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UAB – UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL FUESPI – FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE ESTADUAL DO PIAUÍ NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA LICENCIATURA PLENA EM LETRAS INGLÊS DIDÁTICA E PRÁTICA DOCENTE Antonia Alves Pereira Silva FUESPI 2014 S5861d Silva, Antonia Alves Pereira. Didática e prática docente / Antonia Alves Pereira Silva. – Teresina : FUESPI, 2014. 108 p. ISBN Material de apoio pedagógico ao Curso de Licenciatura Plena em Letras Inglês do Núcleo de Educação a Distância da Universidade Estadual do Piauí – NEAD / UESPI, 2014. 1. Aprendizagem. 2. Procedimentos metodológicos - Ensino. 3. Relação Professor - Aluno. I. Título. CDD: 371.3 Ficha catalográfica elaborada por Nayla Kedma de Carvalho Santos (Bibliotecária da Universidade Estadual do Piauí – UESPI) CRB-3 1188 Presidente da República Dilma Vana Rousseff Vice-presidente da República Michel Miguel Elias Temer Lulia Ministro da Educação José Henrique Paím Secretário de Educação a Distância Carlos Eduardo Bielschowsky Diretor de Educação a Distância CAPES/MEC Celso José da Costa Governador do Piauí Wilson Nunes Martins Secretário Estadual de Educação e Cultura do Piauí Àtila de Freitas Lira Reitor da FUESPI – Fundação Universidade Estadual do Piauí Nouga Cardoso Batista Vice-reitora da FUESPI Bárbara Olímpia Ramos de Melo Pró-reitora de Ensino e Graduação – PREG Ailma do Nascimento Silva Coordenadora da UAB-FUESPI Margareth Torres de Alencar Costa Coordenadora Adjunto da UAB-FUESPI Naira Lopes Moura Pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação – PROP Diógenes Buenos Aires de Carvalho Pró-reitor Extensão, Assuntos Estudantis e Comunitários – PREX Luís Gonzaga Medeiros Figueredo Júnior Pró-reitor de Administração e Recursos Humanos – PRAD Geraldo Eduardo da Luz Junior Pró-reitor de Planejamento e Finanças – PROPLAN Benedito Ribeiro da Graça Neto Coordenador do curso de Licenciatura Plena em Letras Inglês – EAD Evaldino Canuto de Souza Edição UAB - FNDE - CAPES UESPI/NEAD Diretora do NEAD Margareth Torres de Alencar Costa Diretora Adjunto Naira Lopes Moura Coordenador do Curso de Licenciatura Plena em Letras – Inglês Evaldino Canuto de Souza Coordenadora de Tutoria Lucirene da Silva Carvalho Coordenadora de Produção de Material Didático Silvana Maria Pantoja dos Santos Autora do Livro Antonia Alves Pereira Silva MATERIAL PARA FINS EDUCACIONAIS DISTRIBUIÇÃO GRATUITA AOS CURSISTAS UAB/ FUESPI Revisão Teresinha de Jesus Ferreira Robson Carlos da Silva Diagramação Pedro Leonardo de Sousa Magalhães Capa Luiz Paulo de Araújo Freitas UAB/UESPI/NEAD Campus Poeta Torquato Neto (Pirajá), NEAD, Rua João Cabral, 2231, bairro Pirajá, Teresina (PI). CEP: 64002-150, Telefones: (86) 3213-5471 / 3213-1182 Web: ead.uespi.br E-mail: eaduespi@hotmail.com SUMÁRIO UNIDADE 1 - CONCEITOS FUNDAMENTAIS: EDUCAÇÃO ESCOLAR ENSINO E DIDÁTICA ............................................................................. 07 1. Conceitos fundamentais: educação escolar ensino e didática .............09 1.1 Compreendendo o Conceito de Educação ........................................09 1.2 Pedagogia e Didática .........................................................................11 1.3 Contexto Histórico da Didática ...........................................................13 1.4 Objeto de Estudo da Didática: o Processo de Ensino ........................17 1.4.1 A Aprendizagem Escolar..................................................................17 1.4.1.1 Características da aprendizagem escolar ....................................18 1.4.1.2 O ensino .......................................................................................20 UNIDADE 2 - O LUGAR DA DIDÁTICA NA PRÁTICA DOCENTE . ......23 2. O lugar da didática na prática docente ................................................25 2.1 Processo escolar: o professor como agente de transformação social ....25 2.2 As dimensões da Didática na prática docente ...................................29 2.2.1 A didática como fundamental..........................................................32 2.3 A concepção de didática nas tendências pedagógicas no Brasil .......33 UNIDADE 3 - COMPONENTES DO PROCESSO DE ENSINO ..............41 3. Componentes do processo de ensino ..................................................43 3.1. Objetivos educacionais: sua importância para a ação pedagógica ..44 3.1.2. Níveis de Objetivos Educacionais ..................................................46 3.2 Seleção e organização dos conteúdos ..............................................48 3.3. Procedimentos Metodológicos e Formas Organizativas do Ensino ..49 3.3.1 Organização curricular ....................................................................50 3.3.2. Procedimentos de ensino – a organização da aula .......................51 3.3.2.1. Alguns procedimentos de ensino ................................................53 3.4 Avaliação da aprendizagem ...............................................................55 3.4.1 Tipos de Avaliação Escolar ..............................................................56 3.5 O Processo de Ensino e a Relação Professor-Aluno ........................58 UNIDADE 4 - O PROCESSO DE PLANEJAMENTO EDUCATIVO ........67 4. O processo de planejamento educativo ...............................................69 4. Pensar o Trabalho Educacional...........................................................69 4.1 Planejamento: uma atividade humana ...............................................69 4. 2 Planejamento educativo: conceito e importância .............................70 4. 2.1 Tipos de Planejamento educativo...................................................72 4. 2.2 O planejamento da aula ................................................................79 4. 2.2.1 Modelo de plano de aula ............................................................82 UNIDADE 5 - DIDÁTICA E CONTEMPORANEIDADE ...........................89 5. Didática e contemporaneidade ............................................................91 5.1 Temas contemporâneos .....................................................................91 5.1.1 Didática e a relação às novas tecnologias ......................................91 5.1.2 Ecletismo na prática docente ..........................................................945.1.3 Distância entre a formação inicial e o cotidiano do trabalho ...........94 5.1.4 Teoria das inteligências múltiplas e a educação .............................95 5.1.5 A avaliação ......................................................................................97 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................101 UNIDADE 1 CONCEITOS FUNDAMENTAIS: EDUCAÇÃO ESCOLAR ENSINO E DIDÁTICA OBJETIVOS • Analisar historicamente o fenômeno educacional, as formas como se apresenta, de maneira formal ou informal. • Compreender os conceitos fundamentais da Didática e sua relação com a Pedagogia. • Analisar o Processo de Ensino, enquanto objeto de estudo da Didática, em seus vários aspectos. • Conhecer a estrutura e os componentes do Processo de Ensino. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 9 1. CONCEITOS FUNDAMENTAIS: EDUCAÇÃO ESCOLAR ENSINO E DIDÁTICA 1.1 COMPREENDENDO O CONCEITO DE EDUCAÇÃO A palavra educação possui uma significação ampla englobando todas as ações inerentes à formação humana geral, assim é que se pode falar, por exemplo, da educação familiar – como referência aos valores, hábitos e práticas de um grupo institucional que são transmitidas aos membros mais jovens do grupo; da educação religiosa – como a formação de valores referentes a práticas de ligação do ser humano ao mundo espiritual, divino e; da educação escolar – que se refere à atividade intencionalmente realizada por determinadas instituições com o propósito de transmitir às novas gerações a cultura e os saberes formais socialmente produzidos. Brandão (1981, p. 7), é bastante esclarecedor ao afirmar que “ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja, na escola [...]. Para saber, para fazer, para ser ou para conviver” [...] Assim, educação não tem uma conotação exclusivamente escolar, mas também possui uma dimensão mais abrangente sendo denominadas educação informal e educação formal. A educação informal, de acordo com Libâneo (2002, p. 31), corresponde a Ações e influências exercidas pelo meio, pelo ambiente sociocultural e que se desenvolve por meio das relações dos indivíduos e grupos com seu ambiente humano, social, ecológico, físico e cultural, das quais resultam conhecimentos experiências e práticas, mas que não estão ligadas especificamente a uma instituição, nem são intencionais e organizadas. A educação formal compreenderia instâncias de formação, escolares ou não, onde há objetivos educativos explícitos e uma ação intencional institucionalizada, estruturada, sistemática. Aqui percebemos a educação não só como uma atividade desenvolvida em instituições educacionais, mais que isso, ela faz parte de Didática e prática docente 10 todas as práticas cotidianas da sociedade que colaboram na formação dos indivíduos. Percebemos também a definição do que chamamos “educação formal”, compreendida também no sentido amplo de qualquer instância de formação, independente de ser em escolas; trata-se de instituições cujos objetivos sejam explicitamente educacionais, desde que aconteça de maneira intencional, estruturada e sistemática. Segundo o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, de 1932, “toda a educação varia sempre em função de uma “concepção da vida”, refletindo, em cada época, a filosofia predominante que é determinada, a seu turno, pela estrutura da sociedade”. Assim é que temos no fenômeno educativo um dos aspectos fundadores da humanidade, pois a vida em sociedade só é possível por e com a educação. Segundo Ghiraldelli Jr. (1987) “a educação é, antes de tudo, uma prática educativa”, essa concepção nos remete à compreensão do fenômeno educativo, de maneira geral, como algo comum e necessário em todas as sociedades humanas. O que difere essa prática humana das demais práticas cotidianas é a sua intencionalidade, quando ensinamos algo temos necessidade de passar informações ou habilidades e isso não pode ser feito de qualquer maneira. Ao sistematizar o conhecimento que será repassado, a sociedade instituiu a escola como lócus próprio para esse fim, fato que acaba sendo um dos principais diferenciais entre o fenômeno educativo geral e o formal; o ensino torna-se algo sistemático e previamente determinado, ou seja, as atividades realizadas são planejadas para tal fim. Também segundo Ghiraldelli Jr. (1987) a educação “é uma prática geradora de uma teoria pedagógica”, ora, se agimos e refletimos sobre nossas ações, a chance de agirmos de maneira mais acertada nas próximas tentativas aumenta significativamente. Quando chegamos ao estágio em que guardamos várias práticas que repetidas vezes tiveram êxito ao tentar repassar conhecimentos ou habilidades, já temos um “pensamento correto” sobre como agir, ou seja, uma teoria. É a teoria sobre como ensinar de maneira correta, eficaz, que poderá ser considerada uma FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 11 teoria pedagógica, ela será a condutora dos processos que desencadeiam a aprendizagem nas jovens gerações. Por isso, Ghiraldelli Jr. (19870, p. 09) afirma que “a educação, ao mesmo tempo que produz pedagogia, é também direcionada e efetivada a partir das diretrizes da pedagogia”. É o acúmulo de conhecimentos realizado pela Pedagogia que garantirá sucesso no processo educativo, com o aumento da complexidade dos conteúdos, e o seu consequente acúmulo, surge a necessidade de um diálogo mais franco entre a prática educativa e sua teoria. Pelo esquema acima, podemos observar que a educação é uma prática humana em constante mudança, impulsionada pelo sucesso dos acontecimentos. A teoria educacional apropria-se das várias experiências de acerto e produz novas práticas. 1.2 PEDAGOGIA E DIDÁTICA Se a teoria sobre como ensinar de maneira correta, eficaz, pode ser considerada uma teoria pedagógica, segundo Libâneo (1994, p. 24) “o campo de conhecimento que investiga a natureza das finalidades da educação numa determinada sociedade, bem como os meios apropriados para a formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para as tarefas da vida social” é a Pedagogia. O elemento que realiza a articulação entre a teoria pedagógica e a prática educacional é conhecido como Didática, que transita entre os polos teórico e prático. (GHIRALDELLI JR. 1987, p. 09). Em sua forma de organização mais antiga e tradicional, a Didática foi organizada centrada no processo de ensino, no qual o docente é o protagonista, assim, as questões referentes ao ensino se tornaram seu objeto de estudo – estratégias de ensino; recursos didáticos; uso de tecnologias da informação Didática e prática docente 12 e comunicação; o método orientado a determinada disciplina ou área de conteúdo; a relação da formação de professores com práticas escolares. Os conhecimentos produzidos sobre a Didática, pelos primeiros teóricos davam ênfase quase total ao ensino, após várias teorias, observações e discussões sobre as práticas pedagógicas, a ênfase maior passou a ser observada na aprendizagem. Assim, passa da centralidade na transmissão de conhecimentos protagonizada pelo professor, para o desenvolvimento de orientações que provocassem o estímulo ao estudante. Inicialmente houve uma valorização muito grande no planejamento, a crença era de que, se os objetivos fossem bem traçados no planejamento, os docentes fariam com que os discentes alcançassem as formas específicas de comportamento deles esperados – as aprendizagens seriam mais bem reguladas e o desenvolvimento de competências aconteceria. Atualmente a compreensão é que não basta somente o planejamento, existem vários outros fatores que interferem na aprendizagem. Concluímos que, as teorias produzidas sobre a Didática ora priorizava o ensino ora a aprendizagem, segundo Damis (2004): [...]a didática é, predominantemente, compreendida e analisada do ponto de vista da concepção do ato de ensinar que evidencia a atuação do professor ou como transmissor direto de conhecimentos específicos que se constituem em objetos de ensino, ou como agente que estimula democraticamente a aprendizagem do aluno, ou no planejamento de atividades visando alcançar os objetivos pretendidos. (p. 13-14). Esse movimento na direção do conteúdo marca todas as tendências e correntes pedagógicas que influenciaram e influenciam a Didática até hoje, entretanto, nada há que impeça o docente de atuar como transmissor direto de conhecimentos e, ao mesmo tempo, estimular de maneira democrática a aprendizagem dos discentes. O questionamento que sobressai a essa ênfase no trabalho docente é o outro lado do processo, ou seja, o papel ativo que o discente realiza no momento da aprendizagem, geralmente este é um aspecto ignorado quando a ênfase é sobre a atuação do docente. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 13 1.3 CONTEXTO HISTÓRICO DA DIDÁTICA Para iniciarmos o estudo de qualquer tema, antes de tudo existe a necessidade de conhecer sua origem, de onde vieram os ensinamentos relativos ao tema, como se instituiu e firmou-se entre as demais problemáticas relativas ao fenômeno, ou fenômenos ao qual está ligada, tentando vislumbrar, a partir do momento em que nos encontramos, para onde se encaminha. O vocábulo didática vem da expressão grega “techné didaktiké”, que significa “arte ou técnica de ensinar” (DIDÁTICA, 2013).Como a educação é um fenômeno típico das sociedades humanas, essa é uma das preocupações que acompanha as pessoas desde tempos muito antigos, manifesto nas preocupações de como e o quê ensinar às jovens gerações. Muitas foram as obras que trataram do tema, dentre as quais uma das que obteve maior influência foi a obra Didática Magna, do pastor morávio Jan Amós Comenius (1592-1670), um dos principais exemplos de criação humana nessa área do conhecimento. Comênio, como ficou conhecido entre os portugueses, é considerado como o “Pai da didática moderna”, não somente por abordar profundamente o tema, descrevendo nos mínimos detalhes como deveria ser o procedimento dos mestres, mas também por combater as ideias do Sistema Medieval. Defendeu, entre outras inovações para seu tempo, o ensino de tudo para todos, ou seja, uma escola laica, que estudasse todos os conteúdos, sem interferência dos teólogos, e principalmente, que respeitasse a inteligência e os sentimentos dos alunos. Desde o início, Comênio, na Didáctica Magna (1651), propôs um método que fosse universal, que garantisse o ensino SAIBA MAIS Jan Amos Komenský, Comenius, nasceu na Moravia, região da Boêmia, atual República Tcheca. É considerado o pai da didática moderna. Partia do princípio que era possível ensinar tudo a todos, desde que se usasse o modo ad- equado. Didática e prática docente 14 A proa e a popa da Didática será investigar e descobrir o método segundo o qual os professores ensinem menos e os estudantes aprendam mais; nas escolas haja menos barulho, menos enfado, menos trabalho útil, e, ao contrário, haja mais recolhimento, mais atrativo e mais sólido progresso; (COMÊNIO, 2001, p. 43-44). Era uma proposta revolucionária para a educação de seu tempo, sempre enfatizando a necessidade de ter um método, Comênio propõe um ensino com a máxima delicadeza, doçura e como que espontaneamente, bem diferente dos defensores da teoria de que “quem poupa a vara odeia a criança (GHIRALDELLI JR, 1987, p. 10), concepção predominante no final da Idade média e início da Modernidade. A partir dos ensinamentos de Comênio a concepção sobre o ato de ensinar foi ampliada, depois polarizou-se entre a ênfase no ensino ou na organização de atividades visando a aprendizagem dos estudantes. Além de Comênio outros educadores trataram do tema da arte de ensinar, dentre os quais Johann Friedrich Herbart (1766-1841), que afirmava ser a capacidade de assimilação do ser humano sua característica fundamental, ninguém nasce bom nem mau, tem seu desenvolvimento marcado por influências externas. Muitas de suas ideias perduram até hoje, como a maioria dos primeiros teóricos que discutiam sobre educação estavam preocupados com a formulação de uma teoria geral do ensino, denominada como “didática geral”, que poderia ser aplicada a todas as matérias. Outros educadores, como Dewey (1859-1952) enfatizam a necessidade de o professor permitir o contato direto e contínuo da criança com as coisas e é pela transformação da qualidade da experiência do estudante, criando condições e meios para estimular a aprendizagem, que a escola atinge sua finalidade. Demonstra a necessidade o ensino estar sempre relacionado à ação, à vida prática, à experiência, à existência humana, à vida prática. No Brasil, somente a partir da década de 1970, o Poder Público efetivamente manifesta preocupação com o tema da formação dos docentes, e da necessidade de investimento na área da pesquisa didática. