DIREITO TRIBUTÁRIO I
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DIREITO TRIBUTÁRIO I


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DIREITO TRIBUTÁRIO I 
 
Amanda Abreu Ricardo 
 
1- Qual é a regra matriz de incidência e a base legal do Imposto sobre circulação de mercadorias, 
do Imposto de renda e do Imposto sobre serviços? 
 
ICMS: 
A regra matriz de incidência do imposto sobre circulação de mercadorias e sobre prestações de 
serviços de transporte intermunicipal/interestadual e de comunicação tem como base de incidência 
a circulação de bens e serviços, levando em consideração a transferência de titularidade de coisa 
móvel destinada ao comércio, com habitualidade, bem como a prestação do serviço de qualquer 
tipo de transporte e qualquer tipo de comunicação. A ordem impositiva para efeito deste imposto, 
fez atribuição para a incidência ser genérica sobre as operações relativas à circulação de 
mercadorias, dando qualificação especial aos atos realizados pelos comerciantes, industriais, 
produtores e prestadores, de modo que preserva a natureza mercantil deste tributo, agregando-se 
aos negócios mercantis sucessivos, aduzindo-se na atualidade o perfil de mero importador de 
mercadorias ou de bens de consumo ou para o ativo. Com base na ordem constitucional, 
primordialmente, que exaure os ditames do aludido imposto, e nos demais parâmetros 
estabelecidos por leis ordinárias estaduais, que se constituem como regulamentos, e expedientes 
administrativos, pode-se então construir, in generum, a regra matriz de incidência do imposto sobre 
circulação de bens e serviços, tendo como titulares do mesmo os Estados federados e o Distrito 
Federal. A norma jurídica tributária do imposto supra assim se desenha: 
 
Norma Jurídica Tributária - ICMS 
 
Previsão Legal: Art. 155, II, § 2º e 3º da CF/88; Decreto-Lei nº 406/68 e Lei Complementar nº 
87/96, sem olvidar do período de transição entre a Constituição de 1988 e a inserção da atual LC 
87/96 no ordenamento, em que vigorou o Convênio dos Estados para o ICMS - 66/88, e 
modificações sucessivas. 
 
IMPOSTO DE RENDA: 
A regra-matriz de incidência tributária, pois que esta tem a finalidade de identificar a natureza 
jurídica, o sentido e o alcance do imposto ora em análise. Quando a lei tributária descreve 
hipoteticamente um fato que, quando ocorrido no mundo fático, terá o efeito de nascer uma 
obrigação tributária, razão pela qual, podemos dizer que estamos diante daquilo que o legislador 
denominou como fato gerador. 
Sobre esse tema, são oportunos os ensinamentos de Geraldo Ataliba, citado por Paulo de Barros 
Carvalhos \u201cque identificou que o termo \u201cfato gerador\u201d é utilizado para designar duas realidades 
distintas. \u201cHipótese de incidência\u201d para denominar a descrição abstrata, contida na lei, e \u201cfato 
imponível\u201d para representar a ocorrência no mundo dos fenômenos físicos, que satisfaz os 
antessupostos requeridos pela norma jurídica.\u201d 
Neste enfoque, regra-matriz de incidência tributária é uma norma jurídica geral e abstrata que 
descreve dada hipótese e seu consequente, dispondo sobre condutas. Tendo por compreendido, 
pois, o juízo hipotético condicional que prevê um fato social (relativo à incidência) e liga a ele uma 
consequência (nascimento da relação jurídica tributária), como norma jurídica. 
Para que o tributo nasça, o fato deve ajustar-se rigorosamente a uma hipótese de incidência 
tributária (fenômeno da subsunção, que equivale à tipicidade penal). A lei descreve a hipótese de 
incidência, e ocorrendo o fato gerador imponível, é devido o tributo. O que distingue um tributo do 
outro é a hipótese de incidência. 
Assim sendo, a norma jurídica tributária deve estar completa; deve conter seus elementos 
essenciais: hipótese de incidência, sujeito ativo, sujeito passivo, base de cálculo e alíquota, sob 
pena de não haver tributo a lançar. Enquanto a lacuna não for suprida, não existe tributo em 
abstrato, não podendo existir em concreto. 
Nesse passo, pode-se dizer que a regra-matriz de incidência se divide em: a) hipótese tributária, 
que se subdivide em critério material, critério temporal, critério espacial; e b) relação jurídica 
tributária, que se subdivide em critério pessoal e critério quantitativo. 
A1: Critério Material 
O critério material da regra-matriz da incidência tributária do Imposto de Renda Pessoa Física, 
sempre fará referência a um fato, a um comportamento humano. Esse comportamento humano 
estará ligado a um condicionante de espaço (critério espacial) e de tempo (critério temporal). 
Em outras palavras, o critério material do fato gerador é o verbo mais complemento, isto é, o 
núcleo da situação definida em lei como apta a dar nascimento a uma obrigação tributária. 
No caso do Imposto de Renda Pessoa Física, o comportamento humano que incide a 
tributação pelo referido tributo é auferir renda e provento de qualquer natureza. Em atenção ao 
princípio da universalidade, o Imposto de Renda incide sobre todas as rendas auferidas pelo 
contribuinte no exercício financeiro. 
Extrai-se da análise do artigo 153, inciso III, da Lei Maior, combinado com o artigo 43, incisos I 
e II, do Código Tributário Nacional, que o critério material da regra-matriz de incidência do 
Imposto de Renda de Pessoas Físicas é auferir renda e/ou proventos de qualquer natureza. 
Todavia, embora incidente sobre todas as rendas auferidas pelo sujeito passivo da relação 
tributária, deve respeitar a sua capacidade contributiva (mínimo vital). 
 
