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UAB – UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
FUESPI – FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ
NEAD – NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA
ESPECIALIZAÇÃO EM BIODIVERSIDADE E CONSERVAÇÃO
EVOLUÇÃO: UMA INTRODUÇÃO
Prof. Francisco Soares Santos Filho
FUESPI
2015
Presidente da República
Dilma Vana Rousseff
Vice-presidente da República
Michel Miguel Elias Temer Lulia
Ministro da Educação
Renato Janine Ribeiro
Diretor de Educação a Distância CAPES/MEC
Jean Marc Georges Mutzig
Governador do Piauí
José Wellington Barroso de Araújo Dias
Secretária Estadual de Educação e Cultura do Piauí
Rejane Ribeiro Sousa Dias
Reitor da FUESPI – Fundação Universidade Estadual do Piauí
Nouga Cardoso Batista
Vice-reitora da FUESPI
Bárbara Olímpia Ramos de Melo
Pró-reitora de Ensino e Graduação – PREG
Ailma do Nascimento Silva
Coordenadora da UAB-FUESPI
Margareth Torres de Alencar Costa
Coordenadora Adjunta da UAB-FUESPI
Naira Lopes Moura
Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação – PROP
Geraldo Eduardo da Luz Junior
Pró-reitor de Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários – PREX
Luís Gonzaga Medeiros Figueredo Júnior
Pró-reitor de Administração e Recursos Humanos – PRAD
Raimundo Isídio de Sousa
Pró-reitor de Planejamento e Finanças – PROPLAN
Benedito Ribeiro da Graça Neto
Coordenadora do curso de Especialização em Biodiversidade e Conservação
Simone Mousinho Freire
Edição
UAB - FNDE - CAPES
FUESPI/NEAD
Diretora do NEAD
Margareth Torres de Alencar Costa
Diretora Adjunta
Ailma do Nascimento Silva
Coordenadora do Curso de Especializa-
ção em Biodiversidade e Conservação
Simone Mousinho Freire
Coordenador de Tutoria
Francisco Marques de Oliveira Neto
Coordenadora de Produção de Material 
Didático
Maria do Socorro Rios Magalhães
Autor do Livro
Francisco Soares Santos Filho
Revisão
Antonio Gomes da Silva Neto
Raimundo Isídio de Sousa
Diagramação
José Luís Silva
Capa
Pedro Leonardo de Sousa Magalhães
MATERIAL PARA FINS EDUCACIONAIS
DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS CURSISTAS UAB/FUESPI
SUMÁRIO
Unidade I –Fundamentos da Evolução ..................................................09
1. Origem da vida ......................................................................................11
2. Histórico da Evolução ............................................................................22
 A evolução dos seres vivos como problema científico .............................22
2.2. Os Criacionistas .................................................................................35
2.2.1. Categoria de Criacionistas ..............................................................36
2.3. As primeiras hipóteses sobre a evolução dos seres vivos .................37
2.4. A diversidade biológica .......................................................................38
2.4.1. Darwin e Wallace .............................................................................39
3. Evidências da evolução .........................................................................42
3.1. Um pouco de história..........................................................................42
3.2. Evidências paleontológicas ................................................................43
3.2.1. Registro fóssil ..................................................................................44
3.2.2. O problema dos fósseis ...................................................................48
3.2.3. A variedade dos fósseis ...................................................................49
3.2.4. Como são preservados os fósseis? ................................................51
3.2.5. Reconstruindo o passado ................................................................54
3.3. Evidências morfológicas .....................................................................56
3.4. Evidências embriológicas ...................................................................58
Unidade II – Evolução em Teorias ..........................................................67
1. As teorias da Evolução ..........................................................................69
1.1. Lamarckismo ......................................................................................70
1.2. Explicando a variedade – o Darwinismo ............................................74
1.2.1. A seleção natural, segundo Darwin e Wallace ................................76
1.3. Teoria Sintética da Evolução ..............................................................97
1.3.1. Um pouco de história: mutacionistas versus selecionistas .............97
1.3.2. A síntese evolutiva .........................................................................101
1.3.3.Premissas da teoria sintética..........................................................101
1.3.4. O polimorfismo genético ................................................................103
1.3.5.Os questionamentos à Teoria Sintética da Evolução .....................103
1.3.6. Teoria do Equilíbrio Pontuado .......................................................104
1.3.6.1. Inconsistências da Teoria do Equilíbrio Pontuado ........................01
1.3.7. Ajustes na Teoria Sintética ou Neodarwinismo ..............................106
1.3.8. Fatores que sustentam a Teoria Sintética da Evolução ................110
1.3.8.1. Mutações ....................................................................................110
1.3.8.2. Recombinação gênica ................................................................112
1.3.8.3. Seleção natural...........................................................................112
1.3.8.4. Migrações ...................................................................................112
1.3.8.5. Oscilação ou Deriva genética .....................................................113
Unidade III – Adaptação e especiação .................................................140
1. Adaptação ...........................................................................................143
1.1. Mecanismos para explicar a adaptação ...........................................144
1.2. Avanços na Evolução desde Darwin ................................................147
2. Genética de populações ......................................................................148
2.1. Variação entre populações ...............................................................150
2.2. As populações e o Equilíbrio de Hardy-Weimberg ...........................150
3. Especiação ..........................................................................................153
3.1. Introdução.........................................................................................153
3.2. Grupos de vida .................................................................................154
3.3. Relógios moleculares e evolução .....................................................155
3.4. Especiação e o conceito de espécie ................................................156
3.5. Outras definições de espécie ...........................................................157
3.6. Tipos de especiação .........................................................................158
3.7. Mecanismos evolutivos de especiação ............................................159
UNIDADE IV – Evolução e diversidade ................................................177
1. Filogenia ..............................................................................................179
1.1. Revelando a história da vida ............................................................179
1.2. O que é filogenia ..............................................................................180
1.3. Tipos de árvores filogenéticas ..........................................................180
1.4. Tipos de dados .................................................................................181
1.5. Cladística ..........................................................................................181FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
7
1.6. Formas e agrupamentos taxonômicos: grupos monofiléticos e 
merofiléticos ............................................................................................182
1.7. A teoria e a racionalidade da construção de árvores .......................186
1.8. Métodos de parcimônia ....................................................................187
1.9. Métodos de distância........................................................................187
1.9.1. Análise de Cluster..........................................................................187
1.9.2. Neighbor-joining ............................................................................187
1.9.3. Métodos de otimização..................................................................188
1.10. Métodos de probabilidade máxima.................................................188
1.11. Encontrando e avaliando árvores ...................................................188
1.12. Avaliando cladogramas: árvores de consenso estrito ....................189
1.13. Avaliando as árvores de distância e de máxima probabilidade ......189
1.14. Algumas dicas para avaliar árvores................................................189
1.15. A genealogia dos genes e a filogenia das espécies .......................190
2. Evolução dos seres vivos ....................................................................192
2.1. Origem da vida pluricelular ...............................................................192
2.2. A explosão do Cambriano.................................................................193
2.3. A evolução das plantas terrestres.....................................................195
2.4. A evolução dos animais vertebrados ................................................196
2.5. A evolução dos mamíferos ...............................................................197
3. Evolução humana ................................................................................200
3.1. Introdução.........................................................................................200
3.2. Os primatas e as origens do homem................................................201
3.3. Os ancestrais do homem desceram para o chão .............................202
3.4. Os humanos se originaram de ancestrais Australopithecus ............203
3.5. Os cérebros se tornaram estavelmente maiores..............................205
3.6. Os humanos desenvolveram a comunicação falada e a cultura ......206
3.7. A população humana cresceu rapidamente .....................................209
Referências ...........................................................................................220
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
9
UNIDADE 1
FUNDAMENTOS DA EVOLUÇÃO
 
OBJETIVOS
• Compreender os mecanismos que permitiram o surgimento da vida 
no planeta Terra.
• Entender o contexto histórico do processo evolutivo.
• Distinguir as principais evidências do processo evolutivo.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
11
I) Fundamentos da Evolução
1) Origem da vida
Uma das grandes dúvidas da humanidade consiste em entender 
sobre a origem da vida. Não é fácil compreender que a vida só teve como 
prosperar na Terra, único planeta do sistema solar a reunir condições para 
abrigar a vida e todas as suas variações. Na epopeia de tentar esclarecer 
como ocorreu o primeiro sopro de vida no planeta muitos insurgiram com 
suas explicações: algumas baseadas em crença, outras baseadas na 
química dos seres vivos, outras em uma combinação de fatores. Mas quem 
está com a verdade?
Os criacionistas explicam que toda a chave de elaboração dos 
seres vivos veio de uma força divina e inteligente, capaz de gerar à sua 
vontade um grande número de projetos de seres vivos, ajustados cada um 
ao seu ambiente, no que ficou conhecido como Criacionismo. 
SAIBA MAIS
A origem da vida na Terra é confirmada também por estudos 
realizados em outros corpos celestes, como planetas e satélites (“luas”) de 
outros planetas. Já foram enviadas várias sondas com robôs capazes de 
registrar o ambiente em Marte, por exemplo. Spirit, Oportunity e por último 
Curiositysão os nomes de algumas das sondas que coletam informações 
ambientais do planeta vermelho, sempre em busca de água e outros sinais 
que possam ter favorecido a vida naquele planeta. Na internet é possível 
encontrar imagens coletadas por estas sondas publicadas no site da Nasa 
e nos blogs de pesquisadores e outros curiosos, inclusive fazendo alusão a 
existência de seres vivos naquele planeta. Vale a pena conferir!
Outra corrente foi liderada pelo cientista sueco SvanteArrhenius. 
Ele sugeriu que a vida tenha chegado na forma de extraterrestres que aqui 
chegaram trazidos por meteoros ou cometas que se chocaram contra a 
Terra trazendo elementos semeadores da vida. Foi a ideia da Panspermia 
cósmica.
Evolução
12
A origem mais difundida na ciência aceita que a vida tenha 
começado a partir de uma série de reações químicas simultâneas, traçadas 
na aleatoriedade, das quais começaram a formar os primeiros aglomerados 
moleculares. Esta teoria foi proposta pelos cientistas Alexander I. Oparin 
e John Haldane, na qual a composição da atmosfera primitiva aliada às 
condições ambientais dominantes foram responsáveis pela formação das 
primeiras moléculas geradoras dos Coacervados. Estas organizações 
formaram o que antecedeu as atuais estruturas celulares, alimentando-se 
da incorporação de outros compostos moleculares mais simples, sempre de 
forma progressiva, até gerarem as primeiras formas de vida. Esta hipótese 
foi testada em laboratório pelo cientista Stanley Miller, em 1953. Miller 
reuniu os elementos previstos pela hipótese de Oparin como os típicos 
da atmosfera primitiva (metano, amônia, hidrogênio e vapor d’água) num 
sistema fechado e controlado e obteve moléculas orgânicas simplificadas.
Questiona-se, entretanto, como estas formas se nutriam. Na 
perspectiva da complexidade do Autotrofismo, inicialmente, previu-
se que as formas mais simplificadas absorviam moléculas presentes 
Fig. 1 – Stanley Miller e seu experimento.(Fonte: ucsdnews.ucsd.edu)
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
13
no meio, incorporando-as e usando a energia armazenada em suas 
ligações químicas, para seu consumo próprio. Entretanto, a descoberta da 
existência de bactérias quimioautotróficas no fundo dos oceanos sugere 
que a vida possa ter iniciado seu processo de nutrição por mecanismos 
quimiossintetizantes bem simplificados. 
ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM
01) Alguns grupos de animais tiveram maior proliferação em certas épocas 
ao longo do tempo em que se deu a Evolução do planeta Terra. O domínio 
dos dinossauros ocorreu na era
a) Arqueozoica.
b) Proterozoica.
c) Paleozoica.
d) Mesozoica.
e) Cenozoica.
02) As eras geológicas que correspondem ao aparecimento de 
répteis gigantescos e ao soterramento de extensas florestas são, 
respectivamente, a:
a) Cenozoica e mesozoica.
b) Mesozoica e paleozoica.
c) Paleozoica e proterozoica.
d) Proterozoica e paleozoica.
e) Paleozoica e mesozoica.
03) Os primeiros seres vivos que surgiram nos mares do remoto período 
pré-cambriano foram:
a) Bactérias.
b) Algas.
c) Peixes.
d) Vírus.
Evolução
14
04)Organismos atuais carregam suas informações genéticas em 
moléculas de ácidos nucléicos — DNA e RNA — e usam essencialmente 
o mesmo código genético, que especifica a sequência de aminoácidos de 
todas as proteínas. Entretanto, sabe-se que a síntese de ácidos nucléicos 
ocorre somente com a participação de proteínas, e a fabricação destas 
depende da ação dos ácidos nucléicos. Aparentemente, não se pode ter 
uma dessas substâncias sem a outra. Tal questão encerra um paradoxo: 
como, durantea origem da vida, surgiu esse sistema interdependente de 
proteínas e ácidos nucléicos? Pode-se mesmo pensar que a vida não 
poderia ter-se originado por meios químicos. (…)
No final da década de 60, Carl Woese, Francis Crick e Leslie Orgel 
sugeriram, independentemente, uma maneira de resolver essa situação. 
Eles propuseram que o RNA poderia ter aparecido primeiro e estabelecido o 
que é chamado “mundo do RNA”, um mundo no qual o RNA catalisaria todas 
as reações necessárias para que os organismos ancestrais sobrevivessem 
e se replicassem.
Para que isso tivesse acontecido, esses autores observaram que 
o RNA pré-biótico deveria ter duas propriedades que não existem hoje: 
a capacidade de se replicar sem o auxílio de proteínas e a habilidade de 
catalisar cada passo da síntese protéica.
ORGEL, L. “The origin of life on the earth”. In: Scientific American, 
out./94, p. 271-4 (c/ adapt.)
Com base no texto, julgue os itens a seguir como certos ou errados.
( ) A vida não se originou a partir de compostos químicos, pois os ácidos 
nucléicos precisam das proteínas para se formar e vice-versa.
( ) As idéias de Woese, Crick e Orgel contrariam os experimentos de 
Stanley Miller, nos quais se demonstrou que os aminoácidos formaram-se 
a partir da atmosfera primitiva.
( ) No citado “mundo do RNA”, os organismos primitivos usariam moléculas 
de RNA para diminuir a energia necessária para a realização de reações 
químicas.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
15
( ) Se a hipótese do RNA como primeira molécula de hereditariedade for 
comprovada, será correto afirmar que os retrovírus, que têm o RNA como 
material genético, são os organismos mais antigos do planeta.
( ) As informações contidas no texto não excluem a hipótese de meteoritos 
terem trazido compostos orgânicos para a Terra, os quais, encontrando 
condições favoráveis, deram origem à vida.
05) A vida surgiu na Terra, acidentalmente, graças a ocorrência simultânea 
de um conjunto de fatores. As condições existentes na superfície da Terra 
permitiram o aparecimento da complexidade essencial à vida. A Terra 
constitui um lugar especial do Universo.
(LEMOS et al., p. 46-9 – texto adaptado)
A singularidade da Terra como local onde a vida teve origem 
pressupõe:
(01) a existência de uma atmosfera extremamente oxidante, permitindo as 
combustões geradoras de energia para a vida.
(02) a abundância de compostos contendo carbono, hidrogênio e oxigênio, 
elementos que integram todas as moléculas orgânicas.
(04) a síntese de moléculas orgânicas que levaram à formação imediata de 
uma célula com características primitivas.
(08) a ocorrência de uma série de reações químicas que conduziram à 
formação de moléculas orgânicas com capacidade catalítica e replicativa.
(16) a formação de uma espessa camada de ozônio, criada logo após 
a formação da Terra, que protegia as primeiras células das radiações 
ultravioletas. 
(32) a disponibilidade de energia luminosa, prontamente assimilada pelos 
protobiontes na produção de seu próprio alimento.
(64) a escassez de água, constituindo o único ambiente adequado à 
ocorrência de sínteses por desidratação, imprescindíveis à formação de 
biopolímeros.
Evolução
16
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
06) Num experimento relativo à origem dos seres vivos, três frascos, A, B 
e C, com caldo de carne, foram fervidos e preparados conforme a figura 
abaixo.
 
Após algum tempo, só se observou a existência de microorganismos 
no frasco A. Assinale a alternativa INCORRETA sobre esse experimento.
a) Como a rolha do frasco B impede a entrada de oxigênio, não é 
possível o surgimento de seres vivos.
b) Os microorganismos presentes no frasco A são provenientes de 
outros existentes no ar.
c) A fervura dos frascos tem como objetivo a destruição de 
microorganismos presentes no caldo de carne.
d) A curva existente no tubo do frasco C retém os microorganismos, 
impedindo que eles alcancem o caldo.
e) Um experimento semelhante a esse foi idealizado por Pasteur, 
que conseguiu comprovar a teoria da Biogênese.
07) Em 1950, Stanley Miller colocou num sistema de tubos e 
balões de vidro uma mistura de metano, amônia, água e hidrogênio. 
Essas substâncias, ao circularem pelos tubos e balões, eram submetidas 
a descargas elétricas e grandes variações térmicas. Após alguns dias, ele 
obteve os dois gráficos abaixo:
 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
17
Esse experimento permitiu que Miller demonstrasse que, na 
atmosfera primitiva, pela ação de raios e variações térmicas, seria possível 
a formação de:
a) substâncias orgânicas a partir da energia elétrica dos raios.
b) substâncias orgânicas a partir de moléculas simples pela ação da energia 
elétrica dos raios.
c) substâncias simples, pois a energia das descargas elétricas se materializa.
d) substâncias simples a partir de substâncias orgânicas.
e) coacervados a partir de substâncias simples.
08) Leia com atenção o texto abaixo da autoria de Oparin, 1968:
“Miller, no seu bem conhecido trabalho publicado em 1953, 
obteve dados fundamentais sobre a formação dos aminoácidos quando 
um mistura gasosa, simulando uma possível composição da atmosfera 
primária da Terra, era submetida a descargas elétricas. Miller fez saltar 
faísca e descargas silenciosas durante uma semana numa mistura de CH4, 
NH3, H2 e vapor de água em circulação constante, e encontrou na mistura: 
glicina, alanina, ácidos a – aminoisobutírico, b – alanina, ácidos aspártico 
e glutâmico, sarcosina e NCN3-alanina. Os produtos intermediários da 
reação foram aldeídos e HCN”.
O clássico experimento de Miller veio reforçar a teoria segundo a 
qual a vida na Terra:
a) foi criada por Deus, exatamente como está descrito no Gênese, primeiro 
Evolução
18
livro da Bíblia.
b) surgiu pelo transporte casual para o nosso planeta de microrganismos 
completamente organizados provenientes de outros mundos.
c) originou-se pela semeadura intencional de microrganismos por seres 
inteligentes de outros mundos.
d) iniciou-se pela síntese de monômeros e sua posterior polimerização, 
seguindo-se o surgimento dos primeiros seres vivos.
e) iniciou-se pela chegada à Terra de compostos orgânicos presentes em 
meteoritos e cometas.
09) Na figura abaixo, temos representado um aparelho projetado por 
Stanley Miller, no início da década de 1950. Por esse aparelho circulavam 
metano, amônia, vapor de água e hidrogênio e, através de energia fornecida 
por descarga elétrica, produtos de reações químicas como aminoácidos, 
carboidratos e ácidos graxos eram coletados no alçapão. Através desse 
experimento, Miller testou a hipótese de que, na atmosfera primitiva, pela 
ação de raios,
a) compostos orgânicos puderam se formar a partir de moléculas simples.
b) compostos inorgânicos puderam se formar a partir de moléculas 
orgânicas.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
19
c) compostos inorgânicos e orgânicos puderam originar os primeiros seres 
vivos.
d) macromoléculas puderam se formar a partir de moléculas orgânicas 
simples.
e) coacervados puderam se formar a partir de moléculas inorgânicas.
10) Em 1860, Pasteur conseguiu uma vitória para a teoria da biogênese, 
enfraquecendo a confiança na abiogênese, com uma experiência simples 
e completa. Analise o esquema dessa experiência, mostrado a seguir, e 
descreva sucintamente o objetivo de cada etapa como também a conclusão 
da experiência.
11) Sobre a origem e a evolução dos primeiros seres vivos é CORRETO 
afirmar que:
a) a atmosfera da Terra primitiva era composta principalmente de metano, 
oxigênio e vapor d’água.
b) os primeiros organismos eram autotróficos.
c) os primeiros organismos a conquistar o ambiente terrestre foram os 
répteis.Evolução
20
d) os primeiros invertebrados viviam exclusivamente no mar.
12) O texto a seguir faz referência à origem da vida na Terra
“O processo metabólico no qual os seres empregam energia luminosa na 
produção de compostos orgânicos exige um grau elevado de complexidade 
estrutural e funcional. Isso implica que os primeiros seres vivos possuíam 
um sistema enzimático bastante desenvolvido”.
 
Marque a alternativa que associa corretamente o texto à teoria sobre a 
origem da vida.
a) Abiogênese
b) Panspermia dirigida
c) Hipótese autotrófica
d) Biogênese
e) Associação endossimbiótica
13) Existem teorias sobre a origem da vida na Terra que relacionam 
a constituição química de componentes celulares dos seres vivos da 
atualidade com evidências geológicas. A presença de átomos de hidrogênio, 
oxigênio, carbono e nitrogênio nas moléculas dos seres vivos pode estar 
relacionada com a abundância, na atmosfera primitiva da Terra, das 
seguintes substâncias:
a) gás nitrogênio, gás oxigênio, gás carbônico e vapor d’água.
b) nitrato de potássio, mercúrio, ácido clorídrico e metano.
c) cloro-flúor-carbono, nitratos, gás oxigênio e cloreto de sódio.
d) vapor d’água, gás hidrogênio, gás metano e amônia.
e) gás metano, ácido cianídrico, cloro-flúor-carbono e vapor d’água.
14) Nos primórdios da vida em nosso planeta, ocorreram dois fatos que se 
encontram intimamente relacionados. São eles
a) quimiossíntese e aparecimento dos vírus.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
21
b) formação dos mares e extinção dos anaeróbios.
c) fotossíntese e vida aeróbia.
d) formação de argilas e origem das algas.
e) coacervação e evolução dos poríferos.
15)Instrução: Responder à questão com base nos eventos relativos à 
origem da vida em nosso planeta.
I. Aumento gradativo da concentração de O2 na atmosfera.
II. Aparecimento dos organismos heterótrofos.
III. Surgimento de organismos com capacidade de utilizar energia luminosa.
A ordem em que esses eventos ocorreram mais aceita na atualidade está 
contida na alternativa
a) I – II – III d) II – III – I
b) I – III – II e) III – II – I
c) II – I – III
GABARITO:
01) D; 02) B; 03) A; 04) E-E-C-E-C; 05) 02+08=10; 06) E; 07) B; 08) 
D; 09) B; 10) Etapa 1: colocou solução nutritiva em frasco com acesso ao ar, 
com o objetivo de fornecer condições para que os microorganismos, sempre 
presentes nas mãos, no solo e no ar, não perdessem a vitalidade. Etapas 
2 e 3: curvou o gargalo do frasco, na forma de “S” para dificultar a entrada 
de mais ar contaminado depois da fervura, que foi feita com o objetivo de 
esterilizar a solução, e ao mesmo tempo permitir que os vapores saíssem 
livremente pela estreita abertura superior do gargalo. Etapa 4: em seguida, 
deixou o frasco esfriar, e observou que o líquido em tal frasco permaneceu 
imutável indefinidamente. Parecia que o ar comum, entrando com força 
durante os primeiros momentos do resfriamento, deveria penetrar no frasco 
num estado de completa impureza. Isto é verdade, mas ele encontra um 
líquido numa temperatura ainda próxima do ponto de ebulição. A entrada 
do ar ocorre, então, mais vagarosamente e, quando o líquido se resfriou 
Evolução
22
suficientemente, a ponto de não ser mais capaz de tirar a vitalidade dos 
germes, a entrada de ar será lenta, de maneira a deixar nas curvas úmidas 
do pescoço toda a poeira e germes capazes de agir nas infusões. Etapa 
5: Pasteur pôde, então provar que, apesar do líquido ter sido fervido, ele 
ainda possuía a capacidade de manter vida se um organismo fosse nele 
introduzido, com a quebra do gargalo; 11) D; 12) C; 13) D; 14) C; 15) D.
 
Leitura complementar
Quer aprender mais sobre o assunto? Que tal ler mais nos endereços 
abaixo? Você encontrará, numa linguagem acessível mais sobre o assunto.
Experimente: 
De sopa a células – a Origem da Vida (http://www.ib.usp.br/evosite/
evo101/IIE2aOriginoflife.shtml)
Para aprender mais
Se você quiser se aprofundar mais no assunto existem leituras 
indispensáveis. Veja no quadro a seguir:
2. Histórico da Evolução1 
2.1. A evolução dos seres vivos como um problema científico
A ciência lida com a possibilidade de responder perguntas. Para 
que a ciência ou um cientista se preocupe com um assunto é preciso que 
A Origem da Vida – 
obra de Alexander I. 
Oparin. É considerado 
um clássico sobre 
o assunto. Toda a 
descrição da teoria 
de origem da vida 
publicada pelo 
pelo pesquisador 
russo encontra-se 
nesta obra ainda 
encontrada nos sebos 
e algumas livrarias 
do país.
Ab Initio: Origem da 
vida e Evolução – obra 
do Prof. Franklin David 
Rumjanek, colunista da 
Revista Ciência Hoje e 
da Universidade Federal 
Fluminense, da área de 
Bioquímica. Um livro de 
linguagem leve, mas 
capaz de prender o leitor 
até o final, trazendo 
detalhes moleculares 
sobre o processo de 
formação das primeiras 
formas de vida que 
habitaram a Terra.
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23
existam dúvidas sobre ele e que existam perguntas para as quais não 
existam respostas satisfatórias.
Quanto à origem e à diversificação dos seres vivos, até o inicio 
do século XVIII, havia uma explicação que satisfazia os estudiosos e, 
portanto, não era um problema que deveria ser investigado. A explicação 
de que tudo teria sido projeto e obra de um Criador onipotente era perfeita 
e incontestável. A teoria do Fixismo das espécies, dominante na época, 
propunha que as espécies teriam sido criadas com a mesma forma e 
estrutura atuais, e seriam imutáveis, fixas.
Considerando o Fixismo das espécies como verdadeiro, Linneu 
(1707 – 1778) criou o código de nomenclatura, SystemaNaturae, publicado 
em 1735, como uma maneira de catalogar e organizar a classificação 
das espécies. A ele é atribuída a frase “Deus creavit, Linnaeusdisposuit” 
(Deus criou, Linneu organizou). Chegou-se a imaginar na época que, com 
certo esforço, chegaria o momento em que todas as espécies existentes 
no mundo teriam sido descritas e seria possível ter uma ideia de toda a 
obra do criador em relação à vida. Mesmo a importante viagem de Charles 
Darwin iniciada em 1831, a bordo do navio Beagle, coletando amostras da 
fauna e flora por onde passava, tinha como objetivo inicial uma catalogação. 
O lema da viagem do Beagle era: ad majorem Dei gloriam (para maior 
gloria de Deus). Apesar disso, para muitos autores Lineu é considerado um 
precursor do evolucionismo, tendo em vista que pela primeira vez incluiu o 
Homem na sua classificação, como pertencente ao Reino Animal.
Em Biologia existem os fatos. Os biólogos tentam encontrar 
explicações para os fatos. Assim, inicialmente fazem hipóteses, as mais 
lógicas possíveis. Se a hipótese for confirmada, vira uma teoria. Se a teoria 
for sempre confirmada, vira uma lei. Quando uma teoria deixa de explicar 
os fatos, precisa ser revista e, eventualmente, alterada. Impossível é mudar 
os fatos. 
Em pesquisa biológica, os fatos são revelados pelos dados, tanto 
os coletados na natureza como os resultantes de experimentos e, quando 
não estão de acordo com a teoria, nunca devem ser alterados para serem 
ajustados a ela. A coleta ou o experimento devem ser refeitos. Nunca 
1 Com base no texto de Sene (2009).
se deve descartar a possibilidade de uma teoria estar errada. Foi o que 
aconteceu no final do século XVIII e durante o século XIX.
A teoria do Fixismo das espécies começou a não explicar os fatos, 
fazendo com que a origem dos seres vivos passasse a ser um problema 
a ser investigado cientificamente. Vários eventos foram responsáveis pela 
deflagração dos processos de contestação e, entre eles, dois fatores devem 
ser destacados:
Enquanto os taxonomistas trabalhavam apenas com a fauna 
e a flora da Europa, a distinção entre as espécies era maisfácil. Com a 
ampliação das coletas para a Ásia e outros continentes, começou-se a 
observar que os seres vivos apresentavam diferenças de uma região para 
outra, o que se convencionou chamar de variação geográfica.
A variação tanto podia ser gradual, criando um gradiente de variações 
contínuas, como ser abrupta, com variação descontínua. Começou a ficar 
difícil estabelecer até que ponto as diferenças entre os organismos distantes 
geograficamente eram suficientes para que eles fossem classificados como 
espécies diferentes, abalando o conceito de Fixismo. 
Além da dificuldade para decidir os limites da espécie, com 
base no Fixismo, começou a ficar ainda mais difícil explicar a origem da 
variação geográfica. A enorme diversidade de seres vivos encontrada, a 
partir da ampliação da área de observação para além da Eurásia, tornou 
difícil a manutenção de crenças até então indiscutíveis e, além do Fixismo 
das espécies, também foi abalada a lenda da Arca de Noé. São muitas 
as histórias incríveis nas quais a humanidade já acreditou por falta de 
informação e de conhecimento.
Era o fim da inquisição religiosa e o aparecimento de filósofos do 
movimento conhecido como Iluminismo, entre eles, Voltaire (1694 – 1778), 
Rousseau (1712-1778), Diderot (1713-1784), d`Alembert (1717-1783). 
Fator 1 - A ampliação territorial das coletas biológicas, possível graças à 
expansão das navegações.
Fator 2 - O momento histórico/cultural da época.
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25
A pesquisa cientifica, como hoje é conhecida, teve início nessa época, 
baseada nas afirmações de que o uso leigo da razão, na pesquisa filosófica 
e científica, tinha como missão comum:
a) promover o saber antimetafísico, fundado no sucesso de método 
experimental;
b) banir os preconceitos e as superstições;
c) fazer triunfar o espírito de tolerância;
d) iluminar as consciências;
e) difundir, em todos os estratos sociais, a educação e a cultura;
f) reformar as instituições;
g) limitar a influência das igrejas nos Estados e na educação.
Daquele movimento fez parte o método científico de Descartes 
(René Descartes, 1596-1650) que, em síntese, diz o seguinte:
a) Jamais aceitar como exata coisa alguma da qual não se conheça a 
evidência como tal, evitando a precipitação e só fazendo o espírito aceitar 
aquilo, claro e distinto, sobre o qual não pairem dúvidas;
b) Dividir cada dificuldade a ser examinada em quantas partes forem 
possíveis e necessárias para resolvê-la;
c) Pôr em ordem os pensamentos, começando pelos mais simples e mais 
fáceis de serem conhecidos, para atingir, aos poucos, os mais complexos;
d) Fazer, para cada caso, uma enumeração tão exata e uma revisão tão 
ampla e geral para se ter a certeza de que não se tenha esquecido ou 
omitido algo.
A partir do final do século XVIII, naquele ambiente cultural, a 
discussão sobre a origem das espécies e ou origem da diversidade biológica 
intensificou-se no meio científico.
Evolução
26
ATIVIDADES 
 
16)Julgue as afirmativas como verdadeiras ou falsas:
“Quando se fala em Origem e Evolução dos Seres Vivos, os 
cientistas, tanto os atuais como os antigos, sentem uma curiosidade imediata 
em apresentar teorias sem deixar dúvidas”. A figura abaixo representa a 
situação existente na Terra alguns bilhões de anos atrás. 
( ) A teoria de Oparin ou teoria naturalista diz-nos que o surgimento dos 
primeiros seres vivos deu-se pela combinação química e física dos fatores 
exemplificados nas figuras.
( ) Os primeiros seres a surgir na Terra eram seres heterotróficos de 
respiração anaeróbica. Consideramos seres heterotróficos aqueles 
com capacidade de produzir diferentes tipos de alimentos e respiração 
anaeróbica por causa da ausência de oxigênio na atmosfera primitiva.
( ) As primeiras células a serem formadas eram células primitivas, ou 
seja, tanto o tamanho quanto o seu funcionamento eram bastante limitados, 
contendo poucas organelas. Desta forma, as primeiras células a surgirem 
eram eucarióticas.
( ) Como não havia muita organização nas primeiras células, eram 
encontrados, com frequência, grupos de células unidas entre si, formando 
colônias.
( ) Com a evolução e o surgimento de novos seres vivos, identificou-se a 
necessidade de sua classificação. A divisão foi realizada em reinos: Monera 
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27
(representado pelas bactérias e cianobactérias); Protista (protozoários); 
Fungi(fungos); Metaphyta(todos os vegetais) e Metazoa(todos os animais).
( ) Os Vírus não possuem reino definido, por não serem considerados 
seres vivos, em razão da completa ausência de metabolismo, replicação e 
estrutura celular.
17) Considere os princípios biológicos que sustentam a existência dos 
seres vivos na Terra e a possibilidade, no futuro, de uma sonda espacial 
vir a transmitir dados de outro planeta, indicando a presença de sais 
minerais, água, gás carbônico, uréia e oxigênio. Qual das argumentações 
relacionadas abaixo poderia ser biologicamente interpretada como a mais 
coerente com a suposição de existência de vida nesse outro planeta?
a) A presença de oxigênio é uma prova irrefutável, porque todo ser vivo 
depende dele para respiração.
b) A água, simplesmente pela sua presença, já é uma prova da existência 
de vida.
c) Embora possa ser produzida artificialmente, a uréia é uma boa pista, 
considerando a sua natureza orgânica.
d) Os sais minerais comprovam a presença de vida, pois os fósseis 
encontrados na Terra são constituídos de carbonatos e fosfatos.
e) A detecção de gás carbônico revela a presença de reações fotossintéticas, 
e consequentemente a presença de plantas.
18)Em quase todos os seres vivos, as enzimas que participam da glicólise 
são muito semelhantes quanto à sequência de aminoácidos e quanto à 
estrutura espacial. Isto constitui uma evidência de que todos os seres vivos 
se originam de:
a) múltiplos ancestrais.
b) um ancestral comum eucarioto.
c) Um ancestral eucarioto
d) Um ancestral comum.
e) Múltiplos ancestrais eucariotos.
Evolução
28
19)Supõe-se que na atmosfera primitiva da Terra não havia oxigênio, nem 
mesmo dissolvido na água dosmares. Consequentemente, os processos 
metabólicos dos primeiros seres vivos deveriam ser muito simples.Eles 
utilizavam como fonte de energia e matéria-prima o alimento já pronto e em 
abundância aoseu redor. Posteriormente, com as mudanças nas condições 
ambientais, surgiram seres capazes de utilizara energia luminosa, o CO2 e 
a água, para fabricar seus alimentos, liberando oxigênio no ar. A partirdaí, 
foram criadas as condições para o surgimento de seres que utilizavam esse 
gás para degradar os alimentos.
O texto está se referindo à:
a) teoria da biogênese.
b) hipótese autotrófica.
c) teoria da panspermia.
d) hipótese heterotrófica.
e) teoria da geração espontânea.
20) Sobre a origem da vida, uma das maiores dúvidas referia-se à produção 
do alimento utilizado pelos primeiros seres vivos. Duas hipóteses tentam 
explicar como eles conseguiam obter e degradar o alimento para sua 
sobrevivência. Sobre essas hipóteses, é correto afirmar.
a) Um processo importante para a hipótese autotrófica foi o aparecimento 
da fotossíntese, realizado por algas e plantas, que sintetizam seu próprio 
alimento a partir do O2 e H2O.
b) A via metabólica mais simples para degradar alimento sem O2 é a 
fermentação.
c) Por meio da respiração, o alimento é degradado em O2 e H2O.
d) São autotróficos alguns tipos de bactérias, algumas algas e todas as 
plantas atuais.
e) São heterotróficos alguns fungos, todas as bactérias, os protozoários e 
os animais.
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21) Nas condições da atmosfera primitiva, faça 
uma simulação do experimento históricoe típico de 
Stanley Lloyd Miller (1930), que teria reproduzido 
o surgimento das moléculas orgânicas essenciais 
à vida. Use o desenho esquemático abaixo para 
responder às indagações:
I. Quais os gases que simulavam a mistura submetida 
às descargas elétricas (3), no experimento de 
Miller? Coloque-os no compartimento 1.
II. Qual a substância que foi colocada no 
compartimento 2, para aquecimento (4)?
III. Quais as prováveis moléculas orgânicas simples 
que poderiam ter representantes retidos no espaço 
5?
Marque a alternativa que contém somente dados corretos, seguindo a sequência 
das indagações.
a) I – COO2, CHO4, NH2, H2; II – H2O2; III - Amido, nucleotídeos, glicogênio e 
polipeptídios.
b) I – CO2, CH3, NH2, H3; II – H2O2; III - Amônia, proteínas, ácidos nucléicos e 
vitaminas.
c) I – COO2, CH4, NH2, H2; II – H2O; III - Coacervados, proteínas, ácidos nucléicos 
e polipeptídios.
d) I – CO2, CH3, NH2, H2; II – H2O; III- Sacarose, coacervados, aminoácidos e 
proteínas.
e) I – CH4, H2, NH3; II – H2O; III - Glicina, alanina, sarcosina, purinas e pirimidinas.
22) Leia o texto a seguir da autoria de Oparin, 1968. 
“Miller, no seu bem conhecido trabalho publicado em 1953, obteve dados 
fundamentais sobre a formação dos aminoácidos quando uma mistura 
gasosa, simulando a possível composição da atmosfera primitiva da Terra, 
era submetida a descargas elétricas. Miller fez saltar faísca e descargas 
silenciosas durante uma semana numa mistura de CH4, NH4, H3 e vapor 
de água em circulação constante, e encontrou na mistura: glicina, alanina, 
Evolução
30
ácidos α–aminobutírico e α–aminoisobutírico, β–alanina, ácidos aspártico 
e glutâmico, sarcosina e NCN3-alanina. Os produtos intermediários da 
reação foram aldeídos e HCN”. 
O clássico experimento de Miller veio reforçar a teoria segundo a 
qual a vida na Terra: 
a) foi criada por Deus, exatamente como está descrito no Gênese, primeiro 
livro da Bíblia. 
b) surgiu pelo transporte casual para o nosso planeta de microrganismos 
completamente organizados, provenientes de outros mundos. 
c) originou-se pela semeadura intencional de microrganismos por seres 
inteligentes de outros mundos. 
d) iniciou-se pela síntese de monômeros e sua posterior polimerização, 
seguindo-se o surgimento dos primeiros seres vivos. 
e) iniciou-se pela chegada à Terra de compostos orgânicos presentes em 
meteoritos e cometas. 
23) Duas teorias científicas modernas foram apresentadas para explicar 
a origem da vida na Terra após a queda definitiva da teoria da geração 
espontânea. Na 1ª teoria, as moléculas da vida teriam chegado à Terra por 
fontes extraterrestres; já, na 2ª, a vida é resultado de evolução química na 
Terra. Sobre esse assunto, analise as proposições abaixo.
I. A teoria da evolução química, também conhecida como teoria da 
evolução molecular, foi inicialmente proposta pelo biólogo T. Huxley (1825-
1895), retomada e aprofundada pelo também biólogo J. B. Haldane (1892-
1964) e pelo bioquímico A. Oparin (1870- 1980);
II. As ideias sobre a 1ª teoria surgiram no século XIX e no princípio 
do século XX e tiveram como seus primeiros defensores o físico W. Thomson 
(1824-1907) e o químico S. A. Arrhenius (1859-1927);
III. As duas teorias modernas não são antagônicas, pois, mesmo 
os defensores da origem extraterrestre, entre outras questões, admitem 
que, onde quer que a vida tenha surgido, o processo deve ter ocorrido por 
evolução molecular;
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31
IV. Os defensores da teoria da evolução química argumentam que água 
líquida, moléculas orgânicas e fonte de energia para as reações químicas 
já existiam na terra primitiva, não sendo necessário, portanto, recorrer à 
possibilidade de viagens interplanetárias de seres ancestrais para explicar 
a origem da vida na Terra.
A opção CORRETA é:
a) Somente I e IV estão corretas.
b) Somente I, II e IV estão corretas.
c) Somente II e III estão corretas.
d) Somente II, III e IV estão corretas.
e) Todas as proposições estão corretas.
24) Avanços no conhecimento científico levantaram dúvidas sobre as ideias 
da criação divina e do surgimento da vida por mecanismos não reprodutivos. 
Em meados do século XIX, experimentos científicos ocasionaram alterações 
no entendimento sobre a origem dos seres vivos. Marque a alternativa que 
contempla o experimento que forneceu evidências irrefutáveis de que os 
seres vivos surgem somente pela reprodução de seres da mesma espécie.
a) Camisas sujas cobertas com grãos de trigo foram guardadas por 
vinte dias até o aparecimento de ratos.
b) Caldos nutritivos à base de carne foram colocados em diversos 
frascos e fervidos por 30 minutos e imediatamente vedados com rolhas 
de cortiça e, depois de vários dias, os caldos estavam repletos de seres 
microscópicos.
c) Caldos nutritivos à base de carne foram colocados em frascos 
com gargalos esticados e curvados, e fervidos até sair vapor pelas 
extremidades, e com o resfriamento as partículas em suspensão no ar 
ficaram retidas nas paredes do gargalo.
d) Caldos nutritivos à base de carne foram colocados em frascos 
vedados com rolhas de cortiça e em frascos vedados hermeticamente, e 
em seguida fervidos por muito tempo e após alguns dias foram observados 
microrganismos nos frascos com cortiça.
Evolução
32
e) Caldos nutritivos à base de carne foram colocados em frascos abertos 
e frascos tampados com pergaminhos e após alguns dias o conteúdo dos 
frascos destampados estava repleto de microrganismos.
25) Sobre a origem dos primeiros seres vivos, analise as afirmativas a 
seguir.
I. A formação dos coacervados pode ter sido um dos primeiros passos rumo 
ao aparecimento da vida no planeta Terra.
II. Organização biológica e reprodução são os dois atributos fundamentais 
para que os coacervados sejam considerados seres vivos.
III. A alimentação dos primeiros coacervados divide a opinião dos cientistas 
que admitem duas hipóteses explicativas: a heterotrófica, que sugere que os 
coacervados eram capazes de fabricar seu próprio alimento, e a autotrófica, 
que sugere que os primeiros seres vivos usavam as substâncias orgânicas 
já disponíveis no meio, sem condições de produzi-las.
Assinale a alternativa correta.
a) Somente I é verdadeira.
b) Somente II é verdadeira.
c) Somente III é verdadeira.
d) Somente I e II são verdadeiras.
e) Somente II e III são verdadeiras.
26) Dentre as várias hipóteses formuladas para explicar a origem da vida 
na Terra, a mais aceita atualmente é a hipótese heterotrófica, proposta pelo 
bioquímico russo A. I. Oparin, em 1938, que tenta explicar o surgimento 
da vida como uma evolução dos processos bioquímicos com o surgimento 
e a evolução dos organismos responsáveis por estes processos. Os três 
principais processos bioquímicos estão enumerados a seguir: 
1. Respiração aeróbica 
2. Fotossíntese 
3. Fermentação 
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Assinale a alternativa que indica a sequência correta de surgimento 
desses processos, de acordo com a hipótese heterotrófica. 
a) 1, 2, 3 
b) 2, 1, 3 
c) 3, 1, 2 
d) 1, 3, 2 
e) 3, 2, 1 
27) Assinale a alternativa correta:
a) A experiência de Francesco Redi foi um marco na comprovação da teoria 
da geração espontânea.
b) Deve-se a Pasteur, entre outros, método de esterilização de alimentos, 
vacina antirrábica e vacina anti-antraz.
c) Diferentemente de Pasteur, o cientista inglês Needham era um defensor 
da teoria “biogênese”.
d) O frasco em pescoço de cisne comprovou a existência do “princípio vital”, 
tanto defendido por Pasteur.
e) Oparin comprovou a teoria da geração espontânea.
28) Sabe-se hoje que os primeiros seres vivos a habitarem nosso planeta 
surgiram nos mares e eram estruturas bastante simples, caracterizadaspor 
serem:
a) Autotróficos
b) Heterotróficos por saprobiose.
c) Eucarióticos
d) Aeróbicos
e) Protistas
29)As afirmativas abaixo descrevem alguns fatos que ocorreram durante a 
formação do planeta e dos seres vivos.
Evolução
34
I. Os continentes fragmentaram-se, originando dois blocos separados por 
um estreito braço de mar.
II. O planeta foi dominado pelos répteis, principalmente os dinossauros.
III. As plantas com flores começaram a aparecer.
IV. Ao mesmo tempo em que ocorria o início da extinção dos répteis, havia, 
nos céus, a ocupação das aves e, na terra, a expansão dos mamíferos.
V. O clima foi amenizado, quando as montanhas começaram a se formar.
Assinale a alternativa que contempla corretamente a Era Geológica 
acima descrita.
a) Mesozoica. 
b) Paleozoica. d) Pré-Cambriana.
c) Cenozoica. e) Arqueozoica.
30) Qual das proposições abaixo contém informações CORRETAS sobre a 
origem da vida no planeta:
a)A queda da teoria da abiogênese só foi possível graças aos experimentos 
de Leeuwenhoek em meados do séc. XVII, com o microscópio.
b)Francesco Redi, em meados do século XVIII formulou o conceito da “força 
vital”, através de experimentos com cadáveres de animais acondicionados 
em frascos abertos e outros vedados com gaze.
c)LazzaroSpallanzani, grande defensor da teoria da abiogênese, ficou 
conhecido por seus experimentos com “caldos nutritivos” submetidos a 
várias fervuras, que deram origem a vários tipos de microorganismos.
d)John Needham em 1745 refez os experimentos de Spallanzani e concluiu 
que a presença de microorganismos nos frascos contendo o “caldo nutritivo”, 
devia-se ao tempo de fervura e ao tipo de vedação utilizada.
e)Louis Pasteur em 1862, utilizando frascos do tipo “pescoço de cisne”, 
cujo formato impedia o contato da poeira com o interior do mesmo, ferveu 
caldo de carne e conseguiu conservá-lo estéril, mesmo com a entrada de ar 
(condição indispensável segundo os adeptos da geração espontânea para 
surgimento da vida em matéria inanimada). Após alguns meses permitiu 
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o contato entre o caldo e a poeira de onde surgiram microorganismos, 
possibilitando assim o fim da teoria da abiogênese.
GABARITO:
16) VFFFVVF; 17) B; 18) D; 19) D; 20) B; 21) E; 22) D; 23) D; 24) 
C; 25) A; 26) E; 27) B; 28) B; 29) A; 30) E.
 
