Prévia do material em texto
Metodologia Científi ca Auro de Jesus Rodrigues Autor Hortência de Abreu Gonçalves Maria Balbina de Carvalho Menezes Maria de Fátima Nascimento Co-Autoras 3a Edição Jouberto Uchôa de Mendonça Reitor Amélia Maria Cerqueira Uchôa Vice-Reitora Jouberto Uchôa de Mendonça Junior Pró-Reitoria Administrativa - PROAD Ihanmarck Damasceno dos Santos Pró-Reitoria Acadêmica - PROAC Domingos Sávio Alcântara Machado Pró-Reitoria Adjunta de Graduação - PAGR Temisson José dos Santos Pró-Reitoria Adjunta de Pós-Graduação e Pesquisa - PAPGP Gilton Kennedy Sousa Fraga Pró-Reitoria Adjunta de Assuntos Comunitários e Extensão - PAACE Jane Luci Ornelas Freire Gerente do Núcleo de Educação a Distância - Nead Andrea Karla Ferreira Nunes Coordenadora Pedagógica de Projetos - Nead Lucas Cerqueira do Vale Coordenador de Tecnologias Educacionais - Nead Equipe de Elaboração e Produção de Conteúdos Midiáticos: Alexandre Meneses Chagas - Supervisor Ancéjo Santana Resende - Corretor Andira Maltas dos Santos – Diagramadora Bruno Costa Pinheiro - Webdesigner Claudivan da Silva Santana - Diagramador Edilberto Marcelino da Gama Neto – Diagramador Edivan Santos Guimarães - Diagramador Fábio de Rezende Cardoso - Webdesigner Geová da Silva Borges Junior - Ilustrador Márcia Maria da Silva Santos - Corretora Matheus Oliveira dos Santos - Ilustrador Monique Lara Farias Alves - Webdesigner Pedro Antonio Dantas P. Nou - Webdesigner Rebecca Wanderley N. Agra Silva - Designer Rodrigo Otávio Sales Pereira Guedes - Webdesigner Rodrigo Sangiovanni Lima - Assessor Walmir Oliveira Santos Júnior - Ilustrador Redação: Núcleo de Educação a Distância - Nead Av. Murilo Dantas, 300 - Farolândia Prédio da Reitoria - Sala 40 CEP: 49.032-490 - Aracaju / SE Tel.: (79) 3218-2186 E-mail: infonead@unit.br Site: www.ead.unit.br Impressão: Gráfi ca Gutemberg Telefone: (79) 3218-2154 E-mail: grafi ca@unit.br Site: www.unit.br Copyright © Sociedade de Educação Tiradentes R696m Rodrigues, Auro de Jesus Metodologia científica / Auro de Jesus Rodrigues; co-autoras Hor- tência de Abreu Gonçalves, Maria Balbina de Carvalho Menezes, Maria de Fátima Nascimento. 3. ed. rev. e ampl. – Aracaju : UNIT, 2010. 184 p.: il. : 22 cm. (Série bibliográ- fica Unit ; v. 1) Inclui bibliografia ISBN 978-85-7833-009-5 1. Metodologia científica 2. Edu- cação a distância. I. Gonçalves, Hortência de Abreu. II. Menezes, Maria Balbina de Carvalho. III. Nas- cimento, Maria de Fátima. IV. Uni- versidade Tiradentes - Educação a Distância. V. Título CDU : 001.891 Copyright © Sociedade de Educação Tiradentes Mensagem do Reitor Prezado(a) estudante, A modernidade anda cada vez mais atrelada ao tem- po, e a educação não pode ficar para trás. Prova disso são as nossas disciplinas on-line, que possibilitam a você estudar com o maior conforto e comodidade possível, sem perder a qualidade do conteúdo. Por meio do nosso programa de disciplinas on-line você pode ter acesso ao conhecimento de forma rápida, prática e eficiente, como deve ser a sua forma de comunica- ção e interação com o mundo na modernidade. Fóruns on- line, chats, podcasts, livespace, vídeos, MSN, tudo é válido para o seu aprendizado. Mesmo com tantas opções, a Universidade Tiradentes optou por criar a coleção de livros Série Bibliográfica Unit como mais uma opção de acesso ao conhecimento. Escrita por nossos professores, a obra contém todo o conteúdo da disciplina que você está cursando na modalidade EAD e representa, sobretu- do, a nossa preocupação em garantir o seu acesso ao conheci- mento, onde quer que você esteja. Desejo a você bom aprendizado e muito sucesso! Professor Jouberto Uchôa de Mendonça Reitor da Universidade Tiradentes Apresentação Prezado(a) estudante, Vivemos em um mundo em que as novas tecnologias produ- zem e veiculam conhecimentos numa velocidade incrível. Aprendê-los e aproveitá-los requer, sobretudo, do estudante habilidades, compe- tências e muita dedicação. A Educação tem se beneficiado muito com o desenvolvimento das novas tecnologias da informação e da comu- nicação, que proporcionam espaços com diferentes caminhos para a aprendizagem, trazendo agilidade e flexibilidade ao estudo. A disciplina de Metodologia Científica, na modalidade Ead e on-line requer estratégias diferentes de uma disciplina presencial. Nela, você deverá construir sua aprendizagem de forma autônoma, administrando o tempo, o ritmo e o horário de seu estudo, através de diversas mídias e recursos (livro impresso, podcast, video-aula, fórum, chat etc.). Ela deverá possibilitar a você “aprender a fazer” e “fazer aprendendo”. Levá-lo a comunicar-se de forma correta, inteligível, de- monstrando um pensamento estruturado, plausível e convincente. A criar hábitos que o acompanharão por toda a sua vida, como o gosto pela leitura; a investigação científica; um espírito crítico, reflexivo, indagador; o diálogo com o mundo; a autodisciplina; uma postura de humildade diante do saber; a ousadia/coragem de expor o próprio pensar. Nessa disciplina você terá uma nova oportunidade de apren- dizagem, não apenas pela aquisição e troca de conhecimentos, aluno- aluno e aluno professor, mas também pela agilidade que o uso das novas tecnologias na educação irá proporcionar na elaboração de seus trabalhos acadêmicos. Nesse sentido, seja bem vindo(a) a disciplina de Metodologia Científica. Aqui, foi elaborado para você um material interativo relacio- nados aos trabalhos acadêmicos, organização dos estudos, pesquisa, conhecimento, ciência, método científico e elaboração do projeto de pesquisa, possibilitando o “aprender a aprender”. Bom trabalho! O autor Sumário Parte1: Procedimentos Didáticos, Acadêmicos e Científi cos ..................................... 13 Tema 1: Metodologia Científi ca e técnicas de estudo ....................................... 13 1.1 Finalidade e importância ..................................... 13 1.2 Organização dos estudos .................................... 15 1.3 Técnicas de sublinhar e esquema ....................... 25 1.4 Resumo, resenha e fi chamento ......................... 28 Tema 2: Trabalhos acadêmico-científi cos .................... 53 2.1 Pesquisa científi ca/Ética e Pesquisa .................. 47 2.2 Pesquisa bibliográfi ca e normas de referências, citações e notas de rodapé ............................... 61 2.3 Artigo e Relatório técnico-científi co .................. 70 2.4 Monografi a e Seminário .................................... 97 Parte 2: Ciência, Método Científi co e Projeto de Pesquisa............................109 Tema 3: Conhecimento,Ciência e Método .................... 111 3.1 O Conhecimento ................................................. 111 3.2 A Ciência ........................................................... 118 3.3 Métodos de abordagens ................................... 129 3.4 Métodos de procedimentos ................................... 136 Tema 4: Elaboração do Projeto de Pesquisa ............... 139 4.1 Tema e problema de pesquisa ........................... 139 4.2 Questões, hipóteses e objetivos de pesquisa ................................... 148 4.3 Técnicas de coleta de dados ............................. 151 4.4 Estrutura do projeto de pesquisa ..................... 159 Referências .................................................... 178 Ementa Finalidade da metodologia científica. Importância da metodologia no âmbito das ciências. Metodologia de estu- dos. O conhecimento e suas formas. Os métodos científicos. A pesquisa enquanto instrumento de ação reflexiva, crítica e ética. Tipos, níveis, etapas e planejamento da pesquisa científica.Procedimentos materiais e técnicos da pesquisa científica. Diretrizes básicas para elaboração de trabalhos didáticos, acadêmicos e científicos. Normas técnicas da ABNT para referências, citações e notas de rodapé. Projeto de Pesquisa. Objetivos proporcionar ao aluno do curso superior condi- ções suficientes para elaboração e apresentação de trabalhos acadêmicos e científicos, na relação teoria-prática e no desenvolvimento do raciocínio analítico, sistemático, crítico e reflexivo; compreender a importância da ciência, suas caracte- ríticas e relevância social; entender o método científico, tipos, característi- cas e finalidades no âmbito da ciência; proporcionar conhecimentos teóricos e técnicos que possibilitem a elaboração de um projeto de pesquisa. Concepção da Disciplina Orientação para Estudo A disciplina propõe orientá-lo em seus procedimen- tos de estudo e na produção de trabalhos científicos, pos- sibilitando que você desenvolva em seus trabalhos pesqui- sas, o rigor metodológico e o espírito crítico necessários ao estudo. Tendo em vista que a experiência de estudar a dis- tância é algo novo, é importante que você observe algumas orientações: Cuide do seu tempo de estudo! Defina um ho- rário regular para acessar todo o conteúdo da sua disciplina disponível neste material impresso e no Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA). Organize-se de tal forma para que você possa dedicar tempo suficiente para leitura e reflexão; Esforce-se para alcançar os objetivos propostos na disciplina; Utilize-se dos recursos técnicos e humanos que estão ao seu dispor para buscar esclarecimen- tos e para aprofundar as suas reflexões. Esta- mos nos referindo ao contato permanente com o professor e com os colegas a partir dos fóruns, chats e encontros presenciais. Além dos recursos disponíveis no Ambiente Virtual de Aprendiza- gem – AVA. Para que sua trajetória no curso ocorra de forma tran- quila, você deve realizar as atividades propostas e estar sempre em contato com o professor, além de acessar o AVA. Para se estudar num curso a distância deve-se ter a clareza que a área da Educação a Distância pauta-se na au- tonomia, responsabilidade, cooperação e colaboração por parte dos envolvidos, o que requer uma nova postura do aluno e uma nova forma de concepção de educação. Por isso, você contará com o apoio das equipes pedagógica e técnica envolvidas na operacionalização do curso, além dos recursos tecnológicos que contribuirão na mediação entre você e o professor. PROCEDIMENTOS DIDÁTICOS, ACADÊMICOS E CIENTÍFICOS Parte 1 1 Metodologia Científi ca e técnicas de estudo 1.1 Finalidade e importância Ao ingressar na universidade o aluno começa a perceber que muita coisa vai mudar em sua vida, pois o ato de estudar terá que ser inserido no seu cotidiano. Pode-se dizer que a Metodologia Científica é uma disciplina respon- sável por dar as boas vindas ao novo estudante, ela significa o estudo dos caminhos do saber, os caminhos para se fazer Ciência. Ela se faz necessária nesse primeiro momento da vida universitária. É importante, inicialmente, destacar que a disciplina de Metodologia Científica, não só objetiva transmitir conhecimentos, mas, principalmente, possibilitar ao aluno a relação teoria-prática e a produzir conhecimento. Assim, para iniciarmos nossa disciplina é necessário refletirmos: Qual a importância de se estudar Metodologia Científica? O que ela acrescenta em sua formação acadêmica e profissional? Os objetivos específicos da Metodologia Científica enquanto dis- ciplina são: a) analisar as características essenciais que permitem distinguir Ciên- cia de outras formas de conhecer, enfatizando o método científico; Metodologia Científi ca14 b) analisar as condições em que o conhecimento é científicamente construído abordando o signi- ficado de postulados e atitudes da Ciência hoje; c) oportunizar o aluno a comportar-se científica- mente, levantando e formulando problemas, co- letando dados, analisando e interpretando-os e comunicando os resultados; d) capacitar o aluno para que ele leia criticamente a realidade e produza conhecimentos; e) fornecer informações e referenciais para a mon- tagem formal e substantiva de trabalhos cientí- ficos: resenhas, monografias, artigos científicos, etc.; f ) fornecer processos facilitadores à adaptação do aluno, integrando-o à universidade, minimizando suas dificuldade e apreensões quanto às formas de estudar e, consequentemente, de encontrar os meios de extrair o maior proveito dos estudos. Assim, poderíamos dizer que a Metodologia Científi- ca é a disciplina que confere os caminhos necessários para o autoaprendizado em que o aluno é o sujeito do proces- so, aprendendo a pesquisar e a sistematizar o conheci- mento obtido. Ela é baseada na apresentação e exame de diretrizes aptas a instrumentar o universitário no que tange ao estudo e ao aprendizado. A Metodologia Científica vem para auxiliar numa formação profissional competente do estudante, bem como numa formação sócio-política, que conduzirá o alu- no a ler, crítica e analiticamente, o seu cotidiano. Essa formação profissional competente está relacionada ao crédito dado ao estudo e à elaboração de um projeto de estudo com objetivos e metas conscientemente definidas, 15Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo em que deve estar implícita a preocupação em aprender as funções advindas da carreira profissional (BARROS; LEHFELD, 2000). A disciplina Metodologia Científica deve estimular os estudantes para que busquem motivações para encontrar respostas às suas dúvidas. Se nos referimos a um curso superior estamos naturalmente nos referindo a uma Aca- demia de Ciência e, como tal, as respostas aos problemas de aquisição de conhecimento devem ser buscadas atra- vés do rigor científico e apresentadas através das normas acadêmicas vigentes. Dito isto, parece que fica claro que a disciplina de Metodologia Científica não é um simples con- teúdo a ser decorado pelos alunos, para ser verificado num dia de prova; trata-se de fornecer aos estudantes um ins- trumental indispensável para que sejam capazes de atingir os objetivos da Academia, que são o estudo e a pesquisa em qualquer área do conhecimento. Trata-se então de se aprender fazendo, como sugerem os conceitos mais moder- nos da Educação (BELLO, 2007). Quando falamos de um curso superior, estamos nos referindo, indiretamente, a uma Academia de Ciên- cias, já que qualquer Faculdade nada mais é do que o lo- cal próprio da busca incessante do saber científico. Neste sentido, esta disciplina tem uma importância fundamen- tal na formação do profissional. Se os alunos procuram a Academia para buscar saber, precisamos entender que Metodologia Científica nada mais é do que a disciplina que “estuda os caminhos para o saber” (BELLO, 2007). Pensando assim, passaremos a estudar as técnicas, procedimentos e normas para a elaboração de trabalhos de graduação, como um conteúdo importante para orientação e para o desenvolvimento de sua prática acadêmica. 1.2 Organização dos estudos Segundo Ruiz (1996), o aluno que acaba de in- gressar numa faculdade precisa ser informado sobre os Metodologia Científi ca16 procedimentos necessários para tirar o maior proveito do curso que vai fazer, tendo em vista que os conteúdos tra- balhados no ensino fundamental e médio são diferentes dos conteúdos do ensino superior. Assim, é necessário integrar-se desde o início ao ritmo desta nova etapa de ascensão no saber, que se chama vida universitária. Esclarece ainda o autor que, na universidade, o alu- no precisa mudar, especialmente na responsabilidade, na autodisciplina ena forma de conduzir sua vida de estudos para tirar o maior proveito da excelente oportunidade de crescimento cultural, que a universidade lhe oferece. Portanto, você precisa saber que o curso que es- colheu na universidade desenvolverá conteúdos teórico- práticos, necessários a sua formação profissional e inte- lectual, cabendo a você não só reter esses conteúdos, mas transformá-los em conhecimentos. Assim sendo, apresentamos orientações necessá- rias para a sua vida universitária: a) Ao iniciar o curso é preciso que você tenha muita clareza e consciência do objetivo que se pretende alcançar; b) O processo de aprendizagem na vida universi- tária requer: constância, paciência e perseverança por parte do aluno; c) Para que você obtenha bom proveito dos con- teúdos teórico-práticos do seu curso, é necessário organizar e planejar horário/atividade, ou seja, de- finir horário para estudo, para dedicação à família, o trabalho, o lazer, o repouso, etc.; d) Utilize os procedimentos técnicos e metodoló- gicos que lhe serão oferecidos aplicando-os nas disciplinas presenciais e não presenciais do seu curso e nos seus estudos; 17Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo e) É necessário que frequente as aulas; leve o material de aprendizagem; organize o tempo pre- visto para a revisão das aulas e provas; realize os trabalhos em grupo ou individualmente, conforme solicitação do seu professor; mantenha silêncio em sala de aula e mantenha um clima cordial no relacionamento professor-aluno; f) Nas disciplinas não presenciais estabeleça horá- rios para os estudos; realize os trabalhos solicitados e mantenha sempre contato com o professor/tutor. É bom lembrar que em virtude de os universitários brasileiros, na sua grande maioria, disporem de pouco tempo para seus cursos e exercerem funções profi ssionais concomitantes ao curso supe- rior, exige-se deles organização sistemática do pouco tempo dis- ponível para o estudo em casa, indispensável para um melhor aproveitamento do seu curso de graduação (SEVERINO, 1999, p. 31). E agora? Como estudar? Pode-se dizer que estudar é ir à procura de conhe- cimento. O objetivo é chegar a aprender. Estudar faz com que alguém se torne uma pessoa ponderada, aberta, críti- ca e avaliativa frente a outras opiniões. O estudo constitui um fator significativo de aproximação dos homens e das culturas. Para um bom estudo não é necessário que você te- nha dotes extraordinários. Basta uma inteligência normal, o resto é completado pela força de vontade, dedicação e a utilização de métodos e técnicos. Quem de fato quer estudar deve estabelecer uma hierarquia de valores em sua vida. Estudar é um verdadeiro trabalho com suas sa- tisfações, alegrias, cansaços... Para que seus estudos Metodologia Científi ca18 alcancem maior aproveitamento é necessário que seja acompanhado de técnicas e métodos, pois estes podem tornar o estudo mais eficiente e mais produtivo. É necessário que você reorganize seu tempo para as atividades de lazer, trabalho e estudo. Disponibiliza- do tempo para estudo é necessário desenvolver técnicas para tornar o seu tempo mais produtivo. Para Ruiz (1996, p. 23), o estudante que não conhece outros detalhes so- bre leitura, revisão e fichamento pouco ou nada produ- zirá, mas quem utilizar as técnicas de leitura, revisão e fichamento, certamente lerá boas páginas em dez minu- tos, descobrirá e assinalará a ideia principal, as palavras- chave e os pormenores importantes de um texto. Já Severino (1999), afirma que não se trata de es- tabelecer uma detalhada divisão de horário de estudo: o essencial é aproveitar o tempo disponível, com uma orde- nação de prioridades. Também não é necessário discutir as condições de ordem física e psíquicas que sejam melhores para o estudo, muito dependentes das características pes- soais de cada um, sendo difícil estabelecer regras gerais que acabam caindo numa tipologia artificial. Neste sentido, apresentamos orientações gerais para melhorar seus estudos: Procure uma boa razão que justifique sua par- ticipação no curso em que está matriculado; você tem um objetivo? Comece a estudar as coisas mais agradáveis e depois as menos agradáveis. É preciso vencer o limite de “não gostar de estudar”; Estude para aprender. Vença suas limitações. Habitue-se ao estudo. Tenha sempre uma atitude responsável e parti- cipativa na sua vida universitária e de estudos; 19Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo Planeje seu tempo para as atividades de seu curso. Diariamente reserve um espa- ço para seus estudos. Sempre há o que estudar; Frequentemente, organize o material de estu- do; faça as revisões dos conteúdos trabalha- dos nas aulas presenciais e não presenciais. Participe! Seja um sujeito ativo! Procure estudar em local tranquilo, silencioso e privativo; Faça uma distribuição coerente dos conteú- dos que serão estudados por disciplinas nos horários reservados para os estudos; Não faça leitura corrida por muito tempo, utilize-se de intervalos de dez ou vinte mi- nutos durante a leitura. Esse intervalo que será definido por você deverá ser seguido à risca; Quando você não entender o assunto estu- dado pergunte ao seu professor ou profes- sor/tutor; É importante que você comece a organizar uma biblioteca pessoal e, também, frequente a biblioteca da universidade; Portanto, procure dedicar-se aos estudos, pois será necessário perseverança, concen- tração, interesse, motivação, confiança, ter à mão o material adequado para o estudo e um ambiente apropriado. Metodologia Científi ca20 Procure criar bons hábitos de estudos Você sabia que para fazer um bom estudo de texto devemos seguir normas e procedimen- tos e utilizar técnicas de estudo? 