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Capitulo VI

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orgânica do capital). Não é isso o que de fato ocorre na dinâmica capitalista; ao contrário, o que se passa é a migração de capitais para os setores mais avançados (com composição orgânica de capital mais alta ) da economia. Vejamos as nossas empresas X, Y e Z. Se as suas mercadorias fossem vendidas pelo equivalente ao seu valor, a taxa de lucro beneficiaria a empresa X, fazendo com que o capitalista da empresa Z migrasse para o setor têxtil. Haveria um aumento elevado de oferta têxteis o que levaria os capitalistas da empresa Z migrasse para o setor têxtil. Ocorreria uma oferta elevada de têxteis o que levaria os capitalistas pressionados pela concorrência a reduzir as suas taxas de lucros para poder vendê-los. Uma redução de 20%. Por outra parte a produção das maquinas permanecendo a mesma demanda tornar-se-ia menor, permitindo ao capitalista que nela permanece aumentar o preço de suas mercadorias em 20%. Evidentimente, esses ajustes demandam algum tempo, mas acabam por fim e por algum período, por estabelecer uma taxa de lucro similar (neste exemplo, da ordem de 20% ) em todos os ramos e setores.
 
 
Para esses dois autores, na mesma obra e pagina, tal movimento é
que, rigorosamente, configura a concorrência entre os capitalistas,
que se caracterisa como livre “ quando não existe nenhum obstáculo
para a mobilidade dos capitais (deslocamentos de um setor para
outro)e quando a força de trabalho pode ser facilmente impelida
de um para outro ramo de produção. Ela é imperfeita ou monopo-
lista quando as empresas são suficiententemente importantes para
impedirem a entrada de outros capitalistas em seus terrenos.
Esses obstáculos são de variados tipos: cartel, utilização do progre-
sso técnico etc.[...] Tais obstáculos são perpetualmente questio-
dos. Essa é a razão pela qual a concorrência mopolistas consis-
te em fabricar continuamente novos obstáculos. Com efeito,
é o meio privilegiado para esse ou aquele monopólio preser-
var por algum tempo sua taxa de lucro dos assaltos desse ou
daquele grupo”. (nota de roda pé pg.146) . 
 
A taxa de lucro difere da taxa de mais-valia na medida em que estabelece uma relação entre a mais-valia e a totalidade do capital desembolsado, expressa em percentagem. A taxa de lucro caracteriza a eficiência da utilização do capital, ou seja, a rentabilidade da empresa. A sua grandeza depende essencialmente da mais-valia e da composição orgânica do capital. Com o desenvolvimento do capitalismo cresce a participação do capital constante na composição orgânica do capital, o que provoca uma tendência para a diminuição da taxa de lucro. Para contrariar esta tendência, o capitalismo utiliza várias medidas: aumento da exploração dos trabalhadores, com a diminuição dos salários reais; agravamento da exploração dos países dependentes ou colonizados; alteração da composição dos meios de produção, com a introdução de melhores técnicas, novas máquinas e instalações; aumento da velocidade de rotação do capital; ampliação do volume da produção, etc. A dinâmica do capitalista entendida como o movimento total do capital, e não apenas suas expressões particulares engendra uma tendência ao nivelamento das taxas de lucros. Daí que se tenha uma taxa media de lucro, que não resulta apenas da exploração a que cada capitalista particular submete os trabalhadores que subordina e que propociona por algum tempo um lucro similar a capitais de mesmo volume investidos em diferentes ramos da produção. É por isso que a migração de capitais mesmo ocorrendo, não compromete a reprodução comprometeria se essa taxa media não comprometeria se essa taxa media não fosse assegurada pelo próprio movimento total do capital. Mas note o leitor que, aqui como em todas as outras situações, estamos mencionado a dinâmica capitalista; isso significa, mais uma vez, que, sendo o movimento a própria condição para a valorização do capital, os equilíbrios alcançados são sempre relativos e momentâneos — a taxa media de lucro também varia e esta sempre em modificação.
Enfim, cabe salientar a diferença entre taxa de lucro e massa de lucro. Esta sinaliza não uma relação determinada, mas o volume total dos lucros obtidos pelos capitalistas na realização das suas mercadorias. As variações na massa de lucro não correspondem, pois, necessariamente as variações na taxa de lucro: esta pode decrescer, enquanto aquela pode manter-se inalterada ou mesmo crescer.
 6.2. PREÇO DE PRODUÇÃO E MERCADO 
É fato que, quando um produto vai ao mercado ele tem um preço, que se conhece como um preço de produção. Um preço é comumente conceituado como sendo a forma monetária de uma mercadoria. Ele acontece no processo de circulação, pois, é quando o valor de troca se concretiza, é que, tem-se o preço do produto, isto é, dentro do mercado. Na mesma linha de pensamento, conceitua-se valor, como sendo a quantidade de trabalho incorporada na mercadoria, pois, só existe valor quando existe a incorporação do trabalho no produto. Como se sabe, o valor pode ser decomposto em valor de troca e de uso. No primeiro caso, tem-se sua ocorrência quando se concretiza o intercâmbio entre duas mercadorias e no segundo caso, acontece quando uma mercadoria tem qualidades que servem ao ser humano.
No mercado acontece o processo de troca e lá surge o preço que mascara o excedente de trabalho que o homem deixa impregnado na mercadoria e daí, os empresários tiram o máximo proveito desse processo. O empresário deve manter trabalho excedente se quiser se manter no mercado, porque somente este excedente pode aumentar seus ganhos por meio dos preços do mercado. Estes ganhos são parcialmente determinados pelos seus esforços. Também são determinados pelos esforços dos outros capitalistas. Para se aumentar a rentabilidade particular, está-se incrementando também a rentabilidade do capital social global, tendo em vista a forma de conseguir ter acrescida a apropriação de trabalho excedente como ganhos no mercado. Dado que o trabalho excedente em forma de mercadoria está fora da relação capital-trabalho, deve ser trocado no seio dos próprios capitalistas, esforçando-se em expandir seu capital.
A expansão de qualquer capital depende da acumulação do capital social. Isto limita a expansão do capital individual. O comerciante que tenha seu negócio em expansão está consciente desses limites, quando as utilidades decrescentes deixam de resultá-las rentáveis e ele continuar na atividade. Inegavelmente, o capital, como resultante do trabalho abstrato, diferencia-se só quantitativamente. O capital será injetado, sempre que haja perspectivas de ganhos suficientes. Ao se perder uma perspectiva, aparecem outras. Os investimentos são distribuídos nas diversas esferas e linhas de produção, dependendo do princípio da rentabilidade, isto implica distribuição do trabalho social de acordo com as necessidades de trabalho excedente para acumulação de capital. Pois, este fluxo competitivo de capital é o que faz nascer a tendência em igualar as taxas de ganhos do capital.
 A suposição de que as mercadorias das diversas esferas da produção 
 Se vendem por seus valores só significa [...] que seu valor é o preço da 
 Gravitação em torno do qual giram seus preços e em relação ao qual suas 
 Continuas alta e baixas se compensam ( Marx, 1984,III,1:138). 
A partir do momento em