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Peças Práticas Delegado

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LÚCIO VALENTE 
2014 
 
 
 
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PASSOS PARA UMA PEÇA PRIMOROSA 
 
1- Cuidados com a estética 
a. Faça margens justificadas, acompanhando o preâmbulo. 
b. NUNCA USE “O MESMO”: ex.: (...) Consta que “o mesmo” fez uso de 
substância entorpecente (ERRADO). MELHOR: Consta que o indiciado 
(suspeito/ implicado) fez uso de substância entorpecente. 
c. Se preocupe mais com o conteúdo do que com a forma. 
d. Não crie fatos novos. 
e. Use frases curtas e cuide da pontuação. 
f. O preâmbulo vai determinar a margem dos demais parágrafos. Alguns 
professores de português orientam os alunos a fazer a margem ao centro, em 
caso de peças técnicas. 
g. Não use letra em caixa alta. 
 
2- Cuidados com a estrutura da peça 
a. Toda peça possui 
 Endereçamento (não use abreviações); 
 Preâmbulo (A Polícia Civil, através do delegado de polícia, vem à 
presença de Vossa Excelência ...); 
 Narrativa dos fatos; 
 Embasamento jurídico; 
 Conclusão (ou Pedido). 
b. Descrevas os fatos minuciosamente, contendo: 
 Lugar, tempo e modo de execução; 
 Indícios de autoria (conduta, resultado, nexo causal e tipicidade) 
 Prova da materialidade (prova de que o crime existiu): laudos, “provas” 
testemunhais etc. 
 No caso de relatório de flagrante, aponte o motivo o arbitramento ou 
não da fiança com base no Art. 322 do CPP e seguintes. 
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c. Não emita opiniões sobre excludentes ou dirimentes. O delegado de polícia não 
é juiz, nem advogado do indiciado. 
d. Não use o termo “réu” para se referir ao investigado. Use: implicado, suspeito, 
apontado, indiciado (se for o caso) etc. 
 
TÉCNICAS PARA PRODUÇÃO DE PEÇAS 
 
Seja você o investigador 
 
Na prova para Delegado de Polícia da Bahia, realizada pelo CESPE em 2013, a 
banca descreveu uma investigação em andamento envolvendo a prática de homicídio por arma 
de fogo. Segundo o comando da questão, o candidato deveria encaminhar os autos ao Judiciário 
com os pedidos pertinentes. 
Em primeiro lugar, é preciso esclarecer que se a investigação está em andamento e 
o prazo do IP já findou, inevitavelmente o Delegado deverá encaminhar os autos ao Judiciário 
com solicitação de dilação do prazo (CPP, art. 10, § 3º). Tal solicitação passará, 
necessariamente pelo crivo do MP, que poderá se dar por satisfeito e oferecer imediatamente a 
denúncia. 
Desta forma, o bom delegado deverá relatar tudo o que já foi produzido e o que se 
pretende produzir no retorno dos autos, para fundamentar a decisão de dilação de prazo pelo 
Juiz. O Ministério Público, por sua vez, poderá determinar diligências indispensáveis para o 
oferecimento da denúncia (CPP, art. 16). 
Ocorre que, muitas vezes, a investigação dependerá de medidas invasivas dos 
direitos fundamentais do investigado (prisões, quebras de sigilo, buscas residenciais etc.). Neste 
caso, o Delegado de Polícia deverá REPRESENTAR (e não requerer) ao Juiz, demonstrando 
que aquela medida drástica é essencial para a elucidação dos fatos. 
Muito bem, solicito que você leia atentamente a estorinha do CESPE 
(http://www.cespe.unb.br/concursos/PC_BA_13/arquivos/PCBA13_001_01.pdf). 
Pelo que se vê, muitas evidências já foram produzidas em relação à autoria dos 
irmãos Madeira. Ocorre que várias outras ainda precisam ser realizadas para a ultimação do IP. 
Vou listar apenas algumas: 
- identificação dos outros dois autores; 
-apreensão das armas utilizadas, já que foram localizados projéteis tanto 
no local dos fatos, como no corpo da vítima. Tais projéteis devem ser comparados 
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entre si (para verificar se são, de fato, de uma mesma arma) e com as armas de fogo 
eventualmente apreendidas; 
-reconhecimento pessoal dos suspeitos já identificados pelas 
testemunhas; 
Etc. 
 