A2: Critério Espacial 
Conforme já mencionado, o critério espacial atua como uma das condicionantes do critério 
material, ou seja, por meio do critério espacial, investiga-se o local escolhido pela lei para a 
materialização do comportamento, ação ou conduta relevante para o tributo em questão. Ou 
seja, identifica o local em que o fato gerador ocorreu, ou seja, onde se dá o fato descrito no 
antecedente da regra-matriz. É importante ressaltar que, o exame do critério espacial do 
Imposto de Renda não se confunde, com o âmbito territorial de aplicação das leis, haja vista 
que pelo critério espacial o imposta alcança não só os acontecimentos verificados no território 
nacional, mas até fatos que se compõem para além de nossas fronteiras. 
Inexistem restrições na Carta da República não prevê nenhuma restrição nesse sentido, 
portanto, o ente político tributante infraconstitucional possui liberdade não só para majorar a 
tributação dos rendimentos auferidos no território nacional, mas também para sujeitar à 
tributação do Imposto de Renda sobre rendimentos auferidos no exterior, respeitando a 
soberania de cada país haja vista que não poderão ser gravados rendimentos de contribuintes 
que estão amparados de uma dada soberania tributária. 
Destarte, é forçoso conclui-se que o critério espacial do Imposto de Renda de Pessoas Físicas 
consiste-se no território nacional, mesmo que a receita ou rendimento seja oriundo do exterior 
(art. 43, § 2º, CTN). 
 
 
A3: Critério Temporal 
A análise desse critério consiste na possibilidade de conhecimento do momento em que se 
considera concretizado o fato e/ou estado de fato, hipoteticamente descrito na lei, ou seja, 
momento em que se considera ocorrido a materialidade do fato gerador. 
Paulo de Barros Carvalho[12] nos ensina que: 
\u201cCompreendemos o critério temporal da hipótese tributária como um grupo de indicações, 
contidas no suposto da regra, e que nos oferece elementos para saber, como exatidão, em que 
preciso instante acontece o fato gerador descrito, passando a existir o liame jurídico que 
amarra devedor e credor, em função de um objeto \u2013 o pagamento de certa prestação 
pecuniária\u201d. 
Portanto, o critério temporal da regra-matriz tributário indica o marco inicial em que se dá por 
ocorrido o fato gerador, a fim de revelar aos sujeitos da trilarão tributária seus direitos e 
deveres. 
 
 
 
De toda hipótese tributária decorre uma relação jurídica tributária, que é composta por dois 
critérios: pessoal e quantitativo. 
 
B2: Critério Pessoal