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Livro Direito e Legislação

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Direito e
Legislação Social
Direito e
Legislação Social
Leonice Aparecida de Fátima Alves
Conselho Editorial EAD
Dóris Cristina Gedrat (coordenadora)
Mara Lúcia Machado
José Édil de Lima Alves
Astomiro Romais
Andrea Eick
Obra organizada pela Universidade Luterana do Brasil.
Informamos que é de inteira responsabilidade dos autores
a emissão de conceitos.
Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida
por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da
Editora da ULBRA.
A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na
Lei nº 9.610/98 e punido pelo Artigo 184 do Código Penal.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Setor de Processamento Técnico da Biblioteca Martinho Lutero - ULBRA/Canoas
ISBN: 978-85-5639-147-6
Dados técnicos do livro
Fontes: Verdana, Arial
Papel: offset 90g (miolo) e supremo 240g (capa)
Medidas: 15x22cm
Impressão: Gráfica da ULBRA
Janeiro/2010
A474d Alves, Leonice Aparecida de Fátima
Direito e legislação social. / Leonice Aparecida de Fátima Alves. - Canoas:
Ed. ULBRA, 2010.
184p.
1. Serviço social - direito. 2. Legislação social. I. Título.
 CDU 364.442:34
 34:364.442
Apresentação
A disciplina de Direito e Legislação Social é uma disciplina
básica para o curso de Serviço Social. Ademais, podemos afirmar
que se trata de uma disciplina propedêutica, pois tem caráter
introdutório, basilar que poderá ser aprofundado na sequência
de estudos sobre legislação social.
Esta disciplina é de suma importância para a atuação
profissional do futuro assistente social, uma vez que fundamenta
juridicamente a organização do Estado Brasileiro, disponibilizando
a(os) acadêmica(os) noções preliminares sobre direitos humanos,
sobre a organização do Poder Judiciário, sobre os direitos e
garantias individuais e coletivos, assim como os mecanismos
mais adequados para a defesa desses direitos, todos
materializados na atual Constituição Brasileira – CF/88.
O objetivo central da disciplina é capacitar o(a)
acadêmico(a) a utilizar os instrumentos jurídicos que podem
assegurar o efetivo cumprimento dos direitos sociais, assim
como orientar a atuação profissional dos egressos do curso de
Serviço Social.
O presente livro está organizado em nove capítulos,
divididos em unidades para a melhor compreensão dos assuntos
tratados.
Ao final de cada capítulo você encontrará uma sugestão
de atividade a ser realizada para qualificar a reflexão sobre os
conteúdos estudados. Também ao final dos capítulos você terá
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uma referência comentada, além das referências utilizadas para
a elaboração do texto, sendo recomendável a leitura e o
manuseio daquelas fontes, especialmente quando se tratar de
legislação, uma vez que o conhecimento desta é indispensável
para o bom aproveitamento da disciplina.
Qualificaria o estudo da disciplina se você dispusesse das
legislações citadas na sua integralidade, em que pese, para
facilitar a aprendizagem, todos os capítulos serem fartamente
ilustrados com os principais trechos da legislação em análise.
Também com o propósito de facilitar a aprendizagem
optamos por destacar, em itálico, as transcrições que são
trechos de leis, para que as mesmas não sejam confundidas
com citações doutrinárias.
O último item de cada capítulo consiste em atividades
objetivas denominadas de Autoavaliação, com o propósito de
verificar seu conhecimento acerca dos temas tratados, além
de orientar seus estudos e reflexões.
Depois dessas informações podemos dar início à disciplina!
Profª. Leonice Aparecida de Fátima Alves
Apresentação
Sumário
Capítulo I
Direitos Humanos, 13
1.1 Antecedentes, 13
1.2 Gerações de Direito, 14
1.2.1 Direitos de Primeira Geração, 15
1.2.2 Direitos de Segunda Geração, 15
1.2.3 Direitos de Terceira Geração, 16
1.2.4 Direitos de Quarta Geração, 16
1.3 Direitos Humanos no Direito Internacional, 18
1.3.1 Sistema Interamericano de Proteção
dos Direitos Humanos, 25
Atividades, 29
Referência comentada, 29
Referências, 30
Autoavaliação, 31
Capítulo II
Algumas noções de Direito, 33
2.1 Ordenamento Jurídico, 33
2.2 Hierarquia das Leis, 34
2.3 Direito Constitucional, 35
2.3.1 Natureza Jurídica, 36
2.3.2 Objeto do Direito Constitucional, 36
2.4 Princípios Fundamentais da Constituição de 1988, 37
2.4.1 Direitos e Garantias Fundamentais, 39
2.4.2 Direitos e Deveres Individuais e Coletivos, 39
Atividades, 43
Referência comentada, 43
Referências, 43
Autoavaliação, 44
Capítulo III
Direitos Sociais, 47
3.1 Definição, 47
3.2 Remédios e Garantias Constitucionais, 61
3.3 Organização dos Poderes, 63
3.3.1 Poder Judiciário, 64
3.3.2 Os Órgãos do Poder Judiciário, 66
3.3.3 Das Funções Essenciais à Justiça, 67
Atividades, 68
Referência comentada, 69
Referências, 69
Autoavaliação, 69
Capítulo IV
Seguridade Social, 71
4.1 Antecedentes, 71
4.2 Saúde, 78
4.3 Previdência Social, 80
4.3.1 Benefícios Previdenciários, 81
Atividades, 87
Referência comentada, 87
Referências, 87
Autoavaliação, 89
Capítulo V
Assistência Social, 91
5.1 Definição, 91
5.2 Família, 93
5.3 Criança e Adolescente, 95
5.3.1 Conselho Tutelar, 101
5.3.2 Adolescente e Trabalho, 102
5.4 Idosos, 102
5.5 Pessoas Portadoras de Deficiência - PPDs, 105
Atividades, 112
Referência comentada, 112
Referências, 113
Autoavaliação, 113
Capítulo VI
Lei Orgânica de Assistência Social - LOAS, 115
6.1 Antecedentes, 115
6.2 LOAS, 117
Atividades, 126
Referência comentada, 126
Referências, 126
Autoavaliação, 127
Capítulo VII
Sistema Único de Assistência Social - SUAS, 129
7.1 Sistema Único de Assistência Social - SUAS, 129
7.2 Fundo Nacional de Assistência Social - FNAS, 135
Atividades, 139
Referência comentada, 139
Referências, 139
Autoavaliação, 140
Capítulo VIII
Entidades e Organizações de Assistência Social, 143
8.1 Definição, 143
8.2 Inscrição Municipal, 147
8.3 Denominações Jurídicas, 148
8.4 Registro no Conselho Nacional de Assistência
Social/CNAS, 149
8.5 Titulação das Entidades ou Organizações, 150
Atividades, 155
Referência comentada, 156
Referências, 156
Autoavaliação, 157
Capítulo IX
Lei do Assistente Social e Código de Ética, 159
9.1 Lei do Assistente Social, 159
9.2 Conselho Federal de Serviço Social/CFESS e
Conselhos Regionais de Serviço Social/CRESS, 164
9.3 Código de Ética, 171
Atividades, 180
Referência comentada, 180
Referências, 180
Autoavaliação, 181
Cap. I
Direitos Humanos
Esse capítulo tem o propósito de disponibilizar a(o)
acadêmica(o) noções fundamentais e indispensáveis para o seu
exercício profissional, no que diz respeito aos fundamentos dos
direitos humanos, destacando a sua trajetória histórica e os
principais Tratados Internacionais que discutem essa matéria.
Além do material instrucional os acadêmicos poderão
encontrar maiores informações e esclarecimentos na bibliografia
indicada ao final do capítulo.
1.1 Antecedentes
Ainda que possamos identificar em legislações bastante
remotas da antiguidade, elementos importantes para a
construção do que, na atualidade, denominamos de direitos
humanos, os mesmos - concebidos pelo prisma jurídico e não
religioso - encontraram na Magna Carta Inglesa, datada de
1215, a sua primeira sistematização, merecendo referência ainda
o Bill Of Rights de 1698 e a Declaração dos Direitos do
Homem e do Cidadão na França revolucionária de 1789.
As referências antes apontadas são relevantes em razão
do fato de que esses textos jurídicos são apontados pela ciência
política como instrumentos importantes para a consolidação do
Estado Moderno que, no entendimento dos juristas, tem como
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principal função garantir o respeito e o cumprimento pleno dos
direitos humanos, resultando daí a ligação entreo conceito de
Estado, cidadania e direitos humanos.
Acerca dessa modalidade de direito os estudiosos da matéria
apontam basicamente duas grandes possibilidades de perceber
a trajetória dos direitos humanos. A primeira delas atribui aos
direitos humanos uma perspectiva jusnaturalista, ou seja,
compreendendo-os como naturais, inerentes a todo o ser
humano independente da materialização formal nas leis,
recusando-se, esses estudiosos, a perceber essa modalidade
de direito como produto de uma série de transformações e
demandas de determinados grupos sociais.
A segunda possibilidade de compreensão dos direitos
humanos é identificada como concepção geracional do direito,
reconhecendo até 4 gerações de direito que teriam surgido em
momentos históricos distintos, sem que haja no, entanto,
nenhuma contradição entre eles, visto que todos são tratados
como fundamentais e complementares.
É importante referir que quando pensamos os direitos
humanos pelo prisma geracional não estamos afirmando que
uma geração de direito necessariamente sucede/substitui a
outra, ocorrendo isso sim, uma expansão de direitos e não uma
fragmentação como alguns críticos a essa concepção afirmam.
 Cabe mencionar que, ainda que reconhecidos como
universais, os Direitos Humanos, na perspectiva geracional, são
entendidos como elaborações sócio-históricas fruto dos
diferentes momentos pelos quais a sociedade passou nos últimos
séculos.
1.2 Gerações de Direito
Como dito anteriormente podemos identificar até 4
gerações de direito.
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1.2.1 Direitos de
Primeira Geração
Os direitos de primeira geração contemplam basicamente
os direitos civis e os direitos políticos, especialmente aqueles
relacionados à liberdade, à vida, à propriedade, à isonomia de
todos perante a lei, as liberdades de expressão coletivas
(imprensa, reunião, associação, cátedra, etc.) e os direitos
políticos, em especial o direito de votar e ser votado.
Os direitos de primeira geração têm como titulares os
indivíduos, sendo ainda oponíveis contra outros indivíduos, quer
pessoas físicas ou jurídicas e também contra o Estado.
Quando nos referimos aos direitos de primeira geração
apontamos ainda alguns mecanismos legais utilizados quando
da violação ou ameaça de violação de direitos fundamentais,
merecendo destaque o habeas corpus e o direito de petição,
que serão tratados oportunamente.
1.2.2 Direitos de
Segunda Geração
A segunda geração de direitos pressupõe um
desenvolvimento sócio-histórico da coletividade que passou a
demandar a montagem de um aparato público capaz de
disponibilizar para todos os indivíduos determinadas prestações
sociais percebidas como elementares, merecendo destaque a
educação, saúde, segurança, habitação, previdência social,
entre outras.
Os direitos dessa natureza podem ser datados, no que
tange a seu registro nas legislações constitucionais ou ordinárias
dos Estados, em meados do século XX.
Como direitos de segunda geração podemos identificar os
direitos econômicos, sociais e culturais, assim como os direitos
coletivos e as liberdades individuais. Essa modalidade de direito
é identificada como positiva, uma vez que implica ao Estado
impossibilitando, momentânea ou definitivamente, de prover seu
próprio bem-estar, sendo um direito dos indivíduos e um
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dever do Estado.
Em razão dos direitos sociais, tornam-se deveres do Estado
assistir à velhice, aos desempregados, à infância, aos doentes,
aos deficientes de toda sorte, etc. Com o advento das
liberdades sociais, surge a liberdade de sindicalização e o
direito de greve, além do reconhecimento de direitos
fundamentais aos trabalhadores, tais como salário mínimo e
a limitação da jornada de trabalho. (BASTOS, 1999, p. 259)
1.2.3 Direitos de
Terceira Geração
A segunda metade do século XX pode ser identificada como
um período bastante fértil para os direitos humanos em especial
a partir de 1960, consolidando a denominada terceira geração
de direitos humanos, inspirados na fraternidade ou
solidariedade, estabelecendo-se dessa forma a maior
universalização dos direitos, principalmente em razão da
constituição das sociedades de massa, propiciadas pelo processo
de urbanização e industrialização, intensificadas no período em
estudo.
Paulo Bonavides exemplifica esses direitos com o direito
ao desenvolvimento, a paz, ao patrimônio histórico e cultural
da humanidade, a proteção ao consumidor, ao idoso, a criança
e ao adolescente, etc.
1.3.3 Direitos de
Quarta Geração
Para alguns autores o desenvolvimento jurídico-institucional
dos dias atuais provocou um outro desdobramento no que diz
respeito aos direito humanos, sendo apropriado falarmos no
surgimento de uma quarta geração de direitos, resultantes
principalmente dos avanços tecnológicos e científicos das
últimas décadas, que têm colocado a humanidade diante de
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situações absolutamente inusitadas, em especial quando
consideramos a temática da ética diante das inovações
científicas, onde as três gerações anteriormente informadas
acabam sendo insuficientes diante do novo contexto.
Cumpre informar ainda que não há consenso entre os
estudiosos acerca dos encaminhamentos mais adequados e
pertinentes para as novas questões com as quais nos
deparamos, o que por sua vez também é importante para
percebermos caráter dinâmico e mutável do direito, o que a
perspectiva jusnaturalista nem sempre permite observar.
A título de esclarecimento devemos referir que os direitos
humanos não se confundem com a cidadania, que pode ser
definida como direitos políticos dos indivíduos, que são apenas
uma fração dos direitos humanos, também denominados direitos
fundamentais da pessoa humana, independentemente do grupo
social a que pertençam.
Geração Período Características
1ª
2ª
3ª
4ª
Séculos XVI, XVII e
XVIII
Século XIX
Meados do século
XX
Final do século XX
e início do século
XXI (em
andamento)
Direitos naturais
racionalizados
Demandas políticas,
econômicas, sociais
no contexto do
liberalismo e do
socialismo
Universalização dos
direitos
Incorporação de
direitos de grupos
no contexto da
globalização
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Aqui citamos Dallari, que afirma:
A expressão “direitos humanos” é uma forma abreviada de
mencionar os direitos fundamentais da pessoa humana. Esses
direitos são considerados fundamentais porque sem eles a
pessoa humana não consegue existir ou não é capaz de se
desenvolver e de participar plenamente da vida. Todos os
seres humanos devem ter asseguradas, desde o nascimento,
as mínimas condições necessárias para se tornarem úteis à
humanidade, como também devem ter a possibilidade de
receber os benefícios que a vida em sociedade pode
proporcionar. Esse conjunto de condições e de possibilidades
associa as características naturais dos seres humanos (...). É
a esse conjunto que se dá o nome de direitos humanos.
(DALLARI, 2002)
1.3 Direitos Humanos no
Direito Internacional
Antes de referirmos sobre a Constituição Brasileira e a
proteção dos direitos humanos devemos, brevemente, tecer
algumas considerações sobre os Tratados Internacionais,
instrumentos por excelência da fixação de direitos humanos no
século XX.
Os Tratados Internacionais são legislações editadas no
cenário internacional, regulamentados pelo direito internacional,
também chamados de Convenção, Protocolo, Carta,
Convênio, Acordo, ou Pacto que envolvem Estados, que com
a sua assinatura se comprometem a implementar as medidas
ali descritas, passando a ser denominados de Estados-parte,
ou seja, Estados que expressamente consentiram na adoção
dos dispositivos constantes no texto do Tratado.
No que diz respeito à formação dos Tratados Internacionaisos mesmos têm início com atos de negociação e conclusão
para a posterior assinatura do documento, que é matéria de
competência do Poder Executivo, sendo importante referir que
a assinatura de um Tratado indica apenas o aceite da
matéria em discussão, não produzindo efeitos jurídicos
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imediatos, devendo ser ratificado, total ou parcialmente, pelo
Poder Legislativo1 salvo quando tratar de matéria de direitos
humanos, quando estamos diante do “princípio da prevalência
ou do primado dos direitos humanos”, que nada mais é do
que a aceitação da supremacia de temática referente a direitos
humanos, sem a necessária incorporação ao ordenamento
jurídico interno, via atuação do Poder Legislativo, de tal sorte
que já com a assinatura ele produz efeitos.
No entendimento de Piovesan:
[...] Não será mais possível a sustentação da tese de que
com a ratificação os tratados obrigam diretamente aos
Estados, mas não geram direitos subjetivos para os
particulares, enquanto não advier a referida intermediação
legislativa. Vale dizer, torna-se possível a invocação imediata
de tratados e convenções de direitos humanos dos quais o
Brasil seja signatário, sem a necessidade de edição de ato
com força de lei, voltado à outorga de vigência interna aos
acordos internacionais. (2002, p. 99)
A violação ou negação de direitos humanos pode implicar
em penalização do Estado violador ou do Estado que teria a
responsabilidade de impedir a violação e assim não procedeu,
visto que as sanções do direito internacional público são sempre
dirigidas aos Estados e não aos indivíduos.
Os principais dispositivos legais que regulamentam matéria
de direitos humanos no direito internacional datam do pós
Segunda Guerra Mundial, que é identificado pela literatura
especializada como o momento da efetiva Internacionalização
dos Direitos do Homem, de tal sorte que:
O Moderno Direito Internacional dos Direitos Humanos é um
fenômeno do pós-guerra. Seu desenvolvimento pode ser
atribuído às monstruosas violações de direitos humanos da
Era Hitler e à crença de que parte destas violações poderiam
ser prevenidas se um efetivo sistema de proteção internacional
de direitos existisse. (BUERGENTHAL apud PIOVEZAN, 2002,
p. 131)
1 Art. 84, Inciso VIII da Constituição Federal.
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 A Carta das Nações Unidas de 1945, bem como a criação
de agências especializadas em resolver conflitos dessa
natureza (Corte Internacional de Justiça), inauguram esse
novo momento no que tange a internacionalização dos
Direitos Humanos.
Citamos aqui o artigo 55 da Carta das Nações Unidas que
explicita o propósito dessa organização no que diz respeito à
promoção dos direitos humanos, como segue:
Art. 55: Com vistas à criação de condições de estabilidade e
bem estar, necessárias para a pacífica e amistosa relação
entre as Nações, e baseada nos princípios da igualdade de
direitos e autodeterminação dos povos, as Nações Unidas
promoverão:
a)...
b)...
c) o respeito universal e a observância dos direitos humanos
e liberdades fundamentais para todos, sem distinção de raça,
sexo, língua ou religião.
É preciso referir ainda que a Carta das Nações Unidas
de 1945 não define efetivamente o que são direitos humanos,
o que somente foi feito no ano de 1948 com a Declaração
Universal dos Direitos Humanos que estabeleceu um
conjunto de direitos e prerrogativas sem as quais não pode o
ser humano desenvolver-se plenamente. Assim como a Carta
das Nações Unidas, a Declaração Universal dos Direitos, prima
pela universalidade no que tange a sua abrangência visto ser
aplicável para todas as pessoas, em todos os países,
independente de raça, religião, sexo ou regime político nos
territórios em que incide.
Acerca desse documento Piovesan afirma:
A Declaração Universal de 1948 objetiva delinear uma ordem
pública mundial fundada no respeito à dignidade humana, ao
consagrar valores básicos universais. Desde seu preâmbulo,
é afirmada a dignidade inerente a toda pessoa humana, titular
de direitos iguais e inalienáveis. Vale dizer, para a Declaração
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Universal a condição de pessoa é o requisito único e exclusivo
para a titularidade de direitos; A universalidade dos direitos
humanos traduz a absoluta ruptura com o legado nazista,
que condicionava a titularidade de direitos à pertinência à
determinada raça (a raça pura ariana) [...] Além da
universalidade dos direitos humanos, a Declaração de 1948,
ainda introduz a indivisibil idade desses direitos, ao
ineditamente conjugar o catálogo dos direitos civis e políticos
ao catálogo dos direitos econômicos, sociais e culturais. (2002,
p. 146)
A Declaração Universal de 1948 não é um tratado, tendo
sido adotada pela ONU na forma de Resolução, sendo
considerada a parte interpretativa da Carta das Nações Unidas
por dar conteúdo a expressão “direitos humanos”.
A Declaração Universal de 1948 é formada por 30
artigos, além de um preâmbulo com 7 considerandos, onde
são reconhecidos a dignidade da pessoa humana, o ideal
democrático, o direito de resistência à opressão e a concepção
comum desses direitos. Do artigo 1º até o 21 encontramos os
direitos e garantias individuais; do artigo 22 ao 28 estão
dispostos os direitos sociais do homem; o artigo 29 estabelece
os deveres das pessoas para com a comunidade e no artigo 30
consta que a interpretação da Declaração Universal de 1948
deverá observar sempre o princípio do benefício dos direitos e
liberdades nela proclamadas.
Ainda no ano de 1948 entra em vigor a Convenção
Internacional Para Prevenção e Repressão do Crime de
Genocídio.
Após a ONU ter disponibilizado a Declaração Universal dos
Direitos do Homem em 1948, muito se discutiu, no cenário
internacional, acerca da força jurídica vinculante daquele
documento, visto não tratar-se de um Acordo Internacional.
Para resolver esse litígio no ano de 1966, foram concluídos dois
importantes Tratados sobre a matéria, quais sejam: Pacto
Internacional de Direitos Civis e Políticos e Pacto
Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e Culturais
que passaram a incorporar a Declaração Universal de
1948. Esses dois Tratados só entraram em vigor no ano de
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1976, quando atingiram o número mínimo de ratificações
previstas quando da elaboração do documento.
O Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos
estabelece o dever dos Estados-parte assegurar os direitos
nele arrolados, além de coibirem a violação desses direitos por
particulares, ratificando os dispositivos da Declaração Universal
de 1948.
Os principais direitos e liberdades estabelecidos nesse
diploma legal são: direito à vida, direito de não ser submetido à
tortura ou ao tratamento cruel, desumano ou degradante; direito
a não ser escravizado, nem submetido à servidão; direito à
liberdade e à segurança pessoal, não sujeito a prisão ou
detenção arbitrária; direito a um julgamento justo e igualdade
perante a lei; proteção contra a interferência arbitrária na vida
privada, liberdade de movimento; direito a uma nacionalidade;
direito de casar e formar família; liberdade de pensamento,
consciência e religião; liberdade de opinião e expressão; direito
à reunião pacífica; liberdade de associação, direito a aderir a
sindicatos e associações, além do direito de votar e tomar
parte no Governo.
O Pacto Internacional de Direitos Econômicos, Sociais e
Culturais também objetivou incorporar os dispositivos constantes
na Declaração Universal de 1948, tornando os preceitos ali
estabelecidos obrigatórios e vinculantes. Esse diploma legal
estabelece um extenso leque de direitos, que inclui o direito ao
trabalho, à justa remuneração, formação e associação em
sindicatos, direito à previdência social, direito à moradia,
educação, saúde, participaçãona vida cultural da comunidade,
entre outros.
Ao contrário dos direitos civis e políticos, os direitos
contemplados pelo O Pacto Internacional de Direitos
Econômicos, Sociais e Culturais, não tem uma aplicabilidade
imediata decorrente da simples assinatura. Os preceitos ali
estabelecidos deverão ser progressivamente garantidos pelos
Estados signatários desse documento, de tal sorte que os
mesmos são considerados programáticos e não
autoaplicáveis como são aqueles constantes no Pacto
Internacional de Direitos Civis e Políticos.
Acerca da reduzida aplicabilidade desses diretos
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mencionamos Piovesan que afirma que:
A violação aos direitos sociais, econômicos e culturais é
resultado tanto da ausência de forte suporte e intervenção
governamental, como da ausência de pressão internacional
em favor dessa intervenção. É, portanto, um problema de ação
e prioridade governamental e implementação de políticas
públicas, que sejam capazes de responder a graves
problemas sociais. (2002, p. 186)
Em 21 de agosto de 1965 a ONU adotou a Convenção
Internacional Sobre a Eliminação de Todas as Formas de
Discriminação Racial, sendo importante referir que, tanto no
corpo quanto no preâmbulo desse Tratado, encontramos que
qualquer doutrina que pregue a superioridade racial de um grupo
é “cientificamente falsa, moralmente condenável e socialmente
injusta e perigosa”, propondo ainda a urgência na adoção de
medidas que visem eliminar a discriminação racial definida no
seu artigo primeiro como “[...] qualquer distinção, exclusão,
restrição ou preferência baseada na raça, cor, descendência,
origem nacional ou étnica que tenha o propósito ou o efeito de
anular ou prejudicar o reconhecimento, gozo ou exercício em
pé de igualdade dos direitos humanos e liberdades fundamentais”.
Acerca da Convenção Internacional Sobre a Eliminação de
Todas as Formas de Discriminação Racial é importante mencionar
que a mesma refere no parágrafo 4º do artigo 1º, a possibilidade
dos Governos adotarem “ações afirmativas” com o propósito
de promover a ascensão social de grupos ou indivíduos, sendo
que essas medidas deverão ter caráter temporário.
Em 1979, como decorrência da ONU ter estipulado que o
ano de 1975 seria considerado o Ano Internacional da Mulher,
realizou-se a Primeira Conferência Mundial sobre a Mulher e foi
aprovada a Convenção Internacional Sobre a Eliminação
de Todas as Formas de Discriminação Contra a Mulher que,
juntamente com a Convenção Sobre Direitos da Criança, é
um dos instrumentos com maior número de Estados signatários,
ainda que, paradoxalmente, seja o Tratado que mais recebeu
ressalvas dos Estados se considerarmos os tratados que
regulamentam os direitos humanos.
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A Convenção obriga os países a eliminar a discriminação e
assegurar a igualdade da mulher em todos os campos,
estabelecendo também a possibilidade de adoção de “políticas
afirmativas”.
Em 28 de setembro de 1984 a ONU adotou a Convenção
Internacional Contra a Tortura e Outros Tratamentos ou
Penas Cruéis, Desumanas ou Degradantes. O artigo 1º
define tortura como:
Art. 1º: Qualquer ato pelo qual dores ou sofrimentos agudos,
físicos ou mentais, são infligidos intencionalmente a uma
pessoa a fim de obter dela ou de uma terceira pessoas,
informações ou confissões; de castigá-la por ato que ela ou
terceira pessoa tenha cometido, ou seja, suspeita de ter
cometidos; de intimidar ou coagir essa pessoa ou outras
pessoas; ou por qualquer motivo baseado em discriminação
de qualquer natureza; quando tais dores ou sofrimentos são
infligidos por funcionários públicos ou outra pessoa no
exercício de função pública, ou por sua instigação ou com o
seu consentimento ou aquiescência.
Acerca desse tratado devemos referir que o mesmo
estabelece jurisdição compulsória e universal para aqueles
suspeitos de prática de tortura, independente do local onde a
violação tenha ocorrido da nacionalidade do torturado ou
torturador.
Em 1989 a ONU adotou a denominada Convenção Sobre
Direitos da Criança, que como dito anteriormente, é o tratado
internacional com maior número de signatários e
ratificações. A definição de criança constante no tratado
contempla menores de 18 anos, salvo nos casos em que a
maioridade for estabelecida mais cedo.
Pela Convenção os países se obrigaram a garantir uma
proteção especial e integral, com absoluta prioridade para as
crianças.
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1.3.1 Sistema
Interamericano de
Proteção dos Direitos
Humanos
Além de mecanismos de proteção aos direitos humanos
organizados no sistema global temos também sistemas regionais
– americano, europeu e africano – para proteção desses direitos.
Passaremos agora a descrever o Sistema Interamericano e seus
principais instrumentos de proteção aos direitos humanos.
O principal instrumento jurídico de proteção de direitos
humanos interamericano é a Convenção Americana de
Direitos Humanos de 1969, que criou a Comissão e a Corte
Interamericana de Direitos Humanos. Essa convenção
também é conhecida como Pacto de San José da Costa Rica e
foi assinado pelos países membros da Organização dos Estados
Americanos- OEA.
O Pacto de San José da Costa Rica reitera os direitos
estabelecidos pelo Pacto Internacional de Direitos Civis e
Políticos, sendo importante ressalvar que a Convenção
Americana não enuncia especificamente os direitos sociais,
culturais e econômicos, constantes no Pacto Internacional de
Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, o que somente é
encontrado no Protocolo Adicional a Convenção, datado de
1988, que entrou em vigor em 1999.
De forma similar ao sistema global a OEA, no ano de 1985,
editou a Convenção Interamericana para Prevenir e Punir
a Tortura; no ano de 1994 foi elaborada a Convenção
Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência
Contra a Mulher.
Acerca desses instrumentos de defesa dos direitos
humanos, quer no sistema global, quer nos sistemas regionais,
é importante referir que mesmo diante da internacionalização
dos direitos humanos, ainda é recorrente a sua violação tanto
por parte de agentes públicos quanto particulares, de tal sorte
que a sociedade civil deve ser esclarecida sobre a possibilidade
de exigir o cumprimento do disposto nos tratados internacionais
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ou ainda garantir que a violação seja duramente repreendida,
de tal sorte a efetivamente os direitos humanos serem tratados
como tema global.
SISTEMA GLOBAL
Instrumento
Internacional Data da adoção
Data da
ratificação pelo
Brasil
Carta das Nações
Unidas
Declaração
Universal dos
Direitos Humanos
Pacto
Internacional dos
Direitos Civis e
Políticos
Pacto
Internacional dos
Direitos
Econômicos,
Sociais e Culturais
Adotada e aberta à
assinatura pela
Conferência de São
Francisco em
26.06.1945
Adotada e
proclamada pela
Resolução 217ª
(III) da Assembleia
Geral das Nações
Unidas em
10.12.1948
24.01.1992
Adotada pela
Resolução 2.200 A
(XXI) da
Assembleia Geral
das Nações Unidas
em 16.12.1966
21.09.1945
Assinada em
10.12.1948
Adotada pela
Resolução 2.200 A
(XXI) da
Assembleia Geral
das Nações Unidas
em 16.12.1966
24.01.1992
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s 
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sTabela elaborada por Piovesan, 2002, p. 338-9
Convenção para a
Prevenção e
Repressão do
Crime de Genocídio
Adotada pela
Resolução 260 A
(III) da Assembleia
Geral das Nações
Unidas em
09.12.1948
01.09.1951
Convenção contra
a Tortura e outros
Tratamentos ou
Penas Cruéis,
Desumanas ou
Degradantes
Convenção sobre a
Eliminação de
todas as formas de
Discriminação
contra a Mulher
Convenção sobre a
Eliminação de
todas as formas de
Discriminação
RacialAdotada pela
Resolução 39/46 da
Assembleia Geral
das Nações Unidas
em 18.12.1984
Adotada pela
Resolução L.44
(XLIV) da
Assembleia Geral
das Nações Unidas
em 20.11.1989
27.03.1968
Adotada pela
Resolução 2.106-A
(XX) da Assembleia
Geral das Nações
Unidas em
21.12.1965
28.09.1989
24.09.1990
Adotada pela
Resolução 34/180
da Assembleia Geral
das Nações Unidas
em 18.12.1979
01.02.1984
Convenção sobre
os Direitos da
Criança
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SISTEMA REGIONAL INTERAMERICANO
Instrumento
Internacional Data da adoção
Data da
ratificação pelo
Brasil
Convenção
Americana de
Direitos Humanos
Protocolo adicional
à Convenção
Americana dos
Direitos Humanos
em Matéria de
Direitos
Econômicos,
Sociais e Culturais
Adotado pela
Assembleia Geral
da Organização
dos Estados
Americanos em
09.12.1985
Convenção
Interamericana
para Prever, Punir,
Erradicar a
Violência contra a
Mulher
Adotada e aberta à
assinatura na
Conferência
Especializada
Interamericana
sobre Direitos
Humanos em San
José da Costa Rica,
em 22.11.1969
Convenção
Interamericana
para Prever e Punir
a Tortura
20.07.1989
27.11.1995
25.09.1992
Adotada pela
Assembleia Geral da
Organização dos
Estados
Americanos em
17.11.1988
Adotado e
proclamada pela
Assembleia Geral da
Organização dos
Estados
Americanos em
06.06.1994
21.08.1996
Tabela elaborada por Piovesan, 2002, p. 339.
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Conforme veremos nos capítulos seguintes o Brasil, após a
promulgação da Constituição de 1988, tem avançado
significativamente na incorporação de matérias constantes nos
Tratados Internacionais, no tocante a direitos humanos,
incorporando-os nos capítulos referentes aos direitos
fundamentais.
A título de conclusão podemos referir que os direitos
humanos resultam de um longo e complexo processo de
elaboração, quer no cenário jurídico, quer no cenário sócio-
cultural, sendo inegavelmente o valor mais significativo da
convivência humana, além de servir de inspiração para projetos
de emancipação da humanidade, em que pese a sua ainda
insuficiente efetividade.
Atividades
Chegamos ao fim desse capítulo, como proposta de
trabalho, sugerimos que os(as) acadêmicos(as) organizem em
grupo, um seminário apresentando na sua integralidade os
principais tratados de proteção aos direitos humanos no cenário
global, para tanto vocês podem tomar como orientação os
quadro constante na página anterior.
Referência comentada
PIOVESAN, Flavia. Direitos Humanos e o Direito
Internacional. São Paulo : Max Limonad, 2002.
A obra indicada para leitura é uma das mais importantes
acerca da temática referente a direitos humanos, bem como
sua relação com o direito interno e externos. A
compreensão dos instrumentos internacionais de direitos
humanos, bem como sua incorporação na legislação
constitucional ou infraconstitucional brasileira é
indispensável ao exercício profissional dos egressos dos
cursos de serviço social, sendo apropriada para o
aprofundando das reflexões feitas nesse capítulo.
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Recomendamos ainda a leitura, na íntegra, dos Tratados
Internacionais referidos nesse capitulo, visto que o
fundamento do dos direitos sociais com os quais o
assistente social vai se deparar nas suas atividades, estão
nesses documentos, que devem ser do conhecimento de
toda a humanidade! Contribua para isso!
