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Protocolo anestésico

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE MATO GROSSO 
CAMPUS UNIVERSITÁRIO DE SINOP 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANESTESIOLOGIA VETERINÁRIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CAROLINE MINETO 
2017 
PROTOCOLO ANESTESICO 
 
 M Clorpromazina (acepromazina) 
 P + 
A Meperidina (petidina) 
 
 
 
 
I Quetamina 
N 
D + 
U 
Ç Midazolam 
à 
O 
 
 
M 
A 
N 
U 
T Isofluorano 
E 
N 
Ç 
à 
O 
 
 
Epidural : Lidocaína 
 
 
 
 
 
Tranquilizante fenotiazínico. Causa vasodilatação periférica e 
hipotermia. Administrar com cuidado em pacientes hipotensos 
ou hipovolêmicos. Período hábil: 4 – 8h. 
IV, IM, SC 
Opióide. Boa qualidade analgésica. Utilizada em procedimentos 
rápidos. Latência 15 minutos ; Período de ação: 50 minutos – 1h 
30 min. 
IM, SC 
Benzodiazepínico. Tem sido utilizado como 
anticonvulsivante, relaxante muscular, sedativo e 
adjuvante anestésico. Duração do efeito: 2h30min 
IV, IM 
Anestésico dissociativo. Não administrar em pacientes com traumatismo 
craniano/histórico de convulsões. Incremento da FC e PA. Boa analgesia 
somática (0,5mg/kg : 30 minutos). Efeito anestésico: 25 minutos. 
IV, IM 
Anestésico inalatório halogenado. Não cardiotóxico 
e sem metabolismo hepático. Irritante à inalação. 
Produz rápida indução e recuperação anestésica. 
Inalatória 
Anestésico local. Bloqueios locorregionais; Latência: 
10 minutos; Dose tóxica: 9 mg/kg. Antiarritmico: 2 
mg/kg (0,2mg/kg em felinos). Período Hábil (efeito 
local): 1 hora. 
Local (IV) 
A quetamina com frequência é utilizada para indução anestésica em todas as espécies domesticas, bem como 
nas silvestres e exóticas. Pode ser utilizada também para a contenção de animais silvestres e como 
medicação pré-anestésica em felinos domésticos. 
A tiletamina possui mesmas indicações que a quetamina, sendo que só deve ser administrada associada a um 
derivado benzodiazepínico (zolazepam ou flunitrazepam) potente, pois sua potencia é duas vezes maior que 
a quetamina, e a ocorrência de efeitos adversos como catalepsia (É um distúrbio que impede o doente de se 
movimentar, apesar de continuarem funcionando os sentidos e as funções vitais (só um pouco 
desaceleradas). "A pessoa fica parecendo uma estátua de cera. Se ela estiver sentada e alguém posicionar seu 
braço para cima, ela permanecerá assim enquanto durar o surto") é mais frequente. 
O propofol produz indução anestésica de curta duração (< 20 minutos). Apresenta duas vantagens em 
relação ao tiopental: não produz arritmias cardíacas com a mesma frequência e possibilita rápida e completa 
recuperação do paciente mesmo após infusão contínua por varias horas. 
O etomidato é indicado para pacientes cardiopatas, pois não altera a função cardiovascular. Deve ser sempre 
administrado associado a um benzodiazepínico como o midazolam ou a um derivado opóide como o 
fentanil. 
O termo anestésico dissociativo é usado para descrever um estado de anestesia induzido por um fármaco que 
interrompe as transmissões ascendentes de regiões do cérebro responsáveis pela consciência e inconsciência, 
em vez de causar depressão generalizada como ocorre com outros anestésicos injetáveis (LIN, 2007). 
 
A anestesia dissociativa é caracterizada por um estado de catalepsia onde os olhos permanecem abertos com 
presença de nistagmo leve, variados graus de hipertonicidade muscular e com movimentos involuntários que 
não estão relacionados com o estímulo cirúrgico (LIN, 2007). 
 