Leitura complementar
Quer aprender mais sobre a história evolutiva da vida? Que tal ler 
mais no endereço abaixo? Você encontrará, numa linguagem acessível 
mais sobre o assunto.
Veja: 
A história evolutiva da vida (http://pt.wikipedia.org/wiki/
Hist%C3%B3ria_evolutiva_da_vida).
2.2. Os criacionistas
Embora a ciência já tenha explicação bem comprovada do 
processo de evolução biológica, a maioria da humanidade ainda acredita 
que tenha havido um planejamento, uma intervenção divina. É normal que 
uma pessoa, sem conhecimento, ao se confrontar com a dúvida sobre a 
origem da vida, sobre a origem das espécies, pense exatamente como 
na Idade Média, que tudo seja obra de um Criador, que tenha seguido um 
planejamento inteligente perfeito.
A falta de conhecimento sobre um assunto não aprendido é algo 
completamente natural. O problema da compreensão do processo evolutivo, 
é que existe resistência ao seu ensinamento e aprendizado, pois teme-se 
que esse conhecimento possa abalar a fé religiosa das pessoas. Embora 
essa resistência seja bem conhecida como existindo nos Estados Unidos, 
aqui no Brasil, não estamos livre dela. 
Evolução
36
2.2.1. Categoria de criacionistas
Embora a designação criacionista seja aplicada de forma geral 
a todos que acreditam que os seres vivos não têm uma origem natural, 
existem diferenças entre eles.
As principais categorias de criacionistas são:
a) Os que aceitam literalmente o texto bíblico; acreditam em Adão e 
Eva; no dilúvio e na Arca de Noé; creem que os fósseis de animais extintos, 
como os dinossauros, por exemplo, decorrem do fato de Noé ter deixado 
alguns animais fora da arca; recusam os dados de datação geológica e 
acreditam que a Terra tenha no máximo 10.000 anos;
b) Há os que acreditam na datação geológica e argumentam que 
os tais seis dias da criação seriam simbólicos e que cada dia poderia durar 
milhões de anos;
c) Outros admitem a mutação, a seleção natural e admitem que 
uma espécie possa dar origem a outra. Porém, o aparecimento dos grandes 
grupos taxonômicos, também chamada de “macroevolução”, teria origem 
divina;
d) Existem também os que aceitam todo o processo proposto pelos 
cientistas, mas recusam no que se refere à ideia do acaso e postulam que 
ele seja produto de uma intenção, de um projeto (intelligent design). Embora 
alguns desses adeptos afirmem que isso não tenha conotação religiosa, o 
projetista é de origem sobrenatural.
De maneira geral, a maioria das pessoas, apesar de ter estudado 
sobre evolução nas escolas, não entende cientificamente como o processo 
funciona, e esse entendimento tem importância muito grande no debate 
entre evolução e criacionismo.
Existe um grupo formado por cientistas, alguns biológicos, que 
sabem tudo sobre teoria científica da Evolução, não acreditam no Fixismo 
das espécies e não se dizem criacionistas. No entanto, acreditam na 
existência do Criador. É um paradoxo interessante: acreditar no Criador 
e não acreditar que ele criou a vida e as espécies. As pessoas com essa 
posição não eram questionadas aqui no Brasil até bem pouco tempo, 
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quando a polêmica sobre Criacionismo e Evolução ocorria em outros países, 
como nos Estados Unidos, e não fazia parte das nossas discussões e elas 
podiam permanecer indefinidas.
Ao contrario do que se possa pensar, a ciência não é uma coleção 
de fatos e teorias, mas sim um processo de reflexão e entendimento de 
fenômenos naturais, o que exige, regularmente, uma reorganização mental 
diante de novos conhecimentos.
Um dos principais argumentos dos criacionistas contra o acaso no 
processo é o de que o acaso não pode produzir estruturas complexas. 
Porém, a ciência diz o seguinte: 
- estruturas complexas se fixam por seleção natural, que é um 
processo determinístico;
- os fatores casuais, ou estocásticos, no processo são a mutação 
e a deriva genética e eles não são os responsáveis pela evolução de 
complexidades.
De fato, quando, por algum motivo, a pressão da seleção natural é 
atenuada sobre uma população, estruturas complexas, como por exemplo, 
a pigmentação da epiderme ou o olho de animais de caverna, degeneram 
lentamente por mutações e deriva genética.
Qualquer pessoa optará, com mais segurança, por uma explicação 
ou outra, por uma questão ou outra, sobre qualquer assunto, se puder 
confrontar fontes diversas de informações. Caso contrário, sem tomar como 
referência outras fontes de conhecimento, tende a acreditar na primeira 
história que contarem para ela. Um indivíduo sem informação e sem senso 
crítico pode ser mais facilmente iludido por ideias fixadas ao longo de muitas 
histórias políticas, religiosas, literárias, lendárias, científicas.
2.3. As primeiras hipóteses sobre a evolução dos seres vivos
Uma das primeiras publicações de textos sobre evolução foi 
Zoonomia, publicado em 1795 por Erasmus Darwin (1731-1802). Embora 
não mencionasse a seleção natural, discutia a questão das adaptações 
e especulava sobre a possibilidade de uma espécie poder evoluir a partir 
Evolução
38
de outra espécie. Embora sem muitos dados ou experimentos, o trabalho 
mostra que o Fixismo já estava sendo questionado e tem importância 
histórica pelo fato de o autor ser avô paterno de Charles Darwin.
Em 1808, o biólogo francês Jean Baptiste Lamarck propôs uma 
hipótese para explicar a incrível adaptação das espécies aos diferentesambientes. Embora essa hipótese seja tratada nos livros escolares como 
uma teoria evolutiva, o impacto emocional para a época não foi muito grande 
porque propunha uma explicação para a adaptação das espécies, mas 
não postulava, necessariamente que, através das adaptações, a espécie 
poderia passar a ser outra espécie. Ou seja, a hipótese de Lamarck não 
questionava a origem das espécies. As hipóteses sobre o uso e desuso 
e da transmissão dos caracteres adquiridos tiveram muito sucesso, 
sendo adotadas ate pelo próprio Darwin a partir da sexta edição do livro 
OrigemdasEspécies.
As principais razões para o sucesso é que elas são muito lógicas, 
intuitivas e fáceis de serem explicadas e entendidas. É muito fácil explicar a 
teoria de Lamarck até para uma criança e costumamos dizer que as pessoas 
nascemlarmarckistas. Para surpresa nossa, há alguns anos, estudantes 
do último ano do curso de Ciências Biológicas, embora tenham ouvido, 
desde o ensino fundamental e médio, que a teoria de Lamarck é errada, 
ao serem instigados a resolver questões evolutivas, cerca de 60% deles 
empregaram um raciocínio lamarckista. Muito importante para a época, o 
trabalho de Lamarck, embora muito lógico, contém erros biológicos graves 
e fundamentais e deixou de ser considerado a partir do final do século XIX.
2.4. A diversidade biológica
Quando os ingleses Charles Robert Darwin (1809 – 1882) e Alfred 
Russel Wallace (1823 – 1913) visitaram o Brasil, na primeira metade do 
século XIX, a grande diversidade biológica das Américas, especialmente 
a da América do Sul, já era conhecida. Antes deles, vários pesquisadores/
coletores europeus já haviam estado aqui e promovido verdadeiros arrastões 
coletando espécimes da flora e da fauna, dando inicio ao que se denomina, 
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hoje, biopirataria. Entre dezenas e talvez centenas de nomes, citam-se: 
Johann Von Spix (1781 – 1826); Karl Von Martius (1794 – 1868); Saint-
Hilaire (1779 – 1853); Johann Natterer (1787 – 1843); Max Von Braunsberg 
(1782 – 1867); Georg Von Langsdorff (1774 – 1852); Wilhelm Ludwig Von 
Eschwege (1777 – 1855); Thomas Ender (1793 – 1875); Jean Agassiz 
(1807 – 1873); Robert Hermann Schomburgk (1804 – 1865); Peter Wilhelm 
Lund (1801 – 1880), Ludwig Riedel (1790 – 1861) e George Gardner (1812 
- 1849).
Todos esses pesquisadores/coletores permaneceram aqui por mais 
tempo do que Darwin e Wallace e coletaram muito mais materiais do que 
os dois juntos, com uma agravante: a maior parte do material coletado por 
Wallace foi perdida pelo naufrágio do navio a caminho da Europa.Por falta 
de uma teoria unificadora da diversidade dos seres vivos, todo material 
era coletado e catalogado como uma coleção de selos, respeitando-se a 
localização e data da coleta e o tipo de material coletado por semelhanças 
e diferenças. 
2.4.1. Wallace e Darwin
Tentar explicar por que só Wallace e Darwin tiveram, 
independentemente e quase simultaneamente, a mesma ideia para explicar 
a origem de tanta diversidade é um exercício puramente especulativo. Dizer 
que eles eram mais inteligentes, mais geniais ou mais espertos do que os 
outros também é uma afirmação leviana. Porém, um fato muito importante 
aconteceu aos dois: depois de terem visto a grande diversidade biológica 
em áreas continentais sul-americanas, Darwin contornando o continente, e 
Wallace viajando pela Amazônia, ambos entraram em contato com a fauna 
e flora de arquipélagos. Darwin, em Galápagos, Wallace, na Malásia. 
E, o que diferencia os arquipélagos das áreas continentais? A 
descontinuidade das populações, isoladas umas das outras pelos limites 
das ilhas. A diferenciação entre populações isoladas é muito maior do que 
se elas tivessem uma distribuição geograficamente contínua e, embora o 
processo evolutivo atue igualmente nas ilhas ou nos continentes, o resultado 
Evolução
40
da diferenciação fica muito evidente nas ilhas.Tanto as discussões anteriores 
sobre evolução, como as ideias de Darwin e Wallace, questionavam 
exclusivamente o Fixismoe a origem das espécies.
Saiba mais
Design Inteligente: ignorar o problema não vai fazer com que ele vá embora 
(*)
Marcio Pie(**)
Estamos presenciando atualmente em Dover, Pensilvânia (EUA) a mais nova 
tentativa do movimento do “Design Inteligente” (DI) para tornar-se parte do currículo 
de escolas secundárias, desta vez através de uma batalha judicial.É interessante 
notar que esse movimento encontra adeptos até no Brasil. Durante os depoimentos 
do julgamento de Dover, Michael Behe, um dos principais proponentes do DI e autor 
do livro “A caixa preta de Darwin”, demonstrou a ginástica mental necessária para 
podermos considerar DI como ciência.
Como alguns poderiam imaginar, ele mudou a definição de ciência que 
é usada rotineiramente por cientistas.O advogado que o interrogava, astutamente, 
perguntou-lhe se, dentro de sua definição, a astrologia seria também considerada 
ciência. Behe teve que concordar.Contudo, apesar de tanta repercussão na mídia, 
poucos cientistas sabem o que propõe o movimento DI. O meu objetivo com o 
presente texto é abordar três questões: o que é DI? Por que DI não é ciência? Seria 
DI o resultado de uma teologia equivocada?
Responder o que é DI é como tentar acertar um alvo móvel, mas imagino 
que a seguinte definição de DI agradaria a maior parte de seus proponentes: a 
ciência em geral (e a teoria da evolução em particular) não consegue explicar vários 
fenômenos. Isso indicaria que algum “designer” interferiu na ordem natural das coisas 
para permitir que esse fenômeno acontecesse.A forma de detectar a influência do 
designer não está clara em nenhum exemplo prático, embora já disponham de 
nomes bonitos como o “filtro explanatório de Dembski”, “complexidade irredutível” e 
“complexidade especificada”.Finalmente, a identidade do designer não é determinada, 
o que deveria dar um ar de não-religiosidade à empreitada. Há inúmeros obstáculos 
para considerarmos DI uma abordagem científica:
(1) Não há uma forma positiva de se detectar o designer, isto é, não há algo 
que possamos observar que o acusaria. Somente a nossa incapacidade de explicar 
um dado fenômeno seria evidência de DI. (Posso imaginar a justificativa em meu 
próximo artigo a ser submetido: “o modelo apresentado no presente estudo explica 
80% da variância nos dados, sendo que para os 20% não explicados pelo modelo eu 
invoco a influência de algum designer não especificado.”);
(2) não há nenhuma proposta sobre os mecanismos que esse designer 
usaria para influenciar os fenômenos estudados (como admitido pelo próprio Behe 
em seu depoimento);
(3) A abordagem do DI não faz previsões que podem ser testadas. Em 
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particular, não podemos saber de antemão onde poderíamos encontrar evidências de 
design - a “previsão” de onde haveria design é sempre feita a posteriori.
Em suma, DI afirma que um designer não especificado, através de um 
mecanismo não especificado, afeta vários fenômenos não especificados. Mas 
isso não impede os seus proponentes de afirmar que há evidências de DI em 
todo lugar: na explosão do Cambriano, no processo de especiação, no sistema 
de coagulação sanguínea, na estrutura do flagelo bacteriano etc.Recentemente 
os proponentes do DI apontaram 300 cientistas que apoiam a abordagem do 
DI. Curiosamente, apesar de tanta gente, não há um único artigo publicado em 
uma revista científica suportando ID (a não ser um artigo obscuro publicado no 
ProceedingsoftheBiologicalSocietyofWashington que passou pelo crivo dos referees 
mesmo não apresentando nenhum dado original).
Essa falta é explicada invocando uma grande conspiração dos cientistas 
para esconder a verdade sobre ID, um argumento bastante convincente nos círculos 
leigos (afinal de contas, quem não gosta deuma boa teoria da conspiração?).
Teologicamente, DI é uma reedição de um conceito antigo, o argumento do “Deus dos 
buracos”. Não sabemos como algo funciona, ergo, isso é evidência de Deus.Vários 
teólogos ao longo dos séculos combateram a ideia de chamar nossa ignorância de 
“Deus” como má teologia, visto que, pela visão bíblica, Deus sustenta e interage com 
a Criação continuamente, não somente em alguns poucos momentos de design.Além 
disso, um Deus que precisaria constantemente “remendar” seu design original de 
tempos em tempos para que ele funcionasse não se parece com o Deus onipotente 
bíblico.
Finalmente, alguns conselhos práticos para cientistas ao se depararem 
com essas questões.Primeiramente, é importante lembrar que os proponentes do 
DI representam uma pequena minoria entre os cientistas cristãos (embora estejam 
entre os que mais fazem barulho).Há uma variedade de pontos de vista, incluindo os 
que sugerem que o processo evolutivo seja o mecanismo usado por Deus para criar 
o homem, como Francisco Ayala, GhilleanPrance e Francis Collins (diretor do projeto 
genoma humano do NHGRI).Uma fonte útil de informações nessa área é a American 
ScientificAffiliation (http://www.asa3.org/). Além disso, é imprescindível lembrar que 
os leigos que ingenuamente simpatizam com DI geralmente o fazem por ignorância 
de como a ciência funciona.A forma mais eficiente de esclarecer essas questões 
é através da educação científica e não através da ridicularização, a qual não só é 
contra-produtiva como também acaba corroborando a visão equivocada de uma 
“batalha” entre fé e ciência.
(*) Artigo publicado no Jornal da Ciência (publicação da Sociedade Brasileira 
para o Progresso da Ciência – SBPC)
(**) Doutor na área de Evolução pela Boston University (EUA).
Evolução
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Para aprender mais...
Quer entender outra opinião sobre o Criacionismo? Leia A caixa 
preta de Darwin de Michael Behe. Este autor utiliza vários argumentos 
contrários as ideias darwinistas e em favor do Criacionismo científico.
3. Evidências da Evolução
Diferente do Fixismo, a Evolução, como ciência, se baseia em fatos 
que não podem ser contestados. A estes fatos denominamos evidências. 
Vamos resumir as evidências em três tópicos: i) evidências paleontológicas; 
ii) evidências morfológicas e; iii) evidências embriológicas. Antes, um pouco 
de história.
3.1. Um pouco de história
Durante sua Viagem no HMS Beagle (Fig. 02), Darwin coletou um 
grande numero de espécimes, muitas delas desconhecidas na Europa que, 
posteriormente, deram suporte a evolução por seleção natural.
A grande variedade das evidências da evolução fornece ampla e 
rica informação dos processos naturais pelos quais a variedade da vida na 
Terra se desenvolveu.
Fig. 02 - Quadro de Owen Stanley retratando o HMS Beagle. Fonte: Wikipedia.
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3.2. Evidências paleontológicas
Paleontologia é o estudo da vida passada baseado no registro 
fóssil e suas relações com os diferentes períodos de tempo geológicos. 
Mas o que são fósseis?
Fósseis são registros da vida passada preservados nas rochas. 
Dizem-nos que a vida começou nos oceanos, há mais de 3,5 bilhões de 
anos, e que desde então evoluiu e se diversificou para um total estimado 
de 10 milhões de tipos diferentes de organismos. Mais de 99% de todas 
as formas de vida que já existiram estão atualmente extintas e, por isso, a 
história da evolução depende do estudo e interpretação desses escassos 
vestígios da vida passada.
Fósseis são importantes para estimar quando as várias linhagens 
se desenvolveram. Como a fossilização é de rara ocorrência, normalmente 
requerendo as partes duras do corpo dos espécimes e da morte próxima 
a um local onde sedimentos estão sendo depositados.O registro fóssil 
somente fornece informações intermitentes sobre a evolução da vida. 
Evidências de organismos anteriores ao desenvolvimento de partes duras 
do corpo como conchas, ossos e dentes são especialmente raras, mas 
existem na forma de antigos microfósseis de alguns organismos de corpo 
mole.
Quando um organismo morre, ele normalmente decompõe-se 
rapidamente ou é consumido por necrófagos, não deixando nenhuma 
evidência permanente de sua existência. Entretanto, ocasionalmente, 
alguns organismos são preservados. Os restos ou traços dos organismos 
de uma era geológica passada, envoltos em rocha por processos naturais 
são chamados de fósseis. Eles são extremamente importantes para o 
entendimento da história evolucionária da vida na Terra, já que fornecem 
evidências diretas da evolução e informações detalhadas sobre as linhagens 
dos organismos. 
Para que a fossilização ocorra, os traços e restos do organismo 
devem ser rapidamente enterrados para que o descoramento e a 
decomposição não ocorram. Estruturas esqueléticas e outras partes duras 
Evolução
44
do organismo são as formas mais comuns de fossilização de restos de 
organismos. Existem também os “fósseis” de traços, mostrando moldes e 
impressões na rocha de alguns organismos antigos.
Quando um animal morre, o material orgânico deteriora-se 
gradualmente, como os ossos, por exemplo, que se tornam porosos. 
Se o animal é subsequentemente enterrado em lama, sais minerais irão 
infiltrar-se nos ossos e gradualmente preencher os poros. Os ossos se 
solidificarão em rocha e serão preservados como fósseis. Esse processo é 
conhecido como petrificação. Se um animal morto é coberto por areia, e se 
a areia posteriormente transformar-se em lama devido a pesada chuva ou 
enchentes, o mesmo processo de infiltração mineral pode ocorrer. Além da 
petrificação, o corpo morto de um organismo pode ser bem preservado em 
gelo, em resina endurecida de árvores coníferas (âmbar), em alcatrão, em 
ambientes anaeróbios e em turfas ácidas. Fossilização pode ser,às vezes, 
só um traço, uma impressão de uma forma. Exemplos incluem folhas e 
pegadas, fósseis que são feitos em camadas que são posteriormente 
endurecidas por ação natural.
3.2.1. Registro fóssil
Trilobitas (Fig. 03) eram animais com carapaças duras, ancestrais 
dos atuais caranguejos, camarões e demais artrópodes. Foram extintos a 
250 milhões de anos atrás.
É possível descobrir como um 
grupo de organismos evoluiu arrumando 
seu registro fóssil em uma sequência 
cronológica. Tal sequência pode 
ser determinada porque fósseis são 
majoritariamente encontrados em rochas 
sedimentares. Rochas sedimentares são 
formadas por camadas de silte ou lama 
Fig. 03. Fóssil de trilobita.Fonte: www.biomania.
com.br.
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uma sobre o topo da outra; deste modo, a rocha resultante desse processo 
contém uma série de camadas horizontais, ou estratos. Cada camada 
contém fósseis que são típicos para o específico período de tempo durante 
o qual eles se formaram. Os estratos mais baixos contêm as rochas mais 
velhas e os fósseis mais antigos, enquanto os estratos superiores contêm 
as rochas mais novas e os fósseis mais recentes.
Uma sucessão de animais e plantas também pode ser vista no 
registro fóssil. Evidências fósseis apóiam a teoria de que organismos 
tendem a aumentar progressivamente em complexidade. Ao estudar o 
número e a complexidade de diferentes fósseis em diferentes níveis, foi 
demonstrado que rochas antigas que contêm fósseis apresentam poucos 
tipos de organismos fossilizados, e todos eles têm uma estrutura simples, 
enquanto que as rochas mais recentes contêm uma grande variedade 
de fósseis, frequentemente com um aumento na complexidade de suas 
estruturas.
No passado, as idades dos vários estratos e dos fósseis encontrados 
eram irregularmente estimadas por geólogos. Eles faziam, por exemplo, a 
estimativa do tempo para a formação das rochas sedimentares, camada 
por camada. Hoje, realizando medições das proporçõesde elementos 
radioativos e estáveis na rocha, as idades dos fósseis podem ser 
datadas pelos cientistas com uma grande precisão. Essa técnica é 
conhecida como datação radiométrica.
Fig. 04 - Nautilus. Foto: F.S.Santos Filho.
Evolução
46
Pela análise do registro fóssil, muitas espécies que aparecem em 
um nível estratigráfico antigo, desaparecem em níveis posteriores. Isso 
é interpretado em termos evolucionários como a indicação do tempo em 
que uma espécie se originou e tornou-se extinta. Regiões geográficas 
e condições climáticas variaram consideravelmente através da história 
da Terra. Já que organismos se adaptam em ambientes em particular, 
a mudança constante das condições climáticas e geográficas favoreceu 
espécies que se adaptaram a novos ambientes através do mecanismo de 
seleção natural.
De acordo com o registro fóssil, algumas espécies modernas de 
plantas e animais são encontrados quase que praticamente iguais as 
espécies que viveram em tempos geológicos antigos. Eles são espécies 
que fazem parte de antigas linhagens que permaneceram morfologicamente 
(e provavelmente também fisiologicamente) quase inalterados por um 
longo tempo. Consequentemente, eles são chamados de “fósseis vivos” 
por leigos. Exemplos de fósseis vivos incluem o nautilus (Fig. 04), límulo, 
celacanto, a ginkgo e a metasequoia.
Em sua maioria, fósseis são partes mais resistentes, física e 
quimicamente, de organismos extintos. São encontrados dentro das 
camadas de depósitos sedimentares antigos, que se acumularam durante 
centenas de milhões de anos para formar o que conhecemos como registro 
estratigráfico rochoso. O processo que transforma resíduos orgânicos e 
parte do registro rochoso é tão complexo e altamente seletivo que apenas 
uma minúscula percentagem da vida passada é preservada. Das centenas 
de milhões de espécies que existiram até agora, somente os fósseis 
de algumas centenas de milhares de espécies já foram encontrados e 
descritos. E o processo de fossilização frequentemente transforma restos 
orgânicos a ponto de os tornar irreconhecíveis.
Como se pode observar visitando qualquer museu de paleontologia, 
os fósseis têm cor de pedra e aparência de rochas, e estão frequentemente 
completamente achatados na superfície das rochas. Porém, já foram 
organismos cheios de vida, que se moviam e respiravam. Também foram 
encontrados vestígios tridimensionais, que preservaram o formato original 
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47
de conchas e ossos, mas mesmo nestes casos a fossilização deu-lhes o 
aspecto de rochas, tornando-os mais pesados e duros do que as partes 
originais, e removeu totalmente as suas cores.De uma forma curiosa, os 
processos que reduzem criaturas vivas a fósseis, com a perda de tantas 
informações preciosas, também contribuem para sua enorme popularidade. 
Ao longo dos séculos, os paleontólogos procuraram entender a natureza 
dos registros fosseis e lê-los como a historia da evolução da vida na Terra. 
Saiba mais
Raro ‘fóssil vivo’ é capturado na costa da Austrália - 23 janeiro 2015
Tubarão-enguia foi pescado por barco de arrastro; animal tem características 
de criaturas primitivas
De aparência assustadora, o tubarão-enguia (também chamado de tubarão-
cobra) foi apanhado por um barco de arrasto na região de Gippsland, no Estado de 
Victoria.Raramente os tubarões-enguia são encontrados vivos, porque seu habitat 
natural se localiza a 600 metros ou mais de profundidade.
Tanto o formato do corpo do animal quanto seu número de guelras se 
assemelham aos de fósseis de tubarões que viveram há 350 milhões de anos. Por 
essa razão, o animal é conhecido como um “fóssil vivo”.Com várias características de 
criaturas primitivas, os tubarões-enguias podem atingir até 2 metros de comprimento.
Segundo a Associação de Pesca de Arrasto do Sudeste da Austrália, a 
espécie encontrada tinha praticamente esse tamanho.
Fonte: http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/01/150122_tubarao_
fossil_vivo_capturado_lgb
Evolução
48
3.2.2. O problema dos fósseis
Desde os tempos da Grécia antiga e da China, quando sábios 
como Xenófanes de Colofon (c.570-490 a.C.) começaram a escrever 
sobre fósseis, a sua verdadeira natureza tem sido objeto de prolongados 
e intensos debates. Embora eles pareçam ser resquícios de uma vida 
passada, frequentemente são preservados como matéria inorgânica, que 
difere significativamente dos organismos vivos. Por exemplo, um fóssil 
pode ter a aparência externa de uma criatura marinha, como um bivalve 
ou um ouriço-do-mar, mas ser composto por um mineral como a sílica, 
totalmente diferente do carbonato de cálcio das conchas dos bivalves e 
ouriços-do-mar atuais.
Atualmente compreende-se que a fossilização pode ter um efeito 
drástico na composição química do material fóssil, mas os primeiros 
naturalistas viam apenas que os minerais dos fósseis eram mais 
semelhantes aos minerais que formam as rochas do que às conchas e 
esqueletos de organismos vivos. Alguns argumentavam que os fósseis 
teriam, provavelmente, crescido dentro de estratos rochosos e que tinham 
apenas uma semelhança superficial e enganosa com organismos vivos. 
Para apoiar esta linha de raciocínio, lembravam que muitos fósseis 
haviam sido encontrados em ambientes diferentes dos habitados por seus 
equivalentes atuais. Por exemplo, fósseis parecidos com ouriços-do-mar 
podiam ser encontrados em estratos rochosos nas encostas das montanhas, 
muito longe do mar onde essas criaturas vivem hoje. Só recentemente se 
começou a entender como os movimentos da Terra podem deslocar as 
rochas para bem longe de onde se formaram.
Muitas destas questões só começaram a ser resolvidas na época 
Renascentista. Usando os métodos de investigação científica que estavam 
surgindo, diversos naturalistas apresentaram exemplos cuidadosamente 
fundamentados da verdadeira natureza orgânica dos fósseis. Por 
exemplo, na metade do século XVII, NielStensen (também conhecido 
como Steno), médico dinamarquês que trabalhava na Itália, dissecou um 
tubarão moderno e comparou, cuidadosamente, seus dentes com fósseis 
conhecidos como “línguas de pedra” (glossopetrae), encontrados com 
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49
frequência no Mediterrâneo. Steno defendia que as “línguas de pedra”, 
mesmo as encontradas em terra, deviam ser entendidas como dentes de 
tubarão antigos. E, também, que elas provaram que, no passado, o mar 
tinha avançado mais sobre o continente.
Atualmente, até mesmo as crianças em idade escolar sabem 
que os fósseis são restos de organismos que viveram em épocas 
passadas. Mas, mesmo assim, ainda há muitas armadilhas no caminho, e 
paleontólogos menos cuidadosos, e até mesmo profissionais experientes, 
podem ter problemas para decidir se alguns resíduos são fósseis genuínos 
ou não - vejam, por exemplo, as discussões sobre os supostos micróbios 
preservados nas rochas silicosas antigas da Austrália e aqueles outros que 
teriam sido encontrados em meteoritos de Marte.
3.2.3. A variedade de fósseis
Um fóssil é mais do que um antigo osso ou dente petrificado, ele 
pode ser qualquer vestígio deixado pela vida passada e de alguma forma 
preservado, o que inclui uma variedade de diferentes meios de preservação 
e também traços da interação dos animais com seu meio ambiente.
Os fósseis são a principal prova da história e evolução da vida na 
Terra. Mas esta afirmação esconde uma realidade mais complexa. Em sua 
maioria, os fósseis são as partes mais resistentes e menos perecíveis dos 
organismos, mas ocasionalmente estruturas e tecidos mais delicados são 
preservados, como quando um corpo completo é congelado e desidratado 
em solo também congelado.
A composição dos fósseis varia de ossos e conchas mineralizados a 
moléculas orgânicas preservadas como gotas de betume, e restosvegetais, 
comprimidos e carbonizados, que conhecemos como carvão. Entretanto, 
eles geralmente podem ser classificados em poucos tipos diferentes.
Fósseis químicos são resíduos de moléculas orgânicas, como as 
biomoléculas betuminosas encontradas em estratos arqueanos, com mais 
de três bilhões de anos. Geralmente, sua verdadeira natureza orgânica e 
composição química só podem ser determinadas com o auxilio de sofisticado 
Evolução
50
equipamento de análise.Fósseis de corpos, restos de tecidos originais, 
são os mais comuns, representados por inúmeros ossos e conchas e 
as impressões que deixaram nas rochas. Alguns sofreram alteração 
química e raros preservaram tecidos moles. Fósseis de pele e músculos 
em geral foram preservados em sedimento antigo e substituído por 
minerais inorgânicos, como a apatita (um fosfato) e a pirita (um sulfeto 
de ferro).
Traços fósseis são as marcas deixadas por um organismo vivo 
no substrato sedimentar ou em seu interior – por exemplo, pegadas, 
tocas e dentes ou incisões. Os mais comuns são tocas e restos de 
raízes de organismos que viveram ou cresceram dentro do sedimento. 
O autor dos traços raramente é preservado, mas estes fósseis fornecem 
evidências importantes sobre determinados ambientes, como planícies 
de areia sujeitas à ação das marés, e comprovam a existência de hábitos 
antigos, como as técnicas de preservação de carne dos caçadores de 
Neanderthal.
Como foi visto, os fósseis preservados na rocha são normalmente 
as partes mais resistentes de um organismo, principalmente as 
esqueléticas mineralizadas, como conchas, ossos e os tecidos lenhosos 
das plantas, que podem sobreviver por muito tempo após a morte 
de um organismo. Mas isso quer dizer que o registro fóssil, favorece 
organismos com esse tipo de tecidos, e não representa integralmente 
a diversidade da vida, entre os organismos de corpo mole, que vão de 
vírus e bactérias a lulas gigantes.
Na maioria dos organismos, a maior parte do tecido corporal é 
formada por água e componentes orgânicos, que tendem a se degradar 
rapidamente, após a morte. Esta matéria orgânica é, também, alimento 
potencial para outros organismos. Na maioria dos ambientes naturais, os 
corpos mortos são atacados, consumidos e biologicamente degradados. 
Mas, ocasionalmente, um corpo pode ser levado para um meio ou local 
naturalmente preservado.Para a sorte dos paleontólogos, há diversos 
meios e circunstâncias excelentes para a preservação de tecidos moles, 
que vão de temperaturas abaixo de zero, que congelam e desidratam os 
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51
organismos, a imersão em óleo, sal ou resina.
3.2.4. Como são preservados os fósseis?
Embora seja verdade que um mamute inteiro, ou um humano, 
pode ser congelado e desidratado em sedimentos glaciais, com 
preservação de tecidos moles e até mesmo de algum DNA, tais eventos 
são extremamente raros. Mamutes congelados, e humanos como “Otzi”, 
o Homem de Gelo tirolês (Fig. 05), não são, estritamente falando, fósseis 
verdadeiros, já que seus invólucros sedimentares gelados são, por si só, 
efêmeros, se considerarmos a escala de tempo geológica. 
Fósseis preservados em âmbar (uma antiga resina vegetal) 
sobrevivem por mais tempo.
Durante os anos 1990, várias tentativas para recuperar o 
DNA de insetos preservados em âmbar ocorreram. Entretanto, outras 
proteínas foram recuperadas de restos fossilizados, como o colágeno, 
recentemente extraído dos ossos de um Tyrannosaurusrex, com 68 
milhões de anos.Nossa experiência cotidiana de ambientes terrestres 
mostra por que é tão difícil preservar resíduos de animais ou plantas 
terrestres. Quantas vezes encontramos os ossos de um pássaro, ou 
mesmo folhas enterradas no solo? As folhas que cobrem o solo em 
Fig. 05 – Otzi, múmia de um caçador encontrada na Alemanha – a rigor não é um fóssil 
e sim um corpo preservado por milhares de anos no gelo. Fonte: www.science-fare.com.
Evolução
52
algumas semanas ou meses são degradadas por fungos ou bactérias 
e por uma variedade de animais, de caracóis a miriápodes e minhocas. 
Os ossos sobrevivem por cerca de um ano, mas os ácidos presentes 
no solo e a oxidação da matriz orgânica os enfraquecem – apenas os 
dentes, com sua dentina e esmalte mais duros, sobrevivem por mais 
tempo.Algumas estruturas biológicas sobrevivem bem no solo – esporos, 
sementes e pólen adaptados para a sobrevivência nestas condições. 
De fato, estas estruturas podem resistir o tempo suficiente para serem 
fossilizadas. A preservação do solo e de outros sedimentos superficiais 
requer condições especiais, como soterramento rápido, em vez dos 
processos normais de desgaste superficial e erosão.
Então, como sobrevivem os registros fósseis da vida terrestre? 
E como podem existir reservas mundiais substanciais de depósitos 
terrestres, como carvão, que consiste na compressão de restos de 
antigas florestas tropicais, pântanos e turfeiras? A resposta a ambas 
as perguntas é que isso se tornou possível graças a uma combinação 
de condições geológicas. A deposição de sedimentos e seus restos 
orgânicos em paisagens que, em geral, passavam por “afundamento”, 
os enterraram a tal profundidade que puderam sobreviver aos eventos 
de erosão subsequentes.O maior volume de registros fósseis consiste 
em conchas e ossos de organismos marinhos que viveram em mares 
de pouca profundidade, nas margens continentais e em suas águas. 
Porém, mesmo sedimentos do assoalho marinho e seus restos orgânicos 
acabam sendo destruídos por outro processo geológico inexorável: a 
subducção, consequência dos movimentos tectônicos.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
53
Saiba mais
Fósseis vegetais: mais raros do que fósseis animais
Os animais são mais fáceis de fossilizar do que as plantas. 
Isto ocorre porque animais já apresentam órgãos mineralizados como 
ossos e dentes. As plantas apresentam seus tecidos constituídos 
prioritariamente por materiais orgânicos, mais fáceis de serem 
degradados na decomposição.
A cidade de Teresina (PI) apresenta um sítio paleontológico 
com árvores de idade Permiana em plena região central da cidade, 
às margens do rio Poti.
Fig. 06. A. Tronco fóssil em posição de vida. B. Detalhe do tronco fossilizado. 
C. Tronco fóssil rolado. Todos encontrados na Floresta Fóssil de Teresina. Foto: 
F.S.Santos Filho.
Evolução
54
Mais de 99,9% de toda a vida que já existiu extingue-se, mas os 
fósseis dão-nos uma ideia de como era a vida no passado, e de como 
evoluiu.
3.2.5. Reconstruindo o passado
É impossível compreender os processos evolutivos se não 
considerarmos o contexto mais amplo das plantas e animais: o ambiente 
no qual existiram, as fontes alimentares disponíveis, os competidores e 
as ameaças que enfrentaram.Hoje em dia, aceitam-se sem qualquer 
questionamento a reprodução de cenários com dinossauros, outros animais 
e plantas já extintos. Contudo, é comum o uso de paisagens modernas, 
e até mesmo de plantas inadequadas, para compor as paisagens do 
passado. A utilização de artes gráficas mais tradicionais proporciona maior 
flexibilidade, detalhamento e precisão.
Mas, mesmo assim, todas as reconstruções são, até certo 
ponto, obra da imaginação, já que existem registros visuais anteriores 
aos desenhos criados, 30.000 anos atrás, pelos humanos que viram e 
retrataram animais hoje extintos, como o mamute e o rinoceronte lanosos.
Indo um pouco além na história da vida, pouco se sabe sobre a coloração 
de animais e plantas extintos, exceto por algumas indicações de padrões de 
camuflagem. Detalhes do formato do corpo são igualmente problemáticos, e 
tentamos recriá-los por inferência indireta e reconstrução de tecidos moles, 
usando nosso entendimento de anatomia comparada. Entretanto, algumas 
descobertas espetaculares de tecidos moles bempreservados, da época 
do Cambriano, forneceram informações precisas sobre formatos de corpos.
Nos últimos 200 anos, houve enorme progresso no nosso 
conhecimento sobre a vida no passado geológico. Os corpos da maioria, 
mas certamente não de todos, os organismos fósseis podem, agora, ser 
reconstruídos com certo grau de certeza. As principais exceções são as 
plantas e alguns dos vertebrados de maior porte, porque seus corpos 
completos raramente foram preservados nas rochas sedimentares. As 
plantas são especialmente difíceis, porque seus diversos componentes 
anatômicos, como pólen, folhas, tecidos lenhosos e raízes tendem a se 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
55
separar tanto durante a vida quanto na morte, e podem ser depositados em 
ambientes sedimentares totalmente diferentes.
A interpretação dos registros rochosos e a associação de fósseis de 
sítios e níveis estratigráficos específicos atingiram tal grau de sofisticação 
que permitem a reconstrução de alguns ambientes passados e das inter-
relações entre os vários organismos que os habitaram. A maioria dos 
ambientes fósseis está na água, apesar de ambientes em terras baixas 
poderem, sob certa condições, ser preservados. Já a preservação de 
ambientes montanhosos é extremamente rara. E há, ainda, tantos 
problemas de natureza temporal para resolver, que é impossível definir se os 
organismos viveram juntos e, de fato, morreram juntos, ou se simplesmente 
tiveram seus restos mortais misturados, muito depois de sua morte.
Para compreender todos estes fatores, os cientistas fizeram estudos 
detalhados sobre as relações ecológicas entre os organismos vivos e seus 
meios ambientes. Ao longo dos 170 anos transcorridos desde as primeiras 
tentativas de reconstrução de cenários antigos, aprendeu-se muito sobre a 
ocorrência da morte no mundo natural, o que acontece com os resíduos de 
plantas e de animais após a morte, como esses resíduos se podem perder 
ou ser incorporados aos registros nas rochas e o que acontece com eles 
após serem enterrados, durante os processos de fossilização.
Há algumas situações que tendem a preservar restos orgânicos 
particularmente bem. Para que o formato do corpo e os tecidos moles sejam 
preservados, é necessário o rápido sepultamento em meio mumificante, 
como ar frio e seco, gelo, âmbar ou sal, mas, segundo o registro geológico, 
isto raramente acontece.
Processos de soterramento natural catastrófico e quase instantâneo 
podem enterrar uma vasta gama de organismos que viveram e morreram 
juntos. Estas circunstâncias são conhecidas como cenários de Pompeia, 
numa referência à erupção vulcânica que engoliu a cidade romana em 
79 d. C., preservando muito da sua estrutura, artefatos e alguns de seus 
habitantes.
Erupções vulcânicas, avalanches de sedimentos, tempestades de 
Evolução
56
areia e inundações são catástrofes comuns, tanto em terra quanto na água. 
Podem soterrar as comunidades existentes e preservar grande parte de 
suas formas de vida. E, se o ambiente post-mortem tiver baixo teor de 
oxigênio – como, por exemplo, os sedimentos finos do fundo de um lago – 
poderá até ocorrer a preservação de alguns tecidos moles.
A maioria dos ambientes fossilíferos marinhos estava em águas 
de pouca profundidade e lagoas, e os terrestres em lagos e depósitos 
fluviais. Portanto, os ambientes efetivamente terrestres foram, em grande 
parte, reconstruídos a partir de informações indiretas, preservadas nos 
sedimentos da água e das rochas ao seu redor. 
3.3. Evidências morfológicas
Se os fósseis não existissem, seria extremamente difícil traçar 
o caminho seguido pela Evolução. Mesmo assim, ainda haveria muitas 
evidências para confirmar que a evolução realmente aconteceu. Estas 
evidências fazem parte do tecido que constitui os seres vivos e consistem 
em similaridades fundamentais e “peculiaridades” incomuns de forma 
ou comportamento, cuja possibilidade de terem surgido por acaso é 
extremamente improvável. Comparadas aos fósseis, esse tipo de evidência 
é fácil de ser compreendida, mas sua interpretação nem sempre é óbvia.
Ao contrário de um projeto humano, a evolução nunca começa 
sobre uma prancha de desenho completamente em branco. Em vez disso, 
funciona com a modificação de organismos que já existem. Com o passar 
do tempo, novas mudanças se sobrepõem a outras mais antigas, mas 
padrões estabelecidos há muito tempo desaparecem lentamente. Se dois 
seres vivos compartilham um desses padrões, é grande a probabilidade de 
que tenham alguma relação e de que tenham herdado da mesma origem. 
Esses padrões compartilhados, ou homologias (Fig. 07), são evidências 
poderosas da mudança evolutiva. Um exemplo extraordinário – estudado por 
Charles Darwin – envolve o padrão dos ossos dos membros dos mamíferos. 
Em todo o mundo vivo, as homologias estão sempre emergindo, unindo 
espécies que frequentemente tem estilos de vida bastante diferentes.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
57
Sem a evolução, o mundo natural seria estático, e os seres vivos 
teriam no passado o mesmo estilo de vida que têm hoje. Mas muitas espécies 
carregam os sinais de estilos de vida anteriores, na forma de partes do 
corpo que não têm mais nenhuma utilidade. Esses sinais são chamados 
“órgãos vestigiais” e incluem uma série de estruturas desnecessárias, tais 
como os olhos dos peixes que vivem em cavernas e os ossos rudimentares 
dos membros traseiros de algumas cobras e baleias. No caso do ser 
humano inclui o apêndice cecal, que já desempenhou um papel importante 
no processo digestivo. 
A evolução também explica algumas esquisitices anatômicas que 
parecem simples erro de projeto. O sistema nervoso da girafa é uma delas. 
Como todos os vertebrados, a girafa tem alguns nervos que vão do cérebro 
até o peito e depois voltam para a laringe. Esse caminho de ida e volta foi 
herdado dos peixes, que não tem pescoço. Nos peixes ele fazia sentido, 
mas na girafa envolve um grande desperdício de nervação.
Fig. 07. Ilustração comparando patas de mamíferos. Percebe-se que os ossos são 
semelhantes, mas possuem tamanhos e funções diferentes. Fonte:www.anatologia.
blogspot.com.
Evolução
58
As sobras evolutivas carregadas por organismos vivos incluem 
características físicas, processos internos e aspectos de comportamento. 
Por exemplo, os bebês humanos mostram um poderoso reflexo de 
preensão. Isso certamente remonta à época em que nossos ancestrais 
recém-nascidos se agarravam à mãe segurando-lhe o pelo.
3.3.1. Reflexo da homologia: a semelhança de processos metabólicos
Comparações da sequência genética de organismos revelou que 
os organismos que são filogenicamente mais próximos tem um grau maior 
de similaridades em sua sequência genética do que organismos que estão 
mais filogenicamente distantes. Evidências adicionais da descendência 
em comum vem de “detritos” genéticos como os pseudogenes, regiões do 
DNA que são ortólogas à um gene em um organismo aparentado, mas 
não são mais ativos e aparentam passar por um constante processo de 
degeneração. Já que processos metabólicos não deixam fósseis, pesquisas 
evolutivas sobre os básicos processos biológicos são também feitas na 
sua maior parte com a comparação de organismos existentes. Muitas 
linhagens divergem em um diferente estágio de desenvolvimento, então 
é teoricamente possível determinar quando certos processos metabólicos 
surgiram realizando uma comparação dos traços de um descendente de 
um ancestral em comum.
3.4. Evidências embriológicas
Embora existam fortes diferenças entre seres de espécies 
distintas, grupos filogeneticamente mais próximos (como os vertebrados, 
por exemplo), exibem embriões muito parecidos, especialmente nas 
fases iniciais do desenvolvimento. Isto termina constituindo prova de que 
organismos diferentes descendem de ancestralcomum.
As principais evidências embriológicas foram demonstradas por 
Ernst Haeckel, biólogo alemão que criou a Lei da Biogenética ou Lei da 
Recapitulação, conhecida por ser resumida a partir da expressão: a ontogenia 
recapitula a filogenia. Em outras palavras, as fases do desenvolvimento 
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59
embrionário (ontogenia) recapitula ou repete (em escala diferente) as fases 
de desenvolvimento das relações de parentesco entre os seres (filogenia).
Atividades de aprendizagem
 