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 15 Nas décadas seguintes, aumenta a importância dada aos conhecimentos referentes à formação docente, e o tema entra definitivamente na agenda política nos âmbitos federal, estaduais e municipais. No início dos anos 1980, com a diminuição da repressão governo militar e início da abertura política, surge a didática crítica, que vincula o ensino à realidade social, explicitando que os conteúdos escolares podem manifestar-se como uma cultura crítica. Outras várias correntes teóricas também surgem, entretanto, nem todas buscavam uma articulação pedagógica entre os aspectos instrucionais e sociais. Enquanto área do conhecimento propriamente dita, a Didática ganha espaço nas discussões dos educadores brasileiros e, por iniciativa de um grupo de professores reunidos na PUC do Rio de Janeiro, acontecem vários debates e encontros. Em 1989, esses encontros e debates foram ampliados, passando a ser denominado “Encontro Nacional de Didática e Prática de Ensino” (ENDIPE), espaço de discussão dos conhecimentos referentes à prática docente e dos processos de formação dos trabalhadores em educação. Essa discussão intensificou-se na década de 1990, com um número bem maior de profissionais e diferentes tipos de ações políticas que ampliaram e modificaram a área educacional. Consequentemente, aconteceu uma profusão de leis (LDB, 1996), decretos, portarias regulamentadoras do ensino, da profissão docente e da vida escolar do Ensino Básico e Superior. Essas mudanças influenciaram de maneira decisiva a formação inicial e continuada de docentes e na organização da educação formal. Muitas leis educacionais foram criadas e aumentou o número de incentivos e investimentos, resultado das reivindicações sociais da população e dos professores. Desde a década de 1990, pesquisadores têm valorizado experiências de mudanças no modo de compreender a relação entre teoria e prática em Didática, propondo a construção de propostas pedagógicas críticas, no próprio contexto do cotidiano escolar. Essa concepção, que não concebe a Didática como uma disciplina somente de caráter prescritivo e instrumental, está ligada à teoria curricular crítica, Didática e prática docente 16 indicando como responsável pela direção da prática docente os teóricos da educação e os docentes. Atualmente pode-se afirmar que existe uma tentativa de encontrar certa unidade entre a didática, de maneira geral, e as didáticas específicas, “em que cada metodologia específica desenvolve seu perfil, mas, em razão de muitas questões comuns, conhecimentos gerais, tarefas, etc., está relacionada com as demais metodologias e à didática geral” (KLINGBERG, 1978. p. 33). A instrução e a aprendizagem, como manifestaçõessociais universais, se convertem em ensino, uma atividade a partir da qual, em um conjunto de condições especificamente didáticas (por exemplo, um sistema de graus) e com uma instrumentação especificamente didática, se produzem e são dirigidos de forma planificada e sistemática, processos instrutivos e educativos. (KLINGBERG, 1978, p.48) No campo da Didática, discute-se muito sobre o rumo que tomará o desenvolvimento de novas abordagens sobre o ensino, tal ato também é abordado do ponto de vista do desenvolvimento de competências. Estudiosos como Perrenoud (1999) compreendem que, o enfrentamento das múltiplas e diferentes ações exigidas pela sociedade atual requer que o homem coloque em ação recursos cognitivos variados. Certamente um desses recursos é o conhecimento sistematizado adquirido na escola, através da educação formal, entretanto, o enfoque dado para as ações não será mais sobre o intelecto, sobre os conhecimentos, propriamente ditos, mas sobre as competências, ou seja: “uma capacidade de agir eficazmente em um determinado tipo de situação, apoiada em conhecimentos, mas sem limitar-se a eles” (p. 8). Assim para desenvolver essa capacidade de agir eficazmente, os profissionais da educação necessitam criar uma nova relação com o saber, criando e organizando situações favoráveis de aprendizagem que utilizem métodos ativos de ensino para o estudante confrontar e superar dificuldades específicas. Mobilizar conhecimentos, alcançar metas e tomar decisões, são as novas metas de planejamento dos docentes, não somente isso, mas também regular a aprendizagem, de forma a garantir, utilizando- FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 17 se de metodologias que crie situações problemas, que discentes adquiram competências. Estimular a participação ativa dos discentes em situações de aprendizagem que enfatizam a construção de conhecimentos; utilizar novas tecnologias de comunicação e de informação; planejar e desenvolver projetos adequados aos interesses e à participação. Passam a ser a tônica da escola, a prática da aula é direcionada para atividades que serão desenvolvidas pelos discentes, traduzidos nos aspectos organizacionais e técnicos da Didática. 1.4 OBJETO DE ESTUDO DA DIDÁTICA: O PROCESSO DE ENSINO O processo de ensino condensa todos os aspectos próprios da didática, nele podemos encontrar objetivos, métodos e formas de organi- zação do ensino (LIBÂNEO, 1994), e é no seu desenrolar que percebemos a assimilação dos conhecimentos, habilidades, hábitos e o desenvolvimen- to das capacidades cognoscitivas dos alunos. É também no processo de ensino que se pode observar a relação entre professor, aluno e conteúdo, pois a outra ponta do processo é a apren- dizagem, o professor coordena o processo de ensino com vistas à apren- dizagem. O ensino é uma prática de caráter interventivo, ou seja, prática marcada por uma intenção de mudar situações, individuais ou sociais, de forma planejada, considerando o que pode ser eficaz e construtivo para a realização de dessa tarefa em determinado momento histórico e num dado contexto social. 1.4.1 A APRENDIZAGEM ESCOLAR Em que consiste o processo de aprendizagem? Essa é uma pergunta fundamental para quem ensina. Descobrir como as pessoas aprendem, que condições internas ou externas influ- enciam na aprendizagem torna-se fundamental no processo de ensino. Qualquer atividade humana pode conduzir a algum tipo de aprendizagem, porém, na Didática falamos de aprendizagem planejada “que tem por fina- Didática e prática docente 18 lidade específica aprender determinados conhecimentos, habilidades, nor- mas de convivência social” (LIBÂNEO, 1994, p. 82). A maioria dos teóricos concordam que o resultado da aprendiza- gem é manifestada na mudança das atividades, externas e internas dos sujeitos, ns suas relações entre si e com a natureza. Para Libâneo, isso significa: aprender conhecimentos sistematizados (fatos, conceitos, princípios, métodos de conhecimento etc.); habilidades e hábitos intelectuais e sensório-motores (observar um fato e extrair conclusões, destacar propriedades e relações das coisas, dominar procedimentos para resolver exercícios, escrever e ler, uso adequado dos sentidos, manipulação de objetos e instrumentos etc.); atitudes e valores (por exemplo, perseverança e responsabilidade no estudo, modo científico de resolver problemas humanos, senso crítico frente os objetos de estudo e à realidade, espírito de camaradagem e solidariedade, convicções, valores humanos e sociais, interesse pelo conhecimento, modo de convivência social etc.). (2011, p. 83) grifo do autor Embora muitas das aprendizagens acima mencionadas sejam próprias do convívio social e do cotidiano, elas são potencializadas pela in- tencionalidade da prática do ensino escolar que, didaticamente organizada, é mais eficaz. 1.4.1.1 CARACTERÍSTICAS DA APRENDIZAGEM ESCOLAR Se o resultado da aprendizagem é manifesto na mudança das ati- tudes, externas e internas, dos sujeitos, nas suas relações entre si e com a natureza, de maneira semelhante acontecerá com a aprendizagem esco- lar. Porém, ela possui características especiais, que a fazem distinta das demais aprendizagens realizadas pelos seres humanos. As principais dif- erenças estão no seu caráter intencional, por isso mesmo é planejada, e o professor a dirige nesse sentido, portanto, não se trata de uma aprendiza- gem casual ou espontânea; FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 19 Além de ser uma atividade planejada e dirigida, a aprendizagem deve fazer sentido para o discente, assim, ela deve suscitar sua atividade mental, necessitando que ultrapasse a característica somente de praticidade. Outra característica é a influência de fatores afetivos e sociais, o discente deve estar motivado, e a relação professor-aluno é determinante na aprendizagem, o conteúdo não pode ser apresentado ao discente de qualquer maneira. Deve haver uma organização lógica das matérias a serem ensina- das, as mesmas devem possuir uma sequência progressiva dos conceitos, ideias, habilidades em nível crescente de complexidade, do mais simples ao mais complicado – semelhante ao que nos ensina Comênio em sua Didática Magna. O professor também deve tentar promover uma organização psi- cológica das matérias de ensino, assim, deve buscar atividades e conteú- dos adequados ao nível de desenvolvimento físico e mental do discente. Segundo Piaget (1982), as crianças só estão preparadas para aprender conceitos teóricos (pensamento formal), por volta dos 11 anos de idade, assim, exigir que antes disso, tais conhecimentos sejam adquiridos pode tornar-se um desafio insuperável para a criança o que pode levar à de- sistência em relação à aprendizagem. Fatos como esse podem desenvolv- er nos discentes uma ideia errada de si mesmos, julgando-se incapazes de realizar as atividades que o docente propõe. Da mesma forma a linguagem pode interferir negativamente na aprendizagem, por isso, o conteúdo deve ser apresentado de forma que os alunos a possam compreender e ter um significado para a sociedade em que o mesmo está inserido. Ou seja, deve motivar os discentes, evi- denciando que seus objetivos pessoais estão diretamente vinculados ao sucesso escolar, provocar sua curiosidade e promover estudos que satis- façam as expectativas que o discente traz da sociedade. Este que é outro aspecto fundamental da aprendizagem escolar, ela não foi constituída para satisfação própria da escola ou dos profes- sores, mas antes, a aprendizagem é movida por estímulos fortíssimos de fora do ambiente escolar, as exigências familiares, do mundo do trabalho e Didática e prática docente 20 das expectativas de benefícios proveniente dos estudos. A característica mais peculiar da aprendizagem escolar é a neces-sidade de ser um processo, é o que denominamos ensino, daí a necessi- dade de uma unidade no binômio ensino-aprendizagem, a transmissão de conhecimentos na escola só é importante à medida que os alunos façam a assimilação desses conhecimentos. 1.4.1.2 O ENSINO Segundo Libâneo (2011), para garantir a assimilação dos conhe- cimentos o professor deve “antecipar os objetivos de ensino, explicar a matéria puxar dos alunos conhecimentos que já dominam, estimulá-los no desejo de conhecer a matéria nova” (2011, p. 89). Ensinar é um ato intencional, dirigido, por isso tem objetivos a ser- em alcançados, esse é um dos nortes dos docentes, entretanto, o discente já chega à escola com vários conhecimentos e muitas informações de- sconexas. Tentar sistematizar o que os alunos já sabem, transformar suas informações em conhecimentos e conduzi-los a novas aprendizagens que visem principalmente o preparo para a vida em sociedade e para o trabalho. O ensino tem várias funções das quais se destacam três: “a) orga- nizar os conteúdos para sua transmissão; b) ajudar os alunos a conhecer suas possibilidades de aprender; e c) dirigir e controlar a atividade docente para os objetivos da aprendizagem” (LIBÂNEO, 2011, p. 90). Pode-se dizer que essas funções demonstram a unidade entre o ensino e a aprendizagem, pois o docente organiza os conteúdos de forma que sejam mais bem compreendidos, ensina métodos que demonstram as possibilidades de aprender dos discentes e, dirige sua atividade para os ob- jetivos da aprendizagem, aumentando as chances de acerto no processo. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 21 ATIVIDADES 01) Para Brandão, “ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja, na escola (...). Para saber, para fazer, para ser ou para conviver”, como você entende essa afirmação? 02) Para Ghiraldelli Jr. a educação é “prática educativa” e “uma prática geradora de uma teoria pedagógica”, como você entende o termo “prática”? 03) Faça uma relação entre as frases de Ghiraldelli Jr. sobre a educação, que afirmar ser “uma prática educativa” e “uma prática geradora de uma teoria pedagógica”, com o esquema abaixo. 04) A valorização excessiva no planejamento que ocorreu no inicio da formulação dos princípios didáticos ignorava qual aspecto do processo educativo? 05) O fato de as teorias educacionais priorizarem ora ensino ora a aprendizagem, mas evidenciando sempre a atuação docente, revela a ausência de outro elemento do processo de ensino, qual? 06) Qual o significado etimológico do vocábulo Didática? 07) Por que Jan Amós Comenius é considerado como o “pai da didática moderna”? 08) Cite outros educadores que, à semelhança de Comênio, trataram do tema da arte de ensinar. 09) Quais argumentos justificam, conforme preconizado por estudiosos como Perrenoud, o uso de abordagens do ensino como o desenvolvimento de competências? 10) Para a maioria dos teóricos da educação como é manifesto o resulta- do da aprendizagem? Didática e prática docente 22 LEITURA COMPLEMENTAR Para aprofundamento nos temas aqui abordados recomendamos: Capítulos I, II e III do Livro Didática de José Carlos Libâneo, 1994. Ed. Cortez. RESUMO DA UNIDADE Na Unidade I, vimos uma breve introdução histórica do tema educação, resgatando seu aspecto humano, sua característica principal que é o desdobramento em Educação Formal e Educação Informal. Introduzimos também os conceitos fundamentais referentes à Educação Formal, bem como os teóricos e as teorias que permeiam a área. Fizemos uma breve distinção entre Pedagogia e Didática, demonstrando que essa é uma parte essencial daquela, demonstrar a evolução histórica dos estudos didáticos e apresentar seu objeto de estudo: o Processo de Ensino. Apresentamos de maneira mais aprofundada a estrutura e os componentes do Processo de Ensino, sua relação com a aprendizagem escola, a estrutura e componentes do processo docente. Também descrevemos o caráter educativo do Processo de Ensino. UNIDADE 2 O LUGAR DA DIDÁTICA NA PRÁTICA DOCENTE OBJETIVOS • Compreender o papel social do professor no contexto educacional brasileiro e em defesa do ensino público. • Conhecer as dimensões da Didática e as implicações das opções didáticas assumidas na prática docente. • Caracterizar a Didática na sua relação com as tendências pedagógicas presentes no Brasil. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 25 2 O LUGAR DA DIDÁTICA NA PRÁTICA DOCENTE 2.1 PROCESSO ESCOLAR: O PROFESSOR COMO AGENTE DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL Conforme vimos na Unidade I, o processo de educação escolar, ou ensino, se diferencia da educação informal, dentre outras características, pela sistematicidade e intencionalidade nela contidos. Para que o ensino possa acontecer conforme os objetivos sociais estabelecidos pelas escolas, nos programas educacionais, nos currículos e de forma mais ampla na política educacional, é que são definidos profissionais com competência e autoridade para responderem pela viabilização do ensino: os professores. Como todo profissional, o professor passa por um processo de formação no qual se apropria de saberes necessários à sua atuação, no caso a prática docente, e assim como os demais profissionais, as posturas assumidas no exercício da profissão são sempre objeto de observação e reflexão. Porém, em relação aos professores há uma exigência maior vez que a função que lhe é socialmente atribuída confunde-se mesmo com a dinâmica da existência da sociedade, pois segundo Libâneo (1994, p. 47), sua responsabilidade é preparar os alunos para se tornarem cidadãos ativos e participantes na família, no trabalho,nas associações de classe, na vida cultural e política. É uma atividade fundamentalmente social, porque contribui para a formação cultural e científica do povo, tarefa indispensável para as conquistas democráticas. Nessa perspectiva o trabalho do professor reveste-se de grande importância social e requer uma base formativa que permita a construção dos saberes necessários a sua atuação. Essa formação deve envolver conhecimentos acerca do funcionamento da sociedade em sua complexidade política econômica e cultural, geradora das demandas que serão direcionas à escola e transformadas em conteúdos de ensino, bem Didática e prática docente 26 como conhecimentos acerca do modo como transformar os conteúdos de ensino da ótica do professor para a ótica do aluno, o que favorecerá ou não o aprendizado. É nesta especificidade que situamos a Didática, à medida que apresenta ao professor a necessidade de refletir sobre cada componente do processo ensino-aprendizagem (objetivos, conteúdos, metodologia e avaliação), na sua interrelação com o contexto social, político econômico. O que expressamos acima pode ser materializado, por exemplo, na concepção de ensino que cada professor assume e nas estratégias adotadas em sala de aula. Essa afirmação nos diz que, ao escolher agir de um determinado modo e não de outro em sala de aula, o professor o faz pautado em referências derivadas de uma concepção de homem e sociedade; que por sua vez definem o modo como ele trata o conteúdo de ensino, estabelece objetivos ensino-aprendizagem e se relaciona com os alunos, ou seja, sua concepção e prática de ensino. Neste sentido, as instituições formadoras, universidades e faculdades, devem primar por uma formação na qual os docentes assumam um compromisso social e ético com a transformação das condições de desigualdade social. Por este aspecto é que dizemos que o trabalho do professor possui uma dimensão política significativa, pois as suas escolhas de ensino definem uma postura frente ao grupo de alunos, mas também da sociedade como um todo. Assim, ele precisa ter consciência das escolhas que faz. A título de exemplo, quantoopta por criar em sala de aula um clima de submissão dos alunos ou de não reconhecimento do significado social dos conteúdos abordados, está fazendo uma opção didática para construir um determinado tipo de sociedade. Historicamente, a formação e professor tem sido objeto de reflexão e, por vezes, de crítica em virtude do enfoque adotado na formação que contribuem em maior ou menor intensidade para que o professor possa exercer sua função conforme definido acima. De acordo com Candau (2011) a pesquisa histórica revela quatro dimensões na formação de professores: a dimensão da norma, dimensão técnica, dimensão humana e a dimensão sócio-política. Essas dimensões foram predominantes, cada uma delas, em determinados períodos e, em geral de forma excludentes, até a chegada de FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 27 um discurso teórico de superação. Segundo Candau (2011), a dimensão da norma enfatiza a regra e a legislação, gerando uma postura descritiva na formação docente sem relações com o contexto social. Sob esta ótica o professor não possui elementos para compreensão crítica da realidade que atua e acerca do fenômeno educacional. Outra perspectiva formativa enfatiza a dimensão técnica onde o foco de formação está colocado na discussão na “organização e operacionalização dos componentes do processo ensino-aprendizagem: objetivos, seleção de conteúdos, estratégias de ensino, avaliação etc.”. (CANDAU, 2011, p 51-52). A autora destaca nesta dimensão da formação a ênfase nos elementos entre si, sem uma devida relação destes com a dinâmica do cotidiano social; como se os objetivos de ensino ou as estratégias adotadas não carregassem em si um valor social. O mais importante, nesta ótica, é o professor saber preparar adequadamente o plano de ensino com seus componentes, seguindo as regras. Tal compreensão gerou o a tendência tecnicista na educação, predominante na década de 1970; com a ideia equivocada de que um plano de ensino bem elaborado seria garantia de eficácia da prática docente. Em contraposição à dimensão técnica surge, ainda na década de 1970, a dimensão humana na formação docente; esta resultado dos estudos na área da psicologia, especificamente a Psicologia humanista. Para esta abordagem, o foco da formação docente está também nos componentes do processo ensino-aprendizagem, porém, ao contrário da dimensão técnica, privilegia as relações entre os seres humanos na relação educacional, ou seja, a relação professor-aluno. Aqui os sujeitos do processo ganham um interesse e preocupação maiores. Seguindo a compreensão da psicologia humanista, que é adaptada do consultório psicológico para o ensino, o processo educacional é um processo de crescimento e desenvolvimento pessoal. Assim, caberia ao professor, adquirir as atitudes necessárias à “mobilização da dinâmica de “tornar-se pessoa”, para liberar a capacidade humana de autoaprendizagem de forma que seja possível o desenvolvimento pessoal “pleno”, tanto educacional Didática e prática docente 28 quanto emocional”. (grifo da autora) (CANDAU, 2011, p. 53). A crítica feita às dimensões técnica e humana está no fato de que ambas enfatizam os aspecto dos elementos internos ao processo ensino- aprendizagem sem consideração das relações com co o contexto onde ocorre o processo educacional. Desse modo e surge e ganha fôlego na década de 1980, a dimensão sociopolítica, que considera a educação escolar uma prática social contextualizada e procura analisar os componentes desse processo com o mundo social, político e econômico. Trata-se, portanto, de uma perspectiva crítica na formação docente embasada nos estudos filosóficos e das ciências sociais. Na reflexão acerca das dimensões da formação docente, Candau (2011) aborda a necessária compreensão da perspectiva multidimensional da formação do educador, na qual estaria presentes a contribuição das três últimas dimensões. Segundo a autora a educação é um processo multidimensional. De fato ela apresenta uma dimensão humana, uma dimensão técnica e uma dimensão político-social. Estas dimensões não podem ser visualizadas como partes que se justapõem, ou que são acrescentadas uma às outras sem guardarem entre si uma articulação dinâmica e coerente.