Muito bem. Eu poderia listar ainda outras medidas investigativas, mas o propósito 
nesse momento é pedir algo ao juiz. Neste sentido, para que tais ações sejam efetivadas, quais 
medidas investigativas/cautelares poderia o delegado empreender? 
Bom, em resumo, penso que a prisão dos suspeitos seria essencial para que as 
evidências sejam levantadas. Seria muito interessante, além disso, conseguir uma busca e 
apreensão para a residência dos suspeitos, bem como para a casa do tio, onde estariam 
escondidos. Com isso, poderia se localizar as armas de fogos e outros elementos importantes, 
como drogas etc. 
 
QUAL PRISÃO PEDIR? 
 
Neste momento, surge uma dúvida importante. Seria melhor o candidato fazer uma 
peça de prisão temporária ou preventiva? Em tese, as duas seriam cabíveis, mas a prefira a 
temporária e deixe a preventiva só quando não for possível legalmente a temporária. Por quê? 
Vamos lá. 
 
QUANDO PEDIR A TEMPORÁRIA? 
 
Primeiro, leia os requisitos presentes na Lei 7960/89. Estão todos presentes no 
primeiro caso {(Art 1º, inciso III) + inciso II; ou + inciso I} ? 
Se sim, faça a peça da temporária. Sim, porque ela é melhor pro Delegado. Você 
sabe a razão? Porque o prazo da prisão temporária é adicionado ao tempo faltante do IP. O 
Delegado poderá ter mais tempo para realizar as medidas. Lembre-se que o caso é, em tese, de 
crime hediondo, então peça 30 dias, conforme permite a lei. 
Só faça a preventiva quando: 
 
-não existirem elementos para temporária (e existirem a da preventiva); 
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-ao final do IP, pois já não caberá temporária. 
 
QUAIS FUNDAMENTOS EU COLOCO NA PEÇA? 
 
Você já tem a resposta. Volte um pouco no texto e reveja o quadro das diligências 
faltantes. Vou repetir ele aqui: 
- identificação dos outros dois autores; 
-apreensão das armas utilizadas, já que foram localizados projéteis tanto 
no local dos fatos, como no corpo da vítima. Tais projéteis devem ser comparados 
entre si (para verificar se são, de fato, de uma mesma arma) e com as armas de fogo 
eventualmente apreendidas; 
-reconhecimento pessoal dos suspeitos já identificados pelas 
testemunhas; 
 
Excelente! Você precisa da prisão imediata dos autores para apreender as armas, 
identificar os demais autores e realizar o reconhecimento pessoal (obs.: só o 
reconhecimento pessoal não fundamenta a prisão, pois o suspeito não é obrigado a produzir 
provas contra si mesmo). 
CUIDADO! Não cite qualquer fundamento da preventiva, pois não é compatível com 
o pedido de temporária (ex.: garantir a persecução criminal, garantir a aplicação da lei penal 
etc.). 
OUTROS FUNDAMENTOS QUE PODEM SER COLOCADOS EM QUALQUER PEDIDO 
-oitiva conjunta de todos os suspeitos para evitar troca de informações; 
-correta qualificação pessoal; 
-localização do corpo da vítima; 
-o indicado não tem residência fixa 
 
 
 
 
COMO FICARIA A MINHA PEÇA? 
 
Excelentíssimo (A) Senhor (A) Juiz (A) De Direito do Tribunal do Júri de 
Salvador/BA 
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O Delegado de Polícia ao final assinado, no uso de suas atribuições 
legais, com fulcro no CPP, art.240, § 1° e na Lei 7.960/89, representa pela 
expedição dos devidos mandados de prisão temporária e busca e apreensão, 
conforme a seguir: 
Dos fatos 
Narram os autos que no dia 17/09/2012, por volta das 0h50min, a vítima 
Douglas Aparecido da Silva foi alvejado por