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o conhecimento que construirmos? Existe algum tipo de conhecimento que atinge essa 
certeza? Saibamos, pois, nos espantar diante desse assunto comumente trivializado.
Chegamos ao final do primeiro tópico de estudo do Módulo II.
É importante que tenha compreendido todos os assuntos aqui abordados, para que 
possa continuar.
Referências
ARISTÓTELES. Metafísica, Livros I e II. Trad. Vincenzo Cocco. São Paulo: Abril Cultural, 
1972.
PLATÃO. Teeteto/Crátilo, 3ª ed. revisada. Belém: EDUFPA, 2001, p. 55.
SAVATER, Fernando. As perguntas da vida. Trad. Mônica Stahel. São Paulo: Martins 
Fontes, 2001.
A filosofia e o conhecimento - Módulo 2 Filosofia
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Referências
FRAILE, Guillermo. Historia de la Filosofia. Tomo I. 3ª ed. Madrid: Biblioteca de Autores 
Cristianos, 1971.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Hollanda. Novo Dicionário da Língua Portuguesa. 2ª 
ed., revista e aumentada. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986.
LUCHESI, Cipriano Carlos; PASSOS, Elizete S. Introdução à Filosofia: aprendendo a 
pensar. São Paulo: Cortez, 2004.
MARCONDES, Danilo. Textos básicos de ética: de Platão a Foucault. Rio de Janeiro: 
Jorge Zahar, 2009.
MARCONDES, Danilo. Textos básicos de filosofia: dos pré-socráticos a Wittgenstein. Rio 
de Janeiro: Jorge Zahar, 2007.
PESSANHA, José Américo Motta. As delícias do jardim. In: NOVAES, Adauto (Org.). 
Ética. São Paulo: Companhia das Letras, 2007.
SILVA, Sandro Luiz da. A ética das virtudes de Aristóteles. Dissertação de mestrado. 
Unisinos - Programa de Pós-Graduação em Filosofia, 2008.
Anexo - Atividades Estudos Socio-Antropológicos
Bloco de notas
e anotações
Este espaço é para você anotar suas observações com relação a disciplina estudada.
Importante:
Leia todas as orientações passo a passo no “Tutorial do Aluno” de como realizar suas 
Atividades.
A filosofia e o conhecimento - Módulo 2 Filosofia
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Aula 2 - O conhecimento como ascensão 
do domínio ilusório
O conhecimento como ascensão do domínio ilusório. A alegoria da caverna, do livro 
VII de A República, de Platão.
No Módulo I, vimos que Sócrates não se conformava com as noções cotidianas empregadas 
normalmente. Isso porque percebeu que o uso dessas noções não se fundamentava em 
nada; tratava-se apenas da passiva repetição de palavras com cuja definição as pessoas 
nunca se preocuparam. Vimos também o quanto a “virtude” (a areté), entendida como 
“excelência da ação”, era o foco de suas preocupações filosóficas. Era em função desta 
excelência que Sócrates empreendia sua busca por definições (agora não mais locais, e 
sim universais) de noções como “justiça”, “piedade”, “coragem”: desejava que sua prática 
de vida fosse governada por esses conceitos cuja essência deveria ser racionalmente 
alcançada.
Como lembra F. M. Cornford, em seu Antes e depois de Sócrates, “a moralidade da 
aspiração instituída por Sócrates implica um constante esforço da alma com relação a 
um ideal de perfeição”. E mais à frente escreve: 
A visão clara do ideal é o conhecimento, a ser obtido apenas pelo 
pensamento árduo. Na prática de Sócrates, esse pensamento árduo 
assumia a forma de tentativas de definir o significado essencial dos 
termos comumente empregados para a descrição da conduta correta. 
Todos concordam que algo como a justiça, por exemplo, existe. O que 
queremos dizer com esse nome? Se considerarmos e compararmos 
as ações designadas como ‘justas’ ou ‘corretas’ por diferentes povos e 
comunidades, encontraremos um surpreendente conflito de opiniões. Os 
costumes considerados certos por um país são condenados por outros 
como errados. Quem vive segundo a velha moralidade da coerção social 
dirá que seu costume local é certo para ele; um costume diferente será 
certo para seus vizinhos. Mas a nova moralidade da aspiração é universal. 
