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Apostila salinização - Professor Nildo dias

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de liberação 
I II III IV 
ÍON Ce ÍON Ce ÍON Ce ÍON Ce 
 Cl- e Br- 0,23 Na- 0,45 SiO32- 2,75 Fe2+ 5,15 
NO3- 0,18 K+ 0,36 Al3+ 4,25 
 SO42- 0,66 Ca2+ 1,75 
 CO32- 0,78 Mg2+ 2,10 
 
 
2.1 Processo de salinização e sodificação 
 
As cargas negativas das partículas coloidais de argila, originadas pela substituição 
isomórfica e arestas expostas dos cristais, são neutralizadas pela adsorção de outros cátions 
presentes na solução do solo. Assim, a composição dos sais solúveis na solução afeta a 
proporção de cátions adsorvidos ou trocáveis na micela. Em solos de regiões úmidas, 
devido à eliminação das bases (sais de Ca, Mg, Na e K) liberadas durante a intemperização 
das rochas, o hidrogênio e o alumínio predominam no complexo. Por outro lado, em solos 
de regiões áridas ou semiáridas, quando se tem boa drenagem predominam, no complexo, 
os cátions de cálcio e magnésio mas, quando se tem solos com drenagem inadequada ou o 
 
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lençol freático se encontra próximo à superfície, esses cátions, durante o processo de 
concentração dos sais pela evaporação ou evapotranspiração, são precipitados na forma de 
carbonato de cálcio e magnésio ou de sulfato de cálcio, visto serem os compostos de menor 
solubilidade entre os acumulados (Tabela 3) aumentando, deste modo, a proporção relativa 
de sódio solúvel na solução do solo. Quando o sódio solúvel atinge concentração relativa 
superior a 50 % na solução, o mesmo passa a ser adsorvido pela micela em proporções 
suficientes para promover a dispersão reduzindo, assim, a permeabilidade do solo. 
Enquanto o fenômeno de acumulação de sais solúveis no solo é denominado salinização, ao 
aumento gradual de sódio trocável se denomina sodificação; trata-se de um processo 
posterior à salinização, porém pode ocorrer simultaneamente quando se tem, na solução do 
solo, sais exclusivos ou predominantemente de sódio (difícil de ocorrer, pois a rocha em 
geral contém um conjunto de compostos químicos). 
 
Tabela 3 Solubilidade (g L-1) dos principais sais encontrados em solos afetados por sais 
(Pizarro, 1977) 
Solubilidade (g L-1) 
 Na Mg Ca 
CO3 2131 2,512 0,01312 
SO4 1851 2622 2,043 
Cl 318 353 427 
NO3 686 Muito Elevada4 Muito Elevada4 
1
 A uma temperatura de 20o C. Para as temperaturas de 0, 10 e 30o C, o Na2CO3 e o Na2SO4 apresentam 
solubilidade de 70-45, 122-90 e 371-373 g L-1, respectivamente 
2 A solubilidade varia com a pressão parcial de CO2 ou pH 
3
 A solubilidade aumenta na presença de NaCl. Em soluções de 10 e 100 g L-1 de NaCl a solubilidade do 
CaSO4 é, respectivamente, 4,2 e 8,48 g L-1. Na presença de Na2SO4, CaCl2 e NaHCO3 diminui devido a 
formação de íon par ou formação de Ca(HCO3-). Para 10 g L-1 de Na2SO4, CaCl2 e NaHCO3, a solubilidade 
do CaSO4 é 1,9, 1,5 e 0,9 g L-1, respectivamente 
4
 Composto altamente higroscópico 
 
 
2.2 Principais fontes de sais que provocam a salinização 
 
Embora a fonte principal e direta de todos os sais presentes no solo seja a 
intemperização das rochas (Richards, 1954) são raros os exemplos em que esta fonte de sais 
tenha provocado diretamente problemas relacionados com a salinidade do solo. A 
salinização do solo por este fenômeno é denominada salinização primária. 
Os problemas de salinidade têm sido associados à água utilizada na irrigação, à 
drenagem deficiente e à presença de águas sub-superficiais, ricas em sais solúveis, a pouca 
 
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profundidade; nos casos em que a salinização resultante devida à ação antrópica a mesma é 
conhecida como salinização secundária. Além disso, a salinização pode ser causada pela 
ação dos ventos, das chuvas e das inundações marítimas. 
 