1.2.1 Estudo de Textos Vejamos. O estudo de texto implica na aplicação do querer aprender, obter conhecimentos, preparar-se para anotar in- formações para a realização de trabalhos acadêmicos na universidade. O processo de estudo, para não ser árduo e desconexo, deve ser feito dentro de uma metodologia. É necessário saber que todo texto escrito se insere num diálogo maior. Conforme Severino (1999, p. 49) o texto-linguagem significa o meio intermediário pelas quais duas consciências se comunicam. Ele é o código que cifra a mensagem. Ao escrever um texto, o autor (emissor) co- difica sua mensagem e o leitor (receptor), ao ler um texto, decodifica a mensagem do autor, para então pensá-la, assimilá-la e personalizá-la, compreendendo-a: assim se completa a comunicação. Portanto, temos: EMISSSOR MENSAGEM RECEPTOR (Autor) (Texto) (Leitor) 21Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo No estudo de um texto você deve, inicialmente, selecionar o que ler, que pode ser definido a partir dos elementos: título da obra, a data de publicação, a edi- tora, a “orelha”, o índice ou sumário, a bibliografia, a introdução ou prefácio. Logo após, delimitar a unidade de leitura, ou seja, definir o que será lido e que apresente unidade de senti- do. A unidade de leitura pode ser uma obra, um capítulo ou qualquer outra subdivisão que apresente uma unida- de de sentido. Estabelecida a unidade de leitura, você deverá ler várias vezes o texto, o suficiente para a sua compre- ensão. Essas leituras podem ser feitas através de três etapas ou tipos de análises de texto: a) Análise Textual: primeira etapa de estudo do texto. Corresponde a uma leitura “por alto”, glo- bal; devendo fazer um levantamento sobre: a vida, a obra e o pensamento do autor; doutrina e método utilizado; fatos históricos e autores co- mentados no texto; vocabulário, termos e concei- tos utilizados.Faça as anotações necessárias; b) Análise Temática: corresponde a uma segunda etapa; busca-se a compreensão do texto; procu- ra ouvir o autor, apreender, sem intervir nele. É o momento em que deverá responder: de que fala o texto? Como está problematizado? Qual a ideia central? Como estão expostas as argumentações? Como estão expostas as demonstrações? Qual a sua conclusão? Verifica-se a linha de raciocínio do autor. Faça as anotações necessárias. Nesta etapa pode-se elaborar o resumo indicativo ou informativo; c) Análise Interpretativa: terceira etapa de es- tudo. Deve ler o texto criticamente com vista à Metodologia Científi ca22 interpretação. Procura-se julgar o texto, anali- sando originalidade, coerência dos conteúdos, lógica de raciocínio. Analisar se o autor conse- guiu atingir os seus objetivos e foi eficaz nos argumentos e demonstrações em defesa da tese proposta. Faça as anotações necessárias. Nes- ta etapa podem-se elaborar diversos tipos de resumo como: indicativo, informativo, resumo crítico e resenha. Para o melhor aproveitamento no processo de análise do texto, é necessária a utilização de algumas técnicas já consagradas por especialistas em metodo- logia, tais como: sublinhar, esquematizar, resumir e fi- chamento. TEXTO COMPLEMENTAR A Organização da vida de estudos na universidade Ao dar início a essa nova etapa de formação escolar, a etapa do ensino superior, o estudante dar- se-á conta de que se encontra diante de exigências específicas para a continuidade de sua vida de es- tudos. Novas posturas diante de novas tarefas ser- lhe-ão logo solicitadas. Daí a necessidade de assumir prontamente essa nova situação e de tomar medidas apropriadas para enfrentá-la. É claro que o processo pedagógico-didático continua, assim como a apren- dizagem que dele decorre. No conjunto, porém, as sua posturas de estudo devem mudar radicalmente, embora explorando tudo o que de correto aprendeu em seus estudos anteriores. Em primeiro lugar, é preciso que o estudante se conscientize de que, doravante, o resultado do processo depende fundamentalmente dele mesmo. Seja pelo seu próprio desenvolvimento psíquico e 23Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo intelectual, seja pela própria natureza do processo educacional desse nível, as condições de aprendi- zagem transformam-se no sentido de exigir do estu- dante maior autonomia na efetivação da aprendiza- gem, maior independência em relação aos subsídios da estrutura de ensino e dos recursos institucionais que ainda continuam sendo oferecidos. O aprofunda- mento da vida científica passa a exigir do estudan- te uma postura de auto-atividade didática que será, sem dúvida, crítica e rigorosa. Todo o conjunto de recursos que está na base do ensino superior não pode ir além de sua função de fornecer instrumentos para uma atividade criadora. Em segundo lugar, convencido da especifici- dade dessa situação, deve o estudante empenhar-se num projeto de trabalho altamente individualizado, apoiado no domínio e na manipulação de uma série de instrumentos que devem estar contínua e perma- nentemente ao alcance de suas mãos. É com o auxí- lio desses instrumentos que o estudante se organiza na sua vida de estudo e disciplina sua vida científi- ca. Este material didático e científico serve de base para o estudo pessoal e para complementação dos elementos adquiridos no decurso do processo cole- tivo de aprendizagem em sala de aula. Dado o novo estilo de trabalho a ser inaugurado pela vida univer- sitária, a assimilação de conteúdos já não pode ser feita de maneira passiva e mecânica como costuma ocorrer, muitas vezes, nos ciclos anteriores. Já não basta a presença física às aulas e o cumprimento forçado de tarefas mecânicas: é preciso dispor de um material de trabalho específico à sua área e explorá- lo adequadamente. SEVERINO, Antonio Joaquim. A organização da vida de estudos na universidade. In: ______. Metodologia do trabalho científi- co. 20. ed. rev. e ampl. São Paulo: Cortez, 1996. p. 25-26. Metodologia Científi ca24 TEXTO COMPLEMENTAR O que estudar Nem sempre o estudante – mesmo em nível de pós-graduação – colhe frutos maduros e satisfatórios de seus anos acadêmicos, apesar dos consideráveis inves- timentos financeiros (estudar, entre nós, é caro e ainda um privilégio de poucos) e dos esforços pessoais empre- endidos. Não são poucos os que, uma vez concluído o curso, nem querem se lembrar mais daqueles livros, pro- vas, professores exigentes e salas de aula abarrotadas. Consideram o fim dos anos escolares como verdadeira libertação. Temos aqui as reações de um estudo mal fei- to, normalmente porque faltaram uma boa introdução e um correto acompanhamento na “arte de estudar”. Quantos estudantes – ainda em pleno período es- colar – não “queimam as pestanas” às vésperas de um exame e, não obstante, seus resultados são exíguos? Outros se esforçam tanto que sacrificam lazer, amizade, programas de televisão e convivência em comunidade religiosa ou familiar, estudando noite adentro, e mesmo assim têm pouco êxito em provas e trabalhos escolares. Uns não sabem como tirar proveito das expo- sições do professor em sala de aula, outros vão dor- mir em cima de livros logo que chegam em casa. Há muitos que não têm a mínima noção de como fazer fichamento, uma recensão de artigo ou livro, uma monografia e nem de longe sabem o que fazer com fichas bibliográficas ou fichas de conteúdo. Na reali- dade, veem no estudo sistemático uma nova forma de “tortura” imposta ao aluno e um peso inútil nos anos juvenis. Em parte estas queixas – raramente confessa- das explicitamente – correspondem à realidade dos fa- tos. Como acontece em qualquer profissão, quem não domina as “ferramentas” de sua área de especializa- 25Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo ção facilmente desanima e desiste diante de esforços sobre-humanos sem resultado notável. A metodologia científica visa exatamente suprir essa deficiência, en- sinando como manejar os instrumentos adequados ao “trabalho de estudo”, a fim de torná-lo mais eficiente, agradável e significativo. MATOS, Henrique Cristiano José. O que estudar. In: ______. Aprendendo a estudar: orientações metodológicas para o estu- do. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994. p. 13-14. 1.3 Técnicas de sublinhar e esquema 1.3.1 Sublinhar Vejamos. Conforme Andrade (2001, 25-26), sublinhar é a técnica utilizada para destacar as ideias importantes de um texto, indispensável para elaboração de esquemas e resumos. O requisito fundamental para aplicar a técnica de sublinhar é a compreensão do assunto, pois este é o único processo que possibilita a identificação das ideias principais e secundárias, não devendo sublinhar pará- grafos ou frases inteiras, mas apenas palavras-chave ou grupo de palavras. Portanto, você pode perceber que sublinhar é destacar as ideias de um texto, podendo utilizar somen- te as suas palavras, somente as palavras do autor ou a junção de suas palavras com as do autor, para elabora- ção de um resumo com as palavras sublinhadas. Destaca ainda a autora, que a técnica de subli- nhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes pro- cedimentos (ANDRADE, 2001, p. 25-26): leitura integral do texto; Metodologia Científi ca26 esclarecimento de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e outras; releitura do texto sublinhando as ideias prin- cipais, as palavras-chave e os detalhes mais importantes; assinalar com simbologias, à margem do tex- to, as passagens mais significativas; ler o que foi sublinhado para verificar se há sentido; reconstruir o texto em forma de esquema ou de resumo, tomando as palavras sublinhadas como base. Ah!... É importante que no processo de estudo dotexto não se deve sublinhar na primeira leitura. O sublinhar é para facilitar na compreensão do texto. Lembrando que ao realizar uma primeira leitura glo- bal do texto e depois, numa segunda leitura, no momento de sublinhar, é importante utilizar simbologias no texto, para destaque e esclarecimento de informações pertinentes a vocabulário, termos técnicos, conceitos e outras. Exemplo: CÓDIGO SIGNIFICADO ? Dúvida ! Importante * Conceito VD Ver dicionário AV Aviso C Concordo NC Não concordo 27Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo 1.3.2 Esquema Vejamos. De acordo com Ruiz (1996, p.43), o esquema é o plano ou a linha diretriz seguida pelo autor no desen- volvimento de seu escrito; esse plano identifica um tema e estabelece a trajetória básica de sua apresentação, subordinando ideias, selecionando fatos e argumentos. Para o autor a função do esquema é apresentar o tema e hierarquizar as partes de um todo numa linha diretriz, para torná-lo possível a uma visão global. Pelo esquema pode-se atingir o todo numa única mirada. Uma única mirada? Sim! Portanto, grosso modo, podemos dizer que o es- quema constitui num “esqueleto” do texto, apresentan- do uma hierarquia de ideias. Ele é elaborado logo após o sublinhar e antes da elaboração do resumo. Segundo Salomon (1977, p. 85), as regras para a elaboração de esquemas são: • Fidelidade ao texto original: deve conter as ideias do autor; • Estrutura lógica do assunto: organização das ideias a partir das mais importantes para as consequentes; • Adequação ao assunto estudado: o esquema útil é flexível. Adapta-se ao tipo de matéria que se estuda; • Utilidade de seu emprego: o esquema deve ajudar e não atrapalhar; Metodologia Científi ca28 • Cunho pessoal: cada um faz o esquema de acordo com suas tendências, hábitos, recur- sos e experiências pessoais. Para elaborar o esquema você pode utilizar sim- bologias, tais como: setas, círculos, chaves, linhas, figu- ras, etc., prevalecendo o gosto pessoal e que facilite a compreensão do assunto. Exemplo: 1.4 Resumo, resenha e fichamento 1.4.1 Resumos Vejamos. Podemos definir o resumo como a apresentação concisa e seletiva do texto estudado, apresentando as principais ideias do autor. Qual a sua finalidade? Difusão das informações contidas em livros, mono- grafias, artigos, relatórios, etc. Para que resumir? Para compreender melhor o texto. O resumo faci- lita a análise, fixação, integração e interpretação daquilo que está sendo estudado, além de uma melhor prepara- ção para a pesquisa e avaliações. Podemos acrescentar, ainda, a possibilidade de melhoria na escrita, reorga- nização dos seus conhecimentos e seleção das partes mais importantes de um texto. 29Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo Existem regras para elaboração de resumo? Sim! Para que você elabore um resumo é necessário: fazer a análise temática; sublinhar o texto; elaborar o esquema; redigir o resumo com as principais ideias do autor; confrontar o resumo com o original para ver se nenhuma ideia ficou esquecida. Existe um único tipo de resumo? Não! Vejamos alguns deles: a) Resumo indicativo ou descritivo: descrevem-se as principais partes do texto; utilizam-se frases curtas, sendo necessário voltar à leitura do texto original, já que é uma pequena apresentação condensada do texto, com suas principais ideias; pouco utilizado nas universi- dades, mas bastante utilizado pelas editoras. A redação do resumo deverá estar na impessoalidade com espaça- mento duplo entre linhas. Deve ser elaborado em pará- grafo único e apresentar a seguinte estrutura: referência bibliográfica e conteúdo do resumo; b) Resumo informativo ou analítico: quando apre- senta as ideias principais do texto; expõe-se finalidade, problema, metodologia, argumentos, demonstrações, re- sultados e conclusões; é um resumo mais amplo do que Metodologia Científi ca30 o indicativo e que atende suficientemente ao leitor, não precisando voltar ao texto original para o entendimento do assunto. Não permite opiniões e comentários do autor do resumo. Bastante utilizado nas universidades. A redação do resumo deverá estar na impessoalidade com espaçamento duplo entre linhas. Deve ser elaborado em parágrafo único e apresentar a seguinte estrutura: referência bibliográfica, conteúdo do resumo e palavras-chave; c) Resumo Crítico: deve apresentar as mesmas infor- mações do resumo informativo, todavia, permitem-se opi- niões e comentários do autor do resumo. Assim sendo, é necessária a interpretação e crítica sobre o texto estudado. Estrutura: referência bibliográfica, conteúdo do resumo; d) Resenha: segue as mesmas informações do re- sumo crítico, todavia, deve ser colocada na introdução do resumo da biografia do autor (formação profissional, pressupostos filosóficos, livros publicados, etc.). A re- senha é um resumo crítico mais amplo, podendo, na elaboração dos comentários, utilizar-se de opiniões de diversas autoridades científicas em relação à obra do autor estudado. Não deve ser elaborado em parágrafo único, apresentando a seguinte estrutura: referência bi- bliográfica e conteúdo da resenha. Portanto, para que o estudo de texto seja pro- dutivo, procure utilizar-se das técnicas de estudo, de sublinhar, esquematizar e resumir. A escolha do tipo de resumo que será realizado sobre um texto depen- derá de seu objetivo. Vejamos o exemplo de um parágrafo sublinhado, esquematizado e resumido (ANDRADE, 2001, p.28-29): Que tal você pegar alguns textos e utilizar as téc- nicas de sublinhar, esquematizar e resumir? 31Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo a) Parágrafo sublinhado ATIVIDADES DOS ESPECIALISTAS EM COMUNICAÇÃO São quatro as atividades principais dos especialis- tas em comunicação: detecção prévia do meio ambiente, correlação das partes da sociedade na reação a esse meio, transmissão da herança social de uma geração para a se- guinte e entretenimento. A detecção prévia consiste na co- leta e distribuição de informações sobre os acontecimentos do meio ambiente, tanto fora como dentro de qualquer sociedade particular. Até certo ponto, isso corresponde ao que é conhecido como manipulação de notícias. Os atos de correlação, aqui, incluem a interpretação das informações sobre o meio ambiente e a orientação da conduta em re- lação a esses acontecimentos. Em geral, essa atividade é popularmente classificada como editorial ou propaganda. A transmissão de cultura se faz através da comunicação das informações, dos valores e normas sociais de uma gera- ção a outra ou de membros de um grupo a outros recém- chegados. Comumente, é identificada como atividade edu- cacional. Por fim, o entretenimento compreende os atos comunicativos com intenção de distração, sem qualquer preocupação com os efeitos instrumentais que eles pos- sam ter. (WRIGHT Apud SOARES; CAMPOS, 1978, p. 120). b) Parágrafo esquematizado ATIVIDADES DOS ESPECIALISTAS EM COMUNICAÇÃO detecção do meio ambiente ________ coleta e distribui- ção de informações = notícias correlação das partes da sociedade ________ interpretação das informações na reação a esse meio = editorial/propaganda Metodologia Científi ca32 transmissão de cultura ________ comunicação das in- formações = atividade educacional entretenimento ________ atos comunicativos = distração c) Resumo do Parágrafo São atividades dos especialistas em comunicação: detec- ção prévia do meio ambiente, que consiste na coleta e distribuição das informações, ou manipulação de notícias. Correlação das partesda sociedade na reação ao meio, que inclui a interpretação das informações, pelo editorial e pro- paganda. A transmissão da cultura, que se faz através da comunicação das informações, identificada como atividade educacional. O entretenimento, que se realiza pelos atos comunicativos, e que procura apenas a distração. Que tal sublinhar, esquematizar e resumir os pa- rágrafos abaixo! 1. Quando um bebê nasce, a primeira coisa que todo mundo quer saber é o sexo. Nos primeiros dias de vida a diferença parece mais anatômica, mas à medida em que vai crescendo, o bebê começa a se comportar como menino ou menina. Um problema controvertido é saber até que ponto esse comportamento tem base biológica ou é uma questão de aprendizado. Algumas feministas insistem em dizer que todas as diferenças comportamentais são ensinadas e que, deixando-se de lado as discrepâncias biológicas evidentes, a mulher é igual ao homem. Outros dizem que o homem é homem e que mulher é mulher e é por razões biológicas que os dois sexos se parecem, se comportam e até mes- mo se movimentam de modo diferente. Os entendidos 33Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo em cinética têm levantado um certo número de provas que reforçam os argumentos das feministas (DAVIS, 1979:23). 2. Houve tempo em que se poderia defender a ideia de que uma pesquisa científica era coisa de gênio, por- tanto algo excepcional e fora de qualquer restrição de planejamento. Hoje não é mais possível defender essa ideia, nem para a pesquisa científica e, muito menos, para a tecnológica. Sabe-se que, na história da Técnica, intervêm comumente as ‘invenções’ empreendidas por leigos e curiosos. Depois do estabelecimento da Tecno- logia, essas ‘invenções’ tornam-se cada vez mais raras, dando lugar às ‘descobertas’, feitas por meio de pesqui- sas organizadas. Assim, tornou-se indispensável um pla- no de pesquisa que se constitua como programação dos trabalhos a serem realizados durante a pesquisa. Agora o trabalho não é mais simplesmente mental, como na fase anterior da escolha, compreensão e conhecimen- to. É necessário, agora, escrever um ‘Plano de Pesquisa’ para fixá-lo e torná-lo independente da memória (VAR- GAS, 19985:202). 3. Nesse livro (A origem das espécies) o método de pesquisa utilizado por Darwin esclarece-se. Ele parte da observação da variação das espécies de animais do- mesticados e das plantas cultivadas cuja variabilidade é muito maior do que se observa no estado selvagem. Isto porque a seleção feita pelo homem é muito con- trolada e eficiente e de efeitos acumulados. Pode-se, assim, observar nitidamente que, numa espécie dada as crias não são jamais nem idênticas entre si nem aos seus pais. Há sempre uma diferença entre os in- divíduos. Isto é um fato que pode dever à indução de uma ‘lei geral’: a lei da variabilidade. Entretanto, é, Metodologia Científi ca34 também, um fato notável que as singularidades inatas dos indivíduos são transmitidas por hereditariedade aos seus descendentes. Assim, um criador pode preser- var ou acentuar tais singularidades por acasalamentos efetuados artificialmente. Também desse fato se pode induzir uma ‘lei da hereditariedade’. Há, portanto, uma evolução nas raças dos animais domésticos e plantas cultivadas baseada numa relação artificialmente dirigi- da pelo homem (VARGAS, 1985:63-4). 4. De fato, as descobertas da Física no século XX têm surpreendido a todos, revelando as limitações da lingua- gem científica e levando a uma profunda reflexão e revi- são da concepção humana acerca do universo. A teoria quântica e a relatividade geral conduzem a uma visão do mundo bastante próxima às visões dos místicos orientais. O caráter essencialmente empírico do conhecimento mís- tico parece ser o elemento fundamental para estabelecer- se o paralelo com o conhecimento científico. As soluções, em termos de linguagem, encontradas pelos místicos, po- dem fornecer uma moldura filosófica consistente para as modernas teorias científicas, que expressa numa rígida e sofisticada linguagem matemática, parecem ter perdido toda a relação com as experiências sensoriais. No misti- cismo oriental sempre fica clara a limitação da linguagem e da lógica. As interpretações verbais da realidade são imprecisas e contraditórias. A teoria quântica e a relativi- dade apontam na mesma direção: a realidade transcende a lógica clássica (SZPIGEL, 1990:2). 5. Ninguém desconhece o sacrifício da quase totali- dade de nossos acadêmicos que vão para suas escolas após uma jornada de oito horas ou mais de trabalho pro- fissional. Se isso é sumamente louvável, não o exime, por outro lado, do compromisso de estudar e, portanto, de 35Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo descobrir tempo para estudar. É preciso descobrir tempo. Tempo para frequentar as aulas dos diversos cursos, e tempo para estudos particulares. Se procuramos, o tem- po aparecerá. E lembremo-nos de que meia hora por dia representa três horas e meia por semana, quinze horas por mês e cento e oitenta horas por ano. E quem não conseguiria descobrir um ou mais espaços de meias hora em sua jornada? Ou quem não conseguiria fazer aparece- rem esses espaços, se o quisesse realmente? Ou será que esses espaços não aparecem porque nós não os procu- ramos, por medo de encontrá-los? Quem quer descobre, cria tempo, especialmente nós, brasileiros, que somos, por assim dizer, capazes do impossível (RUIZ, 1991:22). 6. Marx retorna de Hegel a concepção dialética da realidade, ou seja, a afirmação de que a realidade vai se produzindo permanentemente mediante um processo de mudança determinado pela luta dos contrários, por força da contradição que trabalha o real, no seu próprio interior. Era a recuperação da temporalidade real, da historicidade, dimensão perdida desde o predomínio da filosofia grega sobre a visão judaica. Assim, a filosofia marxista, em con- tinuidade com a filosofia hegeliana, concebe a realidade como se constituindo num processo histórico que, ao se efetivar, vai efetivando o próprio tempo, num processo criador. E este processo criador que ocorre por força da luta provocada pelas contradições que trabalham interna- mente a realidade é um processo dialético, de posição, negação e superação, de acordo com a tríade hegeliana da tese-antítese-síntese (SEVERINO, 1986, p. 5). 7. Naturalmente, a educação tem de ser tanto infor- mativa quanto diretiva. Não podemos simplesmente mi- nistrar informação sem ao mesmo tempo transmitir aos estudantes algumas ‘aspirações’, ‘idéias’ e ’objetivos’, a Metodologia Científi ca36 fim de que eles saibam o que fazer com a informação que receberem. Lembremo-nos, porém, que é também muito importante apresentar-lhes não apenas ideais destituídos de alguma informação real sobre a qual agir; à falta dessa informação, não lhes será nem ao menos possível usufruir desses ideais. A informação sem as diretivas, insistem corretamente os estudantes, é ‘seca como pó’. Mas as diretivas, sem a informação, gravadas na memória mercê de freqüentes repetições, só produzem orientações inten- cionais que os incapacitam para as realidades da vida, deixando-os indefesos contra o choque e o cinismo dos anos subseqüentes (HAYAKAWA, 1972, p. 210). 8. É comum ouvirmos falar sobre método científico. Alunos de ginásio e de segundo grau aprendem a respei- to nas aulas de ciência e o empregam em competições de pesquisa. Hollywood também o retrata mostrando cien- tistas usando jalecos e equipados com pranchetas, posi- cionados diante de microscópio e recipientes repletos de líquidos borbulhantes. Então, por que o método científico continua a ser um mistério para tanta gente? Um dos motivos talvez seja o nome. A palavra “método” sugere uma espéciede fórmula secreta, disponível apenas para cientistas altamente treinados, mas isso não procede. O método científico é algo que todos nós podemos usar a qualquer momento. De fato, adotar algumas das ativi- dades básicas do método científico - ser curioso, fazer perguntas, procurar respostas - é algo natural em todo ser humano. Na tarefa de descobrir a verdade, dentro de sua esfera de atuação, a ciência precisa de critérios claros, métodos de investigação precisos que descartem as ilu- sões dos sentidos, os preconceitos, as crenças pessoais (religiosas ou não), as superstições de todo o tipo. A ciên- cia utiliza o método científico (http://ciencia.hsw.uol.com. br/metodos-cientificos.htm/Texto adaptado). 37Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo 9. O nosso dia a dia encontra-se profundamente marcado pela ciência. Tal acontece devido a objetos tec- nológicos – objetos relacionados com a ciência – que cresceram e se multiplicaram a ponto de estarem oni- presentes à nossa volta. Basta acordar de manhã por um rádio-despertador e aquecer um copo de leite no microondas para reconhecer que o nosso dia começa com um “banho” tecnológico. Logo a seguir continua na nossa profissão que, hoje em dia, não dispensa o com- putador (máquina que arredou várias outras ou entrou por dentro de várias outras) e o telefone (que já entrou nos nossos bolsos). À noite, a televisão apodera-se das nossas horas de lazer. A internet – esse casamento do computador com o telefone – entrou também no nos- so quotidiano, tanto de dia como de noite, tanto no trabalho como no lazer (http://dererummundi.blogspot. com/2007/06/cincia-e-quotidiano.html). 