Bons estudos!
Referências
ALMEIDA, Fernando Barcellos de. Teoria Geral dos
Direitos Humanos. Porto Alegre: Sérgio Antônio Frabris,
1997.
BASTOS, Celso Ribeiro. Curso de Direito Constitucional.
São Paulo; Saraiva, 2001.
DALLARI, Dalmo de Abreu. O que são direitos humanos.
Enciclopédia Digital Direitos Humanos II. Cd-Rom.
www.dhnet.org.br. 2002.
MARTINS, Yves Gandra da Silva (org.) As vertentes do
Direito Constitucional Contemporâneo. Rio de Janeiro:
América Jurídica, 2002.
PIOVESAN, Flavia. Direitos Humanos e o Direito
Internacional. São Paulo: Max Limonad, 2002.
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo : Cortez, 2007.
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Autoavaliação
Assinale a alternativa correta:
1) Podem ser considerados como antecedentes dos hoje
denominados direitos humanos:
a) Magna Carta Inglesa, datada de 1215.
b) Bill Of Rights de 1698
c) Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de
1789.
d) Todas as alternativas anteriores.
2) São as principais concepções acerca dos direitos
humanos:
a) Positivismo e Funcionalismo.
b) Jusnaturalismo e concepção geracional de direito .
c) Positivismo Jurídico e Jusnaturalismo.
d) Tomismo e concepção geracional de direito.
3) Os direitos identificados como de primeira geração tratam
predominantemente de:
a) Diretos do trabalho e previdenciário.
b) Direitos ambientais e difusos.
c) Direitos políticos e civis.
d) Direitos sociais e políticos
4) O que significa afirmar que os direitos de segunda geração
são prestações positivas do Estado?
a) Significa afirmar que o Estado assume a obrigação de
não fazer.
b) Significa afirmar que os indivíduos devem sozinhos buscar
as condições de uma vida digna.
c) Significa afirmar que o Estado deve se abster de qualquer
ação.
d) Significa afirmar que o Estado tem o dever de
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disponibilizar bens e serviços.
5) Os Tratados Internacionais que versam sobre direitos
humanos:
a) Não produzem efeitos antes da ratificação pelo legislativo
dos Estados-parte.
b) Produzem efeitos mesmo antes da ratificação pelos
Estados-parte.
c) Produzem efeitos só quando se transformam em legislação
interna dos Estados.
d) Nunca produzem efeito, sendo ineficazes juridicamente.
Gabarito: 1) D; 2) B; 3) C; 4) D; 5) B.
Este capítulo tem o objetivo de disponibilizar a(o)
acadêmica(o) noções introdutórias de direito, especialmente
no que diz respeito ao ordenamento jurídico e à hierarquia das
leis, para que possam, ao final do capítulo, identificar a
centralidade das normas constitucionais, a principal referência
para a compreensão dessa disciplina. Apontaremos ainda
Princípios Fundamentais da atual Constituição Brasileira,
enfatizando o conceito de princípios bem como a importância
destas deliberações no ordenamento jurídico brasileiro, assim
como Direitos e Garantias Fundamentais constantes na CF/88.
 Além do material instrucional, os acadêmicos poderão
encontrar maiores informações na bibliografia indicada para a
disciplina.
2.1 Ordenamento Jurídico
O ordenamento jurídico estatal pode ser definido como um
conjunto de normas disponibilizadas pelo Estado em um
determinado momento histórico, que tem o atributo de viabilizar
a subordinação de todos os indivíduos que estão em seu
território. O sistema legal pode ser considerado a essência do
Estado, visto que, ainda que possamos viver na mais agressiva
ditadura, é indispensável o mínimo de legalidade, ainda que
Cap. II
Algumas noções
de Direito
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esta legalidade sirva apenas para garantir o êxito de um sistema
tão nefasto quanto uma ditadura.
A dimensão deste ordenamento varia conforme o Estado.
Houve momentos históricos em que se acreditava que a
dimensão das leis deveria ser o mais ampla possível, tentando
dar conta de todas as situações. Atualmente predomina o
entendimento de que o ordenamento jurídico deve conter regras
mínimas.
2.2 Hierarquia das Leis
Devemos a Hans Kelsen, um célebre estudioso do Direito,
o modelo de hierarquia das leis. Em suas palavras, “as normas
legais retiram validade das regras imediatamente superiores,
até chegar ao ápice da pirâmide, onde está a Constituição,
que é o fundamentode todo o ordenamento jurídico”. (apud
LYRA FILHO, 1983, p.10)
Desta forma, qualquer lei que contrarie um dispositivo legal
a ela superior está em desacordo com a hierarquia das leis.
Neste contexto devemos estar atentos a um importante
fenômeno, especialmente para os futuros assistentes sociais.
Precisamos perceber claramente a transformação do direito
em lei, tomando o cuidado de não naturalizarmos a utilização
dos dois vocábulos como sinônimos. Como bem aponta Lyra
Filho “O direito é um conjunto teórico que engloba uma
determinada concepção de mundo que, poderá ou não, estar
consubstanciada em lei”. (1983, p.13)
A lei é a maior expressão do direito moderno, entretanto
não é a única. Devemos a dogmatização do positivismo à
identificação, in totum, da manifestação jurídica com a lei.
Assim, para que possamos analisar o direito de uma determinada
sociedade, é preciso que tenhamos em conta, além da lei, o
sistema de interpretações, de preenchimento de lacunas, de
integração, o papel da jurisprudência, enfim, um conjunto de
práticas judiciais e extrajudiciais que darão forma e conteúdo
aos textos legais.
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2.3 Direito Constitucional
O Direito é um fenômeno sócio-histórico que consiste num
sistema normativo que pode ser estudado, tomando-se como
referência os diferentes campos ou unidades que o compõem.
Essas unidades podem ser denominadas de ramos ou divisões
do direito, que podem comportar inúmeras subdivisões.
O quadro explicativo que abaixo segue pode nos dar uma
visão ampla desses segmentos.
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 Como podemos observar o Direito Constitucional
pertence ao Direito Público, diferenciando-se dos demais ramos
do direito pela natureza específica de seu objeto de estudo e
pelos princípios que o informam. É um ramo de direito basilar,
pois trata diretamente da organização e funcionamento
do Estado. Desta forma podemos considerar o Direito
Constitucional como o tronco de onde provêm os demais ramos
do direito.
Nas palavras de Silva (2006, p. 25)
O Direito constitucional é o ramo do Direito Público interno
que estuda a Constituição, ou seja, a lei de organização do
estado, em seus aspectos fundamentais: a) a forma de estado
(unitário ou composto); b) a forma de governo (monarquia
ou república); c) o sistema de governo (parlamentarismo ou
presidencialismo); d) o modo de aquisição, exercício ou perda
do poder político; e) órgãos de atuação do estado (Poder
legislativo, executivo e judiciário); f) principais postulados da
ordem econômica e social; g) limites à atuação do Estado
(direitos fundamentais da pessoa humana).
2.3.1 Natureza Jurídica
O Direito Constitucional é o principal ramo do Direito interno,
uma vez que se refere às questões que dizem respeito aos
interesses imediatos do Estado. Em razão disso afirma-se que
o Direito Constitucional ocupa uma posição de superioridade
em relação aos demais ramos do Direito, o que faz com que
qualquer norma que contrarie preceito constitucional seja
inconstitucional.
2.3.2 Objeto do Direito
Constitucional
O principal objeto do Direito Constitucional é o estudo e a
sistematização de matérias atinentes à organização do Estado,
bem como a garantia e a proteção de direitos individuais e
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coletivos, que são materializados nas Constituições e que
orientam os demais ramos do direito que devem estar em
consonância com as disposições contidas na Constituição, em
razão da supremacia da matéria constitucional.
2.4 Princípios
Fundamentais da
Constituição de 1988
A Constituição Brasileira de 1988, no seu Título I, destaca
as regras informadoras da organização do Estado, denominando
esta disposição de princípios fundamentais, seguindo uma
tendência do constitucionalismo moderno.
Por princípios fundamentais podemos entender um
sistema de normas e regras que contém os mais
importantes preceitos para a organização do Estado.
Merece destaque a compreensão de alguns autores acerca
da supremacia dos princípios, quando comparados com as
normas constitucionais, uma vez que a violação de um princípio
ofende norma geral fundamentadora de todo o Direito
Constitucional.
Bandeira de Mello chega a afirmar que:
Violar um princípio é muito mais grave do que violar é mais
grave do que transgredir uma norma qualquer. A desatenção
ao princípio implica a ofensa não apenas a um específico
comando obrigatório, mas a todo o sistema de comandos. “e
a mais grave forma de ilegalidade ou inconstitucionalidade.
Representa insurgência contra todo o sistema, subversão de
valores fundamentais. (2004, p. 39)
A mais recente teoria constitucional costuma fazer
distinção entre princípios e regras jurídicas enfatizando que
os princípios, via de regra, apresentam um elevado grau de
abstração e uma reduzida densidade normativa, uma vez
que precisam de outras normas para que possam ser aplicados.
Ademais, são normas informadoras dos preceitos constitucionais.
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Por sua vez as regras apresentam uma menor generalidade
e um elevado grau de densidade normativa que dispensam
a elaboração de normas regulamentadoras, possuindo eficácia
plena.
Os princípios fundamentais constantes em nossa Carta
Magna são:
• forma de Governo republicana;
• forma de Estado federativa;
• sistema de Governo presidencial;
• regime político democrático;
• soberania nacional;
• cidadania;
• dignidade da pessoa humana;
• valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
• pluralismo político;
• separação de poderes;
• promoção da liberdade, justiça social, solidariedade,
desenvolvimento nacional, liberdade, erradicação da
pobreza e da marginalização e redução das desigualdades
sociais e regionais;
• independência nacional;
• prevalência dos direitos humanos;
• autodeterminação dos povos;
• não intervenção;
• igualdade entre os Estados;
• defesa da paz;
• solução pacífica dos conflitos;
• repúdio ao terrorismo e racismo;
• cooperação entre os povos para o progresso da
humanidade;
• concessão de asilo político, em razão de dissidência
política, crimes políticos, crimes de opinião ou contra a
segurança do Estado.
É importante mencionar que podemos encontrar outros
princípios ou os mesmos descritos no Título I em outras
passagens da Constituição, não obstante ter havido, por parte
do legislador constituinte, uma preocupação em iniciar o texto
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constitucional com a descrição dos princípios que norteiam o
Estado Brasileiro, o que é uma inovação nas redações
constitucionais brasileiras que, até então, tratavam
primeiramente da Organização do Estado.
2.4.1 Direitos e Garantias
Fundamentais
No título II da Constituição Federal o legislador indica quais
são os direitos e garantias fundamentais, dividindo-os em cinco
modalidades, como segue identificado.
2.4.2 Direitos e Deveres
Individuais e Coletivos
O artigo 5º. da Constituição Federal lista os direitos e
deveres individuais e coletivos, que são direitos do ser humano
na dimensão individual e coletiva.
Direitos são faculdades atribuídas aos indivíduos, e
garantias são os instrumentos para possibilitar a
efetivação dos direitos, desta forma, os direitos têm um
caráter declaratório, ao passo que as garantias têm uma caráter
assecuratório.
As principais características dos direitos e deveres
individuais e coletivos são:
1. Historicidade: São produtos das transformações
históricas, originando-se das contradições de sociedade.
2. Inalienabilidade: São direitos intransferíveis ou
Direitos e deveres individuais e coletivos
Direitos e garantias Direitos sociais
Fundamentais Nacionalidade
Direitospolíticos
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inegociáveis.
3. Imprescritibilidade: São direitos que desaparecem em
razão da falta de uso.
4. Irrenunciabilidade: Nenhum indivíduo pode declinar de
ser titulas de direitos fundamentais, ainda que não use
não pode renunciar a faculdade de usá-los.
5. Universalidade: Todos os indivíduos têm direitos que
devem ser respeitados, não havendo a possibilidade de
excluir alguns desta prerrogativa.
6. Limitabilidade: Os direitos fundamentais não são
absolutos, podendo ser limitados sempre que ocorrer colisão
entre direitos fundamentais.
A nossa Constituição classifica os direitos e garantias
tomando como referência a vida, a liberdade, a igualdade, a
segurança e a propriedade.
Os direitos individuais assegurados no art. 5º são:
Direito à Vida
O direito à vida é o principal direito individual, sendo a vida
o bem jurídico mais importante, pois todos os demais direitos
decorrem da existência deste direito. O direito à vida deve ser
entendido de forma bastante abrangente e tem como
decorrência o direito à integridade física moral, à proibição da
pena de morte, à proibição da comercialização de órgãos, à
proibição da eutanásia, do aborto e da tortura.
Direito à Liberdade
A liberdade pode ser definida como a faculdade que as
pessoas têm de fazer ou deixar de fazer alguma coisa, implica
sempre em uma escolha, sendo os indivíduos livres para fazer
ou não fazer alguma coisa, senão em virtude de lei.
Podemos identificar diferentes modalidades de liberdades
disponibilizadas pelo legislador constituinte, merecendo
destaque: Liberdade de crença
Liberdade de pensamento
(foro íntimo) Liberdade de consciência
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Direito à Igualdade
A igualdade é um princípio que não admite qualquer tipo de
discriminação de qualquer natureza em relação a seres humanos.
Também é denominado princípio de isonomia.
Contemporaneamente o direito de igualdade pode ser definido
como o tratamento igual para iguais e desigual para
desiguais, visto que nem todo o tratamento desigual pode ser
considerado inconstitucional. A fundamentação do tratamento
desigual pode estar baseada em um dispositivo constitucional
ou em um pressuposto lógico que justifique a não equiparação.
Liberdade de informação jornalística
Liberdade de exteriorização Liberdade de cátedra
do pensamento ( poder de Liberdade científica
Polícia do Estado) Liberdade artística
Liberdade de culto
Liberdade de ir
Liberdade de locomoção Liberdade de vir
Liberdade de ficar
Liberdade de reunião
Liberdade de associação
Liberdade de ação profissional
Formal (perante a lei e a sociedade)
Material (real ou absoluta)
Gênero (homem/mulher)
Entre brasileiros e estrangeiros
Tipos de Igualdade Jurisdicional
Tributária
Penal
Trabalhista
Etária
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Direito à Segurança
A segurança pode ser identificada como a possibilidade do
exercício pleno dos direitos fundamentais, podendo abranger
tanto direitos individuais, quanto direitos subjetivos em geral,
como o direito à legalidade e à segurança jurídica.
Direito à Propriedade
O direito de propriedade é assegurado pela nossa
Constituição, desde que cumpra e atenda a sua função
social, que em caso de descumprimento poderá ensejar a
desapropriação ou o desapossamento do bem móvel ou imóvel.
A garantia do direito de propriedade é extensiva ao direito do
autor, propriedade industrial e o direito de herança.
Desta forma podemos afirmar que:
São invioláveis: a vida, a liberdade, a igualdade, a
segurança, a propriedade (art.5. caput) a intimidade, a
vida privada, a honra e a imagem das pessoas (inciso X), a
casa do indivíduo (inciso XI) e o sigilo de correspondência
(inciso XII).
São livres: a manifestação de pensamento (art.5º. IV); a
crença e a prática religiosa (inciso VI); a manifestação
intelectual, artística, científica e comunicacional (inciso
IX); o exercício de qualquer trabalho, atendidas as
qualificações da lei (inciso XIII); a locomoção em território
nacional em tempo de paz ( inciso XV); a reunião pacífica
sem armas (inciso XVI); a associação para fins lícitos
(incisos XVII e XVIII); a criação de cooperativas na forma
da lei (inciso XVIII).
São assegurados: o direito de resposta (inciso V); o
acesso a informações, resguardado o sigilo da fonte, quando
necessário ao exercício profissional (inciso XIV); o direito
de propriedade (art. 5º. XXII); o direito autoral (inciso
XXVII); a propriedade industrial, que abrange as invenções,
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os modelos de utilidade, os desenhos industriais, as marcas
etc. (inciso XXIX); o direito ao nome da empresa (inciso
XXIX); o direito de herança (inciso XXX); o direito de
receber informações dos órgãos públicos (inciso XXXIII);
o direito de petição os poderes públicos em defesa de
direitos (inciso XXXIV); a obtenção de certidão em
repartição pública, para defesa de direitos (inciso XXXIV,
b).
Atividades
Chegamos ao fim deste capítulo, como proposta de trabalho
sugerimos que os(as) acadêmicos(as) organizem uma síntese
apontando os principais conceitos trabalhados no capítulo.
Referência comentada
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional
Positivo. São Paulo: Ed. Malheiros, 2006.
A obra indicada para leitura é uma das mais completas
sobre a temática de direito constitucional e Teoria Geral
do Estado em seus aspectos mais abrangentes, servindo
como uma boa referência para o aprofundamento dos
conteúdos trabalhados nessa disciplina. Recomendamos
ainda a leitura atenta e cuidadosa da nossa Constituição,
especialmente dos artigos tratados neste capítulo.
Bons estudos!
Referências
BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito
Administrativo. São Paulo: Malheiros, 2004.
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional.
Malheiros Editores, 2006.
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44
Constituição Federal de 1988.
LYRA FILHO, Roberto. O que é o Direito. São Paulo:
Brasiliense, 1983.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São
Paulo: Ed. Atlas, 2006.
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional
Positivo. São Paulo: Ed. Malheiros, 2006.
TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional. São
Paulo: Malheiros Editores, 2006.
Autoavaliação
Marque a alternativa correta.
1) Ordenamento Jurídico é:
a) Conjunto de normas disponibilizadas pelo Estado em um
determinado momento histórico.
b) Conjunto de costumes típicos de uma sociedade.
c) Vasto conjunto de normas.
d) Conjunto de normas disponibilizadas pelo Estado que
não mudam historicamente.
2) O princípio da hierarquia das leis estabelece que:
a) Todas as normas são idênticas.
b) As Medidas Provisórias são hierarquicamente superiores
às Emendas Constitucionais.
c) Qualquer lei que contrarie dispositivo legal a ela superior
está em desacordo com a hierarquia das leis.
d) As Leis Estaduais são hierarquicamente inferiores às
Leis Municipais.
3) O Julgador deve atentar para o princípio da hierarquia
das leis.
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a) Nunca.
b) Algumas vezes.
c) Sempre.
d) Tem autonomia para escolher as normas a serem
aplicadas.
4) Pode ser identificado como um ramo do direito privado:
a) Direito Ambiental.
b) Direito do Trabalho.
c) Direito Previdenciário.
d) Direito Civil.
5) O Direito Constitucional pode ser identificado como:
a) Um desdobramento do Direito Civil.
b) Um ramo do direito privado.
c) Um desdobramento do Direito Previdenciário.
d) O tronco de onde provêm os demais ramos do direito.
Gabarito: 1) A; 2) B; 3) C; 4) D; 5) D.
Cap.III
Direitos Sociais
Este capítulo descreve e disponibiliza o fundamento legal
dos Direitos Sociais assegurados na Constituição Federal
Brasileira, enfatizando a importância que o legislador constituinte
atribuiu a esta modalidade de direitos, que pode ser concebida
como uma prestação positiva do Estado. Descrevemos os
Remédios e Garantias Constitucionais previstos na Carta Magna
Brasileira, informando ainda os requisitos para o seu exercício.
A importância do estudo desse tema decorre do fato de o
assistente social, em suas atividades profissionais, ter como
atribuição central o esforço no sentido de efetivar/garantir
especialmente essa modalidade de direito, como será visto nos
capítulos seguintes. Com o propósito de capacitar o (a)
acadêmico (a) a operar com o direito, função recorrente no
seu exercício profissional, na parte final do capítulo
aprofundaremos algumas reflexões sobre o Poder Judiciário e
alguns órgãos indispensáveis para a concretização do direito.
Além do material instrucional, os acadêmicos poderão
encontrar outras informações na bibliografia indicada para a
disciplina.
3.1 Definição
Como direitos sociais podemos definir aqueles que têm um
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conteúdo econômico-social que pretendem melhorar as
condições de vida e de trabalho da população. Direitos sociais
visam sempre minimizar as diferenças existentes entre os
indivíduos.
Os direitos sociais, ao contrário dos direitos individuais,
pressupõem que o Estado faça alguma coisa, ou seja, existe o
pressuposto da prestação positiva do Estado.
A Constituição de 1988 dedicou especial atenção aos
direitos sociais tanto individuais quanto coletivos.
Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho,
a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a
proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição.
José Afonso da Silva (2006, p.154) identifica 5
modalidades de direitos sociais:
• Direitos sociais relativos ao trabalhador (art. 7º a 11).
• Direitos sociais relativos à seguridade social, abrangendo
o direito à saúde, previdência social e assistência social
(art. 193 a 204).
• Direitos sociais relativos à educação, cultura e ao esporte
(art. 205 a 217).
• Direitos sociais relativos à família, à criança, ao
adolescente, ao idoso, e às pessoas portadoras de
deficiência (art. 226 a 230).
• Direitos sociais relativos ao meio ambiente (art. 225).
Os direitos sociais relativos ao trabalhador, na sua acepção
mais genérica, constam nos artigos 7º até 11 da Constituição
Federal, constando ainda, de forma mais detalhada, na
Consolidação das Leis do Trabalho - CLT. A dupla incidência
dessa matéria demonstra a preocupação do legislador
constituinte em identificar esses direitos como prestações
obrigatórias do Estado, como forma de melhor garanti-los.
Entre os principais direitos trabalhistas encontramos o
direito ao salário-mínimo, 13º salário, FGTS, aviso prévio, repouso
remunerado, férias, etc.
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Os direitos trabalhistas assegurados na Constituição podem
ser individuais, como os antes citados, ou coletivos (direito à
greve, direito à livre organização sindical, etc.)
Art. 7º. São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além
de outros que visem à melhoria de sua condição social:
I — relação de emprego protegida contra despedida arbitrária
ou sem justa causa, nos termos de lei complementar, que
preverá indenização compensatória, dentre outros direitos;
II — seguro-desemprego, em caso de desemprego
involuntário;
III — fundo de garantia do tempo de serviço;
IV — salário-mínimo, fixado em lei, nacionalmente unificado,
capaz de atender a suas necessidades vitais básicas e às de
sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer,
vestuário, higiene, transporte e previdência social, com
reajustes periódicos que lhe preservem o poder aquisitivo,
sendo vedada sua vinculação para qualquer fim;
V — piso salarial proporcional à extensão e à complexidade
do trabalho;
VI — irredutibilidade do salário, salvo o disposto em convenção
ou acordo coletivo;
VII — garantia de salário, nunca inferior ao mínimo, para os
que percebem remuneração variável;
VIII — décimo terceiro salário com base na remuneração
integral ou no valor da aposentadoria;
IX — remuneração do trabalho noturno superior à do diurno;
X — proteção do salário na forma da lei, constituindo crime
sua retenção dolosa;
XI — participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da
remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão
da empresa, conforme definido em lei;
XII — salário-família pago em razão do dependente do
trabalhador de baixa renda nos termos da lei; (Redação dada
pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998)
XIII — duração do trabalho normal não superior a oito horas
diárias e quarenta e quatro semanais, facultada a
compensação de horários e a redução da jornada, mediante
acordo ou convenção coletiva de trabalho; (vide Decreto-lei
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n. 5.452, de 1943)
XIV — jornada de seis horas para o trabalho realizado em
turnos ininterruptos de revezamento, salvo negociação
coletiva;
XV — repouso semanal remunerado, preferencialmente aos
domingos;
XVI — remuneração do serviço extraordinário superior, no
mínimo, em cinquenta por cento à do normal; (Vide Del 5.452,
art. 59 § 1º)
XVII — gozo de férias anuais remuneradas com, pelo menos,
um terço a mais do que o salário normal;
XVIII — licença à gestante, sem prejuízo do emprego e do
salário, com a duração de cento e vinte dias;
XIX — licença-paternidade, nos termos fixados em lei;
XX — proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante
incentivos específicos, nos termos da lei;
XXI — aviso prévio proporcional ao tempo de serviço, sendo
no mínimo de trinta dias, nos termos da lei;
XXII — redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de
normas de saúde, higiene e segurança;
XXIII — adicional de remuneração para as atividades
penosas, insalubres ou perigosas, na forma da lei;
XXIV — aposentadoria;
XXV — assistência gratuita aos filhos e dependentes desde o
nascimento até seis anos de idade em creches e pré-escolas;
XXVI — reconhecimento das convenções e acordos coletivos
de trabalho;
XXVII — proteção em face da automação, na forma da lei;
XXVIII — seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do
empregador, sem excluir a indenização a que este está
obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa;
XXIX — ação, quanto aos créditos resultantes das relações
de trabalho, com prazo prescricional de cinco anos para os
trabalhadores urbanos e rurais, até o limite de dois anos após
a extinção do contrato de trabalho; (Redação dada pela
Emenda Constitucional n. 28, de 25/05/2000)
XXX — proibição de diferença de salários, de exercício de
funções e de critério de admissão por motivo de sexo, idade,
cor ou estado civil;
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XXXI — proibição de qualquer discriminação no tocante a
salário e critérios de admissão do trabalhador portador de
deficiência;
XXXII — proibição de distinção entre trabalho manual, técnico
e intelectual ou entre os profissionais respectivos;
XXXIII — proibição de trabalho noturno, perigoso ou insalubre
a menores de dezoito e de qualquer trabalho a menores de
dezesseis anos, salvo na condição de aprendiz, a partir de
quatorze anos; (Redação dada pela Emenda Constitucional
n. 20, de 1998)
XXXIV — igualdade de direitos entre o trabalhador com vínculo
empregatício permanente e o trabalhador avulso.
Parágrafo único. São assegurados à categoria dos
trabalhadores domésticos os direitos previstos nos incisos
IV, VI, VIII, XV, XVII, XVIII, XIX, XXI e XXIV, bem como a sua
integração à previdência social.
Art. 8º. É livre a associação profissional ou sindical, observado
o seguinte:
I — a lei não poderáexigir autorização do Estado para a
fundação de sindicato, ressalvado o registro no órgão
competente, vedadas ao Poder Público a interferência e a
intervenção na organização sindical;
II — é vedada a criação de mais de uma organização sindical,
em qualquer grau, representativa de categoria profissional
ou econômica, na mesma base territorial, que será definida
pelos trabalhadores ou empregadores interessados, não
podendo ser inferior à área de um Município;
III — ao sindicato cabe a defesa dos direitos e interesses
coletivos ou individuais da categoria, inclusive em questões
judiciais ou administrativas;
IV — a assembleia geral fixará a contribuição que, em se
tratando de categoria profissional, será descontada em folha,
para custeio do sistema confederativo da representação
sindical respectiva, independentemente da contribuição
prevista em lei;
V — ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a
sindicato;
VI — é obrigatória a participação dos sindicatos nas
negociações coletivas de trabalho;
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VII — o aposentado filiado tem direito a votar e ser votado
nas organizações sindicais;
VIII — é vedada a dispensa do empregado sindicalizado a
partir do registro da candidatura a cargo de direção ou
representação sindical e, se eleito, ainda que suplente, até
um ano após o final do mandato, salvo se cometer falta grave
nos termos da lei.
Parágrafo único. As disposições deste artigo aplicam-se à
organização de sindicatos rurais e de colônias de pescadores,
atendidas as condições que a lei estabelecer.
Art. 9º. É assegurado o direito de greve, competindo aos
trabalhadores decidir sobre a oportunidade de exercê-lo e
sobre os interesses que devam por meio dele defender.
§ 1º A lei definirá os serviços ou atividades essenciais e disporá
sobre o atendimento das necessidades inadiáveis da
comunidade.
§ 2º Os abusos cometidos sujeitam os responsáveis às penas
da lei.
Art. 10. É assegurada a participação dos trabalhadores e
empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que
seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objeto
de discussão e deliberação.
Art. 11. Nas empresas de mais de duzentos empregados, é
assegurada a eleição de um representante destes com a
finalidade exclusiva de promover-lhes o entendimento direto
com os empregadores.
Os direitos sociais relativos à seguridade social, abrangendo
o direito à saúde, previdência social e assistência social (art.
193 a 204), em razão de sua centralidade para essa disciplina
serão tratados de forma detalhada no capítulo seguinte.
Direitos sociais relativos à educação, cultura e ao esporte
estão previstos nos artigos 205 até 217.
A educação é um dever do Estado e da família, sendo um
direito de todos. É obrigatória e gratuita no ensino fundamental,
que atualmente conta com nove séries.
Tomando como referência o pacto federativo, compete
prioritariamente aos municípios o ensino fundamental, aos
estados o ensino médio, enquanto a União tem atribuições
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centradas no ensino superior. A Constituição assegura ainda
que as comunidades indígenas possam usar suas línguas
maternas no ensino fundamental.
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da
família, será promovida e incentivada com a colaboração da
sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu
preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para
o trabalho.
Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes
princípios:
I - igualdade de condições para o acesso e permanência na
escola;
II - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o
pensamento, a arte e o saber;
III - pluralismo de ideias e de concepções pedagógicas, e
coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV - gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
V - valorização dos profissionais da educação escolar,
garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso
exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos
das redes públicas; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006)
VI - gestão democrática do ensino público, na forma da lei;
VII - garantia de padrão de qualidade.
VIII - piso salarial profissional nacional para os profissionais
da educação escolar pública, nos termos de lei federal.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
Parágrafo único. A lei disporá sobre as categorias de
trabalhadores considerados profissionais da educação básica
e sobre a fixação de prazo para a elaboração ou adequação
de seus planos de carreira, no âmbito da União, dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006)
Art. 207. As universidades gozam de autonomia didático-
científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial,
e obedecerão ao princípio de indissociabilidade entre ensino,
pesquisa e extensão.
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§ 1º É facultado às universidades admitir professores, técnicos
e cientistas estrangeiros, na forma da lei. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 11, de 1996)
§ 2º O disposto neste artigo aplica-se às instituições de
pesquisa científica e tecnológica. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 11, de 1996)
Art. 208. O dever do Estado com a educação será efetivado
mediante a garantia de:
I - ensino fundamental, obrigatório e gratuito, assegurada,
inclusive, sua oferta gratuita para todos os que a ele não
tiveram acesso na idade própria; (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
II - progressiva universalização do ensino médio gratuito;
(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
III - atendimento educacional especializado aos portadores
de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino;
IV - educação infantil, em creche e pré-escola, às crianças até
5 (cinco) anos de idade; (Redação dada pela Emenda
Constitucional nº 53, de 2006)
V - acesso aos níveis mais elevados do ensino, da pesquisa e
da criação artística, segundo a capacidade de cada um;
VI - oferta de ensino noturno regular, adequado às condições
do educando;
VII - atendimento ao educando, no ensino fundamental,
através de programas suplementares de material didático-
escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde.
§ 1º - O acesso ao ensino obrigatório e gratuito é direito
público subjetivo.
§ 2º - O não-oferecimento do ensino obrigatório pelo Poder
Público, ou sua oferta irregular, importa responsabilidade da
autoridade competente.
§ 3º - Compete ao Poder Público recensear os educandos no
ensino fundamental, fazer-lhes a chamada e zelar, junto aos
pais ou responsáveis, pela frequência à escola.
Art. 209. O ensino é livre à iniciativa privada, atendidas as
seguintes condições:
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional;
II - autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público.
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino
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fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum
e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e
regionais.
§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá
disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino
fundamental.
§ 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua
portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também
a utilização de suas línguas maternas e processos próprios
de aprendizagem.
Art. 211. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios
organizarão em regime de colaboração seus sistemas de
ensino.
§ 1º A União organizará o sistema federal de ensino e o dos
Territórios, financiará as instituições de ensino públicas
federais e exercerá, em matéria educacional, função
redistributiva e supletiva, de forma a garantir equalização de
oportunidades educacionais e padrãomínimo de qualidade
do ensino mediante assistência técnica e financeira aos
Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios; (Redação dada
pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 2º Os Municípios atuarão prioritariamente no ensino
fundamental e na educação infantil. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 3º Os Estados e o Distrito Federal atuarão prioritariamente
no ensino fundamental e médio. (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 14, de 1996)
§ 4º Na organização de seus sistemas de ensino, os Estados
e os Municípios definirão formas de colaboração, de modo a
assegurar a universalização do ensino obrigatório. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 14, de 1996)
§ 5º A educação básica pública atenderá prioritariamente ao
ensino regular. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 53,
de 2006)
Art. 212. A União aplicará, anualmente, nunca menos de
dezoito, e os Estados, o Distrito Federal e os Municípios vinte
e cinco por cento, no mínimo, da receita resultante de
impostos, compreendida a proveniente de transferências, na
manutenção e desenvolvimento do ensino.
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§ 1º - A parcela da arrecadação de impostos transferida pela
União aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, ou
pelos Estados aos respectivos Municípios, não é considerada,
para efeito do cálculo previsto neste artigo, receita do governo
que a transferir.
§ 2º - Para efeito do cumprimento do disposto no “caput”
deste artigo, serão considerados os sistemas de ensino
federal, estadual e municipal e os recursos aplicados na forma
do art. 213.
§ 3º - A distribuição dos recursos públicos assegurará
prioridade ao atendimento das necessidades do ensino
obrigatório, nos termos do plano nacional de educação.
§ 4º - Os programas suplementares de alimentação e
assistência à saúde previstos no art. 208, VII, serão
financiados com recursos provenientes de contribuições
sociais e outros recursos orçamentários.
§ 5º A educação básica pública terá como fonte adicional de
financiamento a contribuição social do salário-educação,
recolhida pelas empresas na forma da lei. (Redação dada pela
Emenda Constitucional nº 53, de 2006) (Vide Decreto nº
6.003, de 2006)
§ 6º As cotas estaduais e municipais da arrecadação da
contribuição social do salário-educação serão distribuídas
proporcionalmente ao número de alunos matriculados na
educação básica nas respectivas redes públicas de ensino.