Só pode haver um ideal de perfeição comum a toda a humanidade, um 
padrão segundo o qual todos os costumes e ações devem ser avaliados 
(Cornford, 2001, p. 54-55).
É aqui que podemos começar a ver como Platão, o discípulo maior de Sócrates, 
introduziu, a partir da moral de aspiração socrática, a inovação maior de sua filosofia: 
esse grande mestre do pensamento ocidental localiza o fim dessa pesquisa de Sócrates 
em um domínio apartado de toda a contingência humana e de toda a corrupção e 
parcialidade a ela associado – o Mundo das Ideias. O Mundo das Ideias é um mundo 
de universais, de elementos ideais: mesmo que todo o universo físico fosse destruído, 
ele continuaria a existir. Se novos universos viessem a ser criados, todo aquele ser 
que aspirasse à racionalidade deveria se submeter a ele. O mundo das Ideias abriga a 
Verdade e, exatamente como no mundo da matemática, seu conhecimento independe 
de objetos concretos. Sua existência é puramente abstrata, formal. É a própria ideia do 
triângulo que se encontra nele, e não as ocorrências particulares da ideia que podemos 
ver representadas espacialmente. Essas ocorrências particulares podem ser vistas por 
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A filosofia e o conhecimento - Módulo 2 Filosofia
nossos olhos sensíveis. A Ideia, ela mesma, só pode ser contemplada pelo intelecto, por aquilo 
que Platão metaforicamente chamou de “o olho da alma”.
Como diz Cornford, em continuidade a esse raciocínio:
 
Segue-se que (assim inferiu Platão) um termo como ‘justiça’ tem um sentido 
universal, independente de todas as várias coisas que são chamadas de justas 
em várias épocas e locais. Esse sentido absoluto pode ser definido e conhecido. 
É o que Platão chamava de ‘forma’ ou ‘ideal’ (2001, p. 56).
Observe, portanto, a introdução de um novo elemento na filosofia platônica (apesar de, nos textos 
posteriores de Platão, Sócrates continuar a ser a personagem que expõe essa filosofia). O objeto 
do éros filosófico é um Ser incorruptível: a própria realidade despida de sua ilusão sensível. 
Platão faz da filosofia uma busca metafísica, 
ou seja, uma busca por uma Verdade que 
está além da mera experiência que o corpo 
pode captar. O comum dos homens, sem esse 
esforço de racionalidade para ascender ao 
mundo das Ideias, terá como destino conviver 
com um mundo fictício dentro do qual está 
encerrado sem o saber. O conhecimento é 
uma elevação e uma purificação (askesis) das 
paixões violentas, dos sentidos dominadores 
e da opinião vulgar com a qual normalmente 
nos conformamos. 
Para Platão, a alma deveria se purificar das 
ilusões que a acorrentam à opinião particular 
e ascender em direção ao conhecimento uni-
versal e eterno. Se corretamente conduzida, 
essa alma reconheceria na contemplação e 
no convívio com o Bom, o Belo e o Justo a 
condição de sua própria imortalidade. A parte 
da alma que aí se reconhece é imortal. É por 
isso que o Sócrates platônico pode beber, 
com serenidade ímpar, no texto platônico Fédon, o preparado venenoso que lhe dão: ele já se 
identificara integralmente com algo imperecível.
Reiteramos o ponto principal deste tópico: para Platão, conhecer é um ato de ascensão da 
experiência sensível, uma purificação dos elementos mundanos e fragmentados com que a alma 
se confundia inicialmente. O destino da filosofia é o conhecimento do Ser. Para Platão, a filosofia 
é incontornavelmente metafísica.
A filosofia e o conhecimento - Módulo 2 Filosofia
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A alegoria da caverna, do livro VII de A República, de Platão
Numa bela entrevista a Émile Noël, já mencionada no Módulo I, o filósofo francês François 
Châtelet retoma, a certa altura, o sentido da filosofia platônica do conhecimento: “Platão 
dá o nome de doxa às opiniões múltiplas desenvolvidas pelo bom senso democrático. 
Mostra que essas opiniões (...) são em grande parte produto das paixões, dos interesses, 
dos desejos e das circunstâncias”. A esse domínio das meras opiniões fundamentadas 
tão-somente no mundo sensível Platão opõe o Mundo das Ideias, “realidade essencial, 
[que] permanece imutável, enquanto