10. A evolução da ciência se deu com a evolução da inteligência humana, que passou do medo do desconhe- cido ao misticismo, numa tentativa de explicar os fenô- menos através do pensamento mágico, das crenças e das superstições e, finalmente, evoluiu para a busca de respostas através de caminhos que pudessem ser com- provados. Desta forma, nasceu a ciência metódica, que procura sempre uma aproximação com a lógica. O ser humano é o único animal na natureza com capacidade de pensar e indagar sobre a realidade. Esta característica permite que os seres humanos sejam capazes de refletir sobre o significado de suas próprias experiências. As- sim evolui a ciência. A Ciência num determinado período da história acabou sendo mitificada, principalmente a partir do séc. XVIII, e hoje ela é entendida como sendo qualquer assunto que possa ser estudado pelo homem, pela utilização do Método Científico e de outras regras Metodologia Científi ca38 especiais de pensamento (http://www.urutagua.uem. br/014/14maia.htm/ Texto adaptado). Vejamos exemplos de resumos: a) Resumo indicativo ou descritivo (NBR 6028): LABBENS, J. Sociologie au Brésil. Social Science informa- tion, 1 (2):31-52, July 1962. Pesquisa da sociologia atual no Brasil. Identificam-se três correntes de pensamento, baseadas em modelos históricos, matemáticos e sociológicos. A diversidade da sociologia brasileira é explicada pelo estado da sociolo- gia em geral e sua situação no país. b) Resumo informativo ou analítico (NBR 6028): LABBENS, J. Sociologie au Brésil. Social Science in- formation, 1 (2):31-52, July 1962. Pesquisa da sociologia atual no Brasil constata que existe grande diversidade de pensamento entre os sociólogos, podendo-se distinguir três tendências principais: a) a corrente histórica, que busca na história e ciências auxiliares a explicação dos fenô- menos sociais. Os expoentes desta corrente são Tavares Bastos, Aníbal Falcão, Euclides da Cunha, Alberto Torres, Oliveira Viana e Gilberto Freire; b) a corrente teórica, que se inspira diretamente nas ciên- cias naturais e que pretende conferir à sociologia um mesmo “status”, realiza suas pesquisas, sobre- tudo em modelos matemáticos e epistemológicos. São autores representativos Pontes de Miranda e Mário Luiz; c) entre 1930 e 1940, apareceu uma nova tendência que tornou a sociologia no Brasil uma ciência realmente autônoma, com objetivos definidos 39Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo sistematicamente, métodos particulares e uma teo- ria sociológica própria. Esta corrente é denominada corrente sociológica, e os principais nomes a ela as- sociados são Fernando de Azevedo, Emílio Willems e Florestan Fernandes. A diversidade da sociologia brasileira é explicada pelo estado da sociologia em geral e sua situação no país; d) a ausência de uma razoável tradição científica no domínio da sociologia e as pressões por outros círculos não têm permitido aos sociólogos estabelecer um sistema próprio de controle social capaz de impor um modelo comum de ação. Apesar da possibilidade de reunir uma doc- umentação copiosa, não há métodos padrões para relacionar e interpretar os dados. Palavras-chave: Pesquisa da sociologia. Corrente de pen- samento: histórica, teórica e sociológica. c) Resumo crítico (LAKATOS; MARCONI, 1991, p. 72-73): LAKATOS, Eva Maria. O trabalho temporário: nova forma de relações sociais no trabalho. São Paulo: Escola de Sociologia e Política de São Paulo, 1979. 2. v. (Tese de Livre-Docência). Traça um panorama do trabalho temporário nos dias atuais, nos municípios de São Paulo, ABC e Rio de Janeiro, relacionando as razões históricas, sociais e econômicas que levaram ao seu aparecimento e desenvolvimento. Divide-se em duas partes. Na pri- meira, geral, tem-se a retrospectiva do trabalho tem- porário. Partindo do surgimento da produção indus- trial, traça um panorama da evolução dos sistemas de trabalho. Dessa maneira são enfocados, do ponto de vista sociológico, as relações de produção através Metodologia Científi ca40 dos tempos. Esse quadro histórico fornece a base para a compreensão dos fatores sociais e econômi- cos que levaram à existência do trabalho temporário tal como é conhecido hoje no contexto urbano. A parte teórica permite também visualizar a realidade sócio-econômica do trabalhador temporário, condu- zindo, em sequência lógica, as pesquisas de campo apresentadas na segunda parte do trabalho. A parte essencial consiste em uma pesquisa realizada em três níveis: o trabalhador temporário, as agências de mão de obra temporária e as empresas que a utilizam. Ao abordar os três elementos atuantes no processo, a pesquisa cerca o problema e faz um levantamento profundo do mesmo. As técnicas utilizadas para a se- leção da amostra e coleta de dados são rigorosamen- te corretas do ponto de vista metodológico, o que dá à confiabilidade. As tabelas apresentadas confirmam ou refutam as hipóteses levantadas, permitindo que, a cada passo, se acompanhe o raciocínio que leva à conclusão do trabalho [...]. Esse material permite que se conheça em detalhes e se possa reproduzir o processo de investigação realizado. d) Resenha GIL, Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pes- quisa. São Paulo: Atlas, 1996. Antônio Carlos Gil é bacharel em Ciências Po- líticas e Sociais, licenciado em Ciências Sociais e em Pedagogia, Mestre e Doutor em Ciências Sociais pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Pau- lo. É professor de Métodos e Técnicas de Pesquisa no Instituto Municipal de Ensino Superior de São Ca- etano do Sul. É autor do livro Métodos e técnicas de pesquisa social. Nessa obra, primeiramente, o autor apresenta 41Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo aos iniciantes, de maneira simples e acessível, os elementos necessários para a elaboração de proje- tos de pesquisa. Em segundo lugar, busca garantir ao profissional de pesquisa, bem como aos estudan- tes dos níveis mais avançados, inclusive dos cursos de pós-graduação, condições para a organização de conhecimentos dispersos, obtidos aolongo da vida acadêmica ou do contato direto com a prática de pesquisa. O livro é de caráter eminentemente prático, já que esclarece acerca dos procedimentos a serem ado- tados para elaboração de projetos referentes aos mais diversos tipos de pesquisa, como pesquisa bibliográfi- ca, pesquisa documental, pesquisa “ex-post-facto”, le- vantamento, estudo de caso, pesquisa-ação e pesquisa participante [...] O livro está longe de ser um “receituário”. Pro- cura ao longo de seus capítulos, tratar das mais diver- sas implicações teóricas que envolvem o processo de criação científica. 1.4.2 Fichamento Vejamos. Na finalização do estudo de um texto, é neces- sário que se faça a documentação das informações que podem ser feitas através do fichamento. O fichamento consiste na transcrição de informa- ções em fichas. A função do fichamento é colocar à disposição do pesquisador, de forma organizada e seletiva, um conjun- to de informações de obras já consultadas, imprescindí- veis para a elaboração de trabalhos acadêmicos. O fichamento é uma técnica que propicia economia de tempo e qualidade no estudo e na pesquisa, uma manei- ra de guardar o essencial de um texto, de maneira que tenha Metodologia Científi ca42 essas informações anotadas, sempre que precisar. Há três alternativas de fichamento: uma recomendada pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que são as fi- chas; uma segunda alternativa, um pouco mais in- formal, que pode ser feita em cadernos A/Z, onde serão registrados os fichamentos; a terceira que é o arquivo do computador. As fichas podem ser organizadas por autor, por obra ou por assunto. É mais comum que o fichamento seja feito em fichas, mas com o desenvolvimento tecnológico e o aparecimento da informática, com sua capacidade de guarda e armazena- mento de informações, pode ser feito no computador, em arquivos, disquetes ou CDs. O armazenamento em arquivos no computador facilita no processo de elaboração dos tra- balhos acadêmicos. O fichamento depende de seu objetivo. Assim sendo, pode ser feita numa ficha a anotação de uma referência bibliográfica de um livro, a elaboração de um esquema, a transcrição de um parágrafo de um texto, a apreciação de uma obra, a elaboração de um resumo, etc. No caso do resumo, devem-se seguir os procedi- mentos de elaboração dos mesmos. As informações transcritas podem ser colocadas em um único lado ou nos dois lados da ficha, desde que permita a visualização e organização das informações. É um critério particular e depende do indivíduo ou de quem a solicita. Quando o fichamento for feito em mais de uma ficha, recomenda-se colocar a numeração, ao alto, à direita, apenas na frente de cada ficha. Os tamanhos das fichas são: 43Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo PEQUENO 7,5 X 12,5 cm MÉDIO 10,5 X 15,5 cm GRANDE 12,5 X 20,5 cm Exemplo de ficha com um resumo indicativo: FRENTE DA FICHA (TAMANHO GRANDE 12,5 X 20,5 cm) RUIZ, João Álvaro. Método, Economia e Eficiência nos Estudos. In;______. Metodologia Científica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas, 1996. cap. 1, p. 19-33. Aprender a aprender na faculdade - quem ingressa numa faculdade precisa tirar o máximo proveito do curso que vai fazer. Tempo para estudar – o primeiro passo para estudar consiste em reorganizar a vida de maneira a abrir espaços para o estudo e planejar o seu tempo. Para descobrir tempo - a maneira mais prática de descobrir o tempo consiste em tomar uma folha de papel, anotar os diversos dias da semana, os diversos afazeres e os possíveis espaços ociosos. Programar a utilização do tempo – programar a utilização dos espaços/horas que possam ser reservadas para o estudo. Horário de preparação para aula – de posse do material de estudo o estudante deverá ler previamente a matéria que será desenvolvida durante a aula. Horário das revisões das aulas – é necessário fazer revisões, a imediata que se faz da aula anterior e as globalizadoras corresponde análise e síntese. O grande tempo de todo estudante – o grande tempo são as aulas. Como aproveitar o tempo das aulas - é preciso frequentá-las, levar consigo material adequado ao trabalho do dia, guardar Metodologia Científi ca44 VERSO DA FICHA silêncio exterior para não distrair os outros e silêncio interior não distraindo a si próprio, cordialidade de relacionamento: professor e aluno. Como aproveitar o tempo em reuniões de grupos – o estudo em equipe é muito proveitoso sob todos os aspectos. Aluna do 1º período do Curso de Geografia Noturno, turma 96A: Maria Maciel Santos Procedimentos gerais para a elaboração do resumo informativo, crítico e resenha digitada em editor de texto: papel branco, formato ofício – A4 (21 cm x 29,7 cm); as margens da folha devem ter 3 cm (esquer- da e superior) e 2 cm (direita e inferior); digitação na cor preta, em tamanho 12, nas fontes Times New Roman ou Arial; redação com impessoalidade, objetividade, clareza e concisão; único parágrafo (resumo informativo e críti- co), com parágrafos (resenha); espaçamento simples na referência bibliográfica; 45Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo espaçamento 2 duplos, entre a referência bi- bliográfica e o conteúdo do resumo; espaçamento duplo no conteúdo do resumo (Texto); espaçamento 2 duplos, entre o texto e as pa- lavras-chave (resumo informativo); as “Palavras-chave”, separadas entre si por ponto e finalizadas também por ponto; colocar capa e folha de rosto: ver modelo; a organização da referência bibliográfica de acordo com as normas da ABNT NBR 6023. Para organização das referências consultar o site: http://www.unit.br/normasacademicas.asp (Normas para referências, citações e notas de rodapé). Apresentamos, abaixo, os aspectos gráficos e ta- manhos de fonte (indicados por T.F.) para elaboração do resumo. Metodologia Científi ca46 a) capa 47Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo b) folha de rosto Metodologia Científi ca48 c) resumo informativo (texto - observe os aspec- tos gráficos) 49Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo d) resenha (texto - observe os aspectos gráficos) Vocabulário e leitura eficiente Metodologia Científi ca50 TEXTO COMPLEMENTAR Muita gente lê mal porque não tem bom vocabulário e não tem bom vocabulário porque lê mal, o que se tor- na um círculo vicioso que deve converter-se em círculo virtuoso, para todo aquele que aspira atingir nível de crescimento cultural. O domínio cada vez mais amplo do vocabulário enrique- ce nossa possibilidade de compreensão e concorre para aumentar a velocidade na leitura. Mas como aumentar nosso vocabulário? Decorando algum dicionário? Quem o fez em seu tempo de estu- dante, em eras que não voltam mais, confessa que o trabalho era penoso; entretanto, acaba agradecendo aos professores exigentes de seu tempo. Mas o me- lhor recurso para aumentar o próprio vocabulário é, sem dúvida, a leitura. Como proceder ante uma palavra de sentido desconhe- cido, ou que assume sentido novo em determinado con- texto? Morgan e muitos outros recomendam a imediata consulta aos dicionários: “A primeira coisa é procurá-la num dicionário.” Por nossa parte, sugerimos que se ex- perimente não interromper a leitura ante um termo de sentido desconhecido; não raro, a sequência do texto deixará bem claro o sentido da palavra desconhecida; anote, pois, a palavra desconhecida em um papel avul- so, e continue a ler. Ao final de um capítulo, apanhe o dicionário para esclarecer todas as palavras anotadascomo desconhecidas e verifique o sentido que melhor se coaduna com o respectivo contexto. Assim, durante a se- gunda leitura, em que se sublinham as ideias principais e os pormenores importantes, todos os termos estarão claros e incorporados ao nosso vocabulário. Adote a su- gestão da consulta imediata ou a sugestão de não in- terromper a leitura cada vez que encontrar uma palavra desconhecida. O fundamental é que não se deve perder 51Tema 1 | Metodologia Científi ca e Técnicas de Estudo a oportunidade de enriquecer o próprio vocabulário pela preguiça da busca de palavras novas em algum dicioná- rio. Por certo, estaríamos prejudicando a compreensão do texto e impedindo o próprio crescimento cultural. Que dicionário consultar? Não se entende um estu- dante de nível superior que não tenha um bom dicio- nário comum da língua materna. Mas há certas pala- vras que, embora incorporadas à linguagem vulgar, conservam ou assumem sentido específico, definido pelas diversas ciências, como botânica, a biologia, a medicina, a filosofia, e assim por diante. Outras palavras não constam nos dicionários comuns, mas tão-somente nos dicionários de maior porte ou em dicionários técnicos das diversas áreas. O estudante deve adquirir um bom dicionário dentro de sua área de especialização. Entretanto, as faculdades mantêm bibliotecas ricas em fontes de consulta, com grande variedade de dicionários e enciclopédias à disposição de seus alunos. Não é preciso que cada um compre enciclopédias caríssimas para usar uma vez ou outra; com o dinheiro de uma enciclopédia de generalidades monta-se uma preciosa estante com obras da própria especialidade, inclusive com dicionários técnicos; e isto parece ser mais útil. RUIZ, João Álvaro. Vocabulário e leitura eficiente. In: ______. Metodolo- gia Científica: guia para eficiência nos estudos. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1996. p. 41-42. Trabalhos acadêmico-científi cos2 2.1 Pesquisa científica/Ética e Pesquisa 2.1.1 Pesquisa científica Vejamos. A metodologia é a maneira concreta de realizar a busca do conheci- mento desejado de forma racional e eficiente. Nesse contexto, essa busca de conhecimento pode ser realizada através da pesquisa. Segundo Andrade (2001, p. 121), a pesquisa pode ser definida como um conjunto de procedimentos sistemáticos baseado no raciocínio lógico que tem o objetivo de encontrar soluções para problemas propostos, mediante a utilização de métodos científicos. O êxito de uma pesquisa depende de certas qualidades intelectuais e sociais do pesquisador, tais como (GIL, 1991, p. 20): Conhecimento do assunto a ser pesquisado; Curiosidade; Criatividade; Integridade intelectual; Metodologia Científi ca54 Atitude auto-corretiva; Sensibilidade social; Imaginação disciplinada; Perseverança e paciência; Confiança na experiência; Ética. Podemos então apresentar a você algumas carac- terísticas da pesquisa. Quanto à natureza, a pesquisa pode constituir-se em: a) trabalho científico original: quando uma pes- quisa é realizada pela primeira vez, trazendo novos conhecimentos para a comunidade científica e para a sociedade; b) resumo de assuntos: quando a pretensão não é trazer novos conhecimentos, mas a prática metodoló- gica da pesquisa através de trabalhos publicados por outros autores. Neste tipo de pesquisa o objetivo é reu- nir, analisar e discutir conhecimentos e informações de trabalhos já existentes. Quanto aos meios para obtenção das informações temos: a) Pesquisa documental: quando são utiliza- dos documentos que ainda não receberam tratamento analítico, ou seja, quando a pesquisa é realizada a partir de fontes primárias; 55Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos b) Pesquisa bibliográfica: quando realizada a par- tir de fontes secundárias, ou seja, a pesquisa é desen- volvida através de material já elaborado: livros e artigos científicos; c) Pesquisa de campo: quando é realizada a partir de informações obtidas “em campo”, onde os fenôme- nos ocorrem em situação natural; d) Pesquisa de laboratório: quando as informa- ções são obtidas em laboratório, buscando-se produzir ou reproduzir o fenômeno estudado, em condições de controle. Quanto aos objetivos da pesquisa, pode-se classificá-las em: a) Pesquisa exploratória: constitui-se numa pesqui- sa preliminar, cujo principal objetivo é buscar informações sobre determinado assunto ou descobrir um tema para es- tudo. Através da pesquisa exploratória podemos, também, delimitar um tema, definir os objetivos ou formular as hi- póteses de uma pesquisa. Ela é considerada por alguns autores como um estudo inicial para realização de outro tipo de pesquisa; Exemplos: Processo de reprodução das abelhas; verificar se há impactos ambientais nos manguezais do município de Itaqui; realizar uma pesquisa bibliográfica para elaborar uma hipóte- se de pesquisa. b) Pesquisa descritiva: é realizada para descrever fe- nômenos ou o estabelecimento de relações entre variáveis. Procura-se observar, registrar, analisar e interpretar os fenô- menos utilizando-se de técnicas padronizadas de coleta de dados como o questionário e a observação sistemática; Exemplos: Metodologia Científi ca56 Pesquisar sobre as características de um grupo social: distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolarida- de, estado de saúde etc. Pesquisar o nível de atendimento dos órgãos públicos de uma comunidade: condições de habi- tação, índice de criminalidade etc. Pesquisar sobre opiniões, atitudes e crenças de uma população. c) Pesquisa explicativa: é um tipo de pesquisa mais complexa, pois procura um conhecimento mais pro- fundo sobre o fenômeno estudado. O principal objetivo é identificar os fatores que determinam ou que contribuem para a ocorrência dos fenômenos, procurando explicar a razão, o porquê das coisas. A pesquisa explicativa nas ci- ências naturais caracteriza-se pela utilização do método experimental e observacional nas ciências sociais. Exemplos: Pinga-se uma gota de ácido numa placa de metal para observar o resultado; verificar os efeitos da utiliza- ção de um determinado medicamento em um grupo sob controle; comprovar hipóteses na busca de leis e teorias. Quanto à abordagem na pesquisa, pode-se clas- sificá-las em: a) pesquisa quantitativa: quando a abordagem está relacionada à quantificação de dados obtidos mediante pes- quisa. Utiliza-se na pesquisa de recursos e técnicas esta- tísticas como: percentagem, média, moda, mediana, desvio padrão, coeficiente de correlação, análise de regressão, etc.; b) pesquisa qualitativa: quando não emprega procedimentos estatísticos na abordagem da pesqui- sa. É utilizada para investigar um determinado proble- ma de pesquisa, cujos procedimentos estatísticos não podem alcançar devido à complexidade do problema como: opiniões, comportamentos, atitudes dos indiví- duos ou grupo. 57Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Conforme o enfoque nas diversas áreas das ciên- cias, há diferentes classificações de pesquisa. Não há um único referencial. A bibliografia sobre Metodologia Científica apresenta grande número de tipos de pesqui- sa. Quanto à obtenção de informações, Gil (1991, p. 45-62), apresenta a seguinte classificação: a) pesquisa bibliográfica: quando é desenvolvida a partir de material já publicado, constituído principal- mente de livros, artigos de periódicos e atualmente de material disponibilizado na Internet; b) pesquisa documental: quando elaborada a par- tir de materiais que não receberam tratamento analítico; c) pesquisa experimental: quando se determina um objeto de estudo, selecionam-se as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, definem-se as formas de controle e de observação dosefeitos que a variável produz no objeto; d) pesquisa ex-post-facto: quando o “experimen- to” se realiza depois dos fatos; neste tipo de pesquisa são utilizados como experimentos situações que se de- senvolveram naturalmente e trabalha-se depois sobre elas como se estivessem submetidas a controles; e) levantamento: quando a pesquisa envolve a interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer e, mediante análise quantitativa, ob- têm-se as conclusões dos dados coletados; f ) estudo de caso: quando envolve o estudo profundo, detalhado e exaustivo de um ou poucos objetos de maneira que se permita o seu amplo co- nhecimento; Metodologia Científi ca58 g) pesquisa-ação: quando concebida e reali- zada em estreita associação com a resolução de um problema coletivo. Os pesquisadores e participantes representativos da situação ou do problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo; supõe uma forma de ação planejada, de caráter so- cial, educacional, etc.; É importante ressaltar que há diferentes for- mas de classificações de pesquisa. Não há um único referencial. A bibliografia sobre pesquisa científica apresenta grande número de classificações. Segundo Lakatos e Marconi (1999, p. 21), o critério para a classificação dos tipos de pesquisa depende do enfoque dado pelo autor e de interes- ses, condições, campos, metodologia, situações, ob- jetivos, objetos de estudo, etc. Os tipos de pesquisa nas diversas classifica- ções não são estanques. Uma mesma pesquisa pode estar, ao mesmo tempo, enquadrada em várias clas- sificações, desde que obedeça aos requisitos ine- rentes a cada tipo. Portanto, um pesquisador pode utilizar-se no estudo de um problema, por exemplo: a pesquisa bibliográfica, a pesquisa documental, a pesquisa de campo, a pesquisa descritiva e a abor- dagem quantitativa. Para a realização de uma pesquisa científica é de fundamental importância a utilização de métodos cientí- ficos e técnicas de pesquisa. 