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006)
Art. 213. Os recursos públicos serão destinados às escolas
públicas, podendo ser dirigidos a escolas comunitárias,
confessionais ou filantrópicas, definidas em lei, que:
I - comprovem finalidade não-lucrativa e apliquem seus
excedentes financeiros em educação;
II - assegurem a destinação de seu patrimônio a outra escola
comunitária, filantrópica ou confessional, ou ao Poder Público,
no caso de encerramento de suas atividades.
§ 1º - Os recursos de que trata este artigo poderão ser
destinados a bolsas de estudo para o ensino fundamental e
médio, na forma da lei, para os que demonstrarem insuficiência
de recursos, quando houver falta de vagas e cursos regulares
da rede pública na localidade da residência do educando,
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ficando o Poder Público obrigado a investir prioritariamente
na expansão de sua rede na localidade.
§ 2º - As atividades universitárias de pesquisa e extensão
poderão receber apoio financeiro do Poder Público.
Art. 214. A lei estabelecerá o plano nacional de educação, de
duração plurianual, visando à articulação e ao
desenvolvimento do ensino em seus diversos níveis e à
integração das ações do Poder Público que conduzam à:
I - erradicação do analfabetismo;
II - universalização do atendimento escolar;
III - melhoria da qualidade do ensino;
IV - formação para o trabalho;
V - promoção humanística, científica e tecnológica do País.
Seção II
A Lei nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996, também
denominada Lei de Diretrizes e Bases, ou apenas LDB,
regulamenta e dispõe sobre a matéria educacional no Brasil,
sendo sugerida a sua leitura.
O artigo 217 da Constituição Brasileira estabelece que o
Estado deva fomentar as práticas esportivas, da mesma forma
é obrigação do Estado assegurar pleno exercício dos direitos
culturais incentivando as manifestações da cultura nacional.
Art. 215. O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos
direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e
apoiará e incentivará a valorização e a difusão das
manifestações culturais.
§ 1º - O Estado protegerá as manifestações das culturas
populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros
grupos participantes do processo civilizatório nacional.
§ 2º - A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas
de alta significação para os diferentes segmentos étnicos
nacionais.
§ 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração
plurianual, visando ao desenvolvimento cultural do País e à
integração das ações do Poder Público que conduzem à:
(Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
I defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;
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(Incluído pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
II produção, promoção e difusão de bens culturais; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
III formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura
em suas múltiplas dimensões; (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 48, de 2005)
IV democratização do acesso aos bens de cultura; (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
V valorização da diversidade étnica e regional. (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 48, de 2005)
Art. 216. Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de
natureza material e imaterial, tomados individualmente ou em
conjunto, portadores de referência à identidade, à ação, à
memória dos diferentes grupos formadores da sociedade
brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais
espaços destinados às manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico,
paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico
e científico.
§ 1º - O Poder Público, com a colaboração da comunidade,
promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro, por
meio de inventários, registros, vigilância, tombamento e
desapropriação, e de outras formas de acautelamento e
preservação.
§ 2º - Cabem à administração pública, na forma da lei, a gestão
da documentação governamental e as providências para
franquear sua consulta a quantos dela necessitem.
§ 3º - A lei estabelecerá incentivos para a produção e o
conhecimento de bens e valores culturais.
§ 4º - Os danos e ameaças ao patrimônio cultural serão
punidos, na forma da lei.
§ 5º - Ficam tombados todos os documentos e os sítios
detentores de reminiscências históricas dos antigos quilombos.
§ 6 º É facultado aos Estados e ao Distrito Federal vincular a
fundo estadual de fomento à cultura até cinco décimos por
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cento de sua receita tributária líquida, para o financiamento
de programas e projetos culturais, vedada a aplicação desses
recursos no pagamento de: (Incluído pela Emenda
Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
I - despesas com pessoal e encargos sociais; (Incluído pela
Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
II - serviço da dívida; (Incluído pela Emenda Constitucional
nº 42, de 19.12.2003)
III - qualquer outra despesa corrente não vinculada
diretamente aos investimentos ou ações apoiados. (Incluído
pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003)
Art. 217. É dever do Estado fomentar práticas desportivas
formais e não-formais, como direito de cada um, observados:I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e
associações, quanto a sua organização e funcionamento;
II - a destinação de recursos públicos para a promoção
prioritária do desporto educacional e, em casos específicos,
para a do desporto de alto rendimento;
III - o tratamento diferenciado para o desporto profissional e
o não- profissional;
IV - a proteção e o incentivo às manifestações desportivas
de criação nacional.
§ 1º - O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina
e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias
da justiça desportiva, regulada em lei.
§ 2º - A justiça desportiva terá o prazo máximo de sessenta
dias, contados da instauração do processo, para proferir
decisão final.
§ 3º - O Poder Público incentivará o lazer, como forma de
promoção social.
Os direitos sociais relativos à família, à criança, ao
adolescente, ao idoso, e às pessoas portadoras de deficiência
também serão trabalhados em capítulo à parte.
Os direitos sociais relativos ao meio ambiente (art. 225)
decorrem da imposição ao Poder Público e a coletividade de
protegerem o meio ambiente.
Art. 225. Todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente
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equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial à sadia
qualidade de vida, impondo-se ao Poder Público e à
coletividade o dever de defendê-lo e preservá-lo para as
presentes e futuras gerações.
§ 1º - Para assegurar a efetividade desse direito, incumbe ao
Poder Público:
I - preservar e restaurar os processos ecológicos essenciais
e prover o manejo ecológico das espécies e ecossistemas;
II - preservar a diversidade e a integridade do patrimônio
genético do País e fiscalizar as entidades dedicadas à
pesquisa e manipulação de material genético;
III - definir, em todas as unidades da Federação, espaços
territoriais e seus componentes a serem especialmente
protegidos, sendo a alteração e a supressão permitidas
somente através de lei, vedada qualquer utilização que
comprometa a integridade dos atributos que justifiquem sua
proteção;
IV - exigir, na forma da lei, para instalação de obra ou atividade
potencialmente causadora de significativa degradação do
meio ambiente, estudo prévio de impacto ambiental, a que
se dará publicidade;
V - controlar a produção, a comercialização e o emprego de
técnicas, métodos e substâncias que comportem risco para a
vida, a qualidade de vida e o meio ambiente;
VI - promover a educação ambiental em todos os níveis de
ensino e a conscientização pública para a preservação do meio
ambiente;
VII - proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as
práticas que coloquem em risco sua função ecológica,
provoquem a extinção de espécies ou submetam os animais
a crueldade.
§ 2º - Aquele que explorar recursos minerais fica obrigado a
recuperar o meio ambiente degradado, de acordo com solução
técnica exigida pelo órgão público competente, na forma da
lei.
§ 3º - As condutas e atividades consideradas lesivas ao meio
ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas,
a sanções penais e administrativas, independentemente da
obrigação de reparar os danos causados.
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§ 4º - A Floresta Amazônica brasileira, a Mata Atlântica, a
Serra do Mar, o Pantanal Mato-Grossense e a Zona Costeira
são patrimônio nacional, e sua utilização far-se-á, na forma
da lei, dentro de condições que assegurem a preservação do
meio ambiente, inclusive quanto ao uso dos recursos naturais.
§ 5º - São indisponíveis as terras devolutas ou arrecadadas
pelos Estados, por ações discriminatórias, necessárias à
proteção dos ecossistemas naturais.
§ 6º - As usinas que operem com reator nuclear deverão ter
sua localização definida em lei federal, sem o que não poderão
ser instaladas.
3.2 Remédios e Garantias
Constitucionais
Depois de tratar dos direitos e garantias fundamentais,
quer sociais quer coletivos, é preciso mencionar os “remédios
processuais” que podem garantir a efetivação dos direitos
arrolados, ou a restauração ao estado anterior à violação.
1. Habeas Corpus: O Habeas Corpus é uma medida judicial
que visa garantir o pleno exercício do direito de ir e
vir, ou seja, o direito de locomoção indevidamente
cerceado, por ilegalidade ou por abuso de poder. O
Habeas corpus pode ser utilizado por brasileiro ou
estrangeiro, e é uma ordem dirigida contra o Poder Público,
podendo ser habeas preventivo, quando ainda não
ocorreu o cerceamento do direito de locomoção, mas o
mesmo está na iminência de ocorrer, ou habeas
repressivo, quando o cerceamento da locomoção já
ocorreu.
Fundamentação legal – art. 5°. LXVIII da CF.
2. Mandado de Segurança: Mandado de Segurança é uma
medida judicial que visa resguardar direito líquido e certo
contra o Poder Público ou pessoa jurídica no exercício de
atribuição pública, desde que não se trate de matéria
amparada pelo habeas corpus ou habeas data. O
mandado de segurança pode ser individual ou coletivo.
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Também pode ser preventivo e repressivo.
É importante referir que o mandado de segurança é uma
invenção do direito brasileiro.
Fundamentação legal – art. 5°. LXIX e LXX da CF.
3. Habeas Data: O Habeas Data é uma medida judicial
que tutela o direito de informações, assegurada
sempre que dita informação estiver em bancos de
dados de entidade pública ou aberta ao público. Existe
também a possibilidade de retificar as informações
constantes nos bancos de dados.
O habeas data é uma inovação constitucional datada de
outubro de 1988, quando da promulgação de nossa
Constituição.
Fundamentação legal – art. 5°. LXXII da CF.
4. Direito de Petição: O Direito de Petição é a faculdade
de formular pedidos para a administração pública em
defesa de interesse próprio ou alheio contra atos ilegais e
abusivos cometidos por agentes do Estado. A origem desde
direito é inglesa tendo surgido com a denominação de right
of petition.
Fundamentação legal – art. 5°. XXXIV, a da CF.
5. Direito de Certidão: O Direito de certidão é o direito
de obter da administração pública uma certidão por
escrito sempre que defesas de direitos ou esclarecimentos
de situações de interesse pessoal assim exigirem.
O prazo máximo para a expedição destas certidões é de
15 dias a contar do protocolo de solicitação. As informações
disponibilizadas na certidão são informações que gozam
de fé pública.
Fundamentação legal – art. 5°. XXXIV, b da CF.
6. Mandado de Injunção: O Mandado de Injunção é a
ação constitucional que tutela direitos previstos na
Constituição inerentes à nacionalidade, à soberania e à
cidadania que não possam ser exercidos em razão da falta
de norma que regulamente determinada matéria. Tem a
finalidade de solicitar ao poder legislativo a edição de
legislação regulamentadora de dispositivo não
autoaplicável.
O Poder Judiciário concederá mandado de injunção em razão
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da inexistência de norma jurídica que impeça o exercício
ou gozo de direito ou liberdade constitucional, sendo que
o impetrante poderá ser pessoa física ou jurídica.
Fundamentação legal – art. 5°. LXXI da CF.
7. Ação Popular: A Ação Popular é uma ação constitucional
disponível para qualquer cidadão para buscar a anulação
de ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade que o
estado Para a propositura desta ação é necessário
demonstrar a condição de cidadão, com a apresentação
de título eleitoral, a ilegalidade e a lesividade da ação do
Poder Público.
O art. 5º, inciso LXXIII da CF, diz que “qualquer cidadão é
parte legítima para propor ação popular que vise a anular
ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade de que o
Estado participe, à moralidade administrativa, ao meio
ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, ficando o
autor, salvo comprovada má-fé, isento de custas judiciais
e do ônus da sucumbência”.Fundamentação legal – art. 5°. LXXIII da CF.
8. Ação Civil Pública: A Ação Civil Pública é uma ação
constitucional para a tutela do patrimônio público e
social, do meio ambiente e de outros interesses
difusos e coletivos, que pode ser proposta pelo
Ministério Público, pessoas jurídicas de Direito Público
Interno (União, Estados, Distrito Federal e Municípios)
e por suas entidades paraestatais, por associações
constituídas há mais de um ano que tenham por
finalidade a proteção de interesses difusos e coletivos.
Fundamentação legal – art. 129, III da CF.
3.3 Organização dos
Poderes
O título IV da atual Constituição denominado Da
Organização dos Poderes dá conta da existência de três
poderes, sendo importante salientar, no entanto, que o poder
é uno e indivisível, sendo partilhado o seu exercício, uma
vez que, pelo fundamento da separação dos poderes, é
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conveniente evitar sua concentração nas mãos de uma só
pessoa, o que poderia gerar situações de abuso. Desta feita a
divisão dos poderes obedece a critérios da especialização
funcional e da independência orgânica.
Desta forma é conveniente apontarmos as funções estatais
básicas que têm órgãos independentes e especializados, quais
sejam:
1 – Função legislativa – elaborar leis normas gerais
abstratas impostas obrigatoriamente para todos.
2 – Função executiva – administra o Estado em
conformidade com as leis elaboradas pelo legislativo.
3 – Função judiciária – atividade jurisdicional do Estado,
no que diz respeito a aplicar a lei no caso concreto em
situações de litígio.
3.3.1 Poder Judiciário
Em razão da natureza da disciplina em estudo,
privilegiaremos o estudo do Poder Judiciário em detrimento dos
outros poderes, quais sejam: Legislativo e Executivo.
Dentro do sistema de separação dos poderes compete ao
poder judiciário a função jurisdicional do Estado, ou seja, é
ele que aplica a lei no caso concreto resolvendo os litígios,
sendo esta atividade um monopólio do Poder Público.
Em caráter excepcional poderá o poder judiciário exercer
funções legislativas, exclusivamente quando se trata da
elaboração dos regimentos internos dos tribunais, regimentos
estes que interferem diretamente na matéria do Direito
Processual.
O Poder Judiciário é pautado por uma série de princípios,
merecendo destaque os que abaixo seguem:
• Princípio da substitutividade - o Estado detém o
monopólio da jurisdição, não sendo lícito a ninguém fazer
justiça pelas próprias mãos, daí substituir o juiz as partes
que outrora resolviam diretamente seus conflitos.
• Princípio da Inércia - para que o judiciário atue em
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determinado conflito se faz necessário que o mesmo seja
provocado por algum dos interessados. Este princípio
objetiva preservar a imparcialidade do julgador.
• Princípio da indeclinabilidade - o juiz não pode declinar
de seu poder-dever de julgar, não podendo ainda alegar
omissão ou lacuna na lei como pretexto para não julgar.
• Princípio da indelegabilidade ou investidura –
somente um membro do poder judiciário devidamente
empossado pode exercer as funções jurisdicionais.
• Princípio da obrigatoriedade ou inafastabilidade -
nenhuma matéria pode ser excluída da apreciação do poder
judiciário.
• Princípio do juiz natural – Ninguém pode ser processado
senão pela autoridade competente.
• Princípio do devido processo legal - a toda parte
envolvida num litígio é assegurado o contraditório e a ampla
defesa.
Os juízes, para o pleno exercício de suas funções, possuem
algumas prerrogativas, merecendo destaque:
• Vitaliciedade – após o ingresso por concurso público,
somente serão afastados pela aposentadoria voluntária aos
trinta e cinco anos de serviço ou compulsória aos setenta
anos;
• Inamovibilidade – os juízes não podem ser removidos
sem seu consentimento, salvo quando ocorrer interesse
público reconhecidos por maioria absoluta.
• Irredutibilidade de subsídios – os rendimentos dos
juízes não poderão sofrer redução;
Além das prerrogativas antes expostas é vedado aos juízes:
• Exercer, ainda que em disponibilidade, outro cargo ou
função, salvo uma de magistério.
• Receber, a qualquer título ou pretexto, custas ou
participações em processo, e
• Dedicar-se à atividade político-partidária;
• Receber, a qualquer título ou pretexto, auxílios ou
contribuições de pessoas físicas, entidades públicas ou
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privadas, ressalvadas as exceções previstas em lei;
• Exercer a advocacia no juízo ou Tribunal do qual se
afastou, antes de decorridos três anos do afastamento do
cargo por aposentadoria ou exoneração.
3.3.2 Os Órgãos do
Poder Judiciário
O artigo 92 da CF estabelece que o Poder Judiciário seja
exercido pelos seguintes órgãos:
1. Supremo Tribunal Federal – STF, com sede em Brasília,
caracterizando-se por ser a mais alta corte do ordenamento
jurídico brasileiro, cuja principal função é guardar e zelar
pelo cumprimento da Constituição. O STF é composto por
onze ministros escolhidos livremente pelo presidente da
república em lista.
2. Superior Tribunal de Justiça – STJ é a mais alta corte
recursal, também sediado em Brasília. Sendo composto por
no mínimo trinta e três ministros, distribuídos em
Câmaras.O STJ é a mais nova Instância do Judiciário, tendo
sido criado pela Constituição de 1988, quando esta mudou
a atribuição de STF. A escolha dos ministros também
obedece ao critério de escolha do presidente da república.
3. Tribunais Regionais Federais – TRF e Juízes Federais.
Os TRF’s, compostos por no mínimo sete juízes.
Atualmente existem cinco TRF’s, mas a Constituição prevê
que cada estado e o Distrito Federal deva ter o seu. A
justiça federal julga causas em que a União ou suas
entidades são autoras, assistentes ou oponentes.
4. Tribunais e Juízes do Trabalho – A justiça do trabalho
é composta pelo Tribunal Superior do Trabalho – TST,
com sede em Brasília. Conta atualmente com dezessete
ministros; os Tribunais Regionais do Trabalho – TRT,
com sede nas capitais dos estados; e pelas Varas do
Trabalho, coordenadas pelos juízes do trabalho nas
diferentes comarcas.
5. Tribunais e Juízes Eleitorais – A justiça eleitoral é
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composta pelo Tribunal Superior Eleitoral – TSE com sede
em Brasília e composto por sete ministros; pelos Tribunais
Regionais Eleitorais - TRE com sede nas capitais dos
estados, também compostos por sete juízes; e as Juntas
Eleitorais, que são compostas por um juiz de direito
estando localizadas nas comarcas. Algumas comarcas não
possuem zonas eleitorais sendo que, neste caso, a Justiça
Comum tem, excepcionalmente, competência para deliberar
sobre matéria eleitoral.
6. Tribunais e Juízes Militares – a justiça militar tem a
atribuição de julgar crimes militares definidos em lei. O
mais alto órgão da justiça militar é o Superior Tribunal
Militar – STM, composto por quinze ministros (10 militares
e 5 civis) e com sede em Brasília. Na primeira instância
encontramos os Conselhos de Justiça Militar permanentes
para o julgamento de praças e especiais para o julgamento
de oficiais.
7. Tribunais e Juízes dos Estados, do Distrito Federal
e Territórios – É aquela que apresenta atribuições gerais,
abrangendo causas que não estejam inseridas na
competência da Justiça especial ou da federal comum.
3.3.3 Das Funções
Essenciais à Justiça
Por funções essenciais à justiça podemos entender aquelas
atividades profissionais públicas ou privadas sem as quais não
é possível o efetivo funcionamento do Poder Judiciário. A matéria
encontra-se ordenada nos artigos 127 até 135 da Constituição
Federal, compreendendo o Ministério Público, a Advocacia Geral
da União, a Defensoria Pública e a advocacia privada.
1. Ministério Público – O Ministério Público também
denominado MP é uma instituição permanentee essência
à função jurisdicional do Estado, tendo a incumbência de
defender a ordem jurídica, o regime democrático, além dos
interesses sociais e individuais indisponíveis, conforme
disposição expressa no artigo 127 da Constituição Federal.
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O Ministério Público não faz parte de nenhum dos poderes
políticos, tendo autonomia financeira e administrativa,
devendo ser tratado como uma instituição à parte,
possuindo uma ampla independência funcional. No que diz
respeito à estrutura desse órgão devemos referir a
existência do Ministério Público da União (Federal, do
Trabalho, Militar, do Distrito Federal e Territórios) e o
Ministério Público dos Estados, cujos membros denominam-
se de Promotores de Justiça (primeira instância) e
Procuradores de Justiça (segunda instância).
2. Advocacia Geral da União – É a instituição responsável
por representar a União judicial ou extrajudicialmente,
funcionando como assessoria e consultoria do Poder
Executivo. Sua organização e atribuições estão previstas
nos artigos 131 e 132 da Constituição Federal.
3. Defensoria Pública – A Defensoria Pública é identificada
como função essencial à em razão da mesma ser
responsável pela orientação jurídica e pela defesa, em todas
as instâncias, daquelas pessoas que não dispõem de
recursos para contratar advogados, quando então o Estado
deve disponibilizar assistência judiciária gratuita, visto ser
essa disposição direito individual previsto no artigo 5º,
LXXXIV da CF. Em que pese a inegável importância dessa
instituição em muitos estados esse dispositivo constitucional
ainda não foi devidamente regulamentado.
4. Advocacia – O advogado é o bacharel em direito
devidamente inscrito na Ordem dos Advogados do Brasil,
sendo indispensável para a administração da justiça,
conforme disposição expressa no artigo 133 da Constituição
Federal.
Atividades
Chegamos ao fim deste capítulo, como proposta de trabalho
sugerimos que os (as) acadêmicos (as) organizem uma síntese
apontando os principais conceitos trabalhados neste capítulo.
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Referência comentada
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional
Positivo. São Paulo: Ed. Malheiros, 2006.
A obra indicada para leitura é uma das mais completas
sobre a temática de direito constitucional e Teoria Geral
do Estado em seus aspectos mais abrangentes, servindo
como uma boa referência para o aprofundamento dos
conteúdos trabalhados nessa disciplina. Recomendamos
ainda a leitura atenta e cuidadosa da nossa Constituição
Bons estudos!
Referências
BONAVIDES, Paulo. Curso de Direito Constitucional.
Malheiros Editores, 2006.
Constituição Federal DE 1988.
Lei Federal nº. 9.394, de 20 de dezembro de 1996 – LDB.
MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São
Paulo: Ed. Atlas, 2006.
SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional
Positivo. São Paulo: Ed. Malheiros, 2006.
TEMER, Michel. Elementos de Direito Constitucional. São
Paulo: Malheiros Editores, 2006.
Autoavaliação
Marque a alternativa correta:
1) São direitos sociais:
a) Os direitos políticos.
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b) Os direitos individuais.
c) Os direitos de conteúdo econômico-social.
d) Nenhuma das alternativas acima.
2) São algumas modalidades de direito social:
a) Direitos sociais relativos à educação, cultura e ao
esporte.
b) Direitos sociais relativos à família, à criança, ao
adolescente, ao idoso, e às pessoas portadoras de
deficiência.
c) Direitos sociais relativos ao meio ambiente.
d) Todas as alternativas acima.
3) Os direitos assegurados aos trabalhadores podem ser:
a) Apenas direitos individuais.
b) Apenas direitos coletivos.
c) Direitos individuais e coletivos.
d) Nenhuma das alternativas acima.
4) Os direitos relativos à seguridade social abrangem:
a) Seguridade social.
b) Saúde.
c) Assistência social.
d) Todas as opções acima.
5) A Lei que regulamenta a educação no Brasil é conhecida
como:
a) LDB.
b) LOSS.
c) LOAS.
d) SUAS.
Gabarito: 1) C; 2) D; 3) C; 4) D; 5) A.
Este capítulo tem o propósito de disponibilizar a(o)
acadêmica(o) conhecimentos indispensáveis acerca da
seguridade social que contempla a previdência social, a saúde
e a assistência social. Neste capítulo trataremos das duas
primeiras modalidades de seguridade, sendo que a assistência
social será estudada no próximo capítulo. Ao final do estudo o
aluno conhecerá os princípios que regem a seguridade, assim
como os principais benefícios previdenciários previstos na
legislação brasileira.
Além do material instrucional, os acadêmicos poderão
encontrar maiores informações e esclarecimentos na bibliografia
indicada ao final do capítulo.
4.1 Antecedentes
A temática da seguridade social encontra guarida na
Constituição Federal, compreendendo o direito à saúde, à
previdência e à assistência social, pois o legislador constituinte
entendeu que esses direitos são indispensáveis para garantir o
efetivo cumprimento de uma das mais importantes funções do
Estado, qual seja o bem comum.
À guisa de reflexão devemos apontar que aquilo que
hodiernamente denominamos de seguridade social esteve
Cap. IV
Seguridade Social
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presente em inúmeros textos legais, tanto constitucionais
quanto infra-constituicionais.
Fazendo uma breve retrospectiva histórico-legislativa de
devemos referir que a nossa primeira Constituição, outorgada
em 1824, no seu artigo 179, inciso 31, disponibilizava por parte
do Estado os denominados socorros públicos, marcadamente
identificados com caridade.
Art.179, Inciso XXXI – A Constituição também garante os
socorros públicos.
Quando do advento da nossa primeira constituição
republicana, datada de 1891, ratificou-se o dispositivo constante
na Carta anterior, passando essa atribuição a ser da
administração pública.
As duas primeiras décadas do século XX foram marcadas
por profundas divergências sociais, econômicas e políticas, que
juntamente com a Primeira Guerra Mundial e a Crise de 1929
provocaram inúmeras transformações no cenário jurídico
constitucional brasileiro, sendo a mais importante a denominada
Revolução de 30, caracterizada pela chegada ao poder de
Getúlio Vargas e pela derrocada política e econômica das elites
cafeicultoras paulistas, que monopolizaram o Estado durante a
denominada República Velha.
Nesse contexto Getúlio Vargas chega ao poder e, através
do Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930, inicia um
processo de reestruturação político-jurídica que iria culminar
com a Constituição de 1934, nossa terceira Constituição.
A Constituição de 1934 foi bastante influenciada pela
Constituição Alemã de Weimar, que pressupunha uma
significativa intervenção do Estado na economia em substituição
aos princípios do liberalismo antes vigentes.
Como principal característica dessa Carta Magna devemos
referir a presença de significativos capítulos que versavam sobre
a ordem social, direitos trabalhistas e previdência social, direito
civil e administrativo, educação, cultura e segurança nacional,
sendo importante referir que a temática da seguridade social
adquire uma natureza previdenciária, bem aos moldes dos
Estados de bem-estar social que se instituem naquele período.
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A título de ilustração transcrevemos o artigo 121 como
ilustrativo dessa nova preocupação, que culminaria com o
conceito de tutela social.
Art 121 – A lei promoverá o amparo da produção e
estabelecerá as condições do trabalho, na cidade e nos
campos, tendo em vista a proteção social do trabalhador e
os interesses econômicos do País.
§ 1º – A legislação do trabalho observará os seguintes
preceitos, além de outros que colimem melhorar as condições
do trabalhador:
a) proibição de diferença de salário paraum mesmo trabalho,
por motivo de idade, sexo, nacionalidade ou estado civil;
b) salário-mínimo, capaz de satisfazer, conforme as condições
de cada região, às necessidades normais do trabalhador;
c) trabalho diário não excedente de oito horas, reduzíveis,
mas só prorrogáveis nos casos previstos em lei;
d) proibição de trabalho a menores de 14 anos; de trabalho
noturno a menores de 16; e em indústrias insalubres, a
menores de 18 anos e a mulheres;
e) repouso hebdomadário, de preferência aos domingos;
f) férias anuais remuneradas;
g) indenização ao trabalhador dispensado sem justa causa;
h) assistência médica e sanitária ao trabalhador e à gestante,
assegurando a esta descanso antes e depois do parto, sem
prejuízo do salário e do emprego, e instituição de previdência,
mediante contribuição igual da União, do empregador e do
empregado, a favor da velhice, da invalidez, da maternidade
e nos casos de acidentes de trabalho ou de morte;
i) regulamentação do exercício de todas as profissões;
j) reconhecimento das convenções coletivas, de trabalho.
§ 2º – Para o efeito deste artigo, não há distinção entre o
trabalho manual e o trabalho intelectual ou técnico, nem entre
os profissionais respectivos.
§ 3º – Os serviços de amparo à maternidade e à infância, os
referentes ao lar e ao trabalho feminino, assim como a
fiscalização e a orientação respectivas, serão incumbidos de
preferência a mulheres habilitadas.
§ 4º – O trabalho agrícola será objeto de regulamentação
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especial, em que se atenderá, quanto possível, ao disposto
neste artigo. Procurar-se-á fixar o homem no campo, cuidar
da sua educação rural, e assegurar ao trabalhador nacional
a preferência na colonização e aproveitamento das terras
públicas.
§ 5º – A União promoverá, em cooperação com os Estados, a
organização de colônias agrícolas, para onde serão
encaminhados os habitantes de zonas empobrecidas, que o
desejarem, e os sem trabalho.
§ 6º – A entrada de imigrantes no território nacional sofrerá
as restrições necessárias à garantia da integração étnica e
capacidade física e civil do imigrante, não podendo, porém, a
corrente imigratória de cada país exceder, anualmente, o limite
de dois por cento sobre o número total dos respectivos
nacionais fixados no Brasil durante os últimos cinqüenta anos.
§ 7º – É vedada a concentração de imigrantes em qualquer
ponto do território da União, devendo a lei regular a seleção,
localização e assimilação do alienígena.
§ 8º – Nos acidentes do trabalho em obras públicas da União,
dos Estados e dos Municípios, a indenização será feita pela
folha de pagamento, dentro de quinze dias depois da
sentença, da qual não se admitirá recurso ex–offício.
A Constituição de 1934 durou pouco mais de três anos,
sendo substituída pela Carta Outorgada em 1937 num contexto
histórico marcado pelo fechamento das instituições
democráticas em razão do golpe de Estado promovido por Getúlio
Vargas em 31 de outubro daquele ano, também denominado
Estado Novo, inspirado no modelo fascista de organização
política, cuja principal característica foi a supressão dos direitos
e garantias individuais. Não obstante a esse caráter
marcadamente autoritário, a Constituição de 1937 aprofunda a
idéia de tutela social à medida que acentua os dispositivos
que tratavam de direitos sociais, e as regras econômicas e
trabalhistas (art.153), além de propor a nacionalização das
indústrias de base (art.144).
Com o final da 2ª Guerra Mundial e com a vitória das
democracias, Vargas é forçado a renunciar não havendo
sustentação ideológica para o Estado Novo. A Constituição de
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1946 avança, significativamente, na regulamentação do seguro
social, sendo promulgado na sua vigência e como produto
daquele contexto histórico específico a Lei Orgânica da
Previdência Social, também conhecida por LOPS, no ano de
1960. Essa lei padronizou o sistema assistencial ampliando os
benefícios e criando vários auxílios, como auxílio-maternidade,
auxílio-funeral e auxílio-reclusão, e ainda estendeu a área de
assistência social a outras categorias profissionais.
Com o propósito de beneficiar os trabalhadores rurais, foi
criado, em 1963, o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural
(FUNRURAL), sendo que a uniformização da legislação
previdenciária através da Lei Orgânica da Previdência Social
(LOPS) ocorreu em 21-11-1966, com a edição do Decreto nº
72 que fundiu os institutos de aposentadorias e pensões,
originando um órgão centralizado de organização previdenciária,
o Instituto Nacional de Previdência Social (INPS), implantado
em 2-1-1967.
Em 09.04.1964 a Junta Militar que assumiu o governo editou
o Ato Institucional nº 1 que, em que pese manter a Constituição
de 1946, impõe à mesma diversas modificações que não chegam
a atingir a matéria de seguridade social, o mesmo ocorrendo
com a Constituição de 1967 e com a Emenda Constitucional de
1969.
A década de 70 é bastante rica em legislações de natureza
previdenciária, merecendo destaque a criação do salário-família,
a obrigatoriedade dos empregados domésticos se tornaram
segurados, além do salário-maternidade tornar-se benefício
previdenciário, entre outras inovações. Assim, com tantas
normas tratando da previdência social, houve a necessidade
de reuni-las, o que ocorreu através do Decreto nº 77.077, de
24.01.1976, resultando na Consolidação das Leis da Previdência
Social (CLPS).
Esse quadro começa a sofrer mudanças especialmente em
meados da década de 80, principalmente em razão da
internacionalização da economia que traz para a discussão a
transformação do Estado de Bem-estar Social em Estado Mínimo.
Em que pese esse cenário, nossa Constituição outorgada
em outubro de 1988 contemplou no título A Ordem Social o
conceito de seguridade social abrangendo saúde, previdência
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e assistência social, estabelecendo as mesmas como direito
dos indivíduos e dever do Estado.
O Artigo 3º, III da CF/88, estabelece como um dos objetivos
do Estado brasileiro “... erradicar a pobreza e a marginalização
e reduzir as desigualdades sociais e regionais...” o que pode
ser conseguido, além de outras formas, com a implantação de
uma seguridade social eficaz.
Como bem assevera Simões:
A seguridade é uma ação em prol do interesse social, como
políticas intervencionistas, sob o fundamento de que é a
própria sociedade, em seu modo de funcionamento, que gera
distorções e exclui amplos setores populacionais, sendo
relativamente incapaz de integrar a todos, desde a infância,
para lhes garantir oportunidades de vida digna [...]. A
concepção do ideário liberal de representação dos interesses
da sociedade tornou-se incapaz de assegurar as demandas
sociais de amplas camadas da população desorganizada, no
âmbito da globalização da economia [...]. A Constituição de
1988 viabilizou a efetivação de políticas públicas que, embora
não propiciem, de imediato, a extirpação dessas mazelas
sociais, podem contribuir para sua redução ( 2007, p. 89).
A título de esclarecimento devemos referir que as ações
do Estado, no que diz respeito à seguridade social, podem ser
realizadas tanto no plano coletivo (prevenção sanitária, projetos
habitacionais, educação, transporte, saúde, etc.) quanto no
plano individual, o que denominamos de prestações sociais
que podem ser benefícios que compreendem pagamentos em
dinheiro ou em espécie (pensões, aposentadorias, cestas
básicas, etc.) ou ainda na forma de serviços que compreendem
ações que disponibilizam recursos humanos e equipamentos.
Passaremos agora de forma sintética a apontar os mais
importantes princípios que orientam a seguridade social no Brasil.
1 – Universalidade de Cobertura e Atendimento.
Pressupõe o atendimento a toda a sociedade, sem discriminação
de qualquer natureza.