31) Considere as seguintes características:
I – mesma função;
II – ancestral comum;
III – estrutura similar.
Órgãos homólogos apresentam as características
a) I apenas.
b) I e II apenas.
c) I e III apenas.
d) II e III apenas.
e) I, II e III.
32) É órgão vestigial do aparelho digestivo humano:
a) Parótida.
b) Apêndice cecal.
c) Duodeno.
d) Vesícula biliar.
33) A explicação mais lógica para as semelhanças estruturais entre seres 
vivos com aspectos e modos de vida diferentes, como um cachorro e um 
homem, é que
a) Eles descendem de ancestrais diferentes, mas que tenham alguma 
semelhança.
b) Eles descendem de um ancestral comum, que tinha um plano de 
organização geral diferente do apresentado por todos eles.
Evolução
60
c) Eles descendem de ancestrais comuns que exploravam ambientes 
diferentes.
d) Eles descendem de ancestrais diferentes que exploravam ambientes 
semelhantes.
e) Eles descendem de um ancestral comum, que tinha um plano de 
organização geral semelhante ao apresentado por todos eles.
34) Evolução é um processo biológico apresentado por um (uma):
a) célula. d) organismo.
b) tecido. e) população.
c) órgão.
35) Dentre as evidências da evolução biológica estão aquelas fornecidas 
pelo estudo da anatomia comparada, que trouxe os conceitos de órgãos 
ou estruturas homólogas e órgãos ou estruturas análogas. Assinale 
a alternativa que mostra um exemplo de estruturas análogas, ou seja, 
estruturas que evoluíram independentemente e resultaram de adaptações 
funcionais às mesmas condições ambientais.
a) Os braços humanos e as asas das aves.
b) O apêndice cecal do intestino humano e o do intestino dos coelhos.
c) As asas das aves e as asas dos insetos.
d) As nadadeiras das baleias e as asas dos morcegos.
e) As patas dos vertebrados quadrúpedes e os braços humanos.
36) Apêndice, o defensor sem função
Para que, exatamente, serve o apêndice? A resposta não está clara 
até hoje, nem mesmo para os médicos e cientistas. Embora a sua função 
de produzir células de defesa do organismo contra agressões de bactérias 
e vírus tenha ficado comprovada, ele não é, certamente, indispensável, 
pois diversos outros órgãos produzem estas mesmas células. Há quem 
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61
diga que, hoje, ele só serve para inflamar e provocar a necessidade de uma 
cirurgia de emergência.
(Globo Ciência. n. 89.)
Na espécie humana, o apêndice vermiforme é bastante reduzido, 
considerado órgão vestigial, enquanto que em alguns mamíferos herbívoros, 
como o coelho, aparece bem desenvolvido, abrigando microrganismos 
mutualísticos que promovem a digestão da celulose. Sob o aspecto 
evolutivo, os órgãos vestigiais revelam:
a) a possibilidade de se conhecer organismos que viveram na Terra em 
tempos remotos.
b) a existência de um parentesco evolutivo entre as espécies consideradas.
c) o princípio da imutabilidade das espécies.
d) o desenvolvimento de grande variação genética dentro de uma mesma 
espécie.
e) a origem embrionária diferente nos organismos, porém com a mesma 
função.
37) São numerosas as evidências de que o fenômeno evolutivo é uma 
realidade incontestável. Sobre essas evidências, julgue as proposições.
( ) Semelhanças entre embriões de espécies diferentes nos estágios iniciais 
de desenvolvimento não podem ser usadas como prova de evolução.
( ) Órgãos homólogos são aqueles que, em animais diversos, podem ter 
aspecto, nome e função diferentes, mas, internamente, apresentam a 
mesma estrutura e a mesma formação embrionária.
( ) Isótopos radioativos, como o Carbono 14 e o Urânio 238, permitem 
avaliar a idade de um fóssil sendo, portanto, instrumentos utilizados no 
estudo da evolução.
( ) Órgãos análogos constituem provas anatômicas da evolução.
Evolução
62
38)“O meio ambiente cria a necessidade de uma determinada estrutura em 
um organismo. Este se esforça para responder a essa necessidade. Como 
resposta a esse esforço, há uma modificação na estrutura do organismo. 
Tal modificação é transmitida aos descendentes.”
O texto sintetiza as principais idéias relacionadas ao
a) fixismo. d) criacionismo.
b) darwinismo. e) lamarckismo.
c) mendelismo.
39) Todas as formas de vida descendem de um ancestral comum através de 
uma ramificação de linhagens. Omundo vivo não é constante, ao contrário, 
está sempre em mudança, ou seja, as propriedades dos organismossofrem 
transformações ao longo das gerações através do tempo. As variedades que 
se tornammais aptas poderão explorar melhor o ambiente, sobreviverão, e 
seus caracteres serão transmitidos aosdescendentes. O texto refere-se ao:
a) lamarckismo. d) mendelismo.
b) criacionismo. e) darwinismo.
c) fixismo.
40) Qual a explicação de Darwin sobre a existência de órgãos vestigiais 
(como o apêndice no homem)?
a) Os órgãos vestigiais originalmente eram funcionais, porém, com o 
desuso, tornaram-se sem função.
b) Os órgãos vestigiais evoluíram originalmente, porque foram favorecidos 
pela seleção, porém agora nãotêm uso e estão fadados a desaparecer.
c) Os órgãos vestigiais, apesar de terem função reduzida, são mantidos 
porque são úteis ao organismo.
d) Os órgãos vestigiais existem, apesar de terem função reduzida, são 
mantidos porque podem voltar aoestado original de alta funcionalidade ao 
enfrentarem determinada pressão ambiental.
e) Os órgãos vestigiais sempre existiram da mesma forma como se 
apresentam, devido à ausência depressões seletivas.
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63
41)As figuras abaixo esquematizam um tubarão e uma baleia, animais que 
apresentam convergências evolutivas relacionadas aoambiente aquático.
 Com base nesses dados é correto afirmar que
a) as pressões ambientais sobre estes dois táxons de Vertebrata são 
diferentes, gerando padrões anatômicos diferentes.
b)) os movimentos natatórios são regulados por nadadeiras ímpares e 
pares e o corpo fusiforme facilita o deslocamento naágua.
c) os movimentos impulsores são realizados pela musculatura da cauda e 
a ausência de pêlos relaciona-se à endotermia nomeio aquático.
d) os movimentos natatórios dos elasmobrânquios são facilitados por 
amplos movimentos laterais entre as vértebras,enquanto os dos cetáceos 
são semelhantes aos dos Mammalia terrestres.
e) a convergência da forma do corpo e a presença de membros pares com a 
forma de remos devem-se à necessidade demanter a temperatura interna.
42)A evolução biológica pode ser entendida como oconjunto de mudanças 
cumulativas que ocorrem aolongo do tempo e que se relacionam com as 
formasde adaptação dos seres vivos ao ambiente. Comrelação a este 
assunto, analise as proposiçõesabaixo.
( ) Por mais diferenciados que sejam osambientes, sempre existem os 
mesmos fatoresde seleção natural; o que justifica a ocorrênciade irradiação 
adaptativa durante a evolução.
( ) Dois animais de ancestralidades diferentes, queapresentam estruturas 
adaptadas a umamesma função, evidenciam um caso dehomologia, o qual 
conduz à convergênciaadaptativa.
Evolução
64
( ) Rãs, crocodilos e hipopótamos, emboradescendam de ancestrais 
diferentes,desenvolveram comportamentos similares epodemmanter os 
olhos e as narinas alinhados,rente à superfície da água. Representam 
umcaso de homologia adaptativa.
( ) A asa da abelha é desprovida de estruturasósseas internas, 
diferentemente das asas domorcego; ambas, adaptadas ao voo. Como 
sãoanimais de ancestralidades diferentes,constituem um exemplo de 
analogia adaptativa.
( ) A semelhança entre a estrutura interna da asado morcego e a do membro 
superior humano,mamíferos que descendem de um ancestralcomum, 
evidencia um caso de homologiaadaptativa.
43) Para comprovação da teoria da evolução, várias dasevidências 
descritas na literatura relacionam estruturaanatômica e celular dos 
seres vivos, provas embriológicas,bioquímicas e cromossômicas e ainda 
análises e provaszoogeográficas. De fato, é inegável que, muitas vezes, 
espéciesdiferentes possuam estruturas com grandes semelhanças.
Nesse sentido, analise as afirmativas abaixo:
( ) Voar, nadar, cavar e manusear foram característicasevolutivas 
desenvolvidas a partir da modificação deossos dos membros superiores 
ou anteriores.
( ) Por meio da análise dos processos evolutivos sofridospelo sistema 
circulatório dos vertebrados, constatou-se que as aves e os mamíferos 
desenvolveramo coração com quatro cavidades, sem mistura de 
sanguearterial e venoso.
( ) Provas embriológicas evidenciam não só que o desenvolvimentofetal 
dos humanos é uma recapitulaçãodas formas de outros vertebrados, mas 
tambémque estruturas corpóreas se modificaram para atendera novas 
funções.
( ) A ocorrência de hemácias anucleadas nos peixes enucleadas nos 
mamíferos pode ser explicada pela necessidadede aumento da superfície 
de contato com osvasos linfáticos e maior troca gasosa com os tecidos.
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65
GABARITO:
31) D; 32) B; 33) E; 34) E; 35) C; 36) B; 37) E-E-C-C; 38) E; 39) E; 
40) E; 41) B; 42) FFFVV; 43) FVFF.
Atividade Complementar
Agora é preciso discutir o assunto estudado nesta Unidade e ajustá-
lo em relação à sua realidade, tendo em vista que se trata de tema polêmico 
e que pode ter interferido nas suas crenças religiosas, inclusive. Que tal 
começarmos um fórum de discussão sobre o assunto na plataforma?
O tema para o Fórum é: A Ciência e a Religião devem ser 
confundidas? Ou, podem andar juntas, cada uma na sua própria via?
Vamos discutir???
Para finalizar...
Nesta unidade, vimos os primórdios de como a vida deu início e 
de como se modificou ao longo do tempo. Além disso, percebemos as 
mudanças no conhecimento sobre este assunto e toda a polêmica que o 
envolve. Vamos ver como está o seu poder de síntese? Escreva um texto 
livre de até duas laudas falando do que estudamos. Procure deixar o mais 
claro possível, sendo fiel às leituras que fez. Bom trabalho!
Resumo
Nesta unidade, foram estudados alguns princípios básicos da ciência 
Evolução. Tratamos brevemente sobre a Origem da Vida e entramos em 
histórico da Evolução para permitir a contextualização do assunto principal 
e algumas relações com o momento histórico. A unidade finaliza com o 
elenco das evidências da Evolução.
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67
UNIDADE 2
EVOLUÇÃO EM TEORIAS
OBJETIVOS
• Distinguir as principais correntes que explicam o mecanismo da 
evolução.
• Compreender porque as teorias de Lamarck e Darwin não são aceitas 
atualmente.
• Entender a relação entre a Evolução, a Genética e a Ecologia na 
integração da chamada Teoria Sintética da Evolução.
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69
II)Evolução em Teorias
1) Teorias da evolução
Desde os primórdios existem dúvidas relativas ao processo de 
origem dos seres vivos e como estes seres evoluíram. Sempre prevaleceu 
a ideia de que um ser supremo seria o autor do processo de elaboração, 
colocando tudo num plano de inteligência absoluta, tendo em vista a 
organização de todos os seres vivos, como foi visto na unidade anterior. 
Assim, podemos ressaltar que o Criacionismo foi a primeira vertente de 
explicações, mas ligada a princípios religiosos, endossada pelas palavras 
da Bíblia Sagrada, “enciclopédia” dos defensores das ideias criacionistas. 
A opção pela criação divina foi a única vertente de explicação da origem 
e diversidade dos seres por vários séculos. Uma verdade absolutamente 
inquestionável.
Outra vertente de opiniões convergentes ficou conhecida como 
Fixismo. O fixismo na geologia sustenta que os continentes teriam se 
mantido estáveis e fixos em seus lugares atuais através de toda história 
geológica. Essa corrente de pensamento antecede historicamente a teoria 
proposta por Alfred Wegener em 1912, da deriva continental, que propõe 
que os continentes tenham se movido ao longo das eras. Atualmente a 
deriva continental é aceita na forma da teoria da tectônica de placas, mas 
o fixismo geológico persistiu sendo defendido por um considerável tempo 
até que o acúmulo de evidências eventualmente favoreceu a aceitação 
científica da deriva continental. Estas ideias foram fortalecidas pela quase 
exclusividade de estudos desenvolvidos com plantas e animais encontrados 
no Continente Europeu, o que mudou com o espalhamento de naturalistas 
pelos demais continentes.
Karl Von Linné foi o primeiro cientista a abordar uma visão mais 
científica para o processo de classificação dos seres vivos, enfocando seu 
caráter mais natural e menos sobrenatural (a vida criada por um sopro 
divino). Mas o fez de modo muito sutil, quando classificou o homem (até 
então somente “a imagem e semelhança do Criador”) como um mamífero 
da Ordem dos Primatas, a mesma onde também agrupou os macacos.
Evolução
70
A fim de dar suporte aos seus estudos, faremos uma breve 
exposição sobre as principais teorias evolutivas.
1.1. Lamarckismo
Os trabalhos do cientista francês Jean-Baptiste Pierre Antoine de 
Monet(Fig. 8) são conhecidos sob esta denominação. Jean Baptiste foi um 
naturalista que viveu no século XVIII. Antes de entrar para as ciências foi 
militar condecorado pelos seus esforços no campo de batalha, o que lhe 
valeu o título de “Cavaleiro de Lamarck”, como se notabilizou.
Na área científica, Lamarck 
iniciou estudos sobre animais escrevendo 
tratados descritivos sobre insetos. Mas a 
sua grande contribuição foi ter sugerido 
um mecanismo de evolução para os seres 
vivos que teve como escopo a necessidade 
adaptativa dos seres em relação ao 
ambiente no qual estavam inseridos.
Lamarck propôs no seu livro 
PhilosophieZoologiquea existência de 
duas leis básicas que explicavam o 
processo de evolução dos seres: Lei do 
Uso e Desuso e a Lei da Transmissão 
dos Caracteres Adquiridos (pelo uso ou 
desuso).
Lei do Uso e Desuso – órgãos muito utilizados tendem à Hipertrofia 
(crescimento); órgãos pouco usados tendem a Atrofia (diminuição e 
desaparecimento). Há nesta lei algum fundamento (provavelmente algumas 
observações de Lamarck o conduziram a esta ideia): músculos estriados 
esqueléticos ao serem exercitados aumentam o volume de suas fibras, 
enquanto, do contrário, diminuem soberbamente o volume e atrofiam. 
Entretanto, quase nenhum outro tecido tem as mesmas propriedades. O 
que inviabilizaria a ideia de que órgãos com uma pluralidade de tecidos 
pudessem ter seu desenvolvimento condicionado ao uso.
Fig. 8 – Lamarck.(Fonte: victorianweb.
org)
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71
Lei da Transmissão dos Caracteres Adquiridos – defende que todo 
órgão que se desenvolvesse pelo uso em um ser vivo, seria repassado aos 
seus descendentes. Assim como os perdidos ou reduzidos pelo desuso, 
também seguiriam o mesmo destino. O conhecimento da genética e dos 
conceitos relativos a genótipo e fenótipo, desmistificaram totalmente estas 
ideias. Alguns exemplos citados por Lamarck para reforçar suas ideias:1) As aves aquáticas teriam se tornado pernaltas devido ao esforço 
para esticar as pernas para andar na água, sem molhar as penas.
2) Os ancestrais das cobras teriam tido pernas, que num dado 
momento passaram a atrapalhar o deslocamento do animal por lugares 
apertados. Com o desuso as pernas desapareceram e o corpo das cobras 
passou a não ter apêndices.
3) As girafas, vivendo em uma área de solo seco e quase sem 
capim, teriam como alimento folhas de árvores de grande porte e de 
tanto esticarem o pescoço para pegar as folhas, este cresceria e esta 
característica seria transmitida aos descendentes.
August Weissmann realizou um simples experimento com 
camundongos (decepando suas caudas e colocando-os para cruzarem 
analisou 20 gerações e as caudas não reduziam de comprimento) e com 
isto enterrou as ideias de Lamarck.
Atividades
01) Considere as seguintes afirmações:
I – Nos animais, uma estrutura pode desenvolver-se ou atrofiar-se como 
resultado de seu uso ou desuso;
II – As modificações adquiridas são herdadas pelos descendentes;
III - O ambiente determina a seleção natural.
A teoria de Lamarck, para explicar a evolução, considerava
a) Apenas I correta.
b) Apenas II correta.
c) Apenas III correta.
d) I e II corretas.
e) II e III corretas.
Evolução
72
02)No início do século XIX, Jean Baptiste Lamarck propôs a primeira teoria 
científica sobre a evolução. Em relação a esta teoria, é correto afirmar que:
I – ela não considerava a importância da adaptação dos seres vivos ao 
meio ambiente.
II - Baseava-se em duas leis: a do “uso e desuso” e a da “herança dos 
caracteres adquiridos”.
III – Considerava a deriva genética como principal norteadora do processo 
evolutivo.
Assinale a alternativa CORRETA.
a) Todas as afirmativas estão corretas.
b) Somente a afirmativa II está correta.
c) Todas as afirmativas estão erradas.
d) Somente as afirmativas II e III estão corretas.
e) Somente a afirmativa I está correta.
03) Segundo a teoria evolucionista de Lamarck, conhecida pelo nome de 
Lei do Uso e do Desuso, as girafas primitivas tinham pescoço curto e, ao 
se esforçarem esticando-o, este sofria um pequeno alongamento a cada 
geração e o somatório desses alongamentos redundou no pescoço longo 
das girafas atuais. A teoria Lamarckista baseava-se, sobretudo, em dois 
pontos fundamentais, que são:
(01) os indivíduos de uma mesma espécie não são todos exatamente iguais 
entre si.
(02) os sobreviventes de cada espécie são sempre os mais capazes, 
havendo então uma seleção natural dos mais aptos.
(04) os indivíduos desenvolvem uma luta pela vida, pois, enquanto as 
populações crescem em progressão geométrica, os recursos para a 
subsistência crescem em progressão aritmética.
(08) nos indivíduos de uma espécie aparecem variações de forma brusca e 
em consequência de alterações do material genético, transmitidos dos pais 
para os filhos, através dos gametas.
(16) as espécies evoluem como consequência de alterações estruturais 
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73
ocorridas em seus órgãos, devido ao uso excessivo ou ao desuso.
(32) as alterações estruturais dos órgãos, adquiridas pelas espécies durante 
sua vida e por influência ambiental, são transmitidas hereditariamente e 
assim se perpetuam ao longo das gerações.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
04) No estudo da evolução dos seres vivos, destacaram-se eminentes 
naturalistas tais como Lamarck, Darwin, Weissman e outros. Assinale, 
nas alternativas abaixo, o conceito que exprime a ideia básica da teoria 
evolucionista de Lamarck:
a) Por impulsos internos, a evolução biológica avança em uma determinada 
direção.
b) A formação de um novo órgão é resultante de uma nova exigência 
funcional e tudo o que for adquirido por influência do ambiente é transmitido 
às gerações futuras.
c) As condições ambientais, a seleção natural e todos os fatores de ordem 
externa e interna se limitam a oferecer aos seres vivos as oportunidades 
para evoluírem.
d) A mutação é a principal causa da evolução.
e) A seleção natural não exerce influência sobre a evolução das espécies.
05) Leia o trecho a seguir: “Devido ao grande potencial reprodutivo dos 
seres vivos, as populações naturais de todas as espécies tendem a crescer 
rapidamente. Entretanto, o tamanho das populações naturais mantém-se 
relativamente constante ao longo do tempo, pois, a cada geração, morre 
um grande número de indivíduos e muitos não deixam descendentes. Disso 
se pode concluir que a maior parte das características de uma geração é 
herdada dos genitores, e os indivíduos que sobrevivem e se reproduzem 
possuem características adaptadas às condições ambientais”. Essa 
conclusão resume:
a) as ideias evolucionistas de Lamarck.
b) a teoria criacionista.
c) o conceito darwinista de seleção natural.
Evolução
74
d) o conceito malthusiano.
e) o fixismo.
GABARITO:
01) D; 02) B; 03) 16 + 32 = 48; 04) B; 05) C.
 
