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Baremblitt   Compendio de Análise Institucional e outras correntes

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A função apresenta-se às representações e crenças das 
sociedades "deformada" pela mistificação como sendo uma atividade "natural", eterna, invariável, universal, lógica e 
necessária. A rigor, opera fundamentalmente como ação reprodutora (ver Reprodução*) dos sistemas.
FUNCIONAMENTO: designa o movimento dos processos produtivo-desejante-revolucionários de qualquer 
materialidade e essência (entre eles o instituinte*-organizante*). É o gerador da diferença, da novidade, da invenção e da 
metamorfose. Entre seus produtos estão os instituídos* -organizados*-estabelecidos que tendem rapidamente a perder 
seu valor de funcionamento e adotar as características da função* (por exemplo, a burocracia, a tecnocracia, a belicracia 
etc.).
GÊNESE SOCIAL E GÊNESE TEÓRICA: particularmente a Análise lnstitucional tem insistido em que as teorias e 
doutriné1s, sejam elas científicas, ideológicas, filosóficas ou estéticas, têm apenas uma autonomia relativa com respeito 
aos acontecimentos*, conjunturas, organizações e movimentos histórico-sócio-libidinais no seio dos quais surgiram. Em 
conseqüência, não se pode analisar nem compreender as origens e o conteúdo de discursos e textos postulando sua 
independência em relação às condições concretas de seu começo e existência atual. Do mesmo modo, não se entende 
nem se avalia um movimento sem conhecer o pensamento que o inspira e justifica. Em todo caso, a afirmação de que a 
gênese social e teórica são inseparáveis entre si, opõe-se a qualquer crença na neutralidade e universalidade das teorias, 
assim como à crença de que os "fatos" sociais possam "falar por si mesmos", prescindindo de alguma leitura que os 
torne inteligíveis.
GRUPO SUJEITO E GRUPO SUJEITADO: estes conceitos são de autoria do institucionalista Félix Guattari (ver 
Esquizoanálise*). Se um grupo constitui-se com uma Utopia Ativa * capaz de gerar suas próprias leis para realizá-la e de 
construir a si mesmo durante o processo, tendo sempre presente sua finitude e a perspectiva de sua própria morte, então 
é um grupo sujeito (protagônico). Pelo contrário, um grupo alienado (ver Alienação*) em objetivos, procedimentos, 
estruturas e leis* que se lhe impõem desde outros segmentos ou desde a totalidade social, que se empenha em subsistir 
como um fim em si quando não cumpre com sua finalidade, é um grupo sujeitado. Para Guattari, a formação grupal é tão 
importante que o leva a afirmar a existência somente de fantasmas "de grupo", e não "individuais" ou "coletivos".
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HISTÓRIA: para o Institucionalismo, é um saber que procura reconstruir os acontecimentos do passado, assumindo que 
o fará a partir dos desejos, interesses e tendências de quem protagoniza esse estudo. Assim entendida, a História não é a 
investigação acerca do que já está definido, obsoleto e morto, mas o conhecimento de processos vigentes no presente, 
que começaram no passado e que determinam virtualidades e possibilidades futuras (Utopia Ativa*). Não existe um 
processo em um tempo unitário que possa ser reconstruído em um relato único. Existem variados processos, cada um 
transcorrendo em um tempo que lhe é próprio e que pode ser relatado em uma história da diversidade. Assim, existem 
histórias econômicas, políticas, culturais, biológicas, geológicas, raciais, geracionais, sexuais. Pode-se tentar articular os 
diferentes tempos dos variados processos históricos em uma leitura que caracterize eras, etapas, períodos ou épocas 
localizáveis geográfica ou cronologicamente, mas sem perder de vista que os resultados nunca serão totalizáveis nem 
determinados em "última instância" por nenhum dos processos assim agrupados. A História, para o Institucionalismo, 
não é apenas um exercício erudito que estuda o que se repete e caracteriza o que não se repete. Trata-se da reconstrução 
dos grandes momentos contingentes e imprevistos que se efetuaram em acontecimentos* de radical novidade. Por outra 
parte, não investiga como o passado determina o presente e pode condicionar o futuro, mas como o presente ativa e 
deflagra virtualidades do passado e como propicia os acontecimentos* no porvir.
HISTORIOGRAFIA: trata-se de um relato dos fatos históricos, aparentenlente claro e acessível. Em geral, é uma versão 
"oficial" que foi conservada e divulgada por coincidir com os interesses do Estado*, das classes dominantes e do 
instituído*-organizado*-estabelecido, que possuem mecanismos para arquivar e selecionar os dados que lhes convêm. 
Esses textos historiográficos são apresentados como descrições "objetivas" neutras e preferenciais, quando não 
exclusivas. A rigor, consistem apenas numa versão a mais, tão tendenciosa como qualquer outra, mais importante pelo 
que omite ou disfarça do que pelo que afirma.
HORIZONTALIDADE: na Psicologia Social de Pichon Rivière, a horizontalidade designa a dimensão grupal atual, ou 
seja, o conjunto de elementos que coexistem e operam, configurando-se no aqui e agora do campo grupal. Na 
Psico-Sociologia* Organizacional e no Institucionalismo, a horizontalidade define a dimensão da vida organizacional 
que corresponde às relações e aos processos informais, ou seja: rumores, intrigas de corredor, vínculos sexuais etc.
IDÉIAS PURAS: no que interessa ao Institucionalismo, as Idéias Puras, segundo Platão as concebeu, são seres 
idênticos a si mesmos, eternos e invariáveis, modelos de tudo que existe. Delas só se pode predicar sua
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própria essência (por exemplo: a brancura é branca). O desejo dos corpos humanos por outros corpos belos deve ser 
encaminhado como amor ao saber, à procura da Verdade, que é a visão das Idéias Puras, e essa é também uma proposta 
ética, enquanto implica a virtude e o bem supremo. Diversas correntes do Institucionalismo abordaram criticamente essa 
concepção como sendo a base especulativa dos sistemas institucionais (incluídos os subjetivos) de subordinação a um 
ideal ou modelo, e de hierarquização e seleção dos" candidatos" a funções de poder e prestígio. As Idéias Puras são 
sinônimos de "ídolos" para alguns autores.
IDEOLOGIA: classicamente se entende por ideologia um conjunto mais ou menos sistemático de representações 
(crenças, convicções, valores) que os sujeitos e grupos formam sobre a vida e o mundo. Essas representações estão 
animadas por vontades e desejos. Quando configuram sistemas amplos, denominam-se cosmovisões ou visões do 
mundo. Enquanto sistemas de representações, constituem as ideologias teóricas, mas podem ser também disposições 
para a ação ou comportamentos concretos (ideologias práticas).
A ideologia, definida como oposta à ciência, é entendida como um sistema de reconhecimento-desconhecimento, ou seja, 
apenas um saber aproximativo e viciado por erros. Esses erros seriam provocados pela posição que os sujeitos ocupam 
nos sistemas que se representam erroneamente, ou por forças ativas (por exemplo, as das classes dominantes) que 
produzem, distribuem e fazem adotar estas crenças equivocadas que favorecem seus interesses.
Em outra direção, a ideologia é considerada uma representação