Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

Metodologia Científi ca
Auro de Jesus Rodrigues
Autor
Hortência de Abreu Gonçalves
Maria Balbina de Carvalho Menezes
Maria de Fátima Nascimento
Co-Autoras
3a Edição
Jouberto Uchôa de Mendonça
Reitor
Amélia Maria Cerqueira Uchôa
Vice-Reitora
Jouberto Uchôa de Mendonça Junior
Pró-Reitoria Administrativa - PROAD
Ihanmarck Damasceno dos Santos
Pró-Reitoria Acadêmica - PROAC
Domingos Sávio Alcântara Machado
Pró-Reitoria Adjunta de Graduação - PAGR
Temisson José dos Santos
Pró-Reitoria Adjunta de Pós-Graduação
e Pesquisa - PAPGP
Gilton Kennedy Sousa Fraga
Pró-Reitoria Adjunta de Assuntos 
Comunitários e Extensão - PAACE
Jane Luci Ornelas Freire
Gerente do Núcleo de Educação a Distância - Nead
Andrea Karla Ferreira Nunes
Coordenadora Pedagógica de Projetos - Nead
Lucas Cerqueira do Vale
Coordenador de Tecnologias Educacionais - Nead
Equipe de Elaboração e 
Produção de Conteúdos Midiáticos: 
Alexandre Meneses Chagas - Supervisor 
Ancéjo Santana Resende - Corretor
Andira Maltas dos Santos – Diagramadora
Bruno Costa Pinheiro - Webdesigner
Claudivan da Silva Santana - Diagramador
Edilberto Marcelino da Gama Neto – Diagramador
Edivan Santos Guimarães - Diagramador
Fábio de Rezende Cardoso - Webdesigner
Geová da Silva Borges Junior - Ilustrador
Márcia Maria da Silva Santos - Corretora
Matheus Oliveira dos Santos - Ilustrador
Monique Lara Farias Alves - Webdesigner
Pedro Antonio Dantas P. Nou - Webdesigner
Rebecca Wanderley N. Agra Silva - Designer
Rodrigo Otávio Sales Pereira Guedes - Webdesigner
Rodrigo Sangiovanni Lima - Assessor
Walmir Oliveira Santos Júnior - Ilustrador
Redação:
Núcleo de Educação a Distância - Nead
Av. Murilo Dantas, 300 - Farolândia
Prédio da Reitoria - Sala 40
CEP: 49.032-490 - Aracaju / SE
Tel.: (79) 3218-2186
E-mail: infonead@unit.br
Site: www.ead.unit.br
Impressão:
Gráfi ca Gutemberg
Telefone: (79) 3218-2154
E-mail: grafi ca@unit.br
Site: www.unit.br
Copyright © Sociedade de Educação Tiradentes
R696m Rodrigues, Auro de Jesus 
Metodologia científica / Auro de 
Jesus Rodrigues; co-autoras Hor-
tência de Abreu Gonçalves, Maria 
Balbina de Carvalho Menezes, Maria 
de Fátima Nascimento. 3. ed. rev. e 
ampl. – Aracaju : UNIT, 2010.
184 p.: il. : 22 cm. (Série bibliográ-
fica Unit ; v. 1)
Inclui bibliografia
ISBN 978-85-7833-009-5
1. Metodologia científica 2. Edu-
cação a distância. I. Gonçalves, 
Hortência de Abreu. II. Menezes, 
Maria Balbina de Carvalho. III. Nas-
cimento, Maria de Fátima. IV. Uni-
versidade Tiradentes - Educação a 
Distância. V. Título 
 
CDU : 001.891
Copyright © Sociedade de Educação Tiradentes
Mensagem do Reitor
Prezado(a) estudante,
 
A modernidade anda cada vez mais atrelada ao tem-
po, e a educação não pode ficar para trás. Prova disso 
são as nossas disciplinas on-line, que possibilitam a você 
estudar com o maior conforto e comodidade possível, sem 
perder a qualidade do conteúdo.
 
Por meio do nosso programa de disciplinas on-line 
você pode ter acesso ao conhecimento de forma rápida, 
prática e eficiente, como deve ser a sua forma de comunica-
ção e interação com o mundo na modernidade. Fóruns on-
line, chats, podcasts, livespace, vídeos, MSN, tudo é válido 
para o seu aprendizado.
 
Mesmo com tantas opções, a Universidade Tiradentes 
optou por criar a coleção de livros Série Bibliográfica Unit como 
mais uma opção de acesso ao conhecimento. Escrita por nossos 
professores, a obra contém todo o conteúdo da disciplina que 
você está cursando na modalidade EAD e representa, sobretu-
do, a nossa preocupação em garantir o seu acesso ao conheci-
mento, onde quer que você esteja.
 
Desejo a você bom 
aprendizado e muito sucesso!
Professor Jouberto Uchôa de Mendonça
Reitor da Universidade Tiradentes
Apresentação
Prezado(a) estudante,
Vivemos em um mundo em que as novas tecnologias produ-
zem e veiculam conhecimentos numa velocidade incrível. Aprendê-los 
e aproveitá-los requer, sobretudo, do estudante habilidades, compe-
tências e muita dedicação. A Educação tem se beneficiado muito com 
o desenvolvimento das novas tecnologias da informação e da comu-
nicação, que proporcionam espaços com diferentes caminhos para a 
aprendizagem, trazendo agilidade e flexibilidade ao estudo.
A disciplina de Metodologia Científica, na modalidade Ead 
e on-line requer estratégias diferentes de uma disciplina presencial. 
Nela, você deverá construir sua aprendizagem de forma autônoma, 
administrando o tempo, o ritmo e o horário de seu estudo, através de 
diversas mídias e recursos (livro impresso, podcast, video-aula, fórum, 
chat etc.).
Ela deverá possibilitar a você “aprender a fazer” e “fazer 
aprendendo”. Levá-lo a comunicar-se de forma correta, inteligível, de-
monstrando um pensamento estruturado, plausível e convincente. A 
criar hábitos que o acompanharão por toda a sua vida, como o gosto 
pela leitura; a investigação científica; um espírito crítico, reflexivo, 
indagador; o diálogo com o mundo; a autodisciplina; uma postura 
de humildade diante do saber; a ousadia/coragem de expor o próprio 
pensar. 
Nessa disciplina você terá uma nova oportunidade de apren-
dizagem, não apenas pela aquisição e troca de conhecimentos, aluno-
aluno e aluno professor, mas também pela agilidade que o uso das 
novas tecnologias na educação irá proporcionar na elaboração de seus 
trabalhos acadêmicos.
Nesse sentido, seja bem vindo(a) a disciplina de Metodologia 
Científica. Aqui, foi elaborado para você um material interativo relacio-
nados aos trabalhos acadêmicos, organização dos estudos, pesquisa, 
conhecimento, ciência, método científico e elaboração do projeto de 
pesquisa, possibilitando o “aprender a aprender”.
Bom trabalho!
O autor
Sumário
Parte1: Procedimentos Didáticos, Acadêmicos
e Científi cos ..................................... 13
Tema 1: Metodologia Científi ca 
e técnicas de estudo ....................................... 13
1.1 Finalidade e importância ..................................... 13
1.2 Organização dos estudos .................................... 15
1.3 Técnicas de sublinhar e esquema ....................... 25
1.4 Resumo, resenha e fi chamento ......................... 28
Tema 2: Trabalhos acadêmico-científi cos .................... 53
2.1 Pesquisa científi ca/Ética e Pesquisa .................. 47
2.2 Pesquisa bibliográfi ca e normas de referências, 
citações e notas de rodapé ............................... 61
2.3 Artigo e Relatório técnico-científi co .................. 70
2.4 Monografi a e Seminário .................................... 97
Parte 2: Ciência, Método Científi co
e Projeto de Pesquisa............................109
Tema 3: Conhecimento,Ciência e Método .................... 111
3.1 O Conhecimento ................................................. 111
3.2 A Ciência ........................................................... 118
3.3 Métodos de abordagens ................................... 129
3.4 Métodos de procedimentos ................................... 136
Tema 4: Elaboração do Projeto de Pesquisa ............... 139
4.1 Tema e problema de pesquisa ........................... 139
4.2 Questões, hipóteses 
e objetivos de pesquisa ................................... 148
4.3 Técnicas de coleta de dados ............................. 151
4.4 Estrutura do projeto de pesquisa ..................... 159
Referências .................................................... 178
Ementa
Finalidade da metodologia científica. Importância da 
metodologia no âmbito das ciências. Metodologia de estu-
dos. O conhecimento e suas formas. Os métodos científicos. 
A pesquisa enquanto instrumento de ação reflexiva, crítica 
e ética. Tipos, níveis, etapas e planejamento da pesquisa 
científica.Procedimentos materiais e técnicos da pesquisa 
científica. Diretrizes básicas para elaboração de trabalhos 
didáticos, acadêmicos e científicos. Normas técnicas da 
ABNT para referências, citações e notas de rodapé. Projeto 
de Pesquisa.
Objetivos
 proporcionar ao aluno do curso superior condi-
ções suficientes para elaboração e apresentação 
de trabalhos acadêmicos e científicos, na relação 
teoria-prática e no desenvolvimento do raciocínio 
analítico, sistemático, crítico e reflexivo;
 compreender a importância da ciência, suas caracte-
ríticas e relevância social;
 entender o método científico, tipos, característi-
cas e finalidades no âmbito da ciência;
 proporcionar conhecimentos teóricos e técnicos 
que possibilitem a elaboração de um projeto de 
pesquisa.
Concepção da Disciplina
Orientação para Estudo
A disciplina propõe orientá-lo em seus procedimen-
tos de estudo e na produção de trabalhos científicos, pos-
sibilitando que você desenvolva em seus trabalhos pesqui-
sas, o rigor metodológico e o espírito crítico necessários ao 
estudo.
Tendo em vista que a experiência de estudar a dis-
tância é algo novo, é importante que você observe algumas 
orientações:
 Cuide do seu tempo de estudo! Defina um ho-
rário regular para acessar todo o conteúdo da 
sua disciplina disponível neste material impresso 
e no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). 
Organize-se de tal forma para que você possa 
dedicar tempo suficiente para leitura e reflexão;
 Esforce-se para alcançar os objetivos propostos 
na disciplina;
 Utilize-se dos recursos técnicos e humanos que 
estão ao seu dispor para buscar esclarecimen-
tos e para aprofundar as suas reflexões. Esta-
mos nos referindo ao contato permanente com o 
professor e com os colegas a partir dos fóruns, 
chats e encontros presenciais. Além dos recursos 
disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendiza-
gem – AVA.
Para que sua trajetória no curso ocorra de forma tran-
quila, você deve realizar as atividades propostas e estar 
sempre em contato com o professor, além de acessar o AVA.
Para se estudar num curso a distância deve-se ter a 
clareza que a área da Educação a Distância pauta-se na au-
tonomia, responsabilidade, cooperação e colaboração por 
parte dos envolvidos, o que requer uma nova postura do 
aluno e uma nova forma de concepção de educação.
Por isso, você contará com o apoio das equipes 
pedagógica e técnica envolvidas na operacionalização do 
curso, além dos recursos tecnológicos que contribuirão na 
mediação entre você e o professor.
PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS, 
ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS
Parte 1
1 Metodologia Científi ca e técnicas de estudo
1.1 Finalidade e importância
Ao ingressar na universidade o aluno começa a perceber que muita 
coisa vai mudar em sua vida, pois o ato de estudar terá que ser inserido no 
seu cotidiano. 
Pode-se dizer que a Metodologia Científica é uma disciplina respon-
sável por dar as boas vindas ao novo estudante, ela significa o estudo dos 
caminhos do saber, os caminhos para se fazer Ciência. Ela se faz necessária 
nesse primeiro momento da vida universitária.
É importante, inicialmente, destacar que a disciplina de Metodologia 
Científica, não só objetiva transmitir conhecimentos, mas, principalmente, 
possibilitar ao aluno a relação teoria-prática e a produzir conhecimento.
Assim, para iniciarmos nossa disciplina é necessário refletirmos:
 Qual a importância de se estudar Metodologia Científica? 
 O que ela acrescenta em sua formação acadêmica e profissional?
Os objetivos específicos da Metodologia Científica enquanto dis-
ciplina são:
a) analisar as características essenciais que permitem distinguir Ciên-
cia de outras formas de conhecer, enfatizando o método científico;
Metodologia Científi ca14
b) analisar as condições em que o conhecimento 
é científicamente construído abordando o signi-
ficado de postulados e atitudes da Ciência hoje;
c) oportunizar o aluno a comportar-se científica-
mente, levantando e formulando problemas, co-
letando dados, analisando e interpretando-os e 
comunicando os resultados;
d) capacitar o aluno para que ele leia criticamente 
a realidade e produza conhecimentos;
e) fornecer informações e referenciais para a mon-
tagem formal e substantiva de trabalhos cientí-
ficos: resenhas, monografias, artigos científicos, 
etc.;
f ) fornecer processos facilitadores à adaptação do 
aluno, integrando-o à universidade, minimizando 
suas dificuldade e apreensões quanto às formas 
de estudar e, consequentemente, de encontrar os 
meios de extrair o maior proveito dos estudos.
Assim, poderíamos dizer que a Metodologia Científi-
ca é a disciplina que confere os caminhos necessários para 
o autoaprendizado em que o aluno é o sujeito do proces-
so, aprendendo a pesquisar e a sistematizar o conheci-
mento obtido. Ela é baseada na apresentação e exame de 
diretrizes aptas a instrumentar o universitário no que tange 
ao estudo e ao aprendizado.
A Metodologia Científica vem para auxiliar numa 
formação profissional competente do estudante, bem 
como numa formação sócio-política, que conduzirá o alu-
no a ler, crítica e analiticamente, o seu cotidiano. Essa 
formação profissional competente está relacionada ao 
crédito dado ao estudo e à elaboração de um projeto de 
estudo com objetivos e metas conscientemente definidas, 
15Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
em que deve estar implícita a preocupação em aprender 
as funções advindas da carreira profissional (BARROS; 
LEHFELD, 2000). 
A disciplina Metodologia Científica deve estimular os 
estudantes para que busquem motivações para encontrar 
respostas às suas dúvidas. Se nos referimos a um curso 
superior estamos naturalmente nos referindo a uma Aca-
demia de Ciência e, como tal, as respostas aos problemas 
de aquisição de conhecimento devem ser buscadas atra-
vés do rigor científico e apresentadas através das normas 
acadêmicas vigentes. Dito isto, parece que fica claro que a 
disciplina de Metodologia Científica não é um simples con-
teúdo a ser decorado pelos alunos, para ser verificado num 
dia de prova; trata-se de fornecer aos estudantes um ins-
trumental indispensável para que sejam capazes de atingir 
os objetivos da Academia, que são o estudo e a pesquisa 
em qualquer área do conhecimento. Trata-se então de se 
aprender fazendo, como sugerem os conceitos mais moder-
nos da Educação (BELLO, 2007).
 Quando falamos de um curso superior, estamos 
nos referindo, indiretamente, a uma Academia de Ciên-
cias, já que qualquer Faculdade nada mais é do que o lo-
cal próprio da busca incessante do saber científico. Neste 
sentido, esta disciplina tem uma importância fundamen-
tal na formação do profissional. Se os alunos procuram 
a Academia para buscar saber, precisamos entender que 
Metodologia Científica nada mais é do que a disciplina 
que “estuda os caminhos para o saber” (BELLO, 2007).
Pensando assim, passaremos a estudar as técnicas, 
procedimentos e normas para a elaboração de trabalhos de 
graduação, como um conteúdo importante para orientação e 
para o desenvolvimento de sua prática acadêmica.
1.2 Organização dos estudos
Segundo Ruiz (1996), o aluno que acaba de in-
gressar numa faculdade precisa ser informado sobre os 
Metodologia Científi ca16
procedimentos necessários para tirar o maior proveito do 
curso que vai fazer, tendo em vista que os conteúdos tra-
balhados no ensino fundamental e médio são diferentes 
dos conteúdos do ensino superior. Assim, é necessário 
integrar-se desde o início ao ritmo desta nova etapa de 
ascensão no saber, que se chama vida universitária.
Esclarece ainda o autor que, na universidade, o alu-
no precisa mudar, especialmente na responsabilidade, na 
autodisciplina ena forma de conduzir sua vida de estudos 
para tirar o maior proveito da excelente oportunidade de 
crescimento cultural, que a universidade lhe oferece.
Portanto, você precisa saber que o curso que es-
colheu na universidade desenvolverá conteúdos teórico-
práticos, necessários a sua formação profissional e inte-
lectual, cabendo a você não só reter esses conteúdos, 
mas transformá-los em conhecimentos.
Assim sendo, apresentamos orientações necessá-
rias para a sua vida universitária:
a) Ao iniciar o curso é preciso que você tenha 
muita clareza e consciência do objetivo que se 
pretende alcançar;
b) O processo de aprendizagem na vida universi-
tária requer: constância, paciência e perseverança 
por parte do aluno;
c) Para que você obtenha bom proveito dos con-
teúdos teórico-práticos do seu curso, é necessário 
organizar e planejar horário/atividade, ou seja, de-
finir horário para estudo, para dedicação à família, 
o trabalho, o lazer, o repouso, etc.; 
d) Utilize os procedimentos técnicos e metodoló-
gicos que lhe serão oferecidos aplicando-os nas 
disciplinas presenciais e não presenciais do seu 
curso e nos seus estudos;
17Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
e) É necessário que frequente as aulas; leve o 
material de aprendizagem; organize o tempo pre-
visto para a revisão das aulas e provas; realize os 
trabalhos em grupo ou individualmente, conforme 
solicitação do seu professor; mantenha silêncio 
em sala de aula e mantenha um clima cordial no 
relacionamento professor-aluno;
f) Nas disciplinas não presenciais estabeleça horá-
rios para os estudos; realize os trabalhos solicitados 
e mantenha sempre contato com o professor/tutor.
É bom lembrar que em virtude de 
os universitários brasileiros, na 
sua grande maioria, disporem de 
pouco tempo para seus cursos e 
exercerem funções profi ssionais 
concomitantes ao curso supe-
rior, exige-se deles organização 
sistemática do pouco tempo dis-
ponível para o estudo em casa, 
indispensável para um melhor 
aproveitamento do seu curso de 
graduação (SEVERINO, 1999, p. 31).
E agora? Como estudar?
Pode-se dizer que estudar é ir à procura de conhe-
cimento. O objetivo é chegar a aprender. Estudar faz com 
que alguém se torne uma pessoa ponderada, aberta, críti-
ca e avaliativa frente a outras opiniões. O estudo constitui 
um fator significativo de aproximação dos homens e das 
culturas.
Para um bom estudo não é necessário que você te-
nha dotes extraordinários. Basta uma inteligência normal, 
o resto é completado pela força de vontade, dedicação 
e a utilização de métodos e técnicos. Quem de fato quer 
estudar deve estabelecer uma hierarquia de valores em 
sua vida.
Estudar é um verdadeiro trabalho com suas sa-
tisfações, alegrias, cansaços... Para que seus estudos 
Metodologia Científi ca18
alcancem maior aproveitamento é necessário que seja 
acompanhado de técnicas e métodos, pois estes podem 
tornar o estudo mais eficiente e mais produtivo.
É necessário que você reorganize seu tempo para 
as atividades de lazer, trabalho e estudo. Disponibiliza-
do tempo para estudo é necessário desenvolver técnicas 
para tornar o seu tempo mais produtivo. Para Ruiz (1996, 
p. 23), o estudante que não conhece outros detalhes so-
bre leitura, revisão e fichamento pouco ou nada produ-
zirá, mas quem utilizar as técnicas de leitura, revisão e 
fichamento, certamente lerá boas páginas em dez minu-
tos, descobrirá e assinalará a ideia principal, as palavras-
chave e os pormenores importantes de um texto.
Já Severino (1999), afirma que não se trata de es-
tabelecer uma detalhada divisão de horário de estudo: o 
essencial é aproveitar o tempo disponível, com uma orde-
nação de prioridades. Também não é necessário discutir as 
condições de ordem física e psíquicas que sejam melhores 
para o estudo, muito dependentes das características pes-
soais de cada um, sendo difícil estabelecer regras gerais 
que acabam caindo numa tipologia artificial. 
Neste sentido, apresentamos orientações gerais 
para melhorar seus estudos:
 Procure uma boa razão que justifique sua par-
ticipação no curso em que está matriculado; 
você tem um objetivo?
 Comece a estudar as coisas mais agradáveis e 
depois as menos agradáveis. É preciso vencer 
o limite de “não gostar de estudar”;
 Estude para aprender. Vença suas limitações. 
Habitue-se ao estudo.
 Tenha sempre uma atitude responsável e parti-
cipativa na sua vida universitária e de estudos;
19Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
 Planeje seu tempo para as atividades de 
seu curso. Diariamente reserve um espa-
ço para seus estudos. Sempre há o que 
estudar;
 Frequentemente, organize o material de estu-
do; faça as revisões dos conteúdos trabalha-
dos nas aulas presenciais e não presenciais. 
Participe! Seja um sujeito ativo!
 Procure estudar em local tranquilo, silencioso 
e privativo; 
 Faça uma distribuição coerente dos conteú-
dos que serão estudados por disciplinas nos 
horários reservados para os estudos;
 Não faça leitura corrida por muito tempo, 
utilize-se de intervalos de dez ou vinte mi-
nutos durante a leitura. Esse intervalo que 
será definido por você deverá ser seguido 
à risca;
 Quando você não entender o assunto estu-
dado pergunte ao seu professor ou profes-
sor/tutor; 
 É importante que você comece a organizar 
uma biblioteca pessoal e, também, frequente 
a biblioteca da universidade;
 Portanto, procure dedicar-se aos estudos, 
pois será necessário perseverança, concen-
tração, interesse, motivação, confiança, ter à 
mão o material adequado para o estudo e um 
ambiente apropriado.
Metodologia Científi ca20
Procure criar bons hábitos de estudos
Você sabia que para fazer um bom estudo de 
texto devemos seguir normas e procedimen-
tos e utilizar técnicas de estudo?
1.2.1 Estudo de Textos
Vejamos.
O estudo de texto implica na aplicação do querer 
aprender, obter conhecimentos, preparar-se para anotar in-
formações para a realização de trabalhos acadêmicos na 
universidade. O processo de estudo, para não ser árduo 
e desconexo, deve ser feito dentro de uma metodologia.
É necessário saber que todo texto escrito se insere 
num diálogo maior. Conforme Severino (1999, p. 49) o 
texto-linguagem significa o meio intermediário pelas quais 
duas consciências se comunicam. Ele é o código que cifra 
a mensagem. Ao escrever um texto, o autor (emissor) co-
difica sua mensagem e o leitor (receptor), ao ler um texto, 
decodifica a mensagem do autor, para então pensá-la, 
assimilá-la e personalizá-la, compreendendo-a: assim se 
completa a comunicação. Portanto, temos:
EMISSSOR  MENSAGEM  RECEPTOR
(Autor) (Texto) (Leitor)
21Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
No estudo de um texto você deve, inicialmente, 
selecionar o que ler, que pode ser definido a partir dos 
elementos: título da obra, a data de publicação, a edi-
tora, a “orelha”, o índice ou sumário, a bibliografia, a 
introdução ou prefácio.
Logo após, delimitar a unidade de leitura, ou seja, 
definir o que será lido e que apresente unidade de senti-
do. A unidade de leitura pode ser uma obra, um capítulo 
ou qualquer outra subdivisão que apresente uma unida-
de de sentido.
Estabelecida a unidade de leitura, você deverá ler 
várias vezes o texto, o suficiente para a sua compre-
ensão. Essas leituras podem ser feitas através de três 
etapas ou tipos de análises de texto:
a) Análise Textual: primeira etapa de estudo do 
texto. Corresponde a uma leitura “por alto”, glo-
bal; devendo fazer um levantamento sobre: a 
vida, a obra e o pensamento do autor; doutrina 
e método utilizado; fatos históricos e autores co-
mentados no texto; vocabulário, termos e concei-
tos utilizados.Faça as anotações necessárias;
b) Análise Temática: corresponde a uma segunda 
etapa; busca-se a compreensão do texto; procu-
ra ouvir o autor, apreender, sem intervir nele. É o 
momento em que deverá responder: de que fala 
o texto? Como está problematizado? Qual a ideia 
central? Como estão expostas as argumentações? 
