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Apostila salinização - Professor Nildo dias

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Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
1 
UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 
ESCOLA SUPERIOR DE AGRICULTURA “LUIZ DE QUEIROZ” 
DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA RURAL 
 
 
 
 
 
 
 
 
SÉRIE DIDÁTICA: 
 
PREVENÇÃO, MANEJO E RECUPERAÇÃO DOS SOLOS AFETADOS POR SAIS. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
NILDO DA SILVA DIAS1 
HANS RAJ GHEYI2 
SERGIO NASCIMENTO DUARTE3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PIRACICABA - SP 
2003 
 
 
1
 Doutorando em Agronomia – Área de Concentração em Irrigação e Drenagem, Departamento de Engenharia 
Rural, ESALQ/USP, Piracicaba, SP 
2
 Prof. Titular, Dr., Departamento de Engenharia Agrícola, CCT/UFCG, Campina Grande, PB 
3
 Prof., Dr., Departamento de Engenharia Rural, ESALQ/USP, Piracicaba, PB 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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PREVENÇÃO, MANEJO E RECUPERAÇÃO DOS SOLOS AFETADOS POR SAIS 
 
 
 
 
 
 
APRESENTAÇÃO 
 
 
 
Nas regiões áridas e semi-áridas, quase sempre a irrigação causa problemas 
relativos à salinidade no solo, afetando o desenvolvimento e a produção das plantas 
cultivadas. O manejo inadequado do sistema solo - água - planta nos perímetros irrigados 
dessas regiões e, conseqüentemente, o aparecimento dos problemas de salinidade de forma 
grave, são exemplo disto. 
Acredita-se que a falta de conhecimento do manejo adequado das áreas cultivadas 
por parte dos agricultores, aliada a desinteresse político com os problemas ambientais, 
contribuem para que esta situação permaneça inalterada. 
Assim, o principal objetivo deste trabalho é oferecer aos estudantes dos Cursos de 
Agronomia e Engenharia Agrícola, subsídios sobre prevenção, manejo e recuperação de 
solos afetados por sais, na tentativa de alcançarmos excelentes profissionais, conscientes 
dos riscos potenciais da salinidade. Esta apostila é fundamentada principalmente em 
capítulos dos livros de RICHARDS (1954), AYERS & WESTCOT (1999) e GHEYI et al 
(1997). De bastante utilidade também, foi a apostila elaborada pelos professores Hans Raj 
Gheyi (UFCG), José Francismar de Medeiros (ESAM) e Marcos Firmino Batista (UFCG), 
apresentando muitas partes transcritas. 
Todas as críticas e sugestões que visem ao aperfeiçoamento deste trabalho serão 
motivo de satisfação, análise e consideração. 
 
 
 
 
 
Piracicaba SP, Abril de 2003 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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PREVENÇÃO, MANEJO E RECUPERAÇÃO DOS SOLOS AFETADOS POR SAIS 
 
