FLUIDOTERAPIA BÁSICA NA MEDICINA VETERINÁRIA
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FLUIDOTERAPIA BÁSICA NA MEDICINA VETERINÁRIA


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Faculdade de Zootecnia, Veterinária e Agronomia \u2013 PUCRS 
Curso de Medicina Veterinária 
Clínica Cirúrgica Veterinária 
 
 
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Prof. Daniel Roulim Stainki 
 
 
 
I) FLUIDOTERAPIA BÁSICA NA MEDICINA VETERINÁRIA 
 
 
 1) INTRODUÇÃO 
 
 A manutenção das quantidades e dos equilíbrios hídrico, eletrolítico e ácido-
básico no período peri-operatório é essencial para um procedimento anestésico e 
cirúrgico seguros. 
 A anestesia e a cirurgia induzem diferentes graus de agressão ao indivíduo. A 
intensidade da resposta orgânica está relacionada à severidade dessa agressão e às 
condições físicas do animal. 
 As lesões e outras afecções requerem adoção de maior ou menor número de 
medidas pré, trans e pós-operatórias, como exemplos temos as queimaduras severas, 
contusões com esmagamentos e as fraturas, que produzem alterações metabólicas agudas 
e prolongadas. 
 Um fator de extrema relevância no paciente cirúrgico é o seu estado ou equilíbrio 
hidroeletrolítico. No cão, a água é equivalente a 60-65% do peso corporal no adulto, 70-
80% nos jovens e 45-50% nos obesos. No bovino, o embrião possui 95% de sua 
constituição em água e o recém nascido 75% ou mais, decrescendo até 40% na 
maturidade. 
 Neste capítulo serão feitas considerações sobre aspectos da fluidoterapia no pré, 
trans e pós-operatório, visando atenuar os riscos inerentes ao trauma cirúrgico. 
 
 2) DESIDRATAÇÃO 
 
 Diversas alterações de ordem clínica e cirúrgica interferem com o equilíbrio 
hidroeletrolítico. A perda de água determina vários graus de desidratação. No animal 
hidratado a distribuição de água é regulada pelas forças osmóticas dos solutos, que 
encontram - se na média de 295mOsm/kg (variando entre 280-310mOsm/kg). 
 As variações nas concentrações séricas do sódio, cátion de maior concentração no 
líquido extracelular, provocam desvios da osmolalidade. 
 Assim, o paciente é susceptível à desidratação dos tipos iso, hipo ou hipertônica. 
 
 2.1) Desidratação isotônica (isonatrêmica): 
 
 Ocorre a perda proporcional de água e sais existentes no espaço extracelular. 
Nesta condição não haverá migração de líquidos entre os meios intra e extracelulares, 
pois a osmolalidade e tonicidade permanecem constantes (295mOsm/kg). 
 As causas mais freqüentes são as perdas por vômitos, diarréia e seqüestro de 
líquido extracelular em lesões, em infecções dos tecidos moles e nas peritonites. 
 
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2.2) Desidratação hipotônica (hiponatrêmica): 
 
 É caracterizada por baixa osmolalidade do espaço extracelular devido a grande 
perda de eletrólitos em relação à água. Há perda de líquido hiperosmolar (acima de 
310mOsm/kg). O compartimento extracelular torna- se hiposmolar e hipotônico (abaixo 
de 280mOsm/kg) em relação ao intracelular, ocorrendo a passagem de líquido 
extracelular para o interior da célula, restabelecendo o equilíbrio entre os compartimentos 
e ingurgitando as células. Estes pacientes estão mais predispostos ao colapso vascular e 
requerem terapia agressiva. 
 As causas mais comuns desta alteração incluem a insuficiência da cortical 
adrenal, uso inadequado de diuréticos e reposição de perdas isotônicas com glicose 5% 
ou água. 
 
