de que trata o § 4 o deste artigo ou, não havendo este, da juntada da carta devidamente cumprida, quando versarem sobre questões diversas da prevista no inciso I deste parágrafo. § 3 o Em relação ao prazo para oferecimento dos embargos à execução, não se aplica o disposto no art. 229. § 4 o Nos atos de comunicação por carta precatória, rogatória ou de ordem, a realização da citação será imediatamente informada, por meio eletrônico, pelo juiz deprecado ao juiz deprecante. O art. 916 do NCPC trata-se do instituto da MORATÓRIA. O direito potestativo de efetuar o pagamento parcelado. O § 1º do art. 916 do NCPC o direito a moratória é potestativo, ou seja, não depende de nenhuma concordância por parte do exequente, basta que o executado preencha os requisitos para que se tenha direito a moratória. Atualmente, o executado pede para exercer o direito a moratória e o exequente não é intimado. Então o que acontece? Pode ser que o juiz reconheça que estão presentes os pressupostos para a moratória quando na verdade não estão. Nesse caso, cabe ao exequente agravar para o tribunal. Para evitar com esse tipo de situação e o juiz ter conhecimento da posição por parte do exequente, antes de se deferir o direito a moratória, intima-se o exequente para se manifestar no prazo de 05 (cinco) dias. E o juiz quando for decidir se acolhe ou não a moratória terá conhecimento das questões que são apresentadas por parte do exequente. O levantamento expresso no § 2º do art. 916 do NCPC não quer dizer que o exequente concorda. O exequente irá apresentar as suas considerações em torno do preenchimento dos requisitos da moratória. O levantamento não significa o preenchimento dos requisitos da moratória, mas sim o recebimento de parte do valor que já é utilizado para satisfazer a prestação. Somente depois o juiz irá apreciar o requerimento e dizer se a moratória cabe ou não ao executado. Se couber o executado continua pagando, se não couber o exequente já levantou uma parte e vai continuar a execução quanto as demais. O § 7º do art. 916 do NCPC, muda a linha de precedente aplicada nos tribunais, deduz que não se aplica na execução de título executivo judicial a moratória. Não se aplica moratória em fase de cumprimento de sentença. Página 61 de 65 Para Rinaldo Mouzalas, a moratória é um direito do exequente, mas é também um direito do promovido. Não é preciso ter uma fase de execução para exercer o direito a moratória, pois poderia o promovido ser citado na fase de conhecimento e dizer que concorda e fazer o pagamento de forma parcelada, então, já se exerceria a moratória no âmbito do processo de conhecimento. Para Rinaldo Mouzalas, há o receio/medo quando ao requer a moratória se reconheça o pedido e ensejar uma sentença e essa irá inaugurar o cumprimento de sentença, pois o § 7º do art. 916 do NCPC deduz que não se aplica a moratória ao cumprimento de sentença. Então, irá se perder esse direito? Há uma antinomia no sistema. Para Rinaldo Mouzalas, o § 7º do art. 916 do NCPC deveria ter dito que não se aplica ao cumprimento de sentença, mas na hipótese da parte reconhecer a procedência do pedido poderia, com o objetivo de se ter um estímulo a mais. Art. 916. No prazo para embargos, reconhecendo o crédito do exequente e comprovando o depósito de trinta por cento do valor em execução, acrescido de custas e de honorários de advogado,o executado poderá requerer que lhe seja permitido pagar o restante em até 6 (seis) parcelas mensais, acrescidas de correção monetária e de juros de um por cento ao mês. § 1 o O exequente será intimado para manifestar-se sobre o preenchimento dos pressupostos do caput, e o juiz decidirá o requerimento em 5 (cinco) dias. § 2 o Enquanto não apreciado o requerimento, o EXECUTADO TERÁ DE DEPOSITAR AS PARCELAS VINCENDAS, facultado ao exequente seu levantamento. § 3 o Deferida a proposta, o exequente levantará a quantia depositada, e serão suspensos os atos executivos. § 4 o Indeferida a proposta, seguir-se-ão os atos executivos, mantido o depósito, que será convertido em penhora. § 5 o O não pagamento de qualquer das prestações acarretará cumulativamente: I - o vencimento das prestações subsequentes e o prosseguimento do processo, com o imediato reinício dos atos executivos; II - a imposição ao executado de multa de dez por cento sobre o valor das prestações não pagas. § 6 o A opção pelo parcelamento de que trata este artigo importa renúncia ao direito de opor embargos § 7 o O DISPOSTO NESTE ARTIGO