2.1.2 Ética e Pesquisa Pela Resolução 196/96 de 10 de outubro de 1996 que estabelece as Diretrizes e Normas Regula- mentadoras de pesquisa envolvendo seres humanos no Brasil, o Ministério da Saúde (MS) via Conselho Nacional de Saúde (CSN) e Comissão Nacional de Éti- 59Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos ca em Pesquisa (CONEP) criou os Comitês de Ética e Pesquisa (CEPs) nas instituições que a realizam em todo o país, objetivando avaliar e autorizar projetos de pesquisa que envolva seres humanos, possibilitan- do ao mesmo tempo uma ação consultiva e educativa ao fomentar uma reflexão analítica e crítica em torno da ética nas ciências (BRASIL, 1996). Para tanto, foram estabelecidos princípios éti- cos que visaram o reconhecimento de valores e di- reitos, levando em conta a não maleficência, a be- neficência, a autonomia e a justiça, com o intuito de preservar a dignidade humana. Nessa perspectiva a referida resolução determinou, ainda, a garantia da responsabilidade do pesquisador, patrocinador e ins- tituição em dar assistência integral às complicações e danos provenientes dos riscos da pesquisa, inclu- sive indenizatórios, cumprindo assim uma destinação social e humanitária, com vantagens significativas e redução do ônus em termos gerais e em especial no que se refere aos grupos vulneráveis. Com o intuito de estabelecer critérios para o uso de seres humanos na pesquisa científica, criou também um mecanismo pautado na participação e aceitação vo- luntária dos termos da pesquisa, na forma de consen- timento informado em que o pesquisado por si ou seu representante, sabendo da natureza da mesma, conse- quências e riscos, aceita o tratamento proposto ou expe- rimentação, especificando seus dados de identificação e a manifestação legal da sua concordância em participar como sujeito da pesquisa. Constando ainda o seu grau de participação, bem como as prováveis dificuldades di- retas e indiretas que possam ocorrer durante a sua rea- lização, sob a denominação de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Cabe ao responsável pela pesquisa suspendê-la imediatamente, caso perceba a possibilidade de risco ou dano à saúde do sujeito envolvido, previsto ou não Metodologia Científi ca60 no referido termo, o qual, juntamente com o projeto de pesquisa proposto, deve ser enviado ao CEP, para apreciação e julgamento ético para somente, após apro- vação, ser colocado em prática. Com isso, o uso de seres humanos na pesquisa ficou obrigado ao cumprimento dessa resolução com a implantação dos CEPs em todo o território nacional, visando o atendimento a pesquisadores e a submis- são de projetos de pesquisa nas diversas áreas do conhecimento, atuando tanto na forma interdisciplinar quanto na transdisciplinar, considerando os valores e os preceitos éticos necessários, além de avaliar a documentação prevista ao seu desenvolvimento com o objetivo de proteger e adequar o bem-estar dos indivíduos pesquisados. Além disso, em 05 de agosto de 1997, o Plenário do Conselho Nacional de Saúde, amparado pela Lei no. 8.080 de 19 de setembro de 1990 e pela Lei 8.142 de 28 de dezembro desse mesmo ano, aprovou a Resolu- ção CSN251/97 estabelecendo as normas de pesquisa envolvendo seres humanos quanto ao uso de novos fármacos, medicamentos, vacinas e testes diagnósticos (BRASIL, 1997). Desse modo, a ética na pesquisa científica ampliou suas fronteiras aos vários campos do sa- ber pautando-se tanto no contexto da bioética (ética aplicada ao campo médico e biológico), quanto no da diversidade cultural da sociedade global, conside- rando, ainda, o Código de Ética e os direitos huma- nos consolidados nas Ciências Humanas, bem como os cuidados necessários à publicação dos resultados obtidos com a pesquisa, principalmente com o in- tuito de evitar conclusões constrangedoras e/ou hu- milhantes que possam de algum modo gerar confli- tos ou trazer prejuízos e inconvenientes aos sujeitos pesquisados. 61Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos 2.2 Pesquisa bibliográfica e normas de referên- cias, citações e notas de rodapé 2.2.1 Pesquisa bibliográfica Caro aluno, tendo em vista ser a pesquisa bibliográ- fica uma atividade de aprendizagem, produção e aprimora- mento do conhecimento e, bastante solicitada por profes- sores, resolvemos prestar maiores explicações a respeito dos procedimentos metodológicos para a sua elaboração. A pesquisa bibliográfica é realizada com o objeti- vo de explicar um problema através de referenciais escri- tos. Pode constituir-se como um trabalho em si mesmo ou como parte da pesquisa descritiva ou experimental. Também é de grande importância no processo de elabo- ração e composição de monografias. Para a sua elaboração devemos percorrer as se- guintes fases: Escolha do tema Poderá ser da escolha do aluno ou indicado pelo pro- fessor, devendo levar em consideração o tempo disponível para realização da pesquisa, disponibilidade de material para consulta, interesse pelo assunto a ser trabalhado, relevância para o aprendizado, área de conhecimento e/ou sociedade. Delimitação do tema O tema não poderá ficar aberto ou vago. Deverá ser escolhido um aspecto do tema para ser trabalha- do. Assim sendo, na delimitação do tema é necessário definir sua extensão, profundidade e tipo de enfoque (biológico, pedagógico, estatístico, etc.). Também, deve- rá delimitá-lo no tempo e no espaço. Exemplo: Tema: Evasão escolar Delimitação do tema: A evasão escolar no ensino fundamental, no município de Aracaju, na década de 1970. Metodologia Científi ca62 Plano de trabalho Antes de iniciar a pesquisa, é necessária a ela- boração do plano de trabalho, que poderá ser provisó- rio. Nele deverá constar o direcionamento da pesquisa, apresentando os tópicos dos assuntosque serão traba- lhados. Coleta de dados Escolhido e delimitado o tema e elaborado o plano de trabalho, inicia-se a coleta de dados através das fontes secundárias que são fontes de segunda mão como: livros, revistas, etc. Também, dependendo da com- plexidade do tema, poderá utilizar-se de fontes primárias que são fontes de primeira mão, tais como: autobiogra- fias, diários, materiais estatísticos, etc. A maioria dessas fontes encontra-se nas bibliotecas e, também, na internet. Localização das informações De posse do material coletado, o aluno deverá localizar as informações pertinentes ao assunto que será trabalhado, através das leituras: a) leitura de reconhecimento: realizada para a se- leção do material que será estudado, ocorre no momen- to da coleta dos dados; b) leitura seletiva: constitui-se numa primeira lei- tura rápida do conteúdo buscando uma visão geral do texto para saber se realmente atende ao assunto; c) leitura analítica: realizada para uma maior compreensão do texto, descobrindo sua lógica interna e estruturação. Buscam-se, também, as ideias, argu- mentações e demonstrações apresentadas pelo autor do texto; d) leitura interpretativa: o objetivo é avaliar e jul- gar o conteúdo do texto e buscar, também, as informa- ções que poderão contribuir para a pesquisa. 63Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Documentação dos dados No momento da seleção e leitura do material é necessário que o aluno faça a documentação do mes- mo que pode ser feita através do fichamento que tem como função colocar à disposição do pesquisador uma série de informações distribuídas numa gama enorme de obras já consultadas. Seleção do material Uma vez documentados os dados, o aluno deverá agora selecionar os conteúdos das fichas que serão uti- lizados na elaboração da redação do trabalho. Redação do trabalho Geralmente, na graduação, a redação do trabalho é iniciada pelo desenvolvimento, seguida pelas demais partes, sendo necessário que, ao final da redação, seja feita uma leitura para verificar a ocorrência de algum erro de redação e estrutura lógica do conteúdo. Referências No final do trabalho deverão constar as referên- cias bibliográficas que foram utilizadas seguindo as nor- mas da ABNT- NBR 6023 (http://www.unit.br/normasaca- demicas.asp). Estrutura do Trabalho de Graduação O prazer de ver um trabalho bem estruturado. Mas como realizá-lo? Vejamos. A estrutura que vamos apresentar é indicada para o trabalho de pequeno porte que poderá ser solicitado por professores no decorrer do curso, tal como a pes- quisa bibliográfica. Metodologia Científi ca64 Estrutura: a) A capa deve conter: nome da instituição, o curso, a disciplina, o professor da disciplina, título, subtítulo (se hou- ver), nome do autor, local e ano da conclusão do trabalho; b) O sumário deve apresentar as partes que com- põem o trabalho, com as respectivas numerações das páginas. c) A introdução é a parte inicial do texto, devendo apresentar o assunto, a delimitação do tema, os objeti- vos, a justificativa e os procedimentos metodológicos; d) O desenvolvimento compreende o conteúdo com ideias, argumentações e demonstrações, estrutura- das de forma lógica; e) A conclusão deve ser breve, apresentando a síntese dos resultados. Não deve conter nenhum ele- mento novo não discutido na parte do desenvolvimento; f ) Nas referências são indicadas as fontes con- sultadas e referenciadas no corpo do trabalho. Segue a norma da ABNT-NBR 6023 (UNIT: http://www.unit.br/ normasacademicas.asp); g) O apêndice e/ou anexo (se houver) corresponde a documentos complementares que servem de fundamentação, comprovação ou mesmo ilustram o trabalho. Os apêndices correspondem ao material elaborado pelo autor do relatório, já os anexos são materiais de autoria de terceiros. Redação, apresentação e aspectos Gráficos Quanto à redação, à forma de apresentação da fo- lha e disposição do texto, é de fundamental importância 65Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos que os trabalhos de graduação, tais como: a pesquisa bibliográfica, o relatório, etc., apresentem: a) tamanho das folhas Usa-se o papel branco, formato A4 (21cm x 29,7cm). b) numeração das páginas Todas as páginas, a partir da folha de rosto, de- verão ser contadas, mas não numeradas. A numeração é colocada a partir da primeira folha da parte textual. Os números deverão ser em arábicos e localizados no canto superior da folha, à direita em fonte tamanho 10. Os anexos e apêndices (se houver), também devem ser numerados. c) fonte Times New Roman ou Arial em tamanho 12 para o corpo do trabalho (texto). Às citações (com mais de 3 linhas), em tamanho 10 ou 11. Para o título do trabalho utilizar tamanho 18 ou 16; capítulo tamanho 16 ou 14; item tamanho 12 e para nota de rodapé tamanho 10. d) espaçamento entre as linhas Deverá ser utilizado o espaçamento duplo em todo o texto. Nas citações diretas com mais de três li- nhas utilizar espaçamento simples. Entre os títulos, se- ções e o texto utilizar 2 duplos. e) capítulos e seções Todos os capítulos deverão ser iniciados em uma nova página. O indicativo numérico de uma seção prece- Metodologia Científi ca66 de seu título com alinhamento esquerdo e separado por um espaço de caractere. Os títulos serão centrados na margem superior à esquerda. Os títulos sem indicativo numérico deverão ser centrados. Os títulos das seções primárias deverão ser escritos em caixa-alta e negrito. Nas seções secundá- rias, caixa-alta apenas na primeira letra de cada palavra sem negrito, já das terciárias em diante, caixa alta so- mente na primeira letra sem negrito. f ) margens A uma apresentação estética do trabalho devem- se respeitar as margens: 3cm (superior e esquerda) e 2cm (direta e inferior). A margem para início de parágrafo deverá ser de 2cm, após a margem da página. g) redação do trabalho Geralmente é iniciada pelo desenvolvimento, se- guida pelas demais partes, sendo necessário que, ao final da redação, seja feita uma leitura para verificar a ocorrên- cia de algum erro de redação e estrutura lógica do conte- údo. A redação do conteúdo da pesquisa bibliográfica e demais trabalhos acadêmicos devem apresentar algumas normas especiais relativas à linguagem científica, como: impessoalidade: na redação do trabalho deve estar na 3ª pessoa, evitando-se referências pessoais, como: “o meu trabalho”, “minha monografia” etc.. Utiliza-se, preferencialmen- te, as formas: “a presente pesquisa”, “o pre- sente trabalho”, “a presente monografia” etc.. Também, verbos que tendem à impessoali- dade, como: “o procedimento utilizado”, “tal informação foi verificada”, etc., 67Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos objetividade: deve-se expor as ideias rele- vantes, retirando do texto todas as informa- ções consideradas supérfluas. Utiliza-se uma linguagem denotativa em que cada palavra deve apresentar seu significado próprio, não possibilitando dar margem a outras interpre- tações. A linguagem objetiva deve está isenta de informações de caráter de valor pessoal e ambigüidades, clareza: deve-se evitar a construção de pará- grafos longos, excesso de orações subordina- das e termos obscuros. Utiliza-se vocabulário simples e formal, com os termos técnicos pre- cisos, bem definidos, sem exagero de repeti- ção, coerência: as ideias devem estar organizadas na redação de forma sequenciadas, tendo um início, um meio e um fim. Consiste no raciocí- nio lógico das ideias. h) Normas de referências, citações e notas de rodapé Para a organização das referências, citações e notas de rodapé no trabalho consultar o site da Unit: http://www.unit.br/início/normas_acadêmicas.aspx (Ma- nual de Referências,Citações e Notas de Rodapé); Metodologia Científi ca68 a) capa 69Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos b) folha de rosto Metodologia Científi ca70 2.3 Artigo e Relatório técnico-científico 2.3.1 Artigo técnico-científico O artigo científico constitui-se num trabalho escrito que trata sobre um determinado assunto e que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas e resultados de traba- lhos nas diversas áreas do conhecimento científico. O artigo científico tem por finalidade a difusão de informações sobre pesquisas realizadas, apresentando os resultados alcançados. Estrutura Formal do Artigo Científico Segue a NBR 6022/2003, ABNT e orientações da Universidade Tiradentes. Elementos: a) pré-textuais b) textuais c) pós-textuais ESTRUTURA ELEMENTO Pré-textuais Título e subtítulo (se houver) Nomes (s) do (s) autor (es) Nome do orientador Resumo na língua do texto Palavras-chave na língua do texto Textuais Introdução Desenvolvimento Conclusão Pós-textuais Referências Apêndice (s) (opcional) Anexo (s) (opcional) 71Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Elementos pré-textuais É importante ressaltar que na primeira folha do ar- tigo científico devem constar somente os elementos pré- textuais e, os mesmos, não devem ultrapassar esta folha. Título e subtítulo (se houver) do artigo Deve constar no cabeçalho da página inicial do artigo e na língua do texto, centralizado. Autor Nome do autor do artigo com iniciais em maiúscu- las e, logo abaixo, nome do curso de graduação (centra- lizado). O nome deve ser antecedido pela palavra: Autor. Orientador Nome do orientador com iniciais maiúsculas e sua titulação, último grau acadêmico (centralizado). O nome deve ser antecedido pela palavra: Orientador. Resumo na língua do texto O resumo vem logo após o nome do orientador, apre- sentando de forma concisa, clara, objetiva e impessoal o conteúdo do trabalho (artigo), não ultrapassando 250 pa- lavras e em parágrafo único, conforme a NBR 6028, ABNT. Deve apresentar o objetivo geral, a metodologia, os resul- tados significativos e conclusões. Deve, antes de iniciar o texto, colocar a palavra: RESUMO. Palavras-chave na língua do texto Devem ser colocadas logo abaixo do resumo. De acordo com a NBR 6022/2003 (ABNT), as palavras-chave Metodologia Científi ca72 devem ser colocadas abaixo do resumo, antecedidas da expressão PALAVRAS-CHAVE: separadas entre si por pon- to e finalizadas também por ponto. O máximo é de cinco palavras-chave. Elementos textuais Introdução Deve apresentar a delimitação do assunto, os ob- jetivos (geral e específicos), as questões norteadoras ou hipóteses, a justificativa, a metodologia utilizada (méto- dos, técnicas e materiais) e outros elementos necessá- rios para situar o tema do artigo científico. Desenvolvimento Exposição e demonstração, discussão e avaliação dos resultados do estudo. Apresentando objetividade, impessoalidade, concisão e clareza. Pode ser dividido em seções e subseções. Os títulos das seções e subse- ções são definidos pelo autor. O desenvolvimento pode ser dividido em duas partes: a primeira refere-se ao re- ferencial teórico, uma pesquisa bibliográfica sobre o as- sunto (elaborar título para este item). A segunda corres- ponde à parte prática da pesquisa (pesquisa de campo ou laboratório), apresentando a análise e os resultados do problema pesquisado (elaborar título para este item). Conclusão Parte obrigatória e final do texto, devendo ser breve e apresentando a síntese dos resultados. Não deve conter nenhum elemento novo não discutido na parte do desenvolvimento, atentando-se para um discur- so breve, conciso e convincente quanto à qualidade do conteúdo exposto. 73Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Elementos pós-textuais Referências Corresponde a uma lista das fontes consultadas e referenciadas no trabalho. Os registros devem obedecer às normas da ABNT, NBR 6023 (atualizada). Na elabora- ção das referências é indispensável a honestidade do autor do trabalho, para não excluir da lista obras que foram utilizadas no texto e que não lhe pertencem. A lista de referência deve ser organizada por sobrenome e em ordem alfabética. Apêndice (s) Corresponde a documentos complementares que servem de fundamentação, comprovação ou mes- mo ilustram o trabalho, como: fotografias, folder, ins- trumento de entrevista, desenhos, figuras, gráficos, quadros, tabelas, mapas, etc., e pertencem ao autor do trabalho. São identificados por letras maiúsculas consecutivas, travessão e pelos respectivos títulos para identificá-los. Anexo(s) Corresponde a documentos complementares que servem de fundamentação, comprovação ou mes- mo ilustram o trabalho, como: fotografias, folder, fi- guras, gráficos, quadros, mapas, etc., e pertencem a terceiros. São identificados por letras maiúsculas con- secutivas, travessão e pelos respectivos títulos para identificá-los. Vejamos os aspectos gráficos: Metodologia Científi ca74 a) elementos pré-textuais 75Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos b) elementos textuais Metodologia Científi ca76 77Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Metodologia Científi ca78 79Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Metodologia Científi ca80 c) elementos pós-textuais 81Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Metodologia Científi ca82 2.3.2 Relatório técnico-científico Vejamos. Outro tipo de trabalho acadêmico consiste no relatório. Podemos definir o relatório como um documento formal que expõe, de forma lógica e sistemática, infor- mações sobre um determinado assunto, devendo apre- sentar conclusões e/ou recomendações. O principal obje- tivo é relatar sobre experiências vivenciadas durante um período determinado de aprendizagem. Existem vários tipos de relatórios. Quando o re- latório for realizado para a conclusão de curso você deverá utilizar-se dos manuais de conclusão de curso da universidade Tiradentes. Mas, existem relatórios de pequeno porte que são solicitados pelos professores du- rante o decorrer do seu curso, sendo os relatórios mais usuais: viagem; visita técnica e evento. A estrutura do relatório de viagem; visita técnica e evento apresentam semelhanças, estando constituído em: A capa deve conter: nome da instituição, o curso, a disciplina, o professor da discipli- na, título, subtítulo (se houver), nome do autor, local e ano da conclusão do relatório; A folha de rosto: elemento obrigatório para identificação do Relatório, devendo constar o nome do autor; título do trabalho, e subtítulo (se houver); objetivo do trabalho; o nome da instituição a que é submetido; nome do orien- tador, local (cidade) da instituição onde deve ser apresentado; ano de depósito (da entrega); O sumário deve apresentar as partes que compõem o relatório, acompanhadas da nu- meração das páginas; 83Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos A lista de ilustrações é elemento opcional que consiste na relação de ilustrações, na ordem em que se apresentam no texto, sendo cada item designado por seu nome específico e acompa- nhado do respectivo número da página. Geral- mente, elabora-se lista própria para cada tipo de ilustração (gráfico, fotografia, mapa, dese- nho, fluxograma, organograma e outros); A lista de tabelas e/ou quadros é elemento opcional que consiste na relação das tabelas e/ou quadros, na ordem em que se apresen- tam no texto, sendo cada item designado por seu nome específico e acompanhado do res- pectivo número da página. A introdução é a parte inicial do texto, deven- do apresentar o tema, os objetivos, a justi- ficativa, osprocedimentos metodológicos, o local e o período de realização da atividade; O desenvolvimento compreende o relato e aná- lise das atividades desenvolvidas e observadas; A conclusão deve ser breve, apresentando a síntese dos resultados. Poderá apresentar su- gestões e recomendações; Nas referências são indicadas as fontes con- sultadas e referenciadas no corpo do traba- lho. Segue a norma da ABNT-NBR 6023; O apêndice e/ou anexo (se houver) corres- ponde a documentos complementares que servem de fundamentação, comprovação ou mesmo ilustram o trabalho. Os apêndices cor- respondem ao material elaborado pelo autor Metodologia Científi ca84 do relatório, já os anexos são materiais de autoria de terceiros. Lembrete! Quando for elaborar um relatório de viagem, visita técnica ou participar de um evento, lembre-se dessa estrutura. ELEMENTOS QUANTIDADE DE FOLHAS CAPA 01 folha FOLHA DE ROSTO 01 folha LISTA DE ILUS- TRAÇÃO (QUANDO HOUVER) - LISTA DE TABE- LAS (QUANDO HOUVER) - SUMÁRIO 01 a 02 folhas INTRODUÇÃO 01 a 02 folhas DESENVOLVI- MENTO 04 a 08 folhas CONCLUSÃO 01 a 02 folhas REFERÊNCIAS - APÊNDICE (QUAN- DO HOUVER) - ANEXO (QUANDO HOUVER) - 85Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos a) capa Metodologia Científi ca86 b) folha de rosto 87Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos c) Lista de tabelas Metodologia Científi ca88 d) sumário 89Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos e) introdução Metodologia Científi ca90 f ) desenvolvimento 91Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Metodologia Científi ca92 93Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos Metodologia Científi ca94 g) conclusão 95Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos h) referências Metodologia Científi ca96 i) apêndice 97Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos 2.4 Monografia e Seminário 2.4.1 Monografia Vejamos. Segundo Salvador (1986, p.33), podemos consi- derar a monografia como um gênero de trabalhos cien- tíficos, sendo considerados a dissertação e a tese como tipos de trabalhos monográficos. Ainda segundo o autor, a monografia apresenta as seguintes características: redução da abordagem a um só assunto. Mantém-se assim o sentido etimológico do termo: monos (um só) e graphein (escre- ver): estudo por escrito de um único tema específico; é um estudo pormenorizado e exaustivo em todos os seus aspectos e ângulos, limitado