2 – Uniformidade e Equivalênciadas Prestações. Esse
princípio estabelece a não distinção entre a população urbana
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e rural.
3 – Seletividade e Distributividade. Por esse princípio
achou por bem o legislador selecionar assegurados tomando
como referência o potencial econômico e a renda, priorizando
a utilização dos recursos disponíveis para os mais necessitados,
uma vez que as dotações orçamentárias são reduzidas. Além
da identificação dos segmentos populacionais mais necessitados,
deverá ser estabelecido quais serão os bens a serem priorizados.
4 – Irredutibilidade do Valor dos Benefícios. Os
benefícios não poderão sofrer redução nominal, ainda que a
inflação possa reduzir o valor de compra do benefício, quando
não ocorre o reajuste na mesma proporção. Devemos atentar
para a distinção legal entre valor nominal e valor real, sendo
que o primeiro refere-se à alteração do valor em si, ao passo
que o segundo diz respeito à perda do poder aquisitivo,
geralmente provocado por processo inflacionário.
5 – Eqüidade de Participação no Custeio. O custeio da
seguridade social é de responsabilidade de todos, considerando-
se, no entanto, a sua renda.
6 – Diversidade da Base de Financiamento. A legislação
brasileira estabelece três tipos de contribuintes: os que recebem
remuneração por seu trabalho; as empresas ou pessoas físicas
que remuneram esses trabalhadores; e os entes federativos
(União, Estados e Municípios).
7 – Participação da Comunidade na Gestão
Administrativa. A nossa legislação, em especial a
constitucional, preconiza de forma bastante significativa a
participação da sociedade civil na gestão, o que ocorre, via de
regra, por meio dos Conselhos, que integram representantes
da comunidade e do Poder Público. Outro aspecto correlato a
esse diz respeito à descentralização proposta pela nossa
Constituição (art. 194 e art. 204, I), sendo a municipalização a
principal forma, reforçando a democratização desses espaços.
Em razão desse princípio percebe-se a difusão de conselhos
em todas as áreas sociais (saúde, educação, desenvolvimento,
segurança, etc.). Cumpre ainda referir que os conselhos
municipais devem ser instituídos por lei municipal.
Art. 194. A seguridade social compreende um conjunto
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integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da
sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à
saúde, à previdência e à assistência social.
Parágrafo único. Compete ao Poder Público, nos termos da
lei, organizar a seguridade social, com base nos seguintes
objetivos:
I — universalidade da cobertura e do atendimento;
II — uniformidade e equivalência dos benefícios e serviços às
populações urbanas e rurais;
III — seletividade e distributividade na prestação dos
benefícios e serviços;
IV — irredutibilidade do valor dos benefícios;
V — eqüidade na forma de participação no custeio;
VI — diversidade da base de financiamento;
VII — caráter democrático e descentralizado da administração,
mediante gestão quadripartite, com participação dos
trabalhadores, dos empregadores, dos aposentados e do
Governo nos órgãos colegiados. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998)
4.2 Saúde
A Constituição de 1988 estabeleceu em seus artigos 196 a
200 que o direito à saúde é universal, não dependendo da
contribuição do usuário, uma vez que mesmo aqueles segmentos
populacionais que não utilizam o sistema dele se beneficiam no
que tange a campanhas de vacinação, vigilância sanitária, etc.
Os artigos 196 a 200 da CF foram regulamentados pela Lei
nº 8.080, de 19 de setembro de 1990, também conhecida como
Lei Orgânica da Saúde – LOS2, que criou o Conselho Nacional
de Saúde – CNS que tem como propósito discutir e elaborar a
política de saúde para o Brasil.
O Sistema Único de Saúde – SUS, cujo fundamento legal
encontramos na LOS, são “Ações e serviços de saúde, prestados
por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e
municipais, da administração direta ou indireta e das fundações
2 Legislação alterada pelas Leis 9.832/90, 10424/02 e 11.108/05.
3 Art. 4, caput, da Lei 8.080/90.
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mantidas pelo Poder Público3.”
Ainda que o SUS seja estruturado pela União, Estados e
Municípios, o mesmo é descentralizado no que tange à direção
administrativa, sendo que sua atuação mais significativa ocorre
no cenário municipal.
Conforme encontramos no IDEC (2003, p. 38):
A descentralização pressupõe a distribuição dos serviços
conforme sua proximidade com o cidadão; assim, todas as
ações e serviços, que atendam à população de um município,
devem ser municipais; as que servem e alcançam vários
municípios devem ser estaduais; as que são dirigidas a todo
o território nacional devem ser federais (mas o SUS tem um
gestor único, em cada esfera de governo).
Também é importante referir que, embora público, o SUS
pode estabelecer parcerias com organizações médico-
hospitalares privadas, visto que todas elas regulamentadas pelos
dispositivos emanados do CNS. Ademais, é possível a
participação de setores privados de forma complementar,
especialmente pelo setor filantrópico e sem fins lucrativos,
através de contratos ou convênios.
Conforme se denota da leitura do artigo 198 da Constituição
Federal o SUS, além de ter a atribuição de atender pessoas
adoentadas, deve também primar por ações de caráter
preventivo.
No artigo 200 da CF encontramos as principais atribuições
do SUS, quais sejam:
• Prevenção e o tratamento de doenças.
• Formulação de políticas públicas.
• Execução de ações de saneamento básico.
• Desenvolvimento tecnológico científico na área.
• Fiscalização e inspeção de alimentos e bebidas.
• Colaboração com a proteção do ambiente.
• Controle e fiscalização de elementos de interesse para
a saúde.
• Vigilância sanitária e epidemiológica.
• Participação na produção de medicamentos,
procedimentos, produtos e substâncias de interesse da
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saúde.
• Saúde do trabalhador.
Como forma de facilitar a fixação do conteúdo, segue abaixo
o texto legal:
Art. 200. Ao sistema único de saúde compete, além de outras
atribuições, nos termos da lei:
I — controlar e fiscalizar procedimentos, produtos e
substâncias de interesse para a saúde e participar da
produção de medicamentos, equipamentos, imunobiológicos,
hemoderivados e outros insumos;
II — executar as ações de vigilância sanitária e epidemiológica,
bem como as de saúde do trabalhador;
III — ordenar a formação de recursos humanos na área de
saúde;
IV — participar da formulação da política e da execução das
ações de saneamento básico;
V — incrementar em sua área de atuação o desenvolvimento
científico e tecnológico;
VI — fiscalizar e inspecionar alimentos, compreendido o
controle de seu teor nutricional, bem como bebidas e águas
para consumo humano;
VII — participar do controle e fiscalização da produção,
transporte, guarda e utilização de substâncias e produtos
psicoativos, tóxicos e radioativos;
VIII — colaborar na proteção do meio ambiente, nele
compreendido o do trabalho.
4.3 Previdência Social
Os artigos 40 e 201 da Constituição Federal estabelecem
dois regimes de previdência social no Brasil: o Regime Geral da
Previdência Social - RGPS (art. 201) para trabalhadores do
setor privado com contratos regulamentados pela CLT e casos
previstos na Lei nº 8.212/91; e Regime Previdenciário dos
Servidores Públicos (art. 40) e demais leis e regulamentos.
Nossa legislação permite ainda a previdência complementar
para suplementar os benefícios, sendo essa modalidade de
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previdência de adesão voluntária.
Privilegiaremos nesse momento o RGPS, uma vez ser o
mesmo muito mais abrangente que o RPSP, que demandaria
num estudo exaustivo e minucioso de legislaçõesfederais,
estaduais e municipais, pois cada ente federativo por instituir
um regime próprio para seus servidores.
O Decreto nº 99.350/90 criou o Instituto Nacional de Seguro
Social – INSS, vinculado ao Ministério do Trabalho e Previdência
Social – MTPS, cuja principal atribuição é promover a
arrecadação, fiscalização e cobrança das contribuições sociais,
gerir os recursos do Fundo de Previdência e Assistência Social,
concedendo e mantendo benefícios previdenciários, além de
executar programas relacionados a emprego e apoio aos
trabalhadores desempregados, segurança e saúde do
trabalhador.
4.3.1 Benefícios
Previdenciários
Os principais benefícios previdenciários pagos pelo INSS
podem ser identificados da forma que segue:
a) Auxílio-doença: Benefício pago quando o assegurado
fica incapacitado para o trabalho, desde que já tenha
contribuído, quando da incapacidade, por pelo menos doze
meses, o que se denomina carência. Cumpre referir que os
quinze primeiros dias do período de convalescença são
pagos pela empresa, sendo os demais suportados pela
previdência mediante perícia médica periódica que ateste
a incapacidade.
b) Aposentadoria por Invalidez: Benefício pago pela
previdência quando a perícia médica constatar incapacidade
permanente total para o exercício de atividades laborativas,
não havendo possibilidade de reabilitação funcional4. É
preciso referir ainda que se a incapacidade exigir para o
4 A reabilitação profissional e uma função de re-profissionalização do segurado
pressupondo que ele é capaz de retornar ao mercado de trabalho exercendo função
diversa da que exercia antes da incapacitação, sendo-lhe assegurado 12 meses de
estabilidade no emprego, a contar da data do seu retorno.
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segurado o auxílio de um acompanhante, como no caso de
cegueira, alteração das faculdades mentais, entre outras
hipóteses, será acrescido 25% do valor do benefício
concedido, valor esse que não se incorpora à pensão
deixada pelo beneficiário quando do seu falecimento.
c) Aposentadoria por Idade: Esse benefício será
concedido aos 65 anos para homens e 60 para mulheres,
devidamente inscritos no INSS, com uma carência mínima
de 180 contribuições previdenciárias.
d) Aposentadoria por tempo de serviço (integral ou
proporcional): O benefício integral será concedido quando
o homem completar 30 anos de contribuição e 53 anos de
idade e a mulher com 25 anos de contribuição e 48 anos
de idade. O benefício será proporcional quando o segurado
tiver pelo menos 180 contribuições5.
e) Aposentadoria Especial: Algumas categorias
profissionais têm assegurado a aposentadoria desde que o
segurado tenha contribuído por 25 anos de trabalho em
condições especiais e/ou insalubres, regulamentadas em
lei especial.
f) Pensão por Morte: É o benefício pago aos dependentes
do assegurado a partir da data de seu falecimento,
independente de carência. Esse benefício é devido também
ao cônjuge separado judicialmente ou divorciado que recebia
pensão judicial. A pensão por morte pode ser vitalícia, no
caso da viúva, ou temporária, no caso dos dependentes
até a maioridade, ou com a extinção da invalidez.
g) Salário-família: É o benefício mensal pago ao
empregado na proporção do número de filhos com idade
até 14 anos, extinguindo-se quando o filho completar a
idade prevista em lei, qual seja 14 anos.
h) Salário-maternidade: Benefício concedido à
empregada gestante, no valor de seu salário integral,
durante 120 dias a contar do 28º dia antes da data
presumida do parto, ou do parto. Esse benefício dependerá
de uma carência de 10 contribuições. Em caso de aborto
não criminoso o prazo de licença é de duas semanas.
5 As 180 contribuições só serão exigidas integralmente a partir de 2011, sendo até
essa data regulamentada pela tabela do art. 142 da Lei 8.213/91.
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Quando da adoção ou guarda de criança o prazo é de 120
dias se a criança tiver até um ano; 60 dias se a criança
tiver de 1 a 4 anos e de 30 dias se a criança tiver de 4 a 8
anos.
i) Auxílio-reclusão: Benefício pago aos dependentes do
preso recluso, caso esse fosse segurado ao tempo da prisão,
não sendo exigido tempo mínimo de contribuição. O
benefício é suspenso em caso de fuga, sendo restabelecido
o pagamento caso o preso seja recapturado. Se o preso
falecer na prisão o benefício transforma-se em pensão por
morte.
Para a fixação do conteúdo, segue abaixo o texto legal,
pois como já foi dito anteriormente a leitura e a compreensão
do texto legal é indispensável nos estudos dessa disciplina.
Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de
regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória,
observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (Redação dada
pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
I — cobertura dos eventos de doença, invalidez, morte e idade
avançada; (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20,
de 1998).
II — proteção à maternidade, especialmente à gestante;
(Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998)
III — proteção ao trabalhador em situação de desemprego
involuntário; (Redação dada pela Emenda Constitucional n.
20, de 1998).
IV — salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes
dos segurados de baixa renda; (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998)
V — pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao
cônjuge ou companheiro e dependentes, observado o
disposto no § 2º. (Redação dada pela Emenda Constitucional
n. 20, de 1998).
§ 1º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados
para a concessão de aposentadoria aos beneficiários do
regime geral de previdência social, ressalvados os casos de
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atividades exercidas sob condições especiais que prejudiquem
a saúde ou a integridade física e quando se tratar de
segurados portadores de deficiência, nos termos definidos
em lei complementar. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 47, de 2005).
§ 2º Nenhum benefício que substitua o salário de contribuição
ou o rendimento do trabalho do segurado terá valor mensal
inferior ao salário-mínimo. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
§ 3º Todos os salários de contribuição considerados para o
cálculo de benefício serão devidamente atualizados, na forma
da lei. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20, de
1998).
§ 4º É assegurado o reajustamento dos benefícios para
preservar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme
critérios definidos em lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
§ 5º É vedada a filiação ao regime geral de previdência social,
na qualidade de segurado facultativo, de pessoa participante
de regime próprio de previdência. (Redação dada pela
Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 6º A gratificação natalina dos aposentados e pensionistas
terá por base o valor dos proventos do mês de dezembro de
cada ano. (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20,
de 1998).
§ 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de
previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes
condições: (Redação dada pela Emenda Constitucional n. 20,
de 1998).
I — trinta e cinco anos de contribuição, se homem, e trinta
anos de contribuição, se mulher; (Incluído dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
II — sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta
anos de idade, se mulher, reduzido em cinco anos o limite
para os trabalhadores rurais de ambos os sexos e para os
que exerçam suas atividades em regime de economia familiar,
nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador
artesanal. (Incluído dada pela Emenda Constitucional n. 20,
de 1998).
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§ 8º Os requisitos a que se refere o inciso I do parágrafo
anteriorserão reduzidos em cinco anos, para o professor que
comprove exclusivamente tempo de efetivo exercício das
funções de magistério na educação infantil e no ensino
fundamental e médio. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
§ 9º Para efeito de aposentadoria, é assegurada a contagem
recíproca do tempo de contribuição na administração pública
e na atividade privada, rural e urbana, hipótese em que os
diversos regimes de previdência social se compensarão
financeiramente, segundo critérios estabelecidos em lei.
(Incluído dada pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998)
§ 10 Lei disciplinará a cobertura do risco de acidente do
trabalho, a ser atendida concorrentemente pelo regime geral
de previdência social e pelo setor privado. (Incluído dada pela
Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 11 Os ganhos habituais do empregado, a qualquer título,
serão incorporados ao salário para efeito de contribuição
previdenciária e conseqüente repercussão em benefícios, nos
casos e na forma da lei. (Incluído dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
§ 12 Lei disporá sobre sistema especial de inclusão
previdenciária para atender a trabalhadores de baixa renda
e àqueles sem renda própria que se dediquem exclusivamente
ao trabalho doméstico no âmbito de sua residência, desde
que pertencentes a famílias de baixa renda, garantindo-lhes
acesso a benefícios de valor igual a um salário-mínimo.
(Redação dada pela Emenda Constitucional n. 47, de 2005)
§ 13 O sistema especial de inclusão previdenciária de que
trata o § 12 deste artigo terá alíquotas e carências inferiores
às vigentes para os demais segurados do regime geral de
previdência social. (Incluído pela Emenda Constitucional n.
47, de 2005).
Art. 202. O regime de previdência privada, de caráter
complementar e organizado de forma autônoma em relação
ao regime geral de previdência social, será facultativo, baseado
na constituição de reservas que garantam o benefício
contratado, e regulado por lei complementar. (Redação dada
pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
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§ 1º A lei complementar de que trata este artigo assegurará
ao participante de planos de benefícios de entidades de
previdência privada o pleno acesso às informações relativas
à gestão de seus respectivos planos. (Redação dada pela
Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 2º As contribuições do empregador, os benefícios e as
condições contratuais previstas nos estatutos,
regulamentos e planos de benefícios das entidades de
previdência privada não integram o contrato de trabalho
dos participantes, assim como, à exceção dos benefícios
concedidos, não integram a remuneração dos participantes,
nos termos da lei. (Redação dada pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
§ 3º É vedado o aporte de recursos a entidade de previdência
privada pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios,
suas autarquias, fundações, empresas públicas, sociedades
de economia mista e outras entidades públicas, salvo na
qualidade de patrocinador, situação na qual, em hipótese
alguma, sua contribuição normal poderá exceder a do
segurado. (Incluído pela Emenda Constitucional n. 20, de
1998).
§ 4º Lei complementar disciplinará a relação entre a União,
Estados, Distrito Federal ou Municípios, inclusive suas
autarquias, fundações, sociedades de economia mista e
empresas controladas direta ou indiretamente, enquanto
patrocinadoras de entidades fechadas de previdência privada,
e suas respectivas entidades fechadas de previdência privada.
(Incluído pela Emenda Constitucional n. 20, de 1998).
§ 5º A lei complementar de que trata o parágrafo anterior
aplicar-se-á, no que couber, às empresas privadas
permissionárias ou concessionárias de prestação de serviços
públicos, quando patrocinadoras de entidades fechadas de
previdência privada. (Incluído pela Emenda Constitucional n.
20, de 1998).
§ 6º A lei complementar a que se refere o § 4º deste artigo
estabelecerá os requisitos para a designação dos membros
das diretorias das entidades fechadas de previdência privada
e disciplinará a inserção dos participantes nos colegiados e
instâncias de decisão em que seus interesses sejam objeto
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de discussão e deliberação. (Incluído pela Emenda
Constitucional n. 20, de 1998).
A assistência social será tratada no próximo capítulo, em
razão de sua centralidade na formação e atuação do assistente
social.
Atividades
Chegamos ao fim deste capítulo, como proposta de trabalho
sugerimos que os (as) acadêmicos (as) organizem
individualmente uma síntese apontando os principais conceitos
trabalhados no capítulo, com a fundamentação legal dos mesmos.
Qualquer dúvida retome a leitura do capítulo e busque
aprofundamento nas obras indicadas na referência.
Referência comentada
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
A obra indicada para leitura é uma das mais completas
acerca de conhecimentos jurídicos indispensáveis para o
exercício profissional dos egressos do curso de Serviço
Social, sendo apropriada para o aprofundando das reflexões
feitas neste capítulo. Recomendamos ainda a leitura, na
íntegra, das legislações referidas no capítulo. Lembre-se
de que o conhecimento da legislação é indispensável nessa
disciplina!
Bons estudos!
Referências
Constituição Federal de 1824
Constituição Federal de 1891
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Constituição Federal de 1934
Constituição Federal de 1937
Constituição Federal de 1946
Constituição Federal de 1967/69
Constituição Federal de 1988
Consolidação das Leis do Trabalho – CLT
Decreto nº 19.398, de 11 de novembro de 1930
Decreto nº 72, de 21 de novembro 1966 - LOPS
Decreto nº 77.077, de 24 de janeiro de 1976- CLPS
Decreto nº 99.350, de 28 de junho de 1990
IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor. O
SUS pode ser seu melhor plano de saúde. 2. ed. Brasília:
Ministério da Saúde/IEDC, 2003.
Lei Federal nº 8.080 de 19 de setembro de 1990- LOS
Lei Federal nº 8.212 de 28 de julho de 1991
Lei Federal nº 8.312 de 28 de julho de 1991
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da Seguridade Social. São
Paulo: Atlas, 2002.
OLIVEIRA, Aristeu de. Previdência Social: doutrina e
Legislação. São Paulo: Atlas, 2000.
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
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Autoavaliação
Marque a alternativa correta.
1) A seguridade social compreende:
a) A previdência social.
b) A saúde.
c) A assistência social.
d) Todas as alternativas acima.
2) As prestações sociais podem ser:
a) Benefícios.
b) Serviços.
c) Programas e Projetos.
d) Todas as alternativas acima.
3) A Universalidade da cobertura e atendimento como
princípio de seguridade social implica:
a) Em toda sociedade, sem distinção deve ser atendida.
b) Somente são atendidos aqueles que contribuem para a
previdência.
c) Somente serão atendidos aqueles que comprovarem a
impossibilidade de acessar serviços privados.
d) Somente são atendidos aqueles que comprovarem o
recolhimento de 180 contribuições à Previdência social.
4) A irredutibilidade de valor do benefício é um princípio da
seguridade social que estabelece:
a) O benefício pode sofrer redução nominal.
b) O benefício não pode sofrer redução nominal.
c) O benefício pode sofrer redução nominal parcial
d) Nenhuma das alternativas acima.
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5) A participação da sociedade civil na gestão através de
Conselhos pode ser identificada como:
a) Um processo que não prevê a participação popular.
b) Um processo de concentração no nível federal.
c) Um processo de descentralização e democracia.
d) Nenhuma das alternativas acima.
Gabarito: 1) D; 2) D; 3) A; 4) B; 5) C.
O objeto de estudo deste capítuloé a assistência social,
destacando-se as áreas/temáticas de atuação mais frequentes
dos assistentes sociais, quais sejam: família, a criança e o
adolescente, os idosos e as pessoas portadoras de deficiência.
Estudaremos os principais instrumentos legais de proteção
desses grupos.
Além do material instrucional, os acadêmicos poderão
encontrar maiores informações e esclarecimentos na bibliografia
indicada ao final do capítulo.
5.1 Definição
A assistência social é a terceira modalidade de seguridade
social, que por sua centralidade para a formação do assistente
social será tratada em capítulo à parte, independentemente de
não podermos pensá-la isoladamente, pois, junto com a saúde
e a previdência social, cumprem a função de minimizar as
diferenças sociais.
 Para ratificar nossa afirmação, tomamos de Simões (2007)
a seguinte passagem:
A assistência social, pela primeira vez em sua história, foi
erigida como uma das três instituições políticas fundamentais
Cap. V
Assistência Social
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da seguridade social, ao lado da saúde e da previdência social.
Esse fato expressa a superação do conceito de
assistencialismo, da filantropia e da benemerência social, para
a profissionalização da atividade pública não somente no
atendimento às necessidades básicas da população pobre e
carente, como e sobretudo no processo de reinserção social,
pela reconstituição das relações familiares, pela habilitação
e reabilitação profissional e por programas e projetos de
enfrentamento da pobreza. Expressa, ainda, a política de
efetividade e desenvolvimento dos direitos humanos,
especialmente no que se refere à garantia dos direitos sociais
como direitos de cidadania, de acesso universal, sob a
responsabilidade do Estado. (172)
O mesmo autor segue ainda referindo acerca da importância
da assistência social ser concebida como política de Estado à
medida que:
Ao ser instituída como política de pública, passou a ser uma
ação estratégica de Estado, e não apenas dos governos,
especificamente de seus três poderes, na luta incessante pela
redução e prevenção de riscos e vulnerabilidades sociais, por
meio da universalização desses direitos, inclusão das pessoas
carentes e superação da pobreza. (Idem)
A Constituição Federal identifica a assistência social como
uma política social, logo um direito de natureza social, cujo
propósito é garantir às populações vulneráveis condições
mínimas de bem-estar, o que se materializa como um compromisso
de Estado. Devemos também referir que as políticas de
assistência social são transversais a outras políticas públicas.
O legislador pátrio definiu no artigo 203 da CF/88 a área
de ação da assistência social, relacionando-os aos direitos
individuais e coletivos. Da mesma forma, delimitação similar
encontramos na LOAS6 no seu artigo 2.
6 A LOAS é a denominação que se dá a Lei Orgânica de Assistência Social (Lei
8.742, de 7 de dezembro de 1993) que será estudada de forma detalhada no
próximo capítulo.
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Art. 203. A Assistência Social será prestada a quem dele
necessitar, independentemente de contribuição a seguridade
social, e tem por objetivos:
I – a proteção à família, à maternidade, à infância, à
adolescência e à velhice;
II – o amparo às crianças e adolescentes carentes;
III – a promoção da integração ao mercado de trabalho;
IV – a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras
de deficiência e a promoção de sua integração à vida
comunitária;
V – a garantia de um salário-mínimo de benefício mensal à
pessoa portadora de deficiência e ao idoso que comprovem
não possuir meios de prover à própria subsistência ou de tê-
la provida por sua família, conforme dispuser a lei7.
5.2 Família
Para o legislador pátrio a família8 é considerada como uma
instância básica na qual a identidade individual, grupal e social
se constitui e se mantém, sendo o núcleo prioritário de atuação
da assistência social, que marcará sua ação pelo esforço
recorrente de manter, reforçar ou reconstituir os vínculos
familiares, de tal sorte que só em casos extremos o Poder
Público adotará medidas diversas. Esse pressuposto vale tanto
para a criança, adolescente, idoso ou pessoa deficiente.
 A legislação pátria concebe o casamento como uma das
formas da constituição da família natural que poderá ocorrer
também pela união estável, embora a noção de família não
esteja adstrita à existência do casal, quer heterossexual quer
homossexual, sendo bastante comum arranjos familiares
bastante diversificados, todos eles protegidos pela legislação
vigente.
Ainda acerca dessa matéria é preciso destacar que nosso
ordenamento jurídico (art. 227 da CF/8 e art. 1596 do Código
Civil vigente) deu aos filhos tidos ou não no casamento, e
7 BRASIL, Constituição Federal.
8 O conceito de família para os legisladores e julgadores é um conceito bastante
complexo, permitindo uma infinidade de possibilidades, sendo que todas elas devem
ser respeitadas.
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mesmo aos adotivos, os mesmos direitos e qualificações, não
havendo qualquer distinção da filiação.
Ademais a Constituição Federal estabeleceu a igualdade
entre cônjuges ou companheiros no que tange à chefia da
família, de tal sorte que a dissolução do casamento ou da
união estável não afeta o poder familiar, assim como o novo
casamento ou a união dos pais não modifica os direitos e deveres
dos mesmos para com seus filhos. Os pais têm a obrigação
legal de prestar alimentos aos filhos, sob pena de incidência
nas sanções previstas no artigo 244 do Código Penal Brasileiro,
sendo também tipificada como crime de abandono intelectual a
omissão de educação (art. 246 do Código Penal Brasileiro).
Ambas as situações podem implicar na perda do poder familiar
(art. 1.638 do Código Civil Brasileiro).
Da mesma forma a aplicação de castigos físicos de forma
imoderada caracteriza crime de maus-tratos e também implicará
na perda do poder familiar.
Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção
do Estado.
§ 1º O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união
estável entre o homem e a mulher como entidade familiar,
devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
§ 4º Entende-se, também, como entidade familiar a
comunidade formada por qualquer dos pais e seus
descendentes.
§ 5º Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal
são exercidos igualmente pelo homem e pela mulher.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio, após
prévia separação judicial por mais de um ano nos casos
expressos em lei, ou comprovada separação de fato por mais
de dois anos.
§ 7º Fundado nos princípios da dignidade da pessoa humana
e da paternidade responsável, o planejamento familiar é livre
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decisão do casal, competindo ao Estado propiciar recursos
educacionais e científicos para o exercício desse direito, vedada
qualquer forma coercitiva por parte de instituições oficiais ou
privadas.
§ 8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa
de cada um dos que a integram, criando mecanismos para
coibir a violência no âmbito de suas relações.
5.3 Criança e Adolescente
Historicamente, no Brasil, a assistência a crianças e
adolescentes abandonados foi uma atribuição da Igreja e de
Irmandades de Misericórdia, com caráter de caridoso ou
benemérito, o que foi comum durante todo o período colonial e
imperial, tendo perdurado nas primeiras décadas do período
republicano, mais precisamente até 1927 com a edição do Código
de Menores, quando a matéria instituiu-se como política pública.
Não obstante a esse avanço devemos destacar o caráter
correcional-repressivo dessa legislação ou aindaum caráter
assistencialista que concebia o menor como um indivíduo
marcado por carências biopsicológicas, sociais e culturais, o
que foi reforçado pelo Código de Menores editado pela Lei nº
6.697, de 10 de outubro de 1979, legislação essa restritiva aos
menores em situação irregular também denominados infratores.
O cenário modificou-se em meados da década de 80 quando
das reiteradas críticas ao conceito de menor e a necessária
reformulação de nossa legislação no sentido de atender a criança
e o adolescente na sua integralidade. Naquele contexto é
importante mencionar que a CF/88 no seu artigo 227:
 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado
assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta
prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação,
ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao
respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária,
além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,
discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
§ 1º O Estado promoverá programas de assistência integral
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à saúde da criança e do adolescente, admitida a participação
de entidades não governamentais e obedecendo os seguintes
preceitos:
I — aplicação de percentual dos recursos públicos destinados
à saúde na assistência materno-infantil;
II — criação de programas de prevenção e atendimento
especializado para os portadores de deficiência física,
sensorial ou mental, bem como de integração social do
adolescente portador de deficiência, mediante o treinamento
para o trabalho e a convivência, e a facilitação do acesso aos
bens e serviços coletivos, com a eliminação de preconceitos e
obstáculos arquitetônicos.
§ 2º A lei disporá sobre normas de construção dos logradouros
e dos edifícios de uso público e de fabricação de veículos de
transporte coletivo, a fim de garantir acesso adequado às
pessoas portadoras de deficiência.
§ 3º O direito à proteção especial abrangerá os seguintes
aspectos:
I — idade mínima de quatorze anos para admissão ao trabalho,
observado o disposto no art. 7º, XXXIII;
II — garantia de direitos previdenciários e trabalhistas;
III — garantia de acesso do trabalhador adolescente à escola;
IV — garantia de pleno e formal conhecimento da atribuição
de ato infracional, igualdade na relação processual e defesa
técnica por profissional habilitado, segundo dispuser a
legislação tutelar específica;
V — obediência aos princípios de brevidade, excepcionalidade
e respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento,
quando da aplicação de qualquer medida privativa da
liberdade;
VI — estímulo do Poder Público, através de assistência jurídica,
incentivos fiscais e subsídios, nos termos da lei, ao
acolhimento, sob a forma de guarda, de criança ou
adolescente órfão ou abandonado;
VII — programas de prevenção e atendimento especializado
à criança e ao adolescente dependente de entorpecentes e
drogas afins.
§ 4º A lei punirá severamente o abuso, a violência e a
exploração sexual da criança e do adolescente.
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§ 5º A adoção será assistida pelo Poder Público, na forma da
lei, que estabelecerá casos e condições de sua efetivação
por parte de estrangeiros.
§ 6º Os filhos, havidos ou não da relação do casamento, ou
por adoção, terão os mesmos direitos e qualificações, proibidas
quaisquer designações discriminatórias relativas à filiação.
§ 7º No atendimento dos direitos da criança e do adolescente
levar-se-á em consideração o disposto no art. 204.
Em 13 de janeiro de 1990, ratificando e regulamentando
os dispositivos constitucionais acima descritos, foi aprovada a
Lei nº 8.068 denominada Estatuto da Criança e do
Adolescente, também denominado ECA, caracterizado como
um dispositivo legal que garante a proteção integral de
crianças assim consideradas até os 12 anos e
adolescentes dos 12 aos 17 anos de idade com prioridade
absoluta. Essa legislação está em consonância com dispositivos
internacionais sobre a matéria, à medida que não cuida somente
de crianças e adolescentes em situação de risco social ou
individual, sendo um dispositivo que contempla a totalidade
desses indivíduos.
O ECA atenta sempre para o bem-estar das crianças e
adolescentes, estabelecendo uma série de medidas
preventivas e protetivas para cumprir seu objetivo,
priorizando, como dito anteriormente, a mantença ou reinserção
familiar.
Devemos referir ainda que essa legislação definiu atos
infracionais, procedimentos processuais para averiguação dos
mesmos e medidas socioeducativas para as crianças e
adolescentes e para seus pais ou responsáveis, instituindo ainda
o Conselho Tutelar e a Justiça da Infância e Juventude.
Os artigos 86 e 87 do ECA deliberam sobre o conjunto de
ações governamentais e não-governamentais dos Municípios,
Estados e União, merecendo destaque os que seguem:
1. Políticas e programas de assistência social, em caráter
supletivo, para aqueles que dela necessitem;
2. Serviços especiais de prevenção e atendimento médico
e psicológico às vítimas de negligência, maus-tratos,
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exploração, abuso, crueldade e opressão;
3. Serviços de identificação e localização dos pais,
responsável, crianças e adolescentes desaparecidos;
4. Proteção psicossocial, por entidades de defesa dos
direitos da criança e do adolescente, entre outras.
No que diz respeito às diretrizes administrativas, políticas
e fundos merece destaque a municipalização do atendimento,
a criação dos conselhos municipais, estaduais e federais como
órgãos deliberativos e controladores das ações, bem como a
criação de programas que garantam a descentralização e a
manutenção de fundos nas três esferas estatais. Ainda é
preciso mencionar a preocupação com a integração dos
diferentes órgãos do Judiciário, Ministério Público, Defensoria,
Segurança Pública e Assistência Social, além da necessária
mobilização da sociedade civil no sentido de participar e/ou
acompanhar a matéria em debate.
O ECA estabelece ainda que, quando da necessidade de
colocar a criança ou adolescente em abrigos, deverá a
autoridade pública zelar pela preservação dos vínculos familiares;
integrar em família substituta quando não houver outra
possibilidade de atendimento personalizado e em pequenos
grupos; fomentar atividades em regime de socioeducação;
manter grupos de irmãos evitando o desmembramento, sempre
que possível; garantir que as crianças e adolescentes
permaneçam numa única entidade, evitando-se mudanças;
participação na vida comunitária envolvendo a comunidade no
processo educativo, além de preparar gradativamente as
crianças e os adolescentes para o seu desligamento da
instituição.
