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Visão de mundo (Resumo dos slides)

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VISÃO DE MUNDO, PARADIGMAS E COMPTº HUMANO
Paradigma – formas básicas e dominantes do modo de se compreender o mundo e o modo de uma sociedade ou mesmo de uma civilização - do modo de se perceber, pensar, acreditar, avaliar, comentar e agir de acordo com uma visão particular de mundo, numa descrição mais aceita, culturalmente repassada pela educação, do que seja a nossa realidade, numa bem sucedida maneira de ver, se ver, nos vermos o/ou o mundo e que é culturalmente transmitida às novas gerações.
"Cada transformação do homem... apóia-se numa nova base ideológica e metafísica (= visão de mundo), sobre as comoções e intuições mais profundas, cuja expressão racionalizada assume a forma de uma teoria ou visão de cosmos, homem e natureza" (Lewis Munford. cit. in Harman, 1989). 
A ciência, em todas as suas fases de desenvolvimento, nos mostra que a teoria e a prática científicas são baseadas em uma visão de mundo implícita, em especial na dos econômicos setores que financiam a pesquisa científica. Ou seja, tanto o homem/mulher comum quanto o cientista - que também é um homem/mulher comum com um treinamento mais aprofundado em certas técnicas de pesquisa, procuram explicar os fenômenos que lhes interessam dentro de um conjunto de pressupostos mais ou menos conscientes, que são as linhas lógicas que estabelecem o vínculo do raciocínio.
O modelo reducionista estabelece que é "verdadeiro" somente o que pode ser enquadrado no critério da medição, da mensuração e das relações numéricas, garantido a tal da objetividade científica, ou seja, de fatos constatáveis por todos (ou quase todos, já que o formalismo matemático há muito que se transformou numa linguagem esotérica, acessível a uma minoria de iniciados ), sendo as impressões psicológicas e emocionais elementos subjetivos que devem ficar longe do domínio do cientificismo - crença irracional e fanática na "verdade" e no "poder" da ciência - a nova "religião" dominante, mesmo não sendo necessariamente a melhor...
Cientistas comportamentais (behavioristas) se mostraram altamente contagiados pela obsessão de fazer de sua ciência uma "física humana" ao proclamarem que uma psicologia só seria confiável se fosse erguida sobre os critérios de estímulos e respostas, como as forças de ação e reação da dinâmica newtoniana, e que era pura fantasia tentar erguer uma ciência calcada em relatos individuais de experiências subjetivas internas. (Harman, 1989; Capra, 1986; Grof, 1988). 
Os conceitos atuais da relação mente-cérebro envolvem uma absoluta ruptura com as doutrinas materialistas e comportamentais, há muito instituídas, e que dominaram a neurociência por muitas décadas. Em vez de renunciar à consciência ou de ignorá-la, a nova interpretação confere pleno reconhecimento à primazia da percepção consciente interior como realidade causal.
"O sistema total de crenças de uma pessoa consiste num conjunto de crenças e expectativas - expressas ou não, implícitas e explícitas, conscientes e inconscientes - que ela aceita como verdadeiras com relação ao mundo em que vive.
      "Esse sistema de crenças não precisa ter consistência lógica; na verdade, provavelmente nunca a tenha. Pode ser dividido em compartimentos contendo crenças logicamente contraditórias que, de maneira típica, não assomam à percepção consciente nas mesmas ocasiões. Inconscientemente, a pessoa rechaça os sinais que possam revelar tal contradição interior. Observem que essa decisão de não se tornar conscientemente cônscio de algo é inconsciente. Nós optamos, como também acreditamos inconscientemente (...)
      A forma como percebemos a realidade é fortemente influenciada por crenças, adquiridas do meio, de forma inconsciente. Os fenômenos de recusa e de resistência na psicoterapia ilustram a intensidade com que tendemos a não ver coisas que ameaçam imagens profundamente enraizadas, conflitantes com crenças bastante conservadoras. Pesquisas sobre hipnose, auto-expectativa e expectativa por parte do pesquisador, autoritarismo e preconceito, percepção subliminar e atenção seletiva, demonstram reiteradamente que nossas percepções e 'verificações' da realidade são influenciadas. muito mais do que geralmente se acredita, por crenças, atitudes e outros processos mentais, sem o que grande parte desses processos é inconsciente. Percebemos que o que esperamos, o que nos foi sugerido que devêssemos perceber, o que 'precisamos' perceber - a tal ponto que poderíamos ficar chocadas se o percebêssemos conscientemente.
      "Essa influência de crenças sobre a percepção se intensifica quando um grande número de pessoas acredita na mesma coisa. Os antropólogos culturais documentaram em detalhe de que modo pessoas que crescem em culturas diferentes percebem com clareza realidades diferentes".
Willis Harman, 1994
O nosso modo de "perceber", "sentir" e "experimentar" a realidade é altamente condicionado por nossas crenças arraigadas, principalmente as crenças paradigmáticas coletivas. Estas crenças, por sua vez, são afetadas positivamente pela maneira de atuar sobre a realidade, a partir de seus referenciais - que, claro, reforça as crenças e o paradigma. Se ocorre alguma "anomalia", sentimo-nos tão pouco à vontade, que relegamos o fato ao mundo do erro de experimentação, ilusão ou simplesmente são esquecidos. “Cada um de nós, a partir da infância, está sujeito a uma complexa série de sugestões advindas do meio social que, com efeito, nos ensinam a perceber o mundo" (Harman, 1994).
Onde está os indícios de que nosso paradigma está se modificando? No reconhecimento das falhas de nossa visão de mundo e no ressurgir de uma concepção mais ogânica, holística, ecológica, transpessoal e humana do homem na natureza. Na aceitação de que nossa visão de mundo não é a melhor. Que as outras, em sua diferença, têm muito a nos dizer e ensinar, inclusive sobre nós mesmo... de que o universo é muito mais sutil e complexo do que o que nos faz crer nossa "vã filosofia" científica, ou melhor, cientificista...
A ciência, através de seu desenvolvimento e descobertas, apresenta uma visão de mundo que é apenas um modelo, ou um mapa temporário, uma construção intelectual, parcial, da realidade, e que deve passar por inúmeros retoques, ou até mesmo ser completamente reformulado, através do tempo, à medida que novos insights e novas descobertas - muitas delas incompatíveis com a visão de mundo dominante - ganham terreno. Portanto, para muitos físicos, filósofos, psicólogos e antropólogos, bem como para ecologistas e outros estudiosos sistêmicos, não é surpreendente a descoberta de que um dado modelo é como uma janela que nos permite ver parte da realidade sem, contudo, apresentar uma adequada visão para toda a complexa realidade, que extrapola - e muito - a área de observação da janela-teoria aceita.
David Bohm formulou uma teoria holística onde não podemos jamais entender a realidade em termos de campos ou partículas apenas; é necessário perceber o todo não fragmentado, as características do conjunto, não a análise sempre mais fragmentada das partes.
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