Sugestões de Adubação e Calagem no Estado do Ceará Leoncio
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Sugestões de Adubação e Calagem no Estado do Ceará Leoncio


DisciplinaQuímica e Fertilidade do Solo82 materiais1.967 seguidores
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Transcrito por: Leoncio Gonçalves Rodrigues 2013
Recomendações de Adubação e Calagem para o Estado do Ceará
Tecnologia em Irrigação e Drenagem
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INTRODUÇÂO
Este manual contém as recomendações de adubação e calagem para a maioria das culturas exploradas no Estado do Ceará. As informações aqui contidas, resultantes dos trabalhos de pesquisa existentes na região, e da experiência de campo adquirida pelos extensionistas ao longo dos anos, se traduzem numa tentativa de que elas possam representar um importante suporte básico à assistência técnica.
O trabalho da revisão da publicação Recomendações de Adubação para o Estado do Ceara, editado em 1978, surgiu da necessidade sentida pelos professores, pesquisadores e extensionistas que trabalham com fertilidade do solo e adubação e de sugestão surgida no Simpósio sobre Pedologia e seus Problemas no Ceará, promovido pela Associação dos Engenheiros Agrônomos do Ceará (AEAC) e Comissão Estadual de Solos do Ceará (CESSOLOS-CE), em abril de 1990. Logo após o evento, por iniciativa dos próprios técnicos, uma equipe interinstitucional de trabalho (UFC/EMATERCE/EPACE/FUNCEME) foi formada para efetivar a então reivindicada revisão. Na estratégia traçada, técnicos de diferentes regiões do Estado foram convidados a participar, procurando-se, desta maneira, somar os conhecimentos e as experiências adquiridas nas diversas culturas em diferentes microrregiões. Uma vez formuladas, as propostas de recomendações para as principais culturas foram submetidas à apreciação dos diversos técnicos ligados a pesquisa, ao ensino, a assistência técnica e a extensão rural do Estado do Ceará. Destes contatos resultou o aprimoramento do trabalho da equipe que se consolidou na elaboração deste manual de Recomendações de Adubação e Calagem para o Estado do Ceará, dirigido aqueles que, direta ou indiretamente, estão envolvidos com a atividade agrícola.
As recomendações aqui enunciadas pressupõem que todos os demais fatores de produção (especialmente água, recurso limitante no semiárido) estejam em condições satisfatórias, ou ótimas, incluindo-se a correção da acidez do solo e o manejo adequado do solo e da cultura. Como se trata de recomendações gerais, estas poderão ser modificadas de acordo com as variações de solo, clima, cultivar, orientação agronômica, etc. Poderão, ainda, ser alteradas num futuro próximo, de acordo com o desenvolvimento da pesquisa e a introdução de novas praticas.
AMOSTRAGEM DO SOLO
2.1.	Considerações Gerais
A coleta de amostras de solos é o primeiro passo para a caracterização da fertilidade de um solo. Portanto, trata-se de uma fase importante, e deve ser executada com bastante critério e cuidado, a fim de que os resultados analíticos retratem as reais características e propriedades dos solos.
 Os principais objetivos da analise da fertilidade do solo são: a) avaliar o nível da fertilidade atual do solo; e b) orientar a aplicação correta de corretivos, fertilizantes minerais e orgânicos as culturas.
2.2.	Material Necessário para a Coleta de Amostras
Para a coleta adequada das amostras de solo, comumente necessita-se de um dos seguintes materiais (Fig. 2.1): a) Trado holandês: adequado para amostragem de até 80 cm de profundidade; tem bom desempenho em qualquer tipo de solo, embora exija grande esforço físico; b) Trado de rosca: mais usado em solos arenosos e úmidos; c) Trado de caneco: ideal para solos secos e compactados, d) Calador: ideal para solos de textura médios e úmidos; e e) Pá de corte: mais simples e disponível para o agricultor.
Figura 2.1 Equipamentos mais comuns para a coleta das amostras de solo.
Para a coleta de amostras. Profundas, pode-se usar a cavadeira ou trado com cabo alongado. Além dos instrumentos citados, são necessários ainda, para a coleta, recipientes limpos, lápis, sacos plásticos e etiquetas. Um modelo de etiqueta é sugerido a seguir:
	Propriedade
	