O adolescente que comete ato tipificado em lei como crime
ou contravenção é denominado infrator, desde que comprovada
a materialidade e a autoria da infração, ainda que menores
sejam considerados ininputáveis, não podendo ser
responsabilizados por seus atos, o que obviamente não implica
na ausência de punição ao ato infracional, uma vez que são
aplicadas medidas socioeducativas, levando em consideração
a gravidade e o potencial de agressividade do ato, conforme
disposto no artigo 112 do ECA.
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Dentre as medidas possíveis encontramos a advertência:
a obrigação de reparar o dano; prestação de serviços à
comunidade por meio de trabalho voluntário, não prejudicando
sua frequência na escola ou no trabalho; liberdade assistida
que consiste no acompanhamento, auxílio ou orientação do
adolescente por pessoa designada, pelo prazo mínimo de seis
meses; inserção em regime de semiliberdade que não comprometa
a escolarização e profissionalização e, por fim, a mais severa
das medidas socioeducativas que consiste na internação em
estabelecimento estatal como medida extrema de privaçãode
liberdade. Essa medida é extensiva até o adolescente infrator
completar 21 anos, quando sua liberação será compulsória.
Quando da internação de adolescentes infratores, haverá
se de observar os pressupostos constantes no art. 94 do ECA,
destacando-se os que seguem:
1. respeitar direitos e garantias do adolescente, restringindo
apenas aqueles que tiverem sido suprimidos por decisão
judicial;
2. assegurar atendimento personalizado, em pequenas
unidades e grupos reduzidos, de modo a preservar a
identidade do adolescente, num ambiente de respeito e
dignidade;
3. contribuir de forma efetiva para a preservação dos
vínculos familiares;
4. oferecer instalações físicas e condições em locais que
garantam a higiene, saúde e segurança, além de cuidados
médicos, psicológicos, odontológicos e farmacêuticos, além
de escolarização e profissionalização, disponibilizando
atividades culturais, esportivas e de lazer;
5. proceder a realização de estudo social pessoal reavaliado
periodicamente, dando ciência de seus resultados para a
autoridade competente, informando ainda o adolescente
sua situação processual;
6. manter programas de apoio e acompanhamento de
egressos que possam facilitar ou garantir a sua reinserção
na sociedade.
O ECA estabelece ainda medidas de proteção contra
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ameaça ou violação dos direitos das crianças e dos adolescentes
que deverão ser tomadas pelo juiz da infância e adolescência,
merecendo destaque:
1. exigência de matrícula e frequência obrigatória em
estabelecimento de ensino;
2. requisitar tratamento medido ou psíquico na modalidade
ambulatorial ou hospitalar;
3. determinar abrigo em entidade ou colocação em família
substituta;
4. promover a inclusão em programa oficial ou comunitário
de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e
toxicômanos, entre outros.
No que se refere aos pais ou responsáveis, o artigo 129 do
ECA estabelece algumas medidas que podem ser tomadas pelo
Judiciário, merecendo destaque:
1. encaminhamento ao programa oficial ou comunitário de
promoção à família;
2. encaminhamento à tratamento psicológico ou
psiquiátrico;
3. encaminhamento para cursos ou programas de
orientação;
4. obrigação de matricular filho e acompanhar sua
frequência e aproveitamento escolar;
5. obrigação de acompanhar a criança ou adolescente no
tratamento especializado;
6. advertência;
7. destituição da tutela9;
8. suspensão ou destituição do poder familiar.
Outra disposição importante constante no ECA diz respeito
ao mesmo vedar a divulgação de atos jurídicos, policiais e
administrativos referentes a adolescentes a quem se atribua
ato infracional, de tal sorte que não poderão ser divulgadas
imagens, fotografias, nomes, apelidos, filiação, parentesco ou
9 Tutela é o encargo de natureza assistencial atribuído a uma pessoa capaz para
cuidar de um menor e administrar seus bens suprindo a falta do poder familiar –
Código Civil Brasileiro.
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residência, conforme diapositivo constante no artigo 143 do
referido texto legal.
O ECA normatiza também a adoção de menores de 18
anos, concebendo-a como um mecanismo de colocação da
criança ou do adolescente em família substituta.
No artigo 46 do ECA encontramos a exigência de que a
adoção seja precedida de um estágio de convivência dos
candidatos a adotantes e os possíveis adotados, por um prazo
a ser fixado pela autoridade judiciária. Essa exigência poderá
ser suprimida quando adotando e adotante já conviverem juntos
por tempo suficiente para o judiciário avaliar a existência de
vínculo, ou ainda quando o adotando não tiver mais de um ano
de idade.
Como adotantes podemos identificar casais heterossexuais
casados ou em união estável, ou ainda homossexuais que
demonstrem convivência em união estável10, sendo possível
ainda a adoção por pessoas sozinhas.
O ECA também regulamenta a adoção internacional que é
aquela em que o adotante é um estrangeiro residente e
domiciliado fora do Brasil.
5.3.1 Conselho Tutelar
Os Conselhos Tutelares foram concebidos como órgãos
encarregados de zelar pelo cumprimento das disposições contidas
no ECA, especialmente no que diz respeito ao atendimento de
crianças e adolescentes em situação de risco por ação ou
omissão provocada pela sociedade, família ou pela própria
criança ou adolescente. São suas atribuições o atendimento e
aconselhamento a pais ou responsáveis, além do
encaminhamento aos Juizados da Infância e Adolescência dos
casos que exijam intervenção judicial. Todos esses dispositivos
constam do artigo 136 do ECA.
Os Conselhos Tutelares são compostos por cinco membros
maiores de 21 anos, eleitos pela comunidade, com mandado de
três anos, permitida uma reeleição. Esses órgãos não possuem
atribuição judicial, podendo, entretanto, expedir notificações e
10 Entendimento crescente da jurisprudência nacional.
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requisitar certidões de nascimento e óbito de crianças e
adolescentes.
5.3.2 Adolescente
e Trabalho
A regulamentação do trabalho do adolescente encontra
guarida no inciso XXXIII do art. 7º da Constituição Federal,
que veda o trabalho noturno, perigoso ou insalubre para menores
de 18 anos e qualquer tipo de trabalho para menores de 16
anos, salvo na condição de aprendiz11 a partir dos 14 anos de
idade. Essas restrições têm como propósito assegurar o pleno
desenvolvimento psicossocial dos adolescentes.
Atividades laborativas realizadas por menores de 16 anos
– salvo o aprendiz – são consideradas trabalho infantil, o que é
vedado tanto na legislação nacional quanto internacional. No
Brasil o Ministério de Desenvolvimento Social é responsável
pelo PETI – Programa de Erradicação do Trabalho Infantil, que
visa coibir e fiscalizar o trabalho infantil além de proteger os
trabalhadores adolescentes.
Completados 16 anos os adolescentes podem ser admitidos
em empregos nas mesmas condições de adultos, sendo titular
dos mesmos direitos tanto trabalhistas como previdenciários,
sendo que o empregador que admitir menores é obrigado a
conceder-lhes o tempo para frequentar a escola.
5.4 Idosos
Vivemos um período caracterizado pelo intenso
desenvolvimento das ciências, que aliado a outras variáveis
tem proporcionado uma maior longevidade às pessoas,
aumentando significativamente o número de pessoas
consideradas idosas. Paralelo a isso nossa cultura não atribui
aos idosos a devida importância, o que acaba por provocar um
acentuado processo de exclusão social, especialmente entre
11 O trabalho do aprendiz está regulamentado na Lei 10.097/00 e no Decreto 5.598/
05.
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idosos de baixa renda, o que se intensifica pelo ritmo acelerado
de crescimento desse segmento populacional, sem que a
sociedade atente para esse fenômeno.
São modestas as preocupações dos nossos governantes
com os idosos, especialmente no que tange à efetivação dos
dispositivos legais já existentes que regulamentam a matéria,
como veremos a seguir.
O marco significativo, apontado na literatura, acerca da
preocupação do legislador com os idosos ocorreu com o advento
da Constituição Federal, em outubro de 1988, onde entre outras
inovações percebemos a “constitucionalização dos direitos do
idoso”12, como demonsta a leitura do art. 230:
Art. 230. A família, a sociedade e o Estado têm o dever de
amparar as pessoas idosas, assegurando sua participação
na comunidade, defendendo sua dignidade e bem-estar e
garantindo-lhes o direito à vida.
§ 1º Os programas de amparo aos idosos serão executados
preferencialmente em seus lares.
§ 2º Aos maiores de sessenta e cinco anos é garantida a
gratuidade dos transportes coletivos urbanos.
O legislador constitucional trata da questão dos idosos ou
da velhice em inúmeras passagens, de maneira explícita ou
implícita,merecendo destaque, entre outras medidas protetivas
constantes em nossa Carta Magna, a dignificação do ser humano
(art. 1º, inciso III), a promoção do bem de todos (art. 3º,
inciso IV), a prestação de assistência judiciária (art.5º, inciso
LXXIV), condições diferenciadas para o cumprimento da pena
(art. 5º, inciso XLVIII), direitos sociais com assistência aos
desamparados, proibição da diferença de salários, isenção de
Imposto de Renda sobre benefícios previdenciários com idade
superior a 65 anos, aposentadoria compulsória aos 70 anos
para servidor público (art. 40, inciso II), direito de o aposentado
filiado participar efetivamente das organizações sindicais (art.
12 Ainda que outros textos constitucionais (Constituição de 1934, art. 121, § 1;
Constituição de 1937, Constituição de 1946, Constituição de 1967 e Emenda
Constitucional de 1969) tenham feito referência a velhice, o tema não foi tratado
como um direito fundamental, dispondo restritivamente sobre direito previdenciário
e direito do trabalho.
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8º, inciso VII), dever de amparar dos filhos maiores em relação
a seus genitores na velhice ou na doença (art. 229), além do
dever da sociedade e do Estado garantir aos idosos o direito a
uma vida digna (art. 230), entre outras medidas.
Em razão constitucionalização dos direitos dos idosos,
inúmeras normas jurídicas, quer no plano federal, estadual ou
municipal, foram editadas, com o propósito de garantir o efetivo
cumprimento do texto constitucional. Priorizaremos nesse
momento a legislação federal.
Em 4 de janeiro de 1994 a Lei nº. 8.842 instituiu a Política
Nacional do Idoso criando o Conselho Nacional do Idoso,
estabelecendo em 22 artigos os princípios e diretrizes de uma
política nacional para esse segmento populacional, sendo
adequado transcrevermos, a título de ilustração, o inciso II da
referida Lei que denota, de forma explicita, a preocupação com
o envelhecimento populacional à medida que afirma que “o
processo de envelhecimento diz respeito à sociedade em geral,
devendo ser objeto de conhecimento e informação para todos”.
Em 03 de julho de 1996 o Decreto nº 1.948 regulamentou
a Lei nº. 8.842/94, criando os respectivos conselhos municipais,
estadual e federal, determinando suas competências.
A efetivação de uma política nacional para o idoso
demandava a regulamentação efetiva do artigo 230 da
Constituição Federal, o que ocorreu com a promulgação da Lei
nº. 10.741, em 01 de outubro de 2003, também conhecido
como Estatuto do Idoso quando o legislador estabelece que o
conceito de idoso compreende os indivíduos acima de 60 ou 65
anos de idade, segundo certas condições sociais.
Entre os principais dispositivos constantes do Estatuto do
Idoso destacamos:
• criminalização do abandono do idoso, por seu
responsável, com possibilidade e prisão por até três anos;
• criminalização dos responsáveis por clínicas, acusados
de maus-tratos, com até doze anos de prisão quando os
maus-tratos resultarem na morte do idoso;
• priorização dos idosos nas ações judiciais; direito à meia-
entrada em cinemas, shows e eventos esportivos;
• direito ao benefício de prestação continuada (BPC), a
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partir dos 65 anos de idade, se carente;
• direito ao transporte urbano gratuito; direito ao crédito
nas instituições financeiras, sem discriminação por motivo
de idade;
• prioridade no atendimento pelo SUS, com direito a
acompanhante, em tempo integral, durante a internação
hospitalar;
• gratuidade ou redução dos preços das passagens
interestaduais de ônibus, aos idosos com renda até dois
salários mínimos;
• fornecimento gratuito de remédios, bem como de órteses
e próteses, para tratamento;
• habilitação ou reabilitação para o trabalho, entre outras
medidas.
Ainda a título de esclarecimento devemos informar que um
importante direito dos idosos diz respeito à possibilidade dos
mesmos receberem pensão alimentícia dos descendentes,
quando não tiverem condições de garantir sua subsistência. A
fixação do valor pago a título de pensão alimentícia deverá
observar duas condições, quais sejam: a possibilidade de quem
deve fornecer os alimentos e a necessidade de quem receberá
os mesmos.
 Essa matéria está prevista no artigo 1.694 do Código
Civil Brasileiro e no Capítulo III do Estatuto de Idoso.
Não obstante a dificuldade de implementação de algumas
das disposições constantes na legislação constitucional e infra-
constitucional acerca da proteção aos idosos, deve-se referir
que os avanços já são significativos, ainda que estejamos muito
longe do ideal, pois muitas dessas normas ainda não são
eficazes, restando a toda a sociedade e aos profissionais com
atuam com a seguridade social contribuir para que esses direitos
sejam efetivamente assegurados e efetivados.
5.5 Pessoas Portadoras
de Deficiência – PPDs
Meados dos anos 80 do século XX marcaram uma
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significativa reorientação legislativa e, consequentemente, de
políticas públicas no que tange ao pleno exercício dos direitos
da cidadania das pessoas portadoras de deficiência,
denominação essa constante nos textos legais. O esforço tem
sido direcionado no sentido da integração e inclusão desses
indivíduos.
A Organização das Nações Unidas declarou o ano de 1981
como o Ano Internacional da Pessoa Portadora de Deficiência,
divulgando a importância da participação e igualdade plena dos
PPDs, estabelecendo metas para que os diferentes países
elaborassem e implementassem medidas adequadas a este
propósito, fixando o ano de 1993 como o início de uma década
de Equiparação de Oportunidades.
Em vários aspectos estimulou-se a inclusão, merecendo
destaque algumas medidas de cunho educativo que resultaram
num avanço significativo no sentido de propiciar melhores
oportunidades de formação capacitação desse grupo social.
Na década de 80 surge um outro conceito sobre Educação
Especial, fundado na ideia de Inclusão, tomando como ponto
de partida não o(a) aluno(a), mas a escola. No período anterior,
o(a) aluno(a) deveria se adaptar à escola, agora, a escola
deve se adaptar ao aluno(a). Este conceito vigora até hoje
nas orientações emanadas pelo Poder Público que se refere à
matéria.
No cenário europeu, a Itália e a Espanha destacaram-se
quanto às políticas contra a exclusão do(a) portador(a) de
necessidades especiais.
O Tratado Mundial de Educação para Todos, resultante de
um encontro ocorrido em 1990 na Tailândia, mostrou as questões
educativas com um caráter prioritário. Neste documento, 155
países se comprometem a garantir uma educação básica de
qualidade para todas as crianças, jovens e adultos.
Torres13 aponta algumas estratégias presentes na
Convenção Educação Para Todos:
1. satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem de
todos, reconhecendo que cada um tem necessidades
13 TORRES, Rosa Maria. Educação Para Todos: a tarefa por fazer. Porto Alegre:
Artemed, 2001, p. 26-7
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diferentes e, por isso, exige conteúdos, métodos e
modalidades próprias;
2. priorizar meninas e mulheres, abolindo obstáculos que
as impeçam de ter acesso à educação, exterminando
qualquer tipo de discriminação sexista no espaço escolar;
3. dar especial atenção aos grupos desamparados e às
pessoas com algum tipo de deficiência, facilitando a
sua aprendizagem e corrigindo as desigualdades educativas
impostas a elas; (grifo nosso)
4. concentrar mais a atenção na aprendizagem do que nos
aspectos formais, garantindo que as pessoas realmente
aprendam além de criar mecanismos que garantam o acesso
e a permanência de todos na escola;
5. priorizar o ambiente de aprendizagem, enfatizando as
condições como matérias mínimas.
Pela leitura dos principais apontamentos da Convenção
Educação Para Todos, verifica-seuma acentuada orientação
no sentido efetivo de contemplar a todos. A mesma autora
enfatiza ainda que “... o diferente passa a ser a norma e não a
exceção nos sistemas destinados a satisfazer tais
necessidades”14.
No ano de 1994, como resultado imediato da Conferência
da Tailândia, foi organizado, pelo governo espanhol em parceria
com a UNESCO, um encontro que resultou na Declaração de
Salamanca, com a finalidade de definir políticas, princípios e
práticas para discutir a educação destinada aos portadores de
necessidades especiais. É importante referir que, nesta
declaração, foram consideradas crianças e jovens cujas
necessidades decorrem de suas capacidades e dificuldades de
aprendizagem, em algum momento de sua escolarização.
Para garantir a inclusão destes (as) alunos (as) na rede
regular de ensino, faz-se referência ao Princípio da Escola Para
Todos, no que tange ao reconhecimento das diferenças e
promoção da aprendizagem.
Todos os países signatários da Convenção de Salamanca
aceitaram o desafio, de modo a viabilizar a Educação Para
14 TORRES, 2001 ,p. 81.
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Todos, colocando em prática ações inclusivas.
No corpo documental da Declaração encontramos a
expressão necessidades educativas especiais além do conceito
de “escolas integradas”. No artigo 4º do mesmo documento se
evidencia um apelo ao respeito da diferença, além da necessária
mudança na perspectiva social em relação às pessoas com
deficiência, vítimas reiteradas de discriminação generalizada.
O artigo 6º15 estimula a integração, a participação e a luta
contra a exclusão, sugerindo a integração nas escolas como
um esforço do Poder Público, dos (as) professores (as), dos
pais, do pessoal da escola, dos voluntários e dos próprios
educandos. No artigo 7º16 é apontado o princípio fundamental
das escolas integradas, onde todas as crianças, sempre que
possível, devem aprender juntas, independentemente de suas
dificuldades de aprendizagem. A escola deverá se adaptar aos
diferentes estilos e ritmos de aprendizagem, com qualidade de
ensino, organização escolar, rigorosa utilização dos recursos
humanos, estrutura física e entrosamento com suas
comunidades.
O Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999,
estabeleceu a Política Nacional para Integração da PPD, definindo
a pessoa portadora de deficiência em seu artigo 3º e 4º cuja
15 “Art. 6º.”.
A tendência em política social durante as duas últimas décadas tem sido a de
promover integração e a participação e de combater a exclusão. Inclusão e
participação são essenciais à dignidade humana e ao desfrutamento e exercício
dos direitos humanos. Dentro do campo da educação, isto se reflete no
desenvolvimento de estratégias que procuram promover a genuína equalização de
oportunidades. Experiências em vários países demonstram que a integração de
crianças e jovens com necessidades educacionais especiais é melhor alcançada
dentro de escolas inclusivas, que servem a todas as crianças dentro da comunidade.
É dentro deste contexto que aqueles com necessidades educacionais especiais
podem atingir o máximo progresso educacional e integração social. Ao mesmo
tempo em que as escolas inclusivas preveem um ambiente favorável á aquisição de
igualdade de oportunidades e participação total, o sucesso delas requer um esforço
claro, não somente por parte dos professores e dos profissionais na escola, mas
também por parte dos colegas, pais, famílias e voluntários. A reforma das instituições
sociais não constitui somente uma tarefa técnica, ela depende, acima de tudo, de
convicções, compromisso e disposição dos indivíduos que compõem a sociedade.”
16 “Art. 7º
Principio fundamental da escola inclusiva é o de que todas as crianças devam
aprender juntas, sempre que possível, independentemente de quaisquer dificuldades
ou diferenças que elas possam ter escolas inclusivas devem reconhecer e responder
às necessidades diversas de seus alunos, acomodando ambos os estilos e ritmos
de aprendizagem e assegurando uma educação de qualidade à todos através de um
currículo apropriado, arranjos organizacionais, estratégias de ensino, uso de recurso
e parceria com as comunidades. Na verdade, deveria existir uma continuidade de
serviços e apoio proporcional ao contínuo de necessidades especiais encontradas
dentro da escola.”
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transcrição segue abaixo.
Art. 3º Para os efeitos deste Decreto, considera-se:
I – deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura
ou função psicológica, fisiológica ou anatômica que gere
incapacidade para o desempenho de atividade, dentro do
padrão considerado normal para o ser humano;
II – deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se
estabilizou durante um período de tempo suficiente para não
permitir recuperação ou ter probabilidade de que se altere,
apesar de novos tratamentos; e
III – incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da
capacidade de integração social, com necessidade de
equipamentos, adaptações, meios ou recursos especiais para
que a pessoa portadora de deficiência possa receber ou
transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal
e ao desempenho de função ou atividade a ser exercida.
 Art. 4º É considerada pessoa portadora de deficiência a que
se enquadra nas seguintes categorias:
 I – deficiência física – alteração completa ou parcial de um
ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o
comprometimento da função física, apresentando-se sob a
forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia,
tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia,
hemiparesia, ostomia, amputação ou ausência de membro,
paralisia cerebral, nanismo, membros com deformidade
congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e
as que não produzam dificuldades para o desempenho de
funções; (Alterado pelo DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO
DE 2004 - DOU DE 3/12/2004)
II – deficiência auditiva – perda bilateral, parcial ou total, de
quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma
nas frequências de 500HZ, 1.000HZ, 2.000Hz e 3.000Hz;
(Alterado pelo DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004
– DOU DE 3/12/2004)
III – deficiência visual – cegueira, na qual a acuidade visual é
igual ou menor que 0,05 no melhor olho, com a melhor correção
óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3
e 0,05 no melhor olho, com a melhor correção óptica; os casos
nos quais a somatória da medida do campo visual em ambos
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os olhos for igual ou menor que 60o; ou a ocorrência
simultânea de quaisquer das condições anteriores (Alterado
pelo DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004 – DOU
DE 3/12/2004)
IV – deficiência mental – funcionamento intelectual
significativamente inferior à média, com manifestação antes
dos dezoito anos e limitações associadas a duas ou mais áreas
de habilidades adaptativas, tais como:
a) comunicação;
b) cuidado pessoal;
c) habilidades sociais;
d) utilização dos recursos da comunidade; (Alterado pelo
DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004 - DOU DE 3/
12/2004)
e) saúde e segurança;
f) habilidades acadêmicas;
g) lazer e
h) trabalho;
V – deficiência múltipla – associação de duas ou mais
deficiências.
Acerca da integração ao trabalho do PPD, deve-se referir
que a Convenção nº 159 da Organização Internacional do
Trabalho – OIT, ratificada pelo Brasil em 1991, dispõe sobre a
reabilitação profissional e o emprego de pessoas portadoras de
deficiência, garantindo o acesso e a permanência nos postos
de trabalho.
A Lei nº 8.213 de 24 de junho de 1991 estabeleceu, no
seu artigo 93, reserva de empregos ou cargos, nas empresas
privadas e órgãos públicos, aos reabilitados ou portadores de
deficiência na forma que segue:
 Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados
está obrigada a preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cincopor cento) dos seus cargos com beneficiários reabilitados ou
pessoas portadoras de deficiência habilitadas, na seguinte
proporção:
I – até 200 empregados...........................................2%;
II – de 201 a 500....................................................3%;
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III – de 501 a 1.000................................................4%;
IV – de 1.001 em diante...........................................5%.
O INSS, através da Ordem de Serviço Conjunta n. 90,
definiu as características de cada categoria de deficiência para
reabilitado ou portadores de deficiência, de forma a facilitar o
controle acerca do cumprimento efetivo da reserva legal de
vagas.
A título de esclarecimento referimos alguns dos principais
dispositivos legais editados pela União, estabelecendo o direito
das pessoas portadoras de deficiência.
• Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, que estabeleceu
o apoio às pessoas portadoras de deficiência,
regulamentando pelo Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro
de 1999, que estabeleceu uma Política Nacional para
Integração da PPD, criando a Coordenadoria Nacional para
a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência – CORDE,
regulamentando a atuação do Ministério Público no
resguardo dos direitos dos PPDs, além de tipificar e penalizar
os crimes contra a política nacional para a integração da
pessoa com deficiência.
• Lei nº 8.899, de 29 de junho de 1994, que concede
passe livre às pessoas portadoras de deficiência no sistema
de transporte coletivo interestadual;
• Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que fixou
normas gerais para garantir a acessibilidade de pessoas
portadoras de deficiência ou que tenham mobilidade
reduzida;
• Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001, que regula a
proteção das pessoas com deficiência mental reorientando
o modelo assistencial em saúde mental;
• Lei nº 10.877, de 04 de junho de 2004, que regulamentou
a pensão especial para pessoas portadoras de deficiência;
• Decreto nº 5.296, de 02 de dezembro de 2004, que
estabeleceu normas e critérios básicos para a promoção
da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência;
• Resolução nº 02/05 do Superior Tribunal de Justiça que
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fixou a prioridade dos julgamentos de processos em que
sejam parte pessoa portadora de deficiência, desde que a
causa, sob judice, tenha vínculo com a própria deficiência.
• Lei nº 11.887, de 01 de março d 2005, que estabeleceu
que órgãos da administração pública direta ou indireta,
autarquias, empresas de economia mista, instituições
financeiras e bancárias e as entidades privadas que
atendam o público devem adaptar-se de tal forma a garantir
o uso de espaços e equipamentos por pessoas portadoras
de deficiência.
• Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005, que dispôs sobre
o ingresso e permanência de cães guias em ambientes de
uso coletivo acompanhando pessoa com deficiência visual,
entre outras.
Atividades
Chegamos ao fim deste capítulo, como proposta de trabalho
sugerimos que os (as) acadêmicos (as) organizem
individualmente uma síntese apontando os principais conceitos
trabalhados no capítulo, com a fundamentação legal dos mesmos.
Qualquer dúvida retome a leitura do capítulo e busque
aprofundamento nas obras indicadas na referência.
Referência comentada
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
A obra indicada para leitura é uma das mais completas
acerca de conhecimentos jurídicos indispensáveis para o
exercício profissional dos egressos dos cursos de Serviço
Social, sendo apropriada para o aprofundando das reflexões
feitas neste capítulo. Recomendamos ainda a leitura, na
íntegra, das legislações referidas no capítulo. Lembre-se
de que o conhecimento da legislação é indispensável nessa
disciplina!
Bons estudos!
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Referências
Código Civil Brasileiro
Código Penal Brasileiro
Constituição Federal de 1988
Convenção nº 159 da Organização Internacional do
Trabalho – OIT
Decreto nº 3.298, de 20 de dezembro de 1999
Lei Federal nº 7.853, de 24 de outubro de 1989
Lei Federal nº 8.213, de 24 de junho de 1991
Lei Federal nº 8.899, de 29 de junho de 1994
Lei Federal nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000
Lei Federal nº 10.216, de 06 de abril de 2001
Lei Federal nº 10.741, de 1º de outubro de 2003
Lei Federal nº 10.877, de 04 de junho de 2004
Decreto nº 5.296 de 02 de dezembro de 2004
Resolução nº 02/05 do Superior Tribunal de Justiça
Lei Federal nº 11.887, de 1º de março de 2005
Lei Federal nº 11.126, de 27 de junho de 2005
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
Tratado Mundial de Educação para Todos de 1990
Tratado de Salamanca de 1994
TORRES, Rosa Maria. Educação para Todos: a tarefa por
fazer. Porto Alegre: Artemed, 2001.
Autoavaliação
Marque a alternativa correta.
1) A seguridade social compreende:
a) A previdência social.
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b) A saúde.
c) A assistência social.
d) Todas as alternativas acima.
2) O propósito da assistência social é:
a) Garantir às populações vulneráveis condições mínimas
de bem-estar, o que se materializa como um compromisso
de Estado.
b) Garantir às populações com um padrão de vida alto a
melhora de suas condições de vida.
c) Garantir às populações com um padrão de vida razoável
a melhora de suas condições de vida.
d) Nenhuma das alternativas acima.
3) A instância básica para a formação da indenidade
individual, grupal ou social é:
a) O partido político.
b) A igreja.
c) A família.
d) o sindicato.
4) A chefia familiar é prerrogativa:
a) Apenas do pai.
b) Apenas da mãe.
c) Do pai e da mãe sem distinção.
d) Daquele que tiver melhores condições financeiras.
5) São ações que podem implicar na perda do poder familiar:
a) Deixar de prestar alimentos aos filhos.
b) A omissão de educação por parte dos pais.
c) Castigos físicos de forma imoderada.
d) Todas as alternativas acima.
Gabarito: 1) D; 2) A; 3) C; 4) C; 5) D.
Este capítulo tem o propósito de disponibilizar a(o)
acadêmica(o) conhecimentos indispensáveis sobre a Lei
Orgânica de Assistência Social, também conhecida como LOAS.
A grande inovação desse texto legal resulta do fato de o mesmo
ter atribuído à assistência social um caráter de política pública,
afastando-se das antigas percepções intimamente vinculadas
à benemerência e ao assistencialismo. Ao final do estudo, o
aluno conhecerá os princípios que regem a assistência social,
assim como será capaz de compreender a distinção entre
benefícios, serviços, programas e projetos que são as
modalidades de prestação asseguradas em nossa legislação.
 Além do material instrucional, os acadêmicos poderão
encontrar maiores informações e esclarecimentos na bibliografia
indicada ao final do capítulo.
6.1 Antecedentes
Conforme já dito anteriormente, a Constituição Federal em
seu artigo 194 estabeleceu que o Poder Público deveria organizar
a seguridade social, sendo necessário a edição de legislações
específicas para dar conta dessa incumbência constitucional.
Em 24 de julho de 1991, com a promulgação da Lei nº 8.212,
denominada Lei Orgânica da Seguridade Social, doravante
denominada LOSS, a União regulamentou a seguridade social,
Cap. VI
Lei Orgânica de
Assistência Social – LOAS
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ficando estados e municípios responsáveis pela edição de
legislações próprias, observados os parâmetros constitucionais.
A LOSS, além de instituir o Conselho Nacional de Seguridade
Social – CNSS17, assim como os Conselhos setoriais, determinou
em seu artigo 9º que a saúde, a previdência social e a assistência
social deveriamser objeto de normalização específica,
determinando-se a criação de leis para regulamentarem essa
matéria.
O Conselho Nacional de Seguridade Social é composto por
representantes do governo, da sociedade civil por indicação
das organizações sindicais e confederações patronais, dos
conselhos setoriais (saúde, previdência e assistência social),
todos nomeados pelo Presidente da República, conforme
denota-se da leitura do artigo 6º da legislação supra citada.
Art. 6º. Fica instituído o Conselho Nacional da Seguridade
Social, órgão superior de deliberação colegiada, com a
participação da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos
Municípios e de representantes da sociedade civil.
§ 1º O Conselho Nacional da Seguridade Social terá dezessete
membros e respectivos suplentes, sendo:
a) 4 (quatro) representantes do Governo Federal, dentre os
quais, 1(um) da área de saúde, 1(um) da área de previdência
social e 1(um) da área de assistência social;
b) 1 (um) representante dos governos estaduais e 1 (um)
das prefeituras municipais;
c) oito representantes da sociedade civil, sendo quatro
trabalhadores, dos quais pelo menos dois aposentados, e
quatro empresários; (Redação dada pela Lei n. 8.619, de
5.1.93)
d) 3 (três) representantes membros dos conselhos setoriais,
sendo um de cada área da seguridade social, conforme
disposto no Regimento do Conselho Nacional da Seguridade
Social
§ 2º Os membros do Conselho Nacional da Seguridade Social
serão nomeados pelo Presidente da República.
17 O CNSS em razão da Lei 8.490 de 19/11/1992 está subordinado ao Ministério da
Previdência Social.
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O CNSS é considerado o órgão de deliberação mais
importante sobre seguridade, podendo estabelecer as diretrizes
básicas e as políticas que permitiram a integração entre as
três áreas de seguridade18.
Acerca do CNSS é importante referir que o mesmo tem a
atribuição de elaborar e submeter os programas e a proposta
orçamentária anual da seguridade, além de acompanhar e
fiscalizar a gestão econômica, financeira e social dos recursos
destinados à seguridade, sendo que os recursos financeiros
destinados para esse segmento resultam de dotações estatais
e de contribuições sociais de contribuintes (empregados e
empregadores, autônomos, rurais, etc.).
No capítulo anterior foram vistas a temática da saúde e da
previdência social, que juntamente com a assistência social
compõem a seguridade de tal sorte que passaremos agora a
estudar a Lei Orgânica da Assistência Social, também conhecida
como LOAS.
6.2 LOAS
A Lei Orgânica da Assistência Social, também conhecida
como LOAS19, foi uma legislação aprovada sob a influência
decisiva do Conselho Federal de Serviço Social - CFESS e de
gestores públicos da área de assistência social.
A regulamentação da assistência social prevista em nossa
Constituição está materializada na Lei nº 8.742, datada de 07
de dezembro de 1993, reiterando a revisão constitucional que
18 Art. 7º da LOSS. Compete ao Conselho Nacional da Seguridade Social:
I — estabelecer as diretrizes gerais e as políticas de integração entre as áreas,
observado o disposto no inciso VII do art. 194 da Constituição Federal;
II — acompanhar e avaliar a gestão econômica, financeira e social dos recursos e o
desempenho dos programas realizados, exigindo prestação de contas;
III — apreciar e aprovar os termos dos convênios firmados entre a seguridade social
e a rede bancária para a prestação dos serviços;
IV — aprovar e submeter ao Presidente da República os programas anuais e plurianuais
da Seguridade Social;
V — aprovar e submeter ao Órgão Central do Sistema de Planejamento Federal e de
Orçamentos a proposta orçamentária anual da Seguridade Social;
VI — estudar, debater e aprovar proposta de recomposição periódica dos valores dos
benefícios e dos salários-de-contribuição, a fim de garantir, de forma permanente, a
preservação de seus valores reais;
VII — zelar pelo fiel cumprimento do disposto nesta Lei e na legislação que rege a
Seguridade Social, assim como pelo cumprimento de suas deliberações.
19 A Lei Orgânica de Assistência Social é composta de 5 capítulos que totalizam 42
artigos.