(CANDAU, 2011, p. 55). Nesta perspectiva, a formação do professor é compreendida como, necessariamente, multidimensional onde estariam presentes elementos da técnica, do humano e do político-social. Estas dimensões articuladas fornecem suporte formativo para o professor exercer adequadamente seu papel e a escola cumprir sua função social de promoção de uma educação para transformação social e não a reprodução das situações de dominação ou de manutenção do status quo. A reflexão acerca da questão da formação docente reflete nas concepções de didática construídas historicamente e que, consciente ou inconscientemente, norteia a prática dos professores e que passamos a discutir a seguir. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 29 2.2 AS DIMENSÕES DA DIDÁTICA NA PRÁTICA DOCENTE Enquanto área de conhecimento voltada para compreensão, reflexão do ensino, a Didática apresenta três dimensões básicas que estão relacionadas à teoria de formação de professores: a técnica, a humana e a sociopolítica. Ao professor é fundamental conhecer estas dimensões, pois sua prática estará sempre pautada em uma delas. Falar em dimensões da didática, portanto, justifica-se pela natureza da educação escolar na sociedade, ou seja, a função da escola. Desse modo, discutir dimensões da didática é relevante aos professores, mas também à escola como um todo. Discutir as dimensões da didática chamando a atenção para suas importância é procurar direcionar o olhar do futuro professor para o espaço micro da sala de aula. No entanto, a compreensão dessas dimensões só poderá ocorrer se inseridas no espaço social macro. O aluno, futuro professor, precisa compreender que, as ações de ensino que se desenvolvem na sala de aula estão relacionadas com o que acontece na sociedade, fora da escola, nas esferas política, econômica e cultural e, dos embates travados entre os agentes sociais. Por isso mesmo, o ensino assume determinadas características conforme o momento histórico que, em termos teóricos, se traduzem nas concepções de formação de professores, como mencionado anteriormente, e de didática orientando a prática de ensino. Se o fenômeno educativo é multifacetado ou multidimensional, do mesmo modo é o processo ensino-aprendizagem. Portanto, a didática ao refletir sobre o ensino, considera-o multidimensional e composto das seguintes dimensões: humana, técnica e político social. Estas dimensões foram sendo delineadas ao longo da história da educação e de seus determinantes sociais. A dimensão humana procura enfatizar que o ensino-aprendizagem é, em primeiro lugar, resultado de relações entre seres humanos, portanto o centro desse processo são as relações interpessoais; nesta dimensão a valorização do afetivo ganha destaque. A prerrogativa didática, aqui, é partir dos interesses da criança, valorizar a individualidade e liberdade dos alunos; é uma didática de inspiração psicológica, onde é afirmado Didática e prática docente 30 a necessidade de “aprender fazendo” e de “aprender a aprender”; [ ] estudam-se métodos e técnicas como: “centros de interesse”, estudo dirigido, unidades didáticas, método de projetos, a técnica de fichas didáticas, o contrato de ensino etc.; promovem- se visitas às “escolas experimentais”, seja no âmbito estatal ou privado.(CANDAU, 1987, p. 16).(grifo da autora). Se por um lado consideração da didática nesta dimensão procurava romper com o tradicionalismo no ensino, por outro, foi objeto de críticas por deixá-lo demasiadamente “solto” e refém de diversasindividualidades, afetando o caráter de intencionalidade do ensino. Outra crítica feita por Soares apud Candau (1987) é quanto ao caráter ideológico dessa perspectiva, o de uma ideologia liberal-pragmática vinculada ao mito da neutralidade dos métodos e técnicas de ensino totalmente desvinculada dos elementos sociais que interferem no ensino. Outra dimensão da didática, a técnica, foca aspectos bem divergentes da dimensão humana. Tem como proposta planejar o processo ensino-aprendizagem usando estratégias científicas que garantam a sua produtividade, eficiência e eficácia. A teoria na qual baseia seus princípios é a da psicologia behaviorista e teoria sistêmica e concentram o processo de ensino- aprendizagem na tecnologia educacional, atribuem à organização das condições de ensino, no planejamento do ambiente, nos meios (técnicas) selecionados, papel fundamental para o êxito o ensino. A didática nesta ótica deve voltar-se para a formulação de objetivos instrucionais, as diferentes taxionomias, a construção dos instrumentos de avaliação, as diferentes técnicas e recursos didáticos[...] habilidades de ensino são treinadas e são analisadas metodologias tais como: ensino SAIBA MAIS Behaviorismo é uma corrente psi- cológica que exerceu influência sobre a educação na década de 1970. Um dos teóricos dessa cor- rente mais conhecido é F. Skinner (1904-1990). Ele propôs formas de controle do comportamento humano para os fins desejados e, na edu- cação, o aprendizado. Criou a In- strução Programada, onde o aluno dá resposta às questões propostas e recebe estímulos (reforço positivo ou negativo) conforme sua respos- ta. Skinner criou as máquinas de en- sinar. Influenciou a Didática na dis- cussão sobre objetivos de ensino. Aqui o professor deve comportar-se mais como técnico e selecionar bem as estratégias didáticas. Nes- sa perspectiva os meios didáticos são mais importantes que o próprio processo de aprendizagem; ganha espaço nas salas de aula a tecno- logia educacional, como: máquinas de ensinar, tele ensino, TV, slides, vídeo etc., daí o nome tecnicismo. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 31 programado, plano Keller, a aprendizagem para domínio de módulos de ensino etc. (CANDAU, 1987, p. 18) De modo semelhante à dimensão humana, na dimensão técnica o processo de ensino é desvinculado de seus determinantes sociais e analisado na dimensão micro da sala de aula. A consideração do êxito do ensino pautada apenas na escolha de técnicas de ensino revela-se acrítica e não favorece a construção de sujeitos aptos à transformação social, mas à conformação às condições de dominação imposta pelos dominantes. A exacerbação da tecnologia educacional gerou o tecnicismo na educação. A dimensão político-social, parte do princípio de que o processo ensino-aprendizagem acontece em um determinado contexto social e político e desse modo, sofre as interferências dos valores, concepções e práticas desse contexto. Esta dimensão concentra-se na crítica às duas anteriores (humana e técnica), por entender que as mesmas não fornecem subsídios para análise de uma prática pedagógica real, com sujeitos reais, em um contexto das escolas brasileiras, por isto mesmo suas propostas de ensino aprendizagem não levam ao êxito do ensino. De acordo com Candau (1987), a consideração isolada, ou unilateral, das dimensões é um equívoco para o processo ensino-aprendizagem, pois nenhuma das três dimensões, por si só, dão conta de explicar e orientar a organização da prática docente. No entanto, essas dimensões estiveram presentes na prática formativa dos professore que, ora enfatizou a dimensão humana, ora a técnica, ora o político-social. Pensar o ensino de didática desse modo gerou a compreensão da disciplina didática como meramente instrumental, na qual seus ensinamentos teriam uma função técnica, de instrumentalizar a prática do professor, porém desprovida de uma crítica à própria ação docente. De fato, a consideração isolada das dimensões da didática privilegiando em determinados momento o humanismo, desprovido da análise da configuração desse humano o contexto social ou um tecnicismo em que o humano é colocado em segundo plano, ou um político-social sem a necessária competência técnica, não colaborou para o desenvolvimento da didática enquanto área de conhecimento nem tampouco com a formação Didática e prática docente 32 dos professores. Mais ainda serviu como justificativa para minorar a sua importância na formação docente, em um movimento que ficou conhecido como o de negação da didática; ou ainda como diz Candau (1987, p. 20) postula-se “uma antididática”. Como busca de superação desse problema, a autora fala da necessidade de se buscar uma didática que seja fundamental. 2.2.1 A DIDÁTICA COMO FUNDAMENTAL A partir da discussão feita no tópico anterior reforçamos que a didática tem papel relevante na formação dos professores e que o seu caráter é multidimensional, o que implica dizer que as dimensões humana, técnica e político-social não podem ser tomadas separadamente no processo de formação dos professores. Se por um lado a técnica isolada e exagerada gerou o tecnicismo, não podemos negar que todo docente precisa adquirir habilidades e competências em organizar adequadamente o processo de ensino, inclusive com a utilização de técnicas. Do mesmo modo, o humano é inerente ao processo ensino-aprendizagem que se faz em um contexto político-social. Assim, o correto é compreender a didática articulando o técnico, o humano e o político-social. Isso requer do professor, no exercício docente, ao planejar as aulas levar em consideração que as técnicas, ou meios, objetivos e conteúdos, por ele selecionados tem um significado social, não são, portanto, neutros. A exemplo, um professor de Inglês que ministra aulas numa escola pública e numa particular e para esta última seleciona técnicas pautadas na interação em grupo, mas para a primeira não o faz por julgar que os alunos não conseguem interagir, limitando-se à exposição de conteúdos, está nitidamente fazendo uma opção política. Esse é o significado de dizer que as escolhas feitas pelo professor não neutras. Neste sentido concordamos, mais uma vez, com Candau ( 1987, p. 21) ao afirmar que a reflexão didática parte do compromisso com a transformação social, com a busca de práticas pedagógicas FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 33 que tornem o ensino de fato eficiente( não se deve ter medo da palavra). Ensaia. Analisa. Experimenta. Rompe com um a prática profissional individualista. Promove o trabalho comum de professores e especialistas. Busca as formas de aumentar a permanência das crianças na escola. Discute a questão do currículo em sua interação com uma população concreta e suas exigências, etc. Este é, ao meu ver, o desafio do momento: a superação de uma Didática exclusivamente instrumental e a construção de uma Didática fundamental. É preciso destacar que embora, a autora tenha apresentado essa proposição de busca da didática fundamental há mais de 20 anos atrás ainda é bastante comum nos curso de formação de professores, os professores de didática ainda priorizarem uma das suas dimensões no ensino, o que colabora para formação de professores sem a devida compreensão do que seja a disciplina de didática e sua importância na prática futura. Esse fato é evidente nas licenciaturas de modo geral, fugindo um pouco à regra apenas nos cursos de Pedagogia. 2.3 A CONCEPÇÃO DE DIDÁTICA NAS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS NO BRASIL Nosso propósito neste tópico é mostrar as diversas compreensões teórico- práticas da Didática no Brasil. Para tal partiremos das tendências pedagógicas que se manifestaram no país utilizando a classificação adotada porLibâneo (1994), a Pedagogia Tradicional, a Pedagogia Renovada, o Tecnicismo Educacional – denominadas como liberais – Pedagogia Libertadora e a Pedagogia Crítico-social dos Conteúdos – aquelas de caráter progressista. A apresentação da concepção de didática a partir das tendências pedagógicas permite uma visualização do modo como o ensino acontecia na prática, conforme a predominância da tendência. SAIBA MAIS As Pedagogias Liberais têm sua origem na filosofia Liberal que defende o princípio de liberdade individual aplicado a todas as di- mensões da vida. Nestas tendên- cias cada escola pode decidir como educar seus alunos. Estes por sua vez são educados para a real- ização pessoal, por mérito próprio. Os problemas contextuais aqui são negligenciados no processo ensi- no-aprendizagem. Já as Pedago- gias Progressistas, partem do opos- to, analisam a educação a partir de seus determinantes sociais. Didática e prática docente 34 A compreensão da concepção de didática em cada uma das tendências pedagógicas, ou pedagogias como denomina Libâneo (1994), só pode ser feita se conhecermos, mesmo que de modo sucinto, essas tendências. Não é nosso propósito aqui fazer uma descrição das tendências pedagógicas, pois este é o conteúdo de outro estudo já realizado em outros momentos. Porém iniciaremos a explicação da didática apresentando as principais características das tendências. A Pedagogia Tradicional tem como pressuposto básico a ideia de que a aprendizagem é um processo mnemônico e que o professor é o sujeito central nesse processo; o aluno não tem participação ativa no desenvolvimento das atividades escolares e o conteúdo é composto pelos saberes clássicos que devem ser repassados de modo inquestionável aos alunos pelo professor, este último, detentor do conhecimento. Nesta ótica, a didática visa explicar o processo de ensino como um conjunto de normas, de regras a serem seguidas pelo professor para garantir a aprendizagem; o professor apresenta a matéria de forma oral ao aluno, este deve escutar atentamente a palavra do professor, memorizar e assim aprende. O entendimento é o de que “ ouvindo e fazendo exercícios repetitivos, os alunos “gravam” a matéria para depois reproduzi-la” [ ] a matéria do ensino é tratada de forma isoladamente, isto é, desvinculada dos interesses dos alunos e dos problemas da sociedade e da vida”.( LIBÂNEO, 1994, P 64). Nesta perspectiva, a Didática concentra-se em regras que auxiliem o professor a ensinar. Porém, não há questionamento quanto aos aspectos macros da educação escolar como, por exemplo, saber o valor social do que vai ser ensinado (qual conteúdo ensinar), por que ensinar (os objetivos), tampouco a quem ensinar (que características possuem os alunos a quem o ensino se destina); trabalha-se, portanto, com um aluno idealizado, para uma sociedade sem contradições. A Didática na pedagogia Tradicional volta-se apenas para definição de regras do modo como o professor deve ensinar, o conteúdo é apresentado aos alunos segundo a lógica do professor e não conforme as condições e necessidades de aprendizagem dos alunos. Isto ocorre porque nesta concepção os elementos do processo ensino-aprendizagem situam-se na FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 35 dimensão micro da sala de aula e do plano de ensino, de forma técnica. Como consequência dessa compreensão de didática, predominou no país, uma prática de ensino onde o professor transmite uma grande quantidade de conteúdo para ser repetido acriticamente pelo aluno até a memorização. Muito embora esta prática ainda exista, temos que reconhecer que a mesma vem, paulatinamente, cedendo espaço para outras posturas em sala de aula. A Pedagogia Renovada surgida no cenário nacional a partir dos anos 1950 refere-se a um conjunto de correntes pedagógicas surgidas nesse período que se opunham à Pedagogia Tradicional sendo a mais conhecida delas a Escola Nova. De modo geral elas se propunham superar os equívocos dos tradicionalistas e divergiam em vários aspectos sendo o mais marcante deles a concepção do aluno no processo ensino aprendizagem. A Pedagogia Renovada tem as seguintes características a valorização da criança, dotada de liberdade, iniciativa e de interesses próprios e, por isso mesmo, sujeito da sua aprendizagem e agente do seu próprio desenvolvimento; tratamento científico do processo educacional, considerando as etapas sucessivas do desenvolvimento biológico e psicológico; respeito às capacidades e aptidões individuais, individualização do ensino conforme os ritmos próprios de aprendizagem; rejeição de modelos adultos em favor da atividade e da liberdade de expressão da criança. (LIBÂNEO, 1994, p. 62). Podemos observar pelas características mencionadas acima que, enquanto ma Pedagogia Tradicional direciona seu olhar para o professor, a Renovada foca seu trabalho no aluno. Por isto mesmo a didática direcionada para a aprendizagem e o aluno o sujeito de seu próprio aprender. Como consequência prática o professor deve colocar o aluno em condições propícias para que, partindo das suas necessidades e estimulando os seus interesses, possa buscar por si mesmo conhecimentos e experiências. A ideia é a de que o aluno aprende melhor o que faz por si próprio. (LIBÂNEO, 1994, p. 65). Didática e prática docente 36 Cabe ao professor estimular a capacidade intelectual, criadora e investigativa do aluno que passa a ser considerado o centro do processo ensino-aprendizagem, ou seja, o centro não é mais o professor nem o conteúdo clássico acumulado e transmitido acriticamente, mas o aluno e o seu processo ativo de aprendizagem; caracterizado por uma atitude de interação, investigação, curiosidade com o objeto do conhecimento. Ao professor, enquanto organizador desse processo compete selecionar as melhores situações de aprendizagem e de acordo com as capacidades de aprendizagem de cada grupo de alunos; além de ser um orientador, incentivador. Dentre as técnicas de trabalho desta didática estão: o trabalho em grupo, atividades de cooperação, experimentos, projetos, método de reflexão (LIBÂNEO, 1994). Verificamos assim o quanto a pedagogia renovada se distingue da perspectiva anterior e representa uma inovação para a educação. Ao trazer o aluno para o centro da aprendizagem pautando a argumentação do processo ensino-aprendizagem em estudos científicos acerca do desenvolvimento humano a didática renovada contribui para o estabelecimento de novos parâmetros práticos em sala de aula. No entanto, a sua efetivação no contexto das escolas brasileiras tornou-se inviável, uma vez que esta didática requeria para ser eficaz, um número de alunos reduzido em classe de forma a permitir que o professor pudesse fazer um acompanhamento individualizado dos alunos; junte-se a isto o fato de que o trabalho com a criação de estratégias de aprendizagem diversificadas requeria variedade de métodos, de recursos didáticos e um currículo flexível, o que nossas escolas não tinham e não têm ainda. Além do quê, os professores formados e habituados à estratégia tradicional não estavam preparados para atuar na nova ótica. De todo modo, essa concepção deixou suas marcas na prática escolar brasileira. A seguir, na década de 1960, temos o surgimento de uma nova corrente pedagógica que, embora, tenha começado a se delinear juntamente com a Pedagogia Renovada na década de 1950, possui referência própria: a corrente tecnicista ou tecnicismo educacional. Esta concepção implementada no país no período da ditadura militar, pois a FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 37 sua abordagem de ensino se adequava ao contexto político econômico predominante. Nesta corrente não existe uma relação de trocas entre sociedade e escola; mas a determinaçãode um sistema político econômico sobre o escolar, definindo os objetivos educacionais mais amplos. Ensino é entendido como instrução e a sua prática resume-se à busca de meios e técnicas que permitam realizar o plano de aula sem buscar as relações entre seus elementos: objetivos, conteúdos e avaliação. Assim a didática tem uma função meramente instrumentalizadora do processo de ensino, a didática entendida como técnica (CANDAU, 2011; LIBÂNEO, 1994). Para que os objetivos instrucionais possam ser atingidos, o planejamento da aula precisa ser eficazmente planejado e seguido e compõe-se de etapas que devem ser rigidamente controladas. São elas: a) especificação de objetivos instrucionais; b) avaliação prévia dos alunos para estabelecer pré-requisitos para alcançar os objetivos; c) organização das experiências de aprendizagem; d) avaliação dos alunos relativa ao que se propôs nos objetivos iniciais. (LIBÂNEO, 1994). Nesta ótica, não é exigido do professor possuir uma cultura vasta ou amplo domínio dos conteúdos de ensino, pois sua função é mais técnica; ele “é um administrador e executor do planejamento, o meio de previsão das ações a serem executadas e dos meios necessários para se atingir os objetivos”. (LIBÂNEO, 1994, p. 68). Até o momento, apresentamos as concepções pedagógicas consideradas acríticas; assim classificadas em virtude de analisarem o fenômeno educacional sem considerar os seus determinantes sociais. A partir dos anos 1980 com o início do processo de redemocratização do país, é sistematizado o pensamento das chamadas Pedagogias Progressistas. Estas se diferenciam das anteriores pelo caráter crítico na abordagem