Como estão expostas as demonstrações? Qual a 
sua conclusão? Verifica-se a linha de raciocínio 
do autor. Faça as anotações necessárias. Nesta 
etapa pode-se elaborar o resumo indicativo ou 
informativo;
c) Análise Interpretativa: terceira etapa de es-
tudo. Deve ler o texto criticamente com vista à 
Metodologia Científi ca22
interpretação. Procura-se julgar o texto, anali-
sando originalidade, coerência dos conteúdos, 
lógica de raciocínio. Analisar se o autor conse-
guiu atingir os seus objetivos e foi eficaz nos 
argumentos e demonstrações em defesa da tese 
proposta. Faça as anotações necessárias. Nes-
ta etapa podem-se elaborar diversos tipos de 
resumo como: indicativo, informativo, resumo 
crítico e resenha.
Para o melhor aproveitamento no processo de 
análise do texto, é necessária a utilização de algumas 
técnicas já consagradas por especialistas em metodo-
logia, tais como: sublinhar, esquematizar, resumir e fi-
chamento.
TEXTO COMPLEMENTAR
A Organização da vida de estudos na universidade
Ao dar início a essa nova etapa de formação 
escolar, a etapa do ensino superior, o estudante dar-
se-á conta de que se encontra diante de exigências 
específicas para a continuidade de sua vida de es-
tudos. Novas posturas diante de novas tarefas ser-
lhe-ão logo solicitadas. Daí a necessidade de assumir 
prontamente essa nova situação e de tomar medidas 
apropriadas para enfrentá-la. É claro que o processo 
pedagógico-didático continua, assim como a apren-
dizagem que dele decorre. No conjunto, porém, as 
sua posturas de estudo devem mudar radicalmente, 
embora explorando tudo o que de correto aprendeu 
em seus estudos anteriores.
Em primeiro lugar, é preciso que o estudante 
se conscientize de que, doravante, o resultado do 
processo depende fundamentalmente dele mesmo. 
Seja pelo seu próprio desenvolvimento psíquico e 
23Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
intelectual, seja pela própria natureza do processo 
educacional desse nível, as condições de aprendi-
zagem transformam-se no sentido de exigir do estu-
dante maior autonomia na efetivação da aprendiza-
gem, maior independência em relação aos subsídios 
da estrutura de ensino e dos recursos institucionais 
que ainda continuam sendo oferecidos. O aprofunda-
mento da vida científica passa a exigir do estudan-
te uma postura de auto-atividade didática que será, 
sem dúvida, crítica e rigorosa. Todo o conjunto de 
recursos que está na base do ensino superior não 
pode ir além de sua função de fornecer instrumentos 
para uma atividade criadora.
Em segundo lugar, convencido da especifici-
dade dessa situação, deve o estudante empenhar-se 
num projeto de trabalho altamente individualizado, 
apoiado no domínio e na manipulação de uma série 
de instrumentos que devem estar contínua e perma-
nentemente ao alcance de suas mãos. É com o auxí-
lio desses instrumentos que o estudante se organiza 
na sua vida de estudo e disciplina sua vida científi-
ca. Este material didático e científico serve de base 
para o estudo pessoal e para complementação dos 
elementos adquiridos no decurso do processo cole-
tivo de aprendizagem em sala de aula. Dado o novo 
estilo de trabalho a ser inaugurado pela vida univer-
sitária, a assimilação de conteúdos já não pode ser 
feita de maneira passiva e mecânica como costuma 
ocorrer, muitas vezes, nos ciclos anteriores. Já não 
basta a presença física às aulas e o cumprimento 
forçado de tarefas mecânicas: é preciso dispor de um 
material de trabalho específico à sua área e explorá-
lo adequadamente. 
SEVERINO, Antonio Joaquim. A organização da vida de estudos 
na universidade. In: ______. Metodologia do trabalho científi-
co. 20. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 1996. p. 25-26.
Metodologia Científi ca24
TEXTO COMPLEMENTAR
O que estudar
Nem sempre o estudante – mesmo em nível de 
pós-graduação – colhe frutos maduros e satisfatórios de 
seus anos acadêmicos, apesar dos consideráveis inves-
timentos financeiros (estudar, entre nós, é caro e ainda 
um privilégio de poucos) e dos esforços pessoais empre-
endidos. Não são poucos os que, uma vez concluído o 
curso, nem querem se lembrar mais daqueles livros, pro-
vas, professores exigentes e salas de aula abarrotadas. 
Consideram o fim dos anos escolares como verdadeira 
libertação. Temos aqui as reações de um estudo mal fei-
to, normalmente porque faltaram uma boa introdução e 
um correto acompanhamento na “arte de estudar”.
Quantos estudantes – ainda em pleno período es-
colar – não “queimam as pestanas” às vésperas de um 
exame e, não obstante, seus resultados são exíguos? 
Outros se esforçam tanto que sacrificam lazer, amizade, 
programas de televisão e convivência em comunidade 
religiosa ou familiar, estudando noite adentro, e mesmo 
assim têm pouco êxito em provas e trabalhos escolares.
Uns não sabem como tirar proveito das expo-
sições do professor em sala de aula, outros vão dor-
mir em cima de livros logo que chegam em casa. Há 
muitos que não têm a mínima noção de como fazer 
fichamento, uma recensão de artigo ou livro, uma 
monografia e nem de longe sabem o que fazer com 
fichas bibliográficas ou fichas de conteúdo. Na reali-
dade, veem no estudo sistemático uma nova forma de 
“tortura” imposta ao aluno e um peso inútil nos anos 
juvenis. Em parte estas queixas – raramente confessa-
das explicitamente – correspondem à realidade dos fa-
tos. Como acontece em qualquer profissão, quem não 
domina as “ferramentas” de sua área de especializa-
25Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
ção facilmente desanima e desiste diante de esforços 
sobre-humanos sem resultado notável. A metodologia 
científica visa exatamente suprir essa deficiência, en-
sinando como manejar os instrumentos adequados ao 
“trabalho de estudo”, a fim de torná-lo mais eficiente, 
agradável e significativo.
MATOS, Henrique Cristiano José. O que estudar. In: ______. 
Aprendendo a estudar: orientações metodológicas para o estu-
do. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. p. 13-14.
1.3 Técnicas de sublinhar e esquema
1.3.1 Sublinhar
Vejamos.
Conforme Andrade (2001, 25-26), sublinhar é a 
técnica utilizada para destacar as ideias importantes de 
um texto, indispensável para elaboração de esquemas e 
resumos. O requisito fundamental para aplicar a técnica 
de sublinhar é a compreensão do assunto, pois este é o 
único processo que possibilita a identificação das ideias 
principais e secundárias, não devendo sublinhar pará-
grafos ou frases inteiras, mas apenas palavras-chave ou 
grupo de palavras. 
Portanto, você pode perceber que sublinhar é 
destacar as ideias de um texto, podendo utilizar somen-
te as suas palavras, somente as palavras do autor ou a 
junção de suas palavras com as do autor, para elabora-
ção de um resumo com as palavras sublinhadas. 
Destaca ainda a autora, que a técnica de subli-
nhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes pro-
cedimentos (ANDRADE, 2001, p. 25-26):
 leitura integral do texto;
Metodologia Científi ca26
 esclarecimento de dúvidas de vocabulário, 
termos técnicos e outras;
 releitura do texto sublinhando as ideias prin-
cipais, as palavras-chave e os detalhes mais 
importantes;
 assinalar com simbologias, à margem do tex-
to, as passagens mais significativas;
 ler o que foi sublinhado para verificar se há 
sentido;
 reconstruir o texto em forma de esquema ou 
de resumo, tomando as palavras sublinhadas 
como base.
Ah!...
É importante que no processo de estudo dotexto 
não se deve sublinhar na primeira leitura. O sublinhar é 
para facilitar na compreensão do texto.
Lembrando que ao realizar uma primeira leitura glo-
bal do texto e depois, numa segunda leitura, no momento 
de sublinhar, é importante utilizar simbologias no texto, 
para destaque e esclarecimento de informações pertinentes 
a vocabulário, termos técnicos, conceitos e outras. 
Exemplo:
CÓDIGO SIGNIFICADO
? Dúvida 
! Importante
* Conceito
VD Ver dicionário
AV Aviso
C Concordo
NC Não concordo
27Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
1.3.2 Esquema
Vejamos.
De acordo com Ruiz (1996, p.43), o esquema é o 
plano ou a linha diretriz seguida pelo autor no desen-
volvimento de seu escrito; esse plano identifica um tema 
e estabelece a trajetória básica de sua apresentação, 
subordinando ideias, selecionando fatos e argumentos.
Para o autor a função do esquema é apresentar 
o tema e hierarquizar as partes de um todo numa linha 
diretriz, para torná-lo possível a uma visão global. Pelo 
esquema pode-se atingir o todo numa única mirada.
Uma única mirada?
Sim!
Portanto, grosso modo, podemos dizer que o es-
quema constitui num “esqueleto” do texto, apresentan-
do uma hierarquia de ideias. Ele é elaborado logo após 
o sublinhar e antes da elaboração do resumo.
Segundo Salomon (1977, p. 85), as regras para a 
elaboração de esquemas são:
• Fidelidade ao texto original: deve conter as 
ideias do autor;
• Estrutura lógica do assunto: organização das 
ideias a partir das mais importantes para as 
consequentes;
• Adequação ao assunto estudado: o esquema 
útil é flexível. Adapta-se ao tipo de matéria 
que se estuda;
• Utilidade de seu emprego: o esquema deve 
ajudar e não atrapalhar;
Metodologia Científi ca28
• Cunho pessoal: cada um faz o esquema de 
acordo com suas tendências, hábitos, recur-
sos e experiências pessoais.
Para elaborar o esquema você pode utilizar sim-
bologias, tais como: setas, círculos, chaves, linhas, figu-
ras, etc., prevalecendo o gosto pessoal e que facilite a 
compreensão do assunto.
Exemplo:
1.4 Resumo, resenha e fichamento
1.4.1 Resumos
Vejamos.
Podemos definir o resumo como a apresentação 
concisa e seletiva do texto estudado, apresentando as 
principais ideias do autor.
Qual a sua finalidade?
Difusão das informações contidas em livros, mono-
grafias, artigos, relatórios, etc.
Para que resumir?
Para compreender melhor o texto. O resumo faci-
lita a análise, fixação, integração e interpretação daquilo 
que está sendo estudado, além de uma melhor prepara-
ção para a pesquisa e avaliações. Podemos acrescentar, 
ainda, a possibilidade de melhoria na escrita, reorga-
nização dos seus conhecimentos e seleção das partes 
mais importantes de um texto. 
29Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
Existem regras para elaboração de resumo? 
Sim!
Para que você elabore um resumo é necessário:
 fazer a análise temática;
 sublinhar o texto;
 elaborar o esquema;
 redigir o resumo com as principais ideias do 
autor;
 confrontar o resumo com o original para ver se 
nenhuma ideia ficou esquecida.
Existe um único tipo de resumo? 
Não!
Vejamos alguns deles:
a) Resumo indicativo ou descritivo: descrevem-se 
as principais partes do texto; utilizam-se frases curtas, 
sendo necessário voltar à leitura do texto original, já 
que é uma pequena apresentação condensada do texto, 
com suas principais ideias; pouco utilizado nas universi-
dades, mas bastante utilizado pelas editoras. A redação 
do resumo deverá estar na impessoalidade com espaça-
mento duplo entre linhas. Deve ser elaborado em pará-
grafo único e apresentar a seguinte estrutura: referência 
bibliográfica e conteúdo do resumo;
b) Resumo informativo ou analítico: quando apre-
senta as ideias principais do texto; expõe-se finalidade, 
problema, metodologia, argumentos, demonstrações, re-
sultados e conclusões; é um resumo mais amplo do que 
Metodologia Científi ca30
o indicativo e que atende suficientemente ao leitor, não 
precisando voltar ao texto original para o entendimento do 
assunto. Não permite opiniões e comentários do autor do 
resumo. Bastante utilizado nas universidades. A redação do 
resumo deverá estar na impessoalidade com espaçamento 
duplo entre linhas. Deve ser elaborado em parágrafo único 
e apresentar a seguinte estrutura: referência bibliográfica, 
conteúdo do resumo e palavras-chave;
c) Resumo Crítico: deve apresentar as mesmas infor-
mações do resumo informativo, todavia, permitem-se opi-
niões e comentários do autor do resumo. Assim sendo, é 
necessária a interpretação e crítica sobre o texto estudado. 
Estrutura: referência bibliográfica, conteúdo do resumo;
d) Resenha: segue as mesmas informações do re-
sumo crítico, todavia, deve ser colocada na introdução 
do resumo da biografia do autor (formação profissional, 
pressupostos filosóficos, livros publicados, etc.). A re-
senha é um resumo crítico mais amplo, podendo, na 
elaboração dos comentários, utilizar-se de opiniões de 
diversas autoridades científicas em relação à obra do 
autor estudado. Não deve ser elaborado em parágrafo 
único, apresentando a seguinte estrutura: referência bi-
bliográfica e conteúdo da resenha.
Portanto, para que o estudo de texto seja pro-
dutivo, procure utilizar-se das técnicas de estudo, de 
sublinhar, esquematizar e resumir. A escolha do tipo 
de resumo que será realizado sobre um texto depen-
derá de seu objetivo. 
 
Vejamos o exemplo de um parágrafo sublinhado, 
esquematizado e resumido (ANDRADE, 2001, p.28-29):
Que tal você pegar alguns textos e utilizar as téc-
nicas de sublinhar, esquematizar e resumir?
31Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
a) Parágrafo sublinhado
 ATIVIDADES DOS ESPECIALISTAS EM COMUNICAÇÃO
São quatro as atividades principais dos especialis-
tas em comunicação: detecção prévia do meio ambiente, 
correlação das partes da sociedade na reação a esse meio, 
transmissão da herança social de uma geração para a se-
guinte e entretenimento. A detecção prévia consiste na co-
leta e distribuição de informações sobre os acontecimentos 
do meio ambiente, tanto fora como dentro de qualquer 
sociedade particular. Até certo ponto, isso corresponde ao 
que é conhecido como manipulação de notícias. Os atos de 
correlação, aqui, incluem a interpretação das informações 
sobre o meio ambiente e a orientação da conduta em re-
lação a esses acontecimentos. Em geral, essa atividade é 
popularmente classificada como editorial ou propaganda. A 
transmissão de cultura se faz através da comunicação das 
informações, dos valores e normas sociais de uma gera-
ção a outra ou de membros de um grupo a outros recém-
chegados. Comumente, é identificada como atividade edu-
cacional. Por fim, o entretenimento compreende os atos 
comunicativos com intenção de distração, sem qualquer 
preocupação com os efeitos instrumentais que eles pos-
sam ter. (WRIGHT Apud SOARES; CAMPOS, 1978, p. 120).
b) Parágrafo esquematizado
ATIVIDADES DOS ESPECIALISTAS EM COMUNICAÇÃO
detecção do meio ambiente ________ coleta e distribui-
ção de informações
= notícias
correlação das partes da sociedade ________ interpretação 
das informações na reação a esse meio 
= editorial/propaganda
Metodologia Científi ca32
transmissão de cultura ________ comunicação das in-
formações 
= atividade educacional
 
entretenimento ________ atos comunicativos
= distração 
c) Resumo do Parágrafo
São atividades dos especialistas em comunicação: detec-
ção prévia do meio ambiente, que consiste na coleta e 
distribuição das informações, ou manipulação de notícias. 
Correlação das partesda sociedade na reação ao meio, que 
inclui a interpretação das informações, pelo editorial e pro-
paganda. A transmissão da cultura, que se faz através da 
comunicação das informações, identificada como atividade 
educacional. O entretenimento, que se realiza pelos atos 
comunicativos, e que procura apenas a distração.
Que tal sublinhar, esquematizar e resumir os pa-
rágrafos abaixo!
1.
Quando um bebê nasce, a primeira coisa que 
todo mundo quer saber é o sexo. Nos primeiros dias de 
vida a diferença parece mais anatômica, mas à medida 
em que vai crescendo, o bebê começa a se comportar 
como menino ou menina. Um problema controvertido 
é saber até que ponto esse comportamento tem base 
biológica ou é uma questão de aprendizado. Algumas 
feministas insistem em dizer que todas as diferenças 
comportamentais são ensinadas e que, deixando-se de 
lado as discrepâncias biológicas evidentes, a mulher é 
igual ao homem. Outros dizem que o homem é homem 
e que mulher é mulher e é por razões biológicas que 
os dois sexos se parecem, se comportam e até mes-
mo se movimentam de modo diferente. Os entendidos 
33Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
em cinética têm levantado um certo número de provas 
que reforçam os argumentos das feministas (DAVIS, 
1979:23).
2. 
Houve tempo em que se poderia defender a ideia 
de que uma pesquisa científica era coisa de gênio, por-
tanto algo excepcional e fora de qualquer restrição de 
planejamento. Hoje não é mais possível defender essa 
ideia, nem para a pesquisa científica e, muito menos, 
para a tecnológica. Sabe-se que, na história da Técnica, 
intervêm comumente as ‘invenções’ empreendidas por 
leigos e curiosos. Depois do estabelecimento da Tecno-
logia, essas ‘invenções’ tornam-se cada vez mais raras, 
dando lugar às ‘descobertas’, feitas por meio de pesqui-
sas organizadas. Assim, tornou-se indispensável um pla-
no de pesquisa que se constitua como programação dos 
trabalhos a serem realizados durante a pesquisa. Agora 
o trabalho não é mais simplesmente mental, como na 
fase anterior da escolha, compreensão e conhecimen-
to. É necessário, agora, escrever um ‘Plano de Pesquisa’ 
para fixá-lo e torná-lo independente da memória (VAR-
GAS, 19985:202).
3. 
Nesse livro (A origem das espécies) o método de 
pesquisa utilizado por Darwin esclarece-se. Ele parte 
da observação da variação das espécies de animais do-
mesticados e das plantas cultivadas cuja variabilidade 
é muito maior do que se observa no estado selvagem. 
Isto porque a seleção feita pelo homem é muito con-
trolada e eficiente e de efeitos acumulados. Pode-se, 
assim, observar nitidamente que, numa espécie dada 
as crias não são jamais nem idênticas entre si nem 
aos seus pais. Há sempre uma diferença entre os in-
divíduos. Isto é um fato que pode dever à indução de 
uma ‘lei geral’: a lei da variabilidade. Entretanto, é, 
Metodologia Científi ca34
também, um fato notável que as singularidades inatas 
dos indivíduos são transmitidas por hereditariedade 
aos seus descendentes. Assim, um criador pode preser-
var ou acentuar tais singularidades por acasalamentos 
efetuados artificialmente. Também desse fato se pode 
induzir uma ‘lei da hereditariedade’. Há, portanto, uma 
evolução nas raças dos animais domésticos e plantas 
cultivadas baseada numa relação artificialmente dirigi-
da pelo homem (VARGAS, 1985:63-4).
4.
De fato, as descobertas da Física no século XX têm 
surpreendido a todos, revelando as limitações da lingua-
gem científica e levando a uma profunda reflexão e revi-
são da concepção humana acerca do universo. A teoria 
quântica e a relatividade geral conduzem a uma visão do 
mundo bastante próxima às visões dos místicos orientais. 
O caráter essencialmente empírico do conhecimento mís-
tico parece ser o elemento fundamental para estabelecer-
se o paralelo com o conhecimento científico. As soluções, 
em termos de linguagem, encontradas pelos místicos, po-
dem fornecer uma moldura filosófica consistente para as 
modernas teorias científicas, que expressa numa rígida e 
sofisticada linguagem matemática, parecem ter perdido 
toda a relação com as experiências sensoriais. No misti-
cismo oriental sempre fica clara a limitação da linguagem 
e da lógica. As interpretações verbais da realidade são 
imprecisas e contraditórias. A teoria quântica e a relativi-
dade apontam na mesma direção: a realidade transcende 
a lógica clássica (SZPIGEL, 1990:2).
5. 
Ninguém desconhece o sacrifício da quase totali-
dade de nossos acadêmicos que vão para suas escolas 
após uma jornada de oito horas ou mais de trabalho pro-
fissional. Se isso é sumamente louvável, não o exime, por 
outro lado, do compromisso de estudar e, portanto, de 
35Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
descobrir tempo para estudar. É preciso descobrir tempo. 
Tempo para frequentar as aulas dos diversos cursos, e 
tempo para estudos particulares. Se procuramos, o tem-
po aparecerá. E lembremo-nos de que meia hora por dia 
representa três horas e meia por semana, quinze horas 
por mês e cento e oitenta horas por ano. E quem não 
conseguiria descobrir um ou mais espaços de meias hora 
em sua jornada? Ou quem não conseguiria fazer aparece-
rem esses espaços, se o quisesse realmente? Ou será que 
esses espaços não aparecem porque nós não os procu-
ramos, por medo de encontrá-los? Quem quer descobre, 
cria tempo, especialmente nós, brasileiros, que somos, 
por assim dizer, capazes do impossível (RUIZ, 1991:22).
6.
Marx retorna de Hegel a concepção dialética da 
realidade, ou seja, a afirmação de que a realidade vai se 
produzindo permanentemente mediante um processo de 
mudança determinado pela luta dos contrários, por força 
da contradição que trabalha o real, no seu próprio interior. 
Era a recuperação da temporalidade real, da historicidade, 
dimensão perdida desde o predomínio da filosofia grega 
sobre a visão judaica. Assim, a filosofia marxista, em con-
tinuidade com a filosofia hegeliana, concebe a realidade 
como se constituindo num processo histórico que, ao se 
efetivar, vai efetivando o próprio tempo, num processo 
criador. E este processo criador que ocorre por força da 
luta provocada pelas contradições que trabalham interna-
mente a realidade é um processo dialético, de posição, 
negação e superação, de acordo com a tríade hegeliana 
da tese-antítese-síntese (SEVERINO, 1986, p. 5).
7.
Naturalmente, a educação tem de ser tanto infor-
mativa quanto diretiva. Não podemos simplesmente mi-
nistrar informação sem ao mesmo tempo transmitir aos 
estudantes algumas ‘aspirações’, ‘idéias’ e ’objetivos’, a 
Metodologia Científi ca36
fim de que eles saibam o que fazer com a informação que 
receberem. Lembremo-nos, porém, que é também muito 
importante apresentar-lhes não apenas ideais destituídos 
de alguma informação real sobre a qual agir; à falta dessa 
informação, não lhes será nem ao menos possível usufruir 
desses ideais. A informação sem as diretivas, insistem 
corretamente os estudantes, é ‘seca como pó’. Mas as 
diretivas, sem a informação, gravadas na memória mercê 
de freqüentes repetições, só produzem orientações inten-
cionais que os incapacitam para as realidades da vida, 
deixando-os indefesos contra o choque e o cinismo dos 
anos subseqüentes (HAYAKAWA, 1972, p. 210).
8.
É comum ouvirmos falar sobre método científico. 
Alunos de ginásio e de segundo grau aprendem a respei-
to nas aulas de ciência e o empregam em competições de 
pesquisa. Hollywood também o retrata mostrando cien-
tistas usando jalecos e equipados com pranchetas, posi-
cionados diante de microscópio e recipientes repletos de 
líquidos borbulhantes. Então, por que o método científico 
continua a ser um mistério para tanta gente? Um dos 
motivos talvez seja o nome. A palavra “método” sugere 
uma espéciede fórmula secreta, disponível apenas para 
cientistas altamente treinados, mas isso não procede. O 
método científico é algo que todos nós podemos usar a 
qualquer momento. De fato, adotar algumas das ativi-
dades básicas do método científico - ser curioso, fazer 
perguntas, procurar respostas - é algo natural em todo 
ser humano. Na tarefa de descobrir a verdade, dentro de 
sua esfera de atuação, a ciência precisa de critérios claros, 
métodos de investigação precisos que descartem as ilu-
sões dos sentidos, os preconceitos, as crenças pessoais 
(religiosas ou não), as superstições de todo o tipo. A ciên-
cia utiliza o método científico (http://ciencia.hsw.uol.com.
br/metodos-cientificos.htm/Texto adaptado).
37Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
9.
O nosso dia a dia encontra-se profundamente 
marcado pela ciência. Tal acontece devido a objetos tec-
nológicos – objetos relacionados com a ciência – que 
cresceram e se multiplicaram a ponto de estarem oni-
presentes à nossa volta. Basta acordar de manhã por 
um rádio-despertador e aquecer um copo de leite no 
microondas para reconhecer que o nosso dia começa 
com um “banho” tecnológico. Logo a seguir continua na 
nossa profissão que, hoje em dia, não dispensa o com-
putador (máquina que arredou várias outras ou entrou 
por dentro de várias outras) e o telefone (que já entrou 
nos nossos bolsos). À noite, a televisão apodera-se das 
nossas horas de lazer. A internet – esse casamento do 
computador com o telefone – entrou também no nos-
so quotidiano, tanto de dia como de noite, tanto no 
trabalho como no lazer (http://dererummundi.blogspot.
com/2007/06/cincia-e-quotidiano.html).
10.
A evolução da ciência se deu com a evolução da 
inteligência humana, que passou do medo do desconhe-
cido ao misticismo, numa tentativa de explicar os fenô-
menos através do pensamento mágico, das crenças e 
das superstições e, finalmente, evoluiu para a busca de 
respostas através de caminhos que pudessem ser com-
provados. Desta forma, nasceu a ciência metódica, que 
procura sempre uma aproximação com a lógica. O ser 
humano é o único animal na natureza com capacidade 
de pensar e indagar sobre a realidade. Esta característica 
permite que os seres humanos sejam capazes de refletir 
sobre o significado de suas próprias experiências. As-
sim evolui a ciência. A Ciência num determinado período 
da história acabou sendo mitificada, principalmente a 
partir do séc. XVIII, e hoje ela é entendida como sendo 
qualquer assunto que possa ser estudado pelo homem, 
pela utilização do Método Científico e de outras regras 
Metodologia Científi ca38
especiais de pensamento (http://www.urutagua.uem.
br/014/14maia.htm/ Texto adaptado).
Vejamos exemplos de resumos:
a) Resumo indicativo ou descritivo (NBR 6028):
LABBENS, J. Sociologie au Brésil. Social Science informa-
tion, 1 (2):31-52, July 1962.
Pesquisa da sociologia atual no Brasil. Identificam-se 
três correntes de pensamento, baseadas em modelos 
históricos, matemáticos e sociológicos. A diversidade da 
sociologia brasileira é explicada pelo estado da sociolo-
gia em geral e sua situação no país.
b) Resumo informativo ou analítico (NBR 6028):
LABBENS, J. Sociologie au Brésil. Social Science in-
formation, 1 (2):31-52, July 1962.
Pesquisa da sociologia atual no Brasil constata que 
existe grande diversidade de pensamento entre os 
sociólogos, podendo-se distinguir três tendências 
principais: a) a corrente histórica, que busca na 
história e ciências auxiliares a explicação dos fenô-
menos sociais. Os expoentes desta corrente são 
Tavares Bastos, Aníbal Falcão, Euclides da Cunha, 
Alberto Torres, Oliveira Viana e Gilberto Freire; b) a 
corrente teórica, que se inspira diretamente nas ciên-
cias naturais e que pretende conferir à sociologia 
um mesmo “status”, realiza suas pesquisas, sobre-
tudo em modelos matemáticos e epistemológicos. 
São autores representativos Pontes de Miranda e 
Mário Luiz; c) entre 1930 e 1940, apareceu uma nova 
tendência que tornou a sociologia no Brasil uma 
ciência realmente autônoma, com objetivos definidos 
39Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
sistematicamente, métodos particulares e uma teo-
ria sociológica própria. Esta corrente é denominada 
corrente sociológica, e os principais nomes a ela as-
sociados são Fernando de Azevedo, Emílio Willems 
e Florestan Fernandes. A diversidade da sociologia 
brasileira é explicada pelo estado da sociologia em 
geral e sua situação no país; d) a ausência de uma 
razoável tradição científica no domínio da sociologia 
e as pressões por outros círculos não têm permitido 
aos sociólogos estabelecer um sistema próprio de 
controle social capaz de impor um modelo comum 
de ação. Apesar da possibilidade de reunir uma doc-
umentação copiosa, não há métodos padrões para 
relacionar e interpretar os dados.
Palavras-chave: Pesquisa da sociologia. Corrente de pen-
samento: histórica, teórica e sociológica.
c) Resumo crítico (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 
72-73):
LAKATOS, Eva Maria. O trabalho temporário: nova forma 
de relações sociais no trabalho. São Paulo: Escola de 
Sociologia e Política de São Paulo, 1979. 2. v. (Tese de 
Livre-Docência).
Traça um panorama do trabalho temporário nos dias 
atuais, nos municípios de São Paulo, ABC e Rio de 
Janeiro, relacionando as razões históricas, sociais 
e econômicas que levaram ao seu aparecimento e 
desenvolvimento. Divide-se em duas partes. Na pri-
meira, geral, tem-se a retrospectiva do trabalho tem-
porário. Partindo do surgimento da produção indus-
trial, traça um panorama da evolução dos sistemas 
de trabalho. Dessa maneira são enfocados, do ponto 
de vista sociológico, as relações de produção através 
Metodologia Científi ca40
dos tempos. Esse quadro histórico fornece a base 
para a compreensão dos fatores sociais e econômi-
cos que levaram à existência do trabalho temporário 
tal como é conhecido hoje no contexto urbano. A 
parte teórica permite também visualizar a realidade 
sócio-econômica do trabalhador temporário, condu-
zindo, em sequência lógica, as pesquisas de campo 
apresentadas na segunda parte do trabalho. A parte 
essencial consiste em uma pesquisa realizada em três 
níveis: o trabalhador temporário, as agências de mão 
de obra temporária e as empresas que a utilizam. Ao 
abordar os três elementos atuantes no processo, a 
pesquisa cerca o problema e faz um levantamento 
profundo do mesmo. As técnicas utilizadas para a se-
leção da amostra e coleta de dados são rigorosamen-
te corretas do ponto de vista metodológico, o que dá 
à confiabilidade. As tabelas apresentadas confirmam 
ou refutam as hipóteses levantadas, permitindo que, 
a cada passo, se acompanhe o raciocínio que leva 
à conclusão do trabalho [...]. Esse material permite 
que se conheça em detalhes e se possa reproduzir o 
processo de investigação realizado.
d) Resenha
GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pes-
quisa. São Paulo: Atlas, 1996.
Antônio Carlos Gil é bacharel em Ciências Po-
líticas e Sociais, licenciado em Ciências Sociais e em 
Pedagogia, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela 
Fundação Escola de Sociologia e Política de São Pau-
lo. É professor de Métodos e Técnicas de Pesquisa 
no Instituto Municipal de Ensino Superior de São Ca-
etano do Sul. É autor do livro Métodos e técnicas de 
pesquisa social.
Nessa obra, primeiramente, o autor apresenta 
41Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
aos iniciantes, de maneira simples e acessível, os 
elementos necessários para a elaboração de proje-
tos de pesquisa. Em segundo lugar, busca garantir 
ao profissional de pesquisa, bem como aos estudan-
tes dos níveis mais avançados, inclusive dos cursos 
de pós-graduação, condições para a organização de 
conhecimentos dispersos, obtidos aolongo da vida 
acadêmica ou do contato direto com a prática de 
pesquisa.
O livro é de caráter eminentemente prático, já 
que esclarece acerca dos procedimentos a serem ado-
tados para elaboração de projetos referentes aos mais 
diversos tipos de pesquisa, como pesquisa bibliográfi-
ca, pesquisa documental, pesquisa “ex-post-facto”, le-
vantamento, estudo de caso, pesquisa-ação e pesquisa 
participante [...]
O livro está longe de ser um “receituário”. Pro-
cura ao longo de seus capítulos, tratar das mais diver-
sas implicações teóricas que envolvem o processo de 
criação científica.
1.4.2 Fichamento
Vejamos.
Na finalização do estudo de um texto, é neces-
sário que se faça a documentação das informações que 
podem ser feitas através do fichamento.
O fichamento consiste na transcrição de informa-
ções em fichas.
A função do fichamento é colocar à disposição do 
pesquisador, de forma organizada e seletiva, um conjun-
to de informações de obras já consultadas, imprescindí-
veis para a elaboração de trabalhos acadêmicos.
O fichamento é uma técnica que propicia economia 
de tempo e qualidade no estudo e na pesquisa, uma manei-
ra de guardar o essencial de um texto, de maneira que tenha 
Metodologia Científi ca42
essas informações anotadas, sempre que precisar.
Há três alternativas de fichamento:
 uma recomendada pela Associação Brasileira 
de Normas Técnicas (ABNT), que são as fi-
chas;
 uma segunda alternativa, um pouco mais in-
formal, que pode ser feita em cadernos A/Z, 
onde serão registrados os fichamentos;
 a terceira que é o arquivo do computador.
As fichas podem ser organizadas por autor, por 
obra ou por assunto.
É mais comum que o fichamento seja feito em fichas, 
mas com o desenvolvimento tecnológico e o aparecimento 
da informática, com sua capacidade de guarda e armazena-
mento de informações, pode ser feito no computador, em 
arquivos, disquetes ou CDs. O armazenamento em arquivos 
no computador facilita no processo de elaboração dos tra-
balhos acadêmicos.
O fichamento depende de seu objetivo. Assim 
sendo, pode ser feita numa ficha a anotação de uma 
referência bibliográfica de um livro, a elaboração de um 
esquema, a transcrição de um parágrafo de um texto, a 
apreciação de uma obra, a elaboração de um resumo, 
etc. No caso do resumo, devem-se seguir os procedi-
mentos de elaboração dos mesmos.
As informações transcritas podem ser colocadas 
em um único lado ou nos dois lados da ficha, desde que 
permita a visualização e organização das informações. 
É um critério particular e depende do indivíduo ou de 
quem a solicita. Quando o fichamento for feito em mais 
de uma ficha, recomenda-se colocar a numeração, ao 
alto, à direita, apenas na frente de cada ficha.
Os tamanhos das fichas são:
43Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
PEQUENO 7,5 X 12,5 cm
MÉDIO 10,5 X 15,5 cm
GRANDE 12,5 X 20,5 cm
Exemplo de ficha com um resumo indicativo:
FRENTE DA FICHA (TAMANHO GRANDE 12,5 X 20,5 cm)
RUIZ, João Álvaro. Método, Economia e Eficiência nos Estudos. In;______. Metodologia Científica: guia para eficiência 
nos estudos. São Paulo: Atlas, 1996. cap. 1, p. 19-33.
 Aprender a aprender na faculdade - quem ingressa numa faculdade precisa tirar o máximo proveito do curso
que vai fazer. Tempo para estudar – o primeiro passo para estudar consiste em reorganizar a vida de maneira
a abrir espaços para o estudo e planejar o seu tempo. Para descobrir tempo - a maneira mais prática de descobrir o tempo
 consiste em tomar uma folha de papel, anotar os diversos dias da semana, os diversos afazeres e os possíveis espaços ociosos.
Programar a utilização do tempo – programar a utilização dos espaços/horas que possam ser reservadas para o estudo.
Horário de preparação para aula – de posse do material de estudo o estudante deverá ler previamente a matéria que será
desenvolvida durante a aula. Horário das revisões das aulas – é necessário fazer revisões, a imediata que se faz da aula
anterior e as globalizadoras corresponde análise e síntese. O grande tempo de todo estudante – o grande tempo são as aulas.
Como aproveitar o tempo das aulas - é preciso frequentá-las, levar consigo material adequado ao trabalho do dia, guardar
Metodologia Científi ca44
VERSO DA FICHA 
silêncio exterior para não distrair os outros e silêncio interior não distraindo a si próprio, cordialidade de relacionamento:
professor e aluno. Como aproveitar o tempo em reuniões de grupos – o estudo em equipe é muito proveitoso sob todos
os aspectos.
Aluna do 1º período do Curso de Geografia Noturno, turma 96A:
Maria Maciel Santos
Procedimentos gerais para a elaboração do resumo informativo, crítico 
e resenha digitada em editor de texto:
 papel branco, formato ofício – A4 (21 cm x 
29,7 cm);
 as margens da folha devem ter 3 cm (esquer-
da e superior) e 2 cm (direita e inferior);
 digitação na cor preta, em tamanho 12, nas 
fontes Times New Roman ou Arial;
 redação com impessoalidade, objetividade, 
clareza e concisão;
 único parágrafo (resumo informativo e críti-
co), com parágrafos (resenha);
 espaçamento simples na referência bibliográfica;
45Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
 espaçamento 2 duplos, entre a referência bi-
bliográfica e o conteúdo do resumo;
 espaçamento duplo no conteúdo do resumo 
(Texto);
 espaçamento 2 duplos, entre o texto e as pa-
lavras-chave (resumo informativo);
 as “Palavras-chave”, separadas entre si por 
ponto e finalizadas também por ponto;
 colocar capa e folha de rosto: ver modelo; 
 a organização da referência bibliográfica de 
acordo com as normas da ABNT NBR 6023.
Para organização das referências consultar o site: 
http://www.unit.br/normasacademicas.asp (Normas para 
referências, citações e notas de rodapé).
Apresentamos, abaixo, os aspectos gráficos e ta-
manhos de fonte (indicados por T.F.) para elaboração do 
resumo.
Metodologia Científi ca46
a) capa
47Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
b) folha de rosto
Metodologia Científi ca48
c) resumo informativo (texto - observe os aspec-
tos gráficos)
49Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
d) resenha (texto - observe os aspectos gráficos)
Vocabulário e leitura eficiente
Metodologia Científi ca50
TEXTO COMPLEMENTAR
Muita gente lê mal porque não tem bom vocabulário e 
não tem bom vocabulário porque lê mal, o que se tor-
na um círculo vicioso que deve converter-se em círculo 
virtuoso, para todo aquele que aspira atingir nível de 
crescimento cultural.
O domínio cada vez mais amplo do vocabulário enrique-
ce nossa possibilidade de compreensão e concorre para 
aumentar a velocidade na leitura.
Mas como aumentar nosso vocabulário? Decorando 
algum dicionário? Quem o fez em seu tempo de estu-
dante, em eras que não voltam mais, confessa que o 
trabalho era penoso; entretanto, acaba agradecendo 
aos professores exigentes de seu tempo. Mas o me-
lhor recurso para aumentar o próprio vocabulário é, 
sem dúvida, a leitura.
Como proceder ante uma palavra de sentido desconhe-
cido, ou que assume sentido novo em determinado con-
texto? Morgan e muitos outros recomendam a imediata 
consulta aos dicionários: “A primeira coisa é procurá-la 
num dicionário.” Por nossa parte, sugerimos que se ex-
perimente não interromper a leitura ante um termo de 
sentido desconhecido; não raro, a sequência do texto 
deixará bem claro o sentido da palavra desconhecida; 
anote, pois, a palavra desconhecida em um papel avul-
so, e continue a ler. Ao final de um capítulo, apanhe o 
dicionário para esclarecer todas as palavras anotadascomo desconhecidas e verifique o sentido que melhor se 
coaduna com o respectivo contexto. Assim, durante a se-
gunda leitura, em que se sublinham as ideias principais 
e os pormenores importantes, todos os termos estarão 
claros e incorporados ao nosso vocabulário. Adote a su-
gestão da consulta imediata ou a sugestão de não in-
terromper a leitura cada vez que encontrar uma palavra 
desconhecida. O fundamental é que não se deve perder 
51Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo
a oportunidade de enriquecer o próprio vocabulário pela 
preguiça da busca de palavras novas em algum dicioná-
rio. Por certo, estaríamos prejudicando a compreensão 
do texto e impedindo o próprio crescimento cultural.
Que dicionário consultar? Não se entende um estu-
dante de nível superior que não tenha um bom dicio-
nário comum da língua materna. Mas há certas pala-
vras que, embora incorporadas à linguagem vulgar, 
conservam ou assumem sentido específico, definido 
pelas diversas ciências, como botânica, a biologia, 
a medicina, a filosofia, e assim por diante. Outras 
palavras não constam nos dicionários comuns, mas 
tão-somente nos dicionários de maior porte ou em 
dicionários técnicos das diversas áreas. O estudante 
deve adquirir um bom dicionário dentro de sua área 
de especialização. Entretanto, as faculdades mantêm 
bibliotecas ricas em fontes de consulta, com grande 
variedade de dicionários e enciclopédias à disposição 
de seus alunos. Não é preciso que cada um compre 
enciclopédias caríssimas para usar uma vez ou outra; 
com o dinheiro de uma enciclopédia de generalidades 
monta-se uma preciosa estante com obras da própria 
especialidade, inclusive com dicionários técnicos; e 
isto parece ser mais útil.
RUIZ, João Álvaro. Vocabulário e leitura eficiente. In: ______. Metodolo-
gia Científica: guia para eficiência nos estudos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 
1996. p. 41-42. 
Trabalhos 
acadêmico-científi cos2
2.1 Pesquisa científica/Ética e Pesquisa
2.1.1 Pesquisa científica
Vejamos.
A metodologia é a maneira concreta de realizar a busca do conheci-
mento desejado de forma racional e eficiente. Nesse contexto, essa busca de 
conhecimento pode ser realizada através da pesquisa.
Segundo Andrade (2001, p. 121), a pesquisa pode ser definida como um 
conjunto de procedimentos sistemáticos baseado no raciocínio lógico que tem o 
objetivo de encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização 
de métodos científicos.
O êxito de uma pesquisa depende de certas qualidades intelectuais e 
sociais do pesquisador, tais como (GIL, 1991, p. 20):
 Conhecimento do assunto a ser pesquisado;
 Curiosidade;
 Criatividade;
 Integridade intelectual;
Metodologia Científi ca54
 Atitude auto-corretiva;
 Sensibilidade social;
 Imaginação disciplinada;
 Perseverança e paciência;
 Confiança na experiência;
 Ética.
Podemos então apresentar a você algumas carac-
terísticas da pesquisa.
Quanto à natureza, a pesquisa pode constituir-se em:
a) trabalho científico original: quando uma pes-
quisa é realizada pela primeira vez, trazendo novos 
conhecimentos para a comunidade científica e para a 
sociedade;
b) resumo de assuntos: quando a pretensão não 
é trazer novos conhecimentos, mas a prática metodoló-
gica da pesquisa através de trabalhos publicados por 
outros autores. Neste tipo de pesquisa o objetivo é reu-
nir, analisar e discutir conhecimentos e informações de 
trabalhos já existentes.
Quanto aos meios para obtenção das informações 
temos:
a) Pesquisa documental: quando são utiliza-
dos documentos que ainda não receberam tratamento 
analítico, ou seja, quando a pesquisa é realizada a 
partir de fontes primárias;
55Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
b) Pesquisa bibliográfica: quando realizada a par-
tir de fontes secundárias, ou seja, a pesquisa é desen-
volvida através de material já elaborado: livros e artigos 
científicos;
c) Pesquisa de campo: quando é realizada a partir 
de informações obtidas “em campo”, onde os fenôme-
nos ocorrem em situação natural;
d) Pesquisa de laboratório: quando as informa-
ções são obtidas em laboratório, buscando-se produzir 
ou reproduzir o fenômeno estudado, em condições de 
controle.
Quanto aos objetivos da pesquisa, pode-se 
classificá-las em:
a) Pesquisa exploratória: constitui-se numa pesqui-
sa preliminar, cujo principal objetivo é buscar informações 
sobre determinado assunto ou descobrir um tema para es-
tudo. Através da pesquisa exploratória podemos, também, 
delimitar um tema, definir os objetivos ou formular as hi-
póteses de uma pesquisa. Ela é considerada por alguns 
autores como um estudo inicial para realização de outro 
tipo de pesquisa;
Exemplos:
Processo de reprodução das abelhas; verificar se há 
impactos ambientais nos manguezais do município de Itaqui; 
realizar uma pesquisa bibliográfica para elaborar uma hipóte-
se de pesquisa.
b) Pesquisa descritiva: é realizada para descrever fe-
nômenos ou o estabelecimento de relações entre variáveis. 
Procura-se observar, registrar, analisar e interpretar os fenô-
menos utilizando-se de técnicas padronizadas de coleta de 
dados como o questionário e a observação sistemática;
Exemplos:
Metodologia Científi ca56
Pesquisar sobre as características de um grupo social: 
distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolarida-
de, estado de saúde etc. Pesquisar o nível de atendimento 
dos órgãos públicos de uma comunidade: condições de habi-
tação, índice de criminalidade etc. Pesquisar sobre opiniões, 
atitudes e crenças de uma população.
c) Pesquisa explicativa: é um tipo de pesquisa 
mais complexa, pois procura um conhecimento mais pro-
fundo sobre o fenômeno estudado. O principal objetivo é 
identificar os fatores que determinam ou que contribuem 
para a ocorrência dos fenômenos, procurando explicar a 
razão, o porquê das coisas. A pesquisa explicativa nas ci-
ências naturais caracteriza-se pela utilização do método 
experimental e observacional nas ciências sociais. 
Exemplos:
Pinga-se uma gota de ácido numa placa de metal 
para observar o resultado; verificar os efeitos da utiliza-
ção de um determinado medicamento em um grupo sob 
controle; comprovar hipóteses na busca de leis e teorias.
Quanto à abordagem na pesquisa, pode-se clas-
sificá-las em:
a) pesquisa quantitativa: quando a abordagem está 
relacionada à quantificação de dados obtidos mediante pes-
quisa. Utiliza-se na pesquisa de recursos e técnicas esta-
tísticas como: percentagem, média, moda, mediana, desvio 
padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, etc.;
b) pesquisa qualitativa: quando não emprega 
procedimentos estatísticos na abordagem da pesqui-
sa. É utilizada para investigar um determinado proble-
ma de pesquisa, cujos procedimentos estatísticos não 
podem alcançar devido à complexidade do problema 
como: opiniões, comportamentos, atitudes dos indiví-
duos ou grupo.
57Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Conforme o enfoque nas diversas áreas das ciên-
cias, há diferentes classificações de pesquisa. Não há 
um único referencial. A bibliografia sobre Metodologia 
Científica apresenta grande número de tipos de pesqui-
sa.
Quanto à obtenção de informações, Gil (1991, p. 
45-62), apresenta a seguinte classificação:
a) pesquisa bibliográfica: quando é desenvolvida 
a partir de material já publicado, constituído principal-
mente de livros, artigos de periódicos e atualmente de 
material disponibilizado na Internet;
b) pesquisa documental: quando elaborada a par-
tir de materiais que não receberam tratamento analítico;
c) pesquisa experimental: quando se determina 
um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que 
seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as formas 
de controle e de observação dosefeitos que a variável 
produz no objeto;
d) pesquisa ex-post-facto: quando o “experimen-
to” se realiza depois dos fatos; neste tipo de pesquisa 
são utilizados como experimentos situações que se de-
senvolveram naturalmente e trabalha-se depois sobre 
elas como se estivessem submetidas a controles; 
e) levantamento: quando a pesquisa envolve a 
interrogação direta das pessoas cujo comportamento se 
deseja conhecer e, mediante análise quantitativa, ob-
têm-se as conclusões dos dados coletados; 
f ) estudo de caso: quando envolve o estudo 
profundo, detalhado e exaustivo de um ou poucos 
objetos de maneira que se permita o seu amplo co-
nhecimento; 
Metodologia Científi ca58
g) pesquisa-ação: quando concebida e reali-
zada em estreita associação com a resolução de um 
problema coletivo. Os pesquisadores e participantes 
representativos da situação ou do problema estão 
envolvidos de modo cooperativo ou participativo; 
supõe uma forma de ação planejada, de caráter so-
cial, educacional, etc.;
É importante ressaltar que há diferentes for-
mas de classificações de pesquisa. Não há um único 
referencial. A bibliografia sobre pesquisa científica 
apresenta grande número de classificações.
Segundo Lakatos e Marconi (1999, p. 21), o 
critério para a classificação dos tipos de pesquisa 
depende do enfoque dado pelo autor e de interes-
ses, condições, campos, metodologia, situações, ob-
jetivos, objetos de estudo, etc.