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concebeu a assistência social como dever do Estado e direito
subjetivo dos indivíduos ou grupos de indivíduos.
Essa percepção teve o papel de romper com uma
concepção de assistência social identificada com benemerência
e com tutela dos seus destinatários, o que se evidencia como
um avanço, visto que já no seu artigo primeiro encontramos
esse preceito.
Art. 1º. A assistência social, direito do cidadão e dever do
Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que
provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto
integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade, para
garantir o atendimento às necessidades básicas.
Como podemos deduzir da leitura desse artigo, o legislador
criou um direito subjetivo para os indivíduos, mas em
contrapartida declarou o dever/obrigação de o Estado, nas
suas três dimensões, assegurar o pleno cumprimento e
observância do que está estabelecido.
Como direito subjetivo, entenda-se:
A faculdade assegurada às pessoas, individualmente ou em
grupo (direitos individuais homogêneos, difusos e coletivos),
exigível judicialmente, porque assegurado pela ordem jurídica.
Tem fundamento no interesse individual ou de grupos sociais,
reconhecido pela ordem legal como legítimo. (SIMÕES, 2007,
p. 257).
As interpretações mais recorrentes percebem a LOAS como
um direito de cidadania, que sistematizou e institucionalizou de
forma efetiva e permanente os serviços assistenciais destinados
a indivíduos em situação de vulnerabilidade e risco social.
A compreensão da vulnerabilidade e do risco social está
diretamente associada aos conceitos de carência, pobreza e
exclusão social constantes no texto legal.
O conceito de carência, constante no artigo 2º da LOAS,
implica na impossibilidade de os indivíduos proverem a si e ou à
sua família de condições materiais mínimas que garantam a sua
sobrevivência, consubstanciando-se a ausência de mínimos
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sociais (art. 202,V da CF/88). A condição de carência põe o
indivíduo abaixo da linha da pobreza20.
A pobreza indica o estado daqueles indivíduos com acesso
precário ou ausência de acesso aos mínimos sociais, devendo
o analista social ficar atento à historicidade dessa definição.
O conceito de exclusão social é bastante amplo,
implicando na percepção do rompimento de relações familiares,
sociais ou comunitárias, total ou parcialmente, podendo
contemplar diferentes situações socioeconômicas, não
necessariamente relacionadas à ausência de renda, ainda que
no Brasil essas sejam situações correlatas, daí a carência e a
pobreza muitas vezes serem causas de exclusão social. Como
bem aponta Simões: “No contexto socioeconômico brasileiro,
no entanto, a forma básica de exclusão social dá-se, regra
geral, em decorrência da privação econômica. Ela tem efeitos
cumulativos e encadeados, a começar pela desagregação
familiar” (2007, p. 310).
A LOAS estabelece uma série de estratégias com a finalidade
de reduzir os níveis de pobreza, merecendo destaque: criação
de programas de geração de emprego e renda, proteção à
criança, ao adolescente, aos idosos, à maternidade, acesso a
cursos profissionalizantes, entre outras.
Acerca da LOAS é preciso mencionar que a mesma em
consonância com as novas perspectivas da gestão pública
pressupõe a articulação de políticas coordenadas entre os
diferentes entes federativos (União, Estados e Municípios),
estabelecendo de forma bastantesignificativa a
corresponsabilidade entre esses entes, como forma de
efetivamente assegurar e fomentar o desenvolvimento local
que contribuirá para a superação da carência, pobreza e
exclusão social.
Ainda no que tange à implementação das políticas sociais
deve-se mencionar que a LOAS inova à medida que concebe a
assistência social como ações governamentais de longo alcance,
o que implicará em grande parte das vezes em ações
continuadas em sucessivos governos, não obstante existir
20 O Programa Bolsa-Família classifica a pobreza como resultante de renda familiar
entre 25% a 50% do salário-mínimo e a extrema pobreza abaixo de 25% do salário
mínimo, sendo importante referir no entanto que, além da renda pode ser observado
outros indicativos, contatados atreves de laudo social.
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políticas e ações emergenciais no curto prazo.
O novo paradigma da assistência social afasta-se do mero
assistencialismo, pressupondo a crescente autossuficiência
futura de indivíduos e grupos que hoje necessitam da auxílio
por não disporem dos mínimos sociais de tal sorte que “essa
política é, por isso, condição de sustentabilidade social do
crescimento econômico, se integrada a outras que, no mínimo
prazo possível, retirem a mesma população da situação de
vulnerabilidade e, emulativamente, lhe propiciem as condições
de autossuficiência”. (SIMÕES, 2007, p. 256).
De outra sorte devemos referir que a assistência social é
uma política transversal a outras, exatamente em razão de seu
caráter e sua função, daí a necessidade de integração plena.
A Lei Orgânica da Assistência Social, no seu artigo 7º,
instituiu o Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS,
cujas principais atribuições encontramos no seu artigo 1821,
21 Art. 18. Compete ao Conselho Nacional de Assistência Social:
I — aprovar a Política Nacional de Assistência Social;
II — normatizar as ações e regular a prestação de serviços de natureza pública e
privada no campo da assistência social;
III — fixar normas para a concessão de registro e certificado de fins filantrópicos
às entidades privadas prestadoras de serviços e assessoramento de assistência
social;
IV — conceder atestado de registro e certificado de entidades de fins filantrópicos,
na forma do regulamento a ser fixado, observado o disposto no art. 9º desta lei;
V — zelar pela efetivação do sistema descentralizado e participativo de assistência
social;
VI — a partir da realização da II Conferência Nacional de Assistência Social em
1997, convocar ordinariamente a cada quatro anos a Conferência Nacional de
Assistência Social, que terá a atribuição de avaliar a situação da assistência
social e propor diretrizes para o aperfeiçoamento do sistema;
VII — (Vetado).
VIII — apreciar e aprovar a proposta orçamentária da Assistência Social a ser
encaminhada pelo órgão da Administração Pública Federal responsável pela
coordenação da Política Nacional de Assistência Social;
IX — aprovar critérios de transferência de recursos para os Estados, Municípios e
Distrito Federal, considerando, para tanto, indicadores que informem sua
regionalização mais equitativa, tais como: população, renda per capita, mortalidade
infantil e concentração de renda, além de disciplinar os procedimentos de repasse
de recursos para as entidades e organizações de assistência social, sem prejuízo
das disposições da Lei de Diretrizes Orçamentárias;
X — acompanhar e avaliar a gestão dos recursos, bem como os ganhos sociais e o
desempenho dos programas e projetos aprovados;
XI — estabelecer diretrizes, apreciar e aprovar os programas anuais e plurianuais
do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS);
XII — indicar o representante do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS)
junto ao Conselho Nacional da Seguridade Social;
XIII — elaborar e aprovar seu regimento interno;
XIV — divulgar, no Diário Oficial da União, todas as suas decisões, bem como as
contas do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS) e os respectivos pareceres
emitidos.
Parágrafo único. Das decisões finais do Conselho Nacional de Assistência Social,
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além de determinar a criação dos conselhos estaduais e
municipais de composição paritária, pressupondo a participação
direta da comunidade nas decisões do Poder Executivo,
referendando ainda o princípio da descentralização materializado
na municipalização das ações governamentais na esfera social,
conforme previsão expressa nos artigos 10 a 15 da LOAS, cuja
transcrição abaixo passamos a expor:
Art. 10. A União, os Estados, os Municípios e o Distrito Federal
podem celebrar convênios com entidades e organizações de
assistência social, em conformidade com os Planos aprovados
pelos respectivos Conselhos.
Art. 11. As ações das três esferas de governo na área de
assistência social realizam-se de forma articulada, cabendo a
coordenação e as normas gerais à esfera federal e a
coordenação e execução dos programas, em suas respectivas
esferas, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios.
Art. 12. Compete à União:
I — responder pela concessão e manutenção dos benefícios
de prestação continuada definidos no art. 203 da Constituição
Federal;
II — apoiar técnica e financeiramente os serviços, os
programas e os projetos de enfrentamento da pobreza em
âmbito nacional;
III — atender, em conjunto com os Estados, o Distrito Federal
e os Municípios, às ações assistenciais de caráter de
emergência.
Art. 13. Compete aos Estados:
I — destinar recursos financeiros aos Municípios, a título de
participação no custeio do pagamento dos auxílios natalidade
e funeral, mediante critérios estabelecidos pelos Conselhos
Estaduais de Assistência Social;
II — apoiar técnica e financeiramente os serviços, os
programas e os projetos de enfrentamento da pobreza em
vinculado ao Ministério da Assistência e Promoção Social, relativas à concessão
ou renovação do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social, caberá
recurso ao Ministro de Estado da Previdência Social, no prazo de trinta dias, contados
da data da publicação do ato no Diário Oficial da União, por parte da entidade
interessada, do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS ou da Secretaria da
Receita Federal do Ministério da Fazenda.
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âmbito regional ou local;
III — atender, em conjunto com os Municípios, às ações
assistenciais de caráter de emergência;
IV — estimular e apoiar técnica e financeiramente as
associações e consórcios municipais na prestação de serviços
de assistência social;
V — prestar os serviços assistenciais cujos custos ou ausência
de demanda municipal justifiquem uma rede regional de
serviços, desconcentrada, no âmbito do respectivo Estado.
Art. 14. Compete ao Distrito Federal:
I — destinar recursos financeiros para o custeio do pagamento
dos auxíl ios natalidade e funeral, mediante critérios
estabelecidos pelo Conselho de Assistência Social do Distrito
Federal;
II — efetuar o pagamento dos auxílios natalidade e funeral;
III — executar os projetos de enfrentamento da pobreza,
incluindo a parceria com organizações da sociedade civil;
IV — atender às ações assistenciais de caráter de emergência;
V — prestar os serviços assistenciais de que trata o art. 23
desta lei.
Art. 15. Compete aos Municípios:
I — destinar recursos financeiros para custeio do pagamento
dos auxíl ios natalidade e funeral, mediante critérios
estabelecidos pelos Conselhos Municipais de Assistência
Social;
II — efetuar o pagamento dos auxílios natalidade e funeral;
III — executar os projetos de enfrentamento da pobreza,
incluindo a parceria com organizações da sociedade civil;
IV — atender àsações assistenciais de caráter de emergência;
V — prestar os serviços assistenciais de que trata o art. 23
desta lei.
Art. 16. As instâncias deliberativas do sistema descentralizado
e participativo de assistência social, de caráter permanente
e composição paritária entre governo e sociedade civil, são:
I — o Conselho Nacional de Assistência Social;
II — os Conselhos Estaduais de Assistência Social;
III — o Conselho de Assistência Social do Distrito Federal;
IV — os Conselhos Municipais de Assistência Social.
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Merece referência ainda, acerca do caráter inovador da
LOAS, o fato de o texto legal identificar aqueles que utilizam
desse serviço como usuários ou beneficiários, não
reproduzindo a denominação assistido ou favorecido, que
traz uma conotação assistencialista, priorizando o legislador
pela utilização de conceitos intimamente relacionados ao
exercício e gozo de prerrogativas da cidadania.
Os conceitos de assistência social constantes na LOAS e
na LOSS, em que pese serem diferentes, são complementares,
como podemos inferir da leitura dos textos legais.
LOSS
TÍTULO IV -
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL
Art. 4º. A Assistência Social é a política social que provê o
atendimento das necessidades básicas, traduzidas em
proteção à família, à maternidade, à infância, à
adolescência, à velhice e à pessoa portadora de deficiência,
independentemente de contribuição à Seguridade Social.
Parágrafo único. A organização da Assistência Social
obedecerá às seguintes diretrizes:
a) descentralização político-administrativa;
b) participação da população na formulação e controle
das ações em todos os níveis.
LOAS
Art. 1º. A assistência social, direito do cidadão e dever do
Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva,
que provê os mínimos sociais, realizada através de um
conjunto integrado de ações de iniciativa pública e da
sociedade, para garantir o atendimento às necessidades
básicas.
A leitura dos dois artigos permite que possamos afirmar
que: “Na LOAS, a assistência social é qualificada
subjetivamente, do ponto de vista do cidadão; na LOSS,
objetivamente, como política de Estado, a serviço da
população”(SIMÕES, 2007, p. 260).
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Ainda é preciso referir que tanto na LOSS quanto na LOAS
o direito à assistência independe de contribuição, constituindo-
se aquela como um direito dos cidadãos.
A formulação e implementação da Política Nacional de
Assistência Social - PNAS, principal atribuição do CNAS, deve
primar pela unidade de ações e procedimentos, afastando-se
de intervenções parciais e fragmentadas que mercaram a
assistência social até sua transformação em política de Estado.
As ações da assistência social contemplam ações de
prevenção, proteção, promoção e inserção de indivíduos
ou grupos desassistidos em caráter momentâneo ou permanente.
A definição de prevenção, proteção, promoção e inserção
podem ser encontradas na Norma Operacional Básica - NOB/99
do CNAS.
Os artigos 20 a 26 da LOAS estabelecem que as prestações
poderão ser do tipo: benefícios, serviços, programas e
projetos.
Como já dito anteriormente benefícios são pagamentos em
dinheiro ou em espécie (pensões, aposentadorias, cestas
básicas, etc.). Esses benefícios podem ser permanentes,
denominados Benefício de Prestação Continuada – BPC, que
garantem [...] um salário-mínimo mensal à pessoa portadora
de deficiência e ao idoso com 70 (setenta) anos ou mais e que
comprovem não possuir meios de prover a própria manutenção
e nem de tê-la provida por sua família22.
É importante ainda referir que a impossibilidade de prover
pressupõe a família com renda mensal per capita inferior a 1/4
(um quarto) do salário-mínimo23.
Ainda existe a possibilidade da concessão de Benefícios
Eventuais – BE, que visam o pagamento de auxílio por
nascimento ou morte às famílias cuja renda mensal per capita
é inferior a 1/4 (um quarto) do salário-mínimo24.
Os serviços são ações que disponibilizam recursos humanos
e equipamentos. O artigo 23 da LOAS estabelece que:
“Entendem-se por serviços assistenciais as atividades
continuadas que visem à melhoria de vida da população e cujas
22 Art. 20 da LOAS.
23 Art. 20, § 3º da LOAS.
24 Art. 22 da LOAS.
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ações, voltadas para as necessidades básicas, observem os
objetivos, princípios e diretrizes estabelecidas nesta lei”.
Os programas estão previsto no artigo 24 da LOAS e
podem ser definidos como: “Planejamento de um complexo de
ações sociais, ordenadas por um mesmo objetivo e integradas,
organicamente, por princípios e diretrizes, assegurando-lhes
abrangência, continuidade e desdobramento. Por meio deles o
plano de assistência social assegura a possibilidade de articular
a diversidade de ações, para que se complementem.” (SIMÕES,
2007, p. 272).
A definição dos programas deverá ficar a encargo dos
Conselhos de Assistência Social, priorizando a inserção
profissional e social da população atendida. Da mesma forma
estabeleceu o legislador que programas voltados ao idoso e à
pessoa portadora de deficiência podem ser articulados com o
BPC descrito anteriormente.
O conceito de projeto implica em:
Realizações operacionais de ações de programas,
especificando seus produtos, metodologias, metas, prazos,
constituindo-se em suas unidades operativas de benefícios e
serviços ou um deles. Podem constitui-se, também, em ações
específicas, vinculadas à satisfação de uma necessidade
localizada e temporária, de caráter incidental, porém
integrados aos princípios e diretrizes programáticos da política
assistencial. (Ibidem)
Os artigos 25 e 26 da LOAS referem a Projetos de
Enfrentamento da Pobreza, da forma que abaixo segue
transcrita:
Art. 25. Os projetos de enfrentamento da pobreza
compreendem a instituição de investimento econômico-social
nos grupos populares, buscando subsidiar, financeira e
tecnicamente, iniciativas que lhes garantam meios, capacidade
produtiva e de gestão para melhoria das condições gerais de
subsistência, elevação do padrão da qualidade de vida, a
preservação do meio-ambiente e sua organização social.
Art. 26. O incentivo a projetos de enfrentamento da pobreza
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assentar-se-á em mecanismos de articulação e de
participação de diferentes áreas governamentais e em
sistema de cooperação entre organismos governamentais,
não governamentais e da sociedade civil.
Ainda acerca da LOAS é preciso referir que a mesma dedica
especial atenção ao Sistema Único de Assistência Social -
SUAS e ao Fundo Nacional de Assistência Social- FNAS, que
em razão de sua importância serão tratados no próximo capítulo.
Atividades
Chegamos ao fim deste capítulo, como proposta de trabalho
sugerimos que os (as) acadêmicos (as) organizem
individualmente uma síntese apontando os principais conceitos
trabalhados no capítulo.
Referência comentada
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
A obra indicada para leitura é uma das mais completas
acerca de conhecimentos jurídicos indispensáveis para o
exercício profissional dos egressos dos cursos de Serviço
Social, sendo apropriada para o aprofundando das reflexões
feitas no capítulo. Recomendamos ainda a leitura, na
íntegra, das legislações referidas nesse capítulo. Lembre-
se de que o conhecimento da legislação é indispensável
nessa disciplina!
Bons estudos!
Referências
Constituição Federal de 1988
Lei Federal nº 8.212, de 24 de julho de 1991 – LOSS
Lei Federal nº 8.490, de 19 de novembro de 1992127
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Lei Federal nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993 –
LOAS
Norma Operacional Básica - NOB/99 do CNAS
Norma Operacional Básica, de 14 de julho de 2005 -
CNAS.
Resolução nº 145/04 - PNAS
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
Autoavaliação
Marque a alternativa correta.
1) O Conselho Nacional de Seguridade Social tem seus
membros nomeados:
a) Pelos Governadores de Estado.
b) Pelo Ministério da saúde.
c) Pelo Presidente da República.
d) Pelas organizações sindicais.
2) O Conselho Nacional de Seguridade Social pode ser
identificado como o órgão mais importante para deliberar sobre:
a) Saúde.
b) Previdência.
c) Assistência Social.
d) Todas as alternativas acima.
3) A LOAS regulamentou a matéria referente a que área
da Seguridade Social?
a) Saúde.
b) Previdência.
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c) Assistência Social.
d) Todas as alternativas.
4) A partir da Constituição Federal de 1988 e da LOAS a
assistência social passou a ser considerada:
a) Política Pública de seguridade.
b) Benemerência de algumas instituições confissionais.
c) Assistencialismo de organizações bem-intencionadas.
d) Nenhuma das alternativas.
5) A LOAS sistematizou e institucionalizou de forma efetiva
e permanente os serviços de:
a) Saúde Pública.
b) Assistência Social.
c) Previdência Privada e Suplementar.
d) Todas as alternativas.
Gabarito: 1) D; 2) D; 3) C; 4) A; 5) B.
Este capítulo tem o propósito de disponibilizar a (o)
acadêmica (o) conhecimentos indispensáveis para o
entendimento da constituição de um Sistema Único de
Assistência Social, também conhecido como SUAS. Tomando
como referência esse modelo de organização pretende-se a
unificação da assistência social considerando as competências
e atribuições de cada um dos entes federativos, o que,
inegavelmente, tornará as ações de assistência social mais
efetivas.
Neste capítulo destacamos ainda a criação do Fundo
Nacional de Assistência Social – FNAS, como um mecanismo
facilitador da unificação do sistema.
Além do material instrucional, os acadêmicos poderão
encontrar maiores informações e esclarecimentos na bibliografia
indicada ao final do capítulo.
7.1 Sistema Único de
Assistência Social – SUAS
Uma medida importante adotada pelo legislador e
materializada na LOAS diz respeito ao Sistema Único de
Assistência Social - SUAS, que pode ser compreendido como
um novo modelo de gestão, cujo propósito é consolidar
Cap. VII
Sistema Único de
Assistência Social – SUAS
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efetivamente a Política Nacional de Assistência Social- PNAS,
primando pela descentralização da gestão, em especial quando
do monitoramento e financiamento da assistência social.
Simões, ao definir o SUAS afirma:
O SUAS é um sistema descentralizado, participativo e não
contributivo, que organiza e regula as responsabilidades de
cada esfera de governo e da sociedade civil, em relação à
política nacional de assistência social. A descentralização
assenta na valorização da participação social e do poder local,
como mecanismos democratizadores da vida política nacional.
(2007, p.282)
A SUAS estabelece uma nova relação entre os entes
federativos e a sociedade civil, em consonância com as
determinações constantes no artigo 204 da Constituição Federal,
de tal sorte a instituir a gestão compartilhada, o co-
financiamento e a cooperação técnica entre todos os
envolvidos.
A efetiva implantação do SUAS ocorreu com a aprovação
da Norma Operacional Básica, de 14 de julho de 2005, pelo
Conselho Nacional de Assistência Social.
A NOB antes citada classifica os municípios tomando como
referência três pressupostos (inicial, básico e pleno) acerca da
capacidade de executar e co-financiar serviços assistenciais,
além da gestão de fundos assistenciais, estabelecendo a
obrigação das municipalidades criarem os Conselhos Municipais
de Assistência Social, de um fundo e de uma política municipal
de assistência social, quando então poderiam passar para o
nível básico ou pleno, que implica nos municípios possuírem
uma rede social de proteção básica disponibilizando os
denominados Centros de Referência de Assistência Social -
CRAS, que “é um equipamento estatal de base territorial,
localizado em áreas de vulnerabilidade social, abrangendo a
um total de até mil famílias, com a finalidade de organizar,
coordenar e executar os serviços de proteção social básica da
política assistencial”.
A Resolução nº 145/04 do PNAS refere que os CRAS são
responsáveis pela oferta de serviços e pelo desenvolvimento
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de programas de atenção integral, devendo ainda realizar a
identificação e mapeamento e organização da rede de proteção
social local, desenvolvendo principalmente ações que permitam
o fortalecimento dos vínculos intrafamiliares, da convivência
comunitária, do sentimento de pertença as redes; informando,
orientando e acompanhando os usuários.
 Outra significativa mudança proposta pelo SUAS, quando
comparado aos mecanismos anteriores, diz respeito à
descentralização da política de repasse de verbas, que passou
a ser feita via internet pelos municípios no que diz respeito à
concessão de recursos e à prestação de contas, o que permite
repasses mensais automáticos e contínuos dos valores
disponibilizados para a assistência social.
Ademais, o repasse desses recursos atenta para a
vulnerabilidade social do município e da região, que levará em
consideração uma série de variáveis, estabelecendo daí o critério
de concessão maior ou menor desses recursos.
Ainda é preciso referir que a base do SUAS é o município
local por excelência da execução dos serviços assistenciais
que recairão prioritariamente sobre a família, que terá
atendimento prioritário, resultando daí a sua matricialidade
(SIMÕES, 2007, p. 281).
A formação de um Sistema Único de Assistência Social
possibilita que as ações sociais possam ser executadas por
parcerias entre o Poder Público e entidades não-governamentais
de assistência social, desde que observado alguns
pressupostos:
• a União tem a atribuição de conceder dos Benefícios de
Prestação Continuada, além de disponibilizar apoio técnico
e financeiro para programas de enfretamento da pobreza
e atender em parceria com Estados, Municípios e o Distrito
Federal, as denominadas ações assistenciais de emergência;
• os Estados devem disponibilizar recursos financeiros para
os municípios para pagamento de benefícios, com base em
critérios fixados pelos Conselhos Estaduais de Assistência
Social, além de prestar apoio técnico e financeiro aos
serviços e programas de enfrentamento da pobreza no
cenário local e regional, além de auxiliar os municípios
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quando das ações assistenciais de emergência;
• os municípios devem disponibilizar recursos financeiros
para o custeio do pagamento de benefícios e serviços,
com base em critérios fixados pelos Conselhos Municipal
de Assistência Social, além de executar programas de
enfrentamento da pobreza, incluindo parcerias com
entidades e organizações não-governamentais, além de
prestar assistência nas ações de emergência, além da
prestação efetiva de serviços assistenciais.
O repasse dos valores destinados à assistência social
implica, necessariamente, nos Estados e Municípios criarem,
em conformidade com o artigo 30 da LOAS, os CONSEAS –
Conselhos Estaduais de AssistênciaSocial e COMAS –
Conselhos Municipais de Assistência Social; FEAS - Fundo
Estadual de Assistência Social e FMAS- Fundo Municipal
de Assistência Social; PEAS – Plano Estadual de
Assistência Social e PMAS- Plano Municipal de Assistência
Social.
Art. 30. É condição para os repasses, aos Municípios, aos
Estados e ao Distrito Federal, dos recursos de que trata esta
lei, a efetiva instituição e funcionamento de:
I — Conselho de Assistência Social, de composição paritária
entre governo e sociedade civil;
II — Fundo de Assistência Social, com orientação e controle
dos respectivos Conselhos de Assistência Social;
III — Plano de Assistência Social.
Parágrafo único. É, ainda, condição para transferência de
recursos do FNAS aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios a comprovação orçamentária dos recursos próprios
destinados à Assistência Social, alocados em seus respectivos
Fundos de Assistência Social, a partir do exercício de 1999.
Outra inovação importante do SUAS diz respeito ao mesmo
ser marcadamente intersetorial, ou seja, articulatório, entre
diferentes setores, visto que somente ações efetivamente
integradas podem viabilizar resolver os problemas que vitimam
populações em estado de risco ou vulnerabilidade.
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Como bem assevera Simões:
Ao invés de metas setoriais, traçadas a partir de necessidades
genéricas, o sistema objetiva a identificação dos problemas
concretos, as potencialidades e as soluções, com base em
recortes territoriais que identifiquem conjuntos populacionais
em situações similares e a intervenção por meio de políticas
públicas. (2007, p. 285)
Podemos identificar algumas características indispensáveis
para a efetiva implementação do SUAS, merecendo destaque:
gestão compartilhada, co-financiamento e cooperação técnica
entre União, Estados, Municípios e Distrito Federal; divisão de
responsabilidades para instalar, regular, manter e expandir
medidas de assistência social sob o prisma de que as mesmas
são dever do Estado e direito do cidadão; regramento claro e
inequívoco acerca dos vínculos responsabilidades de todos os
envolvidos de forma a garantir efetivamente a constituição de
uma política nacional e em rede; percepção e reconhecimento
das diferenças e desigualdades entre as diferentes regiões do
Brasil.
Simões (2007, p. 286), acerca do funcionamento do
sistema, aponta as seguintes diretrizes:
• precedência da gestão pública;
• alcance dos direitos socioambientais;
• matricialidade sociofamiliar;
• territorialização;
• descentralização político-administrativa;
• financiamento partilhado entre os entes federativos;
• informação, monitoramento, avaliação e sistematização
de resultados;
• sistema democrático de gestão e controle social;
• proteção proativa;
• integração à seguridade social;
• intersetorialidade.
O SUAS disponibiliza dois tipos de proteção social, a
básica e a especial, sendo esta última dividida em Média
Complexidade e Alta Complexidade.
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A proteção básica é aquela que incide sobre famílias ou
indivíduos que estejam em situação de vulnerabilidade social,
não tendo ainda ocorrido a violação de seus direitos, daí ser
identificada como medidas de cunho preventivo, que auxiliam
no processo de inclusão social e constituição e uma autonomia
para a família por ela assistida.
Os serviços de proteção básica são executados, de forma
direta, nos CRAS ou nos programas e projetos de retaguarda,
desenvolvidos em sua área de abrangência, conforme a
identificação da situação de vulnerabilidade. Incluem pessoas
portadoras de deficiência e são organizados em redes, de
modo a inseri-las nas diversas ações ofertadas. Objetivam o
processamento da inclusão social, nas políticas públicas, no
mundo do trabalho e na vida comunitária e societária de
grupos e indivíduos em situação de vulnerabilidade e potencial
de risco social e pessoal. (SIMÕES, 2007, p. 288)
A proteção especial diz respeito a atendimentos
assistenciais que requerem acompanhamento individualizado,
que na maior parte das vezes requer ação compartilhada com
o Ministério Público e Poder Judiciário.
A proteção especial será de média complexidade diz respeito
a ações que beneficiarão indivíduos que já tiveram seus direitos
violados, sem que tenha ocorrido ruptura dos vínculos
socioculturais e afetivos-relacionais.
A prestação de proteção especial de média complexidade
é prestada pelos Centros de Referência Especializada de
Assistência Social – CREAS, que prestam atendimento a famílias
e indivíduos que tiveram seus direitos violados, merecendo
destaque ações de serviço e orientação sociofamiliar, plantão
social, abordagem de rua, cuidados no domicílio, habilitação e
reabilitação de pessoa portadora de deficiência, e medidas
socioeducativas em meio aberto (prestação de serviços à
comunidade e liberdade assistida).
A proteção especial de alta complexidade implica na
violação de direitos e na ruptura dos vínculos, demandando a
retirada do assistido da família, em razão dos mesmos
encontrarem-se sem referência ou em situação de ameaça, de
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tal sorte que deverão ser encaminhados para atendimento
integral institucional em casas/lar, casas de passagem,
albergues, família substituta, família acolhedora, internação
provisória, etc.
A implantação dos SUAS ocorre de forma gradativa, sendo
importante mencionarmos algumas dificuldades identificadas,
especialmente na esfera municipal, para as quais o CNAS,
juntamente com o CFESS/CRESS, vem buscando soluções.
As principais dificuldades identificadas são financiamentos
insuficientes, dificuldade de implementar uma gestão local
eficiente, reduzida capacitação técnica profissional para atuar
no setor, fragilidade dos sistemas informativos, dificuldade de
construção de sistemas de avaliação do impacto do PMAS,
entre outras.
A questão atinente ao financiamento vem sendo enfrentada
pelas municipalidades socorrendo-se de parcerias público/
privadas, sendo que as outras dificuldades apontadas estão
intimamente ligadas à ausência de recursos humanos
efetivamente preparados para planejar e implementar ações
de assistência social. As alternativas que se colocam para o
enfrentamento dessa questão passam necessariamente por uma
política nacional de capacitação de recursos humanos, planos
de carreira, cargos e salários compatíveis com as atribuições
de assistência social, entre outras medidas similares.
7.2 Fundo Nacional de
Assistência Social – FNAS
Para a compreensão e entendimento do FNAS é necessário
disponibilizar ao acadêmico algumas informações introdutórias
sobre o orçamento público.
O orçamento também é denominado Lei de Meios, sendo
um projeto de lei enviado pelo Poder Executivo para aprovação
pelo Congresso Nacional, que autoriza a realização de despesas
e de receitas para o ano seguinte.
Os técnicos responsáveis pela elaboração do orçamento
devem levar em conta a estimativa de arrecadação tomando
como parâmetro o ano anterior.
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Cumpre referir, no entanto, que a lei orçamentária tem
caráter meramente autorizativo, não obrigando o governo a
realizar as despesas aprovadas na sua integralidade, podendo
este dispor de 20 % dos recursos aprovados segundo critérios
emanados do próprio Executivo, a isso denominamos
Desvinculação de Receitas da União/ DRU.
Como receita entende-se todas as previsões de valores
(receitas tributárias, participações societárias, de prestação
de serviços) que poderãoser utilizados para dar conta das
despesas, que são os gastos de todos os setores do Estado.
A Lei Orçamentária deve atentar para os princípios da
anuidade, vigorando apenas por um ano, devendo ser aprovada
no ano anterior; princípio da unidade, que estabelece que as
receitas e rendas deverão compor um fundo único; princípio
do equilíbrio, que estabelece que as despesas não podem
exceder as receitas; princípio da universalidade, pelo qual
todas as receitas e as despesas devem constar na Lei
Orçamentária; e, por fim, o princípio da não-compensação,
quando devem ser lançadas somente receitas e despesas, sem
compensações ou descontos.
A previsão de financiamento da seguridade social consta
no artigo 195 da Constituição Federal, cuja transcrição abaixo
passamos a analisar:
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a
sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei,
mediante recursos provenientes dos orçamentos da União,
dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das
seguintes contribuições sociais:
I — do empregador, da empresa e da entidade a ela
equiparada na forma da lei, incidentes sobre:
a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos
ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste
serviço, mesmo sem vínculo empregatício;
b) a receita ou o faturamento;
c) o lucro;
II — do trabalhador e dos demais segurados da previdência
social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e
pensão concedidas pelo regime geral de previdência social
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de que trata o art. 201;
III — sobre a receita de concursos de prognósticos.
IV — do importador de bens ou serviços do exterior, ou de
quem a lei a ele equiparar.
Os recursos destinados à assistência social resultam das
seguintes fontes: do orçamento da União, Estados, Municípios
e Distrito Federal; das contribuições sociais das empresas; dos
trabalhadores prestadores de serviços; das loterias; do Fundo
Nacional de Assistência Social/FNAS, estabelecido no artigo 27
da LOAS e regulamentado pelo Decreto nº 1.605 de 25 de
agosto de 1995; verbas da iniciativa privada e das multas de
sentenças judiciais.
Na elaboração do orçamento, a seguridade social é parte
integrante da Lei Orçamentária, unificando-se orçamentos
da saúde, previdência e assistência, sendo único o
orçamento da seguridade, ainda que a gestão das verbas
de casa setor seja autônoma, em conformidade com o
estabelecido no artigo 195, § 2º, que afirma que:
Art. 195, § 2º: A proposta de orçamento da seguridade social
será elaborada de forma integrada pelos órgãos responsáveis
pela saúde, previdência social e assistência social, tendo em
vista as metas e prioridades estabelecidas na lei de diretrizes
orçamentárias, assegurada a cada área a gestão de seus
recursos.
Da mesma forma ocorre com as leis orçamentárias dos
Estados, Municípios e Distrito Federal, que deverão atentar
para as metas, prioridades receitas, sendo importante referir
que esses orçamentos não compõem o orçamento da União.
A Constituição Federal não estabeleceu para a assistência
social recursos mínimos para o financiamento de suas ações,
como acontece com a saúde e com a educação.
