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De maneira geral pode-se dizer que uma estação total nada mais 
é do que um teodolito eletrônico (medida angular), um distanciômetro 
eletrônico (medida linear) e um processador matemático, associados em 
um só conjunto (figura 6.13). A partir de informações medidas em 
campo, como ângulos e distâncias, uma estação total permite obter 
outras informações como: 
- Distância reduzida ao horizonte (distância horizontal); 
- Desnível entre os pontos (ponto “a” equipamento, ponto 
“b”refletor); 
- Coordenadas dos pontos ocupados pelo refletor, a partir de 
uma orientação prévia. 
Além destas facilidades estes equipamentos permitem realizar 
correções no momento da obtenção das medições ou até realizar uma 
programação prévia para aplicação automática de determinados 
parâmetros como: 
 - Condições ambientais (temperatura e pressão atmosférica); 
 - Constante do prisma. 
Além disto, é possível configurar o instrumento em função das 
necessidades do levantamento, alterando valores como: 
 - Altura do instrumento; 
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 - Altura do refletor; 
 - Unidade de medida angular; 
 - Unidade de medida de distância (metros, pés); 
 - Origem da medida do ângulo vertical (zenital, horizontal ou 
nadiral); 
 
 
Figura 6.13 - Estação total. 
 
 
6.6 - Métodos de Medida Angular 
Em Topografia, normalmente deseja-se determinar o ângulo 
horizontal compreendido entre duas direções, conforme exemplo abaixo. 
 
 
 
 
 
Figura 6.14 - Ângulo αααα. 
 
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6.6.1 - Aparelho não Orientado 
Neste caso, faz-se a leitura da direção AB(L1) e AC(L2), sendo 
que o ângulo α será obtido pela diferença entre L1 e L2. O teodolito não 
precisa estar orientado segundo uma direção específica (figura 6.15). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.15 - Aparelho não orientado. 
 
 1L2L −=α (6.2) 
 
Se α for negativo soma-se 360º. 
 
 
6.6.2 - Aparelho Orientado pelo Norte Verdadeiro ou Geográfico 
As leituras L1 e L2 passam a ser azimutes verdadeiros de A 
para B e de A para C. 
 
 
6.6.3 - Aparelho Orientado pela Bússola 
Caso semelhante ao anterior e denominam-se as leituras de 
azimutes magnéticos. 
 
αA
B
C
L1
L2
0º
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6.6.4 - Aparelho Orientado na Ré 
Neste caso, zera-se o instrumento na estação ré e faz-se a 
pontaria na estação de vante. No caso de uma poligonal fechada, se o 
caminhamento do levantamento for realizado no sentido horário, será 
determinado o ângulo externo compreendido entre os pontos BÂC 
(figura 6.16). 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.16 - Aparelho orientado na estação ré. 
 
6.6.5 - Aparelho Orientado na Vante 
Semelhante ao caso anterior, somente que agora o equipamento 
será zerado na estação de vante (figura 6.17). 
 
 
 
 
 
Figura 6.17 - Aparelho orientado na estação vante. 
 
 
6.6.6 - Deflexão 
Neste caso, força-se a coincidência da leitura 180º com o ponto 
de ré, o que equivale a ter a origem da graduação no prolongamento 
dessa direção. A deflexão será positiva (leitura à direita) ou negativa 
(leitura à esquerda) e vai variar sempre de 0º a 180º (figura 6.18) 
 
A 
B 
C 
Ré 
Vante 
B 
A 
C 
0º 
Ré 
Vante 
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Figura 6.18 - Deflexão. 
 
 
6.7 - Técnicas de Medição de Direções Horizontais 
6.7.1 - Simples 
Instala-se o teodolito em A, visa-se a estação B em Pontaria 
Direta, e anota-se Lb. A seguir, visa-se a estação C e lê-se Lc. 
 
LbLc −=α (6.3) 
 
Em qualquer medida de ângulo horizontal é fundamental que os 
retículos verticais estejam perfeitamente sobre o alvo. 
 
6.7.2 - Pares Conjugados (PD e PI) 
As leituras são feitas na posição direta da luneta e na posição 
inversa, conforme ilustra a figura 6.19. 
 