Os tipos de pesquisa nas diversas classifica-
ções não são estanques. Uma mesma pesquisa pode 
estar, ao mesmo tempo, enquadrada em várias clas-
sificações, desde que obedeça aos requisitos ine-
rentes a cada tipo. Portanto, um pesquisador pode 
utilizar-se no estudo de um problema, por exemplo: 
a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental, a 
pesquisa de campo, a pesquisa descritiva e a abor-
dagem quantitativa.
Para a realização de uma pesquisa científica é de 
fundamental importância a utilização de métodos cientí-
ficos e técnicas de pesquisa.
2.1.2 Ética e Pesquisa
Pela Resolução 196/96 de 10 de outubro de 
1996 que estabelece as Diretrizes e Normas Regula-
mentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos 
no Brasil, o Ministério da Saúde (MS) via Conselho 
Nacional de Saúde (CSN) e Comissão Nacional de Éti-
59Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
ca em Pesquisa (CONEP) criou os Comitês de Ética e 
Pesquisa (CEPs) nas instituições que a realizam em 
todo o país, objetivando avaliar e autorizar projetos 
de pesquisa que envolva seres humanos, possibilitan-
do ao mesmo tempo uma ação consultiva e educativa 
ao fomentar uma reflexão analítica e crítica em torno 
da ética nas ciências (BRASIL, 1996).
Para tanto, foram estabelecidos princípios éti-
cos que visaram o reconhecimento de valores e di-
reitos, levando em conta a não maleficência, a be-
neficência, a autonomia e a justiça, com o intuito de 
preservar a dignidade humana. Nessa perspectiva a 
referida resolução determinou, ainda, a garantia da 
responsabilidade do pesquisador, patrocinador e ins-
tituição em dar assistência integral às complicações 
e danos provenientes dos riscos da pesquisa, inclu-
sive indenizatórios, cumprindo assim uma destinação 
social e humanitária, com vantagens significativas e 
redução do ônus em termos gerais e em especial no 
que se refere aos grupos vulneráveis.
Com o intuito de estabelecer critérios para o uso 
de seres humanos na pesquisa científica, criou também 
um mecanismo pautado na participação e aceitação vo-
luntária dos termos da pesquisa, na forma de consen-
timento informado em que o pesquisado por si ou seu 
representante, sabendo da natureza da mesma, conse-
quências e riscos, aceita o tratamento proposto ou expe-
rimentação, especificando seus dados de identificação e 
a manifestação legal da sua concordância em participar 
como sujeito da pesquisa. Constando ainda o seu grau 
de participação, bem como as prováveis dificuldades di-
retas e indiretas que possam ocorrer durante a sua rea-
lização, sob a denominação de Termo de Consentimento 
Livre e Esclarecido. 
Cabe ao responsável pela pesquisa suspendê-la 
imediatamente, caso perceba a possibilidade de risco 
ou dano à saúde do sujeito envolvido, previsto ou não 
Metodologia Científi ca60
no referido termo, o qual, juntamente com o projeto 
de pesquisa proposto, deve ser enviado ao CEP, para 
apreciação e julgamento ético para somente, após apro-
vação, ser colocado em prática. 
Com isso, o uso de seres humanos na pesquisa 
ficou obrigado ao cumprimento dessa resolução com 
a implantação dos CEPs em todo o território nacional, 
visando o atendimento a pesquisadores e a submis-
são de projetos de pesquisa nas diversas áreas do 
conhecimento, atuando tanto na forma interdisciplinar 
quanto na transdisciplinar, considerando os valores 
e os preceitos éticos necessários, além de avaliar a 
documentação prevista ao seu desenvolvimento com 
o objetivo de proteger e adequar o bem-estar dos 
indivíduos pesquisados.
Além disso, em 05 de agosto de 1997, o Plenário 
do Conselho Nacional de Saúde, amparado pela Lei no. 
8.080 de 19 de setembro de 1990 e pela Lei 8.142 de 
28 de dezembro desse mesmo ano, aprovou a Resolu-
ção CSN251/97 estabelecendo as normas de pesquisa 
envolvendo seres humanos quanto ao uso de novos 
fármacos, medicamentos, vacinas e testes diagnósticos 
(BRASIL, 1997).
Desse modo, a ética na pesquisa científica 
ampliou suas fronteiras aos vários campos do sa-
ber pautando-se tanto no contexto da bioética (ética 
aplicada ao campo médico e biológico), quanto no 
da diversidade cultural da sociedade global, conside-
rando, ainda, o Código de Ética e os direitos huma-
nos consolidados nas Ciências Humanas, bem como 
os cuidados necessários à publicação dos resultados 
obtidos com a pesquisa, principalmente com o in-
tuito de evitar conclusões constrangedoras e/ou hu-
milhantes que possam de algum modo gerar confli-
tos ou trazer prejuízos e inconvenientes aos sujeitos 
pesquisados.
61Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
2.2 Pesquisa bibliográfica e normas de referên-
cias, citações e notas de rodapé
2.2.1 Pesquisa bibliográfica
Caro aluno, tendo em vista ser a pesquisa bibliográ-
fica uma atividade de aprendizagem, produção e aprimora-
mento do conhecimento e, bastante solicitada por profes-
sores, resolvemos prestar maiores explicações a respeito 
dos procedimentos metodológicos para a sua elaboração.
A pesquisa bibliográfica é realizada com o objeti-
vo de explicar um problema através de referenciais escri-
tos. Pode constituir-se como um trabalho em si mesmo 
ou como parte da pesquisa descritiva ou experimental. 
Também é de grande importância no processo de elabo-
ração e composição de monografias.
Para a sua elaboração devemos percorrer as se-
guintes fases:
Escolha do tema
Poderá ser da escolha do aluno ou indicado pelo pro-
fessor, devendo levar em consideração o tempo disponível 
para realização da pesquisa, disponibilidade de material para 
consulta, interesse pelo assunto a ser trabalhado, relevância 
para o aprendizado, área de conhecimento e/ou sociedade.
Delimitação do tema
O tema não poderá ficar aberto ou vago. Deverá 
ser escolhido um aspecto do tema para ser trabalha-
do. Assim sendo, na delimitação do tema é necessário 
definir sua extensão, profundidade e tipo de enfoque 
(biológico, pedagógico, estatístico, etc.). Também, deve-
rá delimitá-lo no tempo e no espaço.
Exemplo: Tema: Evasão escolar
Delimitação do tema: A evasão escolar no ensino 
fundamental, no município de Aracaju, na década de 1970.
Metodologia Científi ca62
Plano de trabalho
Antes de iniciar a pesquisa, é necessária a ela-
boração do plano de trabalho, que poderá ser provisó-
rio. Nele deverá constar o direcionamento da pesquisa, 
apresentando os tópicos dos assuntosque serão traba-
lhados.
Coleta de dados
Escolhido e delimitado o tema e elaborado o 
plano de trabalho, inicia-se a coleta de dados através 
das fontes secundárias que são fontes de segunda mão 
como: livros, revistas, etc. Também, dependendo da com-
plexidade do tema, poderá utilizar-se de fontes primárias 
que são fontes de primeira mão, tais como: autobiogra-
fias, diários, materiais estatísticos, etc. A maioria dessas 
fontes encontra-se nas bibliotecas e, também, na internet.
Localização das informações
De posse do material coletado, o aluno deverá 
localizar as informações pertinentes ao assunto que será 
trabalhado, através das leituras:
a) leitura de reconhecimento: realizada para a se-
leção do material que será estudado, ocorre no momen-
to da coleta dos dados;
b) leitura seletiva: constitui-se numa primeira lei-
tura rápida do conteúdo buscando uma visão geral do 
texto para saber se realmente atende ao assunto;
c) leitura analítica: realizada para uma maior 
compreensão do texto, descobrindo sua lógica interna 
e estruturação. Buscam-se, também, as ideias, argu-
mentações e demonstrações apresentadas pelo autor 
do texto;
d) leitura interpretativa: o objetivo é avaliar e jul-
gar o conteúdo do texto e buscar, também, as informa-
ções que poderão contribuir para a pesquisa. 
63Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Documentação dos dados
No momento da seleção e leitura do material é 
necessário que o aluno faça a documentação do mes-
mo que pode ser feita através do fichamento que tem 
como função colocar à disposição do pesquisador uma 
série de informações distribuídas numa gama enorme de 
obras já consultadas.
Seleção do material
Uma vez documentados os dados, o aluno deverá 
agora selecionar os conteúdos das fichas que serão uti-
lizados na elaboração da redação do trabalho.
Redação do trabalho
Geralmente, na graduação, a redação do trabalho 
é iniciada pelo desenvolvimento, seguida pelas demais 
partes, sendo necessário que, ao final da redação, seja 
feita uma leitura para verificar a ocorrência de algum 
erro de redação e estrutura lógica do conteúdo.
Referências
No final do trabalho deverão constar as referên-
cias bibliográficas que foram utilizadas seguindo as nor-
mas da ABNT- NBR 6023 (http://www.unit.br/normasaca-
demicas.asp).
Estrutura do Trabalho de Graduação
O prazer de ver um trabalho bem estruturado.
Mas como realizá-lo?
Vejamos.
A estrutura que vamos apresentar é indicada para 
o trabalho de pequeno porte que poderá ser solicitado 
por professores no decorrer do curso, tal como a pes-
quisa bibliográfica.
Metodologia Científi ca64
Estrutura:
a) A capa deve conter: nome da instituição, o curso, a 
disciplina, o professor da disciplina, título, subtítulo (se hou-
ver), nome do autor, local e ano da conclusão do trabalho;
b) O sumário deve apresentar as partes que com-
põem o trabalho, com as respectivas numerações das 
páginas.
c) A introdução é a parte inicial do texto, devendo 
apresentar o assunto, a delimitação do tema, os objeti-
vos, a justificativa e os procedimentos metodológicos;
d) O desenvolvimento compreende o conteúdo 
com ideias, argumentações e demonstrações, estrutura-
das de forma lógica;
e) A conclusão deve ser breve, apresentando a 
síntese dos resultados. Não deve conter nenhum ele-
mento novo não discutido na parte do desenvolvimento;
f ) Nas referências são indicadas as fontes con-
sultadas e referenciadas no corpo do trabalho. Segue 
a norma da ABNT-NBR 6023 (UNIT: http://www.unit.br/
normasacademicas.asp);
g) O apêndice e/ou anexo (se houver) corresponde a 
documentos complementares que servem de fundamentação, 
comprovação ou mesmo ilustram o trabalho. Os apêndices 
correspondem ao material elaborado pelo autor do relatório, 
já os anexos são materiais de autoria de terceiros.
Redação, apresentação e aspectos Gráficos
Quanto à redação, à forma de apresentação da fo-
lha e disposição do texto, é de fundamental importância 
65Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
que os trabalhos de graduação, tais como: a pesquisa 
bibliográfica, o relatório, etc., apresentem:
a) tamanho das folhas
Usa-se o papel branco, formato A4 (21cm x 
29,7cm).
b) numeração das páginas
Todas as páginas, a partir da folha de rosto, de-
verão ser contadas, mas não numeradas. A numeração 
é colocada a partir da primeira folha da parte textual. 
Os números deverão ser em arábicos e localizados no 
canto superior da folha, à direita em fonte tamanho 10. 
Os anexos e apêndices (se houver), também devem ser 
numerados.
c) fonte
Times New Roman ou Arial em tamanho 12 para 
o corpo do trabalho (texto). Às citações (com mais de 3 
linhas), em tamanho 10 ou 11. Para o título do trabalho 
utilizar tamanho 18 ou 16; capítulo tamanho 16 ou 14; 
item tamanho 12 e para nota de rodapé tamanho 10. 
d) espaçamento entre as linhas
Deverá ser utilizado o espaçamento duplo em 
todo o texto. Nas citações diretas com mais de três li-
nhas utilizar espaçamento simples. Entre os títulos, se-
ções e o texto utilizar 2 duplos.
e) capítulos e seções
Todos os capítulos deverão ser iniciados em uma 
nova página. O indicativo numérico de uma seção prece-
Metodologia Científi ca66
de seu título com alinhamento esquerdo e separado por 
um espaço de caractere.
Os títulos serão centrados na margem superior à 
esquerda. Os títulos sem indicativo numérico deverão 
ser centrados. Os títulos das seções primárias deverão 
ser escritos em caixa-alta e negrito. Nas seções secundá-
rias, caixa-alta apenas na primeira letra de cada palavra 
sem negrito, já das terciárias em diante, caixa alta so-
mente na primeira letra sem negrito. 
f ) margens 
A uma apresentação estética do trabalho devem-
se respeitar as margens: 3cm (superior e esquerda) e 
2cm (direta e inferior). 
A margem para início de parágrafo deverá ser de 
2cm, após a margem da página.
g) redação do trabalho
Geralmente é iniciada pelo desenvolvimento, se-
guida pelas demais partes, sendo necessário que, ao final 
da redação, seja feita uma leitura para verificar a ocorrên-
cia de algum erro de redação e estrutura lógica do conte-
údo. A redação do conteúdo da pesquisa bibliográfica e 
demais trabalhos acadêmicos devem apresentar algumas 
normas especiais relativas à linguagem científica, como:
 impessoalidade: na redação do trabalho deve 
estar na 3ª pessoa, evitando-se referências 
pessoais, como: “o meu trabalho”, “minha 
monografia” etc.. Utiliza-se, preferencialmen-
te, as formas: “a presente pesquisa”, “o pre-
sente trabalho”, “a presente monografia” etc.. 
Também, verbos que tendem à impessoali-
dade, como: “o procedimento utilizado”, “tal 
informação foi verificada”, etc.,
67Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
 objetividade: deve-se expor as ideias rele-
vantes, retirando do texto todas as informa-
ções consideradas supérfluas. Utiliza-se uma 
linguagem denotativa em que cada palavra 
deve apresentar seu significado próprio, não 
possibilitando dar margem a outras interpre-
tações. A linguagem objetiva deve está isenta 
de informações de caráter de valor pessoal e 
ambigüidades,
 clareza: deve-se evitar a construção de pará-
grafos longos, excesso de orações subordina-
das e termos obscuros. Utiliza-se vocabulário 
simples e formal, com os termos técnicos pre-
cisos, bem definidos, sem exagero de repeti-
ção,
 coerência: as ideias devem estar organizadas 
na redação de forma sequenciadas, tendo um 
início, um meio e um fim. Consiste no raciocí-
nio lógico das ideias.
h) Normas de referências, citações e notas de rodapé
Para a organização das referências, citações e 
notas de rodapé no trabalho consultar o site da Unit: 
http://www.unit.br/início/normas_acadêmicas.aspx (Ma-
nual de Referências,Citações e Notas de Rodapé);
Metodologia Científi ca68
a) capa
69Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
b) folha de rosto
Metodologia Científi ca70
2.3 Artigo e Relatório técnico-científico
2.3.1 Artigo técnico-científico
O artigo científico constitui-se num trabalho escrito 
que trata sobre um determinado assunto e que apresenta 
e discute ideias, métodos, técnicas e resultados de traba-
lhos nas diversas áreas do conhecimento científico. 
O artigo científico tem por finalidade a difusão de 
informações sobre pesquisas realizadas, apresentando 
os resultados alcançados.
Estrutura Formal do Artigo Científico
Segue a NBR 6022/2003, ABNT e orientações da 
Universidade Tiradentes.
Elementos:
a) pré-textuais
b) textuais
c) pós-textuais
ESTRUTURA ELEMENTO
Pré-textuais
Título e subtítulo (se houver)
Nomes (s) do (s) autor (es)
Nome do orientador
Resumo na língua do texto
Palavras-chave na língua do 
texto
Textuais
Introdução
Desenvolvimento
Conclusão
Pós-textuais
Referências
Apêndice (s) (opcional)
Anexo (s) (opcional)
71Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Elementos pré-textuais
É importante ressaltar que na primeira folha do ar-
tigo científico devem constar somente os elementos pré-
textuais e, os mesmos, não devem ultrapassar esta folha.
Título e subtítulo (se houver) do artigo
Deve constar no cabeçalho da página inicial do 
artigo e na língua do texto, centralizado.
Autor
Nome do autor do artigo com iniciais em maiúscu-
las e, logo abaixo, nome do curso de graduação (centra-
lizado). O nome deve ser antecedido pela palavra: Autor.
Orientador
Nome do orientador com iniciais maiúsculas e sua 
titulação, último grau acadêmico (centralizado). O nome 
deve ser antecedido pela palavra: Orientador. 
Resumo na língua do texto
O resumo vem logo após o nome do orientador, apre-
sentando de forma concisa, clara, objetiva e impessoal o 
conteúdo do trabalho (artigo), não ultrapassando 250 pa-
lavras e em parágrafo único, conforme a NBR 6028, ABNT. 
Deve apresentar o objetivo geral, a metodologia, os resul-
tados significativos e conclusões. Deve, antes de iniciar o 
texto, colocar a palavra: RESUMO.
Palavras-chave na língua do texto
Devem ser colocadas logo abaixo do resumo. De 
acordo com a NBR 6022/2003 (ABNT), as palavras-chave 
Metodologia Científi ca72
devem ser colocadas abaixo do resumo, antecedidas da 
expressão PALAVRAS-CHAVE: separadas entre si por pon-
to e finalizadas também por ponto. O máximo é de cinco 
palavras-chave. 
Elementos textuais
Introdução
Deve apresentar a delimitação do assunto, os ob-
jetivos (geral e específicos), as questões norteadoras ou 
hipóteses, a justificativa, a metodologia utilizada (méto-
dos, técnicas e materiais) e outros elementos necessá-
rios para situar o tema do artigo científico.
Desenvolvimento
Exposição e demonstração, discussão e avaliação 
dos resultados do estudo. Apresentando objetividade, 
impessoalidade, concisão e clareza. Pode ser dividido 
em seções e subseções. Os títulos das seções e subse-
ções são definidos pelo autor. O desenvolvimento pode 
ser dividido em duas partes: a primeira refere-se ao re-
ferencial teórico, uma pesquisa bibliográfica sobre o as-
sunto (elaborar título para este item). A segunda corres-
ponde à parte prática da pesquisa (pesquisa de campo 
ou laboratório), apresentando a análise e os resultados 
do problema pesquisado (elaborar título para este item).
Conclusão
Parte obrigatória e final do texto, devendo ser 
breve e apresentando a síntese dos resultados. Não 
deve conter nenhum elemento novo não discutido na 
parte do desenvolvimento, atentando-se para um discur-
so breve, conciso e convincente quanto à qualidade do 
conteúdo exposto. 
73Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Elementos pós-textuais
Referências
Corresponde a uma lista das fontes consultadas e 
referenciadas no trabalho. Os registros devem obedecer 
às normas da ABNT, NBR 6023 (atualizada). Na elabora-
ção das referências é indispensável a honestidade do 
autor do trabalho, para não excluir da lista obras que 
foram utilizadas no texto e que não lhe pertencem. A 
lista de referência deve ser organizada por sobrenome e 
em ordem alfabética.
 
Apêndice (s)
Corresponde a documentos complementares 
que servem de fundamentação, comprovação ou mes-
mo ilustram o trabalho, como: fotografias, folder, ins-
trumento de entrevista, desenhos, figuras, gráficos, 
quadros, tabelas, mapas, etc., e pertencem ao autor 
do trabalho. São identificados por letras maiúsculas 
consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos 
para identificá-los.
Anexo(s)
Corresponde a documentos complementares 
que servem de fundamentação, comprovação ou mes-
mo ilustram o trabalho, como: fotografias, folder, fi-
guras, gráficos, quadros, mapas, etc., e pertencem a 
terceiros. São identificados por letras maiúsculas con-
secutivas, travessão e pelos respectivos títulos para 
identificá-los.
Vejamos os aspectos gráficos: 
Metodologia Científi ca74
a) elementos pré-textuais
75Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
b) elementos textuais
Metodologia Científi ca76
77Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Metodologia Científi ca78
79Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Metodologia Científi ca80
c) elementos pós-textuais
81Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Metodologia Científi ca82
2.3.2 Relatório técnico-científico
Vejamos.
Outro tipo de trabalho acadêmico consiste no 
relatório.
Podemos definir o relatório como um documento 
formal que expõe, de forma lógica e sistemática, infor-
mações sobre um determinado assunto, devendo apre-
sentar conclusões e/ou recomendações. O principal obje-
tivo é relatar sobre experiências vivenciadas durante um 
período determinado de aprendizagem. 
Existem vários tipos de relatórios. Quando o re-
latório for realizado para a conclusão de curso você 
deverá utilizar-se dos manuais de conclusão de curso 
da universidade Tiradentes. Mas, existem relatórios de 
pequeno porte que são solicitados pelos professores du-
rante o decorrer do seu curso, sendo os relatórios mais 
usuais: viagem; visita técnica e evento.
A estrutura do relatório de viagem; visita técnica e 
evento apresentam semelhanças, estando constituído em:
 A capa deve conter: nome da instituição, o 
curso, a disciplina, o professor da discipli-
na, título, subtítulo (se houver), nome do 
autor, local e ano da conclusão do relatório;
 A folha de rosto: elemento obrigatório para 
identificação do Relatório, devendo constar o 
nome do autor; título do trabalho, e subtítulo 
(se houver); objetivo do trabalho; o nome da 
instituição a que é submetido; nome do orien-
tador, local (cidade) da instituição onde deve 
ser apresentado; ano de depósito (da entrega);
 O sumário deve apresentar as partes que 
compõem o relatório, acompanhadas da nu-
meração das páginas;
83Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
 A lista de ilustrações é elemento opcional que 
consiste na relação de ilustrações, na ordem em 
que se apresentam no texto, sendo cada item 
designado por seu nome específico e acompa-
nhado do respectivo número da página. Geral-
mente, elabora-se lista própria para cada tipo 
de ilustração (gráfico, fotografia, mapa, dese-
nho, fluxograma, organograma e outros);
 A lista de tabelas e/ou quadros é elemento 
opcional que consiste na relação das tabelas 
e/ou quadros, na ordem em que se apresen-
tam no texto, sendo cada item designado por 
seu nome específico e acompanhado do res-
pectivo número da página.
 A introdução é a parte inicial do texto, deven-
do apresentar o tema, os objetivos, a justi-
ficativa, osprocedimentos metodológicos, o 
local e o período de realização da atividade;
 O desenvolvimento compreende o relato e aná-
lise das atividades desenvolvidas e observadas;
 A conclusão deve ser breve, apresentando a 
síntese dos resultados. Poderá apresentar su-
gestões e recomendações;
 Nas referências são indicadas as fontes con-
sultadas e referenciadas no corpo do traba-
lho. Segue a norma da ABNT-NBR 6023;
 O apêndice e/ou anexo (se houver) corres-
ponde a documentos complementares que 
servem de fundamentação, comprovação ou 
mesmo ilustram o trabalho. Os apêndices cor-
respondem ao material elaborado pelo autor 
Metodologia Científi ca84
do relatório, já os anexos são materiais de 
autoria de terceiros.
Lembrete!
Quando for elaborar um relatório de viagem, 
visita técnica ou participar de um evento, 
lembre-se dessa estrutura.
ELEMENTOS QUANTIDADE DE FOLHAS 
CAPA 01 folha
FOLHA DE ROSTO 01 folha
LISTA DE ILUS-
TRAÇÃO (QUANDO 
HOUVER)
-
LISTA DE TABE-
LAS (QUANDO 
HOUVER)
-
SUMÁRIO 01 a 02 folhas
INTRODUÇÃO 01 a 02 folhas
DESENVOLVI-
MENTO
04 a 08 folhas
CONCLUSÃO 01 a 02 folhas
REFERÊNCIAS -
APÊNDICE (QUAN-
DO HOUVER)
-
ANEXO (QUANDO 
HOUVER)
-
85Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
a) capa
Metodologia Científi ca86
b) folha de rosto
87Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
c) Lista de tabelas
Metodologia Científi ca88
d) sumário
89Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
e) introdução
Metodologia Científi ca90
f ) desenvolvimento
91Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Metodologia Científi ca92
93Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
Metodologia Científi ca94
g) conclusão
95Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
h) referências
Metodologia Científi ca96
i) apêndice
97Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
2.4 Monografia e Seminário
2.4.1 Monografia
Vejamos.
Segundo Salvador (1986, p.33), podemos consi-
derar a monografia como um gênero de trabalhos cien-
tíficos, sendo considerados a dissertação e a tese como 
tipos de trabalhos monográficos.