Quando da aprovação do orçamento, o Conselho Nacional
de Assistência Social/CNAS, segundo critérios constantes no
artigo 18, inciso IX da LOAS, que estabelece:
Art. 18. Compete ao Conselho Nacional de Assistência Social:
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IX — aprovar critérios de transferência de recursos para os
Estados, Municípios e Distrito Federal, considerando, para
tanto, indicadores que informem sua regionalização mais
equitativa, tais como: população, renda per capita, mortalidade
infantil e concentração de renda, além de disciplinar os
procedimentos de repasse de recursos para as entidades e
organizações de assistência social, sem prejuízo das
disposições da Lei de Diretrizes Orçamentárias.
Para viabilizar a transferência de recursos, deve o CNAS
fixar as diretrizes, apreciar e aprovar os programas anuais e
plurianuais do Fundo Nacional de Assistência Social (FNAS),
para que posteriormente acompanhe e avalie a gestão dos
recursos, os avanços e o êxito dos programas e projetos
aprovados.
Os recursos que deverão ser repassados aos Estados,
Municípios e Distrito Federal devem ser definidos pela Secretaria
Nacional de Assistência Social, que tomará como critério
indicadores economicos-sociais que permitam uma distribuição
equânime dos recursos.
Os Conselhos Estaduais e Municipais receberão recursos
para aplicar em benefícios, serviços, programas e projetos
identificados como prioridade, sendo importante reiterar a
corresponsabilidade de União, Estados e Municípios e a
necessária intersecção de outras políticas setoriais.
Os fundos estaduais e municipais devem ser compostos
por recursos próprios previstos nas respectivas Leis
Orçamentárias acrescidos de repasses do Fundo Nacional e de
recursos resultantes de parcerias locais, o que nem sempre
ocorre, visto que muitas vezes os fundos municipais só existem
formalmente para receber recursos estaduais e federais, sem
que haja efetivamente políticas de assistência social
estabelecidas nas municipalidades.
Tomamos de Simões a seguinte passagem:
Não tem sido uma prática, na elaboração dos orçamentos de
assistência social, a apuração rigorosa da relação dos custos
com os benefícios e serviços planejados e a avaliação da
eficiência das ações, o que dificulta a previsão realista do
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orçamento. Esses custos devem ser apurados parcialmente,
per capita de atendimento; mas também globalmente, por
programa ou por projeto, não somente para a previsão geral,
assim como para propiciar os procedimentos de
monitoramento e avaliação. (2007, p. 335-6)
Atividades
Chegamos ao fim deste capítulo, como proposta de trabalho
sugerimos que os (as) acadêmicos (as) organizem uma síntese
apontando os principais conceitos trabalhados no capítulo.
Referência comentada
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo : Cortez, 2007.
A obra indicada para leitura é uma das mais completas
acerca de conhecimentos jurídicos indispensáveis para o
exercício profissional dos egressos do curso de Serviço
Social, sendo apropriada para o aprofundando das reflexões
feitas neste capítulo. Recomendamos ainda a leitura, na
íntegra, das legislações referidas no capítulo. Lembre-se
de que o conhecimento da legislação é indispensável nessa
disciplina!
Bons estudos!
Referências
Constituição Federal de 1988
Decreto nº 1.605, de 25 de agosto de 1995
Lei nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993 – LOAS
Norma Operacional Básica, de 14 de julho de 2005 -
CNAS.
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Resolução nº 145/04 - PNAS
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
Autoavaliação
Marque a alternativa correta.
1) O SUAS pressupõe:
a) Um modelo de gestão fragmentado entre os entes
federativos.
b) Um novo modelo de gestão para consolidar a PNAS.
c) Um sistema centralizado.
d) Um sistema contributivo.
2) O SUAS pressupõe a participação:
a) Somente dos municípios.
b) Somente do Poder Público Federal.
c) Do Poder Público em todos os níveis, além de
organizações da sociedade civil.
d) Somente do Poder Público em todos os níveis.
3) No que diz respeito à capacidade de os municípios
executarem, co-financiarem e gerirem fundos assistenciais
integrados no SUAS, como eles podem ser classificados:
a) Inicial.
b) Iniciale pleno.
c) Inicial, básico e pleno.
d) Nenhuma das alternativas.
4) O que são os CRAS:
a) Conselhos municipais.
b) Conselhos estaduais.
c) Centro de Referência de Assistência Social.
d) Nenhuma das alternativas.
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5) Tomando como referência a legislação que estabeleceu
o SUAS, a base de atuação dos serviços assistenciais é:
a) O bairro.
b) A comunidade.
c) A região.
d) O município.
Gabarito: 1) B; 2) C; 3) C; 4) C; 5) D.
Este capítulo tem o propósito de disponibilizar a (o)
acadêmica (o) conhecimentos introdutórios acerca das
entidades e organizações de assistência social que, juntamente
com o Poder Público, formam o Sistema Único de Assistência
Social. Em razão das inúmeras denominações e modalidades
de entidades e organizações, você encontrará uma síntese
das principais, sendo importante ainda ter conhecimento acerca
dos requisitos para que as organizações e entidades façam
parte do SUAS.
Além do material instrucional, os acadêmicos poderão
encontrar maiores informações e esclarecimentos na bibliografia
indicada ao final do capítulo.
8.1 Definição
Em que pese a Lei Orgânica de Assistência Social em seu
artigo 5º III atribuir papel central ao Poder Público na condução
da Política de Assistência Social, a nossa legislação prevê a
possibilidade de parcerias com a sociedade civil no
desenvolvimento de ações sociais, sendo atribuição dos
assistentes sociais formular e executar políticas sociais nas
organizações da sociedade civil.
Cap. VIII
Entidades e Organizações
de Assistência Social
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Art. 1º. A assistência social, direito do cidadão e dever do
Estado, é Política de Seguridade Social não contributiva, que
provê os mínimos sociais, realizada através de um conjunto
integrado de ações de iniciativa pública e da sociedade,
para garantir o atendimento às necessidades básicas. (grifo
nosso)
Conforme foi visto quando do estudo do SUAS as entidades
de natureza civil integram junto com o Poder Público o sistema
único. Essa deliberação pode ser localizada na LOAS e na
Constituição Federal, sendo que ao Estado cabe dar unidade
aos esforços sociais e garantir a constituição de uma rede.
O artigo 3º da LOAS define as entidades e organizações
da sociedade civil da forma que abaixo segue:
Art. 3º. Consideram-se entidades e organizações de
assistência social aquelas que prestam, sem fins lucrativos,
atendimento e assessoramento aos beneficiários abrangidos
por esta lei, bem como as que atuam na defesa e garantia de
seus direitos.
O Conselho Nacional de Assistência Social/CNAS,
regulamentando o artigo 3º da LOAS, estabeleceu parâmetros
bastante precisos para delimitar essas entidades e organizações,
de modo a garantir que a rede preste a integralidade do
atendimento.
Para tanto foi editada a Resolução nº 191, de 10/11/2005,
que estabelece as características indispensáveis das entidades
e organizações da sociedade civil para atuarem no campo da
política de assistência social, que passamos a descrever:
• são associações ou fundações pessoas jurídicas de direito
privado, organizadas segundo disposição prevista no artigo
53 do Código Civil Brasileiro;
• as atividades realizadas por essas instituições devem
expressar os objetivos, a natureza, a missão e o público
em conformidade com a LOAS e a Política Nacional de
Assistência Social;
• devem realizar o atendimento, assessoramentos e defesa
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de direitos, na área de assistência social de forma
permanente, planejada e contínua;
• devem garantir o acesso gratuito do usuário a serviços,
programas, benefícios e à defesa de direitos, sendo vedado
qualquer tipo de cobrança;
• as ações dessas instituições devem ser marcadas pela
transparência, com apresentação, ao conselho competente,
de plano de trabalho, relatórios ou balanços sociais das
suas atividades;
• devem aplicar suas rendas, recursos e eventual resultado
operacional, no território nacional e na manutenção e
desenvolvimento de seus objetivos estatutários;
Simões (2007, p. 344) define essas organizações da
seguinte forma:
[...] são entidades sem fins lucrativos, cujas atividades,
permanentes, planejadas e contínuas, além de gratuitas, são
de interesse público, no âmbito da política de assistência
social. Sobretudo, prestam serviços à população e não aos
seus associados, que para elas contribuem, sem receberem
em troca, qualquer benefício ou serviço.
O autor segue informando que essa definição excluiu clubes
esportivos, sindicatos, cooperativas, grêmios estudantis,
organizações religiosas, templos, partidos políticos e outras
entidades que objetivasse trazer benefícios somente para seus
filiados/associados.
A Resolução estabelece ainda duas modalidades de
organizações assistenciais:
• De atendimento que são definidas como aquelas que
realizam de forma contínua, planejada e permanente benefícios,
serviços, programas e projetos de proteção básica e/ou especial,
além de atuarem na defesa de direitos socioassistenciais.
• De assessoramento e defesa de direitos de forma
contínua, planejada e permanente serviços, programas e
projetos direcionados para a defesa e efetivação de direitos,
promoção da cidadania, enfrentamento das desigualdades,
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fortalecimento de movimentos sociais, capacitação de
lideranças, etc.
Além das características antes informadas, as entidades
deverão:
• proteger à família, infância, maternidade, adolescência
oi velhice;
• amparar crianças ou adolescentes carentes;
• propor ações de prevenção, habilitação, reabilitação e
integração à vida comunitária de pessoas portadoras de
deficiência;
• promover a assistência educacional ou de saúde;
• promover o desenvolvimento da cultura;
• atender e assessorar aos beneficiários da LOAS e à
defesa e garantia de seus direitos.
É ainda indispensável que essas entidades não distribuam
resultados, dividendos, bonificações, parcela de seu patrimônio
sob nenhuma forma, além de haver impedimento absoluto que
seus sócios, conselheiros, diretores, instituidores, benfeitores
ou similares recebam remuneração, vantagens ou benefícios
diretos e indiretos, em razão de suas competências, funções
ou atividades.
A regulamentação das entidades e organizações da
sociedade civil referidas no artigo 3º da LOAS objetiva dar as
ações prestadas por essas instituições uma natureza pública,
integrando-as à rede estabelecida no SUAS.
A legislação que trata da matéria (Constituição Federal,
LOAS, SUAS, LOSS, Resoluções do CNAS, entre outras) utiliza
diferentes denominações para referir as entidades e
organizações assistenciais, de tal sorte que mais adiante faremos
a identificação das principais.
Devemos salientar ainda que as instituições beneficentes
de assistência social podem beneficiar-se de imunidade
tributária, desde que cumpridas as deliberações constantes
na Lei nº 8.212, de 24/07/91, também denominada de Lei
Orgânica da Seguridade Social/LOSS.
Art. 55. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts.
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22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social
que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: (Vide
Lei n. 9.429, de 26.12.1996)
I — seja reconhecida como de utilidade pública federal e
estadual ou do Distrito Federal ou municipal;
II — seja portadora do Certificado e do Registro de Entidadede Fins Filantrópicos, fornecido pelo Conselho Nacional de
Assistência Social, renovado a cada três anos; (Redação dada
pela Lei n. 9.429, de 26.12.1996) (Vide Medida Provisória n.
2.187-13, de 24.8.2001)
III — promova, gratuitamente e em caráter exclusivo, a
assistência social beneficente a pessoas carentes, em especial
a crianças, adolescentes, idosos e portadores de deficiência;
(Redação dada pela Lei n. 9.732, de 11.12.98)
IV — não percebam seus diretores, conselheiros, sócios,
instituidores ou benfeitores, remuneração e não usufruam
vantagens ou benefícios a qualquer título;
V — aplique integralmente o eventual resultado operacional
na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos
institucionais apresentando, anualmente ao órgão do INSS
competente, relatório circunstanciado de suas atividades.
(Redação dada pela Lei n. 9.528, de 10.12.97) (...)
8.2 Inscrição Municipal
A inscrição no Conselho Municipal ou do Distrito Federal
constitui condição indispensável para o funcionamento regular
de entidades e organizações assistenciais, uma vez que esses
conselhos têm a atribuição de fiscalizar essas instituições, ainda
que as mesmas não recebam recursos públicos. Acerca da
inscrição nos Conselhos Municipais de Assistência Social é
preciso referir que, além da inscrição no local de sua sede ou
onde exerce a atividade principal, é preciso que essas
instituições façam a inscrição em todos os municípios onde as
mesmas atuam, visto ser essa inscrição que efetivamente
reconhece a natureza de assistência social dos benefícios,
serviços, programas e projetos que as entidades desempenham,
permitindo sua integração ao SUAS.
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Caso o município não conte com Conselho de Assistência
Social é necessário fazer a inscrição no Conselho Estadual
competente.
8.3 Denominações
Jurídicas
Como dito anteriormente, existe uma grande quantidade
de denominações para identificar as organizações e entidades
de assistência social, sendo importante apresentar a (o)
acadêmica (o) as mais usuais.
Pessoas Jurídicas de Direito Privado – O conceito de
pessoas jurídicas de direito privado tem um sentido bastante
amplo, podendo ser produto da união de pessoas físicas, jurídicas
ou ambas materializada num contrato ou estatuto social.
As pessoas jurídicas têm personalidade jurídica distinta
das pessoas físicas ou naturais que a compõem.
Quando adjetivamos as pessoas jurídicas como sendo de
direito privado estamos a referir aquelas formadas por
particulares, uma vez que são de direito público todas aquelas
instituídas pelo Estado.
Existem casos, no entanto, em que o Estado declara uma
pessoa jurídica de direito privado como de interesse público,
de tal sorte que devem ficar subordinadas ao controle estatal,
sem que se tornem entidades estatais, exatamente como ocorre
com as atividades na área de assistência social que são o
objeto de nosso estudo.
Pessoas Jurídicas sem Fins Lucrativos – Quando
estamos tratando de particulares podemos identificar as
pessoas jurídicas com fins lucrativos que são aquelas que
desenvolvem atividades do tipo empresarial e aquelas sem fins
lucrativos, que não se destinam à prática de atos empresariais,
sendo essa última uma das caracterizações das organizações
e entidades assistenciais, além do já mencionado interesse
público.
O fato de uma pessoa jurídica sem fim lucrativo receber
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essa denominação não significa que suas atividades não possam
ser superavitárias, quando deverão destinar esse produto para
o desenvolvimento de seus objetivos sociais.
As pessoas jurídicas sem fins lucrativos estão isentas do
pagamento de Imposto de Renda em conformidade com o
Decreto nº 3.000, de 26/03/99.
Via de regra, as sociedades sem fins lucrativos podem ser
associações e fundações:
Associações são pessoas jurídicas sem fins lucrativos,
constituídas de filiados ou associados, organizadas por estatutos
que estabelecem seus órgãos dirigentes e deliberativos,
finalidades sociais, requisitos para admissão de outras pessoas,
mecanismos de exclusão de sócios, direitos e deveres,
merecendo destaque o fato de as associações de assistência
social beneficiarem terceiros que não os seus sócios, entre
outros dispositivos.
Fundações são entidades de direito privado, sem fins
lucrativos, instituídas por particulares, quer pessoa físicas ou
jurídicas, mediante uma dotação de bens livres. Os instituidores
podem, além de especificar o fim a que a mesma se destina,
estabelecer a forma de sua administração.
Com a aprovação dos estatutos é lavrada a escritura e
feito o registro de seus atos constitutivos, sendo posteriormente
eleitos os membros que formarão o Conselho Curador e a Diretoria.
Ao contrário das associações, as fundações não permitem a
modificação dos fins e dos meios.
A título de informação, sem entrarmos nos pormenores
jurídicos, alguns estudiosos e julgadores entendem que a
sociedade simples pode ser um tipo de pessoa jurídica sem
fim lucrativo.
8.4 Registro no Conselho
Nacional de Assistência
Social/CNAS
O registro no CNAS das entidades e organizações sem fins
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lucrativos poderá ser requerido desde que as mesmas
comprovem o atendimento dos requisitos constantes na
Resolução nº 31, de 24/02/99, mesmo para entidades e
organizações que tenham menos de uma ano de existência.
Feito o registro o mesmo deve ser publicado no Diário Oficial
da União, para a posterior expedição do certificado
comprobatório. Em caso de recusa do registro cabe a pedido
de reconsideração dirigido ao Conselho, no prazo de 10 dias a
contar da publicação, em caso da reconsideração não acolhida
caberá ainda recurso.
A obtenção do registro permite acesso a fundos,
subvenções e convênios com o CNAS.
8.5 Titulação das
Entidades ou
Organizações
O interesse público pode ser conferido por título ou
qualificações, concedidas pelo Poder Público poderão ser:
utilidade pública, entidade de fins filantrópicos, entidade
beneficente de assistência social, organização da sociedade
civil de interesse público e organizações sociais.
Entidade de Utilidade Pública: Entidades sem fins
lucrativos podem ser declaradas de utilidade pública para a
União, Estados, Municípios ou Distrito Federal, por decreto do
presidente, governador ou prefeito. Uma entidade pode ter
certificado de utilidade pública para um ente federativo,
independente dos demais.
Com esse título a entidade terá isenção tributária no nível
do seu título, podendo receber, nesse mesmo nível, subvenções.
A declaração de utilidade pública pode ser cassada,
revogando-se o Decreto de concessão, caso a entidade deixe
de cumprir com as exigências estabelecidas em cada nível
federativo, ou ainda se a mesma não apresentar relatório anual
ou remunerar seus dirigentes ou conselheiros.
Entidade de Fins Filantrópicos: Para postular o registro
de entidade de fins filantrópicos se faz necessário a inscrição
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no respectivo conselho, que deverá acompanhar o pedido a
ser encaminhado junto ao CNAS, juntamente com relatórios de
atividades, atas de assembleias gerais, eleições e um
planejamento anual, além de um plano de trabalho.
O conceito de filantropia compreende doações e aplicações
de seus próprios recursos com o propósito de instituir ações
sociais, deixando de recolher recursos para os cofres públicos.
A concessão ou renovação dos certificados de entidades
de fins filantrópicos também está condicionada à observânciade alguns pressupostos por parte da entidade, conforme
estabelece a Resolução nº 116 do CNAS.
Entidades Beneficentes de Assistência Social: São
aquelas entidades que têm título de utilidade pública expedido
por qualquer ente federativo além de serem filantrópicas,
devendo observar os seguintes pressupostos:
• Promover gratuitamente em caráter exclusivo a
assistência social beneficente a pessoas carentes, em
especial crianças, adolescentes, idosos e portadores de
deficiência.
• Aplicar integralmente o resultado operacional para a
consecução de seus objetivos institucionais, apresentando,
ao INSS, relatório anual de suas atividades.
• Impossibilidade absoluta dos diretores, conselheiros,
sócios, instituidores, benfeitores ou similares, receberem
remuneração, vantagem ou benefícios, sob qualquer forma
ou título.
Atendidas essas exigências poderá a entidade receber do
INSS Ato Declaratório de Entidade Beneficente de Assistência
Social.
Organização da Sociedade Civil de Interesse Público –
OSCIPs: É uma inovação no que tange a organizações sociais.
Foi instituída pela Lei nº 9.790/99, que teve o propósito de
facilitar e simplificar o acesso das organizações a recursos
públicos através de parcerias.
Segue abaixo transcrito os principais artigos da legislação
antes citada:
Art. 1º. Podem qualificar-se como Organizações da Sociedade
Civil de Interesse Público as pessoas jurídicas de direito
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privado, sem fins lucrativos, desde que os respectivos
objetivos sociais e normas estatutárias atendam aos
requisitos instituídos por esta Lei.
§ 1º Para os efeitos desta Lei, considera-se sem fins lucrativos
a pessoa jurídica de direito privado que não distribui, entre
os seus sócios ou associados, conselheiros, diretores,
empregados ou doadores, eventuais excedentes operacionais,
brutos ou líquidos, dividendos, bonificações, participações ou
parcelas do seu patrimônio, auferidos mediante o exercício
de suas atividades, e que os aplica integralmente na
consecução do respectivo objeto social.
§ 2º A outorga da qualificação prevista neste artigo é ato
vinculado ao cumprimento dos requisitos instituídos por esta
Lei.
No artigo 2º encontramos restrições para que algumas
organizações transformem-se em OSCIPs.
Art. 2º. Não são passíveis de qualificação como Organizações
da Sociedade Civil de Interesse Público, ainda que se
dediquem de qualquer forma às atividades descritas no art.
3º desta Lei:
I — as sociedades comerciais;
II — os sindicatos, as associações de classe ou de
representação de categoria profissional;
III — as instituições religiosas ou voltadas para a disseminação
de credos, cultos, práticas e visões devocionais e
confessionais;
IV — as organizações partidárias e assemelhadas, inclusive
suas fundações;
V — as entidades de benefício mútuo destinadas a
proporcionar bens ou serviços a um círculo restrito de
associados ou sócios;
VI — as entidades e empresas que comercializam planos de
saúde e assemelhados;
VII — as instituições hospitalares privadas não gratuitas e
suas mantenedoras;
VIII — as escolas privadas dedicadas ao ensino formal não
gratuito e suas mantenedoras;
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IX — as organizações sociais;
X — as cooperativas;
XI — as fundações públicas;
XII — as fundações, sociedades civis ou associações de direito
privado criadas por órgão público ou por fundações públicas;
XIII — as organizações creditícias que tenham quaisquer tipo
de vinculação com o sistema financeiro nacional a que se refere
o art. 192 da Constituição Federal.
O artigo 3º estabelece os objetivos sociais que permitirão
que uma organização habilite-se como OSCIPs.
Art. 3º. A qualificação instituída por esta Lei, observado em
qualquer caso, o princípio da universalização dos serviços,
no respectivo âmbito de atuação das Organizações, somente
será conferida às pessoas jurídicas de direito privado, sem
fins lucrativos, cujos objetivos sociais tenham pelo menos uma
das seguintes finalidades:
I — promoção da assistência social;
II — promoção da cultura, defesa e conservação do patrimônio
histórico e artístico;
III — promoção gratuita da educação, observando-se a forma
complementar de participação das organizações de que trata
esta Lei;
IV — promoção gratuita da saúde, observando-se a forma
complementar de participação das organizações de que trata
esta Lei;
V — promoção da segurança alimentar e nutricional;
VI — defesa, preservação e conservação do meio ambiente e
promoção do desenvolvimento sustentável;
VII — promoção do voluntariado;
VIII — promoção do desenvolvimento econômico e social e
combate à pobreza;
IX — experimentação, não-lucrativa, de novos modelos sócio-
produtivos e de sistemas alternativos de produção, comércio,
emprego e crédito;
X — promoção de direitos estabelecidos, construção de novos
direitos e assessoria jurídica gratuita de interesse
suplementar;
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XI — promoção da ética, da paz, da cidadania, dos direitos
humanos, da democracia e de outros valores universais;
XII — estudos e pesquisas, desenvolvimento de tecnologias
alternativas, produção e divulgação de informações e
conhecimentos técnicos e científicos que digam respeito às
atividades mencionadas neste artigo.
Parágrafo único. Para os fins deste artigo, a dedicação às
atividades nele previstas configura-se mediante a execução
direta de projetos, programas, planos de ações correlatas,
por meio da doação de recursos físicos, humanos e financeiros,
ou ainda pela prestação de serviços intermediários de apoio
a outras organizações sem fins lucrativos e a órgãos do setor
público que atuem em áreas afins.
Organizações Sociais – OSs: A Lei nº 9.637/98 criou as
organizações sociais, que são pessoas jurídicas de direito
privado, sem fins lucrativos, criadas por particulares, sob a
forma societária, cujas atividades sejam dirigidas ao ensino, à
pesquisa científica, ao desenvolvimento tecnológico, à proteção
e preservação do meio ambiente, à cultura e à saúde, que
poderão se habilitar junto ao Poder Público para ser declarada
entidade de interesse social e utilidade pública.
 No artigo 2º encontramos os requisitos para a habilitação
das organizações sociais:
Art. 2º. São requisitos específicos para que as entidades
privadas referidas no artigo anterior habilitem-se à qualificação
como organização social:
I — comprovar o registro de seu ato constitutivo, dispondo
sobre:
a) natureza social de seus objetivos relativos à respectiva
área de atuação;
b) finalidade não-lucrativa, com a obrigatoriedade de
investimento de seus excedentes financeiros no
desenvolvimento das próprias atividades;
c) previsão expressa de a entidade ter, como órgãos de
deliberação superior e de direção, um conselho de
administração e uma diretoria definidos nos termos do
estatuto, asseguradas àquele composição e atribuições
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normativas e de controle básicas previstas nesta Lei;
d) previsão de participação, no órgão colegiado de deliberação
superior, de representantes do Poder Público e de membros
da comunidade, de notória capacidade profissional e
idoneidade moral;
e) composição e atribuições da diretoria;
f) obrigatoriedade de publicação anual, no Diário Oficial da
União, dos relatórios financeiros e do relatório de execução
do contrato de gestão;
g) no caso de associação civil, a aceitação de novos
associados, na forma do estatuto;
h) proibição de distribuição de bens ou de parcela do
patrimônio líquido em qualquerhipótese, inclusive em razão
de desligamento, retirada ou falecimento de associado ou
membro da entidade;
i) previsão de incorporação integral do patrimônio, dos
legados ou das doações que lhe foram destinados, bem como
dos excedentes financeiros decorrentes de suas atividades,
em caso de extinção ou desqualificação, ao patrimônio de
outra organização social qualificada no âmbito da União, da
mesma área de atuação, ou ao patrimônio da União, dos
Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, na proporção
dos recursos e bens por estes alocados;
II — haver aprovação, quanto à conveniência e oportunidade
de sua qualificação como organização social, do Ministro ou
titular de órgão supervisor ou regulador da área de atividade
correspondente ao seu objeto social e do Ministro de Estado
da Administração Federal e Reforma do Estado.
Atividades
Chegamos ao fim deste capítulo, como proposta de trabalho
sugerimos que os(as) acadêmicos(as) organizem individualmente
uma síntese apontando os principais conceitos trabalhados no
capítulo, com a fundamentação legal dos mesmos.
Qualquer dúvida retome a leitura do capítulo e busque
aprofundamento nas obras indicadas na referência.
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Referência comentada
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
A obra indicada para leitura é uma das mais completas
acerca de conhecimentos jurídicos indispensáveis para o
exercício profissional dos egressos do curso de Serviço
Social, sendo apropriada para o aprofundando das reflexões
feitas no capítulo. Recomendamos ainda a leitura, na
íntegra, das legislações referidas neste capítulo. Lembre-
se que o conhecimento da legislação é indispensável nessa
disciplina!
Bons estudos!
Referências
Constituição Federal de 1988
Decreto nº 3.000, de 26/03/99
Lei Federal nº 8.212, de 24/07/91 - LOSS
Lei Federal nº 8.742, de 07 de dezembro de 1993 –
LOAS
Lei Federal nº 9.637/98
Lei Federal nº 9.790/99
MARTINS, Sérgio Pinto. Direito da Seguridade Social. São
Paulo: Atlas, 2002.
Resolução nº 116 - CNAS
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
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Autoavaliação
Marque a alternativa correta.
1) A LOAS, ao definir as entidades e organizações que
prestam assistência social, destacou:
a) Que as mesmas tenham fins lucrativos.
b) Que as mesmas não tenham fins lucrativos.
c) Que as mesmas não tenham fins lucrativos e atendam
e/ou assessorem os beneficiários/usuários previstos em lei.
d) Nenhuma das alternativas.
2) As organizações assistenciais podem ser:
a) Somente de atendimento.
b) Somente de assessoramento.
c) De atendimento e de assessoramento.
d) Nenhuma das alternativas.
3) Podem ser identificadas como atividades desenvolvidas
por entidades de assistência social:
a) Proteger à família, infância, maternidade, adolescência
ou velhice.
b) Amparar crianças ou adolescentes carentes.
c) Propor ações de prevenção, habilitação, reabilitação e
integração à vida comunitária de pessoas portadoras de
deficiência.
d) Todas as alternativas.
4) Acerca da distribuição de resultados, dividendos,
bonificações, etc. por entidades de assistência social é correto
dizer:
a) Não podem ser distribuídos.
b) Podem ser distribuídos somente para a diretoria.
c) Podem ser distribuídos somente para os sócios e
conselheiros.
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d) Nenhuma das alternativas.
5) Acerca da inscrição municipal nos COMAS deve-se dizer
que:
a) É obrigatória somente para algumas organizações.
b) É obrigatória para todas as organizações.
c) Estão dispensadas organizações com menos de um ano
de funcionamento.
d) Nenhuma das alternativas.
Gabarito: 1) C; 2) C; 3) D; 4) A; 5) B;12) D; 13) A; 14) B; 15) D
O objetivo deste capítulo é disponibilizar ao acadêmico
informações básicas acerca da normatização legislativa da
profissão de assistente social, bem como apontar os aspectos
mais destacados do Código de Ética da profissão, uma vez que
o conhecimento e a compreensão desses dispositivos legais
são indispensáveis para o exercício profissional do (a) futuro
(a) assistente social. Ao longo do capítulo o (a) acadêmico (a)
deverá ser capaz de dominar esses textos legais, nos seus
pressupostos mais significativos, para tanto privilegiamos a
leitura e compreensão das temáticas a partir dos textos
constantes na lei.
9.1 Lei do Assistente Social
A profissão de assistente social é regulamentada pela Lei
nº 8.662, de 07 de junho de 1993, que objetiva regulamentar e
controlar os serviços profissionais de assistência social, fixando
deveres e prerrogativas, além de atribuições privativas.
Assistente social é a denominação dada ao bacharel em
Serviço Social com registro no Conselho Regional de Serviço
Social/CRESS, sendo indispensável para o exercício profissional
tal registro, conforme denota-se da leitura da legislação antes
citada.
Cap. IX
Lei do Assistente Social e
Código de Ética
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O reconhecimento da profissão de assistente social deu-
se pela Lei nº 3.252, de 27/08/57, regulamentada pelo Decreto
nº 994, de 15/05/62. É preciso referir que mesmo sem titulação
acadêmica, foram reconhecidos como assistentes sociais os
antigos agentes sociais25, funcionários públicos admitidos no
serviço social nos termos da Lei nº 3.252, de 27/08/57, da
mesma forma aqueles que tivessem exercido durante os últimos
dois anos atribuições de competência exclusiva dos assistentes
sociais.
A Lei nº 3.252, de 27/08/57, estabelecia como atividade
exclusiva do assistente social a direção de escolas de serviço
social; o ensino e demais atividades acadêmicas; realização de
perícias judiciais ou não de cunho social; planejamento,
assessoria, direção e execução de serviços sociais, além da
elaboração de pareceres de matéria social.
A fiscalização do exercício profissional ficava ao encargo
do Conselho Federal de Assistentes Sociais/CFAS e Conselhos
Regionais de Assistentes Sociais/ CRAS.
O surgimento da profissão de assistente social no Brasil
está diretamente relacionado às ações sociais, de inspiração
predominantemente religiosa, desenvolvidas em especial a partir
da década de 40 do século passado.
A primeira escola de serviço social foi fundada em 1936,
sendo a atual Faculdade de Serviço Social da PUC/SP. Na
trajetória dessa faculdade podemos identificar claramente três
momentos distintos, no que tange a influências teórico-
metodológicas: nos anos 40 identifica-se uma forte influência
franco-belga, marcadamente influenciada pela filosofia tomista
e pelos princípios jusnaturalistas; durante a década de 50
encontramos uma influência significativa do positivismo de
inspiração norte-americana, que se aproximou muito do
desenvolvimentismo bastante em voga na América Latina;
pós década de 60, podemos perceber uma série de influências
nas diferentes escolas de serviço social, merecendo destaque
o funcionalismo, a fenomenologia e as concepções
socialistas.
A Lei nº 3.252/57 concebia a profissão de assistente social
como de natureza liberal e técnico-científica, sendo que a atual
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Lei nº . 3.252, de 27/08/57.
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legislação, Lei nº 8.662/93, silencia sobre a natureza institucional
da profissão, reiterando apenas a exigência de graduação em
serviço ou assistência social e registro no CRESS.
Art. 1º. É livre o exercícioda profissão de Assistente Social
em todo o território nacional, observadas as condições
estabelecidas nesta lei.
Art. 2º. Somente poderão exercer a profissão de Assistente
Social:
I — Os possuidores de diploma em curso de graduação em
Serviço Social, oficialmente reconhecido, expedido por
estabelecimento de ensino superior existente no País,
devidamente registrado no órgão competente;
II — os possuidores de diploma de curso superior em Serviço
Social, em nível de graduação ou equivalente, expedido por
estabelecimento de ensino sediado em países estrangeiros,
conveniado ou não com o governo brasileiro, desde que
devidamente revalidado e registrado em órgão competente
no Brasil;
III — os agentes sociais, qualquer que seja sua denominação
com funções nos vários órgãos públicos, segundo o disposto
no art. 14 e seu parágrafo único da Lei n. 1.889, de 13 de
junho de 1953.
Parágrafo único. O exercício da profissão de Assistente Social
requer prévio registro nos Conselhos Regionais que tenham
jurisdição sobre a área de atuação do interessado nos termos
desta lei
Os assistentes sociais formam uma categoria profissional
autônoma, de tal sorte que sua organização sindical deverá
ocorrer tomando como referência o critério de identidade
profissional, ou ainda observando o critério da atividade
preponderante. A filiação à entidade sindical é facultativa,
não podendo o (a) leitor (a) confundir a filiação sindical
com a filiação nos CRESS, essa obrigatória para o exercício
profissional, não tendo os conselhos funções sindicais.