da educação, procurando explicar as relações existentes entre o que acontece na escola e na sala de aula. São também chamadas de teorias críticas da educação. No Brasil ganharam destaque duas abordagens a Pedagogia Libertadora e a Pedagogia Crítico-Social dos conteúdos. Em comum as Pedagogias Progressistas têm a defesa da superação de uma sociedade elitista, a luta por uma sociedade mais justa e igualitária e democratização do acesso à escola. Em síntese, elas propõem que a educação escolar seja Didática e prática docente 38 colocada a serviço da transformação social. Porém, há entre elas aspectos diferenciadores no que se refere à didática. Em relação à Pedagogia Libertadora, foi forjada no meio popular e tem no autor Paulo Freire, o principal representante. Embora tenha sido sistematizada na década de 1980, TVE uma atuação inicial nos anos 1960 com educação popular de adultos. Nesta retomada propõe-se também a uma atuação na educação formal. De acordo com Libâneo (1994, p. 69) a concepção de didática que pode depreender da Pedagogia Libertadora é que o ensino é centrado na realidade social, em que professor e alunos analisam problemas e realidades do meio sócio-econômico e cultural, da comunidade local, com seus recurso e necessidades tendo em vista uma ação coletiva frente a esses problemas. A ação do ensino, assim, é uma ação que visa alterar uma situação- problema do meio social. Por esta lógica o centro do processo é participação ativa das pessoas nas discussões e ações práticas. Dentre as estratégias predominantes nesse processo estão os relatos de vida (de experiências), as assembléias e a pesquisa participante. Por tratar-se de uma educação realizada no seio dos grupos sociais o professor é um coordenador das atividades, porém a organização das atividades deve ocorrer de modo coletivo. A aplicação desta Pedagogia revelou-se exitosa nos movimentos sociais, associações de bairros, sindicatos etc. onde se trabalha em geral com adultos. E, embora, não se o resultado de aplicação no ensino regular do ensino fundamental, esta pedagogia ajudou na revisão de parâmetros e práticas e educativas no país. Quanto a Pedagogia Crítico-Social dos Conteúdos, fundada a partir do materialismo histórico dialético, valoriza a educação popular, a escola como instituição pública de promoção do saber e a valorização do trabalho do professor no sentido de promover ao povo acesso ao conhecimento formal, os saberes científicos. Para tanto o professor precisa ter um sólido FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 39 domínio dos conteúdos a serem ensinados e “a escola pública cumpre a sua função social de e política, assegurando a difusão dos conhecimentos sistematizados a todos, como condição para a efetiva participação do povo nas lutas sociais”. (LIBÂNEO, 1994, p. 70). Nesta perspectiva teórica, ensinar e aprender são igualmente importantes e a didática tem como objetivo dirigir o processo de ensinar, pautando esta ação nos objetivos sócio-políticos e pedagógicos, levando em consideração também os meios onde se processa o ensino. Para o autor supracitado a tarefa do ensino é colaborar para que os alunos desenvolvam suas capacidades e potencialidades por meios dos conteúdos clássicos; estes, porém, não são repassados ao aluno de forma crítica; os conteúdos situados no contexto e discutidos na busca de síntese superadora ao ensino na medida em que procura vincular o “para que”(opções político- pedagógica) com o “como” da ação educativa (a prática do professor) (Libâneo, 1994). Nesta lógica a Didática se faz importante por mediar esta relação. Para os autores dessa pedagogia a instrução e o ensino têm o papel de proporcionar aos alunos domínio dos conteúdos científicos, os métodos de estudo e habilidade e hábitos de raciocínio científico, de modo a irem formando a consciência crítica face às realidades sociais, capacitando-se a assumir no conjunto das lutas sociais a sua condição de agentes ativos de transformação da sociedade e de si próprios. (LIBÂNEO, 1994, p. 70-71). Verificamos nas pedagogias progressistas que a concepção de Didática nela implicada só pode ser a de uma Didática fundamental, pois a educação está necessariamente situada em um contexto social e o professor necessita de competências para exercer seu papel de colaborador na transformação social. ATIVIDADES 1- Produza um pequeno texto no qual você explique por que o trabalho Didática e prática docente 40 docente se insere numa dimensão de transformação social. Procure refletir nessa produção como o trabalha do professor de inglês se destaca no cumprimento dessa função. 2- Explique o que significa o caráter multidimensional da didática. 3- Faça um paralelo entre o que é a Didática instrumental e a Didática fundamental. 4- Fale acerca da concepção de Didática nas tendências pedagógicas apresentada em nosso texto acima. LEITURA COMPLEMENTAR Para aprofundar seus conhecimentos sobre as dimensões da Didática e sua configuração histórica, leia o Livro “A Didática em Questão” de Vera Maria Candau (org.). Editora Vozes. RESUMO DA UNIDADE Nesta Unidade mostramos porque o trabalho do professor é considerado numa perspectiva política e de transformação social. Verificamos como a didática se apresenta para contribuir com a formação docente, discutindo o seu caráter multidimensional no qual as dimensões humana, técnica, político- social devem ser articuladas para permitir uma adequada compreensão do processo ensino-aprendizagem; vimos ainda a necessidade de buscar a efetivação de uma didática fundamental nos curso de formação de professores. Por fim apresentamos as diversas concepções que a Didática foi obtendo ao longo da história da educação brasileira mais recente. UNIDADE 3 COMPONENTES DO PROCESSO DE ENSINO OBJETIVOS • Conhecer os componentes do Processo de Ensino. • Analisar os objetivos educacionais e sua importância para a ação pedagógica. • Compreender o processo de seleção e organização dos conteúdos; • Caracterizar procedimentos metodológicos e formas organizativas do ensino. • Entendero conceito de avaliação, os tipos de Avaliação Escolar e as modalidades avaliativas. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 43 3. COMPONENTES DO PROCESSO DE ENSINO A discussão acerca dos componentes de ensino é sem dúvidas o tema que ocupa centralidade nos livros de Didática. Isso ocorre porque, como já mencionamos antes, o foco da ação didática é o ensino. Vale considerarmos aqui a compreensão feita por José C. Libâneo em seu livro “Didática”, onde menciona os componentes didáticos como sendo: conteúdos, ensino e aprendizagem, que se configuram em torno dos objetivos educacionais. A partir de então é que o autor cita os componentes do processo de ensino. É acerca deste último que vamos focar nossa reflexão nesta Unidade considerando o propósito do nosso material. Assim, concordando tanto com Libâneo (1994) como com Haitd (1999) discutiremos mais detidamente os objetivos, os conteúdos, os procedimentos e ensino e formas avaliativas, os quais se relacionam de maneira dinâmica. A consideração acerca dos componentes do ensino, não significa, em hipótese alguma, que este esteja sendo tomado de forma isolada, como se ele pudesse ocorrer independente da aprendizagem. Na verdade, o sentido existencial do ensino é a aprendizagem dos alunos. No entanto, há uma necessidade didática de que se discuta o ensino como a ação desenvolvida pelo professor; atividade esta que possui características próprias e que todo profissional docente deve apropriar-se, pois o ensino é atividade do professor de organização, seleção e explicação dos conteúdos, organização das atividades de estudo dos alunos, encaminhando os objetivos, métodos, formas organizativas e meios mais adequados em função da aprendizagem dos alunos. A aprendizagem é atividade do aluno de assimilação de conhecimentos e habilidades. (LIBÂNEO, 1994, P. 92) grifo do autor. Observemos a partir da citação que o conceito de ensino já traz em si a aprendizagem dos alunos. É por isto mesmo que utilizamos na Pedagogia e na Didática o termo processo ensino-aprendizagem; com esta ideia de serem inseparáveis, senão para efeitos de análise didática. Didática e prática docente 44 No processo ensino-aprendizagem, todos os elementos estão interrelacionados. Libâneo (1994), explica que existe uma ação recíproca entre os conteúdos, o ensino e aprendizagem, nessa ação, a referência operatória são os objetivos educacionais entendidos como as exigências sociopolíticas e pedagógicas expressas através dos objetivos que estão propostos a determinada ação didática. Os conteúdos são as matérias onde os conhecimentos sistematizados pela humanidade foram condensados; eles são a concretização dos objetivos do ensino, ou seja, os conteúdos sempre são escolhidos em função dos objetivos que o sistema educacional, a escola ou o docente pretende alcançar, nunca o contrário. Em síntese, o ensino consiste na organização das atividades de estudo dos discentes, é para ele que os objetivos são encaminhados, métodos e formas organizativas de aprendizagem são realizados; por essas características o ensino é próprio do trabalho do docente. É no ensino que se articulam os objetivos, os conteúdos, as formas organizativas (ou métodos), e as condições materiais objetivas. Nenhum desses componentes pode ser considerado isoladamente, por exemplo, os objetivos correspondem a conteúdos e indicam os métodos para que sejam alcançados. Os conteúdos exigem métodos específicos de trabalho e os métodos submetem-se aos conteúdos e às características dos discentes e a análise dos resultados (avaliação) é pensada em termos dos objetivos definidos previamente e dos conteúdos escolhidos e trabalhados. 3.1. OBJETIVOS EDUCACIONAIS: SUA IMPORTÂNCIA PARA A AÇÃO PEDAGÓGICA Um dos elementos fundamentais do processo de ensino é a definição dos objetivos educacionais, essencial no planejamento, eles orientam e ajudam na escolha de estratégias mais adequadas, proporcionando maior segurança para a realização do trabalho pedagógica. Objetivo “é a descrição clara do que se pretende alcançar como resultado da nossa atividade” (PILETTI apud HAIDT, p. 113), então, os FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 45 objetivos educacionais podem ser definidos como todos os resultados que, intencional e sistematicamente, os docentes esperam alcançar através de suas ações. Desde a década de 1960, predominou no ensino oficial brasileiro uma visão tecnicista da educação, com uma conseqüente ligação dos objetivos educacionais com a teoria behaviorista (comportamentalista). A ênfase na cientificidade na formulação dos objetivos educacionais pretendida pelo behaviorismo fazia crer na suficiência dessa ação para garantir a eficácia do processo de ensino. Essa teoria resumia o processo educacional à mudança de comportamento, a qual deveria ser claramente definida nos objetivos. O processo educativo passa a ser concebido como uma série de objetivos específicos que visam fazer com que os discentes alcancem a conduta desejada, considerando o ser humano de forma estática. Uma forma diferente de conceber os objetivos educacionais é expressa por Libâneo (1994), que embora não negue a mudança individual de comportamento dos discentes, enfatiza as mudanças sociais, perfis institucionais, tendências estruturais, ou seja, mudanças nas pessoas e grupos sociais, afirma que: Os objetivos educacionais têm pelo menos três referências para sua formulação: os valores e ideais proclamados na legislação educacional e que expressam os propósitos das forças políticas dominantes no sistema social; os conteúdos básicos das ciências, produzidos e elaborados no decurso da prática social da humanidade; as necessidades e expectativas de formação cultural exigidas pela população majoritária da sociedade, decorrentes das condições concretas de vida e de trabalho e das lutas pela democratização. (pp.120-121) Essas referências, segundo o autor, estão interligadas e sujeitas a contradições, não podendo ser tomadas isoladamente. Se por um lado os valores proclamados expressam os propósitos das forças dominantes, por outro lado, eles também devem expressar aquilo que população majoritária deseja em termos de formação cultural, fato que só pode ocorrer quando o docente leva em consideração as condições reais de vida e de trabalho e Didática e prática docente 46 das lutas pela democratização, como citado acima. O docente deve assumir uma posição política ao escolher seus objetivos, avaliando “a pertinência dos objetivos e conteúdos propostos pelo sistema escolar oficial, verificando em que medida atendem as exigências de democratização política e social” (LIBÂNEO, 1994, p. 121). É o docente quem viabilizará os projetos de vida dos discentes, compatibilizando o que estes devem aprender para alcançar suas aspirações, mediar através de sua prática profissional o acesso aos conteúdos de relevância social. Uma posição diferente dessa, ou seja, quando o docente não assume de forma consciente e crítica, que a sociedade na qual está inserido é contraditória, corre o risco de repassar para sua prática profissional valores, ideais, concepções da classe dominante e, consequentemente, contrários aos interesses da população. 3.1.2. NÍVEIS DE OBJETIVOS EDUCACIONAIS Os objetivos educacionais são classificados conforme seu nível de abrangência; aqueles concebidos como expectativas mais elaboradas e com uma necessidade de tempo e de prática maiores para que sejam alcançados, são chamados objetivos gerais; já aqueles concebidos de maneira mais imediata com tempo de realização mais breve, são chamados objetivos específicos. Os objetivos gerais devem expressar maior abrangência, atendendo os propósitos do sistema escolar, que determina as finalidades educativas gerais,expressam também os propósitos da escola, de seu Projeto Político- Pedagógico e, do próprio docente, possuidor de uma visão de mundo e de sociedade. Segundo Haidt (1999), os objetivos gerais são alcançados a longo prazo, enunciados por ações verbais que propõem a continuidade do processo de aprendizagem. Os objetivos específicos são desdobramentos de um objetivo geral, elaborados para serem alcançados em curto prazo; devem expressar as expectativas dos docentes sobre o que espera dos alunos e referem-se a conhecimentos, habilidades, atitudes e convicções manifestas pelos discentes, mais rapidamente. Libâneo (1994) faz as seguintes recomendações na elaboração dos objetivos específicos: especificar conhecimentos, habilidades, capacidades; FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 47 observar uma seqüência lógica, interrelacionar conceitos e habilidades; expressar os objetivos com clareza; dosar o grau de dificuldade; formular os objetivos como resultados a atingir e; indicar os resultados dos trabalhos dos alunos. Os objetivos não podem ser elaborados em termos de ações docentes. Exemplo: Levar o aluno a conhecer as formas de saudação e apresentação pessoal em inglês. O objetivo elaborado desse modo está centrado na ação do professor e não termos do resultado de aprendizagem do aluno. A seguir, a título de exemplo, temos uma listagem de verbos utilizados na elaboração de objetivos gerais e específicos. GERAIS ESPECÍFICOS Analisar Avaliar Apreciar Adquirir Aprender Construir Conscientizar Compreender Cooperar Colaborar Conhecer Demonstrar Desenvolver Entender Formular Gostar Interpretar Julgar Saber Sintetizar Valorizar. Agrupar Anotar Aplicar Apresentar Argumentar Assinalar Atribuir Calcular Cantar Caracterizar Citar Classificar Coletar Combinar Comentar Comparar Completar Comunicar Compor Construir Contar Decompor Definir Demonstrar Descobrir Destacar Determinar Discriminar Discutir Dividir Elaborar Elencar Encenar Enumerar Escrever Especificar Estabelecer Exemplificar Expressar Falar Formular Grifar Identificar Ilustrar Indicar Interpretar Narrar Planejar Pontuar Preparar Pronunciar Provar Realizar Reconhecer Recortar Redigir Registrar Relacionar Relatar Representar Reproduzir Resumir Reunir Selecionar Separar Solucionar Sublinhar Traçar Traduzir Usar Verificar Didática e prática docente 48 3.2 SELEÇÃO E ORGANIZAÇÃO DOS CONTEÚDOS Os conteúdos de ensino são fundamentais na Didática, é através deles que os docentes trabalham os diversos aspectos da aprendizagem: cognitiva, psicomotora e afetiva. São esses aspectos que devem nortear o planejamento, a avaliação e, principalmente, a escolha e a construção dos métodos de ensino. Os conteúdos podem ser definidos como todos os conhecimentos, habilidades, hábitos, modos, valorativos e atitudinais de atuação social, organizados pedagógica e didaticamente, tendo em vista a assimilação ativa e a aplicação pelos discentes na prática de vida. Por isso, servem de base para a aquisição de informações, conceitos, princípios e para o desenvolvimento de hábitos, habilidades e atitudes, e é através dos conteúdos que os objetivos estabelecidos são alcançados (LIBANEO, 1994). Eles são compostos por conhecimentos sistematizados, habilidades e atitudes, convicções e podem ser trabalhados de forma multidisciplinar, interdisciplinar e ou transdisciplinar. No percurso histórico da construção dos conceitos da Didática, a ideia de conteúdo foi relacionada somente como sendo o conhecimento a ser transmitido aos discentes, com o aprimoramento da educação e da sociedade esta concepção também se desenvolve, passando por elaborações e reelaborações de acordo com as necessidades cotidianas. Assim, as próprias necessidades humanas básicas, o desenvolvimento social e econômico, os avanços científicos, as demandas práticas da vida social, transformam-se em novas perspectivas para a educação e, consequentemente, para a Didática. Fato que exige do docente mais competência e responsabilidade ao planejar os conteúdos que deverão servir essencialmente à aprendizagem. Os conteúdos devem ser selecionados e organizados levando em consideração o “programa escolar oficial”, ou seja, todas as leis e normas direcionadas à área educacional; o “programa pessoal de cada professor”, suas concepções de mundo e de indivíduo (HAIDT, 1999). Também o nível de conhecimento do assunto dos discentes para os quais está destinado e ser ministrado de maneira segura, atualizado, de forma criativa e sistematizada, bem como as demandas sociais e os seus anseios individuais. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 49 Haidt (1999) cita como critérios para escolha dos conteúdos a validade, a utilidade, a significação social, a adequação ao nível do desenvolvimento do aluno e a flexibilidade. Para manter a coerência interna entre os componentes do processo educativo, os conteúdos necessariamente devem estar vinculados aos objetivos propostos pelo docente. No caso da língua inglesa, o docente deve ser muito criterioso na ordenação dos conteúdos, pois assim, serão aprendidos de uma maneira melhor e com mais rapidez. A autonomia do docente pode fazer com que o livro didático seja dispensado, por não encontrar um adequado aos objetivos traçados ou por não considerar princípios de ordem lógica e de ordem psicológica de disposição dos conteúdos. Tais princípios são “formas de estabelecer ligações entre os conteúdos, visando conseguir uma ordenação efetiva” (HAIDT, 1999, p. 133), que interfere diretamente na condição individual do discente. Ao estabelecer a sequência dos conteúdos, deve-se levar em conta a motivação dos estudantes para identificar quais unidades despertam maior interesse, para depois intercalá-las, na medida do possível, com as demais unidades. Concluindo, tanto a forma de organização quanto a apresentação do conteúdo influenciam a aprendizagem no tocante à motivação e à compreensão, porém, o princípio de organização baseado somente na ordem lógica nem sempre é melhor para os discentes. Procurando favorecer a ordem psicológica de organização dos conteúdos, o ensino de língua inglesa pode partir de músicas ou filmes, material em que o docente pode dar prioridade às formas de aprendizagem que favoreça aspectos como conceituação, reflexão, análise, solução de problemas e, concomitantemente, motive o discente a trabalhar com aquele determinado conteúdo. 3.3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS E FORMAS ORGANIZATIVAS DO ENSINO A maneira como as atividades e o ensino são pensadas para serem executadas em sala de aula está diretamente relacionada a um aspecto que, embora tenha feito parte das discussões acadêmicas nas últimas décadas, no contexto brasileiro ainda está muito em nível de conhecimento teórico: Didática e prática docente 50 as formas de organização curricular. Neste tópico, faremos a discussão das estratégias de ensino, mas iniciaremos com uma breve citação acerca da organização curricular. 