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Agenda 21 - acoes2edicao

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da maioria dos municípios brasileiros e a complexidade dos processos econômicos e sociais dos quais depende sua prosperidade e até mesmo sua sobrevivência. Fóruns locais em cidades isoladas, pobres e pequenas, revelaram-se, na prática, insuficientes, se não forem acompanhados de iniciativas complementares no plano institucional. 
Ações e recomendações
Definir, inclusive inserindo no PPA, que os órgãos de governo devem dar prioridade ao financiamento de ações municipais que constem da Agenda 21 local, por meio de planos estratégicos e processos participativos locais, microrregionais ou mesorregionais. 
Incentivar a realização da Agenda 21 Local em parceria governo/sociedade, com o objetivo de definir um plano estratégico e participativo envolvendo ações no plano econômico, social e ambiental para o desenvolvimento das pequenas, médias e grandes cidades brasileiras. 
Elaborar indicadores de desenvolvimento sustentável adotando os princípios e estratégias contidos na Agenda 21 Brasileira. 
Realizar o zoneamento ecológico-econômico como instrumento de apoio à definição de um plano de desenvolvimento local integrado. 
Estimular parcerias intermunicipais e de consórcios para solução de problemas comuns e otimização de recursos humanos e financeiros. 
Promover o fortalecimento de cadeias produtivas locais, como meio de fortalecer a economia sustentável dos pequenos e médios municípios. 
Definir a vocação produtiva da cidade em harmonia com sua identidade cultural e ambiental como forma de planejar oportunidades de ampliação de emprego e renda, bem como construir o espaço social de integração e convivência de trabalho e lazer. 
Objetivo 14 
Implantar o transporte de massa e a mobilidade sustentável 
Mobilidade sustentável. Estas duas palavras definem um amplo conceito, que contempla não apenas o transporte, mas diversos aspectos a ele associados, que necessitam de rápido aprimoramento para que se alcance um estágio sustentável de desenvolvimento econômico, social e ambiental. 
A questão da mobilidade está relacionada com as economias e deseconomias de escala, envolvendo grandes aglomerações e os complexos interesses econômicos e sociais de uma sociedade de massa. Um tempo excessivo gasto com transporte tem custos econômicos e sociais altos que afetam a competitividade, com a perda de tempo e aumento do custo. Também afeta a produtividade do trabalho, uma vez que se perde tempo na locomoção de pequenos e grandes trajetos, em função dos engarrafamentos. O problema atinge a todos, pobres e ricos, forçando democraticamente a maioria da população à permanência no trânsito várias horas por dia. 
O serviço de ônibus é precário, os horários incertos e os trajetos inadequados. Qualquer tentativa de integração dos transportes entre as capitais e suas respectivas periferias é inviabilizada pelos interesses divergentes dos proprietários das empresas de transporte urbano. É por essa razão que o cartão eletrônico, que permite a livre circulação por menor preço, não prospera. As empresas de ônibus, por outro lado, são obrigadas a ceder espaço para os microônibus, que menores e mais flexíveis, vêm disputando a preferência dos usuários de transporte urbano. 
Existe, sem dúvida, cumplicidade política entre o poder municipal e os donos de empresas de ônibus que impedem a integração da região metropolitana em um único sistema de transportes coletivos. As cidades de porte médio em processo de crescimento precisam, preventivamente, adotar soluções, como o metrô de superfície, para evitar problemas futuros. 
A melhoria do transporte exige que se repense a estrutura urbana e as suas regras de ordenamento. As empresas devem se envolver na solução dos problemas junto com as autoridades públicas. Para mudar tal estado de coisas será preciso planejar e financiar, com absoluta prioridade, novos meios de transporte de massa que permitam, inclusive, modificar hábitos arraigados, como o uso do automóvel por um só indivíduo. 
É preciso ter sempre em vista que a estrutura de transporte tem papel decisivo no desenho urbano e que esse é um motivo de favelização, pois as pessoas tendem a buscar, a qualquer custo, maior proximidade com o seu local de trabalho. A melhor maneira de evitar a favelização é adotar uma política conjugada de transportes e habitação popular. 
Com certeza, uma das maiores barreiras para a implantação da mobilidade sustentável é ‘a cultura do automóvel' que propaga o veículo, sem cessar, para segmentos cada vez mais amplos da sociedade em função da precariedade do transporte público, ao qual falta capilaridade, regularidade e integração para melhor servir a população metropolitana brasileira. 
A dimensão ambiental deve ser cuidadosamente considerada, visto que os veículos estão entre as principais fontes de emissão de gases poluentes e outros poluentes, muitos dos quais altamente nocivos à saúde humana, tais como os óxidos de enxofre e de nitrogênio. 
Ações e recomendações
Promover a implantação de redes de transportes integrados de massa nas grandes aglomerações, especialmente metrôs e trens rápidos, articulados a outros meios complementares, com a adoção do cartão eletrônico.Tais projetos devem ser concebidos preventivamente nas cidades e regiões metropolitanas em formação ou em franca expansão. 
Promover a descentralização das cidades, incentivando a instalação de empresas fora dos centros urbanos mais adensados. A descentralização deverá ser executada simultaneamente com a melhoria das opções de transporte. 
As empresas devem estudar a possibilidade de instituir o escalonamento nos horários de trabalho, assim como a opção de oferecer transporte a seus funcionários. Instituir, na medida do possível, o trabalho em casa, o que já é plenamente possível em uma variedade de atividades econômicas.  
Conceber os instrumentos e as agências político-institucionais adequadas, nas esferas municipal, estadual e federal, capazes de garantir recursos públicos e privados, materiais e financeiros, para viabilizar investimentos em transportes de massa. 
Criar programas consistentes de otimização dos sistemas integrados de transportes urbanos, principalmente nas regiões metropolitanas, a fim de priorizar projetos que incluam sistemas estruturadores (trens, metrôs e o hidroviário, onde possível), que façam uso de energia limpa, como eixos de integração intermodal. 
Evitar a concentração dos recursos no provimento de infra-estrutura voltada preferencialmente para o transporte individual, que provoca engarrafamentos, sobrecarrega o sistema viário e marginaliza a periferia excluída, agravando seus problemas habitacionais. 
Incentivar a produção e o uso de veículos movidos por energia com menor potencial poluidor, especialmente aqueles a serem utilizados nos sistemas de transporte coletivo. 
Incentivar o uso de combustíveis como álcool e gás, menos poluentes que gasolina e diesel. 
Implementar sistemas de gestão de trânsito para minimizar os congestionamentos e os respectivos efeitos de desperdício de energia e aumento da poluição. 
Envolver no planejamento da mobilidade sustentável, os transportes de carga, para racionalização do trânsito nas cidades e nas estradas próximas. 
Aplicar rigorosamente o princípio da prevenção contra a violência no trânsito, criar intensa mobilização em torno do Código de Trânsito, recentemente aprovado pelo Congresso Nacional, mas sujeito às mais diversas pressões e retrocessos. 
Monitorar as estatísticas oficiais e os índices de mortes e acidentes nas estradas e nas ruas, como forma de mobilizar os cidadãos contra a violência no trânsito, que tantas perdas e danos vêm infligindo à vida humana, à economia do país e ao Sistema Único de Saúde, obrigado a arcar com os custos crescentes na área de traumatologia. 
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Recursos naturais estratégicos: água, biodiversidade e florestas 
Objetivo 15 
Preservar a quantidade e melhorar a qualidade da água nas bacias hidrográficas 
O Brasil tem em seu território mais