A Lei nº 8.662/93 estabeleceu no seu artigo 4º as
competências dos assistentes sociais, que nada mais são do
que qualificações profissionais para o exercício da função,
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prioritariamente sob alguns aspectos, como abaixo segue
descrito:
Art. 4º. Constituem competências do Assistente Social:
I — elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais
junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta,
empresas, entidades e organizações populares;
II — elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas
e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social
com participação da sociedade civil;
III — encaminhar providências, e prestar orientação social a
indivíduos, grupos e à população;
IV — (Vetado);
V — orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos
sociais no sentido de identificar recursos e de fazer uso dos
mesmos no atendimento e na defesa de seus direitos;
VI — planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços
Sociais;
VII — planejar, executar e avaliar pesquisas que possam
contribuir para a análise da realidade social e para subsidiar
ações profissionais;
VIII — prestar assessoria e consultoria a órgãos da
administração pública direta e indireta, empresas privadas e
outras entidades, com relação às matérias relacionadas no
inciso II deste artigo;
IX — prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em
matéria relacionada às políticas sociais, no exercício e na
defesa dos direitos civis, políticos e sociais da coletividade;
X — planejamento, organização e administração de Serviços
Sociais e de Unidade de Serviço Social;
XI — realizar estudos socioeconômicos com os usuários para
fins de benefícios e serviços sociais junto a órgãos da
administração pública direta e indireta, empresas privadas e
outras entidades.
As atribuições privativas dos assistentes sociais, que
totalizam o número de treze, são aquelas decorrentes e
exclusivas da sua formação profissional, o que faz com que
essas funções sejam validadas institucionalmente quando
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realizadas por um assistente social.
Abaixo transcrevemos o artigo 5º da Lei nº 8.662/93, que
estabelece as atribuições privativas do assistente social.
Art. 5º. Constituem atribuições privativas do Assistente Social:
I — coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar
estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área
de Serviço Social;
II — planejar, organizar e administrar programas e projetos
em Unidade de Serviço Social;
III — assessoria e consultoria e órgãos da Administração
Pública direta e indireta, empresas privadas e outras
entidades, em matéria de Serviço Social;
IV — realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais,
informações e pareceres sobre a matéria de Serviço Social;
V — assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de
graduação como pós-graduação, disciplinas e funções que
exijam conhecimentos próprios e adquiridos em curso de
formação regular;
VI — treinamento, avaliação e supervisão direta de
estagiários de Serviço Social;
VII — dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de
Serviço Social, de graduação e pós-graduação;
VIII — dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de
estudo e de pesquisa em Serviço Social;
IX — elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e
comissões julgadoras de concursos ou outras formas de
seleção para Assistentes Sociais, ou onde sejam aferidos
conhecimentos inerentes ao Serviço Social;
X — coordenar seminários, encontros, congressos e eventos
assemelhados sobre assuntos de Serviço Social;
XI — fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos
Federal e Regionais;
XII — dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades
públicas ou privadas;
XIII — ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da
gestão financeira em órgãos e entidades representativas da
categoria profissional.
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9.2 Conselho Federal de
Serviço Social/CFESS e
Conselhos Regionais de
Serviço Social/CRESS
O Conselho Federal de Serviço Social/CFESS e Conselhos
Regionais de Serviço Social/CRESS são as organizações
responsáveis pela representatividade da categoria profissional,
sendo o CFESS responsável pela normatização do exercício
profissional dos assistentes sociais. A organização dos CRESS
está orientada nos moldes do sistema federativo brasileiro.
Até a promulgação da Lei nº 8.662/93 as denominações
desses conselhos eram Conselho Federal de Assistentes Sociais/
CFAS e Conselhos Regionais de assistentes Sociais/CRAS, sendo
que a mudança de denominação decorreu da alteração da
função de assistência social, que passou a ser concebida, após
a Constituição Federal de 1988 e a LOAS, como uma política
pública, de tal sorte a ser necessário distinguir a política de
assistência social do serviço social, esse último não
identificado com a formulação de políticas de assistência social,
atribuição exclusiva do Poder Público.
Art. 6º. São alteradas as denominações do atual Conselho
Federal de Assistentes Sociais (CFAS) e dos Conselhos
Regionais de Assistentes Sociais (CRAS), para,
respectivamente, Conselho Federal de Serviço Social (CFESS)
e Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS).
As competências do CFESS estão arroladas no artigo 8º
da Lei nº 8.662/93.
Art. 8º. Compete ao Conselho Federal de Serviço Social
(CFESS), na qualidade de órgão normativo de grau superior,
o exercício das seguintes atribuições:
I — orientar, disciplinar, normatizar, fiscalizar e defender o
exercício da profissão de Assistente Social, em conjunto com
o CRESS;
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II — assessorar os CRESS sempre que se fizer necessário;
III — aprovar os Regimentos Internos dos CRESS no fórum
máximo de deliberação do conjunto CFESS/CRESS;
IV — aprovar o Código de Ética Profissional dos Assistentes
Sociais juntamente com os CRESS, no fórum máximo de
deliberação do conjunto CFESS/CRESS;
V — funcionar como Tribunal Superior de ÉticaProfissional;
VI — julgar, em última instância, os recursos contra as sanções
impostas pelos CRESS;
VII — estabelecer os sistemas de registro dos profissionais
habilitados;
VIII — prestar assessoria técnico-consultiva aos organismos
públicos ou privados, em matéria de Serviço Social;
IX — (Vetado).
A sede do CFESS esta localizada em Brasília conforme se
denota da leitura do artigo 11 da Lei nº 8.662/93, sendo
constituído de nove representantes e igual número de suplentes
eleitos, funcionando ainda como Tribunal Superior de Ética
para apreciação de recursos interpostos nos CRESS.
Art. 20. O Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) e os
Conselhos Regionais de Serviço Social (CRESS) contarão cada
um com nove membros efetivos: Presidente, Vice-Presidente,
dois Secretários, dois Tesoureiros e três membros do
Conselho Fiscal, e nove suplentes, eleitos dentre os
Assistentes Sociais, por via direta, para um mandato de três
anos, de acordo com as normas estabelecidas em Código
Eleitoral aprovado pelo fórum instituído pelo art. 9º desta lei.
O órgão máximo de deliberação profissional dos
assistentes sociais é o colegiado do Conselho Federal e dos
Conselhos Estaduais de Serviço Social, conforme disposição
expressa no artigo 9º da Lei que regulamenta a profissão.
Art. 9º. O fórum máximo de deliberação da profissão para os
fins desta lei dar-se-á nas reuniões conjuntas dos Conselhos
Federal e Regionais, que inclusive fixarão os limites de sua
competência e sua forma de convocação.
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As atribuições do CRESS estão previstas no artigo 10 da
lei antes citada, sendo importante apontar que os mesmos não
têm função normatizadora, atribuição exclusiva do CFESS.
Art. 10. Compete aos CRESS, em suas respectivas áreas de
jurisdição, na qualidade de órgão executivo e de primeira
instância, o exercício das seguintes atribuições:
I — organizar e manter o registro profissional dos Assistentes
Sociais e o cadastro das instituições e obras sociais públicas
e privadas, ou de fins filantrópicos;
II — fiscalizar e disciplinar o exercício da profissão de
Assistente Social na respectiva região;
III — expedir carteiras profissionais de Assistentes Sociais,
fixando a respectiva taxa;
IV — zelar pela observância do Código de Ética Profissional,
funcionando como Tribunais Regionais de Ética Profissional;
V — aplicar as sanções previstas no Código de Ética
Profissional;
VI — fixar, em assembleia da categoria, as anuidades que
devem ser pagas pelos Assistentes Sociais;
VII — elaborar o respectivo Regimento Interno e submetê-lo
a exame e aprovação do fórum máximo de deliberação do
conjunto CFESS/CRESS.
Atualmente contamos com 25 conselhos regionais.
Art. 12. Em cada capital de Estado, de Território e no Distrito
Federal, haverá um Conselho Regional de Serviço Social
(CRESS) denominado segundo a sua jurisdição, a qual
alcançará, respectivamente, a do Estado, a do Território e a
do Distrito Federal.
1º Nos Estados ou Territórios em que os profissionais que
neles atuam não tenham possibilidade de instalar um
Conselho Regional, deverá ser constituída uma delegacia
subordinada ao Conselho Regional que oferecer melhores
condições de comunicação, fiscalização e orientação, ouvido
o órgão regional e com homologação do Conselho Federal.
A Resolução nº 298/94 do CFESS em seu artigo 1º informa
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as áreas de jurisdição e a sede das seccionais.
Art. 1º. São as seguintes as zonas de jurisdição e
respectivas sedes do CRESS:
1) 1ª Região, de sigla CRESS 1ª Região, com jurisdição nos
Estados do Pará e Amapá, tendo sua sede na cidade de Belém
– PA;
2) 2ª Região, de sigla CRESS 2ª Região, com jurisdição no
Estado do Maranhão, tendo sua sede na cidade de São Luís
– MA;
3) 3ª Região, de sigla CRESS 3ª Região, com jurisdição no
Estado do Ceará, tendo sua sede na cidade de Fortaleza –
CE;
4) 4ª Região, de sigla CRESS 4ª Região, com jurisdição no
Estado do Pernambuco, tendo sua sede na cidade de Recife
– PE;
5) 5ª Região, de sigla CRESS 5ª Região, com jurisdição no
Estado da Bahia, tendo sua sede na cidade de Salvador - BA;
6) 6ª Região, de sigla CRESS 6ª Região, com jurisdição no
Estado de Minas Gerais, tendo sua sede na cidade de Belo
Horizonte – MG;
7) 7ª Região, de sigla CRESS 7ª Região, com jurisdição no
Estado do Rio de Janeiro, tendo sua sede na cidade do Rio de
Janeiro – RJ;
8) 8ª Região, de sigla CRESS 8ª Região, com jurisdição no
Estado do Distrito Federal, tendo sua sede na cidade de
Brasília – DF;
9) 9ª Região, de sigla CRESS 9ª Região, com jurisdição no
Estado de São Paulo, tendo sua sede na cidade de São Paulo
– SP;
10) 10ª Região, de sigla CRESS 10ª Região, com jurisdição no
Estado do Rio Grande do Sul, tendo sua sede na cidade de
Porto Alegre – RS;
11) 11ª Região, de sigla CRESS 11ª Região, com jurisdição no
Estado do Paraná, tendo sua sede na cidade de Curitiba –
PR;
12) 12ª Região, de sigla CRESS 12ª Região, com jurisdição no
Estado de Santa Catarina, tendo sua sede na cidade de
Florianópolis – SC;
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13) 13ª Região, de sigla CRESS 13ª Região, com jurisdição no
Estado da Paraíba, tendo sua sede na cidade de João Pessoa
– PB;
14) 14ª Região, de sigla CRESS 14ª Região, com jurisdição no
Estado do Rio Grande do Norte, tendo sua sede na cidade de
Natal – RN;
15) 15ª Região, de sigla CRESS 15ª Região, com jurisdição no
Estado do Amazonas, tendo sua sede na cidade de Manaus –
AM;
16) 16ª Região, de sigla CRESS 16ª Região, com jurisdição no
Estado de Alagoas, tendo sua sede na cidade de Maceió –
AL;
17) 17ª Região, de sigla CRESS 17ª Região, com jurisdição no
Estado do Espírito Santo, tendo sua sede na cidade de Vitória
– ES;
18) 18ª Região, de sigla CRESS 18ª Região, com jurisdição no
Estado de Sergipe, tendo sua sede na cidade de Aracaju –
SE;
19) 19ª Região, de sigla CRESS 19ª Região, com jurisdição no
Estado de Goiás, tendo sua sede na cidade de Goiânia - GO;
20) 20ª Região, de sigla CRESS 20ª Região, com jurisdição no
Estado do Mato Grosso, tendo sua sede na cidade de Cuiabá
– MT;
21) 21ª Região, de sigla CRESS 21ª Região, com jurisdição no
Estado do Mato Grosso do Sul, tendo sua sede na cidade de
Campo Grande – MS;
22) 22ª Região, de sigla CRESS 22ª Região, com jurisdição no
Estado do Piauí, tendo sua sede na cidade de Teresina - PI;
23) 23º Região, de sigla CRESS 23ª Região, com jurisdição no
Estado do Rondônia, tendo sua sede na cidade de Porto Velho
– RO;
 24) 24º Região, de sigla CRESS 24ª Região, com jurisdição
no Estado do Amapá, tendo sua sede na cidade de Macapá –
AP;
 25) 25º Região, de sigla CRESS 25ª Região, com jurisdição
no Estado do Tocantins, tendo sua sede na cidade de Palmas
– TO.
Os CRESS são dotados de autonomia financeira e
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administrativa, conforme estabelecido no artigo Art. 7º § 1º. A
organização e o seu funcionamento são regulamentados por
Resolução do CFESS, sendo basicamente composto dos
seguintes órgãos:
Assembleia Geral – congregando todos os assistentes
sociais da jurisdição ou base territorial do conselho, desde que
estejam com suas anuidades em dia e seu registro regularizado.
Estagiários devidamente cadastrados podem participar das
assembleias não tendo direito a voto;
Conselho Pleno – órgão deliberativo que se reúne,
ordinariamente, uma vez por mês e, extraordinariamente, sempre
que necessário, por convocação do Presidente ou da maioria
dos membros. É composto por nove membros efetivos (seis da
diretoria e três do conselho fiscal), tendo igualnúmero de
suplentes. Eleitos diretamente para mandato de três (3) anos,
podendo ser reeleitos uma única vez. O Conselho Pleno tem
atribuições de Tribunal de Ética para julgamento de processos
envolvendo assistentes sociais.
Diretoria Executiva – formada por seis membros
(presidente, vice-presidente, primeiro secretário, segundo
secretário, primeiro tesoureiro e segundo tesoureiro) eleitos
diretamente para mandato de três (3) anos. Não recebem
remuneração e se reúnem no mínimo quinzenalmente.
Encontro do CRESS/Seccionais – Membros efetivos e
suplentes do CRESS e das seccionais, também eleitos
diretamente. O Encontro do CRESS/Seccionais deverá ocorrer,
ordinariamente, duas (2) vezes ao ano e, extraordinariamente,
sempre que o Pleno convocar.
Seccionais – Estão instaladas nos municípios que tenham
um maior número de assistentes sociais, devendo ser observadas
as disposições contidas na Resolução nº 298/94 do CFESS, no
que diz respeito a requisitos para criação de seccionais.
Comissões – Podem ser permanentes ou temporárias. As
comissões permanentes são a de Ética, de Licitação e de
Orientação e Fiscalização Profissional. As temporárias podem
ser criadas para determinadas finalidades, tais como as criadas
para pesquisa, estudos, pareceres, etc.
Quando da inscrição originária no CRESS da base territorial
onde o profissional deseja atuar, o mesmo recebe uma inscrição
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denominada de principal – AS, caso ele tenha de exercer
atividade profissional em outra base territorial, por período
superior a 90 dias, deverá solicitar uma inscrição secundária
– SEC nesse outro local. Se exercer atividade profissional em
caráter permanente em locais que ficam em bases territoriais
distintas deverá manter tantos registros principais quanto forem
as bases territoriais, com o pagamento da respectivas anuidades.
Quando o profissional tranferir-se definitivamente para outra
base territorial, deverá solicitar a transferência de sua inscrição.
Poderá ainda o profissional solicitar o cancelamento
temporário ou definitivo de sua inscrição, deixando a anuidade
de ser exigível.
Compete ainda aos CRESS o cadastro dos campos de
estágio que as graduações disponibilizarão para seus alunos,
assim como aqueles assistentes sociais responsáveis pela
supervisão dessa atividade, conforme deliberação constante
no artigo 14 da Lei nº 8.662/93.
Art. 14. Cabe às Unidades de Ensino credenciar e comunicar
aos Conselhos Regionais de sua jurisdição os campos de
estágio de seus alunos e designar os Assistentes Sociais
responsáveis por sua supervisão.
Parágrafo único. Somente os estudantes de Serviço Social,
sob supervisão direta de Assistente Social em pleno gozo de
seus direitos profissionais, poderão realizar estágio de Serviço
Social.
Quando de infração a qualquer dispositivo previsto na Lei
nº 8.662/93, poderá o profissional sofrer pena de multa,
suspensão ou até o cancelamento de seu registro profissional,
tudo em consonância com a gravidade da infração, conforme
disposição contida no artigo 16:
Art. 16. Os CRESS aplicarão as seguintes penalidades aos
infratores dos dispositivos desta Lei:
I — multa no valor de uma a cinco vezes a anuidade vigente;
II — suspensão de um a dois anos de exercício da profissão
ao Assistente Social que, no âmbito de sua atuação, deixar
de cumprir disposições do Código de Ética, tendo em vista a
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gravidade da falta;
III — cancelamento definitivo do registro, nos casos de
extrema gravidade ou de reincidência contumaz.
1º Provada a participação ativa ou conivência de empresas,
entidades, instituições ou firmas individuais nas infrações a
dispositivos desta lei pelos profissionais delas dependentes,
serão estas também passíveis das multas aqui estabelecidas,
na proporção de sua responsabilidade, sob pena das medidas
judiciais cabíveis.
2º No caso de reincidência na mesma infração no prazo de
dois anos, a multa cabível será elevada ao dobro.
9.3 Código de Ética
A conduta ético-profissional dos assistentes sociais está
regulamentada pela Resolução nº 273/93 do CFESS (com
alteração das Resoluções do CFESS nº 290 e 293 do ano de
1994), também denominada de Código de Ética.
O Código de Ética do Assistente Social é uma legislação
organizada em 36 artigos, quatro títulos, além de apresentar
em seu preâmbulo uma introdução e a descrição de 11 princípios
fundamentais que deverão nortear o exercício profissional do
assistente social.
 Na introdução encontramos um importante texto
contextualizando o momento histórico que antecedeu a edição
dessa norma, apontando a trajetória bem como as
transformações que demandaram a substituição do Código de
Ética anterior, datado de 1986, atentando para as
transformações pelas quais a assistência social passou tanto
num prisma teórico-metodológico quanto legislativo.
Na sequência encontramos dispostos os onze princípios
que devem nortear a atuação do assistente social. São eles:
• Reconhecimento da liberdade como valor ético central e
das demandas políticas a ela inerentes — autonomia,
emancipação e plena expansão dos indivíduos sociais;
• Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do
arbítrio e do autoritarismo;
• Ampliação e consolidação da cidadania, considerada
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tarefa primordial de toda sociedade, com vistas à garantia
dos direitos civis sociais e políticos das classes
trabalhadoras;
• Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto
socialização da participação política e da riqueza
socialmente produzida;
• Posicionamento em favor da equidade e justiça social,
que assegure universalidade de acesso aos bens e serviços
relativos aos programas e políticas sociais, bem como sua
gestão democrática;
• Empenho na eliminação de todas as formas de
preconceito, incentivando o respeito à diversidade, à
participação de grupos socialmente discriminados e à
discussão das diferenças;
• Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes
profissionais democráticas existentes e suas expressões
teóricas, e compromisso com o constante aprimoramento
intelectual;
• Opção por um projeto profissional vinculado ao processo
de construção de uma nova ordem societária, sem
dominação/exploração de classe, etnia e gênero;
• Articulação com os movimentos de outras categorias
profissionais que partilhem dos princípios deste Código e
com a luta geral dos trabalhadores;
• Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à
população e com o aprimoramento intelectual, na
perspectiva da competência profissional;
• Exercício do Serviço Social sem ser discriminado, nem
discriminar, por questões de inserção de classe social,
gênero, etnia, religião, nacionalidade, opção sexual, idade
e condição física.
Como bem assevera Simões: “Não se trata, portanto de
um código de conteúdo meramente corporativista. Ao contrário,
institui como princípio a opção do assistente social por um
projeto profissional vinculado à construção de uma nova ordem
social [...]. (2007, p. 476)
No Código de Ética dos Assistentes Sociais, encontramos
basicamente três tipos de disposições:
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1. aquelas referentes às competências e atribuições das
comissões de ética e dos tribunais de ética, de primeiro e
segundo grau;
2. os direitos e os deveres e restrições em geral para esses
profissionais;
3. ritos procedimentais para a investigação e apuração dos
atos infracionais.
Os CRESS têm atribuição para apreciar, no âmbito
administrativo, em primeira instância o cumprimento dasnormas
estabelecidas nas legislações que regem a atividade do
assistente social, quais sejam: Resolução nº 273/93 do CFESS
e Lei nº 8.662/93, ao passo que o CFESS funciona como
Tribunal de Segunda Instância, tendo ainda a função de
fiscalizar os CRESS, como podemos inferir da leitura do artigo
primeiro da Resolução nº 273/93.
Art. 1º. Compete ao Conselho Federal de Serviço Social:
a) zelar pela observância dos princípios e diretrizes deste
Código, fiscalizando as ações dos Conselhos Regionais e a
prática exercida pelos profissionais, instituições e
organizações na área do Serviço Social;
b) introduzir alteração neste Código, através de uma ampla
participação da categoria, num processo desenvolvido em
ação conjunta com os Conselhos Regionais;
c) como Tribunal Superior de Ética Profissional, firmar
jurisprudência na observância deste Código e nos casos
omissos.
Parágrafo único. Compete aos Conselhos Regionais, nas áreas
de suas respectivas jurisdições, zelar pela observância dos
princípios e diretrizes deste Código, e funcionar como órgão
julgador de primeira instância.
O Título I, denominado Dos Direitos e das Responsabilidades
Gerais do Assistente Social, estabelece as faculdades e
atribuições que devem nortear a atividade do assistente social.
No artigo 2º encontramos os direitos do assistente social
que são:
• garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas,
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estabelecidas na Lei de Regulamentação da Profissão e
dos princípios firmados neste Código;
• livre exercício das atividades inerentes à Profissão;
• participação na elaboração e gerenciamento das políticas
sociais, e na formulação e implementação de programas
sociais;
• inviolabilidade do local de trabalho e respectivos arquivos
e documentação, garantindo o sigilo profissional;
• desagravo público por ofensa que atinja a sua honra
profissional;
• aprimoramento profissional de forma contínua,
colocando-o a serviço dos princípios deste Código;
• pronunciamento em matéria de sua especialidade,
sobretudo quando se tratar de assuntos de interesse da
população;
• ampla autonomia no exercício da profissão, não sendo
obrigado a prestar serviços profissionais incompatíveis com
as suas atribuições, cargos ou funções;
• liberdade na realização de seus estudos e pesquisas,
resguardados os direitos de participação de indivíduos ou
grupos envolvidos em seus trabalhos.
Desses direitos a solicitação de desagravo, o dever de
sigilo profissional e a denuncia de irregularidades são os que
merecem maior explicitação.
Por desagravo público entende-se a manifestação do
CRESS ou CFESS em favor de direito do profissional, que, no
legítimo exercício de sua função, sofre ofensas ou
constrangimentos de qualquer ordem, que atinjam a dignidade
da categoria como um todo, nada mais é o que um repúdio
público à ofensa do livre exercício profissional. O profissional
ofendido deverá encaminhar denúncia ao CRESS de sua base
territorial, para que a Comissão de Prerrogativas investigue e
apure a ofensa, que em caso de comprovação será motivação
para desagravo público.
Poderá o ofensor se retratar e, se o CRESS considerar a
retratação suficiente, o processo poderá ser arquivado. Caso
não ocorrer a retratação ou a mesma não for considerada
reparadora do prejuízo à imagem da categoria, o desagravo
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poderá ainda subsidiar ação competente para restaurar ou
indenizar o dano provocado pela ofensa.
O dever de sigilo profissional é um ponto muito
importante e bastante suscitado nas Comissões e Tribunais de
Ética. Nada mais é o que a obrigação do assistente social não
divulgar fatos relatados pelo usuário ou beneficiário de seus
serviços, ou constantes em documentos referentes à sua
privacidade ou de terceiros, que sejam do conhecimento do
profissional em razão do exercício da profissão.
A violação desse dispositivo do Código de Ética, além de
infração profissional, é crime previsto no Código Penal Brasileiro.
O artigo 18 da Resolução nº 273/93 do CFESS prevê,
excepcionalmente, a quebra do sigilo profissional que, nessa
caso, não poderá ser caracterizada como descumprimento de
normatização do Código de Ética.
A centralidade da matéria referente ao dever de sigilo
profissional pode ser inferida pelo tratamento destinado a esse
tópico no Código de Ética que dedicou um capítulo a essa
temática.
CAPÍTULO V
DO SIGILO PROFISSIONAL
Art. 15. Constitui direito do assistente social manter o sigilo
profissional.
Art. 16. O sigilo protegerá o usuário em tudo aquilo de que o
assistente social tome conhecimento, como decorrência do
exercício da atividade profissional.
Parágrafo único. Em trabalho multidisciplinar só poderão ser
prestadas informações dentro dos limites do estritamente
necessário.
Art. 17. É vedado ao assistente social revelar sigilo profissional.
Art. 18. A quebra do sigilo só é admissível quando se tratarem
de situações cuja gravidade possa, envolvendo ou não fato
delituoso, trazer prejuízo aos interesses do usuário, de
terceiros e da coletividade.
Parágrafo único. A revelação será feita dentro do estritamente
necessário, quer em relação ao assunto revelado, quer ao
grau e número de pessoas que dele devam tomar
conhecimento.
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É dever do assistente social denunciar ao CRESS de sua
base territorial qualquer irregularidade de entidades ou
instituições sociais, ou ainda de conduta indevida de colegas
de profissão.
O artigo 4º da Resolução nº 273/93 do CFESS estabelece
proibições ou obrigações de não fazer ao assistente social.
Como é possível perceber pela leitura do referido artigo.
Art. 4º. É vedado ao assistente social:
a) transgredir qualquer preceito deste Código, bem como da
Lei de Regulamentação da Profissão;
b) praticar e ser conivente com condutas anti-éticas, crimes
ou contravenções penais na prestação de serviços
profissionais, com base nos princípios deste Código, mesmo
que estes sejam praticados por outros profissionais;
c) acatar determinação institucional que fira os princípios e
diretrizes deste Código;
d) compactuar com o exercício ilegal da Profissão, inclusive
nos casos de estagiários que exerçam atribuições específicas,
em substituição aos profissionais;
e) permitir ou exercer a supervisão de aluno de Serviço Social
em Instituições Públicas ou Privadas que não tenham em seu
quadro assistente social que realize acompanhamento direto
ao aluno estagiário;
f) assumir responsabilidade por atividade para as quais não
esteja capacitado pessoal e tecnicamente;
g) substituir profissional que tenha sido exonerado por
defender os princípios da ética profissional, enquanto perdurar
o motivo da exoneração, demissão ou transferência;
h) pleitear para si ou para outrem emprego, cargo ou função
que estejam sendo exercidos por colega;
i) adulterar resultados e fazer declarações falaciosas sobre
situações ou estudos de que tome conhecimento;
j) assinar ou publicar em seu nome ou de outrem trabalhos
de terceiros, mesmo que executados sob sua orientação.
O Código de Ética, em seu artigo 5º, também estabelece
os deveres dos assistentes sociais nas suas reações com os
usuários, sendo eles:
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a) contribuir para a viabilização da participação efetiva da
população usuária nas decisões institucionais;
b) garantir a plena informação e discussão sobre as
possibilidades e consequências das situações apresentadas,
respeitando democraticamente as decisões dos usuários,
mesmo que sejam contrárias aos valores e às crençasindividuais dos profissionais, resguardados os princípios
deste Código;
c) democratizar as informações e o acesso aos programas
disponíveis no espaço institucional;
d) devolver as informações colhidas nos estudos e pesquisas
aos usuários, no sentido de que estes possam usá-los
para o fortalecimento dos seus interesses;
e) informar à população usuária sobre a utilização de
materiais de registro audiovisual e pesquisas a elas
referentes e a forma de sistematização dos dados obtidos;
f) fornecer à população usuária, quando solicitado,
informações concernentes ao trabalho desenvolvido pelo
Serviço Social e as suas conclusões, resguardado o sigilo
profissional;
g) contribuir para a criação de mecanismos que venham
desburocratizar a relação com os usuários, no sentido de
agilizar e melhorar os serviços prestados;
h) esclarecer aos usuários, ao iniciar o trabalho, sobre os
objetivos e a amplitude de sua atuação profissional.
No capítulo II encontramos direitos e deveres que
regulamentam a relação entre os assistentes sociais e as
instituições empregadoras e outras com as quais o profissional
tenha contato.
Art. 7º. Constituem direitos do assistente social:
a) dispor de condições de trabalho condignas seja em
entidade pública ou privada, de forma a garantir a qualidade
do exercício profissional;
b) ter livre acesso à população usuária;
c) ter acesso a informações institucionais que se relacionem
aos programas e políticas sociais e sejam necessárias ao pleno
exercício das atribuições profissionais;
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d) integrar comissões interdisciplinares de ética nos locais de
trabalho do profissional, tanto no que se refere à avaliação
da conduta profissional, como em relação às decisões quanto
às políticas institucionais.
Art. 8º. São deveres do assistente social:
a) programar, administrar, executar e repassar os serviços
sociais assegurados institucionalmente;
b) denunciar falhas nos regulamentos, normas e programas
da instituição em que trabalha, quando os mesmos estiverem
ferindo os princípios e diretrizes deste Código, mobilizando,
inclusive, o Conselho Regional, caso se faça necessário;
c) contribuir para a alteração da correlação de forças
institucionais, apoiando as legítimas demandas de interesse
da população usuária;
d) empenhar-se na viabilização dos direitos sociais dos
usuários, através dos programas e políticas sociais;
e) empregar com transparência as verbas sob a sua
responsabil idade, de acordo com os interesses e
necessidades coletivas dos usuários.
No capítulo III encontramos referência acerca das relações
que os assistentes sociais devem estabelecer com outros
profissionais.
No artigo 13 encontramos algumas disposições acerca da
atuação do assistente social em relação à sociedade civil,
disposições essas marcadamente comprometidas pela justiça
social.
Art. 13. São deveres do assistente social:
a) denunciar ao Conselho Regional as instituições públicas
ou privadas, onde as condições de trabalho não sejam dignas
ou possam prejudicar os usuários ou profissionais.
b) denunciar, no exercício da Profissão, às entidades de
organização da categoria, às autoridades e aos órgãos
competentes, casos de violação da Lei e dos Direitos
Humanos, quanto a: corrupção, maus-tratos, torturas,
ausência de condições mínimas de sobrevivência,
discriminação, preconceito, abuso de autoridade individual e
institucional, qualquer forma de agressão ou falta de respeito
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à integridade física, social e mental do cidadão;
c) respeitar a autonomia dos movimentos populares e das
organizações das classes trabalhadoras.
No artigo 22 encontramos algumas tipificações das
infrações disciplinares que são:
a) exercer a Profissão quando impedido de fazê-lo, ou facilitar,
por qualquer meio, o seu exercício aos não inscritos ou
impedidos;
b) não cumprir, no prazo estabelecido, determinação emanada
do órgão ou autoridade dos Conselhos, em matéria destes,
depois de regularmente notificado;
c) deixar de pagar, regularmente, as anuidades e contribuições
devidas ao Conselho Regional de Serviço Social a que esteja
obrigado;
d) participar de instituição que, tendo por objeto o Serviço
Social, não esteja inscrita no Conselho Regional;
e) fazer ou apresentar declaração, documento falso ou
adulterado, perante o Conselho Regional ou Federal.
As penalidades a que estão sujeitos os infratores podem
ser: a) multa; b) advertência reservada; c) advertência pública;
d) suspensão do exercício profissional; e) cassação do registro
profissional, devendo ser considerada a gravidade e as
circunstâncias do fato, bem como os antecedentes do
profissional.
No artigo 32 encontramos ainda a previsão de prescrição
punitiva para atos ocorridos a mais de cinco anos desde que
não tenha sido instaurado processo ético e disciplinar.
Conforme já mencionado anteriormente a apuração de
infração ético-disciplinar ocorrerá por meio de processo
administrativo, sendo garantida a ampla defesa ao denunciado,
além de direito a recurso para instância superior. Os
procedimentos do processo administrativo estão previstos na
Resolução nº 428/02 do CFESS, denominada também de Código
Processual de Ética, que em 77 artigos regulamenta toda
matéria processual da Resolução nº 273/93 do CFESS.
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Atividades
Como proposta de trabalho a ser realizado em grupo,
sugerimos que os (as) acadêmicos (as), de posse da Lei e do
Código de Ética, preparem um seminário sintetizando e
explicando aos colegas os seus principais tópicos.
Referência comentada
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
A obra indicada para leitura é uma das mais completas
acerca de conhecimentos jurídicos indispensáveis para o
exercício profissional dos egressos do curso de Serviço
Social, aprofundando as reflexões feitas neste capítulo.
Recomendamos ainda a leitura na íntegra das legislações
referidas no capítulo.
Bons Estudos!
Referências
Lei Federal nº 8.662/93
Resolução nº 273/93 - CFESS
Resolução nº 428/02 - CFESS
SIMÕES, Carlos. Curso de Direito do Serviço Social. São
Paulo: Cortez, 2007.
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Autoavaliação
Marque a alternativa correta.
1) A Lei nº 8.662, de 07 de junho de 1993:
a) Regulamenta e controla os serviços profissionais de
assistência social, fixando deveres e prerrogativas, além
de atribuições privativas.
b) Regulamenta e controla os serviços do Poder Público em
matéria de assistência social.
c) Regulamenta os serviços das Organizações que atual na
área de assistência social.
d) Regulamenta as atividades das prefeituras em matéria
de assistência social.
2) A Lei nº 8.662, de 07 de junho de 1993, também é
conhecida como:
a) Código de Ética.
b) LOAS.
c) Lei do Assistente Social.
d) SUAS.
3) A lei que regulamentou a profissão de assistente social
no Brasil foi:
a) Resolução do CFESS nº 290/93.
b) Resolução do CFAS nº 290/ 85.
c) Lei nº 5.342, de 15/09/47.
d) Lei nº 3.252, de 27/08/57.
4) A primeira graduação em Serviço Social criada no Brasil
foi:
a) Em 1948 na USP.
b) Em 1936 na PUC/RS.
c) Em 1936 na atual PUC/SP.
d) Em 1970 na PUC/PR.
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5) A denominação de assistente social pressupõe:
a) Graduação em Ciências Sociais.
b) Graduação em Serviço Social.
c) Graduação em Serviço Social e inscrição no Conselho
Profissional.
Gabarito: 1) A; 2) C; 3) D; 4) B; 5) C;6)D; 7) A; 8) A; 9)
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