	Proprietário
	
	Município
	
	Identificação
	
	Cultura
	
	Data da coleta
	
2.3 Procedimentos para a coleta da amostra de solo.
 As áreas a serem amostradas são geralmente aquelas que irão ser cultivadas na pr6xima safra agrícola.
 A propriedade agrícola deverá ser dividida em áreas que apresentem características uniformes. Para tal, leva-se em conta a cor o solo, a textura da camada superficial (arenosa ou leve, argilosa ou pesada, franca ou média), a posição topográfica (partes baixas ou altas e encostas), o tipo de cobertura vegetal ou cultura existente, as condições de drenagem e o histórico da área quanto à adubação ou correção anterior (Fig. 2.2).
Zoneamento da propriedade agrícola em áreas com características uniformes para a coleta da amostra de solo.
A coleta da amostra de solo para a análise de fertilidade deve ser realizada na camada superficial (0 a 20 cm de profundidade). A área escolhida deve ser percorrida em zig-zag (Fig. 2.3) e coletadas, com auxilio de ferramentas adequadas (Fig. 2.1), várias sub-amostras em diferentes pontos (no mínimo vinte), tendo o cuidado de retirar sempre o mesmo volume de terra e a mesma profundidade. É conveniente amostrar o subsolo (20 a 50 cm de profundidade) seguindo-se os mesmos critérios anteriormente citados, nos seguintes casos: a) novas áreas a serem plantadas, principalmente, aquelas destinadas à implantação de culturas perenes; e b) áreas com suspeita de problemas químicos no subsolo, tais como: acidez elevada (revelada pela presença de raízes pequenas dilaceradas e fibrosas das plantas nativas ou cultivadas), camadas salinizadas (comuns em solos Aluviais, Planossolo Solódico ou Solonetz Solodizado).
Figura 2.3. Procedimento para a coleta da amostra de solo para a análise da fertilidade.
O envio da amostragem de solo para o laboratório deve ser acompanhado de informações complementares que ajudarão na interpretação dos resultados. Um modelo de formulário com estas informações é apresentado a seguir. 
	Informações Complementares para Auxiliar na Avaliação da Analise de Fertilidade do Solo:
	Propriedade
	
	Proprietário. 
	
	Município: 
	
	Estado: 
	
	Amostra composta de:
	
	Sub-amostras.
	
	Profundidade da amostra: (cm) 
	
	Área amostrada (ha):
	
	Vegetação nativa: 	
	
	Cultura anterior: 	
	
	Produção (kg/ha): 	
	
	Cultura atual:
	A ser plantada
	Existente
	Idade
	
	
	
	
	Itens
	SIM
	NÃO
	Vai ser irrigado?
	
	
	Já fez calagem? 
	
	
	Recebeu adubação mineral? 
	
	
	Recebeu adubação orgânica?
	
	
	 Data da coleta:
	
	
	
RESULTADOS DA ANALISE DO SOLO
3.1. Unidades de Expressão dos Resultados da Analise
Os resultados das analises de solos são, comumente, expressos em dois sistemas de unidades. Um sistema indica a quantidade do nutriente por peso de solo e, o outro, por volume de solo. A conversão de um sistema em outro requer o conhecimento da densidade do solo usado na análise (Terra Fina Seca ao Ar - TFSA, ou, na estufa - TFSE). Por outro lado, a quantidade de nutriente também pode ser expressa em unidades de massa física (quilograma - kg, grama - g, miligrama - mg, micrograma - ug) ou químicas (moles-mol, equivalente - eq., miliequivalente - meq, microequivalente - ueq) e relaciona-se com a quantidade de solo, em peso ou volume, para expressar os resultados das analises. A seguir são indicadas algumas formas mais comuns de expressar os resultados,
Percentagem (%) \u2014 é uma medida de proporção que indica quantas partes do nutriente estão presentes em 100 partes de solo. É importante que ambas as partes estejam na mesma unidade. Usualmente a relação é massa/massa. Exemplo: 2% de CaCO3 no solo, significam que em 100g (ou kg) de solo ha 2 g (ou kg) de CaCO3..
Partes por milhão (ppm) - a semelhança da percentagem, é uma medida de proporção usada para concentrações muito pequenas. Indica as partes dos nutrientes presentes em um milhão de partes de solo. Usualmente se usa