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Trefilação

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feiras de videa, que é um material relativamente 
barato, as bitolas tem o diâmetro de grandes dimensões. 
 
13.3. Lubrificação úmida e eletrolítica 
Nessa lubrificação utiliza-se como fluido lubrificante uma solução eletrolítica , para 
que haja a trefilação dos fios de aço. Faz-se uma solução em água de sais de cobre e 
ácido sulfúrico em um pequeno teor para que ao final do procedimento, o trefilado tenha 
um aspecto brilhante. 
 
13.4. Lubrificação com pastas e graxas 
Esse tipo de lubrificação usa lubrificantes com propriedades de redução de atrito e 
desgaste com consistência graxosa. 
 
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A sua aplicação é feita em pontos de lubrificação que não podem ser alimentados 
com óleos lubrificantes. 
 
14. Características da Trefilação 
 
O processo de trefilação atualmente é o mais utilizado para fabricação de fios, 
barras e tubos. Entre as características do processo, podemos citar: 
• Aumento da resistência mecânica durante o processo. A figura 20 ilustra a 
variação nas propriedades mecânicas, trazidas pelas curvas tensão x deformação, 
ocasionadas pela trefilação de um arame de aço de teor de carbono muito baixo 
(0,0070% C). Nota-se que o limite de escoamento e de resistência aumenta à medida que 
aumenta a redução da área percentual por trefilação. 
 
Figura 20 - Gráfico Tensão/Deformação, variação das propriedades mecânicas de um aço de baixíssimo teor de 
carbono (0,0070%), adaptado de Dieter 1988 
O grau de encruamento será tanto maior quanto for o grau de redução no passe de 
trefilação, pois maiores serão as deformações redundantes no material e, 
conseqüentemente, maior o encruamento. Por isso objetiva-se, ao trefilar um material, 
que se tenha a consciência de que haverá perda expressiva da ductibilidade do material e 
consequentemente ganho de propriedades mecânicas (especialmente resistência à 
fadiga e corrosão) (Moraes, W. A., 2009). 
• A preparação da matéria prima para a trefilação se dá em operações de 
trabalho a quente. O aquecimento do metal a trefilar provoca a formação de camadas de 
 
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óxidos em sua superfície. Esses óxidos devem ser retirados em um processo 
denominado decapagem, pois os mesmos reduzem a vida da fieira e ficam inclusos no 
produto trefilado, prejudicando sua qualidade. Muitas vezes se tem a necessidade de 
utilização de cal para neutralizar ácidos remanescentes da decapagem e facilitar a 
aderência do lubrificante (via seca – graxa ou pó de sabão) na trefilação de arames de 
aço; 
• Deve-se ter uma lubrificação e refrigeração adequada, pois o aumento de 
temperatura, em função do atrito, e a alta velocidade de trabalho podem modificar a 
propriedades mecânicas de forma indesejada do material. As condições de lubrificação 
alteram o efeito do atrito e esse provoca a concentração das tensões de compressão na 
entrada da ferramenta enquanto a tensão predominante na saída é de tração. Quanto 
maior for o coeficiente de atrito, mais acentuada será a tendência da pressão na parede 
de decrescer à medida que o ponto considerado se aproxima da saída. É possível assim 
imaginar um ponto onde essa pressão se torne nula, provocando a perda de contato do 
fio com a ferramenta, o que caracteriza condições de lubrificação insuficiente; 
• O calor gerado na trefilação, e que é transmitido ao fio, tem origem no efeito 
de atrito entre o fio e a fieira e entre o fio e o anel tirante (no caso de máquinas do tipo 
com deslizamento). A estas fontes geradoras de calor associa-se a proveniente da 
deformação plástica do fio. Se não houver refrigeração suficiente, pode ocorrer o 
recozimento do fio pelo aquecimento, o que alteraria suas propriedades mecânicas. A 
intensidade de aquecimento é influenciada pela forma da fieira, pelo número de fieiras 
para uma mesma redução total e pelas condições de lubrificação e refrigeração. 
 
15. Vantagens do Processo de Trefilação 
 
O processo de conformação mecânica por trefilação é muito vantajoso em 
comparação com outros processos de fabricação mecânica, principalmente porque tem 
melhor precisão. Entre as principais vantagens, estão: 
• O material pode ser estirado e reduzido em secção transversal mais do que 
com qualquer outro processo; 
• Podem-se aplicar altas velocidades, o que é muito bom para grandes 
produções, mas para isto necessita-se de fieiras com materiais duros como diamantes, 
 
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pois tem maior resistência ao desgaste – essa alta velocidade influencia no limite de 
escoamento, e consequentemente, no nível de tensão necessária para provocar uma 
determinada conformação em um material metálico. (Moraes, W. A., 2009); 
• Durante processo pode-se manipular a propriedade mecânica desejada ao 
produto final, combinando com um tratamento térmico adequado e obtendo uma gama 
variada de propriedades com a mesma composição química; 
• Boa qualidade superficial uniformemente limpa e polida. A trefilação melhora 
a homogeneidade do material, conduzindo a obtenção de uma estrutura encruada (ou 
seja, os grãos do material são alongados e com isto sua tensão de ruptura aumenta); 
 
Figura 21 - Alteração da estrutura de grão de um material metálico devido à conformação mecânica a frio. 
• A conjunção do encruamento é mais intenso na superfície do material, o que 
resulta em melhor acabamento e aumenta sensivelmente a vida útil em relação à fadiga; 
• Excelente controle dimensional, só sendo inferior à laminação a frio, porém 
este não se aplica às bitólas comuns de arames, pois são muito pequenas; 
 
16. Desvantagens do Processo de Trefilação 
 
Na trefilação podemos ter muitas vantagens em relação a outros processos, porém 
há desvantagens que não podemos desconsiderar e estas desvantagens são: 
• Geração de tensões residuais* sendo geralmente necessário um 
tratamento de alívio de tensões para materiais mais resistentes; 
*Tensões Residuais são as tensões presentes em um material quando este não 
está submetido à aplicação de forças externas ou diferente temperaturas. O sistema de 
 
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tensões residuais necessita estar em equilíbrio e o somatório das forças resultantes dos 
momentos será zero. 
Com relação às tensões residuais, é importante destacar que para pequenas 
reduções (1%): 
• As tensões residuais longitudinais são compressivas na superfície e trativas no 
eixo; 
• As tensões radiais são trativas no eixo e caem a zero na superfície livre; 
• As tensões circunferenciais seguem a mesma tendência das tensões residuais 
longitudinais. Para maiores reduções a distribuição de tensões é inversa do caso 
anterior; 
• Tensões longitudinais são trativas na superfície e compressivas no eixo; 
• As tensões radiais são compressivas no eixo e caem à zero na superfície livre; 
• As tensões circunferenciais seguem a mesma tendência das tensões residuais 
longitudinais. 
A figura a seguir ilustra a variação da tensão residual em função da redução da 
área por trefilação. 
 
Figura 22 - Tensão residual longitudinal em função da redução de área por trefilação. 
• As velocidades de trefilação tendem a permanecer em níveis mais baixos do 
que os níveis que originalmente se procuram atingir para uma maior produção por 
unidade de