1.2. Explicando a variedade –o Darwinismo
No século XVIII, quando a abundância e a diversidade da vida na 
Terra se tornaram evidentes, em grande parte como decorrência do período 
de colonização europeia e do “iluminismo científico” que se seguiu, os 
naturalistas tentaram organizar essa profusão de formas de vida mediante 
o agrupamento de organismos similares, segundo diversos esquemas de 
classificação. 
Mais ou menos na mesma época, a crescente conscientização sobre 
a existência do registro fóssil deixou claro que a 
vida tem uma história de constantes mudanças 
– mudanças que exigiam explicação. Uma 
possibilidade (conhecida como “descendência 
com modificação”) era a de que as espécies 
se modificassem ao longo do tempo, de tal 
forma que as plantas e animais atuais fossem 
descendentes diretos dos encontrados no 
registro fóssil. Como vimos, um dos primeiros 
defensores desta ideia “evolucionista”, por volta 
de 1800, foi o biólogo francês Jean-Baptiste 
Lamarck. Entretanto, somente na metade do 
século XIX surgiu uma teoria convincente para 
explicar essas transformações biológicas. Dois 
naturalistas britânicos, Charles Darwin (Fig. 09) e Alfred Russell Wallace, 
chegaram independentemente à mesma abordagem do problema, que foi 
publicada, em 1858, em artigo intitulado “Sobre a Tendência das Espécies 
de formarem Variedades; e sobre a Perpetuação das Variedades e Espécies 
por Meios Naturais de Seleção”.
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75
Enquanto Wallace chegou ao mecanismo da evolução por mero 
acaso, em 1850, Darwin, na verdade, vinha desenvolvendo suas teorias 
desde 1837, logo após seu retorno da grande expedição a bordo do Beagle. 
Estava, portanto, em melhor posição do que Wallace para aprofundar a 
teoria inicial de ambos e, em 1859, publicou o hoje famoso Origem das 
Espécies por meio de Seleção Natural, ou da Preservação das Raças Mais 
Favorecidas na Luta pela Vida.
Charles Robert Darwin empreendeu, aos 22 anos, uma viagem 
em torno da Terra que durou cinco anos. Visitou locais, cuja natureza, se 
mostrava exuberante, colecionando plantas, animais e amostras minerais. 
Dentre os locais que visitou e que chamaram sua atenção estavam o Brasil 
(ficou encantado com a biodiversidade, entretanto saiu com uma impressão 
ruim devido aos horrores da escravidão, ainda praticada no nosso país no 
século XIX), Patagônia e Terra do Fogo (Argentina) e o Arquipélago de 
Galápagos (Equador), considerado o seu grande laboratório.
Darwin recebeu a influência de vários pensadores da época. 
Destacaram-se Charles Lyell (geólogo inglês que fez uma série de 
descobertas a respeito da sobreposição das camadas de solo) e Thomas 
Malthus (economista inglês que gerou teses importantes sobre o crescimento 
populacional e a disponibilidade de alimentos).
Sua ideia se materializou na síntese de todas as informações 
coletadasdurante sua viagem e na correspondência que trocou com outros 
naturalistas ao longo do tempo. Entre seus interlocutores destacaram-se 
Alfred Russell Wallace (naturalista inglês considerado co-autor da teoria da 
Seleção Natural) e Fritz Miller (naturalista alemão radicado no Brasil, um 
dos primeiros cientistas a formalizar apoio a teoria da Seleção Natural).
1.2.1. A Seleção Natural, segundo Darwin e Wallace
Para Darwin, a causa fundamental das mudanças registradas ao 
longo da história da vida era a “seleção natural” de variações benéficas, 
que ocorriam na descendência de forma espontânea e aleatória. Em 
1838, ele concluiu que a interação entre essas variações e as mudanças 
ambientais produzia uma instabilidade constante na Natureza, e “as formas 
Evolução
76
mais favorecidas dominavam e formavam novas espécies”.
Seleção natural é um processo da evolução proposto por Charles 
Darwin e aceito pela maior parte da comunidade científica como a melhor 
explicação para a adaptação e especialização dos seres vivos como 
evidenciado pelo registro fóssil. 
O conceito básico de seleção natural diz que características 
favoráveis que são hereditárias tornam-se 
mais comuns em gerações sucessivas 
de uma população de organismos que 
se reproduzem, já as características 
desfavoráveis que são hereditárias 
tornam-se menos comuns, eliminada 
por fatores ambientais. A seleção natural 
age no fenótipo, ou nas características 
observáveis de um organismo, de tal 
forma que indivíduos com fenótipos 
favoráveis têm mais chances de sobreviver 
e reproduzir-se do que aqueles com 
fenótipos menos favoráveis. Se esses 
fenótipos apresentam uma base genética, 
então o genótipo associado com o fenótipo 
favorável terá sua frequência aumentada 
na geração seguinte. Com o passar do tempo, esse processo pode resultar 
em adaptações que especializarão organismos em nichos ecológicos 
particulares e pode eventualmente resultar na emergência de novas 
espécies.
A seleção natural não distingue entre seleção ecológica e seleção 
sexual, na medida em que ela se refere às características, por exemplo, 
destreza de movimento, nas quais ambas podem atuar simultaneamente. 
Se uma variação específica torna o descendente que a manifesta mais 
apto à sobrevivência e à reprodução bem sucedida, esse descendente e 
sua prole terão mais chances de sobreviver do que os descendentes sem 
essa variação. As características originais, bem como as variações que são 
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77
inadequadas dentro do ponto de vista da adaptação, deverão desaparecer 
conforme os descendentes que as possuem sejam substituídos pelos 
parentes mais bem sucedidos.
Deste modo, certas caraterísticas são preservadas devido à 
vantagem seletiva que conferem a seus portadores, permitindo que 
um indivíduo deixe mais descendentes que os indivíduos sem essas 
características. Eventualmente, através de várias interações desses 
processos, os organismos podem desenvolver características adaptativas 
mais e mais complexas.
Como Darwin bem sabia, os indivíduos produzem descendentes 
similares a si próprios, e em maior número do que os que sobrevivem, para 
que venham a se reproduzir. Indivíduos de uma determinada população 
variam entre si, e muitas dessas variações são hereditárias, transmitidas 
como novas características genéticas, conhecidas como mutações, que 
surgiram espontaneamente durante a reprodução. 
Mas, como a porção habitável do planeta é finita, espaço e 
recursos são disputados tanto por populações diferentes quanto por 
membros de uma mesma população. Indivíduos com características mais 
“favoráveis” tendem a superar os outros e transmitem esses caracteres a 
seus descendentes que, por sua vez, serão mais bem sucedidos do que 
outros. Além disso, como o meio ambiente varia no tempo e no espaço, as 
características hereditárias adequadas são “selecionadas” especialmente 
para um determinado ambiente. Desta forma, populações e ambientes 
diferentes divergem entre si e cada uma se torna progressivamente melhor 
adaptada a suas condições ambientais específicas. Este processo de 
divergência produziu, ao longo do tempo geológico, toda diversidade da 
vida encontrada na Terra.
Desde sua publicação, a teoria de Darwin vem unificando e 
direcionando nosso entendimento sobre a biologia e a história da vida. 
Em 1866, o padre austríaco Gregor Mendel revelou os resultados das 
experiências revolucionárias que lançaram as bases da genética moderna. 
Em 1953, os cientistas Francis Crick e James Watson, de Cambridge, 
produziram o primeiro modelo preciso de DNA, a molécula responsável 
Evolução
78
pela transmissão das características genéticas e pela própria evolução. 
Hoje, a teoria de Darwin é confirmada por uma infinidade de evidências 
no campo das ciências biológicas, sobretudo nas áreas da genética e da 
paleontologia.
SAIBA MAIS
Darwin e sua dedicação à Ciência
1) Os primeiros passos de Darwin
Nascido em Shropshire, Inglaterra, a 12 de fevereiro de 1809, Charles 
Darwin era o quinto dos seis filhos de um médico abastado. Contudo, foram os 
cinco anos de viagem e exploração a bordo do HMSBeagle que determinaram sua 
futura carreira e, com isso, nosso entendimento sobre o mundo natural.
Os primeiros anos da vida de Darwin não foram o que se esperaria 
de um “herói” da ciência. Em criança, não demonstrava interesse por nenhum 
assunto em particular, não se destacava na escola nem tinha ideias definidas 
sobre o que gostaria de ser em sua vida adulta. Historia natural, cavalgadas e 
tiro ao alvo foram as principais paixões de sua juventude. Sua primeira escolha 
de uma carreira, o curso de medicina em Edimburgo, fracassou e ele voltou para 
casa, ao encontro de um pai decepcionado. Entretanto, em Edimburgo conheceu o 
naturalista em ascensão, Robert Grant, que o apresentou às ideias evolucionistas 
de Lamarck e também aos estudos sobre invertebrados marinhos, que seriam 
uma de suas paixões para o resto da vida (culminando, 1842, com a publicação 
do livro Estrutura e Distribuição dos Recifes de Corais).
2) A estada em Cambridge e o interesse por besouros
Após o fracasso da medicina, Darwin escolheu a carreira comum a muitos 
dos jovens ingleses bem nascidos, no começo do século XIX: a Universidade de 
Cambridge, seguida por uma confortável vida rural, como clérigo da Igreja da 
Inglaterra. Em Cambridge, Darwin, como muitos de seus colegas, era famoso por se 
divertir e gastar mais do que sua mesada permitia. Mas também era conhecido por 
desaparecer em longas expedições pelos campos, para coletar besouros. História 
natural era um assunto que ele encarava com seriedade e foi incentivado em seus 
estudos pelo professor de Botânica, o Reverendo John Henslow – relacionamento 
que, mais tarde, seria valioso. Apesar de o curso formal da Universidade consistir 
no estudo dos clássicos, da teologia e da matemática, Darwin fazia questão de 
assistir às palestras de Henslow e de participar de suas “viagens de campo”, e 
logo ficou conhecido como “o homem que anda comHenslow”. Enquanto isso, 
a leitura do relato das viagens de Alexander Von Humboldt pela América do Sul 
deixou-o fascinado com a riqueza e diversidade, principalmente na região dos 
trópicos, da natureza daquele continente tão pouco explorado.
3) A viagem do Beagle
Em 1831, a grande oportunidade da vida de Darwin veio ao seu encontro 
quando Henslow o recomendou ao capitão Robert Fitzroy, do HMS Beagle. Fitzroy 
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79
já tinha ido à América do Sul anteriormente e estava para voltar, para completar 
o levantamento topográfico da costa. Como fazia parte da elite da comunidade 
científica da época, Henslow tinha ouvido que Fitzroy, jovem aristocrata e oficial da 
marinha muito competente, estava procurandopor um companheiro de viagem de 
“origens” adequadas, que se interessasse por geologia e história natural.
Apesar das objeções de seu pai, seu tio, JosiahWedgwood (da famosa 
dinastia da cerâmica inglesa) interveio a seu favor. Darwin foi entrevistado por 
Fitzroy que, a despeito de algumas dúvidas iniciais, decidiu levá-lo consigo. 
Darwin teve pouco tempo para se preparar para este novo papel como geólogo 
e naturalista, mas seus conhecidos em Cambridge providenciaram um curso 
intensivo em geologia, cortesia do Reverendo Adam Sedgwick, professor de 
geologia da Universidade. E assim, munido de martelo, pistola e muitos outros 
materiais de coleta, e uma pequena biblioteca que incluía o recém-publicado 
primeiro volume do Princípios da Geologia, de Charles Lyell (trabalho que 
apresentava magnificamente evidências da antiguidade da Terra e sustentava que 
“o presente é a chave do passado”), Darwin zarpou no dia 27 de dezembro de 
1831, para uma viagem da qual só retornaria em 2 de outubro de 1836.
A esta altura, a ambição de Darwin era deixar sua marca como geólogo 
e naturalista, e em carta para Henslow disse que “a geologia e os invertebrados 
serão meu principal foco durante toda viagem”. Mas, logo no início descobriu, 
para sua enorme frustração, que Humboldt e outros naturalistas que o haviam 
precedido já tinham, aparentemente, “descoberto tudo”. Mesmo assim, continuou 
suas coletas e, sempre que possível, enviava grande número de espécimes para 
Henslow, em Cambridge. Quando, por fim, recebeu a entusiástica resposta de 
Henslow sobre a novidade de algumas das espécies, começou a sentir-se mais 
confiante sobre construir uma carreira dedicada à história natural, ao invés de 
(como um amigo e colega comentou), “me tornar um caipira numa paróquia rural e 
mostrar às pessoas um caminho que desconheço – o do Paraíso”. 
Apesar da importância atribuída à expedição do Beagle na trajetória 
intelectual de Darwin, muito do que ele viu e coletou só foi assimilado mais tarde. 
Por exemplo, a importância potencial da variedade de espécies encontradas 
nas diversas ilhas do arquipélago de Galápagos não se tornou evidente para ele 
senão quando lhe foi apontada pelo ornitólogo John Gould, após a viagem. Outros 
fenômenos, como vulcões em atividade e abalos sísmicos, causaram impressão 
bem mais imediata no jovem e inexperiente geólogo-naturalista em formação. 
Havia, também, o problema constante de identificar a imensa quantidade de 
rochas, fósseis e organismos vivos coletados com os parcos recursos de que 
dispunha.Aos poucos, começou a questionar as verdades da época-viagem 
intelectual revelada nos diários e cadernos de anotações que passou a manter 
desde 1836. Os cadernos sobre as espécies começaram em 1837 e levaram à 
publicação de seu livro, A Origem das Espécies, em 1859. Já as anotações sobre 
humanos começaram em 1838, mas tiveram um período de gestação mais longo, 
até a publicação de A Origem do Homem e a Seleção Sexual, em 1871.
Apesar da inspiração e da riqueza dos dados coletados em seus anos 
a bordo do Beagle, Darwin demorou muito para formular sua teoria e prepará-la 
para publicação. Entretanto, quando seu trabalho finalmente surgiu, teve profundo 
impacto no mundo da época.
Evolução
80
Após os cinco anos de sua viagem ao redor do mundo, Darwin voltou 
à casa de sua família, em Shrewsbury, no dia 5 de outubro de 1836. No ano 
seguinte mudou-se para Londres, distribuiu os espécimes coletados por 
especialistas e, em 1838, foi nomeado Secretário da Sociedade Geológica de 
Londres, uma das mais dinâmicas sociedades científicas da época. Publicou a 
primeira edição de seu “Diário de Pesquisas”, casou-se com sua prima, Emma 
Wedgwood, em janeiro de 1839 e nesse mesmo ano nasceu seu primeiro filho. 
O jovem naturalista transformou-se, rapidamente, em pai de família e membro da 
elite intelectual londrina, que se destacava mundialmente nas novas ciências em 
desenvolvimento, como geologia, zoologia e botânica. Entre 1842 e 1846 Darwin 
se via, principalmente, como geólogo, e publicou livros sobre recifes de corais, 
ilhas vulcânicas e observações geológicas da América do Sul.
4) Desenvolvendo a teoria
Mas, enquanto isso, Darwin também desenvolvia suas próprias ideias 
sobre a transmutação das espécies, evolução biológica e as implicações destes 
conceitos para a humanidade. Em 1839 escreveu para Henslow, seu mentor em 
Cambridge: “Persisto na coleta de todos os fatos que possam explicar a origem e 
a variação das espécies”. Também começou a receber informações importantes 
sobre seus espécimes de especialistas como o ornitólogo John Gould, que o 
alertou para o fato de os tentilhões de Galápagos serem espécies distintas, mas 
estreitamente relacionadas. Darwin estudou o cruzamento e seleção artificial 
de animais domesticados e aprendeu sobre espécies, tempo e registro fóssil 
com o anatomista Richard Owen, que em 1842 “inventou” os dinossauros como 
categorias separadas de répteis. Ainda em 1842, as teorias evolucionistas de 
Darwin já estavam suficientemente avançadas para que pudesse produzir um 
esboço de 35 páginas e, em 1844, uma síntese com 250 páginas, cuja cópia 
enviou, em 1847, para o botânico John Hooker. Este amigo fiel era adepto da 
sua teoria e foi um dos primeiros convertidos ao “evolucionismo de Darwin”. Na 
década de 1850, o séquito de Darwin passou a incluir o jovem zoólogo Thomas 
Henry Huxley (1825-1895). Entre 1851 e 1854 foram publicados os resultados de 
oitos anos de estudos sobre cracas, tanto vivas quanto fósseis. Este trabalho o 
credenciou como zoólogo de grande competência. Esta pesquisa ainda ajudou-o 
a desenvolver o princípio da divergência na especiação, que é mais ativa quando 
enfrenta acirrada competição por recursos limitados. Em outras palavras, Darwin 
compreendeu que a competição é uma constante na natureza e, como sempre 
há alguma variação dentro das populações, o resultado é a seleção natural das 
“adaptações” mais adequadas às condições do ambiente. O isolamento geográfico 
era apenas uma das muitas condições possíveis que levavam à especiação, e as 
pressões ecológicas tinham importância igual, ou até mesmo superior. 
Em 1855, Darwin leu um trabalho de Alfred Russel Wallace, jovem 
naturalista que trabalhava no sudeste da Ásia e defendia que novas espécies 
tendiam a surgir em territórios já ocupados por espécies a elas relacionadas. A 
esta altura, Darwin estava sendo pressionado pelos amigos para que publicasse 
sua teoria antes que surgisse alguém com outra similar. Já havia completado dez 
capítulos de um trabalho em dois volumes, intitulado Seleção Natural, quando, 
em junho de 1858, a chegada de um novo manuscrito de Wallace caiu como 
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81
Atividades 
 01) Certas infecções hospitalares podem ser de difícil combate por meio 
de antibióticos comuns. Esse fato deve-se à
a) Indução nas bactérias de resistência aos antibióticos.
b) Convivência de portadores de diversos tipos de infecções.
c) Seleção de linhagens de bactérias resistentes aos antibióticos.
d) Rejeição dos antibióticos pelo organismo humano.
e) Tendência da bactéria a se habituar aos antibióticos.
02)“... a natureza fornece as variações sucessivas, o homem as acumula 
em certos sentidos que lhes são úteis. Assim sendo, pode-se dizer que o 
homem criou, para seu proveito, raças úteis”.
uma bomba sobre Darwin – nele, Wallace esboçava sua teoria, segundo a qual 
determinadas variedades de espécies poderiam ser perpetuadas por processos de 
seleção natural.Para consternação de Darwin, Wallace havia chegado, sozinho, 
a um dos aspectos-chave de sua teoria evolucionista. Por sorte, os amigos de 
Darwin conseguiram uma publicação conjunta pela Sociedade Lineana, garantindo 
o reconhecimento da anterioridade da teoria de Darwin. 
Apesar de os trabalhos publicados pela SociedadeLineana serem 
pouco prestigiados pela comunidade cientifica, o surgimento de Wallace como 
concorrente no campo da teoria evolucionista levou Darwin a acelerar o seu 
trabalho. Em julho de 1858 começou a trabalhar num “resumo” de suas ideias, 
que ficou com um tamanho de um livro, em vez do trabalho mais longo que havia 
planejado. Em maio de 1859 já estava fazendo a revisão das provas e a 24 de 
novembro foi publicado o A Origem das Espécies por Meio de Seleção Natural: ou 
da Preservação das Raças Mais Favorecidas na Luta pela Vida, com 500 páginas. 
A primeira edição, com 1.250 exemplares, esgotou-se no primeiro dia.
Darwin já previa que seu livro seria recebido com hostilidade, devido 
às críticas feitas às teorias evolucionistas do Vestígios da História Natural da 
Criação, livro anônimo publicado em 1844. Por isso, evitou, deliberadamente, 
tocar no controvertido tópico da evolução humana, dizendo apenas que “Serão 
esclarecidas as origens do homem e sua história”. Entretanto, como ele também 
afirmava que “todos os organismos que viveram na Terra descendiam de alguma 
forma primordial, na qual a vida se manifestou pela primeira vez”, os seus leitores 
chegavam, facilmente, a suas próprias conclusões. Somente em 1871, após travar 
e vencer as batalhas iniciais, Darwin esboçou suas teorias sobre as origens do 
homem e a importância da competição sexual em todas as histórias de evolução.
Evolução
82
Sobre o trecho acima, retirado do livro A Origem das Espécies, de Charles 
Darwin, pode-se dizer que:
a) Caracteriza a seleção artificial.
b) Expressa o conceito de herança dos caracteres adquiridos.
c) Constitui a base da teoria fixista.
d) Refere-se a seleção natural.
e) Refere-se ao surgimento das várias raças humanas.
03) Considere o texto abaixo:
“A teoria ............... afirma que os seres vivos não se alteraram, desde 
que foram criados por inspiração divina. Esta teoria tem sofrido fortes 
abalos desde a divulgação da teoria de dois naturalistas, ......................... 
e ........................... e da publicação do livro ........................, de autoria de 
Darwin, em que ele propôs a .............................. para explicar a evolução”.
Assinale a alternativa que o completa corretamente:
a) Lamarckista – Huxley – Malthus – A Origem do Homem – Seleção 
artificial.
b) Fixista – Darwin – Wallace – A Origem das espécies – Seleção Natural.
c) Fixista – Darwin – Lamarck – A Origem do homem – Lei do Uso e desuso.
d) Lamarckista – Wallace – Huxley -A Origem das Espécies – Seleção 
Artificial.
e) Darwinista – Lamarck – Wallace – A Viagem do Beagle – Seleção Natural.
04) O conceito de seleção natural foi introduzido por
a) Malthus. d) Darwin.
b) Cuvier. e) Lamarck.
c) Lineu.
05) Marque a opção que apresenta o conceito que foi chave para o 
desenvolvimento da Teoria da Evolução de Darwin:
a) Existe abundância de recursos para os organismos.
b) Em uma população mais membros são produzidos do que podem 
sobreviver.
c) Os organismos em uma população são uniformes.
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d) Os membros de uma população contribuem igualmente para um “pool” 
genético.
e) As taxas de sobrevivência não variam entre os membros de uma 
população.
06) Os machos de uma certa espécie de pássaros são territoriais, ou seja, 
são animais que delimitam e defendem a região em que se instalam. Os 
mais fortes escolhem e ocupam os melhores territórios, dos quais expulsam 
qualquer outro macho que tente se aproximar. Na época do acasalamento, 
as fêmeas “passeiam” por todos os territórios e decidem com que macho 
vão procriar. O gráfico a seguir mostra a ordem em que 10 machos dessa 
espécie foram escolhidos.
O eixo das ordenadas indica a sequência em que os machos foram 
escolhidos e o eixo das abscissas indica a qualidade dos territórios.
a) O que determina a escolha preferencial dos machos pelas fêmeas?
b) Qual o mecanismo evolutivo que explica esse padrão?
07) O grande livro de Charles Darwin — A Origem das Espécies — foi o 
documento mais importante do século XIX. Ele mudou permanentemente a 
visão do lugar que ocupamos na natureza ao mostrar que todas as formas 
de vida que hoje habitam a superfície da Terra são resultado dos mesmos 
processos (…).
(MADDOX, p. 223)
Evolução
84
A mudança de visão referida no texto teve como fundamento, à 
época de Darwin, evidências concretas e interpretações que incluem:
(01) a descoberta de fósseis de animais e vegetais, que evidenciavam a 
constância das espécies ao longo do tempo.
(02) as variações e as semelhanças observadas entre os tentilhões das 
ilhas Galápagos, sugerindo a existência de um ancestral comum.
(04) as contribuições dos estudos da hereditariedade, que dissociavam o 
comportamento dos genes da transmissão dos caracteres.
(08) a independência dos mecanismos evolutivos em relação aos fatores 
bióticos e abióticos do meio ambiente.
(16) o reconhecimento do papel da competição como um mecanismo 
que propicia caminhos evolutivos diferenciados.
(32) a ocorrência de alterações na molécula da hereditariedade como 
mecanismo de origem de novas espécies.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
08) Em muitos casos a aplicação de um antibiótico a uma linhagem bacteriana 
promove o aparecimento de linhagens mais resistentes, pois as bactérias 
sofrem mutação e adquirem resistência, passando aos descendentes tal 
característica. A partir desse fato, é comum se pensar que as bactérias 
desenvolvem resistência ao antibiótico para não serem destruídas por ele, 
o que traduz uma visão lamarckista da questão.
Você concorda com essa compreensão? Justifique sua resposta.
09) Charles Darwin foi um naturalista britânico que, no século XIX, elaborou 
uma teoria que buscava explicar as relações entre os seres vivos e as 
mudanças sofridas por eles ao longo dos tempos, através de um mecanismo, 
por ele denominado de “seleção natural”.
Em sua grande obra “Origem das Espécies” (1859, 1ª edição), discorreu 
sobre vários temas, sendo um dos principais a variação dos animais no 
estado doméstico, em que analisou a escolha de características por parte 
dos criadores de raças de cães e de pombos.
Considerando especificamente o livro “Origem das Espécies”, seu principal 
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ponto de argumentação a favor da seleção natural foi (foram):
a) a hereditariedade. d) a criação divina.
b) a lei do uso e desuso. e) a seleção artificial.
c) os tentilhões das Ilhas Galápagos.
10) “Nenhum dos fatos definidos da seleção orgânica, nenhum órgão 
especial, nenhuma forma característica ou distintiva, nenhuma peculiaridade 
do instinto ou do hábito, nenhuma relação entre espécies — nada disso 
pode existir, a menos que seja, ou tenha sido alguma vez, útil aos indivíduos 
ou às raças que os possuem”.
(WALLACE, Alfred Russel, 1867)
O texto acima é uma defesa intransigente do princípio:
a) darwinista da seleção natural.
b) lamarckista da herança dos caracteres adquiridos.
c) mendeliano da segregação dos caracteres.
d) darwinista da seleção sexual.
e) lamarckista do uso e do desuso.
11)Uma ideia comum às teorias da evolução propostas por Darwin e por 
Lamarck é que a adaptação resulta
a) do sucesso reprodutivo diferencial.
b) de uso e desuso de estruturas anatômicas.
c) da interação entre os organismos e seus ambientes.
d) da manutenção das melhores combinações gênicas.
e) de mutações gênicas induzidas pelo ambiente.
12)Leia as afirmações.
I. As girafas, para se alimentarem de ramos mais altos, sofreram alongamento 
do pescoço.
II. Os ovos dos répteis, tendo a casca mais grossa, protegem melhor seus 
embriões.
III. O crescimento das populações humanas é muito maior que o crescimento 
dos recursos alimentares.
Evolução
86
Essas afirmações estão, respectivamente, de acordocom as teorias de
a) Lamarck, Darwin e Malthus.
b) Malthus, Lamarck e Darwin.
c) Darwin, Lamarck e Malthus.
d) Lamarck, Malthus e Darwin.
e) Darwin, Malthus e Lamarck.
13)Em relação à evolução biológica, considere os fatores abaixo.
I. Seleção natural.
II. Adaptação ao meio.
III. Lei do uso e desuso.
IV. Herança dos caracteres adquiridos.
V. Recombinação gênica e mutação.
Quais desses fatores Darwin considerou quando elaborou a teoria da 
evolução das espécies?
a) Apenas I e II. d) Apenas III e IV.
b) Apenas I e V. e) Apenas IV e V.
c) Apenas II e III.
14) A adaptação dos seres vivos aos ambientes de vida é um fato. Desde 
a Antiguidade, esse aspecto sempre foi alvo de reflexões de filósofos, que 
formulavam algumas teorias, buscando explicações para a origem e a 
adaptação das espécies. Na coluna I, estão listadas algumas correntes de 
pensamento e, na coluna II, os seus respectivos conceitos. Estabeleça a 
correta associação entre as colunas.
Coluna I Coluna II
1. Criacionismo
( ) A evolução pode ser explicada pelas mutações e pela 
recombinação genética, orientadas pela seleção natural
2. Lamarckismo
( ) Os organismos atuais surgiram por transformações sucessivas 
de formas mais primitivas, e o desaparecimento de uma espécie 
ocorria em consequência de sua transformação em outra, ou seja, 
de sua evolução.
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3. Darwinismo
( ) Os indivíduos de uma população diferem quanto a diversas 
características, inclusive aquelas que influem na capacidade de 
explorar com sucesso os recursos naturais e de deixar descendentes.
4. Neodarwinismo
( ) Quando ocorrem mudanças ambientais, um fenótipo antes 
desfavorável passa a ser favorecido.
( ) A harmonia existente entre os seres vivos e o meio em que 
vivem é o resultado de uma criação especial.
( ) A adaptação resulta do uso e desuso de estruturas anatômicas.
a) 3, 1, 3, 4, 2, 4. d) 4, 2, 3, 4, 1, 2.
b) 4, 3, 4, 3, 1, 2. e) 3, 2, 2, 4, 3, 1.
c) 4, 3, 3, 4, 1, 2.
15) Devido ao grande número de acidentes provocados pelos cães da 
raça Pitbull, várias solicitações vêm sendo feitas pela população do Rio 
de Janeiro e de outras cidades do Brasil, visando à proibição da circulação 
desses cães pelas ruas. Para alguns adestradores, o comportamento 
agressivo desses animais é ensinado por seus donos — os “Pitboys”. Para 
outros, a agressividade é consequência de um aprimoramento genético 
obtido pela utilização dos cães vencedores em brigas, nos processos de 
reprodução em canis: à medida que esses cães foram estimulados a brigar, 
nas famosas rinhas, ocorreram alterações genéticas que favoreceram a 
agressividade e foram transmitidas pelos cães vencedores aos filhotes.
A segunda opinião é mais bem explicada pela:
a) teoria Sintética
b) teoria de Lamarck
c) mistura das teorias de Darwin e Lamarck
d) teoria de Darwin
e) teoria de Malthus
16) Em sua estadia no Arquipélago de Galápagos, Darwin estudou um 
grupo de espécies de pássaros, muito semelhantes entre si, mas com o 
bico diferente, adaptado a distintos regimes alimentares. Estas espécies 
diferentes originaram-se de um ancestral comum. Este é um mecanismo 
Evolução
88
evolutivo denominado:
a) co-evolução.
b) fluxo gênico.
c) convergência adaptativa.
d) irradiação adaptativa.
e) hibridação.
17) Assinale a opção que se refere à principal contribuição de Charles 
Darwin à teoria da evolução.
a) A seleção natural atua como a principal força criadora das mudanças 
evolutivas.
b) Existe em todos os organismos um impulso interior para a perfeição.
c) A vida é gerada contínua e espontaneamente de forma muito simples.
d) Todos os organismos têm capacidade de adaptar-se ao ambiente.
e) Os caracteres adquiridos transformam-se em hereditário.
18) Ao formular sua teoria para explicar a evolução dos organismos, o 
inglês Charles Darwin baseou-se em fatos, tais como:
(01) em uma espécie, os indivíduos não são exatamente iguais, havendo 
diferenças que tornam alguns mais atraentes, mais fortes, etc.
(02) populações crescem mais depressa do que a quantidade de alimentos 
necessária para supri-las.
(04) caracteres adquiridos são passados às descendências.
(08) uso demasiado de uma estrutura leva à hipertrofia da mesma.
(16) mutações são muito frequentes.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
19) Foram introduzidas em dois frascos, que contêm um mesmo meio de 
cultura, quantidades idênticas de um tipo de bactéria. Após algum tempo de 
incubação, adicionou-se, a apenas um dos frascos, um antibiótico estável, 
de uso frequente na clínica e cuja concentração não se modificou durante 
todo o experimento. 
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89
O gráfico acima representa a variação do número de bactérias 
vivas no meio de cultura, em função do tempo de crescimento bacteriano 
em cada frasco.
A observação do gráfico permite concluir que, no frasco em que 
se adicionou o antibiótico, ocorreu uma grande diminuição do número de 
bactérias. Utilizando a teoria da seleção natural, explique o fato de essa 
população ter voltado a crescer, após a diminuição observada.
20) O tema “teoria da evolução” tem provocado debates em certos locais 
dos Estados Unidos da América, com algumas entidades contestando seu 
ensino nas escolas. Nos últimos tempos, a polêmica está centrada no termo 
teoria, que, no entanto, tem significado bem definido para os cientistas. Sob 
o ponto de vista da ciência, teoria é
a) sinônimo de lei científica, que descreve regularidades de fenômenos 
naturais, mas não permite fazer previsões sobre eles.
b) sinônimo de hipótese, ou seja, uma suposição ainda sem comprovação 
experimental.
c) uma ideia sem base em observação e experimentação, que usa o senso 
comum para explicar fatos do cotidiano.
d) uma ideia, apoiada pelo conhecimento científico, que tenta explicar 
fenômenos naturais relacionados, permitindo fazer previsões sobre eles.
e) uma ideia, apoiada pelo conhecimento científico, que, de tão comprovada 
pelos cientistas, já é considerada uma verdade incontestável.
Evolução
90
21)Em relação à evolução biológica de coelhos de uma determinada região:
I. O coelho evoluiu de ancestrais de orelhas curtas que se desenvolveram 
gradativamente pelo esforço do animal em ouvir a chegada dos predadores.
II. Os ancestrais dos coelhos apresentavam tamanhos variáveis de orelhas; 
o predatismo dos carnívoros selecionou aqueles de orelhas mais longas.
III. Os coelhos de orelhas longas conseguem deixar um maior número de 
descendentes que os de orelhas curtas.
IV. Os coelhos de orelhas longas, adquiridas pela necessidade de perceber 
a aproximação dos predadores, transmitem essa característica para seus 
descendentes.
Considerando as afirmativas acima, selecione a alternativa correta:
a) I e II são lamarckistas e III e IV são darwinistas.
b) II e III são lamarckistas e I e IV são darwinistas.
c) I e IV são lamarckistas e II e III são darwinistas.
d) III e IV são lamarckistas e I e II são darwinistas.
e) I e III são lamarckistas e II e IV são darwinistas.
22)“Fiquei tão impressionado com a distribuição dos organismos nas 
Galápagos, com o caráter dos mamíferos fossilizados americanos que 
decidi coletar às cegas toda a sorte de dados que pudessem ter alguma 
relação com o que são as espécies. Por fim, surgiram alguns raios de luz, 
e estou quase convencido de que as espécies não são imutáveis. Deus me 
livre do disparate lamarckiano de uma “tendência para o progresso” (…) de 
“adaptações oriundas da vontade lenta dos animais”. Mas as conclusões 
a que sou levado não diferem muito dele, embora os meios de mudança 
sejam inteiramente diferentes. Creio haver descoberto a maneira simples 
pela qual as espécies se adaptam primorosamente às diversas finalidades”. 
(Carta de Charles Darwin).
Considerando-seos conhecimentos da época, as novas ideias de Darwin 
podem ser reconhecidas na afirmativa:
a) As necessidades fisiológicas das espécies modificam-se através dos 
tempos, porque os organismos estão submetidos a ações e influências 
diretas e imediatas do ambiente.
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91
b) As espécies atuais descendem de espécies do passado em decorrência 
de bruscas e profundas mudanças.
c) Diferenças entre os indivíduos de uma população conferem-lhe potencial 
adaptativo — condição básica para a sobrevivência e adaptação.
d) Há, em todas as espécies, uma força interior que a conduz para o seu 
aprimoramento e especialização.
e) A maneira simples, pela qual as espécies evoluíram, pode ser entendida 
como a preservação, através de gerações, das características adquiridas 
pelo maior uso de uma estrutura.
23)A Teoria de Charles Darwin foi fundamental para o avanço do 
conhecimento evolutivo. Analise as afirmativas abaixo sobre os princípios 
básicos da Teoria de Darwin, divulgadas através do livro “A Origem das 
Espécies”.
I. Admite, em oposição ao fixismo, o conceito de um universo em constante 
mudança, substituindo as ideias anteriores de um mundo estático, idêntico 
em sua essência à criação perfeita.
II. Sugere que as alterações morfológicas, provocadas em determinadas 
características do organismo, pelo uso ou desuso constante, são 
transmitidas aos descendentes de todas as gerações seguintes.
III. Sugere que todos os organismos descenderam, com modificações, de 
ancestrais comuns, e que o principal agente de modificação é a ação da 
seleção natural sobre a variação individual.
IV. Afirma que a fome é um fator importante na manutenção do número de 
indivíduos constantes na população humana, pois, enquanto a produção 
de alimentos cresce em escala aritmética, a população humana cresce em 
escala geométrica.
Assinale a alternativa correta.
a) I e II são verdadeiras.
b) II e III são verdadeiras.
c) I e III são verdadeiras.
d) III e IV são verdadeiras.
e) II e IV são verdadeiras.
Evolução
92
24) Charles Darwin e Gregor Mendel foram contemporâneos; mas o primeiro 
jamais conheceu as ideias do segundo. Considerando as ideias de um e de 
outro, pode-se afirmar que:
a) a teoria da seleção natural é inválida, uma vez que não explica os 
mecanismos genéticos que provocam a diversidade biológica.
b) Mendel lançou as bases da teoria sintética da evolução, uma vez que as 
mutações são as únicas causas que explicam a variedade genética entre 
os organismos.
c) Darwin defendia que características advindas no curso de vida do 
organismo, se vantajosas, poderiam ser herdadas pela prole.
d) os experimentos de Mendel com ervilhas mostram que o cruzamento 
genético produz diversidade biológica e evita a extinção de espécies.
e) o neodarwinismo utiliza as ideias de Mendel para explicar que os genes 
são as unidades de evolução cujos mecanismos são dirigidos pela seleção 
natural defendida por Darwin.
25) Joana vai ao médico se queixando de dor na garganta, e diz que os 
antibióticos que havia tomado não resolveram seu problema. Ao definir o 
diagnóstico, o médico relatou que a infecção era causada por uma bactéria 
resistente aos antibióticos ingeridos. Considerando seu conhecimento sobre 
a teoria da Seleção Natural proposta há cerca de 150 anos por Darwin e 
Wallace, leia as proposições abaixo.
1) O hábito da automedicação pode selecionar bactérias naturalmente 
resistentes a antibióticos presentes no corpo de Joana.
2) Mutações induzidas pela ação das drogas utilizadas são os principais 
agentes da seleção de bactérias resistentes a antibióticos.
3) Além dos antibióticos, bactérias responsáveis por uma infecção sofrem a 
pressão seletiva da resposta imunológica.
Está(ão) correta(s) apenas:
a) 1 e 2 d) 1
b) 2 e 3 e) 2
c) 1 e 3
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93
26) Faz parte da teoria de evolução proposta originariamente por Charles 
Darwin a seguinte afirmação:
a) A competição pela sobrevivência limita-se à luta entre os indivíduos.
b) Variações nas populações surgem por meio de mutação e de recombinação 
gênica e sobre elas atua a seleção natural.
c) As características hereditárias são transmitidas de uma geração para 
outra segundo regras bem estabelecidas.
d) A vida na Terra se originou a partir de moléculas de ácidos nucléicos.
e) As características dos indivíduos misturam-se em seus descendentes.
27)Em termos evolutivos, pode-se afirmar que a reprodução sexuada é 
mais vantajosa que a assexuada porque
a) favorece a formação de indivíduos geneticamente idênticos.
b) permite a replicação exata de indivíduos especialmente bem adaptados 
a certos ambientes.
c) elimina a necessidade de um ajuste contínuo frente às condições 
ambientais.
d) dá oportunidade à população de adaptar-se às mudanças das condições 
ambientais.
e) elimina a capacidade de invasão de novos ambientes por competição.
28)Identifique, entre os postulados darwinistas abaixo, o único em que se 
verifica a influência das ideias de Malthus.
a) Os indivíduos de uma espécie apresentam diferenças.
b) A cada geração, o número de indivíduos produzidos é maior do que o 
que pode sobreviver.
c) Algumas diferenças entre os indivíduos de uma espécie são herdadas.
d) Os indivíduos com as características mais favoráveis sobrevivem.
e) Os indivíduos com as características mais favoráveis reproduzem 
melhor.
Evolução
94
29) Darwin ajuda luta contra AIDS
Charles Darwin aprovaria. O novo tratamento contra a AIDS, em 
desenvolvimento na Universidade Harvard, promete um raro avanço no 
combate à doença. Mas, melhor ainda, pela primeira vez uma terapia está 
levando a sério a teoria da evolução darwiniana, baseada no princípio 
da seleção natural (...). A equipe da Universidade resolveu testar o que 
aconteceria se uma população de vírus fosse submetida a várias drogas, 
AZT, DDI e Piridinona, que atacassem o mesmo alvo. O alvo é a enzima 
transcriptase reversa, que o HIV usa (...) para integrar seu genoma ao da 
célula infectada. (...). O resultado foi revolucionário (...), o vírus acabou 
perdendo a capacidade de se multiplicar. (...). O tratamento só é eficaz 
quando as drogas são ministradas conjuntamente (...)
(Folha de S. Paulo, 28.02.1993.)
Lembre-se de que cada droga reconhece e atua sobre uma região 
específica da enzima transcriptase reversa, e que as enzimas dependem 
de sua composição de aminoácidos e estrutura espacial para exercer sua 
função. 
a) Do ponto de vista evolutivo, e considerando a ação da seleção, explique 
o que ocorreria com a população viral se fosse utilizada uma única droga.
b) Por que o tratamento só se mostrou eficaz com a administração conjunta 
das três drogas?
30) O conhecimento atual dos mecanismos do código genético vem 
demonstrar a casualidade das mutações. Assim, a mutação ocorre 
independentemente do seu valor adaptativo, não sendo os seus efeitos 
dirigidos pelo ambiente.
A que afirmativa(s) esta dedução vem se contrapor?
I. Ao finalismo de Lamarck, que estabelece que o desenvolvimento de um 
órgão tende a satisfazer as necessidades impostas pelo ambiente.
II. À ideia de que as espécies teriam sido criadas independentemente umas 
das outras, como estabelecido no criacionismo defendido por Alfred Russel 
Wallace e Thomas Malthus.
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95
III. Ao darwinismo, que atribuía ao meio a capacidade de selecionar os 
organismos, eliminando os menos aptos.
a) Nenhuma das afirmativas está correta.
b) Só a alternativa II está correta.
c) As afirmativas I e III estão corretas, mas só a primeira atende 
satisfatoriamente ao questionamento formulado.
d) As afirmativas II e III estão corretas, mas só a II atende ao pressuposto 
estabelecido.
e) Nenhuma das afirmativas, apesar de corretas, contrapõe-seà assertiva 
formulada.
31) Observe as afirmativas abaixo, referentes às teorias da Evolução.
I. Se todos os indivíduos de uma espécie se reproduzissem, as populações 
cresceriam de forma acelerada, em progressão geométrica.
II. Os indivíduos de uma mesma espécie são diferentes entre si apresentando 
muitas variações.
III. A cada geração morre grande número de indivíduos, muitos deles sem 
deixar descendentes.
IV. Todas as características apresentadas por uma geração são herdadas 
dos pais.
V. As espécies serão representadas por indivíduos adaptados ao ambiente 
em que vivem.
Marque a alternativa que contém a idéia do Ensaio de Malthus que 
influenciou a Teoria da Evolução de Darwin-Wallace.
a) Afirmativas I, II e IV.
b) Afirmativa I.
c) Afirmativas III e V.
d) Afirmativas I, III e V.
e) Afirmativas I, IV e V.
32) Os anfíbios são animais que apresentam dependência de um ambiente 
úmido ou aquático. Nos anfíbios, a pele é de fundamental importância 
para a maioria das atividades vitais, apresenta glândulas de muco para 
Evolução
96
conservar-se úmida, favorecendo as trocas gasosas e, também, pode 
apresentar glândulas de veneno contra microorganismos e predadores. 
Segundo a Teoria Evolutiva de Darwin, estas características dos anfíbios 
representam a
a) lei do uso e desuso.
b) atrofia do pulmão devido ao uso contínuo da pele.
c) transmissão de caracteres adquiridos aos descendentes.
d) futura extinção destes organismos, pois estão mal adaptados.
e) seleção de adaptações em função do meio ambiente em que vivem.
GABARITO [Teorias da Evolução]:
01) C; 02) A; 03) B; 04) D; 05) B; 06) a) O macho que detém o território 
de melhor qualidade é escolhido primeiro. b) As fêmeas que escolhem os 
machos que ocupam os melhores territórios têm evolutivamente, mais 
chance de criar sua prole; a seleção natural, portanto, deve ter favorecido 
aquelas fêmeas com maior capacidade de analisar a qualidade do território 
ocupado por um macho.; 07) 02+16=18; 08) Sim. De acordo com o 
pensamento de Lamarck a exposição traria a propriedade de ser resistente 
em relação ao antibiótico. O que ocorre, na verdade, é que o antibiótico 
seleciona as formas mais resistentes; 09) E; 10) A; 11) C; 12) A; 13) A; 14) 
D; 15) B; 16) D; 17) A; 18) 01+02=03; 19) Ao acrescentar-se o antibiótico, 
as bactérias sensíveis foram eliminadas, mas as resistentes, que eram em 
pequeno número, cresceram normalmente; 20) D; 21) C; 22) C; 23) C; 24) 
E; 25) C; 26) E; 27) D; 28) B; 29) a) A utilização de uma única droga poderia 
permitir o aparecimento de mutantes em relação a ela. Estes rapidamente 
se multiplicam e a droga torna-se ineficiente. b) O tratamento só se mostrou 
eficaz com a administração conjunta das três drogas porque a probabilidade 
de surgirem mutantes para as três ao mesmo tempo é pequena. 30) C; 31) 
B; 32) E.
 