3.3.1 ORGANIZAÇÃO CURRICULAR Os procedimentos metodológicos e formas organizativas de ensino são efetivados através de diversas estratégias que por sua vez se relacionam ao modo como a organização curricular é feita nas escolas. Ela pode ser apresentada de forma multidisciplinar, interdisciplinar e transdisciplinar. A organização multidisciplinar se refere à maneira mais conhecida de organização do currículo, é aquela em que as disciplinas são dispostas em forma de “grade” curricular, obedecendo a critérios lógicos, porém, sem uma ligação interna com as demais, nem entre si. A organização interdisciplinar de estratégias é concernente a uma metodologia em que diferentes disciplinas são dispostas de maneira que, ao tratar dedeterminado tema, suas diversas óticas sejam utilizadas. A construção do conhecimento é interdisciplinar, pois os discentes, mesmo se propondo a realizar trabalhos coletivos, precisam do saber característico de cada disciplina, não podendo ignorar o que é próprio de cada. Os docentes, mesmo trabalhando de forma coletiva, buscam manter a integridade das disciplinas que ministram, nesse processo aumentam os conhecimentos dos discentes e de si mesmos. Aumentando seus conhecimentos os docentes podem, inclusive, fundirem áreas de conhecimento, quando isso ocorre dizemos que acontece a transdisciplinaridade. A transdisciplinaridade é o resultando da mistura de dois ou mais campos teóricos, fato que obriga migração de postulados e princípios, de um SAIBA MAIS Em seu livro A Escola com que Sempre Sonhei sem Jamais saber que Pudesse Existir, o educador brasileiro Rubem Alves descreve sua experiência ao visitar a famosa Escola da Ponte, em Portugal que possui uma organização curricular e administrativa totalmente diversa da que conhecemos aqui no Brasil. Trata-se de uma organização di- versa da nossa prática disciplinar e multidisciplinar. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 51 campo de conhecimento a outros, assim, por exemplo, dos conhecimentos da neurologia (saúde) juntos com os conhecimentos da linguística (ciências sociais aplicadas), surge a neurolinguística. Outra forma de estabelecer estratégias de ensino é considerando as competências que essas estratégias devem favorecer, Perrenoud (1999) define competência como a capacidade de agir eficazmente em determinada situação, apoiado em conhecimentos, porém não se limitando aos mesmos. Para construir competências é necessário trabalhar estratégias que utilizem situações complexas, também chamadas situações-problema, é através do confronto que essas situações provocam que o aluno é conduzido à aquisição de competências com níveis mais elevados. O estabelecimento de estratégias de ensino não pode considerar o conhecimento como algo dado, acabado, pois o conhecimento é processual, e sempre está em atualização. Uma série de ações padronizadas, com vistas à transmissão de conhecimentos, realizado de forma mecânica é uma compreensão equivocada de ensino. Uma postura mais abalizada dos docentes seria de mediador entre o conhecimento e o discente, cabe ao docente facilitar a aprendizagem através da criação de condições para que o discente aprenda por seus próprios meios. 3.3.2. PROCEDIMENTOS DE ENSINO – A ORGANIZAÇÃO DA AULA A organização das atividades de ensino deve constar no Projeto Político-Pedagógico da escola que, segundo Vasconcellos (1995) é um instrumento teórico-metodológico que visa ajudar a enfrentar os desafios do cotidiano da escola, só que de uma forma refletida, consciente, sistematizada, orgânica e, o que é essencial, participativa. É uma metodologia de trabalho que possibilita ressignificar a ação de todos os agentes da instituição. De forma semelhante Veiga (2001, p. 11) afirma que o projeto político- SAIBA MAIS Uma teoria que atualmente tem influenciado o ensino é a das in- teligências Múltiplas de Howard Gardner. Segundo a qual o ensino deve ser organizado respeitando as diferentes inteligências e uma das tarefas da escola é fazer a identifi- cação das mesmas para poder mel- hor planejar o ensino. Didática e prática docente 52 pedagógico deve “preocupar-se em instaurar uma forma de organização de trabalho pedagógico” e, também, “conter opções explícitas na direção de superar problemas no decorrer do trabalho educativo”. Quando falamos em procedimentos de ensino estamos nos referindo àquelas ações planejadas pelo professor e que servem para apresentar ao aluno o objeto de estudo; diz respeito à intervenção do professor na sala de aula. Embora falemos aqui da intervenção do professor, o aluno também está ativo na aula e os procedimentos de ensino devem mobilizar ao máximo a atividade cognitiva dos alunos melhorando assim sua aprendizagem. Por isto mesmo escolha de procedimentos de ensino é uma tarefa que às vezes angustia os professores que se perguntam: qual estratégia é mais adequada para abordagem de determinado conteúdo? . Por necessitar de atividades dinâmicas, a organização do ensino e da aprendizagem de conteúdos exige que o docente trabalhe de maneira variada, pensando sempre na melhor articulação entre os diferentes conteúdos eleitos para serem ensinados e aprendidos, e os diferentes tipos de atividades presentes no trabalho pedagógico. Felizmente a literatura educacional está repleta de material didático acerca de metodologias de ensino cabendo aos professores pesquisar e utilizar a própria experiência para ir descobrindo e criando as melhores estratégias de ensino. Ao organizar as atividades de ensino, o docente deve considerar desde o planejamento que a aprendizagem dos alunos não acontece no mesmo ritmo e que nem todos aprendem da mesma maneira. Isso dará condições para flexibilização do tempo e para retorno a determinados conteúdos, momento em que o docente poderá trabalhar com diferentes modalidades de atividades de ensino. Combinando as diferentes modalidades, o docente tem condições de organizar seu Plano de Ensino de modo a proporcionar aos alunos processos de aprendizagem mais significativos, articulando os diferentes conteúdos com as diferentes modalidades e, dessa forma, evitando a fragmentação do conhecimento e respondendo melhor ao desafio de ensinar. No decorrer do trabalho pedagógico, diferentes modalidades organizativas podem coexistir e se articular na prática docente, o qual poderá propor a realização atividades como: aulas expositivas, estudo dirigido, projetos, atividades permanentes ou rotinas pedagógicas, jogos FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 53 pedagógicos, dramatização, trabalho em grupo, estudos de caso, as seqüências de atividades. Haidt (1999) sugere que o professor aos escolher os procedimentos de ensino leve em consideração alguns aspectos dentre os quais: • Adequação aos objetivos de ensino e aprendizagem; • A natureza do conteúdo a ser ensinado; • As características dos alunos como: faixa etária, nível mental, interesse e expectativas de aprendizagem • Condições materiais e o tempo disponíveis; Ao pensar no ensino de uma língua estrangeira os cuidados acima mencionados podem ser facilmente ilustrados, pois ao ensinar Inglês em uma turma de alunos com poder aquisitivo maior e com acesso a cultura diversificada, incluído-se estudo de outras línguas, é bem mais fácil a apropriação do conhecimento em virtude dos pré-requisitos já existentes. Ao contrário do professor trabalha com uma clientela que não costuma ter acesso a cultura em outra língua. Mesmo que os meios de comunicação, a internet, etc., estejam mais acessíveis não podemos confundir uma informação “solta” com um conhecimento mais elaborado de quem já leu um pequeno livro em inglês ou pôde viajar para outro país de língua inglesa ou já faz um curso de Inglês. Certamente as estratégias de ensino adotadas pelo professor deverão ser adequadas conforme a clientela de forma garantir o alcance dos objetivos propostos. E é bom ressaltarmos aqui que todos nossos alunos, de escolas públicas e privadas, têm direito ao conhecimento. No caso do aluno de escola pública, em geral, o professor é seu único suporte para conhecer outra língua. 3.3.2.1. ALGUNS PROCEDIMENTOS DE ENSINO a) Aulas expositivas Embora haja um grande preconceito quando tratamos de aulas expositivas, elas são formas tão ou mais eficientes de organização de Didática e prática docente 54 atividades de ensino quanto quaisquer outras possíveis. Aulas expositivas são mais indicadas nas seguintes situações: quando há necessidadede transmitir informações e conhecimentos seguindo uma estrutura lógica e com economia de tempo; para introduzir um novo conteúdo, apresentando e esclarecendo os conceitos básicos da unidade e dando uma visão global do assunto; para fazer uma síntese do conteúdo abordado numa unidade, dando uma visão globalizada e sintética do assunto. (HAIDT, p. 155). O cuidado no planejamento e na preparação da aula é que determinarão sua eficácia e sua validade, assim, principalmente na introdução de novos conhecimentos ela é fundamental na prática docente. b) Estudo dirigido O estudo dirigido consiste em fazer com que o discente estude o conteúdo a partir de um roteiro elaborado pelo docente, este roteiro estabelece a extensão e profundidade do estudo (HAIDT, 1999). Ele estimula o método de estudo e pensamento reflexivo, colaborando na a autonomia intelectual dos discentes, podendo ser usado também, para atender na recuperação de estudos. Este método é um dos que exige mais percepção do docente sobre o nível intelectual de seus alunos, vez que, a atividade é escrita e exige que o leitor tenha boa compreensão. Como as instruções dirão respeito a uma língua estrangeira a escrita deve ser muito clara, objetiva e direta. c) Os projetos A principal característica de um projeto didático é iniciar com uma situação-problema e se articular em função de um propósito, um produto final (culminância), oferecendo meios para que o esforço de estudar tenha sentido e a aprendizagem ganhe um alto grau de significação para os discentes. A duração de um projeto está atrelada aos objetivos propostos, podendo durar horas, dias ou meses; nos contextos que a leitura ganha sentido e aparece como uma atividade complexa, como é o caso da língua FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 55 inglesa, ele permite uma organização mais flexível do tempo. Os projetos de duração mais longa permitem ao docente compartilhar o planejamento das ações voltadas à construção do produto final com os discentes, desenvolvendo também suas capacidades para elaborar cronogramas. Assim, após estabelecida uma data de culminância do projeto, o grupo pode envolver-se na definição das etapas que serão percorridas, bem como as responsabilidades que cada equipe assumirá. (LERNER, 2001). A elaboração de projetos pedagógicos é a modalidade organizativa do ensino que mais se afina com os trabalhos interdisciplinares, desde que o corpo docente assuma sua execução. Quando a escola se propõe a realizar uma sucessão de projetos diferentes, por exemplo, em cada ano letivo e no decorrer das séries, é possível voltar a trabalhar sobre conteúdos que não puderam ser aprofundados em momento anterior. d) Atividades permanentes ou rotinas pedagógicas Atividades permanentes ou rotinas pedagógicas são ações educativas sistemáticas e previsíveis, propostas com regularidade, por exemplo, semanal, quinzenal, durante meses ou ao longo do ano letivo. Este procedimento oferece oportunidade para interagir com os diversos conteúdos a cada ano da escolaridade, também tem grande utilidade quando os objetivos estão direcionados à formação de hábitos ou construção de atitudes. Um professor de Inglês da 1ª série do Ensino Médio, que tem dois encontros semanais com uma classe, desenvolve o estudo de verbos em quatro desses encontros, por meio de atividades sequenciadas, e cada final de mês pode desenvolver estudos relacionados a projetos interdisciplinares. Esse encontro passa, então, a ser uma rotina ou atividade habitual, relativa ao desenvolvimento do projeto. 3.4 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM A avaliação se faz presente em todos os domínios de atividade humana, é o que chamamos de experiência axiológica, ou seja, o ato de dar valor ao que nos cerca, julgar, comparar, são formas avaliativas usadas no cotidiano. A avaliação também pode ser erroneamente identificada como Didática e prática docente 56 sinônimo de teste ou medição, resultado de uma concepção positivista da educação, pois testar significa submeter algo a um teste ou experiência, e medir significa determinar quantidade extensão ou grau de alguma coisa. Essas expressões certamente não são cabíveis quando tratamos de seres humanos. Mais complexo que uma testagem ou medição, a avaliação é um processo contínuo, sistemático, funcional, orientador e integral, segundo Haidt (1999) tem como função: conhecer os alunos; identificar as dificuldades de aprendizagem; determinar se os objetivos propostos para o processo ensino-aprendizagem foram ou não atingidos; aperfeiçoar o processo ensino aprendizagem e; promover os alunos 3.4.1 TIPOS DE AVALIAÇÃO ESCOLAR A avaliação escolar não deve acontecer em momentos isolados do trabalho pedagógico, o ideal é que ela inicie com o processo, aconteça durante seu desenvolvimento e no encerramento. A avaliação deve ser um instrumento no qual o professor possa identificar e analisar a evolução, o rendimento e as modificações do educando, confirmando a construção do conhecimento. O ideal é encontrar maneiras de avaliação que não reprimam as potencialidades e habilidades presentes em cada indivíduo, nunca usá-la somente para classificar os discentes, em detrimento do seu nível de desenvolvimento, ou pior ainda, dar satisfação aos pais do que foi ou não aprendido. Levando em consideração o momento e a finalidade da avaliação pode-se classificá-la em três tipos: diagnóstica, formativa e somativa. A avaliação diagnóstica, quando é realizada no momento de inicio dos trabalhos educacionais, tem a finalidade de detectar os erros e ou carências deixadas no período anterior, após tais informações é possível planejar as atividades que serão realizadas. A avaliação é classificada como formativa quando tem o propósito de informar ao docente sobre os resultados da aprendizagem, deve acontecer ao longo de todo o processo de ensino, durante as atividades escolares. Verificando se os objetivos estabelecidos para a aprendizagem dos discentes estão sendo gradativamente atingidos, possibilitando, quando necessário, a reformulação dos objetivos. Tem o nome de formativa, pois indica como os alunos estão se modificando em direção aos objetivos. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 57 Objetiva avaliar de maneira geral o grau em que os resultados mais amplos têm sido alcançados ao longo e ao final de um curso. Denomina-se avaliação somativa aquela realizada em momentos estanques, com o objetivo de promover ou não o discente, ela pode ser resultado da junção de uma ou mais atividades avaliativas realizadas pelo docente, buscando valorizar as diferentes etapas de aprendizagem dos discentes. A avaliação somativa tem a função de classificar os alunos ao final da unidade, semestre ou ano letivo, segundo níveis de aproveitamento apresentados. O docente pode avaliar o desenvolvimento do aluno utilizando meios como a escrita, a observação, a auto-avaliação e/ou através do diagnóstico, essa avaliação pode servir para aconselhar, informar, indicar mudanças, funcionando das aulas e do aprendizado. Abaixo, expomos o esquema de interação dos diversos aspectos dos componentes do processo de ensino-aprendizagem. Ressaltamos que o autor apresenta tanto os elementos do processo didático como os de ensino, mostrando a sua articulação. Libâneo (1994, p. 93) Didática e prática docente 58 3.5 O PROCESSO DE ENSINO E A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO Embora não seja considerado exatamente um componente do processo de ensino a relação professor-aluno, é também um dos temas discutidos pela Didática neste processo. E isto ocorre pelo fato de que no processo ensino-aprendizagem estão envolvidos sujeitos que estão em interação; o processo ensino-aprendizagem é, pois um ato que ocorre em meio a relações interpessoais. No entanto,esta relação envolve sujeitos com características, interesses diferenciados, mas que se encontram para um mesmo fim: a educação escolar. No livro “Sala de Aula - que espaço é esse?” organizado por Regis Morais, os autores procuram mostrar as dificuldades inerentes ao ensino decorrentes do processo interacional estabelecido no momento da aula. Na verdade, embora estejam juntos, no mesmo espaço, no mesmo tempo, as diferenças entre professores e alunos são, de fato, gigantescas. Diferenças situadas na dimensão social, cognitiva e emocional. Neste sentido, o professor precisa aprender a lidar com mais este aspecto a relação professor-aluno, sob o risco de fracassar na sua ação: o ensino. Leite (1997) considera a relação professor-aluno tão importante no processo e ensino que chega a afirmar que o professor vence ou é derrotado na profissão, dentre outras, pela capacidade de saber lidar com seus alunos. Há nesta questão dois aspectos fundamentais a serem considerados. Primeiramente, o professor é representante de autoridade legal na sala de aula exercendo sua função em interação com um segmento caracteristicamente, contestador. O outro aspecto é compreensão atual de que o professor é (e deve ser) um mediador de conhecimentos, agir como orientador no processo formativo dos alunos. A esse respeito Silva (2000) afirma que, quando o professor interage com um aluno ou grupo de alunos, estão presentes e, portanto, se confrontando, valores, atitudes, sentimentos e desejos desse professor, pertencente a uma classe, com valores, atitudes, FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 59 sentimentos e desejos dos alunos pertencentes a outra classe(p.27) Cunha (1989) é enfática quanto a essa questão. Segundo ela, Uma visão simplista diria que a função do professor é ensinar e poderia reduzir este ato a uma perspectiva mecânica, descontextualizada. É provável que muitos dos nossos cursos de formação de professores limitem-se a esta perspectiva. Entretanto, sabe-se que o professor não ensina no vazio, em situações hipoteticamente semelhantes. O ensino é sempre situado, com alunos reais em situações definidas. E nesta definição interferem os fatores internos da escola, assim como as questões sociais mais amplas que identificam uma cultura e um momento histórico-político. Com isso quero dizer da não neutralidade pedagógica e caracterizar o ensino como ato socialmente localizado (p. 24 e 25). Encontrar, pois, o equilíbrio entre os aspectos conflitantes da relação professor-aluno é um desafio para alguns professores, vez que se trata de uma relação com muitos elementos subjetivos como afeto, emoções, atribuições e expectativas, que são compartilhados tanto pelos professores como pelos alunos. Convém destacarmos que o professor como coordenador desse processo necessita, em seu processo formativo, aprender a lidar com a complexidade do clima em sala de aula. Aprender sobre a necessidade de relacionar-se bem com seus alunos sem perder de vista os objetivos de ensino, aprender sobre o exercício de bem falar dos conteúdos de ensino, mas também saber ouvir os seus alunos, saber sobre o exercício da autoridade docente que lhe compete sem, porém tornar-se autoritário. Silva (2000), acrescenta que na sala de aula encontramos interesses, objetivos e desejos variados, quando analisados do ponto de vista das individualidades dos sujeitos, mas quando concebidos enquanto classe, então falamos em termos de interesses coletivos e, neste caso, o professor é afigura que irá coordenar as diferenças e semelhanças em direção aos Didática e prática docente 60 objetivos propostos ao grupo. Trata-se de uma tarefa complexa que exige do profissional da educação inúmeras habilidades, valendo ressaltar as habilidades comunicativas. Tais como: capacidade de ouvir, imparcialidade, usar linguagem acessível ao grupo, capacidade de perceber as necessidades dos alunos, dialogar. ( p. 48). A relação professor-aluno que se pauta no exercício do diálogo é considerada um aspecto fundamental para a aprendizagem. Os alunos sentem-se emocionalmente mais seguros e confiantes para expressarem suas dificuldades fornecendo assim, informações ao professor para orientar a ação docente. O diálogo em sala de aula tem a função motivadora no processo ensino-aprendizagem e aproxima os sujeitos desse processo. Falar dessa perspectiva do processo ensino-aprendizagem não negligencia a seriedade e o rigor desse processo. Aliás, estudos (CUNHA, 1989) revelam que os alunos não gostam do chamado professor “bonzinho”; aqueles que mais marcam a vida dos alunos são os verdadeiramente comprometidos com o ensino e aprendizagem de seus alunos. No entanto, eles sabem fazer isso mantendo um clima de respeito mútuo em sala de aula. Entendemos ser esta a tendência do ensino na contemporaneidade, a estruturação do ensino favorecida por relações de respeito e tolerância que possam contribuir a formação de jovens em uma dimensão mais humana. ATIVIDADES 1) Explique o que são os componentes do processo ensino explicando também uma das suas características básicas: a articulação. 