1 INTRODUÇÃO 
Estima-se que no mundo, cerca de 250 milhões de hectares sejam cultivados sob 
irrigação, com sua maior parte localizada em regiões áridas e semi-áridas, pois nelas ocorre 
déficit hídrico para as plantas em grande parte do ano e não há distribuição regular das 
chuvas, inviabilizando a prática agrícola sob condições de chuva natural. 
Todas as águas utilizadas na irrigação contêm sais, embora em quantidades 
variáveis, que se acumulam no solo afetando o crescimento e o desenvolvimento das 
plantas, dependendo das condições edafoclimáticas da região e das técnicas de manejo das 
áreas. 
Dentre os problemas causados pelo acúmulo de sais no solo, a diminuição da 
disponibilidade de água para as plantas e o encharcamento do solo, são os que mais se 
destacam. Ainda que não se disponha de dados exatos sobre a extensão desses problemas 
no mundo, estimativas da FAO, segundo Szabolcs (1985) mostram que aproximadamente 
metade da área irrigada apresenta problemas sérios de salinidade. 
Os efeitos negativos da salinidade poderão ser observados no “stand”, no 
crescimento e rendimento das plantas e, em casos extremos, na perda total da cultura. 
Devido a esses problemas, cerca de 10 milhões de hectares são abandonados a cada ano 
(Szabolcs, 1985). Portanto, o estudo de prevenção, o manejo e recuperação dos solos 
afetados por sais são indispensáveis para o sucesso e sustentação da agricultura irrigada. 
Para melhor compreensão do problema, apresentam-se, também, informações sucintas 
referentes à origem, extensão e efeitos da salinidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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2 ORIGEM DOS PROBLEMAS DE SALINIDADE 
A origem dos problemas de salinidade se confunde com a própria formação do 
solo, que é um produto da intemperização das rochas, envolvendo processos físicos, 
químicos e biológicos, mediante a ação de fatores como clima, relevo, organismos vivos e o 
tempo. Durante a intemperização, os diversos constituintes das rochas são liberados na 
forma de compostos simples. 
Observa-se, na Tabela 1, que o oxigênio, o silício e o alumínio, constituem mais de 
80 % dos elementos existentes na crosta terrestre. O silício pode ser substituído de forma 
isomorfa por alumínio e este por magnésio, dando origem às livres cargas elétricas 
negativas das partículas de argila. Ainda em relação à Tabela 1, embora o sódio, cálcio, 
magnésio, potássio, cloro, enxofre e o carbono estejam presentes em proporções 
relativamente menores, poderão ser acumulados no solo em grandes quantidades, em 
virtude desses elementos estarem retidos pela rocha com menores coeficientes de energia 
(Tabela 2) e, conseqüentemente, apresentarem alta solubilidade e mobilidade em relação ao 
silício, alumínio e ferro (FAO/UNESCO, 1973). Portanto, o acúmulo de elementos no solo 
não depende somente do seu teor na rocha mas, também, do coeficiente de energia com que 
é retido, da sua mobilidade e solubilidade. Deste modo, os sais solúveis acumulados no solo 
são constituídos principalmente dos íons cloreto, cálcio, magnésio, sódio, sulfato e 
bicarbonato e, às vezes, de potássio, carbonato e nitrato (Whitemore, 1975). 
Os sais liberados durante o processo de intemperização das rochas, dependendo da 
geomorfologia da região, podem ser carreados para horizontes inferiores mediante 
percolação ou levados a lugares distantes por escoamento superficial, conforme as 
condições de relevo, fluxo de água etc; no primeiro caso, os sais são depositados nas águas 
sub-superficiais podendo, por capilaridade, acumular-se na superfície do solo a medida em 
que a água for evaporada ou consumida pela planta, e o segundo fenômeno é responsável 
pela deposição e acumulação de sais em rios, mares, açudes e lagoas. Em regiões úmidas e 
por se tratar de zonas com precipitações elevadas, os sais são lixiviados até os lençóis 
freáticos ou eliminados através das águas superficiais, com maior freqüência. Enquanto, em 
regiões de clima árido e semi-árido, por apresentarem déficit hídrico na maior parte do ano 
e, na maioria das vezes, os solos serem rasos ou apresentarem camadas impermeáveis, a 
água, que contém sais, fica sujeita aos processos de evaporação ou evapotranspiração, 
 
 Prevenção, Manejo e Recuperação dos Solos Afetados por Sais 
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podendo atingir, com o tempo, níveis comprometedores para o crescimento e 
desenvolvimento das plantas (Pizarro, 1978; Richards, 1970). 
Tabela 1 Porcentagem dos elementos mais comuns na crosta terrestre (FAO/UNESCO, 
1973) 
Elementos Porcentagem (%) 
Oxigênio 49,13 
Silício 26,00 
Alumínio 7,47 
Ferro 4,20 
Cálcio 3,25 
Magnésio 2,40 
Potássio 2,35 
Hidrogênio 2,35 
Titânio 1,00 
Carbono 0,61 
Cloro 0,35 
Fósforo 0,20 
Enxofre 0,12 
Manganês 0,10 
Outros (cerca de 70 elementos) 0,39 
 
 
Tabela 2 Seqüência de liberação dos íons baseada em seus coeficientes de energia (Ce) 
durante o processo de intemperização (FAO/UNESCO, 1973) 
Seqüência