Leitura complementar
Alguns livros trazem de forma bem simples e ilustrada mais 
informações sobre Evolução e o Darwinismo. Eis alguns títulos no quadro 
a seguir;
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97
Atividade complementar
Aos domingos, por vezes, somos acordados por membros de 
igrejas nos mostrando a palavra de Deus, pregando através de revistas e 
folhetos passagens bíblicas. Um grupo 
de humoristas criou um vídeo, disponível 
gratuitamente, no qual demonstram 
algo similar, em termos de abordagem, 
mas pregando a “palavra de Darwin”. 
O vídeo é intitulado Testemunha de 
Darwin. È interessante que consiga 
ver o outro lado da moeda. Assista no link: https://www.youtube.com/
watch?v=ssfaAcxDXU4.
1.3. Teoria sintética da Evolução
Conjunto de ideias que explica o mecanismo evolutivo, a partir da 
seleção natural proposta por Charles Darwin e Alfred Russell Wallace, e dos 
conhecimentos que permitiram explicar a origem da diversidade biológica 
(mutação, recombinação, migrações e oscilação ou deriva genética).
1.3.1. Um pouco de história: Mutacionistas versus Selecionistas
O termo mutação já havia sido usado por Hugo DeVries ao descrever 
as alterações que ele encontrou no cultivo de Oenothera lamarckiana, uma 
planta de jardim conhecida por prímula. Como as variações que surgiam 
nas prímulas em seu jardim, a partir da forma original da planta, eram muito 
grandes e surgiam de uma geração para outra, de forma abrupta, DeVries 
propôs uma nova teoria evolutiva. Segundo a teoria, a evolução dar-se-ia 
Evolução – Série Mais Ciência 
de David Burnie. Este livro de 
bolso traz uma síntese muito 
interessante sobre os princi-
pais conceitos relativos a Evo-
lução. Adaptação, origem da 
vida e origem do homem, além 
de textos sobre as ideias de 
Darwin e Lamarck.
Darwin e a evolução em 90 
minutos de Paul Strathern. 
Este livro traz uma síntese da 
ideia principal do Darwinismo, 
além de algumas informações 
biográficas sobre o naturalista 
inglês. Interessante resume 
numa cronologia os principais 
momentos da vida do grande 
evolucionista.
Evolução
98
aos saltos, de uma geração para outra, em decorrência das mutações que 
seriam as únicas responsáveis por provocar alterações nos organismos, as 
variações.
Nas três primeiras décadas do século XX, com a denominação 
geral de mutacionista, foi a teoria evolutiva predominante, apoiada pelos 
principais geneticistas da época, incluindo Thomas Hunt Morgan e seu 
grupo.
A hipótese de saltos, proposta por DeVries, e conceito fundamental 
para os mutacionistas, não considerava a seleção natural proposta por 
Darwin como fator evolutivo, uma vez que, por seleção natural, o processo 
de mudanças seria lento e gradual.
Nessas primeiras três décadas, os mutacionistas só foram 
contestados pelos ditos selecionistas que continuavam defendendo a idéia 
da seleção natural como responsável pelo processo evolutivo e, à medida 
que foram sendo acumulados exemplos da ação da seleção natural, 
ficava cada vez mais difícil ignorá-la. Mais uma vez os dados mostravam o 
caminho para a explicação dos fenômenos. Entre os exemplos da época, 
sugerindo a ação seleção, destacam-se:
-o melanismo industrial das mariposas inglesas;
- mimetismo em borboletas, especialmente envolvendo as espécies 
monarca e vice-rei;
- os pássaros de Galápagos;
- a anemia falciforme;
- diversas doenças da espécie humana e de outros animais.
SAIBA MAIS
As leis de Mendel e o surgimento da genética
Muitos cientistas opinam a respeito do trabalho de Gregor Mendel (1822 
– 1884) e sobre o qual teria sido a consequência caso Darwin tivesse tomado 
conhecimento a seu respeito que explicavam os mecanismos de transmissão 
dos caracteres de pais para filhos e, consequentemente, a hereditariedade das 
variações.
Na realidade, publicado em 1866, e redescoberto em 1900, o trabalho de 
Mendel só foi totalmente aceito em 1910 e só foi ligado à teoria de Darwin entre as 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
99
décadas de 1930 e 1940, quando seus princípios foram aplicados às populações e 
associados à ideia de seleção natural, com centenas de pesquisadores no mundo 
todo se dedicando ao assunto. A redescoberta do trabalho de Mendel em 1900 e 
sua ampla aceitação, em 1910, marca o inicio de uma ciência, a Genética. Embora 
já decorridos mais de 100 anos, estaé considerada uma ciência recente se 
comparada a outras áreas da Biologia como a Botânica, a Zoologia, a Fisiologia.
A redescoberta das leis de Mendel foi feita, de modo independente 
e quase simultâneo, por três pesquisadores: - o holandês Hugo Marie deVries 
(1848–1935); o austríaco Erich Von Tschermak–Seysenegg (1871–1962); o 
alemão Carl Erich Correns (1864–1933). A este ultimo é atribuído o fato de ter 
sido o primeiro a reconhecer a prioridade do trabalho de Mendel. Correns tinha 
sido orientado cientificamente por Karl Wilhelm vonNageli (1817–1891) que, em 
1866, trocou correspondência com Mendelpor ocasião da publicação do trabalho, 
quetinha-ona sua biblioteca. Correns herdou a biblioteca de Nageli, pois além de 
ex-aluno, era casado com sua sobrinha-neta.
O fato de o trabalho ter sido ignorado ou negligenciado por 34 anos 
é a maior evidência do conservadorismo cientifico. Todo conhecimento novo 
deve ser acrescentado a conhecimentos já existentes e estar neles embasado. 
Mendel, que além de monge era naturalista e matemático, havia proposto que 
toda característica física dos indivíduos fosse determinada por dois fatores, um 
herdado do pai e o outro da mãe, os quais se separariam na formação dos gametas 
e se uniriam ao acaso, para a formação do descendente. A hipótese foi proposta 
porque, matematicamente, ela resolvia a questão da proporção de 75% para 25%, 
ou 3:1, encontrada na segunda geração de cruzamentos entre indivíduos com 
caracteres diferentes. O trabalho de Mendel, embora revolucionário para a época, 
também surgiu a partir de conhecimentos prévios, isto e, baseou-se em trabalhos 
anteriores.
Kolreuter, em 1760, realizou cruzamentos entre plantas de tabaco de 
flores com cores diferentes, obtendo resultados que, se interpretados corretamente, 
teriam levado a conclusões semelhantes às de Mendel. O mesmo aconteceu com 
Knight, Seton e Goss, botânicos ingleses, por volta de 1820, cruzando ervilhas 
de sementes amarelas e verdes (a mesma espécie usada por Mendel, 40 anos 
depois). Gertner, na mesma época, obteve resultados semelhantes trabalhando 
com tabaco e milho. Charles Naudin, por volta de 1850, realizou uma série de 
cruzamentos com varias espécies de plantas e encontrou resultados muito 
semelhantes aos de Mendel, propondo unidades que chamou de essências. As 
essências seriam responsáveis pela determinação das características hereditárias. 
Encontrou também a proporção de 3:1 na segunda geração dos descendentes 
dos cruzamentos e só não chegou a completar o trabalho porque não analisou 
matematicamente os dados. Mesmo assim, embora o modelo matemático proposto 
por Mendel explicasse a proporção 3:1, não havia nenhuma base biológica para 
a hipótese, com a agravante de que ela propunha um modelo para transmissão 
de caracteres de variação discreta, quando toda a comunidade científica estava 
voltada para caracteres de variação contínua, proposta por Galton.
Nos 34 anos que se seguiram a 1866, até o trabalho ser redescoberto, 
vários conhecimentos biológicos novos convergiram para hipótese matemática de 
Evolução
100
Mendel. Entre as mais diretamente correlacionadas, temos:
- a descrição da diferença entre células somáticas e germinativas, 
ficando resolvida a questão da origem dos gametas;
- a descrição das estruturas da célula e as do núcleo;
- o entendimento da fecundação e a descrição da união dos gametas 
(óvulos e espermatozoides)
- a descrição dos cromossomos;
- a descoberta de que os gametas contêm metade dos cromossomos 
das células somáticas;
- a sugestão da correlação entre cromossomos, núcleo e hereditariedade 
(transmissão das características hereditárias de pais e filhos);
- a descrição da mitose e meiose.
Mesmo assim, só em 1902, dois anos após a redescoberta dos trabalhos 
de Mendel, é que foi publicado o trabalho de Walter Sutton e Theodor Boveri, 
estabelecendo a correlação entre meiose e a hipótese de Mendel.
A polêmica sobre a validade ou extensão do trabalho de Mendel, criticado 
pelos adeptos das ideias de Galton, sobre se os caracteres tinham variação 
contínua ou discreta e, se o material genético era composto por fatores ou era 
diluído, só foi resolvida com os trabalhos de Nilsson-Ehle em 1909 e de E. M. East 
em 1910. Estes dois pesquisadores propuseram que um mesmo caráter poderia 
ser determinado por mais de um par de fatores (ou genes), o que faria com que 
o caráter variasse na população de forma continua. Assim, houve a conciliação 
entre a Genética Quantitativa ou Herança Poligênica, proposta por Galton, e o 
trabalho de Mendel.
Nas primeiras décadas do século XX foram estabelecidas todas as bases 
da transmissão das características hereditárias, principalmente em decorrência dos 
resultados obtidos pelo grupo de pesquisa de Thomas Hunt Morgan, trabalhando 
com a mosca Drosophilamelanogaster. A partir do primeiro mutante de cor de 
olho encontrado no laboratório, o mutante “White”, foram descobertos centenas 
de outros, muitos deles gerados em laboratório por radiação e a mutação passou 
a ser considerada a origem ou a fonte das variações genéticas das populações.
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101
1.3.2. A síntese evolutiva
Após três décadas, foi possível conciliar as discussões dos 
selecionistase dos mutacionistas e o resultadodessajunçãoconvencionou-
se chamar de moderna síntese ou teoria sintética, porque se procurava 
acomodar em uma síntese todo o conhecimento dos mutacionistas e dos 
selecionistas. É também chamada de neodarwinismo, uma vez que aceita 
plenamente a ideia de seleção natural de Darwin, completando com a 
informação que faltava: a origem da variação. 
Embora historicamente seja dito que a teoria sintética foi estabelecida 
em 1930, essa afirmação é uma aproximação simplificada. A partir de 1937, 
cientistas, como TheodosiusDobzhansky, Ernst Mayr, Gailord L. Simpson, 
Julian Huxley, organizaram as ideias expostas nos trabalhos de Sergei S. 
Chetverikov (1926), R. A. Fisher (1930), Sewall Wright (1931) e J. B. S. 
Haldane (1932), e apenas no final da década de 1940 é que os conceitos 
foram razoavelmente estabelecidos e correlacionados.
1.3.3. Premissas da teoria sintética
A teoria sintética, ou neodarwinismo, foi estabelecidacom baseem 
algumas premissas principais, que são:
a) O processo evolutivo é o resultado do equilíbrio das forças 
geradas pela taxa de mutação e pela pressão de seleção;
b) As mutações gênicas ocorrem ao acaso e são responsáveis por 
toda variação genética encontrada nas populações;
c) A seleção natural molda as populações às condições ambientais 
através de um processo de eliminação das variáveis (mutações) não 
adaptadas e favorecimento das variáveis que aumentam a adaptação dos 
indivíduos ao ambiente. Toda variabilidade genética é seletiva, ou seja, se 
para um dado caráter existirem duas formas diferentes a mesma população, 
uma é melhor que a outra e acaba por eliminá-la ao longo das gerações;
d) A variabilidade genética nas populações é pequena em 
decorrência da ação da seleção natural;
e) Todas as populações são infinitamente grandes. Estatisticamente, 
para uma população ser considerada como infinitamente grande ela deve 
ter, no mínimo, 1000 indivíduos;
Evolução
102
f) A migração e o sistema de acasalamento são fatores 
complementares. Entende-se por migração a ocorrência de fluxo gênico 
entre populações. O sistema de acasalamento pode ser ao acaso ou 
preferencial. Ao acaso, quando a frequência de cruzamentos entre indivíduos 
com características fenotípicas diferentes depende exclusivamente 
das frequências destas características. Quando em uma população 
os cruzamentos ocorrem ao acaso, ela é considerada panmítica. O 
acasalamento é considerado preferencial, quando diferentes características 
genéticas dos indivíduos de uma população interferem na formação de 
casais e tipos semelhantes preferem cruzar entre si e os cruzamentos 
deixam de ser ao acaso. Nesse caso a população é não panmítica.
Ficou também definido que a unidade do processo evolutivo é a 
população genética, também chamada de deme, e a área da Genética que 
estuda a questão foi denominada Genética de Populações (será estudada 
com mais detalhes na próxima Unidade).
O fato de a população ser a unidade do processo evolutivo 
significa que o processo não ocorre em outro nível taxonômico a não ser 
na população. Portanto, mesmo diferenças grandes como as encontradas 
entre populações pertencentesa famílias diferentes, como os Felideae e 
os Canideae, por exemplo, são decorrentes de alterações sofridas pela 
população ancestral dos dois grupos e acumuladas, após a diferenciação, 
ao longo das gerações. Todas as populações atuais destes animais tem uma 
relação ancestral/descendente com a população de carnívoros, ancestral 
das duas famílias.
Tomando como base as premissas, foi considerado que:
1) Como as populações eram infinitamente grandes, a evolução 
teria como fator casual apenas a mutação, uma vez que a ocorrência de 
erro amostral (deriva genética) seria desprezível;
2) As populações seriam moldadas, ajustadas ao ambiente pela 
ação da seleção natural;
3) Como as populações eram infinitamente grandes, o processo de 
substituição gênica ocorreria de forma lenta e gradual, sem deriva genética 
e, consequentemente, o processo de diferenciação de populações seria 
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103
lento e gradual. Em decorrência, algumas das questões eram: o quanto a 
população precisaria mudar geneticamente para que surgisse uma espécie 
nova, e quanto tempo demoraria?
1.3.4. O polimorfismo genético
Uma população é polimórfica quando, para um mesmo caráter, 
pode ser encontrada mais de uma forma na população. O polimorfismo 
é chamado genético quando as diferentes formas são decorrentes de 
mutações gênicas.
Quando ocorre uma mutação e ela é passada às gerações 
seguintes, a população inicialmente é polimórfica em relação à aquela 
característica, ou seja, contém mais de uma forma da mesma característica 
porque convivem indivíduos que possuem alelos mutados e outros que são 
portadores alelo original. Nem sempre é possível saber, numa população 
polimórfica, qual é o alelo original e qual o alelo mutante.
Para a teoria sintética, todo polimorfismo é transitório, ou seja, 
toda vez que num mesmo loco existam dois ou mais alelos diferentes, um 
deles dará maior capacidade adaptativa a seu portador e será favorecido 
pela seleção natural que, nesse caso, atua de forma purificadora. Assim, o 
polimorfismo é transitório e perdurará pelo numero de gerações necessário 
para que os alelos menos adaptados sejam eliminados.
A partir da década de 1950, a questão dos polimorfismos serem 
transitórios passou a ser questionada à medida que mais locos polimórficos 
eram detectados nas populações e essa questão é debatida até hoje.
1.3.5. Os questionamentos à Teoria Sintética da Evolução
A teoria sintética permaneceu sem grandes contestações até o final 
da década de 1960, quando alguns pontos passaram a ser questionados. 
Embora o conceito de seleção natural proposto por Darwin e Wallace não 
tenha sido alterado de forma significativa até hoje, o conhecimento a respeito 
da variação, sobre a qual a seleção atua, sofreu profundas alterações a 
partir da década de 1970. O primeiro abalo ocorre em decorrência do uso 
da técnica de eletroforese de proteínas que mostrou que a variabilidade 
Evolução
104
genética das populações era algumas vezes maior do que se supunha. O 
outro abalo veio da Genética Molecular, a partir da década de 1980, com 
técnicas que permitiram acessar de forma direta o DNA.
Até antes da Genética Molecular, a Genética de Populações inferia 
a composição genotípica das populações pela analise fenotípica dos 
indivíduos. A partir da Genética Molecular, passou a ser possível o acesso 
direto ao genótipo.
1.3.6. Teoria do equilíbrio pontuado
Proposta em 1972 por NilesEldredge e Stephen Jay Gould, a 
teoria do equilíbrio pontuado propõe que o processo evolutivo consiste de 
alternâncias entre períodos de paralisia e períodos pontuados. Nos períodos 
de paralisia, as populações permanecem sem alterações significantes. 
Nos períodos pontuados, as populações sofrem modificações rápidas que 
alteram a espécie ou provocam o aparecimento de novas espécies.
Por questionar o neodarwinismo, a teoria do equilíbrio pontuado 
teve mais evidência entre os cientistas, e na mídia em geral, do que ela 
eventualmente merecesse. Dizer que Darwin está errado ou criticar a teoria 
sintética sempre tem mais impacto do que falar favoravelmente.
Após o aparecimento da teoria do equilíbrio pontuado, uma grande 
quantidade de publicações, cientificas ou não, entraram no vácuo das 
criticas, nas lacunas surgidas no conhecimento, e muito foi comentado a 
SAIBA MAIS
STEPHEN JAY GOULD
Paleontólogo norteamericano e um dos autores da Teoria do Equilíbrio 
Pontuado foi também um dos mais consagrados autores de Divulgação Científica. 
Sempre com títulos instigantes, foi autor de várias obras como “A galinha e 
seus dentes”, “O sorriso do flamingo”, “Darwin e os grandes enigmas da vida”, 
“A falsa medida do homem”, “O polegar do panda”, “A montanha de moluscos 
de Leonardo Da Vinci” entre outros (muitos publicados em português). Nestas 
obras Gould oportuniza os leitores não especializados a chance de conhecer 
trabalhos científicos que explicitam detalhes do processo evolutivo desenhado nas 
características de animais e plantas, natureza a fora. Um convite para o deleite.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
105
respeito. Vários conceitos que já estavam enterrados foram ressuscitados.
Os principais argumentos dos críticos eram:
1) Se o documentário fóssil mostra que as mudanças são rápidas, 
elas não podem ser explicadas por seleção natural;
2) Se as alterações são grandes e os tipos intermediários não 
são encontrados nos fósseis, é porque as mutações gênicas, como foram 
propostas, não são a única fonte primária de variabilidade.
A ocorrência de micromutações e de macromutações voltou a ser 
proposta. Micromutações seriam alterações pequenas na sequência de 
DNA com pequeno impacto fenotípico. Em decorrência, teriam pequena 
consequência evolutiva e explicariam a existência de polimorfismos 
para caracteres responsáveis por pequenas alterações adaptativas das 
populações e, por isso, desimportantes sob o ponto de vista taxonômico. 
Macromutações seriam mutações capazes de afetar toda uma estrutura 
orgânica, todo um órgão, e provocariam profundas mudanças fenotípicas, 
com importância taxonômica, pois poderiam dar origem a novos grupos. 
As mutações que teriam provocado o aparecimento das penas e dos bicos 
nas aves, ou a evolução do coração dos vertebrados superiores a partir 
de um coração de duas câmaras nos peixes, para os de três câmaras os 
anfíbios e répteis, e de 4 câmaras nos crocodilos, nas aves e mamíferos, e 
muitos outros exemplos de estruturas desse tipo, teriam sido causadas por 
macromutações.
A partir dessas ideias, adaptações populacionais voltaram a 
ser chamadas de microevolução, e mudanças maiores, responsáveis 
pelo aparecimento de grupos diferentes, voltaram a ser chamadas de 
macroevolução. Esses conceitos, que já não eram mais discutidos há 
décadas, voltaram a ser lembrados.
É importante dizer que a teoria do equilíbrio pontuado foi proposta 
por paleontólogos, baseada em dados de fósseis. O documentário fóssil 
é extremamente importante como prova da ocorrência da evolução para 
o estabelecimento de padrões evolutivos e para estudos de relação de 
parentesco (filogenias) dos diversos grupos de seres vivos. Porém, ele é 
limitado pelo tamanho e pela qualidade das amostras e, dificilmente, pode 
Evolução
106
dar informação sobre o processo ou documentar como a mudança ocorreu. 
Assim, a teoria do equilíbrio pontuado descreve o padrão encontrado, mas 
não propõe uma maneira para explicar como as mudanças ocorrem.
1.3.6.1. Inconsistências da Teoria do Equilíbrio Pontuado
Como acontece frequentemente na ciência, especialmente com 
assuntos empolgantes como o entendimento do processo evolutivo dos 
seres vivos, uma vez passado o momento da polêmica, quando a emoção 
às vezes suplanta a razão, estudos mais aprimorados colocam, tantoquanto possível, as explicações nos seus devidos lugares. 
Como todas as teorias, a do equilíbrio pontuado também tinha suas 
premissas e conclusões e, a partir delas, foram feitas muitas deduções. 
Toda teoria começa a apresentar problemas quando as premissas são 
questionáveis ou falsas, ou quando as deduções contêm erros conceituais 
ou extrapolam os dados.
A teoria do equilíbrio pontuado, que também ficou conhecida como 
saltacionismo, tinha como premissa básica que as mudanças eram rápidas 
e aos saltos. A premissa mostrou-se falsa, pois uma análise mais detalhada 
mostrou que, embora mais rápida do que o previsto eventualmente pela 
teoria sintética, as mudanças demoravam milhares ou milhões de anos. 
Embora geologicamente rápidos, os períodos eram suficientemente 
longos para permitir alterações populacionais dentro do previsto pelo 
neodarwinismo. Em decorrência, foi estabelecido o conceito de que não 
existem possibilidades de alterações que não sejam populacionais e 
que todas as populações guardam, obrigatoriamente, uma relação de 
ascendência com as populações ancestrais.
Como todos os indivíduos morrem a cada geração, não existe 
possibilidade de ocorrer uma falha ou um salto de gerações, pois quando 
todos os indivíduos de uma geração morrem, sem deixar descendentes, a 
população é extinta.
O apelo às macromutações para explicar o aparecimento de 
estruturas diferentes e complexas, de forma aparentemente abrupta, já foi 
feito várias vezes ao longo da história da Biologia. Como tal fenômeno nunca 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
107
foi observado em populações naturais, a hipótese sobre sua ocorrência 
sempre foi um inferência feita a partir de observações a posteriori. Um 
processo evolutivo baseado em macromutações é biologicamente 
impossível. A única alternativa para seus adeptos é defender a ideia de 
um fator extraordinário.E, para os criacionistas, as macromutações são 
explicadas como parte de um projeto preconcebido, como obra de um ser 
superior, como propõem os defensores do design inteligente.
Macroevolução causada por macromutações é biologicamente 
inviável pelos seguintes motivos:
1) Baixo valor adaptativo dos mutantes. Valor adaptativo (fitness) 
foi definido como a medida da capacidade de sobrevivência de um alelo ou 
de um genótipo de uma geração para outra. Toda mutação ocorre sobre um 
DNA altamente organizado, resultado de milhões de gerações de seleção. 
A probabilidade de que uma mutação nova destrua essa organização é 
muitas vezes maior do que a probabilidade de que ela aumente ou melhore a 
organização; e essa estimativa é feita para mutações de ponto, ou mutações 
pequenas (micromutações). Eventualmente podem ocorrer alterações 
grandes no DNA e que poderiam ser chamadas macromutações. Ocorrer 
elas podem, porém, difícil é o indivíduo portador das mesmas sobreviver, 
dado o estrago que elas produzem em seus portadores ao quebrarem o 
equilíbrio genômico da espécie. Em um sistema complexo e dinâmico como 
o corpo de um ser vivo, uma mudança profunda só sobrevive se junto com 
ela ocorrer um rearranjo geral nos órgãos afetados, o que exige muito mais 
do que uma única macromutação;
2) Supondo que ocorresse uma macromutação que causasse uma 
alteração muito grande. Para que essa alteração pudesse ser passada a 
gerações seguintes, como o processo é populacional, seu portador: a) teria 
de sobreviver; b) teria de encontrar um parceiro sexual que o aceitasse com 
a alteração; c) o descendente híbrido do cruzamento teria de ser viável e 
fértil; d) ao longo das gerações, a alteração teria de aumentar de frequência 
até se fixar na população. Não existem dados que mostrem que alguma 
vez essa sequência tenha acontecido em condições naturais.
Como o processo de ocorrência de mutações e de sua sobrevivência 
Evolução
108
é bem documentado, só o acúmulo de mutações em populações, ao longo 
de gerações, é responsável pelo aparecimento e fixação de diferenças entre 
os organismos e a hipótese de macromutações, para explicar mudanças 
evolutivas, não resiste às evidencias dos fatos.
1.3.6.2. Por que as críticas são importantes?
A teoria do equilíbrio pontuado, ao descrever um padrão evolutivo 
mais rápido, e que aparentemente não poderia ser explicado pela teoria 
sintética, teve importância muito grande nas pesquisas, pois suas criticas 
forçaram a comunidade científica, apoiada nas bases do neodarwinismo, a 
sair da comodidade em que encontrava.
Comentando esse período de acomodação dos cientistas em 
relação à teoria sintética, o pesquisador e historiador da ciência Willian 
Provine, da Universidade de Cornell, USA, disse em uma palestra em 1996: 
“Na década de 1960 nós éramos felizes, porque naquela 
época pensávamos que sabíamos tudo. Até aquela década 
a teoria sintética estava totalmente aceita e explicava todos 
os mecanismos de adaptação; Ernst Mayr havia resolvido o 
problema de especiação baseada numa hipotética revolução 
genética que ocorria nos complexos gênicos coadaptados, 
embora ninguém soubesse exatamente o que isso significava; 
M. J. D. White em seu livro “ModesofSpeciation”, publicado 
em 1968, dera nome e colocara em ordem todos os tipos de 
especiação”.
1.3.7. Ajustes na teoria sintética ou neodarwinismo
Pode-se afirmar que, apesar das turbulências por que passaram, 
tanto o darwinismo, quanto a teoria sintética chegaram, com alguns ajustes, 
como sobreviventes aos dias atuais. A afirmação procede porque, apesar 
dos ajustes:
- a população continua como a unidade do processo evolutivo;
- os fatores evolutivos também continuam os mesmos propostos 
pela teoria sintética: nenhuma exclusão aconteceu e nenhum novo fator 
evolutivo foi proposto.
Então, o que mudou em relação ao processo? A mudança está no 
peso ou no valor atribuído a cada um dos fatores. Não houve alteração 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
109
quanto à origem da variabilidade das populações. A mutação genética e a 
recombinação continuam como fonte primária da variação.
Foi dada à migração com fluxo gênico e à hibridação uma importância 
maior pelo fato de ter sido reconhecido que as espécies são fragmentadas 
em populações e estas, em subpopulações menores, isoladas. Entendeu-
se que o fluxo gênico eventual entre as unidades evolutivas é que permite a 
passagem de características fixadas em algumas populações para outras. 
Compreendeu-se também que a diferenciação entre as populações 
e o cruzamento entre elas, a hibridação, aumentam muito a probabilidade 
do aparecimento de novidades evolutivas.Foi entendido também que 
novidades evolutivas têm menor probabilidade de se fixar, se a espécie 
for formada por uma única população grande.O reconhecimento de que as 
populações são fragmentadas e, na maioria dos casos não são infinitamente 
grandes, levou à aceitação do aumento da probabilidade de ocorrência de 
erros amostrais, a deriva genética.
A seleção natural continuou a ser considerada a única força 
capaz de explicar o ajuste da variabilidade ao ambiente, adaptando as 
populações. No entanto, em alguns eventos, notou-se que ela não era tão 
fundamental. A importância da seleção natural foi minimizada pela teoria 
neutralista e pela deriva genética. O neutralismo demonstrou que nem toda 
variabilidade é seletiva. A deriva genética também foi reconhecida com uma 
força importante na alteração da composição genética das populações, 
podendo afetar o resultado do processo seletivo.
Permanece inalterado o conceito de seleção natural proposto 
por Darwin e Wallace: o ajuste das populações ao ambiente por meio da 
eliminação dos fenótipos mal adaptados, por morte diferencial dos indivíduos 
portadores dos seus genótipos. Foram desenvolvidos estudos e modelos 
matemáticos para quantificar sua atuação e seu efeito, e modelos para 
estimar ovalor adaptativo (fitness) dos genótipos, mas em nada mudou a 
ideia inicial de Darwin e Wallace.Corrigiu-se o exagero dos selecionistas 
que, ao defenderem as ideias de Darwin, atribuíram à seleção natural a 
capacidade de ser purificadora, de ser criadora, no sentido de que tudo que 
sobrevivesse à seleção seria bom e perfeitamente ajustado ao ambiente.
Evolução
110
Darwin propôs que a seleção natural atuava sobre a variação da 
qual desconhecia tanto a origem como a maneira de transmissão hereditária. 
As questões sobre a variação foram estudadas e, na maioria dos casos, 
resolvidas pela Genética a partir de 1900. A teoria evolucionista, a partir dessa 
data, tem sofrido impactos decorrentes dos avanços dos conhecimentos e 
técnicas da Genética, sendo que os últimos deles, decorrentes da Genética 
Molecular, ainda não foram totalmente assimilados pela Genética de 
População, principalmente devido aos problemas decorrentes de tamanho 
das amostras analisadas.
Portanto, as eventuais mudanças na teoria, nos 150 anos 
subsequentes aos trabalhos de Darwin e Wallace, decorrem do conhecimento 
a respeito da variação sobre a qual a seleção natural atua, conhecimento 
este que ainda não afetou o conceito original de seleção natural.
1.3.8. Fatores que sustentam a Teoria Sintética da Evolução
1.3.8.1. Mutações
São mudanças nas sequências de nucleotídeos de DNA de um 
organismo e se constituem em fonte básica de novos alelos chamadas 
Mutações Gênicas. Podem ser também alteração no número de 
cromossomos (Mutações numéricas) ou em longas sequências nucleotídicas, 
que modificam sequências originais de genes (Mutações estruturais), 
caracterizando-se, deste modo, como Mutações Cromossômicas. As 
mutações que fundamentam a variabilidade são aquelas que afetam células 
germinativas. Nos animais, a maior parte das mutações ocorrem em células 
somáticas e, portanto, se perdem quando o indivíduo morre.
a) Mutações Gênicas –São mais raras, mas são as mais importantes 
para a evolução porque geram genes novos.
Sequência original AAAGCG CCC GTT GGC TTA
Adição de nucleotídeos AAA GGC GCC CGT TGG CTT A
Deleção de nucleotídeos AAA _CGC CCG TTG GCT TA
Substituição de nucleotídeos AAA TCG CCC GTT GGC TTA
 G
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111
b) Mutações Cromossômicas – Apesar de não introduzirem 
genes novos, são consideradas importantes por serem bastante comuns. 
Dentre estas mutações destacam-se: mutações numéricas e mutações 
estruturais.
b.1) Mutações numéricas – podem ser de dois tipos:
i) Euploidas – são alterações no número de lotes cromossômicos. 
Ex.: Ao invés de células n ou 2n, os mutantes apresentam 3n, 4n, 5n etc., ou 
seja, a mutação promove aumento de lotes cromossômicos e não de alguns 
cromossomos. As euploidias podem ser derivadas de Autopoliploidia (erros 
na divisão celular) ou por Alopoliploidia (quando resultam do cruzamento 
de indivíduos de espécies diferentes).
ii) Aneuploidias – são alterações que envolvem apenas alguns 
cromossomos a mais ou a menos. Os principais tipos são: monossomias 
(2n – 1), trissomias (2n+1) e tetrassomias (2n+2).
b.2) Mutações Estruturais – são modificações na estrutura dos 
cromossomos. Os principais tipos são:
i) Duplicação – quando uma porção duplicada do cromossomo 
agrega-se a um dos homólogos, gerando regiões que não sofrem 
pareamento.
ii) Perda ou Deleção – quando uma porção de um dos cromossomos 
se perde.
iii) Translocação – quando há troca de segmentos entre 
cromossomos não homólogos.
iv) Inversão – quando uma região do cromossomo sofre uma 
quebra e passa por uma rotação, invertendo completamente sua sequência 
gênica.
Leitura complementar
Quer entender mais sobre mutações e tem vergonha de perguntar? 
Acesso o link abaixo e veja que existem muitas opções para entender mais 
claramente sobre o assunto e conhecer exemplos:
Mutação (http://pt.wikipedia.org/wiki/Muta%C3%A7%C3%A3o)
Mutação gênica (http://www.sobiologia.com.br/conteudos/
Citologia2/AcNucleico10.php)
Evolução
112
1.3.8.2. Recombinação gênica
Com base em dois processos naturais – a Fecundação e a 
Gametogênese – cada organismo que se reproduz sexuadamente já seria 
capaz de gerar um considerável número de combinações de descendentes. 
A recombinação é um processo de diversificação do material gênico parental 
por embaralhamento, tendo em vista que a Gametogênese reduz o número 
de cromossomos nas células germinativas derivadas de células diploides 
(células 2n gerando células n), enquanto que a Fecundação permite a 
reposição numérica de cromossomos na célula-ovo ou zigoto.
1.3.8.3. Seleção Natural
A teoria proposta originalmente 
por Darwin e Walace defende que cabe à 
natureza o papel de eleger os organismos 
considerados mais aptos. Atualmente, são 
reconhecidos pelo menos três mecanismos 
de seleção diferentes: seleção normal ou 
estabilizadora (aquela que privilegia os 
fenótipos considerados intermediários, 
preterindo os fenótipos extremos); a 
seleção disruptiva (exatamente o oposto 
da estabilizadora, privilegia os fenótipos 
extremos, preterindo os intermediários) e a 
seleção direcional (mecanismo alterado em função da existência de um 
fator ambiental que modifique sua tendência à estabilidade).
1.3.8.4. Migrações
Entende-se por migração o fluxo gênico entre duas populações. 
Este fluxo percorre dois sentidos: imigração (corresponde ao fluxo de 
chegada de genes em determinada população) e emigração (corresponde 
ao fluxo de partida de genes em determinada população). Deste modo é 
fácil compreender o peso das migrações para o processo evolutivo: alteram 
constantemente o pool gênico (o conjunto de genes) da população.
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113
1.3.8.5. Oscilação ou Deriva Genética
Corresponde a uma variação percentual de determinados genes 
do pool gênico, tendo em vista que a população constituinte seja pequena 
e que seus cruzamentos não sejam panmíticos (não ocorram ao acaso 
ou, sejam direcionados de algum modo). É chamada também de Deriva 
Genética de Sewall-Wright.
Atividades 
 01) Em uma certa planta aparece uma mutação vantajosa. No decorrer do 
tempo, a frequência do gene mutante tende a
a) Aumentar devido à seleção natural.
b) Diminuir devido à seleção natural.
c) Manter-se constante devido à seleção natural.
d) Aumentar devido ao vigor híbrido.
e) Diminuir devido ao vigor híbrido.
02) Evidências da evolução podem ser obtidas de fósseis, registros 
geológicos, estudos de bioquímica comparativa e de embriologia 
comparativa. Assinale, dentre os exemplos abaixo, aquele que pode ser 
classificado como evidência bioquímica:
a) Observação de marcas de pegadas.
b) Comparação entre órgãos homólogos.
c) Datação radioativa de uma amostra de rocha.
d) Similaridade das moléculas de DNA de dois mamíferos.
e) Comparação entre asa de um inseto e asa de uma ave.
03)Comparando o aparelho bucal de diferentes insetos, como mariposas, 
pernilongos e gafanhotos, notamos que são constituídos segundo um 
mesmo plano estrutural, possuindo adaptações às diferentes formas de 
alimentação.
Assinale a alternativa CORRETA, segundo as teorias evolucionistas.
a) Este é um caso de homologia entre órgãos, relacionado com a existência 
de ancestral comum.
Evolução
114
b) É um caso de divergência adaptativa sem que tenha existido ancestral 
comum.
c) É um caso de analogia, onde os órgãos derivam de um único aparelho 
comum.
d) Não existe relação alguma entre os diferentes aparelhos bucais dos 
insetos.
e) É um caso de convergência adaptativa onde os insetos aparentados 
estão desenvolvendo lentamente alterações nos aparelhos bucais, sendo 
que no futuro as diferenças inexistirão.
04) A mutação é fonte de variabilidade genética. Sobre a mesmaé 
CORRETO afirmar que:
a) é uma reorganização da molécula ribose de DNA humano.
b) altera a estrutura do nucléolo impedindo a síntese de amido nos animais.
c) é uma alteração do material genético dos seres vivos.
d) sempre promove a formação de novas espécies.
e) está livre da atuação da seleção natural.
05) A migração é um processo que consiste na entrada e saída de indivíduos 
de uma população. Com relação a este processo é CORRETO afirmar que:
a) é uma das principais fontes de variabilidade genética para as espécies.
b) ele não é considerado um fator evolutivo.
c) junto com a deriva genética, sempre leva ao aumento da variabilidade 
genética das espécies.
d) através da emigração, pode haver a eliminação de variabilidade genética 
em uma população.
e) nunca produz alterações nas frequências gênicas.
06) Leia as afirmativas abaixo, com relação à evolução dos seres vivos.
I. O mecanismo da evolução caracteriza-se basicamente por 
uma mudança na frequência de certos genes na população, causada por 
mutação, seleção natural, isolamento geográfico e reprodutivo ou deriva 
genética.
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115
II. Quando através do isolamento geográfico, uma população se 
torna diferente da população original e atinge um isolamento reprodutivo, 
dizemos que surgiu uma nova espécie.
III. A mutação é uma alteração na sequência de bases do DNA, 
podendo ser espontânea ou provocada por agentes ambientais. Somente 
as mutações que ocorrem nas células reprodutoras têm importância 
evolutiva.
IV. Segundo Darwin, através da seleção natural, as espécies serão 
representadas por indivíduos cada vez mais adaptados ao ambiente em 
que vivem.
Dessas afirmativas, admitem-se como verdadeiras as indicadas na 
opção:
a) Afirmativas I, II, III e IV. d) Apenas I, II e III.
b) Apenas I e II. e) Apenas I, III e IV.
c) Apenas II e III.
07) “A descoberta da penicilina e de outras drogas, naturais ou sintéticas, 
fez a humanidade acreditar que tinha armas definitivas para vencer a 
guerra contra as bactérias causadoras de doenças. A cada momento 
surgem bactérias mais resistentes a drogas, algumas quase invulneráveis, 
tornando-se uma grave ameaçada à saúde humana.” (CIÊNCIA HOJE, 
maio de 1998.)
O surgimento de indivíduos resistentes não ocorre somente no 
reino das bactérias. Assistimos ao aparecimento de protozoários, insetos, 
ervas e outros seres vivos. O processo é acelerado graças à intervenção 
desorganizada e inconsciente do homem. O uso indiscriminado de 
antibióticos, inseticidas e herbicidas têm provocado o aparecimento de 
seres, resistentes. A resistência é, e provavelmente, será um dos grandes 
problemas da humanidade, porque é causada pelo que há de mais natural 
e essencial para a origem e evolução das espécies:
I. a mutação espontânea, erro que, neste caso, deve ocorrer nas 
células reprodutoras durante a duplicação do DNA.
Evolução
116
II. a recombinação genética, a qual consiste na troca de pedaços 
de cromátides durante a prófase I da mitose.
III. seleção natural, a qual permite a manutenção dos indivíduos 
mais adaptados.
Está(ão) correta(s) a(s) afirmativa(s):
a) I, II e III. d) II e III.
b) I e II. e) Somente a alternativa I.
c) I e III.
08) Na natureza, indivíduos de espécies diferentes raramente se acasalam. 
Algumas vezes isso acontece, resultando em embriões que não se 
desenvolvem ou em descendentes estéreis ou de fertilidade reduzida. Esse 
esforço reprodutivo, que nem sempre compensa, é resultado de:
a) Recombinação gênica.
b) Mutação gênica.
c) Mecanismos que favorecem o acasalamento entre espécies diferentes.
d) Mecanismos que conduzem ao isolamento reprodutivo.
e) Ligação e permuta genética.
09) Considerando-se “estruturas análogas as que possuem a mesma 
função, porém origens embrionárias diferentes, e estruturas homólogas as 
que possuem a mesma origem embrionária podendo ou não apresentar as 
mesmas funções”, devemos afirmar que:
a) as asas do morcego são análogas às dos insetos.
b) as asas das aves são análogas às dos insetos.
c) os membros superiores dos homens, as nadadeiras das baleias 
e as asas dos morcegos são órgãos homólogos.
d) as asas dos morcegos são homólogas às das aves.
e) todas as alternativas estão corretas.
10) Assinale a(s) afirmativa(s) correta(s).
(01) As mutações nem sempre alteram a composição genética das 
populações onde ocorrem.
(02) A suscetibilidade às mutações pode variar de acordo com o 
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tipo de célula, loco gênico, sexo e fatores ambientais.
(04) Os diferentes alelos de um mesmo loco gênico surgem 
em consequência de erros durante o processo de replicação do ácido 
desoxirribonucléico (DNA).
(08) As mutações gênicas provocadas por agentes mutagênicos 
não podem ser consideradas pela moderna teoria evolucionista como um 
dos fatores evolutivos intrínsecos da evolução.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas. 
11) Com base na análise dos gráficos abaixo, julgue as afirmativas.
( ) A seleção forte restringe a variabilidade 
genética e elimina os fenótipos desviantes.
( ) A seleção fraca atua permanentemente 
sobre todas as populações, mesmo em 
ambientes estáveis e constantes.
( ) A ação da seleção forte consiste em 
excluir genótipos menos adaptados a uma 
determinada condição ecológica.
( ) A seleção fraca atua da seguinte forma: 
evita a eliminação de determinados genes 
em uma população constante e estável.
12)“Modernamente, o mutacionismo sofreu alguns acréscimos, foi 
aperfeiçoado em certos detalhes e se constituiu na nova Teoria Sintética da 
Evolução, que é a teoria da atualidade para explicar como as espécies se 
transformaram no tempo e originaram a imensa variedade dos seres que 
hoje conhecemos.”
(Texto extraído do livro “Biologia - volume único”, de José Luís 
Soares, 1997, p. 286).
Com relação à Teoria Sintética da Evolução, é CORRETO afirmar 
que
(01) considera a seleção natural como fonte de variabilidade 
genética.
Evolução
118
(02) as mutações adaptativas ocorrem ao acaso, não admitindo a 
procura intencional da evolução.
(04) a seleção natural não preserva necessariamente os mais 
aptos.
(08) o isolamento (geográfico e sexual) é um fator importante para 
a evolução.
(16) os primeiros seres vivos surgiram por geração espontânea.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
13)Em relação à evolução biológica,
I. De acordo com a teoria sintética ou sincrética, as espécies se 
transformaram no tempo e originaram a imensa variedade de seres hoje 
conhecidos.
II. De acordo com a teoria sintética ou sincrética, o isolamento é 
bastante importante no processo de evolução.
III. Se um grupo de indivíduos com uma nova característica se 
segrega dos demais indivíduos da população, esse grupo pode isolar-se 
apenas sexualmente e não geograficamente por migrações para regiões 
afastadas.
IV. Tanto o isolamento como as mutações e a seleção natural são 
processos que levam à especiação.
(01) Se II e IV estão corretos, o único processo que leva à especiação 
não é nem o isolamento, nem as mutações e nem a seleção natural, e sim 
a variação do gene pool populacional.
(02) Se III estiver correto é dessa forma que o homem tem provocado 
intensamente essa segregação em animais domésticos.
(04) Se IV estiver correto, esses são os processos que levaram 
ao aparecimento dos grupos étnicos no homem e à sua evolução para 
espécies distintas.
(08) Se II estiver correto, é porque sem isolamento não há 
especiação.
(16) Se I e III estão corretos, a teoria sintética ou sincrética é 
baseada apenas no acaso e na luta pela vida.
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119
(32) Se I estiver correto, um dos pontos em que se baseia a teoriacitada é o isolamento (geográfico ou sexual) do tipo novo em relação ao 
tipo original.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
14)Em condições ambientais estáveis age um tipo de seleção, que tende a 
eliminar os indivíduos cujos caracteres afastam-se da média. 
O tipo de seleção natural descrita no texto é: 
a) Direcional d) Sexual; 
b) Estabilizadora; e) Disjuntiva. 
c) Disruptiva;
15) No desenvolvimento da resistência bacteriana a antibióticos usados 
em larga escala, e da resistência de moscas a inseticidas, a própria droga 
provoca a eliminação dos portadores de genótipos sensíveis, favorecendo 
a proliferação de genótipos resistentes. Estes casos são decorrentes da 
atuação de:
a) migração gênica. d) oscilação genética.
b) mutação genética. e) especiação.
c) seleção direcional.
16) Se uma população ficar isolada, ou seja, se não ocorrer fluxo gênico 
entre ela e a população original, constituir-se-á uma nova população. 
Como consequência, a partir deste momento, as duas populações passam 
a ter história evolutiva independente e poderão começar a diferenciar-se. 
A velocidade com que as diferenças surgirão entre as duas populações 
dependerá de diversos fatores e será maior se:
a) Inicialmente a população nova for igual à original pelo efeito do 
fundador.
b) As áreas ocupadas pelas duas populações forem diferentes, o 
que causará seleção igual.
c) As duas populações possuírem baixa variabilidade genética, 
fornecendo um menor número de opções à seleção.
Evolução
120
d) As duas populações forem grandes e apresentarem mais fêmeas 
do que machos.
e) As duas populações passarem por períodos de redução drástica 
de tamanho, o que aumenta a probabilidade de ocorrerem alterações 
genéticas casuais.
17) A maioria das populações apresenta uma diversidade genética 
considerável. Marque a alternativa que contém conhecimentos que 
justificam corretamente a não ocorrência de perda da diversidade genética 
de uma espécie ao longo do tempo.
a) A deriva genética, a seleção estabilizadora e a seleção direcional 
não influenciam na perda da diversidade genética dentro da população, 
pois seus efeitos acontecem somente em grandes populações.
b) Mesmo organismos que normalmente compõem populações de 
grande tamanho podem, ocasionalmente, sofrer os efeitos do “gargalo-de-
garrafa populacionais”, em que a diversidade genética não poderá sofrer 
redução devido à deriva genética.
c) A reprodução sexual aumenta o potencial evolutivo das populações 
e em grandes populações existem diferenças entre subpopulações. As 
mutações neutras acumulam-se nas espécies, e pode ocorrer seleção 
dependente das frequências, pelos polimorfismos.
d) A deriva genética altera as frequências alélicas de algumas 
populações, mas só pode competir com a seleção natural em populações 
grandes, onde a diversidade genética existente é mantida em subpopulações 
distintas.
e) A recombinação genética não influencia na perda e na manutenção 
da diversidade genética, pois a reprodução sexual não tem interferência 
nas frequências alélicas.
18) Considere o texto a seguir.
“Em uma cidade, havia uma população de insetos na qual 
predominavam os indivíduos claros, que se confundiam com os líquens 
existentes na casca das árvores sobre os quais pousavam. Com a 
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121
poluição, os líquens desapareceram e os troncos tornaram-se enegrecidos, 
beneficiando os insetos escuros. Verificou-se, então, que estes passaram a 
predominar sobre os insetos claros.”
Ele relata um exemplo de:
a) herança de caracteres adquiridos.
b) melhoramento genético. d) especiação.
c) mutação gênica. e) seleção natural.
19) De acordo com o conceito atual da evolução: a teoria sintética ou 
neodarwinismo, seria correto afirmar:
a) A evolução se dá através da ocorrência de macromutações, 
responsáveis pela origem de novos indivíduos radicalmente diferentes de 
seus ancestrais.
b) Os indivíduos que vencem a “luta pela sobrevivência” são 
os que determinam o rumo da evolução, não importando se produzem 
descendentes.
c) Tanto a mutação quanto a seleção natural atuam no processo 
evolutivo.
d) Apenas a seleção natural atua no processo evolutivo.
e) Tanto a mutação quanto a seleção natural não atuam no processo 
evolutivo.
20)“A ideia de que organismos evoluem passou, no decorrer do último 
século, de conjectura a fato”, escrevem os Grants em Notícias de Galápagos, 
a revista da estação de pesquisa Charles Darwin. “Com a aproximação 
do final do século, estamos experimentando uma outra transformação. A 
idéia de que a temperatura do mundo está gradualmente subindo se tornou 
amplamente aceita como um fato comprovado”.
....................................................................................
O aquecimento global é de especial interesse para as ilhas 
Galápagos porque ali o ciclo das estações é orientado pelas correntes 
oceânicas. Metade do ano o arquipélago é banhado por águas frias, a outra 
metade, por águas mornas. (...)
Evolução
122
Não fossem essas correntes alternantes, as ilhas não teriam 
estação alguma, visto estarem exatamente na linha do equador. Nem teriam 
sua estranha fauna e flora. É por estarem no local de encontro de águas do 
sul e do norte que ali a relação de passageiros varia tanto, incluindo não 
apenas lagartos tropicais, mas também focas polares, não só flamingos 
dos trópicos, mas também pinguins – os únicos pinguins no equador.
....................................................................................
E mais, as Galápagos se localizam perto de um dos pontos de 
pressão chave do sistema de circulação global: o local onde nasce o El 
Niño.
....................................................................................
Realmente deve ter sido por um capricho dessas correntes 
inconstantes que os primeiros tentilhões chegaram lá. Os ventos e correntes 
ajudaram os tentilhões de Darwin a serem o que eles são e ainda hoje 
continuam moldando esses pássaros.
(WEINER, p. 274-5 – texto adaptado)
Com base na análise do texto e em relação ao processo evolutivo 
e suas repercussões, pode-se inferir:
(01) Eventos ecológicos e genéticos constituem a base do processo 
de especiação.
(02) As mudanças ambientais orientam os caminhos evolutivos, 
conferindo diferentes valores adaptativos às variações hereditárias.
(04) As condições peculiares das Galápagos tornaram-nas um 
“laboratório” para “experimentos evolutivos naturais” que favoreceram a 
especiação como a dos tentilhões.
(08) O mecanismo evolutivo preserva caracteres mais convenientes 
para a espécie, sob determinadas condições.
(16) A chegada dos tentilhões às Galápagos, por força do acaso, 
nega a ideia de adaptação no processo evolutivo.
(32) A coexistência de organismos oriundos de regiões extremamente 
distintas, em Galápagos, fragilizou as ideias de Darwin sobre a ocorrência 
da evolução.
(64) A evolução biológica é um processo permanente na biosfera, 
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123
com o sucesso de espécies mais capacitadas para explorar o meio.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
21) Vários fatores atuam no processo evolutivo, porém, o único que fornece 
material genético novo ao conjunto gênico preexistente é:
a) Mutação gênica. d) Recombinação gênica.
b) Seleção natural. e) Isolamento reprodutivo.
c) Oscilação genética.
22) A evolução biológica consiste em modificações da composição genética 
de uma população ao longo do tempo. Os fatores evolutivos, tais como: 
mutações, fluxo gênico, deriva genética, cruzamento preferencial e seleção 
natural, modificam as frequências alélicas e genotípicas em uma população. 
Analise as proposições sobre as mudanças na estrutura genética de 
populações e marque a alternativaque está totalmente correta.
a) As taxas de mutações são geralmente bastante baixas e são 
tão lentas que a mutação, sozinha, não pode responder pelas rápidas 
mudanças genéticas das populações e espécies. As taxas de mutações 
espontâneas são baixas, e, mesmo que fossem duplicadas, por ação de 
mutágenos, ainda seriam baixas, e, em populações bastante grandes, seus 
efeitos são tão pequenos, que podem ser ignorados.
b) A migração, mesmo sem cruzamentos, pode ocasionar o 
fluxo gênico e acrescentar novos alelos ao pool genético da população 
a ponto de modificar as frequências de alelos já presentes, caso venham 
de populações com frequências alélicas diferentes. Entretanto, a taxa de 
migração, assim como a de mutação, é sempre pequena e não altera as 
características genéticas da população receptora.
c) A deriva genética só provoca grandes modificações e só compete 
com a seleção natural em populações grandes, pois, em populações 
pequenas, seus efeitos são minimizados pelo fato de que esse processo 
ocorre em poucos loci das populações e não influi na direção da mudança 
das frequências alélicas, mesmo na presença de outro fator evolutivo. Por 
causa da ação da deriva genética, alelos deletérios têm sua frequência 
Evolução
124
diminuída e alelos vantajosos, em frequências altas, podem ser perdidos.
d) Os cruzamentos, no equilíbrio de Hardy-Weinberg, não podem 
acontecer ao acaso, e as frequências dos genótipos homo e heterozigotos 
são alteradas pela seleção natural, logo ocorrem mudanças na estrutura 
genética de uma geração para outra.
e) A seleção natural é o único fator evolutivo que adapta as 
populações aos seus ambientes e atua sempre mantendo constantes as 
frequências alélicas ao longo do tempo. Como resultado, a seleção natural 
tende a diminuir a variação genética da população.
23) O conhecimento do processo evolutivo é fundamental para a 
compreensão da vida. O estudo de fósseis é uma importante evidência de 
que a evolução dos organismos ocorreu.
Com relação a esse estudo, é CORRETO afirmar que:
(01) fósseis são restos ou vestígios de seres que viveram no 
passado.
(02) os tipos de fósseis encontrados em determinada camada de 
solo refletem a flora e a fauna existentes no local, por ocasião da formação 
das rochas.
(04) a partir de uma parte do corpo, de uma pegada ou de uma 
impressão corporal, é possível deduzir o tamanho e a forma dos organismos 
que as deixaram.
(08) o método do carbono 14 auxilia na determinação da idade de 
um fóssil.
(16) não foram encontrados, até o momento, registros fósseis no 
sul do Brasil.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
Para as questões 24 e 25:
“Pelo menos 15 lagartos da espécie Iguana iguanachegaram a 
uma ilha do Caribe — Anguilla —, por um meio fora do comum: uma balsa 
formada por árvores arrancadas de outra ilha por um furacão, em 1995. 
A chegada dessas iguanas verdes confirma um dos mecanismos que os 
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125
biólogos propuseram para explicar a dispersão de espécies terrestres. Nas 
ilhas do Caribe costumam existir duas espécies desse lagarto — Iguana 
delicatissimae Iguana iguana. Em geral, a ilha que tem uma, não costuma 
ter a outra. A última observação de I. iguana em Anguilla foi de uma fêmea 
em condições reprodutivas, em março de 1998. Como na população da 
balsa havia tanto machos como fêmeas, é possível que o processo de 
colonização esteja avançando.”
(Folha de S. Paulo, p. 8)
24) A situação descrita, no contexto da diversificação das espécies, envolve
( ) o surgimento da espécie Iguana iguana, em um curto período 
de tempo.
( ) a migração como um fator que uniformiza o gene pool de I. 
iguanae I. delicatissima.
( ) a reprodução por partenogênese como estratégia de espécies 
terrestres invasoras.
( ) pressões seletivas compatíveis com a sobrevivência de I. 
iguanaem Anguilla.
( ) a participação de eventos casuais na distribuição de uma 
espécie.
( ) a migração de um número de iguanas suficiente para dar início 
à colonização da ilha.
25)A distribuição de iguanas nas ilhas do Caribe evidencia
( ) o papel da competição inter-específica, com prejuízo para uma 
das espécies.
( ) os hábitos herbívoros dos lagartos, que condicionam a sua 
permanência em árvores.
( ) a alta endemicidade de Iguana iguanaem Anguilla.
( ) a plena expressão do potencial biótico das populações de 
iguana.
( ) a importância da alopatria na manutenção da diversidade de 
iguanas.
Evolução
126
26)As afirmações abaixo se referem a adaptações morfológicas relacionadas 
a hábitos de diferentes animais.
I. As aves de rapina, tais como gaviões e corujas, por serem 
predadoras típicas, apresentam bico longo e pontudo e pernas compridas, 
aumentando a velocidade de deslocamento.
II. As pererecas apresentam discos adesivos em suas patas, o que 
lhes confere o comportamento mais arborícola dentre os anfíbios.
III. Os morcegos, por serem animais noturnos desenvolveram um 
eficiente sistema de orientação pelo som, chamado de ecolocação.
Quais estão corretas?
a) Apenas I. d) Apenas II e III.
b) Apenas I e II. e) I, II e III.
c) Apenas I e III.
27)
Áreas com alta incidência de Malária
• 85% de indivíduos siclêmicos
• 15% de indivíduos normais
Áreas com baixa incidência de Malária
• 40% de indivíduos siclêmicos
• 60% de indivíduos normais
Observando os dados dos quadros acima, pode-se afirmar que 
as diferenças entre as porcentagens de indivíduos que possuem anemia 
falciforme, decorre da
a) irradiação adaptativa.d) seleção artificial.
b) seleção natural.e) sobreposição de nicho.
c) convergência adaptativa.
28) O funcionamento normal do organismo depende da estabilidade do 
material genético contido nos cromossomos, ou seja, as sequências 
nucleotídicas do DNA devem ser acuradamente replicadas e conservadas. A 
falta de estabilidade numa sequência de nucleotídeos do DNA, considerada 
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127
vital e herdável, consequentemente resultará em mutação. Assinale a(s) 
alternativa(s) correta(s) em relação ao tema Agentes Mutagênicos.
(01) A anemia siclêmica ou falciforme constitui um exemplo de 
mutação por deficiência, ou seja, há perda de um ou mais nucleotídeos no 
DNA presente nas células somáticas.
(02) As mutações ocorrem visando possibilitar a adaptação do 
indivíduo ao ambiente, as que ocorrem nas células somáticas são as de 
maior importância para a evolução, pois incrementam o conjunto gênico da 
população.
(04) As mutações denominadas induzidas são aquelas provocadas 
por agentes mutagênicos químicos, físicos e necessitam ocorrer em todas 
as células do organismo.
(08) Alguns fatores como as radiações (α, β, γ, X e a luz ultravioleta), 
substâncias químicas (ex: nicotina, talidomida) e alguns vírus (rubéola, 
sífilis, hepatite) mostram claramente que não são somente os fatores 
genéticos (predisposição gênica) os únicos agentes responsáveis pelas 
mutações no DNA.
(16) O efeito da mutação em uma população só pode ser observado 
a longo prazo por causa da necessidade de ser herdável e porque existem 
determinadas condições sob as quais a mutação não é inovadora, ou seja, 
não traz novidades. Ao surgir, as repetitivas vão modificar a frequência do 
gene que representam, o que, de certa forma, também contribuirá para 
alterar a composição genética dessa população.
(32) Devido aos avanços recentes na determinação das sequências 
de nucleotídeos do DNA, podemos visualizar a especificidade mutacional 
em nível molecular.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
29)A resistência bacteriana aos antibióticos, um exemplo de seleção natural 
que leva à adaptação evolutiva, pode ser interpretada de diferentes formas:
I. Osantibióticos modificam gradativamente as bactérias, que se 
adaptam aos poucos às drogas, tornando-se resistentes.
II. Os antibióticos selecionam as bactérias que apresentam 
Evolução
128
resistência genética a eles. Ao se reproduzirem, essas bactérias transmitem 
suas características genéticas à descendência, formando as novas 
populações, agora adaptadas.
III. A adaptação das bactérias aos antibióticos pode ocorrer por 
meio de mutações induzidas após o contato primário das bactérias com os 
antibióticos.
Está(ão) correta(s):
a) Somente a II. d) Somente a III.
b) I e II. e) Somente a I.
c) I e III.
30)Correlacione os fenômenos enumerados com os algarismos arábicos 1, 
2, 3 e 4 às definições ou aos conceitos, expressos nas afirmativas de I a IV.
1: Evolução.
2: Mutação.
3: Adaptação.
4: Especiação.
I. Modificações nas frequências gênicas das populações através do 
tempo, orientadas pela seleção natural.
II. Modificação ao acaso nos genes ou cromossomos, acarretando 
variação genética.
III. Modificações de estruturas e funções em um grupo, que 
favorecem sua sobrevivência.
IV. Determinada pelo isolamento reprodutivo, que pode ter como 
causa o isolamento geográfico.
A alternativa correta é:
a) I-4; II-2; III-3; IV-1. d) I-1; II-2; III-3; IV-4.
b) I-3; II-1; III-2; IV-4. e) I-1; II-3; III-4; IV-2.
c) I-2; II-3; III-4;IV-1.
31) Algumas modificações evolutivas ocorridas nos vertebrados aquáticos 
primitivos permitiram a conquista do ambiente terrestre. Assinale a alternativa 
que contém exemplos de anexos embrionários que provavelmente surgiram 
durante esta conquista:
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129
a) vesícula vitelínica e alantóide.
b) âmnio e alantóide.
c) placenta e vesícula vitelínica.
d) vesícula vitelínica e âmnio.
e) placenta e âmnio.
32)“Desde 1995 alguns estados norte-americanos estão excluindo o ensino 
da teoria de evolução biológica dos seus currículos escolares alegando, 
entre outras razões, que ninguém estava presente quando a vida surgiu 
na Terra. Alguns cientistas defendem a teoria da evolução argumentando 
que, se é necessário “ver para crer”, então não poderemos acreditar na 
existência dos átomos, pois estes também não podem ser vistos.”
(Adaptado da ISTOÉ, 25/08/1999.)
a) Apresente três evidências que apoiam a teoria da evolução 
biológica.
b) A mutação gênica é considerada um dos principais fatores 
evolutivos. Por quê?
33) Durante o processo evolutivo, a sobrevivência dos indivíduos de uma 
determinada espécie depende da estabilidade genética. Entretanto, pode 
ocorrer uma alteração permanente numa sequência de DNA, capaz de 
destruir um organismo. Essa alteração na sequência de DNA e a eliminação 
do indivíduo são fenômenos que podem ser explicados pela ocorrência, 
respectivamente, de:
a) especiação e ortogênese
b) mutação e seleção natural
c) oscilação genética e epigênese
d) variação hereditária e isolamento ecológico
34) Numa população muito grande, onde ocorram todos os tipos de 
cruzamento possíveis e esses cruzamentos se deem ao acaso entre os 
indivíduos de diferentes genótipos e onde não esteja atuando nenhum dos 
Evolução
130
fatores evolutivos, as frequências dos alelos dessa população, ao longo 
das gerações, devem:
a) permanecer constantes, uma vez que a população está em 
equilíbrio gênico.
b) direcionar a população a aumentar a quantidade de indivíduos 
homozigóticos.
c) variar, aumentando a frequência dos alelos dominantes, devido 
à seleção natural.
d) direcionar a população a aumentar a quantidade de indivíduos 
heterozigóticos.
e) aumentar em direção aos recessivos, uma vez que não ocorrerá 
a seleção natural.
35) A seleção natural pode agir sobre a diversidade das populações 
de maneiras diferentes, selecionando grupos de 
indivíduos portadores de determinadas características. 
O gráfico ao lado representa um modo de ação da 
seleção sobre grupos de indivíduos, enfocando a 
característica peso corporal. Marque a alternativa 
que mostra corretamente a forma de seleção.
a) Disruptiva
b) Direcional d) Convergente
c) Lamarckista e) Estabilizadora
36) São princípios da Teoria Moderna da Evolução:
a) deriva gênica e seleção natural.
b) variabilidade genética e adaptação dos mais aptos.
c) fluxo gênico e especiação.
d) mutações gênicas e extinção em massa.
e) aneuploidias e homeostase.
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131
37)Ao observarmos o voo de uma ave e o voo de um inseto, podemos 
deduzir que as asas de cada um funcionam e são utilizadas para um mesmo 
objetivo. Entretanto, a origem embriológica das asas de aves e insetos é 
diferente. Essas características constituem exemplo de: 
a) seleção natural. d) seleção sexual.
b) seleção artificial. e) mimetismo.
c) convergência evolutiva. 
38)Infecção hospitalar, cada vez mais comum nos últimos tempos, é 
altamente preocupante uma vez que as bactérias responsáveis por ela 
são resistentes a um grande número de antibióticos. Essa resistência é 
consequência do fato de as bactérias
a) mutarem para se adaptar aos antibióticos, transmitindo essa 
mutação a seus descendentes.
b) mutarem para se adaptar aos antibióticos, embora sejam 
incapazes de transmitir essa mutação a seus descendentes.
c) modificarem seu metabolismo para neutralizar o efeito dos 
antibióticos usados nos hospitais.
d) sofrerem seleção devido à ampla utilização de antibióticos, 
produzindo somente linhagens resistentes.
e) sofrerem mutações contínuas, que as tornam cada vez mais 
patogênicas.
39) O gráfico ao lado relaciona a distribuição de pesos de recém-nascidos 
em uma população humana (histograma) e a porcentagem de mortalidade 
precoce entre eles (curva).
Os dados mostram que o menor 
índice de mortalidade precoce ocorre
a) no grupo de maior peso, 
ocorrendo seleção direcional.
b) no grupo de peso médio, 
ocorrendo seleção estabilizadora.
c) nos grupos de pesos extremos, 
ocorrendo seleção estabilizadora.
Evolução
132
d) no grupo de menor peso, ocorrendo seleção diversificadora.
e) no grupo de menor peso, ocorrendo seleção natural.
40)Uma das grandes questões da biologia evolutiva é compreender os 
mecanismos que mantêm a variabilidade genética nas populações naturais. 
Sabe-se que a
a)) seleção natural pode manter a variabilidade genética de várias 
maneiras, dentre elas a seleção dependente de frequência.
b) endogamia pode manter a variabilidade genotípica, contribuindo 
assim para a manutenção dos heterozigotos.
c) deriva genética é o único fator importante em populações muito 
grandes, repondo os alelos perdidos por seleção natural.
d) seleção natural elimina os alelos que conferem menor valor 
adaptativo e, assim, sempre diminui a variabilidade genética.
e) variabilidade é mantida pelas novas mutações que surgem 
nas populações, alterando drasticamente a frequência dos alelos a cada 
geração.
41)”Toxinas são comuns em insetos e estes podem ‘emprestar’ compostos 
tóxicos das plantas das quais se alimentam. Por exemplo, o gafanhoto 
Poekilocerusbufoniusalimenta-se de plantas leitosas (asclepiadáceas) 
que contêm uma série de toxinas complexas capazes de alterar funções 
cardíacas _ os assim chamados cardenolídeos. O gafanhoto os extrai do 
alimento e os armazena em uma glândula de veneno. Quando atacado por 
predadores, defende-se ejetando um spray rico nessas toxinas. Quando 
mantido com uma dieta sem asclepiadáceas, o conteúdo de cardenolídeos 
no spray é bastante reduzido.”
(BARNES, R. S. K., CALOW, P., OLIVE, P. J. Os Invertebrados: 
uma nova síntese. São Paulo: Atheneu, 1995. p. 347)
Este exemplo constitui um tipo de
a) parentesco evolutivo. d)) coevolução.
b) seleção disruptiva. e) homologia.
c) oscilação genética.
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133
Atenção: Para responder às questões de números 42 e 43 considere 
as informações que seguem.
“Recentemente foram descritos cinco novos gêneros de lagartos 
microteídeos pertencentes à família Gymnophthalmidae. Os indivíduos dos 
novos gêneros habitam campos de dunas às margens do Rio São Francisco, 
no domínio morfoclimático da caatinga brasileira. Todos apresentam corpo 
alongado, membros dianteiros reduzidos e não têm pálpebras. A partir das 
análises morfológicas e de sítios de restrição no DNA mitocondrial dos 
gêneros indicados, obteve-se a seguinte hipótese filogenética:”
42) A redução dos membros e a ausência de pálpebras ocorrem nos 
cinco novos gêneros da família 
Gymnophthalmidae. De acordo com 
o cladograma apresentado, tais 
características indicam
a) eventos evolutivos múltiplos.
b) ausência de seleção.
c) convergência adaptativa.
d) eventos aleatórios.
e)) ancestralidade comum.
43) Para explicar a redução dos membros dos lagartos em estudo, foi 
proposta a seguinte hipótese evolutiva:
“Os membros, presentes nos lagartos ancestrais, dificultavam a 
locomoção na areia e, gradualmente, atrofiaram. As alterações somáticas 
responsáveis pela atrofia dos membros eram incorporadas nas células 
germinativas e transmitidas à descendência.”
Essa hipótese é compatível com a teoria
a) neodarwinista. d)) lamarckista.
b) de Wallace. e) de Weissman.
c) sintética.
Evolução
134
44)Alelos responsáveis por doenças humanas de herança autossômica 
recessiva intrigam os cientistas por ocorrerem em frequências elevadas 
em certas populações. Considerando-se que frequentemente inviabilizam 
a reprodução do indivíduo homozigótico, sua elevada frequência nessas 
populações pode decorrer
a)) do valor adaptativo mais elevado dos heterozigotos.
b) da taxa de mutação mais elevada.
c) do excessivo fluxo gênico nessas populações.
d) da migração e dispersão dos alelos mutados.
e) do excesso de recombinação genética.
45) Analise o texto a seguir, extraído da revista Newsweek: “Cientistas da 
Inglaterra e dos Estados Unidos fazem um alerta contra o uso exagerado 
de antibióticos. De tanto serem bombardeadas com penicilinas e inúmeros 
tipos de antibióticos, as bactérias resistentes prevalecerão sobre as normais 
e, portanto, estamos a caminho de um desastre médico”.
a) Como Darwin explicaria o aumento progressivo, entre as 
bactérias, de formas resistentes a antibióticos?
b) Segundo os princípios neodarwinistas, por que estamos a 
caminho de um desastre médico?
46)A figura ao lado ilustra um exemplo de prova anatômica da Evolução.
anatômica da Evolução.
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135
Assinale a alternativa que estabelece a relação correta entre um 
conceito e a sua representação.
a) Lei da recapitulação que caracteriza a ontogênese.
b) Lei do uso e do desuso que se refere aos órgãos vestigiais que 
perderam a função primitiva.
c) Analogia de órgãos que apresentam a mesma função.
d) Homologia de órgãos que apresentam a mesma origem 
embrionária.
e) Convergência adaptativa que relaciona ancestrais, ocupando o 
mesmo habitat.
47) Os cetáceos, como as baleias e os golfinhos, conservam escondidos, 
na musculatura, pequeninos ossos que correspondem aos membros 
posteriores dos mamíferos terrestres. No homem, existe, na última parte da 
coluna vertebral, o cóccix, formado por 4 vértebras fundidas, remanescentes 
da cauda de nossos ancestrais, ainda visível em muitos mamíferos. Que 
tipo de evidência evolutiva caracteriza os exemplos apresentados?
a) Órgãos homólogos.
b) Caracteres larvais. d) Órgãos análogos.
c) Órgãos vestigiais. e) Convergência adaptativa.
48) As mutações podem ser gênicas ou cromossômicas. As mutações 
cromossômicas podem ser numéricas ou estruturais. Considerando esses 
conceitos analise a proposição a seguir e depois responda: a alteração de 
uma enzima provocada pela substituição de um aminoácido por outro é 
decorrência de um evento denominado:
a) Mutação.
b) Não-disjunção.
c) Deleção.
d) Translocação.
e) Inversão.
Evolução
136
49) Usada para dar estabilidade aos navios, a água de lastro acarreta 
grave problema ambiental: ela introduz indevidamente, no país, espécies 
indesejáveis do ponto de vista ecológico e sanitário, a exemplo do 
mexilhão dourado, molusco originário da China. Trazido para o Brasil 
pelos navios mercantes, o mexilhão dourado foi encontrado na bacia 
Paraná-Paraguai em 1991. A disseminação desse molusco e a ausência 
de predadores para conter o crescimento da população de moluscos 
causaram vários problemas, como o que ocorreu na hidrelétrica de 
Itaipu, onde o mexilhão alterou a rotina de manutenção das turbinas, 
acarretando prejuízo de US$ 1 milhão por dia, devido à paralisação 
do sistema. Uma das estratégias utilizadas para diminuir o problema é 
acrescentar gás cloro à água, o que reduz em cerca de 50% a taxa de 
reprodução da espécie.
GTÁGUAS, MPF, 4.ª CCR, ano 1, n.º 2, maio/2007 (com 
adaptações).
De acordo com as informações acima, o despejo da água de 
lastro
a) é ambientalmente benéfico por contribuir para a seleção 
natural das espécies e, consequentemente, para a evolução delas.
b) trouxe da China um molusco, que passou a compor a flora 
aquática nativa do lago da hidrelétrica de Itaipu.
c) causou, na usina de Itaipu, por meio do microrganismo invasor, 
uma redução do suprimento de água para as turbinas.
d) introduziu uma espécie exógena na bacia Paraná-Paraguai, 
que se disseminou até ser controlada por seus predadores naturais.
e) motivou a utilização de um agente químico na água como uma 
das estratégias para diminuir a reproduçãodo mexilhão dourado.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
137
50)
 São características do tipo de reprodução representado na tirinha:
a) simplicidade, permuta de material gênico e variabilidade 
genética.
b) rapidez, simplicidade e semelhança genética.
c) variabilidade genética, mutação e evolução lenta.
d) gametogênese, troca de material gênico e complexidade.
e) clonagem, gemulação e partenogênese.
GABARITO:
01) C; 02) D; 03) A; 04) C; 05) A; 06) A; 07) A; 08) C; 09) E; 10) 
03; 11) VVVV; 12) 02+08=10; 13) 01+04=05; 14) B; 15) C; 16) E; 17) C; 
18) E; 19) C; 20) 01+04+64=69; 21) A; 22) A; 23) 15; 24) FVFFVV; 25) 
VVFFV; 26) D; 27) B; 28) 08+16=24; 29) A; 30) D; 31) D; 32) a) Presença 
de fósseis, que indicam as modificações dos organismos através do tempo; 
estudos de embriologia comparada; existência de homologia e analogia 
(bioquímica, morfológica, genética, fisiológica e molecular). b) Porque a 
Evolução
138
mutação produz alterações no genótipo, proporcionando variabilidade 
dentro da espécie. Estas novas mudanças serão submetidas à seleção 
natural que selecionará os mais aptos em seu meio ambiente e eliminará 
ao longo do tempo os indivíduos menos aptos (adaptados). 33) B; 34) A; 35) 
B; 36) B; 37) C; 38) D; 39) B; 40) A; 41) D; 42) E; 43) D; 44) A; 45) a) Darwin 
diria que os antibióticos agiram como fatores de seleção e selecionaram 
as bactérias resistentes. b) Estamos a caminho de um desastre médico 
devido às mutações, alterações estáveis de material genético. A resistência 
bacteriana ocorre devido às mutações; é um fator genético, que passa de 
uma bactéria para as suas descendentes. O uso contínuo de antibióticos 
pode fazer com que linhagens de bactérias sejam resistentes a vários 
antibióticos simultaneamente. 46) D; 47) C; 48) A; 49) E; 50)B. 
 