Ainda segundo o autor, a monografia apresenta 
as seguintes características:
 redução da abordagem a um só assunto. 
Mantém-se assim o sentido etimológico do 
termo: monos (um só) e graphein (escre-
ver): estudo por escrito de um único tema 
específico;
 é um estudo pormenorizado e exaustivo em 
todos os seus aspectos e ângulos, limitado 
em extensão, mas exaustivo e completo na 
compreensão e profundidade;
 resulta de uma investigação científica em do-
cumentação escrita ou por observação e expe-
rimentação, seguindo rigorosamente a meto-
dologia de cada ciência;
 apresenta uma contribuição ao progresso da 
ciência, quer em termos de sistematização 
de conhecimentos, quer em termos de novas 
descobertas científicas.
Assim, resolvemos não definir o que seja mono-
grafia, já que as características apresentadas pelo autor 
atendem a uma definição.
Metodologia Científi ca98
Na conclusão do curso de graduação mantém-se o 
sentido etimológico: monografia. Na conclusão do curso 
de mestrado é denominada de dissertação. Já para a 
conclusão do doutorado recebe o nome de tese. O nível 
de originalidade e profundidade da monografia depen-
derá do grau acadêmico que se pretende obter.
O site da Unit para o estudo e Estrutura da 
Monografia: http://www.unit.br/início/nor-
mas_acadêmicas.aspx
2.4.2 Seminário
O que é?
O seminário é uma técnica utilizada para estudar 
um tema sob a orientação de um professor ou especia-
lista e exige pesquisa, discussão e debate. 
A finalidade do seminário é preparar o aluno para 
a elaboração de trabalhos científicos e a discussão de 
textos, através do debate, da reflexão e da crítica.
O seminário pode ser:
a) Seminário de texto: quando é atribuído a um 
indivíduo ou um pequeno grupo um texto para 
ser apresentado;
b) Seminário de tema: quando o objetivo é a 
pesquisa sobre um determinado tema e sua 
apresentação.
Os procedimentos para a sua realização:
a) deverá ser definido o tipo de seminário que 
será realizado: texto ou tema;
99Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
b) atribui-se a um aluno ou grupo, que sob a orien-
tação de um professor realizará o seminário; quan-
do em grupo é necessário que ocorram reuniões por 
parte do grupo para a organização do seminário;
c) o assunto deverá ser estudado ou pesquisado pelo 
(s) seminarista (s);
d) exposição do assunto utilizando-se de recursos 
materiais necessários;
e) debate: professor, seminarista (s) e alunos;
f ) conclusão e avaliação do seminário. 
A vantagem da realização do seminário em sala 
de aula é contribuir para que o aluno aprofunde seus 
conhecimentos sobre um determinado assunto, bem 
como o domínio das técnicas de exposição de trabalhos 
acadêmicos diante do público alvo.
Assim, para uma boa apresentação (exposição) de 
um seminário, sugerem-se alguns procedimentos meto-
dológicos, como (obs.: cada elemento abaixo deve ser 
utilizado de acordo com o tipo de seminário – pesquisa 
de campo, laboratório, bibliográfica, documental, semi-
nário de texto ou tema - e/ou solicitação do professor):
a) exposição oral com material visual (data show, 
retroprojetor, etc.):
 tema,
 problema,
 objetivos: geral e específicos,
 justificativa,
Metodologia Científi ca100
 procedimentos metodológicos,
 local da pesquisa de campo ou laboratório,
 corpo do trabalho: pesquisa bibliográfica, de 
campo, laboratório ou documental, seminário 
de texto ou tema,
 conclusão.
b) procedimentos pessoais:
 demonstrar domínio do assunto,
 apresentar o assunto de forma lógica,
 adequar o conteúdo ao tempo de exposição,
 utilizar vocabulário simples, correto e objeti-
vo, não excluindo os termos técnicos da área 
especializada,
 adotar postura correta na apresentação,
 fazer um treinamento, antes da apresentação, 
buscando a relação conteúdo/tempo.
Utilize essa técnica na apresentação de seus 
seminários.
TEXTO COMPLEMENTAR
SEMINÁRIO
Nos meios escolares, académicos, científicos e técnicos, 
são comuns as situações em que uma pessoa ou um gru-
101Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
po de pessoas desenvolvem uma pesquisa e apresentam 
os resultados a um público. Esse tipo de texto, produzido 
oral e publicamente, é chamado de Seminário e, tal como 
o texto de apresentação científica, o relatório, o texto 
didático, a mesa-redonda, isto é, géneros que se prestam 
à transmissão de saberes historicamente construídos pela 
humanidade, pertence à família dos géneros expositivos.
Como o seminário é um gênero oral, ele só se realiza 
plenamente quando é apresentado numa situação con-
creta de interação.
1 Planejamento e preparação de um seminário
Para a produção de um seminário, é necessária uma or-
ganização prévia, que envolve várias etapas. A primeira 
delas é a pesquisa sob o tema proposto, para coletar 
dados para a exposição.
1.1 Pesquisa, tomada de notas e produção de roteiro
Como a finalidade do seminário é transmitir para os ou-
vintes conhecimentos sobre o assunto pesquisado, o 
apresentador deve se colocar na posição de um especia-
lista no assunto em foco. Isso quer dizer que ele deve 
demonstrar conhecer o tema mais do que os ouvintes, 
pois é essa condição que lhe confere autoridade para 
discorrer sobre o assunto com segurança.
Para conquistar a condição de especialista no assunto e 
ganhar respeito do público, o apresentador deve adotar 
os seguintes procedimentos:
a) pesquisar em bibliotecas, na internet, em livros, em 
jornais, em revistas especializadas, em enciclopédias, 
em vídeos,etc., que poderão servir de fontes de infor-
mação sobre o tema.
Metodologia Científi ca102
b) tomar notas, resumir ou reproduzir textos verbais e 
não verbais que possam ser úteis. Esse trabalho tem em 
vista a produção de um roteiro próprio do apresentador 
e consiste em anotar dados históricos ou estatísticos, 
citações, comparações, exemplos, etc.
c) selecionar e organizar as informações, tendo em vista 
os passos da exposição:
- como introduzir, desenvolver e concluir a exposição;
- quais subtemas serão abordados no desenvolvimento;
- quais exemplos ou apoios (gráficos, dados estatísticos) 
serão utilizados para fundamentar a exposição;
- que materiais e recursos audiovisuais (cartazes, aposti-
las, lousa, retroprojetor, datashow, microfone, etc.) serão 
necessários.
Nesse planejamento, devem ser levadas em conta as carac-
terísticas do público-alvo, como faixa etária, tipo de inte-
resse, expectativas e conhecimentos prévios em relação ao 
tema abordado, etc. Convém planejar um encaminhamento 
interessante para a exposição, como, por exemplo, interca-
lar o uso da voz com o uso de recursos audiovisuais.
d) redigir um roteiro que permita visualizar não apenas o 
conjunto das informações que serão apresentadas, mas 
também a sequência em que isso vai ocorrer. Esse rotei-
ro deve conter algumas informações-chave que orientem 
o pensamento do apresentador durante a exposição, in-
dicações de recursos audiovisuais, se for o caso, textos 
de autoridades ou especialistas que serão citados pelo 
apresentador, etc. Atenção: esse roteiro não deve ser 
lido integralmente durante o seminário. Antes da exposi-
ção, ele serve para organizar as ideias do apresentador; 
103Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
durante a exposição, serve de apoio para que o apresen-
tador se lembre de informações e tópicos básicos, além 
do andamento da apresentação
1.2 Apresentação de um seminário
Durante a exposição, podem ocorrer fatos não previstos. 
Por exemplo, o público pode não compreender bem o 
conteúdo da exposição; um aparelho audiovisual pode 
não funcionar; um integrante do grupo pode faltar ou 
ficar nervoso e esquecer o texto; uma cartolina pode cair 
da parede, etc. Por isso, é preciso estar atento a vários 
aspectos simultaneamente e, de acordo com a necessi-
dade, introduzir modificações e improvisar soluções a 
fim de alcançar o melhor resultado possível.
1.2.1 Sequência e andamento da exposição
1º) Abertura: alguém (geralmente o professor) faz uma 
apresentação inicial breve e dá a palavra ao apresen-
tador. Faz isso com palavras como “Vocês agora vão 
assistir ao seminário preparado por fulano...”
2º) Tomada da palavra e cumprimentos: o apresentador 
deve, primeiramente, colocar-se à frente da plateia (que 
pode ser uma sala de aula), cumprimentá-la e tomar a 
palavra.
3º) Apresentação do tema: o apresentador diz qual é o 
tema, fala da importância de abordá-lo nos dias de hoje, 
esclarece o ponto de vista sob o qual irá abordá-lo e, 
no caso de se tratar de um tema amplo, delimita-o, isto 
é, indica qual aspecto dele será enfocado. Por exemplo, 
se o tema é a poluição do meio ambiente, a delimitação 
pode consistir em enfocar apenas a poluição dos rios. 
Esse momento do seminário tem em vista despertar na 
plateia curiosidade sobre o tema.
Metodologia Científi ca104
4º) Exposição: o apresentador segue o roteiro traçado, 
expondo cada uma das partes, sem atropelos. Ao térmi-
no de cada uma, deve perguntar se alguém quer fazer 
alguma pergunta ou se pode ir adiante. Na passagem de 
uma parte para a outra, deve dar a entender que não há 
ruptura, e sim uma ampliação do tema. Para isso, deve 
fazer uso de certos recursos linguísticos, com expressões 
como “Outro aspecto que vamos abordar...”, “Se há es-
ses aspectos negativos, vamos ver agora os aspectos 
positivos...”, etc.
5º) Conclusão e encerramento: o apresentador retoma 
os principais pontos abordados, fazendo uma síntese 
deles; se quiser, pode mencionar aspectos do tema que 
merecem ser aprofundados em outro seminário; pode 
também deixar uma mensagem final, algo que traduza o 
seu pensamento ou o pensamento do grupo ou de um 
autor especial. No final, agradece a atenção do público 
e passa a palavra a outra pessoa.
6º) Tempo: o apresentador deve estar atento ao tempo 
previsto e, de acordo com o andamento do seminário, 
ser capaz de introduzir ou eliminar exemplos e aspectos 
secundários, caso haja necessidade, a fim de se ajustar 
ao tempo estipulado.
1.2.2 Postura do apresentador
a) o apresentador deve preferencialmente falar em pé, 
com o roteiro nas mãos, olhando para o fundo da sala. 
Sua presença deve expressar segurança e confiança.
b) a fala do apresentador deve ser alta, clara, bem ar-
ticulada, com palavras bem pronunciadas e variações 
de entonação, a fim de que a exposição não fique 
monótona.
105Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
c) ao olhar para o roteiro, o apresentador deve fazê-lo 
de modo rápido e sutil, sem que seja necessário inter-
romper o fluxo da fala ou do pensamento. Além disso, 
ao olhar o roteiro, não deve abaixar demasiadamente a 
cabeça, a fim de que a voz não se volte para o chão. O 
roteiro deve ser rapidamente olhado, e não lido (a não 
ser no caso de leitura de uma citação), pois tal procedi-
mento geralmente torna a exposição enfadonha.
d) o apresentador nunca deve falar de costas para a pla-
teia, mesmo que esteja escrevendo na lousa ou trocan-
do uma transparência no retroprojetor. Nessas situações, 
deve ficar de lado e falar com a cabeça virada na direção 
do público, a fim de que sua voz seja ouvida por todos.
e) o apresentador deve se mostrar simpático ao público 
e receptivo a participações da plateia.
1.2.3 Uso da linguagem
Nos seminários, predomina a variedade padrão da lín-
gua, embora possa haver maior ou menor grau de for-
malismo, dependendo do grau de intimidade entre os 
interlocutores. Assim:
a) o apresentador deve evitar certos hábitos da lingua-
gem oral, como a repetição constante de expressões 
como “tipo”, “né?”, “tá?” e “ahnn...”, pois elas prejudi-
cam a fluência da exposição.
b) o apresentador deve estar atento ao emprego de vo-
cábulos e conceitos específicos da área pesquisada e 
explicar ao público seu significado sempre que houver 
necessidade.
c) durante a exposição, o apresentador deve fazer uso 
de expressões de reformulação, isto é, aquelas que 
Metodologia Científi ca106
permitem explicar de outra forma uma palavra, um con-
ceito, ou uma ideia complexa. As mais comuns são: 
“isto é”, “quer dizer”, “por exemplo”, “em outras pala-
vras”, “vocês sabem o que é isso?”. Deve também fazer 
uso de expressões que confiram continuidade ao texto, 
como “além disso”, “por outro lado”, “outro aspecto”, 
“apesar disso”, etc.
1.3 Apresentação de um seminário em grupo
Além das orientações dadas anteriormente, a exposição 
em grupo exige atenção quanto a mais alguns aspectos 
específicos.
a) cada integrante do grupo pode ficar responsável pela 
apresentação de uma das partes do seminário. Entretan-
to, entre a exposição de um participante e a de outro 
deve haver coesão, isto é, não pode haver contradição 
entre as exposições nem ser dada a impressão de que 
uma fala é independente de outra. Cada exposição deve 
retomar o que já foi desenvolvido e acrescentar, ampliar. 
Além disso, devem ser empregados elementos linguísti-
cos de coesão, como “Além das causas que fulano co-
mentou, vejamos agora outras causas, menos conheci-
das...”, ‘Vocês viram as consequências desse problema 
no meio urbano; agora, vão conhecer as consequências 
do mesmo problema no meio rural...”.
b) o grupo todo deve se “especializar” no assunto em 
foco. Além de conferir maior segurança às exposições 
individuais, isso permite também que todos respondamcom tranquilidade a qualquer pergunta feita pelo público.
c) devem ser evitadas atitudes que desviem a atenção 
do apresentador, como conversas entre os membros do 
grupo, conversas entre um membro do grupo e uma pes-
soa da plateia, movimentos, ruídos ou brincadeiras que 
107Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos
atrapalhem a exposição. Não há obrigatoriedade de que 
todos fiquem em pé enquanto um dos integrantes do 
grupo faz sua apresentação.
d) enquanto um dos apresentadores expõe, os outros 
podem contribuir manuseando os equipamentos (trans-
parências, vídeo), trocando cartazes, apagando a lousa 
ou simplesmente ouvindo. 
Adaptado de: CEREJA, W. C; MAGALHÃES, T. C. Português: linguagens, 
língua portuguesa. São Paulo: Atual, 2004.
CIÊNCIA, MÉTODO CIENTÍFICO 
E PROJETO DE PESQUISA
Parte 2
Conhecimento,
Ciência e Método3
3.1 O Conhecimento
Agora vamos refletir sobre o próprio conhecimento e sua importância 
no processo de compreensão e transformação da realidade. Discutiremos so-
bre o conhecimento, características e diferentes abordagens sobre o conheci-
mento, com ênfase no conhecimento científico. Também, serão apresentados 
os métodos e o projeto de pesquisa que contribuem para o desenvolvimento 
do conhecimento científico.
Vamos lá? 
Sabemos que através da nossa relação com o mundo, o nosso cons-
tante indagar e questionar sobre esse mundo, é que surge a consciência e o 
conhecimento da realidade. Se não tivéssemos a capacidade de conhecer e 
de compreender, viveríamos submetidos às leis da natureza como os demais 
animais. 
Então pare e pense. 
O que é o conhecimento? 
Quais os tipos de conhecimento? 
Metodologia Científi ca112
Segundo Cervo (1996, p. 6), o conhecimento é 
uma relação que se estabelece entre o sujeito que co-
nhece e o objeto conhecido.
Esta apropriação ocorre segundo diferentes pers-
pectivas em decorrência dos diferentes métodos de 
abordagem da realidade e os processos de apropriação, 
física e sensível ou conceitual e intelectual. 
Pelo conhecimento o homem se apropria da rea-
lidade através de diferentes níveis e possibilidades de 
acesso a esta realidade. As possibilidades de conheci-
mento do objeto serão definidas pelo nível de complexi-
dade e aprofundamento que se pretende ao conhecê-lo. 
Neste sentido, deparamo-nos com quatro diferen-
tes abordagens do conhecimento:
a) conhecimento vulgar ou popular (senso comum);
b) conhecimento filosófico;
c) conhecimento teológico;
d) conhecimento científico.
Bom, na aula anterior vimos o que é o conheci-
mento e quais as diferentes abordagens ou níveis do 
mesmo. Vejamos, a seguir, algumas características des-
sas diferentes abordagens. 
3.1.2 Conhecimento Popular ou Senso Comum
Você já deve ter ouvido falar muito do senso co-
mum, conhecimento vulgar, ou popular. 
Leia a história abaixo.
Seu Marculino trabalha no campo há muitos anos. 
Tem um pequeno sítio onde cria umas cabecinhas de gado 
113Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
e umas galinhas, planta milho e feijão para o sustento da 
família, e mandioca da qual faz farinha para vender na feira.
Há muito, a experiência de seu Marculino no cam-
po o incentivou a seguir as leis da natureza quando 
pretende escolher a melhor época de plantar e de colher.
Olha para o céu, vê os meses de chuva e planta 
no dia de São José o milho que pretende colher no 
São João.
Se questionado sobre o porquê dessa rotina, 
seu Marculino responde que adquiriu esses conheci-
mentos em anos de experiência no dia a dia. Assim é 
para cuidar dos bichos para entender o ser humano, 
desde seus avós.
Seu Marculino responde sempre com segurança, 
“Assim aprendi com meu pai, assim meu pai aprendeu 
com meu avô e me ensinou”.
Refletindo sobre esta história, você já pode ter 
observado que o conhecimento vulgar ou popular é ob-
tido ao acaso, baseado na experiência da vida cotidiana. 
É o resultado de experiências repetidas, casuais, sem 
observação metódica e de simples transmissão de gera-
ção em geração.
Exemplos de fruto do ideário popular: comer 
jaca e tomar água faz mal; tomar suco de limão na 
menstruação causa hemorragia; colocar o livro em-
baixo do travesseiro, antes de dormir, facilita a me-
morização.
O senso comum tem como principais características:
• superficial: conforma-se com a aparência, não 
chegando à essência das coisas;
• sensitivo: refere-se a vivências, a emoções da 
vida cotidiana;
Metodologia Científi ca114
• subjetivo: o próprio sujeito organiza suas ex-
periências;
• assistemático: não se pretende uma organiza-
ção das ideias;
• acrítico: não há a preocupação de análise e 
da crítica de chegar à verdade. 
É importante perceber que este tipo de conheci-
mento permite ao homem simples conhecer o fato em 
sua ordem aparente, situando-se neste mundo de forma 
a, conhecendo-o, sentir-se parte dele. Construído a partir 
da experiência cotidiana, o conhecimento vulgar ou sen-
so comum se constitui a base do saber humano, sendo, 
portanto, anterior ao conhecimento científico.
 Assim, o senso comum é um conhecimento ob-
tido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou seja, o co-
nhecimento adquirido através de ações não planejadas.
Exemplo:
A chave está emperrando na fechadura e, de tanto 
experimentarmos abrir a porta, acabamos por descobrir 
(conhecer) um jeitinho de girar a chave sem emperrar.
Colete diferentes definições do conheci-
mento vulgar ou popular e discuta com seus 
colegas.
3.1.3 Conhecimento Filosófico
Vamos lá!
Etimologicamente, a palavra filosofia é grega. É 
composta por duas outras palavras: philo (derivada de 
philia: amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais) 
e de sophia (sabedoria, de onde vem à palavra sophos, 
115Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
sábio). Segundo Chauí (1995, p. 19), Filosofia significa 
amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber.
Este tipo de conhecimento difere de todos os ou-
tros pelo objeto de investigação e pela metodologia. O 
objeto da filosofia, segundo Cervo (1996, p.10), é cons-
tituído de realidades mediatas, não perceptíveis pelos 
sentidos e que, por serem de ordem suprassensível, ul-
trapassam a experiência utilizando-se do racional. 
Assim sendo, a filosofia trabalha com ideias, 
relações conceptuais, exigências lógicas não redutí-
veis a realidades materiais. Procura compreender a 
realidade em seu contexto universal que possa ser 
percebida pelo homem. Procura as explicações dos 
fenômenos a partir da reflexão. Especula sobre o ho-
mem e as coisas da vida. É um contínuo questionar a 
si e à realidade.
Além disso, caracteriza-se por ser:
• valorativo: pois parte de hipóteses não verifi-
cáveis. As hipóteses filosóficas baseiam-se na 
experiência e não na experimentação;
• racional: porque consiste num conjunto de 
enunciados logicamente correlacionados;
• sistemático: suas hipóteses visam a uma re-
presentação coerente da realidade;
• geral: procura compreender a realidade no 
contexto mais universal e o sentido de tudo 
que envolve o homem;
• crítico: questiona os conhecimentos cientí-
ficos e técnicos, os fatos e problemas que 
envolvem o homem concreto: o progresso 
técnico beneficia a humanidade? Qual o signi-
ficado do valor no mundo atual?
Metodologia Científi ca116
Portanto, o conhecimento filosófico conduz a um 
esforço da razão reflexiva para questionar os problemas 
humanos na tentativa de buscar respostas coerentes. 
Trabalha, principalmente, com os avanços da ciência 
para explicar o mundo.
 É fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o 
conhecimento especulativo sobre fenômenos, gerando 
conceitos subjetivos. Busca dar sentido aos fenômenos 
gerais do universo, ultrapassando os limites formais da 
ciência.
Exemplo:“O homem é a ponte entre o animal e o além-ho-
mem” (Friedrich Nietzsche) 
Colete diferentes definições do conhecimento 
filosófico e discuta com seus colegas.
3.1.4 Conhecimento Teológico
Vejamos.
O conhecimento teológico (do grego: theos, que 
significa Deus e logos, discurso/tratado), consiste no es-
tudo de Deus, investiga tudo que se diz respeito a Deus 
e a fé.
É um conjunto de verdades aceitas pelos homens 
a partir da revelação divina. É o resultado da fé humana 
na existência de uma ou mais divindades. 
Apresenta respostas a questões não respondidas 
pelas outras modalidades do conhecimento. Apoia-se 
em doutrinas, cujas proposições são sagradas por te-
rem sido reveladas pelo sobrenatural; são consideradas 
verdades infalíveis, evidências nunca postas em dúvida 
nem verificáveis pelos que têm fé. 
Partem do pressuposto de que os textos antigos 
ou as revelações inspiradas neles têm significado para 
117Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
as condições modernas e futuras. 
É, assim, um conhecimento produto da fé humana 
que busca respostas nas entidades divinas, nos líderes 
espirituais de diversas religiões para questões que, nem 
sempre, o conhecimento filosófico, vulgar ou científico 
consegue responder.
Ele é formado por um conjunto de verdades a que 
os homens chegaram mediante revelação divina. Por-
tanto, a adesão das pessoas passa a ser um ato de fé 
decorrente da revelação de um criador.
É um conhecimento revelado pela fé divina ou 
crença religiosa. Não pode, por sua origem, ser confir-
mado ou negado. Depende da formação moral e das 
crenças de cada indivíduo.
Exemplo:
Acreditar que alguém foi curado por um milagre; 
acreditar em Duende; acreditar em reencarnação; acredi-
tar em espírito, etc.
Atualmente, várias verdades do conhecimento te-
ológico têm sido questionadas pela ciência e pela so-
ciedade, o que tem levado o conhecimento teológico 
a reformular essas verdades, adaptando-as ao mundo 
contemporâneo. 
Colete diferentes definições do conhecimento 
teológico e discuta com seus colegas e tutor.
3.1.5 Conhecimento Científico
Será o tema de nossa próxima aula.
Metodologia Científi ca118
3.2 A Ciência
Vejamos agora o que é o conhecimento científico. 
A revolução científica propriamente dita ocorreu 
nos séculos XVI e XVII com Copérnico, Bacon, Galileu, 
Descartes e outros estudiosos. Daí para cá, o desen-
volvimento da ciência foi acelerando continuamente, e 
hoje, com sua metodologia objetiva e rigorosa, abran-
gem pesquisas em todas as áreas do mundo físico e 
humano. 