 LPD - Leitura em PD 
 LPI - Leitura em PI 
 
 
 
B 
A 
C 
180º 
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L + L + 180PD PI
L + L PD PI
2
2
L = 
L = + 90
 
 
Figura 6.19 - Leitura de pares conjugados. 
 
 
Assim: 
 
°±
+
= 90
2
PIPD LLL Onde: + se PD > PI (6.4)
 - se PD < PI 
 
 
Exemplo: 
0º 
0º 
P 
(PI) 
(PD) 
L PD 
L PI 
0º 
0º 
P 
(PI) 
(PD) 
L PD 
L PI 
L + L - 180PD PI
L + L PD PI
2
2
L = 
L = - 90
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Foram medidas duas direções A e B para a determinação do 
ângulo α. Estas medidas foram feitas em PD e PI. 
 
α 
C 
A B 
Pontaria A
(ré)
Pontaria B
(vante)
PD 0º 00' 00" 1º 46' 00"
PI 180º 00' 00" 181º 48 00"
L 0º 00' 00" 1º 47' 00"
 
 
6.7.3 - Medidas com Reiterações 
Existem alguns teodolitos chamados reiteradores, que possuem 
um parafuso reiterador que permite reiterar o limbo, ou seja, deslocar o 
limbo independentemente da alidade. Fixado o número de reiterações n, 
efetuam-se n pares de leituras conjugadas, tendo o cuidado de deslocar a 
origem da graduação de forma a cobrir todo o círculo horizontal. 
Exemplificando o método de reiteração: com o limbo em uma 
posição inicial realizam-se as leituras das direções como ilustrado na 
figura 6.20. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.20 - Leituras utilizando o método de reiteração - posição I. 
L
A
 = 30º00’ 
L
B
 = 50º00’ 
α = 20º00’ 
0º 
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Utilizando 45° como intervalo de reiteração, gira-se o limbo do 
equipamento de 45° e as novas leituras são apresentadas na figura 6.21. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.21 - Leituras utilizando o método de reiteração - posição II. 
 
Reiterando mais 45º (figura 6.22), 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6.22 - Leituras utilizando o método de reiteração - posição 
III. 
 
Com isto é possível utilizar toda a extensão do limbo, 
minimizando-se os efeitos de erros de gravação na graduação do 
equipamento. Na tabela 6.2 é apresentado um exemplo de leituras 
empregando-se o processo de reiteração. 
L
A
 = 75º00’ 
L
B
 = 95º00’ 
α = 20º00’ 
 
45º 
0º 
L
A
 = 120º00’ 
L
B
 = 140º00’ 
α = 20º00’ 
Oº 
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Tabela 6.2 - Exemplo de leituras utilizando reiteração. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
4
4321
0
ααααα +++= 
''2,29'089°=oα 
 
Obs.: αn não pode diferir dos ângulos obtidos em cada uma das 
séries mais que 3x a precisão nominal do equipamento utilizado para 
realizar a medição. 
 
6.7.4 - Medidas com Repetição 
 Utilizado em equipamentos com movimento geral e particular, ou 
seja, no qual é possível “fixar” uma direção. 
 Neste método faz-se a leitura de direção inicial (no caso da figura 
6.23, direção OA, leitura L0) e depois a leitura na outra direção (L1). 
Fixa-se a leitura L1 e realiza-se a pontaria novamente na direção OA. 
Libera-se o movimento do equipamento e faz-se a pontaria em B 
novamente (leitura L2), fixa-se esta leitura e repete-se o procedimento. 
 
A (ré) B (vante) 
PD 0º31'45,5" 9º40'15,5" 
PI 180º31'44,1" 189º40'15,7" 
m1 0º31'44,8" 9º40'15,5" α 1 = 9º08'30,8" 
PD 45º33'11,9" 54º41'42,8" 
PI 225º33'15,9" 234º41'42,4" 
m2 45º33'13,9" 54º41'42,6" α 2 = 9º08'28,7" 
PD 90º25'44,2" 99º34'13,3" 
PI 270º25'44,5" 279º34'14,6" 
m3 90º25'44,3" 99º34'13,9" α 3 = 9º08'29,6" 
PD 135º26'51,3" 144º35'18,9" 
PI 315º26'47,8" 324º35'15,9" 
m4 135º26'49,5" 144º35'17,4" α4 = 9º08'27,9" 
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