Atividade 
Vamos aprofundar estudos nestes temas. Faça uma pesquisa para 
entender a Teoria do Equilíbrio Pontuado. Na mesma pesquisa busque 
elementos sobre a diferença entre Macromutações e Micromutações. Com 
todo este conteúdo pesquisado, que tal construir um artigo falando sobre 
a “Evolução do Olho Humano”. Não vale pesquisar nainternet textos já 
prontos, construa suas próprias ideias com base no que pesquisou, aplicado 
a complexa estrutura do olho humano. No seu texto, que pode ter até 10 
(dez) laudas, não esqueça de aplicar seus conhecimentos e conceitos com 
base nas seguintes estruturas do olho humano: cristalino – retina – nervo 
óptico – pupila – córnea. Cada estrutura destas tem papel fundamental 
no funcionamento do olho e tiveram seu aparecimento pautado numa 
complexa evolução. Bom trabalho!
Para finalizar...
Os assuntos que você estudou nesta unidade ainda são bastante 
palpitantes, porque boa parte das pessoas mundo afora ainda não aceitam 
alguns destes conhecimentos. Que tal fazer uma síntese do que aprendeu 
para começar bem a próxima Unidade? Bom trabalho!
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
139
Resumo
Nesta unidade o estudante se deparou com as principais teorias 
evolutivas. Conheceu um pouco sobre o Fixismo, o Lamarckismo e o 
Darwinismo, compreendendo por que a Teoria Sintética da Evolução 
também se chama Neodarwinismo. Fizemos um passeio teórico pelo 
conhecimento da base científica da Evolução.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
141
UNIDADE 3
ADAPTAÇÃO E ESPECIAÇÃO
OBJETIVOS
Compreender as estratégias adaptativas que permitiram a ocorrência 
do processo evolutivo.
Entendero Equilíbrio de Hardy-Weimberg e sua relação com processo 
evolutivo.
Entender e explicar os mecanismos de formação de novas espécies.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
143
1.Adaptação 2 
O termo Adaptação(Fig. 12) possui dois significados em biologia 
evolutiva. O primeiro refere-se a características que aumentam a 
sobrevivência e o sucesso reprodutivo dos indivíduos que as possuem. 
Acredita-se, por exemplo, que as asas são adaptações para o voo; a teia 
de uma aranha é uma adaptação para a captura de insetos voadores e 
assim por diante. O segundo significado refere-se ao processo pelo qual 
essas características são adquiridas – ou seja, os mecanismos evolutivos 
que as produzem.
Os biólogos consideram um organismo bem-adaptado a 
determinado ambiente quando é possível imaginar (ou ainda melhor, medir 
sua performance) um organismo minimamente diferente do anterior que se 
reproduz ou sobrevive com uma menor eficiência do que esse no mesmo 
ambiente. Ou seja, adaptação é um conceito relativo. Para compreender 
a adaptação, os biólogos devem comparar a performance de indivíduos 
(da mesma espécie ou de espécies diferentes) que diferem entre si em 
Fig. 12 – Adaptação: uma necessidade imposta pelo mecanismo de 
Seleção Natural. Fonte: http://pt.slideshare.net/RosanaSantosQuirino/
adaptao-dos-seres-vivos.
Evolução
144
determinadas características. É possível, por exemplo, para investigar a 
natureza adaptativa de teias de aranha, tentar determinar a eficiência de 
captura de insetos comparando teias feitas por indivíduos de uma mesma 
espécie, mas que possuam pequenas diferenças em suas conformações. 
È possível também medir modificações existentes nas teias dessa espécie 
em diferentes situações. A partir desses dados será possível compreender 
como alterações na estrutura da teia podem influenciar a sobrevivência e o 
sucesso reprodutivo dos indivíduos que a teceram.
1.1. Mecanismos para explicar a adaptação
Charles Darwin foi um naturalista bastante perspicaz que observou 
uma grande quantidade de diferentes estruturas e comportamentos, os 
quais, a seu ver, pareciam ter-se desenvolvido para auxiliar a sobrevivência 
e o sucesso reprodutivo dos indivíduos que os apresentavam. Darwin teve 
uma oportunidade única de estudar as 
adaptações em organismos de diferentes 
partes do mundo quando, em 1831, seu 
professor de botânica John Henslow 
(Fig. 13), recomendou-o como naturalista 
ao Capitão Robert Fitzroy, que estava 
preparando uma viagem ao redor do mundo 
a bordo do navio de pesquisa e observação 
H.M.S. Beagle, conforme estudamos na 
Unidade II. Sempre que possível, ao longo 
dessa viagem, Darwin descia a terra para 
observar e coletar espécimes de plantas e 
animais.
Darwin passou muito do seu tempo 
de coleta na América do Sul, onde as espécies por ele observadas diferiam 
enormemente daquelas encontradas na Europa. Também observou as 
espécies das regiões temperadas da América do Sul (Argentina e Chile) 
eram mais similares àquelas da América do Sul tropical (Brasil) do que o 
 2 Adaptado a partir de Purveset al. 2002.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
145
eram em relação às espécies europeias. Quando explorou o arquipélago 
de Galápagos, situado a oeste do Equador, observou que a maioria das 
espécies presentes naquele ambiente não era encontrada em nenhuma 
outra parte do mundo, apesar de serem similares às espécies da América 
do Sul continental localizada 1.000 km ao leste. Darwin também observou 
que a fauna das diferentes ilhas que compunham o arquipélago diferia de 
uma para a outra. Postulou que alguns animais teriam chegado às ilhas 
a partir da América do Sul continental e então teriam evoluído de forma 
distinta nas diferentes ilhas.
Quando retornou à Inglaterra em 1836, Darwin continuou a 
ponderar e amadurecer suas observações. Nos 10 anos seguintes ele 
havia desenvolvido a base daquela que viria a ser sua teoria da evolução e 
que possuía dois componentes principais:
• As espécies não são imutáveis, elas sofrem modificações, ou 
adaptações ao longo do tempo (ou seja, a evolução é um fato 
histórico).
• O agente que produz as modificações é a seleção natural.
Em 1844, Darwin escreveu um ensaio sobre a seleção natural e a 
origem das espécies mas, apesar do incentivo de sua esposa e colegas, 
não o publicou, preferindo primeiro obter mais evidências para sua teoria. 
Ele recebeu o impulso definitivo para expor suas ideias em 1858 ao receber 
uma carta de Alfred Russell Wallace, que estava estudando a fauna e a 
flora do arquipélago malaio. Nessa carta Wallace pediu a Darwin que 
analisasse um manuscrito anexo no qual expunha uma teoria de seleção 
natural praticamente idêntica à sua. Inicialmente Darwin ficou desanimado, 
acreditando que havia sido antecipado por Wallace, mas extratos do tratado 
de 1844 e o manuscrito de Wallace foram apresentados à Sociedade 
Linneana de Londres, em 01 de julho de 1858 simultaneamente, e assim 
o crédito da ideia foi concedido a ambos. Darwin decidiu então trabalhar 
rapidamente para terminar seu livro intitulado A Origem das Espécies, o 
qual foi publicado no ano seguinte. Apesar de ambos os estudiosos terem 
concebido a seleção natural independentemente, Darwin desenvolveu suas 
Evolução
146
ideias primeiro e seu trabalho apresentou uma discussão, argumentação 
e justificativa do conceito bastante completa, razão pela qual a seleção 
natural é mais diretamente associada ao seu nome.
Os fatos utilizados por Darwin no desenvolvimento de sua teoria da 
evolução por seleção natural eram conhecidos da maioria dos biólogos de 
sua época. O que diferenciou seu pensamento dos demais foi sua percepção 
da existência de correlações entre estes diferentes fatos conhecidos. 
Percebeu, por exemplo, que populações de todas as espécies possuem 
capacidade de aumentar o número de indivíduos de forma exponencial. 
Para ilustrar esta situação ele usou o seguinte exemplo:
Suponhamos que existam oito pares de pássaros (casais) e 
apenas quatro destes reproduzam anualmente, produzindo apenas quatro 
filhotes cada, e que esses, por sua vez, irão procriar seguindo esta mesma 
taxa. Assim, ao final de sete anos (um período de vida bastante curta se 
desconsiderarmos a possibilidade de morte violenta de qualquer um dos 
pássaros), dos 16 indivíduos originais teremos uma população constituída 
de 2048 pássaros.
Taxas de aumento populacional tãoaltas, no entanto, são 
raramente observadas na natureza. Assim, Darwin pode perceber que a 
taxa de mortalidades nestas mesmas populações deveria ser alta. Sem a 
ocorrência de altas taxas de mortalidade, mesmo populações de espécies 
com baixíssimos índices de populações rapidamente chegariam a tamanhos 
enormes.Também observou que, apesar de os filhotes assemelharem-
se aos seus parentais, a prole da maioria dos organismos não é idêntica 
a nenhum dos genitores. Sugeriu que pequenas diferenças existentes 
entre os indivíduos poderiam afetar significativamente a sobrevivência de 
um dado indivíduo e o número de filhotes que ele produziria. Chamou a 
esse sucesso reprodutivo diferencial dos indivíduos de seleção natural. A 
seleção natural é o resultado tanto da sobrevivência diferencial quanto da 
capacidade reprodutiva diferencial dos indivíduos.
Darwin deve ter utilizado o termo “seleção natural” porque estava 
familiarizado com a seleção artificial praticada por criadores de animais 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
147
e melhoristas de plantas. A observação de plantas cultivadas e animais 
domesticados foi de extrema valia para seus estudos sobre a natureza 
das variações. Darwin criava pombos e estava ciente da extraordinária 
diversidade de cores, tamanhos, formas e comportamentos que podem ser 
obtidos quando se selecionavam os pombos a serem cruzados. Reconheceu 
e estabeleceu paralelos aproximando significativamente o processo usado 
na seleção de plantas cultivadas e animais domesticados e a seleção que 
ocorria na natureza.
Em seu livro A origem das espécies,Darwin apresentou seus 
argumento relativos à seleção natural, a seguir: 
Como pode ser questionado, os esforços que cada indivíduo 
deve despender para alcançar sua subsistência, em que 
qualquer modificação ínfima da estrutura, hábito ou instinto, 
deixa-o mais adaptado às novas condições, dando-lhe maior 
vigor e saúde? Na adversidade ele terá uma melhor chance 
de sobrevivência e assim ocorrerá com os descendentes que 
herdarem esta modificação; mesmo sendo o menor detalhe, ela 
lhes dará uma maior chance.
Essa declaração, escrita há mais de 100 anos, permanece como 
uma excelente expressão da ideia de evolução por seleção natural.
Desde que Darwin escreveu as palavras acima, os biólogos têm 
desenvolvido um conhecimento muito mais profundo das bases genéticas 
das modificações evolutivas e têm organizado uma rica gama de exemplos 
da seleção natural em ação.
1.2. Avanços na Evolução desde Darwin
Quando propôs sua teoria da seleção natural, Darwin não possuía 
exemplos de seleção que estivessem operando na natureza. Havia 
baseado seus argumentos nos resultados observados na seleção de 
espécies domesticadas. Desde o tempo de Darwin, muitos estudos têm 
sido desenvolvidos sobre a ação da seleção natural.
Sabe-se, atualmente, que a evolução biológica consiste da 
modificação da composição genética de uma população ao longo do 
tempo. Darwin compreendeu a importância da hereditariedade para sua 
Evolução
148
teoria, mas desconhecia qualquer modelo de herança genética. Empregou 
muito tempo na tentativa de desenvolver uma teoria de hereditariedade, no 
entanto, foi incapaz de descobrir as leis que governam a herança genética 
e, apesar de ter acesso ao trabalho de Gregor Mendel – aparentemente 
Darwin leu os trabalhos de Mendel -, não foi capaz de compreender o 
significado desses estudos.
Felizmente, por volta de 1900, as publicações de Mendel foram 
redescobertas o que começou a pavimentar um caminho que desembocaria 
no desenvolvimento da genética de populações, um campo que fornece 
grande sustentação para a teoria de Darwin. Os geneticistas de populações 
aplicam as leis de Mendel a populações inteiras de organismos; eles 
estudam variações inter e intraespecíficas com o objetivo de compreender 
os processos que resultam em alterações evolutivas nas espécies ao longo 
do tempo.
2. Genética de Populações
A unidade básica da Evolução é a população. Esta afirmação 
baseia-se no fato de as alterações no pool gênico de um indivíduo, muitas 
vezes nada representam para o mecanismo evolutivo da sua espécie. 
A evolução faz-se notar, portanto, quando elementos que compõem a 
população, juntos e modificados, provocam efeitos na mudança de sua 
descendência. Apesar das alterações serem individuais, só se manifestam 
quando levadas no seu conjunto.
População é o conjunto de seres da mesma espécie e que vivem 
na mesma área geográfica, ao mesmo tempo.
Como foco nas mudanças evolutivas em populações é possível 
definir a evolução em sua menor escala, chamada de microevolução, 
como mudanças em frequências alélicas em uma população ao longo de 
gerações. A microevolução é determinada por três fatores em conjunto: i) 
seleção natural; ii) deriva genética e; iii) fluxo gênico. Estes dois últimos 
podem ser assim definidos:
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
149
Deriva genética(Fig. 14) – conjunto 
de eventos aleatórios que mudam 
as frequências alélicas. 
Fluxo gênico – consiste na 
transferência de alelos entre 
populações.
Cada um destes mecanismos têm efeitos diferentes na composição 
genética das populações. Entretanto, somente a seleção natural melhora de 
modo consistente a relação dos organismos com seus ambientes, levando 
ao tipo de mudança chamado de Evolução Adaptativa.
Os seres vivos de uma mesma espécie exibem diferenças 
significativas no seu conjunto gênico. Estas diferenças, que resultam na 
variação, são, em síntese, resultantes de dois eventos que atuam de forma 
combinada: mutações e reprodução sexuada.
Os caracteres que variam dentro de uma população podem ser 
qualitativos ou quantitativos. Caracteres qualitativos podem ser classificados 
como alternativos. Muitos caracteres qualitativos são determinados por 
um único locus gênico com diferentes alelos que produzem fenótipos 
distintos. No entanto, a maioria da variação herdável envolve caracteres 
quantitativos que variam continuamente na população. Tanto caracteres 
qualitativos quanto quantitativos podem ser usados pelos biólogos para 
medir a variação genética em uma população. A variabilidade genética pode 
ser quantificada pela heterozigosidade média (porcentagem média dos 
Fig. 14 –Ilustração demonstrando como ocorre a Deriva Genética ao longo das gerações. 
Fonte: http://creationwiki.org/pt/Deriva_gen%C3%A9tica
Evolução
150
genótipos heterozigotos), que pode ser estimada através da amostragem 
de proteínas codificadas pelos genes observados em gel de eletroforese. 
Este procedimento, entretanto, não consegue detectar as mutações neutras 
que afetam a sequência de DNA de um gene e, consequentemente, a 
sequência de aminoácidos de uma proteína. Para incluir mutações neutras 
nas estimativas de heterozigosidade média, os pesquisadores necessitam 
utilizar outras técnicas como PCR e análise de fragmentos de restrição.
2.1. Variação entre populações
As espécies exibem também variação geográfica, ou seja, diferenças 
na composição genética de populações separadas geograficamente. Além 
destas, ocorrem também os clines, resultados de mudanças graduais que 
acontecem em um caráter ao longo de um gradiente geográfico. Os clines 
são produzidos a partir de mudanças graduais em variáveis ambientais. As 
populações apresentam variações no seu pool gênico motivado pelo fluxo 
de genes com populações de outras regiões, o que é caracterizado como 
migrações.
2.2. As populações e o Equilíbrio de Hardy-Weimberg
Organismos de uma mesma população trocam genes entre si e 
raramente recebem fluxo gênico de outras populações. As populações 
podem ser caracterizadas pelo seu pool gênico, que é o conjunto responsável 
por reunir todos os alelos para todos os loci em todos os indivíduos.
Quando a população apresenta doisalelos para um determinado 
locus estes alelos podem ser iguais (chama-se genótipo homozigoto) ou 
diferentes (chama-se genótipo heterozigoto).
Em genética de populações representa-se por p a frequência dos 
genes dominantes e q, a frequência dos genes recessivos.
O Princípio de Hardy-Weimberg é utilizado para verificar se uma 
população estaria evoluindo ou não para genes de determinados locus. 
Este Princípio postula que as frequências dos alelos e genótipos em uma 
população permanecem constantes de geração para geração, desde que 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
151
apenas a segregação mendeliana e a recombinação de alelos estejam 
atuando. Neste caso diz-se que a população estaria em Equilíbrio de Hardy-
Weimberg.
As equações que norteiam o Equilíbrio de Hardy-Weimberg são as 
seguintes:
Frequência gênica:
p + q = 1
Onde: p – frequência do gene dominante (f(A))
 q – frequência do gene recessivo (f(a))
Frequência genotípica:
p2+ 2pq+q2=1
Onde: p2 – frequência do genótipo Homozigoto Dominante (f(AA))
 2pq – frequência do genótipo Heterozigoto (f(Aa))
q2 – frequência do genótipo Homozigoto Recessivo (f(aa))
Estas equações podem ser utilizadas para determinar as condições 
de equilíbrio de uma população, mas existem condições para ocorrência 
deste equilíbrio, listadas no Quadro 1.
Quadro 1 – Condições para o Equilíbrio de Hardy-Weimberg
Evolução
152
Condição Explicação
Ausência de mutações Mutações podem modificar o pool gênico 
ao alterar alelos, excluir ou duplicar genes 
inteiros (em grande escala).
Cruzamento ao acaso Se indivíduos cruzam preferencialmente 
com um subgrupo da população, como 
por exemplo, parentes mais próximos 
(endocruzamento), a mistura ao acaso 
dos gametas não ocorre e as frequências 
genotípicas acabam se modificando.
Ausência de seleção natural Diferenças na sobrevivência e no sucesso 
reprodutivo dos indivíduos com diferentes 
genótipos podem modificar as frequências 
alélicas.
Tamanho populacional muito grande Quanto menor a população, mais provável 
é a ocorrência de flutuação de frequências 
alélicas de uma geração para outra (deriva 
genética).
Ausência de fluxo gênico O fluxo gênico pode alterar a frequência 
alélica pela inclusão ou remoção de genes 
em uma população.
Saiba mais...
O portal Terra publicou recentemente um estudo feito a partir da 
população de pessoas ruivas. A matéria ficou interessante porque mostra 
as nuances de estudos populacionais aplicados ao ser humano, além de 
dirimir curiosidades sobre as pessoas que têm os cabelos avermelhados. 
Confira algumas das informações.
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153
3. Especiação
3.1. Introdução
Atualmente, a história da evolução passa por novo exame, com 
o uso de técnicas de análise genética. Novas ferramentas permitem que 
os cientistas avaliem a afinidade entre dois organismos, levando a novas 
descobertas e a muitas surpresas. Mas, quando se trata do passado, os 
métodos tradicionais ainda têm o seu lugar.
Nosso entendimento sobre a evolução foi revolucionado pela 
genética moderna, a descoberta da estrutura do DNA e o progresso em 
biologia molecular. Estes avanços proporcionaram novos métodos analíticos 
e deram acesso a sequências de características macrocelulares que 
permitem comparações entre organismos sem similaridades anatômicas 
evidentes, como bactérias, plantas, fungos e animais.
Segundo a teoria da evolução, todas as formas de vida se 
originaram a partir de um único ancestral. Porém, os métodos tradicionais 
de classificação, baseados na anatomia, não conseguiram desvendar as 
inter-relações evolutivas entre grupos importantes como bactérias, plantas 
etc., nem entre alguns grupos em nível taxonômico muito inferior. Agora, 
graças às novas informações genéticas, é possível, pela primeira vez na 
história da biologia, superar as dificuldades enfrentadas por Darwin e seus 
Fonte: http://noticias.terra.com.br/educacao/voce-sabia/ser-ruivo-vc-sabia/
Evolução
154
contemporâneos na reconstrução da história da vida a partir da linhagem 
desse ancestral comum.
3.2. Grupos de Vida
Atualmente, reconhecem-se três grandes grupos de organismos: 
eubactérias, arqueobactérias e eucariotas. As eubactérias e as 
arqueobacterias, micróbios unicelulares, são organismos procariotas, 
destituídos de núcleo celular e, portanto, os mais primitivos. As 
arqueobactérias atuais não são muito diversificadas nem numerosas, 
mas podem viver em ambientes sob condições extremamente rigorosas, 
como chaminés hidrotermais, por exemplo. Já se acreditou que este 
grupo incluísse as formas de vida mais primitivas, mas isso é questionado 
atualmente. Ao que se saiba, o grupo não tem representação fóssil.
Comparativamente, as eubactérias são muito diversificadas, com 
mais de 10.500 espécies atuais e alguns registros fósseis, embora limitados. 
As eubactérias também podem sobreviver em ambientes hostis, sem luz 
e sem oxigênio. Apesar das limitações de tamanho, têm extraordinária 
diversificação nas vias metabólicas, e sua capacidade de obter energia 
a partir de minerais desempenhou, provavelmente, importante papel na 
evolução das primeiras formas de vida. Por exemplo, são importantes na 
formação dos solos, sem os quais as plantas jamais teriam conseguido 
ocupar a superfície terrestre. Outros tipos podem fotossintetizar energia 
com ou sem a produção de oxigênio. Foram as cianobactérias dos 
estromatólitos do inicio do Pré-Cambriano que aumentaram o nível de 
oxigênio da atmosfera da Terra, de 1% para os atuais 20%.
Todos os demais organismos pertencem ao amplo e diversificado 
grupo conhecido como eucariotas, com mais de 1.738.000 de espécies 
descritas, incluindo formas unicelulares, vegetais, fungos, algas e animais, 
de vermes a baleias. Apesar de apresentarem enormes variações de 
tamanho, suas células variam, apenas, entre 10 e 100 microns. O DNA 
das células eucariotas está contido num núcleo delimitado por uma 
membrana, que fica dentro de um citoplasma estruturado o qual, por 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
155
sua vez, contém as mitocôndrias, responsáveis pela respiração celular. 
Essencialmente aeróbicas, as células eucariotas necessitam de oxigênio 
e as espécies fotossintetizantes sempre o produzem como subproduto de 
seu metabolismo. Existe clara diferenciação entre os sexos, e cada sexo 
contribui igualmente para a composição genética da próxima geração. A 
análise das relações moleculares sustenta a hipótese evolutiva de todos os 
organismos eucariotas se terem diversificado a partir de um único ancestral. 
Esse ancestral tinha mitocôndrias derivadas de uma bactéria, integrada ao 
citoplasma da célula em evento “endossimbiótico” do passado remoto.
LEITURA COMPLEMENTAR
Quer entender melhor sobre o mecanismo de formação de uma 
nova espécie? Alguns textos de divulgação científica dão uma verdadeira 
lição de como ensinar de modo muito fácil. Experimente ler o Capítulo 5 
– Novas Espécies do livro Diversidade da Vida de Edward O. Wilson (Ed. 
Companhia das Letras, 2012, 525 pág.).
3.3. Relógios Moleculares e Evolução
A elaboração destas novas classificações, utilizando dados 
moleculares de organismos vivos, foi problemática em organismos para 
os quais não é possível obter essas informações e os taxonomistas ainda 
precisam se apoiar nas características anatômicas. Isto inclui a maioria das 
espécies fósseis, ainda que, por vezes, seja possível extrair fragmentos de 
DNA de ossos fósseis, com dezenas de milhares de anos. Além disso, o 
relógio molecular estabelece momentos para a divergência dos grupos em 
datas invariavelmente muito anteriores aos registros fósseis disponíveis. 
Isto ocorre porque o relógio molecular mede a “distância” genética entre osgrupos vivos e, usando razões de mutação conhecidas, estima a data da 
divergência. 
Por exemplo, a similaridade de 98,4% entre chimpanzés e humanos 
indica a divergência de um ancestral comum ocorrida de 6 a 8 milhões de 
anos atrás e a diferença de 5% em relação aos gibões indica a existência 
de um ancestral comum há 18 milhões de anos.
Evolução
156
3.4. Especiação e o conceito de Espécie
A especiação é o mecanismo de formação de novas espécies. 
A especiação foi um dos fenômenos que fascinou Darwin ao chegar ao 
Arquipélago de Galápagos. O fascínio com a especiação foi definido 
pelas numerosas potencialidades em gerar grande diversidade de vida. A 
especiação também constrói uma ponte conceitual entre a microevolução 
(as mudanças ao longo do tempo nas frequências alélicas com uma 
população) e a macroevolução (o amplo padrão de evolução ao longo dos 
ciclos da vida).
A espécie pode ser definida como o conjunto de seres semelhantes 
morfológica e fisiologicamente que são capazes de se intercruzarem e 
produzirem descendência fértil. Os membros de uma espécie biológica são 
agrupados por serem compatíveis reprodutivamente. Membros de uma 
espécie frequentemente são semelhantes porque suas populações são 
conectadas por fluxo gênico. O fluxo gênico possui o potencial de manter 
o pool gênico de uma espécie desde que este não seja superado por 
efeitos da seleção ou deriva. O fluxo gênico exerce papel preponderante 
no mecanismo de especiação.
A formação de novas espécies depende do Isolamento Reprodutivo. 
Este isolamento consiste na existência de barreiras que impedem que 
membros de duas espécies diferentes gerem descendente viável e fértil. 
Estas barreiras limitam o fluxo gênico entre espécies permitindo no máximo 
o surgimento de híbridos. Uma combinação de várias barreiras permite 
o isolamento do pool gênico de uma espécie. Existem dois grupos de 
barreiras:
Barreiras Pré-zigóticas – impedem a formação do zigoto.
 Isolamento do habitat
 Isolamento temporal
 Isolamento comportamental
 Isolamento mecânico
 Isolamento gamético
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157
Barreiras Pós-zigóticas – atuam após à conclusão de formação do 
zigoto híbrido.
 Viabilidade reduzida do híbrido
 Fertilidade do híbrido reduzida
 Colapso do híbrido.
3.5. Outras definições de espécie
Conceito morfológico de espécie – caracteriza uma espécie pela 
forma do corpo e outras características estruturais.
Conceito ecológico de espécie – caracteriza uma espécie em 
termos de nicho ecológico, a soma de como os membros da espécie 
interagem com as partes vivas e não vivas do ambiente.
Conceito filogenético de espécie – define uma espécie como 
o menor grupo de indivíduos que compartilham um ancestral comum, 
formando um ramo na árvore da vida.
Fig. 15 - Esquema explicativo sobre a Especiação Alopátrica. Fonte: http://sesi.webensino.
com.br/sistema/webensino/aulas/repository_data//SESIeduca/ENS_MED/ENS_MED_
F03_BIO/178_BIO_ENS_MED_03_07/imagens/ref/FIG_011.PNG
Evolução
158
3.6. Tipos de especiação
Na especiação alopátrica(Fig. 15) o fluxo gênico é interrompido 
quando uma população é dividida em subpopulações isoladas 
geograficamente. Uma vez ocorrida a separação geográfica os pools 
gênicos separados podem divergir: surgem diferentes mutações, a seleção 
natural atua em organismos separadamente e a deriva genética altera a 
frequência de alelos.
O isolamento reprodutivo pode surgir como um efeito colateral da 
seleção ou da deriva que levou as populações a divergirem geneticamente. 
Os pools gênicos de populações altamente isoladas (como aquelas em ilhas 
remotas) sofrem pouquíssimo fluxo gênico. Portanto, estes pools gênicos 
são particularmente suscetíveis a passar por especiação alopátrica.
Especiação simpátrica(Fig. 16) é a especiação que ocorre em 
Fig. 15 - Esquema explicativo sobre a Especiação Alopátrica. Fonte: http://sesi.webensino.
com.br/sistema/webensino/aulas/repository_data//SESIeduca/ENS_MED/ENS_MED_
F03_BIO/178_BIO_ENS_MED_03_07/imagens/ref/FIG_011.PNG
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159
populações que vivem na mesma área. Ocorre quando o fluxo gênico se 
reduz em função da poliploidia, diferenciação de habitat e seleção sexual.
1) Poliploidia – ocorre em função de erros no processo de divisão 
celular. Pode ocorrer por dois mecanismos:
1.1. Autopoliploidia – o indivíduo apresenta mais de dois conjuntos 
cromossômicos derivados da mesma espécie.
1.2. Alopoliploidia – o indivíduo é gerado a partir da fusão de 
conjuntos cromossômicos oriundos de espécies diferentes.
2) Diferenciação de Habitat - ocorre quando fatores genéticos 
habilitam uma subpopulação a explorar habitats ou recursos não utilizados 
pela população parental.
3) Seleção Sexual – processo pelo qual as fêmeas selecionam os 
machos pela aparência física.
LEITURA COMPLEMENTAR
O site ClickCiência da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) 
possui uma série de matérias interessantes sobre o processo evolutivo. 
Para entender melhor o processo de formação de novas espécies leia a 
reportagem Como surgem novas espécies (Link: http://www.clickciencia.
ufscar.br/portal/edicao15/materia6_detalhe.php).
3.7. Mecanismos evolutivos de especiação
O processo de especiação só foi aceito quando o mecanismo de 
evolução passou a ser reconhecido pelos cientistas de maneira geral, 
especialmente após o que convencionou-se chamar de Síntese evolutiva.
Dois mecanismos evolutivos básicos explicam a especiação 
(Fig. 17): a Anagênese (as espécies vão se modificando gradativamente, 
mediante uma combinação de fatores que vão desde as mutações passando 
pelo processo de seleção) e a Cladogênese (a espécie ancestral tem sua 
população segmentada em subpopulações que não trocam mais genes 
entre si, muitas vezes vivendo em locais onde fatores ambientais distintos 
Evolução
160
promovem pressões seletivas distintas. Isso pode proporcionar condições 
de seleção genética que alterem completamente o pool gênico de cada 
subpopulação, levando a um nível tão extremo de diferenças que culminam 
com o isolamento reprodutivo, gerando-se assim novas espécies).
SAIBA MAIS...
O zoólogo Paulo Vanzolini, um dos maiores e mais ecléticos 
cientistas brasileiros propôs em um texto simples algumas explicações 
sobre o mecanismo de formação de novas espécies, usando para isso 
alguns diagramas. Acompanhe a explicação do genial cientista brasileiro, 
morto em
A seguir está uma representação diagramática das possíveis 
seqüências de eventos no modelo de especiação geográfica e a 
representação da formação de uma barreira entre duas populações e os 
possíveis eventos que ocorrem se esta barreira desaparecer.
Fig. 17 - Ilustração comparando a trilha dos mecanismos de Anagênese e Cladogênese.
Fonte: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/evolucao-dos-seres-vivos/imagens/
Evoluc63.jpg
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161
População inicial
Isolamento de duas populações por uma barreira
Divergência genética das populações isoladas, formando duas 
populações com patrimônios genéticos distintos.
Se a barreira desaparecer e estas populações entrarem em contato 
novamente, acontecerá: uma incompatibilidade (A) ou uma compatibilidade 
(B) entre estas populações.
A - Incompatibilidade: os membros das duas populações são 
incapazes de trocarem genes entre si. Neste caso as populações são 
consideradas espécies diferentes, podendo ocorrer:
Representação diagramática das possíveis sequências de eventos no modelo de especiação 
geográfica. (Segundo P. E. Vanzolini, Zoologia sistemática geográfica e a origem das espécies. 
Publicação do Instituto de Geografia-Universidade de São Paulo.).
(Fonte: http://www.biomania.com.br/bio/conteudo.asp?cod=1259Evolução
162
ATIVIDADES DE APRENDIZAGEM
 
01) Examine a árvore filogenética abaixo:
Esperamos encontrar maior semelhança entre genes de:
bactéria e protozoário
peixe e baleia
baleia e pássaro
estrela-do-mar e ostra
ostra e coral.
02) Observe as afirmativas abaixo:
I – O primeiro passo para o surgimento de novas espécies é o isolamento 
geográfico e/ou ecológico, que é seguido pelo isolamento reprodutivo.
II – Duas populações só constituem efetivamente duas espécies quando 
perdem a capacidade de trocar genes entre si.
Assinale a alternativa CORRETA.
 As afirmativas I e II estão parcialmente corretas, mas não possuem 
relação entre si.
 Somente a afirmativa I está correta.
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163
Somente a afirmativa II está correta.
As afirmativas I e II estão erradas.
As afirmativas I e II estão corretas e relacionadas entre si.
03) A formação de raças não será possível sem a ocorrência de
a) superioridade dos heterozigotos.
b) esterilidade dos híbridos.
c) isolamento reprodutivo.
d) isolamento geográfico.
e) seleção natural estabilizadora.
04) O geneticista Jeremy Rifkin, em publicação recente, faz reflexões sobre 
o impacto das novas tecnologias e avanços da engenharia genética em 
nossas vidas. No que se refere à transferência de genes entre espécies 
diferentes, sugere que certos conceitos sejam repensados:
“Uma espécie biológica... deve ser vista como um depósito de genes que 
são potencialmente transferíveis. Uma espécie não é meramente um 
volume de capa dura da biblioteca da natureza. Ela também é um livro de 
folhas soltas, cujas páginas individuais, os genes, podem estar disponíveis 
para uma transferência seletiva e modificação de outras espécies.” 
Rifkin, J. O século da biotecnologia. São Paulo: Ed. Makron Books do 
Brasil, 1999. p. 36.)
Considerando o ponto de vista do autor, identifique nas alternativas abaixo 
o que é atualmente aceito como correto sobre espécie e especiação.
( ) Populações de uma mesma espécie, geograficamente isoladas, sofrem 
as mesmas mutações e processos de seleção natural, o que lhes permite 
ajustar-se às circunstâncias de cada ambiente.
( ) A condição inicial para que haja a formação de raças é a seleção 
natural.
Evolução
164
( ) O isolamento geográfico é uma das condições para que haja especiação.
( ) As diferenças genéticas entre duas populações de uma mesma espécie, 
quando isoladas geograficamente, tendem a se acentuar.
( ) Membros de uma mesma espécie intercruzam-se livremente, dando 
origem a descendentes férteis.
05) Sobre o conceito de especiação, é incorreto afirmar que:
a) As espécies de tentilhões descobertos por Darwin nas Ilhas Galápagos 
sugiram por especiação simpátrica.
b) A especiação alopátrica envolve isolamento geográfico, diversificação 
gênica e isolamento reprodutivo.
c) Todos os indivíduos pertencentes à mesma espécie compartilham de um 
patrimônio gênico característico e por isso possuem um conjunto básico de 
características morfológicas e funcionais.
d) A especiação alopátrica ocorre quando uma população torna-se 
geograficamente separada do restante da espécie e subsequentemente 
evolui por seleção natural ou deriva gênica.
e) A especiação pode ocorrer após um longo período de separação 
geográfica de duas populações da mesma espécie.
06) A figura representa a evolução dos grandes grupos de vertebrados 
atuais dotados de mandíbula, enumerados de I a V. A largura das áreas 
sombreadas indica o número relativo de espécies de cada grupo durante 
as diferentes eras e períodos.
 