NÃO SE APLICA AO CUMPRIMENTO DA SENTENÇA. O art. 917 do NCPC as matérias que os embargos poderá alegar. No inciso I do art. 917 do NCPC trata do atributo do título a inexequibilidade do título ou a inexigibilidade da obrigação. Salienta-se que a inexequibilidade do título pode estar relacionada a outros requisitos que não seja a de inexigibilidade, pode ser a falta de certeza ou a falta de liquidez se eventualmente for exigida a obrigação de pagar a quantia certa. Página 62 de 65 O inciso V do art. 917 trata da incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução, que já é aceito pela doutrina e pela jurisprudência, mas não era previsto de forma expressa. O § 1º do art. 916 do NCPC, significa desburocratização e redução de custos, prevê que não se precisará ter mais embargos para impugnar penhora incorreta e avaliação errônea, pois pode ser feito por simples petição nos autos. Há a cognição independente de pagamento de custas processuais. Art. 917. Nos EMBARGOS À EXECUÇÃO, o executado poderá alegar: I - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação; II - penhora incorreta ou avaliação errônea; III - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções; IV - retenção por benfeitorias necessárias ou úteis, nos casos de execução para entrega de coisa certa; V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução; VI - qualquer matéria que lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento. § 1 o A INCORREÇÃO DA PENHORA OU DA AVALIAÇÃO PODERÁ SER IMPUGNADA POR SIMPLES PETIÇÃO, no prazo de 15 (quinze) dias, contado da ciência do ato. § 2 o Há excesso de execução quando: I - o exequente pleiteia quantia superior à do título; II - ela recai sobre coisa diversa daquela declarada no título; III - ela se processa de modo diferente do que foi determinado no título; IV - o exequente, sem cumprir a prestação que lhe corresponde, exige o adimplemento da prestação do executado; V - o exequente não prova que a condição se realizou. § 3 o Quando alegar que o exequente, em excesso de execução, pleiteia quantia superior à do título, o EMBARGANTE DECLARARÁ NA PETIÇÃO INICIAL o valor que entende correto, apresentando demonstrativo discriminado e atualizado de seu cálculo. § 4 o Não apontado o valor correto ou não apresentado o demonstrativo, os embargos à execução: I - serão liminarmente rejeitados, sem resolução de mérito, se o excesso de execução for o seu único fundamento; II - serão processados, se houver outro fundamento, mas o juiz não examinará a alegação de excesso de execução. § 5 o Nos embargos de retenção por benfeitorias, o exequente poderá requerer a compensação de seu valor com o dos frutos ou dos danos considerados devidos pelo executado, cumprindo ao juiz, para a apuração dos respectivos valores, nomear perito, observando-se, então, o art. 464. § 6 o O exequente poderá a qualquer tempo ser imitido na posse da coisa, prestando caução ou depositando o valor devido pelas benfeitorias ou resultante da compensação. § 7 o A arguição de impedimento e suspeição observará o disposto nos arts. 146 e 148. Página 63 de 65 O art. 918 do NCPC elenca os casos de rejeição liminar dos embargos. Acrescentando, Rinaldo Mouzalas, que o § único do art. 918 do NCPC também deveria ter considerado ato atentatório a dignidade da justiça o oferecimento de embargos manifestamente protelatórios no caso de improcedência liminar do pedido, vez que a questão defendida via embargos é objeto de interpretação contrária de súmula ou de repetitivos junto ao STF e STJ. Art. 918. O juiz REJEITARÁ LIMINARMENTE OS EMBARGOS: I - quando intempestivos; II - nos casos de indeferimento da petição inicial e de improcedência liminar do pedido; III - manifestamente protelatórios. Parágrafo único. Considera-se conduta atentatória à dignidade da justiça o OFERECIMENTO DE EMBARGOS MANIFESTAMENTE PROTELATÓRIOS. O art. 919, caput, do NCPC deduz a regra que os embargos à execução não terão efeito suspensivo, da mesma forma como previsto no CPC73. O § 1º do art. 919 do NCPC dispõe mudança significativa em relação ao CPC73, pois com o NCPC poderá ser alegada a evidência e não haverá a necessidade de risco, somente a tutela de evidencia, para, então, ser atribuído efeito suspensivo a execução. O enunciado nº 80 do Fórum Permanente de Processualista Civis explicita que: “A tutela antecipada prevista nestes dispositivos pode ser de urgência ou de evidência.” Art. 919. Os EMBARGOS À EXECUÇÃO NÃO TERÃO EFEITO SUSPENSIVO. § 