em extensão, mas exaustivo e completo na compreensão e profundidade; resulta de uma investigação científica em do- cumentação escrita ou por observação e expe- rimentação, seguindo rigorosamente a meto- dologia de cada ciência; apresenta uma contribuição ao progresso da ciência, quer em termos de sistematização de conhecimentos, quer em termos de novas descobertas científicas. Assim, resolvemos não definir o que seja mono- grafia, já que as características apresentadas pelo autor atendem a uma definição. Metodologia Científi ca98 Na conclusão do curso de graduação mantém-se o sentido etimológico: monografia. Na conclusão do curso de mestrado é denominada de dissertação. Já para a conclusão do doutorado recebe o nome de tese. O nível de originalidade e profundidade da monografia depen- derá do grau acadêmico que se pretende obter. O site da Unit para o estudo e Estrutura da Monografia: http://www.unit.br/início/nor- mas_acadêmicas.aspx 2.4.2 Seminário O que é? O seminário é uma técnica utilizada para estudar um tema sob a orientação de um professor ou especia- lista e exige pesquisa, discussão e debate. A finalidade do seminário é preparar o aluno para a elaboração de trabalhos científicos e a discussão de textos, através do debate, da reflexão e da crítica. O seminário pode ser: a) Seminário de texto: quando é atribuído a um indivíduo ou um pequeno grupo um texto para ser apresentado; b) Seminário de tema: quando o objetivo é a pesquisa sobre um determinado tema e sua apresentação. Os procedimentos para a sua realização: a) deverá ser definido o tipo de seminário que será realizado: texto ou tema; 99Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos b) atribui-se a um aluno ou grupo, que sob a orien- tação de um professor realizará o seminário; quan- do em grupo é necessário que ocorram reuniões por parte do grupo para a organização do seminário; c) o assunto deverá ser estudado ou pesquisado pelo (s) seminarista (s); d) exposição do assunto utilizando-se de recursos materiais necessários; e) debate: professor, seminarista (s) e alunos; f ) conclusão e avaliação do seminário. A vantagem da realização do seminário em sala de aula é contribuir para que o aluno aprofunde seus conhecimentos sobre um determinado assunto, bem como o domínio das técnicas de exposição de trabalhos acadêmicos diante do público alvo. Assim, para uma boa apresentação (exposição) de um seminário, sugerem-se alguns procedimentos meto- dológicos, como (obs.: cada elemento abaixo deve ser utilizado de acordo com o tipo de seminário – pesquisa de campo, laboratório, bibliográfica, documental, semi- nário de texto ou tema - e/ou solicitação do professor): a) exposição oral com material visual (data show, retroprojetor, etc.): tema, problema, objetivos: geral e específicos, justificativa, Metodologia Científi ca100 procedimentos metodológicos, local da pesquisa de campo ou laboratório, corpo do trabalho: pesquisa bibliográfica, de campo, laboratório ou documental, seminário de texto ou tema, conclusão. b) procedimentos pessoais: demonstrar domínio do assunto, apresentar o assunto de forma lógica, adequar o conteúdo ao tempo de exposição, utilizar vocabulário simples, correto e objeti- vo, não excluindo os termos técnicos da área especializada, adotar postura correta na apresentação, fazer um treinamento, antes da apresentação, buscando a relação conteúdo/tempo. Utilize essa técnica na apresentação de seus seminários. TEXTO COMPLEMENTAR SEMINÁRIO Nos meios escolares, académicos, científicos e técnicos, são comuns as situações em que uma pessoa ou um gru- 101Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos po de pessoas desenvolvem uma pesquisa e apresentam os resultados a um público. Esse tipo de texto, produzido oral e publicamente, é chamado de Seminário e, tal como o texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, a mesa-redonda, isto é, géneros que se prestam à transmissão de saberes historicamente construídos pela humanidade, pertence à família dos géneros expositivos. Como o seminário é um gênero oral, ele só se realiza plenamente quando é apresentado numa situação con- creta de interação. 1 Planejamento e preparação de um seminário Para a produção de um seminário, é necessária uma or- ganização prévia, que envolve várias etapas. A primeira delas é a pesquisa sob o tema proposto, para coletar dados para a exposição. 1.1 Pesquisa, tomada de notas e produção de roteiro Como a finalidade do seminário é transmitir para os ou- vintes conhecimentos sobre o assunto pesquisado, o apresentador deve se colocar na posição de um especia- lista no assunto em foco. Isso quer dizer que ele deve demonstrar conhecer o tema mais do que os ouvintes, pois é essa condição que lhe confere autoridade para discorrer sobre o assunto com segurança. Para conquistar a condição de especialista no assunto e ganhar respeito do público, o apresentador deve adotar os seguintes procedimentos: a) pesquisar em bibliotecas, na internet, em livros, em jornais, em revistas especializadas, em enciclopédias, em vídeos,etc., que poderão servir de fontes de infor- mação sobre o tema. Metodologia Científi ca102 b) tomar notas, resumir ou reproduzir textos verbais e não verbais que possam ser úteis. Esse trabalho tem em vista a produção de um roteiro próprio do apresentador e consiste em anotar dados históricos ou estatísticos, citações, comparações, exemplos, etc. c) selecionar e organizar as informações, tendo em vista os passos da exposição: - como introduzir, desenvolver e concluir a exposição; - quais subtemas serão abordados no desenvolvimento; - quais exemplos ou apoios (gráficos, dados estatísticos) serão utilizados para fundamentar a exposição; - que materiais e recursos audiovisuais (cartazes, aposti- las, lousa, retroprojetor, datashow, microfone, etc.) serão necessários. Nesse planejamento, devem ser levadas em conta as carac- terísticas do público-alvo, como faixa etária, tipo de inte- resse, expectativas e conhecimentos prévios em relação ao tema abordado, etc. Convém planejar um encaminhamento interessante para a exposição, como, por exemplo, interca- lar o uso da voz com o uso de recursos audiovisuais. d) redigir um roteiro que permita visualizar não apenas o conjunto das informações que serão apresentadas, mas também a sequência em que isso vai ocorrer. Esse rotei- ro deve conter algumas informações-chave que orientem o pensamento do apresentador durante a exposição, in- dicações de recursos audiovisuais, se for o caso, textos de autoridades ou especialistas que serão citados pelo apresentador, etc. Atenção: esse roteiro não deve ser lido integralmente durante o seminário. Antes da exposi- ção, ele serve para organizar as ideias do apresentador; 103Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos durante a exposição, serve de apoio para que o apresen- tador se lembre de informações e tópicos básicos, além do andamento da apresentação 1.2 Apresentação de um seminário Durante a exposição, podem ocorrer fatos não previstos. Por exemplo, o público pode não compreender bem o conteúdo da exposição; um aparelho audiovisual pode não funcionar; um integrante do grupo pode faltar ou ficar nervoso e esquecer o texto; uma cartolina pode cair da parede, etc. Por isso, é preciso estar atento a vários aspectos simultaneamente e, de acordo com a necessi- dade, introduzir modificações e improvisar soluções a fim de alcançar o melhor resultado possível. 1.2.1 Sequência e andamento da exposição 1º) Abertura: alguém (geralmente o professor) faz uma apresentação inicial breve e dá a palavra ao apresen- tador. Faz isso com palavras como “Vocês agora vão assistir ao seminário preparado por fulano...” 2º) Tomada da palavra e cumprimentos: o apresentador deve, primeiramente, colocar-se à frente da plateia (que pode ser uma sala de aula), cumprimentá-la e tomar a palavra. 3º) Apresentação do tema: o apresentador diz qual é o tema, fala da importância de abordá-lo nos dias de hoje, esclarece o ponto de vista sob o qual irá abordá-lo e, no caso de se tratar de um tema amplo, delimita-o, isto é, indica qual aspecto dele será enfocado. Por exemplo, se o tema é a poluição do meio ambiente, a delimitação pode consistir em enfocar apenas a poluição dos rios. Esse momento do seminário tem em vista despertar na plateia curiosidade sobre o tema. Metodologia Científi ca104 4º) Exposição: o apresentador segue o roteiro traçado, expondo cada uma das partes, sem atropelos. Ao térmi- no de cada uma, deve perguntar se alguém quer fazer alguma pergunta ou se pode ir adiante. Na passagem de uma parte para a outra, deve dar a entender que não há ruptura, e sim uma ampliação do tema. Para isso, deve fazer uso de certos recursos linguísticos, com expressões como “Outro aspecto que vamos abordar...”, “Se há es- ses aspectos negativos, vamos ver agora os aspectos positivos...”, etc. 5º) Conclusão e encerramento: o apresentador retoma os principais pontos abordados, fazendo uma síntese deles; se quiser, pode mencionar aspectos do tema que merecem ser aprofundados em outro seminário; pode também deixar uma mensagem final, algo que traduza o seu pensamento ou o pensamento do grupo ou de um autor especial. No final, agradece a atenção do público e passa a palavra a outra pessoa. 6º) Tempo: o apresentador deve estar atento ao tempo previsto e, de acordo com o andamento do seminário, ser capaz de introduzir ou eliminar exemplos e aspectos secundários, caso haja necessidade, a fim de se ajustar ao tempo estipulado. 1.2.2 Postura do apresentador a) o apresentador deve preferencialmente falar em pé, com o roteiro nas mãos, olhando para o fundo da sala. Sua presença deve expressar segurança e confiança. b) a fala do apresentador deve ser alta, clara, bem ar- ticulada, com palavras bem pronunciadas e variações de entonação, a fim de que a exposição não fique monótona. 105Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos c) ao olhar para o roteiro, o apresentador deve fazê-lo de modo rápido e sutil, sem que seja necessário inter- romper o fluxo da fala ou do pensamento. Além disso, ao olhar o roteiro, não deve abaixar demasiadamente a cabeça, a fim de que a voz não se volte para o chão. O roteiro deve ser rapidamente olhado, e não lido (a não ser no caso de leitura de uma citação), pois tal procedi- mento geralmente torna a exposição enfadonha. d) o apresentador nunca deve falar de costas para a pla- teia, mesmo que esteja escrevendo na lousa ou trocan- do uma transparência no retroprojetor. Nessas situações, deve ficar de lado e falar com a cabeça virada na direção do público, a fim de que sua voz seja ouvida por todos. e) o apresentador deve se mostrar simpático ao público e receptivo a participações da plateia. 1.2.3 Uso da linguagem Nos seminários, predomina a variedade padrão da lín- gua, embora possa haver maior ou menor grau de for- malismo, dependendo do grau de intimidade entre os interlocutores. Assim: a) o apresentador deve evitar certos hábitos da lingua- gem oral, como a repetição constante de expressões como “tipo”, “né?”, “tá?” e “ahnn...”, pois elas prejudi- cam a fluência da exposição. b) o apresentador deve estar atento ao emprego de vo- cábulos e conceitos específicos da área pesquisada e explicar ao público seu significado sempre que houver necessidade. c) durante a exposição, o apresentador deve fazer uso de expressões de reformulação, isto é, aquelas que Metodologia Científi ca106 permitem explicar de outra forma uma palavra, um con- ceito, ou uma ideia complexa. As mais comuns são: “isto é”, “quer dizer”, “por exemplo”, “em outras pala- vras”, “vocês sabem o que é isso?”. Deve também fazer uso de expressões que confiram continuidade ao texto, como “além disso”, “por outro lado”, “outro aspecto”, “apesar disso”, etc. 1.3 Apresentação de um seminário em grupo Além das orientações dadas anteriormente, a exposição em grupo exige atenção quanto a mais alguns aspectos específicos. a) cada integrante do grupo pode ficar responsável pela apresentação de uma das partes do seminário. Entretan- to, entre a exposição de um participante e a de outro deve haver coesão, isto é, não pode haver contradição entre as exposições nem ser dada a impressão de que uma fala é independente de outra. Cada exposição deve retomar o que já foi desenvolvido e acrescentar, ampliar. Além disso, devem ser empregados elementos linguísti- cos de coesão, como “Além das causas que fulano co- mentou, vejamos agora outras causas, menos conheci- das...”, ‘Vocês viram as consequências desse problema no meio urbano; agora, vão conhecer as consequências do mesmo problema no meio rural...”. b) o grupo todo deve se “especializar” no assunto em foco. Além de conferir maior segurança às exposições individuais, isso permite também que todos respondamcom tranquilidade a qualquer pergunta feita pelo público. c) devem ser evitadas atitudes que desviem a atenção do apresentador, como conversas entre os membros do grupo, conversas entre um membro do grupo e uma pes- soa da plateia, movimentos, ruídos ou brincadeiras que 107Tema 2 | Trabalhos acadêmico-científi cos atrapalhem a exposição. Não há obrigatoriedade de que todos fiquem em pé enquanto um dos integrantes do grupo faz sua apresentação. d) enquanto um dos apresentadores expõe, os outros podem contribuir manuseando os equipamentos (trans- parências, vídeo), trocando cartazes, apagando a lousa ou simplesmente ouvindo. Adaptado de: CEREJA, W. C; MAGALHÃES, T. C. Português: linguagens, língua portuguesa. São Paulo: Atual, 2004. CIÊNCIA, MÉTODO CIENTÍFICO E PROJETO DE PESQUISA Parte 2 Conhecimento, Ciência e Método3 3.1 O Conhecimento Agora vamos refletir sobre o próprio conhecimento e sua importância no processo de compreensão e transformação da realidade. Discutiremos so- bre o conhecimento, características e diferentes abordagens sobre o conheci- mento, com ênfase no conhecimento científico. Também, serão apresentados os métodos e o projeto de pesquisa que contribuem para o desenvolvimento do conhecimento científico. Vamos lá? Sabemos que através da nossa relação com o mundo, o nosso cons- tante indagar e questionar sobre esse mundo, é que surge a consciência e o conhecimento da realidade. Se não tivéssemos a capacidade de conhecer e de compreender, viveríamos submetidos às leis da natureza como os demais animais. Então pare e pense. O que é o conhecimento? Quais os tipos de conhecimento? Metodologia Científi ca112 Segundo Cervo (1996, p. 6), o conhecimento é uma relação que se estabelece entre o sujeito que co- nhece e o objeto conhecido. Esta apropriação ocorre segundo diferentes pers- pectivas em decorrência dos diferentes métodos de abordagem da realidade e os processos de apropriação, física e sensível ou conceitual e intelectual. Pelo conhecimento o homem se apropria da rea- lidade através de diferentes níveis e possibilidades de acesso a esta realidade. As possibilidades de conheci- mento do objeto serão definidas pelo nível de complexi- dade e aprofundamento que se pretende ao conhecê-lo. Neste sentido, deparamo-nos com quatro diferen- tes abordagens do conhecimento: a) conhecimento vulgar ou popular (senso comum); b) conhecimento filosófico; c) conhecimento teológico; d) conhecimento científico. Bom, na aula anterior vimos o que é o conheci- mento e quais as diferentes abordagens ou níveis do mesmo. Vejamos, a seguir, algumas características des- sas diferentes abordagens. 3.1.2 Conhecimento Popular ou Senso Comum Você já deve ter ouvido falar muito do senso co- mum, conhecimento vulgar, ou popular. Leia a história abaixo. Seu Marculino trabalha no campo há muitos anos. Tem um pequeno sítio onde cria umas cabecinhas de gado 113Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método e umas galinhas, planta milho e feijão para o sustento da família, e mandioca da qual faz farinha para vender na feira. Há muito, a experiência de seu Marculino no cam- po o incentivou a seguir as leis da natureza quando pretende escolher a melhor época de plantar e de colher. Olha para o céu, vê os meses de chuva e planta no dia de São José o milho que pretende colher no São João. Se questionado sobre o porquê dessa rotina, seu Marculino responde que adquiriu esses conheci- mentos em anos de experiência no dia a dia. Assim é para cuidar dos bichos para entender o ser humano, desde seus avós. Seu Marculino responde sempre com segurança, “Assim aprendi com meu pai, assim meu pai aprendeu com meu avô e me ensinou”. Refletindo sobre esta história, você já pode ter observado que o conhecimento vulgar ou popular é ob- tido ao acaso, baseado na experiência da vida cotidiana. É o resultado de experiências repetidas, casuais, sem observação metódica e de simples transmissão de gera- ção em geração. Exemplos de fruto do ideário popular: comer jaca e tomar água faz mal; tomar suco de limão na menstruação causa hemorragia; colocar o livro em- baixo do travesseiro, antes de dormir, facilita a me- morização. O senso comum tem como principais características: • superficial: conforma-se com a aparência, não chegando à essência das coisas; • sensitivo: refere-se a vivências, a emoções da vida cotidiana; Metodologia Científi ca114 • subjetivo: o próprio sujeito organiza suas ex- periências; • assistemático: não se pretende uma organiza- ção das ideias; • acrítico: não há a preocupação de análise e da crítica de chegar à verdade. É importante perceber que este tipo de conheci- mento permite ao homem simples conhecer o fato em sua ordem aparente, situando-se neste mundo de forma a, conhecendo-o, sentir-se parte dele. Construído a partir da experiência cotidiana, o conhecimento vulgar ou sen- so comum se constitui a base do saber humano, sendo, portanto, anterior ao conhecimento científico. Assim, o senso comum é um conhecimento ob- tido ao acaso, após inúmeras tentativas, ou seja, o co- nhecimento adquirido através de ações não planejadas. Exemplo: A chave está emperrando na fechadura e, de tanto experimentarmos abrir a porta, acabamos por descobrir (conhecer) um jeitinho de girar a chave sem emperrar. Colete diferentes definições do conheci- mento vulgar ou popular e discuta com seus colegas. 3.1.3 Conhecimento Filosófico Vamos lá! Etimologicamente, a palavra filosofia é grega. É composta por duas outras palavras: philo (derivada de philia: amizade, amor fraterno e respeito entre os iguais) e de sophia (sabedoria, de onde vem à palavra sophos, 115Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método sábio). Segundo Chauí (1995, p. 19), Filosofia significa amizade pela sabedoria, amor e respeito pelo saber. Este tipo de conhecimento difere de todos os ou- tros pelo objeto de investigação e pela metodologia. O objeto da filosofia, segundo Cervo (1996, p.10), é cons- tituído de realidades mediatas, não perceptíveis pelos sentidos e que, por serem de ordem suprassensível, ul- trapassam a experiência utilizando-se do racional. Assim sendo, a filosofia trabalha com ideias, relações conceptuais, exigências lógicas não redutí- veis a realidades materiais. Procura compreender a realidade em seu contexto universal que possa ser percebida pelo homem. Procura as explicações dos fenômenos a partir da reflexão. Especula sobre o ho- mem e as coisas da vida. É um contínuo questionar a si e à realidade. Além disso, caracteriza-se por ser: • valorativo: pois parte de hipóteses não verifi- cáveis. As hipóteses filosóficas baseiam-se na experiência e não na experimentação; • racional: porque consiste num conjunto de enunciados logicamente correlacionados; • sistemático: suas hipóteses visam a uma re- presentação coerente da realidade; • geral: procura compreender a realidade no contexto mais universal e o sentido de tudo que envolve o homem; • crítico: questiona os conhecimentos cientí- ficos e técnicos, os fatos e problemas que envolvem o homem concreto: o progresso técnico beneficia a humanidade? Qual o signi- ficado do valor no mundo atual? Metodologia Científi ca116 Portanto, o conhecimento filosófico conduz a um esforço da razão reflexiva para questionar os problemas humanos na tentativa de buscar respostas coerentes. Trabalha, principalmente, com os avanços da ciência para explicar o mundo. É fruto do raciocínio e da reflexão humana. É o conhecimento especulativo sobre fenômenos, gerando conceitos subjetivos. Busca dar sentido aos fenômenos gerais do universo, ultrapassando os limites formais da ciência. Exemplo:“O homem é a ponte entre o animal e o além-ho- mem” (Friedrich Nietzsche) Colete diferentes definições do conhecimento filosófico e discuta com seus colegas. 3.1.4 Conhecimento Teológico Vejamos. O conhecimento teológico (do grego: theos, que significa Deus e logos, discurso/tratado), consiste no es- tudo de Deus, investiga tudo que se diz respeito a Deus e a fé. É um conjunto de verdades aceitas pelos homens a partir da revelação divina. É o resultado da fé humana na existência de uma ou mais divindades. Apresenta respostas a questões não respondidas pelas outras modalidades do conhecimento. Apoia-se em doutrinas, cujas proposições são sagradas por te- rem sido reveladas pelo sobrenatural; são consideradas verdades infalíveis, evidências nunca postas em dúvida nem verificáveis pelos que têm fé. Partem do pressuposto de que os textos antigos ou as revelações inspiradas neles têm significado para 117Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método as condições modernas e futuras. É, assim, um conhecimento produto da fé humana que busca respostas nas entidades divinas, nos líderes espirituais de diversas religiões para questões que, nem sempre, o conhecimento filosófico, vulgar ou científico consegue responder. Ele é formado por um conjunto de verdades a que os homens chegaram mediante revelação divina. Por- tanto, a adesão das pessoas passa a ser um ato de fé decorrente da revelação de um criador. É um conhecimento revelado pela fé divina ou crença religiosa. Não pode, por sua origem, ser confir- mado ou negado. Depende da formação moral e das crenças de cada indivíduo. Exemplo: Acreditar que alguém foi curado por um milagre; acreditar em Duende; acreditar em reencarnação; acredi- tar em espírito, etc. Atualmente, várias verdades do conhecimento te- ológico têm sido questionadas pela ciência e pela so- ciedade, o que tem levado o conhecimento teológico a reformular essas verdades, adaptando-as ao mundo contemporâneo. Colete diferentes definições do conhecimento teológico e discuta com seus colegas e tutor. 3.1.5 Conhecimento Científico Será o tema de nossa próxima aula. Metodologia Científi ca118 3.2 A Ciência Vejamos agora o que é o conhecimento científico. A revolução científica propriamente dita ocorreu nos séculos XVI e XVII com Copérnico, Bacon, Galileu, Descartes e outros estudiosos. Daí para cá, o desen- volvimento da ciência foi acelerando continuamente, e hoje, com sua metodologia objetiva e rigorosa, abran- gem pesquisas em todas as áreas do mundo físico e humano. Etimologicamente a palavra ciência vem do latim scientia que significa saber, conhecimento. O conhecimento científico é um tipo de conhecimento racional, sistemático, metódico e objetivo, que busca a veracidade dos fatos ou fenômenos, ultrapassando as aparências. Diferente do co- nhecimento filosófico, teológico e vulgar, o conhecimento científico constrói proposições ou hipóteses que podem ser testadas pela experimentação. A ciência é, portanto, um tipo de conhecimento real, que lida com fatos. Diferente do conhecimento filosófico, o conhecimento científico constrói proposições ou hipóteses que podem ser testadas pela experimentação. Como a estrutura do saber se baseia em propo- sições abstratas e fenômenos reais observados, distin- guem-se, de modo geral, duas abordagens no conheci- mento científico: empirismo e racionalismo. A abordagem empírica leva em conta apenas os dados iniciais e os resultados de um estudo, razão pela qual começa por descartar as teorias sem plena compro- vação experimental. Já a abordagem racionalista confronta os postula- dos teóricos, produzidos pelo pensamento lógico, com qualquer resultado prático, e subordina a investigação à hipótese. Todavia, em geral, as ciências utilizam modelos híbridos, que incluem as questões empíricas e teóricas. 119Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método A maior parte das ciências aceita a experimenta- ção como primeiro e último elo da cadeia do saber. As- sim, o processo do conhecimento se inicia com a obser- vação de um fato e finaliza com a comprovação empírica de suas conclusões teóricas. Também, as ciências dividem-se em ciências que trabalham os fenômenos da natureza ou sociais, deno- minadas de ciências fáticas, como exemplo: a biologia. Já as ciências que trabalham como elementos abstratos, que não existem na realidade, são consideradas ciências formais como, por exemplo, a matemática. As principais características do conhecimento científico são: • geral: busca no real o que há de mais univer- sal e válido para todos os casos de mesma espécie; insere os fatos singulares em regras gerais chamadas “leis naturais” ou “leis so- ciais” e aplica-as; • objetivo: no sentido de que a ciência tenta afastar do seu domínio todo o elemento afe- tivo e subjetivo. Deseja ser independente dos gostos e desejos do sujeito que a elabora; • crítico: preocupado com a análise, em chegar à verdade; • metódico: a investigação procede de acordo com regras, métodos e técnicas que se re- velaram eficazes no passado, mas que são aperfeiçoados continuamente; • sistemático: uma ciência não é um agregado de informações desconexas, mas um sistema de ideias ligadas logicamente entre si forma- da por princípios, leis e teorias; Metodologia Científi ca120 • verificável: as hipóteses não comprovadas não constituem conhecimento científico; • falível: uma vez que não é um conhecimento definitivo, novas pesquisas e proposições po- dem rever a teoria existente; • comunicável: a linguagem científica comunica informações a quem quer que tenha sido pre- parado para entender; Assim sendo, o conhecimento científico é aquele que é produzido pela investigação científica, através de seus métodos e técnicas. Surge não apenas da neces- sidade de encontrar soluções para problemas de ordem prática da vida diária, mas do desejo de fornecer expli- cações sistemáticas que possam ser testadas e critica- das através de provas empíricas. Exemplo: Descobrir uma vacina que evite uma doença; des- cobrir como se dá a respiração dos batráquios. A ciência busca o confronto da teoria com os da- dos empíricos. A teoria deve ser submetida a um exame crítico, deve ser contrastada com a realidade, deve ser submetida a testes, em qualquer época e lugar. Colete diferentes definições do conhecimento Científico e discuta com seus colegas. 3.2.1 Importância do espírito científico. Vejamos agora como é importante assumir uma atitude de espírito científico no decorrer de seu curso e na vida profissional. 121Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método A atitude do aluno frente ao conhecimento cien- tífico é de fundamental importância para o desenvolvi- mento das ciências. Deve possuir uma atitude necessária de apropriação do conhecimento e da pesquisa. Essa atitude não é inata, mas conquistada a partir de muitos esforços e exercícios. A apropriação do conhecimento científico exige uma visão crítica que podemos considerar como: julgar, discernir, analisar e interpretar para melhor solucionar um problema. O espírito científico manifesta-se na atividade científica pela vontade de romper com as perspectivas puramente subjetivas do conhecimento vulgar, implican- do numa verdadeira busca do saber. O oposto ao espírito científico é o dogmático, que bloqueia a crítica por se julgar conhecedor na sua com- preensão do mundo e acaba por impedir eventuais cor- reções e aperfeiçoamentos, muitas vezes induzindo ao erro, fraudes, ignorância e comportamento intolerante. O verdadeiro espírito científico consiste, justa- mente, em não dogmatizar os resultados de uma pes- quisa, mas em tratá-los como eternas hipóteses que me- recem constante investigação.Ter espírito científico é estar, sobretudo, numa busca permanente da verdade, com consciência da ne- cessidade dessa busca, expondo as suas hipóteses a constantes críticas, livres de crenças e interesses pesso- ais, conclusões precipitadas e preconceitos. Como virtude intelectual, ele consiste no senso de observação, no gosto pela observação e pelas ideias cla- ras, na imaginação ousada, pela necessidade da prova, na curiosidade que leva a aprofundar os problemas, na sagacidade e poder de discernimento. Assim, o espírito científico assume a atitude de humildade e de reconheci- mento de suas limitações, da possibilidade de certos er- ros e enganos. O possuidor do verdadeiro espírito cientí- fico cultiva a honestidade (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 17). Metodologia Científi ca122 O universitário consciente de sua função na uni- versidade irá procurar imbuir-se desse espírito científico, aperfeiçoando-se nos métodos de investigação e apri- morando suas técnicas de trabalho (CERVO; BERVIAN, 1996, p. 17). Embora não se possa alcançar todas as respostas, o esforço por conhecer e a busca da verdade continuam a ser as razões mais fortes da investigação científica. 3.2.2 Neutralidade científica Será que existe a neutralidade científica no co- nhecimento científico? Será que um pesquisador ateu poderia abordar um tema religioso sem um envolvimento ideológico em sua pesquisa? Vejamos. A suposição da existência de uma ciência neutra e livre de condicionamentos ideológicos continua atual. Os defensores da neutralidade científica se apropriam de artifícios para se qualificarem como autoridades do saber, numa tentativa de imposição de seus argumentos. A polêmica parece nova, mas é tão antiga quan- to a ideia moderna de ciência. Na tradição herdada do positivismo, a ciência é concebida como autônoma e isolada dos conflitos sociais. Sua hipótese básica é de que a sociedade humana funciona com base em leis na- turais invariáveis, neutras e, portanto, independentes da ação humana. As classes sociais, as posições políticas, os valores morais e as visões de mundo dos sujeitos en- volvidos são encarados como empecilhos à objetividade científica e o pesquisador deve se esforçar para eliminar tais influências do meio social na sua pesquisa. Mas, como o pesquisador pode evitá-las, se ele é um ser so- cial imerso na realidade, se a delimitação do seu objeto 123Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método de estudo, as perguntas que faz e as interpretações que desenvolve já são influenciadas por sua história de vida, seus valores e sua visão de mundo? A ciência não está isolada do mundo e os fenôme- nos sociais não podem ser explicados por leis naturais. O conhecimento científico é sempre transitório e socialmente relativo. A ciência reflete apenas uma maneira de pensar e, por isso, não é autônoma e não está isolada da luta de classes. O conhecimento de um fato conduz a posições morais e políticas e esses valores estarão presentes para o pesquisador, o tempo todo, durante o processo científico. Neste sentido, não existe ciência de um lado e ideologia de outro, mas diferentes pontos de vista ci- entíficos, vinculados a diferentes pontos de vista de classe. Como não há critério absoluto para medir a ci- entificidade do conhecimento, é através da publicidade crítica e no embate das ideias que os resultados de uma pesquisa podem ser avaliados tendo em vista sua cor- respondência com a realidade. Portanto, mesmo que um conhecimento científico tenha sido aceito, ele deve permanecer em condições de ser refutado no momento em que outra leitura da realidade possa superá-lo. Ele não é, portanto, sinôni- mo da verdade ou um dogma, mas resultado provisório de uma investigação humana num determinado período histórico e social e, assim, suscetível a todas as ideias e valores presentes na sociedade. A ideologia entendida como visão de mundo sempre estará presente no processo científico e seria muito ingênuo aceitar a hipótese de neutralidade dos intelectuais. Neste sentido, não é possível ao intelec- tual escapar da ideologia, seu conhecimento sempre estará ideologicamente situado. Mas, como o conheci- mento científico é relativo e provisório, ele também está impregnado de valores e o cientista, consciente desta realidade, deve mover-se dentro dela para buscar o co- nhecimento objetivo e verdadeiro. Metodologia Científi ca124 É necessário que o pesquisador tenha consciên- cia da possibilidade de interferência de sua formação moral, religiosa e de sua carga de valores para que os resultados da pesquisa não sejam influenciados além do aceitável (RIBEIRO, 2003, p.30). Como você explicaria o fato de existirem ci- entistas religiosos? Há contradição entre o conhecimento cientí- fico e o teológico? TEXTO COMPLEMENTAR A Evolução da ciência Os egípcios já tinham desenvolvido um saber técnico evoluído, principalmente nas áreas de matemática, ge- ometria e na medicina, mas os gregos foram provavel- mente os primeiros a buscar o saber que não tivesse, necessariamente, uma relação com atividade de utiliza- ção prática. A preocupação dos precursores da filosofia (filo = amigo + sofia (sóphos) = saber e quer dizer ami- go do saber) era buscar conhecer o porquê e o para que de tudo o que se pudesse pensar. O conhecimento histórico dos seres humanos sempre teve uma forte influência de crenças e dogmas religiosos. Mas, na Idade Média, a Igreja Católica serviu de marco referen- cial para praticamente todas as ideias discutidas na época. A população não participava do saber, já que os docu- mentos para consulta estavam presos nos mosteiros das ordens religiosas. Foi no período do Renascimento, aproximadamente en- tre os séculos XV e XVI que, segundo alguns historiado- res, os seres humanos retomaram o prazer de pensar e 125Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método produzir o conhecimento através das ideias. Neste perí- odo as artes, de uma forma geral, tomaram um impulso significativo. Foi nessa época que Michelangelo Buonar- rote esculpiu a estátua de David e pintou o teto da Ca- pela Sistina, na Itália; Thomas Morus escreveu A Utopia (utopia é um termo que deriva do grego onde u = não + topos = lugar e quer dizer em nenhum lugar); Tomaso Campanella escreveu A Cidade do Sol; Francis Bacon, A Nova Atlântica; Voltaire, Micrômegas, caracterizando um pensamento não descritivo da realidade, mas criador de uma realidade ideal, do dever ser. No século XVII e XVIII (anos 1600 e 1700) a burguesia assumiu uma característica própria de pensamento, ten- dendo para um processo que tivesse imediata utilização prática. Com isso surgiu o Iluminismo, corrente filosófica que propôs “a luz da razão sobre as trevas dos dogmas religiosos”. O pensador René Descartes mostrou ser a razão a essência dos seres humanos, surgindo a frase “penso, logo existo”. No aspecto político o movimento Iluminista expressou-se pela necessidade do povo esco- lher seus governantes através de livre escolha da vonta- de popular. Lembremo-nos de que foi neste período que ocorreu a Revolução Francesa, em 1789. O Método Científico surgiu como uma tentativa de organi- zar o pensamento para se chegar ao meio mais adequado de conhecer e controlar a natureza. Já no fim do período do Renascimento, Francis Bacon pregava o método indutivo como meio de se produzir o conhecimento. Este método en- tendia o conhecimento como resultado de experimentações contínuas e do aprofundamento do conhecimento empírico (particular para o geral). Por outro lado, através de sua obra Discurso sobre o método, René Descartes defendeu o mé- todo dedutivo como aquele que possibilitaria a aquisição do conhecimento através da elaboração lógica de hipóteses (geral para o particular). Metodologia Científi ca126A Igreja e o pensamento mágico cederam lugar a um processo denominado, por alguns historiadores, de “lai- cização da sociedade”. Se a Igreja trazia até o fim da Idade Média a hegemonia dos estudos e da explicação dos fenômenos relacionados à vida, a ciência tomou a frente deste processo, fazendo da Igreja e do pensamen- to religioso razão de ser dos estudos científicos. No século XIX (anos 1800) a ciência passou a ter uma importância fundamental. Parecia que tudo só tinha ex- plicação através da ciência. Como se o que não fosse científico não correspondesse à verdade. Se Nicolau Co- pérnico, Galileu Galilei, Giordano Bruno, entre outros, foram perseguidos pela Igreja, em função de suas ideias sobre as coisas do mundo, o século XIX serviu como re- ferência de desenvolvimento do conhecimento científico em todas as áreas. Na sociologia, Augusto Comte desen- volveu sua explicação de sociedade, criando o Positivis- mo, vindo logo após outros pensadores; na Economia, Karl Marx procurou explicar as relações sociais através das questões econômicas, resultando no Materialismo- Dialético; Charles Darwin revolucionou a Antropologia, ferindo os dogmas sacralizados pela religião, com a Teo- ria da Hereditariedade das Espécies ou Teoria da Evolu- ção. A ciência passou a assumir uma posição quase que religiosa diante das explicações dos fenômenos sociais, biológicos, antropológicos, físicos e naturais. BELLO, José Luiz de Paiva. Metodologia científica. Rio de Janeiro, 2004. Disponível em:<http://pedagogiaemfoco.pro.br/met01.htm>. Acesso em: 10 out. 2008. 127Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método TEXTO COMPLEMENTAR O trabalho da crítica do pensamento [...] Normalmente se imagina que a crítica permite opor um pensamento verdadeiro a um pensamento falso. Na verdade, a crítica não é isso. Não é um conjunto de conteúdos verdadeiros que se oporia a um conjunto de conteúdos falsos. A crítica é um trabalho intelectual com a finalidade de explicitar o conteúdo de um pensamen- to qualquer, de um discurso qualquer, para encontrar o que está sendo silenciado por esse pensamento ou por esse discurso. O que interessa para a crítica não é o que está explicitamente pensado, explicitamente dito, mas exatamente aquilo que não está sendo dito e que, muitas vezes, nem sequer está sendo pensado de ma- neira consciente. Ou seja, a tarefa da crítica é fazer falar o silêncio, colocar em movimento um pensamento que possa desvendar todo o silêncio contido em outros pen- samentos, em outros discursos. Qual é a finalidade de fazer falar o silêncio, ou tornar explicito o implícito? Essa finalidade é dupla. Se quando explicito um pensamento ou um discurso, fazendo aparecer tudo aquilo que estava em silêncio, tudo aquilo que estava implícito, se, ao fazer isso, o pensamento ou discurso que estou examinando se reve- la insustentável, se começa a desmanchar, se dissolver, se destruir à medida que vou explicitando tudo que nele havia, mas que ele não dizia, então a crítica encontrou algo muito preciso, encontrou a IDEOLOGIA. A ideologia é exatamente aquele tipo de discurso, aquele tipo de pensamento que contém um silêncio que, se for dito, destrói a coerência, a lógica da ideologia. Metodologia Científi ca128 Mas esse trabalho crítico pode encontrar outra coisa também. É perfeitamente possível que, ao fazer falar o silêncio de um pensamento ou de um discurso ao expli- citar o seu implícito, o que se revele para nós seja um pensamento ainda mais rico do que havíamos imagina- do, ainda mais coerente do que havíamos imaginado, ainda mais importante do que havíamos imaginado, capaz de nos dar pistas para pensar, caminhos novos, justamente porque pudemos perceber muito mais do que parecia à primeira vista estar contido nele. Nesse caso, a crítica encontrou um pensamento verdadeiro e, mais do que um pensamento verdadeiro, encontrou uma obra de pensamento propriamente dita. Ou seja, o que diferencia uma obra de pensamento de uma ide- ologia é o fato de que, na obra de pensamento, a des- coberta de tudo o que estava silenciosamente contido nela, de tudo aquilo que nela pedia interpretação, de tudo que nela pedia revelação, explicação, desdobra- mento, é aquilo que faz, no caso de uma ideologia, a destruição do próprio pensamento. Assim, a tarefa da crítica não é trazer verdades para se opor à falsidade; mas realizar um trabalho interpretati- vo com relação e pensamentos e discursos dados, para explicitar o implícito ou fazer falar seu silêncio, de tal modo que a abertura de um novo campo de pensamento através da crítica revela a descoberta de uma obra de pensamento, enquanto a destruição da coerência e da lógica do que foi explicitado revela que descobrimos uma ideologia. A crítica não é, portanto, um conjunto de conteúdos ver- dadeiros, mas uma forma de trabalhar. A forma de um tra- balho intelectual, que é o trabalho filosófico por excelên- cia. Nesse sentido, excluir a filosofia de uma Universidade é, provavelmente, abolir o lugar privilegiado da realização da crítica. Obviamente, tem-se medo da crítica, pois a 129Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método crítica não traz conteúdos prévios, mas é descoberta de conteúdos escondidos, então ela é muito perigosa [...]. CHAUÍ, Marilena. O trabalho da Crítica do Pensamento. In: HÜHNE, Leda Miranda (Org.). Metodologia científica: caderno de textos e técnicas. 7. ed. Rio de Janeiro: Agir, 1997. pp. 18-20. 3.3 Métodos de abordagens É comum ouvirmos algumas afirmações do tipo: o início da atividade científica é marcado pela aplicação de um método ou conjunto de métodos que levam à investigação sistemática dos fenômenos, com o objetivo da coleta de informações. Ora, se a palavra-chave é método, o que se quer dizer com essa palavra? Etmologicamente, método vem de “Meta”, que significa ao longo de, e hodás, via, caminho. O método significa um caminho; caminho este que permite verificar a regularidade da ocorrência de um fenômeno. É a ordem que se segue na investigação da ver- dade, no estudo feito por uma ciência para alcançar um fim determinado. Deste modo, utilizando-se de um caminho que pro- picie segurança nas investigações, o cientista procura se basear na repetição e regularidade dos fatos. Eles formu- lam hipóteses que, confirmadas, podem se transformar em leis, princípios ou teorias, confiáveis, mas não infalíveis. Mesmo diante da variação de métodos, os pro- cedimentos do método científico são quase sempre a formulação do problema, o planejamento do projeto de pesquisa, a coleta de dados, a análise sistemática dos fatos estudados e as conclusões. A importância do método é incontestável. Orde- nando o esforço mental, o método proporciona seguran- Metodologia Científi ca130 ça em qualquer operação, - do fazer, do agir, do pensar. Sobretudo na pesquisa resulta em economia de tempo. Liberta o espírito de sua variabilidade dispersiva e o torna vigorosamente eficaz. Pois bem, como você pode perceber essa é a es- trutura do método científico que se constitui até hoje. Ela tem sido aplicada nas diversas ciências que se em- penham por verdades qualificadas com um teor de obje- tividade em suas investigações. Podemos afirmar que o método científico é o ca- minho trilhado pelo cientista quando em busca de “ver- dades” científicas. Ao longo da história, cientistas e filósofos elabo- raram métodos para a construção da ciência e a compre- ensão da realidade. Segundo Lakatos e Marconi (1991, p. 106), pode- se reunir os métodos em dois grandes grupos de acordo com níveis claramente distintos, no que se refere à sua inspiração filosófica, ao seu grau de abstração, à sua finalidade mais ou menos explicativa, à sua ação nas etapas mais ou menos concretas da investigação. Neste sentido,os métodos estão classificados em dois grandes grupos: a) métodos de abordagem: que se caracterizam por uma abordagem mais ampla em nível de abstração dos fenômenos da natureza e da sociedade. Tratam da linha de raciocínio adotada no desenvolvimento do trabalho, constituindo-se nos procedimentos gerais, que norteiam o desenvolvimento das etapas fundamentais de uma pes- quisa científica. Deteremos-nos aos principais, que são: método indutivo; método dedutivo; método hipotético-dedutivo; 131Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método método dialético; método fenomenológico. b) métodos de procedimentos: constituem etapas mais concretas de investigação, com finalidade mais restri- ta em termos de explicação geral dos fenômenos e menos abstratos. Não são exclusivos entre si, mas é necessário que se adaptem a cada área de pesquisa. Relacionam-se com as etapas do plano de estudos, à obtenção, proces- samento e validação dos dados pertinentes à problemá- tica que está sendo investigada, sendo os mais usuais: método histórico; método comparativo; método estatístico; método tipológico; método funcionalista; método estruturalista; método experimental; método clínico. Veremos agora como esses métodos se caracterizam. Métodos de Abordagens • Método Indutivo O que é? Metodologia Científi ca132 O Método indutivo é aquele pelo qual, através de observações particulares, chega-se à afirmação de um princípio geral. Baseia-se no princípio de que: se, em dadas condições, um determinado fenômeno, sempre que pesquisado, se repetiu, em futuras verificações o mesmo ocorrerá. É uma forma de raciocínio que, partin- do de casos particulares suficientemente documentados e enumerados, obtém-se uma conclusão ou lei universal. É processo próprio da ciência experimental. O método indutivo busca construir leis e teorias a partir de casos particulares, pelo uso de mecanismos lógicos de generalização. É um raciocínio que consiste em tirar conclusões gerais a partir de casos particu- lares considerados como portadores de relações ge- rais. O argumento vai do particular para o geral. Exemplo: 133Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método • Método Dedutivo O que é? É um processo de raciocínio que de princípios e proposições gerais ou universais chega-se a conclusões menos universais ou particulares. A forma ideal e perfeita da dedução é o silogismo (este é um raciocínio que cons- ta simplesmente de duas premissas e de uma conclusão). É, portanto, o método cujo antecedente é constituído de princípios universais, plenamente inteligíveis, do qual se chega a um consequente menos universal. Exemplo: Todo homem é mortal. (premissa universal). André é homem. (premissa particular, contida dentro da universal). Logo, André é mortal. • Método Hipotético-Dedutivo O que é? O método hipotético-dedutivo possui uma podero- sa ferramenta, pois as teorias são testadas através de hi- póteses alternativas e falseáveis. Consiste na construção de conjecturas, que devem ser submetidas a testes, os mais diversos possíveis, à crítica intersubjetiva, ao contro- le mútuo pela discussão crítica, à publicidade crítica e ao confronto com os fatos, para ver quais as hipóteses que permanecem a partir das tentativas de refutação e false- amento. Podemos sintetizar na seguinte forma: um pes- quisador apresenta uma ideia nova, com princípios