FISIOPATOLOGIA E CLÍNICA DAS ALTERAÇÕES METABÓLICAS
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FISIOPATOLOGIA E CLÍNICA DAS ALTERAÇÕES METABÓLICAS


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níveis de 450-550 indicam 
controle moderados e aqueles acima de 500 indicam controle ruim. Níveis altos de frutosamina 
indicam controle pobre, mas não ajudam a identificar a causa e, portanto, todas as possibilidades 
devem ser consideradas: curta duração do efeito da insulina, subdose de insulina, doenças causando 
resistência à insulina e efeito Somogyi.
As medidas de glicose são necessárias para caracterizar o problema e avaliar a ação da insulina. 
Uma única medição é suficiente quando os sintomas do diabetes foram resolvidos e a glicemia está 
entre 10-15 mmol/l no momento da administração de insulina e ainda quando a frutosamina está 
entre 350-450 umol/l. Por um lado, esse quadro indica controle satisfatório e outras aferições não 
são necessárias. Por outro lado, curvas seriadas de glicemia (BCG), para as quais a glicose é medida 
a cada 1-2h, devem ser realizadas em animais com poliúria, polidipsia e perda de peso persistente 
assim como níveis de frutosamina acima de 550 umol/l. A insulina e o alimento são administrados 
em casa e as medições para BGC são iniciadas logo em seguida. As variáveis mais importantes 
avaliadas pelo BGC são a eficácia da insulina, o nadir de glicose e a duração do efeito. A eficácia da 
insulina (diferenças entre a concentração mais alta e mais baixa de glicose no dia) é interpretada 
com referência a concentração mais alta de glicose e dose de insulina. Uma diferença pequena (por 
exemplo 3 mmol/l) é aceitável se a glicemia mais alta for menor que 12 mmol/l mas não é aceitável se 
for maior que 17 mmol/l. Uma diferença de 6 mmol/l deveria indicar eficácia satisfatória da insulina 
em uma animal recebendo uma dose maior que 1,5 U/kg. No último caso, problemas técnicos e fase 
contrarregulatória do efeito de Somogyi também devem ser considerados.
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UNIDADE III \u2502 DIABETES MELLITUS
O nadir de glicose, que deve ser interpretado em seguida, é idealmente 5-8 mmol/l. Um nadir mais 
baixo pode ser cauculado por uma dose muito alta de insulina, redundância excessiva das ações 
da insulina, fala de ingestão de comida e exercícios excessivos. Um nadir de glicose maior que 9 
mmol/l pode ser o resultado de uma dose baixa de insulina, estresse, a fase contrarregulatória do 
efeito Somogyi, além de problemas técnicos por parte dos donos. Em um animal que já está sendo 
tratada com altas doses, a resistência à insulina ainda é uma possibilidade. É muito importante 
identificar a causa, para que se corrija o tratamento. 
A duração do efeito da insulina é definida como o tempo da injeção, passando pelo nadir de glicose 
até que a concentração de glicose retorne a 12-15 mmol/l. Se a duração for menor que 8-10h, 
provavelmente está ocorrendo polidipsia e poliúria e outros sintomas do diabetes; mais do que 14h 
indica um grande risco de poliglicemia ou efeito Somogyi. Pode ser possível melhorar a duração da 
ação manipulando a dieta, mas caso isso não funcione, recomenda-se a mudança da insulina para 
alguma com perfil de ação diferente. 
Dependendo dos resultados do BGC, uma mudança na dose de insulina e às vezes uma mudança na 
preparação da insulina serão necessárias. Como regras, mudanças na dose devem ser da ordem de 
10-25%, mas seguindo hipoglicemia ou efeito de Somoguyi, a dose deve diminuir em 50%. Mudanças 
em intervalos menores que 5-7 dias não devem ser feitas, exceto em caso de hipoglicemia recorrente.