Os anestésicos dissociativos agem bloqueando os receptores muscarínicos dos neurônios centrais, interferem 
na neurotransmissão GABAérgica e bloqueiam o transporte neuronal de serotonina, dopamina e 
norepinefrina, ocasionando diminuição na resposta do sistema nervoso central a impulsos sensoriais, sem 
bloquear o tronco cerebral e as vias medulares (FANTONI; CORTOPASSI; BERNARDI, 2011). 
Pesquisas demonstram também, que o antagonismo de receptores N-metil-D-aspartato (NMDA) tem sido 
responsável pelos efeitos anestésicos, analgésicos e neuroprotetor (LIN, 2007). 
 
KETAMINA 
A cetamina é um anestésico dissociativo, descoberto na década de 70 com o objetivo de substituir a 
fenciclidina e seus efeitos adversos. Os fármacos desta classe produzem dissociação entre o sistema límbico 
e tálamo, impedindo que as informações sensitivas cheguem até o córtex, suprimindo as sensações 
nociceptivas (VALADÃO, 2009). 
Quimicamente chamada de cloridrato de 2-(o-clorofenil)-2-(metilamino)- clicloexanona, a cetamina é um 
anestésico muito versátil, podendo ser administrada tanto por via intravenosa quanto por via intramuscular, 
sendo mais comumente utilizada associada a outros agentes anestésicos, como por exemplo, os relaxantes 
musculares, sendo possível até realização de procedimentos intra abdominais (BRANSON, 2003). 
 
A cetamina, um derivado do cloridrato de fenciclidina (phencyclidine hydrochloride – PCP), foi introduzida 
na prática clínica a partir da década de 1960, tendo como principal função promover anestesia em humanos e 
animais. É referida na literatura como “anestésico dissociativo”, por promover perda sensorial marcante e 
analgesia, assim como amnésia e paralisia do movimento, sem perda real da consciência (KLIDE et al., 
1975; THURMON et al., 1996; LUFT & 
MENDES, 2005). 
Na Medicina Veterinária, a cetamina é amplamente utilizada tanto em pequenos quanto em grandes animais, 
estendendo-se desde agente de indução em anestesias inalatórias, contenção química de indivíduos, à 
anestesia total em procedimentos de curta duração (HASKINS et al., 1986; THURMON et al., 1996; 
VALADÃO, 2002; JOON-KI KIM et al., 2004). 
 
A cetamina é utilizada de forma mais cautelosa, geralmente associada à xilazina, pois isoladamente induz 
analgesia, mas não o relaxamento muscular adequado, sendo a recuperação conturbada e prolongada 
(SANTOS et. al., 2010). 
Esta associação pode ser administrada por via intravenosa ou intramuscular e, geralmente, produz decúbito 
de 30 a 40 minutos e, caso seja necessário, metade da dose pode ser reaplicada. A função cardiorrespiratória 
se mantém inalterada em animais hígidos e a qualidade da recuperação é boa (ABRAHAMSEN, 2008). 
A analgesia produzida pela cetamina ocorre após a aplicação de baixas doses, pois ela eleva o limiar de dor. 
O grau de analgesia parece ser maior na dor somática do que para dor visceral. Os anestésicos dissociativos 
são muito eficazes para o controle da dor pós-operatória relacionada a cirurgias músculoesqueléticas e 
tegumentar, ainda mais que os receptores NMDA estão envolvidos com respostas neurogênicas de injúria 
tecidual e inflamação, sugerindo, portanto, que a cetamina seja efetiva na redução da dor ocasionada após 
esse tipo de trauma (LIN, 2007). 
 
Os anestésicos dissociativos induzem aumento no fluxo sanguíneo cerebral, na pressão intracraniana, e na 
pressão do fluido cerebroespinhal, portanto não é aconselhável o uso de cetamina em pacientes com trauma 
cranioencefálico (LIN, 2007). 
 
A cetamina pode agir diretamente estimulando centros adrenérgicos centrais ou indiretamente por inibição 
de da captação neuronal de catecolaminas, principalmente a noradrenalina, promovendo aumento no débito 
cardíaco, na pressão aórtica média, na pressão arterial pulmonar, na pressão venosa central e na freqüência 
cardíaca e por essas propriedades estimulantes cardíacas, além de sua ação anti arrítmica, a cetamina torna-
se um importante fármaco na indução de baixo risco e hipovolêmicos (BRANSON, 2003). 
 
Muitos anestésicos são depressores da resposta