claros, em linguagem científica, que pode ser testada e, desse modo, corroborada ou falseada por meio de experimen- tações ou observações. Se uma teoria for continuamente corroborada, não significa que ela seja considerada como verdadeira. Ela é apenas uma teoria ainda não falseável. Metodologia Científi ca134 O método hipotético-dedutivo é considerado ló- gico por excelência. Acha-se historicamente relacionado com a experimentação, sendo bastante utilizado no cam- po das ciências naturais. Exemplo: Estudando um fenômeno um pesquisador supõe (hi- pótese) que a causa da mortalidade infantil numa favela seja a proliferação aí, de mosquitos e vala negra (sujas). Logo, solicita a melhora da higiene e o saneamento geral desse meio. Se a hipóteses do pesquisador é justa, a taxa de mor- talidade infantil deve baixar; se ela não baixa é porque a sua hipótese é falsa, insuficiente ou dela não foi tirado todas as conseqüentes (JAPIASSÚ; MARCONDES, 1996, p. 127-128). • Método Dialético O que é? O método dialético procura contestar uma reali- dade posta, enfatizando as suas contradições. Para toda tese existe uma antítese que, quando contraposta, tende a formar uma síntese. O método dialético se fundamenta em três princípios: a) a unidade dos opostos: os fenômenos apresentam no seu interior aspectos contraditórios, que são organicamen- te unidos e vivem em luta. b) quantidade e qualidade: mostra que quanti- dade e qualidade se inter-relacionam. São as mudanças quantitativas que geram as mudanças qualitativas. c) negação da negação: as mudanças se proces- sam em espiral, com a repetição em estágios superio- res de certos aspectos e traços de estágios inferiores. Sempre há algo que nasce e se desenvolve e algo que se desagrega e se transforma. É a tese-antítese-síntese. Exemplo: O método dialético é o conflito dos contrários, como: “A flor precisa murchar para se formar o fruto. O 135Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método fruto precisa apodrecer para se ter a semente. A semente precisa ‘morrer’ para que germine uma nova planta”. • Método Fenomenológico O que é? O método fenomenológico é o estudo dos fenô- menos em si mesmos, apreendendo sua essência, es- trutura de sua significação. Pode-se dizer que é uma “volta às coisas mesmas”, isto é, aos fenômenos, àquilo que aparece à consciência, que se dá como objeto in- tencional. Trata de descrever, compreender e interpretar os fenômenos que se apresentam à percepção. É uma tentativa de dar uma explicação puramente “neutra” da consciência que a pessoa tem do mundo. É um método sem pressuposições. Ele não é dedutivo, nem empírico e nem procu- ra explicar os fenômenos a partir de leis, mas procura mostrar o que é dado e em explicar esse dado da forma como ele se dá à consciência. Segundo Gil (1999, p. 32), a intenção da feno- menologia é de proporcionar uma descrição direta da experiência tal como ela é, sem nenhuma consideração de sua gênese psicológica e das explicações causais que os especialistas podem dar. Exemplos: Entender a percepção dos catadores de lixo em relação as suas condições de vida, compreensão de la- zer para quem não trabalha, a condição dos portadores de HIV no hospital Santa Marta; a percepção dos inter- nautas frente às novas tecnologias. Uma das objeções a este método fica por conta da dúvida de que existe uma maneira de abordar o mun- do totalmente, sem pressuposições. Metodologia Científi ca136 3.4 Métodos de procedimentos • Método Comparativo Orienta a investigação observando dois ou mais fatos, fenômenos, indivíduos ou classes, procurando res- saltar as diferenças e similaridades entre eles. Sua ampla utilização nas ciências sociais deve-se ao fato de possi- bilitar o estudo comparativo de grandes grupos sociais, separados pelo espaço e pelo tempo. Assim, por exem- plo, podemos verificar as características de semelhança e diferenças de subdesenvolvimento entre dois países. • Método Histórico Direciona a investigação, a partir do estudo dos acontecimentos, processos e instituições das civilizações passadas, procurando explicar as origens da vida social contemporânea, já que as mesmas alcançaram sua for- ma atual, através das alterações de suas partes compo- nentes, ao longo do tempo, influenciadas pelo contexto cultural particular decada época. • Método Estatístico Fundamenta-se na utilização da estatística para investigação de um objeto de estudo. A utilização desse método contribui para a coleta, organização, descrição, análise e interpretação de dados e para a utilização dos mesmos na tomada de decisões. É utilizado no estudo de fenômenos sociais, políticos, econômicos, etc., submetê- los à manipulação estatística, buscando verificar as rela- ções dos fenômenos entre si e obter generalizações. Assim sendo, no estudo de um fenômeno na impossibilidade de manter as causas constantes, admitem-se todas essas cau- sas presentes variando-as, registrando essas variações e procurando determinar, no resultado final, que influências 137Tema 3 | Conhecimento, Ciência e Método cabem a cada uma delas. Ex.: Quais as causas que definem o preço de uma mercadoria quando a sua oferta diminui? • Método Tipológico Assemelha-se ao método comparativo e é utiliza- do para a elaboração de modelos ideais. O pesquisador, ao comparar fenômenos sociais complexos da realidade, elabora tipos ou modelos ideais a partir de características essenciais dos fenômenos. Esses modelos não existem na realidade devido ao alto grau de abstração em que foram construídos, todavia são utilizados para dar explicações a casos concretos ou adaptar os casos concretos aos modelos. • Método Funcionalista O método funcionalista enfatiza as relações e o ajustamento entre os diversos componentes de uma cul- tura ou sociedade. Estuda a sociedade do ponto de vista de suas unidades, considerando toda a atividade social e cultural como funcional. A sociedade está constituí- da por unidades interdependentes. Cada uma, tal como uma peça qualquer em relação a uma máquina, desem- penha papéis que visam contribuir para estabilidade e ordem social. A partir dessa visão de sociedade, o passo seguinte é determinar as funções de cada unidade. • Método Estruturalista O método estruturalista utilizado para o estudo de culturas, linguagens, psiquismos humanos ou outro qual- quer, como um sistema em que os elementos constituintes mantêm entre si relações estruturais. Assim sendo, parte- se da investigação de um fenômeno concreto, atingindo o nível do abstrato através da construção de um modelo que represente o objeto de estudo, retornando ao concre- to, dessa vez como uma realidade estruturada. Pode-se, Metodologia Científi ca138 assim, dizer que uma estrutura explica os processos. Os elementos que constitui o todo se acham entrelaçados de tal forma que não existe independência de uns em relação aos outros, mas antes uma interpenetração. Exemplos de estruturas seriam os organismos biológicos, as coletivida- des humanas, as formas do psiquismo, etc. • Método Experimental Consiste em submeter o fenômeno estudado à in- fluência de certas variáveis, em condições controladas e conhecidas pelo pesquisador, para observar os resulta- dos que a variável produz no objeto. É necessário manter constante todas as causas, menos uma, que sofre varia- ção para se observar seus efeitos, caso existam. O de- lineamento consiste em definir um objeto para estudo, selecionar as variáveis que seriam capazes de influenciá- lo, determinar as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável escolhida produz no objeto. • Método clínico Utilizado, principalmente, por psicólogos numa re- lação entre o pesquisador e o pesquisado. O pesquisa- dor utiliza-se de informações obtidas dos determinantes inconscientes do comportamento do pesquisado. Na uti- lização desse método deve-se ter muito cuidado no mo- mento de se obter generalização, já que se trabalha com aspectos do inconsciente de indivíduos particulares. A utilização desse método tem sido muito importante para o desenvolvimento da psicologia. Elaboração do Projeto de Pesquisa4 4.1 Tema e problema de pesquisa Caro aluno, Desde o início desta disciplina nos propusemos a ajudá-lo a se iniciar no mundo da pesquisa. Nesta caminhada descobrimos a importância da pesquisa e de seu planejamento para aperfeiçoar nossos métodos de conhecer o mundo onde estamos inseridos e sua própria identidade como ser. Antes de apresentarmos as explicações para a elaboração do projeto, você deve estar atento ao tema/problema a ser pesquisado/investigado; as fontes que você conhece sobre o tema escolhido, análise e seleção do ma- terial a ser estudado. Então vejamos o que vamos estudar nas próximas aulas: a lógica da construção de um Projeto de Pesquisa Científica com ênfase na pesquisa bibliográfica; reproduzir, através de um projeto, os passos para a execução da pesquisa bibliográfica bem como os requisitos para a elaboração de um relatório científico. Metodologia Científi ca140 Atenção! Procure coletar todo o material necessário, deixando-o à mão para o desenvolvimento do projeto de pesquisa. O que é um projeto de pesquisa? Vejamos. Segundo Alves (2003, p. 43), o projeto de pesqui- sa constitui-se no plano de trabalho da pesquisa e tem por finalidade definir os rumos que o investigador deve tomar segundo suas questões de estudo. Assim sendo, pode-se definir o projeto de pesquisa como um docu- mento formal que apresenta ações planejadas, as quais serão desenvolvidas no processo de pesquisa. O projeto de pesquisa consiste em um roteiro geral, anterior à pesquisa, isto é, uma primeira etapa importante para a realização da pesquisa (RODRIGUES, 2006, p. 155). Este tipo de trabalho é regido pela norma NBR 15287 da As- sociação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT). Escolha do tema Antes de se iniciar o projeto de pesquisa é neces- sário ficar explícito e definido o tema e a sua delimitação. A escolha do tema deve considerar, entre outras coisas, seu conhecimento prévio sobre ele e sobre suas fontes. Considerando as dificuldades de acesso a estas fontes, seu tempo disponível para investigá-las, seu pra- zer e vontade em querer buscar respostas para elas e seus mecanismos de levantamentos dos dados necessá- rios para responder as questões propostas. O tema deve ser escolhido a partir da área de co- nhecimento do pesquisador. O tema deverá ter origina- lidade pessoal, relevância e viabilidade para realização da pesquisa. 141Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa Para a escolha do tema você deverá levar em con- sideração alguns aspectos que deverão contribuir para o desenvolvimento do projeto, tais como: é de interesse científico? qual a importância do fenômeno a ser pes- quisado? está na minha área de formação acadêmica? é possível de ser investigado? o pesquisador tem familiaridade com o tema? existe referencial bibliográfico sobre o assun- to escolhido? o assunto atende ao tempo disponível para a sua realização? Você já refletiu sobre um tema para desenvolver seu projeto de pesquisa? Delimitação do tema O tema de pesquisa não poderá ser aberto, por- tanto é necessário que você delimite seu tema. A deli- mitação de um tema é a apresentação de aspectos es- pecíficos a serem pesquisados e discutidos dentro de determinado tema. Esse aspecto não poderá ser amplo demais, pois pode direcionar a você seguir vários cami- nhos, como também demasiadamente específico, o que lhe pode dificultar na coleta de fontes primárias e secun- dárias. É muito comum entre os pesquisadores delimitar o tema a partir do problema. Metodologia Científi ca142 Vejamos os exemplos: Tema: Evasão Escolar Delimitação: A evasão nas escolas de ensino fun- damental devido ao grau de formação do corpo docente no município de Aracaju, no período de 1980 a 2000. b) Tema: Polícia militar comunitária Delimitação: A diminuição do índice de violência devido à presença da polícia militar comunitária no bair- ro América, no municípiode Aracaju, na década de 1990. Problema Vamos, a partir de agora, procurar entender o que é e como se formula um problema. O problema de pesquisa consiste em dizer, de maneira clara, compreensível e operacional, qual a di- ficuldade que pretendemos resolver, qual questão não resolvida se pretende buscar uma solução. Devemos considerar que um razoável conheci- mento da literatura existente sobre o tema e as reflexões feitas a partir de conversas com professores ou profis- sionais, especialistas na área, permite uma maior segu- rança e clareza, facilitando a formulação do problema. Geralmente, um problema surge a partir da neces- sidade de: testar ou pôr à prova uma teoria; verificar uma lacuna em uma teoria; investigar uma situação do cotidiano; investigar alguma lacuna metodológica; 143Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa afirmação que é aceita pelo conhecimento popular. Na elaboração de um problema deve ser levado em consideração: o problema deve ser formulado como pergunta; deve apresentar relação entre variáveis; apresentar clareza, precisão e objetividade; representar o que será estudado; possibilidade de ser testado e obter solução; delimitar o campo de investigação através de um enfoque específico; Lembre-se que o problema é uma questão não re- solvida. É algo para o qual se vai buscar uma resposta, via pesquisa. Assim, na formulação de um problema um poli- cial diria: “Quem saqueou o supermercado?” Um cientista, provavelmente, diria: “O saque de supermercados pode es- tar associado aos níveis de desemprego?” O primeiro ques- tionamento é de difícil solução e não apresenta a relação entre fenômenos (variáveis). Já o segundo é um problema científico apresentando relação entre dois fenômenos (va- riáveis), ou seja, relacionar o saque de supermercado em relação ao nível de desemprego. Chamamos a sua atenção para o que foi citado acima no processo de elaboração do problema. Vejamos exemplos de problemas: a) Será que o aumento da evasão escolar, nas escolas de ensino fundamental, no município de Ara- Metodologia Científi ca144 caju, foi em decorrência do grau de instrução do corpo docente? b) Será que a integração da polícia militar comu- nitária com a comunidade contribuiu para a diminuição do índice de violência, no bairro América, no município de Aracaju? TEXTO COMPLEMENTAR Para uma melhor compreensão em relação ao problema e à importância da investigação científica, apresentamos o exemplo e a explicação apresentada por Luckesi e Pas- sos (1996, p. 20-24). O exemplo refere-se à descoberta da febre puerperal pelo médico suíço Iguaz Semelweiss, no Hospital Geral de Viena (Áustria), entre 1844 e 1848, que possui dois serviços de maternidade. No Primeiro Serviço da Maternidade desse Hospital, das 3.157 mulheres internadas para os procedimentos do parto, 260 (ou seja, 8% delas) morriam de febre puerpe- ral (doença infecciosa que pode atacar as mulheres após o parto). Em 1845, esse percentual foi de 6% e, em 1846, ele chegou a 11,4%. Esse nível de mortalidade tornava- se mais alarmante com a constatação de que os índices de mortalidade, pela mesma doença, no Segundo Servi- ço de Maternidade do Hospital, eram bem menores. No caso, 2,3% para 1844; 2,9% para 1845 e 2,7% para 1846. Aí estava o desafio para Semelweiss. Aí estava a realida- de, o aspecto oculto da realidade que ele desconhecia: o que causa nível tão alto de mortalidade nas parturien- tes do Primeiro serviço, que não atinge as gestantes do Segundo Serviço? Atormentado pelo terrível problema, Semelweiss esfor- çou-se para resolvê-lo seguindo um caminho que ele 145Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa mesmo veio a descrever mais tarde em livro que escre- veu sobre a causa e a prevenção da febre puerperal. Começou considerando várias explicações então em voga; rejeitou algumas logo por serem incompatíveis com fatos bem estabelecidos; outras, passou a subme- ter a verificações específicas. Uma ideia amplamente aceita na época atribuía as devastações da febre perperal a “influências epidêmi- cas”, vagamente descritas como mudanças “cósmico- atmosféricas” espalhando-se sobre bairros inteiros e causando febre nas mulheres internadas. Mas, ra- ciocina Semelweiss, como poderiam tais influências afetar o Primeiro Serviço durante anos e poupar o Segundo? E como poderia conciliar-se essa ideia com o fato de estar a febre grassando no Hospital sem que praticamente ocorresse outro caso na cidade de Viena ou em seus arredores? Uma epidemia genuína, como é a cólera, não poderia ser tão seletiva. Finalmente, Semelweiss nota que algumas das mulheres admiti- das no Primeiro Serviço, residindo longe do hospital, vencidas pelo trabalho de parto ainda em caminho, tinham dado à luz em plena rua; pois, a despeito dessas condições desfavoráveis, a taxa de morte por febre puerperal entre esses casos de “parto de rua” era menor que a média no Primeiro Serviço. Segundo outra opinião, a causa da mortalidade no Pri- meiro Serviço era o excesso de gente. Mas Semelweiss observa que esse excesso era ainda maior no Segundo Serviço, o que em parte se explicava como resultado dos esforços desesperados das pacientes para evitar o Pri- meiro Serviço, já mal-afamado. Ele rejeita também duas conjeturas semelhantes, então correntes, observando que não havia diferença entre os dois Serviços quanto à dieta e ao cuidado geral com as pacientes. Metodologia Científi ca146 Em 1846, uma comissão nomeada para investigar o as- sunto atribuía a predominância da doença no Primeiro Serviço a danos causados pelo exame grosseiro feito pelos estudantes de Medicina, que recebiam seu treino em obstetrícia apenas no Primeiro Serviço. Semelweiss observa, refutando esta opinião, que: a) os danos resultantes naturalmente do processo de parto são muito mais extensos que os que poderiam ser cau- sados por um problema grosseiro; b) as parteiras que recebiam seu treino no Segundo Serviço examinavam suas pacientes quase do mesmo modo, mas sem os mesmos efeitos nocivos; c) quando, em consequência do relatório da comissão, o número dos estudantes de Medicina ficou diminuído à metade e os seus exames nas mulheres foram reduzidos ao mínio, a mortalidade, depois de breve declínio, elevou-se a níveis ainda mais altos do que antes. Várias explicações psicológicas tinham sido tentadas. Uma delas lembrava que o Primeiro Serviço estava dis- posto de tal modo que um padre, levando o último sa- cramento a uma moribunda, tinha que passar por cinco enfermarias antes de alcançar o quarto da doente: o aparecimento do padre, precedido por um auxiliar so- ando uma campainha, produziria um efeito aterrador e debilitante nas pacientes dessas enfermarias e as trans- formava em vítimas prováveis da febre. No Segundo Ser- viço, não havia esse fator prejudicial porque o padre tinha acesso direto ao quarto da doente. Para verificar esta conjetura, Semelweiss convenceu o padre a tomar outro caminho e não soar a campainha, chegando ao quarto da doente silenciosamente e sem ser observado. Mas a mortalidade no Primeiro Serviço não diminuiu. 147Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa Observaram, ainda, a Semelweiss, que no Primeiro Ser- viço as mulheres, no parto, ficavam deitadas de costas e, no Segundo Serviço, de lado. Mesmo achando a ideia inverossímil, decidiu, “como um náufrago se agarra a uma palha”, verificar se a diferença de posição poderia ser significante. Introduzindo o uso da posição lateral no Primeiro Serviço, a mortalidade não se alterou. Fi- nalmente, no começo de 1847, um acidente deu a Se- melweiss a chave decisiva para a solução do problema. Um colega, Kolletschka, feriu-se no dedo com o bisturi de um estudanteque realizava uma autópsia e morreu depois de uma agonia em que se revelaram os sintomas observados nas vítimas da febre puerperal. Apesar de nessa época não estar ainda reconhecido o papel desempenhado nas infecções pelos microor- ganismos, Semelweiss compreendeu que “a matéria cadavérica”, introduzida na corrente sangüínea de Kol- letschka pelo bisturi é que causara a doença fatal do seu colega. As semelhanças entre o curso da doença de Kolletschka e o das mulheres em sua clínica levaram Semelweiss à conclusão de que suas pacientes morre- ram da mesma espécie de envenenamento do sangue: ele, seus colegas e os estudantes tinham sido o veícu- lo do material infeccioso, pois vinham às enfermarias logo após realizarem dissecações na sala de autópsia e examinavam as mulheres em trabalho de parto depois de lavarem as mãos apenas superficialmente, muitas vezes retendo o cheiro nauseante. Novamente, Semelweiss submeteu sua ideia a um teste. Raciocinou que, se estivesse certo, então a febre puer- peral poderia ser prevenida pela destruição química do material infeccioso aderido às mãos. Ordenou, então, que todos os estudantes lavassem suas mãos numa so- lução de cal clorada antes de procederem a qualquer exame. A mortalidade pela febre logo começou a de- Metodologia Científi ca148 crescer, caindo, em 1848, a 1,27% no Primeiro Serviço, enquanto que no Segundo era de 1,33%. Justificando ainda mais suas ideias ou sua hipótese, como também diremos, Semelweiss observou que ela explicava o fato de ser a mortalidade do Segundo Ser- viço mais baixa: lá, as pacientes eram socorridas por parteiras cujo treino não incluía instrução anatômica por dissecação dos cadáveres. E a hipótese também explicava a menor mortalidade en- tre os casos de “parto de rua”, pois as mulheres que já chegavam trazendo seus bebês ao colo raramente eram examinadas após a admissão e tinham, assim, melhor sorte de escapar à infecção. Finalmente, a hipótese explicava o fato de serem vítimas de febre os recém-nascidos cujas mães tinham contraído a doença durante o trabalho de parto, pois então a infec- ção podia ser transmitida à criança antes do nascimento, através da corrente sangüínea comum à mãe e ao filho, o que era impossível quando a mãe permanecera sadia. Assim, Semelweiss, tinha diante de si um problema, ain- da sem explicação. O que ele fez? Trabalhou na inves- tigação de forma metodológica para construir sua com- preensão e sua explicação. LUCKESI, Cipriano Carlos; PASSOS, Elizete Silva. Introdução à filosofia: aprendendo a pensar. 2. ed. São Paulo: Cortez, 1996. p. 20-24. 