Etimologicamente a palavra ciência vem do latim 
scientia que significa saber, conhecimento. O conhecimento 
científico é um tipo de conhecimento racional, sistemático, 
metódico e objetivo, que busca a veracidade dos fatos ou 
fenômenos, ultrapassando as aparências. Diferente do co-
nhecimento filosófico, teológico e vulgar, o conhecimento 
científico constrói proposições ou hipóteses que podem ser 
testadas pela experimentação.
A ciência é, portanto, um tipo de conhecimento real, 
que lida com fatos. Diferente do conhecimento filosófico, o 
conhecimento científico constrói proposições ou hipóteses 
que podem ser testadas pela experimentação. 
Como a estrutura do saber se baseia em propo-
sições abstratas e fenômenos reais observados, distin-
guem-se, de modo geral, duas abordagens no conheci-
mento científico: empirismo e racionalismo.
A abordagem empírica leva em conta apenas os 
dados iniciais e os resultados de um estudo, razão pela 
qual começa por descartar as teorias sem plena compro-
vação experimental.
Já a abordagem racionalista confronta os postula-
dos teóricos, produzidos pelo pensamento lógico, com 
qualquer resultado prático, e subordina a investigação 
à hipótese.
Todavia, em geral, as ciências utilizam modelos 
híbridos, que incluem as questões empíricas e teóricas.
119Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
A maior parte das ciências aceita a experimenta-
ção como primeiro e último elo da cadeia do saber. As-
sim, o processo do conhecimento se inicia com a obser-
vação de um fato e finaliza com a comprovação empírica 
de suas conclusões teóricas. 
Também, as ciências dividem-se em ciências que 
trabalham os fenômenos da natureza ou sociais, deno-
minadas de ciências fáticas, como exemplo: a biologia. 
Já as ciências que trabalham como elementos abstratos, 
que não existem na realidade, são consideradas ciências 
formais como, por exemplo, a matemática.
As principais características do conhecimento 
científico são:
• geral: busca no real o que há de mais univer-
sal e válido para todos os casos de mesma 
espécie; insere os fatos singulares em regras 
gerais chamadas “leis naturais” ou “leis so-
ciais” e aplica-as;
• objetivo: no sentido de que a ciência tenta 
afastar do seu domínio todo o elemento afe-
tivo e subjetivo. Deseja ser independente dos 
gostos e desejos do sujeito que a elabora;
• crítico: preocupado com a análise, em chegar 
à verdade;
• metódico: a investigação procede de acordo 
com regras, métodos e técnicas que se re-
velaram eficazes no passado, mas que são 
aperfeiçoados continuamente;
• sistemático: uma ciência não é um agregado 
de informações desconexas, mas um sistema 
de ideias ligadas logicamente entre si forma-
da por princípios, leis e teorias;
Metodologia Científi ca120
• verificável: as hipóteses não comprovadas 
não constituem conhecimento científico;
• falível: uma vez que não é um conhecimento 
definitivo, novas pesquisas e proposições po-
dem rever a teoria existente;
• comunicável: a linguagem científica comunica 
informações a quem quer que tenha sido pre-
parado para entender;
Assim sendo, o conhecimento científico é aquele 
que é produzido pela investigação científica, através de 
seus métodos e técnicas. Surge não apenas da neces-
sidade de encontrar soluções para problemas de ordem 
prática da vida diária, mas do desejo de fornecer expli-
cações sistemáticas que possam ser testadas e critica-
das através de provas empíricas. 
Exemplo:
Descobrir uma vacina que evite uma doença; des-
cobrir como se dá a respiração dos batráquios.
A ciência busca o confronto da teoria com os da-
dos empíricos. A teoria deve ser submetida a um exame 
crítico, deve ser contrastada com a realidade, deve ser 
submetida a testes, em qualquer época e lugar.
Colete diferentes definições do conhecimento 
Científico e discuta com seus colegas.
3.2.1 Importância do espírito científico.
Vejamos agora como é importante assumir uma 
atitude de espírito científico no decorrer de seu curso e 
na vida profissional.
121Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
A atitude do aluno frente ao conhecimento cien-
tífico é de fundamental importância para o desenvolvi-
mento das ciências. Deve possuir uma atitude necessária 
de apropriação do conhecimento e da pesquisa. Essa 
atitude não é inata, mas conquistada a partir de muitos 
esforços e exercícios.
A apropriação do conhecimento científico exige 
uma visão crítica que podemos considerar como: julgar, 
discernir, analisar e interpretar para melhor solucionar 
um problema. 
O espírito científico manifesta-se na atividade 
científica pela vontade de romper com as perspectivas 
puramente subjetivas do conhecimento vulgar, implican-
do numa verdadeira busca do saber. 
O oposto ao espírito científico é o dogmático, que 
bloqueia a crítica por se julgar conhecedor na sua com-
preensão do mundo e acaba por impedir eventuais cor-
reções e aperfeiçoamentos, muitas vezes induzindo ao 
erro, fraudes, ignorância e comportamento intolerante. 
O verdadeiro espírito científico consiste, justa-
mente, em não dogmatizar os resultados de uma pes-
quisa, mas em tratá-los como eternas hipóteses que me-
recem constante investigação.Ter espírito científico é estar, sobretudo, numa 
busca permanente da verdade, com consciência da ne-
cessidade dessa busca, expondo as suas hipóteses a 
constantes críticas, livres de crenças e interesses pesso-
ais, conclusões precipitadas e preconceitos. 
Como virtude intelectual, ele consiste no senso de 
observação, no gosto pela observação e pelas ideias cla-
ras, na imaginação ousada, pela necessidade da prova, 
na curiosidade que leva a aprofundar os problemas, na 
sagacidade e poder de discernimento. Assim, o espírito 
científico assume a atitude de humildade e de reconheci-
mento de suas limitações, da possibilidade de certos er-
ros e enganos. O possuidor do verdadeiro espírito cientí-
fico cultiva a honestidade (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 17).
Metodologia Científi ca122
O universitário consciente de sua função na uni-
versidade irá procurar imbuir-se desse espírito científico, 
aperfeiçoando-se nos métodos de investigação e apri-
morando suas técnicas de trabalho (CERVO; BERVIAN, 
1996, p. 17).
 Embora não se possa alcançar todas as respostas, 
o esforço por conhecer e a busca da verdade continuam 
a ser as razões mais fortes da investigação científica. 
3.2.2 Neutralidade científica
Será que existe a neutralidade científica no co-
nhecimento científico? 
Será que um pesquisador ateu poderia abordar 
um tema religioso sem um envolvimento ideológico em 
sua pesquisa?
Vejamos.
A suposição da existência de uma ciência neutra 
e livre de condicionamentos ideológicos continua atual. 
Os defensores da neutralidade científica se apropriam 
de artifícios para se qualificarem como autoridades do 
saber, numa tentativa de imposição de seus argumentos. 
A polêmica parece nova, mas é tão antiga quan-
to a ideia moderna de ciência. Na tradição herdada do 
positivismo, a ciência é concebida como autônoma e 
isolada dos conflitos sociais. Sua hipótese básica é de 
que a sociedade humana funciona com base em leis na-
turais invariáveis, neutras e, portanto, independentes da 
ação humana. As classes sociais, as posições políticas, 
os valores morais e as visões de mundo dos sujeitos en-
volvidos são encarados como empecilhos à objetividade 
científica e o pesquisador deve se esforçar para eliminar 
tais influências do meio social na sua pesquisa. Mas, 
como o pesquisador pode evitá-las, se ele é um ser so-
cial imerso na realidade, se a delimitação do seu objeto 
123Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
de estudo, as perguntas que faz e as interpretações que 
desenvolve já são influenciadas por sua história de vida, 
seus valores e sua visão de mundo? 
A ciência não está isolada do mundo e os fenôme-
nos sociais não podem ser explicados por leis naturais. O 
conhecimento científico é sempre transitório e socialmente 
relativo. A ciência reflete apenas uma maneira de pensar 
e, por isso, não é autônoma e não está isolada da luta de 
classes. O conhecimento de um fato conduz a posições 
morais e políticas e esses valores estarão presentes para o 
pesquisador, o tempo todo, durante o processo científico.
Neste sentido, não existe ciência de um lado e 
ideologia de outro, mas diferentes pontos de vista ci-
entíficos, vinculados a diferentes pontos de vista de 
classe. Como não há critério absoluto para medir a ci-
entificidade do conhecimento, é através da publicidade 
crítica e no embate das ideias que os resultados de uma 
pesquisa podem ser avaliados tendo em vista sua cor-
respondência com a realidade. 
Portanto, mesmo que um conhecimento científico 
tenha sido aceito, ele deve permanecer em condições 
de ser refutado no momento em que outra leitura da 
realidade possa superá-lo. Ele não é, portanto, sinôni-
mo da verdade ou um dogma, mas resultado provisório 
de uma investigação humana num determinado período 
histórico e social e, assim, suscetível a todas as ideias e 
valores presentes na sociedade. 
A ideologia entendida como visão de mundo 
sempre estará presente no processo científico e seria 
muito ingênuo aceitar a hipótese de neutralidade dos 
intelectuais. Neste sentido, não é possível ao intelec-
tual escapar da ideologia, seu conhecimento sempre 
estará ideologicamente situado. Mas, como o conheci-
mento científico é relativo e provisório, ele também está 
impregnado de valores e o cientista, consciente desta 
realidade, deve mover-se dentro dela para buscar o co-
nhecimento objetivo e verdadeiro.
Metodologia Científi ca124
 É necessário que o pesquisador tenha consciên-
cia da possibilidade de interferência de sua formação 
moral, religiosa e de sua carga de valores para que os 
resultados da pesquisa não sejam influenciados além do 
aceitável (RIBEIRO, 2003, p.30).
Como você explicaria o fato de existirem ci-
entistas religiosos?
Há contradição entre o conhecimento cientí-
fico e o teológico?
TEXTO COMPLEMENTAR
A Evolução da ciência
Os egípcios já tinham desenvolvido um saber técnico 
evoluído, principalmente nas áreas de matemática, ge-
ometria e na medicina, mas os gregos foram provavel-
mente os primeiros a buscar o saber que não tivesse, 
necessariamente, uma relação com atividade de utiliza-
ção prática. A preocupação dos precursores da filosofia 
(filo = amigo + sofia (sóphos) = saber e quer dizer ami-
go do saber) era buscar conhecer o porquê e o para que 
de tudo o que se pudesse pensar.
O conhecimento histórico dos seres humanos sempre teve 
uma forte influência de crenças e dogmas religiosos. Mas, 
na Idade Média, a Igreja Católica serviu de marco referen-
cial para praticamente todas as ideias discutidas na época. 
A população não participava do saber, já que os docu-
mentos para consulta estavam presos nos mosteiros das 
ordens religiosas.
Foi no período do Renascimento, aproximadamente en-
tre os séculos XV e XVI que, segundo alguns historiado-
res, os seres humanos retomaram o prazer de pensar e 
125Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
produzir o conhecimento através das ideias. Neste perí-
odo as artes, de uma forma geral, tomaram um impulso 
significativo. Foi nessa época que Michelangelo Buonar-
rote esculpiu a estátua de David e pintou o teto da Ca-
pela Sistina, na Itália; Thomas Morus escreveu A Utopia 
(utopia é um termo que deriva do grego onde u = não 
+ topos = lugar e quer dizer em nenhum lugar); Tomaso 
Campanella escreveu A Cidade do Sol; Francis Bacon, A 
Nova Atlântica; Voltaire, Micrômegas, caracterizando um 
pensamento não descritivo da realidade, mas criador de 
uma realidade ideal, do dever ser.
No século XVII e XVIII (anos 1600 e 1700) a burguesia 
assumiu uma característica própria de pensamento, ten-
dendo para um processo que tivesse imediata utilização 
prática. Com isso surgiu o Iluminismo, corrente filosófica 
que propôs “a luz da razão sobre as trevas dos dogmas 
religiosos”. O pensador René Descartes mostrou ser a 
razão a essência dos seres humanos, surgindo a frase 
“penso, logo existo”. No aspecto político o movimento 
Iluminista expressou-se pela necessidade do povo esco-
lher seus governantes através de livre escolha da vonta-
de popular. Lembremo-nos de que foi neste período que 
ocorreu a Revolução Francesa, em 1789.
O Método Científico surgiu como uma tentativa de organi-
zar o pensamento para se chegar ao meio mais adequado 
de conhecer e controlar a natureza. Já no fim do período 
do Renascimento, Francis Bacon pregava o método indutivo 
como meio de se produzir o conhecimento. Este método en-
tendia o conhecimento como resultado de experimentações 
contínuas e do aprofundamento do conhecimento empírico 
(particular para o geral). Por outro lado, através de sua obra 
Discurso sobre o método, René Descartes defendeu o mé-
todo dedutivo como aquele que possibilitaria a aquisição 
do conhecimento através da elaboração lógica de hipóteses 
(geral para o particular).
Metodologia Científi ca126A Igreja e o pensamento mágico cederam lugar a um 
processo denominado, por alguns historiadores, de “lai-
cização da sociedade”. Se a Igreja trazia até o fim da 
Idade Média a hegemonia dos estudos e da explicação 
dos fenômenos relacionados à vida, a ciência tomou a 
frente deste processo, fazendo da Igreja e do pensamen-
to religioso razão de ser dos estudos científicos.
No século XIX (anos 1800) a ciência passou a ter uma 
importância fundamental. Parecia que tudo só tinha ex-
plicação através da ciência. Como se o que não fosse 
científico não correspondesse à verdade. Se Nicolau Co-
pérnico, Galileu Galilei, Giordano Bruno, entre outros, 
foram perseguidos pela Igreja, em função de suas ideias 
sobre as coisas do mundo, o século XIX serviu como re-
ferência de desenvolvimento do conhecimento científico 
em todas as áreas. Na sociologia, Augusto Comte desen-
volveu sua explicação de sociedade, criando o Positivis-
mo, vindo logo após outros pensadores; na Economia, 
Karl Marx procurou explicar as relações sociais através 
das questões econômicas, resultando no Materialismo-
Dialético; Charles Darwin revolucionou a Antropologia, 
ferindo os dogmas sacralizados pela religião, com a Teo-
ria da Hereditariedade das Espécies ou Teoria da Evolu-
ção. A ciência passou a assumir uma posição quase que 
religiosa diante das explicações dos fenômenos sociais, 
biológicos, antropológicos, físicos e naturais.
BELLO, José Luiz de Paiva. Metodologia científica. Rio de Janeiro, 2004. 
Disponível em:<http://pedagogiaemfoco.pro.br/met01.htm>. Acesso em: 
10 out. 2008.
127Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
TEXTO COMPLEMENTAR
O trabalho da crítica do pensamento
[...] Normalmente se imagina que a crítica permite opor 
um pensamento verdadeiro a um pensamento falso. Na 
verdade, a crítica não é isso. Não é um conjunto de 
conteúdos verdadeiros que se oporia a um conjunto de 
conteúdos falsos. A crítica é um trabalho intelectual com 
a finalidade de explicitar o conteúdo de um pensamen-
to qualquer, de um discurso qualquer, para encontrar 
o que está sendo silenciado por esse pensamento ou 
por esse discurso. O que interessa para a crítica não é 
o que está explicitamente pensado, explicitamente dito, 
mas exatamente aquilo que não está sendo dito e que, 
muitas vezes, nem sequer está sendo pensado de ma-
neira consciente. Ou seja, a tarefa da crítica é fazer falar 
o silêncio, colocar em movimento um pensamento que 
possa desvendar todo o silêncio contido em outros pen-
samentos, em outros discursos. 
Qual é a finalidade de fazer falar o silêncio, ou tornar 
explicito o implícito? Essa finalidade é dupla.
Se quando explicito um pensamento ou um discurso, 
fazendo aparecer tudo aquilo que estava em silêncio, 
tudo aquilo que estava implícito, se, ao fazer isso, o 
pensamento ou discurso que estou examinando se reve-
la insustentável, se começa a desmanchar, se dissolver, 
se destruir à medida que vou explicitando tudo que nele 
havia, mas que ele não dizia, então a crítica encontrou 
algo muito preciso, encontrou a IDEOLOGIA. A ideologia 
é exatamente aquele tipo de discurso, aquele tipo de 
pensamento que contém um silêncio que, se for dito, 
destrói a coerência, a lógica da ideologia.
Metodologia Científi ca128
Mas esse trabalho crítico pode encontrar outra coisa 
também. É perfeitamente possível que, ao fazer falar o 
silêncio de um pensamento ou de um discurso ao expli-
citar o seu implícito, o que se revele para nós seja um 
pensamento ainda mais rico do que havíamos imagina-
do, ainda mais coerente do que havíamos imaginado, 
ainda mais importante do que havíamos imaginado, 
capaz de nos dar pistas para pensar, caminhos novos, 
justamente porque pudemos perceber muito mais do 
que parecia à primeira vista estar contido nele. Nesse 
caso, a crítica encontrou um pensamento verdadeiro 
e, mais do que um pensamento verdadeiro, encontrou 
uma obra de pensamento propriamente dita. Ou seja, 
o que diferencia uma obra de pensamento de uma ide-
ologia é o fato de que, na obra de pensamento, a des-
coberta de tudo o que estava silenciosamente contido 
nela, de tudo aquilo que nela pedia interpretação, de 
tudo que nela pedia revelação, explicação, desdobra-
mento, é aquilo que faz, no caso de uma ideologia, a 
destruição do próprio pensamento.
Assim, a tarefa da crítica não é trazer verdades para se 
opor à falsidade; mas realizar um trabalho interpretati-
vo com relação e pensamentos e discursos dados, para 
explicitar o implícito ou fazer falar seu silêncio, de tal 
modo que a abertura de um novo campo de pensamento 
através da crítica revela a descoberta de uma obra de 
pensamento, enquanto a destruição da coerência e da 
lógica do que foi explicitado revela que descobrimos 
uma ideologia.
A crítica não é, portanto, um conjunto de conteúdos ver-
dadeiros, mas uma forma de trabalhar. A forma de um tra-
balho intelectual, que é o trabalho filosófico por excelên-
cia. Nesse sentido, excluir a filosofia de uma Universidade 
é, provavelmente, abolir o lugar privilegiado da realização 
da crítica. Obviamente, tem-se medo da crítica, pois a 
129Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
crítica não traz conteúdos prévios, mas é descoberta de 
conteúdos escondidos, então ela é muito perigosa [...].
CHAUÍ, Marilena. O trabalho da Crítica do Pensamento. In: 
HÜHNE, Leda Miranda (Org.). Metodologia científica: caderno 
de textos e técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1997. pp. 18-20.
3.3 Métodos de abordagens
É comum ouvirmos algumas afirmações do tipo: 
o início da atividade científica é marcado pela aplicação 
de um método ou conjunto de métodos que levam à 
investigação sistemática dos fenômenos, com o objetivo 
da coleta de informações. 
Ora, se a palavra-chave é método, o que se quer 
dizer com essa palavra? 
Etmologicamente, método vem de “Meta”, que 
significa ao longo de, e hodás, via, caminho. 
O método significa um caminho; caminho este 
que permite verificar a regularidade da ocorrência de um 
fenômeno. 
É a ordem que se segue na investigação da ver-
dade, no estudo feito por uma ciência para alcançar um 
fim determinado.
Deste modo, utilizando-se de um caminho que pro-
picie segurança nas investigações, o cientista procura se 
basear na repetição e regularidade dos fatos. Eles formu-
lam hipóteses que, confirmadas, podem se transformar em 
leis, princípios ou teorias, confiáveis, mas não infalíveis. 
Mesmo diante da variação de métodos, os pro-
cedimentos do método científico são quase sempre a 
formulação do problema, o planejamento do projeto de 
pesquisa, a coleta de dados, a análise sistemática dos 
fatos estudados e as conclusões.
A importância do método é incontestável. Orde-
nando o esforço mental, o método proporciona seguran-
Metodologia Científi ca130
ça em qualquer operação, - do fazer, do agir, do pensar. 
Sobretudo na pesquisa resulta em economia de tempo. 
Liberta o espírito de sua variabilidade dispersiva e o 
torna vigorosamente eficaz.
Pois bem, como você pode perceber essa é a es-
trutura do método científico que se constitui até hoje. 
Ela tem sido aplicada nas diversas ciências que se em-
penham por verdades qualificadas com um teor de obje-
tividade em suas investigações.
Podemos afirmar que o método científico é o ca-
minho trilhado pelo cientista quando em busca de “ver-
dades” científicas. 
Ao longo da história, cientistas e filósofos elabo-
raram métodos para a construção da ciência e a compre-
ensão da realidade.
Segundo Lakatos e Marconi (1991, p. 106), pode-
se reunir os métodos em dois grandes grupos de acordo 
com níveis claramente distintos, no que se refere à sua 
inspiração filosófica, ao seu grau de abstração, à sua 
finalidade mais ou menos explicativa, à sua ação nas 
etapas mais ou menos concretas da investigação.
Neste sentido,os métodos estão classificados em 
dois grandes grupos:
a) métodos de abordagem: que se caracterizam por 
uma abordagem mais ampla em nível de abstração dos 
fenômenos da natureza e da sociedade. Tratam da linha 
de raciocínio adotada no desenvolvimento do trabalho, 
constituindo-se nos procedimentos gerais, que norteiam 
o desenvolvimento das etapas fundamentais de uma pes-
quisa científica. Deteremos-nos aos principais, que são: 
 método indutivo;
 método dedutivo;
 método hipotético-dedutivo;
131Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
 método dialético;
 método fenomenológico.
b) métodos de procedimentos: constituem etapas 
mais concretas de investigação, com finalidade mais restri-
ta em termos de explicação geral dos fenômenos e menos 
abstratos. Não são exclusivos entre si, mas é necessário 
que se adaptem a cada área de pesquisa. Relacionam-se 
com as etapas do plano de estudos, à obtenção, proces-
samento e validação dos dados pertinentes à problemá-
tica que está sendo investigada, sendo os mais usuais:
 método histórico;
 método comparativo;
 método estatístico;
 método tipológico;
 método funcionalista;
 método estruturalista;
 método experimental;
 método clínico.
Veremos agora como esses métodos se caracterizam.
Métodos de Abordagens
• Método Indutivo
O que é?
Metodologia Científi ca132
O Método indutivo é aquele pelo qual, através de 
observações particulares, chega-se à afirmação de um 
princípio geral. Baseia-se no princípio de que: se, em 
dadas condições, um determinado fenômeno, sempre 
que pesquisado, se repetiu, em futuras verificações o 
mesmo ocorrerá. É uma forma de raciocínio que, partin-
do de casos particulares suficientemente documentados 
e enumerados, obtém-se uma conclusão ou lei universal. 
É processo próprio da ciência experimental.
O método indutivo busca construir leis e teorias 
a partir de casos particulares, pelo uso de mecanismos 
lógicos de generalização. É um raciocínio que consiste 
em tirar conclusões gerais a partir de casos particu-
lares considerados como portadores de relações ge-
rais. O argumento vai do particular para o geral.
Exemplo:
133Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
• Método Dedutivo
O que é?
É um processo de raciocínio que de princípios e 
proposições gerais ou universais chega-se a conclusões 
menos universais ou particulares. A forma ideal e perfeita 
da dedução é o silogismo (este é um raciocínio que cons-
ta simplesmente de duas premissas e de uma conclusão). 
É, portanto, o método cujo antecedente é constituído de 
princípios universais, plenamente inteligíveis, do qual se 
chega a um consequente menos universal.
Exemplo:
Todo homem é mortal. (premissa universal).
André é homem. (premissa particular, contida 
dentro da universal).
Logo, André é mortal. 
• Método Hipotético-Dedutivo
O que é?
O método hipotético-dedutivo possui uma podero-
sa ferramenta, pois as teorias são testadas através de hi-
póteses alternativas e falseáveis. Consiste na construção 
de conjecturas, que devem ser submetidas a testes, os 
mais diversos possíveis, à crítica intersubjetiva, ao contro-
le mútuo pela discussão crítica, à publicidade crítica e ao 
confronto com os fatos, para ver quais as hipóteses que 
permanecem a partir das tentativas de refutação e false-
amento. Podemos sintetizar na seguinte forma: um pes-
quisador apresenta uma ideia nova, com princípios claros, 
em linguagem científica, que pode ser testada e, desse 
modo, corroborada ou falseada por meio de experimen-
tações ou observações. Se uma teoria for continuamente 
corroborada, não significa que ela seja considerada como 
verdadeira. Ela é apenas uma teoria ainda não falseável. 
