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05   Filosofia do Direito   Platão

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Filosofia do Direito
Introdução aos Clássicos:
Platão
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 A principal parte do conjunto de premissas socráticas vem desembocar diretamente no pensamento platônico. De fato, Platão (427-347 a.C.), por meio de seus diálogos Fedro e República desenvolve com acuidade os mesmos pressupostos elementares do pensamento socrático: a virtude é conhecimento, e o vício existe em função da ignorância. 
 Em sua exposição do problema Ético, busca também tratar das preocupações gnosiológicas, psicológicas, e metafísicas propriamente ditas. 
 Toda a preocupação filosófica platônica decorre não de uma vivência direta e efetiva em meio às coisas humanas, mas seu sistema filosófico é decorrência de pressupostos transcendentes, como a alma, a preexistência da alma, a reminiscência das ideias e a subsistência da alma.
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 O que há é que Platão, diferentemente da proposta de Sócrates, distancia-se da política e do seio das atividades prático-políticas. 
 Se Sócrates ensinava nas ruas da cidade, Platão, decepcionado com o golpe que a cidade desferiu contra a filosofia, ensinara num lugar apartado, onde o pensamento pode vagar com tranquilidade e onde se pode desenvolver um modo de vida ao mesmo tempo que preocupado com a cidade, com suas questões políticas, poderia também propor uma continuidade da educação (Paidéia) socrática. 
 Na academia platônica o entendimento socrático via na prudência (Phrónesis) a virtude de caráter fundamental para o alcance da harmonia social. E a prudência estava incorporada a seu método de ensinar e ditar ideias, com vistas à realização da Paidéia cidadã.
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 A prudência (Phrónesis) socrática converte-se em vida teórica (Bios Theoréticos). Essa, declarada como a melhor das formas de vida, entre as possíveis e desejáveis formas de vida humana (filósofo, cavaleiro, artesão), passou a servir de modelo de felicidade humana. 
 Tudo isso com base na tripartição da alma que se caracteriza como: 
 Alma logística, correspondendo a parte superior do corpo humano (cabeça), à qual se liga a figura do filósofo. 
 Alma irascível, correspondendo à parte mediana do corpo humano (peito), caracterizada pela coragem como virtude cavalheiresca. 
 Alma apetitiva, correspondendo à parte inferior do corpo humano (baixo ventre), à qual se ligam os artesãos, os comerciantes e o povo.
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 Para melhor sintetizar as idéias de Platão, recorremos ao livro VII de A República, onde seu pensamento é ilustrado pelo famoso "mito da caverna". Platão imagina uma caverna onde estão acorrentados os homens desde a infância, de tal forma que, não podendo se voltar para a entrada, apenas enxergam o fundo da caverna. 
 Aí são projetadas as sombras das coisas que passam às suas costas, onde há uma fogueira. Se um desses homens conseguisse se soltar das correntes para contemplar à luz do dia os verdadeiros objetos, quando regressasse, relatando o que viu aos seus antigos companheiros, esses o tomariam por louco, não acreditando em suas palavras.
 A análise do mito pode ser feita pelo menos sob dois pontos de vista: o epistemológico (relativo ao conhecimento) e o político (relativo ao poder).
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 Pela dimensão epistemológica, o mito da caverna é uma alegoria a respeito das formas de conhecimento ou a teoria das idéias, nela Platão distingue o mundo sensível (dos fenômenos), e o mundo inteligível (das idéias). O mundo sensível, é o acessível aos sentidos, é o mundo da multiplicidade, do movimento, e é ilusório, por ser pura sombra do verdadeiro mundo. 
 A segunda dimensão do mito, a política, surge da pergunta: como influenciar os homens que não veem? Cabe ao sábio ensinar e governar. Trata-se da necessidade da ação política, da transformação dos homens e da sociedade. Seu posicionamento de valorização da reflexão filosófica o leva a conceber uma “sofocracia” (poder da sabedoria), porque os homens comuns são vítimas do conhecimento imperfeito, da "opinião", e portanto devem ser dirigidos por homens que se distinguem pelo saber. Platão imagina uma cidade utópica, a Callipolis (Cidade Bela). Etimologicamente, utopia significa "em nenhum lugar" (em grego, ou-topos).
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 Partindo do princípio platônico de que as pessoas são diferentes e por isso devem ocupar lugares e funções diversas na sociedade, Platão imagina que o Estado, e não a família, deveria se incumbir da educação das crianças. Para isso, propõe estabelecer-se uma forma de comunismo em que é eliminada a propriedade e a família, a fim de evitar a cobiça e os interesses decorrentes dos laços afetivos.
 O Estado orientaria as pessoas para evitar casamentos entre desiguais, oferecendo melhores condições de reprodução e, ao mesmo tempo, criando creches para a educação coletiva das crianças. A educação promovida pelo Estado deveria, segundo Platão, ser igual para todos até os 20 anos, quando dar-se-ia o primeiro corte identificando as pessoas que, por possuírem “alma de bronze”, por terem a sensibilidade grosseira devem se dedicar à agricultura, ao artesanato e ao comércio. Estes cuidariam da subsistência da cidade.
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 Os outros continuariam os estudos por mais dez anos, até o segundo corte. Aqueles que tivessem a "alma de prata" e a virtude da coragem essencial aos guerreiros constituiriam a guarda do Estado, os soldados que cuidariam da defesa da cidade. Os mais notáveis, que sobrariam desses cortes, por terem a "alma de ouro", seriam instruídos na arte de pensar a dois, ou seja, na arte de dialogar. 
 Aos cinquenta anos, aqueles que passassem com sucesso pela série de provas estariam aptos a ser admitidos no corpo supremo dos magistrados. Caberia a eles o governo da cidade, o exercício do poder, pois apenas eles teriam a ciência da política. Sua função seria manter a cidade coesa. Por serem os mais sábios, também seriam os mais justos, pois justo é aquele que conhece a justiça. A justiça constitui a principal virtude, a própria condição das outras virtudes. Para que o Estado seja bem governado, é preciso que os filósofos se tornem reis, ou que os reis se tornem filósofos".
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 A alma tripartite (logística, irascível e apetitiva) também pode ser usada para explicar a estrutura do Estado platônico. 
 Pois a divisão do trabalho também segue essa regra, onde as três classes dividem-se em atividades: Política (ouro), Defesa (prata) e Economia (bronze), sendo que alma racional, deve governar. Nesse sentido, a justiça na cidade é ordem e a desordem é sinônimo de injustiça. 
 A justiça é a saúde do corpo social e cabe ao Filósofo, por maiêutica, trazer à tona esse conhecimento previamente adquirido, por experiências anteriores.
 O Estado ideal platônico, descrito na República, é apenas meio para a realização da justiça. De fato, porém, esse Estado não existe na Terra, e sim no além, como modelo a se inspirar, por isso ele é utópico. 
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 Nesse Estado, a Constituição é apenas instrumento da Justiça, pois

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