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165
a) Qual a classe representada pelo número V? Cite o anexo embrionário 
exclusivo dessa classe.
b) Indique uma característica evolutiva relativa à respiração, que está 
presente no grupo II e ausente no grupo I; indique uma aquisição evolutiva, 
referente à reprodução, presente no grupo III e ausente na maioria dos 
animais representantes do grupo II.
07) O esquema abaixo se refere a dois modelos de especiação (A e B).
Considere as afirmações abaixo relacionadas ao esquema:
I. O modelo A representa um exemplo de especiação filética, que pressupõe 
a ocorrência de isolamento geográfico.
II. O modelo A representa especiação por anagênese, que envolve seleção 
natural e adaptação a modificações graduais nas condições ambientais.
III. O modelo B representa especiação por cladogênese, que envolve 
isolamento de populações, adaptação a diferentes ambientes e isolamento 
reprodutivo.
Quais estão corretas?
a) Apenas I. d) Apenas I e III.
b) Apenas II. e) Apenas II e III.
c) Apenas III.
08)Aves que não voam são nativas da África (avestruzes), América do Sul 
(emas), Austrália (emus e casuares) e Nova Zelândia (kiwi).
Evolução
166
a) Considerando que essas aves têm um ancestral comum, como se pode 
explicar a distribuição atual pelos diferentes continentes?
b) Que processos provocaram a diferenciação dos animais dessas regiões?
09)A vida animal originou-se nos oceanos primitivos. A partir dos ancestrais 
marinhos, alguns grupos invadiram a água doce enquanto outros se 
deslocaram para a terra.
a) Cite duas adaptações importantes para a ocupação do ambiente terrestre.
b) Dê exemplo de um filo de invertebrado que apresente espécies tanto 
aquáticas quanto terrestres.
c) A partir de ancestrais terrestres, alguns mamíferos ocuparam o ambiente 
marinho. Cite duas características morfológicas e/ou fisiológicas que 
permitiram a sua adaptação a esse ambiente.
10) Existem mecanismos que normalmente impedem a troca de genes 
entre espécies distintas. Nos últimos anos, porém, as fronteiras entre as 
espécies vêm sendo rompidas com a criação de organismos transgênicos. 
A introdução de soja e de outras plantas transgênicas tem gerado muita 
polêmica, pois, apesar de seus inúmeros benefícios, não há ainda como 
avaliar os riscos que os organismos transgênicos apresentam.
a) Cite dois mecanismos que impedem a troca de genes entre espécies 
distintas.
b) Defina um organismo transgênico.
c) Indique um benefício decorrente da utilização de organismos transgênicos 
e um possível risco para o ambiente ou para a saúde humana.
11) Os mecanismos de isolamento reprodutivo impedem o cruzamento entre 
indivíduos de diferentes espécies. Em animais, qual dos mecanismos abaixo 
tenderia a ser favorecido pela seleção natural, por ser mais econômico?
a) Isolamento por incompatibilidade comportamental.
b) Isolamento por diferenças em estruturas reprodutivas.
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167
c) Isolamento por incompatibilidade gamética.
d) Isolamento por inviabilidade do híbrido.
e) Isolamento por esterilidade do híbrido.
12) Os fatos abaixo estão relacionados ao processo de formação de duas 
espécies a partir de uma ancestral:
I. Acúmulo de diferenças genéticas entre as populações.
II. Estabelecimento de isolamento reprodutivo.
III. Aparecimento de barreira geográfica.
a) Qual é a sequência em que os fatos acima acontecem na formação das 
duas espécies?
b) Que mecanismos são responsáveis pelas diferenças genéticas entre as 
populações?
c) Qual é a importância do isolamento reprodutivo no processo de 
especiação?
13) Supondo que uma parcela significativa de uma população migre para 
uma outra região e deixe de ter contato com a população original. Depois 
de um longo período de tempo essa parcela da população que migrou 
poderá constituir uma outra espécie. De acordo com o texto assinale a 
alternativa que indica, corretamente, o processo inicial de formação dessa 
outra espécie.
a) Isolamento reprodutivo.d) Isolamento mecânico.
b) Isolamento geográfico.e) Isolamento sazonal.
c) Isolamento de hábitat14) Uma ilha oceânica, rica em vegetação, foi invadida por representantes 
de um vertebrado herbívoro, que se adaptaram muito bem às condições 
encontradas e povoaram toda a ilha. Esta, após certo tempo, foi dividida em 
duas por um fenômeno geológico. Os animais continuaram vivendo bem e 
Evolução
168
se reproduzindo em cada uma das novas ilhas mas, depois de muitos anos, 
verificou-se que os indivíduos das duas ilhas haviam perdido a capacidade 
de produzirem descendentes férteis, quando intercruzados.
Esse texto exemplifica um caso de
a) diferenciação morfológica. d) seleção natural.
b) convergência adaptativa.e) radiação adaptativa.
c) especiação.
15) A maioria dos peixes teleósteos é ectoterma, porém algumas espécies 
de Scombroideiapresentam endotermia. 
Duas estratégias distintas evoluíram nos Scombroidei, cuja filogenia é 
apresentada abaixo: os marlins (espécies 1 a 6) e as cavalas (espécie 
14) possuem endotermia cranial (C), aquecendo apenas o cérebro e os 
olhos; os atuns (espécies 7 a 12) apresentam endotermia sistêmica (S), 
semelhante às aves e mamíferos com altas taxas metabólicas e redução 
da condutividade térmica corpórea. Os peixes das demais espécies são 
ectotermos (E).
É correto afirmar que a endotermia
a) surgiu no ancestral comum e posteriormente diversificou-se em sistêmica 
e cranial.
b) caracteriza os clados mais evoluídos e mais bem sucedidos de 
Scombroidei.
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169
c) é uma tendência evolutiva de Scombroideie no futuro todos serão 
endotermos.
d) evoluiu pelo menos três vezes no grupo, o que sugere seu caráter 
adaptativo.
e) é uma autoapomorfia de Scombroidei, ainda que tenha traços parafiléticos.
16) Os pandas, incluindo-se os pandas gigantes e os pandas vermelhos, 
por muito tempo foram tratados como ursos, mas, posteriormente, verificou-
se que uma série de características os aproximava dos guaxinins. A figura 
abaixo apresenta os resultados de estudos com hibridação de DNA à qual 
foi acrescentada uma escala temporal depois de feita a análise cladística.
Qual das conclusões abaixo pode ser sustentada pela figura?
a) O panda vermelho tem menor similaridade com os guaxinins do que com 
o urso panda gigante.
b) Pandas gigantes, ursos pardos, ursos malaios e ursos de óculos formam 
um grupo parafilético.
c) O cachorro é a única espécie do diagrama que não pode ser chamada 
de urso.
d) A divergência entre as formas que originaram os pandas gigantes e 
pandas vermelhos ocorreu há mais de 80 milhões de anos.
e) O panda gigante e o panda vermelho estão em clados distintos.
Evolução
170
17) Para responder esta questão utilize o esquema abaixo que mostra as 
principais relações evolutivas no filo Annelida. As apomorfias utilizadas 
estão numeradas e seus significados constam da lista que segue.
 
(Adaptado de BRUSCA, R.C. , BRUSCA, G.J. Invertebrates. Sunderland, 
USA: Sinauer Associates, 1990. p. 432)
1. cerdas numerosas
2. parapódios
3. região cefálica complexa
4. hermafroditismo simultâneo
5. clitelo
6. perda do estágio larval de vida livre
7. redução do número de cerdas
8. redução de septos e fusão dos compartimentos celômicos
9. ventosas oral e posterior
10. perda das cerdas
Segundo o esquema,
a) a classe I é ancestral de II e III.
b) a classe III é ancestral de I e II.
c) as classes I e II formam um grupo monofilético.
d) as classes II e III formam um grupo parafilético.
e)) as classes II e III formam um grupo monofilético.
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171
18)Estudos realizados com diversos marcadores genéticos têm indicado que 
espécies arbóreas de florestas tropicais apresentam alta proporção de locos 
polimórficos e elevados níveis de diversidade genética dentro de espécies. 
Um estudo específico com aroeira (Myracrodruonurundeuva) verificou, em 
duas populações naturais diferentes, baixa taxa de fecundação cruzada. A 
respeito da viabilidade genética de populações, é correto concluir que
a) uma espécie constituída de populações endogâmicas tem baixa 
diversidade genética, e não pode ter alta proporção de locos polimórficos 
devido ao fato de não apresentar panmixia.
b) mesmo uma espécie com baixa taxa de fecundação cruzada pode ter alta 
proporção de locos polimórficos em suas populações, pois a endogamia 
não conduz necessariamente à homozigose.
c) tanto as populações com fecundação cruzada como as com altas taxas 
de endogamia podem ter alta proporção de locos polimórficos, se tiverem 
altas taxas de mutação.
d) a aroeira é uma espécie que pode ter alta proporção de locos polimórficos, 
mesmo com grande homozigose em diferentes populações endogâmicas.
e) as populações naturais de aroeira têm alta proporção de locos polimórficos 
devido à segregação independente e à recombinação genética.
19)O território brasileiro apresenta zonas de transição entre os 
ecossistemas. Alguns ambientalistas preocupam-se com sua manutenção 
por serem consideradas muito dinâmicas do ponto de vista evolutivo, já que 
apresentam
a) aumento dos endocruzamentos.
b) gradientes de pressões seletivas.
c) gradientes de taxas de mutação.
d) diminuições no número de espécies.
e) aumento no número de lócus gênicos.
Evolução
172
20) A partir do genoma mitocondrial de representantes de colêmbolos, 
crustáceos, tisanuros e demais insetos, e usando quelicerados e miriápodes 
como grupo externo, Nardi e colaboradores construíram a hipótese 
filogenética expressa abaixo.
(Adaptado de Nardi e colaboradores. Science. n. 299, p. 1887-9, 2003)
Segundo a hipótese apresentada,
a) houve especiação alopátrica entre colêmbolos e demais insetos.
b) os crustáceos tinham três pares de pernas e depois adquiriram mais.
c)) a presença de três pares de pernas deve-se à convergência evolutiva.
d) os crustáceos adquiriram mais pares de pernas por convergência 
evolutiva.
e) colêmbolos, tisanuros e demais insetos desenvolveram três pares de 
pernas num processo de evolução de grupo.
21)Se a frequência de um gene recessivonuma população for de 0,4, as 
frequências genotípicas esperadas, se esta população estiver em equilíbrio, 
serão:
 Aa Aa AA
a) 0,04 0,9 0,06
b) 0,16 0,36 0,48
c) 0,8 0,16 0,04
d) 0,16 0,48 0,36
e) 0,48 0,36 0,16
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173
22)Imagine a seguinte situação: pesquisadores descobriram uma população 
de aves marinhas isolada numa ilha, estimada em 1.000 indivíduos, e 
perceberam que 360 eram homozigotos AA, 480 heterozigotos Aa e 160 
homozigotos aa. Também concluíram que todos os tipos possíveis de 
cruzamento estavam ocorrendo, embora fatores evolutivos como mutação 
ou seleção não tenham sido registrados. Mediante essas informações, 
assinale a alternativa correta.
a) O total de alelos nessa população é igual a 20.000.
b) A frequência de indivíduos AA é igual a 0,4 ou 40%.
c) A população encontra-se em equilíbrio gênico, seguindo o princípio de 
Hardy-Weinberg.
d) A frequência de indivíduos aa é também igual a 0,4 ou 40%.
e) A frequência de indivíduos Aa é igual a 0,24 ou 24%.
23)Uma população panmítica de pássaros é composta por 14.000 
indivíduos. Estando em equilíbrio de Hardy-Weinberg, essa população 
apresenta a seguinte distribuição genotípica.
4.100 indivíduos AA
5.300 indivíduos Aa
4.600 indivíduos aa.
Qual a frequência do alelo a nessa população?
a) 0,48. b) 0,25. c) 0,52. d) 0,59. e) 0,96.
24) G. H. Hardy e W. Weinberg postularam que, em uma população, 
sob condições especiais, as frequências dos alelos, e de cada genótipo, 
permanecem constantes, geração após geração. Para que isso ocorra, 
segundo os referidos autores, é necessário que:
( ) não haja pressão de seleção natural, uma vez queesta tende a 
selecionar determinados alelos em detrimento de outros, que podem 
desaparecer.
( ) não ocorram fluxos migratórios, os quais acarretam troca de alelos 
entre populações diferentes.
Evolução
174
( ) os cruzamentos, nas populações, ocorram ao acaso; ou seja, as 
populações sejam panmíticas.
( ) os novos alelos, que surjam por mutação, se incorporem rapidamente 
ao estoque gênico.
( ) nas populações demasiadamente pequenas, os cruzamentos sejam 
ao acaso, a partir de seu estabelecimento.
25) No estudo da genética de populações, utiliza-se a fórmula p2 + 2pq 
+ q2 = 1, na qual p indica a frequência do alelo dominante e q indica a 
frequência do alelo recessivo. Em uma população em equilíbrio de Hardy-
Weinberg espera-se que
a) o genótipo homozigoto dominante tenha frequência p2 = 0,25, o genótipo 
heterozigoto tenha frequência 2pq = 0,5 e o genótipo homozigoto recessivo 
tenha frequência q2 = 0,25.
b) haja manutenção do tamanho da população ao longo das gerações.
c) os alelos que expressam fenótipos mais adaptativos sejam favorecidos 
por seleção natural.
d) a somatória da frequência dos diferentes alelos, ou dos diferentes 
genótipos, seja igual a 1.
e) ocorra manutenção das mesmas frequências genotípicas ao longo das 
gerações.
GABARITO:
01) C; 02) E; 03) D; 04) FFFVV; 05) A; 06) a) V representa os 
mamíferos e o anexo embrionário exclusivo dessa classe é a placenta. b) 
II representa os anfíbios que apresentam respiração pulmonar e cutânea 
quando adultos e I representa os peixes que respiram por brânquias 
durante toda a vida; III representa os répteis cuja aquisição evolutiva foi a 
formação de ovos com âmnio, alantóide e casca dura, além da fecundação 
interna, aquisições que os anfíbios (II) não possuem; 07) E; 08) a. Pode 
ser explicada considerando a Deriva Continental. Existia o ancestral 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
175
comum e quando os continentes estavam em formação, se separando, 
as subpopulações, submetidas a pressões ambientais distintas, iniciaram 
um processo de especiação. b. Embora o pool gênico seja semelhante 
para os mesmos subgrupos formados pela separação, provavelmente as 
pressões ambientais são diferentes, o que proporcionou as diferenças 
encontradas na atualidade e proporcionou o isolamento reprodutivo.; 09) 
a) Adaptações importantes: revestimento especializado para impedir a 
desidratação; órgãos especializados para captar oxigênio do ar; ovos com 
casca protetora e outras. b) Filo anelídeos; filo moluscos; filo artrópodes. 
c) Tela subcutânea (hipoderme) com acúmulo de tecido adiposo; patas 
transformadas em nadadeiras; morfologia hidrodinâmica entre outras; 10) 
a) Isolamento geográfico; isolamento ecológico (indivíduos possuem nichos 
ecológicos diferentes); isolamento etológico ou comportamental; híbrido 
estéril; híbrido inviável, entre outros. b) Organismos transgênicos são 
organismos geneticamente modificados (OGM); possuem genes exógenos 
no seu genoma (genes de outras espécies). c) Os transgênicos são úteis 
principalmente na área médica como, por exemplo, a produção de insulina 
humana por bactérias transgênicas; hormônio de crescimento, interferon, 
fator de necrose de tumores, entre outras. Quanto aos riscos, os alimentos 
transgênicos podem produzir alergias, podem ocorrer riscos também para 
o ecossistema como, por exemplo, para insetos polinizadores, mudanças 
nas cadeias alimentares, entre outras; 11) A; 12) a) A seqüência correta 
dos fatos para a formação de duas espécies é: III - I - II. b) Mutações, 
recombinações gênicas, seleção natural, entre outras. c) É impedir o fluxo 
gênico entre as populações, garantindo que as populações sejam distintas 
geneticamente. 13) A; 14) C; 15) D; 16) E; 17) E; 18) D; 19) B ; 20) C.; 21) 
D;22) C;23) D;24) VVVFF;25) E. 
 
PARA APRENDER MAIS...
Existem no mercado muitos títulos que trazem o conteúdo 
estudado na forma de textos de fácil entendimento. Listamos abaixo um 
destes materiais que pode dar uma boa impressão sobre o tema devido à 
simplicidade com que trata o assunto.
Evolução
176
ATIVIDADE COMPLEMENTAR
Uma imagem vale mais do que mil palavras! Este ditado popular 
é muito bom pra entendermos que alguns conteúdos podem ser melhor 
compreendidos quando construímos ilustrações ou modelos físicos para 
demonstrá-los. Vamos construir duas maquetes mostrando a diferença 
entre Anagênese e a Cladogênese. Na plataforma vamos expor fotografias 
das maquetes prontas e do “makingoff”, ou melhor das suas etapas de 
construção.
PARA FINALIZAR...
Vamos recapitular tudo o que aprendemos nesta Unidade. 
Estudamos sobre Adaptação, sobre o comportamento dos genes e dos 
genótipos na população e sobre formação de novas espécies. Que tal se 
pudermos agora construir um pequeno ensaio falando sobre estes três 
assuntos de modo concatenado? É uma oportunidade de mostrar o quanto 
aprendeu. Vamos lá? Pode ser, no mínimo, com duas laudas.
RESUMO
Como surge uma nova espécie? Esta pergunta embala estudantes 
de todas as idades, além de causar um furor nas pessoas que são 
fundamentalistas religiosas. Esta unidade discorre sobre os fundamentos 
do processo adaptativo e sua relação com o processo de formação de 
novas espécies. O estudante tomou conhecimento dos principais modelos 
e mecanismos de especiação.
Cada caso, um caso... puro acaso – os processos de evolução biológica dos 
seres vivos de Fábio de Melo Sene. O título já é um prenúncio da delícia que 
é a leitura deste livro. Vale a pena entender todos os seus conteúdos, usados 
pelo autor uma linguagem simples e bastante acessível. Boa leitura!
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177
UNIDADE 4
EVOLUÇÃO E DIVERSIDADE
OBJETIVOS
• Conceituar a filogenia e suas implicações para Evolução.
• Conhecer os processos que resultaram na Evolução da célula, das 
plantas e dos principais grupos de animais.
• Conhecer os principais ancestrais do Homo sapiens e seu mecanismo 
de dispersão pelas diferentes regiões da Terra.
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179
1. Filogenia
1.1.Revelando a história da vida
Como o próprio Darwin disse emA Origem das Espécies, o “sistema 
natural (de classificação) é baseado na descendência com modificação; 
que as características... mostrando real afinidade entre duas ou mais 
espécies, são as que foram herdadas de um ancestral comum,... e não de 
algum plano desconhecido da criação”. Este conceito de linhagem de seres 
vivos é o que o naturalista alemão Ernst Haeckel (1834-1919) denominou 
de filogenia. Inicialmente, as tentativas de produzir filogenias baseavam-se 
na classificação Lineana, e incorporavam noções de “progresso evolutivo”, 
representadas por linhas retas unindo ancestrais primitivos a descendentes 
mais avançados (com os humanos sempre no topo da “árvore”). Hoje, as 
falhas desta visão são reconhecidas e a classificação biológica utiliza a 
abordagem do entomologista alemão WilliHenning (1913-1976), da década 
de 1950.
Atualmente a ciência denominada sistemática filogenética, ou 
“cladística”,tenta criar uma classificação natural baseando-se nas relações 
de parentesco,onde geralmentequalquer ramo, ou “clado”, consiste em 
apenas um ancestral e todos os seus descendentes,é o denominado 
grupo “monofilético”. Nas últimas décadas, esta nova abordagem mudou 
radicalmente a classificação biológica e contribuiu para a descoberta de 
relações evolutivas inesperadas. Por exemplo, as aves são consideradas, 
hoje, parte do clado dos dinossauros e têm um ancestral comum com 
os crocodilos. Esta reclassificação filogenética das aves significa que 
os dinossauros não foram completamente extintos – alguns de seus 
descendentes com penas sobreviveram à extinção do fim do Cretáceo 
e passaram por extraordináriae bem-sucedida irradiação, evoluindo e 
assumindo a forma das aves modernas – as aves neognatas.
SAIBA MAIS...
Filogenia é a história evolutiva de um grupo, incluindo as relações de 
parentesco entre suas espécies ancestrais em vários níveis e as espécies 
descendentes.
Evolução
180
1.2. O que é uma filogenia
Uma filogenia é uma hipótese acerca das relações de parentesco 
expressas como um diagrama de uma árvore. Todas as partes da árvore são 
inferidas, exceto pelas pontas dos ramos, as quais são espécies observadas 
e descritas, viventes ou fósseis. Os métodos filogenéticos típicos assumem 
que não há hibridização ou transferência gênica horizontal por meio de 
vetores microbianos uma vez que a especiação é completa (isso não é 
certamente o caso de muitas bactérias). Fósseis, os quais ajudam a testar, 
calibrar e sustentar as árvores filogenéticas são usualmente interpretados 
como pontas de ramos extintas, não como ancestrais viventes das espécies 
atuais.
1.3. Tipos de árvores filogenéticas
As árvores filogenéticas podem ser enraizadas ou não. Para 
enraizar uma árvore, utiliza-se um grupo controle (out group), o qual 
claramente não pertence ao grupo que está sendo analisado; um grupo-
irmão (sister-group) é melhor, se ele pode ser identificado confiavelmente. 
Assim, o grupo-controle para uma filogenia de tetrápodes, por exemplo, 
deveria ser um peixe, provavelmente um pulmonado, não equinodermo. 
A conexão ao grupo controle define a raiz da árvore. Se a árvore não é 
enraizada, não podemos identificar o grupo controle ou – como no caso 
da árvore da vida – não há tal grupo, já que a vida celular se originou 
apenas uma vez. Enraizar uma árvore é um passo importante, já que ele 
introduz a noção de que alguns traços são ancestrais, ou plesiomórficos 
(plesio=próximo, relacionado; morfo=forma), e outros são derivados ou 
apomórficos (apo=derivados). Isso tem implicações importantes para a 
interpretação da evolução dos caracteres.
SAIBA MAIS...
Alguns conceitos importantes
Simplesiomorfias - é o conjunto de plesiomorfias para determinado 
conjunto de seres vivos.
Sinapomorfias - é o conjunto de apomorfias para um determinado 
conjunto de seres vivos.
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181
O conhecimento de uma sinapomorfia em um grupo corresponde 
à união de uma condição apomórfica ao conhecimento da distributividade 
dessa condição.
Ex.: Coração com 3 cavidades é uma característica simplesiomórfica 
em relação a répteis e anfíbios.
Coração com 4 cavidades é uma característica sinapomórfica em 
relação às aves, mamíferos e répteis crocodilianos.
Árvores (Fig. 18) apresentam nós terminais e internos, ramos 
periféricos e interiores. Os nós terminais representam grupos descritos e 
cujos caracteres são conhecidos a partir de observações; os nós internos 
representam ancestrais hipotéticos, cujos traços são inferidos. Ramos 
periféricos terminam em táxons descritos; ramos interiores conectam 
ancestrais hipotéticos.
1.4. Tipos de dados
Árvores filogenéticas podem ser construídas tanto a partir de 
dados qualitativos, como caracteres discretos (tais como a presença ou 
ausência de uma estrutura morfológica, ou a presença ou ausência de 
quatro nucleotídeos em uma localidade particular do DNA, por exemplo), ou 
traços quantitativos (tais como razões entre os comprimentos das porções 
corpóreas ou a porcentagem de similaridade entre sequências de DNA).
1.5. Cladística
A abordagem sistemática, conhecida como “Cladística”, foi 
formulada por Hennig (1966) e é amplamente utilizada. Ela é distinguida 
por suas suposições, claramente propostas: somente estados derivados de 
Fig. 18 - Esquema mostrando uma árvore filogenética básica e suas partes. Fonte: http://
www.ebah.com.br/content/ABAAAAMwYAE/cladograma.
Evolução
182
um traço – sinapomorfias – são filogeneticamente informativos, e a melhor 
árvore requer a menor quantidade de mudanças destes estados: é a árvore 
mais parcimoniosa. Hennig introduziu a parcimônia como um critério nos 
julgamentos das árvores; o desenvolvimento de métodos de parcimônia, 
para construção de árvores, deu-se posteriormente. A cladística trouxe à 
sistemática alguns termos técnicos que são amplamente utilizados.
1.6. Forma e agrupamentos taxonômicos: Grupos Monofiléticos e 
Merofiléticos
Grupos Monofiléticos são conjuntos de espécies, incluindo uma 
ancestral e todas as suas espécies descendentes ou, grupo em que todas 
as espécies são mais aparentadas entre si do que com quaisquer outras, 
ou grupo que inclui todas as espécies descendentes de uma espécies 
ancestral, ou ainda, grupo de espécies descendentes de uma espécie 
ancestral comum só a elas. Grupos Merofiléticos são grupos que não 
correspondem a um agrupamento monofilético.
A maioria absoluta das mutações surgidas se perde:
• as que ocorrem em células somáticas desaparecem com a morte 
do indivíduo;
• a maior parte das mutações em células gaméticas deve ser 
deletéria;
• a imensa maioria dos gametas transportando mutações não 
deletérias simplesmente não chegam à fecundação;
• uma parte dos gametas portadores de novas mutações que 
Fig. 19 - Cladograma. 
Grupos Monofiléticos 
(A, B, C, D, E, F e 
A, B, C). Grupos 
Merofiléticos (A, B, 
C, D, E, G). Fonte: 
F.S.Santos-Filho.
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183
chegam à fecundação pode ser eliminada por deriva genética ou por 
seleção.
• Conclusão: apenas uma pequena fração do número total de 
mutações ocorridas em cada população chega a fixar-se.
Apomorfias compartilhadas (sinapomorfias) são indícios de 
ancestralidade comum exclusiva, ou seja, de monofilia.Lineu e outros 
sistematas antes de Hennig lidavam com a diversidade biológica reunindo 
espécies com base em semelhanças.
• Antes de Darwin – semelhanças eram explicadas por essências 
compartilhadas.
• Depois de Darwin – as semelhanças são reflexo de um processo 
de conexão de espécies atuais em espécies ancestrais.
O método filogenético é baseado em dois tipos de semelhanças: 
plesiomorfias e apomorfias.O método de reconstrução filogenética é um 
sistema para listar sinapomorfias e assim delimitar grupos monofiléticos.
A regra geral é que um grupo com n espécies recentes e que 
tenha sofrido apenas divisões dicotômicas tem n-1 espécies ancestrais.No 
exemplo acima (Fig. 19), observam-se 10 (n) espécies (A-J). Percebe-se 
nos nós as representações dos ancestrais (1-9).A determinação de laços 
de parentesco entre espécies é confirmada pela presença de pelo menos 
um ancestral comum exclusivo.Afirmar simplesmente que duas espécies 
apresentam ancestral comum apenas confirma o paradigma filogenético, 
sendo, desta forma, uma afirmação filogenética não informativa.
SAIBA MAIS...
Entendendo a construção e alguns conceitos sobre Cladogramas
Representações das relações de parentesco entre grupos.
Grupo-Irmão (“Sister-Group”)
Táxons ou grupos ligados e próximos por caracteres exclusivos.
No cladograma abaixo vê-se dois grupos irmãos (circulados):
Evolução
184
• Cladogramas exclusivamente dicotômicos: totalmente resolvidos;
Os cladogramas a seguir, embora pareçam diferentes, são 
absolutamente iguais, pois as relações indicadas entre os grupos são 
exatamente as mesmas.
Polarização de séries de transformação
Uma condição é APOMÓRFICA se for mais recente; quando mais 
antiga é PLESIOMÓRFICA. Assim se uma condição é apomórfica dentro 
do grupo é porque surgiu depois deste grupo e a condição plesiomórfica 
é aquela que pode ser encontrada em grupos externos ao qual se está 
analisando.
Método de comparação com grupos externos
Foi criado para determinar se um caráter é apomórfico ou 
plesiomórfico. O caráter para determinado grupo é comparado com um grupo 
externo. Caso ele não esteja presente no grupo externoele considerado 
uma aquisição recente, ou seja, uma apomorfia.
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185
• Cladogramasnão-exclusivamente dicotômicos: incompletamente 
resolvidos. Apresentam uma ou mais tricotomias ou politomias, conforme o 
esquema a seguir:
Notação Parentética
- oscladogramas podem ser substituídos por uma notação que 
envolve parênteses. Cada parêntese reúne o grupo ligado pelo mesmo nó.
Ex.:
Matriz de caracteres
Caracteres presentes nas diferentes espécies que estão sendo 
comparadas são alocados em uma matriz. Na matriz estariam presentes: 
os caracteres (representados na parte superior das colunas), seu estado 
(representados no interior das colunas: 0 para caracteres plesiomórficos e 
Evolução
186
1 para caracteres apomórficos) e as espécies analisadas (representadas 
na coluna que forma os elementos iniciais das linhas).
Montagem do Cladograma a partir da Matriz
1.7. A teoria e a racionalidade da construção de árvores
Há três métodos usualmente utilizados na construção de árvores: 
parcimônia, distância e máxima semelhança. Métodos de parcimônia 
aplicam a lógica da cladística aos dados moleculares, morfológicos ou 
ambos. Método de distância e de máxima semelhança são geralmente 
aplicados a sequência de DNA com homoplasias usuais.
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187
1.8.Métodos de Parcimônia
Esta família de métodos é baseada na cladística: hipóteses mais 
simples são preferidas às mais complicadas, e similaridades derivadas 
compartilhadas são decisivas. O maior número de similaridades entre os 
táxons é explicado pela ancestralidade comum. Na maioria dos bancos 
de dados, alguns traços confrontam-se com esta explicação, tornando 
necessárias suposições de homoplasias (convergência, paralelismos ou 
reversão). Quando a parcimônia é aplicada em dados de sequências, taxas 
evolutivas devem ser pequenas, ou aproximadamente iguais em diferentes 
linhagens, caso se queira obter árvores que abordam a verdadeira relação 
com números crescentes de dados.
1.9.Métodos de Distância
Uma distância é o número de diferenças em estados de caracteres 
entre dois táxons. Todos estes métodos se iniciam pelo cálculo das 
distâncias entre todos os pares de espécies. Métodos comuns incluem a 
análise de cluster, o neighbor-joining e os métodos de otimização.
1.9.1.Análise de Cluster
A análise de Cluster é simples e rápida, porém é considerada fraca. 
Ela assume que as alterações ocorrem a uma mesma taxa em todos os 
ramos da árvore, o que é questionável, e que o agrupamento, com base na 
similaridade total, é logicamente válido, o que ignora a distinção cladística 
entre as sinapomorfias informativas e as plesiomorfias sem informação.
1.9.2. Neighbor-joining
O neighbor-joining é o principal método de fornecimento de árvores 
aditivas, nas quais se assume que os comprimentos dos ramos entre 
qualquer par de táxons, podem ser somados de forma a fornecer o número 
de modificações evolutivas que ocorreram entre eles. Ele procede por 
meio da ligação dos nós dos pares mais próximos, o que define o ancestral 
comum removendo os ramos distais, os quais convertem novos ancestrais 
comuns em um nó terminal em uma árvore pequena. Este método pode lidar 
Evolução
188
com árvores nas quais as modificações estão ocorrendo a taxas distintas 
em ramos diferentes.
1.9.3. Métodos de otimização
Há diversas definições de otimização e de formas para encontrar 
a melhor das árvores. Métodos de otimização produzem estimativas de 
incerteza com as quais podemos observar as várias partes das árvores. 
1.10. Métodos de probabilidade máxima
Métodos de máxima semelhança encontram a árvore mais 
provável para os dados. Tal árvore é encontrada considerando um grande 
conjunto de árvores hipotéticas – todas as árvores possíveis ou amostras 
representativas das mesmas. Para cada árvore candidata, a probabilidade é 
calculada de forma que um dado estado inicial forneça um estado final após 
o fim de um intervalo de tempo definido. As possibilidades para todas as 
modificações na árvore, então, multiplicadas para fornecer a probabilidade 
total da árvore. Na realização destes cálculos, o comprimento dos ramos 
tem um papel importante. A melhor árvore é aquela de maior probabilidade. 
O método tem lógica e é computacionalmente caro. Sua gama de aplicações 
aumenta conforme melhoram os computadores.
1.11. Encontrando e avaliando árvores
Árvores filogenéticas são, atualmente, calculadas rotineiramente 
com computadores. Aqui simplesmente assumimos que os dados e os 
softwares estão disponíveis e que a árvore pode ser construída.
Há duas abordagens básicas, a exata e a heurística. A abordagem 
encontra a melhor árvore possível. Se somente alguns poucos táxons estão 
sendo comparados, podemos trabalhar com todas as árvores possíveis, 
calcular a pontuação de cada uma delas e escolher a melhor: por exemplo, 
o menor número de modificações de estados de caracteres. Isso nos dá 
uma distribuição de frequência das pontuações, dizendo quantas árvores 
são próximas ao ótimo, bem como qual a melhor. Entretanto, ela não pode 
ser utilizada para grandes números de táxons, pois o número de árvores 
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189
possíveis cresce fatorialmente com o número de táxons: somente 945 para 
sete táxons, mais de 2 X 1020 para 20 táxons. Por esta razão, métodos 
heurísticos foram desenvolvidos para estimar árvores ótimas para grandes 
números de táxons.
1.12. Avaliando cladogramas: árvores de consenso estrito
Com caracteres o bastante e com uma análise confiável de 
homoplasias, métodos de parcimônia devem fornecer a mais simples árvore. 
Na prática, pode não haver caracteres o bastante no banco de dados, ou as 
homoplasias podem ser muito frequentes, não sendo identificáveis em todos 
os grupos. O resultado pode ser muitas árvores igualmente parcimoniosas. 
O que devemos fazer com elas? Uma abordagem é perguntar: “em quantas 
árvores, igualmente parcimoniosas, um grupo em particular é sustentado?” 
Se ele é sustentado em todas estas árvores, ele pode ser incluído em uma 
árvore de consenso estrito. Este é o mais conservativo dos critérios; há 
outros.
1.13. Avaliando as árvores de distância e de máxima probabilidade
Softwares fornecem medidas de confiança para as árvores 
estimadas com métodos de distância e de probabilidade máxima. Um dos 
mais comuns e o valor de bootstrap. O bootstraping é um método de estimar 
a confiabilidade da árvore por meio da amostragem dos dados originais, 
calculando uma nova árvore com um novo banco de dados e repetindo o 
procedimento muitas vezes. Os valores de bootstrap são as porcentagens 
de casos nos quais os grupos aparecem nas árvores resultantes. Valores 
de bootstrap acima de 90% são considerados como forte suporte; aqueles 
abaixo de 70% devem ser vistos com suspeitas.
1.14. Algumas dicas para avaliar árvores
Aqui estão algumas questões a serem feitas quando julgamos a 
confiabilidade de uma árvore:
1) Quais são os erros estimados para as distâncias? Se a distância 
entre dois grupos é menor do que o erro estimado, então, outras hipóteses 
Evolução
190
sobre a relação devem ser consideradas. 
2) Quais são os valores de bootstrap? Se um ramo é ótimo em mais 
de 90% das subamostras, ele tem suporte. 
Árvores com ramos longos são um problema para os métodos de 
parcimônia aplicados a dados de sequências, pois, quanto maiores eles são, 
é mais provável que as homoplasias se acumulem por mutação. Linhagens 
evoluindo a diferentes taxas impõem problemas para todos os métodos. 
Métodos estão disponíveis para lidar com estes problemas e novos estão 
sendo publicados todos os meses.
1.15. A genealogia dos genes e a filogenia das espécies
A sistemática molecular nãoé utilizada somente na construção de 
árvores relacionando espécies; ela é utilizada, também, para construir a 
história dos genes. As árvores construídas a partir de genes de um mesmo 
organismo geralmente apresentam estruturas distintas; pois cada gene 
apresenta uma história evolutiva diferente. Para os eventos que ocorrem 
a uma espécie, a recuperação de uma boa genealogia dos genes deve ser 
realizada sobre uma sequência com pouca, ou nenhuma, recombinação; 
tal como o genoma mitocondrial, já que a recombinação produz redes, não 
ramos. Uma genealogia de um gene pode diferir da filogenia da espécie, 
pois as mutações não ocorrem simultaneamente e não são limitadas durante 
a especiação. Um gene pode ter divergido anteriormente a um evento de 
especiação; outro, pode ter divergido após o evento. Assim, os genes 
apresentam genealogias distintas e somente algumas delas possuem a 
mesma estrutura da filogenia da espécie na qual ocorrem.
SAIBA MAIS...
Semelhanças compartilhadas: sinapomorfias e homoplasias, 
simplesiomorfias e reversões.
Se cada caráter apomórfico surgisse apenas uma vez, não haveria 
dificuldade na reconstrução da filogenia dos organismos.Conclusões 
acertadas sobre grupos monofiléticos dependeriam exclusivamente da 
interpretação das homologias e da polarização de caracteres.
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191
Em muitos casos, uma mesma condição apomórfica pode surgir 
mais de uma vez independentemente, gerando conflito entre os dados 
e problemas para a análise. De maneira genérica, esses casos são 
conhecidos como paralelismos ou convergências e denominados em 
conjunto HOMOPLASIAS.
Para análise filogenética, as consequências do aparecimento 
independente das mesmas características derivadas são 
profundas;plesiomorfias e arqueomorfias não são indícios de ancestralidade 
comum exclusiva.
Não se sabe se as apomorfias compartilhadas surgiram uma única 
vez (e são sinapomorfias) ou mais de uma vez (e são homoplasias).
HOMOPLASIA – semelhanças adquiridas independentemente em 
dois ou mais grupos. A condição de Homoplasia pode surgir de três formas 
diferentes:
1) Em duas espécies, uma mesma condição plesiomórfica é 
alterada de modo idêntico, produzindo nas duas uma condição apomórfica 
semelhante (PARALELISMO);
2) Em duas espécies, condições plesiomórficas diferentes são 
alteradas, mas resultam em condições apomórficas finais semelhantes 
(CONVERGÊNCIA);
3) Em determinada espécie, uma característica arqueomórfica 
(sinapomórfica para um grupo mais abrangente) sofre uma modificação que 
gera uma condição apomórfica final semelhante à condição plesiomórfica 
original (PSEUDO-SIMPLESIOMORFIA ou REVERSÃO).
Congruência entre caracteres - propriedade que ocorre quando 
a origem de dois ou mais caracteres pode ser explicada apenas por 
sinapomorfias.
Incongruência entre caracteres - quando entre dois ou mais 
caracteres a origem de ao menos um deles só pode ser explicada pela 
ocorrência de homoplasias.
Ex.: o caráter presença de asas em aves e morcegos é incongruente 
em relação ao caráter presença de pêlos (apenas nos morcegos), sendo as 
asas, portanto, uma homoplasia para os dois grupos.
Evolução
192
O problema da congruência/incongruência é metodológico e diz 
respeito ao processo de descoberta ou reconstrução da filogenia. Na 
evolução, não há congruência ou incongruência, apenas homoplasias e 
sinapomorfias.
Semelhança homoplástica – são aquelas em que uma mesma 
condição apomórfica surge independentemente em dois grupos.
LEITURA COMPLEMENTAR
Achou interessante lidar com a filogenia? De fato ao conhecermos 
um pouco mais sobre o assunto entendemos o quanto é importante 
estudarmos outras ciências como a matemática e a estatística que 
funcionam como uma base considerável para a cladística. Quer conhecer 
mais coisas? Acessa o link a seguir. Lá você vai sentir um pouco mais 
de prazer em estudar este tema tão palpitante (Link:http://www.ib.usp.br/
evosite/evo101/IIBPhylogenies.shtml).
 