Metodologia Científi ca134
O método hipotético-dedutivo é considerado ló-
gico por excelência. Acha-se historicamente relacionado 
com a experimentação, sendo bastante utilizado no cam-
po das ciências naturais.
Exemplo: 
Estudando um fenômeno um pesquisador supõe (hi-
pótese) que a causa da mortalidade infantil numa favela seja 
a proliferação aí, de mosquitos e vala negra (sujas). Logo, 
solicita a melhora da higiene e o saneamento geral desse 
meio. Se a hipóteses do pesquisador é justa, a taxa de mor-
talidade infantil deve baixar; se ela não baixa é porque a sua 
hipótese é falsa, insuficiente ou dela não foi tirado todas 
as conseqüentes (JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 127-128).
• Método Dialético
O que é?
O método dialético procura contestar uma reali-
dade posta, enfatizando as suas contradições. Para toda 
tese existe uma antítese que, quando contraposta, tende 
a formar uma síntese. O método dialético se fundamenta 
em três princípios:
a) a unidade dos opostos: os fenômenos apresentam 
no seu interior aspectos contraditórios, que são organicamen-
te unidos e vivem em luta. 
b) quantidade e qualidade: mostra que quanti-
dade e qualidade se inter-relacionam. São as mudanças 
quantitativas que geram as mudanças qualitativas. 
c) negação da negação: as mudanças se proces-
sam em espiral, com a repetição em estágios superio-
res de certos aspectos e traços de estágios inferiores. 
Sempre há algo que nasce e se desenvolve e algo que 
se desagrega e se transforma. É a tese-antítese-síntese. 
Exemplo:
O método dialético é o conflito dos contrários, 
como: “A flor precisa murchar para se formar o fruto. O 
135Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
fruto precisa apodrecer para se ter a semente. A semente 
precisa ‘morrer’ para que germine uma nova planta”. 
• Método Fenomenológico
O que é?
O método fenomenológico é o estudo dos fenô-
menos em si mesmos, apreendendo sua essência, es-
trutura de sua significação. Pode-se dizer que é uma 
“volta às coisas mesmas”, isto é, aos fenômenos, àquilo 
que aparece à consciência, que se dá como objeto in-
tencional. Trata de descrever, compreender e interpretar 
os fenômenos que se apresentam à percepção. É uma 
tentativa de dar uma explicação puramente “neutra” da 
consciência que a pessoa tem do mundo. É um método 
sem pressuposições.
Ele não é dedutivo, nem empírico e nem procu-
ra explicar os fenômenos a partir de leis, mas procura 
mostrar o que é dado e em explicar esse dado da forma 
como ele se dá à consciência. 
Segundo Gil (1999, p. 32), a intenção da feno-
menologia é de proporcionar uma descrição direta da 
experiência tal como ela é, sem nenhuma consideração 
de sua gênese psicológica e das explicações causais que 
os especialistas podem dar. 
Exemplos: 
Entender a percepção dos catadores de lixo em 
relação as suas condições de vida, compreensão de la-
zer para quem não trabalha, a condição dos portadores 
de HIV no hospital Santa Marta; a percepção dos inter-
nautas frente às novas tecnologias.
Uma das objeções a este método fica por conta 
da dúvida de que existe uma maneira de abordar o mun-
do totalmente, sem pressuposições.
Metodologia Científi ca136
3.4 Métodos de procedimentos
• Método Comparativo
Orienta a investigação observando dois ou mais 
fatos, fenômenos, indivíduos ou classes, procurando res-
saltar as diferenças e similaridades entre eles. Sua ampla 
utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possi-
bilitar o estudo comparativo de grandes grupos sociais, 
separados pelo espaço e pelo tempo. Assim, por exem-
plo, podemos verificar as características de semelhança e 
diferenças de subdesenvolvimento entre dois países. 
• Método Histórico
Direciona a investigação, a partir do estudo dos 
acontecimentos, processos e instituições das civilizações 
passadas, procurando explicar as origens da vida social 
contemporânea, já que as mesmas alcançaram sua for-
ma atual, através das alterações de suas partes compo-
nentes, ao longo do tempo, influenciadas pelo contexto 
cultural particular decada época.
• Método Estatístico
Fundamenta-se na utilização da estatística para 
investigação de um objeto de estudo. A utilização desse 
método contribui para a coleta, organização, descrição, 
análise e interpretação de dados e para a utilização dos 
mesmos na tomada de decisões. É utilizado no estudo de 
fenômenos sociais, políticos, econômicos, etc., submetê-
los à manipulação estatística, buscando verificar as rela-
ções dos fenômenos entre si e obter generalizações. Assim 
sendo, no estudo de um fenômeno na impossibilidade de 
manter as causas constantes, admitem-se todas essas cau-
sas presentes variando-as, registrando essas variações e 
procurando determinar, no resultado final, que influências 
137Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método
cabem a cada uma delas. Ex.: Quais as causas que definem 
o preço de uma mercadoria quando a sua oferta diminui?
• Método Tipológico
Assemelha-se ao método comparativo e é utiliza-
do para a elaboração de modelos ideais. O pesquisador, 
ao comparar fenômenos sociais complexos da realidade, 
elabora tipos ou modelos ideais a partir de características 
essenciais dos fenômenos. Esses modelos não existem na 
realidade devido ao alto grau de abstração em que foram 
construídos, todavia são utilizados para dar explicações a 
casos concretos ou adaptar os casos concretos aos modelos. 
• Método Funcionalista
O método funcionalista enfatiza as relações e o 
ajustamento entre os diversos componentes de uma cul-
tura ou sociedade. Estuda a sociedade do ponto de vista 
de suas unidades, considerando toda a atividade social 
e cultural como funcional. A sociedade está constituí-
da por unidades interdependentes. Cada uma, tal como 
uma peça qualquer em relação a uma máquina, desem-
penha papéis que visam contribuir para estabilidade e 
ordem social. A partir dessa visão de sociedade, o passo 
seguinte é determinar as funções de cada unidade.
• Método Estruturalista
O método estruturalista utilizado para o estudo de 
culturas, linguagens, psiquismos humanos ou outro qual-
quer, como um sistema em que os elementos constituintes 
mantêm entre si relações estruturais. Assim sendo, parte-
se da investigação de um fenômeno concreto, atingindo 
o nível do abstrato através da construção de um modelo 
que represente o objeto de estudo, retornando ao concre-
to, dessa vez como uma realidade estruturada. Pode-se, 
Metodologia Científi ca138
assim, dizer que uma estrutura explica os processos. Os 
elementos que constitui o todo se acham entrelaçados de 
tal forma que não existe independência de uns em relação 
aos outros, mas antes uma interpenetração. Exemplos de 
estruturas seriam os organismos biológicos, as coletivida-
des humanas, as formas do psiquismo, etc.
• Método Experimental
Consiste em submeter o fenômeno estudado à in-
fluência de certas variáveis, em condições controladas e 
conhecidas pelo pesquisador, para observar os resulta-
dos que a variável produz no objeto. É necessário manter 
constante todas as causas, menos uma, que sofre varia-
ção para se observar seus efeitos, caso existam. O de-
lineamento consiste em definir um objeto para estudo, 
selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-
lo, determinar as formas de controle e de observação dos 
efeitos que a variável escolhida produz no objeto.
• Método clínico
Utilizado, principalmente, por psicólogos numa re-
lação entre o pesquisador e o pesquisado. O pesquisa-
dor utiliza-se de informações obtidas dos determinantes 
inconscientes do comportamento do pesquisado. Na uti-
lização desse método deve-se ter muito cuidado no mo-
mento de se obter generalização, já que se trabalha com 
aspectos do inconsciente de indivíduos particulares. A 
utilização desse método tem sido muito importante para 
o desenvolvimento da psicologia. 
Elaboração do
Projeto de Pesquisa4
4.1 Tema e problema de pesquisa
Caro aluno, 
Desde o início desta disciplina nos propusemos a ajudá-lo a se iniciar no 
mundo da pesquisa. Nesta caminhada descobrimos a importância da pesquisa 
e de seu planejamento para aperfeiçoar nossos métodos de conhecer o mundo 
onde estamos inseridos e sua própria identidade como ser. 
Antes de apresentarmos as explicações para a elaboração do projeto, 
você deve estar atento ao tema/problema a ser pesquisado/investigado; as 
fontes que você conhece sobre o tema escolhido, análise e seleção do ma-
terial a ser estudado. 
Então vejamos o que vamos estudar nas próximas aulas:
 a lógica da construção de um Projeto de Pesquisa Científica com 
ênfase na pesquisa bibliográfica;
 reproduzir, através de um projeto, os passos para a execução da 
pesquisa bibliográfica bem como os requisitos para a elaboração 
de um relatório científico. 
Metodologia Científi ca140
Atenção!
Procure coletar todo o material necessário, 
deixando-o à mão para o desenvolvimento 
do projeto de pesquisa.
O que é um projeto de pesquisa?
Vejamos.
Segundo Alves (2003, p. 43), o projeto de pesqui-
sa constitui-se no plano de trabalho da pesquisa e tem 
por finalidade definir os rumos que o investigador deve 
tomar segundo suas questões de estudo. Assim sendo, 
pode-se definir o projeto de pesquisa como um docu-
mento formal que apresenta ações planejadas, as quais 
serão desenvolvidas no processo de pesquisa. O projeto 
de pesquisa consiste em um roteiro geral, anterior à 
pesquisa, isto é, uma primeira etapa importante para a 
realização da pesquisa (RODRIGUES, 2006, p. 155). Este 
tipo de trabalho é regido pela norma NBR 15287 da As-
sociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).
Escolha do tema
Antes de se iniciar o projeto de pesquisa é neces-
sário ficar explícito e definido o tema e a sua delimitação.
A escolha do tema deve considerar, entre outras 
coisas, seu conhecimento prévio sobre ele e sobre suas 
fontes. Considerando as dificuldades de acesso a estas 
fontes, seu tempo disponível para investigá-las, seu pra-
zer e vontade em querer buscar respostas para elas e 
seus mecanismos de levantamentos dos dados necessá-
rios para responder as questões propostas.
O tema deve ser escolhido a partir da área de co-
nhecimento do pesquisador. O tema deverá ter origina-
lidade pessoal, relevância e viabilidade para realização 
da pesquisa. 
141Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
Para a escolha do tema você deverá levar em con-
sideração alguns aspectos que deverão contribuir para o 
desenvolvimento do projeto, tais como:
 é de interesse científico?
 qual a importância do fenômeno a ser pes-
quisado?
 está na minha área de formação acadêmica?
 é possível de ser investigado?
 o pesquisador tem familiaridade com o tema?
 existe referencial bibliográfico sobre o assun-
to escolhido?
 o assunto atende ao tempo disponível para a 
sua realização?
Você já refletiu sobre um tema para desenvolver 
seu projeto de pesquisa? 
Delimitação do tema
O tema de pesquisa não poderá ser aberto, por-
tanto é necessário que você delimite seu tema. A deli-
mitação de um tema é a apresentação de aspectos es-
pecíficos a serem pesquisados e discutidos dentro de 
determinado tema. Esse aspecto não poderá ser amplo 
demais, pois pode direcionar a você seguir vários cami-
nhos, como também demasiadamente específico, o que 
lhe pode dificultar na coleta de fontes primárias e secun-
dárias. É muito comum entre os pesquisadores delimitar 
o tema a partir do problema.
Metodologia Científi ca142
Vejamos os exemplos:
Tema: Evasão Escolar
Delimitação: A evasão nas escolas de ensino fun-
damental devido ao grau de formação do corpo docente 
no município de Aracaju, no período de 1980 a 2000. 
b) Tema: Polícia militar comunitária
Delimitação: A diminuição do índice de violência 
devido à presença da polícia militar comunitária no bair-
ro América, no municípiode Aracaju, na década de 1990.
Problema
Vamos, a partir de agora, procurar entender o que 
é e como se formula um problema. 
O problema de pesquisa consiste em dizer, de 
maneira clara, compreensível e operacional, qual a di-
ficuldade que pretendemos resolver, qual questão não 
resolvida se pretende buscar uma solução. 
Devemos considerar que um razoável conheci-
mento da literatura existente sobre o tema e as reflexões 
feitas a partir de conversas com professores ou profis-
sionais, especialistas na área, permite uma maior segu-
rança e clareza, facilitando a formulação do problema. 
Geralmente, um problema surge a partir da neces-
sidade de:
 testar ou pôr à prova uma teoria;
 verificar uma lacuna em uma teoria;
 investigar uma situação do cotidiano;
 investigar alguma lacuna metodológica;
143Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
 afirmação que é aceita pelo conhecimento 
popular.
Na elaboração de um problema deve ser levado 
em consideração:
 o problema deve ser formulado como pergunta;
 
 deve apresentar relação entre variáveis;
 apresentar clareza, precisão e objetividade;
 representar o que será estudado;
 possibilidade de ser testado e obter solução;
 delimitar o campo de investigação através de 
um enfoque específico;
Lembre-se que o problema é uma questão não re-
solvida. É algo para o qual se vai buscar uma resposta, via 
pesquisa. Assim, na formulação de um problema um poli-
cial diria: “Quem saqueou o supermercado?” Um cientista, 
provavelmente, diria: “O saque de supermercados pode es-
tar associado aos níveis de desemprego?” O primeiro ques-
tionamento é de difícil solução e não apresenta a relação 
entre fenômenos (variáveis). Já o segundo é um problema 
científico apresentando relação entre dois fenômenos (va-
riáveis), ou seja, relacionar o saque de supermercado em 
relação ao nível de desemprego. 
Chamamos a sua atenção para o que foi citado 
acima no processo de elaboração do problema.
Vejamos exemplos de problemas:
a) Será que o aumento da evasão escolar, nas 
escolas de ensino fundamental, no município de Ara-
Metodologia Científi ca144
caju, foi em decorrência do grau de instrução do corpo 
docente?
b) Será que a integração da polícia militar comu-
nitária com a comunidade contribuiu para a diminuição 
do índice de violência, no bairro América, no município 
de Aracaju?
TEXTO COMPLEMENTAR
Para uma melhor compreensão em relação ao problema 
e à importância da investigação científica, apresentamos 
o exemplo e a explicação apresentada por Luckesi e Pas-
sos (1996, p. 20-24). O exemplo refere-se à descoberta 
da febre puerperal pelo médico suíço Iguaz Semelweiss, 
no Hospital Geral de Viena (Áustria), entre 1844 e 1848, 
que possui dois serviços de maternidade.
No Primeiro Serviço da Maternidade desse Hospital, das 
3.157 mulheres internadas para os procedimentos do 
parto, 260 (ou seja, 8% delas) morriam de febre puerpe-
ral (doença infecciosa que pode atacar as mulheres após 
o parto). Em 1845, esse percentual foi de 6% e, em 1846, 
ele chegou a 11,4%. Esse nível de mortalidade tornava-
se mais alarmante com a constatação de que os índices 
de mortalidade, pela mesma doença, no Segundo Servi-
ço de Maternidade do Hospital, eram bem menores. No 
caso, 2,3% para 1844; 2,9% para 1845 e 2,7% para 1846.
Aí estava o desafio para Semelweiss. Aí estava a realida-
de, o aspecto oculto da realidade que ele desconhecia: 
o que causa nível tão alto de mortalidade nas parturien-
tes do Primeiro serviço, que não atinge as gestantes do 
Segundo Serviço?
Atormentado pelo terrível problema, Semelweiss esfor-
çou-se para resolvê-lo seguindo um caminho que ele 
145Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
mesmo veio a descrever mais tarde em livro que escre-
veu sobre a causa e a prevenção da febre puerperal.
Começou considerando várias explicações então em 
voga; rejeitou algumas logo por serem incompatíveis 
com fatos bem estabelecidos; outras, passou a subme-
ter a verificações específicas. 
Uma ideia amplamente aceita na época atribuía as 
devastações da febre perperal a “influências epidêmi-
cas”, vagamente descritas como mudanças “cósmico-
atmosféricas” espalhando-se sobre bairros inteiros 
e causando febre nas mulheres internadas. Mas, ra-
ciocina Semelweiss, como poderiam tais influências 
afetar o Primeiro Serviço durante anos e poupar o 
Segundo? E como poderia conciliar-se essa ideia com 
o fato de estar a febre grassando no Hospital sem que 
praticamente ocorresse outro caso na cidade de Viena 
ou em seus arredores? Uma epidemia genuína, como 
é a cólera, não poderia ser tão seletiva. Finalmente, 
Semelweiss nota que algumas das mulheres admiti-
das no Primeiro Serviço, residindo longe do hospital, 
vencidas pelo trabalho de parto ainda em caminho, 
tinham dado à luz em plena rua; pois, a despeito 
dessas condições desfavoráveis, a taxa de morte por 
febre puerperal entre esses casos de “parto de rua” 
era menor que a média no Primeiro Serviço.
Segundo outra opinião, a causa da mortalidade no Pri-
meiro Serviço era o excesso de gente. Mas Semelweiss 
observa que esse excesso era ainda maior no Segundo 
Serviço, o que em parte se explicava como resultado dos 
esforços desesperados das pacientes para evitar o Pri-
meiro Serviço, já mal-afamado. Ele rejeita também duas 
conjeturas semelhantes, então correntes, observando 
que não havia diferença entre os dois Serviços quanto à 
dieta e ao cuidado geral com as pacientes.
Metodologia Científi ca146
Em 1846, uma comissão nomeada para investigar o as-
sunto atribuía a predominância da doença no Primeiro 
Serviço a danos causados pelo exame grosseiro feito 
pelos estudantes de Medicina, que recebiam seu treino 
em obstetrícia apenas no Primeiro Serviço. 
Semelweiss observa, refutando esta opinião, que: a) os 
danos resultantes naturalmente do processo de parto 
são muito mais extensos que os que poderiam ser cau-
sados por um problema grosseiro; b) as parteiras que 
recebiam seu treino no Segundo Serviço examinavam 
suas pacientes quase do mesmo modo, mas sem os 
mesmos efeitos nocivos; c) quando, em consequência 
do relatório da comissão, o número dos estudantes de 
Medicina ficou diminuído à metade e os seus exames 
nas mulheres foram reduzidos ao mínio, a mortalidade, 
depois de breve declínio, elevou-se a níveis ainda mais 
altos do que antes. 
 Várias explicações psicológicas tinham sido tentadas. 
Uma delas lembrava que o Primeiro Serviço estava dis-
posto de tal modo que um padre, levando o último sa-
cramento a uma moribunda, tinha que passar por cinco 
enfermarias antes de alcançar o quarto da doente: o 
aparecimento do padre, precedido por um auxiliar so-
ando uma campainha, produziria um efeito aterrador e 
debilitante nas pacientes dessas enfermarias e as trans-
formava em vítimas prováveis da febre. No Segundo Ser-
viço, não havia esse fator prejudicial porque o padre 
tinha acesso direto ao quarto da doente.
Para verificar esta conjetura, Semelweiss convenceu o 
padre a tomar outro caminho e não soar a campainha, 
chegando ao quarto da doente silenciosamente e sem 
ser observado. Mas a mortalidade no Primeiro Serviço 
não diminuiu.
147Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
Observaram, ainda, a Semelweiss, que no Primeiro Ser-
viço as mulheres, no parto, ficavam deitadas de costas 
e, no Segundo Serviço, de lado. Mesmo achando a ideia 
inverossímil, decidiu, “como um náufrago se agarra a 
uma palha”, verificar se a diferença de posição poderia 
ser significante. Introduzindo o uso da posição lateral 
no Primeiro Serviço, a mortalidade não se alterou. Fi-
nalmente, no começo de 1847, um acidente deu a Se-
melweiss a chave decisiva para a solução do problema. 
Um colega, Kolletschka, feriu-se no dedo com o bisturi 
de um estudanteque realizava uma autópsia e morreu 
depois de uma agonia em que se revelaram os sintomas 
observados nas vítimas da febre puerperal.
Apesar de nessa época não estar ainda reconhecido 
o papel desempenhado nas infecções pelos microor-
ganismos, Semelweiss compreendeu que “a matéria 
cadavérica”, introduzida na corrente sangüínea de Kol-
letschka pelo bisturi é que causara a doença fatal do 
seu colega. As semelhanças entre o curso da doença 
de Kolletschka e o das mulheres em sua clínica levaram 
Semelweiss à conclusão de que suas pacientes morre-
ram da mesma espécie de envenenamento do sangue: 
ele, seus colegas e os estudantes tinham sido o veícu-
lo do material infeccioso, pois vinham às enfermarias 
logo após realizarem dissecações na sala de autópsia e 
examinavam as mulheres em trabalho de parto depois 
de lavarem as mãos apenas superficialmente, muitas 
vezes retendo o cheiro nauseante.
Novamente, Semelweiss submeteu sua ideia a um teste. 
Raciocinou que, se estivesse certo, então a febre puer-
peral poderia ser prevenida pela destruição química do 
material infeccioso aderido às mãos. Ordenou, então, 
que todos os estudantes lavassem suas mãos numa so-
lução de cal clorada antes de procederem a qualquer 
exame. A mortalidade pela febre logo começou a de-
Metodologia Científi ca148
crescer, caindo, em 1848, a 1,27% no Primeiro Serviço, 
enquanto que no Segundo era de 1,33%.
Justificando ainda mais suas ideias ou sua hipótese, 
como também diremos, Semelweiss observou que ela 
explicava o fato de ser a mortalidade do Segundo Ser-
viço mais baixa: lá, as pacientes eram socorridas por 
parteiras cujo treino não incluía instrução anatômica por 
dissecação dos cadáveres.
E a hipótese também explicava a menor mortalidade en-
tre os casos de “parto de rua”, pois as mulheres que já 
chegavam trazendo seus bebês ao colo raramente eram 
examinadas após a admissão e tinham, assim, melhor 
sorte de escapar à infecção.
Finalmente, a hipótese explicava o fato de serem vítimas 
de febre os recém-nascidos cujas mães tinham contraído 
a doença durante o trabalho de parto, pois então a infec-
ção podia ser transmitida à criança antes do nascimento, 
através da corrente sangüínea comum à mãe e ao filho, 
o que era impossível quando a mãe permanecera sadia.
Assim, Semelweiss, tinha diante de si um problema, ain-
da sem explicação. O que ele fez? Trabalhou na inves-
tigação de forma metodológica para construir sua com-
preensão e sua explicação. 
LUCKESI, Cipriano Carlos; PASSOS, Elizete Silva. Introdução à 
filosofia: aprendendo a pensar. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1996. 
p. 20-24.
4.2 Questões, hipóteses e objetivos de pesquisa
Questões Norteadoras/ Hipóteses
São suposições a partir da relação entre duas ou 
mais variáveis. São explicações ou propostas de solução 
149Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
do problema. São respostas preliminares ao problema 
proposto. O objetivo da pesquisa será o de confirmar ou 
negar a(s) hipótese(s) apresentada(s).
Existe muita discussão sobre este assunto, ten-
do em vista que alguns autores acham desnecessário 
colocar as questões norteadoras/hipóteses na pesquisa. 
Geralmente, nas ciências naturais e exatas como tam-
bém nas pesquisas quantitativas é comum utilizar hipó-
teses. Já nas ciências sociais e humanas e nas pesquisas 
qualitativas é comum utilizar-se questões norteadoras. A 
hipótese é formulada em uma sentença afirmativa, já a 
questão norteadora em sentença interrogativa.
 
Vejamos os exemplos de questões norteadoras e 
hipóteses:
a) questões norteadoras:
 A antecipação da responsabilidade criminal 
para menores de 18 anos é a solução para a 
redução da criminalidade juvenil? 
 O índice de evasão escolar aumenta nas es-
colas de ensino fundamental do município de 
Aracaju na medida em que são assistidos por 
professores normalistas? 
b) hipóteses:
 As células granulares do hipocampo (CA1) es-
tão correlacionadas com a formação e com a 
consolidação da memória de curta duração. 
Porém, não são necessárias para a manuten-
ção da memória de longa duração.
 A destruição do nervo ótico constitui condi-
ção suficiente para a ocorrência da cegueira, 
pois ninguém pode enxergar com o nervo óti-
co destruído.