2) Qual o significado pedagógico do termo “processo ensino- aprendizagem”? 3) Libâneo afirma que o docente deve assumir uma posição política ao escolher seus objetivos, avaliando a relevância dos objetivos e conteúdos propostos pelo sistema escolar oficial. Explique o por que dessa afirmação. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 61 4) De acordo com os níveis, como podemos conceber os objetivos educacionais? Descreva esses níveis. 5) Explique como são organizadas as estratégias de ensino na forma multidisciplinar, interdisciplinar e interdisciplinar. 6) Coloque V (verdadeiro) ou F (falso): ( ) competência é a capacidade de agir eficazmente em determinada situação, apoiado em conhecimentos, limitando-se aos mesmos. ( ) através das situações-problema o aluno é conduzido à aquisição de competências com níveis mais elevados. ( ) uma série de ações padronizadas, com vistas à transmissão de conhecimentos, realizado de forma mecânica é uma compreensão acertada de ensino. ( ) cabe ao docente facilitar a aprendizagem através da criação de condições para que o discente aprenda por seus próprios meios. 7) Coloque V (verdadeiro) ou F (falso): ( ) a aprendizagem dos alunos acontece no mesmo ritmo. ( ) o docente deve articular diferentes conteúdos e diferentes modalidades ( ) a aprendizagem dos alunos acontece em todos da mesma maneira ( ) No decorrer do trabalho pedagógico, diferentes modalidades organizativas podem coexistir e se articular na prática docente ( ) o não poderá propor a realização atividades como aulas expositivas e dramatização pois são atividades incompatíveis; ( ) as rotinas pedagógicas são ações educativas sistemáticas e previsíveis, propostas sem regularidade. 8) Explique por que avaliar não é o mesmo que medir ou testar. 9) Explique os diversos de tipos de avaliação da aprendizagem. Didática e prática docente 62 LEITURA COMPLEMENTAR I Para aprofundamento nos temas aqui abordados recomendamos: Capítulos V e VIII do Livro Didática de José Carlos Libâneo, 1994. Ed. Cortez. Capítulos V, VI e VII do livro “Curso de Didática Geral” de Regina C. Cazaux Haidt. Ed. Ática. LEITURA COMPLEMENTAR II Apresentamos a seguir uma adaptação feita por Regina Haidt(1999, pp 141-142) do livro Escola e Democracia do professor José Carlos Libâneo. Como afirmamos na Unidade II, ele é um dos principais teórico da Pedagogia Critico- Social dos Conteúdos. No Texto a seguir ele nos leva a refletir sobre a importância dos conteúdos de ensino. Leia-o. Escola e democracia Os conteúdos são fundamentais. Sem conteúdos relevantes,conteúdos significativos, a aprendizagem deixa de existir. Ela se transforma num arremedo. Ela se transforma numa farsa. Parece-me, pois fundamental que se entenda isso e que, no interior da escola, nós atuemos segundo essa máxima: a prioridade aos conteúdos é a única forma de lutar contra a farsa do ensino. Por que os conteúdos são prioritários? Justamente porque o domínio da cultura constituiu instrumento indispensável para a participação política das massas. Se os membros das camadas populares não dominam os conteúdos culturais, eles não podem fazer valer os seus interesses, porque ficam desarmados contra os dominadores, que se servem exatamente desses conteúdos culturais para legitimar e consolidar a sua dominação. Eu costumo, às vezes, enunciar isso da seguinte forma: o dominado não se liberta se ele não vier a dominar aquilo que os dominantes dominam. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 63 Então, dominar o que os dominantes dominam é condição de libertação. Nesse sentido, eu posso ser profundamente político na minha ação pedagógica, mesmo que não fale diretamente de política. Isso porque, ao veicular os conteúdos da própria cultura burguesa e ao instrumentalizar os elementos das camadas populares para assimilar esses conteúdos, estou criando condições para que eles façam valer os seus interesses. É nesse sentindo, então, que politicamente se fortalecem. Não adianta nada eu ficar sempre repetindo o refrão de que a sociedade é dividida em duas classe fundamentais, burguesia e proletariado, que a burguesia explora o proletariado e que quem é proletário está sendo explorado, se o que está sendo explorado não assimila os instrumentos através dos quais ele possa se organizar para se libertar dessa exploração. Associada a prioridade do conteúdo me parece fundamental que o professor esteja atento pra a importância da disciplina. Ou seja, sem disciplina esses conteúdos relevantes não são assimilados. Então, eu acho que nós conseguiríamos fazer uma profunda reforma na escola, a partir de seu interior se passássemos a atuar segundo esses pressupostos, mantivéssemos uma preocupação constante com o conteúdo e desenvolvêssemos aquelas formas disciplinares, aqueles procedimentos quem garantissem que esses conteúdos fossem realmente assimilados. Por exemplo, o problema dos elementos das camadas populares nas salas de aula implica redobrados esforços por pare dos responsáveis pelo ensino e, mais diretamente, por parte dos professores, o que ocorre, via de regra, é que – dadas as condições de trabalho e dado o próprio modelo que impregna a atividade de ensino trazendo exigências e expectativas para professores e alunos- o próprio professor tende a dedicar-se mais aos alunos que tem mais facilidade para aprender, deixando à margem aqueles que têm mais dificuldade. E é assim que nós acabamos, como professores, no interior da sala de aula, reforçando a discriminação e sendo politicamente reacionários. A partir da leitura do texto procure responder: Didática e prática docente 64 1- Qual a importância da aquisição dos conteúdos(saberes) formais para os alunos oriundos das camadas populares, os alunos das escolas públicas, no Brasil? 2- Qual o seu papel como professor da disciplina de Língua Inglesa, na lógica apresentada por Libâneo? TEXTO PARA REFLEXÃO O texto a seguir é bastante utilizado nas reflexões em sala de aula. Leia-o. O Currículo - Uma Fábula Certa vez os animais resolveram preparar seus filhos para enfrentar as dificuldades do mundo atual e, para isso, organizaram uma escola. Adotaram um currículo prático, que constava de : corrida, escalagem, natação e vôo. Pra facilitar o ensino, todos os alunos deveriam aprender todas as matérias. O pato era exímio em natação (melhor que o seu professor) e conseguiu notas regulares em vôo - mas era aluno muito fraco em corrida e escalagem. Para compensar esta fraqueza ficava retido na escola todo dia, fazendo exercícios extras. De tanto treinar a corrida, ficou com os pés terrivelmente esfolados e, não conseguia mais nadar como antes. Entretanto, como o sistema de promoção era a média aritmética das notas nos vários cursos, ele conseguiu ser um aluno sofrível e ninguém se preocupou com o fato, exceto, naturalmente, o pobre pato. O coelho era o melhor aluno do curso de corrida, mas sofreu tremendamente e acabou com um esgotamento nervoso, de tanto tentar a natação. O esquilo subia admiravelmente, conseguindo belas notas no curso de escalagem. Mas foi frustrado no de vôo, pois o professor obrigava a voar de baixo para cima, e ele insistia em usar os seus métodos, isto é, em trepar na árvore e voar de lá para o chão. Ele teve que se esforçar tanto em natação, que acabou por passar com notas mínimas em escalagem. A FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 65 águia foi uma criança problema, severamente castigada desde o primeiro dia do curso, porque usava métodos exclusivos dela para atravessar o rio e subir nas árvores. No fim do ano a enguia anormal, que tinha nadadeiras, conseguiu a melhor nota em todos os cursos, e foi a oradora da turma. Os ratos e cães de caça não entraram na escola porque a administração se recusou a incluir duas matérias que eles julgavam importantes: como escavar tocas e como escolher esconderijos. Acabaram por abrir uma escola particular, junto com as marmotas, e, desde o princípio, conseguiram grande sucesso. Que moral terá esta fábula? • Agora procure refletir acerca de quais críticas podem ser tecidas à pratica educacional ilustrada metaforicamente no texto. Procure relacionar aos componentes do processo ensino-aprendizagem RESUMO DA UNIDADE Nesta Unidade, vimos os componentes do processo de ensino, os objetivos educacionais, a seleção de conteúdos, os procedimentos metodológicos, as formas organizativas do ensino, a organização de atividades de ensino, e as modalidades avaliativas. Fizemos uma breve descrição dos objetivos e dos níveis nos quais podem ser apresentados, descrevemos também o processo de seleção e organização dos conteúdos, os quais dependem diretamente dos objetivos propostos. Apresentamos os procedimentos metodológicos e as formas organizativas do ensino, oferecendo aos leitores alguns exemplos práticos de procedimentos mais comuns ou mais exigidos. Por fim, descrevemos o processo que conclui o processo didático: a avaliação e a relação professor-aluno. UNIDADE 4 O PROCESSO DE PLANEJAMENTO EDUCATIVO OBJETIVOS • Compreender o planejamento como uma atividade inerente ao ser humano enfatizando o planejamento educativo. • Reconhecer a importância do planejamento educativo para o êxito da educação. • Conhecer os diferentes tipos de planejamento com suas respectivas características. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 69 4. O PROCESSO DE PLANEJAMENTO EDUCATIVO 4. PENSAR O TRABALHO EDUCACIONAL Neste Capítulo, vamos apresentar algumas reflexões acerca do planejamento educativo mostrando sua importância para a educação de modo geral e salientando a importância dessa prática para a aprendizagem dos alunos. O planejamento educativo é uma atividade já internalizada pelos docentes, mas que ainda é vista de forma negativa. Procuraremos mostrar que o planejamento favorece o trabalho docente se realizado de forma adequada. 4.1 PLANEJAMENTO: UMA ATIVIDADE HUMANA Após conhecermos os elementos que compõem o processo ensino- aprendizagem faz-se necessário mostrarmos a articulação entre eles na prática desse processo, o que é feito através do planejamento da ação docente. Inicialmente é preciso consideramos o processo de planejamento como algo inerente ao ser humano, ou seja, estamos constantemente planejamento as ações do nosso dia. Isso acontecepor uma característica que os seres humanos possuem que é a capacidade de pensar sobre alguma coisa antes que ela aconteça; é a idealização de algo para que possa ser concretizado posteriormente. Assim, de forma geral, planejar algo é antecipar os seus resultados. O ato de planejar acontece em todas as esferas da vida, desde as ações, mais simples do cotidiano às mais complexas, relativas ao trabalho. O ato de planejar parte de algumas questões básicas como: saber onde se está e aonde se quer chegar? Como fazer para chegar aonde se quer? Trata-se, portanto, de um ato de prever o que se pretende que ocorra em uma determinada realidade. Para Menegolla e Sant’Anna (2002, p. 19) Didática e prática docente 70 o ato de planejar sempre parte das necessidades e urgências que surgem a partir de uma sondagem sobre a realidade[...] é através do conhecimento da realidade quem se pode estabelecer, com mais precisão, quais as mais importantes urgências e necessidades que devam ser enfocadas, analisadas e estudadas no ato de planejar. Percebemos pelo citado que o aspecto fundamental do planejamento é o conhecimento da realidade que se deseja intervir. Ademais, se o planejamento parte de necessidades, estamos estaremos sempre planejando, pois é da dimensão humana, querer sempre algo, o que o leva a sonhar, projetar, enfim planejar. Neste caso, estamos nos referindo ao planejamento não sistematizado, mas com algum grau de organização. Quando direcionamos o planejamento para o âmbito profissional ele é necessariamente sistemático e, em educação, se constitui mesmo conteúdo de ensino da formação docente, o chamado planejamento educativo. 4. 2 PLANEJAMENTO EDUCATIVO: CONCEITO E IMPORTÂNCIA Vimos afirmando repetidamente o papel da educação na sociedade e na constituição dos homens, sobretudo, na perspectiva de uma superação das fragilidades da dimensão humana e em busca de uma sociedade mais justa e igualitária. Essa prerrogativa nos faz compreender de imediato que o alcance dos objetivos sociais aqui citados só poderão acontecer se a atividade educativa for bem planejada, executada e sistematicamente acompanhada. Estas são algumas características do planejamento educativo e, embora, o fato de planejarmos a ação educativa não signifique que ela ocorrerá exatamente como previsto, ele é necessário para que tenhamos um norte de aonde queremos chegar. Para Menegolla e Sant’Anna (2002, p. 25) planejar o processo educativo é planejar o indefinido, porque a educação não é um processo, cujos resultados podem ser totalmente pré-definidos, determinados ou pré-escolhidos, FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 71 como se fossem produtos decorrentes de uma ação puramente mecânica e impensável. Devemos, pois, planejar a ação educativa para o homem, não lhe impondo diretrizes que o alheiem. Permitindo, com isso, que a educação ajude o homem a ser criador de sua história. Pelo exposto repetimos a importância do planejamento educativo, mas não compreendido como uma amarra ou “camisa de força” que tire a liberdade criativa do processo ensino-aprendizagem de professores e alunos. Assim, o planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das atividades didáticas em termos da sua organização e coordenação em face dos objetivos propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo e ensino [...] (LIBÂNEO, 1994, p. 221). A importância do planejamento se faz pela própria função da escola que a garantia da aprendizagem dos alunos, pois se define o que os alunos precisam aprender, mas também as estratégias de atingir esse objetivo, bem como a verificação se o objetivo foi atingido e o que fazer caso o aprendizado não tenha ocorrido. Ilustramos aqui o pensamento de Libâneo (1994) Menegolla e Sant’Anna (2002) e ao afirmarem que o planejamento não é somente para preencher formulários para controle administrativo ou burocrático, mas expressa um projeto de ação docente e um compromisso social, pois os elementos do planejamento escolar (objetivos, conteúdos, métodos e avaliação) se relacionam com o contexto onde se processa o ensino. Para que o planejamento possa desempenhar o seu papel, ele precisa cumprir algumas funções que podem ser sintetizadas a partir de Libâneo (1994) nas seguintes: a) Apresentar princípios e diretrizes da ação docente que mostrem sua articulação entre a escola e o contexto social; b) Expressar a ligações entre as concepções filosóficas, política e ped- agógica e os elementos do processo ensino-aprendizagem; c) Organizar e coordenar o trabalho docente e forma a promover o en- sino de qualidade; Didática e prática docente 72 d) Prever objetivos, conteúdos e métodos consideração a relação destes com as exigências sociais, mas também os interesses dos alunos; e) Garantir a unidade e coerência da ação docente através dos ele- mentos do processo de ensino: os objetivos (para que ensinar), os conteúdos (o que ensinar), os alunos (a quem ensinar), os métodos e técnicas (como ensinar) e a avaliação; f) Atualizar os conteúdos de ensino após revisão e avaliação do plano; g) Facilitar a preparação das aulas, com a seleção do material didática em tempo hábil; O planejamento é um exercício intelectual projetivo, mas que deve ser materializado em um documento. Nem sempre o planejamento resulta em um documento escrito, porém, no caso da educação escolar, ele é uma necessidade. No caso da prática docente este documento é o Plano. 4. 2.1 TIPOS DE PLANEJAMENTO EDUCATIVO Há na literatura educacional uma variedade de tipos de planejamento e, embora, não seja foco neste trabalho fazermos uma discussão de todos eles, iremos citá-los para que o leitor, conforme suas necessidades e interesses, possa, posteriormente, aprofundar o estudo sobre cada um deles. Menegolla e Sant’Anna (2002), tratam do planejamento em três níveis. O mais abrangente, onde se insere o planejamento educacional nacional, estadual no qual se inserem a política educacional. No segundo nível o planejamento escolar onde se insere o planejamento curricular que é uma construção ampla em nível de escola expressando sua filosofia de ação, seus objetivos e sua dinâmica de funcionamento, é um planejamento obrigatoriamente feito pelo coletivo da escola em sintonia com sua comunidade. No terceiro nível, como consequência do anterior está o plano de ensino ou de disciplina, das unidades de ensino; este é mais delimitado e sua responsabilidade é de mais responsabilização do professor, vez que os anteriores não podem ser feitos por um indivíduo sozinho. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 73 Do ponto de vista mais da Didática, Libâneo (1994), cita o plano escolar, o plano de ensino e o plano de aula. Haidt (1999) cita os seguintes tipos de planejamento: a) Planejamento educacional b) Planejamento geral das atividades da escola c) Planejamento de currículo d) Planejamento didático ou de ensino – de curso, de unidade de ensi- no e de aula a) Planejamento educacional O planejamento educacional é a dimensão mais ampla do planejamento pode ser nacional, estadual ou municipal; ele é feito a partir da definição de problemas educacionais diagnosticados em um sistema e previsão de metas a serem alcançadas a curto, médio e longo prazo. Em outras palavras é dizer como vai atuar o sistema em termos da educação em um determinado período; é o estabelecimento de uma política de educação que deverá ser concretizada conforme a esfera de atuação (União, Estado ou Município. O planejamento educacional e a definição de políticas devem estar em consonância com as demandas sociais e um projeto de Nação, Estado e/ou Município. b) Planejamento escolar O planejamento escolar refere-se à programação em âmbitogeral das atividades a serem realizadas pela escola e diz respeito tanto às ações administrativas quanto pedagógicas. No planejamento escolar devem ser refletidas questões socioeconômica e culturais inerentes ao contexto da escola, as características dos alunos e da comunidade do entorno, os objetivos da escola, a estrutura curricular, os aspectos metodológicos e avaliativos a serem adotados pela escola, regras de funcionamento da instituição e sua forma de organização. A dimensão do planejamento escolar exige que ele seja elaborado de forma coletiva, com a participação de membros de todos os segmentos Didática e prática docente 74 que constituem a escola. É com base no planejamento escolar que os sujeitos responsáveis pelo processo educacional da escola devem pautar suas ações desde os gestores aos professores em sala de aula. Atualmente o planejamento escolar é mais conhecido como Projeto Político Pedagógico da Escola – PPP. É ele que norteia as ações da escola por isto a sua elaboração deve ser bastante cuidadosa. O planejamento escolar ou a elaboração do PPP é uma ação coordenada pela equipe gestora da escola, porém todos os professores devem participar, além de membros da comunidade. Há uma literatura vasta orientando a elaboração do PPP. Apresentaremos a seguir uma sugestão de Roteiro quanto aos aspectos a serem considerados na elaboração do PPP, proposto pelo professor Libâneo (1994, pp. 20-232). Roteiro para elaboração do Plano Escolar 1. Posicionamento sobre as finalidades da educação escolar na sociedade e na nossa escola. 