1 o O juiz poderá, a requerimento do embargante, ATRIBUIR EFEITO SUSPENSIVO AOS EMBARGOS quando verificados os requisitos para a concessão da tutela provisória e desde que a execução já esteja garantida por penhora, depósito ou caução suficientes. § 2 o Cessando as circunstâncias que a motivaram, a decisão relativa aos efeitos dos embargos poderá, a requerimento da parte, ser modificada ou revogada a qualquer tempo, em decisão fundamentada. § 3 o Quando o efeito suspensivo atribuído aos embargos disser respeito apenas a parte do objeto da execução, esta prosseguirá quanto à parte restante. § 4 o A concessão de efeito suspensivo aos embargos oferecidos por um dos executados não suspenderá a execução contra os que não embargaram quando o respectivo fundamento disser respeito exclusivamente ao embargante. § 5 o A concessão de efeito suspensivo não impedirá a efetivação dos atos de substituição, de reforço ou de redução da penhora e de avaliação dos bens. Página 64 de 65 5 - DA SUSPENSÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO O art. 921 do NCPC trata das situações quando suspende a execução. Aponta-se no inciso III do art. 921 do NCPC que se suspende a execução quando o EXECUTADO NÃO POSSUIR BENS PENHORÁVEIS. Essa situação era ruim para o executado, porque o executado ficava com a execução suspensa por tempo indeterminado e não tinha prescrição intercorrente. Pela lei de execução fical se não encontrar bem a execução fica suspensa, passado um ano começa a correr a prescrição intercorrente, mas isso somente valia para a execução fiscal, não se aplicando a execução comum, conforme o STJ. Com o NCPC no § 1º, 2º, 3º e 4º do art. 921 na hipótese de na execução o executado não possuir bens penhoráveis, o juiz suspenderá a execução pelo prazo de 1 (um) ano, durante o qual se suspenderá a prescrição.E decorrido esse prazo o juiz determinará o arquivamento. Enfim, prevê esses dispositivos a prescrição intercorrente. O inciso IV do art. 921 do NCPC nesses caso há a suspensão da execução por falta de interesse dos licitante e do exequente em adjudicar os bens que existe. O inciso V do art. 921 do NCPC apenas compatibiliza a suspensão com a moratória O enunciado nº 195 do Fórum Permanente de Processualistas Civis: “O prazo de prescrição intercorrente previsto no art. 921, § 4°, tem início automaticamente um ano após a intimação da decisão de suspensão de que trata o seu § 1°.” Ou seja, não é preciso intimar para dar ciência do início da prescrição intercorrente. Todavia, é um pouco contraditório com o dever de cooperação. E o enunciado n º 196 do Fórum Permanente de Processualistas Civis determina que: “O prazo da prescrição intercorrente é o mesmo da ação.” É o mesmo enunciado da súmula 150 do STF. Art. 921. Suspende-se a execução: I - nas hipóteses dos arts. 313 e 315, no que couber; II - no todo ou em parte, quando recebidos com efeito suspensivo os embargos à execução; III - quando o EXECUTADO NÃO POSSUIR BENS PENHORÁVEIS; IV - se a alienação dos bens penhorados não se realizar por FALTA DE LICITANTES E O EXEQUENTE, em 15 (quinze) dias, não requerer a adjudicação nem indicar outros bens penhoráveis; V - quando concedido o parcelamento de que trata o art. 916. § 1 o Na hipótese do inciso III, o juiz suspenderá a execução pelo prazo de 1 (um) ano, durante o qual se suspenderá a prescrição. § 2 o Decorrido o prazo máximo de 1 (um) ano sem que seja localizado o executado ou que sejam encontrados bens penhoráveis, o juiz ordenará o arquivamento dos autos. § 3 o Os autos serão desarquivados para prosseguimento da execução se a qualquer tempo forem encontrados bens penhoráveis. Página 65 de 65 § 4 o Decorrido o prazo de que trata o § 1 o sem manifestação do exequente, começa a correr o prazo de PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. § 5 o O juiz, depois de ouvidas as partes, no prazo de 15 (quinze) dias, poderá, de ofício, reconhecer a prescrição de que trata o § 4 o e extinguir o processo. 6 - DA EXTINÇÃO DO PROCESSO DE EXECUÇÃO O art. 924 do NCPC compatibilizou o sistema e acrescentou a possibilidade de poder extinguir a execução em decorrência da prescrição intercorrente. Art. 924. Extingue-se a execução quando: I - a petição inicial for indeferida; II - a obrigação for satisfeita; III - o executado obtiver, por qualquer outro meio, a extinção total da dívida; IV - o exequente renunciar ao crédito; V - ocorrer a PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.