 2.3) Desidratação hipertônica (hipernatrêmica): 
 
 Caracteriza-se por ocorrer maior perda de água do que sais, resultando em 
hiperosmolalidade no meio extracelular. Haverá perda de líquido hiposmolar (inferior a 
280mOsm/kg), tornando o meio extracelular hipertônico (acima de 310mOsm/kg) em 
relação ao intracelular. A saída de líquido da célula restabelece o equilíbrio entre os 
compartimentos. Esta desidratação ocorre em casos de baixa ingestão de água, aumento 
das perdas insensíveis (febre, taquipnéia), administração de soluções muito concentradas, 
Diabetes insípido, etc. 
 Cabe ressaltar que, os requerimentos hidroeletrolíticos podem ser classificados em 
dois grupos: 1º - deficiência de volume intersticial e/ou intracelular (desidratação) e 2° - 
diminuição do volume circulante (hipovolemia). Deve-se lembrar ainda, que ambos estão 
correlacionados, devido à constante interação através dos mecanismos da homeostase. 
Desta forma, as soluções para a fuidoterapia podem ser agrupadas de conformidade com 
suas características: 
 * soluções coloidais para repor a volemia. 
 * soluções salinas para repor o volume extracelular (hidratar). 
 
 3) HIDRATAÇÃO 
 
 Para ser feito o diagnóstico do déficit líquido no organismo, poderão ser 
utilizados os exames clínicos e os laboratoriais. Com finalidade didática, a hidroterapia 
pode ser dividida em três fases: pré, trans e pós-operatória. 
 
 3.1) Fluidoterapia pré-operatória: 
 
 3.1.1) Pequenos animais: 
 Para estimar a quantidade de solução a repor é necessário avaliar o grau de 
desidratação em que o indivíduo se encontra. A avaliação clínica permite uma estimativa 
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subjetiva, porém suficiente para evitar uma reposição excessiva ou muito aquém das reais 
necessidades do paciente. É conveniente lembrar que nos animais obesos ou caquéticos, 
estes sinais podem estar mascarados, e que a desnutrição não é sinônimo de desidratação, 
e a obesidade não significa boa condição física. 
 
 
QUADRO 1 - Parâmetros para a avaliação clínica pré-operatória de cães, relacionando os 
sinais físicos com o grau de desidratação. 
 
% DE DEPLEÇÃO SINAIS FÍSICOS 
4 Sem anormalidade, apenas história clínica de falta de ingestão de 
água; 
6 Leve inelasticidade da pele (flacidez), mucosas e pele secas, urina 
concentrada, cansa facilmente; 
8 Pele sem elasticidade, tempo de reperfusão capilar acima de 3 
segundos, olho profundo na órbita, mucosa oral viscosa e seca, 
urina concentrada e escassa; 
10 - 12 Pele com severa falta de elasticidade, reperfusão capilar acima de 
3 segundos, olho profundo na órbita, mucosa pálida, pulso rápido 
e fraco, contrações musculares involuntárias, choque em animais 
debilitados; 
12 - 15 Choque ou morte iminente 
 Adaptado de Cornélius ,1980 apud 
RAISER,1995 
 
 
 O déficit pode ser avaliado quando aplicado na fórmula: 
 
 Déficit = Biopeso(kg) X %Desidratação ÷ 24 Horas 
 
 
 Calcula-se também o requerimento básico diário caso o animal não esteja 
ingerindo água, que é para o cão 40-50ml/kg/dia e para o gato de 70ml/kg/dia. 
 Se o animal ainda apresentar vômito e diarréia, deve-se calcular as compensações 
para estas perdas digestivas. 
 Perdas gastrointestinais - Vômito: 40ml/kg/dia 
 Diarréia: 50ml/kg/dia 
 Ambos: 60ml/kg/dia 
 
 
 
 
 
 
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QUADRO 2 - Parâmetros para reposição das necessidades básicas diárias, das perdas 
gastrointestinais relativas à água, sódio e potássio para cães e gatos. 
 
ESPECIFÍCAÇÃO ÁGUA SÓDIO POTÁSSIO 
Necessidades diárias Cão:40-50ml/kg/dia 
Gato:70ml/kg/dia 
 
3mEq/kg/dia 1mEq/kg/dia 
Perdas já ocorridas % depleçãoxkg /24 
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6 mEq/100ml à repor 2 mEq/100ml à repor 
Perdas gastrointestinais Vômito:40ml/kg/dia 
Diarréia:50/ml/kg/dia 
Ambos:60ml/kg/dia 
9mEq/100ml à repor 3mEq/100ml à repor 
 Raiser, 1995.
Vanessa
Vanessa fez um comentário
tudo bem? você teria como me enviar por email, pois gostaria de imprimir e não consigo.
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Vanessa
Vanessa fez um comentário
Oi Bruna, boa tarde,
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