2. Bases teórico-metodológicas da organização didática e administrativa são o nosso entendimento sobre: • O tipo de homem que queremos formar • As tarefas da educação geral • O significado pedagógico-didático do trabalho docente: as teorias do ensino e da aprendizagem • As relações entre o ensino e o desenvolvimento das capacidades intelectuais dos alunos • O sistema de organização e administração da escola 3. Caracterização econômica, social, política e cultural do contexto em que está inserida a nossa escola: • Panorama geral do contexto • Aspectos principais desse contexto que incidem no processo ensino- aprendizagem FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 75 4. Características socioculturais dos alunos: • Origem social e condições materiais de vida • Aspectos culturais: concepção de mundo, praticas de criação e educação das crianças, motivações e expectativas profissionais, linguagem, recreação, meios de comunicação etc. • Características psicológicas de cada faixa etária em termos de aprendizagem e desenvolvimento 5. Objetivos educacionais gerais da escola quanto à(s) • Aquisição de conhecimentos e habilidades • Capacidade a serem desenvolvidas • Atitudes e convicções 6. Diretrizes gerais para a elaboração do plano de ensino: • Sistemas de matérias estrutura curricular • Critério de seleção de objetivos e conteúdos • Diretrizes metodológicas gerais e formas de organização do ensino • Sistemática de avaliação 7. Diretrizes quanto à organização e à administração: • Estrutura organizacional da escola • Atividades coletivas do corpo docente: reuniões pedagógicas, conselho de classe, atividades comuns • Calendário e horário escolar • Sistema de acompanhamento e aconselhamento dos aluno • Sistema de organização de classe • Sistema de acompanhamento e aconselhamento dos alunos • Sistema de trabalho com os pais • Atividades extraclasses: biblioteca, grêmio estudantil, esportes, festas, recreação, clubes de estudo, visitas a instituições e locais da cidade • Sistema de aperfeiçoamento profissional do profissional do pessoal docente e administrativo • Normas gerais de fundamento da vida coletiva: relações internas na escola e na sala de aula Didática e prática docente 76 c) Planejamento curricular O planejamento curricular é a “previsão dos componentes curriculares que serão desenvolvidos ao longo do curso, com a definição de objetivos gerais e a previsão dos conteúdos programáticos de cada unidade”. (HAIDT, 1999, p.97). Um primeiro aspecto do planejamento curricular é a definição dos objetivos que se pretende alcançar, pois a partir deles devem ser selecionados os conteúdos. Outro aspecto importante diz respeito ao cuidado que o professor deve terno ao fazer o planejamento curricular é a análise da relevância dos conteúdos para a vida dos alunos e a sociedade. O planejamento curricular deve se inserir no planejamento escolar, por isso mesmo deve ser garantida sua coerência com os demais elementos do processo ensino-aprendizagem e do planejamento escolar. Ao elaborar o Plano Curricular devem ser obedecidas as determinações dos órgãos de ensino conforme a hierarquia, União, Estado ou Município. O Conselho Nacional de Educação já determina um currículo mínimo para o país; sobre a base Nacional, Estados e municípios elaboram suas propostas curriculares. Os Conselhos Educacionais destas esferas já possuem uma definição de quais conteúdos devem fazer parte, minimamente, do currículo escolar, portanto, em geral, o que cada escola pode fazer de diferente é bastante limitado; esta parte diferenciada é o que denominamos de parte diversificado do currículo. Assim, todo plano curricular é composto de currículo mínimo e diversificado. d) Planejamento didático ou de ensino O planejamento didático ou de ensino é a menor unidade do planejamento em termos de abrangência, pois se refere àquele realizado pelo professor para condução das suas ações em sala de aula. Por isto mesmo, considerando o objetivo deste material, como voltado para formação de professores, nos deteremos mais neste tipo de planejamento. De acordo com Haidt (1999, p. 98) o planejar ensino é fazer “a previsão das ações e procedimentos que o professor vai realizar junto a seus alunos, e a organização das atividades discentes e das experiências FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 77 de aprendizagem, visando atingir os objetivos educacionais estabelecidos”. Libâneo (1994) diz que é um guia, um roteiro para um ano ou semestre que deve ser seguido pelo professor. O planejamento, neste caso, é um processo de antecipação do momento da aula; é guia orientador para o professor que irá auxiliá-lo na sua tarefa docente e que se caracteriza fundamentalmente por ser uma atividade intelectual. No momento do planejamento o professor parte da realidade sem estar inserido nela, naquele momento. É, pois um momento de abstração, análise e reflexão. Para realização do planejamento o professor precisa de vários cuidados, sendo alguns deles apontados por Haidt (1999): analisar as características da clientela, refletir sobre os recursos disponíveis, definir os objetivos educacionais, prever e organizar os procedimentos para atuação do professor, definir procedimentos avaliativos. Dentre os planejamentos realizados pelo professor os mais comuns são: planejamento de um curso, planejamento de uma unidade de ensino e o planejamento de aula. O planejamento de um curso é feito, em geral, para um semestre ou um ano. É a previsão do que os alunos precisarão alcançar em termos de conhecimentos em um período maior. Já o planejamento de unidade é uma parte extraída do curso e corresponde a um tempo menor de execução que pode ser um mês ou um bimestre. Para o sucesso destes tipos planejamento a sistemática consiste em: diagnosticar a situação dos alunos, propor objetivos gerais e específicos, indicar os conteúdos de ensino conforme o período, selecionar procedimentos de ensino e aprendizagem bem como os recursos materiais disponíveis, estabelecer procedimentos avaliativos. O planejamento de aula é a especificação do dia-a-dia do processo ensino aprendizagem; é a definiçãodas atividades que o professor irá realizar com os alunos em um dia letivo. Quando está elaborando o seu planejamento o diário, o professor consegue antever as situações que podem vir a ocorrer em sala de aula na abordagem de um determinado conteúdo. Como, por exemplo, dificuldades de compreensão de um conteúdo atual por falta de pré-requisitos, ou uma abordagem de um aspecto que possa gerar discussões polêmicas. O vislumbre dessas possibilidades é importante Didática e prática docente 78 para que o professor possa se preparar para enfrentá-las. Neste sentido, o planejamento é um suporte a mais para segurança na atividade docente. Semelhante aos planejamentos de curso e de unidade, aqui o professor também precisa definir objetivos, conteúdos, procedimentos de ensino, recursos necessários e formas avaliativas. Todavia, aqui, os elementos do processo ensino-aprendizagem são pensados para um dia apenas. A preparação das aulas é uma tarefa fundamental na prática de todo docente e deve culminar com um documento escrito, o plano de aula. O planejamento de ensino assume para o professor papel fundamental para o bom desempenho de sua prática. Dentre as funções do planejamento de ensino citadas por Haidt (1999), destacamos: Prever dificuldades que possam surgir no processo e anteci- par possíveis saídas; Evitar a repetição mecânica das atividades de ensino, bem como a improvisação; Adequar a aula às condições reais de ensino, bem, como aos recursos disponíveis; Adequar os objetivos, procedimentos de ensino e avaliação àqueles objetivos definidos; ao elaborar o seu Plano o pro- fessor deve ser capaz de avaliar se há coerência no que ele elaborou Para a autora a avaliação de um bom plano didático deve ser feita a partir da consideração das seguintes características: a) Coerência e unidade – que mostra a relação coerente en- tre objetivos, conteúdos, procedimentos e meios de ensino e avaliação; b) Continuidade e seqûencia – nos diz se existe relação entre as atividades do começo ao fim; c) Flexibilidade – como o nome sugere é a possibilidade de se modificar o plano a partir de situações não previstas. O professor ao planejar deve prever o surgimento de outras questões não listadas e ajustar-se a elas. Esta característica está muito relacionada ao próprio docente; FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 79 d) Objetividade e funcionalidade – o plano precisa ser pen- sado para uma dada realidade e para cumprir determinadas funções e isto precisa ser percebido no Plano, mesmo que não esteja explícito; e) Precisão e clareza – o plano precisa ser compreendido por quem vai ler, por isso a linguagem deve ser clara quanto às suas intencionalidades tanto na elaboração dos objetivos, como nos procedimentos e estratégias avaliativas. 4.2.2 O PLANEJAMENTO DA AULA Para a Didática aula é um momento que requer especial atenção, pois todas as discussões acerca da função da escola na transformação social e da Didática como contribuindo nesse nessa função são refletidas na busca de melhor organização do processo de ensino, que tem na aula sua expressão básica. Refletiremos um pouco mais, agora, acerca de alguns cuidados na preparação da aula e elaboração do Plano de aula e. Faremos esta reflexão a partir das considerações de Libâneo (1994). Para ele, cada aula é uma situação didática específica, na qual objetivos e conteúdos se combinam com métodos e formas didáticas [...] o termo aula não se aplica somente à aula expositiva, mas a todas as formas didáticas organizadas e dirigidas direta ou indiretamente pelo professor, tendo em vista realizar o ensino e a aprendizagem. Observemos a partir da citação que na caracterização da aula, estão igualmente colocados o ensino (atividade docente primordial) e a aprendizagem (ação mental do aluno). Isto é feito para que a discussão acerca da aula não seja pensada em termos de um sujeito apenas, como ocorria na concepção tradicional de educação, mas tanto professor como aluno atuando de modo interativo nesse momento. Um aspecto fundamental a ser mencionado com relação à aula, é o seu caráter de atividade intelectual e que, portanto, precisa ser organizada. Ao elaborar o plano de aula o professor precisa voltar-se para o plano de Didática e prática docente 80 ensino elaborado, pois o plano de aula é um detalhamento do plano de ensino. O foco principal do professor deve ser os objetivos educacionais estabelecidos. Na preparação das aulas o professor parte uma unidade de ensino para transformar em tópicos para serem desenvolvidos de forma sequenciada, considerando as características da turma e do conteúdo. Libâneo (1994), descreve a organização da aula, iniciando com a definição dos conteúdos até a verificação. Assim, Trata-se de organizar um conjunto de noções, básicas em torno de uma ideia central, formando um todo significativo que possibilite ao aluno uma percepção clara e coordenada do assunto em questão. Ao mesmo tempo em que são listadas noções, conceitos, ideias e problemas, é feita a previsão de um tempo necessário. [...] Libâneo, 1994, p. 241-242). O autor menciona acima o primeiro momento da elaboração da aula, seleção de conteúdos, a seguir devemos pensar nos objetivos, em geral, para cada tópico (conteúdo) da aula redigimos um objetivo específico. A seguir vem a definição dos procedimentos metodológicos. Ao abordar um novo conteúdo, o professor deve pensar em como ele vai: introduzir o conteúdo, desenvolvê-lo no tempo da aula e pensar na sistematização ou aplicação do conteúdo abordado por meio de tarefas. O tempo gasto nesta etapa da aula depende das características da turma e compete ao professor identificar em qual etapa precisará gastar mais tempo. Por exemplo, se os alunos têm carência de pré-requisitos para o conteúdo, então o professor gastará mais tempo resgatando os elementos teóricos que dêem suporte ao novo conteúdo. Do contrário, os alunos já tem a base, poderá se ater mais em atividades de consolidação e aplicação da matéria. Após esta etapa o professor deverá definir o que modo de verificação (avaliação) se o que ele se propôs a fazer naquela aula foi alcançado. A avaliação aqui não tem necessariamente uma finalidade de atribuição de notas (função classificatória e somativa), mas de verificação de rendimento do apreendido (função formativa e de diagnóstico). É comum o professor fazer uma avaliação no início de um novo conteúdo, a diagnóstica, para verificar o que os alunos sabem, porém ao final da aula o professor faz FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 81 nova avaliação que serve para dizer o que foi apropriado, ou não, e serve como referência para preparação das aulas seguintes. Enfim, um aspecto importante a ser considerado no planejamento docente é avaliação do próprio trabalho. O desenvolvimento de toda aula ao tempo que permite um diagnóstico da turma, dos alunos, permite também ao professor olhar para o seu trabalho. Se por um lado a intervenção docente é limitada em relação a vários dos aspectos que interferem na aprendizagem, como as questões sócio-emocionais dos alunos, as questões infra-estruturais da escola etc. no que compete ao seu trabalho na sala de aula, ele tem como intervir de forma mais imediata para o bem da aprendizagem dos alunos, sobretudo, dos alunos das escolas públicas que, via de regra, tem na escola e no professor as únicas alternativas para sua interação com o conhecimento formal. Neste sentido o professor precisa avaliar a sua aula, se questionar se o que se propôs realizar se efetivou e, em caso negativo, quais fatores comprometeram o êxito da aula. A este respeito Libâneo sugere alguns questionamentos que o professor pode fazer [...] os objetivos e conteúdos foram adequadosà turma? O tempo de duração da aula foi adequado? Os métodos e técnicas de ensino foram variados e oportunos para suscitar a atividade mental e prática dos alunos? Foram feitas verificações de aprendizagem no decorrer das aulas (formais e informais)? O relacionamento professor-aluno foi satisfatório? Houve uma organização segura das atividades, de modo a ter garantido um clima de trabalho favorável? Os alunos realmente consolidaram a aprendizagem da matéria, num grau suficiente para introduzir a nova matéria foram propiciadas tarefas de estudo ativo e independente dos alunos? Libâneo, 1994, p. 243). A avaliação da aula pelo professor, autoavaliação, é um exercício que tende a colaborar o próprio crescimento profissional. Atualmente muitos estudos procuram mostrar a importância dessa atividade inserida numa concepção de prática docente reflexiva que visa aperfeiçoar a prática docente a partir da análise da prática feita pelo próprio professor. Este aspecto insere-se também na esfera da formação continuada do professor Didática e prática docente 82 onde ele é o responsável por esta formação; fazer a autoavaliação, é pois um exercício para o crescimento pessoal e profissional do professor. 4.2.2.1 MODELO DE PLANO DE AULA A ideia de apresentar aqui um exemplo de plano de aula, não significa dizer que este seja o único modelo; há várias formas de elaborar um plano de aula e algumas instituições chegam adotam um modelo. Na década de 1970 tornou-se uma prática no país a elaboração de planos de aula extremamente detalhados em termos de objetivos, habilidades e de procedimentos metodológicos. Atualmente a tendência é a elaboração de planos mais simplificados. Não obstante para estar completo todo plano de aula precisa apresentar todos os elementos do processo ensino- aprendizagem como vimos anteriormente e estes precisam estar articulados entre si. PLANO DE AULA INSTITUIÇÃO: Escola da Sabedoria DISCIPLINA: English ANO: 5º ano do Ensino Fundamental PROFESSOR: Antonia Alves TEMPO: 100 min (2h/a) DATA: 15/05/2013 Tema: Cognats words 1-Objetivos • Conhecer a existência de palavras na língua inglesa que possuem escrita semelhante à língua portuguesa, denominadas cognatas; • Identificar no texto as palavras cognatas; • Diferenciar cognatos de falsos cognatas; FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 83 2-Conteúdo • Conceito de palavras cognatas • Importância das palavras cognatas para compreensão de um texto; • Definir falsos cognatos 3-Procedimentos Metodológicos Iniciar conversando com os alunos sobre as estratégias que eles adotam quando vão ler um texto em inglês; Explorar as estratégias apontadas pelos alunos até o surgimento da ideia de cognatas; Entregar um pequeno texto e pedir que identifiquem as palavras cognatas; A partir das palavras listadas como cognatas, identificar os falsos cognatas; Resolução de atividades 3.1- Recursos • Quadro acrílico; pincel; apagador para quadro; • Cópias do texto para leitura • Exercício de fixação 4- Avaliação A verificação da compreensão do conteúdo será feita a partir da identificação corretas das palavras cognatas no texto e da resolução da atividade de classe; 5 Bibliografia utilizada (colocamos aqui os livros que serviram de referência para o conteúdo) Didática e prática docente 84 NOTA: Observem que os objetivos elaborados são específicos, pois se relacionam a ações que podem ser alcançadas em um tempo pequeno e determinado; estão redigidos em termos de ações de aprendizagem a serem alcançadas pelos alunos e não na ação do professor; além disso estão escritos com o verbo no infinitivo. ATIVIDADES 1- Explique por que o planejamento é importante para atividade docente. 2- Cite e caracterize os diversos tipos de planejamento. 3- De acordo com o pensamento dos autores apresentados nesta Uni- dade, o que caracteriza um bom plano de ensino? 4- Segundo Menegolla e Sant’Anna (2002), “planejar o processo educativo é planejar o indefinido[...].” Por que os autores fazem esta afirmação? 5- A prática de planejamento educativo no país tende a ser uma atividade pouco valorizada em nosso país. Em sua opinião, por que isto ocorre? Qual a consequência desse pensamento para a educação no país? LEITURA COMPLMENTAR I • Para aprofundar seus conhecimentos acerca do planejamento educacional recomendamos a leitura na íntegra do capítulo 4 do livro “Curso de Didática Geral” de Regina C. Cazaux Haidt. Ed. Ática. LEITURA COMPLMENTAR II O texto a seguir é do professor é do professor da USP José Gerchi Fusari, nele o autor reforça algumas ideias apresentadas nesta Unidade, aprofundado-as. Leia-o atentamente. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 85 Planejamento e Plano de Ensino Podem Ser Tomados Como Sinônimos? Apesar de os educadores em geral utilizarem, no cotidiano do trabalho, os termos “planejamento” e “plano” como sinônimos, estes não o são. É preciso, portanto, explicitar as diferenças entre os dois conceitos, bem como a íntima relação entre eles. Enquanto o planejamento do ensino é o processo que envolve “a atuação concreta dos educadores no cotidiano do seu trabalho pedagógico, envolvendo todas as suas ações e situações, o tempo todo, envolvendo a permanente interação entre os educadores e entre os próprios educandos” (FUSARI, 1989, p. 10), o plano de ensino é um momento de documentação do processo educacional escolar como um todo. Plano de ensino é, pois, um documento elaborado pelo(s) docente(s), contendo a(s) sua(s) proposta(s) de trabalho, numa área e/ou disciplina específica. O plano de ensino deve ser percebido como um instrumento orientador do trabalho docente, tendo-se a certeza e a clareza de que a competência pedagógico-política do educador escolar deve ser mais abrangente do que aquilo que está registrado no seu plano. A ação consciente, competente e crítica do educador é que transforma a realidade, a partir das reflexões vivenciadas no planejamento e, conseqüentemente, do que foi proposto no plano de ensino. Um profissional da Educação bem-preparado supera eventuais limites do seu plano de ensino. O inverso, porém, não ocorre: um bom plano não transforma, em si, a realidade da sala de aula, pois ele depende da competência-compromisso do docente. Desta forma, planejamento e plano se complementam e se interpenetram, no processo ação-reflexão- ação da prática social docente. Como Formalizar o Plano de Ensino? É preciso assumir que é possível e desejável superar os entraves colocados pelo tradicional formulário, previamente traçado, fotocopiado ou impresso, onde são delimitados centímetros quadrados para os “objetivos, conteúdos, estratégias e avaliação”. A escola pode e deve encontrar outras Didática e prática docente 86 formas de lidar com o planejamento do ensino e com seus desdobramentos em planos e projetos. É importante desencadear um processo de repensar todo o ensino, buscando um significado transformador para os elementos curriculares básicos: • objetivos da educação escolar (para que ensinar e aprender?); • conteúdos (o que ensinar e aprender?); • métodos (como e com o que ensinar e aprender?); • tempo e espaço da educação escolar (quando e onde ensinar e aprender?); • avaliação (corno e o que foi efetivamente ensinado e aprendido?). O fundamental não é decidir se o plano será redigido no formulário x ou y, mas assumir que a ação pedagógica necessita de um mínimo de preparo, mesmo tendo o livro didático como um dos instrumentos comunicacionais no trabalho escolar em sala de aula. A ausência de um processo de planejamento do ensino nas escolas, aliada às demais dificuldades enfrentadas pelos docentes no exercício do seu trabalho, tem levadoa uma contínua improvisação pedagógica nas aulas. Em outras palavras, aquilo que deveria ser uma prática eventual acaba sendo uma “regra”, prejudicando, assim, a aprendizagem dos alunos e o próprio trabalho escolar como um todo. Sugiro que os docentes discutam a questão da “forma” e do “Conteúdo” no processo de planejamento e elaboração de planos de ensino, buscando alternativas para superar as dicotomias entre fazer e pensar, teoria e prática, tão presentes no cotidiano do trabalho dos nossos professores. Vale a pena enfrentar este desafio e pensar a respeito! (http://www.crmariocovas.sp.gov.br/pdf/ideias_08_p044-053_c.pdf) A partir da leitura do texto vamos refletir acerca das seguintes questões: 1. Como o planejamento e o plano se relacionam com os termos: Ação – Reflexão-Ação da prática. 