2. Evolução dos grandes grupos de seres vivos
2.1. Origem da vida pluricelular
A mais notória das estruturas dos seres vivos que surgiu na Terra 
foi a célula. Do surgimento da célula ao surgimento do primeiro ser vivo 
com muitas células muito tempo se passou – uma evolução de organização 
estrutural dos seres vivos.
Vida “pluricelular” não se refere à simples presença de mais de 
uma célula constituindo o organismo, mas a existência de mais de um tipo 
celular, caracterizando-se desta forma a diferenciação celular. As formas 
de vida com mais de um tipo celular têm um desenvolvimento minimamente 
rudimentar. Um desenvolvimento que se inicia com o zigoto unicelular até a 
formação de um organismo adulto com diferentes tipos de células.
A vida primitiva teve início com organismos formados por uma 
película com muitas células. Há indícios que a vida multicelular tenha 
sido iniciada há mais de 3,5 bilhões de anos, mas a forma integrada dos 
atuais pluricelulares é bem mais recente, estimando-se em 1,5 bilhão de 
anos. Os fósseis mais antigos de organismos pluricelulares são algas com 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
193
aproximadamente 1,2 bilhões de anos.
Os fósseis mais antigos de animais pluricelulares são aquáticos, 
como medusas e vermes provenientes dos depósitos de Ediacara, na 
Austrália.
SAIBA MAIS
A TEORIA DA TECTÔNICA DE PLACAS
Tectônica de placas é uma teoria da geologia que descreve os 
movimentos de grande escala que ocorrem na litosfera terrestre.
Na teoria da tectônica de placas, a parte mais exterior da Terra 
é composta de duas camadas: a litosfera, que inclui a crosta e a zona 
solidificada na parte mais externa do manto, e a astenosfera, que inclui a 
parte mais interior e viscosa do manto. Numa escala temporal de milhões 
de anos, o manto parece comportar-se como um líquido superaquecido, 
mas em resposta a forças repentinas, como os terremotos, comporta-se 
como um sólido rígido.
A litosfera encontra-se fragmentada em várias placas tectônicas e 
estas deslocam-se sobre a astenosfera.
Esta teoria surgiu a partir da observação de dois fenômenos 
geológicos distintos: a deriva continental, identificada no início do século 
XX por Alfred Wegener, e a expansão dos fundos oceânicos, detectada 
pela primeira vez na década de 1960. A teoria propriamente dita foi 
desenvolvida no final dos anos 60, por Robert Palmer e Donald Mackenzie, 
e desde então tem sido universalmente aceite pelos cientistas, tendo 
revolucionado as Ciências da Terra. Todo o movimento deste fenômeno 
deu-se paralelamente ao desenvolvimento da vida na Terra e, certamente, 
foi decisivo no processo de estabelecimento da evolução dos seres vivos.
2.2. A explosão do Cambriano
Os principais períodos de tempo dos documentários fósseis 
começam no Cambriano. Até a década de 1940 os fósseis do Pré-Cambriano 
não eram conhecidos. O conhecimento destes fósseis data de um pouco 
Evolução
194
antes de 500 milhões de anos, provavelmente surgiu de uma proliferação 
súbita e não de um início súbito da vida fóssil.
A vida vem evoluindo há 4 bilhões de anos e hoje se distribui em uma 
série de filos principais. Era de se esperar que esses filos se originassem 
a uma velocidade relativamente constante, mas parece que quase todos 
eles surgiram com uma diferença de menos de 40 milhões de anos entre si.
Estudos moleculares inferiram que os metazoários bilatérios 
compartilhavam um ancestral há cerca de 1,2 milhões de anos. A evidência 
molecular oferece a data do ancestral comum enquanto a evidência fóssil 
nos diz quando surgiu cada grupo animal, em sua forma moderna. Poderia 
ter havido um período, anterior aquele em que os fósseis se depositaram, 
no qual os ancestrais de cada grupo existiam, mais eram ou frágeis ou 
raros demais, ou estavamem local inadequado para deixar fósseis.
A explosão do Cambriano é um evento fóssil e, provavelmente 
marca o tempo de origem das partes duras. Os animais com esqueletos 
rijos ou conchas deixam fósseis com muito maior frequência do que os 
animais que só tem partes moles. Mas se as partes duras se originaram 
há cerca de 540 milhões de anos, isso levanta a questão de porque, 
repentinamente, as partes duras se tornaram vantajosas em tantos grupos, 
quase ao mesmo tempo. Com a evolução dos predadores, partes duras 
tornaram-se vantajosas por razões de defesa. Outro fator é que os níveis 
de oxigênio podem ter aumentado por volta do final do Pré-Cambriano. 
Isso pode ter sido causado pelo aumento da produtividade das plantas – 
isto é, do fitoplâncton. O aumento de produção de plantas (se ele ocorreu 
então) teria suportado uma maior massa e diversidade de animais. A maior 
quantidade de presas em potencial poderia ter criado uma oportunidade 
que levou à evolução dos predadores. A hipótese da “Terra como uma bola 
de neve” sugere que a Terra pode ter sido quase inteiramente coberta por 
gelo e geleiras. A vida seria rara, confinada a áreas próximas a fontes de 
água quente ou a erupções oceânicas, ou as áreas limitadas em que houve 
derretimento de gelo suficiente para permitir a passagem de luz solar e a 
ocorrência de fotossíntese.
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195
2.3. A evolução das plantas terrestres
São encontradas células procarióticas fósseis de ambientes 
terrestres de mais de 1 bilhão de anos. Até a Terra ser colonizada por 
plantas e fungos, a vida terrestre só existia na forma microbiana. Em 
relação as plantas, as evidências de esporos fósseis de 476 milhões de 
anos são amplamente aceitas e há outras evidências de esporos fósseis 
com, talvez, 550 milhões de anos.
As plantas terrestres relacionam-se mais estreitamente com 
um grupo de algas verdes chamadas Carofíceas. Os esporos fósseis 
primitivos têm uma estrutura de “tétrade” que é encontrada em algumas 
briófitas atuais e as plantas fósseis mais antigas parecem estar 
relacionadas aos ramos filogenéticos que levaram às atuais briófitas 
e pteridófitas. Os eventos principais da evolução inicial das plantas 
terrestres foram: i) evolução de uma fase de esporos resistentes; ii) a 
evolução de um tecido vascular; iii) formação de raízes e; iv) formação 
das folhas.
Os fósseis mais antigos de plantas inteiras datam de 430 milhões 
de anos e eram constituídos de troncos ramificados, desprovidos de 
folhas e raízes. Estima-se que faziam fotossíntese pelo tronco, no qual 
são visíveis estômatos. Fósseis de plantas com folhas datam de 390 a 
350 milhões de anos.
A evolução das plantas com folhas coincidiu com a redução de 
90% do CO2 existente na atmosfera, atividade promovida especialmente 
pelo desenvolvimento da raiz que através do esboroamento degrada 
fortemente este gás. Já as plantas como sementes são registradas 
com fósseis desde o Carbonífero, há cerca de 250 milhões de anos, 
representada principalmente por Pteridófitas com sementes, inexistentes 
atualmente (Pteridospermófitas). 
As plantas angiospermas surgiram um pouco mais tarde, há 
cerca de 125 milhões de anos, no Cretáceo Inferior, conforme o registro 
fóssil. Há, entretanto, um desencontro entre datas. Estudos moleculares 
revelaram que as Angiospermas surgiram no período entre 200 e 250 
milhões de anos antes do presente. Esta incerteza pode decorrer de 
Evolução
196
três razões: i) incompletude do registro fóssil; ii) imprecisão do relógio 
molecular ou iii) uma demora para entre a origem e a proliferação deste 
grupo de plantas. A coevolução com insetos polinizadores corrobora com 
a evolução das angiospermas, estimada entre o Cretáceo Inferior e o 
Terciário, assim como a origem e proliferação das gramíneas, explicada 
pela coevolução de mamíferos dotados de dentes capazes de utilizá-las 
como alimento.
2.4. Evolução dos animais vertebrados
Os animais vertebrados mais antigos encontrados como fósseis 
são os peixes, que datam do Cambriano ou do Pré-Cambriano Superior. 
As evidências fósseis apontam para o surgimento das primeiras 
espécies de vertebrados terrestres no Devoniano Superior, há cerca de 
360 milhões de anos.
É provável que a conquista do ambiente terrestre por parte das 
plantas tenha sido o fator indutor para os primeiros vertebrados saírem 
do ambiente aquático para o ambiente terrestre, ainda que úmido, pela 
proximidade destas plantas em relação aos cursos d’água. Os anfíbios 
teriam sido os primeiros tetrápodes e vertebrados terrestres a surgir.
Os peixes ósseos atuais dividem-se em dois grupos principais: 
i) peixes com nadadeiras raiadas e; ii) peixes com nadadeiras lobadas. 
Os tetrápodes atuais descendem de peixes ancestrais com nadadeiras 
lobadas. Análises moleculares sugeriram que os atuais peixes 
pulmonados eram da mesma linhagem destes ancestrais. Uma série de 
fósseis de peixes pulmonados, com nadadeiras lobadas (Eusthenopteron 
– Acanthostega – Ichthyostega)documentam muito bem a transição 
entre peixes e os primeiros anfíbios (Fig. 20, 21 e 22).
 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
197
Evidências fósseis sugerem que os membros dos tetrápodes 
inicialmente evoluíram com remos, para nadar. Seu uso posterior, para 
andar foi uma pré-adaptação.
A condição atual dos tetrápodes de apresentarem cinco dedos 
demonstra que estes derivaram de ancestrais com estas características. 
No Devoniano, os tetrápodes tinham de sete a nove dedos.
O passo seguinte para a conquista do ambiente terrestre foi o 
desenvolvimento do ovo amniótico (répteis, aves e mamíferos). O passo 
evolutivo seguinte foi o surgimento do voo (presente em répteis primitivos e 
nas aves atuais) e a origem dos mamíferos.
2.5. Evolução dos mamíferos
Os mamíferos evoluíram dos répteis em uma longa série de 
pequenas mudanças. São um grupo de vertebrados diferentes em muitos 
aspectos: i) eles tem sangue quente e temperatura corporal constante e, 
por isso, uma alta taxa de metabolismo e um mecanismo homeostático; ii) 
eles tem um modo de locomoção, ou andar, característico, em que o corpo 
é mantido ereto com as pernas embaixo dele (contrastando com o andar 
“arqueado” dos répteis, como os lagartos, em que as patas se projetam 
para os lados); iii) eles têm cérebros grandes; iv) seu modo de reprodução, 
inclusive a lactação, também é distintivo; v) o ativo metabolismo dos 
mamíferos exigem alimentação eficiente, por isso eles têm mandíbulas 
Evolução
198
potentes e um conjunto de dentes relativamente duráveis, diferenciados 
em vários tipos dentários.
Os mais antigos fósseis de mamíferos datam do triássico superior, 
há cerca de 200 milhões de anos. Eles evoluíram durante um período de 
aproximadamente 100 milhões de anos do Carbonífero Superior até o final 
do Triássico, quando apareceu o primeiro mamífero verdadeiro.
As características que podem ser reconstruídas com maior clareza 
nos fósseis são relacionadas com locomoção e alimentação, porque 
estão relacionadas de um modo simples com a forma dos ossos e dentes 
preservados.
Era Período Época
Milhões de 
anos (do 
começo ao 
presente)
Eventos
ce
no
zó
ic
o
Quaternário Holoceno (recente) 0,01
Continentes nas posições atuais; 
glaciações; extinção dos grandes 
mamíferos e aves; surgimento 
do Homo sapiens; surgimento da 
agricultura e das civilizações.
Terciário
Pleistoceno 1,8
Continentes aproximando-se das 
posições atuais; clima seco e mais frio; 
radiação de mamíferos, aves, cobras, 
angiospermas, insetos polinizadores e 
peixes teleósteos.
Plioceno 5,2
Mioceno 23,8
Oligoceno 33,5
Eoceno 55,6
Paleoceno 65
M
és
oz
ói
co
Cretáceo 144
Continentes separados; radiação dos 
dinossauros;aumento da diversidadede angiospermas; mamíferos e aves; 
extinção em massa no final do período, 
incluindo eliminação de Amonites e 
Dinossauros.
Jurássico
206
Continentes em processo de 
separação; diversificação de 
dinossauros e outros “répteis”; 
surgimento das primeiras aves e 
mamíferos primitivos; dominância 
das “gimnospermas”; evolução das 
angiospermas; radiação dos Amonites; 
ápice da revolução marinha do 
Mesozóico.
Triássico
251
Os continentes começam a se separar; 
aumento da diversidade marinha; início 
da dominação das “gimnospermas”; 
diversificação dos “répteis”, incluindo 
os primeiros dinossauros; primeiros 
mamíferos.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
199
P
al
eo
zó
ic
o
Permiano 290
Continentes formando a Pangea; 
glaciações; baixo nível do mar; 
ampliação de peixes mais complexos; 
surgimento de diversas ordens de 
insetos; declínio dos anfíbios; “répteis” 
incluindo as formas semelhantes a 
mamíferos se diversificam; extinções 
em massa, especialmente marinha no 
final do período.
Carbonífero 354
Formação de Gondwana e dos 
primeiros continentes do norte; 
florestas extensas com as primeiras 
plantas vasculares; primeiras ordens 
de insetos alados; diversificação de 
anfíbios; primeiros répteis.
Devoniano 409
Diversificação dos peixes ósseos; 
diversos trilobitas; origem dos 
amonoides, anfíbios, insetos, 
samambaias e plantas com sementes; 
extinção em massa no final do período.
Siluriano 439
Diversificação dos ágnatos; origem 
dos peixes mandibulados; primeiras 
plantas vasculares terrestres; 
surgimento de artrópodes e insetos.
Ordoviciano 500
Diversificação dos equinodermos, 
além de outros filos de invertebrados 
e os vertebrados agnatos; extinção em 
massa no final do período.
Cambriano 543
Diversificação dos animais marinhos; 
aparecimento da maioria dos filos 
animais e muitas classes; primeiros 
vertebrados ágnatos e diversas algas.
P
ro
te
or
zó
ic
o
2.500
Primeiros eucariotos (1,9 a 1,7 
bilhões de anos AP); origem do reino 
eucariótico; pegadas fósseis de 
animais (1 bilhão de anos AP); animais 
multicelulares (a partir de 640 milhões 
de anos AP, incluindo possíveis 
Cnidários, Anelídeos e Artrópodes).
A
rq
ue
an
o
3.600
Origem da vida no passado remoto; 
primeira evidência fóssil há 3,5 
bilhões de anos AP; diversificação dos 
procariotos (bactérias); a fotossíntese 
gera O2 substituindo atmosfera 
primitiva; evolução da respiração 
aeróbica.
Evolução
200
3. Evolução do homem
3.1. Introdução
Inicialmente considerado um ser especial, o homem tem dominado 
a face da Terra com sua inteligência e cultura que vão além do que deveriam, 
uma vez que exploram exacerbadamente os recursos oferecidos pela Terra 
e já tenta explorar outros astros do Universo, como a lua e planetas vizinhos, 
mandando missões tripuladas e não tripuladas.
O entendimento da evolução humana passa, 
sobretudo, pela aceitação da própria evolução. 
Aceitar que o homem, a exemplo de qualquer outro 
animal, sofreu modificações ao longo do tempo 
não foi fácil. Assim como não foi fácil estabelecer 
uma linha evolutiva, especialmente, pelo fato dos 
primeiros ancestrais encontrarem-se nos confins 
do Continente Africano, tantas vezes renegado e 
preterido, considerado o mais pobre de todos os 
continentes.
As primeiras descobertas se referiram ao Homem de Neanderthal, 
descoberto na Alemanha e considerado inicialmente ancestral da linhagem 
atual do homem. Os neandertais eram mais fortes e tinham a capacidade 
craniana maior e, atualmente, são considerados uma subespécie do Homo 
sapiens (H. s. neanderthalensis). Pesquisas em sítios arqueológicos 
franceses confirmam que viveram na mesma época.
A expansão das pesquisas no continente africano chegou a um 
conjunto de fósseis, cujas idades os colocam como antecessores da espécie 
atual. Dentre os principais destacam-se: Australopithecusafarensis, Homo 
habilis e Homo erectus. 
O Australopithecus é considerado o mais antigo hominídeo que 
tinha o porte ereto e andar bípede. Viveu provavelmente entre 3,8 e 3,5 
milhões de anos atrás Já foram encontrados resquícios de pelo menos 
300 indivíduos desta espécie, sendo o mais conhecido a fêmea Lucy, 
encontrada em 1973 no deserto de Afar (África).
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
201
O Homo habilis foi encontrado na Suazilândia (África) e é 
considerado o ancestral do Homo erectus. Viveu entre 1,5 – 2 milhões de 
anos atrás e recebeu este nome porque utilizava ferramentas feitas com 
ossos, pedra ou madeira.
O Homo erectus foi o hominídeo que se irradiou por diferentes 
regiões da Terra. Viveu em cavernas, dominava o fogo e executava pinturas. 
Já foi encontrado na África, Ásia, Europa e na Indonésia. Viveu entre 1,5 
milhão e 300 mil anos antes do presente (AP).
3.2. Os primatas e as origens do Homem
A linhagem de eutérios que teve efeitos marcantes em diversos 
ecossistemas é a dos primatas, a qual pertencem os humanos. Os primatas 
sofreram uma grande e recente radiação evolutiva. Eles provavelmente 
surgiram durante o período Cretáceo, a partir de pequenos insetívoros 
arborícolas (que vivem em árvores). As principais características que 
distinguem os primatas dos outros mamíferos são todas adaptações a vida 
nas árvores. Elas incluem: mãos habilidosas com polegares opositores 
capazes de agarrar galhos e manipular o alimento; unhas em vez de garras; 
olhos na frente do rosto que fornecem uma boa percepção de profundidade; 
pequenas ninhadas: geralmente apenas um filhote que recebe grande 
cuidado parental.
No início da sua evolução, a linhagem dos primatas se dividiu em 
dois ramos, os prossímios e os antropoides. Os prossimios – lêmures, 
macacos-cravo e lorises – já existiram em todos os continentes, mas hoje são 
restritos a região da África, Madagascar e Ásia tropical. Todas as espécies 
continentais são arborícolas e noturnas. Entretanto, em Madagascar, local 
de impressionante radiação de prossímios, existe também espécies diurnas 
e terrestres. 
Os antropoides – os primatas noturnos do gênero Tarsius, os micos, 
os macacos e os humanos – originaram-se de uma linhagem primitiva de 
primatas há cerca de 55 milhões de anos na África ou na Ásia. Os primatas 
do Novo Mundo vêm evoluindo separadamente daqueles do Velho Mundo 
há bastante tempo, e eles devem ter vindo da África, chegando a América 
Evolução
202
do Sul quando os dois continentes ainda estavam juntos. Talvez devido ao 
fato de há muito tempo a América tropical possuir tantas florestas densas, 
todos os macacos do Novo Mundo são arborícolas. Muitos deles possuem 
a cauda longa e preênsil com a qual conseguem se agarrar nos galhos. 
Muitos primatas do Velho Mundo são também arborícolas, mas muitas 
espécies são terrestres. Algumas dessas espécies, como os babuínos e os 
macacos, vivem e se deslocam em grandes grupos. Nenhum primata do 
Velho Mundo possui cauda preênsil.
Há cerca de 20 milhões de anos, a linhagem que levou aos macacos 
atuais se separou dos outros primatas do Velho Mundo. Os primeiros 
macacos eram arborícolas, mas algumas espécies passaram a viver em 
habitats mais secos e com menos árvores, onde obtinham a maior parte 
do alimento do chão. Os macacos viveram na África, nos Balcãs e na Ásia 
num período de 15 a 20 milhões de anos. A África, principalmente, era 
rica em espécies de macacos, mas as sequências de DNA dos primatas 
atuais e algumas evidências fósseis sugerem que um macaco europeu que 
se espalhou pela África há cerca de 10 milhões de anos pode ter sido 
o ancestral dos macacos atuais. Dos gêneros de macacos atuais, quatro 
– gorilas (Gorilla), chimpanzés (Pan), orangotango (Pongo) e gibãos 
(Hylobates) – são restritos as regiões tropicais da África e da Ásia. O quinto 
(Homo)está distribuído pelo mundo todo.
3.3. Os ancestrais do Homem desceram para o chão
A linhagem dos primatas que levou aos humanos começou com 
os Ardipithecus. Esses macacos possuíam adaptações morfológicas para 
o bipedismo – locomoção na qual o corpo é mantido ereto e se move 
exclusivamente por movimentos das pernas posteriores. A locomoção 
bípede livra as mãos para manipular objetos e carregá-los ao mesmo 
tempo em que o animal caminha. Também eleva os olhos, permitindo 
que o animal olhe sobre toda a vegetação para localizar predadores e 
presas. Provavelmente ambas as vantagens foram importantes para os 
Ardipitecíneos primitivos e seus descendentes, os Australopithecus.
O primeiro crânio de um Australopiteco foi encontrado na África do 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
203
Sul em 1924; desde então outros fragmentos foram encontrados em vários 
locais na África. O esqueleto fóssil mais completo de um Australopiteco, de 
aproximadamente 3,5 milhões de anos, foi descoberto na Etiópia em 1974. 
Esse indivíduo, uma jovem conhecida como Lucy, atraiu muito a atenção 
porque seus restos estavam muito completos e bem – preservados. Lucy 
foi considerada como sendo da espécie Australopithecusafarensis, o mais 
provável ancestral dos humanos. Todas as evidências de diferentes partes 
do seu esqueleto sugerem que Lucy tinha apenas cerca de um metro de 
altura e caminhava de pé.
A partir dos ancestrais do Australopithecusafarensis, várias 
espécies de Australopithecus evoluíram. Há vários milhões de anos, dois 
tipos de Australopithecus viveram juntos em grande parte do leste da África. 
O maior deles (com cerca de 40 quilos) é representado por pelo menos 
duas espécies, as quais morreram de repente há cerca de 1,5 milhões de 
anos. O A. africanus é bem mais raro como fóssil, o que sugere que era 
menos comum do que as outras espécies.
SAIBA MAIS
O fóssil mais famoso do Australopithecusafarensis recebeu o nome 
de Lucy por uma razão muito curiosa. Em 1974, no auge do sucesso do 
grupo musical inglês The Beatles, o fóssil mais completo de um ancestral 
humano foi descoberto na Etiópia e verificou-se tratar de uma fêmea. O 
fóssil recebeu o nome de Lucy numa alusão ao sucesso do grupo inglês 
chamado “Lucy in theskywith Diamonds”.
3.4. Os humanos se originaram de ancestrais Australopithecus
Muitos especialistas acreditam que o recém-descoberto 
Australopithecusgarhi, ou alguma espécie semelhante, tenha dado origem 
ao gênero Homo. A. garhi, um hominídeo com cérebro pequeno, dentes 
grandes e pernas de proporções semelhantes as do homem, começou a 
usar utensílio para obter alimento há cerca de 2,5 milhões de anos. Eles 
carneavam os animais até chegar a medula óssea que é rica em gordura.
Os hominídeos primitivos – membros do gênero Homo – foram 
Evolução
204
contemporâneos dos Australopithecus talvez por meio milhão de anos. 
Duas grandes mudanças acompanharam a evolução do Homo a partir do 
Australopithecus: um aumento no tamanho do corpo e o aumento em dobro 
do tamanho do cérebro.
Os restos fósseis mais antigos do gênero Homo, chamado H. 
habilis, foram descobertos na Garganta deOlduvai, Tanzânia, e calcula-
se que tenham 2 milhões de anos. Outros fósseis de Homo habilis foram 
encontrados no Quênia e na Etiópia. As ferramentas utilizadas por esses 
hominídeos primitivos foram encontradas com os fósseis. O Homo habilis 
vivia em áreas relativamente secas nas quais, durante a maior parte do 
ano, as principais reservas de alimento são raízes subterrâneas, bulbos e 
tubérculos. Para explorar estes recursos alimentares, um animal precisa 
cavar em solos secos e duros, algo que não é possível de ser feito com 
uma mão de primata sem a ajuda de algum tipo de utensílio. Entretanto, 
as raízes podem ser arrancadas em grandes quantidades em um tempo 
relativamente curto, por um indivíduo com uma simples ferramenta de 
escavação. As fêmeas de H. habilis que carregavam seus filhos podem 
ter feito isso, deixando que os homens caçassem animais para adquirir as 
proteínas que as raízes não possuíam. 
A única outra espécie extinta do nosso gênero, Homo erectus 
evoluiu a cerca de 1,6 milhão de anos. Logo depois havia se espalhado até 
o leste asiático. À medida que se expandiu e aumentava em abundância, 
o H. erectus deve ter exterminado o H. 
habilis. Os membros de H. erectus eram 
tão altos quanto as pessoas atuais, mas 
seus ossos eram consideravelmente 
mais pesados. O H. erectus utilizava o 
fogo para cozinhar e para caçar grandes 
animais e fazia ferramentas de pedras 
características que têm sido encontradas 
em muitas partes do Velho Mundo. 
Essas ferramentas eram provavelmente 
utilizadas para cavar, capturar animais, 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
205
limpar e cortar a carne, raspar as peles e cortar madeira. Apesar de o H. 
erectus ter sobrevivido na Eurásia até cerca de 250 mil anos atrás, ele foi 
substituído, nas regiões tropicais pela nossa espécie, Homo sapiens, há 
cerca de 200 mil anos.
3.5. Os cérebros se tornaram estavelmente maiores
As tendências que acompanharam a transição do Australopithecus 
para o H. erectus continuaram durante a evolução de nossa própria espécie. 
Os primeiros membros dos Homo sapiens possuíam cérebros maiores do 
que os membros de espécies mais primitivas de Homo, uma mudança que 
foi provavelmente favorecida por uma vida social cada vez mais complexa. 
A capacidade dos membros do grupo de se comunicarem uns com os outros 
era importante para caça e a coleta cooperativas e para melhorar a posição 
de um individuo dentro das complexas interações sociais que devem ter 
caracterizado aquelas sociedades da mesma maneira que caracterizam as 
nossas.
Vários tipos de H. sapiens existiram durante a época do médio-
Pleistoceno, entre cerca de 1,5 milhão e 300 mil anos atrás. Todos eram 
hábeis caçadores de grandes mamíferos, mas os vegetais continuaram 
sendo componentes importantes das suas dietas. Durante este período 
outra característica humana distinta surgiu: os rituais e os conceitos de 
vida após a morte. Os mortos eram enterrados com roupas e utensílios, 
presumivelmente para vida no outro mundo. Um tipo de H. sapiens, 
conhecido como homem de Neanderthal, pelo fato de ter sido descoberto 
pela primeira vez no Vale de Neander, na Alemanha, se distribuía por toda a 
Europa e a Ásia entre cerca de 75 mil e 30 mil anos atrás. Os Neanderthais 
eram humanos baixos, entroncados e com uma estrutura forte, cujos crânios 
massivos continham cérebros maiores que os nossos. Eles manufaturavam 
uma variedade de utensílios e caçavam grandes mamíferos, para os quais 
provavelmente armavam emboscadas e então os domavam em luta corpo 
a corpo. Por um curto período de tempo, seu domínio coincidiu em parte 
com aquele da forma atual de H. sapiens, conhecida como homem de Cro-
Magnon, mas depois os Neanderthais desapareceram abruptamente. Muitos 
Evolução
206
cientistas acreditam que eles foram exterminados pelos Cro-Magnon, da 
mesma forma como o H. habilis foi exterminado pelo H. erectus. 
Os homens de Cro-Magnon faziam e utilizavam uma quantidade 
de ferramentas sofisticadas. Fizeram as notáveis pinturas de grandes 
mamíferos, muitas delas mostrando cenas de caça, que foram descobertas 
em cavernas de diversas partes da Europa. Os animais retratados eram 
típicos das estepes e das pradarias frias que ocupavam a maior parte da 
Europa durante o período de expansão glacial. O homem de Cro-Magnon 
se espalhou pela Ásia, alcançando a América do Norte há cerca de 20 mil 
anos, apesar da data de sua chegada ao Novo Mundo ser ainda incerta. 
Em alguns milhares de anos ele se espalhou para o sul pela América do 
Norte até chegar ao extremo sul da América do Sul.
3.6. Os humanos desenvolveram a comunicação falada e a cultura
À medida que osnossos ancestrais desenvolviam cérebros 
maiores, suas habilidades comportamentais aumentavam, principalmente 
a capacidade para desenvolver a linguagem (Fig. 26). A maioria das 
comunicações animais consiste de um número limitado de sinais, os quais 
geralmente se referem a circunstâncias imediatas e estão associados com 
mudanças no estado emocional 
induzidos por tais circunstâncias. 
A linguagem humana é bem mais 
rica em caracteres simbólicos do 
que qualquer outra vocalização 
animal. Nossas palavras podem 
referir-se ao tempo passado e ao 
tempo futuro e também a lugares 
distantes. Somos capazes de 
aprender milhares de palavras, 
muitas das quais se referem aos 
conceitos abstratos. Podemos reagrupar palavras para formar frases com 
significados complexos.
As habilidades mentais humanas aumentadas são grandes 
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
207
responsáveis pelo desenvolvimento da cultura, processo pelo qual o 
conhecimento e as tradições são passadas de uma geração para outra pelos 
ensinamentos e pela observação. A cultura pode mudar rapidamente porque 
mudanças genéticas não são necessárias para que uma característica 
cultural se espalhe por uma população. A principal desvantagem da cultura 
é que suas normas devem ser ensinadas para cada geração. Os utensílios 
e outros implementos associados com os fósseis humanos, assim como as 
pinturas em cavernas que os homens primitivos faziam, revelam tradições 
culturais.
O aprendizado e os ensinamentos culturais facilitaram muito a 
difusão de vegetais e animais domesticados e a resultante conversão, da 
maioria das sociedades humanas, do modo de vida em que o alimento era 
obtido na caça e na coleta para aquele em que predominam o pastoreio 
(criação de animais de grande porte) e agricultura. O desenvolvimento da 
agricultura levou um modo de vida cada vez mais sedentário, ao aumento 
das cidades, a grande expansão dos fornecimentos de alimentos, a um 
rápido aumento da população humana e ao surgimento de especializações 
ocupacionais tais como artesões e curandeiros.
A agricultura surgiu no Oriente Médio há aproximadamente 11 mil 
anos. De lá ela se espalhou rapidamente para o noroeste pela Europa, 
chegando finalmente às Ilhas Britânicas há cerca de quatro mil anos. Os 
primeiros vegetais a serem cultivados foram grãos de cereais tais como 
trigo e cevada, legumes (feijões, lentilhas e ervilhas) e arbustos lenhosos 
sazonais, como uvas e olivas. Outros, como centeio, repolho, couve, aipo e 
cenoura, foram cultivados depois. Bovinos, ovelhas, cabras, cavalos, cães 
e gatos eram os animais domesticados mais importantes.
A agricultura desenvolveu-se independentemente no leste da Ásia, 
contribuindo para nossa dieta atual com alimentos como soja, arroz, fruta 
cítrica, manga, porco e galinha. Havia uma certa troca, mesmo no início, 
entre os centros agriculturais do Velho Mundo, mas quando os povos se 
espalharam pelas regiões frias e áridas por meio do estreito de Bering 
chegando ao Novo Mundo, eles aparentemente não trouxeram nenhum 
vegetal cultivável. Esses povos subsequentemente desenvolveram 
Evolução
208
sistemas agriculturais ricos e variados baseados no milho, tomate, feijão 
comum, feijão-de-lima, amendoim, batata, pimenta e abóbora. Os maiores 
animais domesticados pelo homem no Novo Mundo foram as Lhamas e as 
Alpacas nos Andes da América do Sul – animais sem tamanho suficiente 
para carregar uma pessoa. Os ameríndios do México e da América Central 
não possuíam animais domesticados maiores do que os perus.
SAIBA MAIS
A Serra da Capivara (PI) possui um dos maiores acervos de arte 
rupestre do mundo. Situada na região da Caatinga, no sudeste do Piauí, os 
principais sítios arqueológicos estão sob a proteção de um Parque Nacional, 
cuja área situa-se entre vários municípios do semiárido piauiense. Além do 
Parque, a região apresenta ainda o Museu do Homem Americano com rico 
acervo de peças paleontológicas (de alguns animais pré-historicos) e de 
peças arqueológicas (urnas funerárias, cerâmicas e peças líticas, de uma 
época estimada entre 5 e 50 mil anos.
Fig. 29 – Símile do 
arranjo de fogueira 
encontrado no Sítio do 
Boqueirão da Pedra 
Furada. Evidência de 
que o homem viveu 
na região há mais de 
48 mil anos.Foto: F. S. 
Santos-Filho.
Fig. 27 – Da esq. para dir.: peça lítica e 
fragmento de cerâmica.Foto: F.S.Santos-
Filho.
Fig. 28 – Urna funerária. Foto: F. S. 
Santos-Filho.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
209
3.7. A população humana cresceu rapidamente
A população experimentou três fases principais de crescimento. 
A primeira, estimulada pela utilização de ferramentas, durou cerca de um 
milhão de anos. Estima-se que, no final deste período, a população humana 
era de aproximadamente cinco milhões. Durante a segunda explosão, que 
seguiu a domesticação de animais, o cultivo de vegetais e a invenção da 
agricultura a população humana deve ter aumentado, em oito mil anos, 
para cerca de 500 milhões de pessoas.
Estamos agora no meio do terceiro grande salto da população, 
disparado no século XVIII pela Revolução Industrial. Nos países 
industrializados as taxas de mortalidade diminuíram e a expectativa de vida 
aumentou. Ao final do século XIX, o número de pessoas havia passado de 
um bilhão. Apesar da devastação de duas Guerras Mundiais e numerosos 
outros conflitos, o Século XX viu a população humana alcançar seu nível 
atual de mais de sete bilhões. Estima-se que ela aumentará para mais de 
11 bilhões até 2050.
Os primeiros saltos da população humana foram seguidos por 
períodos de relativa estabilidade. Se a atual explosão populacional seguirá 
o mesmo padrão, a que tamanho poderá chegar, a quais desgraças poderá 
levar caso não se estabilize e quais serão as consequências para as outras 
espécies são questões debatidas com muita preocupação e medo.
ATIVIDADES 
 01) Em relação à evolução do homem, pode-se afirmar
I – Todos os homens descendem do macaco.
II – Alguns homens primitivos, hoje extintos vieram do macaco.
III – Homem e macaco provêm de ancestral comum.
Assinale
a) Somente I é correta.
b) Somente II é correta.
c) Somente III é correta.
d) I e II são corretas.
e) I, II e III são corretas.
Evolução
210
02) Dos animais citados, do ponto de vista evolutivo, o mais próximo do 
homem é:
a) O tubarão.
b) A rã.
c) A baleia.
d) O jacaré
e) O pinguim.
03) A especiação do Homo sapiens tem pouca chance de ocorrer, 
considerando-se a atual condição da espécie humana. Assinale a afirmação 
que melhor sustenta esta hipótese.
a) A ciência moderna tem eliminado as mutações humanas.
b) Os medicamentos atuais diminuem a incidência de doenças.
c) Os postulados de Darwin não se aplicam a espécie humana.
d) As alterações ambientais que favorecem a especiação são cada vez 
menores.
e) Os meios modernos de locomoção e comunicação têm diminuído ou 
eliminado os isolamentos geográficos.
04) Sigmund Freud explicou bem o inexorável impacto da evolução sobre a 
vida e o pensamento, quando escreveu:
“No decurso de tempo, a humanidade teve que agüentar, das mãos da 
ciência, duas grandes ofensas a seu ingênuo amor próprio. A primeira foi 
quando percebeu que a Terra não era o centro do universo, mas apenas 
um pontinho num sistema de magnitude dificilmente compreensível... A 
segunda, quando a pesquisa biológica roubou-lhe o privilégio de ter sido 
criada especialmente, e relegou o homem a descendente no mundo animal. 
Proponho que o conhecimento de que formos relegados também seja a 
nossa maior esperança de continuidade numa Terra frágil”. (GOULD, p. 
6-7)
As considerações de Freud e Gould sobre a evolução da vida na Terra têm 
como implicação:
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211
(01) As concepções sobre a origem e diversidadeda vida na Terra foram 
pouco conflituosas no século XIX.
(02) Os novos conhecimentos incorporados à Teoria da Evolução validam 
a ideia de ancestralidade comum na história da vida.
(04) A individualidade de cada espécie afasta a possibilidade de qualquer 
relação de parentesco entre elas.
(08) As espécies que vivem atualmente na Terra representam linhagens 
evolutivas favorecidas pelo “sucesso reprodutivo” em seus ambientes.
(16) As espécies foram criadas na terra devido à ocorrência de eventos 
genéticos, independentemente de quaisquer interações com o ambiente.
(32) As semelhanças bioquímicas entre o homem e os grandes macacos 
sugerem a descendência direta do gênero Homo a partir do gênero Gorilla.
(64) As peculiaridades da espécie humana têm possibilitado a evolução 
cultural em ritmo mais acelerado que a evolução biológica.
Dê, como resposta, a soma das alternativas corretas.
05) A evolução das sociedades humanas é influenciada por fatores diversos. 
As afirmações abaixo apresentam diferentes situações dessa evolução.
I. O isolamento inicial da espécie humana levou ao surgimento das etnias 
até hoje existentes.
II. Um defeito de visão numa tribo de caçadores pode ser um desastre, 
embora numa sociedade moderna seja facilmente solucionado pelo uso de 
óculos.
III. Após a fecundação, o zigoto será inédito. Como metade dos seus 
cromossomos vem do pai e metade, da mãe, ele é o resultado de uma 
combinação diferente da de seus pais.
IV. O DNA do homem difere do DNA do gorila em 2,3% e do DNA do 
chimpanzé em 1,6%, o que vale dizer que o chimpanzé é parente mais 
próximo do homem.
V. A capacidade da espécie humana de realizar grandes deslocamentos 
favoreceu a miscigenação das raças.
Pode-se afirmar que os fatores determinantes destas evidências são, 
respectivamente, de natureza.
Evolução
212
a) sociocultural, bioquímica, biológica, sociocultural e geográfica.
b) geográfico, bioquímico, sociocultural, sociocultural e biológico.
c) sociocultural, biológica, sociocultural, bioquímica e geográfica.
d) biológico, sociocultural, bioquímico, geográfico e sociocultural.
e) geográfica, sociocultural, biológica, bioquímica e sociocultural.
06)“A reconstituição de um crânio de 11.500 anos, o mais antigo da América, 
revoluciona as teorias sobre a ocupação do continente”.
(Veja, agosto de 1999).
O espécimen foi chamado de Luzia, a primeira brasileira.
Considere as seguintes proposições (I, II e III) para resolver a questão.
I. Os fósseis são a única prova verdadeira da evolução.
II. Os fósseis são importantes por demonstrarem a ocorrência do processo 
de evolução biológica.
III. A modificação dos seres vivos por mutações gênicas ocorre de forma 
casual, espontânea e aleatória, favorecendo os seres que melhor se 
adaptam ao meio ambiente.
a) I, II e III são proposições corretas.
b) Apenas a proposição I é correta.
c) Apenas a proposição II é correta.
d) Apenas a proposição III é correta.
e) Apenas as proposições II e III são corretas.
07) O processo evolutivo da espécie humana não é totalmente conhecido 
pela ciência, porém sabe-se que o Homo sapiens
( ) viveu numa atmosfera primitiva rica em metano, submetida a altas 
temperaturas e com muitas descargas elétricas.
( ) tem sua origem explicada pela teoria da geração espontânea ou 
abiogênese.
( ) é um ser eucarionte, heterótrofo, com digestão extracelular e circulação 
dupla, completa e fechada.
( ) possui capacidade diferente de se adaptar às condições impostas pelo 
ambiente.
FUESPI/NEAD Especialização em Biodiversidade e Conservação
213
08)A evolução biológica, amplamente aceita pelos cientistas, é a melhor 
explicação para a enorme variação dos organismos vivos. No entanto, 
muitas pessoas leigas ainda se sentem confusas em relação à Teoria 
da Evolução. Assinale a alternativa que melhor responderia, com base 
na Teoria de Darwin, à seguinte indagação cética: “Se o homem veio do 
macaco, por que ainda existem macacos hoje?”
a) Algumas espécies de macacos sofreram pressões seletivas diferentes, 
porém certamente convergirão também para a espécie humana. 
b) O homem não evoluiu dos macacos modernos, mas compartilhou com 
eles um ancestral comum, uma espécie que não existe mais. 
c) Os macacos modernos, apesar de pertencerem a espécies diferentes da 
humana, possuem carga genética muito semelhante. 
d) Os macacos modernos são produtos de uma evolução inacabada 
enquanto o homem já atingiu seu ápice. 
e) Os macacos modernos certamente não chegaram a cruzar com os 
humanos. 
09) A superfamília Hominoideacompreende três famílias: Hylobatidae, 
Pongidaee Hominidae. Os gibões e siamangues pertencem à família 
Hylobatidae; os chimpanzés, 
orangotangos e gorilas pertencem 
à família Pongidae, enquanto Homo 
sapiens é a única espécie da família 
Hominidae. Análises morfológicas e 
moleculares resultaram na filogenia ao 
lado.
De acordo com essas relações 
filogenéticas, uma revisão taxonômica 
em Hominoideadeveria agrupar
a) orangotangos, gibões e siamangues na família Hylobatidae.
b) orangotangos, gibões e gorilas em um táxon específico.
c) homens, chimpanzés e gorilas na mesma família.
d) gibões e siamangues na mesma espécie.
e) chimpanzés e gorilas apenas, na família Pongidae.
Evolução
214
10) Considere o processo evolutivo do ser humano e assinale a alternativa 
que corresponde à hipótese, hoje mais aceita, sobre a relação entre as 
mudanças de hábitos alimentares e o tamanho dos dentes no Homo 
sapiens.
a) Os dentes menores foram selecionados de acordo com a mudança 
alimentar, de herbívoro para carnívoro.
b) Não é possível estabelecer nenhuma relação, pois, ao adquirir a postura 
ereta, mãos e braços ficaram livres para lutar, diminuindo a importância da 
mandíbula e dos dentes.
c) O uso do fogo para cozinhar alimentos, tornando-os mais moles, 
contribuiu para diminuir o tamanho dos dentes.
d) O uso do fogo não foi importante, pois o homem conseguiu moldar as 
formas dos dentes de acordo com o consumo de alimentos de baixa caloria.
e) O uso do fogo foi importante para diminuir o tamanho dos dentes e 
facilitar as mordidas durante as lutas.
11)Considerando a ilustração e as alternativas abaixo, identifique a que 
responde adequadamente ao processo de evolução dos Primatas.
a) Chimpanzé, gorila, orangotango e o gibão, macacos da família dos 
Pongídeos, junto com o homem, formam a subordem Antropóides, cujas 
semelhanças são a visão bem desenvolvida, olhos frontais com visão 
binocular, polegar em oposição aos 
demais dedos e grande desenvolvimento 
cerebral e inteligência.
b) O homem e os macacos fazem parte 
da classe Mammalia, que compreende 
animais de sangue quente, portadores 
de pêlos e que mamam quando jovens. 
Acredita-se que os mamíferos tenham 
surgido há 200 milhões de anos, na era 
Paleozóica, a partir de ancestrais dos 
primatas, os prossímios.
c) O possível ancestral do homem e dos antropóides é o Proconsul, que se 
espalhou pela África, diversificando-se em vários grupos, alguns originaram 
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215
os Pongídeos (gorilas e orangotangos) e outros, o homem e os chimpanzés.
d) A ordem dos Primatas compreende duas subordens: os prossímios ou 
primatas inferiores que surgiram no Jurássico, já extintos, e os antropóides 
ou primatas superiores que surgiram há 40 milhões de anos e dividem-se 
em macacos do velho mundo (macaco-aranha) e macaco do novo mundo 
(babuíno).
e) Os Primatas apareceram na era Mesozóica e muitas de suas 
características refletem adaptações à vida nas árvores que os favoreceu 
em relação aos animais do solo.
12) Considere o processo evolutivo do ser humano e assinale a alternativa 
que corresponde à hipótese, hoje mais aceita, sobre a relação entre as 
mudanças de hábitos alimentares e o tamanho dos dentes no Homo 
sapiens.
a) Os dentes menores foram selecionadosde acordo com a mudança alimentar, de 
herbívoro para carnívoro.
b) Não é possível estabelecer nenhuma 
relação, pois, ao adquirir a postura ereta, 
mãos e braços ficaram livres para lutar, 
diminuindo a importância da mandíbula e 
dos dentes.
c) O uso do fogo para cozinhar alimentos, 
tornando-os mais moles, contribuiu para diminuir o tamanho dos dentes.
d) O uso do fogo não foi importante, pois o homem conseguiu moldar as 
formas dos dentes de acordo com o consumo de alimentos de baixa caloria.
e) O uso do fogo foi importante para diminuir o tamanho dos dentes e 
facilitar as mordidas durante as lutas.
13) Foi proposto um novo modelo de evolução dos primatas elaborado por 
matemáticos e biólogos. Nesse modelo o grupo de primatas pode ter tido 
origem quando os dinossauros ainda habitavam a Terra, e não há 65 milhões 
de anos, como é comumente aceito. Examinando esta árvore evolutiva 
Evolução
216
podemos dizer que a divergência entre os macacos do Velho Mundo e o 
grupo dos grandes macacos e de humanos ocorreu há aproximadamente 
a) 10 milhões de anos.
b) 40 milhões de anos.
c) 55 milhões de anos.
d) 65 milhões de anos.
e) 85 milhões de anos.
14) Analise esta figura, em que está representada uma possível filogenia 
dos primatas: 
 
Considerando-se as informações fornecidas por essa figura e outros 
conhecimentos sobre o assunto, é INCORRETO afirmar que
a) a radiação evolutiva ocorreu por volta dos 60 milhões de anos.
b) o bipedismo ocorre no ramo dos humanos.
c) os ancestrais desse grupo eram arborícolas.
d) os humanos descendem dos gorilas.
GABARITO:
01) C; 02) C; 03) E; 04) 02 + 08 + 64 = 74; 05) E; 06) E; 07) FFVV; 08) B; 
09) B; 10) C; 11) E; 12) A; 
13) B; 14) D.
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217
ATIVIDADE COMPLEMENTAR
Vamos fazer um fórum sobre a Evolução Humana? A ideia é discutir 
sobre o desaparecimento do Homem de Neanderthal (Homo sapiens 
neanderthalensis). Já existem provas de que eles viveram ao mesmo tempo 
em que o Homem de Cro-Magnon, o nosso ancestral direto (Homo sapiens 
sapiens). Existem duas teorias que explicam o desaparecimento deste 
nosso contemporâneo: ou ele foi eliminado pela competição com o Homem 
de Cro-Magnon ou ele foi “misturado” (como éramos da mesma espécie, 
os endocruzamentos fizeram com que se misturassem ao Cro-Magnon 
formando o homem atual). O que você acha? Pesquise sobre o tema e 
exponha sua opinião no Fórum presente na plataforma. Não esqueça que 
seus argumentos precisam estar baseados nos autores que leu. Discuta e 
vamos aprender mais sobre o assunto.
PARA APRENDER MAIS...
Alguns textos são mais acessíveis do que os encontrados em livros 
didáticos. É o caso de Troglodita é você! Pequeno guia darwiniano da vida 
cotidianalivro de Michel Raymond que traz algumas curiosidades sobre a 
evolução humana, aplicadas no nosso cotidiano, falando de alimentação, 
sexualidade etc. Uma boa pedida para entender as normas evolutivas 
aplicadas no nosso cotidiano. Boa leitura!
Evolução
218
PARA FINALIZAR...
Faça um resumo de tudo o que aprendeu nesta disciplina. É muito 
importante que procure sempre fazer um paralelo sobre a ciência Evolução 
e a crença religiosa. Quanto mais pessoas estudam e escrevem sobre 
isso, mais rápido será possível desvencilhar esta ciência da encruzilhada 
religiosa em que se posicionou, em função do baixo entendimento das 
pessoas sobre os dois assuntos. Desta forma, formando sua própria 
opinião, será possível estabelecer uma linha que separe melhor os dois 
polêmicos temas.
RESUMO
Esta unidade trouxe uma abordagem contextualizada da Evolução 
trazendo conceitos fundamentais sobre Filogenia. Tratamos ainda da 
Evolução dos grandes grupos de seres vivos e finalizamos com informações 
importantes sobre a Evolução Humana.
 
 
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219
GLOSSÁRIO
APOMORFIA – é a condição mais recente em uma série de transformação, 
surgida por modificação de uma condição mais antiga.
ARQUEOMORFIA - condições apomórficas de caracteres presentes nesse 
grupo, mas que são sinapomórficas para um nível mais abrangente de 
generalidade.
AUTAPOMORFIA - apomorfias para um único ramo terminal em um 
cladograma.
CARÁTER – são as diferenças entre estruturas homólogas de organismos 
diferentes.É a diferença entre uma condição recente e uma condição 
primitiva.O caráter é a modificação surgida em uma determinada estrutura, 
mas o surgimento da própria estrutura será um caráter em um nível de 
generalidade mais abrangente.
ESPÉCIE – é a soma de todos os indivíduos e de suas relações de parentesco 
desde suas origens. As espécies também são entidades transtemporais.
ESTRUTURA – é qualquer parte do corpo, no sentido de qualquer expressão 
fenotípica (morfológica, comportamental, fisiológica, etc.).
ESTRUTURAS HOMOGENÉTICAS – são estruturas homólogas que 
permitem as inferências evolutivas entre duas espécies.
FILOGENIA – conjunto da história de ancestralidade entre todas as 
espécies. A filogenia é uma entidade transtemporal.
HOMOLOGIA – fenômeno pelo qual órgãos de certos seres apresentam 
origem embrionária comum, mesmo que não apresentem-se funcionalmente 
do mesmo modo.
PARAFILÉTICOS – são grupos merofiléticos que resultam da exclusão 
de um ou mais grupos monofiléticos do menor grupo monofilético de que 
fazem parte.
PLESIOMORFIA – é a condição mais antiga, que foi alterada resultando 
em uma condição mais recente.
POLIFILÉTICOS – são grupos merofiléticos que resultam da exclusão de 
pelo menos um grupo parafilético do menor grupo monofilético de que 
fazem parte.
SEMAFORONTE – é a forma particular de um indivíduo ao longo de 
determinadas etapas de sua vida.
SÉRIE DE TRANSFORMAÇÕES – é a seqüência de modificações que uma 
determinada estrutura sofreu, tornando-se sucessivamente mais derivada.
Evolução
220
 BIBLIOGRAFIA
AMORIM, D.S. Fundamentos de Sistemática Filogenética. Ribeirão Preto 
(SP): Holos. 2002.
BURNIER, D. Evolução: adaptação e sobrevivência dos seres vivos no 
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Artmed. 2010. 1464p.
DARWIN, C. A origem das espécies e a seleção natural. Trad. Soraya 
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SALZANO, F. M. Genômica e Evolução – moléculas, organismos e 
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ZIMMER, C. O livro de ouro da Evolução: o triunfo de uma ideia. Rio de 
Janeiro: Ediouro. 2003.
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223
AVALIAÇÃO DO LIVRO
Prezado(a) cursista:
Visando melhorar a qualidade do material didático, gostaríamos que 
respondesse aos questionamentos abaixo, com presteza e discerni-
mento. Após, entregue a seu tutor esta avaliação. Não é necessário 
identificar-se.
Unidade:__________________ Polo: ________________________
Disciplina:_________________________ Data: ________________
1. No que se refere a este material, a qualidade gráfica está visual-
mente clara e atraente
( ) ÓTIMO ( ) BOM ( ) RAZOÁVEL ( ) RUIM
2. Quanto ao conteúdo, está coerente e contextualizado à sua práti-
ca de estudos
( ) ÓTIMO ( ) BOM ( ) RAZOÁVEL ( ) RUIM
3. Quanto às atividades do material, estão relacionadas aos conteú-
dos estudados e compreensíveis para possíveis respostas.
( ) ÓTIMO ( ) BOM ( ) RAZOÁVEL ( ) RUIM
4. Coloque abaixo suas sugestões para melhorar a qualidade deste 
e de outros materiais.
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