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Rio, 06.10.2020 Universidade Estácio de Sá. Disciplina: DIREITO PENAL IV – AV1/2020.02 Profa. Valéria Mikaluckis 1. Dra. Tereza, advogada militante na comarca de Champ du Nort, que possui um temperamento forte, ao discutir com o magistrado, o chama de "juizinho de meia tigela", menoscabando a função por ele exercida. Com base nas aulas ministradas, bem como na legislação penal, identifique a responsabilidade penal de Dra. Tereza. Responda de forma objetiva e fundamentada. Qual o crime praticado? Desacato. Art. 331 do CP. 2. Catarina leva seu veículo para uma determinada entidade autárquica com o objetivo de realizar a fiscalização anual. Carlos, funcionário público que exerce suas funções no local, apesar de não encontrar irregularidades no veículo, verificando a inexperiência de Catarina, que tem apenas 19 anos de idade, solicita R$ 5.000,00 para “liberar” o automóvel sem pendências. Catarina, de imediato, recusa-se a entregar o valor devido e informa o ocorrido ao superior hierárquico de Carlos, que aciona a polícia. Realizada a prisão em flagrante de Carlos, a família é comunicada sobre o fato e procura um advogado para que ele preste esclarecimentos sobre a responsabilidade penal de Carlos. Diante da situação narrada, o advogado da família de Carlos deverá esclarecer que a conduta praticada por Carlos configura, em tese, crime de___ 2. Art.317 do CP núcleo do tipo é “solicitar” 3. Hugo estava dentro de seu automóvel esperando a namorada, quando foi abordado por dois policiais militares. Os policiais exigiram a saída de Hugo do automóvel e sua identificação, que atendeu à determinação. Após revista pessoal e no carro, e nada de ilegal ter sido encontrado, os agentes da lei armaram que Hugo deveria acompanhá-los à Delegacia para que fosse feita uma averiguação, inclusive para ver se havia mandado de prisão contra ele. Após recusa de Hugo, os policiais tentaram algemá-lo, mas ele não aceitou. Considerando apenas as informações expostas, é correto armar que a conduta de Hugo (marque a opção correta) A) configura situação atípica. B) configura o crime de resistência. C) configura o crime de desobediência. D) configura o crime de desacato. 3. Considera-se conduta atípica porquanto não se tratou de ato legal a ser executado pelos policiais. Considerando a inexistência de real motivo à condução de Hugo, a não obediência à ordem sem respaldo legal não pode configurar crime. 4. Gustavo, retornando para casa após ir a uma festa com sua esposa, é parado em uma blitz de rotina. Ele fica bastante nervoso, pois sabe que seu carro está com a documentação totalmente irregular (IPVA atrasado, multas vencidas e vistoria não realizada) e, muito provavelmente, o veículo será rebocado para o depósito. Após determinar a parada do veículo, o policial solicita que Gustavo saia do carro e exiba os documentos. Como havia diversos outros carros parados na fiscalização, forma-se uma fila de motoristas. Gustavo, então, em pé, na fila, aguardando sua vez para exibir a documentação, fala baixinho à sua esposa: “Vou ver se tem jogo. Vou oferecer cem reais pra ele liberar a gente. O que você acha? Será que dá?”. O que Gustavo não sabia, entretanto, é que exatamente atrás dele estava um policial que tudo escutara e, tão logo acaba de proferir as palavras à sua esposa, Gustavo é preso em flagrante. Atordoado, ele pergunta: “O que eu fiz?”, momento em que o policial que efetuava o flagrante responde: “Tentativa de corrupção ativa!”. Atento(a) ao caso narrado e tendo como base apenas as informações descritas no enunciado, responda justificadamente, aos itens a seguir. a) É correto afirmar que Gustavo deve responder por tentativa de corrupção ativa? Não, visto que sequer houve início dos atos executórios do crime do art. 333 do CP. b) Caso o policial responsável por fiscalizar os documentos, observando a situação irregular de Gustavo, solicitasse uma quantia em dinheiro para liberá-lo e, Gustavo, por medo, pagasse tal quantia, ele (Gustavo) responderia por corrupção ativa? O pagamento da vantagem ao funcionário nos limites da exigência, segundo posição dominante na doutrina, não constitui crime, exceto se houver negociação. Situação que configuraria a prática do crime do art. 333 do CP. 5. Tício e Mévio foram condenados pela prática do crime de peculato, previsto no Artigo 312 do Código Penal. Tício, na qualidade de funcionário público, ao ser removido para outro setor do órgão público onde trabalhava, resolveu apropriar-se de todos os equipamentos existentes na antiga sala que ocupava e que pertenciam à administração pública. Como não conseguiria carregar sozinho os equipamentos e nem tinha carro para realizar o transporte, solicitou a ajuda de seu amigo Mévio, este não funcionário público. Mévio concordou em auxiliar seu amigo na empreitada, não apenas ajudando a carregar os equipamentos, mas também emprestando seu carro para o transporte, mesmo tendo ciência de que se tratava de bens públicos e de que Tício tinha sua posse apenas pelo fato de ocupar determinado cargo na administração pública. Ao apelar da sentença condenatória, a Defesa de Mévio alegou que ele não poderia ter sido condenado pela prática de peculato, uma vez que se trata de crime praticado apenas por funcionários públicos. Analise a tese sustentada pela Defesa de Mévio e diga se possui viabilidade jurídica. Justifique. 5. A tese sustentada pela defesa não encontra respaldo legal nem doutrinário. Aquele que concorre para a produção do resultado deve responder pelo crime funcional, ainda que não seja funcionário público, pois a condição pessoal do sujeito ativo comunica-se ao codelinquente, desde que o partícipe tenha conhecimento dessa condição.