No passado, os BGCs eram realizados, via de regra, em hospitais veterinários, porque a maior parte 
dos donos não conseguia coletar sangue venoso. Mesmo assim, a abordagem era demorada e cara 
e, portanto, provavelmente não era tão realizada quanto deveria ser. Além disso, os resultados 
desses BGCs podem ser influenciados pelo estresse, falta de exercício e diferenças na rotina de 
alimentação. Felizmente, há agora métodos disponíveis para permitir que o dono meça a glicemia 
em casa. Sangue capilar é coletado do ouvido interno do cão usando um dispositivo de punção e 
a glicemia é medida com um medidor de glicose portátil (PBGM). Por outro lado, alguns donos 
podem ser treinados para coletar de um vaso periférico com agulha e seringa. Em qualquer um dos 
casos, o monitoramento caseiro da glicemia pode ser um desafio para os donos e todos os esforços 
devem ser feitos para minimizar as dificuldades técnicas. O dono deve receber acesso rápido ao 
suporte veterinário sempre que for necessário.
Numa clínica de pequenos animais da Universidade de Zurich, o monitoramento em casa não 
começa antes da terceira semana de tratamento. O que permite ao dono se familiarizar com a 
doença e ganhar experiência com a injeção de insulina. Uma vez que o dono esteja confortável 
com o procedimento, ele ou ela mede a concentração de glicose em jejum do animal duas vezes por 
semana e a BGC uma vez por mês. Os primeiros servem para detectar a hipoglicemia matinal e, caso 
seja detectada, os donos são instruídos a contatar a clínica.
Para a determinação do BGC, a glicemia é medida antes da injeção de insulina (jejum) e então a cada 
duas horas até a próxima injeção. A interpretação do BGC segue as mesmas regras das usadas no 
hospital. Pode ser considerado uma variabilidade diária de glicemia devido à diferença na absorção 
de insulina e diferentes níveis de estresse e exercícios. Curvas individuais podem, portanto, não 
refletir uma situação glicemia verdadeira, independente se eles estão no hospital ou em casa. 
Entretanto, uma das maiores vantagens do monitoramento em casa é que ele permite que o BGC 
seja feito frequentemente, o que pode ser de importância particular para animais com dificuldade 
de regular a glicemia ou nos quais a resistência à insulina tem chance de diminuir e que precisam 
de atenção especial.
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CAPítulo 4
diabetes mellitus em gatos
O diabetes mellitus é uma doença endócrina comum em gatos. O diabetes tipo I parece ser 
bastante raro em gatos, em contraste com o que acontece em cães. Anticorpos contra as célula-\u3b2 
e a insulina não são encontrados em gatos com infiltração linfocítica, um marcador da destruição 
imuno-mediada, tendo sido descrito somente em um pequeno número de casos.
Assume-se atualmente que, em aproximadamente 80% dos gatos, a doença se assemelha ao 
diabetes tipo II, baseado em características clínicas e histologia das ilhotas. O diabetes tipo II é 
uma doença heterogênica envolvendo a combinação de bloqueio da ação da insulina (resistência 
à insulina) e falência das células-\u3b2. Fatores ambientais e genéticos têm um importante papel no 
desenvolvimento deste tipo de diabetes, mas os fatores genéticos ainda não foram estabelecidos em 
gatos. Os argumentos mais convincentes para a existência de fatores genéticos derivam de estudos 
na Austrália e no Reino Unido com gatos Burmese, nos quais a frequência de diabetes mostrou-se 
4 vezes maior que em gatos domésticos. Fatores de risco adicionais incluem envelhecimento, 
sexo masculino, castração, inatividade física, administração de glicocorticoides e progestágenos e 
obesidade. Assim como em humanos, o fator de risco mais importante em gatos é a obesidade e 
mostrou-se que gatos obesos têm 3,9 vezes mais chances de desenvolver diabetes do que qualquer 
gato com peso normal. Em experimentos com gatos saudáveis uma média de ganho de peso de 1,9 
kg durante o teste de alimentação foi associada com mais de 50% de diminuição na sensibilidade à 
insulina. Gatos machos tendem a ter menor sensibilidade à insulina antes do teste e ganharam mais 
peso do que as fêmeas, o que pode explicar o seu maior risco de diabetes. 
É atualmente aceito que em humanos o tecido adiposo é um órgão endócrino importante, produtor 
de vários fatores que coletivamente são chamados adipocinas que influenciam a sensibilidade à 
insulina. Dentre eles estão a leptina, adiponectina e citocinas pró-inflamatórias como TNF-a e IL-