2.2.1 Água utilizada na irrigação 
Toda e qualquer água utilizada na irrigação contém sais, embora sua qualidade 
possa variar de acordo com o tipo e a quantidade de sais presentes. Por exemplo, enquanto 
a água do Rio São Francisco tem concentração salina equivalente a 64 mg L-1, uma água 
proveniente de um poço localizado na região do Cariri ou no Sertão da Paraíba, poderá 
conter teores de sais acima de 3200 mg L-1; uma água de chuva, dependendo do local e da 
época do ano, poderá ter sua concentração salina entre 30 e 60 mg L-1. 
Os sais presentes na água são incorporados ao solo, em função de sua 
concentração ou condutividade elétrica. Observa-se que, quando se aplica uma lâmina de 
100 mm, com teor de sais relativamente baixo, em torno de 320 mg L-1, são incorporados 
ao solo 320 kg ha-1 de sais, sendo que a cada evento de irrigação ou lâmina adicional irá 
aumentar gradativamente a quantidade desses sais no solo, caso não sejam lixiviados, 
precipitados e retirados pelas plantas1. 
Nem todos os sais incorporados pelas águas ficam no solo, mesmo em regiões 
áridas ou semi-áridas, pois uma parte pode ser eliminada por percolação, por meio de 
sucessivas lâminas de irrigação ou chuvas ou, ainda, tornar-se insolúvel mediante a 
precipitação, quer por reações químicas ou por atingir limites de solubilidade na solução do 
solo. Além disso, outra parte, embora em quantidade pequena, é absorvida pelas plantas 
para atender às suas necessidades; contudo, o acúmulo de sais no solo em determinado 
local, pode atingir um equilíbrio (Figura 1). Para que a agricultura irrigada seja sustentável, 
o nível de concentração de sais no solo, nas condições de equilíbrio, deverá ser inferior ao 
limite de tolerância das culturas à salinidade. 
 
1
 1 mg L-1 = 1 ppm. Uma lâmina de 100 mm equivale a 1000.000 L ha-1. Para uma concentração de sais de 
320 mg L-1, a quantidade de sais incorporados ao solo será: (320 mg L-1) x (1000.000 L ha-1) = 320 kg ha-1 
 
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Figura 1 Esquema da relação entre a acumulação de sais no solo de uma determinada 
textura em função das lâminas de irrigação aplicadas ou tempo para águas de 
diferentes concentrações salinas (o teor de sais da água 3 > água 2 > água 1) 
 
 
2.2.2 Água do lençol freático 
Freqüentemente, os problemas de salinidade na agricultura têm ocorrido devido à 
elevação do nível do lençol freático. Neste caso, a água, em razão do movimento 
ascendente por capilaridade, atinge a zona radicular e, a medida em que ela é evaporada ou 
evapotranspirada, os sais ficam acumulados na superfície. Nas regiões áridas e nos trópicos 
úmidos, a profundidade crítica do lençol sujeita a ascensão capilar, varia entre 2,0 a 2,5 m, 
dependendo da textura do solo, do clima, da concentração de sais e do manejo da irrigação. 
Salienta-se que em solos siltoso a água pode atingir a superfície do solo de uma 
profundidade de 6 m mediante esse fenômeno. A Figura 2 mostra um perfil de salinidade 
provocado por nível freático elevado. Esta forma de salinização é um processo rápido em 
áreas irrigadas em clima quente, principalmente quando o solo permanece em repouso por 
longos períodos. A Figura 3 indica a relação entre o fluxo capilar e a profundidade do nível 
freático para solos de diferentes texturas. 
 
 
 
 
Lâmina ou tempo
 
A
cú
m
u
lo
 
de
 
sa
is 
(kg
 
ha
-
1 ) Água 1 
Água 2 
Água 3 
 
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9 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 2 Perfil de salinidade com lençol freático elevado (Mohamed & Amer, 1972)

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