Metodologia Científi ca150
Objetivos
Na elaboração dos objetivos você deverá levar em 
consideração:
 utilizar o verbo no tempo infinitivo;
 os verbos mais usuais na elaboração do ob-
jetivo geral são: analisar, estudar, explicar, 
entender, compreender, descrever, avaliar, co-
nhecer, etc.;
 os verbos mais usuais na elaboração dos obje-
tivos específicos são: distinguir, numerar, iden-
tificar, classificar, comparar, relacionar, verificar, 
listar, levantar, etc.;
 os objetivos deverão ser claros, explícitos e 
concisos;
 os objetivos deverão expressar apenas uma 
ideia, deverão constar apenas um sujeito e 
um complemento, para cada objetivo.
Os objetivos dividem-se em Geral e Específicos. 
O Objetivo Geral define, de modo geral, o que se 
pretende alcançar com a realização da pesquisa e está 
relacionado ao tema. 
Exemplo de objetivo geral: 
 Analisar a diminuição do índice de violência 
devido à presença da polícia comunitária no 
bairro América, no município de Aracaju, na 
década de 1990.
151Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
Já os Objetivos Específicos definem etapas que 
devem ser cumpridas para alcançar o objetivo geral e 
estão relacionados com as hipóteses.
Vejamos alguns exemplos de objetivos específicos:
a) Levantar os índices de violência no bairro América;
b) Identificar os tipos de violência no bairro;
c) Relacionar as ações utilizadas pela polícia mili-
tar comunitária para a diminuição da violência.
4.3 Técnicas de coleta de dados
Para a realização da pesquisa, será necessário o 
emprego das técnicas de pesquisa.
Segundo Ruiz (1991, p. 138), reserva-se o termo mé-
todo para significar o traçado das etapas fundamentais da 
pesquisa, enquanto o termo técnica significa os diversos 
procedimentos ou utilização de diversos recursos peculia-
res a cada objeto de pesquisa, dentro das diversas etapas 
do método.
As técnicas são procedimentos que operacionali-
zam os métodos. Para todo método de pesquisa, corres-
ponde uma ou mais técnicas. Estas estão relacionadas 
com a coleta de dados, isto é, a parte prática da pesquisa.
A coleta de dados envolve a determinação da po-
pulação a ser pesquisada, a elaboração dos instrumen-
tos de coleta e a programação da coleta.
Os instrumentos de coleta de dados mais utiliza-
dos são: 
 questionário; 
 formulário; 
 entrevista;
 observação.
Nesse sentido: 
Metodologia Científi ca152
Questionário
O que é?
O questionário é um instrumento de coleta de 
dados, elaborado pelo pesquisador e aplicado a uma 
clientela pesquisada. 
Através dele se faz a coleta das unidades esta-
tísticas. Destinado a pesquisas em grupo, nada mais é 
do que uma série de perguntas com espaço em branco 
para respostas. 
Sua linguagem deve ser simples e direta para que 
o informante compreenda com clareza o que está sendo 
perguntado. Por isso, deve ser breve e conciso, evitando 
a possibilidade de respostas ambíguas. Deve-se evitar 
termos pouco conhecidos e não fazer perguntas difíceis 
ou trabalhosas para respostas. As perguntas devem ser 
espaçadas, para permitir seu total preenchimento, e es-
tar agrupadas segundo sua analogia. Procurar codificá-
las para facilitar a tabulação e interpretação.
O questionário pode apresentar perguntas aber-
tas para se obter uma resposta livre e perguntas fecha-
das para respostas mais precisas. 
Todo questionário a ser enviado deve passar por 
uma etapa de pré-teste num universo reduzido, para que 
se possam corrigir eventuais erros de informações.
Importante!O questionário é preenchido pelo informante.
Formulário
O que é?
O formulário é aplicado pelo próprio pesquisador 
na medida em que se fazem as observações ou se rece-
bem as respostas sob orientação. 
153Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
Distingue-se o formulário do questionário porque 
o primeiro é preenchido pelo próprio pesquisador. O 
questionário pode ser enviado pelo correio, sendo do 
mesmo modo devolvido após o preenchimento. 
Uma das vantagens do formulário consiste jus-
tamente na assistência direta que o informante rece-
be do pesquisador que pode reformular, tornar mais 
claras as perguntas, dar explicações, enfim, ajustar 
o formulário à experiência e compreensão de cada 
informante. 
Também pode ser aplicado em grupos heterogê-
neos, inclusive analfabetos, o que seria difícil se fosse 
aplicado o questionário.
Assim, o formulário comporta perguntas mais 
complexas que as destinadas a integrar um questionário 
a ser respondido sem a assistência do investigador.
Importante!
O formulário é preenchido pelo pesquisador.
Entrevista
O que é?
A entrevista é uma técnica em que o pesquisador 
obtém dados de certas pessoas, dados que não podem 
encontrar em registros e fontes documentárias.
A entrevista é uma conversa orientada entre o 
pesquisador e o informante atendendo a um objeti-
vo pré-determinado. Ela precisa ter um plano bem 
elaborado para que o pesquisador possa, antes de 
realizá-la, obter dados e informações necessárias, 
claras e objetivas.
A entrevista pode ter caráter exploratório ou ser 
de coleta de informações. Se a de caráter exploratório é 
relativamente estruturada, a de coleta de informação é 
altamente estruturada. 
Metodologia Científi ca154
Alguns requisitos deverão ser considerados para 
que uma entrevista seja realizada de maneira mais téc-
nica, tais como: respeito ao entrevistado; capacidade 
de ouvir atentamente e de estimular o entrevistado a 
responder as perguntas; garantir um clima de confiança 
e sigilo profissional dos dados colhidos, preservando a 
identidade do entrevistado.
É importante que o entrevistador disponha de re-
cursos materiais, tais como: gravador, bloco de anota-
ções, roteiro de entrevista, etc. para que facilite a coleta 
de informações.
Observação
O que é?
A observação é uma técnica de coleta de dados 
que consiste na observação, registro, de forma direta, 
sobre o fenômeno ou fato estudado. É uma das mais 
antigas técnicas utilizadas pelas ciências; sendo utiliza-
da pelas Ciências Naturais, Ciências Sociais e Ciências 
Exatas e Tecnológicas (RODRIGUES, 2006). 
Essa técnica pode ser feita em campo ou em la-
boratório. Após a observação e registro são feitas as 
análises dos dados.
A técnica de observação pode ser realizada (RO-
DRGUES, 2006):
a) individualmente: realizada por um pesquisador;
b) em equipe: é estudada por um grupo de pes-
quisadores;
c) na vida real: a observação é feita em ambiente 
natural, pode-se dizer “em campo”;
d) em laboratório: a observação é feita em am-
biente artificial; 
155Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
e) participante: o pesquisador participa do fenô-
meno a ser estudado;
f ) não participante: o pesquisador limita-se à ob-
servação e ao registro do fenômeno ou fato es-
tudado. 
Exemplo de um questionário, objetivando o per-
fil socioeconômico dos alunos ingressantes no curso x, 
numa determinada instituição de ensino superior:
Questionário
PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS ALUNOS 
INGRESSANTES NO CURSO X DA UNIVERSIDADE Y
O presente questionário tem por objetivo fazer 
uma pesquisa sobre o perfil socioeconômico dos alunos 
ingressantes no curso x da universidade y. Portanto, soli-
citamos sua colaboração, respondendo corretamente às 
seguintes questões:
1. Sexo:
1.1. Masculino ( )
1.2. Feminino ( )
2. Aluno do turno:
2.1. Diurno ( )
2.2. Noturno ( )
3. Período: ........................................................................
4. Idade: ..........anos
Metodologia Científi ca156
5. Qual é o seu estado civil? 
..........................................................................................
6. Local de residência:
6.1 Bairro: .........................................................................
6.2. Município: ..................................................................
6.3. Outros: ......................................................................
7. Qual o principal meio de transporte utilizado para se 
deslocar até a universidade? 
..........................................................................................
8. Em que estabelecimento cursou o ensino médio?
8.1. Público ( )
8.2. Particular ( )
8.3. Público e particular ( )
8.4. Outros ( )
9. Que curso concluiu?
9.1. Ensino médio comum ( )
9.2. Técnico ( )
9.3. Supletivo ( )
9.4. Outros ( )
10. Marque um (x) nos itens que existem em sua casa:
10.1. Veículo de transporte motorizado ( )
10.2. DVD ( )
10.3. Máquina de lavar ( )
10.4. Computador ( )
10.5. Aparelho de videocassete ( )
10.6. TV com sistema de canal fechado ( )
157Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
10.7. Aparelho de som ( )
10.8. Forno microondas ( )
10.9. Geladeira ( )
10.10. Filmadora ( )
11. Assinale a renda total aproximada, em salário míni-
mo, de sua família:
11.1. ( ) menos de 3
11.2. ( ) de 3 a menos de 6
11.3. ( ) de 6 a menos de 9
11.4. ( ) de 9 a menos de 12
11.5. ( ) 12 e mais
12. Exerce alguma atividade remunerada?
12.1. Sim ( )
12.2. Não ( )
13. Caso exerça alguma atividade remunerada, assinale 
sua renda total aproximada, em salário mínimo:
13.1. ( ) menos de 3
13.2. ( ) de 3 a menos de 6
13.3. ( ) de 6 a menos de 9
13.4. ( ) de 9 a menos de 12
13.5. ( ) 12 e mais
14. Profissão do pai: ........................................................
15. Profissão da mãe: .....................................................
16. Qual é o nível de instrução:
16.1. Pai: ..........................................................................
16.2. Mãe: ........................................................................
Metodologia Científi ca158
17. Qual tipo de atividade você mais participa?
17.1. Sociais (clubes e festas) ( )
17.2. Artística e cultural ( )
17.3. Político-partidária ( )
17.4. Religiosa ( )
17.5. Outras ( )
18. Assinale o(s) meio(s) mais utilizado(s) com que você 
se mantém informado:
18.1. Telejornal ( )
18.2. Jornal escrito ( )
18.3. Jornal falado (rádio) ( )
18.4. Notícias internet ( )
18.5. Revista ( )
18.6. Outros ( )
19. Pratica esportes?
19.1. Sim ( )
19.2. Não ( )
20. Qual (is) atividade (s) de lazer você dedica mais 
tempo?
20.1. Shopping ( )
20.2. Cinema ( )
20.3. Teatro ( )
20.4. Leitura ( )
20.5. Música ( )
20.6. Outras ( )
159Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
4.4 Estrutura do projeto de pesquisa
Os elementos geralmente requeridos num projeto 
de pesquisa são os seguintes:
ELEMENTOS QUANTIDADE DE FOLHAS 
(SUGERE-SE)
CAPA 01 folha
FOLHA DE ROSTO 01 folha
SUMÁRIO 01 folha
INTRODUÇÃO 01 a 02 folhas
OBJETIVOS 01 folha
HIPÓTESE OU QUESTÕES
 NORTEADORAS
01 folha
JUSTIFICATIVA 01 a 02 folhas
REFERENCIAL TEÓRICO 04 a 10 folhas
PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 02 a 04 folhas
CRONOGRAMA 01 folha
ORÇAMENTO 01 a 02 folhas
REFERÊNCIAS 01 a 03 folhas
Capa
Deve conter os seguintes elementos: nome da 
universidade, nome do curso, nome completo do aluno, 
indicativo da natureza do trabalho (Projeto de Pesquisa),título do trabalho e subtítulo (se houver), local e o ano. 
Metodologia Científi ca160
A capa deve ser apresentada em papel branco, 
formato A4 (21 cm x 29,7 cm). As margens da folha de-
vem ter 3 cm (esquerda e superior) e 2 cm (direta e 
inferior). A digitação deve ser na cor preta, utilizando-se 
de fonte Times New Roman ou Arial.
Sugere-se que o Projeto de Pesquisa seja enca-
dernado em espiral, com a capa de plástico transparente 
para possibilitar a leitura das informações da capa.
Folha de Rosto
Você deverá colocar na folha de rosto os seguintes 
elementos: no alto, ao centro, em negrito, caixa-alta, fon-
te tamanho 18, o nome do autor do trabalho. Ao centro, 
o título em caixa-alta, negrito, fonte tamanho 18, centra-
lizado, seguido de subtítulo (se houver). Mais abaixo, à 
direita, fonte tamanho 12, espaço simples, coloca-se uma 
referência sobre a natureza do trabalho, a instituição a 
que se destina e objetivo acadêmico; também, o nome do 
orientador. Mais abaixo, registra-se a cidade e o ano de 
realização do trabalho, fonte tamanho 14.
Sumário
É outro elemento obrigatório. Nele você deve enu-
merar as partes do projeto de pesquisa, acompanhadas 
das respectivas páginas. Colocar fonte tamanho 16 para 
o sumário e 12 para as partes que compõem o trabalho 
colocando ambos em negrito. Não numerar a folha do 
sumário.
Introdução
Na introdução você deverá: apresentar o tema 
delimitado, especificar o problema, a problematização 
discutindo o assunto de forma sintética, caracterização 
da área, local, bairro, município, estado, região ou ou-
161Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
tros onde será realizada a pesquisa. Na redação da in-
trodução, como em todo o projeto, você deverá utilizar 
o tempo verbal no futuro, já que o projeto é um plano 
e a pesquisa ainda será realizada. Deverá utilizar uma 
linguagem técnica, denotativa, objetiva, concisa sempre 
fugindo do vulgar. A redação, na impessoalidade, uti-
lizando a 3ª pessoa do singular e o uso do pronome 
impessoal “se”. Evite construir frases muito longas, re-
petição de ideias, pedantismo, gírias e termos vagos, 
imprecisos e ambíguos.
O corpo do trabalho deverá ser escrito em fonte 
tamanho 12 e o termo INTRODUÇÃO em fonte tamanho 
16, negrito, centrado à esquerda com o indicativo da nu-
meração correspondente. Utilizar espaço duplo no corpo 
da introdução e dois duplos entre o título e o corpo do 
trabalho. Colocar a numeração da página.
Lembre-se de colocar o tema delimitado, a 
problematização e a caracterização da área 
na Introdução.
Objetivos
Apresentar a relação dos objetivos propostos (su-
gestão: 3 a 6 objetivos).
Questões Norteadoras ou Hipóteses
Apresentar a relação das questões norteadoras ou 
hipóteses (sugestão: 2 a 4 objetivos).
Justificativa
Você deverá apresentar as razões que o levaram a 
estudar determinado tema. Mostrar a contribuição que a 
pesquisa poderá oferecer no campo social e no âmbito do 
conhecimento científico. Sua redação não deverá ser longa. 
Metodologia Científi ca162
A justificativa deverá conter: 
 os motivos que o levaram à escolha do tema; 
 o nível de abrangência da pesquisa;
 a importância e utilidade do estudo do tema 
na atualidade;
 explicação sobre a viabilidade da execução 
da proposta;
 o contexto em que o fenômeno ocorre;
 os aspectos inovadores do estudo.
Referencial Teórico
Consiste em explicar os pressupostos teóricos, 
esclarecer os conceitos e ideias que serão utilizadas, 
fundamentando e balizando todo o desenvolvimento da 
pesquisa. Deverá ser feita uma pesquisa bibliográfica 
sobre o assunto, ou seja, uma revisão de literatura. É de 
fundamental importância a colocação na redação do re-
ferencial teórico, citações diretas e citações indiretas dos 
autores que tratam sobre o assunto. Na elaboração das 
citações seguir as normas da ABNT-NBR 10520 (Citações 
e Notas de Rodapé).
Para que você alcance um melhor aproveitamento 
na elaboração do referencial teórico, é necessário utilizar-se 
das técnicas de estudo: sublinhar, esquematizar e resumir. 
No referencial teórico, grande parte de seu conte-
údo é resultante de material impresso, como: livros, re-
vistas, jornais, etc. Todavia, com o desenvolvimento dos 
meios de comunicações e informações, a exemplo da 
internet, têm-se, também, utilizado esses novos meios 
de informações.
A internet representa uma novidade nos meios de 
pesquisa. Trata-se de uma rede mundial de comunica-
ção via computador, onde as informações são trocadas 
livremente entre todos. A internet se tornou um impor-
tante veículo de transmissão de conhecimentos e muitas 
163Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
faculdades e universidades, em suas bibliotecas, têm 
proporcionado aos seus alunos o acesso a esse veículo. 
Todavia, é necessário que você não só tenha acesso ao 
uso da internet, mas que desenvolva a capacidade de 
analisar criticamente a qualidade das informações obti-
das através desse veículo de informação.
Atualmente estão à sua disposição diversas ferra-
mentas de busca (nacionais e internacionais).
Vejamos algumas:
http://www.google.com.br/
http://www.bing.com.br/
Para pesquisa acadêmica, exemplos:
http://www.bn.br (Biblioteca Nacional)
http://www.scielo.br (Catálogos de revistas científicas)
http:www.ibict.br (Acesso a CCN, COMUT, ISSN, 
teses – BR)
http://www.cg.org.br/gt/gtbv/catalogos.htm (Bi-
bliotecas com catálogos on-line)
http://www.prossiga.br/bvtematicas (Bibliotecas 
virtuais em várias áreas - BR)
http:// redeantares.ibivt.br (Ciência e Tecnologia, 
nacional e internacional)
http://searchenginewatch.com (Metabuscador In-
ternacional, todas as áreas)
Procedimentos Metodológicos
Você deverá apresentar o conjunto de procedi-
mentos metodológicos (métodos, técnicas, etapas e ma-
teriais) que serão utilizados e seguidos para a realização 
da pesquisa. 
Neste item, o pesquisador vai informar com o que 
vai trabalhar: textos, questionários, etc., isto é, qual é o 
Metodologia Científi ca164
seu material de trabalho, responsável por gerar os dados 
a serem analisados e os métodos que utilizará durante o 
desenvolvimento do projeto. 
Deve-se detalhar o material a ser estudado, para 
que o problema possa ser solucionado. Vários caminhos se 
oferecem ao pesquisador, tais como:
a) métodos de abordagem: indutivo, dedutivo, 
dialético e hipotético-dedutivo; 
b) métodos de procedimentos: histórico, tipológico, 
comparativo, estatístico, estruturalista, funcionalista, etc. 
Além disso, você deve explicar quais técnicas ou 
conjunto de procedimentos utilizados para a coleta de 
dados. O pesquisador pode utilizar mais de uma técnica. 
Dentre as técnicas mais comuns temos: entrevis-
ta, questionário e formulário.
Nas etapas de coleta de dados você deverá infor-
mar o sujeito da pesquisa que pode ser uma instituição, 
uma empresa, pessoas, grupos, etc. É importante informar 
a amostra, ou seja, o quantitativo com que o pesquisador 
vai trabalhar: 30 trabalhadores, 10 supervisores, 40 educa-
dores, etc. Também, a análise dos dados e sua representa-
ção gráfica: tabelas, quadros, etc.
É necessário informar os meios para a obtenção 
de informações como: pesquisa documental, pesquisa 
bibliográfica, pesquisa de campo ou pesquisa de labo-
ratório. Os objetivos da pesquisa como: pesquisa ex-
ploratória, pesquisa descritiva ou pesquisa explicativa. 
A abordagem na pesquisa como: pesquisa quantitativa, 
pesquisa qualitativa ou ambas.
Cronograma
No cronograma o pesquisador faz uma previsão 
do tempo que será utilizado para realização da pesqui-
sa. Calcula o tempo a ser gasto em cada etapa do proje-
to, incluindo-se o tempo gasto na aquisição do material 
165Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
necessário ao desenvolvimentodo Projeto de Pesquisa. 
Solicitamos a você utilizar um período de 6 meses.
Orçamento
Refere-se ao levantamento de custos da pesquisa, 
neste caso, deve-se relacionar tudo o que será necessá-
rio à execução do trabalho: recursos humanos, recursos 
materiais e serviços.
Referências
Neste item você deverá relacionar as fontes con-
sultadas e referenciadas no projeto e as que podem vir a 
fundamentar a pesquisa em si. A bibliografia serve muitas 
vezes para avaliar o projeto, pois por meio dela pode-se 
analisar a qualidade e a atualidade das obras. Os regis-
tros devem obedecer às normas da ABNT-NBR 6023. 
Aspectos Gráficos
Vejamos os aspectos gráficos do projeto de pes-
quisa: 
Metodologia Científi ca166
a) capa
167Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
b) folha de rosto
Metodologia Científi ca168
c) sumário
169Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
d) introdução
Metodologia Científi ca170
e) objetivos
171Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
f ) questões norteadoras ou hipótese
Metodologia Científi ca172
g) justificativa
173Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
h) referencial teórico
Metodologia Científi ca174
i) procedimentos metodológicos
175Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
j) cronograma
Metodologia Científi ca176
k) orçamento
177Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa
l) referências
Metodologia Científi ca178
Referências
ALVES, Magda. Como escrever teses e monografias. Rio 
de Janeiro: Elsevier, 2003.
ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia 
do trabalho científico: elaboração de trabalhos na gradu-
ação. São Paulo: Atlas, 2001.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 
6023. Rio de Janeiro. ABNT, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 
10520. Rio de Janeiro. ABNT, 2002.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 
14724. Rio de Janeiro. ABNT, 2002.
BARROS, Aidil Jesus da Silva; LEHFELD, Neide Apareci-
da de Souza. Fundamentos de metodologia científica: 
um guia para iniciação científica. São Paulo: MAKRON 
Booksd, 2000.
BELLO, José Luiz de Paiva. Metodologia científica. Rio de 
Janeiro, 2004. Disponível em:<http://pedagogiaemfoco.
pro.br/met01.htm>. Acesso em: 10 out. 2008.
BRASIL. Resolução 196/96 de 10 de outubro de 1996. Dis-
põe sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de 
pesquisas envolvendo seres humanos. Conselho Nacio-
nal de Saúde, Brasília, DF, 10 de out. de 1996. Disponível 
em: <https://conselho.saude.gov.br/docs/Reso196.doc>. 
Acesso em: 6 jan. 2009.
BRASIL. Resolução 251/97 de 07 de ago. de 1997. Dispõe 
sobre o uso de novos fármacos, medicamentos, vacinas 
e testes diagnósticos em seres humanos. Conselho Na-
179Metodologia Científi ca
cional de Saúde, Brasília, DF, 07 de ago de 1997. Dis-
ponível em: <http://www.ufrgs.br/bioetica/res25197.htm>. 
Acesso em: 06.01.2009.
CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia 
científica. São Paulo: MAKRON Booksd, 1996.
CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 3. ed. São Paulo: 
Ática, 1995.
GALLIANO, A. Guilherme. O método científico: teoria e 
prática. São Paulo: Karper & Row do Brasil. [s. d.].
GIL, Antonio C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. 
ed. São Paulo: Atlas, 1999.
GONÇALVES, Hortência de Abreu Gonçalves. Manual de 
metodologia da pesquisa científica. São Paulo: Aver-
camp, 2005.
GONÇALVES, Hortência de; RODRIGUES, Auro de Jesus. 
Manual de estágio da universidade tiradentes. Aracaju: 
Unit, 2002.
JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico 
de filosofia. 3. ed. rev. e ampl. Rio de janeiro: Jorge Za-
har, 1996.
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Me-
todologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1991.
OLIVEIRA, Sílvio Luiz. Tratado de metodologia científica: 
Projetos de Pesquisa, TGI, TCC, monografias, disserta-
ções e teses. São Paulo: Pioneira, 1998. 
PARRA FILHO, Domingos; SANTOS, João Almeida. Meto-
dologia científica. 2. ed. São Paulo: Futura, 1998.
Metodologia Científi ca180
RODRIGUES, Auro de Jesus. Metodologia científica. 
São Paulo: Avercamp, 2006. 
RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para 
eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas, 1996.
SALVADOR, Ângelo Domingos. Métodos e técnicas de 
pesquisa bibliográfica: elaboração e relatório de es-
tudos científicos. Porto Alegre: Sulina, 1986. 
SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monogra-
fia. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994. 
SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do traba-
lho científico. São Paulo: Cortez, 1996.
181Metodologia Científi ca
Anotações
Metodologia Científi ca182
Anotações
183Metodologia Científi ca
Anotações
Metodologia Científi ca184
Anotações

Mais conteúdos dessa disciplina