A maior rede de estudos do Brasil

Grátis
17 pág.
Ação Direta de Inconstitucionalidade por Omissão

Pré-visualização | Página 4 de 7

EDITADO SER 
 
13 PFEIFFER, Roberto Augusto Castellanos. Mandado de injunção. São Paulo: Atlas, 1999, p. 71. 
Na mesma linha, ensina CLÈVE, com apoio em PAULO MODESTO, a omissão inconstitucional 
configura um plus em relação às “situações jurídicas imperfeitas”, porquanto exigem juízo sobre o 
transcurso do tempo (Op. cit., p. 221). 
14 Nesse sentido, MENDES, Gilmar Ferreira. Jurisdição constitucional. São Paulo: Saraiva, 1996, 
p. 292. 
15 Cf., v.g., arts. 12, 20 e 48 do ADCT. No entanto, para a grande maioria dos casos que podem 
ensejar omissão juridicamente relevante, não há cominação de prazo. 
 9 
CONSIDERADO “AINDA CONSTITUCIONAL”, DADO O GRAU DE DIFICULDADE INERENTE À EXEQÜIBILIDADE DA NORMA 
PARAMÉTRICA.16 
DE OUTRO LADO, É DIVERSO O PROBLEMA DO PARÂMETRO DAS OMISSÕES RELATIVAS. É QUE O CONCEITO 
DESSE TIPO DE OMISSÃO REFOGE PARCIALMENTE DOS PRESSUPOSTOS UTILIZADOS PARA DEFINIR O REGIME DAS 
DEMAIS. AS OMISSÕES RELATIVAS, ALÉM DE DESCONHECEREM A NECESSIDADE DE PRÉVIA DETERMINAÇÃO DE ATUAÇÃO 
NORMATIVA, SÃO IDENTIFICADAS A PARTIR DE JUÍZO VALORATIVO FUNDADO EM PRECEITOS AUTO-APLICÁVEIS. E MAIS: JÁ 
SE SABE DE ANTEMÃO QUE O PARÂMETRO DE CONTROLE DELAS SERÁ SEMPRE ALGUMA NORMA LIGADA AO PRINCÍPIO DA 
ISONOMIA. DAÍ A DIFICULDADE PARA INCLUIR AS OMISSÕES RELATIVAS NO GRUPO DAS OMISSÕES “PURAS”. 
NÃO OBSTANTE, PODE-SE DEDUZIR QUE AS OMISSÕES RELATIVAS E AS PARCIAIS PODEM IGUALMENTE SE 
ENQUADRAR NO CONCEITO DAS INDEFINIDAS, MAS SOMENTE AS PRIMEIRAS ADMITEM SER QUALIFICADAS COMO 
OMISSÕES DEFINIDAS. ISSO PORQUE EMBORA TANTO AS INDEFINIDAS QUANTO AS DEFINIDAS PRESSUPONHAM 
SOLUÇÕES CONTIDAS NO PRÓPRIO ORDENAMENTO CONSTITUCIONAL, A TIPIFICAÇÃO DESTAS ÚLTIMAS EXIGE QUE O 
PARÂMETRO DE CONTROLE SEJA COMPOSTO SOMENTE POR NORMAS CONSTITUCIONAIS DOTADAS DE APLICABILIDADE 
DIRETA, POIS SÓ ESSE CASO DÁ ENSEJO À ADOÇÃO DE UMA ÚNICA SOLUÇÃO CONSTITUCIONALMENTE OBRIGATÓRIA. 
 
CASO CONCRETO DE OMISSÃO LEGISLATIVA INCONSTITUCIONAL - A OMISSÃO LEGISLATIVA 
INCONSTITUCIONAL QUANTO À ELABORAÇÃO DA LEI COMPLEMENTAR FEDERAL PREVISTA NO § 4º , DO ART. 18, DA 
CONSTITUIÇÃO. 
O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ASSENTOU O ENTENDIMENTO SEGUNDO O QUAL O ART. 18, § 4O, DA CONSTITUIÇÃO DA 
REPÚBLICA, COM A REDAÇÃO DETERMINADA PELA EC N° 15/96, É NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA17, DEPENDENTE, 
 