2. No texto o autor fala da “improvisação” como um dos elementos nocivos à educação de qualidade. Na sua opinião por que, mesmo FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 87 os docentes conhecendo a importância do planejamento, ainda agem de forma improvisa? RESUMO DA UNIDADE Nesta Unidade, caracterizamos o planejamento como uma atividade fundamentalmente humana e inerente a todas as esferas da vida situando de modo partícula o planejamento educativo. Foram citados os tipos de planejamento descrevendo brevemente suas características, com ênfase maior no planejamento de ensino, onde foi mostrado sua função e tipos. Salientamos o plano de aula com uma demonstração. Ao longo da Unidade é destacada a necessidade do professor incorporar a importância do planejamento para êxito educacional. UNIDADE 5 DIDÁTICA E CONTEMPORANEIDADE OBJETIVOS • Compreender os temas contemporâneos ligados à área da Didática. • Discutir alguns temas relativos à Didática, principalmente às novas tecnologias, o ecletismo na prática docente. • Entender a necessidade de buscar a diminuição da distância entre a formação inicial e o cotidiano do trabalho . • Analisar o papel da avaliação no atual contexto pedagógico. • Discutir aspectos teóricos inovadores como a Teoria das inteligências múltiplas de Gardner FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 91 5 DIDÁTICA E CONTEMPORANEIDADE Com o aumento na demanda e na oferta de educação escolar, ocorreram muitas mudanças em relação à Didática, uma área que contribui efetivamente com a prática pedagógica, principalmente por concentrar seus esforços na formação docente. Embora autores como Libâneo (2008) afirmem que a especificidade da Didática seja a busca das melhores condições possíveis para transformar as relações que o discente tem com o conhecimento, a Didática, concentrou-se em temas relacionados ao cotidiano das escolas, ao ensino superior e à formação docente. Em recente pesquisa realizada sobre trabalhos apresentados no Grupo de Trabalho (GT) Didática, o material produzido entre 2004 a 2008 pela Associação Nacional de Pesquisa em Educação (ANPED), Marcondes, Leite & Leite (2011) analisaram uma série de temas apresentados no referido GT. Para as pesquisadoras, a temática central da Didática é a formação de professores, e entre os temas próprios da disciplina elas relacionaram: avaliação; conhecimento escolar; disciplina/indisciplina; metodologia; recursos didáticos: Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC); livro didático; relação professor-aluno; Prática de Ensino (Ciências, Geografia, Física, Matemática, História, etc.); Ensino Superior; Estágio; saber docente; formação de professores; profissionalização docente, etc. Essa constatação permite afirmar que os temas mais predominantementes estudados pela Didática vêm se modificando, o que não significa dizer que temas mais clássicos como objetivos de ensino, conteúdos, por exemplo, não continuem sendo foco da Didática, mas revela que a realidade do ensino brasileiro tem oferecido a esta área de conhecimentos novas possibilidades teóricas, o que só aumenta a sua responsabilidade diante do cenário educacional. 5.1 TEMAS CONTEMPORÂNEOS 5.1.1 DIDÁTICA E A RELAÇÃO COM AS NOVAS TECNOLOGIAS O atual nível tecnológico alcançado pela sociedade, nomeada como sociedade do conhecimento, enuncia novas e cada vez mais urgentes Didática e prática docente 92 necessidade de formação, novos conceitos e conteúdos precisam ser mediados pelos docentes O uso de Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no ambiente escolar, principalmente a Internet e Softwares Educacionais, é um dos desafios que se apresentam à classe docente. Quase totalmente assimilada pela população, o uso de tecnologias é de grande importância para o sistema educacional, sendo um fenômeno observado no mundo todo. As TICs, além de serem utilizadas pela maioria da população, tornaram-se ferramentas indispensáveis ao ensino, o rádio, TVs, celulares, datashows, computadores e a internet, são alguns exemplos de tecnologias que podem auxiliar na construção do conhecimento (VEIT et al, 2002). Porém, a simples presença das TICs não é garantia de sucesso na aprendizagem, é preciso que seu uso seja planejado e orientado, principalmente da Internet. Um dos fenômenos da atualidade que mais alterou as relações sociais certamente foi o uso da Internet, fato que nos conduz a grandes mudanças de perspectiva no ensino, principalmente no que diz respeito ao currículo escolar. Segundo Valente (2002), há grande resistência dos docentes nessa área, fato que não se observa entre os discentes, revelando-se como mais um desafio para o uso das TICs no ambiente escolar. Os docentes, antes os “detentores” do saber, vêem-se em uma sociedade com pleno acesso à informação, de maneira rápida e dinâmica, que pode ser produzida e armazenada em diferentes espaços. O acesso à informação facilita a realização de tarefas escolares e deveria incentivar a formação de redes de colaboração. As aplicações tecnológicas no processo de comunicação criaram novas práticas culturais e formas de relações sociais (TARGINO, 2002). Aspectos antes bastante relevantes como a escrita, essencial para a consolidação da Literatura e da Imprensa e que é a grande responsável pela popularização das informações, hoje sofre várias mutações, e a autoria, reconhecimento legal conseguido no início da Idade Moderna, hoje é bastante questionável. Os fatos acima mencionados demonstram a importância da discussão pedagógica sobre o impacto que as mudanças originadas pelo uso da informática provocaram nas escolas. A sociedade de informação penetra FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 93 e molda vários aspectos da vida diária, enquanto categoria profissional, os docentes são afetados e o uso das TICs é cada vez mais difundido nas instituições educacionais. http://www.google.com.br/search A charge acima representa um paradoxo da sociedade atual e um desafio aos professores. Por um lado o uso das TIC’s, cada vez mais presente no cotidiano escolar, como já mencionamos, com ampla possibilidade de veiculação de informação, mas que nem sempre se transformam em conhecimento. Por outro lado os professores que não podem fugir desse novo mundo, nem da interação com esses novos alunos, por outro não conseguem se apropriar dos usos da tecnologias na mesma velocidade que os adolescentes. Acreditamos que este é uma dos maiores desafios para a grande maioria dos professores que se sentem “defasados” em relação a seus alunos. Alunos estes, que, não obstante, ainda não conseguem utilizar toda a tecnologia em benefício da sua aprendizagem. Hoje tanto o estudo do objeto da Didática, quanto as pesquisas sobre conhecimento escolar e o ensino de metodologias específicas são muito Didática e prática docente 94 importantes, outro tema que adquire grande relevância é o da dimensão culturalna educação (MARCONDES, LEITE & LEITE, 2011), que trazem grandes contribuições para a prática educacional, com suas propostas inovadoras para a área da educação, principalmente para a compreensão de como ocorrem as interações entre docentes e discentes, os processos de construção do conhecimento, os desafios da atividade de ensino e da mediação dos docentes. 5.1.2 ECLETISMO NA PRÁTICA DOCENTE Outra tendência observada na área de Didática é a miscigenação de métodos e de práticas, Wachowicz (1995), ao pesquisar sobre o cotidiano na sala de aula, em relação aos métodos didáticos, ao questionar (p. 112- 114) o que é “um professor competente” obtém dos mesmos as seguintes respostas: Um professor competente, quanto aos métodos didáticos é aquele que: usa todos os métodos; cria um método para sua classe; não se apega ao currículo e aos livros; usa métodos conforme a matéria; faz uma adequação do método conforme as necessidades dos alunos; primeiro identifica o aluno que tem, para depois aplicar o método adequado; usa metodologia ativa, tanto para o aluno como para o professor; consegue bons resultados; cita casos e exemplos concretos. Ao preconizar o uso de “todos os métodos”, observamos além de liberdade na escolha um desprendimento ao considerar que qualquer método é passível de utilização, inclusive podendo ser individualizado (cria um método para sua classe, usa métodos conforme a matéria). 5.1.3 DISTÂNCIA ENTRE A FORMAÇÃO INICIAL E O COTIDIANO DO TRABALHO Os estudos de Didática hoje enfatizam bastante a articulação da formação específica em disciplinas com a formação pedagógica buscando FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 95 estratégias que diminuam a distância entre a formação inicial e o cotidiano do trabalho. Segundo a pesquisa realizada por Marcondes, Leite & Leite (2011), poucos trabalhos na área de Didática preocuparam-se a articulação entre a formação específica com a pedagógica, no sentido de buscar estratégias que diminuíssem a distância entre o processo de formação e a realidade do trabalho. Alguns limitaram a que “observassem as práticas em seus estágios”, outros enfatizaram a eficácia da elaboração e execução de projetos para os futuros professores, percebemos também a necessidade de ligar estágio à prática de ensino no projeto do curso. Outros trabalhos foram na área das representações sociais sobre o trabalho docente, ressaltando a importância atribuída ao estágio para a superação das dificuldades encontradas na prática docente. 5.1.4 TEORIA DAS INTELIGÊNCIAS MÚLTIPLAS E A EDUCAÇÃO Uma das contribuições recentes à Didática partiu, mais uma vez, do campo da Psicologia, foi da teoria das inteligências múltiplas de Howard Gardner. Segundo Gama (2013) ela oferece base para o desenvolvimento de avaliações adequadas às diversas habilidades humanas; proporciona educação centrada e; um ambiente educacional amplo, e que dependa menos do desenvolvimento exclusivo da linguagem e da lógica na criança com currículos específicos para cada área do saber. No que se refere à educação centrada na criança, Gardner defende que as escolas deveriam tentar garantir que cada uma recebesse a educação que favorecesse o seu potencial individual, ao invés de oferecer uma educação padronizada. Hoje, tomar posse de todo o saber universal é totalmente impossível, até mesmo de um só campo do saber. Dessa forma, por haver necessidade de limitar a ênfase e a variedade de conteúdos, que essa limitação seja da escolha dos discentes, favorecendo o perfil intelectual individual. Didática e prática docente 96 Quanto ao ambiente educacional, Gardner chama a atenção pare o fato de que, embora as escolas declarem que preparam seus alunos pare a vida, a vida certamente não se limita apenas a raciocínios verbais e lógicos. Ele propõe que as escolas favoreçam o conhecimento de diversas disciplinas básicas; que encorajem seus alunos a utilizar esse conhecimento para resolver problemas e efetuar tarefas que estejam relacionadas com a vida na comunidade a que pertencem; e que favoreçam o desenvolvimento de combinações intelectuais individuais, a partir da avaliação regular do potencial de cada um. O esquema a seguir mostra a ideia das diversas inteligências explicitadas por Gardner. Imagem disponível em https://www.google.com.br/search?q=as+intelig%C3%AAncias Vale salientar que o autor já reviu sua teoria acrescentando outras inteligências que ampliam o leque de possibilidades a serem desenvolvidas nas escolas. A teoria de Gardner já vem influenciando várias escolas que FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 97 incluem atividades curriculares diversificadas respeitando os interesses dos alunos ou no caso da educação infantil permitindo desde cedo que as crianças tenham acesso a experiências com diversos saberes de forma a permitir a identificação dos interesses de cada criança. É preciso que se diga, porém, que esta é uma realidade ainda muito distante do contexto da escola pública brasileira que ainda luta para superar problemas históricos. 5.1.5 A AVALIAÇÃO Durante várias décadas a avaliação foi considerada o bicho-papão das escolas brasileiras. A charge a seguir apresenta uma ideia do por que isso ocorria. http://www.google.com.br/search Vários estudiosos debruçam-se também sobre os aspectos negativos que a avaliação pode assumir, servindo como mecanismo de exclusão do processo educacional. A avaliação realizada nas novas formas de organização da escola, no caso a escola organizada em ciclos, ao invés de series, é outro aspecto a ser observado na contemporaneidade. Uma Didática e prática docente 98 inovação nessa área trata-se do acompanhamento diário como forma de avaliação, uma alternativa importante para o estudo em ciclos, pois direciona a reorientação das atividades propostas em busca de superação das dificuldades encontradas (MARCONDES, LEITE & LEITE, 2011). ATIVIDADES 01) Cite alguns temas que, na contemporaneidade, fazem parte das preocupações da Didática. 02) Na sua opinião, dentre os temas destacados no texto, qual não pode faltar nas discussões atuais? 03) Quanto ao uso das Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) no ambiente escolar, como anda o docente? 04) Como podemos demonstrar o ecletismo que existe atualmente na prática docente? 05) Cite algumas estratégias que possam diminuir a distância entre a formação inicial dos docentes e sua prática no cotidiano do trabalho. 06) Quando podemos afirmar que a avaliação é excludente? 07) Cite uma inovação na área de avaliação. RESUMO DA UNIDADE Na Unidade V, vimos alguns dos principais temas da Didática na contemporaneidade, dentre os quais sua relação com as novas tecnologias, o ecletismo na prática docente, a busca pela diminuição da distância entre a formação inicial e o cotidiano do trabalho. Fizemos uma breve descrição de vários temas que habitam as preocupações dos teóricos da Didática, os quais se centram no cotidiano das escolas, no ensino superior e na formação docente. Por fim, descrevemos as inovações como a Teoria das inteligências múltiplas de Gardner e no processo de avaliação, a discussão da avaliação como mecanismo de exclusão da escola, a forma como passou a ser executada em escolas organizadas em ciclos, e a forma de acompanhamento diário, através de registro escrito, como forma de avaliação. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 99 PARA FINALIZAR Neste trabalho, foi feita uma abordagem da Didática enquanto área de conhecimento voltada para explicação do processo ensino-aprendizagem. O propósito foi apresentar, de forma sucinta, os principais temas discutidos pela Didática, destacando a sua contribuição na formação dos professores. Na Unidade I, vimos uma breve introdução históricado tema educação, resgatando seu aspecto humano, sua característica principal e o seu desdobramento em educação formal e informal. Introduzimos os conceitos fundamentais referentes à educação formal, bem como os teóricos e as teorias que permeiam a área. Fizemos uma breve distinção entre Pedagogia e Didática, demonstrando que esta é uma parte essencial daquela, demonstrando a evolução histórica dos estudos didáticos o seu objeto de estudo. Na Unidade II, mostramos por que o trabalho do professor é considerado numa perspectiva política e de transformação social. Verificamos como a Didática se apresenta para contribuir com a formação docente, discutindo o seu caráter multidimensional em que as dimensões humana, técnica, político-social devem ser articuladas para permitir uma adequada compreensão do processo ensino-aprendizagem; vimos ainda a necessidade de buscar a efetivação de uma didática fundamental nos curso de formação de professores. Por fim apresentamos as diversas concepções que a Didática foi obtendo ao longo da história da educação brasileira mais recente. Prosseguindo na Unidade III, vimos os componentes do processo de ensino, os objetivos educacionais, a seleção de conteúdos, os procedimentos metodológicos, as formas organizativas do ensino, a organização de atividades de ensino, as modalidades avaliativas e a relação professor- aluno. Fizemos uma breve descrição dos objetivos educacionais e dos níveis nos quais podem ser apresentados, descrevemos também o processo de seleção e organização dos conteúdos, os quais dependem diretamente dos objetivos propostos. Apresentamos os procedimentos metodológicos e as formas organizativas do ensino, oferecendo aos leitores alguns exemplos Didática e prática docente 100 práticos de procedimentos mais comuns ou mais exigidos. Na Unidade IV, caracterizamos o planejamento como uma atividade fundamentalmente humana e inerente a todas as esferas da vida situando de modo particular o planejamento educativo. Foram citados os tipos de planejamento descrevendo brevemente suas características, com ênfase maior no planejamento de ensino, no qual foi mostrada sua função e tipos. Ao longo da Unidade, foi destacada a necessidade de o professor incorporar a importância do planejamento para êxito educacional. Na Unidade V, vimos alguns dos principais temas da Didática na contemporaneidade, dentre os quais sua relação com as novas tecnologias, o ecletismo na prática docente, a busca pela diminuição da distância entre a formação inicial e o cotidiano do trabalho. Fizemos uma breve descrição de vários temas que habitam as preocupações dos teóricos da Didática, os quais se centram no cotidiano das escolas, no ensino superior e na formação docente. Por fim, descrevemos as inovações como a Teoria das inteligências múltiplas de Gardner e no processo de avaliação, a discussão da avaliação como mecanismo de exclusão da escola, a forma como passou a ser executada em escolas organizadas em ciclos, e a forma de acompanhamento diário, através de registro escrito, como forma de avaliação. Por fim, recomendamos, para melhor apreensão das informações constantes neste material, uma revisão de cada uma das Unidades e o fichamento dos estudos realizados. FUESPI/NEAD Licenciatura Plena em Letras/Inglês 101 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BRASIL. 1996. Lei 9394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional, Diário Oficial da União, Ano CXXXIV, n. 248, p. 27.833-27.841. BRZEZINSKI, Iria. Pesquisa sobre formação de profissionais da educação no gt 8/anped: travessia histórica. Revista Brasileira de Pesquisa sobre Formação Docente. vol. 01/nº 01, ago-dez/2009. Disponível em http:// formacaodocente.autenticaeditora.com.br CALIXTO, Aldecí Cacique . Nem tudo que cai na rede é peixe: saberes docentes e possibilidades educativas na/da internet. In: 26ª.REUNIÃO ANUAL DA ANPED, Caxambu, 2003. Anais eletrônicos. Disponível em: http://www.anped.org.br/reunioes/26/trabalhos/aldecicaciquecalixto.rtf CANDAU, Vera Maria. (Org.). Rumo a uma nova Didática. 21ª Ed. – Petrópolis RJ: Vozes 2011. CANDAU, Vera Maria. Memória(s), diálogos e buscas: aprendendo e ensinando Didática. In: CANDAU, Vera Maria. (Org.). Didática. 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AVALIAÇÃO DO LIVRO Prezado(a) cursista: Visando melhorar a qualidade do material didático, gostaríamos que respondesse aos questionamentos abaixo, com presteza e discerni- mento. Após, entregue a seu tutor esta avaliação. Não é necessário identificar-se. Unidade:____________ Município: _________________ Disciplina:___________ Data: _____________________ 1. No que se refere a este material, a qualidade gráfica está visual- mente clara e atraente ( ) ÓTIMO ( ) BOM ( ) RAZOÁVEL ( ) RUIM 2. Quanto ao conteúdo, está coerente, contextualizado à sua prática de estudos ( ) ÓTIMO ( ) BOM ( ) RAZOÁVEL ( ) RUIM 3. Quanto às atividades do material, estão relacionadas aos conteú- dos estudados e compreensíveis para possíveis respostas. ( ) ÓTIMO ( ) BOM ( ) RAZOÁVEL ( ) RUIM 4. Coloque abaixo suas sugestões para melhorar a qualidade deste e de outros materiais. _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________ _______________________________________________________