4.2 Questões, hipóteses e objetivos de pesquisa Questões Norteadoras/ Hipóteses São suposições a partir da relação entre duas ou mais variáveis. São explicações ou propostas de solução 149Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa do problema. São respostas preliminares ao problema proposto. O objetivo da pesquisa será o de confirmar ou negar a(s) hipótese(s) apresentada(s). Existe muita discussão sobre este assunto, ten- do em vista que alguns autores acham desnecessário colocar as questões norteadoras/hipóteses na pesquisa. Geralmente, nas ciências naturais e exatas como tam- bém nas pesquisas quantitativas é comum utilizar hipó- teses. Já nas ciências sociais e humanas e nas pesquisas qualitativas é comum utilizar-se questões norteadoras. A hipótese é formulada em uma sentença afirmativa, já a questão norteadora em sentença interrogativa. Vejamos os exemplos de questões norteadoras e hipóteses: a) questões norteadoras: A antecipação da responsabilidade criminal para menores de 18 anos é a solução para a redução da criminalidade juvenil? O índice de evasão escolar aumenta nas es- colas de ensino fundamental do município de Aracaju na medida em que são assistidos por professores normalistas? b) hipóteses: As células granulares do hipocampo (CA1) es- tão correlacionadas com a formação e com a consolidação da memória de curta duração. Porém, não são necessárias para a manuten- ção da memória de longa duração. A destruição do nervo ótico constitui condi- ção suficiente para a ocorrência da cegueira, pois ninguém pode enxergar com o nervo óti- co destruído. Metodologia Científi ca150 Objetivos Na elaboração dos objetivos você deverá levar em consideração: utilizar o verbo no tempo infinitivo; os verbos mais usuais na elaboração do ob- jetivo geral são: analisar, estudar, explicar, entender, compreender, descrever, avaliar, co- nhecer, etc.; os verbos mais usuais na elaboração dos obje- tivos específicos são: distinguir, numerar, iden- tificar, classificar, comparar, relacionar, verificar, listar, levantar, etc.; os objetivos deverão ser claros, explícitos e concisos; os objetivos deverão expressar apenas uma ideia, deverão constar apenas um sujeito e um complemento, para cada objetivo. Os objetivos dividem-se em Geral e Específicos. O Objetivo Geral define, de modo geral, o que se pretende alcançar com a realização da pesquisa e está relacionado ao tema. Exemplo de objetivo geral: Analisar a diminuição do índice de violência devido à presença da polícia comunitária no bairro América, no município de Aracaju, na década de 1990. 151Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa Já os Objetivos Específicos definem etapas que devem ser cumpridas para alcançar o objetivo geral e estão relacionados com as hipóteses. Vejamos alguns exemplos de objetivos específicos: a) Levantar os índices de violência no bairro América; b) Identificar os tipos de violência no bairro; c) Relacionar as ações utilizadas pela polícia mili- tar comunitária para a diminuição da violência. 4.3 Técnicas de coleta de dados Para a realização da pesquisa, será necessário o emprego das técnicas de pesquisa. Segundo Ruiz (1991, p. 138), reserva-se o termo mé- todo para significar o traçado das etapas fundamentais da pesquisa, enquanto o termo técnica significa os diversos procedimentos ou utilização de diversos recursos peculia- res a cada objeto de pesquisa, dentro das diversas etapas do método. As técnicas são procedimentos que operacionali- zam os métodos. Para todo método de pesquisa, corres- ponde uma ou mais técnicas. Estas estão relacionadas com a coleta de dados, isto é, a parte prática da pesquisa. A coleta de dados envolve a determinação da po- pulação a ser pesquisada, a elaboração dos instrumen- tos de coleta e a programação da coleta. Os instrumentos de coleta de dados mais utiliza- dos são: questionário; formulário; entrevista; observação. Nesse sentido: Metodologia Científi ca152 Questionário O que é? O questionário é um instrumento de coleta de dados, elaborado pelo pesquisador e aplicado a uma clientela pesquisada. Através dele se faz a coleta das unidades esta- tísticas. Destinado a pesquisas em grupo, nada mais é do que uma série de perguntas com espaço em branco para respostas. Sua linguagem deve ser simples e direta para que o informante compreenda com clareza o que está sendo perguntado. Por isso, deve ser breve e conciso, evitando a possibilidade de respostas ambíguas. Deve-se evitar termos pouco conhecidos e não fazer perguntas difíceis ou trabalhosas para respostas. As perguntas devem ser espaçadas, para permitir seu total preenchimento, e es- tar agrupadas segundo sua analogia. Procurar codificá- las para facilitar a tabulação e interpretação. O questionário pode apresentar perguntas aber- tas para se obter uma resposta livre e perguntas fecha- das para respostas mais precisas. Todo questionário a ser enviado deve passar por uma etapa de pré-teste num universo reduzido, para que se possam corrigir eventuais erros de informações. Importante!O questionário é preenchido pelo informante. Formulário O que é? O formulário é aplicado pelo próprio pesquisador na medida em que se fazem as observações ou se rece- bem as respostas sob orientação. 153Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa Distingue-se o formulário do questionário porque o primeiro é preenchido pelo próprio pesquisador. O questionário pode ser enviado pelo correio, sendo do mesmo modo devolvido após o preenchimento. Uma das vantagens do formulário consiste jus- tamente na assistência direta que o informante rece- be do pesquisador que pode reformular, tornar mais claras as perguntas, dar explicações, enfim, ajustar o formulário à experiência e compreensão de cada informante. Também pode ser aplicado em grupos heterogê- neos, inclusive analfabetos, o que seria difícil se fosse aplicado o questionário. Assim, o formulário comporta perguntas mais complexas que as destinadas a integrar um questionário a ser respondido sem a assistência do investigador. Importante! O formulário é preenchido pelo pesquisador. Entrevista O que é? A entrevista é uma técnica em que o pesquisador obtém dados de certas pessoas, dados que não podem encontrar em registros e fontes documentárias. A entrevista é uma conversa orientada entre o pesquisador e o informante atendendo a um objeti- vo pré-determinado. Ela precisa ter um plano bem elaborado para que o pesquisador possa, antes de realizá-la, obter dados e informações necessárias, claras e objetivas. A entrevista pode ter caráter exploratório ou ser de coleta de informações. Se a de caráter exploratório é relativamente estruturada, a de coleta de informação é altamente estruturada. Metodologia Científi ca154 Alguns requisitos deverão ser considerados para que uma entrevista seja realizada de maneira mais téc- nica, tais como: respeito ao entrevistado; capacidade de ouvir atentamente e de estimular o entrevistado a responder as perguntas; garantir um clima de confiança e sigilo profissional dos dados colhidos, preservando a identidade do entrevistado. É importante que o entrevistador disponha de re- cursos materiais, tais como: gravador, bloco de anota- ções, roteiro de entrevista, etc. para que facilite a coleta de informações. Observação O que é? A observação é uma técnica de coleta de dados que consiste na observação, registro, de forma direta, sobre o fenômeno ou fato estudado. É uma das mais antigas técnicas utilizadas pelas ciências; sendo utiliza- da pelas Ciências Naturais, Ciências Sociais e Ciências Exatas e Tecnológicas (RODRIGUES, 2006). Essa técnica pode ser feita em campo ou em la- boratório. Após a observação e registro são feitas as análises dos dados. A técnica de observação pode ser realizada (RO- DRGUES, 2006): a) individualmente: realizada por um pesquisador; b) em equipe: é estudada por um grupo de pes- quisadores; c) na vida real: a observação é feita em ambiente natural, pode-se dizer “em campo”; d) em laboratório: a observação é feita em am- biente artificial; 155Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa e) participante: o pesquisador participa do fenô- meno a ser estudado; f ) não participante: o pesquisador limita-se à ob- servação e ao registro do fenômeno ou fato es- tudado. Exemplo de um questionário, objetivando o per- fil socioeconômico dos alunos ingressantes no curso x, numa determinada instituição de ensino superior: Questionário PERFIL SOCIOECONÔMICO DOS ALUNOS INGRESSANTES NO CURSO X DA UNIVERSIDADE Y O presente questionário tem por objetivo fazer uma pesquisa sobre o perfil socioeconômico dos alunos ingressantes no curso x da universidade y. Portanto, soli- citamos sua colaboração, respondendo corretamente às seguintes questões: 1. Sexo: 1.1. Masculino ( ) 1.2. Feminino ( ) 2. Aluno do turno: 2.1. Diurno ( ) 2.2. Noturno ( ) 3. Período: ........................................................................ 4. Idade: ..........anos Metodologia Científi ca156 5. Qual é o seu estado civil? .......................................................................................... 6. Local de residência: 6.1 Bairro: ......................................................................... 6.2. Município: .................................................................. 6.3. Outros: ...................................................................... 7. Qual o principal meio de transporte utilizado para se deslocar até a universidade? .......................................................................................... 8. Em que estabelecimento cursou o ensino médio? 8.1. Público ( ) 8.2. Particular ( ) 8.3. Público e particular ( ) 8.4. Outros ( ) 9. Que curso concluiu? 9.1. Ensino médio comum ( ) 9.2. Técnico ( ) 9.3. Supletivo ( ) 9.4. Outros ( ) 10. Marque um (x) nos itens que existem em sua casa: 10.1. Veículo de transporte motorizado ( ) 10.2. DVD ( ) 10.3. Máquina de lavar ( ) 10.4. Computador ( ) 10.5. Aparelho de videocassete ( ) 10.6. TV com sistema de canal fechado ( ) 157Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa 10.7. Aparelho de som ( ) 10.8. Forno microondas ( ) 10.9. Geladeira ( ) 10.10. Filmadora ( ) 11. Assinale a renda total aproximada, em salário míni- mo, de sua família: 11.1. ( ) menos de 3 11.2. ( ) de 3 a menos de 6 11.3. ( ) de 6 a menos de 9 11.4. ( ) de 9 a menos de 12 11.5. ( ) 12 e mais 12. Exerce alguma atividade remunerada? 12.1. Sim ( ) 12.2. Não ( ) 13. Caso exerça alguma atividade remunerada, assinale sua renda total aproximada, em salário mínimo: 13.1. ( ) menos de 3 13.2. ( ) de 3 a menos de 6 13.3. ( ) de 6 a menos de 9 13.4. ( ) de 9 a menos de 12 13.5. ( ) 12 e mais 14. Profissão do pai: ........................................................ 15. Profissão da mãe: ..................................................... 16. Qual é o nível de instrução: 16.1. Pai: .......................................................................... 16.2. Mãe: ........................................................................ Metodologia Científi ca158 17. Qual tipo de atividade você mais participa? 17.1. Sociais (clubes e festas) ( ) 17.2. Artística e cultural ( ) 17.3. Político-partidária ( ) 17.4. Religiosa ( ) 17.5. Outras ( ) 18. Assinale o(s) meio(s) mais utilizado(s) com que você se mantém informado: 18.1. Telejornal ( ) 18.2. Jornal escrito ( ) 18.3. Jornal falado (rádio) ( ) 18.4. Notícias internet ( ) 18.5. Revista ( ) 18.6. Outros ( ) 19. Pratica esportes? 19.1. Sim ( ) 19.2. Não ( ) 20. Qual (is) atividade (s) de lazer você dedica mais tempo? 20.1. Shopping ( ) 20.2. Cinema ( ) 20.3. Teatro ( ) 20.4. Leitura ( ) 20.5. Música ( ) 20.6. Outras ( ) 159Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa 4.4 Estrutura do projeto de pesquisa Os elementos geralmente requeridos num projeto de pesquisa são os seguintes: ELEMENTOS QUANTIDADE DE FOLHAS (SUGERE-SE) CAPA 01 folha FOLHA DE ROSTO 01 folha SUMÁRIO 01 folha INTRODUÇÃO 01 a 02 folhas OBJETIVOS 01 folha HIPÓTESE OU QUESTÕES NORTEADORAS 01 folha JUSTIFICATIVA 01 a 02 folhas REFERENCIAL TEÓRICO 04 a 10 folhas PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 02 a 04 folhas CRONOGRAMA 01 folha ORÇAMENTO 01 a 02 folhas REFERÊNCIAS 01 a 03 folhas Capa Deve conter os seguintes elementos: nome da universidade, nome do curso, nome completo do aluno, indicativo da natureza do trabalho (Projeto de Pesquisa),título do trabalho e subtítulo (se houver), local e o ano. Metodologia Científi ca160 A capa deve ser apresentada em papel branco, formato A4 (21 cm x 29,7 cm). As margens da folha de- vem ter 3 cm (esquerda e superior) e 2 cm (direta e inferior). A digitação deve ser na cor preta, utilizando-se de fonte Times New Roman ou Arial. Sugere-se que o Projeto de Pesquisa seja enca- dernado em espiral, com a capa de plástico transparente para possibilitar a leitura das informações da capa. Folha de Rosto Você deverá colocar na folha de rosto os seguintes elementos: no alto, ao centro, em negrito, caixa-alta, fon- te tamanho 18, o nome do autor do trabalho. Ao centro, o título em caixa-alta, negrito, fonte tamanho 18, centra- lizado, seguido de subtítulo (se houver). Mais abaixo, à direita, fonte tamanho 12, espaço simples, coloca-se uma referência sobre a natureza do trabalho, a instituição a que se destina e objetivo acadêmico; também, o nome do orientador. Mais abaixo, registra-se a cidade e o ano de realização do trabalho, fonte tamanho 14. Sumário É outro elemento obrigatório. Nele você deve enu- merar as partes do projeto de pesquisa, acompanhadas das respectivas páginas. Colocar fonte tamanho 16 para o sumário e 12 para as partes que compõem o trabalho colocando ambos em negrito. Não numerar a folha do sumário. Introdução Na introdução você deverá: apresentar o tema delimitado, especificar o problema, a problematização discutindo o assunto de forma sintética, caracterização da área, local, bairro, município, estado, região ou ou- 161Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa tros onde será realizada a pesquisa. Na redação da in- trodução, como em todo o projeto, você deverá utilizar o tempo verbal no futuro, já que o projeto é um plano e a pesquisa ainda será realizada. Deverá utilizar uma linguagem técnica, denotativa, objetiva, concisa sempre fugindo do vulgar. A redação, na impessoalidade, uti- lizando a 3ª pessoa do singular e o uso do pronome impessoal “se”. Evite construir frases muito longas, re- petição de ideias, pedantismo, gírias e termos vagos, imprecisos e ambíguos. O corpo do trabalho deverá ser escrito em fonte tamanho 12 e o termo INTRODUÇÃO em fonte tamanho 16, negrito, centrado à esquerda com o indicativo da nu- meração correspondente. Utilizar espaço duplo no corpo da introdução e dois duplos entre o título e o corpo do trabalho. Colocar a numeração da página. Lembre-se de colocar o tema delimitado, a problematização e a caracterização da área na Introdução. Objetivos Apresentar a relação dos objetivos propostos (su- gestão: 3 a 6 objetivos). Questões Norteadoras ou Hipóteses Apresentar a relação das questões norteadoras ou hipóteses (sugestão: 2 a 4 objetivos). Justificativa Você deverá apresentar as razões que o levaram a estudar determinado tema. Mostrar a contribuição que a pesquisa poderá oferecer no campo social e no âmbito do conhecimento científico. Sua redação não deverá ser longa. Metodologia Científi ca162 A justificativa deverá conter: os motivos que o levaram à escolha do tema; o nível de abrangência da pesquisa; a importância e utilidade do estudo do tema na atualidade; explicação sobre a viabilidade da execução da proposta; o contexto em que o fenômeno ocorre; os aspectos inovadores do estudo. Referencial Teórico Consiste em explicar os pressupostos teóricos, esclarecer os conceitos e ideias que serão utilizadas, fundamentando e balizando todo o desenvolvimento da pesquisa. Deverá ser feita uma pesquisa bibliográfica sobre o assunto, ou seja, uma revisão de literatura. É de fundamental importância a colocação na redação do re- ferencial teórico, citações diretas e citações indiretas dos autores que tratam sobre o assunto. Na elaboração das citações seguir as normas da ABNT-NBR 10520 (Citações e Notas de Rodapé). Para que você alcance um melhor aproveitamento na elaboração do referencial teórico, é necessário utilizar-se das técnicas de estudo: sublinhar, esquematizar e resumir. No referencial teórico, grande parte de seu conte- údo é resultante de material impresso, como: livros, re- vistas, jornais, etc. Todavia, com o desenvolvimento dos meios de comunicações e informações, a exemplo da internet, têm-se, também, utilizado esses novos meios de informações. A internet representa uma novidade nos meios de pesquisa. Trata-se de uma rede mundial de comunica- ção via computador, onde as informações são trocadas livremente entre todos. A internet se tornou um impor- tante veículo de transmissão de conhecimentos e muitas 163Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa faculdades e universidades, em suas bibliotecas, têm proporcionado aos seus alunos o acesso a esse veículo. Todavia, é necessário que você não só tenha acesso ao uso da internet, mas que desenvolva a capacidade de analisar criticamente a qualidade das informações obti- das através desse veículo de informação. Atualmente estão à sua disposição diversas ferra- mentas de busca (nacionais e internacionais). Vejamos algumas: http://www.google.com.br/ http://www.bing.com.br/ Para pesquisa acadêmica, exemplos: http://www.bn.br (Biblioteca Nacional) http://www.scielo.br (Catálogos de revistas científicas) http:www.ibict.br (Acesso a CCN, COMUT, ISSN, teses – BR) http://www.cg.org.br/gt/gtbv/catalogos.htm (Bi- bliotecas com catálogos on-line) http://www.prossiga.br/bvtematicas (Bibliotecas virtuais em várias áreas - BR) http:// redeantares.ibivt.br (Ciência e Tecnologia, nacional e internacional) http://searchenginewatch.com (Metabuscador In- ternacional, todas as áreas) Procedimentos Metodológicos Você deverá apresentar o conjunto de procedi- mentos metodológicos (métodos, técnicas, etapas e ma- teriais) que serão utilizados e seguidos para a realização da pesquisa. Neste item, o pesquisador vai informar com o que vai trabalhar: textos, questionários, etc., isto é, qual é o Metodologia Científi ca164 seu material de trabalho, responsável por gerar os dados a serem analisados e os métodos que utilizará durante o desenvolvimento do projeto. Deve-se detalhar o material a ser estudado, para que o problema possa ser solucionado. Vários caminhos se oferecem ao pesquisador, tais como: a) métodos de abordagem: indutivo, dedutivo, dialético e hipotético-dedutivo; b) métodos de procedimentos: histórico, tipológico, comparativo, estatístico, estruturalista, funcionalista, etc. Além disso, você deve explicar quais técnicas ou conjunto de procedimentos utilizados para a coleta de dados. O pesquisador pode utilizar mais de uma técnica. Dentre as técnicas mais comuns temos: entrevis- ta, questionário e formulário. Nas etapas de coleta de dados você deverá infor- mar o sujeito da pesquisa que pode ser uma instituição, uma empresa, pessoas, grupos, etc. É importante informar a amostra, ou seja, o quantitativo com que o pesquisador vai trabalhar: 30 trabalhadores, 10 supervisores, 40 educa- dores, etc. Também, a análise dos dados e sua representa- ção gráfica: tabelas, quadros, etc. É necessário informar os meios para a obtenção de informações como: pesquisa documental, pesquisa bibliográfica, pesquisa de campo ou pesquisa de labo- ratório. Os objetivos da pesquisa como: pesquisa ex- ploratória, pesquisa descritiva ou pesquisa explicativa. A abordagem na pesquisa como: pesquisa quantitativa, pesquisa qualitativa ou ambas. Cronograma No cronograma o pesquisador faz uma previsão do tempo que será utilizado para realização da pesqui- sa. Calcula o tempo a ser gasto em cada etapa do proje- to, incluindo-se o tempo gasto na aquisição do material 165Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa necessário ao desenvolvimentodo Projeto de Pesquisa. Solicitamos a você utilizar um período de 6 meses. Orçamento Refere-se ao levantamento de custos da pesquisa, neste caso, deve-se relacionar tudo o que será necessá- rio à execução do trabalho: recursos humanos, recursos materiais e serviços. Referências Neste item você deverá relacionar as fontes con- sultadas e referenciadas no projeto e as que podem vir a fundamentar a pesquisa em si. A bibliografia serve muitas vezes para avaliar o projeto, pois por meio dela pode-se analisar a qualidade e a atualidade das obras. Os regis- tros devem obedecer às normas da ABNT-NBR 6023. Aspectos Gráficos Vejamos os aspectos gráficos do projeto de pes- quisa: Metodologia Científi ca166 a) capa 167Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa b) folha de rosto Metodologia Científi ca168 c) sumário 169Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa d) introdução Metodologia Científi ca170 e) objetivos 171Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa f ) questões norteadoras ou hipótese Metodologia Científi ca172 g) justificativa 173Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa h) referencial teórico Metodologia Científi ca174 i) procedimentos metodológicos 175Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa j) cronograma Metodologia Científi ca176 k) orçamento 177Tema 4 | Elaboração do Projeto de Pesquisa l) referências Metodologia Científi ca178 Referências ALVES, Magda. Como escrever teses e monografias. Rio de Janeiro: Elsevier, 2003. ANDRADE, Maria Margarida de. Introdução à metodologia do trabalho científico: elaboração de trabalhos na gradu- ação. São Paulo: Atlas, 2001. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 6023. Rio de Janeiro. ABNT, 2002. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 10520. Rio de Janeiro. ABNT, 2002. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS E TÉCNICAS. NBR 14724. Rio de Janeiro. ABNT, 2002. BARROS, Aidil Jesus da Silva; LEHFELD, Neide Apareci- da de Souza. Fundamentos de metodologia científica: um guia para iniciação científica. São Paulo: MAKRON Booksd, 2000. BELLO, José Luiz de Paiva. Metodologia científica. Rio de Janeiro, 2004. Disponível em:<http://pedagogiaemfoco. pro.br/met01.htm>. Acesso em: 10 out. 2008. BRASIL. Resolução 196/96 de 10 de outubro de 1996. Dis- põe sobre as diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. Conselho Nacio- nal de Saúde, Brasília, DF, 10 de out. de 1996. Disponível em: <https://conselho.saude.gov.br/docs/Reso196.doc>. Acesso em: 6 jan. 2009. BRASIL. Resolução 251/97 de 07 de ago. de 1997. Dispõe sobre o uso de novos fármacos, medicamentos, vacinas e testes diagnósticos em seres humanos. Conselho Na- 179Metodologia Científi ca cional de Saúde, Brasília, DF, 07 de ago de 1997. Dis- ponível em: <http://www.ufrgs.br/bioetica/res25197.htm>. Acesso em: 06.01.2009. CERVO, Amado Luiz; BERVIAN, Pedro Alcino. Metodologia científica. São Paulo: MAKRON Booksd, 1996. CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 3. ed. São Paulo: Ática, 1995. GALLIANO, A. Guilherme. O método científico: teoria e prática. São Paulo: Karper & Row do Brasil. [s. d.]. GIL, Antonio C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 4. ed. São Paulo: Atlas, 1999. GONÇALVES, Hortência de Abreu Gonçalves. Manual de metodologia da pesquisa científica. São Paulo: Aver- camp, 2005. GONÇALVES, Hortência de; RODRIGUES, Auro de Jesus. Manual de estágio da universidade tiradentes. Aracaju: Unit, 2002. JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 3. ed. rev. e ampl. Rio de janeiro: Jorge Za- har, 1996. LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Me- todologia do trabalho científico. São Paulo: Atlas, 1991. OLIVEIRA, Sílvio Luiz. Tratado de metodologia científica: Projetos de Pesquisa, TGI, TCC, monografias, disserta- ções e teses. São Paulo: Pioneira, 1998. PARRA FILHO, Domingos; SANTOS, João Almeida. Meto- dologia científica. 2. ed. São Paulo: Futura, 1998. Metodologia Científi ca180 RODRIGUES, Auro de Jesus. Metodologia científica. São Paulo: Avercamp, 2006. RUIZ, João Álvaro. Metodologia científica: guia para eficiência nos estudos. São Paulo: Atlas, 1996. SALVADOR, Ângelo Domingos. Métodos e técnicas de pesquisa bibliográfica: elaboração e relatório de es- tudos científicos. Porto Alegre: Sulina, 1986. SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monogra- fia. 3. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1994. SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do traba- lho científico. São Paulo: Cortez, 1996. 181Metodologia Científi ca Anotações Metodologia Científi ca182 Anotações 183Metodologia Científi ca Anotações Metodologia Científi ca184 Anotações