16 Acerca do assunto da lei “ainda constitucional”, cf. MENDES, Gilmar Ferreira. A declaração de 
constitucionalidade e a lei ainda constitucional. Consulex-Revista Jurídica, Brasília, n. 35, p. 32-35, 
nov. 1999. Ainda sobre o tema, o Min. PERTENCE já afirmou que “a alternativa radical da 
jurisdição constitucional ortodoxa entre a constitucionalidade plena e a declaração de 
inconstitucionalidade da lei com fulminante eficácia ex tunc faz abstração da evidência de que a 
implementação de uma nova ordem constitucional não é fato instantâneo, mas um processo, no 
qual a possibilidade de realização da norma da Constituição - ainda quando teoricamente não se 
cuide de preceito de eficácia limitada - subordina-se muitas vezes a alterações na realidade 
fáctica que a viabilizem.” (STF, 1ª Turma, RE 147.776/SP, DJU de 19/06/98, p. 9.) No mesmo 
sentido, atrelando a inconstitucionalidade à verificação de situação de fato, no HC 70.514/RS, o 
STF entendeu que não era de “ser reconhecida a inconstitucionalidade do §5º do art. 1º da Lei n 
1.060, de 05.02.1950, acrescentado pela Lei n 7.871, de 08.11.1989, no ponto em que confere 
prazo em dobro, para recurso, às Defensorias Públicas, ao menos até que sua organização, nos 
Estados, alcance o nível de organização do respectivo Ministério Público, que é a parte adversa, 
como órgão de acusação, no processo da ação penal pública.” (Plenário, Rel. Min. SYDNEY 
SANCHES, DJU de 27/06/97, p. 30.225.) 
17 SILVA, José Afonso da Silva. Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 6ª ed. São Paulo: 
Malheiros; 2007. 
 10 
PORTANTO, DA ATUAÇÃO LEGISLATIVA NO SENTIDO DA FEITURA DA LEI COMPLEMENTAR NELE REFERIDA PARA PRODUZIR 
PLENOS EFEITOS. AINDA QUE DESPIDA DE EFICÁCIA PLENA, CONSIGNOU-SE QUE TAL NORMA CONSTITUCIONAL TERIA O 
CONDÃO DE INVIABILIZAR A INSTAURAÇÃO DE PROCESSOS TENDENTES À CRIAÇÃO DE NOVAS MUNICIPALIDADES, ATÉ O 
ADVENTO DA REFERIDA LEI COMPLEMENTAR FEDERAL. ASSIM, COM BASE NESSAS PREMISSAS, O TRIBUNAL, EM DIVERSOS 
JULGADOS, DECLAROU A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS ESTADUAIS, POSTERIORES À EC N° 15/96, INSTITUIDORAS DE 
NOVOS MUNICÍPIOS, POR AUSÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR FEDERAL PREVISTA PELO ART. 18, § 4O, DA CONSTITUIÇÃO 
(ADI-MC N° 2.381/RS, REL. MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ 14.12.2001; ADI N° 3.149/SC, REL. MIN. JOAQUIM 
BARBOSA, DJ 1.4.2005; ADI N° 2.702/PR, REL. MIN. MAURÍCIO CORRÊA, DJ 6.2.2004; ADI N° 2.967/BA, REL. MIN. 
SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ 19.3.2004; ADI N° 2.632/BA, REL. MIN. SEPÚLVEDA PERTENCE, DJ 12.3.2004)18. 
A EMENDA CONSTITUCIONAL N° 15, DE 1996, COMO TODOS SABEM, FOI ELABORADA COM O CONHECIDO INTUITO DE 
COLOCAR UM PONTO FINAL NA CRESCENTE PROLIFERAÇÃO DE MUNICÍPIOS OBSERVADA NO PERÍODO PÓS-88. A 
REDAÇÃO ORIGINAL DO ART. 18, § 4O, DA CONSTITUIÇÃO, CRIAVA CONDIÇÕES MUITO PROPÍCIAS PARA QUE OS ESTADOS 
DESENCADEASSEM O PROCESSO DE CRIAÇÃO, FUSÃO, INCORPORAÇÃO E DESMEMBRAMENTO DE MUNICÍPIOS, POR LEIS 
PRÓPRIAS, RESPEITADOS PARÂMETROS MÍNIMOS DEFINIDOS EM LEI COMPLEMENTAR, TAMBÉM ESTADUAL. 
A JUSTIFICAÇÃO APRESENTADA NA PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO N° 22, DE 1996, NO SENADO FEDERAL, 
ESCLARECE OS MOTIVOS DA MUDANÇA CONSTITUCIONAL (FL. 55): 
“O APARECIMENTO DE UM NÚMERO ELEVADO DE MUNICÍPIOS NOVOS, NO PAÍS, TEM CHAMADO ATENÇÃO PARA O 
CARÁTER ESSENCIALMENTE ELEITOREIRO QUE ENVOLVE SUAS CRIAÇÕES, FATO ESTE LAMENTÁVEL. AO 
DETERMINAR A RESPONSABILIDADE DA CRIAÇÃO DE MUNICÍPIOS AOS ESTADOS, A CONSTITUIÇÃO FEDERAL 
CONSIDEROU CORRETAMENTE AS PARTICULARIDADES REGIONAIS A QUE DEVEM OBEDECER OS REQUISITOS 
PARA A CRIAÇÃO DE MUNICÍPIOS. 
CONTUDO, O TEXTO DO § 4O DO ART. 18 NÃO APRESENTOU AS RESTRIÇÕES NECESSÁRIAS AO CONSENTIMENTO 
DOS ABUSOS, HOJE OBSERVADO, E QUE NÃO LEVAM EM CONTA OS ASPECTOS MAIS RELEVANTES PARA A 
CRIAÇÃO OU NÃO DE NOVOS MUNICÍPIOS. 
A DETERMINAÇÃO, NO MESMO PARÁGRAFO, DE QUE FICARÃO PRESERVADAS A CONTINUIDADE E A UNIDADE 
HISTÓRICO-CULTURAL DO AMBIENTE URBANO DEIXA MUITO A DESEJAR, POR CONSTITUIR UMA CONDIÇÃO NEM 
PRECISA, NEM OBJETIVA. 
ACEITAMOS QUE, PARA DISPOR MAIS OBJETIVAMENTE SOBRE A QUESTÃO, A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DEVERIA 
SER MAIS INCISIVA NA DETERMINAÇÃO DE CONDIÇÕES CAPAZES DE EVITAR, AO MÁXIMO, DISTORÇÕES QUE 
AMEACEM A TRANSPARÊNCIA E O AMADURECIMENTO DA DECISÃO TÉCNICA E POLÍTICA. 
ASSIM, NESTA PROPOSTA DE EMENDA À CONSTITUIÇÃO, ESTAMOS INCLUINDO DOIS ELEMENTOS, A NOSSO VER, 
MUITO IMPORTANTES. PRIMEIRO, O PERÍODO EM QUE PODERÃO SER CRIADOS OS MUNICÍPIOS, QUE DEVERÁ SER 
LIMITADO COM RELAÇÃO À ÉPOCA DAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS. ESTE PERÍODO SERÁ DETERMINADO POR LEI 
COMPLEMENTAR FEDERAL. 
SEGUNDO, A APRESENTAÇÃO E PUBLICAÇÃO, NA FORMA DA LEI, DOS ESTUDOS DE VIABILIDADE MUNICIPAL, OS 
QUAIS DEVERÃO DAR O NECESSÁRIO EMBASAMENTO, SOB DIFERENTES PERSPECTIVAS, À DECISÃO DA 
POPULAÇÃO, MANIFESTA EM PLEBISCITO.” 
A EMENDA CONSTITUCIONAL FOI PUBLICADA NO DIA 13 DE SETEMBRO DE 1996. PASSADOS MAIS DE 10 (DEZ) ANOS, 
NÃO FOI EDITADA A LEI COMPLEMENTAR FEDERAL DEFINIDORA DO PERÍODO DENTRO DO QUAL PODERÃO TRAMITAR OS 
PROCEDIMENTOS TENDENTES À CRIAÇÃO, INCORPORAÇÃO, DESMEMBRAMENTO E FUSÃO DE MUNICÍPIOS. 
NÃO SE PODE NEGAR, PORTANTO, A EXISTÊNCIA DE NOTÓRIO LAPSO TEMPORAL A DEMONSTRAR, À PRIMEIRA VISTA, A 
INATIVIDADE DO LEGISLADOR EM RELAÇÃO AO CUMPRIMENTO DE INEQUÍVOCO DEVER CONSTITUCIONAL DE LEGISLAR, 
DECORRENTE DO COMANDO DO ART. 18, § 4O, DA CONSTITUIÇÃO. 
 
18 Também ADI 3682, 2240 (COMENTADA MAIS ADIANTE), 3316 E 3489. 
 
 11

Crie agora seu perfil grátis para visualizar sem restrições.